Batismo de criança

10-09-2012 20:10

batismo de criança

10-09-2012 15:14

 

BATISMO DE CRIANÇA: ESCLARECIMENTOS E RESPOSTAS ÀS OBEJEÇÕES

O batismo infantil à luz da palavra de Deus

 

Não há nenhum registro bíblico de exclusão dos filhos, mesmo dos recém-nascidos, nos pactos que o Senhor fazia com o seu povo no AT. Ao contrário, sempre que Deus fazia um aliança com os líderes do seu povo, incluía nele os seus filhos, inclusive os bebês. Deus fez um pacto com Adão, que rompido pelo primeiro homem, trouxe a infelicidade para todos os seus filhos e descendentes, inclusive as criancinhas. Depois Deus fez uma aliança com Noé, incluindo igualmente a sua descendência, prometendo-lhe não mais destruir a terra por um dilúvio. O sinal visível dessa aliança foi o arco-íris (Gn 9,8-17). E todos, inclusive os bebês, estavam inclusos nesse pacto. Tanto é que o povo judeu assim entendeu e está aí a História judaica a confirmar a inclusão deles.

 

Deus fez também uma aliança com Abraão nos seguintes termos: “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua semente depois de ti” (Gn 17,7). Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidado (Gn 17,24) e isto em virtude de sua fé pessoal (Rm 4,11). Nesse pacto, porém, Deus incluiu os filhos de Abraão e determinou que todos fossem circuncidados. Ismael tinha treze anos, quando foi circuncidado (Gn 17,25) e Isaac tinha apenas oito dias de nascido (Gn 21,4). Abraão acreditou e o sinal da sua fé foi aplicado no seu filho Isaac mesmo quando este ainda não tinha capacidade para crer. A partir daí, para que uma pessoa integrasse o povo de Deus no AT, era preciso que fosse circuncidada. A família inteira acompanhava os pais, os irmãos e os esposos e eram por eles representada. Todos faziam parte do povo de Deus. Todos, sem exceção, inclusive os bebês. O rito de entrada na Igreja visível do AT e de toda a antiga aliança era a circuncisão, que comumente era administrada aos bebês de oito dias de nascidos (Gn 17,12; Lv 12,3; Lc 1,59; 2,21; Fp 3,5). Os adultos que se integravam ao povo de Deus, assim o faziam em virtude da sua fé pessoal, sendo circuncidados, mas os bebês eram admitidos, pelo mesmo rito, na fé professada pelos pais.

 

  • Isso tudo deixa evidente que desde sempre Deus estabeleceu que as crianças fizessem parte da sua Igreja visível aqui no mundo e nunca as excluiu do sinal externo que indica essa pertença, como é caso da circuncisão no AT e do batismo no NT. A inclusão dos recém-nascidos na Igreja é uma lógica divina. E esse direito dos bebês nunca lhes foi tirado. Sendo, pois, as crianças membros infantis da Igreja, têm elas, de fato, o direito ao sinal exterior e visível dessa realidade, que, na Antiga Aliança, foi a circuncisão e na Nova, é o batismo. O batismo é, pois, o rito da iniciação na Igreja Cristã, na aliança da graça (At. 2,41), assim como o era a circuncisão no AT, e a ele todos, inclusive os nossos filhos recém-nascidos, têm realmente direito.


No Monte Sinai, Deus fez novo pacto com seu povo, no qual novamente estavam incluídas as criancinhas. Posteriormente, esse mesmo pacto foi renovado, em Moab, quando o povo israelita estava para entrar na Terra Prometida. Nesse momento, com as seguintes palavras, Moisés persuade o povo a renovar a sua aliança com o Senhor: “Guardai as palavras desta aliança, e cumpri-as, para que prospereis em tudo quanto fizerdes. Vós estais hoje todos diante do Senhor, vosso Deus; as vossas cabeças, as vossas tribos, os vossos anciãos e os vossos oficiais, a saber, todos os homens de Israel, os vossos pequeninos, vossas mulheres, e o peregrino que está no meio dos vossos arraiais, desde o rachador de tua lenha até o tirador da tua água” (Dt 29,9-11). Essa declaração de Moisés mostra-nos mais uma vez, e claramente, a inclusão dos bebês na lista dos agraciados pela aliança de Deus com o Seu povo. Realmente, nunca as crianças estiveram excluídas das alianças que o Senhor sempre travava com o Seu povo.

 

Tudo isso porque Deus estabeleceu a família inteira, e não apenas alguns indivíduos dela, como ordenança da criação com caráter de perpétua obrigação (Gen 1,27-28; 2,22-24; Mt 19,4-6). A importância da família inteira para o Senhor ressalta-se nas:
I- Diversas genealogias familiares que são mencionadas na Escritura, o que deixa clara a preocupação com a preservação de linhagens familiares (Gen 5,10; Nm 1).
II- Famílias eram consideradas santa herança do Senhor (Sl 127; 128; Is 8,18).
III- Não ter filhos era um problema (Gen 25,41; 30,1; Ex 23,26; Dt 7,14; Sl 113,9; Jer 22,30).
IV- O centro da vida familiar era responsabilidades diante de Deus (Dt 6,4ss; Sl 78,1-8; Prov 13,22; 19,14).
V- Os Dez Mandamentos estabelecem obrigações morais expressas que visam a proteção da família (Ex 20,12.14.17).

 

No AT, Deus instituiu, pois, especificamente sua Aliança da Graça tendo como beneficiárias as gerações de famílias, e não quaisquer indivíduos restritamente. Suas bênçãos foram particularmente prometidas às famílias inteiras, como nos casos de Noé (Gen. 9,9), Abraão (Gn 17,2-7)) e outros (Dt 28,4; Sl 103,17-18; 115,13.14). Ameaças e maldições também direcionavam-se às gerações de famílias (Ex 20,5; Dt 5,9; Os 9,11-17). E em tudo isso estavam inclusas as crianças. Não há nada no AT que insinue exclusão das crianças nesses pactos familiares.

 

No NT, São Lucas, nos Atos dos apóstolos liga intimamente o batismo com a admissão das três mil pessoas que se converteram pela palavra de São Pedro. Em At 2,41, relata-nos o escritor sacro que foram batizadas e admitidas três mil pessoas e, logo em seguida, no versículo 42, refere-se à doutrina, à comunhão e à Eucaristia, que uniam os recém-convertidos aos seus irmãos. O batismo no NT é denominado a circuncisão de Cristo (Cl 2,11.12). Assim, o batismo na Nova Aliança significa tudo quanto significava a circuncisão na Velha. A circuncisão foi substituída pelo batismo cristão. Ora, sendo o batismo, na Nova Aliança, o sinal de inclusão na Igreja, segue-se que os filhos das famílias cristãs, hoje, têm o mesmo direito ao batismo que tinham os filhos dos israelitas à circuncisão. E mais: em nenhuma parte do NT encontramos qualquer texto que negue esse direito às crianças.

 

São Pedro, no dia de Pentecostes, confirma esse direito das crianças quando, anunciando o Evangelho a adultos, capazes de compreender e de crer na sua mensagem, disse-lhes ser preciso arrependerem-se e serem batizados (At 2,38). Obviamente o apóstolo não exigiu o arrependimento ou a fé por parte das crianças, uma vez que são incapazes do exercício desses atos; no entanto, as incluiu na relação dos beneficiados pelas bênçãos dadas pelas promessas divinas. Dirigindo a palavra aos pais neo-cristãos, disse-lhes: “Para vós é a promessa e para vossos filhos (teknia), e para todos os que estão longe, a quantos chamar o Senhor nosso Deus” (At 2,39). A promessa a que se refere o apóstolo é, indiscutivelmente, aquela que foi feita ao povo de Deus através de Abraão e se aplica a todos os que creem (Rm 4,11, 13 e 17). Nós, os que cremos, somos a descendência espiritual de Abraão e os herdeiros das promessas que lhe foram feitas. É São Paulo mesmo quem no-lo diz: “Justamente como Abraão creu a Deus, e foi-lhe imputado para justiça; sabei, pois, que os que são da fé, esses são filhos de Abraão. A Escritura, prevendo que Deus justificaria os gentios pela fé, de antemão anunciou as boas novas a Abraão: ‘Em ti serão bem-aventuradas todas as nações’. Assim os que são da fé, são bem aventurados com o fiel Abraão” (Gl 3:6-9). O apóstolo São Pedro afirmava essa mesma verdade, quando dizia aos três mil batizados no dia de Pentecostes: “A promessa é para vós e para vossos filhos”. E não adiantaria objetar que São Pedro se refere somente a filhos adultos dos cristãos em At 2,39, pois se fosse assim não compreenderiam os ouvintes de Pedro, que eram judeus convertidos, porque eles sabiam que a promessa a que o apóstolo fizera referência era a mesma que Deus fizera a Abraão e aos seus descendentes e que, portanto, os filhos menores estavam inclusos nas promessas. Inúmeros bebês de apenas oito dias foram integrados no povo de Deus, pela circuncisão, durante todo o período do AT.

 

A nossa assertiva é ainda mais confirmada porque a palavra grega usada aqui para “filhos” é TEKNIA que significa criancinhas, filhos pequeninos, crianças de peito.

Notemos ainda que São Pedro cita três classes de pessoas às quais foi feita a promessa:
1- Vós- os adultos ouvintes da sua pregação, na maioria judeus e prosélitos do Judaísmo, pertencentes ao antigo povo de Deus.
2- Vossos filhos- isto é, os filhos do povo de Deus, sem abrir nenhuma exceção para os recém-nascidos. Ao contrário, incluindo-as com o termo TEKNIA.
3- Todos os que estão longe, a quantos chamar o Senhor nosso Deus- isto é, os outros, judeus e gentios, que no futuro se converterão. Já era comum os judeus, na Antiga Aliança, incluírem os filhos na Igreja visível de Deus, pelo rito da circuncisão. Só podiam, pois, entender as palavras de São Pedro a incluir os filhinhos na Igreja visível da Nova Aliança. Se fosse diferente, São Pedro precisaria dizer publicamente que as crianças estavam exclusas, no entanto, isso não ocorre no texto. E mais ainda, o autor inspirado não usaria o termo TEKNIA.

O batismo infantil é confirmado também na ocasião do batismo de Lídia e de Estéfanas. S. Paulo menciona que Lídia recebeu o batismo "com todos os de sua casa"; (At 16,14.15) e aos coríntios Paulo também diz que batizou a família de Estéfanas (1Cor 1,16). Nesses casos, certamente não faltavam crianças pequenas.

 

Comentando 1Coríntios 1,10-17, diz S.E. Mcnair, escritor protestante, no seu livro “A BÍBLIA EXPLICADA”, livro publicado pela CPAD, p. 416: “Podemos perceber uma diferença, mediante a tradução da V.B., entre a família (OIKOS) de Estéfanas em 1,16 e a ‘casa’ (OIKIA) dele em 16,15. Diz F.W. Grant numa nota: ’A casa de Estéfanas, de que lemos ao fim da epístola, que ‘se dedicaram ao serviço dos santos’, parece referir-se aos criados, sendo a palavra diferente: ‘OIKIA’ e não ‘OIKOS’. ‘Os da casa de César’ (‘OIKIA’, Fl 4,22) não se refere aos filhos dele; pois em todos os casos onde importa os filhos, a palavra é ‘OIKOS’ ”.

 

Sendo assim, segundo o próprio protestante Mcnair, em 1Cor temos a palavra grega OIKOS que se refere à família inteira, incluindo aí nela os filhos. Obviamente, se as crianças estivessem excluídas, o autor sacro não faria o que sempre foi feito desde o AT: incluir a família sem exceção. Há também outras passagens de batismo de famílias inteiras registradas em At 11,14.44-48;16,31-33. O próprio Jesus afirma a Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo, que quem não nascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus." (Jo 3,5) Notemos que neste último texto, Cristo não exclui ninguém. Portanto, as crianças evidentemente estão nele inclusas.

 

Para os primeiros cristãos o batismo infantil era algo normal e corriqueiro. Nunca tiveram dúvida de que o Senhor também chama ao batismo os recém-nascidos. Por isso é que os grandes escritores daquele período nos testificam a primitividade de tal batismo. Assim é que, por exemplo, Santo Ireneu (que viveu entre 140 a 204) escreveu : "Jesus veio salvar todos os que através dele nasceram de novo de Deus: os recém-nascidos, os meninos, os jovens e os velhos". (Adv.Haer. livro 2). São Justino, o mártir, no seu livro Apologia I, confirma o testemunho de Sto. Irineu dizendo que ele está referindo-se ao batismo de criancinhas. Tertuliano (+220), teólogo do 3º século, defendia que seria melhor aos homens não serem batizados muito cedo, pois, entendia que o batismo perdoa os pecados, e assim diz que as criancinhas deveriam ser batizadas mais tarde. Esse testemunho de Tertuliano deixa claro, porém, que o batismo de crianças era uma prática comum na história da Igreja. Orígenes (185-255) também disse: "A igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos". (Epist. ad Rom. Livro 5,9). E S. Cipriano (+258) escreveu: "Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (Carta a Fido). Um Sínodo da África, sob São Cipriano de Cartago (†258) aprovou que se batizasse crianças “já a partir do segundo ou terceiro dia após o nascimento” (Epist. 64). O Concílio de Cartago (em 418) responde a uma carta de Fido sobre que tempo se deve esperar para batizar uma criancinha. O Concílio com 66 bispos, decidiu unanimemente que a criança poderia ser batizada antes do oitavo dia de nascido. Afirmaram os padres conciliares: “Também os mais pequeninos que não tenham ainda podido cometer pessoalmente um pecado, são verdadeiramente batizados para a remissão dos pecados, a fim de que, mediante a regeneração, seja purificado aquilo que eles têm de nascença” (Cânon 2, DS,223). Pelágio, no ano 350, escreveu o seguinte: ”Nunca tive conhecimento de alguém, nem mesmo o mais ímpio herege, que negasse o batismo às criancinhas”. Sto Agostinho – doutor da graça – escreveu defendendo o Batismo infantil como sendo a fonte de redenção dos pequeninos.

 

Esses testemunhos aí mencionados, desmascaram aquela grande invenção protestante de que somente a partir de 416 da era cristã a Igreja começou a batizar os bebês. Ora, se isso fosse verdade, não teríamos esses testemunhos de batismo infantil anteriores a essa data.

 

Um argumento dos inimigos do batismo infantil é o de que Jesus só se batizou aos trinta anos. Assim, pretendem insinuar que por que Cristo se batizou aos 30 anos, nós não podemos batizar crianças. Mas é claro que Jesus não iria se batizar quando criança, pois na época da infância de Cristo simplesmente não havia batismo. O batismo cristão foi inventado justamente por Ele. Além do mais, se os caros amigos protestantes opositores do batismo infantil querem mesmo literalizar isso aí, então, por que batizam adolescente, ou mesmo criança após os 7 anos, se Jesus se batizou aos 30? Vale relembrar também que Abraão foi circuncidado aos 99 anos, no entanto, após ele, todos os recém-nascidos foram circuncidados. Teria razão alguém daquele período objetar contra a circuncisão infantil, o fato de Abraão só ter sido circuncidado aos 99? É claro que se a circuncisão começou com Abraão, não significa necessariamente que a circuncisão só poderia ser aplicada em gente adulta. Tanto é que não foi assim. Semelhantemente o batismo de Cristo não prova nada contra o batismo de crianças. E a situação dos opositores do batismo infantil mais ainda se complica ao percebermos que o batismo substituiu a circuncisão.

 

Os anti-pedobatistas citam Mc 16,15-16 e objetam que para uma pessoa ser batizada é necessário crer. Segundo eles, o ato de crer precede o de batizar, e assim, as crianças não podem crer, logo, não devem ser batizadas. Essa conclusão, todavia, não procede, pois, se for verdade que nesse texto as crianças estão excluídas de algo, esse algo é a salvação, não o batismo, pois o versículo 16 diz que “QUEM NÃO CRER ESTÁ CONDENADO”. E essa última conclusão é logicamente absurda. Em adição a isso, existem passagens no NT sugerindo que em diversos casos a fé não precede o batismo. Em Atos 19,4.5, por exemplo, São Paulo nos fala sobre o batismo de João e como este dizia às pessoas, quando as batizava que elas deveriam crer naquele que viria após ele. Notemos que João batizava mesmo antes de crerem em Cristo! O que confirma que a fé não antecede necessariamente o batismo. Se, ao crescer, uma criança batizada quiser desviar-se da fé dos seus pais, é de sua inteira responsabilidade, assim como os que foram batizados na fase adulta e que se desviam depois. Nenhum pai espera o filho chegar à idade adulta para lhe perguntar se ele quer ser educado, se quer ir à escola ou se quer tomar vacinas, por exemplo. E mais: algum pai recusaria uma herança deixada para o seu filho só porque ele não ainda não tem a capacidade de escolha? É óbvio que não. Pois bem, semelhantemente deve-se proceder com os valores espirituais. O batismo é um bem dado à criança, e bem não se recusa.

 

Alegar também que Mc 1,4 contraria o batismo infantil porque o batismo de João era em sinal de arrependimento, e a criança não pode se arrepender, também não procede. Na realidade, enquanto o batismo de João era para arrependimento, o batismo cristão é para perdão de pecados (veja At 2,38, por exemplo). Com efeito, o próprio João distinguiu o seu batismo do de Cristo apenas 5 versículos depois (veja Mc 1,9). Essa afirmação fica também confirmada em Mt 28,19, em que Cristo diz que o batismo cristão será ministrado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, nome nos quais João com certeza nunca batizou. Em At 19,1-7, o autor inspirado mostra pessoas batizadas no batismo de João, sendo batizadas no batismo cristão. Se precisaram ser batizadas novamente, é lógico que os dois batismos são distintos e não têm o mesmo objetivo.
 

O escritor Mcnair, citado atrás, comentando sobre o batismo de João e o batismo cristão, mostra-nos a diferença entre os dois batismos no mesmo livro mencionado acima, p. 311, no comentário a Mt 3,1-12:”O batismo de João não era o batismo cristão em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas do arrependimento a fim de ‘preparar o caminho do senhor’ ”.

E toda essa nossa afirmação é corroborada também por alguns ramos protestantes como estes a seguir, os quais sem hesitação, também batizam as criancinhas:

http://www.metodistajardimnovo.org/tabid/188/Default.aspx

http://presbiterianoscalvinistas.blogspot.com/2008/06/batismo-infantil-uma-doutrina-peculiar.html

http://www.primeiraipbitajai.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=94&Itemid=40

www.monergismo.co
fonte:

www.programafalandodefe.com.br/formaçao

 
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* Porque a Igreja Católica batiza crianças? Uma resposta biblicamente Irrefutável

Algumas igrejas protestantes, principalmente as fundamentalistas, criticam a prática da Igreja Católica de batizar crianças. Para eles, o batismo é reservado apenas para adultos e crianças mais crescidas, pois este deve ser administrado apenas após a evidência do “nascer de novo” – isto é, após a pessoa “aceitar Jesus como único Senhor e salvador”.

No instante desta “aceitação”, a pessoa “nasce de novo” e se torna cristão, um dos eleitos, e sua salvação está garantida, para sempre. Só então se segue o batismo, já que este não possui poder salvífico algum. Na verdade, quem morre antes que seja batizado, mas depois de ter “aceitado” Jesus, vai para o paraíso de qualquer forma.

Da forma como estes protestantes entendem, o batismo não é um sacramento (no real sentido da palavra) mas um ordenança. De forma alguma transmitiria a graça que está simbolizando. Para eles, é apenas um manifestação pública da conversão de alguém. Pelo fato de somente adultos ou crianças maiores poderem se converter, o batismo é negado às crianças que ainda não alcançaram a “idade da razão” (em torno dos sete anos). A maioria destes fundamentalistas bíblicos afirmam que durante os anos anteriores à idade da razão, os bebês e as crianças menores estão automaticamente salvas. Assim que determinado indivíduo alcança a tal idade, deve “aceitar” Jesus para alcançar o paraíso.

Desde os tempos do Antigo Testamento, a Igreja Católica entendeu o batismo de forma diferente, ensinando que este é um sacramento que traz consigo diversas coisas, a primeira das quais é a remissão dos pecados, tanto o pecado original como o pecado atual – apenas o pecado original no caso dos bebês e crianças pequenas, pois são incapazes de pecado atual – quando o batizado for adolescente ou adulto.

Pedro explica o que no ocorre no batismo quando diz, arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo (At 2,38). Porém, ele não faz restrição a este ensinamento apenas aos adultos. Ele acrescenta, pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus (v.39). E também lemos, Levanta-te. Recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o seu nome (At 22,16). Este mandamento é universal, não restrito a adultos. Além do mais, estes versículos tornam clara a necessária conexão entre o batismo e a salvação, uma conexão explicitamente mencionada por Pedro, que diz, esta água prefigurava o batismo de agora, que vos salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo (1Pd 3,21).

Cristo chama todos ao batismo

Apesar de os protestantes fundamentalistas modernos serem os principais opositores do batismo de crianças, esta heresia não é nova. Na idade média, alguns grupos começaram a rejeitar o pedobatismo, como os Cátaros e Valdenses. Mais tarde, os Anabatistas (re-batizadores) deram prosseguimento a esta corrente doutrinária, afirmando que crianças são incapazes de receber o batismo validamente. Porém, a Igreja Cristã historicamente sempre sustentou que as leis de Cristo se aplicam às crianças da mesma forma como aos adultos, pois Cristo disse que ninguém poderá entrar no céu a menos que tenha renascido pela água e pelo Espírito (Jo 3,5). Suas palavras devem ser aplicadas a todos aqueles que desejem ter direito ao seu reino. Ele também defendeu este direito mesmo às crianças, deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham (Mt 19,14).

Lucas nos dá mais detalhes sobre esta bela passagem das Escrituras. Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isto, os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas (Lc 18,15-16).

Os protestantes afirmam que estas passagens não se aplicam a crianças mais jovens e a bebês pois a passagem implica que as crianças a que Cristo está se referindo são aquelas que podem ir até ele por si mesmas (algumas traduções trazem “soltem as criancinhas para que venham a mim”, o que dá a entender que elas poderiam fazer isso por si próprias). Os fundamentalistas, então, concluem que a passagem se aplica somente às crianças que são capazes de andar, e, presumivelmente, capazes de cometer pecados. Mas o texto de Lc 18,15 diz Trouxeram-lhe também criancinhas (do grego proseferon de auto kai ta brephe). A palavra grega brephe significa “bebês, crianças nos primeiros anos de vida” – crianças completamente incapazes de chegar até Cristo por si mesmas e que não possuem a capacidade de fazer uma decisão consciente de “aceitar Jesus como seu Senhor e salvador”. Este é precisamente o problema.

Os fundamentalistas refutam a possibilidade de conceder o batismo a crianças por que elas não possuem ainda a capacidade de fazer uma escolha consciente, como esta, por exemplo. Mas notem que Jesus diz porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas [referindo-se justamente a estas crianças que estavam sendo levadas a ele por suas mães/responsáveis]. O Senhor não exigiu que elas fizessem uma escolha consciente. Disse que elas são precisamente o tipo de pessoa que pode vir até Ele e receber o reino. Então com que bases, pergunta-se aos protestantes fundamentalistas, os bebês e as crianças jovens deveriam ser excluídas do sacramento do batismo? Se Jesus disse Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque impedi-las negando-as o batismo?

Em lugar da Circuncisão

Além disso, Paulo nota que o batismo substitui a circuncisão (cf. Cl 2,11-12). Nesta passagem, ele se refere ao batismo como “circuncisão de Cristo” e “circuncisão não feita por mão de homem”. Usualmente, somente crianças eram circuncidadas sob a Antiga Lei; a circuncisão de adultos era rara, pois eram poucos os convertidos ao judaísmo. Se Paulo quisesse excluir as crianças, não teria escolhido a circuncisão como paralelo do batismo.

Esta comparação entre quem poderia receber o batismo e a circuncisão é muito apropriada. No Antigo Testamento, se alguém quisesse se tornar judeu, deveria crer no Deus de Israel, e ser circuncidado. No Novo Testamento, se alguém quisesse se tornar cristão, deveria crer em Deus e em Seu Filho Jesus, e ser batizado.

No Antigo Testamento, aqueles nascidos em lares judeus poderiam ser circuncidados em antecipação à fé judaica na qual iriam crescer e praticar. Da mesma forma, no Novo Testamento, aqueles nascidos em lares cristãos poderiam ser batizados em antecipação à fé cristã na qual iriam crescer e praticar. O caminho é o mesmo: se alguém é adulto, deverá proclamar a fé para ser aceito entre os membros; porém se este alguém é uma criança que ainda não possui faculdades para proclamar a fé, a ele será conferido o rito para aceitação entre os membros sabendo que será nesta fé que irá crescer. Esta é a base da referência de Paulo ao batismo como sendo uma “circuncisão de Cristo” – ou seja, o equivalente cristão da circuncisão.

Somente adultos eram batizados?

Os fundamentalistas relutam em admitir que a Escritura em lugar algum restringe o batismo a adultos, mas quando pressionados, acabam admitindo. Eles concluem que mesmo que o texto não explicite esta idéia, existem significados que suportam esta visão. Naturalmente, as pessoas cujos batismos são lidos na Escritura (e alguns são identificados individualmente) eram adultos, mas porque foram convertidos como adultos. Isto faz muito sentido, pois o cristianismo estava apenas em seu começo. Não existia ainda uma “população cristã”, com crianças educadas em lares cristãos, etc.

Mesmo nos livros do Novo Testamento escritos mais tardiamente no primeiro século, nós nunca – nem mesmo uma vez – vemos uma criança crescida em lar cristão sendo batizada apenas após fazer a tal “decisão” por Cristo. De preferência, sempre se assumiu que as crianças nascidas em lares cristãos já eram cristãs, pois já haviam sido “batizadas em Cristo” (Rm 6,3). Se o batismo de crianças não fosse o costume, deveriam haver referências de filhos de pais cristãos sendo aceitos na Igreja apenas após chegarem à idade da razão, mas não há nenhuma referência a isso na Bíblia.

Referências Bíblicas?

Mas, alguém poderia perguntar, a Bíblia diz que bebês e crianças menores podem ser batizadas? As evidências são claras. No Novo Testamento  lemos que Lídia foi convertida pela pregação de Paulo e que foi batizada juntamente com a sua família (At 16,15). O carcereiro a quem Paulo e Silas converteram foi batizado naquela noite juntamente com sua família, então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família(v. 33). Em sua saudação aos coríntios, Paulo recorda, aliás, batizei também a família de Estéfanas(1Cor 1,16).

Em todos estes casos, lares e famílias inteiras foram batizadas. Isto significa mais do que apenas o cônjuge, pois as crianças também estavam incluídas. Se o texto de Atos fizesse referências apenas ao carcereiro e à sua esposa, porque não lemos “foi batizado, ele e sua esposa”? Portanto, suas crianças também deveriam estar incluídas. O mesmo se aplica aos demais batismos semelhantes citados na Escritura.

Devemos admitir que é impossível conhecer a idade exata das crianças; poderiam ser crianças que já passaram da idade da razão, mas também poderiam ser bebês ou crianças menores, mais jovens. É mais provável que habitassem tanto crianças mais novas como mais velhas, e certamente haveriam crianças que ainda não alcançaram a idade da razão nestes e tantos outros lares que foram batizados, especialmente se considerarmos que a sociedade da época não se preocupava com métodos de controle de natalidade. Além do mais, dado o caminho para o entendimento de batismo em lares inteiros, se houvesse exceção a esta regra (as crianças), deveria estar explícita.

Padres e Concílios

A doutrina da Igreja Católica de hoje sempre foi a mesma adotada desde o início do cristianismo. Orígenes, por exemplo, escreveu no terceiro século que “de acordo com o costume da Igreja, o batismo é conferido às crianças” [Homilia a Leviticus 8:3:11, (244 d.C.}]. O Concílio de Cartago, em 253, condenou a doutrina de que o batismo das crianças deveria ser adiado até os oito anos de idade. Mais tarde, Santo Agostinho ensinou que “O costume da madre Igreja de batizar crianças certamente não deve ser zombado…nem que esta tradição seja algo que não dos apóstolos” [Interpretação Literal do Gênesis 10:23:39 (408 d.C.)]

Sem chance para “invenção”

Nenhum dos pais ou Concílios da Igreja disse que esta prática era contrária às Escrituras ou à Tradição. Concordavam que o batismo de crianças era uma prática costumeira e apropriada desde os tempos da Igreja primitiva; a única incerteza parecia ser quando – exatamente – a criança deveria ser batizada. Mais evidências de que o batismo de crianças era uma prática aceita na Igreja primitiva é o fato de que se o batismo infantil fosse contrário às práticas religiosas dos primeiros cristãos, porque não possuímos nenhum documento, nenhum, de escritores cristãos que reprovem esta prática?

Entretanto os protestantes fundamentalistas buscam ignorar os escritos dos primitivos cristãos que claramente legitimam o batismo infantil. Tentam se refugiar apelando para a história de que o batismo requer fé e, pelo fato de as crianças serem incapazes de terem fé, não podem ser batizadas. É verdade que Cristo deu instruções sobre a fé atual de adultos convertidos (Mt 28,19-20), mas a sua lei geral sobre a necessidade do batismo (cf. Jo 3,5) não coloca restrições aos sujeitos ao batismo. Apesar de as crianças estarem incluídas na lei que Ele estabeleceu, existem exigências da lei que elas ainda não podem cumprir por causa de sua idade. Não se pode esperar que sejam instruídos e tenham fé se ainda são incapazes de receber alguma instrução ou manifestar a fé. O mesmo é verdadeiro para a circuncisão, a fé em Deus era necessária para que o adulto a recebesse, mas não se fazia necessária aos filhos dos judeus.

Além do mais, a Bíblia nunca diz “a fé em Cristo é necessária à salvação, com exceção das crianças”, mas simplesmente diz “a fé em Cristo é necessária à salvação”. Mesmo os protestantes fundamentalistas devem admitir que aqui há uma exceção às crianças a menos que desejem condenar todas as crianças automaticamente ao inferno. Desta forma, os próprios protestantes fazem uma exceção às crianças em relação à necessidade da fé para alcançar a salvação. Eles, dessa forma, criticam o católico por fazer a mesma exceção para o batismo, especialmente se, como cremos, o batismo for um instrumento para a salvação.

Torna-se aparente, então, que a posição fundamentalista acerca do batismo infantil de fato não é conseqüência de críticas bíblicas, mas da idéia protestante da salvação. Na realidade, a Bíblia indica que as crianças podem, e devem, ser batizadas, pois elas também podem herdar o Reino dos Céus. Além disso, o testemunho e a prática das primeiras comunidades devem silenciar de uma vez por todas os que criticam a prática da Igreja Católica de batizar crianças. A Igreja apenas dá continuidade à tradição estabelecida pelos primeiros cristãos, que atenderam as palavras de Jesus, Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas (Lc 18,16).

Fonte: Catholic Answers. Tradução: Rondinelly Ribeiro.

http://www.comshalom.org/blog/carmadelio/24887-porque-a-igreja-catolica-batiza-criancas-uma-resposta-biblicamente-irrefutavel

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O Batismo de Crianças

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"Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas" (Lc 18,16).

O Protestantismo durante a Reforma no século XV inventou que o Batismo não pode ser ministrado às crianças. Esta novidade foi introduzida pelos Anabatistas. Note que os primeros protestantes (Luteranos, Presbiterianos, Calvinista e Anglicanos), guardam até hoje o batismo de crianças.

 

A Sagrada Escritura

A Sagrada Escritura cita vários exemplos de pagãos que professaram a fé cristã e que foram batizados "com toda a sua casa". A palavra "casa" ("domus", em latim; "oikos", em grego) designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças:

  • "Disse-lhes Pedro: 'Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo. A promessa diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos que estão longe - a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar'." (Atos 2,38-39)
  • "E uma certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. E, depois que foi batizada, ela e a sua casa rogou-nos dizendo: 'Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali'. E nos constrangeu a isso." (At 16,14-15)
  • "Tomando-os o carcereiro consigo naquela mesma noite, lavou-lhes os vergões; então logo foi batizado, ele e todos os seus." (At 16,33)
  • "Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor, com toda a sua casa; e muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados." (At 18,8)
  • "Batizei também a família de Estéfanas; além destes, não sei se batizei algum outro." (1Cor 1,16)

Argumentos Protestantes

Os protestantes costumam argumentar dizendo que Jesus foi apresentado no tempo quando criança e somente foi batizado na idade adulta, e por isto eles apresentam suas crianças no altar e batizam os adultos. Só que se esquecem que o Batismo faz parte do ministério de Jesus, que se iniciou com 30 anos. Como Jesus poderia ser batizado quando criança se ainda seu ministério nem havia iniciado? Os ritos da lei mosaica só deixariam de valer após a ressurreição de Cristo (cf. Mt 26,61). Por isto, Jesus foi apresentado no tempo quando criança, pois a lei mosaica ainda valia e o batismo ainda não.

A circuncisão que era o sinal da iniciação do Judeu na vida religiosa, era realizado também nas crianças. A circuncisão (sinal da Antiga Aliança), foi substituída pela Batismo (Sinal da Nova Aliança). Desta forma o batismo também pode ser ministrado às crianças:

"Nele também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados com ele no batismo, nele também ressurgistes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos." (Col 2,11-12)

Através do batismo o Espírito Santo nos dá um novo nascimento, nos regenerando. Por isto, as crianças também devem ser batizadas, pois já nascem pecadores. "Todos pecaram" em razão do pecado de Adão, inclusive as crianças:

  • "Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3,23)
  • "Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram." (Rm 5,12)
  • "Certamente em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe." (Sl 51,5)

Outro argumento protestante é que as crianças não podem crer, e que o batismo deve ser um ato consciente de quem está sendo batizado. Como já dissemos em artigo anterior, o batismo regenera o homem. Por acaso se um filho de um protestante estiver doente, seu pai vai esperar que ele cresça para escolher tomar a vacina, ou vai lhe dar a vacina? Todo bom pai faria daria logo a vacina. O mesmo acontece com o batismo. Mas de qualquer forma, vamos mostrar pela Sagrada Escritura que as crianças podem crer:

  • "E quem escandalizar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse lançado ao mar" (Mc 9,42)
  • "Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo. Exclamou ela em alta voz: 'Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor? Ao chegar-me aos ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.'" (Lc 1,41-44)
  • "Contudo, tu me tiraste do ventre; tu me preservaste, estando eu ainda aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre da minha mãe." (Sl 22,9-10)

Testemunhos Primitivos

Nosso Senhor Jesus Cristo garantiu que a Igreja nunca pregaria o erro (cf. Mt 16,18), e garantiu a Sua Assistência Divina à Igreja todos os dias até o final dos tempos (cf. Mt 28,20). Para desmentir o que os protestantes pregam, dizendo que a Igreja modificou a doutrina, ou apostatou, transcreveremos abaixo alguns dos testemunhos primitivos, que provam que a Igreja ensina hoje o mesmo que ensinava nos tempos mais remotos do cristianismo:

"Ele (Jesus) veio para salvar a todos através dele mesmo, isto é, a todos que através dele são renascidos em Deus: bebês, crianças, jovens e adultos. Portanto, ele passa através de toda idade, torna-se um bebê para um bebê, santificando os bebês; uma criança para as crianças, santificando-as nessa idade...(e assim por diante); ele pode ser o mestre perfeito em todas as coisas, perfeito não somente manifestando a verdade, perfeito também com respeito a cada idade" (Santo Irineu, ano 189 - Contra Heresias II,22,4).

"Onde não há escassez de água, a água corrente deve passar pela fonte batismal ou ser derramada por cima; mas se a água é escassa, seja em situação constante, seja em determinadas ocasiões, então se use qualquer água disponível. Dispa-se-lhes de suas roupas, batize-se primeiro as crianças, e se elas podem falar, deixe-as falar. Se não, que seus pais ou outros parentes falem por elas" (Hipólito, ano 215 - Tradição Apostólica 21,16).

"A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar Batismo mesmo às crianças. Os apóstolos, aos quais foi dado os segredos dos divinos sacramentos sabiam que havia em cada pessoa inclinações inatas do pecado (original), que deviam ser lavadas pela água e pelo Espírito" (Orígenes, ano 248 - Comentários sobre a Epístola aos Romanos 5:9)

"Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (São Cipriano, ano 248 - Carta a Fido).

Conclusão

O batismo é uma graça regenerativa para a vida humana. Ninguém deve ser privado desta graça. O batismo deve ser principalmente ministrado para as crianças. E esta sempre foi a prática da Igreja.

Ninguém tem o direito de negar esta graça às crianças. É através do batismo que temos nossa primeira experiência com Jesus. Creio que Jesus está fazendo o seguinte apelo aos protestantes: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais" (Lc 18,16).

www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/549-o-batismo-de-criancas

 

Batismo: esclarecimentos e refutações

24 de março de 2009 | Comente!
 

Saiba como refutar a objeção dos protestantes sobre a validade do Batismo das crianças e a respeito do Batismo por imersão.

 Cônego José Luiz Villac

Perguntas: Gostaria que o Sr. respondesse:

– Os protestantes acham que o Batismo das crianças não tem validade por serem crianças e por não ser Batismo por imersão. Como refutá-los?

– Por que hoje em dia não se batiza mais por imersão, como São João batizava e como Cristo foi batizado?

Resposta: No que se refere à validade do Batismo das crianças, já respondemos a essa questão na última edição de Catolicismo.

Quanto ao Batismo ministrado por São João Batista, ao qual também se submeteu Nosso Senhor Jesus Cristo, ainda não era o Sacramento do Batismo, tal como o conhecemos hoje, e que foi instituído pelo mesmo Nosso Senhor algum tempo depois de ter sido batizado por São João.

Batismo de João era um rito penitencial, preparatório e prefigurativo do verdadeiro Batismo. O próprio Batista é explícito quanto a esse ponto: “Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas Aquele que virá depois de mim …. vos batizará no Espírito Santo e em fogo” (São Mateus 3,11; São Marcos 1,8; São Lucas 3,16).

E os Apóstolos, depois de Pentecostes, batizavam todos os convertidos, sem perguntar se já haviam recebido o Batismo de João (Atos 2,38), o que não fariam se fosse o mesmo Batismo.

Seja como for, embora se possa deduzir que o Batismo de João tivesse sido por imersão, este fato não torna obrigatório que fosse realizado sempre dessa maneira o Batismo instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Tampouco está afirmado no Novo Testamento que os Apóstolos e os discípulos batizavam sempre por imersão.

Pelo que, se alguém quiser encontrar esse dado na Bíblia (como pretendem tê-lo feito os protestantes), de fato, em vão o procurará.

Já é mais difícil admitir que as três mil pessoas batizadas pelos Apóstolos no dia de Pentecostes (Atos 2,41), o tenham sido todas por imersão, parecendo mais plausível a administração do Sacramento mediante aspersão.

É ainda menos provável, dadas as circunstâncias de tempo e lugar, ter sido por imersão o Batismo noturno conferido por São Paulona prisão,ao carcereiro da cidade de Filipos e a toda sua família (Atos 16,33), podendo supor-se que tenha sido, com maior probabilidade, por infusão. O próprio Batismo de São Paulo por Ananias, na casa de um certo Judas (Atos 9,18; 22,16), é difícil imaginar que tenha sido por imersão.

Pelos testemunhos da Tradição (que os protestantes não aceitam, e com isso ficam muitas vezes sem saída), sabe-se que os três modos — por infusão, imersão ou aspersão — eram empregados na Igreja primitiva, de acordo com as circunstâncias.

Vejamos o que a tal respeito diz a Didaqué, também conhecida comoDoutrina do Senhor através dos doze Apóstolos aos gentios ou, simplesmente, Doutrina dos Apóstolos. É um escrito que data de fins do século 1º de nossa era; portanto, bem próximo aos livros do Novo Testamento. Trata-se do mais antigo manual de religião ou catecismo da comunidade cristã primeva de que se tem conhecimento.

Ali se ensina a respeito do modo de batizar: “Quanto ao batismo, procedam assim: depois de ditas todas essas coisas [isto é, de instruídos os catecúmenos na doutrina cristã], batizem em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Se não se tem água corrente, batize em qualquer outra água; se não puder batizar em água fria, faça-o em água quente. Na falta de uma e outra, derrame três vezes água sobre a cabeça [do neófito], em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.(Didaqué, VII — Tradução, introdução e notas: Pe. Ivo Storniolo-Euclides Martins Balancin, Ed. Paulus, São Paulo, 1989, p. 19).

Como se vê, já no século 1º — ou seja, quando ainda viviam muitos dos discípulos dos Apóstolos — praticava-se o Batismo também por infusão, isto é, derramando água sobre a cabeça do neófito.

É certo que o rito da imersão era comum na Antiguidade, conforme se pode constatar pelos documentos da época e pelos próprios batistérios, construídos precisamente para tal fim. Porém não era exclusivo, sendo praticados também os outros ritos.

Aos poucos, na Igreja latina, o Batismo por infusão foi-se generalizando, por razões diversas, entre as quais a decência, pois a prática da imersão estava sujeita a abusos, sobretudo em relação às mulheres. Outra razão era a dignidade do próprio Sacramento, pois nem sempre era possível praticar a imersão sem os inconvenientes do prosaísmo inerente a ela (basta ver o caso de certas seitas protestantes que batizam em rios, lagoas ou mesmo piscinas).

No Oriente, entre os católicos, o Batismo por imersão continuou a prevalecer até nossos dias.

Quanto à aspersão, embora em teoria seja válido o Batismo assim conferido, e conste que tenha sido empregada, nunca chegou a ser uma prática generalizada na Igreja. Isto pelo risco de que a água lançada com as mãos, com o hissopo ou com ramos não atinja o corpo das pessoas e escorra por ele, mas apenas lhes molhe as roupas, o que tornaria inválido o Sacramento.

Pois, como explicamos em número anterior desta revista, o rito do Batismo consiste numa ablução externa do corpo com água, sob a invocação expressa das pessoas da Santíssima Trindade. A palavraablução significa o ato de lavar. Assim, o Batismo, simbolicamente, lava a pessoa, limpa-a, purifica-a.

Portanto, o essencial é que a água realmente toque o corpo da pessoa e escorra por ele, como acontece quando alguém é lavado. E isto se obtém por qualquer dos três modos praticados: infusão, imersão ou aspersão, embora esta tenha os inconvenientes acima apontados.

Em outras palavras, o Batismo por infusão já era conhecido e praticado desde os primeiros séculos, sendo feito desse modo, conforme as necessidades das circunstâncias, o que sucedia com bastante freqüência. Pois como se podia imergir inteiramente na água um pobre homem doente, quiçá prestes a morrer? De que maneira um mártir, mantido em uma estreita prisão, teria podido achar água suficiente para imergir seus guardas, ou seu carcereiro, que se convertiam ao ver seus milagres ou ao contemplar sua capacidade de sofrer e valor?…

Em conclusão: a Bíblia geralmente não descreve o modo como batizavam os Apóstolos e os discípulos. E também não diz que o modo era sempre o mesmo. Podem fazer-se apenas conjecturas a partir do texto sagrado; porém, não é válido qualquer coisa com toda a certeza, a respeito do assunto. Pelo testemunho da Tradição, sabe-se que na Igreja primitiva, conforme o ensinamento dos Apóstolos, usavam-se as três formas acima referidas (infusão, imersão e aspersão).

Assim, carece de fundamento a objeção de certos protestantes (como os Batistas), que negam validade ao Batismo que não seja por imersão.

www.lepanto.com.br/catolicismo/apologetica-catolica/batismo-esclarecimentos-e-refutacoes/

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MELHORES RESPOSTA SOBRE BATISMO

 

ACUSAÇÃO : O batismo dos católicos não é válido ! Só os adultos que crêem podem receber validamente o batismo, que só vale por imersão !

RESPOSTA : Onde estão as provas bíblicas para esta afirmativa ? Não existem !

a ) Alguns "crentes" afirmam que Jesus foi batizado no rio Jordão por imersão. Mas, os Evangelhos não falam disso ! Pode ter sido batizado como o apresentam antigas estampas: ficando com os pés no rio, enquanto S. João lhe derramava a água, com a mão, na cabeça. Na verdade, o modo de molhar o corpo com a água não tem importância ! Senão seria prescrito !

b ) Outros afirmam que "baptizare", em grego, significa "imergir na água " ; logo ... Os biblistas, porém, documentam que em várias passagens da Bíblia esta palavra significa, igualmente, " lavar ", ou "molhar " na água as mãos, os dedos, os pés etc. São Paulo usa esta palavra em 1 Cor 10,2 : " Todos ( os Israelitas ) foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar ". ( - como símbolo do batismo cristão ) . Sabemos, porém, que este batismo não aconteceu por imersão pois os Israelitas, junto com todas as crianças, passaram o Mar Vermelho a pé enxuto, tocando apenas a areia úmida do mar. Quem tomou o "batismo por imersão", foram os soldados egípcios! E todos pereceram !( Ex 14,19-20 ). No batismo vale mais a fé em Deus e a obediência a seu legítimo representante do que a maneira de aplicar a água.

c ) Alguns textos bíblicos indicam o batismo feito por imposição. Em At 8,36-38 lemos sobre o batismo do eunuco etíope, feito pelo diácono Filipe, no caminho entre Jerusalém e Gaza, onde não existe nenhum rio ou lagoa, em que seria possível batizá-lo por imersão. Há apenas pequenas nascentes.

At 9,18-19 relata o batismo de Saulo convertido numa casa de Damasco. Não havia piscina nem tempo para batismo por imersão; pois, lemos : "Imediatamente lhe caíram dos olhos como escamas, e recuperou a vista. Levantando-se, foi batizado, e tomando alimento recuperou as forças".

Igualmente em Filipos ( At 16,33 ) S. Paulo batizou o carcereiro : "Naquela hora da noite ( o carcereiro lavou-lhe as chagas e imediatamente batizou ele e toda a sua família ". E nos cárceres romanos não havia piscina !

d ) Como no caso acima, assim também na ocasião do batismo de Lídia e de Estéfanas, S. Paulo menciona que Lídia recebeu o batismo "com todos de sua casa "; ( At 16,14-15 ) e "batizei a família de Estéfanas" ( 1Cor 1,16 ), onde certamente não faltavam crianças pequenas.O próprio Jesus afirma a Nicodemos : "Em verdade, em verdade te digo, que quem não nascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus ". Para os primeiros cristãos esta regra valia igualmente para as crianças. Por isso Santo Ireneu (que viveu entre 140 a 204 ) escreveu : "Jesus veio salvar todos os que através dele nasceram de novo de Deus: os recém-nascidos, os meninos, os jovens e os velhos ". (Adv.Haer. livro 2 ).Orígenes ( 185 255 ) escreve: "A igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos". (Epist. ad Rom. Livro 5,9). E S. Cipriano em 258 escreve: "Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças ". ( Carta a Fido ) .

e ) Na "nova e Eterna Aliança" o batismo substituiu a circuncisão da Antiga Aliança", como rito da entrada para o povo escolhido de Deus. Ora , se o próprio Deus ordenou a Abraão circuncidar os meninos já no 8o. dia depois do nascimento, sem exigir deles uma fé adulta e livre escolha, então não seria lógico recusar o batismo às crianças dos pais cristãos, por causa de tais exigências.

Por isso a Igreja Católica recomenda batizar as crianças dentro do primeiro mês, após o nascimento.

Mesmo que as seitas não dêem valor à Tradição Apostólica, cada homem honesto reconhece os cristãos dos primeiros séculos conheciam muito bem e observavam zelosamente a doutrina e as práticas religiosas recebidas dos apóstolos.

Fonte:RESPOSTAS DA BÍBLIA AS ACUSAÇÕES DOS "CRENTES" CONTRA A IGREJA CATÓLICA


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ACUSAÇÃO : O batismo dos católicos não é válido ! Só os adultos que crêem podem receber validamente o batismo, que só vale por imersão !

Igreja Católica se afastou da doutrina da Sagrada Escritura? - EB

Revista: "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"

D. Estevão Bettencourt, osb

Nº 6, Ano 1958, p. 229

"A Igreja Católica não se afastou da doutrina da Sagrada Escritura em sua praxe batismal?

a) Batiza as crianças, que não parecem precisar disto e nem são capazes de receber instrução prévia;

b) batiza por infusão, e não por imersão".

1. No tocante ao primeiro ponto.

a) deve-se dizer que na antiga Igreja o batismo era freqüentemente administrado a adultos - o que se entende pelo fato de que o Cristianismo se recrutava em uma sociedade preponderantemente pagã, após a pregação do Evangelho feita a adultos. Não era, porém, excluído o batismo de crianças; admite-se que se tenha verificado, por exemplo, nos casos referidos pela Sagrada Escritura em que uma família inteira era batizada: foi o que se deu com Lídia, a vendedora de púrpura de Tiatira, e todos os seus (cf. At 16,15); com o guarda do cárcere de Filipes e toda a sua casa (cf. At 16,33); com Crispo, o chefe da sinagoga de Corinto, e toda a sua família (cf. At 18,8); com Estefanaz e todos os seus (cf. 1 Cor 1,16).

Na literatura patrística, testemunhos muito antigos referem o batismo de crianças: S. Irineu, por exemplo, (+ cerca de 202) afirma que Nosso Senhor veio salvar "todos os que por Ele renascem para Deus: crianças, pequeninos e meninos (infantes, parvulos et pueros)" (Adv. Haer. II 22,4). Origines (+ 254/55) atesta que "segundo a praxe da Igreja o batismo é dado também aos pequeninos" (In Lev h. 8,3) e nota que "a Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de conferir o batismo mesmo às crianças, pois eles sabiam que em todos (os filhos de Adão) há autênticas manchas de pecado, que devem ser canceladas pela água e pelo Espírito" (Im Rom 5,9). S. Cipriano (+ 258) repetia este raciocínio (ep. 59,3s); o sínodo de Cartago, presidido pelo mesmo S. Cipriano em 252, mandou que em caso de necessidade as crianças fossem batizadas antes mesmo de completarem o seu oitavo dia (ep 59, 2). S. Ambrósio (+ 397), no livro De Abraham II 11, S. Jerônimo (+ 420), no Diálogo contra os Pelagianos III 18, atestam por sua vez o costume de batizar as crianças; S. Agostinho (+ 430) na controvérsia com os Pelagianos, fazia desta praxe um dos principais argumentos da existência do pecado original em todos os descendentes de Adão (De civ. Dei 21,14, 16; In Io tr. 41,5; 80,3); julgava tratar-se de praxe apostólica (ep 166,23).

b) O costume se conservou ininterruptamente até hoje na Igreja, sendo que os Papas e Concílios recomendaram freqüentemente a urgência da administração do batismo aos pequeninos. A razão desta tese é assaz clara: "Deus quer que todos os homens sejam salvos" (1Tim 2,4), mesmo as criancinhas. Ora entre os meios de salvação o Senhor incluiu explícita e categoricamente o batismo: "Quem não renascer da água e do Espírito Santo, não poderá entrar no reino de Deus" (Jô 3,5), ou: "Quem crer e for batizado, será salvo; quem não crer, será condenado" (Mc 16,16). Sendo assim, visto que as crianças podem morrer a qualquer momento, procura-se-lhes administrar o batismo sem demora alguma.

Verdade é que os pequeninos não são capazes de conceber a fé ou crer. Isto, porém, não impede que sejam capazes de receber o batismo. Com efeito, a fé é mera disposição, ao passo que a ação purificadora e santificante se deve ao sacramento: este, portanto, pode ser conferido sem aquela a sujeitos incapazes de conceber a fé. Assim como sem cooperação de sua parte as crianças são afetadas pelo pecado original, assim sem cooperação são libertadas do pecado e revestidas da graça do Salvador. Há mesmo nelas a exigência interpretativa do batismo, isto é, supõe-se que, se tivessem conhecimento de causa, pediriam decididamente o batismo, pois é este que lhes outorga o início da vida eterna ou da bem-aventurança celeste. Sem o batismo, as crianças não são condenadas ao inferno (o que não seria justo da parte de Deus), mas, afetadas pelo pecado original, carentes da graça santificante, não gozam da filiação divina, ficando por isto excluídas da bem-aventurança celeste, herança dos filhos de Deus; julga-se que (a menos que Deus queira empreender a salvação das crianças por vias a nós desconhecidas) vão para o limbo, onde gozam de felicidade meramente natural, prêmio este inferior àquele que o Senhor destina a todos os justos (a visão de Deus face a face).

Quanto à fé, a Igreja, no caso dos pequeninos, a supre; são batizados "por extensão da fé da Igreja", como explica S. Tomas, repetindo palavras de S. Agostinho (ep. 98,5):

"As crianças são levadas a receber a graça do Espírito não tanto por aqueles cujas mãos as carregam (embora também por esses, caso sejam bons e fiéis), quanto pela sociedade inteira dos santos e dos fiéis... A fé de um cristão, antes a fé da Igreja toda, é útil à criança por obra do Espírito Santo, que faz a união da Igreja e comunica a uns bens de outros" (S. Teol. 68, 9 ad 3).

Quando a criança atinge a idade da razão, dá-se-lhe a instrução religiosa, a fim de que conceba a reta fé e a professe devidamente; ela então renova as promessas do batismo, que em seu nome fizeram os respectivos padrinhos. Naturalmente deve-se desejar que a catequese dos adolescentes batizados seja eficiente, apta a formar bons cristãos, de modo que o germe da graça santificante, depositado previamente na alma pelo batismo, não venha a ser frustrado. É este desejo que leva a Igreja à não batizar crianças à revelia dos respectivos pais ou sem que haja esperança de se dar posteriormente instrução católica aos jovens batizados (excetuam-se apenas os casos de morte, pois então prevalece o direito da criança à salvação eterna).

Dir-se-á talvez que é injusto batizar as crianças sem o seu consentimento, impondo-se-lhes, sem consulta prévia, os graves deveres religiosos decorrentes do sacramento (Erasmo de Rotterdam, + 1536, por exemplo, admitia o batismo dos pequeninos, mas queria que o ratificassem à idade adulta; caso não o quisessem, deveriam ser considerados isentos das respectivas obrigações).

Em resposta, observar-se-á que o dever de renunciar a Satanaz e observar a Lei de Deus não depende estritamente de alguma lei positiva, mas é ditado pela própria lei natural, lei que fala dentro de todo indivíduo antes que peça e receba o batismo; assim como todo homem por lei é obrigado a aderir a Deus (ao Deus Único, que se revelou por Cristo), e a se esforçar por conseguir sua salvação eterna, assim também é conseqüentemente obrigado por lei natural a receber o batismo (caso este se lhe torne acessível). Donde se vê que não se faz injúria à criança, conferindo-se-lhe o batismo quando ainda não se pode dispor de si; ao contrário, presta-se-lhe grande favor, pois lhe é destarte possibilitada a entrada no reino dos céus; é-lhe mesmo assegurada a salvação para os anos anteriores ao uso da razão; quanto aos deveres, não se lhe impõe nenhum ao qual o pequenino não esteja, por sua natureza mesma, obrigado de maneira imediata ou mediata. Caso o cristão batizado, chegando à idade do discernimento, rejeite os encargos do seu batismo, incorre em um mal menor do que a perda da visão beatífica (a qual seria de prever, caso morresse sem o sacramento).

c) Não se pode negar que, no decorrer da história da Igreja, se fizeram ouvir vozes e escolas contrárias ao batismo das crianças. Contudo sempre foram consideradas errôneas ou heréticas.

Poder-se-ia traçar a seguinte lista:

nos séc. III/IV vários cristãos queriam diferir o batismo até a idade de se casarem ou até que se acalmasse o fogo das paixões da adolescência; temiam manchar a inocência batismal (cf. Tertuliano, De baptismo 18). A motivação era, sem dúvida, fraca; o cristão deve ter a santa ousadia de aceitar os dons de Deus, sabendo que o Senhor sempre concede a graça necessária para se evitar o pecado. Os bispos e teólogos desaprovavam categoricamente tal tendência a adiar o batismo pois equivalia a tentar a Deus, expondo a pessoa temerariamente a perder a salvação eterna;

no séc. III a seita dos Hiecracitas, propugnando exageradamente a mortificação da carne, julgava que o batismo de nada serve às crianças, pois estas ainda não podem praticar a ascese (cf. S. Agostinho, Haer. 48). Já acima demonstramos em que termos os pequeninos são capacitados para o batismo;

no séc. V a escola dos Pelagianos negava o pecado original e, por conseguinte, a necessidade do sacramento para as crianças. Já vimos como S. Agostinho, exprimindo a doutrina comum da cristandade, se insurgiu contra tais opiniões;

no séc. XII Pedro de Bruys, fundador da seita dos Valdenses,  não admitir o batismo dos pequeninos, por não poderem estes conceber a fé; julgava mesmo serem as crianças incapazes de se salvar (!);

no séc. XVI, oposição forte surgiu por parte dos Anababatistas  (- Rebatizadores), encabeçados por Tomaz Münzer e os "profetas" de Zwickau, em 1523-1525; rebatizaram todos os que a eles aderiam após haverem sido batizados em idade infantil. Calvino os desaprovava (Institution de la religion chrétienne, ed. Pannier III. Paris 1938, 224s); também os desautorizavam os luteranos da "Confissão Augustana" (cf. art. 9). De resto, Lutero, Calvino e Zwingli, os chefes do movimento protestante, conservaram o uso tradicional de conferir o batismo às crianças;

por fim, no séc. XVII os Batistas, seguindo John Smyth (cf. "Pergunte e Responderemos" 7/1957, qu. 17), fizeram do batismo conferido exclusivamente a adultos e por via de imersão uma das instituições fundamentais de sua denominação religiosa. Admitem que as crianças mortas sem tal rito se salvem, o que logicamente deveria implicar em negação do pecado original. A posição dos Batistas só se sustenta se se considera o batismo como mero rito exterior ou ato de agregação jurídica à comunidade. Os Batistas do séc. XVII e seus continuadores contemporâneos não podem dizer que formam uma só "Igreja" com os diversos tipos de "Batistas" mencionados na lista acima; o traço que os assemelha a esses é meramente acidental; a teologia dos Batistas modernos, que se baseia toda na tese da justificação nominal, devida à fé e inamissível, é inspirada pelos princípios de Lutero e Calvino, e difere incontestavelmente das ideologias dos hereges antigos e medievais; não há continuidade doutrinária entre uns e outros.

2. Quanto ao batismo por imersão, era geralmente praticado na Igreja antiga, por simbolizar muito vivamente os conceitos, essenciais a este sacramento, de morte (descida na água), porém, não era o único rito em uso; seria difícil crer que os três mil convertidos no dia solene de Pentecostes em Jerusalém (cidade em que a água era escassa; cf. 4 Rs 20,20), hajam sido batizados por imersão (cf. At 2,41); muito menos se concebe que o carcereiro batizado com toda a sua família na prisão de Filipes tenha sido mergulhado na água (cf. At 16,33); o mesmo se deve talvez dizer do sacramento administrado por São Pedro na casa do centurião Cornélio (cf. At 10,47s).

No fim do séc. I, o pequeno ritual intitulado "Didaqué" atesta que, em caso de necessidade, o batismo podia ser validamente administrado também por infusão, ou seja, por tríplice derramamento de água sobre a cabeça do neófito (cf. c. 7). É de crer que o batismo não pudesse ser conferido aos doentes ou "clínicos" senão por infusão ou aspersão, ritos estes que S. Cipriano explicitamente assevera válidos (cf. ep. 59,12).

Estes os cristãos do Ocidente, foi prevalecendo, por motivos de ordem prática (tratava-se de forma acidental da administração espiritual, que é essencial ao sacramento do batismo; desde que a água toque o corpo e sobre este escorra, tem-se o simbolismo sacramental, tornando-se então acidental a quantidade de água e ulteriores modalidades do contato (imersão, infusão ou aspersão). A Igreja Católica não tem dificuldade em reconhecer a validade do batismo de imersão, o qual continua em uso entre os orientais unidos a Roma. Como, porém, aplicar tal rito a doentes, encarcerados, crianças recém-nascidas ou ainda existentes no seio materno ou a neófitos dos desertos e das regiões polares? Não há dúvida, forçoso então é recorrer à infusão ou à aspersão. Donde se infere que a validade do sacramento não está necessariamente ligada a um ou outro desses ritos.

Note-se que até 1653 os Arminianos ou Batistas Gerais ingleses administravam o batismo por infusão.

Ainda hoje algumas igrejas batistas, tanto na Inglaterra como os Estados Unidos da América (haja vista a "Northern Baptist Convention of U.S.A."), recusam-se a considerar o rito de imersão como condição essencial para a agregação à Igreja.

A título de complemento, vai aqui citada a última instrução da Santa Sé referente ao batismo das crianças:

Implantou-se em certos lugares o costume de retardar a imposição do batismo por pretensas razões de comodidade ou de caráter litúrgico. Tendem a favorecer esse adiamento algumas opiniões, inteiramente destituídas de fundamento sólido, relativas ao destino eterno das crianças mortas sem o batismo.

Por esse motivo esta Sagrada Congregação (do Santo Ofício), com a aprovação do Soberano Pontífice, adverte aos fiéis que as crianças devem ser batizadas o mais cedo possível, conforme prescreve o cânon 770. Exorta igualmente os párocos e pregadores a impelirem ao cumprimento nesta obrigação.

Dado em Roma, na Sede do Santo Ofício, no dia 18 de fevereiro de 1958.

Artur de Jorio, Secretário".

Fonte:http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=doc&cat=97&scat=174&id=10

ACUSAÇÃO : O batismo dos católicos não é válido ! Só os adultos que crêem podem receber validamente o batismo, que só vale por imersão !

A Igreja batiza as crianças, porque enquanto a criança não for batizada, ela não é filha adotiva de Deus. Convém, então, que, o quanto antes, ela seja livre do pecado original. Pelo Batismo a criança tem perdoado o pecado orignal, torna-se filha adotiva de Deus, membro da Igreja Católica, herdeira do ceú, passando a viver na graça de Deus.

Nos Atos dos Apóstolos se lê que São Paulo, quando estava preso e houve um terremoto, o carcereiro se converteu, porque São Paulo não fugiu. E então São Paulo o batizou, "com toda a sua família" (Atos XVI, 33).

É de supor que foi com os seus filhos pequenos, visto que naqueles tempos ainda não havia a "familia moderna", sem filhos.

Assim como um pai, por ser dono de seu filho, o vacina contra a poliomelite, sem pedir a ele se quer, ou não, ser vacinado, do mesmo modo, o pai tendo fé, e sendo dono de seus filhos, tem o direito e o poder de fazê-los batizar, pois conhece o bem do Batismo.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

Fonte:http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=doutrina&artigo=20040817075549&lang=bra


ACUSAÇÃO : O batismo dos católicos não é válido ! Só os adultos que crêem podem receber validamente o batismo, que só vale por imersão !

O batismo de adultos foi melhor detalhado no tópico relacionado em nossa página principal por ser ele o mais claro, dando-nos uma visão ampla do sentido deste sacramento.  Entretanto, o batismo muito mais em uso é o das crianças. Desde os tempos mais antigos, tornou-se ele costume.

As razões por que pais cristãos educam, obviamente, seus filhos de modo cristão, já o vimos no aludido capítulo. E não é de  se  estranhar que isso comece com o Sacramento de iniciação. Os pais dão, assim, sinal não ambíguo de que desejam seus filhos assumidos na Igreja e que nela cresçam.

A pergunta, pois, que surge, é esta: A criança não tem ainda consciência e, conseqüentemente, não é capaz de "conversão", de entrega de fé; como pode, no entanto, receber o sinal de conversão e de fé?

Recebe-o de maneira com que vive, atualmente, toda a  sua vida: Em dependência dos  adultos. Cristo deu-nos sua salvação de modo social, comunitário. Não a pessoas  isoladas, mas a um povo. Assim como cada rebanho tem seus carneirinhos, assim também cada povo que cresce possui filhos, pequenos seres cuja vida  é ainda carregada pelos outros. Pelo que, os bebês não são batizados porque já crêem, mas porque queremos, naturalmente, transmitir-lhes a nossa fé. Trazemos os  filhos dentro de nossa fé, dentro da fé na Igreja.

Também aqui vale, novamente, o princípio: O batismo não pode ser apartado do conjunto. De modo infantil, porém, autêntico e  salvífico, são as crianças assim, pelo batismo, repletas do Espírito Santo, incorporadas em Cristo, consagradas à serviçalidade redentora, à morte salvífica e à vida eterna. Tudo isto, conseqüentemente, deve desabrochar numa educação ulterior. O batismo não pode ser visto independente dessa  educação. A observação tem o seu peso. Pois é lícito perguntar-se  se  as crianças que, de acordo com os costumes reinantes e  só por causa destes, recebem o sacramento do batismo e, depois, não são educadas de maneira conscientemente cristã, podem ser chamadas, propriamente, pessoas cristãs, verdadeiros  membros da Igreja. Esta, com efeito, pede a garantia de uma educação cristã.

O batismo, tampouco, não deve ser considerado isoladamente da  crescente independência da criança. Mais cedo ou mais tarde, deve seguir-se a "conversão", a entrega da fé consciente. Em sinal disso, a criança,em caminho para a idade adulta, renova, solenemente, os votos batismais. Essa renovação pode fazer-se, em conjunto com adultos, na noite de Páscoa, quando cada cristão solenemente proclama, novamente, estes  votos ou promessas. Mais a renovação mais  real há de fazer-se ainda mais tarde e numa forma bem mais comum: Numa resposta pública a  um companheiro ou colega, numa oculta resistência a uma tentação, numa vida de  bondade, serviçalidade, aceitação da morte.

É no batismo que a criança recebe, oficialmente, o seu nome. O nome de um Santo, sob cuja proteção suplicante, colocamos o filho. Não por bastar a graça de Cristo, mas porque Cristo gosta de vir até nós por via da comunidade da Igreja, também da Igreja que já está na glória.

O batismo não diz respeito apenas aos pais, mas à Igreja, em sua totalidade. O batizando é "introduzido" por um padrinho e/ou madrinha. São eles  que seguram a criança, ou põem a  mão sobre ela, durante o batismo, quando é a própria  mãe que  a  segura nos braços. O padrinho e a madrinha representam, depois dos pais, a comunidade da Igreja e  são os responsáveis pela  educação cristã. Neste sentido, exercem papel preponderante para o resto da vida, zelando pela  educação religiosa do afilhado, não só na presença, mas principalmente, numa eventual ausência dos pais.

Fonte:http://www.paginaoriente.com/catecismo/batismoc.htm

Leia-o em: http://wjac.blogspot.com.br/2011/01/melhores-resposta-sobre-batismo.html

Sacramento

BATISMO DE CRIANÇAS: PRESENTE NA IGREJA PRIMITIVA OU INVENÇÃO DA IGREJA CATÓLICA?

Batismo_original

Sejamos diretos: O que dizem os documentos históricos? Foi a Igreja que inventou ou a prática de batizar as crianças já era presente nos Atos dos Apóstolos, na Igreja primitiva? Vejamos:

Atos dos Apóstolos 16,33: “Então, naquela mesma hora da noite, ele cuidou deles e lavou-lhes as chagas. Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família”. (toda quer dizer toda: adultos, crianças, homens e mulheres. Não há proibição de batismo para crianças, muito pelo contrário, Jesus disse: deixai vir a Mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos céus).

I Cor 1, 16: “Aliás, batizei também a família de Estéfanas”. (Paulo Apóstolo sempre batizava a família inteira, não havia proibição de crianças, era sempre batizada toda família).

Atos dos Apóstolos 16, 15: "E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso".

 Na Bíblia não se faz menção de nenhuma exceção quando uma família ou "casa" inteiras eram batizadas. Tampouco se faz referência a algum limite de idade, nem de que o batizado tenha de dar seu consciente consentimento. Recordemos ainda que a expressão "sua casa" incluía também os escravos e servos.

Atos 16, 33: "E, tomando-os ele consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; e logo foi batizado, ele e todos os seus".

 A Tradição da Igreja possui o testemunho dos primeiros cristãos, vejamos:

 “Jesus veio salvar todos os que através dele nasceram de novo de Deus: os recém-nascidos, os meninos, os jovens e os velhos ” (Ireneu – 180dC. Adv.Haer. livro 2, 22.4).

A Igreja recebeu dos Apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém-nascidos”. (Orígenes – 185-255 dC. Epist. ad Rom. Livro 5,9).

“Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças ” (São Cipriano em 258 dC. – Carta a Fido)

 

Depois da reforma protestante, até eles em seus artigos confessaram o batismo infantil como válido, mas com milhares de seitas que vão surgindo, uns começaram a dizer que não seria correto batizar crianças, porque dentre eles surgem inúmeras seitas a cada minuto, trazendo cada vez mais confusão e doutrinas longe da verdade do Evangelho. Veja o que diz a confissão protestante do início da reforma:  

Diz a protestante CONFISSÃO DE FÉ DE AUGSBURGO, de 25 de junho de 1530:
Por essa razão se rejeitam os anabatistas, os quais ensinam que o batismo infantil não é correto.


ARTIGO 9: DO BATISMO - Do batismo se ensina que é necessário e que por ele se oferece graça; que também se devem batizar crianças, as quais, pelo batismo, são entregues a Deus e a ele se tornam agradáveis.

 A Igreja tem batizado as crianças desde o princípio. Possuímos o testemunho dos primeiros cristãos, inclusive Orígenes, que escreveu no ano 244 d.C.: "A Igreja recebeu dos Apóstolos a Tradição de conferir o batismo também às crianças".

Se fosse - como afirmam alguns protestantes - "antibíblico" batizar as crianças, então seria também "antibíblico" deixá-las sem batismo, pois em nenhuma parte da Bíblia é proibido o batismo das crianças. Tampouco encontramos na Bíblia alguma referência à "idade da razão" ou à "idade de consentimento", a que muitas tradições protestantes aderem quando batizam adolescentes. Como já mostramos outras vezes, a "Sola Scriptura" é freqüentemente um método que leva a conclusões ambíguas. É necessária a Sagrada Tradição - que é a memória da Igreja - para nos levar às práticas apostólicas.

www.veniteadoremus.com/conteudo/58

 

O batismo de crianças nos Padres da Igreja e na História

 

O batismo de crianças nos Padres da Igreja e na História

 
 
O batismo de crianças é uma prática imemorial da Igreja, tendo sido instituída pelos Apóstolos. Nestas linhas não pretendo me aprofundar nos argumentos bíblicos em favor do batismo das crianças (pois já foram tratados em outra ocasião), mas nos testemunhos que a Igreja nos deixou ao longo da História, em favor desse sacramento pelo qual somos sepultados com Cristo em sua morte, a fim de que, da mesma forma como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos através da glória do Pai, também nós possamos viver uma nova vida. Tratarei, ainda que brevemente, das heresias que ao longo dos séculos ergueram obstáculos para que as crianças fossem regeneradas pelo nascer da água e do espírito, e sua evolução através da História.


O BATISMO DAS CRIANÇAS NOS PADRES DA IGREJA (SÉCULOS I A IV)
Nos primeiros quatro séculos da Era Cristã encontramos total unanimidade acerca dessa matéria. Há numerosos testemunhos de Padres da Igreja que falam da importância do batismo das crianças. Houve também quem optasse por retardar o seu batismo, mas por razões censuradas pela Igreja, como para não ter que largar a vida pecaminosa e, assim, obter o perdão dos pecados no momento da morte (algo bastante insensato, visto que ninguém sabe em que momento irá morrer ou se terá ainda chance de ser batizado); ou livrar-se das penitências que teriam que ser feitas caso tornasse a pecar após o batismo.
SANTO IRENEU
Bispo e mártir, foi discípulo de São Policarpo que, por sua vez, foi discípulo do Apóstolo São João. Célebre por seu tratado “Contra as Heresias”, em que combatia as heresias do seu tempo, em especial a dos gnósticos. Nasceu por volta de 130 d.C. e morreu em 202 d.C.
Faz eco da fé da Igreja primitiva, que professava que todo homem nasce na carne e que, portanto, deve nascer da água e do espírito - o que interpreta inequivocamente como o batismo, pelo qual se obtém ainda a remissão dos pecados:
“E [Naaman] mergulhou [...] sete vezes no Jordão. Não foi sem razão que Naaman, já velho e leproso, foi purificado ao ser batizado, mas para nos indicar que, como leprosos no pecado, somos limpos de nossas transgressões mediante a água sagrada e a invocação do Senhor, sendo espiritualmente regenerados como crianças recém-nascidas, mesmo quando o Senhor já declarou: 'Aquele que não nascer de novo da água e do espírito, não entrará no reino dos céus'” (Fragmento 34).[1]
Ao longo dos escritos deste e de outros Padres veremos como em nenhum momento restringem a graça e os dons de Deus a ninguém, sejam bebês, adolescentes ou adultos. No texto a seguir, embora não se encontre uma referência explícita ao batismo de crianças, encontramos a crença de que Deus pode derramar a sua graça e santificar qualquer pessoa, independente de ter ou não idade para crer (rejeitando, com cerca de mil anos de antecedência, os argumentos empregados pelos anabatistas):
“Porque veio salvar a todos. E digo 'todos', isto é, àqueles tantos que por Ele renascem para Deus, sejam recém-nascidos, crianças, adolescentes, jovens ou adultos. Por isso, quis passar por todas as idades, para tornar-se recém-nascido com os recém-nascidos, a fim de santificar os recém-nascidos; criança com as crianças, a fim de santificar aos de sua idade, oferecendo-lhes exemplo de piedade e sendo para eles modelo de justiça e obediência. Fez-se jovem com os jovens, para dar exemplo aos jovens e santificá-los para o Senhor” (Contra as Heresias 2,22,4).[2]
ORÍGENES
Orígenes foi escritor eclesiástico, teólogo e comentarista bíblico. Viveu em Alexandria até 231; passou os últimos 20 anos de sua vida em Cesaréia Marítima, na Palestina, e também viajando pelo Império Romano. Foi o maior mestre da doutrina cristã em sua época e exerceu uma extraordinária influência como intérprete da Bíblia.
O testemunho de Orígenes é de capital importância, não apenas porque como os outros Padres nos explica a razão de ser necessário batizar as crianças, mas pelo seu testemunho explícito de que este foi um costume recebido pela Igreja diretamente dos Apóstolos. Orígenes, com sua pena, confirma, de antemão, aquilo que a arqueologia comprovaria ao encontrar evidências de batismos de crianças pela Igreja primitiva.
“A Igreja recebeu dos Apóstolos o costume de administrar o batismo inclusive às crianças, pois aqueles a quem foram confiados os segredos dos mistérios divinos sabiam muito bem que todos carregam a mancha do pecado original que deve ser lavada pela água e pelo espírito” (In. Rom. Com. 5,9: EH 249).[3]
“Se as crianças são batizadas 'para a remissão dos pecados' cabem as perguntas: de que pecados se tratam? Quando eles pecaram? Como se pode aceitar tal testemunho para o batismo das crianças se não se admitir que 'ninguém é isento do pecado, mesmo quando a sua vida na terra não tenha durado mais que um só dia'? As manchas do nascimento são apagadas pelo mistério do batismo. Batizam-se as crianças porque 'se não nascer da água e do espírito, é impossível entrar no reino dos céus'” (In Luc. Hom. 14,1.5).[4]
“'Havia muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi curado, apenas Naaman, o sírio', que não pertencia ao povo de Israel. Considerem o grande número de leprosos que havia até este momento 'em Israel segundo a carne'. Vejam, por outro lado, o Eliseu espiritual, nosso Senhor e Salvador, que purifica no mistério batismal os homens cobertos pelas manchas da lepra e lhes dirige estas palavras: 'Levanta-te, vai ao Jordão, lava-te e tua carne ficará limpa'. Naaman levantou-se e se foi; e, ao banhar-se, se cumpriu o mistério do batismo: 'sua carne ficou igual à carne de uma criança'. De que criança? Daquele que 'no banho da regeneração' nasce em Cristo Jesus” (In. Luc. Hom 33,5).[5]
“Se gostais de ouvir o que outros santos disseram acerca do nascimento físico, escutai a Davi quando diz: 'Fui formado na maldade e minha mãe me concebeu no pecado'. Assim diz o texto. Demonstra que toda alma que nasce na carne carrega a mancha da iniquidade e do pecado. Esta é a razão daquela sentença que citamos mais acima: ninguém está limpo do pecado, nem sequer a criança que só tem um dia [de vida]. A tudo isto se pode acrescentar uma consideração sobre o motivo que a Igreja tem para o costume de batizar também as crianças: este sacramento da Igreja é para a remissão dos pecados. Certamente que, se não houvesse nas crianças nada que requeresse a remissão e o perdão, a graça do batismo seria desnecessária” (In Lev. Hom 8,3).[6]
SANTO HIPÓLITO DE ROMA
Desconhece-se a data e o lugar do seu nascimento, mesmo que se saiba que foi discípulo de Santo Ireneu de Lião. Seu grande conhecimento da filosofia e dos mistérios gregos, e sua própria psicologia, indicam que procedia do Oriente. Até o ano 212 era presbítero em Roma, onde Orígenes, durante sua viagem à capital do Império, o ouviu pronunciar um sermão.
Por ocasião do problema da readmissão na Igreja daqueles que tinham apostatado durante alguma perseguição, estourou um grave conflito que o colocou em oposição ao Papa Calisto, já que Hipólito se mostrava rigorista nesta matéria, embora não negasse que a Igreja possuía o poder de perdoar os pecados. Tão forte se tornou a questão, que se separou da Igreja e, eleito bispo de Roma por um pequenino círculo de partidários, tornou-se o primeiro Antipapa da História. O cisma se prolongou até depois da morte de Calisto, durante os pontificados de seus sucessores Urbano e Ponciano. Terminou em 235, pela perseguição de Maximino, que desterrou o Papa legítimo (Ponciano) e a Hipólito às minas da Sardenha, onde se reconciliaram. Ali os dois renunciaram ao pontificado para facilitar a pacificação da comunidade romana, que desta forma pôde eleger um novo Papa e dar por encerrado o cisma. Tanto Ponciano quanto Hipólito morreram no ano 235.
Um testemunho de singular importância temos também graças à “Tradição Apostólica”, a qual é uma das mais antigas e importantes constituições eclesiásticas da Antiguidade (foi escrita por volta do ano 215). Nela encontramos instruções específicas acerca da administração do batismo, onde consta a prática de batizar crianças e como em razão da fé dos pais poderiam ser batizadas:
“Ao cantar o galo, se começará a rezar sobre a água, seja a água que flui da fonte, seja a que flui do alto. Assim se fará, salvo em caso de necessidade. Portanto, se houver uma necessidade permanente e urgente, se empregará a água que se encontrar. Se desnudarão e se batizarão primeiro as crianças. Todas as que puderem falar por si mesmas, que falem; quanto às que não puderem, falem por elas os seus pais ou alguém da sua família. Se batizarão em seguida os homens e, finalmente, as mulheres [...] O bispo ao impor-lhes as mãos, pronunciará a invocação: 'Senhor Deus, que os fizeste dignos de obter a remissão dos pecados através do banho da regeneração, fazei-os dignos de receber o Espírito Santo e envia sobre eles a tua graça, para que te sirvam obedecendo a tua vontade. A Ti a glória, Pai, Filho e Espírito Santo, na Santa Igreja, agora e pelos séculos. Amém” (Tradição Apostólica 20,21).[7]
SÃO CIPRIANO DE CARTAGO
Bispo de Cartago, nascido por volta do ano 200, provavelmente em Cartago, de família rica e culta. Dedicou-se em sua juventude à retórica. O desgosto que sentia diante da imoralidade dos ambientes pagãos em contraste com a pureza de costumes dos cristãos o induziu a abraçar o Cristianismo por volta do ano 246. Pouco depois, em 248, foi eleito bispo. Ao tornar-se mais forte a perseguição de Décio, em 250, julgou melhor retirar-se para outro lugar, a fim de continuar se ocupando com o seu rebanho.
Tem-se evidência de que durante sua vida houve quem pretendesse atrasar o batismo das crianças para o oitavo dia após o seu nascimento, à semelhança da circuncisão, tornando necessário a Cipriano, em seu nome e de mais 66 bispos, enviar uma carta a Fido testemunhando a fé da Igreja de que não se deve retardar o batismo das crianças e que estas poderiam ser batizadas desde logo. A carta integral encontra-se disponível na Internet, no volume 5 de “Ante Nicene Fathers”, de Schaff (protestante) e ainda na “New Advent Encyclopedia”[8].
Entre alguns pontos interessantes, temos:
“Porém, no tocante às crianças, as quais dizes que não devem ser batizadas no segundo ou terceiro dia após seu nascimento, e que a antiga lei da circuncisão deve ser considerada, de modo que pensas que quem acaba de nascer não deva ser batizado e santificado dentro dos oito [primeiros] dias, todos nós pensamos de maneira bem diferente em nosso Concílio. Neste caminho que pensavas seguir, ninguém concorda; ao contrário, julgamos que a misericórdia e a graça de Deus não deve ser negada a ninguém nascido do homem pois, como diz o Senhor no seu Evangelho, 'o Filho do homem não veio para destruir a vida dos homens, mas para salvá-la'. À medida que podemos, devemos procurar que, sendo possível, nenhuma alma seja perdida [...] Por outro lado, a fé nas Escrituras divinas nos declara que todos, sejam crianças ou adultos, têm a mesma igualdade nos divinos dons [...] razão pela qual cremos que ninguém deve ser impedido de obter a graça da lei, pela lei em que foi ordenado, e que a circuncisão espiritual não deva ser obstaculizada pela circuncisão carnal, mas que todos os homens devem ser absolutamente admitidos à graça de Cristo, já que também Pedro, nos Atos dos Apóstolos, fala e diz: 'O Senhor me disse que eu não deveria chamar a ninguém de ordinário ou imundo'. Entretanto, se nada poderia obstaculizar a obtenção da graça pelos homens ao mais atroz dos pecados, não se pode colocar obstáculos aos que são maiores. Porém, se se crê que até aos piores pecadores e aos que pecaram contra Deus lhes é concedida a remissão dos pecados, não sendo nenhum deles impedido do batismo e da graça, quanto mais não deveríamos obstaculizar um bebê que, sendo recém-nascido, não pecou ainda [pessoalmente], mas por ter nascido da carne de Adão, contraiu o contágio da morte antiga em seu nascimento [...] Logo, querido irmão, esta foi a nossa opinião no Concílio: que, por nós, ninguém deve ser impedido de receber o batismo e a graça de Deus, que é misericordioso, amável e carinhoso para com todos; e que, visto que é observado e mantido em relação a todos, parece-nos que seja ainda mais no caso dos lactantes [...]” (Carta 58, a Fido, sobre o Batismo das Crianças).[9]
É importante observar aqui que o que Fido e talvez outros presbíteros pretendiam fazer não era negar o batismo às crianças – tal como faz hoje uma grande parcela do Protestantismo – mas tão somente retardá-lo para logo depois do oitavo dia do nascimento.
GREGÓRIO DE NANZIANZO
Arcebispo de Constantinopla e doutor da Igreja, nascido em Nanzianzo, na Capadócia, no ano 329 e falecido em 389. Célebre por sua eloquência e sua luta contra o Arianismo, juntamente com outros Padres como São Basílio e São Gregório de Nissa. É reconhecido como um dos quatro grandes doutores da Igreja Grega.
Escreveu um belo sermão sobre o batismo onde testemunha a fé da Igreja Primitiva no sentido de que, se para o adulto é necessária a fé para se receber o sacramento, não é assim para a criança (que o recebe em razão da fé dos pais). Com efeito, não há desculpa alguma para se retardar o batismo, nem sequer no caso das crianças:
“Façamo-nos batizar para vencer. Tomemos nossa parte nessas águas mais purificadoras que o hissopo; mais puras que o sangue das vítimas impostas pela Lei; mais sagradas que as cinzas do bezerro, cuja aspersão podia ser suficiente para dar às faltas comuns uma provisória purificação corporal, mas não uma total remissão do pecado. Teria sido necessário, sem isso, renovar a purificação daqueles que já a tinham recebido uma vez? Façamo-nos batizar hoje, para não estarmos obrigados a fazê-lo amanhã. Não retardemos o benefício como se nos surgisse algum problema. Não esperemos ter pecado mais para, mediante ele (=o batismo), sermos perdoados em maior medida; isso seria fazer uma indigna especulação comercial acerca de Cristo. Tomar uma carga superior a que podemos carregar é correr o risco de perder, em um naufrágio, o navio, o corpo e os bens, os seja, todo o fruto da graça que não se soube aproveitar [...] Inclusive as crianças: não deixeis tempo para a malícia apoderar-se delas; santificai-as enquanto são inocentes; consagrai-as ao Espírito enquanto ainda não lhe saíram os dentes. Que pusilanimidade e que falta de fé daquelas mães que temem o caráter batismal pela fragilidade da sua natureza! Antes de o ter trazido ao mundo, Ana dedicou Samuel a Deus e, imediatamente após o seu nascimento, o consagrou; a partir de então, o carregava vestido com um hábito sacerdotal sem temor algum dos homens, em razão da sua confiança em Deus. Não há necessidade, então, de amuletos ou encantamentos, meios de que se serve o maligno para insinuar-se nos espíritos pequenos em demasia e transformar em seu benefício o temor religioso em prejuízo a Deus. Opõe a ele a Trindade, imensa e formosa talismã” (Sermão 40,11.17, sobre o Santo Batismo).[10]
Como opinião pessoal, recomenda que, se não estiverem em perigo do morte, aguarde-se os três anos de idade para que possam recitar superficialmente os mistérios da fé, assinalando que a razão não é requisito para o recebimento do sacramento:
“Tudo isto é dito para aqueles que pedem o batismo por si mesmos; mas o que podemos dizer das crianças, ainda de pouca idade, que são incapazes de perceber o perigo em que se encontram e a graça do sacramento? Certamente, no caso de perigo imediato, é melhor batizá-las sem o seu consentimento do que deixá-las morrer sem ter recebido o selo da iniciação. Somos obrigados a dizer o mesmo acerca da prática da circuncisão, que era realizada no oitavo dia prefigurando o batismo, também realizada nos meninos desprovidos de razão. Da mesma forma, realizava-se a unção dos umbrais da porta que, embora se tratasse de coisas inanimadas, protegia os primogênitos. E quanto às demais crianças? Eis aqui a minha opinião: esperai que alcancem a idade de três anos, de modo que sejam capazes de compreender e expressar superficialmente os mistérios; apesar da imperfeição da sua inteligência, recebem o sinal, e o seu corpo e a sua alma se encontram santificados pelo grande sacramento da iniciação. Elas renderão conta dos seus atos no momento preciso em que, com plena posse da razão, chegarem ao pleno conhecimento do Mistério, já que não serão responsáveis das faltas que, pela ignorância da idade, tiverem cometido. Ademais, de todos os modos, lhes resulta vantajoso possuir a muralha do batismo para se proteger dos perigosos ataques que caem sobre nós e ultrapassam as nossas forças [...] Porém, alguém dirá: 'Cristo, que é Deus, se fez batizar aos trinta anos e tu nos empurras desde logo o batismo'. Afirmar assim a sua divindade é o que responde a essa objeção. Ele – a própria pureza – não precisava de purificação, mas se fez purificar por vós, assim como por vós se fez carne, uma vez que Deus não tem corpo. Além disso, Ele não corria nenhum perigo por retardar o seu batismo, pois podia livremente regular o seu sofrimento assim como regulou o seu nascimento. Para vós, ao contrário, não seria pequeno o perigo no caso de deixardes este mundo sem terdes recebido, no vosso nascimento, nada além que uma vida perecível, sem estardes revestidos da incorruptibilidade” (Sermão 40,26-27).[11]
SÃO JOÃO CRISÓSTOMO
Patriarca de Constantinopla e doutor da Igreja, nascido em Antioquia, na Síria, em 347, é considerado um dos quatro grandes Padres da Igreja Oriental. Na Igreja Ortodoxa grega é reconhecido como um dos maiores teólogos e um dos três Pilares da Igreja, juntamente com São Basílio e São Gregório:
“Deus seja louvado! Ele, que produz tais maravilhas! Vês quão múltipla é a graça do batismo? Alguns enxergam nele apenas a remissão dos pecados, mas nós podemos delinear dez dons de honra. Por isso batizamos também as crianças de pouca idade, quando ainda não começaram a pecar, para que recebam a santidade, a justiça, a filiação, a herança, a fraternidade de Cristo, para que se convertam em membros e morada do Espírito Santo” (Sermão aos Neófitos).[12]
SÃO BASÍLIO MAGNO
Preeminente bispo da Cesaréia e doutor da Igreja, nascido no ano 330 e falecido em 379. É reconhecido como um dos quatro grandes Padres da Igreja Oriental, juntamente com Santo Atanásio, São Gregório de Nanzianzo e São João Crisóstomo:
“Há um tempo conveniente para cada coisa: um tempo para o sono e outro para a vigília; um tempo para a guerra e um tempo para a paz. No entanto, o tempo do batimo absorve toda a vida do homem. Se não é possível ao corpo viver sem respirar, muito menos será para a alma sobreviver sem conhecer o seu Criador. A ignorância de Deus é a morte da alma. Aquele que não foi batizado tampouco foi iluminado. Assim como sem a luz a vista não pode perceber aquilo que lhe interessa, do mesmo modo, a alma não pode contemplar a Deus. Ademais, todo tempo é favorável para conseguir a salvação por intermédio do batismo, trate-se de noite ou de dia, de uma hora ou de espaço menor de tempo, por mais breve que seja. Seguramente, a data que se aproxima é, em maior medida, a mais apropriada. Que época poderia ser, de fato, mais adequada para o batismo que o dia da Páscoa? Pois esse dia comemora a ressurreição e o batismo é uma fonte de energia para obter a ressurreição. Por essa razão, a Igreja convoca, há muito tempo, seus filhos de peito, em uma sublime proclamação, a fim de que aqueles a quem ela deu à luz na dor, colocando-os no mundo depois de tê-los alimentado com o leite do ensino da catequese, se nutram do alimento sólido dos seus dogmas” (Protríptico do Santo Batismo 1).[13]
O PELAGIANISMO: PRIMEIRA HERESIA A REJEITAR O BATISMO DAS CRIANÇAS
Porém, foi só no século V quando apareceu a primeira heresia a negar a necessidade do batismo, inclusive o batismo das crianças. Seu autor foi Pelágio, um monge influenciado por doutrinas pagãs, especialmente do Estoicismo. Minimizava a eficácia da graça e considerava que a vontade, por seu livre arbítrio, podia por si só obter a santidade. Para os pelagianos, não existia qualquer pecado original; imaginavam que se Adão não foi criado imortal, poderia morrer ainda que não tivesse pecado, de modo que as crianças se encontram no mesmo estado de Adão antes da sua queda, não contraindo qualquer pecado original. E negando o pecado original, consequentemente enxergavam o batismo das crianças como desnecessário.
Logo após tornar-se monge, Pelágio viajou para Roma antes do ano 400. Depois de Roma ser conquistada e saqueada pelos Godos, partiu para Cartago e, a seguir, para Jerusalém, acompanhado de Celéstio, outro partidário do Pelagianismo que o ajuda de maneira eficiente a propagar suas doutrinas.
Dezoito bispos, inclusive Juliano de Eclana, aderiram ao Pelagianismo, mas Santo Agostinho combateu tenazmente a heresia. Os bispos pelagianos foram privados das suas sedes e condenados pelos Concílios africanos de Cartago e Milevis (nos anos 411, 412 e 416), os quais sentenciaram:
“Igualmente dispôs que aqueles que negam que os recém-nascidos do seio de suas mães não devem ser batizados ou efetivamente dizem que são batizados para a remissão dos pecados, mas que nada trazem do pecado original de Adão para ser expiado pelo banho da regeneração – de onde, por consequência, se concluiria que neles a fórmula do batismo 'para a remissão dos pecados' deve ser compreendida como inverídica ou falsa, sejam anátemas. Isto porque disse o Apóstolo: 'Por um só homem entrou o pecado no mundo e, pelo pecado, a morte; e assim passou a todos os homens, porque nele todos pecaram' [cf. Romanos 5,12], o que não deve ser compreendido de maneira diferente daquilo que sempre compreendeu a Igreja Católica espalhada pelo mundo. Logo, por esta regra de fé, mesmo as crianças pequeninas, que ainda não puderam cometer pecados por si mesmas, são verdadeiramente batizadas para a remissão dos pecados, a fim de que, pela regeneração, se limpe nelas aquilo que contraíram pela geração” (Concílio de Milevis II, ano 416; Concílio de Cartago, ano 418 - Concílios aprovados pelos Papas Santo Inocêncio I e São Zózimo; Do Pecado e da Graça, cânon 2).[14]
Contudo, os pelagianos se negaram a submeter-se aos Concílios. Os Concílios, então, escreveram ao Papa para que aprovasse as decisões destes Concílios Regionais, o que de fato ocorreu através do Papa Inocêncio I. Santo Agostinho, de posse da sentença da Sé Apostólica (=Roma), deu o caso por encerrado, mas logo após a morte do Papa Inocêncio, Celéstio proferiu diante do Papa Zózimo umas confissão de fé que esteve perto de confundi-lo, mas este tornou a confirmar as sentenças do seu predecessor. Mais tarde, no ano 431, o Concílio de Éfeso voltou a condenar o Pelagianismo que tentava agora se propagar pela Inglaterra.
SANTO AGOSTINHO
Bispo de Hipona e doutor da Igreja, é reconhecido como um dos quatro doutores mais primorosos da Igreja Latina. Nasceu em 354 e foi bispo de Hipona por 34 anos. Combateu duramente todas as heresias da época e faleceu no ano 430. Os textos contrários ao Pelagianismo são abundantes, razão pela qual, por uma questão de espaço, citarei apenas alguns, nos quais aprofunda a questão da necessidade de se batizar as crianças para purificá-las do pecado original:
“O batismo dos filhos de pais cristãos: apesar do matrimônio justo e legítimo destes filhos de Deus, não nascem filhos de Deus, em razão desta concupiscência. Isto porque os que geram, embora já tenham sido regenerados [pelo batismo], não geram como filhos de Deus, mas como filhos do mundo. Com efeito, esta é a sentença do Senhor: 'Os filhos deste mundo geram e são gerados'. Por sermos filhos deste mundo, nosso homem interior se corrompe; por isso, são gerados também filhos deste mundo e não serão filhos de Deus se não forem regenerados. Entretanto, por sermos filhos de Deus, nosso homem interior se renova a cada dia; e também o homem exterior, pelo banho da regeneração, é santificado e recebe a esperança da incorrupção futura, sendo por isso chamado com toda a razão 'templo de Deus'” (Do Matrimônio e da Concupiscência 1,18,20).[15]
“Todo aquele que nega que as crianças, ao serem batizadas, são arrancadas deste poder das trevas, do qual o Diabo é o príncipe, ou seja, do poder do Diabo e de seus anjos, é refutado pela verdade dos próprios sacramentos da Igreja. Nenhuma novidade herética pode alterar ou destruir qualquer coisa na Igreja de Cristo, já que a Cabeça dirige e auxilia todo o seu Corpo, tanto aos pequenos (=crianças) quanto aos grandes (=adultos)” (Do Matrimônio e da Concupiscência 1,20,22).[16]
“Com efeito, desde que foi instituída a circuncisão no povo de Deus – que então era o sinal da justificação pela fé – esta teve valor por significar a purificação do antigo pecado original também para as crianças, da mesma forma como o batismo começou a ter valor também para a renovação do homem desde o momento em que foi instituído. Não que antes da circuncisão não houvesse justiça alguma pela fé – pois o próprio Abraão, pai das nações que seguiriam a sua mesma fé, foi justificado pela fé, mesmo sendo todavia incircunciso – mas porque o sacramento da justificação pela fé esteve totalmente escondido nos tempos mais antigos. Porém, a mesma fé no Mediador salvava os antigos justos, pequenos e grandes” (Do Matrimônio e da Concupiscência 2,11,24).[17]
A REFORMA PROTESTANTE E O MOVIMENTO ANABATISTA
Seria apenas séculos depois, não mais pelos pelagianos mas por um movimento totalmente diferente, surgido em Zurique em torno da Reforma Protestante promovida pelo reformador Ulrico Zwínglio, que se levantaria oposição ao batismo das crianças. Os partidários deste movimento foram chamados “anabatistas” (ou “batistas”).
O nascimento deste movimento remonta ao ano 1523, quando a Reforma chegou a Zurique. Não passou muito tempo para que começasse a ocorrer divisões dentro do Protestantismo. De Zwínglio se separaram vários grupos protestantes que anteriormente colaboravam na formação de uma comunidade independente da tutela da autoridade civil. Entre estes estavam Conrado Grebel (1498-1526) e Feliz Mantz (1500-1527), que passaram a desenvolver a idéia de que apenas os que críam retamente e levavam conduta pia eram membros da Igreja; assim, segundo suas opiniões, o batismo das crianças não podia nem sequer ser considerado batismo, sendo portanto inválido. Os anabatistas passaram então a se rebatizar, rejeitando a validade do seu primeiro batismo e alegando que apenas aqueles que podiam expressar conscientemente a fé em Cristo podiam ser batizados.
No ano 1524, Grebel rejeitou que seu novo filho fosse batizado e ocasionou um conflito com o Conselho de Zurique; em janeiro de 1525, o Conselho dispôs que fosse expulso da cidade quem, no prazo de oito dias, não batizasse seus filhos. Grebel e Mantz também foram proibidos de pregar[18], mas como o Protestantismo já tinha rejeitado a autoridade da Igreja [Católica], tendo em vista a livre interpretação da Bíblia, o novo movimento também não tinha motivos para se submeter às novas autoridades protestantes. A “caixa de Pandora” estava aberta e a partir de então não havia mais como o Protestantismo guardar uma unidade doutrinária.
É neste contexto que surgiram as inquisições protestantes. Mas apesar de se servirem da tortura e, em 7 de março de 1526, ter sido decretada pena de morte para todos aqueles que realizassem um segundo batismo, não foi possível conter os anabatistas (o mesmo passaria a ocorrer, aliás, com cada nova denominação protestante). Começaram assim as execuções de anabatistas, entre elas as de Félix Mantz (por afogamento), Jorge Blaurock e Miguel Sattler (ambos queimados vivos). As vítimas continuaram, mas o Anabatismo se propagou inclusive para a Alemanha, terra de Lutero, e os Países Baixos, onde a palavra de Calvino era a lei.
Proibidos tanto nas regiões católicas quanto nas protestantes, apareceram diferentes grupos anabatistas (menonitas, huterianos), alguns pacíficos, outros nem tanto. Um dos líderes destes grupos anabatistas violentos foi Tomás Müntzer, que logo depois de ser seguidor de Lutero acabou se tornando seu férreo inimigo. Liderou grupos de camponeses que, embora fizessem reclamações justas e buscassem o apoio de Lutero, acabaram partindo para a violência quando este último ofereceu-lhes a espada. É neste momento que Lutero escreve a obra “Contra as Hordas de Bandidos e Assassinos Camponeses” (WA 18,357-361), em que exorta os príncipes a realizar uma matança de camponeses, em público ou em privado, culminando tudo em um grotesco massacre.
Com o passar do tempo, a tendência anabatista foi penetrando nas diversas denominações protestantes, ecoando suas tendências referentes ao batismo inclusive em denominações não- anabatistas (pentecostais, metodistas), embora rejeitadas por outras (calvinistas, luteranos, reformados). A divisão chegou a tal ponto que hoje conheço comunidades eclesiais luteranas que rejeitam o batismo de crianças (embora continuem sendo exceção e não regra).
Entre algumas confissões protestantes rejeitando as doutrinas anabatistas, podemos mencionar:
“O Batismo: ensinamos que o Batismo é necessário para a salvação e que pelo Batismo nos é dada a graça divina. Ensinamos também que se devem batizar as crianças e que por este Batismo são oferecidas a Deus e recebem a graça de Deus. É por isso que condenamos os Anabatistas que rejeitam o Batismo das crianças” (Confissão de Augsburgo, artigo 9; ano 1530 – Igrejas Luteranas).
“Não apenas devem ser batizados aqueles que professam a fé em Cristo e obediência a Ele, como também as crianças, filhas de um ou de ambos os pais crentes” (Confissão de Westminster 28,4 – Igrejas Reformadas).
“Pergunta: Deve-se também batizar as crianças?
Resposta: Naturalmente, pois, como os adultos, encontram-se compreendidas na Aliança e pertencem à Igreja de Deus[a]. Tanto a estas quanto aos adultos se lhes promete, pelo sangue de Cristo, a remissão dos pecados[b] e o Espírito Santo, operário da fé[c]; por isso, e como sinal desta Aliança, [ambos] devem ser incorporados à Igreja de Deus e diferenciados dos filhos dos infiéis[d], assim como se fazia na Aliança do Antigo Testamento pela circuncisão[e], cujo substituto na Nova Aliança é o Batismo[f]. Notas: [a] Gênesis 17,7; [b] Mateus 19,14; [c] Lucas 1,15; Salmo 22,10; Isaías 44,1-3; Atos 2,39; [d] Atos 10,47; [e] Gênesis 17,14; [f] Colossenses 2,11-13” (Catecismo de Heidelberg, pergunta 74 – Igrejas Reformadas).
“Opomo-nos aos anabatistas, os quais não aceitam o batismo infantil dos filhos dos crentes. Porém, conforme o Evangelho, 'o reino de Deus é dos pequeninos' e estes encontram-se incluídos na Aliança de Deus. Portanto, por que não devem receber o sinal da Aliança de Deus? Por que não devem ser consagrados pelo santo batismo, considerando que já pertencem à Igreja e são propriedade de Deus e da Igreja? Igualmente negamos as demais doutrinas dos anabatistas, que contêm pequenas considerações próprias e contrárias à Palavra de Deus. Em suma: não somos anabatistas e com eles nada temos em comum” (Confissão Helvética – antiga confissão protestante de 1566).
“Por esta razão, cremos que quem deseja entrar na vida eterna deve ser batizado uma [só] vez com o único Batismo, sem repetí-lo jamais, já que tampouco podemos nascer duas vezes. Mas este Batismo é útil não apenas enquanto a água está sobre nós, mas também todo o tempo de nossa vida. Portanto, reprovamos o erro dos anabatistas, que não se conformam com o único batismo que receberam e que, além disso, condenam o batismo das crianças [filhas] de crentes, as quais cremos que se deve batizar e selar com o sinal da Aliança, como as crianças em Israel eram circuncidadas nas mesmas promessas que foram feitas aos nossos filhos. E, certamente, Cristo não derramou menos o seu sangue para lavar as crianças dos fiéis como o fez pelos adultos; [por seu sangue] devem receber o sinal e o sacramento daquilo que Cristo fez por elas, da mesma forma como o Senhor, na Lei, ordenou que participassem do sacramento do padecimento e morte de Cristo pouco depois de terem nascido, sacrificando por elas um cordeiro, o qual era um sinal de Jesus Cristo. Por outro lado, o Batismo significa para nossos filhos o mesmo que a circuncisão significava para o povo judeu, o que fez São Paulo chamar o Batismo de 'a circuncisão de Cristo'” (Confissão Belga de 1619, artigo 34 – a Confissão Reformada dos Países Baixos e de várias igrejas reformadas atuais).
Os anglicanos também rejeitaram o anabatismo:
“Do Batismo – O batismo não é apenas um sinal da profissão e uma nota de distinção pela qual se identificam os cristãos e os não-batizados, mas também é um sinal da regeneração ou renascimento, pelo qual, como por instrumento, os que recebem retamente o batismo são inseridos na Igreja; as promessas da remissão dos pecados e a de nossa adoção como filhos de Deus por meio do Espírito Santo são visivelmente assinaladas e seladas; a fé é confirmada; e a graça, em razão da oração a Deus, é ampliada. O Batismo das crianças, sendo conforme com a instituição de Cristo, deve ser inteiramente conservado na Igreja” (Os 39 Artigos da Religião, capítulo 27 – confissão doutrinária histórica da Igreja Anglicana).
João Calvino, em sua obra “Instituição da Religião Cristã” dedica uma seção para refutar o anabatismo. Pode ser vista aqui .
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Notas:
[1] Texto em inglês em http://www.ccel.org/print/schaff/anf01/ix.viii.xxxiv - http://www.newadvent.org/fathers/0134.htm
[2] Extraído da edição preparada pela Conferência do Episcopado Mexicano no ano jubilar de 2000.
[3] QUASTEN, Johannes. “Patrologia I”. p. 189.
[4] “O Batismo: Seleção de Textos Patrísticos”. Tradução e notas de Enrique Contreras, osb. Editorial Pátria Grande, p. 41.
[5] Ibid, p. 43.
[6] QUASTEN, Johannes. “Patrologia I”. p. 189.
[7] “O Batismo: Seleção de Textos Patrísticos”. Tradução e notas de Enrique Contreras, osb. Editorial Pátria Grande, pp. 45 e 47.
[8] V. http://www.ccel.org/print/schaff/anf05/iv.iv.lviii - http://www.newadvent.org/fathers/050658.htm
[9] Traduzido a partir de http://www.ccel.org/print/schaff/anf05/iv.iv.lviii - http://www.newadvent.org/fathers/050658.htm
[10] “O Batismo segundo os Padres Gregos”. Adaptação pedagógica do Dr. Carlos Etchevarne, Bach. Teol., pp. 14 e 16-17. Texto em inglês em http://www.ccel.org/print/schaff/npnf207/iii.xxiii - http://www.newadvent.org/fathers/310240.htm
[11] Ibid, pp. 22-23. Texto em inglês em http://www.ccel.org/print/schaff/npnf207/iii.xxiii - http://www.newadvent.org/fathers/310240.htm
[12] Ibid, p. 57.
[13] Ibid, p. 4.
[14] DENZINGER, Enrique. “O Magistério da Igreja: Manual de Símbolos, Definições e Declarações da Igreja em Matéria de Fé e Costumes”. Versão direta dos textos originais por Daniel Ruiz Bueno, Editorial Herder, 1963, p. 39.
[15] “Obras Completas de Santo Agostinho: Tomo XXXV-Escritos Anti-Pelagianos (3º), Réplica a Juliano”. BAC 457, p. 272.
[16] Ibid, p. 276.
[17] Ibid, p. 332.
[18] Para uma história mais detalhada sobre o Movimento Anabatista, consultar: “Manual de História da Igreja”, de Hubert Jedim, Tomo V, Editorial Herder.
 
  • Fonte: http://www.apologeticacatolica.org; tradução: Carlos Martins Nabeto

 http://www.veritatis.com.br/patristica/patrologia/439-o-batismo-de-criancas-nos-padres-da-igreja-e-na-historia

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TESTEMUNHOS DE ALGUMAS IGREJAS PROTESTANTES A FAVOR DO BATISMO DE CRIANÇA:

 

O batismo infantil à luz da Bíblia ou Porque eu batizo crianças

 
Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso. (Atos 16:15)

Um ponto em comum entre as igrejas presbiterianas, luteranas e metodistas com a Católica, a Anglicana e a Ortodoxa é a prática do batismo de crianças (ou pedobatismo), incluindo-se aí os bebês. No entanto, a prática é condenada por quase todo o restante das igrejas evangélicas, principalmente os batistas, mas incluindo também igrejas pentecostais e neopentecostais. Dentro do ponto de vista dos batistas, o pedobatismo seria um ranço do catolicismo romano dentro das igrejas protestantes, uma prática sem amparo bíblico e até mesmo perigosa, por induzir os pais a acreditarem que seus filhos já nascem salvos.

Antes de irmos a uma análise bíblica propriamente dita, é preciso esclarecer que a visão presbiteriana do batismo é diferente da visão católico-romana. Para os católicos, o batismo é um sacramento essencial à salvação. E os presbiterianos, como enxergam esse sacramento?

1) O batismo é sinal e selo da aliança entre Deus e a Igreja

O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na Igreja a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça, de sua união com Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e também da sua consagração a Deus por Jesus Cristo a fim de andar em novidade de vida. Este sacramento, segundo a ordenação de Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao fim do mundo.

Mat. 28:19; I,Cor. 12:13; Rom. 4:11; Col. 2:11-12; Gal. 3:27; Tito 3:5; Mar. 1:4; At. 2:38; Rom. 6:3-4; Mat. 28:19-20. (CFW, XXVIII, I)

2) O batismo não salva e nem é essencial à salvação de ninguém


Posto que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo, a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, que sem ela ninguém possa ser regenerado e salvo os que sejam indubitavelmente regenerados todos os que são batizados.

Luc.7:30; Exo. 4:24-26; Deut. 28:9; Rom. 4:11; At. 8:13, 23. (CFW, XXVIII, V)

3) Embora o batismo não salve, ele, de fato, comunica alguma graça aos que o recebem

A eficácia do batismo não se limita ao momento em que é administrado; contudo, pelo devido uso desta ordenança, a graça prometida é não somente oferecida, mas realmente manifestada e conferida pelo Espírito Santo àqueles a quem ele pertence, adultos ou crianças, segundo o conselho da vontade de Deus, em seu tempo apropriado.

João 3:5, 8; Gal. 3:27; Ef. 5:25-26. (CFW, XXVIII, VI)

Esclarecida, então, a forma como os presbiterianos veem o batismo, podemos passar a uma análise bíblica sobre a prática do batismo de crianças. Em que se baseiam os presbiterianos para batizarem seus filhos, muitas vezes ainda bebês?

O batismo é o substituto bíblico da circuncisão
A circuncisão é a remoção do prepúcio do órgão sexual masculino. Era o sinal da aliança que Deus tinha com Abraão, o patriarca de Israel, no Antigo Testamento. No Novo Testamento, a circuncisão foi substituída pelo batismo. É o que indica Colossenses 2:11-12:

Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Isso aconteceu quando vocês foram sepultados com ele no batismo, e com ele foram ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. (Nova Versão Internacional)

O texto afirma que, em Cristo, os salvos estão circuncidados. Diz que a circuncisão significa "o despojar do corpo da carne", uma outra forma de dizer "a morte do nosso velho eu na cruz de Cristo". Mais do que isso, a Bíblia ensina que essa circuncisão acontece "quando vocês foram sepultados com ele no batismo". Essa conexão é reforçada quando o significado do batismo é explicado em Romanos 6:3-4:

Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. (Nova Versão Internacional)

Assim como o batismo, a circuncisão também aponta para a morte de Cristo, de um velho eu. O "despojar do corpo da carne" é representado de modo bem literal. O derramamento de sangue (ou você pensa que não sangra cortar o prepúcio?) também traz à memória a cruz de Cristo. A mudança de vida também é indicada na circuncisão do coração, exigida já na Lei de Moisés:

Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz. (Deuteronômio 10:16)

Além de terem praticamente o mesmo significado simbólico, os dois sacramentos são ritos de iniciação à fé, feitos uma única vez. Fazendo um resumo das semelhanças:

a) São ritos iniciáticos;
b) Ambos apontam para a morte de Cristo;
c) Ambos apontam para uma nova vida com Cristo.

Há diferenças? Sim. A circuncisão é um sinal físico permanente, aplicado somente a homens, mas com uma implicação óbvia sobre a descendência (a marca da aliança fica sobre um órgão reprodutor, como uma espécie de vindicação divina sobre a descendência de quem a recebe). O batismo é um sinal físico, mas não permanente, aplicado aos dois sexos e sem um vínculo exterior tão evidente.

No entanto, também há diferenças entre a Ceia e a Páscoa (por exemplo, hoje não comemos cordeiros na Ceia)...e quase não há discussões de que a Ceia é o substituto bíblico da Páscoa. Considerando o texto de Colossenses 2:11-12 e a similaridade tão grande de significado que existe entre a circuncisão e o batismo...por que resistir à ideia de tomarmos o batismo como sendo a circuncisão cristã?

A igreja é o sucessor do povo de Israel do Antigo Testamento
Ao contrário dos dispensacionalistas, doutrina evangélica popular (e recente) que enxerga uma diferença radical entre o Israel do AT e a igreja cristã do NT, os presbiterianos são (ou deveriam ser) aliancistas ou teólogos do pacto. O aliancismo afirma que a igreja do NT nada mais é do que a continuação do Israel do AT. Dessa maneira, a igreja também se torna herdeira das graças prometidas ao povo de Israel.

Como isso pode ser provado? Vamos dar uma olhadinha em alguns textos onde Deus estabelece sua aliança com Abraão:

Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem, em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gênesis 12:3)

Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações. Abrão já não será o teu nome, e sim Abraão; porque por pai de numerosas nações te constituí. Far-te-ei fecundo extraordinariamente, de ti ferei nações, e reis procederão de ti. Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência. (Gênesis 17:4-7)

Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça. (Gênesis 17:5-6)

Agora, vejam o que Paulo diz sobre Abraão e sua descendência:

É o caso de Abraão que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão. (Gálatas 3:6-9)

Em outras palavras...na visão de Paulo, os textos de Gênesis onde Deus estabelece a sua aliança com Abraão e à sua descendência, se aplicam para falar dos gentios (não judeus, não descendentes de Abraão segundo a carne) que se converteriam nos dias do NT e fariam parte da igreja. Quando Abraão creu na promessa, creu no evangelho preanunciado a ele. Quando a Bíblia fala que, em Abraão, todos os povos seriam abençoados, ela falava da inclusão dos gentios...na descendência de Abraão! Por isso, "os da fé é que são filhos de Abraão". A mesma ideia é repetida em Romanos 4:

E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que creem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça, e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado. Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa, porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão. Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que seja firme a promessa para toda a descendência, não somente ao que está no regime da lei, mas também ao que é da fé que teve Abraão (porque Abraão é pai de todos nós, como está escrito: Por pai de numerosas nações te constituí.), perante aquele no qual creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem. (Romanos 4:11-17)

As promessas de Deus a Abraão ja estavam apoiadas na fé...na graça que só seria revelada no Novo Testamento. A ideia de que os filhos de Abraão são os da fé também está presente em Jesus:

Então, lhe responderam: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão. Mas agora, procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu Abraão. (João 8:39-40)

João Batista é ainda mais claro:

e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. (Mateus 3:9)

Quais as conclusões lógicas?

a) A promessa de que Abraão seria pai de numerosas nações referia-se também à salvação dos gentios nos dias do NT;
b) Logo, os gentios salvos são considerados, na Bíblia, filhos de Abraão, herdeiros de Abraão;
c) A promessa feita a Abraão baseava-se na fé, e não na Lei.

E aí, cabe voltar à Gênesis 17:7, quando vemos que a aliança estabelecida por Deus era com Abraão e a descendência dele.

Circuncisão + aliança com Abraão = batismo infantil
A aliança de Deus com Abraão não termina com a chegada de Jesus. Na verdade, a vinda de Jesus, o surgimento de uma igreja formada por várias nações...tudo isso é o cumprimento da aliança abraâmica, que continua em vigor. Uma aliança que, como disse antes, também alcança a descendência. Tanto que o sinal da aliança é aplicado não somente a quem crê, mas também à sua família:

Disse mais Deus a Abraão: Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Circuncidareis a carme do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós. O que tem oito dias será circuncidado entre vós, todo macho nas vossas gerações, tanto o escravo nascido em casa como o comprado a qualquer estrangeiro, que não for da tua estirpe. Com efeito, será circuncidado o nascido em tua casa e o comprado por teu dinheiro; a minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua. O incircunciso, que não for circuncidado na carne do prepúcio, essa vida será eliminada do seu povo; quebrou a minha aliança. (Gênisis 17:9-14)

De fato, no Antigo Testamento, é sempre enfatizada a ligação entre a fé dos pais e de sua descendência:

Saberás, pois que o senhor, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e cumprem os seus mandamentos... (Deuteronômio 7:9)

Foi por causa da fé de Abraão, Isaque e Jacó que, quatrocentos anos depois da morte do último, Deus resolveu libertar o povo de Israel da escravidão no Egito:

Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó. E viu Deus os filhos de Israel e atentou para a sua condição. (Êxodo 2:24-25)

Muitos anos depois, quando o rei Salomão tornou-se idólatra, deixando o SENHOR, ele foi poupado por causa da fé de seu pai.

Por isso, disse o SENHOR a Salomão: Visto que assim procedeste e não guardaste a minha aliança, nem os meus estatutos que te mandei, tirarei de ti este reino e o darei a teu servo. Contudo, não o farei nos teus dias, por amor de Davi, teu pai; da mão de teu filho o tirarei. Todavia, não tirarei o reino todo; darei uma tribo a teu filho, por amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, que escolhi. (1 Reis 11:12-13)

Isso não significa que os filhos dos justos eram salvos no Antigo Testamento. Como Paulo alerta:

Porque a circuncisão tem valor se praticares a lei; se és, porém, transgressor da lei, tua circuncisão já se tornou incircuncisão. Se, pois, a incircuncisão observa os preceitos da lei, não será ela, porventura, considerada como circuncisão? E, se aquele que é incircunciso por natureza cumpre a lei, certamente, ele te julgará a i, que, não obstante a letra e a circuncisão, és transgressor da lei. Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus. (Romanos 2:25-29)

Apesar disso, pelos textos que lemos antes, de alguma forma, os descendentes dos justos, mesmo quando se entregavam à impiedade, recebiam uma espécie de bênção, uma paciência extra, algum tipo de graça não salvadora da parte de Deus. A circuncisão não salvava ninguém, só tinha eficácia se houvesse obediência a Deus. No entanto, era também o reconhecimento de que Deus tratava de modo diferente os israelitas.

E no Novo Testamento? Deus continua tratando de modo diferente os filhos dos eleitos.

Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos. (1 Coríntios 7:14)

Em outras palavras, um único cônjue crente já santifica (não salva) de alguma forma o outro. E essa santificação atinge os filhos também. Agora, os filhos de não cristãos são chamados de impuros.

Que a promessa da salvação também se estende aos filhos é algo que se pode ver no sermão de Pedro no dia de Pentecostes:

Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. (Atos 2:39)

Ora:

1) Se a aliança de Abraão não é anulada, mas sim cumprida em Cristo;
2) Se nessa aliança e em todo o Antigo Testamento, os filhos podem colher benefícios espirituais de seus pais (embora não sejam salvos por causa disso);
3) Se o batismo é o substituto bíblico da circuncisão;
4) Se no Novo Testamento a Bíblia continua falando da santidade dos filhos e que a promessa também os alcança...

Por que não batizar as crianças?

E aí vem uma grande vantagem da posição pedobatista (batismo infantil) sobre a batista. Os pedobatistas reconhecem que as crianças, os filhos dos salvos, estão incluídos na aliança entre Deus e a Igreja. Dão a elas um lugar no povo de Deus, no reino dos céus. Um lugar que, aliás, é dado pelo próprio Jesus.

Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus. (Mateus 19:14)

O batismo de famílias
Os batistas ainda argumentam que não há, na Bíblia, um único caso de uma criança, filha de crentes, recebendo o batismo. No entanto, os batistas também não conseguem mostrar um único caso de filho adulto (ou adolescente) de cristão sendo batizado. E por quê? A explicação é simples: porque a Bíblia termina com a primeira geração de seguidores de Cristo. Ela não conta a história da segunda geração, dos filhos dos primeiros seguidores de Jesus. Se a questão é falta de exemplos concretos, ela falta dos dois lados.

Mas, embora não haja uma indicação explícita de crianças sendo batizadas, o batismo infantil está implícito nos vários relatos bíblicos de batismo de casas (famílias):

Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso. (Atos 16:14-15)

E lhe pregaram a palavra de Deus e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite, cuidando deles, lavou-lhes os vergões dos açoites. A seguir, foi ele batizado, e todos os seus. (Atos 16:32-33)

Batizei também a casa de Estéfanas; além destes, não me lembro se batizei algum outro. (1 Coríntios 1:16)

Algumas respostas são dadas pelos batistas nesses casos:

1) Pode ser que todos ali tivessem idade suficiente para ouvir e serem convencidos;
2) Em todos os casos houve pregação antes para todos (não é possível provar no caso de Estéfanas e praticamente impossível no de Lídia, ela ouve e quando os apóstolos chegam à casa dela o batismo já acontece).

Mas as duas respostas não fazem jus ao contexto histórico da época. Em primeiro lugar, não havia muito espaço no século I, especialmente nas camadas mais pobres, para um filho não abraçar a fé do pai. Se o chefe de uma casa abraçava uma fé, a casa toda o seguia. Essa história de "meu filho vai escolher a religião dele" não existia.

Em segundo lugar, é preciso considerar o perfil demográfico. Lembra das pirâmides etárias, das aulas de Geografia? Até a Revolução Industrial (século XIX), as sociedades eram marcadas por baixa expectativa de vida e altas taxas de natalidade e de mortalidade. A maior parte das pessoas era criança ou jovem...e como não havia métodos contraceptivos muito eficazes, era comum um número grande de filhos.

Considerando isso, quais as chances de que, em todos os relatos de batismo de famílias, não houvesse ali crianças pequenas, incapazes de compreender o que estava acontecendo, e que acabaram batizadas por causa da conversão dos pais?

Se formos bastante frios, veremos que o peso da evidência histórica é muito mais favorável ao batismo infantil.

Conclusão
Muitas vezes ouvi pessoas falarem que o batismo infantil não tem base bíblica. Acho que o texto é suficiente para mostrar que não é bem assim. Talvez a base bíblica seja até fraca ou inadequada, mas ela existe. Ainda há uma série de ressalvas que poderia fazer sobre o assunto, mas penso que já extrapolei todas as medidas razoáveis para um blog. Se estiver interessado em mais, o post anterior traz um fragmento de Calvino sobre o assunto.

http://reformaecarisma.blogspot.com.br/2009/07/o-batismo-infantil-luz-da-biblia-ou.html

 

Por que a Igreja Presbiteriana batiza crianças?

Recebi a seguinte pergunta pelo formulário formspring deste site:

“Por que vocês batizam crianças, se elas não entendem nada, e não são pecadoras, o batismo significa reconhecer que somos pecadores?”
De fato o batismo infantil não é o batismo de arrependimento, como o é para os que, quando adultos, tomam conhecimento de sua condição de pecadores, confessam seus pecados e recebem a Cristo Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas.

Mas o batismo não significa só sinal de arrependimento. Também significa sinal do pacto da graça, e é neste sentido que as crianças dos pais crentes são batizadas.

Para melhor entendimento desta questão, transcrevo abaixo o que a Igreja Presbiteriana do Brasil entende a respeito desta doutrina, conforme publicado em seu site oficial:

““Batismo é um sacramento, de maneira a purificar com água no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, o que significa e sela nossa aliança com Cristo, e partilhando os benefícios do pacto da graça, e nossa declaração que verdadeiramente somos de Deus” (CM, P. 94). Batismo é o sinal do pacto da graça durante a era do Novo Testamento, como foi a circuncisão durante o Antigo Testamento (ver Col. 2:11-12).


Os Cristãos Reformados entendem que o batismo deve ser aplicado, então, a todos aqueles com quem Deus estabeleceu seu pacto de graça, mais claramente, com os crentes em Cristo e também com seus filhos. È importante enfatizar que não há um texto bíblico explícito que determine o batismo infantil. Se houvesse, todas as igrejas que crêem na Bíblia iriam então praticá-lo. Contudo, a vontade de Deus não é somente “expressamente descrita nas Escrituras”, mas também “por uma conseqüência boa e necessária, pode ser deduzida das Escrituras” (CFW, I:6). O argumento de defesa para o batismo infantil pode ser apresentado na forma de silogismo:


Premissa Maior
Todos participantes no pacto da graça devem receber o sinal de tal pacto.


Premissa Menor
As crianças, filhos dos crentes são também participantes do pacto da graça.


Conclusão
As crianças, filhos dos crentes devem também receber o sinal do pacto da graça. Se as duas premissas são verdadeiras, a conclusão é incontestável. E é isso o que a confissão descreve como “conseqüência boa e necessária” A única forma de evitarmos o batismo infantil dos filhos dos crentes é se negarmos uma dessas verdades. Poucos negariam a premissa maior, mas dispensacionalistas claramente negam a premissa menor. Eles afirmam que as crianças filhos de crentes nunca foram participantes do pacto da graça. Uma vez que, durante a era do Antigo Testamento, eles participavam da nação de Israel e recebiam o sinal de sua participação no pacto - a circuncisão. Mas, dizem eles (dispensacionalistas), que crianças não participam do pacto da graça, porque esse pacto existe somente a partir do Novo Testamento. Uma vez que não existe um texto que ordena o batismo infantil, então não se deve fazer. Entretanto, o pacto da graça existe durante as duas eras (AT e NT), e os filhos dos crentes eram obviamente participantes do pacto durante o Antigo Testamento. Deus determinou isso (ver Gen. 17:10). Agora, uma vez que Deus não alterou seu pacto (Salmo. 89:34), nós não nos surpreendemos que não haja um texto no Novo Testamento indicando que os filhos dos crentes que eram participantes do pacto, agora já não são mais. Ao contrário, Colossenses 2:11 e 12 traçam um paralelo especifico, entre batismo e circuncisão; aqueles que eram então circuncidados, que sejam agora batizados. E Atos 8:12 mostra que o novo sinal da aliança foi dada as mulheres assim como aos homens. O Batismo é um sacramento totalmente passivo, partindo de nosso ponto de vista. Isso não significa que em todos os aspectos da aplicação da salvação prometida no pacto da graça, o individuo batizado seja totalmente passivo. Eles (ou elas) são verdadeiramente ativos em seu processo de conversão e santificação. Ao invés disso, o que realmente significa é que o individuo batizado e não se auto-batiza. Os Pais não batizam seus filhos. Falando diretamente, nem mesmo o ministro (pastor, igreja...) os batiza, no sentido de efetuar algo. Nós não fazemos nada no batismo; ao invés disso, Deus faz algo. Ele, através do cumprimento de um mandamento pela igreja, dá uma identidade a crianças, jovens e velhos, de sua família do pacto, os alvos de sua graça e de todas suas maravilhosas bênçãos”.

Fonte: http://www.ipb.org.br/portal/igreja-reformada/107-batismo-infantil

Recomendo, para aprofundamento na questão, a leitura de duas obras:
a) Verdades Essenciais da Fé Cristã, 3º caderno, de R. C. Sproul, Editora Cultura Cristã, capítulo 7;
b) O Que Todo Presbiteriano Inteligente Deve Saber, de Adão C. Nascimento e Alderi S. de Matos, Editora Socep, capítulo 24.


Ressalto, ainda, que todos aqueles que foram batizados na infância na Igreja Presbiteriana  e que, quando jovens ou adultos, tomam sua decisão livre e pessoal em confessar Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador, necessariamente fazem sua pública "Profissão de Fé" em ocasião solene perante a igreja. Nesta ocasião, a pessoa estará confirmando por meio de seu testemunho público sua decisão em continuar, agora por decisão exclusivamente sua, pelo caminho da graça no qual seus pais a iniciaram.

Pastor Alexandre

http://www.belajerusalem.org.br/2010/10/por-que-igreja-presbiteriana-batiza.html

 

 


O BATISMO REFORMADO

Introdução

É ponto de concórdia entre a esmagadora maioria das igrejas genuinamente evangélicas que o batismo é um rito que não salva, isto é, não gera e nem produz a salvação no batizando; é também ponto comum que o uso do elemento externo - a água, e o nome da Trindade Santíssima são essenciais para o batismo cristão. Também é de comum acordo que o ministro do evangelho, o pastor, é quem ordinariamente administra tal sacramento. Entretanto, existem alguns pontos ensinados entre a maior parte dos evangélicos que não condizem com a verdade. A maioria das igrejas evangélicas, bem como diversas seitas, só aceitam o batismo por imersão total do corpo do batizando em água e negam este sacramento às crianças antes da idade da razão. Embora estas duas atitudes sejam erradas, grande parte do povo evangélico crê nestes ensinos como verdades absolutas e inquestionáveis.
O objetivo desta obra não é de ser um tratado para doutos teólogos, mas é de ser um manual simples e claro para o esclarecimento de qualquer membro leigo ou estudioso interessado na verdade do evangelho.
Aqueles que negam o batismo infantil (antipedobatistas) e exigem a imersão como única forma válida de batismo, causam mágoas e divisões no Corpo de Cristo por causa de assunto secundário. Por isso queremos deixar claro que o nosso objetivo não é contender, debater e nem responder a quem quer que seja, nosso objetivo é esclarecer aquelas mentes sinceras que indagam o por quê de sermos aspercionistas, ao contrário da maioria, e o por quê de sermos, da mesma forma, pedobatistas (favoráveis ao batismo infantil).
Trataremos o assunto da seguinte forma: 1. Por que aceitamos como válido o batismo por aspersão? 2. Por que aceitamos o batismo infantil? Analisaremos estes assuntos à luz da Bíblia e da História. Oferecemos também o argumento do apóstolo Pedro, que é retomado historicamente por Lutero. depois concluiremos à luz das evidências apresentadas.
É nosso desejo que o Deus Todo-Poderoso livre-nos de todo preconceito, abra nossas mentes e nos fale por Sua Palavra. Boa Leitura e que Deus o abençoe.


Capítulo 01
Por que aceitamos como válido o Batismo por Aspersão ?

a) Por uma questão hermenêutica (interpretação dos originais) - Todos os que estudam hermenêutica (a arte de interpretar textos, no caso, bíblicos) sabem que não se pode fazer doutrina em cima de exemplos, ao contrário, só se tem doutrina segura em cima de declarações diretas e ordens. Não existe nem ordem e nem declaração de Nosso Senhor Jesus Cristo e nem dos santos apóstolos exigindo a imersão, portanto qualquer forma de aplicar a água no batismo é válida.

b) Por uma questão exegética - Dizem os imersionistas que a palavra grega “baptizo” (batismo em português) significa EXCLUSIVAMENTE “imergir, mergulhar”. Isto, além de não ser verdade, é uma afronta a qualquer estudioso do Novo Testamento que se demore um pouco mais sobre o texto original. Citaremos aqui pelo menos três exemplos bíblicos onde ‘batismo’ significa “derramar ou aspergir”, a saber: 1) Mateus 3.11 - “ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”, no cumprimento desta promessa vemos o Espírito Santo sendo derramado sobre as pessoas (Atos 2.3; Joel 2.28), ninguém foi mergulhado no Espírito, mas o Espírito desceu sobre eles, logo, aqui a palavra ‘batismo’ significa ‘derramar’. 2) Marcos 7.4 - a expressão “lavar” neste texto, é, no grego, ‘batismo’, e esta lavagem ritual judaica era feita vertendo-se água, derramando-a nos utensílios (Nm 8. 5-7) ou nas pessoas (Ez 36.25). 3) Hebreus 9.10 - a expressão “abluções” deste texto, é em grego ‘batismos’, e tais abluções eram aspersões no Antigo Testamento (Ex 29.21). É importante notar que muitas autoridades sérias, mesmo imersionistas, reconhecem a validade deste nosso argumento. A igreja adventista, que é um grupo imersionista, em seu livro oficial de doutrinas “Nisto Cremos” - 2A. edição, na página 253 afirma: “Em o Novo Testamento, o verbo batizar é utilizado 1) para referir-se ao batismo em água...; 2) como metáfora do sofrimento e morte de Cristo...; 3) em relação à vinda do Espírito Santo...; e 4) para abluções ou rituais de lavagem das mãos...” Assim também temos o testemunho de E. B. Fairfield, que tinha como incumbência fazer um trabalho onde ficasse provado que ‘batismo’ significa sempre ‘imersão’ e após profunda exegese bíblica declarou: “Mês após mês, durante mais de dois anos, lutei para manter a minha posição antiga, mas foi inútil. Surgiram contra mim fatos duros e sólidos. Tendo estudado a questão de ambos os lados, convenci-me do meu erro. Imersão não era o único batismo”. Temos ainda o testemunho do “Léxico do Novo Testamento Grego/Português”, páginas 40 e 41 que define “baptizo” como ‘mergulhar, imergir, lavagens rituais judaicas, lavar as mãos’, define também “baptismos” como ‘ablução, lavagem cerimonial, batismo’ e por fim define “bapto” como ‘molhar, embeber, salpicar’, o que é perfeitamente próprio para a aspersão. Finalizando esta questão exegética quero citar a definição de “Batismo” do Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, página 163: “Sacramento da igreja, que consiste materialmente em lançar água sobre a cabeça do neófito; ablução; imersão”. Assim sendo, se a palavra BAPTIZO pode significar também “aspergir”, “derramar”, eu posso batizar uma pessoa por aspersão ou derramamento.
c) Por uma questão contextual - Existem alguns casos de batismos na Bíblia onde a imersão seria impraticável, por exemplo: 1) Atos 2.41 - Três mil batizados em um só dia, na desértica Palestina, contando a igreja com apenas doze oficiais (os apóstolos), seria uma impossibilidade física (250 convertidos por oficial batizante), impossibilidade geográfica (pois a Palestina é carente de água) e impossibilidade lógica (pois os judeus não permitiriam o uso dos grandes rios de Israel para o batismo cristão de milhares de ex-adeptos do judaísmo). Levemos ainda em conta que este fato se deu em Jerusalém, cidade que não é cortada por rio algum, e o mesmo texto não fala e nem insinua o deslocamento das pessoas que foram batizadas. 2) Atos 9.17,18 - Saulo, mais tarde Paulo, que foi espetacularmente convertido a Cristo, ficou durante três dias cego e em jejum; logo estava fisicamente fraco. Quando Ananias lhe impôs as mãos e orou por ele, Paulo recuperou a visão, ficou em pé e foi batizado (veja toda a história em Atos 9.1-18). Nada indica que procuraram um rio para imergi-lo, pois era fisicamente impossível. Ele foi batizado de pé - como fazem os aspercionistas, e só depois se alimentou (Atos 9.19) para restabelecer suas forças físicas. 3) Atos 16.33 - O carcereiro de Filipos foi batizado de madrugada, após um terremoto, como não havia luz elétrica era impossível procurar um rio naquelas condições e se houvesse qualquer tanque na prisão provavelmente não sobreviveria ao terremoto, a imersão era ali impraticável. O pastor batista, portanto imersionista, Tácito da Gama Leite Filho, em seu livro “Seitas Proféticas”, na página 108, reconhece o fato: “O carcereiro de Filipos e seus familiares certamente não foram batizados num rio, pois era de madrugada e as portas da cidade estavam fechadas”; em assim sendo não poderia haver ali imersão.
d) Por uma questão simbológica - Como sabemos o batismo é um símbolo, no dizer de Santo Agostinho: “é um sinal visível de uma graça invisível”, e a aspersão preenche melhor as características deste simbolismo. O que, então, o batismo simboliza? O batismo com água simboliza o batismo com o Espírito Santo (Mateus 3.11; Atos 2.3) e a purificação dos nossos pecados em Cristo (Tito 3.5,6) ambos em forma de derramamento, isto é aspersão.
e) Por uma questão histórica - Diz-nos o Dr. C. I. Scofield: “Desde cedo na história da Igreja tem havido três diferentes modos de batismo: aspersão (borrifamento); afusão (derramamento) e imersão (mergulhamento)”. Se sempre houve as três formas, é porque são elas igualmente válidas. Além disto, tanto Flávio Josefo (cerca de 50 AD) como o Filho de Sirach (cerca de 200 AC) entendiam o batismo como sendo uma purificação por aspersão, o que nos mostra bem o conceito de ‘batismo’ entre os judeus nos três séculos ao redor da vida terrena de Jesus. Adicionalmente, o ‘Didaquê’, documento catequético datado de 100 AD, declara-nos abertamente em seu capítulo 7, verso 3: “Na falta de uma e de outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Vemos assim que a Igreja Primitiva usava também a aspersão como modo lícito de batismo, penso que isto é historicamente irrefutável.
f) Por uma questão prática - Esclarece o fato o Rev. Amos R. Binney: “O modo de imersão é desfavorável à prática universal, enquanto que os outros modos podem ser usados em qualquer lugar, em qualquer tempo ou estação do ano e a qualquer pessoa: na solidão do deserto, ou no meio da cidade apertada; ao lado do Jordão, na casa de Cornélio, na prisão de Filipos, na cruz do penitente, ou na cama do enfermo ou do moribundo. Além disso, o batismo pela afusão ou aspersão pode sempre realizar-se com decência, modéstia e segurança, o que não se pode dizer da imersão , como muitos poderiam testificar”.
g) Por uma questão de coerência - Quando o Senhor Jesus Cristo instituiu a Santa Ceia, fê-lo durante o jantar pascal judaico (Mateus 26.17-30). Segundo o rito judeu, Jesus tinha em suas mãos pão ásimo de tamanho normal (pois era um jantar) e vinho com teor alcoólico (haja visto alguns, em Corinto, se embriagarem - 1 Co 11.20-22). Enquanto comiam é que Jesus instituiu este sacramento (Mateus 26.26), que tinha originalmente, portanto, proporções de jantar (a palavra grega é “deipnon”, que era a mais abundante refeição do dia para os gregos). Hoje em dia, quase a unanimidade das igrejas evangélicas celebram a Ceia com minúsculos pedaços de pão (na maioria dos casos, fermentados) e suco de uva, o que demonstra claramente que a forma não implica na validade ou não do ato. Se como querem alguns, o batismo só é válido por imersão, pelo fato de, segundo eles, Jesus e outros terem sido assim batizados (sendo que há sérias dúvidas sobre isto), a Ceia só seria válida com pão ásimo, vinho alcoólico e em quantidade de refeição completa. Como sabemos que, no caso da ceia, ninguém exige a chamada ‘forma original’, por coerência não podemos exigir também o mesmo no batismo, se é que podemos determinar qual a ‘forma original’ do batismo cristão.
h) Por uma questão tipológica - Em 1 Pedro 3.20,21 as Escrituras nos dizem que o episódio do dilúvio e da arca de Noé é figura, ou seja, um tipo do batismo cristão. Se olharmos em Gênesis 7.13-24, veremos que a arca com os justos (que são os que devem receber o batismo) não foi imersa em água, ao contrário a água foi derramada, isto é aspergida do céu em forma de chuva e a arca flutuou sobre as águas da grande enchente. Somente os ímpios pereceram submersos. Preferimos o exemplo dos justos.

Refutando o erro

Com base em algumas passagens isoladas, e mal compreendidas da Bíblia, alguns querem afirmar que só a imersão é forma válida de batismo. Não vemos isto nas páginas sagradas, e, portanto, queremos refutar algumas interpretações no mínimo duvidosas: 1) Romanos 6.4 e Colossenses 2.12 - principalmente a expressão ‘sepultados com Cristo pelo batismo’. Aqui Paulo não fala de batismo com água; é uma expressão simbólica, como também são as expressões ‘plantados’ e ‘crucificados’, seria uma impossibilidade lógica tomá-las ao pé da letra, pois ser plantado com Cristo num tanque batismal é coisa demorada e de difícil execução, haja visto que Jesus não foi enterrado como fazemos hoje e sim colocado em uma caverna (Mateus 27.59,60) o que derruba o hipotético simbolismo imersionista. Nestes textos Paulo fala do batismo espiritual, ou seja, da união do crente com Cristo em realidades espirituais (Filipenses 3.10). 2) Mateus 3.6 - A expressão “no Jordão”, demonstra no caso apenas o lugar onde João Batista batizava e não a forma. Alguns entendem que por ele batizar em um rio (local) teria de batizar por imersão (forma). Nada mais ilógico e sem conexão de per si. Isto é um sofisma. 3)Atos 8.38,39 - A expressão ‘entraram’ e ‘saíram da água’, entendem alguns como o ato da imersão. Isto, além de ser hilário, é impossível, pois estas frases se aplicam tanto a Filipe como ao Eunuco, isto é batizador e batizando, foram os dois mergulhados no rio? 4) João 3.23 – Segundo os imersionistas, a expressão ‘porque havia ali muitas águas’ implica necessariamente imersão, pois somente ela exige muitas águas. Isso não é verdadeiro, principalmente quando se sabe que João batizava multidões diariamente (Lucas 3.7; Marcos 1.5; Mateus 3.5,6), o que seria impossível no rito imersionista. Portanto as “muitas águas” eram necessárias por causa da multidão e não da suposta imersão.
Pelo exposto até aqui, cremos e ensinamos que não é a forma que concede vitalidade ao batismo bíblico. Aceitamos como válidas todas as formas de batismo evangélico; o que rejeitamos é o exclusivismo \"hidrólatra\" de alguns, que, por motivo de somenos importância, abrem feridas dolorosas no Corpo de Cristo, separando os irmãos. Somos, portanto, contrários ao rebatismo de evangélicos e cremos que tanto a aspersão como a imersão ou a afusão são igualmente aceitáveis a Deus, sendo isto o que realmente importa.

Capítulo 02
Por Que Aceitamos o Batismo Infantil?

[Para fins de melhor compreensão deste assunto, quando usarmos a expressão “crianças”, estaremos falando de crianças antes da idade da razão e quando usarmos a expressão “adultos” estaremos falando de pessoas que já atingiram ou ultrapassaram a idade da razão, incluindo pré-adolescentes e adolescentes.] Assim sendo, passemos a questão proposta. Aceitamos o batismo infantil porque:
a) O Batismo é o Rito de Inserção no Povo de Deus - No Antigo Testamento, era-se inserido no povo do pacto pelo rito da circuncisão (Gênesis 17.9-14), que era realizado no bebê com oito dias de nascido (Gênesis 17.12). Paulo ensina que, no Novo Testamento, o batismo é a circuncisão de Cristo (Colossenses 2.11,12). Logo, as crianças podem receber o batismo no Novo Testamento como recebiam a circuncisão no Antigo Testamento. Se Jesus tivesse retirado este privilégio delas, isto estaria explícito no Novo Testamento, o que não ocorre. As crianças continuam, portanto, a fazer parte do povo de Deus, e devem receber o sinal visível do pacto: o batismo.
b) Cristo mandou batizar as nações - Em Mateus 28.19 [‘Edição Revista e Corrigida’ da Imprensa Bíblica Brasileira (editora batista)], lemos: “Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (grifo nosso). O Senhor Jesus Cristo ordenou, aqui, que se batizassem as nações que a Ele se convertessem, logo isto inclui as crianças, pois fazem e sempre fizeram parte integrante das nações. Ninguém exclui os pequeninos do conceito “nação”. Isso é obvio nos recenseamentos; as crianças de uma nação são parte dela, e uma vez que todas as nações devem ser batizadas, elas também o devem.
c) A Bíblia Fala de Batismos de Famílias Inteiras - (Atos 16.15; Atos 16.33; 1 Coríntios 1.16). No ambiente judaico do Novo Testamento, é impossível dissociar as crianças menores do conceito “família” ou “casa”. Nos dias de hoje, agimos de igual modo: nossas crianças fazem parte da família; logo, se alguém foi batizado com sua família, com os seus ou com sua casa, inclui obrigatoriamente os menores, principalmente quando lembramos o fato da numerosidade de filhos que havia nas famílias mais antigas.
d) A Bíblia Narra Batismos Infantis - Em 1 Coríntios 10.1,2, as Escrituras dizem que os israelitas, ao saírem do Egito, foram batizados na nuvem e no mar, e o verso seis acrescenta: “estas cousas se tornaram exemplos para nós” (grifo nosso). Mas qual o exemplo? E quais israelitas receberam tal batismo? A Escritura responde: “Assim partiram os filhos de Israel de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar mulheres e crianças” (Êxodo 12.37 - grifo nosso). Portanto, as crianças também foram batizadas na nuvem e no mar, e, segundo a declaração paulina, é isto um exemplo para nós hoje (1 Coríntios 10.6).
e) Não Há Proibição Bíblica Para o Batismo Infantil - Como já vimos, o Senhor Jesus ordenou que batizássemos as nações, o que inclui os infantes, mas em lugar nenhum Jesus ou os apóstolos proibiram o batismo infantil; se não está proibido, mas outrossim ordenado, é porque não só pode como deve ser realizado batismos em crianças; afinal foi o Mestre quem disse: “Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais” (Marcos 10.14).
f) A História Judaica Comprova a Prática do Batismo Infantil - Todos sabemos que tanto o batismo de João Batista, como o batismo cristão derivam-se do batismo dos prosélitos (convertidos) judeus, e, como passamos a demonstrar, o povo de Israel batizava o gentio que se convertia ao judaísmo, bem como seus filhos na infância. O Talmud Babilônico (coletânea histórico-teológica dos judeus) nos diz a este respeito: “Se os filhos e as filhas forem convertidos com um prosélito, então eles receberão o mesmo tratamento... Numa tal conversão exigi-se que estes prosélitos sejam batizados, mesmo na sua infância”. O grande teólogo judeu Maimônides escreveu e disse: “O israelita que adota uma pequena criança pagã, ou a achar abandonada, e a mandar batizar, com isto faz dela uma prosélita” (convertida). Fica assim suficientemente comprovado que tanto os antigos como os atuais judeus batizam crianças.
g) A História da Igreja Cristã Comprova a Prática do Batismo Infantil - 1) Justino, o mártir (89-166 d.C.) afirmava “Muitos cristãos, tanto homens como mulheres, que desde sua infância já se tornaram discípulos, ficaram solteiros e imaculados até a idade de sessenta anos”. Dizia também “O batismo é a circuncisão do Novo Testamento”. No grego, ele usa o mesmo verbo que Jesus usou em Mateus 28.19, ou seja estas pessoas foram feitas discípulos e batizadas na infância em plena era apostólica. 2) Orígenes de Alexandria (184-254 d.C.) dizia: “Segundo o costume da igreja, o batismo é aplicado às crianças pequenas”, e ensinava ainda: “Por esta razão, a igrejas, desde os tempos dos apóstolos, têm a tradição de batizar até crianças”. Falou também: “Crianças pequenas devem ser batizadas”. Isso mostra que os crentes do segundo e terceiro séculos preservavam a tradição ou costume apostólico de batizar crianças. 3) Tertuliano (200 d.C.) combateu o batismo infantil, o que prova que ele era amplamente praticado em seu tempo, disse ele: “Por causa da natureza, da disposição e também da idade das pessoas é muito mais proveitoso adiar o batismo; e este é, especialmente, o caso das crianças pequenas” (grifo nosso). Embora ele fosse contrário ao batismo infantil, ele reconhecia sua existência que na sua época era quase universal. 4) Cipriano (258 d. C.) declarou a Fido: “E assim, caríssimo irmão, foi a decisão final do nosso Concílio (em Cartago) que ninguém deveria ser impedido de ser batizado e, desta maneira, participar da graça de Deus, o qual é misericordioso, bom e fiel para com todos. Daí este divino propósito deve ser procurado para todos, e mui especialmente para crianças pequenas e recém nascidos”. Esta decisão foi tomada pelo Concílio de Cartago, em 254 d.C. Composto por 66 bispos, este concílio decidiu sobre se uma criança podia ou não ser batizada antes dos oito dias de vida, portanto ele não criou o batismo infantil, como maldosamente insinuam alguns, ele apenas resolveu uma questão sobre uma prática muito mais antiga, como já vimos. 5) Agostinho (354-430 d.C.) foi o maior dos doutores da igreja antiga e, em sua luta contra o pelagianismo, declarou: “Os pelagianos nunca ousaram negar o batismo infantil, porque eles sabem que, se o negassem, teriam contra si toda a igreja”. Depois ainda afirmou: “toda a igreja está praticando o batismo infantil” e disse que este uso foi “herdado dos apóstolos”. 6) Pelágio (330 d.C.) disse: “Nunca ouvi de um herético ímpio que tivesse afirmado que recém-nascidos não deveriam ser batizados”. (Isto porque ele não viveu no nosso século.) Assim vemos que a história favorece a prática do batismo infantil, não só as histórias judaica e cristã, mas o próprio texto bíblico nos leva para este caminho.
h) Os Filhos dos Crentes São Herdeiros do Pacto de Deus com Seu Povo - A Bíblia fala que os filhos dos crentes são santificados como herdeiros das promessas de Deus (1 Coríntios 7.14; Atos 3.25) e, portanto, são aptos para receberem o sinal visível desse pacto, a saber, o batismo (Atos 2.38,39). Pedro exorta àqueles que ingressaram pelo novo nascimento no reino de Deus a que se batizem e afirma que esta promessa - o pacto com Deus e seu sinal visível (o batismo) - são extensivos aos filhos dos crentes, por isso batizamos crianças. Veja novamente: Atos 2.38,29.
i) Precisamos ter Atitudes Coerentes - Muitas igrejas negam o batismo às crianças pequenas, e, entretanto, batizam “sob profissão de fé” menores de 5, 6 ou 7 anos. O pior é que essas igrejas, normalmente batistas, concedem a estes infantes de 5 anos direito a voto na Assembléia Geral da Igreja. Será isto correto? Pode um menino de cinco anos convidar ou exonerar um pastor? Vender ou adquirir um imóvel? Excluir ou admitir um outro membro? Como pode ele então votar em tais questões? Um batismo destes é batismo infantil, pois a profissão de fé de uma criança de cinco anos é no mínimo questionável. Por coerência, se eu posso batizar uma criança de cinco anos, sob profissão de fé suspeita (visto que, como disse um certo pastor batista: “tomar a profissão de fé de crianças é difícil, pois nem sempre elas sabem se expressar como nós”) posso também batizar uma criança de três ou dois anos, ou até de oito dias, pois em todos os casos o futuro espiritual destas crianças dependerá de sua formação cristã ou não. É muito mais coerente, batizá-la na infância e tomar-lhe a profissão de fé na idade da razão, como fazem os pedobatistas.
Refutando o Erro
A maioria daqueles que negam o batismo às crianças o fazem sob o argumento de que elas não podem exercer fé pessoal, e se apoiam em textos como: Marcos 16.16; Atos 2.41; Atos 8.12,37; Atos 16.31-33. O problema é que estes textos só se aplicam aos adultos e aí é que está o erro de interpretação destas pessoas. O Rev. Amos R. Binney explica a situação: “Que não se exige a fé nas crianças é evidente pelo fato de que a falta de verdadeira fé, que desqualifica uma pessoa para o batismo, também a exclui da salvação (Marcos 16.16; João 3.18,36)”. É obvio, portanto, que fé só se exige dos adultos, e as crianças, que são salvas sem uma decisão de fé pessoal, são da mesma forma batizadas. Aqueles adversários do batismo infantil que insistem em negar este sacramento aos pequeninos por falta de fé, terão de, pelo mesmo motivo, atirá-los ao inferno. É uma questão de lógica e hermenêutica. Você crê nisto?
Capítulo 03
O Argumento de Pedro
O apóstolo Pedro argumentou em favor do batismo dos gentios da seguinte forma: “Porventura pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?” (Atos 10.47). Martinho Lutero retomou este argumento em prol do batismo de crianças dizendo que se Deus concede o Espírito Santo a quem é nesta idade batizado é porque Ele entende tal batismo como válido. Nós entendemos também que, se Deus concede o Espírito Santo aos que são batizados por aspersão e na infância é sinal que Ele aceita esta forma de batismo, ou na pior das hipóteses, Ele não leva isto em consideração.
Se Deus não se importa com isto, nós não devemos então nos separar, dividir e nos ofender mutuamente por coisa de somenos importância.
Discordamos da posição descaridosa do Pastor Enéas Tognini em classificar os não imersionistas de “desobedientes” (Eclesiologia - página 63). O cego de nascença a quem Jesus, curou nos ensina dizendo: “Sabemos que Deus não atende a pecadores, mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende” (João 9.31). Se somos “desobedientes” de forma tão contumaz, como Deus nos concedeu o seu Espírito? Basta olhar para a história cristã e ver a benção que foram as vidas de Martinho Lutero, João Calvino, Ulrico Zwinglio, João Knox, João Wesley e tantos outros homens grandemente usados por Deus, todos eles batizados por aspersão e na infância.


Conclusão
À luz das evidências apresentadas, chegamos a algumas conclusões básicas:

1. O modo ou forma de se realizar o batismo não é de importância vital para o valor do sacramento; isto é, qualquer das três formas é válida e bíblica. Preferimos a aspersão por uma questão de praticidade e simbologia.

2. O importante no sacramento do batismo é que ele deve ser realizado em uma igreja genuinamente evangélica, em nome da Santíssima Trindade, ordinariamente realizado por um ministro do evangelho (pastor) e com o uso do elemento externo: água.

3. Não se justifica em hipótese nenhuma o rebatismo de alguém já batizado em outra igreja genuinamente evangélica (Efésios 4.5), independentemente da forma do batismo usado e da idade do batizando.

4. Os bebês e as crianças em qualquer idade são aptos a receberem o batismo como herdeiros da promessa que são (1 Coríntios 7.14).

5. Fé só é pré-requisito para adultos receberem o batismo, as crianças o recebem baseadas no pacto de Deus com seu povo.
Tendo exposto tudo isto, gostaríamos de deixar claro que nossas atitudes quanto ao batismo baseiam-se na Bíblia e não em tradições humanas. Escrevemos nossos argumentos com o intuito de esclarecer muitos irmãos que, sem conhecer nossas razões, gratuitamente nos atacam e por vezes nos negam até a destra da fraternidade cristã. Esperamos em Deus que estas atitudes em breve tempo terminem e possamos nos respeitar, mesmo aqueles que, sendo irmãos, descordem de nós.

Toda Glória somente a DEUS !



Apêndice 01
A Circuncisão de Cristo
A Bíblia Sagrada nos apresenta Deus como um ser absolutamente imutável, sábio, justo e bom. Apresenta-nos também o Todo-poderoso como zeloso por sua Palavra. Assim sendo, deparamo-nos com uma importante instituição divina que, por desconhecimento, preconceito, simplismo ou simplesmente para ‘ser diferente de’, tem sido negligenciada por muitos cristão, e em especial muitos evangélicos. Estou falando da circuncisão.
Em Gênesis 17.9-14, Deus firmou um pacto com Abraão, pelo qual a descendência deste seria escolhida entre as nações como povo peculiar do Senhor, e, como povo santo, todo menino que nascesse neste povo ou de alguma forma a ele aderisse receberia o sinal deste pacto. Recebê-lo-ia ao oitavo dia de vida e mais tarde, na idade da razão, este garoto de livre vontade confirmaria o pacto feito por seus pais na sua infância se tornando assim um “bar mitzvá” (do aramaico: filho do mandamento). O mais interessante é que este pacto é chamado nas Escrituras de “concerto perpétuo” (Gênesis 17.13), portanto este pacto não teria fim.
Em nenhum lugar do Novo Testamento, Jesus cancela este pacto, haja visto ser ele “perpétuo”. O Senhor e seus apóstolos somente lhe ampliaram o sentido, como fizeram com toda a lei. Agora ele não é mais nacional e masculino somente, ele é universal e geral. O apóstolo e rabino Paulo de Tarso nos explica que o batismo cristão é a circuncisão de Cristo (Colossenses 2.11,12), e Lucas nos esclarece que na nova aliança, esta circuncisão de Cristo aplica-se também às mulheres (Atos 8.12). Assim sendo, entendemos que grande número de evangélicos, ao negarem o batismo a seus filhinhos, estão lhe negando as bênçãos do pacto de Deus com Abraão, de quem somos filhos pela fé (Gálatas 3.29).
Cremos que é vontade de Deus entrar em pacto com todos os pequeninos de seu povo (1 Coríntios 7.14). Como fazia no Antigo Testamento, quer fazer agora, pois de uma maneira sobrenatural e miraculosa estes pequeninos crêem no Senhor (Mateus 18.6) e portanto são aptos para o batismo. Mais tarde, na idade da razão, assim como os garotos judeus, nossos filhos livremente, confirmarão o pacto através de sua pública profissão de fé (Romanos 10.9,10).
Em assim sendo, torna-se perigoso negar aos filhinhos as bênçãos batismais, com o risco de serem eles eliminados do povo do Senhor (Gênesis 17.14). Portanto, senhores pais apresentem seus filhos ao batismo, ministros incentivem seu povo a buscar a circuncisão de Cristo e o Senhor Jesus os abençoará.


Apêndice 02
Perguntas e Respostas Sobre o Batismo Bíblico

1. Por que os cristãos realizam o batismo ?

Porque Nosso Senhor Jesus Cristo o ordenou (Mateus 28.19 – “...fazei discípulos de todas as nações batizando-os...”), assim sendo o batismo não é facultativo mas obrigatório.


2. Qual o efeito do batismo ?

O batismo não salva e não lava pecados, ele é um símbolo do pacto feito entre DEUS e o Seu povo. Quem nos salva é a graça de Deus, mediante a fé em Cristo (Efésios 2.8,9) e o que lava os nossos pecados é somente o sangue de Jesus Cristo (1 João 1.7).


3. Por que compete exclusivamente ao pastor ministrar o sacramento do batismo?

Porque o apóstolo Paulo nos orienta a fazermos tudo com decência e ordem (1 Coríntios 14.40) e, sendo o pastor o presbítero que preside a igreja, (1 Timóteo 5.17) compete a ele celebrar tais ordenanças sagradas.

4. Por que alguns evangélicos batizam por aspersão enquanto outros preferem batizar por imersão ?
Por vários motivos. Entre eles podemos citar:

a) Não existe ordem ou mandamento bíblico obrigando-nos ao uso de uma ou outra forma. Exemplos, enquanto possam ser bons, não são fontes de doutrina. Alguns argumentam que a palavra grega BAPTIZO, que traduzimos em português por batismo, quer dizer sempre e em todo caso “mergulho”. Quem tal coisa afirma ou desconhece o idioma grego ou é profundamente tendencioso. Em Mateus 3.11 fala-se de batizar com o Espírito Santo, aqui esta palavra tem sentido de “derramar” como podemos ver em Joel 2.28-32 e Atos 2.3. Outro exemplo encontra-se em Marcos 7.3,4 onde a palavra ‘lavar’ é em grego “batismos”, tal lavagem era realizada pelo entornar de água sobre a mão ou utensílios. Um outro caso é o de Hebreus 9.10 onde aparece a palavra ‘abluções’ no original grego é “batismos” e tais abluções do Antigo Testamento as quais o autor de Hebreus estava se referindo eram “aspersões” (Ezequiel 36.25). Assim sendo, podemos deduzir que a palavra grega BAPTIZO pode significar tanto mergulhar, como derramar, aspergir ou lavar e, portanto, não se pode usar Mateus 28.19 para exigir-se a imersão, pois o Senhor ordenou-nos batizar e não disse a forma. Sem mandamento específico tudo mais é mera conjectura.

b) Como batizar com água simboliza, entre outras coisas, o batismo com o Espírito Santo (Mateus 3.11) e como este é realizado por derramamento (Atos 2.3; Joel 2.28-32), entendemos que também a água deve ser derramada por sobre o batizando.

c) Embora o batismo não salve, ele é obrigatório a todos os discípulos de Jesus (Mateus 28.19) e muitos não podem receber o batismo por imersão, haja visto o fato de estarem inválidos, adoentados, em idade avançada e outros motivos justos, ao contrário disto o batismo por aspersão pode sempre ser aplicado a todas as pessoas e em qualquer lugar.

d) Paulo nos orienta a decência e ordem no culto (1 Coríntios 14.40), em culto batismal aspercionista isto sempre é possível, já em culto batismal imersionista acontece por vezes fatos hilariantes e até constrangedores, o que não está de acordo com o espírito do cristianismo.

e) A Bíblia ensina que Paulo foi batizado em pé e dentro de um quarto, estando ele debilitado fisicamente; logo, não pode ele ter sido imerso em lugar nenhum, podendo no entanto ter sido aspergido com eficiência e segurança (Atos 9.1-19).

f) A Bíblia também nos mostra diversos batismos que não poderiam ter sido imersões, a saber: Os batismos ministrados por João Batista, inclusive o de Jesus, pois João batizava multidões diariamente (Lucas 3.7), o tornava impossível para um homem se utilizar da imersão, enquanto era plenamente viável a aspersão; outro caso é o dos três mil que os apóstolos batizaram dentro de Jerusalém (Atos 2.1-41). Como dentro de Jerusalém não passa rio e o texto não indica deslocamento de ninguém para outra parte, como poderiam eles terem sido imersos? Leve-se também em conta a oposição que os judeus certamente levantariam contra os apóstolos e os novos cristãos. Não há possibilidade de imersão de um tão grande número de pessoas, mas a aspersão é plausível e aceitável neste texto; um outro caso ainda é o do carcereiro de Filipos, que foi batizado na prisão ou em sua casa. Naquela época as casas não possuíam banheiro como hoje; como, então, realizar-se uma imersão durante a madrugada? A aspersão é lógica e provável (Atos 16.27-34).

g) Aspergir na Bíblia dá a idéia de purificar (Ezequiel 36.25; Tito 3.5,6) e este é um dos símbolos do batismo bíblico (1 João 1.7).

h) Alguns argumentam em favor da imersão com Romanos 6.3,4 e Colossenses 2.12, usando as expressões “sepultados com Cristo” ou outras semelhantes. Aqui, devemos entender que este texto não está falando de batismo com água, mas de batismo espiritual, ou seja, do novo nascimento, pois o batismo com água não produz a morte do velho homem e nem o novo nascimento, que é pela fé em Cristo; logo, os textos não apóiam a imersão, visto que não estão falando do rito do batismo com água.

i) Finalizando esta parte do estudo, gostaria de deixar claro que não são os aspercionistas que dividem o Corpo de Cristo por causa deste assunto, pois nós aceitamos qualquer batismo genuinamente evangélico, mas pela clareza das Escrituras realizamos os nossos batismos por aspersão.


5. Por que alguns evangélicos batizam bebês e criancinhas enquanto outros não o fazem ?

Por várias razões, das quais citaremos algumas a seguir:

a) Porque o batismo cristão é, segundo a Bíblia, a circuncisão de Cristo (Colossenses 2.11,12). A circuncisão foi estabelecida por Deus como sinal e selo do pacto entre Ele e Seu povo escolhido (Gênesis 17.9-14), e ela seria uma “aliança perpétua”. Aquilo que é perpétuo não acaba; portanto, a circuncisão tinha de permanecer mesmo no Novo Testamento. Ela, no entanto, permaneceu como o batismo, com uma única alteração, que é o fato de agora ela abranger também as mulheres (Atos 8.12). Em assim sendo, se a criança recebia a circuncisão ao oitavo dia de nascido (Gênesis 17.12) e esta aliança ainda está em vigor por ser perpétua, podemos circuncidar em Cristo, isto é batizar, também os nossos pequeninos.

b) Pedro diz que o batismo é para os pais crentes e também seus filhos (Atos 2.38,39), a palavra grega aqui para ‘filhos’ (technos) significa na verdade “filhinhos”, portanto também as criancinhas são herdeiras do pacto e, portanto, aptas a receber o sinal do mesmo – o batismo.

c) A Bíblia narra batismos de casas inteiras (Atos 16.15,33, por exemplo). Conhecendo o conceito de família na antiguidade, sabemos que, tanto entre os judeus como entre os gentios, incluíam-se os recém nascidos. Além disso, sabendo do grande número de filhos que estas famílias possuíam, é mais do que natural que nelas houvesse infantes que foram batizados com seus pais.

d) A Bíblia narra um caso claro de batismo infantil; Paulo declara que a passagem de Israel pelo mar vermelho foi seu batismo e declara que todos os que ali passaram foram assim batizados (1 Coríntios 10.1,2). Entre estes israelitas com certeza havia crianças (Êxodo 12.37); logo, também elas foram batizadas junto com seus pais. Paulo ainda nos ensina que isto foi um exemplo para nós, a igreja do Novo Testamento (1 Coríntios 10.11). Sigamos, portanto, o exemplo bíblico.

e) Como os judeus na antiga aliança circuncidavam suas crianças e o batismo substituiu a circuncisão, se as crianças não pudessem ser também batizadas na nova aliança, deveria haver uma proibição clara a este respeito no Novo Testamento, como não há, é porque continua vigorando a permissão do Antigo Testamento. (Há um princípio jurídico que diz que uma lei só pode ser revogada por outra lei).

f) Alguns argumentam com base de Marcos 16.16 e textos semelhantes que as crianças são excluídas do batismo por não exercitarem fé pessoal. Se isto é de fato assim, elas teriam de ser excluídas da salvação pelo mesmo motivo, e não são (Marcos 10.14). Concluímos, pois, que estes textos foram escritos para adultos e não incluem as crianças. Os adultos precisam de uma profissão de fé antes do batismo e a eles foi destinado estes versículos; isto não inclui crianças pois, caso contrário, seriam excluídas do céu, o que é um absurdo. Nossos oponentes aqui cometem um sério erro de hermenêutica: esquecem-se de ‘perguntar ao texto’ a quem ele se destina e qual o seu objetivo. É como pegar 2 Tessalonicenses 3.10 – “...se alguém não quer trabalhar, também não coma” e aplicá-lo a um bebê. Deveríamos então deixá-lo morrer de fome? Se seguirmos a interpretação de nossos outros irmãos parece-me que sim, mas nem eles mesmos fariam tamanha aberração. Então, porque usar dois pesos e duas medidas ?


6. Por que alguns evangélicos usam e outros não usam “padrinhos” no batismo infantil ?

O costume de usar padrinhos no batismo vem da Igreja antiga que em tempos de perseguição exigia que os candidatos ao batismo fossem apresentados por cristãos fiéis que declaravam ser o candidato um autêntico convertido ao cristianismo, pretendia-se com isso eliminar os falsos crentes, este costume perdurou pelos séculos e hoje os padrinhos funcionam basicamente como testemunhas do batismo (Jo 8.17); aqueles que não adotam padrinhos alegam que este costume é muito arraigado na mentalidade católica romana e para estabelecer a diferença não o adotam; particularmente entendemos tratar-se de um bom costume cristão, portanto, não pertencente a nenhuma denominação exclusivamente e assim pensamos que deve ser mantido.
7.Em nome de quem devemos ser batizados ?

O Senhor Jesus Cristo foi claro em sua ordem: “...em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28.19). Atualmente algumas seitas interpretando erradamente textos com Atos 19.5 e outros semelhantes afirmam que deve-se batizar em nome do Senhor Jesus, querendo agradá-lo acabam por desobedecê-lo. Quando a Bíblia fala em batizar em nome de uma pessoa, está dizendo batizar na religião ou grupo daquela pessoa (por exemplo: 1 Coríntios 1.13-15). Isto é apenas uma forma de falar usada pelos judeus antigos. Portanto, quem quer ser fiel a Jesus, deve ser batizado como ele mandou e não usando o nome dele em vão, para desobedecê-lo.
8. Em resumo, o que é essencial para haver um batismo bíblico válido ?

a) O batismo deve ser realizado por um ministro do evangelho (pastor), em uma igreja genuinamente evangélica.

b) O batismo deve usar o elemento externo água, independente da quantidade, da forma ou da idade do batizando.

c) O batismo deve ser feito em nome da Santíssima Trindade.


Apêndice 03
O Batismo Infantil
Vivemos em um tempo de absoluto individualismo egoísta, onde a família é completamente desvalorizada. Infelizmente essa nefasta influência tem chegado também ao campo da religião.

Não poucos grupos eclesiásticos exigem fé pessoal (leia-se racional) como pré-requisito ao batismo cristão. Até o século XVI a Igreja Cristã era quase que unânime em aprovar o batismo infantil, com pouquíssimas exceções. A partir dessa data, e com o surgimento do movimento anabatista veio também a inovação antipedobatista (que nega o batismo infantil).

Hoje, a maioria dos evangélicos nega o batismo as criancinhas afirmando que a “Bíblia” exige fé como requisito ao batismo e respaldam sua doutrina em textos como Mc 16.16, At 2.41 e At 8.36,37.

Raciocinemos, pois: se o único empecilho ao batismo infantil é a suposta falta de fé, então não há empecilho, pois Nosso Senhor Jesus Cristo declara textualmente que os “pequeninos crêem em mim” (Mt 18.6); logo, se o problema era fé já não o é mais e os pequeninos podem ser batizados licitamente.

Quando olhamos no original a palavra que Cristo usou, e foi registrada sob inspiração do Espírito Santo, em Mateus 18.6 que é “mikrôn” e conferimos o seu significado nos bons léxicos e dicionários descobrimos que ela significa além de “pequeninos” também “crianças”; logo, as crianças possuem uma fé em Cristo, que, embora não seja fé racional, é pessoal e salvífica, por isso os filhos dos crentes são chamados “santos” (1 Co 7.14). Esse termo é usado no Novo Testamento apenas para os salvos e membros da Igreja Cristã, e por isso Jesus declarou: “das tais é o reino do céu” (Mc 10.14).

Se uma criança não pudesse ser batizada por falta de fé, teria que, pelo mesmo motivo, ser condenada ao inferno (Mc 16.16), o que pela graça de Deus não ocorre. Logo, as crianças crêem em Cristo e são aptas para o batismo. Apresentemos, portanto, nossos filhinhos para o batismo cristão e assim Deus os abençoará e a nós também.




Bibliografia
BÍBLIA SAGRADA. Edição Revista e Corrigida. Imprensa Bíblica Brasileira. Rio de Janeiro. 1994.

BÍBLIA DE SCOFIELD COM REFERÊNCIAS. Brasil. s/d.

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DIDAQUÊ – extraído da Internet: www.mucheroni.hpg.ig.com.br

_____________________________________Autor: Rev. Sandro Bussinger Sampaio
Fonte: Textos da Reforma

Extraído da Internet: http://www.monergismo.com/textos/batismo/batismo_reformado.htm

Leia-o em: http://www.ipiavare.org/2008/modelo.php?id=28&autor=Extra%EDdo%20da%20Home%20Page:%20%20www.monergismo.com&tipo=estudosbiblicos&assunto=Serm%F5es%

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