Igreja Católica

25-05-2012 23:35

 

A Verdadeira e Única Igreja

 

Objeção 1: "Todas as igrejas que acreditam em Cristo e na Bíblia são iguais. Em todo caso, eu não preciso atender nenhuma igreja para adorar a Deus. Tudo que preciso é uma relação pessoal com Cristo que posso ter com orações e pela leitura da Bíblia pessoalmente".

A Reforma Protestante introduziu um novo e radical conceito em relação à natureza e função da Igreja. Em contraste com antigas doutrinas como a Comunhão dos Santos e a visão da Igreja como Corpo de Cristo, o protestantismo declarou um cristianismo individualista foçado em uma relação pessoal com Cristo excluindo qualquer necessidade da Igreja ou outra organização visível. Um anti-católico moderno resume a atitude evangélica em relação à igreja com o seguinte:


 

"...A salvação é alcançada, não pela Igreja ou seus sacramentos, mas através de uma relação pessoal com o próprio Cristo. A salvação é dada diretamente por Cristo individualmente, sem a necessidade de outra mediação"(1).

Contudo, a fé em Jesus Cristo não sujeita o cristão somente a crer e confiar em Sua pessoa, mas em crer e seguir o que Ele ensinou e estabeleceu para continuar Sua obra de salvação no mundo. Que Nosso Senhor Jesus Cristo pretendeu estabelecer uma Igreja, a Sua Igreja, está claro na Sagrada Escritura:

"... E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja..." (Mt 16,18).

A Igreja pertence a Cristo que a fundou enquanto estava na terra. Sendo seu fundador Ele também é a sua cabeça: "Cristo é a cabeça da Igreja, seu corpo" (Ef 5,23). Os batizados em nome da Trindade (Mt 28,19) são incorporados no corpo de Cristo, isto é, a Igreja. De forma alguma a Igreja é somente uma instituição humana criada séculos mais tarde, trazendo o nome de um fundador que a criou, mas sim uma instituição divina que requer a participação de todos aqueles que se proclamam cristãos.

Negando a necessidade da Igreja na economia da salvação, o protestantismo também nega a visibilidade da Igreja, insistindo que ela seja apenas uma coleção de crentes ou "salvos", quem quer que sejam ou onde quer que eles estejam. Entretanto, a visibilidade da Igreja está subentendida em Mt 5,14: "Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha". Além disso, ao invés de ser apenas uma nebulosa coleção de "verdadeiros crentes", Cristo estabeleceu Sua Igreja com uma hierarquia autorizada para governá-la (Lc 6,13; Mt 18,17-18), investidos de Sua própria missão (Jo 20,21), com poder de santificar os fiéis (Jo 15,16) e perdoar os pecados (Jo 20,23), assim como poder de ensinar (Mt 28,20) e batizar (Mt 28,19).

Como chefe desta hierárquica e visível Igreja, Cristo apontou Pedro como Seu vigário, ou representante:

"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18).

Como representante e cabeça da Igreja na terra, Pedro está investido da própria autoridade de Cristo para ensinar e governar:

"Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16, 18-19).

Pedro e os apóstolos, como administradores da Igreja na terra, devem ser obedecidos:

"Sede submissos e obedecei aos que vos guiam (pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta)" (Hb 13,17).

Obedecer a Pedro e aos demais apóstolos é obedecer ao próprio Cristo:

"Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou" (Jo 13,20).

As próprias Escrituras mostram que os apóstolos transmitiam seu ofício através da imposição das mãos para as gerações subseqüentes como seus sucessores (At 13,2; 1 Tm 4,14; Tt 5-10). Para crer que o Novo Testamento substitui a autoridade dos apóstolos após a morte de João é negar a realidade histórica e crer erroneamente que a Igreja fundada por Cristo modificou a sua essência.

Estes que propõem ignorar a legitimidade dos líderes da Igreja de Cristo pela sua própria desobediência, não mais pertencem a esta unidade.

"Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano" (Mt 18,17).

Ignorar os líderes da Igreja de Cristo é efetivamente ignorar o Cristo:

"Aqueles que vos ouve a mim ouve, os que vos rejeitam a mim rejeitam" (Lc 10,16).

É a Igreja quem garante aos fiéis estarem sendo ensinados na verdade, assistidos pelo Espírito Santo:

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco" (Jo 14,16).

"Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade" (1 Tm 3,15).

A afirmação protestante de que os cristãos precisam somente orar e ler a Bíblia na privacidade e conforto de seu lar ou em grupos de amigos somente resultou em uma divergência de mais de 25 mil diferentes igrejas protestantes, todas clamando serem "crentes na Bíblia", mesmo concordando em pouquíssimo mais que sua tendência anti-católica. Eles cumprem bem as palavras de Pedro, que avisa quanto aos "ignorantes e pouco fortalecidos" que "deturpam" as Escrituras para sua própria ruína? (2 Pd 3,16).

Apesar da desobediência e dos protestos dos seus inimigos, Cristo protegerá Sua Igreja até o fim dos tempos:

"Os portões do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16,18).

"Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28,10).

Objeção 2: "Então Cristo fundou uma Igreja. Mas essa Igreja definitivamente não é a Igreja Católica Romana!".

Não somente Cristo fundou uma Igreja, mas essa Igreja é identificada de acordo com certas "características". Estas características devem possuir dois aspectos: 1- Ela deve ser um sinal visível e evidente para todos, incluindo não-cristãos; 2- Ela deve possuir uma característica essencial sem a qual a Igreja não pode ser a Igreja de Cristo.

De acordo com o pastor presbiteriano Loraine Boettner,

"As características da verdadeira Igreja são:

- Que ensine a verdadeira Palavra de Deus.

- Que administre corretamente os sacramentos e;

- Possua um fiel exercício da disciplina." (2).

Uma dificuldade óbvia com as características de Boettner é que elas não analisam se a igreja em questão foi verdadeiramente fundada por Cristo. Além do mais, seu critério (baseado em Calvino) não visa descobrir "a verdadeira Igreja" mas "uma verdadeira Igreja". Qualquer igreja humana pode, portanto, reclamar a si ser uma igreja verdadeira quando ela mesma cumprir os três pontos acima. Acabaríamos com uma situação de ter milhares de "verdadeiras igrejas", cada uma considerando ensinar devidamente a verdadeira Palavra de Deus, os sacramentos e a disciplina, enquanto as mesmas não possuem unidade de doutrina, governo ou disciplina entre elas mesmas.

As verdadeiras características da verdadeira Igreja, que é visível e essencial, são quatro: Una, Santa, Católica e Apostólica. Estas características não são expressamente encontradas na Escritura, mas são baseadas na razão e podem ser defendidas por ela.

Una:

"Edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18). A verdadeira Igreja fundada e edificada por Cristo. Ele desejou fundar uma Igreja, não várias. O protestantismo não é um corpo unido em doutrina e disciplina, mas uma série de organizações díspares e antagônicas não somente ao catolicismo, mas entre cada uma.

"... um só rebanho, um só pastor" (Jo 10,16). A autoridade centrada no Papa tem mantido a Igreja Católica unida na doutrina e na disciplina desde os tempos do Império Romano. O protestantismo continua a fragmentar-se com o advento de cada novo "profeta" que afirma possuir a verdadeira interpretação da Escritura.

Santa:

"Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade" (Jo 17,19).

A verdadeira Igreja será santa em seu fundador, ensinamentos e adoração. Aqui não há garantia de que todos os seus membros irão praticar o que ela ensina como foi dito por Cristo na parábola do semeador (Mt 13,18-23), a rede dos pescadores (Mt 13,47-52), e sobre a ovelha e os cabritos (Mt 25,31-46). A sobrevivência da Igreja Católica apesar dos exemplos dos ?maus papas? e outros escândalos apenas reforça o fato de que a santidade da Igreja deriva de Cristo, e somente dEle. Em qualquer caso, o protestantismo não está livre dos escândalos, e nenhuma de seus fundadores pode ser comparados a nenhum dos santos católicos, muito menos do próprio Cristo.

Católica:

"Ide, pois, e ensinai a todas as nações" (Mt 28,19).

Permanecendo única e a mesma, a Igreja se adapta a qualquer época, lugar e pessoa. Nenhuma nação ou raça está excluída de sua pregação, nenhuma língua de seu Evangelho. Aqueles que crêem que os verdadeiros adoradores somente são os brancos e anglo-saxões limitam a remissão do sangue precioso de Cristo. Cristo abriu seus braços na cruz para todas as pessoas e nações, por isso a Igreja deve ser universal, não simplesmente uma igreja nacional baseada em raças ou por interesses de um rei particular ou parlamento.

Apostólica:

A verdadeira Igreja traça a sua história, sucessão episcopal e doutrina, de volta até os próprios apóstolos: "Estarei com vocês..." (Mt 28,20). Não foi estabelecida em 1517, 1534, 1540 ou no século dezenove. Ela deve existir desde os apóstolos, existir agora, e continuar a existir até o fim do mundo.

Somente a Igreja Católica pode demonstrar ser Uma, Santa, Católica e Apostólica. (3).

Os Padres da Igreja:

São Clemente de Roma, Carta aos Coríntios 42,1 (96-98 d.C)

"Os apóstolos receberam o Evangelho do Senhor Jesus Cristo; e Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo, portanto, vem de Deus, e os apóstolos vêm de Cristo. Todos estes arranjos são, então, pela vontade de Deus. Recebendo suas instruções e sendo plenos na confiança na ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, e confirmados na fé pela Palavra de Deus, eles vieram adiante na completa segurança do Espírito Santo, pregando as boas novas de que o Reino de Deus está próximo. Pelos campos e cidades eles pregaram; e nomeavam seus novos convertidos, testando-os pelo Espírito, a serem os bispos e diáconos dos futuros seguidores. Nem isto era novidade: sobre os bispos e diáconos já se haviam escritos há longo tempo. De fato, a Escritura diz: 'irei instituir bispos na retidão e seus diáconos na fé'".

Santo Irineu de Lião, Contra as Heresias 3, 4, 1 (180 d.C).

"Quando, então, tivermos tais provas, não será necessário buscar em outros a verdade que é facilmente obtida da Igreja. Porque os apóstolos, como um homem rico em um banco, depositaram nela o que de mais copiosamente pertence à verdade; e a qualquer um que desejar beber com ela a bebida da verdade. Porque ela é o portão da vida, enquanto todos os demais são ladrões e assaltantes. É por isto que se torna necessário evita-los, enquanto se estima com o máximo de diligência as coisas pertencentes à Igreja, e se agarrar às tradições da verdade... Na Igreja, Deus colocou os apóstolos, profetas e doutores, e todos os demais de acordo com o Espírito; em todas não houve quem não se conformasse com a Igreja. Do contrário, descobriam a si mesmos pelas suas fracas opiniões e infeliz comportamento. Onde está a Igreja, está o Espírito de Deus; e onde está o Espírito de Deus, está a Igreja e toda a Graça".

São Clemente de Alexandria, Miscellanies 7, 17, 107, 3 (202 d.C).

"Do que foi dito, então, parece-me claro que a verdadeira Igreja, a que realmente é venerável, é uma; e nesta são membros todos aqueles que, de acordo com o plano são justos... Dizemos, portanto, que na substância, no conceito, na origem e na eminência, a venerável Igreja Católica está sozinha, ajuntando como pode na unidade que resulta da aliança familiar".

São João Crisóstomo, Sobre a Incompreensível na Natureza de Deus, 3,6 (386-387 d.C).

"Vós não podeis rezar em casa como na Igreja, onde há uma grande multidão, onde clamores são ditos para Deus como de um mesmo coração, e onde há algo mais: a união das consciências, a concordância das almas, o vínculo da caridade, as orações dos sacerdotes".

1 William Webster, The Catholic Church at the Bar of History, Carlisle, Penn.: Banner of Truth Trust, 1995, Ch. 9, p. 133.

2 Roman Catholicism, Presbyterian and Reformed Publishing Co. (Phillipsburg, NJ), 1962, p. 20.

3 C.f., The Holy Catholic Church, Pt. I, p. 44.

Traduzido para o Veritatis Splendor por Rondinelly Rosa Ribeiro.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/974-a-verdadeira-e-unica-igreja

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Testemunho de um ex-protestante:

 

SEPARAR CRISTO E IGREJA?

 

Em síntese: O Sr. Luiz Fernando Pérez, ex-protestante, fala de sua experiência. Refere-se ao fato de que Jesus fundou sua Igreja, da qual Ele é inseparável. O protestantismo separa Cristo e Igreja; nem dentro do âmbito protestante se guarda a unidade. Outras incoerências são ainda apontadas pelo autor do depoimento.

 

Via internet a Redação de PR recebeu a mensagem do sr. Luiz Fernando Pérez, que, de protestante, se converteu ao Catolicismo e comenta o princípio protestante "Somente Cristo", princípio que o autor julga ser anticristão.

Segue-se o texto de L. F. Pérez:

 

O PRINCÍPIO "SOLUS CHRISTUS" VISTO POR UM EX-PROTESTANTE

 

No tempo em que nos importa viver, no qual os ventos do ecumenismo tornam a soprar cada vez com mais firmeza, não é nada fácil tentar dizer três ou quatro verdades sobre os nossos "irmãos separados". Eu, que durante nove anos de minha vida fui protestante, sei como é estar dos dois lados da cerca. É uma experiência inegavelmente peculiar. Apesar de encontrarmos do lado protestante uma grande maioria que julga que o Catolicismo romano não é cristão, do lado católico não observamos com abundância aqueles que colocam em dúvida a natureza cristã do protestantismo. Sem querer valorizar demais, posto que não vale a pena, a opinião anticatólica deste grupo de protestantes, creio ser necessário comentarmos alguns pontos-chave para que os católicos em geral, ou pelo menos aqueles que mantêm um contato maior com protestantes, reconheçam que deveriam ser menos otimistas quanto à existência de um elemento cristão genuíno no cristianismo protestante.

 

Desde seu surgimento, na reforma, o protestantismo elaborou uma série de lemas que se tornaram verdadeiros dogmas de fé do cristianismo protestante. Analisemos um desses lemas, e vejamos o que ocorre na prática.

 

Solus Christus

 

A princípio nada haveria a opor a esta doutrina essencial da fé cristã, pela qual reconhecemos que a figura e a pessoa de Jesus Cristo é, por si só, o centro de nossa vida e esperança. Indubitavelmente, sem Cristo não há cristianismo. Contudo, acontece que na Bíblia ocorre uma realidade muito clara: uma vez que Jesus Cristo se encarnou e fundou sua Igreja, não podemos mais separar a realidade de Cristo da realidade da Igreja. A Palavra de Deus é clara neste ponto: a Igreja é o Corpo de Cristo (Cl 1, 18). Diz mais: a Igreja é a Sua Plenitude (Ef 1, 23). Quem persegue a Igreja, persegue o Cristo (At 9, 1-6) e, caso a relação não esteja suficientemente nítida, podemos perceber que a relação entre Cristo e a Igreja é um mistério, ao qual São Paulo compara o mistério da união entre o homem e a mulher (Ef 5, 31-32).

 

Portanto dizemos a verdade se ensinamos que não pode crer em "Solus Christus" aquele que aceita o Cristo, mas rejeita a Igreja, indissoluvelmente unida a Ele por todo o sempre. Por isso o Símbolo Niceno-Constantinopolitano afirma em um de seus pontos: "Creio na Santa Igreja Católica e apostólica". Ou seja, desde a antiguidade era demonstrado que a fé ou crença na Igreja era parte da fé cristã. E se o Cristo em pessoa afirmou, sobre o matrimônio, que "o que Deus uniu o homem não separe", mais ainda devemos crer que a união de Cristo com a Igreja está selada eternamente por vontade divina.

 

Se isto está claro, cabe aqui uma pergunta: atacar a unidade da Igreja não é exatamente o mesmo que atacar o Cristo? É cristão, portanto, dividir o corpo de Cristo em milhares de fragmentos? Ou, pelo contrário, a divisão da unidade do corpo de Cristo não é a arma mais poderosa de que Satanás se poderia servir durante a história da Igreja?

 

Quando era protestante, eu via como secundário este assunto de unidade da Igreja e, acima de tudo, sacrificável ao "deus" da pureza doutrinária. Ou seja, a verdadeira doutrina expressa "somente na Bíblia" seria um tesouro de muito mais valor que a unidade visível da Igreja de Cristo. Porém não era somente isso. Assim como a imensa maioria dos protestantes, eu tinha um conceito sobre a Igreja que não se acha em lugar nenhum da Bíblia, a não ser através de interpretações torcidas e contorcidas. É o que eu chamo de conceito "docetista"da Igreja, conceito que nega possa haver uma Igreja visível, organizada e hierarquizada, para se aceitar uma Igreja desorganizada, invisível, pseudo-etérea, sem unidade orgânica real.

 

Sem muita demora, vejamos o que diz a Bíblia sobre a Igreja:

1. Cristo deixou muito claro que a unidade dos cristãos deveria ser semelhante à sua unidade com o Pai e que por essa unidade o mundo deveria crer.

2. A Igreja teria uma hierarquia muito bem definida: apóstolos, entre eles Pedro, o primeiro, e logo os bispos e anciãos (presbíteros).

3.  A Igreja adotaria um sistema de análise chamado Conciliar, tal como se vê em Atos 15, com o particular fato de que Pedro iniciou os debates sobre os temas em pauta naquele Concílio. Além disso, as disposições do Concílio eram de aceitação obrigatória por toda a Igreja.

4.  Os apóstolos eram intolerantes com aqueles que causavam divisões. Encabeçados por Paulo, que teve que se deparar com os "denominacionalismos" de Corinto (1Cor 1, 10-13). Também ele deu a Tito uma ordem bem clara sobre o que ele deveria fazer com aqueles que causassem divisões. Deveria admoestá-los primeiro e depois expulsá-los da Igreja, porque se haviam pervertido (Tt 3, 10-11). Judas (Jd 19) afirma que os que causam divisão não possuem o Espírito. E, digamos alto e claro, o apóstolo João mostra em 1 Jo 2, 18-19 que os que saem da Igreja são anticristos, ainda que alguns queiram interpretar este versículo de uma forma mais suave.

Bem, alguém deve estar se perguntando: "E o que tem a ver isto tudo com o protestantismo e 'Solus Christus"?".

 

Respondo: tem tudo a ver! E mais: o protestante que entende esta realidade, se é honesto e inteligente, necessariamente tem de deixar de ser protestante, a menos que queira pecar gravemente contra Deus.

 

É evidente que um sistema religioso que afirma aceitar inteiramente o Cristo e todo o seu ensinamento, mas que leva em sua essência o vírus mortal da divisão do corpo de Cristo, somente pode ser definido como anticristo. Não há justificativa alguma para o fato de que o protestantismo tem sido absolutamente incapaz de manter uma unidade eclesial interna minimamente respeitável. Quando os protestantes se insurgem em apontar, com seus tratados e comentários bíblicos, os erros doutrinários do catolicismo, não se dão conta de que a simples existência de uma miríade de denominações protestantes independentes umas das outras é, nos seus olhos, uma trave de proporções apocalípticas.

 

Parece forte dizer isso, mas a verdade é que o protestantismo é a negação de Cristo desde o momento em que, na prática,nega a existência de uma só Igreja de Cristo, com uma só fé, com um só batismo e um só credo. E, negando a existência dessa Igreja, que é o corpo de Cristo, está negando o próprio Cristo, ainda que inconscientemente. Ponto final!

 

Se o protestantismo tivesse a capacidade de ter-se organizado em uma só denominação, poderíamos hoje contemplar a reforma a partir de um prisma totalmente diferente. Porém, a reforma não foi o que pretendia ser, senão o maior levante de aniquilação da Igreja, com a desculpa de uma verdadeira mudança. Aproveitaram da fraqueza da Igreja da época para tentar destruí-la por completo, mas, graças a Deus, foi na fraqueza que a Igreja despertou com força para novos desafios, ainda que lhe custasse muito recuperar o que havia perdido com a corrupção interna e os desajustes doutrinais e externos.

 

Para finalizar, ainda me caberia verificar muitas das ramificações desse desastre que é o protestantismo para a cristandade, mas me contentarei em assinalar pelo menos algumas poucas incoerências da agressiva dinâmica dialética que os protestantes usam contra a Igreja Católica:

1.  Os protestantes rejeitam a Igreja Católica por não se basear somente na Bíblia. A verdade é que eles, que dizem basear-se somente na Bíblia, não conseguem chegar a um acordo sobre doutrinas como a Eucaristia, sacramentos, organização eclesial, doutrinas da graça e salvação (calvinismo e arminianismo), etc, etc, etc.

2.  Os protestantes atacam a Igreja Católica por valorizar o papel da Tradição, mas eles mesmos são escravos de suas próprias tradições interpretativas da Palavra de Deus. e, ainda por cima, aceitam grande parte da linguagem e do conteúdo doutrinal que a eles chegou através da Tradição (Trindade, Cânon da Bíblia, Pecado Original, Domingo como dia do Senhor).

3.  Os protestantes usam a Bíblia como uma arma contra determinadas doutrinas e práticas católicas, porém nada dizem sobre o que essa mesma Bíblia fala sobre divisões na Igreja, tão presentes nas suas igrejas.

4.  Os protestantes atacam a Igreja Católica acusando-a de possuir um sistema de governo ditatorial, porém resulta que boa parte das igrejas protestantes exercem uma tirania a nível denominacional que faria você rir da severidade disciplinar do cardeal Ratzinger.

Por fim, para não estender-me demais, terminarei com uma reflexão. Creio que tanto aqueles que nasceram numa família protestante, como aqueles que saíram da Igreja Católica para o protestantismo deveriam voltar com urgência para a Igreja de Cristo. É incompatível ser de Cristo e pertencer a um sistema religioso que está dividindo continuamente o Corpo de Cristo, que nega o princípio da eficácia regeneradora que o Espírito Santo possui na sua condução da Igreja. Muitos protestantes nunca tinham sido defrontados com esta realidade que estou escrevendo. Outros tomaram conhecimento, mas resolveram continuar seguindo separados da Igreja, e, portanto, apesar de se revoltarem ao ler isso, separados de Cristo.

 

É nossa missão evangelizá-los e/ou resistir às suas tentativas de levar católicos da Igreja de Cristo. Sem dúvida, muitos católicos precisam de um contato maior com Cristo, porém este encontro não se dá fora do Corpo de Cristo, nas igrejas protestantes, mas um encontro na Igreja do Cristo verdadeiro.

 

 

REFLETINDO...

 

O arrazoado do sr. Pérez é simples e consistente. Com efeito, Jesus Cristo quis fundar a Igreja que Ele disse ser "sua Igreja" (cf. Mt 16, 16-19) e que São Paulo considera ser o Corpo de Cristo... Corpo no qual Cristo se plenifica. Se assim é, quem divide a Igreja de Cristo divide o próprio Cristo (cf. 1Cor 1, 11-13), é anticristão.

 

Dirá alguém: os homens da Igreja podem falhar, de modo que se torna necessária uma reforma periódica. Reconhecemos o que há de verídico nessa afirmação, mas acrescentamos que a reforma não pode equivaler a uma ruptura com a Igreja fundada por Cristo. Este assegurou à sua Igreja infalível assistência até o fim dos tempos (cf. Mt 28, 18-20); prometeu-lhe também o Espírito Santo como Mestre da verdade (cf. Jo 14, 26; 16, 14s). Por conseguinte, não se pode crer que tenha deixado sua Igreja entregue ao léu, de modo a ser necessário que os homens refaçam "a obra abandonada por Cristo". O que os homens podem fazer é uma sociedade humana e animada por boas intenções, mas nunca farão um Sacramento ou uma realidade divino-humana.

 

Dirão ainda: a Igreja Católica tem suas muitas denominações (franciscanos, jesuítas, beneditinos, salesianos...) como o protestantismo tem suas denominações (luteranos, metodistas, adventistas, neopentecostais...). - Em resposta registramos que as Ordens e Congregações Religiosas do Catolicismo não quebram a unidade da Igreja, pois estão sujeitas à mesma autoridade suprema, professam a mesma fé e recebem os mesmos sacramentos. No protestantismo, ao contrário, cada denominação toma o nome de igreja e existe independentemente das demais; assim dividem a Igreja e o próprio bloco protestante.

 

E a propalada pureza de doutrina dos protestantes? - Já os reformadores divergiam entre si no tocante a pontos importantes (SS. Trindade, Eucaristia, hierarquia da Igreja...). A tese do livre exame da Bíblia favorece o subjetivismo, as múltiplas interpretações do texto sagrado, donde a pluralidade de orientações doutrinárias do protestantismo.

 

Possam estas considerações falar fundo ao coração dos irmãos de boa vontade.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

 

http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?num=1691

 

Leia-o também em : larcatolico.webnode.com.br/news/igreja-catolica/

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A Única Verdadeira Igreja...

 
Fr. Arnold Damen S.J. (1815 - 1890)

Sobre este Artigo e seu Autor:

  Padre Arnold Damen nasceu na província de North Brabant, Holanda, em 20 de março de 1815 ..."
Foi admitido na Companhia de Jesus em 21 de novembro de 1837, Em sua ilustre carreira, que contou uns cinquenta anos de trabalho apostólico até a sua morte, em 1.º de janeiro de 1890. O inflamado zelo apostólico deste amado e piedoso sacerdote pode ser apenas estimado pelas vinte mil conversões ao catolicismo pelas quais ele foi responsável, amiúde recebendo sessenta ou setenta almas para a Igreja em um dia.
  O que explica a realização inspiradora do Padre Damen? Como um escritor expressou: "Ele não se importou com aplausos ou críticas. Ele estava trabalhando para salvar almas". Em outras palavras, suas nobres realizações foram frutos de imensa caridade. Ou seja, a caridade no sentido mais verdadeiro: Ele amava a Deus e seus companheiros tanto que ele não poupava a energia ou o esforço que fossem necessários para arrancar uma alma do erro espiritual e da escuridão que trariam a sua perda eterna.

  Com prazer reimprimimos o convincente sermão do Padre Damen "A Única Verdadeira Igreja", inédito, exatamente como foi publicado pela primeira vez, um pouco depois da sua morte, em 1890. 
  A única Igreja que Cristo estabeleceu é a Igreja Católica.
 
Aquele que crer e for batizado será salvo, mas aquele que não crer será condenado. (Mc 16, 16)

I. Meus queridos e amados cristãos: Dessas palavras do Divino Salvador, já lhes foi provado que a fé é necessária para a salvação, e que sem a fé não há salvação; sem a fé há eterna condenação. Leiam na sua própria Bíblia protestante o versículo 16 de São Marcos, e lá os senhores as encontrarão mais enfáticas do que na Bíblia católica. No entanto, que tipo de fé um homem deve ter para ser salvo? Qualquer fé? Ora, se qualquer fé basta, o próprio demônio será salvo, porque a Bíblia diz que os demônios creem e tremem. Não é, portanto, matéria de indiferença qual religião um homem professa; ele deve professar a reta e verdadeira religião, e sem ela não há esperança de salvação, porque é uma questão de razão, meu querido povo, que se Deus revela algo ou ensina algo, Ele deseja ser crido. Não crer é insultar Deus. Duvidar da Sua palavra, ou mesmo crer, mas com dúvida e hesitação, é um insulto a Deus, porque é duvidar da Sua Sagrada Palavra. Devemos, portanto, crer sem duvidar, sem hesitar.
Eu disse que fora da Igreja Católica não há fé divina --- não pode haver fé divina fora dessa Igreja. Alguns amigos protestantes ficarão chocados com isto, ouvindo-me dizer que fora da Igreja Católica não pode haver fé divina, e que sem a fé não há salvação, mas condenação. Provarei tudo o que eu disse. Eu disse que fora da Igreja Católica não pode haver fé divina. O que é fé divina? É quando cremos em algo baseados na autoridade de Deus, e cremos sem duvidar, sem hesitar.
Ora, todos os nossos irmãos separados, fora da Igreja Católica, tomam a interpretação privada da Bíblia como guia; mas a interpretação privada da Bíblia jamais poderá dar-lhes a fé divina. Permitam-me supor, por um momento, que aqui estivesse um presbiteriano; ele lê a sua Bíblia; da leitura da sua Bíblia ele conclui que Jesus Cristo é Deus. Ora, os senhores sabem que isso é a mais essencial das doutrinas cristãs --- o fundamento de todo o cristianismo. Da leitura da Bíblia, ele chega à conclusão de que Jesus Cristo é Deus; e ele é um homem sensato, um homem inteligente, e não um homem presunçoso.
E ele diz: "Eis o meu próximo, unitariano, que é tão racional e inteligente quanto eu, tão honesto, tão entendido e tão piedoso quanto eu sou, e, da leitura da Bíblia, ele conclui que Cristo não é, de modo algum, Deus. "Ora", diz ele, "do melhor da minha opinião e julgamento, eu estou certo, e meu irmão unitariano está errado; mas, na verdade", diz ele, "eu posso estar errado! Talvez eu não tenha o verdadeiro significado do texto, e, se eu estou errado, talvez ele esteja certo; mas, do melhor da minha opinião e julgamento, eu estou certo e ele está errado." Em que ele acredita? Em que autoridade? Na sua opinião e julgamento. E o que são eles? Uma opinião humana --- testemunho humano, e, portanto, fé humana. Ele não pode dizer positivamente: "Eu tenho certeza, certeza positiva, tão certo quanto há um Deus no céu, que este é o significado do texto". Então, ele não tem outra autoridade senão a sua própria opinião e julgamento, e o que o seu pregador lhe diz. Mas o pregador é um homem esperto. Há também muitos pregadores unitarianos espertos, e isso não prova nada; é apenas autoridade humana, e nada mais, e, portanto, apenas fé humana. O que é a fé humana? Crer em algo baseado no testemunho humano. A fé divina é crer em algo baseado no testemunho de Deus.

II. O católico tem a fé divina, e por quê? Porque o católico diz: "Eu creio em tal e tal coisa". Por quê? "Porque a Igreja mo ensina." E por que você crê na Igreja? "Porque Deus ordenou-me crer no ensinamento da Igreja; e Deus ameaçou-me com a condenação se eu não crer na Igreja, e São Pedro nos ensina, na sua epístola, que não há profecia ou interpretação privada das Escrituras, porque os ignorantes e inconstantes distorcem as Escrituras, a Bíblia, para sua própria condenação." Isso é uma linguagem forte, meu querido povo, mas essa é a linguagem de São Pedro, o chefe dos Apóstolos.
Os ignorantes e inconstantes distorcem a Bíblia para sua própria condenação! E ainda, apesar de tudo, a Bíblia é o livro de Deus, a mensagem inspirada; ao menos quando se tem uma Bíblia verdadeira, como nós, católicos, temos, e vocês, protestantes, não. Mas, meus queridos e amados amigos protestantes, não se sintam ofendidos quando eu digo tais coisas. Seus próprios entendidíssimos pregadores e bispos lhes dizem, e alguns escreveram volumes inteiros para prová-lo, que a tradução inglesa, que vocês têm, é muito falha e uma tradução falsa. Ora, digo-lhes, portanto, que a verdadeira Bíblia é tal qual os católicos a têm, a Vulgata Latina; e os mais entendidos dentre os protestantes concordaram que a Bíblia Vulgata Latina, que a Igreja Católica usa sempre, é a melhor que existe; e, portanto, é, como vocês devem ter percebido, por isso que, quando eu prego, eu dou o texto em latim, porque o texto latino da Vulgata é o melhor que existe.

III. Agora, eles podem dizer que os católicos reconhecem a Palavra de Deus; que é a mensagem inspirada; e que, portanto, nós temos certeza de que temos a Palavra de Deus; mas, meu querido povo, a melhor coisa pode ser usada mal, mesmo a melhor coisa; e, portanto, nosso Divino Salvador deu-nos uma mestra viva, para dar-nos o verdadeiro significado da Bíblia. E ele proveu-nos uma mestra com infalibilidade; e isso era absolutamente necessário, porque, sem isso --- sem a infalibilidade, jamais poderíamos estar certos da nossa fé.
Precisa haver uma infalibilidade; e sabemos que em todo governo organizado, em todo governo --- na Inglaterra, nos Estados Unidos, e em todo país, império ou república, há uma Constituição e uma lei suprema. Mas vocês não têm liberdade para explicar aquela Constutuição e lei suprema como vocês julgam que deva ser, porque, então, não haveria mas lei, se a todo homem fosse permitido explicar a lei e a Constituição como ele julga certo. Portanto, em todos os governos há um supremo juiz e uma suprema corte, e ao supremo juiz são referidos todos os diferentes entendimentos da lei e da Constituição. Todos devem cumprir as decisões do supremo juiz, e, se não cumprirem essa decisão, meu querido povo, não haveria mais lei, mas anarquia, desordem e confusão.
Suponham, ainda, que o Bendito Salvador tivesse sido menos sábio que os governos humanos, e que Ele não tivesse provido, para o entendimento da Sua Constituição e da Sua Lei, a Igreja de Deus. Se Ele não o tivesse feito, meu querido povo, ela não se teria preservado, como o foi, pelos últimos mil e oitocentos e cinquenta e quatro anos. Então, Ele estabeleceu uma Suprema Corte, um Supremo Juiz na Igreja do Deus Vivo.

IV. É admitido por todos os lados, por protestantes e católicos igualmente notáveis, que Cristo estabeleceu uma Igreja; e, o que é estranho dizer, todos os nossos amigos protestantes reconhecem, também, que Ele estabeleceu apenas uma Igreja --- apenas uma Igreja --- porque, toda vez que Cristo fala da Sua Igreja, é sempre no singular. Os leitores da Bíblia, que lembrem isso; meus amigos protestantes, prestem atenção. Ele diz: "Ouvi a Igreja" --- não ouçais as igrejas ---, "Eu construí a Minha Igreja sobre uma pedra" --- não as Minhas igrejas. Toda vez que Ele fala, seja em figuras ou parábolas, da Sua Igreja, Ele sempre chama à mente uma singularidade, uma união, uma unidade.
Ele fala da Sua Igreja como um rebanho de ovelhas, no qual há apenas um pastor --- que é o chefe de todos, e as ovelhas devem seguir a sua voz; "Eu tenho outras ovelhas que não são deste rebanho". Um rebanho, como vocês podem ver. Ele fala da Igreja como de um reino, no qual há apenas um rei para governar; fala da Sua Igreja como uma família, na qual há apenas um pai como chefe; fala da Sua Igreja como de uma árvore, e todos os ramos dessa árvore estão conectados com o tronco, e o tronco com as raízes; e Cristo é a raiz, e o tronco é Pedro e os Papas, e os grandes ramos são os bispos, os ramos menores são os sacerdotes, e o fruto da árvore são os fieis do mundo inteiro; e o ramo, diz Ele, que é podado da árvore morrerá, não produzirá nenhum fruto, e só serve para ser lançado no fogo --- isto é, condenação.
Isso é para falar claro, meu querido povo; mas não há motivo para ocultar-lhes a verdade. Eu quero falar-lhes a verdade, como osApóstolos pregaram no seu tempo --- não há salvação fora da Igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

V. Ora, qual é essa Igreja? Existem, hoje em dia, trezentas e cinquenta diferentes igrejas protestantes, e quase todo ano juntam-se uma ou duas; e, ao lado desse número, há a Igreja Católica. Então, qual dessas várias igrejas é a única Igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo? Todas alegam ser a Igreja de Jesus. Mas, meu querido e amado povo, é evidente que nenhuma igreja pode ser a Igreja de Jesus a não ser a única que foi estabelecida por Jesus. E quando Jesus estabeleceu a Sua Igreja? Quando? Quando Ele estava sobre a terra. E há quanto tempo Cristo esteve sobre a terra? Os senhores sabem que a nossa era cristã data dele. Ele nasceu há muitos séculos. Isso é um fato histórico admitido por todos. Ele viveu sobre a terra por trinta e três anos. Isso foi há cerca de dezenove séculos antes da nossa época. Esse foi o tempo em que Cristo estabeleceu a Sua Igreja sobre a terra.
Qualquer Igreja, portanto, que não existiu durante todo esse tempo não é a Igreja de Jesus Cristo, mas é instituição ou invenção de um ou outro homem; não de Deus, não de Cristo, mas de homem.
Ora, onde está a Igreja, e qual é a Igreja que existiu por todo esse tempo? Toda a História informa-lhes que é a Igreja Católica; ela, e somente ela, dentre todas as denominações cristãs sobre a face da terra, existiu por todo esse tempo. Toda a História, pois, dá testemunho disso; não apenas a História catóilca, mas a História pagã, judaica e protestante, indiretamente. A História, pois, de todas as nações, de todos os povos, dá testemunho de que a Igreja Católica é a mais antiga, a primeira; é a única estabelecida por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Se houver algum pregador protestante que possa provar que a Igreja Católica começou a existir depois daquele tempo, que ele venha a mim, e eu lhe darei mil dólares. Meus queridos pregadores, eis uma chance de fazer dinheiro --- mil dólares para vocês. Não apenas toda a História, mas todos os monumentos da antiguidade dão testemunho disso, e todas as nações da terra o proclamam. Chamem um dos seus pregadores e perguntem-lhe qual foi a primeira igreja --- a primeira Igreja Cristã. Foi a presbiteriana, a episcopal, a Igreja da Inglaterra, a metodista, a universalista ou a unitariana? E eles lhes responderão que foi a Igreja Católica. Mas, meus queridos amigos, se vocês admitem que a Igreja Católica é a primeira e a mais antiga --- a Igreja estabelecida por Cristo --- por que vocês não são católicos?
A isso, eles respondem que a Igreja Católica corrompeu-se; caiu em erro, e que, protanto, foi necessário estabelecer uma nova igreja. Uma nova igreja, uma nova religião. E a isso nós respondemos que, se a Igreja Católica já foi a verdadeira igreja, então ela ainda é verdadeira, e será a verdadeira Igreja de Deus até o fim dos tempos, ou Jesus Cristo enganou-nos. Ouvi-me, Jesus, ouvi o que eu digo! Eu digo que, se a Igreja Católica, hoje, no século XIX, não é a verdadeira Igreja de Deus como era há 1854 anos, então eu digo, ó Jesus, que Vós nos haveis enganado, e sois um importor! E se eu não falo a verdade, ó Jesus, fulminai-me com a morte neste púlpito --- deixai-me morrer no púlpito, porque eu não quero ser pregador de uma religião falsa!

VI. Provarei o que eu disse. Se a Igreja Católica já foi a verdadeira Igreja de Deus, como é admitido por todos, então ela ainda é a verdadeira Igreja, e será a verdadeira Igreja de Deus até o fim dos tempos, porque Cristo prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. Ele disse que ela foi construída sobre uma pedra, e que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela.
Então, meu querido povo, se a Igreja Católica caiu em erro, então as portas do inferno prevaleceram contra ela; e, se as portas do inferno prevaleceram contra ela, então Cristo não cumpriu a Sua promessa, então Ele nos enganou, e, se Ele nos enganou, então Ele é um impostor! Se Ele é um impostor, então Ele não é Deus, e, se Ele não é Deus, então todo o cristianismo é uma fraude e uma impostura.
Mais uma vez, em São Mateus, capítulo 28, versículos 19 e 20, nosso Divino Salvador diz aos Seus Apóstolos: "Ide, pois, e ensinai todas as nações, batizando-as em nome de Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar tudo o que Eu vos ordenei". "Eia", diz Ele, "Eu, Jesus, o Filho do Deus Vivo, Eu, a Sabedoria Infinita, a Eterna Verdade, estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." Cristo, portanto, solenemente jura que Ele estará com a Sua Igreja todos os dias até o fim dos tempos, até a consumação do mundo.
Mas Cristo não pode permanecer com a Igreja que ensina o erro, ou a falsidade, ou a corrupção. Se, pois, a Igreja Católica caiu em erro e corrupção, como nossos amigos protestantes dizem que caiu, então Cristo deve tê-la abandonado; se assim é, Ele faltou com o Seu juramento; se Ele faltou com o Seu juramento, Ele é um perjuro, e não há absolutamente nenhum cristianismo.
Mais uma vez, nosso Divino Salvador (São João, capítulo 14) prometeu que Ele enviaria à Sua Igreja o Espírito da Verdade, para permanecer com ela para sempre. Se, portanto, o Espírito Santo, o Espírito da Verdade, ensina à Igreja toda a verdade, e lha ensina para sempre, então nunca houve e nunca pode haver um único erra na Igreja de Deus, porque, onde há toda a verdade, não há nem um erro que seja. Cristo prometeu solenemente que Ele enviaria à Igreja o Espírito da Verdade, que lhe ensinasse a verdade para sempre; portanto, nunca houve um único erro na Igreja de Deus, ou Cristo teria falhado nas Suas promessas se assim fosse.
Mais uma vez, Cristo nos ordena ouvir e crer nos ensinamentos da Igreja em todas as coisas; por todos os tempos e em todos os lugares. Ele não disse: ouçam a Igreja por mil anos ou por mil e quinhentos anos, mas: ouçam a Igreja, sem nenhuma limitação, sem nenhuma reserva, sem qualquer restrição de tempo. Isto é, por todos os tempos; em todas as coisas, até o fim dos tempos, e aquele que não ouvir a Igreja, que seja para ti, diz Cristo, como um pagão e como um publicano.
Portanto, Cristo diz que aqueles que se recusam a ouvir a Igreja devem ser vistos como pagãos; e o que é um pagão? Alguém que não louva o Deus verdadeiro; e um publicano é um pecador público. Essa é uma linguagem dura. Poderia Cristo ter-me ordenado crer na Igreja se a Igreja pudesse extraviar-me --- pudesse conduzir-me ao erro? Se o ensinamento da Igreja fosse corrompido, poderia Ele, o Deus da verdae, mandar-me, sem nenhuma restrição ou limitação, ouvir e crer nos ensinamentos da Igreja que Ele estabeleceu?
Novamente: Nosso Divino Salvador ordena-me ouvir e crer no ensinamento da Igreja como se Ele próprio estivesse falando-nos. "Quem vos ouve", diz Ele, na Sua ordem aos Apóstolos, "a Mim ouve, e quem vos despreza a Mim despreza." De modo que, quando eu creio no que a Igreja ensina, creio no que Deus ensina. Se eu rejeito o que a Igreja ensina, rejeito o que Deus ensina. Cristo, assim, fez da Igreja o órgão pelo qual Ele fala ao homem, e diz-nos positivamente que devemos acreditar no ensinamento da Igreja como se Ele mesmo estivesse falando-nos.
Portanto, diz São Paulo, na sua Epístola a Timóteo, "a Igreja é o fundamento" --- isto é, a forte fundação --- "e o pilar da verdade". Tire o fundamento deste edifício, e ele ruirá; assim é com estes pilares sobre os quais se assenta o pavimento; retire-os, e o pavimento cairá; assim, São Paulo diz: "A Igreja é o fundamento e o pilar da verdade", e, desde o momento em que se retira a autoridade da Igreja de Deus, induzem-se todos os tipos de erros e doutrinas blasfemas. Não é visto?

VII. No século XVI, o protestantismo tirou a autoridade da Igreja e constituiu cada homem como seu próprio juiz da Bíblia, e qual foi a consequência? Religião sobre religião, igreja sobre igreja, trazida à existência, e jamais cessou de surgir novas igrejas até hoje.
Quando preguei minha Missão em Flint, Michigan, convidei, como o fiz aqui, meus amigos protestantes para vir ver-me. Um homem bom e inteligente veio a mim e disse-me: "Aproveitarei esta oportunidade de conversar com o senhor". "A que Igreja o senhor pertence, meu amigo?", disse eu. "À Igreja dos Doze Apóstolos", disse ele. "Ah! ah!", disse eu, "Eu também pertenço a essa Igreja. Mas diga-me, meu amigo, onde começou a sua Igreja?" "Em Terre Haute, Indiana", disse ele. "Quem começou a Igreja, e quem foram os Doze Apóstolos, meu amigo?", disse eu. "Foram doze fazendeiros", disse ele; "todos pertencíamos à mesma Igreja --- a presbiteriana --- mas discutimos com nosso pregador, separamo-nos dele, e iniciamos nossa própria Igreja." "E isso", disse eu, "são os Doze Apóstolos a que o senhor pertence --- doze fazendeiros de Indiana! A Igreja começou a existir há cerca de trinta anos." Há alguns anos, quando estive em Terra Haute, pedi que me indicassem a Igreja dos Doze Apóstolos. Fui conduzido à janela e ma apontaram, "mas ela não existe mais", disse meu informante, "hoje é usada como loja de um fabricante de vagões".
Mais uma vez, São Paulo, em sua Epístola aos Gálatas, diz: "Ainda que nós, Apóstolos, ou mesmo um anjo do céu viesse a vós e pregasse um Evangelho diferente do que nós pregamos, seja anátema". Essa é a linguagem de São Paulo, porque, meu querido e amado povo, a religião precisa vir de Deus, não dos homens. Nenhum homem tem direito a estabelecer uma religião; nenhum hoemm tem direito a ditar para o seu próximo em que ele deve crer e o que ele deve fazer para salvar a sua alma. A religião precisa vir de Deus, e qualquer religião que não foi estabelecida por Deus é uma falsa religião, uma instituição humana, e não uma instituição de Deus; e, por isso, disse São Paulo na sua Epístola aos Gálatas: "Ainda que nós, Apóstolos, ou mesmo um anjo do céu viesse a vós e pregasse um Evangelho diferente do que nós pregamos, seja anátema".

VIII. Pode-se ver, meu querido e amado povo, pelo texto da Escritura que eu citei, que se a Igreja Católica já foi a verdadeira Igreja, então ela ainda o é. Os senhores também viram, pelo que eu disse, que a Igreja Católica é a instituição de Deus, e não dos homens, e isso é um fato --- um fato histórico, e nenhum fato histórico é tão suportado, tão bem provado quanto que a Igreja Católica é a primeira, a Igreja estabelecida por Jesus Cristo.
Então, do mesmo modo, é um fato histórico que todas as igrejas protestantes são instituições humanas --- todas elas. E eu lhes darei os seus dados, e os nomes dos seus fundadores ou instituidores. No ano de 1520 --- 368 anos atrás --- o primeiro protestante veio ao mundo. Antes dele não houve nenhum protestante no mundo, nenhum em toda a face da terra; e esse, como toda a história nos diz, foi Martinho Lutero, que era um sacerdote católico, que saiu da Igreja por orgulho, e casou-se com uma freira. Foi excomungado pela Igreja, podado, banido, e fez uma nova religião. Antes de Martinho Lutero, não houve nenhum protestante no mundo; ele foi o primeiro a levantar o estandarte da rebelião e da revolta contra a Igreja de Deus. Ele disse aos seus discípulos que eles deveriam tomar a Bíblia como seu guia, e eles o fizeram.
Mas, em pouco tempo, eles discutiram com ele; Zuinglius, e vários outros, e todos eles começaram uma nova religião. Depois dos discípulos de Martinho Lutero veio João Calvino, que, em Genebra, estabeleceu a religião presbiteriana, e, daí em diante, quase todas as religiões são chamadas pelo nome do seu fundador.
Pergunto ao protestante: "Por que você é luterano, meu amigo?" "Bem", diz ele, "porque eu creio na doutrina do bom Martinho Lutero." Portanto, não na de Cristo, mas na de um homem --- Martinho Lutero. E que tipo de home foi ele? Um homem que quebrou o juramento solene que fizera diante do altar de Deus, na sua ordenação, de sempre manter uma vida pura, célibe, virginal. Ele quebrou aquele solene juramento, e casou-se com uma Irmã Catarina, que também fizera o mesmo voto de castidade e virtude. E esse foi o primeirio fundador do protestantismo no mundo. O nome pelos quais eles se chamam diz que vieram de Martinho Lutero. Assim os presbiterianos são, algumas vezes, chamados calvinistas, porque vêm de João Calvino, ou professam que creem nele.

IX. Depois deles veio Henrique VIII. Ele era católico, e defendeu a religião católica; ele escreveu um livro contra Martinho Lutero, em defesa da doutrina católica. Eu mesmo vi esse libro na biblioteca do Vaticano em Roma, há alguns anos. Henrique VIII defendeu a religião, e, por isso, foi chamado pelo Papa "Defensor da Fé". Isso passou com os seus sucessores, e a Rainha Vitória é herdeira, hoje em dia.
Ele casou-se com Catarina de Aragão; mas havia na sua corte uma dama de honra da Rainha chamada Ana Bolena, que era uma bela mulher, e de aparência cativante. Henrique estava determinado a tê-la. Mas ele era um homem casado. Ele submeteu uma petição ao Papa para que lhe permitisse casar com ela --- e essa era uma petição tola, porque o Papa não tem poder para fazê-lo. O Papa e todos os bispos do mundo não podem ir contra a vontade de Deus.
Cristo diz: "Se um homem rejeitar a sua esposa e casar-se com outra, ele comete adultério, e aquele que se casa com aquela que foi rejeitada comete adultério também". Como o Papa indeferiria sua petição, ele tomou Ana Bolena de qualquer modo, e foi excomungado da Igreja. Após um tempo, havia outra dama de honra, mais bela que a primeira, mais bonita e charmosa aos olhos de Henrique, e ele disse que precisava tê-la também. Ele tomoui a terceira esposa, e uma quarta, quinta e sexta se seguiram.
Ora, esse é o fundador da Igreja Anglicana, a Igreja da Inglaterra; e, portanto, é isso que significa o nome da Igreja da Inglaterra. Nossos amigos episcopalianos têm feito grandes esforços para se chamar católicos, mas jamais o conseguirão. Eles reconhecem que o nome católico é um nome glorioso, e gostariam de possuí-lo.
Os Apóstolos disseram: "Eu creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica" --- eles nunca disseram: na Igreja Anglicana. Os anglicanos negam a sua religião, porque dizem que acreditam no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica. Pergunte-lhes se são católicos, e eles dirão: "Sim, mas não católicos romanos; nós somos católicos ingleses". Qual o significado da palavra católico? Vem da palavra grega "Catholicus" --- universal --- espalhado por toda a terra, e o mesmo por todo lugar. Ora, primeiro de tudo, a Igreja Anglicana, não é espalhada por toda a terra; só existe em uns poucos países, principalmente apenas onde a língua inglesa é falada. Em segundo lugar, eles não são o mesmo por toda a terra, porque existem agora quatro diferentes igrejas anglicanas: a Low Church, a High Church, a Igreja Ritualista e a Igreja Puseyita.
"Catholicus" significa mais do que isso, não apenas espalhado por toda a terra e o mesmo em todo lugar, mas significa, principalmente, o mesmo por todos os tempos, de Cristo até o presente dia. Ora, eles não existiram desde o tempo de Cristo. Nunca houve uma Igreja Episcopal ou uma Igreja Anglicana antes de Henrique VIII. A Igreja Católica já exsitia há mil e quinhentos anos antes que a Episcopal viesse ao mundo.
Depois do episcopalianismo, diferentes outras igrejas surgiram. Depois veio a metodista, certa de cento e cinquenta anos atrás. Foi iniciada por John Westley, que fora membro da Igreja Episcopal; subsequentemente, ele juntou-se aos Irmãos Moravianos, mas, não gostando deles, fez sua própria religião --- a Igreja Metodista. Após John Westley, várias outras surgiram; e, finalmente, vieram os campbellitas, cerca de sessenta anos atrás. Essa igreja foi estabelecida por Alexander Campbell, um escocês.

X. Bem, agora, meu querido e amado povo, os senhores devem estar pensando que o ato dos doze apóstolos de Indiana foi ridículo, mas eles tinham tanto direito de estabelecer uma igreja quanto Henrique VIII, Martinho Lutero ou João Calvino. Eles não tinham nenhum direito, nem o tinha Henrique VIII, nem o resto deles.
Cristo estabelecera a Sua Igreja e dera o Seu solene juramente de que a Sua Igreja permaneceria até o fim dos tempos; prometeu que a construíra sobre a pedra, e que as portas do inferno não prevalereciam contra ela --- então, meu querido povo, todas aquelas diferentes denominações de religião são invenção de homens; e eu lhes pergunto: pode um homem salvar os seus próximos por meio de uma instituição que ele possa fazer? A religião não precisa vir de Deus?
E, portanto, meus queridos e amados irmãos separados, pensem seriamente nisso. Os senhores têm uma alma a salvar, e essa alma será salva ou condenada; uma coisa ou outra: ou terá com Deus no céu, com com o diabo no inferno; portanto, meditem seriamente nisso.
Quando preguei minha Missão em Brooklyn, vários protestantes se tornaram católicos. Entre eles havia um muito bem educado e inteligente virginiano. Ele era presbiteriano. Após escutar minha lição, ele foi falar com o seu ministro, e pediu-lhe que fosse gentil o bastante para explicar-lhe um texto da Bíblia. O ministro deu-lhe o significado. "Bem, então", disse o gentil-homem, "o senhor está seguro e certo de que esse é o significado do texto, pois vários outros protestantes o explicam diferentemente?" "Ora, meu querido jovem", disse o pregador, "nós jamais podemos estar certos da nossa fé." "Bem, então", disse o jovem, "adeus: Se eu não posso estar certo da minha fé na Igreja Protestante, eu vou para onde o possa", e tornou-se católico. Na Igreja Católica, estamos seguros da nossa fé, e, se a nossa fé não é verdadeira, Cristo nos enganou. Imploro-lhes, pois, meus irmãos separados, que procurem livros católicos. Os senhores já leram muito contra a Igreja Católica, leiam agora, então, algo a favor dela.
Nunca se pode dar uma sentença imparcial sem ouvir ambos os lados da questão. O que vocês pensariam de um juiz diante do qual um policial traz um pobre infrator, e que, por causa do policial, sem ouvir o infrator, condena-o ao enforcamento? "Deixe-me falar", diz o pobre homem, "e eu provarei a minha inocência. Eu não sou culpado", diz ele. O policial diz que ele é culpado. "Bem, enforquem-no, mesmo assim", diz o juiz. O que os senhores diriam do juiz? Juiz criminoso! Homem injusto; você é culpado do sangue do inocente! Não é isso que os senhores diriam? Com certeza. Bem, meus queridos e amados amigos protestantes, isso é o que os senhores têm feito até agora; os senhores têm ouvido um lado da questão e condenado a nós, católicos, como um punhado de gente supersticiosa, pobres pessoas ignorantes, povo idólatra, pessoas sem juízo, indo e contando os seus pecados para o sacerdote; e, afinal de contas, o que é o sacerdote senão um outro homem qualquer?
Meus queridos amigos, os senhores examinaram o outro lado da questão? Não, os senhorse acham que não vale a pena; mas foi assim que os judeus fizeram com nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; e foi assim que os pagãos e judeus trataram os Apóstolos, os ministros da Igreja, e os cristãos primitivos.
Permitam-me dizer-lhes, meus amigos, que os senhores nos têm tratado precisamente do mesmo modo que os judeus e pagãos trataram Jesus Cristo e Seus Apóstolos. Nesta tarde eu disse coisas duras, mas, se São Pedro estivesse aqui nesta noite, neste púlpito, ele teria dito coisas mais duras ainda. Disse-as, porém, não com espírito de inimizade, mas com espírito de amor, e um espírito de caridade, na esperança de abrir os seus olhos, de modo que as suas almas possam ser salvas. É amor pela sua salvação, meus queridos e amados irmãos protestantes --- pela qual eu de bom grado daria o sangue do meu coração --- meu amor pela sua salvação que me fez pregar-lhes como o fiz.

XI. "Bem", dizem os meus amigos protestantes, "se um homem pensa estar certo, ele não está certo?" Suponhamos, então, que um homem em Ottawa quer ir para Chicago, mas toma um carro para Nova Iorque; o condutor pede a sua passagem, e, imediatamente, diz: “Você está no carro errado; a sua passagem é para Chicago, mas o senhor está indo para Nova Iorque”. “Ora, o que é isso?”, diz o passageiro. “A minha intenção era certa.” “A sua intenção não o levará para o seu destino”, diz o condutor, “pois o senhor irá para Nova Iorque ao invés de Chicago.”
Os senhores dizem ter boa intenção, meus queridos amigos; sua intenção não os levará para o céu; os senhores precisam, também, agir corretamente. “Apenas aquele que faz a vontade do Meu Pai”, diz Jesus, “será salvo.” Há milhões de bem-intencionados no inferno. Os senhores precisam agir bem, e ter certeza de estar agindo bem, para serem salvos. Eu agradeço aos meus irmãos separados pela sua gentileza em vir para essas lições controversas. Eu espero não ter dito nada para ofendê-los. Na verdade, não faria sentido se eu não pregasse doutrinas católicas.

Tradução minha.
www.saopiov.org/2010/07/unica-verdadeira-igreja.html


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Jesus Cristo e a Sua Igreja

 

"Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16, 16).

"Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18).

Quando Jesus perguntara quem fosse no modo de pensar das pessoas o Filho do Homem, os Apóstolos apresentaram várias opiniões que circulavam entre os Judeus. Mas quando perguntou-lhe diretamente: "Vós o que dizeis que eu seja?" (Mt 16, 15), Pedro respondeu em nome dos Doze: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16, 16).

Diante da profissão de Fé de Pedro, eis o que Jesus responde:

"Feliz és tu, Simão filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem te revelou isso, mas o Pai que está nos céus. E eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja e as portas do inferno nunca levarão vantagem sobre ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos céus". (Mt 16, 17-19).

É interessante fazermos uma pequena pausa com o fim de melhor observar o conteúdo deste texto.

"Feliz és tu..."

Esta Expressão é muito freqüente nas Escrituras quando se quer destacar alguém. Ver Mt 5, 3-11 ; Lc 6, 20-22 ; Lc 10, 23 ; 11, 27s ; 14, 15... além de várias passagens nos salmos.

"...Simão filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem te revelou isso, mas o Pai que está nos céus."

Ou seja: a resposta de Pedro foi inspirada e não uma mera opinião do Apóstolo.

" E eu te digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra... "(Kefa/Kefa).

Vale ainda notar que Jesus mudou o nome de Simão para Pedro. Ora, mudanças de nome eram usadas para marcar um fato muito importante. Um exemplo é quando Deus muda o nome de Abrão para Abraão (Gn 17), a fim de constituí-lo líder de uma futura nação: Israel.

No caso de São Pedro, a missão era outra: chefiar a Igreja deixada por Cristo, como veremos mais a seguir.

Convém também ressaltar que, como falava em aramaico, Jesus usou a mesma palavra (Kefa = Cefas = Pedro) onde atualmente lemos "Pedro e pedra".

"...construirei a minha Igreja..."

Jesus poderia ter falado "as minhas" Igrejas, mas não o fez. Por quê? Por que o desejo de Cristo era a unidade, como Ele próprio tão bem expressa, ao falar em "um só rebanho e um só pastor".

"...e as portas do inferno nunca levarão vantagem sobre ela."

Na Antigüidade, as portas eram consideradas a defesa de uma cidade, ou o ponto de partida para um ataque. Portanto, eram bem preparadas. Aqui, destaca-se que nem mesmo as "portas do inferno", por mais fortes e preparadas que estejam, não prevalecerão sobre a Igreja.

"Eu te darei as chaves do reino dos céus..."

As chaves indicam poder, acesso às portas. Aqui, trata-se das chaves da Cidade de Deus, tantas outras vezes aludidas na Bíblia, como a chave da Casa de Davi, dos profetas...

"... e tudo que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos céus".

Os termos ligar/desligar (asar e shera ou hithir) são muito fortes no judaísmo, e fazem referência à autoridade para julgar, tomar decisões. A excomunhão aplicada por um rabino, por exemplo, é geralmente acompanhada do termo "desligar", no caso, desligando o dito herege da comunidade. No presente texto, os termos são usados por Cristo para delegar poderes a Pedro, necessários à condução da Igreja.

Esta Igreja continua até hoje, una e única (Mc 3, 25 ; Jo 10, 16 ; 17, 20-23 ; At 4, 32 ; I Cor 12, 12ss ; 14, 33 ; Ef 4, 3-6 ) e devidamente assistida pelo próprio Deus (Jo 14, 16-17 ; Mt 28,20).

A lista de sucessão papal (Pedro, Lino, Cleto... J. Paulo II) também mostra esta realidade.

Passemos agora a outro diálogo entre Jesus e Pedro:

Quando acabaram de comer, Jesus disse a Simão Pedro: "Simão filho de João, tu me amas mais do que estes? "Ele respondeu: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus disse: "Apascenta os meus cordeiros". 16 Jesus perguntou pela segunda vez: "Simão filho de João, tu me amas?" Pedro respondeu: "Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo". Jesus lhe disse: "Apascenta as minhas ovelhas".. 17 Pela terceira vez Jesus perguntou: "Simão filho de João, tu me amas?" Pedro ficou triste por lhe ter perguntado três vezes ?tu me amas?? e respondeu: "Senhor, tu sabes tudo, sabes que eu te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta as minhas ovelhas. (Jo 21,15-17)

De pescador, Pedro passa a pastor, mas este rebanho não pertence a Pedro. Jesus lhe diz: "Apascenta os meus cordeiros". Não é pelo fato de pastorear o rebanho que este pertence ao pastor. Pedro apenas recebe a autoridade de Jesus , e como tal, é um servidor do rebanho, da Igreja.

Um rebanho é composto por diversas ovelhas, mas constitui um só rebanho (variedade na unidade). A frente desse rebanho, Jesus estabeleceu São Pedro. Ser pastor só é concedido por Jesus ressuscitado. Ninguém pode apropriar-se da autoridade de apascentar o rebanho se Jesus Glorificado se Ele não lho conceder. Não depende da vontade humana, mas sim da escolha divina.

Um grande amor é a condição indispensável para apascentar o rebanho de Jesus. Se João é o "discípulo mais amado de Jesus", Pedro é o "discípulo que ama Jesus", como percebemos no diálogo. Pedro, o primeiro Papa, apesar de ter negado a Jesus três vezes, foi sempre um entusiasta por Cristo e por Sua missão.
Foi assim que aprendeu a servir e não a ser servido.

A Autoridade de Pedro logo se faz notar.

Depois de Pentecostes, foi São Pedro o primeiro a falar ao povo. Também foi ao Templo para rezar, e aí fez o milagre pela fé em Jesus ressuscitado às autoridades do Templo. Julgou a Ananias e Safira. Visitou as diversas comunidades e decidiu que a Igreja devia ocupar-se também dos gentios, recebendo os não-judeus.

É também a São Pedro que Jesus disse:

"Satanás vos procurou para vos peneirar como trigo. Mas eu orei por ti, para que tua fé não falhe; e tu, uma vez convertido, confirma os irmãos". (Lc 22, 31-32)

Eis, portanto, a missão do Papa e de toda a Igreja: confirmar os irmãos na fé. E quem é o nosso irmão? Quem é o nosso próximo? Todos. Pois, "nas fileiras do exército de Cristo, não há licenciados." (J. M. Pudajas.)

É preciso guardar o "bom depósito da fé" ( ITim 6,20 ; IITim 1, 14), permanecendo fiel a Igreja deixada por Cristo. Afinal, a fé em Cristo é uma só (Ef 4,3-6) e não há dois evangelhos (Gl 1, 6-9).

Por fim, deixemos algumas palavras do próprio São Pedro:

"Assim como houve entre o povo (de Israel) falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão seitas perniciosas. Renegando deste modo o Senhor, que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão em suas licenciosidades. Por sua causa o caminho da verdade será blasfemado." (II Pe 2, 1ss).

http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/841-jesus-cristo-e-a-sua-igreja

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A Igreja Católica foi fundada por Jesus Cristo

 

 

Os PROTESTANTES mentindo, perseguindo e seduzindo os católicos, dizem: “Jesus Cristo não fundou a Igreja Católica”.

Resposta aos PROTESTANTES:

 

Jesus Cristo, Nosso Salvador, fundou apenas uma Igreja, não várias, como é desejo dos hereges. Ele fundou a Igreja Católica Apostólica Romana: "Cabe ao Filho realizar, na plenitude dos tempos, o plano de salvação de seu Pai. Este é o motivo de sua missão. O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa Nova, isto é, o advento do Reino de Deus prometido nas Escrituras havia séculos" (Catecismo da Igreja Católica, 763).

Os pastores evangélicos, em geral, costumam apontar o dedo para o próprio peito dizendo serem eles a "pedra" sobre a qual Cristo Jesus fundou a Sua Igreja; outros bem mais "cultos" e "místicos", dizem que a "Igreja" está dentro do coração, e aquele que "aceitar" Jesus, pertence à Igreja de Nosso Senhor.

São Cipriano que não era herege, ambicioso nem enganador diz: "Cristo edifica a Igreja sobre Pedro. Encarrega-o de apascentar-lhe as ovelhas. A Pedro é entregue o primado para que seja uma Igreja e uma cátedra de Cristo. Quem abandona a cátedra de Pedro, sobre a qual foi fundada a Igreja, não pode pensar em pertencer à Igreja de Cristo" (De un. Eccl. cap. IV), e: "Pedro é o vértice, o chefe dos Apóstolos" (I Concílio de Nicéia).

Por mais que os hereges gritem, apontem o dedo e mentem, não dá para enganar o católico bem instruído; só escorregam em suas salivas, aqueles que se dizem católicos e vivem às margens da Igreja.

Quando Jesus Cristo diz: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei A MINHA IGREJA, e as portas do inferno não prevalecerão contra ELA” (Mt 16, 18), a que Igreja se refere? Não é ao Protestantismo ou qualquer igreja protestante em particular, porque as Igrejas protestantes só começaram a existir no século XVI.

Refere-se, sem dúvida alguma, à IGREJA CATÓLICA; é fácil demonstrá-lo.

Logo nos inícios da Igreja, os seguidores de Cristo foram designados com o nome de cristãos. Assim podiam distinguir-se dos filósofos pagãos e dos judeus ou seguidores da sinagoga. Este nome de cristãos como se sabe vem na própria Bíblia, e tal denominação começou em Antioquia: “Em Antioquia é que foram os discípulos denominados CRISTÃOS pela primeira vez” (At 11, 26), e: “Então Agripa disse a Paulo: Por pouco me não persuade a fazer-me CRISTÃO” (At 26, 28), e também: “Se padece como CRISTÃO, não se envergonhe; mas glorifique a Deus neste nome” (1Pd 4, 16).

Aconteceu, porém que, tão logo a Igreja começou a propagar-se, começaram a aparecer os hereges seguindo doutrinas diversas daquela que tinha sido recebida dos Apóstolos, tomando também o nome de cristãos, pois acreditavam em Jesus Cristo e d’Ele se diziam discípulos.

Era preciso, portanto, um novo nome para designar a verdadeira Igreja, distinguindo-a dos hereges. E desde tempos antiquíssimos, desde os tempos dos Apóstolos, a Igreja começou a ser designada como IGREJA CATÓLICA, isto é, UNIVERSAL, a Igreja que está espalhada por toda a parte, para diferençá-la dos hereges, pertencentes à igrejinhas isoladas que existiam aqui e acolá. Assim é que já Santo Inácio de Antioquia, - que foi contemporâneo dos Apóstolos, pois nasceu mais ou menos no ano 35 da era cristã e, segundo Eusébio de Cesaréia no seu Chrónicon, foi bispo de Antioquia, entre os anos 70 e 107 - nos fala abertamente da Igreja Católica na sua Epístola aos Esmirnenses: “Onde comparecer o Bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que, onde estiver Jesus Cristo, aí está a IGREJA CATÓLICA” (Epístola aos Esmirnenses c 8, 2).

Outro contemporâneo dos Apóstolos foi São Policarpo, bispo de Esmirna; nasceu no ano 69 e foi discípulo de São João Evangelista.

Quando São Policarpo recebeu a palma do martírio, a Igreja de Esmirna escreveu uma carta que é assim endereçada: “A Igreja de Deus que peregrina em Esmirna à Igreja de Deus que peregrina em Filomélio e a todas as paróquias da IGREJA SANTA E CATÓLICA em todo o mundo”. Nessa mesma Epístola se fala de uma oração feita por São Policarpo, na qual ele “fez menção de todos quantos em sua vida tiveram trato com ele, pequenos e grandes, ilustres e humildes, e especialmente de toda a IGREJA CATÓLICA, espalhada por toda a terra” (c. 8).

O Fragmento Muratoriano que é uma lista feita no segundo século, dos livros do Cânon do Novo Testamento, fala em livros apócrifos que “não podem ser recebidos na IGREJA CATÓLICA”.

São Clemente de Alexandria (também do século segundo) responde à objeção dos infiéis que perguntam: “Como se pode crer se há tanta divergência de heresias? A própria verdade nos distrai e cansa, porque outras pessoas estabelecem vários dogmas.”

Depois de mostrar vários sinais pelos quais se distingue a verdadeira Igreja das heresias, assim conclui São Clemente: “Não só pela essência, mas também pela opinião, pelo princípio, pela excelência, só há uma Igreja antiga e é a IGREJA CATÓLICA. Das heresias, umas se chamam pelo nome de um homem, como as que são  chamadas por Valentino, Marcião e Basílides; outras, pelo lugar donde vieram, como os Peráticos; outras do povo, como a heresia dos Frígios; outras, de alguma operação, como os Encratistas; outras, de seus próprios ensinos, como os Docetas e Hematistas". (Stromata 1.7. c. 15). O mesmo argumento podemos formular hoje. Há uma só Igreja que vem do princípio: é a IGREJA CATÓLICA. As seitas protestantes, umas são chamadas pelos nomes dos homens que as fundaram, ou cujas opiniões seguem, como: Luteranos (de Lutero), Calvinistas (de Calvino), Zuinglianos (de Zuínglio), etc.

Outras, do lugar donde vieram: Igreja Livre Evangélica Sueca, Irmão de Plymouth;

Outras, de um povo: Anglicanos (da Inglaterra), Irmãos Moravos (da Morávia);

No século III, Firmiliano, bispo de Capadócia, diz assim: “Há uma só esposa de Cristo que é a IGREJA CATÓLICA” (Ep. De Firmiliano nº 14).

Na história do martírio de São Piônio (morto em 251) se lê que Polemon o interroga:

— Como és chamado?

— Cristão.

— De que igreja?

— Católica (Ruinart. Acta martyrum pág. 122 nº 9).

São Frutuoso, martirizado no ano 259, diz: “É necessário que eu tenha em mente a IGREJA CATÓLICA, difundida desde o Oriente até o Ocidente” (Ruinart. Acta martyrum pág 192 nº 3).

Lactâncio, convertido ao cristianismo no ano 300, diz: “Só a IGREJA CATÓLICA é que conserva o verdadeiro culto. Esta é a fonte da verdade; este o domicílio da fé, o templo de Deus, no qual se alguém não entrar, do qual se alguém sair, está privado da esperança de vida e salvação eterna” (Livro 4º cap. III).

São Paciano de Barcelona (morto no ano 392) escreve na epístola a Simprônio: “Como, depois dos Apóstolos, apareceram as heresias e com nomes diversos procuraram cindir e dilacerar em partes aquela que é a rainha, a pomba de Deus, não exigia um sobrenome o povo apostólico, para que se distinguisse a unidade do povo que não se corrompeu pelo erro?... Portanto, entrando por acaso hoje numa cidade populosa e encontrando marcionistas, apolinarianos, catafrígios, novacianos e outros deste gênero, que se chamam cristãos, com que sobrenome eu reconheceria a congregação de meu povo, se não se chamasse CATÓLICA?” (Epístola a Simprônio nº 3). E mais adiante, na mesma epístola: “Cristão é o meu nome; CATÓLICO, o sobrenome” (idem nº 4).

São Cirilo de Jerusalém (do mesmo século IV) assim instruiu os catecúmenos “Se algum dia peregrinares pelas cidades, não indagues simplesmente onde está a casa do Senhor, porque também as seitas dos ímpios e as heresias querem coonestar (dar aparência de honesta) com o nome de casa do Senhor às suas espeluncas; nem perguntes simplesmente onde está a igreja, mas onde está a IGREJA CATÓLICA; este é o NOME PRÓPRIO desta SANTA MÃE de todos nós, que é também a ESPOSA de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO” (Instrução Catequética c. 18; nº 26).

Santo Agostinho (do século V) dizia: “Deve ser seguida por nós aquela religião cristã, a comunhão daquela Igreja que é a CATÓLICA, e CATÓLICA é chamada não só pelos seus, mas também por todos os seus inimigos” (Verdadeira religião c 7; nº 12).

E quando o Concílio de Constantinopla, no ano de 381, colocou no seu Símbolo estas palavras: “Cremos na Igreja Una, Santa, CATÓLICA e Apostólica”, isto não constituía novidade alguma, pois já desde tempo antiquíssimo se vinha recitando no Credo ou Símbolo dos Apóstolos: creio na Santa Igreja CATÓLICA.

Vemos, portanto, na história do Cristianismo, o CONTRASTE EVIDENTE entre aquela Igreja que veio desde o princípio e logo se espalhou por toda a parte: "Ide, pois, e ensinai todas as gentes" (Mt 28, 19), e que desde o começo foi chamada CATÓLICA, segundo o que acabamos de demonstrar, e as heresias que foram aparecendo no decorrer dos séculos, discordando deste ou daquele ponto, inventadas por um homem qualquer, mas todas vencidas pela Igreja, pois ou desapareceram por completo ou ficaram reduzidas em número de adeptos que logo mergulharam no esquecimento.

Chega esta Igreja ao século XVI. Aparece então Martinho Lutero (monge católico: beberrão, mulherengo, revoltado e caluniador), pretendendo afirmar que esta Igreja está completamente afogada no erro e é preciso fazer uma reforma doutrinária.

Queremos aqui fazer apenas uma pergunta ao “inspirado” e “esclarecido” Lutero: “Como é que Cristo deixou durante tantos séculos a sua Igreja mergulhada completamente no erro, e só no século XVI fez aparecer os 'inspirados' e 'esclarecidos' doutrinários da verdade? Onde está a Providência Divina com relação à obra de Deus que é a sua Igreja?”

Se tal desastre se tivesse verificado, então teria falhado completamente a promessa de Cristo: “E as portas do inferno não prevalecerão CONTRA ELA” (Mt 16, 18).

Foi uma VERDADEIRA DESGRAÇA o que fez Martinho Lutero. O seu amigo Melanchton escreve: “Nem toda a água do rio Elba daria lágrimas bastante para chorar a desgraça da Reforma”.

Católico, tampe os ouvidos diante dos uivos dos lobos que trabalham furiosamente para arrancar-te do seio da Verdadeira Igreja, não lhes dê ouvidos, mas lembre-se com frequência de que Cristo Jesus é o Santo Fundador da Única Igreja, e por mais que lancem pedras sobre ela, jamais a destruirão: "Cristo é o único Senhor da Igreja. Ela lhe pertence, pois é ele quem a edifica. É Pedro, porém, quem lhe guarda as chaves para abrir, fechar, cerrar e excluir. Inimigos ardilosos que a não conseguiram suplantar em campo aberto, tentarão introduzir-se disfarçadamente em seu seio, procurando combatê-la e destruí-la pelo interno" (Alfred Barth, Enciclopédia Catequética, Vol. II).

Católico, AME, SIRVA e DEFENDA a Igreja Católica... Cristo Jesus deu a vida por ela: "Com a vitória da cruz, ele adquiriu para si o poder e o domínio sobre todas as gentes" (Santo Tomás de Aquino, Summa Theol., III, 42, 1), e: "Aquele que, feito homem, se tornara cabeça e senhor da humanidade, ora resgatou seu povo com seu Sangue, libertou-o, remiu-o e o fez seu. O véu do templo - a antiga aliança - rasgou-se" (Leão I, Serm., 68, 3), e também: "Amem esta Igreja, sejam essa Igreja, fiquem na Igreja! E amem o Esposo!" (Santo Agostinho).

 

 

Martinho Lutero: Pai dos Protestantes

 

Dizia Martinho Lutero: “Só há uma maneira desse ‘povinho’ fazer sua obrigação. É constrangendo-o pela lei e pela espada, prendendo-o em cadeias e gaiolas, da mesma forma como se faz com bestas selvagens... melhor a morte de todos os camponeses do que a morte dos príncipes... estrangulem os rebeldes como fariam com cães raivosos” (Discurso aos príncipes alemães para reprimir a revolta camponesa).

 

 

  • 1998 - Mundial do Poder de Deus - Valdemiro Santiago - Brasil

  • 1980 - Internacional da Graça de Deus - RR Soares - Brasil

  • 1977 - Universal do Reino de Deus - Edir Macedo - Brasil

  • 1962 - Deus é Amor - Davi Miranda - Brasil

  • 1914 - Pentecostal - Vários Ministros - EUA

  • 1874 - Testemunhas de Jeová - Charles Russel - EUA

  • 1848 - Espiritismo - Irmãs Fox - EUA

  • 1831 - Mórmons - José Smith - EUA

  • 1831 - Adventista - Willian Miller - EUA

  • 1738 - Metodista - John Wesley - Inglaterra

  • 1611 - Batista - John Smith - Inglaterra

  • 1580 - Congregacional - Robert Browne - Inglaterra

  • 1560 - Presbiteriana - John Knox - Escócia

  • 1534 - Episcopal - Henrique VIII - Inglaterra

  • 1517 - Luterana - Martinho Lutero - Alemanha

IGREJA CATÓLICA, fundada por Jesus Cristo em Jerusalém, no ano 30. “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18).

http://www.filhosdapaixao.org.br/protestantes/desmascarando_os_protestantes/004_igreja_catolica/001_igreja_catolica.htm

 

 

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A única Igreja que vem do tempo dos Apóstolos é a Igreja Católica

 

 

Os PROTESTANTES mentindo, perseguindo e seduzindo os católicos, dizem: “A Igreja Católica não vem do tempo dos Apóstolos”.

Resposta aos PROTESTANTES:

 

Jesus Cristo FUNDOU UMA IGREJA e prometeu que ela JAMAIS seria dominada pelo ERRO: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei A MINHA IGREJA, e AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA” (Mt 16, 18). Esta Igreja não pode errar, porque é a “COLUNA E FIRMAMENTO DA VERDADE” (1 Tm 3, 15). Tem a ampará-la sempre a assistência divina: “Estai certos de que eu estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt 28, 20).

Esta Igreja de Jesus Cristo foi fundada à base de poderes especiais concedidos aos Apóstolos, os ÚNICOS que Nosso Senhor enviou para governá-la e propagá-la pelo mundo, pregando e administrando os sacramentos. Estes Apóstolos escolheram homens a quem pela imposição das mãos transmitiram seus poderes e logo se estabeleceu a hierarquia: APÓSTOLOS, PRESBÍTEROS e DIÁCONOS e, depois da morte dos Apóstolos: BISPOS, PRESBÍTEROS e DIÁCONOS.

Portanto, a IGREJA VERDADEIRA de Jesus Cristo tem necessariamente que VIR DO TEMPO DOS APÓSTOLOS, porque só assim é que pode ser DETENTORA dos PODERES CONFERIDOS por Cristo.* Organizando a IGREJA desta maneira, o Divino mestre fechou inteiramente o caminho para os HEREGES que haviam  de aparecer, inúmeros, em toda a história da Igreja, os quais haviam de apoderar-se da Bíblia, dando-lhes a interpretação que bem lhes parecesse e gritando aos quatro ventos: Eis aqui a Igreja verdadeira de Jesus Cristo! – Lançando no seio do povo cristão uma confusão tremenda, porque os outros HEREGES, seus adversários, também não deixariam de dizer o mesmo.

Ora, a ÚNICA IGREJA que VEM do TEMPO dos Apóstolos é a IGREJA CATÓLICA, porque como JÁ PROVAMOS, desde o tempo dos Apóstolos a Igreja de Jesus Cristo tem sido denominada a IGREJA CATÓLICA e a sua doutrina tem sido conservada invariável através dos séculos. Logo, a ÚNICA IGREJA de Jesus Cristo é a IGREJA CATÓLICA.

São Clemente Romano que morreu no ano 102 escreve: “A Igreja de Deus que peregrina em Roma, à Igreja de Deus que peregrina em Corinto...”

Santo Epifânio que morreu no ano 403 escreve: “Há um ‘caminho real’, que é a Igreja Católica, e uma só senda da verdade. Toda heresia, pelo contrário, tendo deixado uma vez o caminho real, desviando-se para a direita ou à esquerda, e abandonada a si mesma por algum tempo, cada vez mais se afunda em erros. Em todas elas notamos que a arrogância do erro perdeu a medida. Eia, pois, servos de Deus e filhos da Igreja santa de Deus, que conheceis a regra segura da fé, não deixeis que vozes estranhas vos apartem dela nem que vos confundam as pretensões das erroneamente chamadas ciências (gnoses). Pois os caminhos de seus representantes são desagregadores e sua falsa ciência é precipício. Vangloriam-se de saber coisas grandes, mas na verdade não conhecem realmente sequer as pequenas. Pregam liberdade, enquanto eles próprios permanecem escravos do pecado”.

 

* Interessados, como é natural, em destruir esta ideia de transmissão de poderes por sucessão apostólica, os protestantes começam a imaginar perigos de interromper-se esta sucessão e querem com isto impressionar os católicos. Mas se esquecem de uma coisa muito importante. Até o século XV, em que foi descoberta a imprensa, a Bíblia era copiada À MÃO. Desde o tempo em que o Pentateuco foi escrito até os dias de hoje, a Sagrada Escritura nos tem sido transmitida por uma sucessão de... copistas, até o século XV, de... tipógrafos daí para cá. O que nós chamamos, por exemplo, o texto original grego do Novo Testamento é fruto de uma exaustiva e paciente comparação de vários códices que têm pequenas diferenças, escolhendo-se ali a versão mais provável. Mas vai-se desprezar a Bíblia por causa disto?Não. Deus vela especialmente pela Sagrada Escritura, fazendo com que nela não se introduza erro substancial. Com a mesma solicitude vela também Jesus Cristo sobre a Igreja, que é igualmente obra de Deus e o Divino Mestre especialmente prometeu a ela a sua assistência. Essas dúvidas importunas revelam apenas falta de fé na ação contínua da Divina Providência. E uma grave injúria fazem os protestantes a Nosso Senhor Jesus Cristo, imaginando-O capaz de faltar com a sua palavra.

A grande maioria dos protestantes, porém, não se conformam com este reconhecimento de que seja legítima a Igreja Católica. E como sabem muito bem que as suas Igrejas não vêm absolutamente do tempo dos Apóstolos, afirmam que basta que a Igreja tenha a mesma doutrina de Cristo e dos Apóstolos para ser a Igreja Verdadeira, não precisa remover aos tempos apostólicos. Para isto então precisam provar que Cristo NÃO DEU AOS APÓSTOLOS PODERES ESPIRITUAIS SOBRE SEUS SEMELHANTES, NEM SOBRE O CORPO DE CRISTO, OU REAL NA EUCARISTIA, OU MÍSTICO, ISTO É, A SUA IGREJA.

http://www.filhosdapaixao.org.br/protestantes/desmascarando_os_protestantes/004_igreja_catolica/004_igreja_catolica.htm

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Catolicismo e Protestantismo

 
[Parte 1]
 
I) Foi a Igreja católica fundada por Cristo? É necessário ser católico para se salvar? Não basta “aceitar Jesus”, obedecer a Deus e fazer o que a Bíblia manda? É necessário ser de alguma Igreja para ser de Deus?
 
A Igreja católica apostólica romana foi fundada por Cristo na pessoa de Pedro, Chefe dos apóstolos. Cristo é o soberano da Igreja toda, mas deu esta responsabilidade a Pedro para que ele assumisse o governo da Igreja como seu representante na Terra, pois Cristo voltaria aos céus depois de cumprir sua missão. Jesus criou a hierarquia para que ela regesse o rebanho dos eleitos e encaminhasse todas as almas para a salvação. Jesus deu a Pedro a soberania sobre toda a Igreja, para que todos fossem submissos a uma só voz, pois haverá um só rebanho e um só pastor (Jo X, 16).
 
Se não houvesse uma Igreja, qualquer homem se daria o direito de dizer o que bem entendesse sobre Cristo, e a dúvida e a incerteza se instauraria. Ninguém saberia quem estava dizendo a verdade, e a Bíblia poderia ser facilmente falsificada. Qualquer um se daria o direito de dizer quais os livros verdadeiramente inspirados. Não haveria certeza da verdade. Mas, na presença de um grupo sacerdotal constituído, divinamente formado e guiado pelo Espírito Santo, se ensina com toda a certeza a Verdade, se combate todos os erros e se dilata sobre o mundo a mesma e única Fé. Ninguém pode se dar ao direito de anunciar o Evangelho como Ministro de Cristo, “pois ninguém pode dar testemunho de si mesmo” (Jo V, 31). O Ministério da Igreja vem de Deus, pois é Ele quem dá o Espírito Santo e autoridade para ensinar.
 
Para provar que a Igreja católica foi fundada por Cristo, faremos uma análise detalhada e separada de cada fato, à luz da Fé e da razão, procurando ver o motivo de todas as verdades encerradas na Bíblia.
 
1) Desigualdade dos homens
 
O mundo moderno considera a igualdade dos homens como um bem a ser alcançado. Ninguém tolera nenhum tipo de desigualdade. Na verdade, todas as sociedades sempre foram desiguais, porque é um fator natural e consequente da organização dos homens. Toda a sociedade será composta dos que trabalham, dos que lutam e defende o patrimônio adquirido, e pelos que governam, para que a razão fique acima da força física dos que lutam. Até mesmo na Rússia comunista era assim, pois havia o proletariado, o exército, e o partido comunista enquanto força governante. Até mesmo, portanto, no comunismo, havia desigualdade.
 
E isso acontece porque a desigualdade é um bem, já que permite uma multiplicidade de atividades, dons e exercícios. Num mundo desigual, a diferença entre os homens permite a existência de ordem. Diz a Escritura que Deus criou tudo com peso, número e medida. Isto quer dizer que Deus criou tudo com proporção, com diferenças, o que permite a ordem.
 
Quando o Gênesis narra a criação do mundo, completava dizendo: “E viu Deus que era bom”. Todas as coisas que Deus criou, viu Deus que era bom. Mas, ao analisar o conjunto da criação, diz a Escritura: “E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom”. (Gn I, 31). Ora, a soma de partes de mesma natureza só pode dar o todo de natureza igual; mas no dizer da Bíblia, a soma de cada coisa boa gerou um resultado muito bom.
 
Santo Tomás de Aquino, ao explicar essa passagem, assim diz: Deus, ao contemplar cada coisa, viu a bondade de cada ser unicamente. Deus viu a bondade de cada ser isoladamente. Mas, ao analisar o conjunto, ele viu que era muito bom porque, junto a todos os seres estava a ordem que havia entre eles. Não era um conjunto caótico, sem harmonia. Era uma criação perfeita e ordenada. Ao analisar o conjunto, viu Deus também a hierarquia que havia entre os seres, e por isso a criação não só “boa”, mas muito boa.
 
Todas as coisas são desiguais para que haja ordem. Num piano, as teclas produzem sons diferentes, para que haja música. Se todas as teclas fossem iguais, não haveria harmonia; somente o repetir monótono de um mesmo som. Nos elementos da natureza, é possível organizar até mesmo uma “Tabela Periódica”, que dispõe todos os elementos ordenadamente, demonstrando que o universo é formado da desigualdade. Se escrevêssemos o nome de uma pessoa repetidamente, não haveria como pôr em ordem alfabética, já que todos os nomes são iguais. Só haveria ordem se fossem diferentes.
 
É a desigualdade que produz beleza, ordem e harmonia do universo. Deus não quer os homens iguais; mas os quer semelhantes. Deus não criou os homens robóticos, para que todos fossem absolutamente iguais; mas os criou diferentes, para que cada um fosse aquilo que deveria ser.
 
No entanto, a desigualdade produzida pelo capitalismo selvagem não reflete a ordem de Deus. O capitalismo faz com que pouquíssimos tenham uma vida confortável enquanto uma multidão passa fome e vive na miséria. Toda a desigualdade deve ser proporcional; deve ser feita como uma escada. Ora, não se sobe numa escada que tenha os degraus muito longe uns dos outros, porque é desproporcional. A desigualdade econômica do capitalismo é fruto dos seus erros, e não deve ser aceitada. Para um Bem, existem dois erros opostos: o excesso e a falta. O excesso de desigualdade produz um vão na sociedade; mas a igualdade absoluta deixa atrofiada a economia e tende à autodestruição.
 
Na Escritura, vemos muitos exemplos de desigualdade. Em primeiro lugar, na criação de Deus. Os seres são classificados ordenadamente em minerais, vegetais, animais e o homem, coroando a criação como ser mais perfeito—abaixo dos anjos. Na própria pessoa humana, existe hierarquia: a mulher foi feita do homem, e portanto, é submissa a ele.
 
Dentre os próprios homens existe desigualdade. Os homens não são iguais nem em virtude, nem em mérito. Portanto, alguns merecem mais dons do que os outros; merecem mais honras do que os outros. A uns é dado fazer cidades, e a outros é dado governá-las. Noé, por exemplo, foi escolhido por Deus para construir a arca que o salvaria e à sua família. Ele era o mais fiel dos homens de sua época. A Abraão foi prometido o povo que seria escolhido de Deus. De sua descendência viria a salvação. A Maria foi dada a graça de conceber a Cristo, e a mais ninguém. De uma Virgem humilde e fiel a Deus saiu a salvação do mundo. Por isso dizia um canto gregoriano:
 
Virgo Dei Genitrix,
Quem totus orbis non capit
In tua se clausit
Viscera factus homo
 
[Virgem Mãe de Deus, o Deus que nem o mundo todo contém, em ti ele se encerrou, e ao encarnar-se, fez-se homem].
 
E com Jesus, uma multidão se ajuntou. Dessa multidão, apenas 72 foram considerados discípulos. Os apóstolos, porém, foram só 12. E desses 12, um era o “discípulo amado”. Assim como Jacó que, ao ter 12 filhos, amava mais a José.
 
E se Deus criou o mundo com número, peso e medida, é porque o mundo é feito de matéria, e a matéria tem como característica a quantidade. É pela quantidade de algum atributo que se diferencia os seres também. O peso, a altura, a coloração, a sonoridade, a largura, etc., tudo isto também serve para tornar os seres desiguais.
 
E para que não haja nehuma dúvida quanto à nossa argumentação, citaremos textualmente a Bíblia: “porque ele [Deus] criou tanto o pequeno como o grande” (Sab VI, 7); “Bem e mal, vida e morte, pobreza e riqueza, tudo provém do Senhor”. (Eclo XI, 14); “Rico e pobre se encontram, foi Deus quem fez os dois” (Pr XXII, 2); e ao contar uma parábola, Cristo assim narra “[O Reino dos céus] acontecerá como um homem que ia viajar para o estrangeiro. Chamando seus empregados, entregou seus bens a eles. A um deu cinco talentos, a outros dois, e um ao terceiro: a cada um de acordo com a própria capacidade” (Mt XV, 14-15); “Existem dons diferentes, mas o Espírito é o mesmo; diferentes serviços, mas o Senhor é o mesmo; diferentes modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos” (I Cor XII, 4-6); “De fato, o corpo é um só, mas tem muitos membros; e no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. (...) Deus é quem dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade. Se o conjunto fosse um só membro, onde estaria o corpo? Há, portanto, muitos membros, mas um só corpo” (I Cor XII, 12; 18-20); “E a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo” (Ef III, 17).
 
Ora, se Deus criou tudo com desigualdade, gerando harmonia, ordem e beleza, seria então natural pensarmos que, no governo das coisas de Deus existirão aqueles que governam e aqueles que são governados, os que ensinam e os que são ensinados. Existiria um corpo docente, e um discente. Fica então óbvia a existência da hierarquia da Igreja.
 
Se na ordem natural das coisas existe hierarquia para as mais baixas funções, por que para as coisas de Deus, que são mais nobres, não haveria hierarquia? Uma empresa ou fábrica só funciona bem se cada um ocupar a sua função, da mais baixa até a mais alta, para que gere ordem e produza. Nas coisas de Deus também deve haver hierarquia: os que governam e os que são governados, os que ensinam e os que são ensinados. Nem todos podem se aproximar de Deus da mesma forma. Deve haver uma hierarquia, para que todos possam se aproximar de Deus seguramente, ouvindo o ensinamento da hierarquia, e aceitando o que se ordena do alto para o mais baixo.
 
Do mesmo modo, Deus escolheu alguns—e não todos—para serem seus profetas, apóstolos, discípulos, missionários, pastores, etc. Escolheu a Abraão—e só a Abraão—para que da descendência dele saíssem o Messias. Abraão era maior que os demais homens, porque Deus fez dele um escolhido. É da hierarquia que surge a ordem de Deus. “Ora, vocês são o Corpo de Cristo e são membros dele, cada um no seu lugar. Aquele que Deus estabeleceu na Igreja são, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres...A seguir vem o dos dos milagres e das curas, da assistência, da direção e o dom de falar em línguas. Por acaso, são todos apóstolos? Todos profetas? Todos mestres? Todos realizam milagres? Têm todos o dom de curar? Todos falam línguas? Aspirem os dons mais altos” (I Cor XII, 27-31). Duas coisas importantes podem ser percebidas neste trecho: em primeiro lugar, Paulo classifica os dons da hierarquia como mais elevados, já que, depois de descrever os dons do ensino da Palavra, começa a descrever os dons de cura. Em segundo lugar, ele diz “aspirem os dons mais altos”, o que significa que nem todos os dons são iguais, mas existem aqueles que são melhores do que os outros. Mais uma prova da hierarquia na Igreja.
 
Se cada um desse a si mesmo o direito de anunciar o Evangelho, qual Evangelho deveria ser ouvido? A possibilidade de se falsificar a Palavra de Deus seria muito grande. Cada um escolheria, a seu bel-prazer, quais livros eram inspirados, e se multiplicariam o número de Bíblias. Ninguém saberia qual Evangelho dever-se-ia ouvir. Cada um pregaria a Palavra de Deus conforme a sua vontade, já que Deus não deixou nenhum corpo docente para ensinar um ensino infalível. Se não houvesse uma instituição criada por Cristo, qualquer homem poderia dizer ser inspirado e autorizado por Deus, e muitos seriam os falsos profetas. É pela hierarquia da Igreja que temos a segurança de que a Verdade anunciada não é falsa, pois se Cristo criou a Igreja, Ele não vai permitir que a mentira seja por ela ensinada. O ensinamento da Igreja seria infalível—apesar dos homens da Igreja poderem falhar, já que são pecadores—, e todos teriam a garantia e a certeza da Verdade. Foi por isso que Cristo criou a hierarquia: para que ninguém fizesse juízo próprio das coisas de Deus, para que a Verdade fosse anunciada e crida com toda a certeza e para que ficasse claro de que o Evangelho anunciado procede de Deus, e não do homem: “Quem vem das alturas certamente está acima de todos; quem vem da terra é terreno e fala da terra; quem veio do céu esta acima de todos”. (Lc XXIV, 49). Ora, a não ser Cristo, todos os homens são da terra e falam da terra; portanto, nenhum pode a si mesmo dar o direito de ser Ministro da Igreja de Cristo. Somente aos apóstolos Cristo deu esta autoridade e aos seus 72 discípulos, pois Cristo veio do alto, dando testemunho do seu Pai, mas transmitiu aos seus escolhidos a autoridade e a capacidade de se anunciar o Evangelho, pois “àqueles a quem muito for dado, muito lhes será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lc XII, 48)
 
 
2) A autoridade vem de Cristo
 
Mas se para ensinar o Evangelho deve-se pertencer a um Corpo docente, isto é, a uma hierarquia de homens que se dediquem ao Evangelho, bastaria que cada um que tivesse essa vocação passasse a servir à Igreja de Deus por livre e espontânea vontade.
 
Na verdade, não basta a boa vontade; é necessário que se receba este dom de Cristo. O dom é um privilégio transmitido por Deus, que não pode ser ensinado e nem adquirido com a experiência. O dom é doado por Deus exclusivamente. Ninguém tem o dom por si mesmo. Este dom não cai do céu, mas é dado por Deus.
 
A hierarquia na Igreja é uma realidade. Um corpo de homens que ensinam a Fé infalível e que receberam do Espírito Santo o direito de anunciarem legitimamente o Evangelho. Isto não impede que cada um anuncie o Evangelho em particular; mas somente a hierarquia tem isto como direito e deve ser ouvida em primeira instância. Mesmo que os homens da Igreja falhem, o ensinamento é infalível. Para fazermos uma comparação, usaremos da profissão policial. A Lei é para todos e todos devem cumpri-la e ensiná-la aos mais jovens. Porém, somente os policiais têm isto como autoridade: o direito de defender a Lei e de ensiná-la legitimamente. Isto não impede que um cidadão comum perceba quando algo é crime. Mas somente o policial terá o direito de prender o sujeito que cometeu um crime. O fato de haver Lei não faz da profissão policial desnecessária. Bem pelo contrário: se existe Lei, é absolutamente necessário que haja um corpo que faça essa Lei funcionar corretamente, evitando abusos e adulterações. Mas nem todos os policiais são honestos, e alguns caem no mesmo erro que deveriam combater. O fato de haver algum policial criminoso não faz da Lei criminosa ou o corpo policial todo malfeitor. Pelo contrário: a profissão policial continua existindo e continua sendo necessária, mesmo que haja um defeito em um de seus membros. Se há Lei, é preciso que algum grupo seja responsável por ela. E se na Lei dos homens existe um corpo constituído para executá-la e instaurar a ordem, assim também na Lei de Deus, a mais alta de todas as leis, também deve ter um corpo divinamente fundado para guiar os homens na verdade: o clero.
 
Do mesmo modo, todos nós podemos anunciar o Evangelho, mas isto cabe em primeira instância ao clero. Mesmo que haja um membro do clero que aceita um erro, isto não faz da Lei de Deus errada, e nem elimina a necessidade de se ter uma hierarquia que ensine o certo. Pelo contrário: mais necessária é a hierarquia quando um de seus membros comete erro, pois só a hierarquia pode puni-lo correta e justamente.
 
Assim como nenhum civil pode prender, em nome da Lei, um criminoso, julgando por si mesmo estar executando a Lei, do mesmo modo ninguém pode se dar ao direito de anunciar o Evangelho de Cristo, acreditando estar fazendo um bem, o que nem sempre será. Todos podem anunciar o Evangelho, mas somente o clero o faz enquanto ministério, cargo, tendo o direito divino de fazê-lo. Os fiéis comuns anunciam o Evangelho por amor a Deus, mas não têm a autoridade divina. E é esta autoridade que garante a execução da Lei de Deus, pois há um corpo—o clero—que o faz.
 
Mesmo um homem querendo servir a Deus, ele não poderá fazê-lo por conta própria. É preciso receber da autoridade de Cristo, que é um dom, algo que não se ensina e nem se aprende por experiência. Jesus deu a sua autoridade aos apóstolos, e os apóstolos a transmitiram a outros, e essa sucessão ininterrupta continua até hoje, pois Deus guia a Igreja e não permite que ela acabe, já que a criou para anunciar a Verdade. A autoridade que Cristo conferiu aos apóstolos os apóstolos conferiram a outros. E até hoje podemos dizer que os Padres e Bispos da Igreja são ordenados conforme a autoridade que Cristo conferiu primeiramente.
 
Mas não basta apenas provar com argumentos racionais. Por mais justos que os argumentos sejam, devemos demonstrar na Bíblia a sua veracidade, para que não sobre nenhuma dúvida e para que se fique mais claro ainda. A razão do homem pode falhar, mas o juízo de Deus, não.
 
Cristo recebeu toda a autoridade do Pai para expulsar demônios, perdoar os pecados e anunciar a Boa Nova. Esta mesma autoridade ele conferiu aos apóstolos: “Não havendo sábia direção cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança” (Pr XI, 14); “Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir, e para curar toda sorte de doenças e enfermidades” (Mt X, 1); “Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios, de graça recebestes, de graça dai” (Mt X, 8); “quem vos recebe, a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (Mt X, 40); “Em verdade, em verdade vos digo: Quem recebe aquele que eu enviar, a mim me recebe” (Jo XIII, 20); “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Rom XIII, 1); “Entretanto vos escrevi em parte mais ousadamente, como para vos trazer isto de novo à memória, por causa da graça que me foi outorgada por Deus, para que eu seja ministro de Cristo Jesus entre os gentios, no sagrado encargo de anunciar o evangelho de Deus (...)” (Rom XV, 15-16); “Por esta causa eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios, se é que tendes ouvido a respeito da dispensação da graça de Deus a mim confiada para vós outros” (Ef III, 1-2).
 
Quando Jesus fez milagres, os fariseus perguntaram: “com que autoridade fazes estas cousas? Ou quem te deu tal autoridade para as fazeres?” (Mc XI, 28). Ora, nenhuma autoridade parte de si mesmo, mas de outro que a outorga, como o próprio Paulo disse em uma passagem já mencionada. Portanto, esta autoridade para cuidar das coisas de Deus vem de Cristo, e ele transmitiu aos apóstolos. A ninguém é dado o direito de se considerar apóstolo, pastor ou mestre da Palavra de Deus por conta própria. Deve ter recebido, em primeiro lugar, o dom que Cristo transmitiu aos apóstolos. Se esse dom foi dado pessoalmente aos apóstolos, estes, por sua vez, têm a autoridade divinamente recebida para transmiti-la a seus sucessores. Foram os apóstolos que ordenaram outros, ininterruptamente. É por meio das mãos consagradas dos apóstolos que Cristo mantém vivo o magistério da sua Igreja. Ninguém pode dizer que recebeu este dom de Deus diretamente, sem a mediação dos apóstolos, pois é muito fácil mentir e enganar neste aspecto. Se assim fosse, qualquer um poderia se dizer enviado direto de Deus, e os falsos profetas se multiplicariam. Somente a garantia de ter recebido o dom de Deus pelos apóstolos nos livra de cair em engano. Se cada um que quisesse ser apóstolo o fosse por conta própria, só saberíamos se alguém está falando a verdade fazendo juízo sobre isso. Cairíamos então no juízo pessoal: cada pessoa aceitaria um ensinamento quando lhe era mais conveniente. Ouviriam um “apóstolo” ao invés de outro quando lhe fosse pertinente. Mas, havendo uma Igreja divinamente fundada e uma hierarquia—que nos tira todas as dúvidas do ensino da verdade—, a todos é dado conhecer o ensino de Deus. Tendo a segurança de que o Espírito Santo guia a Igreja, jamais seríamos enganados por falsos profetas, que geralmente se afastam da Igreja quando querem ensinar em voz alta as suas mentiras.
 
Para servir o ministério de Cristo, o homem deve procurar ser semelhante a Ele em tudo. Deve imitar todas as virtudes de Cristo. Não que o homem queira ser Cristo, o que é impossível a todos. Mas sim, quer ter a Cristo, e só poderá ter Cristo imitando a sua Pessoa. Imita-se o bom exemplo de Cristo, pois ele disse “aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. E é por isso que Jesus disse: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lc XIV, 33). Jesus quer que aqueles que o seguem mais de perto estejam desimpedidos e totalmente entregues à sua causa. Por isso a palavra “clero” quer dizer “separado”: os que se separam do povo para servir ao Altar de Deus. É pelos apóstolos que a Verdade é ensinada ordinariamente, “asseguro-vos que, se eles [os apóstolos] se calarem, as próprias pedras clamarão” (Lc XIX, 40); por isso disseram os mesmos apóstolos: “pois nós não podemos deixar de falar das cousas que vimos e ouvimos” (Atos IV, 20). Veja a importância do ministério dos apóstolos. Se eles se calarem, as pedras falarão. Se o meio que Deus escolheu para que a Verdade fosse anunciada falhar, Deus vai prover um meio extraordinário, fazendo um milagre. Se a Igreja se calar, até as pedras falarão. Não falará qualquer um. Serão as pedras que falarão. Aí vemos a fundamental importância do meio que Jesus escolheu para ensinar seu povo.
 
Os apóstolos foram investidos de autoridade para falar das coisas do Alto. Cristo tinha autoridade sobre tudo na terra, mas ao subir aos céus, deixou o governo das suas ovelhas aos apóstolos, para que as ovelhas não ficassem sem ver o seu pastor. Quando uma autoridade guia uma ovelha para o bom caminho, é Cristo quem guia naquela pessoa.
 
Assim também disse Cristo: “ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar os pecados” (Mt IX, 6). Essa mesma autoridade ele transmitiu aos apóstolos: “Toda a autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra. Portanto, vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês. Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo” (Mt XVIII, 18-20). Cristo não disse que tinha autoridade só por dizer. Se o fez, foi para que os apóstolos soubessem de que estavam recebendo autoridade de Cristo porque o próprio Cristo tinha autoridade. Por isso está escrito: “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E havendo dito isto, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Se de alguns perdoardes o pecado, são-lhes perdoados, se lhes retiverdes, são retidos” (Jo XX, 21-23).
 
Cristo tinha na terra poder para perdoar os pecados. Mas Cristo voltou aos céus, e deu este poder aos apóstolos. Se os apóstolos perdoarem os pecados dos outros, eles lhes serão perdoados; se não lhes perdoarem, eles não lhes serão perdoados. O que Cristo fazia na terra deu autoridade para que os apóstolos também o fizessem.
 
Ademais, ele disse: “eis que eu estarei com vocês, todos os dias, até o fim do mundo”. Ora, os apóstolos já morreram, isto é evidente. Com quem Cristo estaria, então, se os apóstolos já morreram? Só pode ser com os sucessores dos apóstolos. A mesma autoridade que ele confiou aos apóstolos, estes confiaram a outros. A sucessão apostólica é ininterrupta, e por isso Cristo pôde dizer que estaria “com eles”, pois está até hoje guiando os seus servos.
 
3) Sucessão apostólica
 
Se na natureza e em toda a ordem natural existe uma hierarquia de perfeições, cada ser sendo mais perfeito e mais nobre do que o outro, e isto nos servindo como um meio para elevar a nossa inteligência Àquele que é perfeitíssimo e criador de toda a perfeição, também é evidente que nas coisas de Deus, que são mais altas, também haja uma hierarquia, uma desigualdade que nos conduza até o juízo de Deus. Essa hierarquia é o clero. Para ser do clero não basta querer. Deve-se receber o dom que Cristo transmitiu aos apóstolos. Os apóstolos receberam toda a autoridade de Cristo, até mesmo o poder para perdoar os pecados (cf. Jo XX, 21). Os apóstolos tinham autoridade por causa do próprio Cristo. A Igreja não morreria naquela geração. Com a morte do último apóstolo não morreria a Igreja; pelo contrário, a autoridade de Cristo permaneceria na sucessão apostólica: a transmissão da função ministerial por meio da imposição de mãos e pela descida do Espírito Santo no candidato.
 
Na Igreja dos primeiros séculos, a hierarquia assim estava dividida: na base da pirâmide estava o povo, os fiéis em geral. Depois, estava o “presbítero” ou ancião, que cuidava de um grupo menor, e era escolhido pelos próprios apóstolos. Acima do presbíteros estava o “Bispo”, que quer dizer “supervisor”, pois chefia um grupo maior. O Chefe de todos os Bispos era o Pastor dos Pastores, o representante de Cristo na terra, que hoje chamamos de Papa ou Sumo Pontífice—que quer dizer “Sumo sacerdote”, a ponte mais alta que nos liga a Cristo—, o Chefe visível da Igreja, pois mesmo Jesus sendo o supremo Pastor da Igreja, Ele subiu as céus ao fim de sua missão. Deixou-nos, então, uma garantia de que continuaria a nos guiar: a Igreja, chefiada por uma cabeça visível, o Papa, que fala em nome da cabeça invisível da Igreja, o Cristo.
 
Vendo a necessidade de mais pessoas para reger a Igreja de Deus, e sabendo que eles não poderiam estar em todos os lugares, os apóstolos criaram o diaconato: escolheram homens idôneos para servirem a Igreja em funções de menor importância.
 
Agora recorreremos novamente à Sagrada Escritura para provar não só os graus da hierarquia—diaconato, presbiterado e episcopado—, mas também a sucessão apostólica.
 
A Igreja católica foi fundada por Cristo para anunciar a Verdade e converter todos os povos numa só Fé: a de que Cristo é o Senhor. Ao interrogar os discípulos sobre o que pensavam acerca dEle, Pedro respondeu que Cristo era o Messias, o Filho de Deus Vivo. Jesus, ouvindo a confissão petrina, assim diz: “Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu lhe digo: tu és Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Eu te darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu” (Mt XVI, 17-19). Esta passagem da Bíblia é importantíssima, pois ela nos revela muitas verdades.
 
Em primeiro lugar, Cristo fundou sua Igreja em Pedro, escolheu a Pedro para ser seu Chefe enquanto Ele não estivesse na terra. E quando Pedro morre outro Bispo o sucede. Em segundo lugar, a Igreja de Cristo é invencível, pois as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Nenhum abalo humano fará com que a construção de Cristo seja abalada, pois “os céus e a terra desaparecerão, mas a minha palavra não desaparecerá” (Mt XXIV, 35). Em terceiro lugar, é dado a Pedro—e a mais ninguém—as Chaves do Céu. “Chaves” está no plural. Estas Chaves são a plenitude de jurisdição temporal e espiritual: o Papa, o Chefe da Igreja, tem a plenitude do governo espiritual e temporal. O governo temporal é o governo do mundo, mas esta Chave geralmente é conferida a algum Rei, Imperador ou Príncipe: o Papa dá a algum homem o direito de governar. Disse Jesus a Pilatos: “Você não teria nenhuma autoridade sobre mim se ela não lhe fosse dada por Deus” (Jo XIX, 11). Até mesmo a autoridade dos príncipes vem de Deus, para dizer que Deus é o dominador de tudo, e nem mesmo o governo das coisas materiais escapa desta fonte que é Deus. Por isso Pedro recebeu as Chaves, porque ele possuía a plenitude do governo espiritual e temporal. Em quarto lugar, tudo o que Pedro liga na terra, Cristo liga no céu; tudo o que ele desliga na terra, Cristo desliga no céu. Isso quer dizer que quando o Papa ensina, usando da autoridade que lhe foi dada, esse ensino é infalível. Não confundamos infabilidade com impecabilidade. Os protestantes—maliciosamente—dizem que os católicos consideram o Papa como impecável. O Papa pode pecar, pois também possui tentações, como qualquer homem nascido de Adão. Porém, quando usa da autoridade que lhe foi dada, não pode errar no ensino, pois estaríamos afirmando que Deus permite que o seu representante minta ou erre. Tudo o que Pedro liga na terra—ensina—é aceito no Céu. E como no Céu não entra erro, o ensino de Pedro só pode ser infalível. E quando Pedro desliga, significa que é uma correção. Todo ensino afirma uma verdade e nega a mentira correspondente. Ao se afirmar que Cristo é Deus, afirma-se a divindade do Filho e nega-se toda a afirmativa contrária. O que Pedro “desliga” significa as condenações que a Igreja profere às mais diversas heresias.
 
Algumas seitas protestantes procuram dizer que este texto da Bíblia não está se referindo à fundação da Igreja de Cristo, usando de vários argumentos de fácil refutação.
 
Em primeiro lugar, dizem que, ao se referir a uma “pedra” Cristo está falando de si mesmo, pois Ele é a pedra angular que os pedreiros rejeitaram. Segundo a interpretação protestante, Cristo teria feito uma comparação. Pedro seria uma “pedrinha” (segundo a língua grega), e Cristo estaria afirmando que Ele é a Pedra, sobre a qual Pedro se firma. É como se Jesus dissesse: “Você é uma pedrinha que se firma em mim”. Seria quase uma “brincadeira” que Cristo fez com o seu apóstolo escolhido para chefiar a Igreja.
 
Por mais que o Evangelho tenha sido escrito em grego, a língua que Jesus falava era o aramaico, e em aramaico Pedro quer dizer “Cefas”. E é a Cefas que o Evangelho se refere: “Então André apresentou Simão a Jesus. Jesus olhou bem para Simão e disse: 'Você é Simão, o filho de João. Você vai se chamar Cefas (que quer dizer Pedra)” (Jo I, 42).
 
O que os protestantes não conseguem entender é a diferença entre Cristo como Pedra angular e Pedro como Pedra sobre a qual Cristo firmou a Igreja. Se Jesus é a “pedra que os construtores rejeitaram”, os protestantes logo afirmam que não há nenhuma outra pedra a não ser Cristo. Cristo seria a única pedra. Mas Cristo também é o sol da Justiça (cf. Ml III, 20), e disse que os justos brilharão como o sol (cf. Mt XIII, 43). Dois sóis? Sim: um é reflexo do outro. Cristo é o sol da Justiça, e os que vivem na Justiça possuem o brilho de Cristo, se tornando semelhante ao sol. Cristo disse que era luz do mundo (cf. Jo VIII, 12); mas disse aos apóstolos que eles eram a luz do mundo (cf. Mt V, 14). A luz dos apóstolos é reflexo da única luz que é Cristo. Disse Jesus que só Deus é bom (cf. Mt XIX, 17); mas depois disse que o sal é bom (cf. Mc IX, 50). Deus é bom em absoluto; nenhuma bondade supera a de Deus. Mas as coisas do mundo possuem bondade relativa, isto é, receberam bondade de Deus em graus diferentes.
 
Cristo é pedra. Mas Pedro também. O fato de Cristo ser pedra não torna desnecessária a presença de Pedro. Pelo contrário: a pedra de Pedro confirma que Cristo é pedra, pois ninguém pode dar testemunho de si mesmo. Pedro não poderia dar a si mesmo o direito de “fundar” uma Igreja. Mas, se Cristo é Deus, entregou a Pedro as Chaves do Céu e a Chefia da Igreja na terra.
 
O segundo—e não menos infundado—argumento é que Cristo confiou a Igreja a Pedro, mas logo depois Cristo chama Pedro de satanás (cf. Mt XVI, 23), assim também como Pedro negou Cristo três vezes (cf. Mt XXVII, 75). Seria como uma tentativa frustrada de Jesus em fundar a Igreja, já que o seu Chefe traiu o Mestre.
 
Ora, Cristo veio para a remissão dos pecados. Todos os pecados que cometemos e nos arrependemos são perdoados por Deus. Se Pedro pensou conforme satanás e negou o mestre por três vezes, também chorou amargamente por isto (cf. Mt XXVII, 75).
 
Quando Cristo ressuscitou, encontrou os discípulos e perguntou a Pedro: “Simão, filho de João, você me ama mais do que estes outros? Pedro respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Jesus disse: Cuide dos meus cordeiros. Jesus perguntou de novo a Pedro: Simão, filho de João, você me ama? Pedro respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Jesus disse: tome conta das minhas ovelhas. Pela terceira vez Jesus perguntou a Pedro: Simão, filho de João, você me ama? Então Pedro ficou triste, porque Jesus perguntou três vezes se ele o amava. Disse a Jesus: Senhor, tu conheces tudo, e sabes que eu te amo. Jesus disse: Cuide das minhas ovelhas”. (Jo XXI,15-17).
 
Foi a Pedro—e somente a Pedro—que Cristo disse: “apascenta as minhas ovelhas”. Ora, nem Cristo e nem Pedro possuíam rebanhos. Cristo não tinha nem aonde dormir. As ovelhas são os filhos da Igreja, a qual Pedro chefia em nome de Cristo.
 
Quando Pedro confessou que Cristo era o Messias, Cristo disse: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedro edificarei a minha Igreja”. O verbo está no futuro—edificarei. Mas, depois de ressuscitado, Cristo disse por três vezes a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas”, com o verbo no presente—apascenta. Ora, por que esta diferença?
 
Quando Cristo estava a cumprir sua missão na terra, era Ele o Chefe da Igreja toda, guiando as ovelhas na salvação. Mas depois de consumar seu ministério, morrendo na Cruz, Cristo já estava pronto para voltar aos céus, por isso deixou o seu cajado de Pastor a Pedro, para que, a partir daquele momento ele chefiasse toda a Igreja: “Simão, Simão! Olhe que Satanás pediu permissão para peneirar vocês como trigo. Eu, porém, rezei por vocês. E você [Pedro], quando tiver voltado para mim, confirma teus irmãos” (Lc XXII, 31-32).
 
Nenhum argumento protestante consegue nos desviar do real sentido da afirmação de Cristo, pois mais de uma vez fica claro que Cristo deu a Pedro a Chefia da Igreja toda. Cristo criou a Igreja para que os homens tivessem certeza da salvação e dos meios de se chegar até ela. Se no meio do povo escolhido, durante o Antigo Testamento, haviam os profetas, também no Novo Testamento existem os profetas da Verdade, aqueles que anunciam o Verbo de Deus a todo o mundo. Deus não deixa seu povo ficar só. Por isso deixou na Igreja a certeza de que Cristo caminha com seus filhos.
 
E para concluir o subtítulo, transcrevemos aqui alguns textos bíblicos que demonstram a transmissão pelos apóstolos do ministério de Cristo. Jesus deu aos seus apóstolos o ministério da Boa Nova, e estes transmitiram a outros homens, chegando ao Papa e aos Bispos até os dias de hoje seguramente.
 
Nenhum homem pode começar um ministério próprio. Somente de Cristo vem a graça, o poder e a autoridade. Nem mesmo a João Batista foi dado a autoridade para batizar, pois o batismo verdadeiro vem de Cristo. Somente alguém que recebeu a graça de Cristo pode batizar. E se João não recebeu o poder ministerial, o batismo dele não tem valor eterno, apenas servindo para avivar nos homens o perdão e o arrependimento: “E foram ter com João [os seus discípulos] e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro. Respondeu João: O homem não pode receber cousa alguma se do céu não lhe for dada” (Jo III, 26-27). Aqui João Batista confirma o Batismo de Jesus como sendo o único e verdadeiro. Pois é Cristo quem tem autoridade para batizar, e não João. João batizava em sinal de arrependimento, mas o seu batismo não tinha valor para a salvação. “Perguntou-lhes [Paulo]: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe Espírito Santo. Então Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados? No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que crescem naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo (...)” (Atos XIX, 2-6).
 
O batismo de João não tinha valor para a salvação, por isso os discípulos de Éfeso tiveram que ser batizados novamente. Assim também é com aqueles que fabricam, por conta própria, ministérios e igrejas. Somente aquilo que vem de Deus deve ser aceito (Jo III, 27). A ninguém se dá o direito de fundar igrejas ou congregações. É de Cristo que vem a autoridade, e esta autoridade é trasmitida pelos apóstolos. Por isso Paulo batizou, e também impôs as mãos para que os discípulos de Éfeso recebessem o Espírito Santo. Os discípulos de Éfeso já conheciam a Verdade, pois foram batizados no batismo de João, e João anunciava o Messias. Mas nem mesmo assim puderam fundar igrejas e sair anunciando o Evangelho por conta própria. O Batismo e a Crisma deles veio de Paulo.
 
Paulo não foi apóstolo durante o ministério de Jesus, mas foi ordenado Bispo depois. Quando ele teve a visão, assim lhe sucedeu: “Então perguntei: Que farei, Senhor? E o Senhor me disse: Levanta-te, entra em Damasco, pois ali te dirão acerca de tudo o que te é ordenado fazer” (Atos XVII, 10). Cristo criou a hierarquia para que os ministros de Deus anunciassem a Verdade; portanto, quando Cristo apareceu a Paulo, Ele não quis desprezar o que Ele mesmo criara. Por isso mandou Paulo ir falar com os discípulos.
 
Em diversas partes, a Bíblia menciona o anúncio do Evangelho como um cargo, que foi dado por Cristo e transmitido aos apóstolos ininterruptamente até os dias de hoje. “Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João; os quais, descendo para lá, oraram por ele para que recebessem o Espírito Santo; porquanto não havia ainda descido sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em o nome do Senhor Jesus. Então lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo. Vendo, porém, Simão [o mago] que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos era concedido o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro (...)” (Atos VIII, 14-18). Esta passagem também é de fundamental importância. Se os discípulos de Samaria já haviam sido batizados no nome de Jesus, por que eles mesmos não oraram para receberem o Espírito Santo? Se cada um pode receber o dom de Deus por conta própria, por que eles tiveram que receber a imposição de mãos dos apóstolos? O que os apóstolos tinham de especial que os discípulos da Samaria não podiam fazer eles também? E, na ocasião, um mago, chamado Simão, quis comprar o dom do Espírito Santo, e Pedro respondeu que o dom de Deus não se compra (cf. Atos VIII, 20). Se o recebimento do Espírito Santo é dom, então não pode ser aprendido de forma alguma, somente dado por Deus. E o meio que Deus escolheu para transmitir o Espírito aos seus filhos é por meio do ministério de Cristo, na pessoa dos apóstolos.
 
Quanto aos presbíteros, assim está escrito: “E, promovendo-lhes em cada igreja a eleição de presbítero, depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido” (Atos XIV, 23). Quanto aos Bispos, disse Paulo aos presbíteros de Éfeso: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (Atos XX, 28). Paulo, ao partir para Jerusalém, fez dos presbíteros bispos, para que eles ministrassem e ordenassem outros presbíteros. Sabendo que jamais voltaria àquela região, Paulo transmitiu seu ministério a presbíteros. Aos presbíteros deu a plenitude da ordem, a plenitude do ministério de Cristo: o episcopado, elevando de grau o ministério deles.
 
E ainda: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com o óleo em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecado, ser-lhes-ão perdoados” (Tg V, 14-15). Aos presbíteros é dado o poder de orar pela cura dos enfermos, do mesmo modo que Cristo deu aos seus discípulos o poder de curar os doentes. E se Cristo deu o poder aos discípulos, os presbíteros só podem ser os que receberam esta mesma autoridade. Outra grande prova da existência da Igreja e da sucessão apostólica.
 
Em outras passagens se confirma tudo isso: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus (...) Por intermédio de [Cristo] viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre os gentios”. (Rom I, 1; 5). E se Paulo é ministro de Cristo, tem autoridade e poder para transmitir o Espírito Santo aos batizados: “Porque muito desejo ver-vos, a fim de repartir convosco algum dom espiritual, para que sejais confirmados” (Rom I, 11). “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e dispenseiros dos mistérios de Deus” (I Cor IV, 1); “[Rezem para que eu anuncie o Evangelho] Pelo qual sou embaixador” (Ef VI, 20); “Porque ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais, pois eu pelo evangelho vos gerei em Cristo Jesus” (I Cor V, 15); “Agora me regozijo nos meus sofrimentos (...), a favor do seu corpo [de Cristo], que é a igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiado a vosso favor para dar pleno cumprimento à palavra de Deus; o ministério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste ministério entre os gentios (...), o qual anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria (...)” (Cl I, 24-28). Paulo, além de confirmar várias vezes que é ministro de Cristo, diz que foi escolhido para anunciar, advertir e ensinar, tarefas esta de um magistério. E se existe um magistério, existe um corpo hierárquico que guia o rebanho. “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio” (II Cor V, 18-20); “E nós, na qualidade de cooperantes com ele, também vos exortamos a que não recebais em vão a graça de Deus” (II Cor VI,1). “E, quando conhecerem a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, que eram reputados colunas, me estenderam a mim e a Barnabé, a destra de comunhão, a fim de que nós fôssemos para os gentios e eles para a circuncisão” (Gl II, 9). Pedro, Tiago e João eram apóstolos; portanto, Bispos. Paulo foi chamado por Cristo e recebeu a graça de pertencer também ao apostolado. Se para receber o ministério da Palavra basta ter conhecido a Cristo, Paulo não teria atribuído aos três apóstolos a graça do episcopado, já que forem estes que lhe ordenaram apóstolo. Nem mesmo ao mais consciente cristão é dado o poder de começar um ministério, pois o dom vem de Cristo por meio da Igreja. “Assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular” (Ef II, 19-20). O edifício dos apóstolos e profetas é a Igreja, pois na Igreja se ensina toda a verdade anunciada aos antigos e aos apóstolos. A Igreja é o “Depósito da Fé”, pois nela Cristo confia o ensino da Verdade. Por mais que os homens da Igreja falhem, a Verdade nela encerrada jamais falhará. E o fundamento dessa Igreja é Cristo, pois foi Ele quem fundou a Igreja e deu a Pedro a guarda do rebanho. “[O ministério de Cristo] não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como agora foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito” (Ef III, 5); “[do Evangelho] fui constituído ministro conforme o dom da graça de Deus, a mim concedida, segundo a força operante do seu poder” (Ef III, 7); “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios (...), para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais” (Ef III, 8; 10). “E o que de minha parte ouviste, através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir outros” (II Tm II, 2). Paulo era Bispo, e escreveu as cartas a Timóteo, que também era Bispo, para que este aprendesse a cumprir bem a sua missão. Aqui ele descreve o que deve fazer para se escolher bons presbíteros para a Igreja, a fim de que eles também ensinem: “E, em tempo devidos, manifestou a sua palavra mediante a pregação que me foi confiada por mandato de Deus, nosso Salvador” (Tt I, 3).
 
O que concluímos—com dezenas de trechos bíblicos a nosso favor—é que Cristo criou a Igreja para transmitir os seus dons do Espírito, ensinar a Verdade e anunciar a salvação a todos os povos. E somente quem recebe os apóstolos está recebendo a Cristo. Todo aquele que faz algo por si próprio não está fazendo em nome de Cristo.
 
4) Prefigurações da Igreja
 
“A glória de Deus é ocultar as coisas, e a glória dos reis é pesquisá-las” (Pr XXV, 2). Deus muitas vezes fala por meio de uma linguagem difícil e simbólica na Escritura, para que o homem aprenda que nenhuma profecia é de interpretação particular (cf. II Pd I, 20-21), e para que nos atenhamos mais ao sentido espiritual, e não tanto à letra. Cristo falava por meio de parábolas para esconder dos orgulhosos o verdadeiro significado dos ensinamentos, e para revelá-lo aos humildes de coração. Nem a todos é dado o direito de conhecer toda a verdade. Aos apóstolos é dado saber toda a verdade para que saibam ensiná-la: “Os discípulos aproximaram-se, e perguntaram a Jesus: Por que usas parábolas para falar com eles? Jesus respondeu: Porque a vocês foi dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não” (Mt XIII, 10-11). Por isso, devemos buscar o sentido espiritual nas Escrituras, e nos ater menos à letra e à leitura particular. Nem todos os que lêem, entendem. Por isso os apóstolos receberam o ensinamento de toda a verdade para que, sabendo também ensiná-la, evitassem o juízo particular e até mesmo a confusão dos fiéis.
 
No Antigo Testamento, todas as coisas eram um espelho do que viria. O Novo Testamento foi realizado por figuras e alegorias na Antiga Aliança. Se Cristo ia ser imolado pelos pecados, o cordeiro da páscoa e todos os rituais do Templo serviam para aviventar a Fé do povo na esperança do verdadeiro Cordeiro. O mesmo se dá com a Igreja, pois muitas são as prefigurações da sua existência.
 
A primeira delas é entre “Adão e Eva” e “Cristo e a Igreja”. Adão foi a primeira criatura humana de Deus, assim como Jesus foi o primeiro e único que estava com Deus desde todo o sempre, sendo a Segunda Pessoa da Trindade Santa. Adão foi feito senhor de toda a terra, assim como a Cristo foi dado o domínio sobre o mundo. Adão caiu num sono profundo, assim como Cristo caiu num sono profundo de sua morte na Cruz. De uma costela de Adão saiu Eva, a sua única esposa. De uma costela aberta de Cristo, no momento de sua morte, nasceu a Igreja, que é única. Enquanto Cristo estava vivo, era ele quem pastoreava o rebanho; mas no momento de sua morte, já estava consumada a missão dEle, por isso, o pastoreio da Igreja passou a Pedro e a Igreja nascia naquele instante, assim como Eva nasceu do sono profundo de Adão. De uma das doze costelas de Adão nasceu Eva. De um dos doze apóstolos de Cristo nasceu a Igreja. Adão só teve Eva como esposa. Cristo só teve uma Igreja como esposa: a Igreja católica, que Ele mesmo fundou.
 
A segunda prefiguração é a da arca de Noé. Somente foi salvo do dilúvio quem estava dentro da arca. Quanto mais subia a água, mas a arca se elevava, assim como quanto mais provações a Igreja sofre, mais ela se aproxima de Deus no seu sofrimento. Só se salva do dilúvio do pecado quem está a salvo dentro da arca de Noé. A água agitada do mar é símbolo do pecado. Por isso quis Deus fazer de Pedro um “pescador de homens”, isto é, para tirar os homens do pecado. Os peixes vivem no mar, e não cantam a glória de Deus pois são mudos. As aves, no entanto, vivem nos céus, e cantam a glória de Deus. Por isso, a vida dos pagãos é representada como sendo no mar. O mar é símbolo do pecado e do paganismo. A arca que se eleva sobre a água é a Igreja que triunfa sobre o paganismo e salva aqueles que estão dentro dela, e só dela. Não houve duas arcas, somente uma, assim como só há uma Igreja.
 
A terceira prefiguração está no patriarca Abraão. Abraão chamava-se Abrão. Foi Deus quem mudou seu nome para Abraão, o que significa “pai de uma grande nação”. Na Antigüidade, o nome possuia um valor especial, pois significava a vida da pessoa, a sua missão. Um guerreiro não revelava seu nome aos inimigos para que, sabendo o seu significado soubessem como destruí-lo. Naquela época, o nome queria dizer quem a pessoa era. Mudar o nome era mudar o rumo desta pessoa.
 
Deus mudou o nome de Abraão pois quis fazer dele o pai de uma grande nação. Ele seria o pai de um grande povo, por meio do qual viria a salvação. Ora, no Antigo Testamento, todas as prefigurações são fatos materiais de acontecimentos espirituais vindouros. Do mesmo modo, a circuncisão na carne é prefiguração da circuncisão no espírito: o batismo.
 
A mudança de nome de Abraão faz com que ele se torne pai de um grande povo, a sua descendência. Pedro, no entanto, chamava-se Simão. Era este o seu nome. Foi Cristo que passou a chamá-lo de Pedra. Ao mudar o nome de Simão, Jesus quis dizer que estava mudando o rumo de sua vida. E se Abraão foi Pai de uma grande nação e descendência; Pedro foi pai espiritual de um grande povo, a descendência do sangue redentor de Cristo: a Igreja.
 
Muito raramente Deus mudou o nome de alguém em toda a história da salvação. E se o fez, era para indicar uma mudança de rumos na vida do seu servo. Se Cristo mudou o nome de Pedro, assim como mudou o nome de Abraão, foi para fazê-lo pai de uma grande descendência.
 
Prosseguindo: em Cântico dos cânticos (III, 3-4) assim se lê: “Encontraram-me os guardas que rondavam a cidade: 'vocês viram o amado da minha alma?' Passando por eles, contudo, encontrei o amado da minha alma”. Esta passagem é claríssima. A esposa, na linguagem bíblia, representa a Igreja. Os guardas são os ministros de Cristo, que rondam a cidade (o mundo), anunciando o Evangelho. A esposa (Igreja) só encontra o amado (Cristo) quando passa pelos guarda (ministros). São eles que nos trazem Cristo por meio do ensinamento. Ainda em Cânticos se lê: “uma só é a minha pomba sem defeito, ama só a preferida pela mãe que a gerou” (VI, 9). A pomba sem defeito é a Igreja, que é santa, apesar de seus membros poderem ter pecado. A Igreja é santa porque foi fundada por Jesus, porque a doutrina que ela ensina é santa e porque quem a vivifica é o Espírito Santo.
 
No próprio Novo Testamento se percebe o anúncio da Igreja: “Portanto, quem ouve essas minhas palavras e as põe em prática, é como o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enxurradas, os ventos sopraram com força contra a casa, mas a casa não caiu, porque fora construída sobre a rocha” (Mt VII, 24-25). E se Cristo mudou o nome de Simão para Pedro (Rocha) e fez sobre ele a Igreja, o homem prudente é o próprio Cristo, pois Ele é a própria Sabedoria de Deus. Outra prefiguração semelhante é esta: “Então Pedro disse a Jesus: Senhor, estás contando essa parábola só para nós ou para todos? E o Senhor respondeu: Quem é o administrador fiel e prudente, que o senhor coloca-o à frente do pessoal de sua casa, para dar à comida a todos na hora certa?” (Lc XII, 41-42). Ora, é a Pedro que Jesus confiou a administração de sua casa enquanto o próprio Senhor está fora. E são os apóstolos que devem dar de comer ao povo, pois foram eles que receberam a Cristo, Pão vivo descido dos Céus, para alimentar o espírito dos filhos famintos.
 

"Tu es Petrus et super hanc petram
ædificabo Ecclesiam meam et
portæ inferi non prævalebunt
adversus eam". (Matthæus. XVI, 18)
 
Outros fatos interessantes no Novo Testamento é que, quando em Cafarnaum, Cristo só se hospedava na casa de Pedro. Desde muito cedo os padres estudiosos da Bíblia perceberam ali uma prefiguração: fora da cada de Pedro não se acha Cristo. Também Cristo só subia na barca de Pedro; e fora desta barca não há Cristo, assim como fora da arca de Noé ninguém se salvou.
 
Aproximando-se o momento da morte de Jesus, Ele afirma a seus apóstolos: “e quem não tiver espada, venda o manto para comprar uma. (...) Eles disseram: Senhor, aqui estão duas espadas. Jesus respondeu: É o bastante!” (Lc XXII, 36; 38). Quando Cristo foi encontrado por aqueles que queriam prendê-lo, assim se lê: “Simão Pedro tinha uma espada. Desembainhou a espada e feriu o empregado do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (...) Mas Jesus disse a Pedro: Guarde a espada na bainha (...)” (Jo XVIII, 10-11). Quando a Escritura diz que Cristo fundou a Igreja em Pedro, diz também que ele recebeu as Chaves do Reino do Céu, o que simboliza a plenitude do poder espiritual e temporal. Do mesmo modo, quando os apóstolos dizem ter “duas espadas”, está ali simbolizado a plenitude do poder espiritual e temporal que estava com eles. Mas Cristo ainda estando na terra, o poder ainda era exercido por Ele. Somente quando Cristo cumprisse a sua missão os apóstolos poderiam assumir a autoridade, pois estando Jesus sobre a terra, era Ele o Chefe (Visível) da Igreja. Por isso Cristo proíbe Pedro de usar a espada, o que é uma figura: por enquanto Pedro não pode usar de sua espada (poder) porque Cristo ainda não lhe tinha entregue o pastoreio do rebanho.
 
Estas figuras de linguagem, que demonstram a intenção de Deus em criar a Igreja, deixam muito claro a veracidade da fundação da Igreja católica.
 
 
5) Conclusão
 
Cristo criou a Igreja para que ela ensinasse a verdade, combatesse o erro e transmitisse os dons da graça a todos. Somente na Igreja temos a certeza de que o poder vem de Deus, e não procede de nenhum homem. A palavra Igreja quer dizer “assembléia”, no grego. A Igreja é o Corpo Místico de Cristo, a sociedade visível que une os batizados na mesma Fé em Deus e na obediência da mesma autoridade. Esta assembléia foi querida por Jesus para dilatar a Fé sobre o mundo: um magistério divinamente criado para ensinar a Verdade infalível, revelada sobrenaturalmente e fielmente guardada na Igreja.
 
Mas como ter certeza que justamente a Igreja católica é a Igreja fundada por Cristo?
 
A palavra “católico” vem do grego, significando “universal”. Com a vinda de Cristo, já não é mais a nação dos judeus quem guarda a verdade, pois a Redenção supera a Aliança provisória por meio da Nova e Eterna Aliança, na qual nos tornamos filhos adotivos de Deus pelo batismo. E esta Aliança Nova e Eterna faz da Igreja a Esposa de Cristo. Esta Igreja, portanto, não pode ter nascido de mãos humanas. Só pode ser, então, a Igreja católica.
 
Quem usou a palavra católico, pela primeira vez, para designar a Igreja de Cristo foi Santo Inácio de Antioquia, discípulo de São Pedro, no século II. A Igreja é Apostólica porque sua origem vem da autoridade dada por Cristo aos apóstolos. É Romana porque sua Sede está em Roma, a capital dos pecados que se tornou a Sede da Igreja de Deus. Se Deus é capaz de fazer das pedras filhos de Abraão, também é capaz de fazer do centro do paganismo o centro da difusão da Fé verdadeira, pois Deus permite um mal para dele tirar um bem. E também é Romana porque São Pedro foi Bispo em Roma, segundo uma tradição antiqüíssima na Igreja. Uma só é a Igreja de Cristo, que foi fundada por Ele, e existirá enquanto houver a humanidade, sendo invencível.
 
Todo aquele que sabe ser a Igreja católica a Igreja de Cristo deve buscar a conversão e tornar-se católico. Aqueles que morrem sem ter consciência da Igreja católica morrem em inocência e não são culpados. Se alguém é de outra religião e vive na observância dessa religião, acreditando estar nela fazendo a verdade, se salva do mesmo jeito, pois agiu conforme a consciência, sem ter noção da Verdade objetiva. É assim que Deus salva aqueles que nunca ouviram falar de Cristo. Salvam-se os não-católicos que estão em “ignorância invencível”, isto é, sem nenhum meio de saber que a Igreja é absolutamente necessária para a salvação, pois por ela Cristo nos congrega como filhos seus e membros do seu Corpo Místico, que é a própria Igreja, sua Esposa.
 
Não basta seguir a Bíblia e “aceitar Jesus”. Quem segue a Bíblia por conta própria ignora o sentido que quis Deus usar na Escritura e se fia na própria razão. “Confie em Deus de todo o seu coração e não se fie em sua própria inteligência” (Pr III, 5). E quem pensa que aceitando Jesus simplesmente já garante o Céu, na verdade está desejando o inferno. Os demônios não são ateus. Todos eles crêem que Jesus é Deus e que é Senhor de tudo; por isso, não basta crer. “Então eles gritaram [os demônios]: Que é que há entre nós, Filho de Deus? Viestes aqui para nos atormentar antes do tempo?” (Mt VIII, 29); “O que queres de nós, Jesus Nazareno? Viestes para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!” (Lc IV, 34). Crer em Deus não basta, pois nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor!” entrará no Reino, mas aquele que pratica a Verdade, encontrada somente na Igreja: “Você acredita que existe um só Deus? Muito bem! Só que os demônios também acreditam, e tremem! Insensato, quer ver como a fé sem as obras não tem valor?” (Tg II, 19-20). Não basta crer em Jesus, é preciso andar nos caminhos dEle, fazendo e praticando a sua vontade. Só pela Igreja teremos uma vida plena de filhos de Deus, conhecendo-O vrdadeiramente e praticando corretamente a sua vontade, pois pela Igreja os guardas guiaram a Amada ao Amado em Cântico dos cânticos. Somente ficando unido a Cristo é que teremos salvação (cf. Jo XV, 4-6).
 
Desde o século XVI não param de fundar igrejas certos homens que se julgam habilitados para tal. Quem faz isso está chamando Cristo de mentiroso.
 
Jesus prometeu que estaria com a Igreja até o fim dos tempos (cf. Mt XXVIII, 18-20), e que as portas do inferno não prevaleceriam sobre a Igreja (cf. Mt XVI, 18-19). Quem acredita que a Igreja católica não é a Igreja de Cristo, acredita que até o século XVI uma falsa Igreja ensinou mentiras, dizendo serem verdades, até que chegasse Lutero e seus seguidores concluindo que estava tudo errado. Se eram mentiras que a Igreja ensinava—por 16 séculos—, onde estava a promessa de que as portas do inferno não prevaleceriam, se elas supostamente prevaleceram durante 16 séculos!? E onde estava Cristo nesse tempo todo, já que prometera estar com a Igreja sempre? Por que a “verdade” só foi aparecer no século 16? Quem está certo: Cristo com a Igreja católica, ou Lutero com seus seguidores?
 
Alguns afirmam que a Igreja realmente existiu, mas que depois ela foi corrompida pelo paganismo e deixou de ser a Igreja de Cristo, tendo Lutero restaurado a sua pureza original.
 
Ora, como pôde Cristo prometer que o mal não venceria a Igreja se, supostamente, ela foi vencida pelo paganismo ao absorver as suas práticas e seus deuses? Pelo contrário! A Igreja não se curvou ao paganismo, muito menos misturou a sua doutrina com o politeísmo. Os falsos deuses foram vencidos, pois em cada lugar onde a Igreja chegou as estátuas dos deuses foram destruídas e os templos foram fechados. Os sacerdotes, sem espaço na Europa e no norte da África, foram para o Oriente, influenciando o Islamismo no misticismo. Basta um pouco de conhecimento histórico e fica muito claro a diferença absurda entre a doutrina pagã e a verdade católica.
 
Outros, porém, dizem que Cristo nunca fundou Igreja nenhuma, e de que a Igreja foi criada em Roma pelo imperador Constantino.
 
Em primeiro lugar, a palavra Católica já era usada como atributo (qualidade) da Igreja desde o século II, enquanto Constantino é do século IV. Para se acreditar numa mentira dessas, deve-se acreditar também em reencarnação, para que Constantino tivesse fundado a Igreja antes mesmo de nascer! Em segundo lugar, Constantino só se converteu próximo da morte, pois ele mesmo tinha dúvidas da Fé católica. Quem funda algo deve ser o primeiro a aprovar, pois o exemplo do fundador arrastaria uma multidão.
 
Em terceiro, se a Igreja fosse fundada em Roma, com o passar dos séculos haveriam duas crenças bem distintas: a verdadeira, que permaneceu fiel ao ensinamento de Jesus e a falsa, criada em Roma por Constantino. Mas, pelo contrário, a Fé católica permaneceu a mesma em toda a Europa, África e Ásia. Em todo o lugar se cria nas mesmas coisas. Se em Roma a Fé foi falsificada, os cristãos deveriam combater os católicos de Roma, coisa que nunca aconteceu. A unidade da Fé é a prova de que o Espírito Santo guia a Igreja.
 
Uma só é a Fé, uma é a Igreja e fora dela não há Cristo, não há salvação. Nenhum Lutero—em pleno século XVI—pode se dar o direito de “reformar” a Igreja de Deus, pois Jesus não criaria algo defeituoso e suscetível ao erro dos homens. E se Cristo prometeu estar com a Igreja todos os dias, por que abandonou seu povo, só lembrando dele 1517 anos depois!? Sejamos coerentes! A verdade é Cristo; e Cristo está na Igreja católica.
 
O profeta Isaías nos diz que, com a vinda do Messias, os povos pagãos se converteriam. “Nesse dia, a raiz de Jessé se erguerá como bandeira para os povos; para ela correrão as nações, e a sua moradia será gloriosa. Nesse dia, o Senhor tornará a estender a mão para resgatar o resto do seu povo, o que sobrou na Assíria, e no Egito, em Patros e nas ilhas do mar. Ele erguerá um estandarte para as nações, a fim de reunir os israelitas exilados, para juntar os judeus dispersos dos quatro cantos da terra. (...) Haverá uma estrada para o resto do seu povo, para o que sobrar na Assíria, da mesma forma como houve uma estrada para Israel no dia em que saiu da terra do Egito” (Is XI, 10-12; 16). Cristo é a Raiz de Jessé; é a Ele que Isaías se refere. Quando o Messias viesse, as nações se converteriam. Os termos nações, gentes ou gentios se referem aos pagãos. A conversão dos pagãos a Cristo é o fim da Antiga Aliança e o início da Nova, com a fundação da Igreja de Cristo. A profecia diz que a “moradia da Raiz de Jessé será gloriosa”. Ora, que moradia pode ser essa? Onde Cristo resolveu habitar sempre é na casa de Pedro, a Igreja católica, que Ele mesmo fundou. Com a vinda do Messias, os povos pagãos se converteriam à Igreja. “Eles serão chamados de carvalhos da justiça, plantação do Senhor para a sua glória. Eles reconstruirão as ruínas antigas, erguerão novamente em pé os velhos escombros. Renovarão as cidades arruinadas e os escombros de muitas gerações. Estrangeiros se apresentarão para apascentar os rebanhos de vocês; essa gente de fora é que trabalhará para você, puxando a enxada ou cuidando da lavoura de uvas. Vocês serão chamados sacerdotes do Senhor, ministros do nosso Deus.” (Is LXI, 4-6). Aqui mais uma vez se fala da conversão dos pagãos ao Evangelho, inclusive da admissão de gentios nos cuidados da Igreja. Agora, até mesmo aqueles que nasceram nas religiões falsas podem assumir o pastoreio da Igreja de Deus, pois o Batismo e a Ordem podem ser recebidos por todos.
 
Se a profecia diz que, após a vinda do Messias, os pagãos se converteriam, qual Igreja converteu os pagãos?
 
A primeira Igreja protestante só surgiu no século XVI, com Lutero. Naquela época, não havia nenhum reino pagão na Europa. Aliás, a conversão de que fala a profecia menciona um retorno à verdadeira Fé logo após a vinda de Cristo, e não 16 séculos depois. Lutero nunca converteu um só pagão, até porque já não havia nenhum.
 
Quem produziu milhares de conversões foi a Igreja católica, além de gerar 2 milhões de mártires nos circos romanos, já que os cristãos preferiam a morte a renegar a Fé. E foi este sangue que regou muitas almas e produziu muitas conversões pelo testemunho de fidelidade. Do século I ao século XI aconteceram conversões. Nações inteiras foram batizadas: os francos, os eslavos, os visigodos, os germanos, saxões, bretões, etc. No norte da África, na Ásia Menor e em toda a Europa a Igreja se expandiu. Cristo disse aos judeus: “O Reino de Deus será tirado de vocês, e será entregue a uma nação que produzirá seus frutos” (Mt XXI, 43). Foram os pagãos que aceitaram o Evangelho; por isso diz a profecia que haviam grandes conversões, já que são eles a “nação” da qual fala Cristo. E a única Igreja que produziu grandes conversões no paganismo foi a Igreja católica.
 
O Antigo Testamento também prefigura esta verdade profética. Jacó teve duas esposas: Lia e Raquel. Trabalhou sete anos para seu sogro para se casar com uma, mas este lhe deu a outra. Jacó então trabalhou mais sete anos e casou-se com a outra. Uma era formosa; a outra não. O casamento é símbolo, na Bíblia, da união de Cristo com sua Igreja. Deus primeiro fez um pacto provisório com os judeus (o primeiro casamento de Jacó) para depois se unir plenamente com a Igreja, (segundo casamento). A segunda esposa de Jacó representa os pagãos, já que a verdade de Cristo, ensinada pela Igreja, foi aceita pelos pagãos convertidos.
 
Com tantas evidências e argumentos, fica provado definitivamente que, não basta aceitar Jesus. É preciso se submeter à única Igreja que Cristo fundou para ensinar a Verdade. Até os demônios aceitam Jesus, pois reconhecem nEle a Filiação divina. É na Igreja que se recebe, por meio dos ministros do altar—o clero—a mesma graça do Espírito Santo que era transmitida dos apóstolos aos fiéis. É pela Igreja que Cristo nos une a Ele, pois ela é seu Corpo Místico, o meio pelo qual estamos agarrados a Ele, sabendo no que devemos crer (o ensino da Fé católica) e o que devemos fazer (a moral, a oração, os sacramentos).
 
Deus quer salvar os homens pelos homens, para evitar usar, em primeira instância, meios extraordinários. Deus quer usar de via humana, para que o homem creia pela Fé, e não por milagres, pois mais feliz é aquele que crê sem ver. E o meio ordinário que Deus usa para distribuir a salvação é a Igreja.
 
Fonte: http://www.saopiov.org/2009/01/catolicismo-e-protestantismo-i.html#ixzz1RjvgViF6
 

 

A Igreja Primitiva era Católica ou Protestante?

 

   É interessante notar como o Protestantismo alega ser o retorno às origens da fé, ao Verdadeiro Cristianismo, enfim o verdadeiro confessor da fé legítima dos Primeiros séculos. Aliás, diga-se de passagem, se existe uma constante entre as religiões não-católicas é a chamada "teoria do resgate". A imensa maioria delas (a quase totalidade) afirma que o cristianismo primitivo foi puro e limpo de todo erro, mas que, com o tempo, os homens acabaram por perverter a verdade cristã, amontoando sobre ela uma enormidade de enganos.

   O verdadeiro cristão, sob este prisma, seria aquele que, superando tais enganos, redescobre o "verdadeiro cristianismo', com toda a sua pureza e singeleza. Para estas religiões, o responsável pelos erros que se acumularam no decorrer dos séculos é, quase sempre, o catolicismo. Já a religião que "resgatou a verdade" varia de acordo com o gosto do freguês: luteranismo, calvinismo, pentecostalismo, espiritismo, etc.De uma certa forma, mesmo as religiões esotéricas, a Teologia da Libertação, a maçonaria e (pasmen!) o próprio islamismo bebe desta "teoria do resgate".

   O motivo do universal acatamento desta "teoria" é o fato de que, para o homem, é muito difícil, diante dos ensinamentos de Jesus Cristo, e da santidade fulgurante dos primeiros cristãos, negar, seja a validade daqueles ensinamentos, seja a beleza desta santidade. Portanto, as pessoas precisam acreditar que, de uma certa forma, se vinculam a Jesus Cristo e às primeiras comunidades cristãs, ainda que não diretamente.

   Mas igualmente, é muito difícil para o orgulho humano aceitar que este genuíno cristianismo existe, intocado, dentro do catolicismo. Aceitá-lo, para todos os grupos não católicos, seria aceitar que estão errados e que, muitas vezes, combateram contra o verdadeiro cristianismo. Desta forma, a "teoria do resgate" é a maneira mais fácil para que um não-católico possa considerar-se um "verdadeiro discípulo de Cristo" sem ter que reconhecer os erros e heresias que professa.

   O problema básico de todos estes grupos é que existem inúmeros escritos dos cristãos primitivos e, por meio de tais escritos é que alguém, afinal de contas, pode saber em que criam e em que não criam os cristãos primitivos. E estes escritos são uma devastadora bomba a implodir todos os grupos que ousaram a se afastar da barca de Pedro. Eles solenemente atestam que o cristianismo primitivo permanece intacto dentro do catolicismo. Assim (ironia das ironias), os adeptos da "teoria do resgate", freqüentemente, para defender o que julgam ser a fé dos cristãos primitivos, são obrigados a desconsiderar todo o legado destes primitivos cristãos.

   O protestantismo é o mais solene exemplo de tudo o quanto acima dissemos. Em nosso artigo "Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé?", já expusemos como o protestantismo não confessa a fé que os primeiros cristãos confessaram, fé esta que receberam dos Santos Apóstolos. Quem estuda com seriedade as origens da fé e a história da Igreja, insistimos, sabe que a tão referida Igreja Primitiva, é na verdade a Igreja Católica dos primeiros séculos. Neste presente artigo, gostaríamos de lançar a seguinte pergunta: teria sido o cristianismo primitivo uma união de confissões protestantes ou uma única confissão católica?

   Sabemos que o Protestantismo ensina que todos os crentes em Jesus formam a Igreja de Cristo. Desta forma, não interessa se o crente é da Assembléia de Deus, se é Luterano e etc; são crentes em Jesus e fazem parte da Igreja Invisível de Cristo, mesmo confessando doutrinas diferentes. Curiosamente (e este é um paradoxo insuperável desta "eclesiologia" chã e rastaqüera), apenas os católicos é que não fazem parte deste "corpo invisível", ainda que confessemos que Jesus Cristo é o Senhor do Universo.

   O protestantismo, como percebe o leitor, é algo bastante curioso... Aqui é importante que o leitor não confunda doutrina com disciplina. O fato de na Assembléia de Deus os homens sentarem em lugar distinto das mulheres em suas assembléias, e o fato dos Luteranos não adotarem esta prática, não é divergência de doutrina entre estas confissões, mas de disciplina. A divergência de doutrina nota-se pelo fato dos primeiros não aceitarem o batismo infantil e os segundos aceitarem. Isto é para citar um exemplo.

   A doutrina é a Verdade Revelada, é o núcleo da fé, é o que nunca pode mudar. A disciplina é a forma como a doutrina é vivida, e é o que pode mudar, desde que não fira a doutrina. Uma análise completa de como seria o passado do Cristianismo se ele tivesse sido protestante exigiria a escrita de um livro. Então, neste artigo vamos apenas verificar a questão das resoluções tomadas pela Igreja Primitiva a fim de combater o erro, isto é, as heresias.

   Ao longo da história, a Igreja se deparou com sérios problemas doutrinários. Muitos cristãos confessavam algo que não estava de acordo com a fé recebida pelos apóstolos. A primeira heresia que a Igreja teve que combater a fim de conservar a reta fé foi a heresia judaizante.

   Os primeiros convertidos á fé Cristã eram Judeus, que criam que a observância da Lei era necessária para a Salvação. Quando os gentios (pagãos) se convertiam a Cristo, eram constrangidos por estes cristãos-judeus a observarem a Lei de Moisés. Os apóstolos se reúnem em Concílio para decidir o que deveria ser feito sobre esta questão. Em At 15, o NT dá testemunho que os apóstolos acordaram que a Lei não deveria ser mais observada. E escreveram um decreto obrigando toda a Igreja a observar as disposições do Concílio.

   Veja-se este Concílio de uma maneira mais pormenorizada. Haviam dois lados muito bem definidos em disputa, cada qual contando com um líder de enorme expressão. O primeiro destes lados era o já citado "partido dos judaizantes",  que tinha, como sua cabeça, ninguém menos do que São Tiago, primo de Jesus Cristo e a quem foi dado o privilégio de ser Bispo da Igreja Mãe de Jerusalém. Contrário a este partido, havia o que advogava que, ao cristão, não se poderia impor a Lei de Moisés, visto que o sacrifício de Jesus Cristo era suficiente e bastante para a salvação de quem crê. Como cabeça deste grupo, estava São Paulo, o mais influente apóstolo de então, a quem Deus havia dado o privilégio de "visitar o terceiro céu", e de conhecer coisas que, a nenhum outro ser humano, foi dado conhecer.

   Dois grupos muito fortes, com líderes extremamente influentes. Realiza-se o Concílio num clima de muita discussão. Estavam em jogo a ortodoxia e a salvação da alma de todos nós. No concílio, foram estabelecidas duas coisas muito importantes, de naturezas diversas.

   Em primeiro lugar, São Pedro afirmou que os cristãos não estavam obrigados à observância da lei, definindo um ponto de doutrina imutável e observado por todos os cristãos até hoje (At 15, 7-8). Aliás, a liberdade cristã, vitoriosa neste Concílio, é o ponto de partida de toda a  teologia protestante. Não deixa de ser curioso o fato de que este núcleo teológico acatado por todos eles foi definido, solenemente, pelo primeiro Papa, muito embora eles afirmem que o Papa não tem poder para definir coisa alguma...

   Pouco depois, São Tiago sugeriu, juntamente com a proibição de uniões ilegítimas, a adoção de normas pastorais (a saber: a abstinência de carne imolada aos ídolos, e de tudo o que por eles estivesse contaminado),o que foi aceito por todos e imposto aos cristãos. Tais normas, hoje não são seguidas. Por que? Nós católicos temos o argumento de que tais normas eram disciplinares e não doutrinárias, e que a Igreja Católica que foi a Igreja de ontem com o tempo as revogou; assim como uma mãe que aplica normas disciplinares a um filho quando é criança e não as utiliza mais quando o filho se torna um adulto.

   E qual o argumento dos protestantes por não observarem tais normas. Não deixa de ser curioso o fato de que não existe uma revogação bíblica destas normas, e, portanto, os protestantes (adeptos da ?sola scriptura?) deveriam observá-las. No entanto, não as observam. Revogaram-nas por conta própria. E, ainda por cima, nos acusam de "doutrinas antibíblicas"...

   Nada mais antibíblico, dentro do tenebroso mundo da ?sola scriptura", do que não seguir as normas de At 15,Bem, prossigamos. Este Concílio, portanto, foi exemplar por três motivos:

a) narra uma intervenção solene de São Pedro, acatada por todos e obedecida até pelos protestantes hodiernos, ilustrando a infalibilidade papal;

b) narra a instituição de uma norma de fé por todo o concílio (qual seja: a abstenção de uniões ilegítimas), igualmente seguida por todos até hoje, o que ilustra a infalibilidade conciliar;

c) narra a instituição de normas pastorais, que se impuseram aos cristãos e que deixaram, com o tempo de serem seguidas, muito embora constem da Bíblia sem jamais terem sido, biblicamente, revogadas (o que, por óbvio, não cabe dentro do "sola scriptura").

   Ao fim do Concílio, portanto, e de uma certa forma, os dois lados estavam profundamente desgostosos. Em primeiro lugar, o grupo dos judaizantes teve que aceitar a tese de São Paulo como sendo ortodoxa. Afinal, São Pedro em pessoa o afirmara e, diante das palavras dele, a opinião de São Tiago não tinha lá grande importância. Como católicos que eram, curvaram-se, assim como o próprio São Tiago se curvou.

   Imaginemos se fossem protestantes. Afirmariam que não há base escriturística para a afirmação de São Pedro. Que, sem versículos bíblicos (do cânon de Jerusalém, ainda por cima!), não acatariam aquela solene definição dogmática. Que São Pedro, sendo uma mera "pedrinha", não tinha poder de ligar e de desligar coisa nenhuma, muito embora Jesus houvesse dito que ele o tinha. Afirmariam, ainda, que todos os cristãos são iguais, e que, portanto, São Tiago era tão confiável quanto São Pedro, pelo que a palavra deste não poderia prevalecer sobre a daquele, principalmente quando todas as Escrituras diziam o contrário.Por fim, criariam uma nova Igreja. A Igreja do Apóstolo Tiago, verdadeiramente cristã, alheia aos erros do papado desde o princípio.

   Imaginemos, agora, o lado dos discípulos de São Paulo. É verdade que sua tese saiu vitoriosa do Concílio, mas, em compensação, tiveram que acatar as normas pastorais de cunho nitidamente judaizante. Como bons católicos que eram, entenderam que a Igreja foi constituída pastora de nossas almas e que, portanto, tais normas eram de cumprimento obrigatório.

   Imaginemos, agora, se fossem protestantes. Afirmariam que São Paulo teve uma "experiência pessoal" com Jesus e que, nesta experiência, o Senhor lhe dissera que ninguém deveria se preocupar com o que come ou com o que bebe.  Além disto, a experiência cristã é, eminentemente, espiritual e não pode sem conspurcada ou auxiliada por coisas tão baixas como a matéria (muitos protestantes, na mais pura linha gnóstica, têm horror a tudo o que é material). Portanto, este Concílio estava negando a verdade cristã, pelo que não se sentiriam obrigados a coisa alguma nele definida.

   Acabariam, finalmente, fundando uma nova Igreja. A "Igreja Em Cristo, Somos Mais do que Livres", ou "Igreja Deus é Liberdade. Este foi o primeiro concílio da Igreja. Realizado por volta do ano 59 d.C., e narrado na Bíblia. Portanto, é "cristianismo primitivo" para protestante nenhum botar defeito! Neste ponto, perguntamos: os protestantes realizam concílios para resolverem divergências doutrinárias? Sabemos que não. Então, como os protestantes podem avocar um pretenso retorno ao "cristianismo primitivo" se não resolvem suas pendências como os primitivos cristãos? Somente por aí já se percebe que a "teoria do resgate" não passa de uma desculpa de quem, orgulhosamente, não quer aderir à Verdade.

   Portanto, se a Igreja Primitiva tivesse sido protestante, como defendem alguns, este concílio não se realizaria. Primeiro que não se incomodariam se alguns cristãos confessam algo diferente, pois para os protestantes, o que importa é a fé em Cristo. A doutrina não importa, o que importa é a fé. Se você tem fé e foi batizado está salvo. Não é assim no protestantismo?

Em segundo lugar, supondo a realização do concílio, como já se viu acima, nem os cristãos judaizantes nem os discípulos de São Paulo não adotariam as disposições do Concílio em sua inteireza. E então não haveria de forma alguma uma só fé na Igreja.

   Verificamos  então que a fé primitiva não era protestante, era católica; por isto eles sabiam que deveriam obedecer a Igreja pois criam que Cristo a fundou para os guiar na Verdade (cf. 1Tm 3,15), assim como nós católicos cremos. Tanto é assim que, nos séculos que se seguiram, os "cristãos primitivos" continuaram resolvendo suas pendências doutrinárias segundo o modelo de At 15. Concílios ecumênicos e regionais se sucederam por toda a história da cristandade, sempre acatados e respeitados. Alguns deles (vá entender!) são acatados e respeitados até pelos protestantes.

   Depois da heresia judaizante, a ortodoxia (reta doutirna) cristã teve que combater as seguintes heresias: gnosticismo, montanismo, sabelianismo, arianismo, pelagianismo, nestorianismo, monifisismo, iconoclatismo, catarismo, etc. Para saber mais sobre estas heresias ler artigo "Grandes Heresias". Este mesmo artigo nos mostra como muitas destas heresias se revitalizaram nas seitas protestantes, que, assim, embora aleguem um retorno ao "crsitianismo primitivo", acabam por encampar doutrinas anematizadas por estes mesmos cristãos primitivos.

   Como costumamos dizer, a coerência não é o forte do protestantismo...O fato é que graças á realização dos Concílios Ecumênicos ou Regionais, graças aos decretos Papais, e à submissão dos primeiros cristãos aos ensinamentos do Magistério da Igreja, é que foi possível que houvesse uma só fé na Igreja antes do século XVI (antes da Reforma). Foi pelo fato da Igreja antiga ser Católica, que as palavras de São Paulo ("uma só fé" cf. Ef 4,5) puderam se cumprir.

   Se a Igreja Antiga fosse protestante, simplesmente, o combate às heresias não teria acontecido, e com toda certeza nem saberíamos no que crer hoje. O mundo protestante só não e mais confuso porque recebeu da Igreja Católica a base de sua teologia. Como ensinou São Paulo: "A Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade" (cf. 1Tm 3,15). Foi assim para os primeiros cristãos e assim continua para nós católicos.

    Assim como no passado, continuamos obedecendo aos apóstolos (hoje são os bispos da Igreja, legítimos sucessores dos apóstolos) pois continuamos crendo que Jesus fundou sua Igreja para nos ensinar a Verdade através dela.  Se isto foi verdade no passado, necessariamente é verdade agora e continuará sendo sempre. Estude as origens da fé, procure saber sobre os Escritos patrísticos e descubra a Verdade, assim como nós do Veritatis Splendor, que somos ex-protestantes (em sua maioria) descobrimos.

Não rotulem, conheçam.

"Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará".

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/515-a-igreja-primitiva-era-catolica-ou-protestante

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Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé?

 

Introdução

Segundo ensinam os protestantes, a Reforma Protestante foi um movimento de retorno ao Cristianismo primitivo, este que fora totalmente esquecido pela Igreja Católica. Acusam a Igreja de alterar de adulterar o cristianismo professado nos primeiros séculos.

Um estudo sincero dos testemunhos de fé deixados pelos primeiros cristãos prova exatamente o contrário.

 

O retorno á fé verdadeira que os protestantes dizem confessar, é na verdade uma grande ilusão, uma grande mentira.

Na prática, o cristianismo primitivo deles é o entendimento que conseguem retirar da Bíblia, isto é, eles plasmam um cristianismo primitivo a partir da leitura que fazem da Bíblia.

Os luteranos e anglicanos, por exemplo, lendo a Bíblia entendem que o batismo deve ser ministrado também às crianças. Assim, eles crêem que desde o início do cristianismo, as crianças eram batizadas.

Já os fiéis da Assembléia de Deus, por exemplo, lendo a Bíblia entendem que o batismo deve ser ministrado apenas aos adultos. Assim, eles crêem que desde o início do cristianismo, somente os adultos eram batizados.

Os cristãos adventistas, por exemplo, lendo a Bíblia entendem que o dia Santo do Senhor é o sábado e não o domingo. Assim, eles crêem que desde o início do cristianismo, o sábado nunca deixou de ser o dia Santo do Senhor.

Além dos adventistas, as Testemunhas de Jeová lendo a Bíblia também entendem que a Santíssima Trindade não existe, então crêem que desde o início do Cristianismo nunca houve a fé na Santíssima Trindade.

Desta forma, cada confissão protestante que surge, vai modificando a história do Cristianismo, pregando que no passado era assim ou assado, conforme o que entendem das Sagradas Escrituras. É lógico que duas ou mais teses contraditórias não podem ser igualmente válidas e verdadeiras, logo o conjunto de idéias que as confissões protestantes possuem do cristianismo antigo, necessariamente não corresponde ao que realmente foi o cristianismo antigo.

Isto acontece porque os protestantes ao longo dos séculos foram cada vez mais se esquecendo da memória cristã, à medida que se enveredaram nos labirintos do Livre Exame e da Sola Scriptura. Adotaram fundamentos que criam ser possível levá-los ao conhecimento da Verdade, mas que na prática cobriram seus olhos como um véu.

No entanto, os primeiros cristãos nos deixaram o testemunho da sua fé (os escritos patrísticos), para que jamais nos esquecêssemos da doutrina que receberam dos Santos Apóstolos.

Já que a proposta dos protestantes é o retorno ao Cristianismo Primitivo, procuraremos neste artigo apresentar alguns poucos exemplos o que o próprio Cristianismo primitivo diz de si mesmo.

O que o Cristianismo primitivo diz de si mesmo?

1. Como o protestantismo pode ser um retorno ás origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que na Eucaristia (Santa Ceia para os protestantes) estava presente o verdadeiro sangue e corpo de Nosso Senhor, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebida quero o sangue d'Ele, que é Amor incorruptível". (Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Romanos, parágrafo 7, cerca de 80-110 d.C.

"Apartai-vos das ervas daninhas que Jesus Cristo não cultiva, por não serem plantação do Pai.Não que tenha encontrado em vosso meio discórdias, pelo contrário encontrei um povo purificado. Na verdade, o que são propriedade de Deus e de Jesus Cristo estão com o Bispo, e todos os que se converterem e voltarem à unidade da Igreja, pertencerão também a Deus, par terem uma vida segundo Jesus Cristo. Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático, não herdará o reino de Deus se alguém se guiar por doutrina alheia, não se conforma com a Paixão de Cristo. Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes" . (Santo Inácio de Antioquia,Carta aos Filadelfienses,3 e 4, + 110 d.C.)

"Esta comida nós chamamos Eucaristia, da qual ninguém é permitido participar, exceto o que creia que as coisas nós ensinamos são verdadeiras, e tenha recebido o batismo para perdão de pecados e renascimento, e que vive como Cristo nos ordenou. Nós não recebemos essas espécies como pão comum ou bebida comum; mas como Cristo Jesus nosso Salvador, que se encarnou pela Palavra de Deus, se fez carne e sangue para nossa salvação, assim também nós temos ensinado que o alimento consagrado pela Palavra da oração que vem dele, de que a carne e o sangue são, por transformação, a carne e sangue daquele Jesus Encarnado." - (São Justino, I Apologia, Cap. 66, cerca de 148-155 d.C.)

"Deus tem portanto anunciado que todos os sacrifícios oferecidos em Seu Nome, por Jesus Cristo, que está, na Eucaristia do Pão e do Cálice, que são oferecidos por nós cristãos em toda parte do mundo, são agradáveis a Ele." - (São Justino,Diálogo com Trifão, Cap. 117, 130-160 d.C.)

"Outrossim, como eu disse antes, concernente os sacrifícios que vocês, naquele tempo, ofereciam, Deus fala através de Malaquias, um dos doze, como segue: 'Eu não tenho nenhum prazer em você, diz o Senhor; e Eu não aceitarei os sacrifícios de suas mãos; do nascer do sol até seu ocaso, meu Nome tem sido glorificado dentre os gentios; e em todo o lugar incenso é oferecido em meu Nome, e uma oferta pura: Grande tem sido meu nome dentre os gentios, diz o Senhor; mas você O profana.' Assim são os sacrifícios oferecidos a Ele, em todo lugar, por nós os gentios, que são o Pão da Eucaristia e igualmente a taça da Eucaristia, que Ele falou naquele tempo; e Ele diz que nós glorificamos Seu nome, enquanto vocês O profanam." (São Justino,Diálogo com Trifão, [41, 8-10], 130-160 d.C.)

"[Cristo] declarou o cálice, uma parte de criação, por ser seu próprio Sangue, pelo qual faz nosso sangue fluir; e o pão, uma parte de criação, ele estabeleceu como seu próprio Corpo, pelo qual Ele completa nossos corpos." (Santo Irineu de Lião, Contra Heresias, 180 d.C.)

"Assim então, se a taça misturada e o pão fabricado recebem a Palavra de Deus e tornam-se Eucaristia, que é dizer, o Sangue e Corpo de Cristo, que fortifica e reconstrói a substância de nossa carne, como podem essas pessoas dizer que a carne é incapaz de receber o presente de Deus que é a vida eterna, quando isto é feito pelo Sangue e Corpo de Cristo, que são Seu membro? Como o apóstolo abençoado diz em sua carta aos Efésios, 'Nós somos membros de Seu Corpo, de sua carne e de seus ossos' (Ef 5,30). Ele não está falando de forma 'espiritual' e de ' homem invisível', 'um espírito não tem carne e ossos' (Lc 24,39). Não, ele está falando do organismo possuído por um ser humano real, composto de carne e nervos e esqueleto. Isto é este que é nutrido pela taça que é Seu Sangue, e é fortificado pelo pão que é Seu Corpo. O talo da vinha toma raiz na terra e futuramente dá frutos, e 'o grão de trigo cai na terra' (Jo 12,24), dissolve, ascende outra vez, multiplicado pelo Espírito de Deus, e finalmente depois é processando, é colocado para uso humano. Esses dois então recebe a Palavra de Deus e torna-se Eucaristia, que é o Corpo e Sangue de Cristo." (Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade)

"Somente como o pão que vem da terra, tendo recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, consistindo de duas realidades, divina e terrestre, assim nossos corpos, tendo recebidos a Eucaristia, não são mais corruptíveis, porque eles têm a esperança da ressurreição." - "Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade - especificamente a Gnose". Livro 4,18; 4-5, cerca de 180 d.C.

"O Sangue do Senhor, realmente, é duplo. Há Seu Sangue corpóreo, por que nós somos redimidos da corrupção; e Seu Sangue espiritual, com que nós somos ungido. Que significa: beber o Sangue de Jesus é compartilhar sua imortalidade. O vigor da Palavra é o Espírito somente como o sangue é o vigor do corpo. Do mesmo modo, como vinho é misturado com água, assim é o Espírito com o homem. O Único, o Vinho e Água nutrido na fé, enquanto o outro, o Espírito, conduzindo-nos para a imortalidade. A união de ambos, entretanto, - da bebida e da Palavra, - é chamada Eucaristia, digna de louvor e presente excelente. Aqueles que partilham disto na fé são santificados no corpo e na alma. Pela vontade do Pai, a mistura divina, homem, está misticamente unida ao Espírito e à Palavra." (São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças". [2,2,19,4] + - 202.)

"A Palavra é tudo para uma criança: ambos Pai e Mãe, ambos Instrutor e Enfermeira. 'Comam minha Carne,' Ele diz, 'e Bebam meu Sangue.' O Senhor nos nutre com esses nutrientes íntimos. Ele nos entrega Sua Carne, e nos dá Seu Sangue; e nada é escasso para o crescimento de Suas crianças. Oh mistério incrível!". (São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças [1,6,41,3] + - 202.)

2. Como o protestantismo pode ser um retorno ás origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o batismo pode ser ministrado também às crianças, o que é negado pela grande maioria da fé protestante  e ensinado pela Igreja Católica?

"Ele (Jesus) veio para salvar a todos através dele mesmo, isto é, a todos que através dele são renascidos em Deus: bebês, crianças, jovens e adultos. Portanto, ele passa através de toda idade, torna-se um bebê para um bebê, santificando os bebês; uma criança para as crianças, santificando-as nessa idade...(e assim por diante); ele pode ser o mestre perfeito em todas as coisas, perfeito não somente manifestando a verdade, perfeito também com respeito a cada idade" (Santo Irineu, ano 189 - Contra Heresias II,22,4).

"Onde não há escassez de água, a água corrente deve passar pela fonte batismal ou ser derramada por cima; mas se a água é escassa, seja em situação constante, seja em determinadas ocasiões, então se use qualquer água disponível. Dispa-se-lhes de suas roupas, batize-se primeiro as crianças, e se elas podem falar, deixe-as falar. Se não, que seus pais ou outros parentes falem por elas" (Hipólito, ano 215 - Tradição Apostólica 21,16).

"A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar Batismo mesmo às crianças. Os apóstolos, aos quais foi dado os segredos dos divinos sacramentos sabiam que havia em cada pessoa inclinações inatas do pecado (original), que deviam ser lavadas pela água e pelo Espírito" (Orígenes, ano 248 - Comentários sobre a Epístola aos Romanos 5:9)

"Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (São Cipriano, ano 248 - Carta a Fido).

3. Como o protestantismo pode ser um retorno ás origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que os santos podem ser venerados (não adorados!), o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Ignoravam eles que não poderíamos jamais abandonar Cristo, que sofreu pela salvação de todos aqueles que são salvos no mundo, como inocente em favor dos pecadores, nem prestamos culto a outro. Nós o adoramos porque é o Filho de Deus. Quanto aos mártires, nós os amamos justamente como discípulos e imitadores do Senhor, por causa da incomparável devoção que tinham para com seu rei e mestre. Pudéssemos nós também ser seus companheiros e condiscípulos!" (Martírio de Policarpo 17:2, +- 160 D.C).

"Vendo a rixa suscitada pelos judeus, o centurião colocou o corpo no meio e o fez queimar, como era costume. Desse modo, pudemos mais tarde recolher seus ossos [de Policarpo], mais preciosos do que pedras preciosas e mais valiosos do que o ouro, para colocá-lo em lugar conveniente. Quando possível, é aí que o Senhor nos permitirá reunir-nos, na alegria e contentamento, para celebrar o aniversário de seu martírio, em memória daqueles que combateram antes de nós, e para exercitar e preparar aqueles que deverão combater no futuro." (Martírio de Policarpo 18, +- 160 D.C)

4. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria ser possível erguer imagens em honras dos Santos, que não eram ídolos mas  memória dos amigos de Deus, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela  Igreja Católica?

"Uma vez que evoquei a lembrança desta cidade [Paneas], não considero justo omitir uma narrativa digna de memória até para os pósteros. Com efeito, diz-se ter sido oriunda deste lugar a hemorroíssa que, conforme narram os santos evangelhos encontrou junto do Senhor a cura de seus males(cf. Mt 9,20ss; Mc 5,25; Lc 8,43). Mostra-se na cidade sua casa, e subsistem admiráveis monumentos da beneficência do Salvador para com ela.

Com efeito, sobre um rochedo elevado, diante das portas da casa, ergue-se uma estátua feminina de bronze. Ela tem os joelhos dobrados, as mãos estendidas para a frente, em atitude suplicante. Diante dela há outra estátua da mesma matéria, representando um homem de pé, sobre uma coluna, parece brotar uma planta estranha que se eleva até as franjas do manto de bronze; é o antídoto de doenças de toda espécie.

Assegurava-se que a estátua é imagem de Jesus; ela subsiste ainda até hoje, de sorte que nós a vimos ao visitarmos a cidade" (Eusébio de Cesaréia, HE VII,18,1-3. 375 DC)

"Não é de admirar que outrora pagãos beneficiados por nosso Salvador, a tenham erguido  [a imagem do relato anterior], quando sabemos terem sido preservados ícones pintados em cores dos apóstolos Pedro e Paulo e do próprio Cristo. É natural, pois os antigos, segundo um uso pagão entre eles observado, tinham o costume de honrá-los desta maneira sem preconceitos, quais salvadores." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,18,4. 375 DC)

"Igualmente o trono de Tiago, o primeiro a receber do Salvador e dos apóstolos o episcopado da Igreja de Jerusalém e freqüentemente nas Escrituras é designado como irmão de Cristo (Gl 1,19; 1Cor 15,7; Mt 13,55), foi conservado até hoje e os irmãos da região sucessivamente o cercaram de cuidados. Deste modo realmente demonstram a todos a veneração que os homens de outrora e os atuais dedicavam e ainda dedicam aos homens santos, porque amados de Deus. Eis o referente a esta questão." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,19. 375 DC)

5. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o Bispo de Roma é o chefe de toda a Igreja de Cristo, que é única e visível, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Depois da ressurreição, diz o Senhor: 'Apascenta as minhas ovelhas'. Assim o Senhor edifica sobre Pedro a Igreja e lhe confia as suas ovelhas para apascentá-las. Se bem que dê igual poder a todos os Apóstolos, constitui uma só cátedra e dispõe, por sua autoridade, a origem e o motivo da unidade. Por certo os demais Apóstolos eram como Pedro, mas o primado é dado a Pedro e a unidade da Igreja e da cátedra é assim demonstrada. Todos são pastores mas, como se vê, um só é o rebanho apascentado pelo consenso unânime de todos os Apóstolos. Julga conservar a fé aquele que não conserva esta unidade recomendada por Paulo? Confia estar na Igreja aquele que abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

6. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Igreja de Roma era considerada a sede da Igreja de Cristo, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição apostólica que ela guarda e a fé que ela comunicou aos homens chegaram até nós através da sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos aqueles que querem procurar a verdade onde ela não pode ser encontrada. Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,3,2).

"Ora, sob [o episcopado de] Clemente, grave divergência surgiu entre os irmãos de Corinto. A Igreja de Roma enviou aos coríntios importante carta, exortando-os à paz e procurando reavivar-lhes a fé, assim como a tradição que, há pouco tempo, ela havia recebido dos apóstolos." (História Eclesiástica Livro IV, 6,3. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

7. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva não cria na Sola Scriptura e cria que a Sagrada Tradição dos Apóstolos e o Sagrado Magistério da Igreja, eram Palavra de Deus ao lado das Sagradas Escrituras, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Suponhamos que se levante uma questão sobre algum importante ponto entre nós, e não possamos recorrer às mais primitivas comunidades com as quais os apóstolos mantiveram constante relacionamento, as quais aprenderam deles o que é certo e claro a respeito dessa questão. O que aconteceria se os próprios apóstolos não nos tivessem deixado escritos? Não seria necessário (nesse caso) seguir o curso da tradição que transmitiram àqueles aos quais entregaram às Igrejas?" (Santo Ireneu Bispo de Lião (180), Contra as Heresias III,4,1.).

"E quando, por nossa vez, os levamos [os hereges] à Tradição que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõe à Tradição, dizendo que, sendo eles mais sábios do que os presbíteros, não somente, mas até dos apóstolos, foram os únicos capazes de encontrar a pura verdade." (Santo Ireneu Bispo de Lião (180), Contra as Heresias, III,2,1)

"Pois é suficiente para provar nossa afirmação de que a Tradição veio até nós por nossos pais, transmitida como uma herança, por sucessão dos apóstolos e dos santos que os sucederam. Aqueles, por outro lado, que mudaram suas doutrinas com novidades, necessitariam do suporte de abundantes argumentos, se quisessem mostrar seus pontos de vista, não à luz de homens controversos e instáveis, mas de homens de peso e firmeza. Mas já que suas posições se apresentam sem fundamentos e sem provas, quem é tão louco e tão ignorante para considerar os ensinamentos dos evangelistas e apóstolos, e daqueles que sucessivamente brilharam como luzes nas igrejas de menos força do que tais coisas sem sentido e sem provas?" (São Gregório de Nissa (335-394), Contra Eunômio, 4,6).

"Sobre os dogmas e querigmas preservados pela Igreja, alguns de nós possuímos ensinamento escrito e outros recebemos da tradição dos Apóstolos, transmitidos pelo mistério. Com respeito à observância, ambos são da mesma força. Ninguém que seja versado mesmo um pouco no proceder eclesiástico, deverá contradizer qualquer um deles, em nada. Na verdade, se tentarmos rejeitar os costumes não escritos como não tendo grande autoridade, estaríamos inconscientemente danificando os Evangelhos em seus pontos vitais; ou, mais ainda, estaríamos reduzindo o querigma a uma única expressão" (São Basílio Magno (329-379), O Espírito Santo, 27,36).

"Perguntando eu com toda a atenção e diligência a numerosos varões, eminentes em santidade e doutrina, que norma poderia achar segura para distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia, eis a resposta constante de todos eles: quem quiser descobrir as fraudes dos hereges nascentes, evitar seus laços e permanecer íntegro na sadia fé, há de resguardá-la, sob o duplo auxílio divino: primeiro, com a autoridade da lei divina e segundo com a tradição da Igreja católica. Ao chegar a este ponto, talvez pergunte alguém: sendo perfeito como é o cânon das Escrituras e suficientíssimo por si só para todos os casos, que necessidade há de se acrescentar a autoridade da interpretação da Igreja? A razão é que, devido à sublimidade da Sagrada Escritura, nem todos a entendem no mesmo sentido, mas cada qual interpreta à sua maneira as mesmas sentenças, de modo a se poder dizer que há tantas opiniões quantos intérpretes. De uma maneira a expõe Novaciano, diversamente Sabélio, Donato, Ário, Eunômio, Macedônio; de outra forma Fotino, Apolinário, Prisciliano; de outra, ainda, Joviniano, Pelágio, Celéstio ou Nestório. Portanto, é necessário que, em meio a tais encruzilhadas do erro, seja o sentido católico e eclesiástico o que assinale a linha diretriz na interpretação da doutrina dos profetas e apóstolos. E na própria Igreja Católica deve-se procurar a todo custo que nos atenhamos ao que, em toda a parte, sempre e por todos foi professado como de fé, pois isto é próprio e verdadeiramente católico, como o diz a índole mesma do vocábulo, que abarca a globalidade das coisas. Ora obte-lo-emos se seguirmos a universalidade, a antigüidade e o consentimento. Pois bem: seguiremos a universalidade se professarmos como única fé a que é professada em todo o orbe da terra pela Igreja inteira; a antigüidade, se não nos afastarmos do sentir manifesto de nossos santos pais e antepassados; enfim, o consentimento, se na mesma antigüidade recorrermos às sentenças e resoluções de todos ou quase todos os sacerdotes e mestres" (Vicente de Lérins, +450, Comonitório).

8. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Igreja é única e visível e não formada por todos os crentes, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"A Igreja é uma só, embora abranja uma multidão pelo contínuo aumento de sua fecundidade. Assim como há uma só luz nos muitos raios do sol, uma só árvore em muitos ramos, um só tronco fundamentado em raízes tenazes, muitos rios em uma única fonte, assim também esta multidão guarda a unidade da origem, se bem que pareça dividida por causa da inumerável profusão dos que nascem. A unidade da luz não comporta que se separe um raio do centro solar; um ramo quebrado da árvore não cresce; cortado da fonte, o rio seca imediatamente. Do mesmo modo, a Igreja do Senhor, como luz derramada, estende seus raios em todo o mundo e é uma única luz que se difunde sem perder a própria unidade. Ela desdobra os ramos por toda a terra com grande fecundidade; estende-se ao longo dos rios com toda a liberalidade e, no entanto, é uma na cabeça, uma pela origem, uma só mão imensamente fecunda. Nascemos todos do seu ventre, somos nutridos com seu leite e animados por seu Espírito" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

"A esposa de Cristo não pode ser adulterada: ela é incorrupta e pura, não conhece mais que uma só casa, guarda com casto pudor a santidade do único tálamo. Ela nos conserva para Deus e entrega ao Reino os filhos que gerou. Quem se afasta da Igreja e se junta a uma adúltera, separa-se das promessas da Igreja. Quem deixa a Igreja de Cristo não alcançará os prêmios de Cristo. É um estranho, um profano, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Se alguém se pôde salvar, dos que figuram fora da arca de Noé, também se salvará o que estiver fora da Igreja 1... Torna-se adversário de Cristo quem rompe a paz e a concórdia de Cristo... O Senhor diz: 'Eu e o Pai somos um'; está ainda escrito do Pai e do Filho e do Espírito Santo: 'E estes três são um'2. Quem crê nesta verdade fundada na certeza divina e adere aos mistérios celestiais, não abandona a Igreja nem dela se afasta por causa da diversidade de vontades que se entrechocam. Quem não mantém esta unidade também não mantém a lei de Deus, a fé no Pai e no Filho. Não conserva a vida, nem a salvação" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

"Este sacramento da unidade, este vínculo da concórdia que une inseparavelmente, está indicado no Evangelho pela túnica de nosso Senhor Jesus Cristo, que não foi dividida nem rasgada. Dentre os que disputavam por sorteio a veste de Cristo, vestiria o Cristo quem a recebesse íntegra e a possuísse como túnica incorruptível e indivisível. A Escritura divina declara: 'Quanto à túnica, como era sem costura, tecida numa só peça, disseram entre si: «Não a rasguemos, decidamos de quem será por sorteio»'. Ela trazia a unidade vinda do alto, isto é, do céu, do Pai, e que não pode ser quebrada por quem a recebe ou a possui, sendo ganha por inteira... Quem rasga ou divide a Igreja de Cristo não pode possuir a veste de Cristo. Por outro lado, enfim, quando Salomão estava para morrer e seu reino havia de ser dividido, o profeta Aquias dirigiu-se no campo ao rei Jeroboão com as vestes cindidas em doze trapos, dizendo: 'Tira para ti dez destes trapos pois diz o Senhor: «Eis que divido o reino nas mãos de Salomão. Dar-te-ei dez cetros; dois ficarão com ele em vista de Davi, meu servo, e de Jerusalém, cidade santa, onde colocarei o meu nome»'. O profeta Aquias rasgou sua veste porque deviam ser divididas as doze tribos de Israel. Como, porém, o povo de Cristo não pode ser dividido, sua túnica, tecida e coerente, não é dividida pelos que a possuem. Íntegra, conjunta e indivisível, mostra a concórdia do povo que vestiu o Cristo. No mistério e no sinal da veste, a unidade da Igreja foi manifestada" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

"Quem é tão ímpio e perverso, tão enlouquecido pelo delírio da discórdia que julgue poder ou que ouse dividir a unidade de Deus, a veste do Senhor, a Igreja de Cristo? O próprio Senhor adverte e ensina no Evangelho: 'Haverá um só pastor e um só rebanho'. Pensa alguém que em um só lugar poderá haver muitos rebanhos e muitos pastores? Também o Apóstolo Paulo, insinuando esta mesma unidade, suplica, exorta e recomenda: 'Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais a mesma coisa e não haja cisões entre vós. Sede propensos no mesmo espírito e à mesma sentença'. Ainda outra vez: 'Suportai-vos mutuamente no amor da paz, fazendo tudo para conservar a unidade do espírito no vínculo da paz'. Acreditas que podes subsistir afastado da Igreja, procurando para ti outras moradas? Disseram a Raab, que prefigurava a Igreja: 'Reune contigo, em casa, teu pai, tua mãe, teus irmãos, toda a tua família. E quem ultrapassar a porta de tua casa, responderá por si'. Do mesmo modo como o mistério da Páscoa significa, na lei do Êxodo, a mesma unidade, o cordeiro que é morto, figurando a Cristo, deve ser comido numa só casa. Deus disse: 'Será comido em uma só casa. Não lanceis a carne fora de casa'. A carne de Cristo, do Santo do Senhor, não pode ser lançada fora. E não há para os fiéis outra casa senão a Igreja." (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

9. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que uma igreja só poderia ser considerada Igreja, se fosse apostólica, isto é, gerada através da sucessão dos apóstolos, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Os apóstolos receberam do Senhor Jesus Cristo o Evangelho que nos pregaram. Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo, portanto, vem de Deus, e os apóstolos vêm de Cristo. As duas coisas, em ordem, provêm, da vontade de Deus. Eles receberam instruções e, repletos de certeza, por causa da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, fortificados pela palavra de Deus e com plena certeza dada pelo Espírito Santo, saíram anunciando que o Reino de Deus estava para chegar. Pregavam pelos campos e cidades, e aí produziam sua primícias, provando-as pelo Espírito, a fim de instituir com elas bispos e diáconos dos futuros fiéis. Isso não era algo novo: desde há muito tempo, a Escritura falava dos bispos e dos diáconos. Com efeito, em algum lugar está escrito: "Estabelecerei seus bispos na justiça e seus diáconos na fé." (São Clemente (+ 90), Primeira Carta aos Corínitos,42)

"Nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por este motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião de morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério. Os que foram estabelecidos por eles ou por outros homens eminentes, com a aprovação de toda a Igreja, e que serviram irrepreensivelmente ao rebanho de Cristo, com humildade, calma e dignidade, e que durante muito tempo receberam o testemunho de todos, achamos que não é justo demiti-los de suas funções. Para nós, não seria culpa leve se exonerássemos do episcopado aqueles que apresentaram os dons de maneira irrepreensível e santa. Felizes os presbíteros que percorreram seu caminho e cuja vida terminou de modo fecundo e perfeito. Eles não precisam temer que alguém os afaste do lugar que lhes foi designado. E nós vemos que, apesar da ótima conduta deles, removestes alguns da funções que exerciam de modo irrepreensível e honrado." (São Clemente (+ 90), Primeira Carta aos Corínitos,44)

"Depois de ter assim fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado... Anacleto lhe sucede. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado... A Clemente sucedem Evaristo, Alexandre; em seguida, em sexto lugar a partir dos Apóstolos, é instituído Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aniceto, Sotero, sucessor de Aniceto; e, agora, Eleutério detém o episcopado em décimo segundo lugar a partir dos Apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,2,1s).

"[Os Apóstolos] logo foram pelo mundo e pregaram a mesma doutrina da mesma fé às nações. Eles, portanto, de modo semelhante, andaram pelas igrejas em cada cidade, e dessas para todas as igrejas, uma após outra, e transmitiram a tradição da fé e as sementes da doutrina, e a cada dia as passavam adiante para constituírem igrejas. Certamente, é por causa disso somente que foram capazes elas próprias de se considerarem apostólicas, tendo sua origem nas igrejas apostólicas. Cada espécie de coisa deve necessariamente voltar às suas origens para sua adequação. Daí, as igrejas, embora sejam tantas e tão grandes, são ligadas a uma única igreja primitiva [fundada] pelos apóstolos, delas todas [fonte]. Dessa maneira todas são primitivas e todas apostólicas, enquanto são todas confirmadas por uma, [indissolúvel] unidade, por sua comunhão pacífica, por característica de irmandade e por laço de hospitalidade, privilégios que nenhuma outra norma determina senão que uma única tradição do mesmo mistério." (Tertuliano, Prescrição Contra os Hereges, 20).

"A Clemente [3º sucessor de São Pedro na Cáthedra de Roma] sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre, depois, em sexto lugar desde os apóstolos, foi estabelecido Xisto; logo, Telésforo, que prestou glorioso testemunho; em seguida, Higino; após este, Pio, e depois, Aniceto. Tendo sido Sotero o sucessor de Aniceto, agora detém o múnus espiscopal Eleutério, que ocupa o duodécimo lugar na sucessão apostólica. Em idêntica ordem e idêntico ensinamento na Igreja, a tradição proveniente dos apóstolos e o anúncio da verdade chegaram até nós." (História Eclesiástica Livro V, 6,4-5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"Esses mestres [Policarpo, Ireneu, Pápias, Justino, Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, entre outros pois a lista é grande], que guardaram a verdadeira tradição da feliz doutrina recebida, como que transmitida de pai a filho, oriunda imediatamente dos santos Apóstolos Pedro e Tiago, João e Paulo (poucos são, contudo os filhos semelhantes aos pais), chegaram até nossos dias, por dom de Deus, a fim de lançar as sementes de seus antepassados e dos apóstolos em nossos corações" (História Eclesiástica Livro V, 11,5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

10. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que só poderia ser pastor da Igreja de Deus aquele que recebesse este ministério através da ordenação sacerdotal das mãos de um legítimo Bispo, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Origines para atender a urgentes negócios eclesiásticos, foi à Grécia, e ao atravessar a Palestina, em Cesaréia, recebeu dos bispos da região a ordenação sacerdotal." (Eusébio de Cesaréia, HE VI,23,4. 317 DC)

11. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o perdão dos pecados só poderia ser obtido através da confissão a um sacerdote, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Dizem eles [os hereges novacianos], porém, que prestam reverência ao Senhor, o único a quem reservam o poder de remir os crimes. Pelo contrário, ninguém lhe faz maior injúria do que aqueles que querem anular seus mandamentos, rejeitar o encargo que lhes foi confiado. Pois se o próprio Senhor Jesus diz em seu Evangelho: 'Recebei o Espírito Santo, e a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos'(Jô 20,22-23). Quem é que o honra mais: aquele que obedece a seus mandamentos ou aquele que resiste a eles?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 2,6. 370 DC)

"Considera também o seguinte: quem recebe o Espírito Santo, recebe o poder de desligar e ligar pecados. Pois assim está escrito: 'Recebei o Espírito Santo, e a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos'(Jô 20,22-23). Portanto, quem não pode desligar o pecado, não tem o Espírito Santo. Com efeito, é um dom do Espírito Santo a função do sacerdote; por outro lado, há um direito do Espírito Santo no fato de desligar e ligar os crimes. Como, pois, reivindicam os novacianos o dom daquele cujo direito e poder não reconhecem?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 2,8. 370 DC)

"Porém Deus não faz distinção; Ele prometeu sua misericórdia a todos e deu permissão de perdoar a seus sacerdotes, sem uma única exceção."  (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 3,10. 370 DC)

"Que sociedade podem então ter contigo [Jesus] estes que não aceitam as chaves do Reino (cf. Mt 16,19), ao negarem que devem perdoar os pecados?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,32. 370 DC)

"É certamente isto que eles [os novacianos] confessam a seu próprio respeito e com razão; de fato, não podem ter a herança de Pedro aqueles que não tem a cátedra de Pedro, a qual despedaçam com uma ímpia divisão. Contudo, é sem razão que negam também que na Igreja os pecados possam ser perdoados." (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,33. 370 DC)

12. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Virgem Maria foi concebida sem pecado (Imaculada Conceição), o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Ele (=Jesus) era a arca composta por madeira incorruptível. Com efeito, o seu tabernáculo (=Maria) era isento da podridão e corrupção" (Santo Hipólito de Roma, Orat. Inillud. 220 DC).

"Esta Virgem Mãe do Unigênito de Deus chama-se Maria, digna de Deus, imaculada das imaculadas, sem par" (Origines, Homilia 1. 280 DC).

"Somente Vós (=Cristo) e vossa Mãe sois mais belos do que qualquer outro ser. Em ti, Senhor, não há mancha alguma; na tua Mãe nada de feio existe" (Éfrem da Síria, Garmina Nisibena 27,8.).

"Que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse?" (São Cirilo de Jerusalém, 208 DC).

"Maria, uma virgem não profanada, Virgem tornada inviolável pela graça, livre de toda mancha do pecado" (Santo Ambrósio de Milão, Sermão 22,30. 317 DC).

"Nem se deve tocar na palavra 'pecado' em se tratando de Maria; e isto em respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, que a preservou de todo pecado por sua graça" (Santo Agostinho, Sermão 215,3. 325 DC).

"Não entregamos Maria ao diabo por condição original pois afirmamos que sua própria condição original se anula pela graça da redenção." (Santo Agostinho, Contra Juliano 4. 325 DC).

"Exceto a Santa Virgem Maria, da qual não quero, por honra do que é devido ao Senhor, suscitar qualquer questão ao se tratar de pecados, pois sabemos que lhe foi concedida a graça para vencer por todos os flancos o pecado, porque mereceu ela conceber e dar à luz a quem não teve pecado algum. Exceto, digo a esta Virgem, se tivéssemos podido congregar todos os santos e santas que aqui viviam e perguntássemos se jamais tinham pecado, o que teriam respondido? (...) Não é verdade que teriam unanimemente exclamado: 'Se dissermos que não pecamos, enganamo-nos, e a verdade não está em nós'?" (Santo Agostinho, De Natura et Gratia 36,42. 325 DC).

13. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva honrava Santa Maria como a Mãe de Deus, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Maria, a Santa Mãe de Deus e imaculada Virgem (...) concebeu do Espírito Santo, sem semente viril, o próprio Deus Verbo; deu-O à luz sem perder a sua integridade e, também depois do parto, conservou inalterada a sua virgindade". (Concílio Regional de Latrão)

"[O Verbo de Deus,] tendo-se encarnado da santa gloriosa Mãe de Deus e sempre virgem Maria, nasceu dela" (II Concílio de Constantinopla, DS 422).

"Sob a vossa proteção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as nossas súplicas, pois estamos sendo provados, mas livrai-nos de todo o perigo, ó Virgem gloriosa e bendita" (Oração Egípcia. 211 DC).

"[Jesus] não teve apenas a aparência, mas tinha carne de verdade recebida de Maria, Mãe de Deus" (Alexandre de Alexandria, Epístola a Alexandre de Constantinopla 12).

"A Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador estas duas coisas: que Ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é a Palavra do Pai, seu esplendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da Virgem Maria, Mãe de Deus" (Santo Atanásio de Alexandria, Da Trindade. 318 DC).

"Ó Filho único e Verbo de Deus: sendo imortal, vos dignaste, pela nossa salvação, encarnar-vos da Santa Mãe de Deus e sempre virgem Maria, vós que sem mudança vos tornaste homem e foste crucificado, ó Cristo Deus, que pela vossa morte esmagaste a morte; sois Um na Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo. Salvai-nos!" (São João Crisóstomo, O Monoghenis.).

14. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o matrimônio era indissolúvel e orientado à geração de filhos, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Nós, ou nos casamos desde o princípio para a única finalidade de gerar filhos, ou renunciamos ao matrimônio, permanecendo absolutamente castos. Para vos mostrar que a união promíscua não é um mistério que celebramos, houve o caso que um dos nossos apresentou um memorial ao prefeito Félix em Alexandria, pedindo-lhe que autorizasse seu médico para cortar-lhe os testículos, pois os médicos daquele lugar diziam que tal operação não podia ser feita sem permissão do governador. Félix negou-se absolutamente a assinar o pedido e o jovem permaneceu solteiro, contentando-se com o testemunho de sua consciência e o de seus companheiros na fé." (São Justino de Roma, I Apologia Cap 29, cerca de 148-155 d.C.)

15. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o dia para a adoração do Senhor era o domingo, o que é negado pelos adventistas e ensinado pela a Igreja Católica?

"Depois dessa primeira iniciação, recordamos constantemente entre nós essas coisas e aqueles de nós que possuem alguma coisa socorrem todos os necessitados e sempre nos ajudamos mutuamente. 2Por tudo o que comemos, bendizemos sempre ao Criador de todas as coisas, por meio de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. 3No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. 5Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: ?Amém?. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos. 6Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dá o que bem lhe parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente. Ele o distribui a órfãos e viúvas, aos que por necessidade ou outra causa estão necessitados, aos que estão nas prisões, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provedor de todos os que se encontram em necessidade. Celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame." (São Justino de Roma, I Apologia cap 67, cerca de 148-155 d.C.)

16. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que os livros deuterocanônicos (I e II Macabeus, Judite, Tobias, Eclesiástico Sabedoria de Sirácida) eram canônicos, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Cânon 36 - Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos1, dois livros dos Paralipômenos2, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão3, doze livros dos Profetas4, Isaías, Jeremias5, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras6 e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos7, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo8, uma do mesmo aos Hebreus9, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João.10 Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar11. É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários12" (Concílio de Hipona, 08.Out.393).

"Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João12. Isto se fará saber também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja" (Concílio de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).

"Tratemos agora sobre o que sente a Igreja Católica universal, bem como o que se dever ter como Sagradas Escrituras: um livro do Gênese, um livro do Êxodo, um livro do Levítico, um livro dos números, um livro do Deuteronômio; um livro de Josué, um livro dos Juízes, um livro de Rute; quatro livros dos Reis13, dois dos Paralipômenos; um livro do Saltério; três livros de Salomão: um dos Provérbios, um do Eclesiastes e um do Cântico dos Cânticos; outros: um da Sabedoria, um do Eclesiástico. Um de Isaías, um de Jeremias com um de Baruc e mais suas Lamentações, um de Ezequiel, um de Daniel; um de Joel, um de Abdias, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias, um de Malaquias. Um de Jó, um de Tobias, um de Judite, um de Ester, dois de Esdras, dois dos Macabeus. Um evangelho segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas, um segundo João. [Epístolas:] a dos Romanos, uma; a dos Coríntios, duas; a dos Efésios, uma; a dos Tessalonicenses, duas; a dos Gálatas, uma; a dos Filipenses, uma; a dos Colossences, uma; a Timóteo, duas; a Tito, uma; a Filemon, uma; aos Hebreus, uma. Apocalipse de João apóstolo; um, Atos dos Apóstolos, um. [Outras epístolas:] de Pedro apóstolo, duas; de Tiago apóstolo, uma; de João apóstolo, uma; do outro João presbítero, duas14; de Judas, o zelota, uma. (Catálogo dos livros sagrados, composto durante o pontificado de São Dâmaso [366-384], no Concílio de Roma de 382)

"Quais os livros aceitos no cânon das Escrituras, o breve apêndice o mostra: Cinco livros de Moisés, isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Um livro de Josué, filho de Num; um livro dos Juízes; quatro livros dos Reinos; e Rute. Dezesseis livros dos Profetas; cinco livros de Salomão; o Saltério. Livros históricos: um de Jó, um de Tobias, um de Ester, um de Judite, dois dos Macabeus, dois de Esdras, dois dos Paralipômenos. Do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos; quatorze epístolas do apóstolo Paulo, três de João, duas de Pedro, uma de Judas, uma de Tiago; os Atos dos Apóstolos; e o Apocalipse de João" (papa Inocêncio I, 20.02.405; Carta "Consulenti Tibi" a Exupério, bispo de Tolosa).

17. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Igreja de Cristo se perpetua na terra através da sucessão dos apóstolos, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por este motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião de morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério. Os que foram estabelecidos por eles ou por outros homens eminentes, com a aprovação de toda a Igreja, e que serviram irrepreensivelmente ao rebanho de Cristo, com humildade, calma e dignidade, e que durante muito tempo receberam o testemunho de todos, achamos que não é justo demiti-los de sua funções. Para nós, não seria culpa leve se exonerássemos do episcopado aqueles que apresentaram os dons de maneira irrepreensível e santa. Felizes os presbíteros que percorreram seu caminho e cuja vida terminou de modo fecundo e perfeito. Eles não precisam temer que alguém os afaste do lugar que lhes foi designado. E nós vemos que, apesar da ótima conduta deles, removestes alguns da funções que exerciam de modo irrepreensível e honrado." (São Clemente, + 90, Primeira Carta aos Corínitos,44)

"Depois de ter assim fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado... Anacleto lhe sucede. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado... A Clemente sucedem Evaristo, Alexandre; em seguida, em sexto lugar a partir dos Apóstolos, é instituído Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aniceto, Sotero, sucessor de Aniceto; e, agora, Eleutério detém o episcopado em décimo segundo lugar a partir dos Apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,2,1s).

"E quando, por nossa vez, os levamos [os hereges] à Tradição que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõe à Tradição, dizendo que, sendo eles mais sábios do que os presbíteros, não somente, mas até dos apóstolos, foram os únicos capazes de encontrar a pura verdade." (Contra as Heresias, III,2,1, Santo Ireneu Bispo de Lião, + ou - 202 d.C)

"Foi primeiramente na Judéia que eles (os Apóstolos escolhidos e enviados por Jesus Cristo) implantaram a fé em Jesus Cristo e estabeleceram comunidades. Depois partiram pelo mundo afora e anunciaram às nações a mesma doutrina e a mesma fé. Em cada cidade fundaram Igrejas, às quais, desde aquele momento, as outras Igrejas emprestam a estaca da fé e a semente da doutrina; aliás, diariamente emprestam-nas, para que se tornem elas mesmas Igrejas. A este título mesmo são consideradas comunidades apostólicas, na medida em que são filhas das Igrejas apostólicas. Cada coisa é necessariamente definida pela sua origem. Eis por que tais comunidades, por mais numerosas e densas que sejam, não são senão a primitiva Igreja apostólica, da qual todas procedem... Assim faz-se uma única tradição de um mesmo Mistério" (Tertuliano, + 202, De Praescriptione Haereticorum 2, 4-7.9).

18. Enfim, como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Igreja de Cristo não era invisível, mas visível, e que se chama Igreja Católica, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica"(Santo Inácio aos Esmirniotas - 107 DC)

"Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica" (Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e Constantinopla (381), Símbolo Niceno-Constantinopolitano)

"Extinguiram-se, pois rapidamente as maquinações dos inimigos, confundidas pela atuação da Verdade. As heresias, uma após outras, apresentavam inovações; as mais antigas continuamente desvaneciam e desvirtuavam-se, de diferentes modos, para dar lugar a idéias diversas e variadas. Ao invés, ia aumentando e crescendo o brilho da única verdadeira Igreja católica, sempre com a mesma identidade, e irradiando sobre gregos e bárbaros o que há de respeitável, puro, livre, sábio, casto em sua divina conduta e filosofia. [...] Além do mais, na época de que tratamos, a verdade podia apresentar numerosos defensores, em luta contra as heresias atéias, não somente através de refutações orais, mas também por meio de demonstrações escritas." (História Eclesiástica IV, 7,13.15. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"Tendo se reunido um último concílio com o maior número possível de bispos, o chefe da heresia de Antioquia [Paulo de Samósata] foi plenamente desmascarado e por todos evidentemente inculpado de heterodoxia. Foi excomungado da Igreja Católica espalhada sob o céu." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,29,1. 317 DC)

"A Dionisio, a Máximo e a todos os que, pela terra habitada, exercem conosco o ministério, aos bispos, aos sacerdotes, aos diáconos e a toda a Igreja Católica, que há sob os céus" (Fragmento da Carta que os Bispos da Palestina enviaram aos Bispos de Roma e Alexandria depois da realização do Concílio Regional mencionado acima. 280 DC)

Conclusão

Como pudemos ver o Protestantismo não é o retorno às origens da fé como diz ser. A Igreja primitiva nada mais é do Igreja Católica no passado. Os bispos da Igreja primitiva eram os bispos católicos, e hoje os bispos da Igreja Católica são seus legítimos sucessores. O Protestantismo vive de suas próprias fantasias, que são fruto de seu subjetivismo bíblico e ignorância da memória deixada pelos primeiros cristãos.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/504-como-protestantismo-pode-ser-retorno-fe

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Autor: Alessandro Lima *.
* O autor é arquiteto de software, professor, escritor, articulista e fundador do Apostolado Veritatis Splendor.Autores: Alessandro Lima * e Alexandre Semedo.

 

A exegese católica de MT 16,18-19

 

Uma das principais contestações que os protestantes fazem contra a Igreja Católica é sobre a interpretação de Mt 16,18-19 onde Jesus diz "...Tu é Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...". o protestantismo histórico demorou muito tempo para reconhecer que Pedro é realmente a pedra a que o texto se refere.

Os protestantes afirmam existir duas possíveis interpretações: Primeiro, que Jesus está simplemente afirmando, ou reafirmando a fé de Pedro, dizendo que ela é sólida como uma pedra.

Sendo a soteriologia do movimento protestante baseado sobre a "Sola Fide" (somente pela fé), Pedro se encaixaria perfeitamente nesta esta visão pela sua profissão de fé.

Segundo, dizem que o próprio Jesus é a pedra, e não Pedro. Os protestantes, proclamando que na Bíblia a metáfora "pedra" é invariavelmente utilizada em referência a Cristo, não aceitam que a um simples homem seja dado algo atribuído a uma divindade.

Para afirmar estas opiniões, pensadores protestantes ainda tocam no ponto da interpretação de alguns Padres da Igreja. Por exemplo, é verdadeiro que em alguns escritos de Santo Agostinho, ao menos duas visões sobre a pedra podem ser encontradas. Vários outros Pais da Igreja mostram uma ou mais interpretações. Dessa forma, devemos ser cuidadosos em acusar os protestantes de estarem inventando alguma coisa que não existia até o século 16.

Sob uma melhor apreciação, contudo, encontramos nos Pais da Igreja a afirmação de que Pedro é a pedra citada em Mt 16,18. Mesmo os poucos que não afirmavam tal não viam problema no primado de Pedro. Santo Agostinho, no qual encontramos pelo menos duas visões, iniquivocamente afirmou que a cátedra de Pedro é a suprema autoridade para a Igreja. Sua famosa afirmação - "Roma falou, causa encerrada" - ressou nos ouvidos dos católicos por um milênio e meio. Além do mais, é necessario que as pessoas entendam o contexto em que Agostinho estava escrevendo, assim como a autoridade teológica própria que ele possui para explicar as profundezas das verdades da fé. No fim de tudo, Agostinho era um fervoroso defensor do papado.

Interessantes evoluções na exegese de Mt 16,18-19 ocorreram no mundo protestante desde o início do século. Muitos autores protestantes chegaram à conclusão de que Pedro é de fato a pedra que Jesus refere. Renomandos teólogos protestantes como Oscar Cullman e Herman Ridderbos escreveram volumosos tratados detalhando finamente a exegese de Mt 16,18, mostrando que a interpretação protestante clássica é cheia de deficiências e falsas conjecturas. Um dos maiores erros apontados por estes autores é a hipótese protestante de que o original grego da Bíblia em Mt 16,18 faz uma dinstinção léxica entre Pedro (petros) e pedra (petra). Entende-se por Petra como uma pedra pequenam enquanto que Petra é uma grande e imóvel pedra, um sólido rochedo. Conclusão: Pedro não pode ser a pedra que Jesus refere, porque é lógico que uma pequena pedra não é uma grande e sólida rocha. Com as recentes descobertas da etmologia grega, entretanto, estudiosos protestantes entenderam que Petrus e petra são verdadeiramente termos intercambiáveis. Ainda que desejasse colocar um jogo de palavras, o autor do Evangelho estava simplesmente limitado pelo fato de que, sendo Pedro um nome masculino, deveria ser designado por outro nome grego no masculino - Petrus - enquanto que Petra é um substantivo feminino.

O grego, entretanto, não foi a língua original do Evangelho de Mateus, pois muitos Padres da Igreja (Irineu, Eusébio, Jerônimo, Epifênio e etc.) indicam que o Evangelho de Mateus fora orginalmente escrito em hebraico/aramaico. A versão grega de Mateus deve, portanto, ser a tradução do original hebraico. Ainda, sabe-se que Jesus falava em um dialeto hebraico chamado aramaico. E isto é muito significante, porque o aramaico não possui formas diferentes para "Pedro" e "pedra" como possui a língua grega, tendo sido utilizada a forma "kepha" (traduzido como "Cefas" em Jo 1,42, onde Jesus, falando em aramaico, compara kepha com o grego petrus). Também é interessante notar que "Simão" em aramaico significa "grão de areia". Se petrus está se referindo somente a uma pequena pedra, como dizem alguns protestantes, não haveria sentido Jesus ter trocado seu nome de "grão de areia" para "pequena pedra", o que contrasta fortemente com a monumental mudança e evolução do perfil de Pedro atestanto em Jo 1,42 e Mt 16,18.

Mesmo que o grego não tenha sido a língua em que Mateus escrevera seu Evangelho, pode ser demosntrado que pelo uso do grego bíblico que petra não se refere somente a uma grande e firme rocha. Também pode se referir a outras formas ou mesmo a pequenas rochas. Por exemplo, em Rm 9,33 e em 1 Pd 2,8 a palavra grega "lithos" (pequena pedra) está ligada a petrus na imagem de fazer um homem tropeçar e cair. O verso do Antigo Testamento de onde estes são retirados é de Is 8,14: "Ele será um santuário e uma pedra contra a qual se esbarra, um rochedo em que se tropeça". A imagem é a de uma homem que caminha, tropeça em uma pedra ou uma pequena rocha e então cai no chão. Não se parece com a imagem de uma grande rocha vindo em sua direção ou aparecendo no seu caminho. Paulo se refere ao tropeço em Rm 9,32, e ninguém poderia tropeçar em uma grande e maciça rocha.

Consequentemente, sendo que petrus e petra podem se referir tanto a uma pequena como uma grande pedra, é provável que Jesus não esteja preocupado em matéria de tamanho quando chama a Pedro de pedra, mas estar se referindo à solidez.

Este raciocínio se sustenta pela parábola de Mt 7,24-27 sobre o homem que contrói sua casa sobre a areia em contraste com o que a constrói sobre a rocha. Sobre o "grão de areia" (Simão) a Igreja não se sustentaria, mas sobre a "rocha" (Pedro) será firme.

Por causa desta e de outras descobertas, está se tornando cada vez mais raro encontrar um pensador protestante que não aceite a visão católica de Mt 16,18.

E estes protestantes se converteram? Alguns sim, mas dentre outras coisas, o que mais existe de dificuldade para estes protestantes é a capacidade deste ofício de Pedro ser transmitido adiante. Para explorar esta questão, recorremos mais uma vez à língua grega.

Existem nuances no grego que são mais ilustrativas em identificar Pedro com a pedra que não existem no hebraico/aramaico. Por exemplo, o grego para "sobre esta pedra" usa a forma "tautee" - adjetivo demonstrativo de desinência dativa - com o adjetivo dativo "tee". Para demonstrar a força de sua qualidade demonstrativa, a palavra grega pode ser traduzida por "esta mesma" ou "justamente esta" "igualmente esta". Assim, as palavras de Mt 16,18 podem ser lidas como "...Tu és Pedro e sobre esta mesma pedra edificarei a minha Igreja..." ou "...Tu és Pedro e exatamente sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...".

Para perceber que a frase grega pode ser utilizada desta mesma forma, basta utilizar uma tradução protestante do Novo Testamento. Por exemplo, na King James, a mesma construção dativa é traduzida por "a mesma" ou "esta mesma" como em 1 Cor 7,20 ("Cada um permaneça na mesma condição em que fora chamado"). Também pode ser traduzindo como "nesta mesma", como em Mc 14,30 ("Neste dia, ainda nesta mesma noite...me negarás três vezes"). A NASB (New Americam Standard Bible) traduz este adjetivo demonstrativo como "este exato" em Lc 12,20 ("...Nesta exata noite exigirão de ti a tua alma"). A mesma forma se encontra na NIV (New International Version) e na NEB (New English Bible). A RSV (Revised Standard Bible) e a NASB traduzem esta construção dativa como "nesta mesma" como ocorre em At 27,23 ("...Nesta mesma noite apareceu-me um anjo de Deus"). Existem outros exemplos em traduções protestantes, mas estas se monstram suficientes para demonstrar que é muito provável, de fato, e mais correto, traduzir Mt 16,18 mais enfaticamente do que na sua forma usual. Além do mais, o que se deve prestar atenção não é só no que o autor disse, mas no que ele não disse. Ele não disse "sobre A pedra" ou "sobre UMA pedra", o que tornaria muito mais ambígua a identificação da pedra em questão. A intenção demonstrativa demonstrada pelo uso do grego "tatuee" torna claro que a pedra que Jesus refere é exatamente a pedra a quem ele havia se referido, isto é, Pedro.

RCH Lenski, um comentarista luterano renomado, sugere que Jesus poderia ter dito "Tu és Pedro, e edificarei minha Igreja sobre ti" se quisesse se referir a Pedro. Isto é plausível, mas existem várias maneiras de se dizer a mesma coisa nas diversas línguas humanas.

Entretanto, Lenski evita o gênero histórico e literário em sua sugestão. Os apóstolos estavam nas vizinhanças de Cesaréia de Felipos, que é constituída de maciças formações rochosas naturais. Jesus já havia alterado o nome de Simão para Pedro (Jo 1,42). Jesus e Pedro tiveram uma intensa conversa na qual trocaram títulos (Mt 16,13-18).

Somente a Pedro Jesus deu as Chaves do Reino (Mt 16,19). Que modo mais profundo haveria de ser para atestar a declaração de Pedro como a pedra?

De fato, muitos protestantes percebem tamanha força contida neste gênero que alegam, na tentativa de anular a visão católica, que a passagem de Mt 16,18-19 não é autêntica.

Ironicamente, em uma carta parabenizando o teólogo católico Hugo Ranher sobre a sua grandiosa crítica ao livro de Hans Küng questionando a infalibilidade papal, Bultmam disse: "Quão afortunado você deve ser para apelar para o Papa. Apelar para os sínodos luteranos somente leva a mais desunião".

Devemos acrescentar que a Vulgata Latina, escrita por São Jerônimo no quinto século, traduz a frase supramencionada como "hanc petram" no qual "hanc" pode ser traduzida como "esta mesma" em latim. Sob a ótica de Jerônimo, isto deveria ser bastante significativo, pois ele era um "expert" em grego, aramaico e hebraico.

Aos protestantes que já aceitam a interpretação católica de Mt 16,18-19 basta apenas entender a capacidade deste primado ser sucedido.

A lógica irá ditar que, se Jesus concedeu autoridade a Pedro sobre certas questões (isto é, o deu as chaves, que denotam autoridade e poder), esta autoridade deveria naturalmente permanecer no seio da Igreja.

Jesus nada faz sem planejar para o futuro. Senão, que sentido haveria em Jesus ter decretado tamanha autoridade a Pedro se não soubesse que após a morte do discípulo ela deveria permanecer?

Imaginem os relatores da constituição dos EUA criando o cargo de presidente e elegendo George Washington como seu primeiro ocupante, enquanto todos refletiam que o cargo seria dissolvido após a morte de Washington. Isto é uma proposição extremamente absurda. Seriam os relatores da Constituição mais espertos que Jesus? Com certeza não. Eles estavam apenas imitando o que já acontecia ao longo da história - que uma pessoa assume o poder, mas passa adiante seu ofício após sua retirada. Mas isto é um grande assunto que requer ainda maiores análises...

Robert A. Sungenis lecionava aulas de rádio de teologia protestante e se converteu ao catolicismo em 1992.

Tradução do Veritatis Splendor por Rondinelly Ribeiro.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/823-a-exegese-catolica-de-mt-1618-19

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Pedro, a Rocha

 

Um dos pontos que eu tento enfatizar quando dou uma palestra é que você pode se transformar num grande apologista muito rapidamente. Não é necessário esperar até se transformar num doutor em teologia. Trabalhe com aquilo que você sabe; mesmo se souber apenas uma coisa.

Eu tenho um fato bastante ilustrativo disto, e você poderá usar esta técnica da próxima vez que um anti-católico lhe atirar versículos bíblicos.

Há alguns anos, antes que eu passasse a me interessar em ler a Bíblia, eu evitava missionários protestantes que batiam à minha porta. Eu já fora ofendido muitas vezes. Para que abrir a porta, ou prolongar uma conversa (quando abordado em plena rua) se eu nada tinha a dizer?

Com certeza, eu tinha uma Bíblia. Talvez eu a usasse como você ainda usa a sua: pegando poeira que, sem a mesma, se acumularia no topo da estante. Era uma daquelas "Bíblias de família", cheia de fotos bonitas e coloridas e mais pesada do que o meu filho aos cinco anos de idade.

Como eu disse, eu tinha uma Bíblia. Mas não me dirigia à mesma com freqüência. Então, eu tinha pouco a dizer quando um destes missionários me abordava. Eu não sabia quais os versículos que eu poderia citar para defender a fé católica.

Para um leigo, eu supunha estar razoavelmente bem informado acerca da minha fé - pelo menos, eu nunca duvidei da mesma ou deixei de praticá-la - mas não tinha leitura suficiente que me preparasse para debates.

Então, um dia, eu tive uma informação preciosíssima que iria enviar uma onda de choque através do próximo missionário protestante que tocasse a campainha. E isto me mostrou que não é difícil se transformar num apologista habilidoso.

Eis o que aconteceu.

Quando eu abri a porta, o missionário se apresentou como um adventista do sétimo dia. Ela me perguntou se poderia "compartilhar" comigo alguns pontos da Bíblia. Eu disse que ele poderia ir em frente.

Ele viajava de uma página para outra, comparando este e aquele versículo, tentando demonstrar os erros da Igreja Romana e a manifesta verdade da sua própria denominação.

Sem muito a dizer.

Alguns versículos, eu já conhecia. Eu não era totalmente iletrado sobre a Bíblia, mas muitos outros versículos me eram desconhecidos. Conhecidos ou não, como não sabia muito a respeito da Bíblia, eu não possuia respostas para os mesmos.

Finalmente, o missionário chegou em Mt 16, 18: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei minha Igreja.".

"Espere um momento", eu disse. "Este versículo eu conheço. Nele, Jesus aponta Simão como o chefe universal da Igreja. Ele o aponta como o primeiro Papa." Terminei e abri um sorriso, sabendo o que o missionário diria em resposta.

Eu sabia que, em regra, ele não enfrentava defesas da fé católica enquanto peregrinava de casa em casa. Mas, às vezes, um católico iria retrucar, como eu fiz. Ele tinha uma resposta; eu a conhecia e estava preparado para a mesma.

"Eu entendo o teu pensamento", ele disse, " mas vocês, católicos, desvirtuam este versículo porque não conhecem grego. Este é o problema com a sua Igreja e com sua hierarquia. Vocês não conhecem a língua em que o Novo Testamento foi escrito. Para entender Mt 16,18, temos que ir do inglês para o grego."

"É mesmo?", perguntei, convidando-o a prosseguir. Fingi ignorar a armadilha posta para mim.

"Sim", continuou. "Em grego, a palavra para pedra é petra, que significa uma rocha grande e maciça. A palavra usada como nome para Simão, por sua vez, é petros, que significa uma pedra pequena, uma pedrinha."

Na verdade, todo este discurso do missionário é falso. Como sabem os conhecedores de Grego ( mesmo os não católicos), as palavras petros e petra eram sinônimos no grego do primeiro século. Elas significaram "pequena pedra" e "grande rocha" em uma velha poesia grega, séculos antes da vinda de Cristo, mas esta distinção já havia desaparecido no tempo em que o Evangelho de São Mateus foi traduzido para o grego. A diferença de significados existe, apenas, no grego ático, mas o Novo Testamento foi escrito em grego Koiné - um dialeto totalmente diferente. E, no grego koiné, tanto petros quanto petra significam "rocha". Se Jesus quisesse chamar Simão de "pedrinha", usaria o termo lithos. O argumento do missionário não funcionou e demonstrou uma falha no conhecimento do grego. (para a admissão deste fato por um estudioso protestante, veja D. ª Carson, The expositors Bible Commentary [Grand Rapids: Zondervan, 1984], Frank E. Gaebelein, ed., 8: 368).

"Vocês, católicos," prosseguiu, "por desconhecerem o grego, pensam que Jesus comparava Pedro à rocha. Na verdade, é justamente o contrário. Ele os contrastava. De um lado, a rocha sobre a qual a Igreja seria construída: o próprio Jesus. De outro, esta mera pedrinha. Jesus queria dizer que ele mesmo seria o fundamento da Igreja, e que Simão não estava sequer remotamente qualificado para isto."

"Caso encerrado", ele pensou.

Foi a vez do missionário parar e sorrir. Ele seguiu o treinamento que havia recebido. Disseram-lhe que, de vez em quando, um católico argumentaria que Mt 16, 18 provaria o estabelecimento do papado. Ele sabia o que deveria replicar para provar o contrário, e o fizera.

"Bem", contra-argumentei, usando daquela informação preciosa de que falei acima, "concordo que devemos ir do inglês para o grego." Ele sorriu e concordou com a cabeça. "Mas, com certeza, você concordará que, igualmente, devemos ir do grego para o aramaico."

"Para o quê?", perguntou.

"Para o aramaico. Como você sabe, esta foi a língua falada por Jesus, pelos apóstolos e por todos os judeus da Palestina. Era a língua corrente da região."

"Pensei que fosse o grego."

"Não", respondi. "Muitos, talvez a maioria, soubessem grego, pois esta era a lingua franca do Mediterrâneo. A língua da cultura e do comércio. A maioria dos livros do Novo Testamento foi escrita em grego, pois não visavam apenas os cristãos da Palestina, mas de outros lugares como Roma, Alexandria e Antioquia, onde o aramaico não era falado.

"Eu disse que a maioria dos livros neo-testamentários foi escrito em grego, mas não todos. O Evangelho de São Mateus foi escrito pelo próprio em aramaico ou hebreu (sabemos disto por escritos de Euzébio de Cesaréia) e traduzido para o grego, talvez pelo próprio evangelista, muito cedo. De qualquer forma, o original se perdeu (como todos os livros originais do Novo Testamento), e, hoje em dia, somente resta a versão grega."

Parei por um instante e observei o missionário. Ele parecia desconfortáve, talvez duvidando que eu fosse um católico, pois eu parecia conhecer o assunto de que estava falando. Continuei.

O Aramaico do NT.

"Sabemos que Jesus falava aramaico devido a algumas de suas palavras que nos foram preservadas pelos Evangelhos. Veja Mt. 27, 46, onde ele diz na cruz, ?Eli, Eli, Lama Sabachtani?. Isto não é grego, mas aramaico, e significa, ? meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste??

"E tem mais," prossegui, "nas epístolas de S. Paulo (por quatro vezes em Gálatas e outras quatro vezes em 1 Coríntios), preservou-se a forma aramaica do novo nome de Simão. Em nossas bíblias, aparece como Cefas. Isto não é grego, mas uma treansliteração do aramaico Kepha (traduzido por Kephas na forma helenística).

"E o que significa Kepha? Uma pedra grande e maciça, o mesmíssimo que petra. A palavra aramaica para uma pequena pedra ou pedrinha é evna. O que Jesus disse a Simão em Mt 16, 18 foi ?tu és Kepha e sobre esta kepha construirei minha igreja.?

"Quando se conhece o que Jesus disse em aramaico, percebe-se que ele comparava Simão à rocha; não os estava contrastando. Podemos ver isto, vividamente, em algumas versões modernas da bíblia em inglês, nas quais este versículo é traduzido da seguinte forma: ?You are Rock, and upon this rock I will build my church?. Em francês, sempre se usou apenas pierre tanto para o novo nome de Simão, quanto para a rocha."

Por alguns momentos, o missionário parecia perplexo. Obviamente, ele nunca tivera esta informação. Sua testa se franziu em pensamentos, enquanto ele tentava encontrar uma contra-argumentação. Então, algo lhe ocorreu.

"Um momento", disse. "Se kepha significa petra, porque a versão grega não traz ?tu és Petra e sobre esta petra edificarei a minha Igreja?? Por que, para o novo nome de Simão, Mateus usa o grego Petros que possui um significado diferente do petra?"

"Porque não havia escolha," eu disse. "Grego e aramaico têm diferentes estrururas gramaticais. Em aramaico, pode-se usar kepha nas duas partes de Mt 16,18. Em grego, encontramos um problema derivado do fato de que, nesta língua, os substantivos possuem terminações diferentes para cada gênero.

"Existem substantivos femininos, masculinos e neutros. A palavra grega petra é feminino. Pode-se usá-la na segunda parte do texto sem problemas. Mas não se pode usá-la como o novo nome de Simão, porque não se pode dar, a um homem, um nome feminino. Pelo menos, naquela época não se podia. Há que se masculinizar a terminação do nome. Fazendo-o, temos Petros, palavra já existente e que também significava rocha.

"Por certo, é uma tradução imperfeita do aramaico; perdeu-se parte do jogo de palavras. Em inglês, perdeu-se tudo. Mas, em grego, era o melhor que poderia ser feito."

Além da evidência gramatical, a estrutura da narração não permite uma diminuição do papel de Pedro na Igreja. Veja a forma na qual se estruturou o texto de Mt. 16, 15-19. Depois da confissão de Pedro acerca da identidade de Jesus, o Senhor faz o mesmo para Pedro. Jesus não diz: Bendito és tu, Simão Bar-Jona. Pois não foi a nem carne nem o sangue que te revelou este mistério, mas meu Pai, que está nos céus. Por isto, eu te digo: és uma pedrinha insignificante, e sobre a rocha edificarei a minha Igreja. ... Eu te darei as chaves do reino dos céus." Jesus abençoa Pedro triplamente, inclusive com o dom das chaves do reino, mas não mina a sua autoridade. Sustentá-lo é contrariar o contexto. Jesus coloca Pedro como uma forma de comandante ou primeiro ministro abaixo do Rei dos Reis, dando-lhe as chaves do Reino. Como em Is 22, 22, os reis, no Velho Testamento apontavam um comandante para os servir em posição de grande autoridade, para governar sobe os habitantes do reino. Jesus cita quase que verbalmente esta passagem de Isaias, o que torna claríssimo aquilo que Ele tinha em mente. Ele elevou Pedro como a figura de um pai na família dos cristãos (Is 22, 21), para a guiar e guiar o rebanho (Jo 21, 15-17). Esta autoridade era passada de um homem para outro através das tempos pela entrega das chaves, que se usavam sobre os ombros em sinal de autoridade. Da mesma forma, a autoridade de Pedro foi transmitida, nestes dois mil anos, através do papado.

Minha vez de silenciar.

Parei e sorri. O missionário devolveu-me um desconfortável sorriso, não dizendo nada. Trocamos sorrisos por cerca de trinta segundos. Então, ele olhou no relógio, comentou sobre como o tempo voara e desculpou-se. Nunca mais o vi.

Então, o que veio deste encontro? Duas coisas: uma para mim, outra para ele.

Eu desenvolvi um sentido de confiança. Percebi que podia defender a minha fé se me esforçasse em fazer minha "lição de casa." Quanto mais lição de casa, melhor a defesa.

Percebi que qualquer católico letrado (inclusive você) pode fazer o mesmo. Não é necessário que você desconfie da validade da sua fé quando não puder responder a um ataque.

Se você desenvolver um sentido de confiança, poderá dizer para si mesmo: "talvez eu não tenha a resposta para isto, mas sei que acharei esta resposta se mergulhar nos livros. A resposta está lá, basta que eu dedique um tempo para procurá-la."

E o missionário? Ele levou algo do encontro? Acho que sim. Acho que ele partiu com uma dúvida acerca de seu entendimento (ou falta de) sobre os católicos e sobre a fé católica. Espero que tal dúvida tenha amadurecido no sentido de que talvez (talvez), os católicos tenham algo a dizer em nome de sua religião e que ele deveria olhar, com mais carinho, esta Fé que, tão confiantemente, estava combatendo.

Fonte: www.catholics.com. Tradução do Veritatis Splendor por Alexandre Semedo.

estude este profundo e rico debate " em defesa do primado de são pedro"  1, 2  e final , onde através do qual você conhecerá  resumidamente alguns argumentos irrefutáveis do grande apologista católico "pe. Leonel franca" em :

http://www.defesacatolica.org/index.php?option=com_content&task=view&id=166&Itemid=28

http://www.defesacatolica.org/index.php?option=com_content&task=view&id=159&Itemid=28

http://www.defesacatolica.org/index.php?option=com_content&task=view&id=161&Itemid=28

http://www.bibliacatolica.com.br/blog/doutrina-catolica/o-primado-de-pedro/

caso queira maior aprofundamento leia todo o livro : A Igreja, A reforma e a Civilização, do pe leonel franca, em

http://igrejareformacivilizacao.blogspot.com.br/2010/04/indice-geral.html     leia também o livro : Legitima interpretação da bíblia, de lúcio navarro,

em  http://subsidiariedade.files.wordpress.com/2010/09/navarro.pdf

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Desmascarando mentiras de um pretenso "doutor" (Parte 1) PDF Imprimir E-mail
Cartas - Defesa da Fé
04 de September de 2009

Revirando os arquivos do meu computador, tive a satisfação de encontrar cartas de uma antiga e longa polêmica.

Refiro-me a um protestante que, derrotado em seus disparates contra o batismo de infantes, partiu desesperadamente para um frustrado ataque ao primado de São Pedro.

Duas razões explicam o título de doutor, com o qual coroamos ironicamente nosso pretenso desafiador.

A primeira por se tratar de alguém que se apresenta como se fosse um erudito teólogo, historiador e gramático, considerando-se um expert conhecedor do grego e do aramaico, além de usurpar para si a qualidade de intérprete infalível das Sagradas Escrituras.

A segunda razão, de menos importância, justifica-se pelo fato de não mencionarmos, nesta ocasião, o legítimo nome de nosso adversário, uma vez que o debate precedeu a criação de nosso site e as cartas foram trocadas em particular.

Mesmo sendo importante saber a quem se combate, é, sobretudo, o triunfo da verdade sobre os erros o que realmente importa.

O motivo pelo qual decidimos divulgar esse debate é tão somente contribuir para que outras almas sinceras aproveitem dos argumentos nele contidos, para também defender nossa augusta Fé Católica dos ataques de seus inimigos.

Primeiramente, apresentaremos nossa resposta com as devidas refutações aos desatinos do protestante. Ao final estará, na íntegra, o conjunto de tolices que o inimigo do papado teceu contra São Pedro e seu incontestável primado.
 
 

Abraão: a rocha do Antigo Testamento


Silenciado com uma amarga derrota sobre o batismo, eis que o erudito doutor emerge de seu profundo silêncio, reassumindo sua cátedra de fiel repetidor das heresias protestantes.

Já não bastasse o fracassado ataque ao batismo de crianças, agora pretende salvar seu diploma de heresias com fúteis ataques ao primado de Pedro.
 
Em sua primeira asnice, você nos garante que Deus é a única rocha do Antigo Testamento: 

“No Antigo Testamento Petra nunca é usado para qualquer homem, mas só para Deus” (Palavras do “doutor”. O negrito é meu).

Fazendo jus ao diploma que se arroga, você omite a prova contra sua primeira pseudo-tese:

“adtendite ad petram unde excisi estis... adtendite ad Abraham patrem vestrum”. (Is LI,1-2, Vulgata Latina).

“Olhai para a rocha da qual fostes talhados... Olhai para Abraão, vosso pai,...” (Is LI, 1-2).

Renegando a rocha petrus, sua primeira e falida tese cai perante a rocha Abraão.

Para seu desespero, a Sagrada Escritura nos revela não uma, mas duas rochas: Abraão do Antigo Testamento e outra, Petrus, do Novo Testamento. Ambos foram designados por “rocha” e tiveram seus nomes mudados: Abraão tornou-se pai e chefe das nações; Pedro, o pastor supremo da Igreja de Cristo.

Qual será sua reação contra essa outra rocha que esmaga sua tese luterana? Extirpará, à moda Lutero, o Livro de Isaías do Cânon protestante por atribuir a um homem a qualidade de petram?

“Ai de vós, doutores de mentiras, ai de vós...”.



Somente Cristo é Pedra?

 
Seguindo fielmente a cartilha protestante – em oposição ao livre-exame pessoal – você apresenta passagens que afirmam ser Cristo a pedra e não Pedro.

Ora, que Cristo é de fato a pedra angular do cristianismo, nunca se contestou. Não é esse o cerne da polêmica. A questão é se Pedro foi também designado por Cristo como pedra de sua Igreja.

Obviamente que seu protesto será imediato, dizendo, como prescreve seu manual de mentiras, que não pode haver duas pedras como fundamento da Igreja. Só Cristo é a pedra, dizem os discípulos de Lutero.

Abrindo o Evangelho de São João, deparo-me com a seguinte afirmação de Nosso Senhor: “Eu sou a luz do mundo” (S. João VIII, 12).

Aplicando a lógica protestante, teríamos que admitir que somente Cristo é Luz do mundo. No entanto, ao abrir o Evangelho de São Mateus, encontro semelhante afirmação de Cristo direcionada aos seus apóstolos: “Vós sois a luz do mundo” (Mt V, 15).

Haveria aqui uma contradição? Absolutamente, não. A confusão só existe na cabeça teimosa de quem se atreve a confiar mais no próprio juízo do que no ensino infalível da Igreja que é Coluna e sustentáculo da verdade (1Tm III,15).

Conforme os Evangelhos, existem duas luzes do mundo: Cristo e os apóstolos. Cristo, fonte de luz, e a outra, reflexo dessa fonte. Cristo é o sol e os apóstolos os espelhos que, iluminados, refletem essa luz no mundo.

Prosseguindo, encontramos no Evangelho de São Marcos a seguinte afirmação de Nosso Senhor:

“Só Deus é bom." (Mc X,18)

Pensaria você que não há nada de bom na criação e, muito menos, bons homens, porque disse Cristo que somente Deus é bom? Impossível! Não há como admitir tamanha bobagem protestante.

Evidentemente, só Deus é bom no sentido de que Ele é a própria bondade e a fonte de todo bem. Mas essa verdade não exclui a bondade existente nas coisas criadas: “Pois tudo o que Deus criou é bom". (ITm IV,4)

Novamente temos Bom e bom, assim como há Luz e luz. E por que não duas pedras? Na verdade é uma necessidade que se justifica. Pedro, sendo humano, fraco e limitado como todo homem, também necessitava de um apoio, um firme sustento que o conservasse inabalável como chefe supremo da Igreja. Ora, uma rocha só pode sustentar algo se ela também estiver cravada em local firme. Por isso Cristo sustenta Pedro que por sua vez sustenta a Igreja. Logo, Cristo também sustenta a Igreja. 

Esse raciocínio é tão coerente quanto a existência de duas luzes, como já explicamos. Mas sua teimosia vai além. Buscando desesperadamente socorrer sua tese que naufraga no oceano das mentiras, você recorre à seguinte passagem da Epístola de São Pedro:

“Chegai-vos a ele [Cristo], a pedra viva, rejeitada, é verdade, pelos homens, mas diante de Deus eleita e preciosa. Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, prestai-vos à construção de um edifício espiritual, para um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo” (1Pd II, 4-5).

Exercendo o desastroso e contraditório livre-exame, você formula a seguinte interpretação pessoal:

“Pedro diz que os discípulos são pequenas pedras na grande construção que é a Igreja, sendo Jesus a pedra principal. É como se os discípulos fossem tijolos. Isso explica quando Jesus diz: “Tu és Pedro”, de certa forma Pedro também é uma pedra, mas não é a pedra angular, nem a Rocha”.

Auto lá! Já disse e torno a repetir que Cristo é EVIDENTEMENTE a Pedra principal de sustentação da Igreja. Creio que não lhe seja de difícil compreensão que Cristo, sendo Deus, não pode confundir-se e muito menos contradizer-se.

Em harmonia com essa verdade, pergunto-lhe:

Se Pedro é apenas uma pedrinha em nada distinta dos demais discípulos, por que somente a Pedro Cristo se dirigiu como pedra sobre a qual Ele edificaria sua Igreja? Por que essa especial singularidade de Cristo a Pedro?

Dizer que São Pedro não foi privilegiado como pedra de sustento da Igreja é considerar as ações de Deus ocas e sem sentido.

Cristo disse “Tu és Petrus”, no singular, e não “vós sois Petrus”.

Não há uma passagem sequer em que Cristo tenha dito a outro apóstolo que seria “a pedra sobre a qual Ele haveria de edificar a sua Igreja”.

Sobre a questão de Pedro ser pedra ou pedrinha, vamos tratar a seguir, desmascarando mais uma de suas inúmeras tolices.
 


Pedro: pedrinha ou Rocha?


Insistindo cegamente em seu condenado exame pessoal, você agora recorre ao Evangelho de São João na tentativa de salvar sua ultrapassada “tese” de que Pedro seria uma mera pedrinha, enquanto Cristo, uma grande Rocha.

Sem pensar, ou pensando, você apresenta como base de sua argumentação uma passagem que, longe de contradizer a interpretação católica, a confirma:

“Ele o conduziu a Jesus. Fitando-o, disse-lhe Jesus: ‘Tu és Simão, filho de João; chamar-te-ás Cefas’ (que quer dizer pedra)” (S. João I, 42).

A partir disso, você pensa ter refutado a doutrina católica sobre o Primado de Pedro. Mas, como sempre, a malícia protestante novamente é flagrante.

A fórmula do seu sofisma bem ignorante seria a seguinte:

Pedro é Cefas que é pedra.

Cristo é petra que é rocha.

Logo, teríamos Pedro que é pedra e Cristo que é rocha.

Esse seria seu suposto trunfo contra a verdade do primado. Mas onde está o equívoco desse raciocínio que não passa de uma distorção serpentina? Justamente nos termos Cefas e petra.

Você simplesmente esquece ou omite que Cristo falava aramaico e não grego. A certeza disso é comprovada justamente pela palavra Cefas, entre outras, que foram preservadas nos Evangelhos.

Considerando o aramaico, língua de Nosso Senhor, a palavra utilizada em Mateus XVI, 18, não foi petrus ou petra, que é grego, mas unicamente Cefas:

“tu és Cefas e sobre esta Cefas edificarei minha igreja”.

No aramaico não há diferença verbal entre Pedro e pedra. Nessa língua a palavra pedra (Cefas) não possui gênero, assim como no francês, onde sempre se usou pierre tanto para Pedro quanto para rocha.

“Et moi, je te dis que tu es Pierre, et que sur cette pierre je bâtirai mon Église” (Mt XVI,18).

Caso Cristo desejasse contrastar uma pequena pedra de uma grande Rocha, deveria ter usado a palavra aramaica evna (pequena pedra), mas não usou. Cristo e Pedro são unicamente Cefas, que significa rocha. Porém, ao fixar-se tão cegamente no grego você esqueceu que Cristo falava aramaico.

Para elucidar melhor o assunto, transcrevo a explicação do Padre Leonel Franca:

Cristo falava aramaico. Ora, em aramaico, nenhuma diferença verbal entre Pedro e pedra. Traduzido à letra, o texto original de S. Mateus diria: Tu és pedra (Kefa) e sôbre esta pedra (Kefa) edificarei a minha Igreja” (Pe. Leonel Franca. A Igreja, a Reforma e a Civilização. 7ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1958, p. 29. O negrito é meu).

Está aí: “tu és Kefa, e sobre esta kefa”. Nada de petrus ou petra.

É certo que você não poupará protestos dizendo que o argumento parte de um padre católico. Todavia, se esse é o problema, transcrevo a explicação de um protestante bem mais honesto do que certos luteranos de seitas de esquina:

“Pedra não é nem a confissão de Pedro, nem Cristo... Interpretações que o contexto não admite, mas o próprio Pedro. Falando siríaco, Cristo não empregou nenhum apelido, mas em ambos os incisos disse Cephas, como em francês o termo pierre designa tanto o substantivo próprio como o apelativo.” (J. G. Rosenmüller, Scholia in N. T., 6ª ed., Norimbergae, 1815, I, p. 336 apud  Pe. Leonel Franca. Polêmicas, 2ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1953, p.365. O negrito é meu).

E veja o que diz um outro protestante que concorda com a interpretação católica:

"Nous nous plaçons encore ici sur le terrain qui leur est le plus favorable [aos católicos] parce qui'll est à nos yeux le seul vrai; et nous admettons que ce passage renferme une promesse spéciale fait à Saint Pierre" ["Nós nos colocamos ainda aqui num terreno que lhe é mais favorável (aos católicos) porque ele é, a nossos olhos, o único verdadeiro; e nós admitimos que essa passagem contém uma promessa especial feita a Pedro"] (P. F. Jalaguier, De l’Eglise, Paris 1899, p. 219 apud Pe Leonel Franca. A Igreja, a Reforma e a Civilização. 7ª ed. Rio de janeiro: Agir, 1958, p 33. O negrito é meu).

Só pelo fato de que Cristo falava aramaico, fica liquidada sua argumentação. Além do mais, deveria você saber que o Evangelho de São Mateus não foi escrito em grego, mas em hebraico, como atesta Santo Irineu no século II:

“Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles...”. (S. Irineu. Adv. Haer. L. III, c. 1, n. 1 apud Pe. Leonel Franca. A Igreja, a Reforma e a Civilização. 7ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1958, p. 69 e 70).   

Também há o testemunho de Eusébio de Cesaréia:

“Quanto a Mateus, compôs os discursos  [do Senhor] na língua hebraica...” (Pe Leonel Franca. Protestantismo no Brasil. 3ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1952, p.265. O negrito é meu).

Esse fato só vem a corroborar com a fórmula original: “Tu és Cefas, e sobre esta Cefas...”.

E o que é Cefas? Uma rocha inabalável.

Na língua de Cristo e na língua original do Evangelho de São Mateus, Pedro e Cristo são unicamente Cefas! Ambos são rochas!

Pretendendo ser um perito em grego, acabou revelando sua ignorância em aramaico.

Mas quem disse que o grego contraria a interpretação católica? Isso é delírio seu.

A tradução grega do Evangelho de S. Mateus em nada lesou a legitimidade do Primado de Pedro. E para sua surpresa, é um protestante quem nos garante isso:

“O Novo Testamento foi escrito em grego Koiné... E no grego koiné, tanto ‘petros’ quanto ‘petra’ significam “rocha”. Se Jesus quisesse chamar Simão de “pedrinha”, usaria lithos...” (D. A. Carson, The exporsitors Bible Commetary {Grand Rapids: Zonderva, 1984} Frank E. Gaebelein, ed., 8:268)”.

De acordo com o estudioso protestante, tanto “petrus” quanto “petra” significam rocha. O termo para designar pequena pedra é lithos.

Para somar voz com o argumento protestante, transcrevo as palavras de um ex-protestante, Dave Amstrong:

“No grego koiné do NT as palavras petros e petra não possuem significados distintos... A palavra para designar “pedra pequena” é lithos. Por exemplo, em pedras, lithos, em pães; em Jo 10,31, os judeus apanham pedras, lithos, para apedrejar Jesus” [http://www.geocites.com.br. O negrito é meu].

Segundo o parecer dos estudiosos [incluindo protestante], petrus e petra são sinônimos e não termos opostos.

Você apresenta mais dois supostos entraves para o Primado de Pedro, mas que não passam de devaneios de sua pobre cabeça ofuscada pelas brumas exegéticas de sua surrada cartilha luterana.

Vejamos o primeiro:

“Os teólogos romanos dizem que no aramaico, Kephas sifnica pedra. Mas, no aramaico, Kephas não é traduzido por Petra, pedra, mas por Petros, fragmento de pedra”. (O negrito é meu).

Mas que confusão! No desespero de provar um suposto equívoco católico, você simplesmente cai em patente contradição. 

Veja em destaque:

“... no aramaico, Kephas não é traduzido por Petra, pedra, mas por Petrus, fragmento de pedra” (O negrito e os destaques são meus).

Conclusão:

1) Kephas ou Cefas não é pedra no aramaico;

2) No grego, Kephas ou Cefas é traduzido por Petrus e não por petra;

Primeiramente você citou João I, 42 para provar que Kephas ou Cefas é pedra. No entanto, ignorando a mesma referência, você me diz que Cefas não quer dizer pedra?
 
Afinal, Cefas é ou não é pedra?

A passagem diz que é: “Ele o conduziu a Jesus. Fitando-o, disse-lhe Jesus: ‘Tu és Simão, filho de João; chamar-te-ás Cefas’ (que quer dizer pedra)” (S. João I, 42).
 
Portanto, NO ARAMAICO, língua de Nosso Senhor, Cefas significa pedra.

Permita-me corrigi-lo quanto à formulação de sua frase, que suponho, seria assim:

“... NO GREGO, Kephas (do aramaico) não é traduzido por Petra, pedra, mas por Petrus, fragmento de pedra”.

Agora sim temos uma objeção corretamente formulada. Mas, como você falha até mesmo na construção de seus questionamentos, peço licença para construí-la, de tal forma, que dê mais ênfase no seu real objetivo.

Se Cefas é petra, por que a versão grega do Evangelho de São Mateus traduz o nome de Pedro por petrus e não por petra? 

Passo a responder.

Por que grego e aramaico possuem estruturas gramaticais diferentes. No aramaico pode-se usar Cefas nas duas partes da frase. Já no grego, isso não foi possível de ser mantido. Como a palavra grega “petra” é feminina, ela não pôde ser utilizada para designar o novo nome de Simão que é masculino. Por isso a distinção – no grego – entre petrus e pedra, foi preferida pelo tradutor para manter a concordância:

“O tradutor grego de S. Mateus preferiu no primeiro membro masculino  que tem o mesmo radical que πετρα e significa também pedra, rocha, porque a desinência masculina melhor se adaptava a um nome de homem. Os helenistas chamaram Pedro de Cephas; o tradutor seguiu o uso corrente.” (Pe. Leonel Franca. A Igreja, a Reforma e a Civilização. 7ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1958, p. 29. O negrito é meu).

O tradutor nem imaginava que séculos depois os hereges protestantes fariam tamanha confusão com duas palavras que, como provado, são sinônimas. 

Desmascarado seu primeiro suposto entrave protestante, passemos ao segundo.

 

Os pronomes demonstrativos


Disse você:

Na língua portuguesa existe uma diferença entre ESTA e ESSA. Esta com T e essa com SS são pronomes demonstrativos. Eles indicam o que é meu ou do outro; assim como perto e longe.

Este carro: meu carro (sic!).
Esse carro: carro de outro (sic!)

Na tradução da bíblia para o português Jesus diz: “sobre esta pedra” indicando que Jesus fala de si mesmo. Até na tradução católica está com T. Essa diferenciação não existe no grego original, a palavra é tautê (tauth)”.

***

Vejamos agora suas trapalhadas gramaticais.

Após revelar-se um desastre como exegeta, agora você revela-se uma catástrofe em gramática. Errou no grego, errou no aramaico e agora também erra no português. Que feio. Não conhece nem português e atreve-se a querer explicar grego.

Segundo sua análise gramatical, os pronomes demonstrativos (este e esse ou esta e essa) designam um bem que me pertence ou que pertence a outro.

Deixemos de lado sua definição duvidosa e vejamos o que diz um verdadeiro entendedor de gramática.

Pronome demonstrativo “este”:

“Designa pessoa ou coisa próxima de quem fala: Este livro é meu” (Eduardo Martins. Manual de redação e estilo. São Paulo: O Estado de São Paulo, 1990, p. 165).

Pronome demonstrativo “esse”:

“Indica pessoa ou coisa um pouco afastada de quem fala ou próxima de um interlocutor: Por favor, traga-me esse livro” (Op. cit.).

Para que você confirme a definição dada pelo autor que utilizamos, procure em qualquer Gramática da Língua Portuguesa.

Nunca se ensinou em nenhum lugar que os pronomes demonstrativos este e esse indicam algo que é meu e algo que é de outro. O correto é que um indica algo próximo de quem fala e o outro, algo distante de quem fala ou próximo da pessoa com quem se fala.

Os pronomes demonstrativos são utilizados para delimitar a distância de um objeto ou pessoa, em relação àquele que fala. Lamentavelmente você confundiu pronome possessivo (meu, minha, seu, sua) com pronome demonstrativo (este, esta, esse, essa).

Como se atreve você a se meter em fazer exame de textos Sagrados, se nem gramática sabe?

Considerando a correta definição gramatical e aplicando à fala de Nosso senhor, o pronome “esta”, indica que Pedro (a pedra) estava próximo de Cristo.

Ainda sobre os pronomes este e essa, você disse o seguinte: “Essa diferenciação não existe no grego original, a palavra é tautê (tauth)” (negrito é meu).

Agradeço a confissão. Pois, se essa diferença entre os pronomes “este” e “essa” não existe no grego original, fica liquidada, mais uma vez, essa tola argumentação sua. Basta-nos recorrer ao grego ignorando a tradução portuguesa, e caso encerrado novamente.

Tentando ainda salvar sua infundada oposição ao primado, você mais uma vez mutila a gramática portuguesa com sua desastrosa análise. Consultando sua nova gramática da ignorância, conclui:

“O demonstrativo tauth (esta) encontra-se no feminino, ligando-se, portanto, gramatical e logicamente à palavra feminina Petra, à qual imediatamente procede. O demonstrativo feminino não pode concordar em número e gênero com um substantivo masculino”.

Para desmascarar mais essa manobra de sua ignorância protestante, utilizarei um exemplo retirado da obra do Pe. Leonel Franca que lhe será, sem dúvida, uma boa aula de gramática.

Imaginemos a seguinte frase:

“Eis a baía de Guanabara; neste porto magnífico pode ancorar a maior esquadra do mundo”.

Aplicando sua “lógica”, o demonstrativo “neste” não teria qualquer relação com a expressão precedente, baía de Guanabara, e assim seria porque o demonstrativo (neste) está no gênero masculino, concordando com o porto, enquanto Guanabara é nome próprio do gênero feminino (Pe. Leonel Franca. Protestantismo no Brasil, 3º ed. Rio de Janeiro: Agir, 1952, p.213).

Segundo sua gramática protestante, o demonstrativo “neste” só teria relação com “Guanabara” se estivesse no feminino. Portanto, destruindo as regras da concordância, a frase deveria ser construída da seguinte forma:

“Eis a baía de Guanabara, nesta porto magnífico...”

Deus do Céu! A gramática mais uma vez “agoniza”.

O absurdo é tão evidente que dispensa quaisquer comentários.



Conjunções aditivas e adversativas


Não pense que sua lambança gramatical tenha acabado. Sua incompetência como gramático pode ser ainda demonstrada com uma análise gramaticalmente séria da passagem em questão. E uma análise correta não permite outra interpretação senão a de que São Pedro é a pedra mencionada por Cristo em ambos os incisos da frase.

Disse Cristo:

"tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja".

Para que fique ainda mais claro o erro gramatical de sua interpretação, é necessário explicar a diferença entre conjunções coordenativas aditivas e adversativas.

Conjunções coordenativas aditivas: exprimem soma, adição de pensamento.
 
Exemplos:
 
Tomei café e saí.
 
Teresa não fala nem ouve.
 
Conjunções coordenativas adversativas: exprimem oposição, contraste, compensação de pensamento.
 
Exemplos:
 
Os professores trabalham muito, mas ganham pouco.
 
Fabiana é super inteligente, mas é Paulo que eu admiro.
 
Explicada a diferença entre ambas as conjunções, segue a pergunta: qual a conjunção utilizada por Cristo em Mateus XVI,18? Justamente a conjunção coordenativa aditiva “e” que, segundo sua função, exprime adição de pensamento ou idéia.
 
A conjunção “e” exerce a função copulativa (ligação), e não de oposição, como deseja sua miopia protestante.
 
Assim sendo, a segunda oração – sobre esta pedra edificarei minha Igreja – está ligada à primeira oração – tu és Pedro – pela conjunção “e”.
 
Pela regra gramatical, há uma adição e não uma oposição de pensamento. A conjunção aditiva da passagem vincula a edificação da Igreja ao sujeito da primeira oração, que é Pedro. Caso Cristo desejasse edificar sua Igreja sobre si mesmo, a conjunção a ser utilizada deveria ser adversativa.

Gramaticalmente, a falsa interpretação protestante só teria razão se a passagem estivesse assim:

“tu és Pedro, mas (oposição) sobre esta pedra edificarei minha Igreja” ou ainda “tu és Pedro, porém, sobre esta pedra edificarei minha Igreja”

Nos dois casos temos conjunções adversativas, ou seja, uma oposição entre a segunda e primeira oração, diferente da função aditiva da conjunção “e”.

Esse mesmo raciocínio foi também utilizado por Padre Leonel em sua obra contra o protestantismo no Brasil:

“Como referir o segundo membro do verseto a outrem que não a Pedro? Não é só todo o contexto, como já vimos, que elimina essa interpretação; é a própria construção gramatical do texto que a exclui sem possibilidade de relutância racional. Entre o primeiro e o segundo hemistíquio do verseto, o evangelista interpôs uma conjunção copulativa: tu és pedra e sobre esta pedra [...] para indicar que a pedra do segundo membro é a mesma de que se fala no primeiro; se fora outra, impunha-se em grego a adversativa...” (Pe. Leonel Franca. Protestantismo no Brasil. 3ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1952, p.212).

Por isso se vê que apenas a construção gramatical da frase é suficiente para derrubar a tola oposição protestante contra o primado.

O próprio contexto da passagem da promessa de edificação da Igreja mostra uma referência ininterrupta à pessoa de Pedro: “Eu te declaro... tu és Pedro... Eu te darei...”.  Somente alguém com uma profunda ignorância gramatical para não perceber o óbvio.

Diante do que expusemos, é impossível, gramaticalmente e teologicamente, dizer que São Pedro não é a pedra sobre a qual Cristo edificou sua Igreja. Não há como estabelecer outra interpretação. Isso só seria possível se assassinássemos a gramática como faz você e seus asseclas protestantes.

Lamento muito dizer-lhe, mas você merece um ZERO como teólogo, um ZERO como exegeta e um ZERO como gramático. O seu diploma de heresias lhe é justo pelas charlatanices que repete dos manuais capengas do protestantismo.


In Jesus et Maria, semper
Eder Silva


Continua...



Leia também: "Desmascarando as mentiras de um pretenso doutor (Parte 2) e (Final)"

 

http://www.defesacatolica.org/index.php?option=com_content&task=view&id=155&Itemid=28

 

Desmascarando mentiras de um pretenso "doutor" (Parte 2) PDF Imprimir E-mail
Cartas - Defesa da Fé
07 de September de 2009

As chaves do Reino dos Céus
Depois de assassinar a gramática e de contrariar todas as regras da hermenêutica, seu ódio não poupou nem mesmo as chaves, que segundo você, foram dadas igualmente a todos os apóstolos.

A passagem aclamada contra o Primado de Pedro seria a seguinte:

"Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano. Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu” (Mt XVIII, 15-18).

Fazendo novamente o exame pessoal, conclui:

“As chaves do Reino dos Céus não foram dadas só a Pedro; todos os 12 apóstolos a receberam”.

Não há nenhum versículo em toda a Bíblia – muito menos esse – que contrarie a supremacia jurisdicional de Pedro sobre os demais apóstolos. Querendo sufocar a verdade, você acabou ratificando o ensino bimilenar da Igreja Católica.

A passagem aludida é mais uma apunhalada na imaginária Igreja igualitária do protestantismo.

Cristo outorgou somente aos seus apóstolos o poder de ligar e desligar como verdadeiros juízes que emitem sentenças eficazes, revestidas de legítimo caráter jurídico. Disso resulta uma Igreja hierarquia, composta por aqueles que julgam e os que são julgados, os que governam (Clero) e os que são governados (fiéis). E para a decepção dos que defendem uma Igreja hereticamente igualitária, esta autoridade não foi estendida democraticamente a todos. Deus que tudo faz com desigualdade, porque faz tudo com imensa ordem, restringiu esse poder somente aos apóstolos e aos seus sucessores.

A pergunta a ser feita é: se, supostamente, não há superioridade de Pedro sobre os demais apóstolos, qual a razão de Cristo conferir somente a ele as chaves do reino dos céus? Não há lógica nesta interpretação que reduz a sabedoria divina ao ridículo.

O fato de os demais apóstolos serem verdadeiros bispos e juízes que ligam e desligam com autoridade episcopal, não anula o Primado do Papa sobre todo o rebanho de Nosso Senhor. A diferença entre o Papa e os Bispos é de jurisdição. Somente sobre São Pedro foi edificada a Igreja; somente ele recebeu as chaves e só a ele foi concedido o privilégio único de apascentar todo o rebanho, e por isso, governar todos os demais, incluindo os próprios bispos.

Se você ler com mais atenção, verá que somente a Pedro foi dada as Chaves:

"Eu te darei as chaves do Reino dos céus...” (Mt XVI,19).

Pedro é o único apóstolo a quem Cristo entrega as chaves, símbolo do pleno domínio, poder e autoridade para governar a Igreja. E o pronome empregado na doação das chaves foi “te” e não “vós”.

Essas chaves carregam em si a simbologia do poder supremo, daquele que é chefe de uma casa, cidade ou reino, podendo admitir ou rejeitar a entrada de estranhos. É o que confirma uma passagem no Livro do profeta Isaías que exemplifica de modo claro o que dissemos:

“Naquele mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, filho de Helcias. Vesti-lo-ei com a túnica, cingi-lo-ei com o teu cinto, porei nas suas mãos as tuas funções; ele será pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Pôr-lhe-ei sobre os ombros a chave da casa de Davi: quando abrir, ninguém fechará; quando fechar, ninguém abrirá” (Is XXII, 20-22).

Podemos então concluir: Se Pedro abre, ninguém fecha; se ele fecha, ninguém abre.

Concordando com este símbolo que designa a entrega de um poder soberano, exemplifica Wiseman:

"A entrega das chaves sempre foi o símbolo da transmissão da autoridade soberana do comandante. Neste sentido é que é empregada nas Escrituras... Nos povos orientais a ligação do poder real com os emblemas que o figuram, é marcada muito fortemente... A mesma analogia existe também, embora com menos força, nas nações européias. Porque quando é dito que as chaves de uma cidade foram entregues a algum padre superior, não vem ao pensamento entender que foi-lhe dado o poder de abrir e fechar as portas aos estrangeiros e os recém-chegados? E quando diz-se que as chaves de uma fortaleza foram entregues a um conquistador, isto compreende que no momento a possessão deste lugar forte foi-lhe transferida igualmente?... Quando por conseguinte Pedro recebe as chaves do reino dos céus, ou a Igreja, não podemos considerá-lo diferentemente que como investido da autoridade soberana a seu respeito" (Wiseman, em Migne, Démonstrations évangeliques 1852, t. XV, pp. 918-919 apud Pe. Leonel Franca. A Igreja, A Reforma e a Civilização. 7ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1958, p.35-36. O negrito é meu).

Mesmo com todos esses argumentos e citações, você, em sua tenaz teimosia, protestará dizendo: “mas todos os apóstolos receberam as chaves”.

Por favor, ó grande “doutor” de heresias, diga-nos, onde está esta passagem que abona seu delírio mesquinho de puro ódio ao primado de Pedro?

Não tem! Não existe! Não foi revelado! Os hereges inventaram tal mentira para justificar tamanha tolice.

Quando Pedro recebeu as chaves, todos os outros apóstolos estavam presentes, mas Cristo só falou a ele. Se o poder supremo fosse comum a todos os apóstolos, imediatamente Cristo teria que se dirigir aos demais, confirmando que eles também tinham esse mesmo poder concedido a Pedro.

Na passagem citada (Mt XVIII, 18), Cristo se dirige aos demais apóstolos reunidos com Pedro, confirmando-lhes a faculdade  de ligar e desligar.

É claro que os apóstolos, assim com os bispos de hoje, também possuíam legítima jurisdição para emitir sentenças e governar com autoridade o rebanho que lhes foi confiado.

Foi exercendo o seu poder episcopal que São Paulo advertiu:

"Estamos prontos também para castigar todos os desobedientes, assim que for perfeita a vossa obediência" (2Cor X, 6).

"Quando de minha segunda visita, já adverti àqueles que pecaram, e hoje, que estou ausente, torno a repeti-lo a eles e aos demais: se eu for outra vez, não usarei de perdão!" (2Cor XIII, 2)

E também excomungou:

"É o caso de Himeneu e Alexandre, que entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar." (1Tm I,20)

Do mesmo modo que os outros apóstolos, São Paulo também era bispo, e como tal nada mais fez do que exercer o poder com que Cristo lhe revestiu. A grande questão não é se todos os apóstolos detinham autoridade, mas se houve entre eles um que foi elevado, por Cristo, à dignidade de pastor soberano de sua Igreja. A pergunta correta a se fazer é: entre os pastores há um supremo? Entre as autoridades há uma que seja superior?

A resposta só pode ser positiva:

“... há pastor e pastor. Pastores os apóstolos, pastor S. Pedro. Eles, como bispos, pastores subordinados; ele, como Papa, pastor supremo. Só a S. Pedro e a nenhum outro apóstolo disse Cristo, sem restrição alguma: apascenta os meus cordeiros e as minhas ovelhas. Só a Pedro prometeu Cristo e conferiu a investidura do primado. Aos outros, só reunidos e com Pedro, investiu-os da jurisdição apostólica” (Pe. Leonel Franca. Polêmicas, 2ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1953, p.350. Os destaques são meus).

Pedro é o bispo que liga e desliga com poder supremo, pois só ele foi constituído pedra de sustento da Igreja; só ele foi constituído pastor universal de todo o rebanho de Nosso Senhor (Jo XXI,15-16). E só a ele, e a mais ninguém, Cristo entregou as chaves que comportam o símbolo de um poder soberano: "... se ele abrir, ninguém fechará, se fechar, ninguém abrirá" (Is XXII,22).

Ademais, se para um homem é impossível governar sozinho uma única cidade, que dirá o Papa que é rei da Igreja de Cristo que se difunde por todo o orbe terrestre. Por isso todas as grandes autoridades sempre contaram com o auxílio de autoridades menores que de algum modo cooperavam no governo geral.

Por exemplo, no sistema de República presidencialista, cada presidente governa seu respectivo país. No entanto, esses países compreendem uma variedade de estados que, para facilitar a gerência presidencial, são colocados sob a autoridade de governadores. Os estados, por sua vez, se subdividem em municípios que são geridos por prefeitos. Todos esses possuem autoridade? Claro que sim. Mas nem por isso se conclui infantilmente que o poder do prefeito é igual ao poder do governador que por sua vez, é igual ao poder do Presidente da República.

É nessa mesma linha de raciocínio que se pode dizer que a autoridade episcopal não anula a suprema autoridade do Papa. O poder maior sempre coexistiu com os poderes menores subordinados a esse poder mais elevado. E até hoje é assim. O que há é uma harmonia entre o poder dos Bispos com o poder supremo do Papa.

 

O Concílio de Jerusalém e o Parecer de São Tiago

 
Um desastre como teólogo, uma catástrofe como gramático, e agora você vai se atrever a posar de historiador, o que vai resultar em outra calamidade. 
 
Vejamos, então, o que disse o mais novo historiador em sua primeira análise histórica.

“Em Atos 15 os apóstolos realizam o Concílio de Jerusalém. Esse Concílio é datado do ano 49, significa que Pedro deveria ser Papa há 7 anos. Porque então ele não convocou o Concilio em Roma? E porque foi Tiago a ter a ultima palavra e a escrever a carta?”

Ora, por que o Concílio de Jerusalém deveria ser convocado em Roma se a controvérsia sobre a circuncisão originou-se em Jerusalém? Independente de onde um concílio seja convocado, o poder supremo é sempre do Papa. Onde quer que esteja, pode ele usar o poder das chaves.

Sinceramente, não compreendi qual a intenção dessa argumentação que em nada compromete a verdade do primado de Pedro e de seu pontificado em Roma. Se você fosse um pouco mais atencioso em suas pesquisas históricas, saberia que o Concílio de Jerusalém não foi o único a ser realizado fora da sede pontifical. Houve, por exemplo, o Concílio de Nicéia, de Éfeso, Constantinopla, Florença e muitos outros que foram convocados em suas respectivas localidades, como indicam os nomes.

As freqüentes perseguições aos cristãos poderiam ser uma, dentre muitas justificativas plausíveis, para que o primeiro Concílio fosse convocado em Jerusalém e não em Roma.  

Passando dessa tolice para outra, você objeta dizendo que foi S. Tiago e não S. Pedro a presidir o Concílio.

Conclusão temerária.

Aquele que ler atentamente o trecho que relata o Concílio de Jerusalém perceberá, de imediato, a preeminência de Pedro sobre os demais.

Vejamos em ordem cronológica o que se sucedeu antes e durante o Concílio:

1) alguns homens impõem a circuncisão aos pagãos:
 
"Alguns homens, descendo da Judéia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos” (At XV,1).

2) Surge uma grande discussão:

“Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os apóstolos e os anciãos em Jerusalém” (At XV, 2).

3) Os apóstolos se reúnem para resolver a questão:

“Reuniram-se os apóstolos e os anciãos para tratar desta questão” (At XV, 6).

4) S. Pedro é o primeiro a falar e a definir a questão:

“Pedro levantou-se e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós. Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Nós cremos que pela graça do Senhor Jesus seremos salvos, exatamente como eles. Toda a assembléia o ouviu silenciosamente” (At XV, 7-12).

5) S. Tiago apenas concorda com S. Pedro:

“Depois de terminarem, Tiago tomou a palavra: Irmãos, ouvi-me, disse ele. Simão narrou como Deus começou a olhar para as nações pagãs para tirar delas um povo que trouxesse o seu nome. Ora, com isto concordam as palavras dos profetas [...] Por isso, julgo que não se devem inquietar os que dentre os gentios se convertem a Deus. Mas que se lhes escreva somente que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, da impureza, das carnes sufocadas e do sangue” (At, XV, 1-21).
 
 Eis toda a narração que nos permite vislumbrar a suprema autoridade de S. Pedro.

a) Surge a dúvida: judaizar ou não os pagãos;

b) Como naquele tempo não havia protestantes, os homens que debateram a questão com Paulo e Barnabé, recorreram aos apóstolos para resolvê-la, ao invés de fazer o desastroso livre-exame;

c) Após algum tempo de discussão, S. Pedro, porque era o chefe, é o primeiro a tomar a palavra e definir a questão dizendo: Não se deve judaizar os gentios que também foram chamados à salvação como os judeus.

d) O problema foi então resolvido por S. Pedro: os pagãos convertidos não devem ser judaizados. A assembléia, que reconhece a autoridade de Pedro, ouve silenciosamente sua sentença infalível.

e) Após a sentença de S. Pedro, S. Tiago apenas concorda com sua determinação, não mudando nada do que ele dissera. Em seu parecer, o apóstolo apenas enfatiza que a sentença de Pedro está em harmonia com o que disseram os profetas.

Em nenhum momento o Bispo de Jerusalém dá uma sentença contrária à de S. Pedro. O apóstolo apenas concorda com o chefe da Igreja de Cristo. Depois de concordar com Pedro, mostrando a harmonia de sua sentença com a Sagrada Escritura, S. Tiago propõe aos gentios que se abstenham dos pecados pagãos. Portanto, o apóstolo acata a sentença de S. Pedro e, em seguida, propõe recomendações que foram aceitas por todos.

Sobre o termo “julgo”, utilizado por S. Tiago:

“A palavra ‘julgo’ não encerra um parecer, mas tem o sentido de pensar, achar (como trazem algumas Bíblias). Tiago dá conselhos práticos, não define o problema. Portanto, Tiago não deu parecer nenhum. Apenas concordou com Pedro!” (cf. http://www.montfort.org.br/index.php?secaocartas&subsecao=doutrina&artigo=20040816201711〈=bra).

Encerrada essa questão, passemos agora à sua objeção matemática.



Um cálculo malicioso


Disse você:

 “Segundo a tradição católica Pedro morreu durante o reinado do Imperador Nero no ano 67. Menos 25 anos significa que Pedro chegou a Roma no ano 42. Em Atos 12 o Rei Herodes manda prender Tiago e Pedro, e Tiago é assassinado. Mas de acordo com a tradição católica Tiago morreu no ano 44, Pedro já deveria estar em Roma”.

Essa objeção em nada contradiz o pontificado de S. Pedro em Roma. Ainda que as datas mencionadas por S. Jerônimo e Eusébio fossem exatas, porque são apenas aproximadas, estaria provado que Pedro não estava em Roma no ano 44 d.C.

Ora, dizer que Pedro nunca foi Bispo de Roma por que lá não estava no ano 44 d.C, equivale a dizer que o Papa Bento XVI nunca foi Papa (Bispo de Roma)por que estava no Brasil em 2007. Mas o que tem haver uma coisa com outra? Eu posso muito bem fazer viagens a outros estados, sem que se afirme, absurdamente, que jamais estive em Campo Grande.

Você deveria se esforçar – o que é impossível – para provar que S. Pedro nunca esteve em Roma, e não somente que ele lá não estava no ano 44 d.C. Esse argumento não exclui que ele estivesse em Roma antes desta data ou depois de se libertar milagrosamente da prisão.

Somente a avalanche de testemunhos é suficiente para provar que Pedro não só esteve em Roma, como também foi Bispo e mártir desta cidade. 

Comecemos pelo século III.

São Cipriano (+258): “Vagando a sede de Fabiano, isto é, a sede de Pedro e da dignidade da cátedra sacerdotal, foi Cornélio criado bispo” (História Eclesiástica de Eusébio, III. 1).

Orígenes (+254): "Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo" (História Eclesiástica de Eusébio, III,1).

S. Hipólito: “S. Pedro, resistiu em Roma aos artifícios de Simão Magno que, com os seus prestígios, tentara ilaquear a fé dos romanos”.

Tertuliano (+222): “Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro, então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz”. – “Oh! Igreja feliz [Roma], à qual deram os apóstolos com o seu sangue o tesouro de sua doutrina, onde Pedro se assemelhou ao mestre no gênero de morte”.

No fim do século II, existe um importante testemunho que nos chegou por meio da obra de Eusébio. Trata-se de um presbítero chamado Caio que escreveu um livro, cujo fragmento preservado por Eusébio, diz o seguinte:

“Posso mostrar-te os troféus dos apóstolos. Quer vás ao Vaticano quer à Via ostiense encontrarás os troféus (memórias) dos fundadores desta Igreja [Roma]” (História Eclesiástica, II, c. 25).

Testemunhos do século II.

S. Irineu (+202): “Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja”.

Carta de Dionísio ao Papa Sotero (166-174): “[Pedro e Paulo] assim como vieram à cidade de Corinto plantando a nossa Igreja com os seus ensinamentos, assim igualmente se foram a Itália onde vos doutrinaram e sofreram o martírio no mesmo tempo”.

Para encerrar a ininterrupta sucessão de testemunhos, citemos as próprias palavras de Pedro que confirmam sua presença e pontificado em Roma.

“Saúda-vos a Igreja eleita que está em Babilônia e Marcos meu filho” (1Pd V, 13).

Eis uma prova bíblica de que Pedro foi Bispo de Roma.

Todos os antigos autores são unânimes em reconhecer Roma (decadente) por Babilônia. Muitos críticos, entre eles protestantes, aos poucos estão aderindo a essa verdade histórica confirmada por diversos testemunhos, e até mesmo pela arqueologia, conforme logo mais demonstraremos.

“Todas estas dificuldades [expulsão dos judeus de Babilônia, falta de documentos positivos, presença de S. Marcos em Roma no ano 61-3] obrigam-nos a voltar à primitiva exegese, única seguida na antiguidade, segundo a qual Babilônia designa Roma” (PH. Schaff. Geschichte der apostolischen Kirche (2), Leipzig 1864, p. 368 apud Leonel Franca, A Igreja, a reforma e a Civilização. 7ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1958, p.81).

Se falseando e mutilando textos é possível silenciar testemunhos antigos, ao menos as pedras não se podem calar. As descobertas arqueológicas formam uma imensa muralha contra os frágeis ataques ao Primado de Pedro e seu episcopado em Roma. São muitos os estudiosos sensatos que já se curvam diante dos fatos que permanecem ainda obscuros para alguns protestantes.  

Comecemos pelo racionalista Harnack:

“O martírio de S. Pedro em Roma foi, tempos atrás, combatido por preconceitos tendenciosos de protestantes e críticos... Mas, que fosse erro, é claro para qualquer estudioso que não queira fechar os olhos” (Die Chronologie der altchristlichen Literatur, Leipzig, 1897; t. I, P. 244 apud Leonel Franca. Polêmicas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1953, p.354).
 
Vejamos o que diz o mais autorizado conhecedor da Roma antiga, R. Lanciani:

“Não há acontecimento da época imperial... atestado por tantos monumentos convergentes todos para a mesma conclusão, como a presença e o martírio dos apóstolos na capital do império” (Pagan and Christian Rome, London, Macmillan, 1892, p. 125. Apud, op. cit.).

No campo da arqueologia também são unânimes os testemunhos que convergem para a presença de S. Pedro em Roma. Segundo Lanciani, as objeções contra essa verdade não passam de uma mentalidade superada. E depois, muitos ainda se atrevem a acusar a Igreja Católica de retrógrada, quando foi ela que estabeleceu os fundamentos do conhecimento humano. 

Quem precisa de atualização não é a Igreja que sempre defendeu verdades imutáveis, muitas delas, confirmadas pela própria ciência. São os escravos da mentira que precisam libertar-se das correntes do ódio protestante. São os filhos rebeldes do protestantismo que precisam se adequar às novas descobertas que comprovam, indubitavelmente, a eterna verdade Católica!

Para encerrar essa questão, transcrevo as palavras de E. M. D’Herbigny:

“Só por ódio fanático contra a Igreja católica ainda hoje alguns ateus e propagandistas acatólicos difundem entre o vulgo a negação [da estada de S. Pedro em Roma]; ou ignoram pasmosamente a verdade histórica, ou conscientemente a impugnam” (De Ecclesia, Paris, Beauchesne, 1921, t. II (2), p.195, apud Franca, A Igreja, a Reforma e a Civilização, 7ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 1958, p.93).



O silêncio de São Paulo


Não havendo um só argumento positivo contra o primado e morte de S. Pedro em Roma, você ainda recorre ao silêncio apostólico. 

“Epístola aos Romanos (ano 57). Se Jerônimo está certo, Pedro já era Papa a 15 anos quando Paulo escreveu a carta. Porque Paulo precisa orientar os cristãos em Roma se Pedro estava lá? E no final Paulo faz uma saudação para 28 pessoas; não cita Pedro”. (O negrito é meu).

São Paulo escreve aos romanos e disso se conclui que Pedro nunca esteve em Roma. Ora, em hipótese alguma pretende o Apóstolo contestar a presença de Pedro na cidade eterna. Se ele escreve aos cristãos de Roma não é com outra intenção senão a de prepará-los para sua futura chegada e confirmar seu ministério entre os gentios:

“Todavia, irmãos, escrevi-vos com um pouco de ousadia, como para reavivar a vossa memória, por causa da graça que me foi dada por Deus, a fim de que eu seja o ministro de Jesus Cristo entre os Gentius...” (Rm XV, 15-16).

A objeção que se poderia inferir desse fato, mesmo que insignificante, seria a de invasão da diocese alheia. Essa acusação, aparentemente, poderia germinar dúvidas em algumas mentes.

Se S. Pedro é Bispo de Roma, São Paulo não teria invadido anarquicamente sua diocese?

A compreensão desse fato pode ser extraída da própria Sagrada Escritura. Vejamos o trecho:

"E me empenhei por anunciar o Evangelho onde ainda não havia sido anunciado o nome de Cristo, pois não queria edificar sobre fundamento lançado por outro. Foi isso o que muitas vezes me impediu de ir ter convosco. Mas, agora, já não tenho com que me ocupar nestas terras; e como há muitos anos tenho saudades de vós, espero ver-vos de passagem, quando eu for à Espanha" (Rm XV,20-24).

O texto Sagrado é claríssimo!
 
São Paulo comunica que indo à Espanha, verá de passagem os romanos, com os quais, há tempos desejava encontrar-se. Mas ele não se deterá muito, porque como disse, não costuma edificar sobre o fundamento alheio.

Está aí a afirmação implícita de que outro já edificara antes dele. Foi isso que muitas vezes o impediu de ter com os cristãos de Roma, como deixa claro o Apóstolo em sua epístola.

Outra prova da presença de S. Pedro em Roma pode ser constatada em sua própria pergunta:

“Porque Paulo precisa orientar os cristãos em Roma se Pedro estava lá?”

Se em Roma havia cristãos, como você bem notou, é justamente por que S. Pedro estava lá anunciando o Evangelho de Cristo. Portanto, é mais uma prova de que Pedro foi para Roma guiado pela providência divina.

São Paulo também faz confissões em sua epístola que provam que outro [S. Pedro] já havia edificado antes dele.

"Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é conhecida a vossa fé" (Rm I,8).

Antes mesmo de S. Paulo escrever aos romanos, o mundo já conhecia a fé desses cristãos, sem dúvida, evangelizados por S. Pedro.

São Paulo diz mais:

"Estou pessoalmente convencido, meus irmãos, de que estais cheios de bondade, cheios de um perfeito conhecimento, capazes de vos admoestar uns aos outros" (Rm XV,14).

Essas constatações revelam uma larga difusão do Evangelho de Cristo em território romano. Logo, S. Pedro já era Bispo de Roma.

Querendo negar uma verdade irrefutável, você contribuiu para dar-lhe maior ênfase, apesar de todos os argumentos e provas apresentadas serem suficientes para silenciar qualquer herege atrevido que se arroga, sem nenhum direito, doutor das Escrituras Sagradas.

Vejamos outra objeção:

“E no final Paulo faz uma saudação para 28 pessoas; não cita Pedro”.

Haveria tantos motivos para S. Paulo não mencionar o nome de Pedro, e todos foram omitidos.

Por acaso sabia São Paulo se Pedro estava em Roma naquela ocasião? Seria prudente nomeá-lo em uma carta pública, tendo em vista a perseguição aos cristãos e a possibilidade desta carta cair em mãos inimigas? Temos, então, duas boas razões para não se referir publicamente à pessoa de Pedro.

Embora a inconsistência do argumento deduzido ex silentio tenha sido demonstrada, cabe salientar um fato que não foi deduzido, mas mantido em profundo silêncio pelo senhor “doutor” de heresias.

São Paulo escreve aos Efésios e a exemplo de sua Epístola aos Romanos, não saúda Timóteo que era o bispo responsável. Da mesma forma, S. Paulo escreve aos Coríntios, aos Gálatas, aos Tessalonicenses, aos Colossenses, aos hebreus e, em nenhuma dessas epístolas, saúda os pastores. Os protestantes ousariam acusar S. Paulo de ter cometido pecado grave por não ter saudado o Bispo responsável? Possivelmente a não referência ao bispo teve por causa a prudência que visava preservar o superior das ameaças de infiéis.



Jesus não mudou o nome de Simão?


“Na verdade Jesus não mudou o nome de Simão para Pedro; apenas lhe deu um sobrenome. Ele se chamava Simão Barjonas (filho de Jonas). Quando Deus mudava o nome de alguém ele abandonava o nome antigo, e em diversas passagens da bíblia Pedro volta a ser chamado de Simão”.

Aceitar como verdadeiro esse argumento é atentar contra a sabedoria Divina.

Deus disse a Jacó: “Teu nome não será mais Jacó... mas Israel” (Gn XXXII,28).

Mas voltou a dizer: “Jacó! Jacó!” “Eis-me aqui” (Gn XLVI,2).

Concluiriam os ignorantes protestantes que Deus não mudou o nome de Jacó porque voltou a chamar-lhe pelo antigo nome?

Essa deixaremos para o doutor responder.
 
Que Pedro ganhou um novo nome provam os Evangelhos:

                        
São Mateus:

"Simão (chamado Pedro)" (Mt IV, 18).

"Simão, chamado Pedro" (Mt X, 2).
                       

São Marcos:   

"Simão, a quem pôs o nome de Pedro;" (Mc III, 16).
                       
            
São Lucas:

"Simon, den er auch Petrus nannte" (Lutero).

"Simon, (whom he also named Peter")” (King James).

"Simonem quem cognominavit Petrum" (Vulgata Latina).              
                      
"Simão, ao qual também chamou Pedro" (João Ferreira de Almeida).
                        

São João:

"Tu és Simão... serás chamado Cefas" (Jo I, 42).


Os quatro evangelistas são unânimes em afirmar que Cristo deu a Simão o nome de Pedro. 

Nem mesmo as traduções de Lutero e a versão portuguesa de João Ferreira de Almeida, usada com freqüência pelos protestantes, trazem o tal sobrenome imaginado por você.

O novo nome de Simão é também o mais utilizado pela maioria dos Evangelistas.

No Evangelho de S. Mateus, S. Pedro aparece 21 vezes. Em S. Marcos, 19 vezes. S Lucas, 18 vezes. Nos Atos dos Apóstolos, Pedro aparece 54 vezes. E para a surpresa dos protestantes, S. Paulo não menciona nenhuma vez o nome Simão. Só designa o príncipe dos apóstolos por Pedro e Cefas.

Até mesmo os números estão a favor de Pedro.  

A pronúncia “Simão Pedro” não aparece no Novo Testamento mais que vinte vezes, enquanto Pedro, que significa rocha, aparece, pelo menos, 140 vezes. E o próprio Cristo foi enfático ao proclamar solenemente: "E eu te declaro: tu és Pedro... ".

Graças ao Bom Deus não havia nesse momento um herege protestante para protestar violentamente contra Cristo dizendo: “Senhor! Ele não é Pedro, mas Simão Pedro”.

Cristo o declara tão somente Pedro. O suposto sobrenome não passa de uma fuga desesperada a fim de ofuscar com a peneira, o grande sol de testemunhas que cantam a verdade límpida do Primado de Pedro. 

Que estrebuchem de raiva os protestantes e os pretensos “doutores”.

In Jesus et Maria, semper
Eder Silva


Continua...



Leia também: "Desmascarando as mentiras de um pretenso doutor (Parte 1) e (Final)"

http://www.defesacatolica.org/index.php?option=com_content&task=view&id=159&Itemid=28

Desmascarando mentiras de um pretenso "doutor" (Final) PDF Imprimir E-mail
Cartas - Defesa da Fé
14 de September de 2009

A confissão de Pedro


Diante da muralha de provas que exibem o fulgor da primazia de Pedro, você prossegue com suas frágeis objeções.

Pretendendo diminuir os méritos de São Pedro, garante-me você que três apóstolos (André, Filipe e Natanael) confessaram que Jesus era o Cristo, antes mesmo da ilustre profissão de fé de Pedro.

Mas o que isso tem a ver com a suprema autoridade de Pedro? Por acaso o protestante considera que Cristo se equivocou ao elogiá-lo por sua majestosa profissão de Fé? Julga atrevidamente que Nosso Senhor errou ao escolhê-lo como pedra de sua Santa Igreja, porque outros já haviam reconhecido sua divindade?

Controle sua cauda venenosa, pequeno escorpião, pois esguichando calúnias contra Cristo você blasfema contra o próprio Deus.

A Sagrada Escritura, que não pode mentir, elucida o fato com infalível precisão:

"Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? (Mt. XVI,13-15).

A esta pergunta de Cristo, é Pedro, como sempre, quem fala por todos: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!" (Mt XVI,13-16).

Qual o mérito dessa confissão? É Nosso Senhor quem no-lo revela:

"Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus" (Mt XVI,17).

Sem os cortes da tesoura protestante fica bem mais claro o porquê Nosso Senhor exaltou Pedro por sua nobre confissão. E para horror dos protestantes, Deus não só o congratula, como o torna a pedra de fundamento de sua Igreja, dando-lhe as chaves do Reino dos Céus.

  
Adoração x Veneração



Certamente a lambança não seria completa se faltasse a velha confusão entre veneração e adoração. 

Pois, então, vamos a ela.

“Pedro não permitia que ninguém se prostrasse diante dele. Nem queria que ninguém beijasse seu anel. Se é que ele tinha anel”.

Afirmar, sem ressalvas, que o ato de prostrar-se diante de outro consiste, em si mesmo, pecado de idolatria, é acusar gravemente de idólatras Abraão, Jacó, Moisés, Joab, Betsabé e Davi.

Ora, nem sempre quem se prostra, adora. Os soldados que zombavam de Cristo dobraram os joelhos diante dEle, mas nem por isso o adoraram como um legítimo Rei.

Muitos homens se prostraram diante de outros homens sem que caíssem em pecado de idolatria.

“Abraão prostrou-se diante do povo" (Gn XXIII,12)
Jacó prostrou-se diante de Saul (Gn XXXIII,3)
Moisés diante de seu sogro (Ex XVIII,7)
Joab e Betsabé prostraram-se diante do rei (2Sm XIV,22; 1Rs I,16)
Davi inclinou-se diante do rei Saul (1Sm XXIV,9)

Seriam todos esses idólatras?

Para a interpretação católica que distingue sabiamente veneração de adoração, não há qualquer contradição entre a advertência de São Pedro a Cornélio e o humilde ato de se prostrar diante de uma pessoa, em vista de sua autoridade ou virtude. Se Pedro repreendeu Cornélio foi por que ele se prostrou para adorá-lo, o que seria pecado de idolatria.

"Quando Pedro estava para entrar, Cornélio saiu a recebê-lo e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo. Pedro, porém, o ergueu, dizendo: Levanta-te! Também eu sou um homem!" (At X, 25-26).

Cornélio pretendia adorá-lo, por isso Pedro fez muito bem em repreendê-lo.

Quanto ao anel, gostaria que você me respondesse a seguinte dúvida: em qual passagem bíblica está escrito que Pedro não queria que ninguém beijasse seu anel? Você mesmo confessa não ter certeza de tal anel:

“Nem queria que ninguém beijasse seu anel. Se é que ele tinha anel”.

Sem ter certeza do anel, como afirma que Pedro não queria que ninguém o beijasse?



Infalibilidade x Impecabilidade


“A questão é simples, Paulo repreendeu Pedro porque Pedro estava errado, e que direito Paulo tinha para falar assim com o líder da igreja? Da para imaginar o Papa sendo repreendido por um Cardeal?”

Pobre doutor da incoerência e da charlatanice. Nada conhece sobre o dogma da infalibilidade e pretende contradizer verdade tão clara que jamais poderia ser diminuída pelos erros pessoais de um Papa.

Pedro não só falhou com relação ao fato de Antioquia, mas ao negar Cristo e ao tentar impedi-Lo de ir a Jerusalém consumar sua paixão. Jamais a Igreja precisou ocultar essas passagens e, muito menos, a frase em que Nosso Senhor chama Pedro de Satanás. Isto prova que o Papa é infalível, ainda que, como homem, possa vir a pecar.

S. Pedro não errou em seu magistério. Ele apenas cometeu um pecado pessoal. A infalibilidade de um Papa em questões de Fé e Moral não lhe garante o poder da impecabilidade.

Seu erro é o de não distinguir entre a pessoa do Papa e o seu cargo de Sumo Pontífice.  Embora possua as chaves do Reino dos Céus, o Papa continua pecador como qualquer outro homem. 

Quanto à repreensão de São Paulo, ele não fez mais do que resistir, e com muita razão, a um fracasso de Pedro perante os judaizantes.

Você completa dizendo que, segundo o professor Orlando, a ninguém é permitido julgar um Papa.

Ora, esse é um ensino da Igreja. Ninguém tem na terra autoridade para julgar um Papa, e nem um concílio tem tal poder, pois do contrário, o Papa não seria o supremo poder na terra. O que é permitido a cada fiel, desde que haja provas, é fazer um juízo particular das atitudes de um Papa. Foi justamente o que fez S. Paulo: se opôs a atitude pouco louvável de Pedro que com sua poderosa autoridade de Papa obrigava, apenas com o seu exemplo, os gentios a judaizar.


O poder de perdoar os pecados


Acabando os dardos venenosos contra o primado, eis que começa um novo show de ataques desesperados. E o seu próximo alvo é o perdão dos pecados.

Vomitando ódio contra a Igreja de Cristo, você atreve-se a distorcer as claras palavras de Cristo, pelas quais Ele confere solenemente aos seus apóstolos o poder de perdoar ou reter os pecados.

“Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos." (Jo XX, 21-23)

É incompreensível como alguém pode obscurecer palavras claríssimas.

Cristo simplesmente conferiu aos seus apóstolos o poder de perdoar ou reter os pecados. É impossível admitir outra interpretação a este versículo.

Mas é nessa pretensão serpentina de destruir a Sagrada Escritura que você seleciona duas passagens que seriam a suposta salvação protestante contra este Sacramento Católico.

Das duas, transcrevo apenas uma que é suficiente para demonstrar a inconsistência de mais essa objeção.

"Quando Simão viu que se dava o Espírito Santo por meio da imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: Dai-me também este poder, para que todo aquele a quem impuser as mãos receba o Espírito Santo. Pedro respondeu: Maldito seja o teu dinheiro e tu também, se julgas poder comprar o dom de Deus com dinheiro!. Não terás direito nem parte alguma neste ministério, já que o teu coração não é puro diante de Deus. Arrepende-te desta tua maldade e roga a Deus, para que, sendo possível, te seja perdoado este pensamento do teu coração. Pois estou a ver-te no fel da amargura e nos laços da iniqüidade. Retorquiu Simão: Rogai vós por mim ao Senhor, para que nada do que haveis dito venha a cair sobre mim". (At 8,18-24)

Dessa passagem, que em nada contraria o Sacramento da Penitência, você se atreve a formular a seguinte interpretação pessoal:

“Pedro, apesar da insistência de Simão o Mago, não lhe deu absolvição. Ele disse “roga a Deus”.

Percebe-se que você não compreendeu ou não quis compreender o poder dado aos apóstolos. Se Pedro não absolveu Simão naquele instante, é por que ele também tinha o poder de reter os pecados: “... àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”.

Reter os pecados significa que o penitente não se mostrou digno de receber o perdão, e por isso o sacerdote adia a absolvição para outro momento em que o pecador demonstre sincero arrependimento de suas faltas.

Na mesma passagem, Pedro ordena a Simão que rogue a Deus, e com isso, você julga que o perdão vem diretamente de Deus, negando a mediação dos sacerdotes. Nada mais falso do que essa interpretação esfumaçada de ódio.

Pedro manda Simão rogar a Deus por que o perdão não depende só do sacerdote. Ninguém pode ser perdoado sem um verdadeiro arrependimento. E esse arrependimento só é possível de se obter com a graça de Deus: “Sem mim, nada podeis fazer” (João 15, 5).

Mesmo no Ato de Contrição, perante o sacerdote, rogamos a Deus para que perdoe as nossas faltas: “Peço e espero o perdão das minhas culpas pela vossa infinita misericórdia
 
É evidente que o perdão vem de Deus. Mas isso não anula os sacerdotes que são os legítimos instrumentos desse milagre que se opera invisivelmente em nossa alma.

No Pai Nosso, por exemplo, Cristo nos ensinou a pedir a Deus o pão de cada dia: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje” (S. Lucas XI,3) Mas disso não se segue que o pão descerá diretamente do Céu para as nossas mesas. Somos obrigados a recorrer a outros meios para obter esse sustento, o que não impede que esse pão venha de Deus pelas causas segundas. 



A mediação dos santos e o Celibato dos padres


No final de sua carta, você lança seus dois últimos ataques frustrados: um contra o celibato e outro contra a mediação dos santos. Ambos inúteis.

Alega você que a esposa de Pedro é um obstáculo para o celibato sacerdotal. Mas na Sagrada Escritura nada se diz sobre sua esposa. Faz-se apenas uma breve menção a sua sogra. Ora, onde estava a esposa de Pedro se é a sogra que o serve após ser curada? Caso sua esposa estivesse viva, o normal seria ela ter recebido e servido a Cristo, e não a sogra.

Contra a mediação dos santos, você apresenta a seguinte passagem:

“Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem que se entregou como resgate por todos”.

A mediação redentora de Cristo não anula a mediação secundária dos santos, pois não fosse assim, como se explicaria São Paulo que pediu orações aos fiéis, e até ofereceu sua intercessão em várias Epístolas (II Ts. III,1-2; Hb. XIII,18-19; Ef. VI,17-19)?

Deus poderia nos salvar sem necessidade de intermediários, comunicando sua graça diretamente em nossas almas. Mas Ele quis se servir de homens para salvar outros homens. Por isso instituiu apóstolos, aos quais disse: "Quem vos ouve, a Mim ouve" (Luc X, 16).

E o próprio Apóstolo que afirmou ser Cristo o único mediador de Salvação, também ensinou que pode haver outros mediadores que são constituídos em favor dos homens:

 "Em verdade, todo pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como MEDIADOR nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados" (Hb V,1).
 
Em harmonia com o ensino de S. Paulo, podemos muito bem recorrer à mediação do Pontífice Romano, escolhido dentre os homens, para que ele ofereça dons e sacrifícios por nossos pecados.

Deste modo, com mais uma mentira sua carta finalmente chega ao fim.

Bem lhe serviria a confissão de Voltaire: "Menti, menti... Sempre se acreditará em alguma coisa do que dissemos". E, lamentavelmente, há sempre quem acredite em alguma mentira de pretensos “doutores”.

Ai de vós, “doutores” de mentiras, ai de vós...

In Jesu et Mariae, Semper
Eder Silva

Campo Grande-MS, 12 de setembro de 2007, Festa do Santíssimo Nome de Maria.

http://www.defesacatolica.org/index.php?option=com_content&task=view&id=161&Itemid=28

 

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Controvérsia protestante sobre Petros e Petra

/ Comments: (6)

Não obstante seja verdade que petros e petra possam significar “pedra” e “rocha”, respectivamente no grego primitivo, a distinção está amplamente confinada à poesia. Além do mais, o aramaico básico é neste caso inquestionável; e muito provavelmente kepha era empregada em ambas as cláusulas (“tu és kepha” e “sobre esta kepha”), uma vez que a palavra era utilizada tanto para um nome quanto para uma “rocha”.
 
A Peshitta (escrita em siríaco, língua cognata do aramaico) não faz nenhuma distinção entre as palavras nas duas cláusulas.
 
O Grego faz a distinção entre petros e petra simplesmente porque tenta preservar o jogo de palavras e, no Grego o feminino petra não serviria muito bem como um nome masculino…Tivesse Mateus desejado dizer não mais do que Pedro fosse uma pedra, em contraste com Jesus, a Rocha, a palavra mais comum teria sido lithos (“pedra” de quase qualquer tamanho).[1] É importante ter em mente, como bem ressaltou o Dr.Carson, o fato de que Jesus falou aos seus discípulos em Aramaico, não em Grego.[2] Ele não se refere a Simão com a palavra Grega “Petros”, ele utilizou a palavra Aramaica “kepha”, como a própria Bíblia claramente declara: E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas [kepha] (que quer dizer Pedro). (João 1:42). Cefas é simplesmente a palavra Aramaica kepha representada foneticamente em Grego. Cefas (Kepha) significa “rocha grande” em Aramaico, justamente como petra, em Grego. De modo algum significa “uma pedra pequena”. [3] No Novo Testamento, o novo nome de Simão, Cefas, geralmente era traduzido em Grego como Petros, mas por oito vezes foi simplesmente, foneticamente representado como Cefas.[4] O que, na verdade, Jesus disse, naquela ocasião foi, “Eu te digo que tu és Cefas(pedra), e sobre esta cefas(pedra) construirei minha igreja. Vale ressaltar que em Aramaico a mesma palavra aparece em ambos os lugares.
 
Assim, constatamos que o histórico argumento Protestante de que Pedro não é a pedra, realmente não tem qualquer base. Na verdade, a maioria dos modernos eruditos Protestantes abandonou tal argumento, e agora concordam com a Igreja Católica de que Pedro é de alguma forma, a pedra sobre a qual Jesus construiria Sua Igreja. Como exemplo, citamos o erudito Protestante Oscar Cullman, que no Dicionário Teológico do Novo Testamento - Theological Dictionary of the New Testament, escreve:
 
O original Aramaico desta passagem nos habilita a asseverar com convicção a identidade material e formal entre p tra [petra] e P tros; P tros = p tra. . . . A idéia dos Reformadores de que Ele (Jesus) está se referindo à fé de Pedro é completamente inconcebível. . . pois inexiste aqui qualquer referência relacionada à fé de Pedro. Positivamente, o paralelismo entre “tú és pedra” e “sobre esta pedra Eu construirei…” mostra que – sobre esta pedra refere-se a – tu és pedra. É desta maneira evidente que Jesus está se referindo a Pedro, a quem Ele tinha dado o nome pedra. . . . Quanto a este ponto a exegese Católico Romana é correta e todos os Protestantes que tentam escapar desta interpretação devem ser rejeitados.[5]
 
O Erudito Protestante, em língua grega, Marvin Vincent escreveu:
 
A palavra não se refere a Cristo nem à confissão de Pedro, mas a Pedro mesmo, . . . A referência de petra a Cristo é forçada e antinatural. A referência óbvia da palavra é a Pedro. O pronome enfático “esta” naturalmente refere-se ao antecedente mais próximo; e, além disso, a metáfora é enfraquecida, uma vez que Cristo aparece aqui, não como a fundação, mas como o arquiteto: “Sobre esta pedra construirei…”
 
Novamente, Cristo é a grande fundação, a principal pedra de esquina, porém os escritores do Novo Testamento reconhecem que não há qualquer impropriedade em se aplicar aos membros da igreja de Cristo certos termos que são aplicados a Cristo. Por exemplo, o próprio Pedro (1 Pedro 2:4), chama a Cristo de pedra viva e no versículo 5, refere-se à igreja como pedras vivas.[6]
 
O erudito Protestante W.F. Albright escreveu:
 
Não se trata de um nome, mas um apelativo e um jogo de palavras. Não há qualquer evidencia do nome de Pedro ou Cefas ter existido antes da era cristã. . . . Pedro como Pedra será a fundação da futura comunidade, Jesus não cita o Antigo Testamento, pois aqui Ele utiliza a língua Aramaica, não Hebraica e, assim utiliza a única palavra Aramaica que serviria a seu propósito. Em vista do fundo de cena do versículo 19, deve-se rejeitar como sendo uma confissão, qualquer tentativa de ver esta pedra com o significado de fé ou como a confissão Messiânica de Pedro. Negar a preeminente posição de Pedro entre os discípulos ou na primitiva comunidade cristã é negar um fato. O interesse nas falhas e hesitações de Pedro não o detratam desta preeminência; mais exatamente, a enfatiza. Tivesse sido Pedro uma figura de menor importância seu comportamento teria causado menor conseqüência (cf. Gálatas 2:11 ss.).[7]

David Hill, ministro Presbiteriano na Universidade de Sheffield escreveu:
 
É sobre o próprio Pedro, o confessor de seu Messianismo, que Jesus irá construir a Igreja. Tentativas de se interpretar a ‘pedra’ não se referindo a Pedro (p.ex. sua fé, a verdade revelada a ele) não passam de preconceitos protestantes conferido à declaração um grau de sutileza que se configura totalmente improvável.[8]
 
As citações que se seguem são também de autoria de eruditos protestantes e foram extraídas do livro Jesus, Pedro & as Chaves: Um Manual Bíblico sobre o Papado (Scott Butler et al., (Santa Barbara, CA: Queenship Publishing), 1996).


William Hendriksen - Membro da Igreja Cristã Reformada, Professor de Literatura do Novo Testamento no Seminário de Calvino.
 
O significado é, “Tu és Pedro, que é a Pedra, e sobre esta pedra, que é Pedro, Eu construirei minha igreja”. Nosso Senhor, falando Aramaico, provavelmente disse, “E Eu te digo, tu és Kepha, e sobre esta kepha Eu construirei minha igreja”. Jesus, então, esta prometendo a Pedro que sobre ele, vai construir Sua igreja! Eu aceito esta posição. (New Testament Commentary: Exposition of the Gospel According to Matthew (Grand Rapids, MI: Baker, 1973), 647.)
 
Gerhard Maier – Líder evangélico conservador e Teólogo Luterano
 
Atualmente, tem surgido um amplo consenso, que – de acordo com as palavras do texto – se aplica a promessa a Pedro como pessoa. Sobre esta posição liberal (H. J. Holtzmann, E. Schweiger) e conservadora (Cullmann, Flew) os teólogos concordam, bem como os representantes da exegese Católica Romana. (“The Church in the Gospel of Matthew: Hermeneutical Analysis of the Current Debate,” Biblical Interpretation and Church Text and Context, (Flemington Markets, NSW: Paternoster Press, 1984), 58.)
 
 
Donald A. Carson -III - Batista e Professor do Novo Testamento no Seminário Evangelico da Trindade (Trinity Evangelical Seminary):

Não obstante seja verdade que petros e petra possam significar “pedra” e “rocha”, respectivamente no grego primitivo, a distinção está amplamente confinada à poesia. Além do mais, o aramaico básico é neste caso inquestionável; e muito provavelmente kepha era empregada em ambas as cláusulas (“tu és kepha” e “sobre esta kepha”), uma vez que a palavra era utilizada tanto para um nome quanto para uma “rocha”.
 
A Peshitta (escrita em siríaco, língua cognata do aramaico) não faz nenhuma distinção entre as palavras nas duas cláusulas. O Grego faz a distinção entre petros e petra simplesmente porque tenta preservar o jogo de palavras e, no Grego o feminino petra não serviria muito bem como um nome masculino. (The Expositor’s Bible Commentary: Volume 8 (Matthew, Mark, Luke), (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1984), 368.)
 
A palavra Pedro petros, significando “pedra” (Grego 4377), é masculina, e na declaração seguinte de Jesus, Ele utiliza a palavra feminina petra (Grego 4376). Com base nesta mudança, muitos têm tentado evitar identificar Pedro como a pedra sobre a qual Jesus constrói sua igreja. Ainda, se não fosse por reações Protestantes contra interpretações extremas do Catolicismo Romano, é duvidoso se muitos teriam aceitado “pedra” significando qualquer coisa ou qualquer pessoa senão Pedro. (Zondervan NIV Bible Commentary – New Testament, vol. 2, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1994), 78.)
 
John Peter Lange - erudito protestante alemão
 
O Salvador, sem dúvida, usou em ambas as cláusulas a palavra Aramaica kepha (por isso o Grego Kephas aplicado a Simão, João 1.42; comparado com 1 Cor. 1.12; 3.22; 9.5; Gal. 2.9), que significa pedra e é usado tanto como um nome próprio e comum. . . . A tradução, então adequada seria: “Tu és Pedra, e sobre esta pedra”. etc (Lange’s Commentary on the Holy Scriptures: The Gospel According to Matthew, vol. 8, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1976), 293.)
 
 
John A. Broadus – escritor Batista
 
Muitos insistem na distinção entre as duas palavras Gregas, tu és Petros e sobre esta petra, sustentando que se a pedra significasse Pedro, tanto petros quanto petra teriam sido utilizadas ambas as vezes, e que petros significa uma pedra separada ou fragmento separado, enquanto petra é uma grande pedra. No entanto, tal distinção está quase que inteiramente confinada a poesia, na prosa comum, em vez de petros sendo lithos; tampouco é a distinção uniformemente observada.
Mas, a principal resposta aqui é que Nosso Senhor, sem dúvida, falou em Aramaico, [que não tinha meios conhecidos de fazer tal distinção entre o termo feminino petra e o masculino petros em Grego]. A Peshita (Aramaico Ocidental) diz, “Tu és kipho, e sobre esta kipho”.O Aramaico oriental, falado na Palestina no tempo de Cristo, deve, necessariamente ter dito de maneira idêntica, “Tu és kepha, e sobre esta kepha”. . . Beza chamava a atencão para o fato de que o mesmo acontecia no Francês: “Thou art Pierre, and on this pierre”; e Nicholson sugere que poder-se-ia dizer, “Tu és Piers (inglês antigo para Pedro), e sobre esta pier.” (Commentary on the Gospel of Matthew, (Valley Forge, PA: Judson Press, 1886), 355-356.)
 
J. Knox Chamblin – Presbiteriano e Professor do Novo Testamento, no Seminário Teológico Reformado:
 
Com as palavras “esta pedra” Jesus não se referia a si mesmo, nem ao seu ensino, nem a Deus, o Pai, nem à confissão de Pedro, mas ao próprio Pedro. A frase é imediatamente precedida por uma referência enfática e direta a Pedro. Assim como Jesus identifica a si mesmo como o Arquiteto, a pedra sobre a qual Ele constrói é mais naturalmente entendida como alguém (ou alguma coisa) de outra maneira Jesus mesmo.
 
O demonstrativo esta, ou denota o que está fisicamente próximo a Jesus ou o que está literalmente próximo,em Mateus, mais naturalmente se refere a Pedro v. 18 do que a mais remota confissão (v. 16). O elo entre as cláusulas do versículo 18 tornar-se ainda mais forte com o jogo de palavras, “Tu és Pedro (Grego Petros), e sobre esta pedra (Grego petra) Eu construirei minha igreja”. Como apóstolo, Pedro profere a confissão do versículo 16; como confessor ele recebe a designação de esta pedra de Jesus. (“Matthew,” Evangelical Commentary on the Bible, (Grand Rapids, MI: Baker, 1989), 742.)
 
Craig L. Blomberg - Batista e Professor do Novo Testamento, Seminário Denver,

Reconhecendo Jesus como O Cristo ilustra o apropriado apelido de Simão “Pedro” (Petros = pedra). Esta não é a primeira vez que Simão foi chamado de Pedro (cf. Jo 1:42), mas, certamente é a mais famosa declaração de Jesus, “Tu és Pedro”, paralelos à confissão de Pedro, “Tu és o Cristo”, como se dissesse, “Já que você pode me dizer quem eu sou, te direi quem tu és”. A expressão “esta pedra” quase com certeza se refere a Pedro, seguindo imediatamente após seu nome, justamente como as palavras seguem “o Cristo” no versículo 16 aplicado a Jesus. O jogo de palavras, no Grego, entre o nome de Pedro (Petros) e a palavra “pedra” (petra) somente faz sentido se Pedro é a pedra e se Jesus está prestes a explicar o significado desta identificação. (The New American Commentary: Matthew, vol. 22, (Nashville: Broadman, 1992), 251-252.)
 
 
Suzanne de Dietrich - Teóloga Presbiteriana:
 
 
O jogo de palavras no versículo 18 indica a passagem original aramaica. O novo nome, “Simão”, discípulo impulsivo, contém uma promessa, e será, pela Graça de Deus, a “pedra” sobre a qual Deus construirá a nova comunidade. (The Layman’s Bible Commentary: Matthew, vol. 16, (Atlanta: John Knox Press, 1961), 93.)
 
 
Donald A. Hagner Seminário Teológico Fuller:
 
 
A leitura natural da passagem, apesar da mudança de Petros para petra requerida pelo jogo de palavras no Grego (o que não ocorre no Aramaico, onde a palavra kepha ocorre em ambos os lugares), é que Pedro é a pedra sobre a qual a igreja será construída. . . . As freqüentes tentativas feitas amplamente no passado, com o intuito de negá-lo, em favor da posição católica, de que a própria confissão é a pedra . . . parece que eram bastante motivadas pelo preconceito contra a passagem utilizada pelos Católicos Romanos a fim de justificar o papado. (“Matthew 14-28,”Word Biblical Commentary, vol. 33b, (Dallas: Word Books, 1995), 470.)
 
Havia alguma coisa retida do conhecimento de Pedro, que era “a pedra sobre a qual a Igreja seria construída” com o poder de “atar e desatar no céu e sobre a terra”? (Tertuliano, Demurrer Contra os Heréticos 22 (+200).
 
O Senhor disse a Pedro, “Sobre esta pedra Eu construirei minha Igreja, dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”. . . . Que espécie de homens são vocês, subvertendo e mudando aquilo que era o manifesto propósito do Senhor quando Ele conferiu isso pessoalmente a Pedro? “Sobre ti,” diz Ele, “Eu construirei minha Igreja; e Eu te darei as chaves.” (Tertuliano, Modéstia 21:9-10 (+220).
 
Há um só Deus e um só Cristo, e uma só Igreja, e uma só cátedra fundada sobre Pedro pela palavra do Senhor. Não é possível estabelecer um outro altar ou outro sacerdócio porquanto já foram estabelecidos. Quem quer que tenha se reunido em outro lugar ficará dispersado. ( São Cipriano de Cártago, Cartas 43[40]:5 (+253).
 
Jesus disse, Simão, meu seguidor, Eu te estabeleci como fundação da sagrada Igreja. Eu te digo que tu és Pedro [e.g., Pedra], porque tu sustentará todos os seus edifícios. Tu és o inspetor daqueles que construirão na terra uma Igreja para Mim. Caso desejem construir o que é falso, tu, a fundação, os condenará. Tu és a nascente da fonte da qual flui meu ensinamento; Tu és o chefe de meus discípulos. (Efraim, o Sírio, Homilias 4:1 +351).
 
 
Notas Finais
1. D.A. Carson, O Comentário Bíblico do Expositor - The Expositor’s Bible Commentary, Volume 8 (Mateus, Marcos, Lucas), ed. Frank E. Gaebelein, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1984), 368.
2. Algumas das verdadeiras palavras Aramaicas de Jesus estão preservadas no Novo Testamento. Veja, por exemplo, Mateus 27:46 e Marcos 5:41.
3. A palavra Aramaica para “pedregulho/pedra pequena” é evna.
4. 1 Cor. 1:12, 1 Cor. 3:22, 1 Cor. 9:5, 1 Cor. 15:5, Gal. 1:18, Gal. 2:9, Gal. 2:11, Gal. 2:14.
5. Oscar Cullman, Dicionário Teológico do Novo Testamento, ed. por Gerhard Kittel e Gerhard Friedrich, (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1968), 6:98, 108.
6. Marvin R. Vincent, Estudo de palavras no Novo Testamento - Word Studies in the New Testament, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1946 (orig. 1887)), 4 vols., vol. 1, 91-92.
7. W. F. Albright and C. S. Mann, Mateus - Matthew (Garden City, NY: Doubleday & Co., 1971), 195.
8. David Hill, The Gospel of Matthew – O Evangelho de Mateus (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1972), 261.
Fonte: http://www.katoliko.com/rock.htm

 

Apologética - Santo Agostinho negou o primado de Pedro?


Este é mais um de meus artigos disponíves no site "Cai a Farsa".

A MENTIRA:

“…muitos eram a favor de que Pedro era o fundamento da igreja em Mateus 16:18, mas um número maior ainda era contra essa interpretação, como por exemplo, Agostinho, bispo de Hipona…” Sobre esta pedra – não como se referissem à pessoa de Pedro, mas sim a Cristo, cuja Divindade Pedro havia reconhecido e proclamado.

“… Exemplo disso é Santo Agostinho que, em uma de suas obras,13 expressamente afirma que sempre, salvo uma vez, ele havia explicado as palavras sobre esta pedra — não como se referissem à pessoa de Pedro, mas sim a Cristo, cuja divindade Pedro havia reconhecido e proclamado…“

PARA JUSTIFICAR A MENTIRA ELES CITAM O SERMÃO 295 DE ST. AGOSTINHO:
Numa passagem neste livro, eu disse sobre o Apóstolo Pedro: ‘Sobre ele, como uma pedra, a Igreja foi construída’…Mas eu sei que mui freqüentemente em um tempo atrás, eu expliquei que o Senhor disse: ‘Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja’, que é para ser entendido como construída sobre Ele, a quem Pedro confessou dizendo: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’, e assim Pedro, chamado depois esta pedra, representou a pessoa da Igreja que é construída sobre esta pedra, e recebeu ‘as chaves do reino do céu’. Porque, ‘Tu és Pedro’ e não ‘Tu és a pedra’ foi dito a ele. Mas ‘a pedra era Cristo’, em quem confessando, como também toda a Igreja confessa, Simão foi chamado Pedro. Mas que o leitor decida qual dessas duas opiniões é a mais provável. (The Fathers of the Church (Washington D.C., Catholic University, 1968), Saint Augustine, The Retractations Capítulo 20.1).

ONDE SE ENCONTRA A MENTIRA:
http://www.jesussite.com.br/acervoprint.asp?Id=200
http://www.celebrandodeus.com/Artigos/artigo_papas.asp
http://www.icp.com.br/70materia1.asp
Primeiramente leiam a parte que destaquei em vermelho no texto que os protestantes articulam…
Santo Agostinho termina com a seguinte frase:

Mas que o leitor decida qual dessas duas opiniões é a mais provável.
Nessa frase o Santo já deixa explícito que a afirmação de que Pedro não é a pedra é uma questão que o leitor deve decidir.
Utilizando deste sermão os manipuladores do texto criam uma imagem onde Santo Agostinho está no fim de sua vida e se arrepende de suas palavras, dizendo assim que Pedro não é a Pedra. Dessa forma articulam o texto inserindo uma “boa dose” de sentimentalismo, moldando um Santo Agostinho que já não é mais Católico e sim um “Santo Protestante”, e digamos de passagem santo protestante é algo que não existe.
Vejamos então outra parte do mesmo Sermão, que claro, é omitida pelo autor da mentira:

“… São Pedro, o primeiro dos Apóstolos, que amava Cristo ardentemente, mereceu escutar: Por isto eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. (…). Dentre os apóstolos, somente Pedro mereceu representar em toda parte a personalidade da Igreja toda. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: Eu te darei as chaves do Reino dos Céus. Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja uma. Assim, manifesta-se a superioridade de Pedro, que representava a universalidade e a unidade da Igreja (…). A ele era atribuído pessoalmente o que a todos foi dado. (…) No mesmo sentido, também depois da Ressurreição, o Senhor entregou a Pedro a responsabilidade de apascentar Suas ovelhas. (…) E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque, dentre os apóstolos, Pedro é o primeiro…”
Diante de tais afirmações fica difícil acreditar que Santo Agostinho negou o Primado de Pedro.O Santo ainda diz:
“Uma vez que devemos considerar a sucessão dos bispos, com maior razão, mais verdadeiramente e com maior segurança nós enumeramos os bispos de Roma a partir do próprio Pedro, a quem, como que representando a toda a Igreja, o Senhor disse: ?Sobre esta Pedra construirei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela? (Letters 53:1:2 [A.D. 412]).
http://www.catholic.com/library/Origins_of_Peter_as_Pope.asp

Santo Agostinho não só cria no primado como afirmava que as “chaves do Reino” foram transmitidas não só a Pedro, mas a toda a Igreja através da sucessão apostólica. Isso fica explícito no Comentário ao Evangelho do III domingo da Páscoa feito pelo Santo Bispo de Hipona quando este combatia as heresias dos Montanistas e Novacianos que negavam o poder da Igreja de conceder o perdão dos pecados, segundo eles este poder era pessoal e teria desaparecido com a morte de Pedro. Eis o comentário de Santo Agostinho:
Comentário ao Evangelho do III domingo da Páscoa – ano C (Jo 21,1-19)
Quando interrogava a Pedro, o Senhor interrogava também a nós
Quando ouves o Senhor dizendo: Pedro, tu me amas? (Jo 21,16), lembra-te de um espelho e procura ver-te nele. Pois que outra coisa Pedro aí fazia se não representar a Igreja? Por isso, quando interrogava a Pedro, o Senhor nos interrogava também a nós, interrogava a Igreja. Para saberes que Pedro era figura da Igreja, recorda aquela passagem do Evangelho: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não a vencerão. Eu te darei as chaves do Reino dos céus (Mt 16,18-19).
É um homem só que as recebe. Quais sejam as chaves do Reino dos céus ele explicou assim: O que ligares na terra será ligado nos céus e o que desligares na terra será desligado nos céus (Mt 16,19).


Mas, se apenas a Pedro é que isso se disse, somente Pedro é que fez isso: morreu e partiu. Quem, portanto, liga e quem desliga? Ouso afirmar que também nós temos essas chaves.
http://www.osb.org.br/lectio9.htm
Vejamos ainda alguns textos que nos deixa claro a posição de Santo Agostinho em relação ao primado e ao Papado:
”Se a sucessão dos bispos for levada em conta, quanto mais certa e benéfica a Igreja que nós reconhecemos chegar até o próprio Pedro, aquele que portou a figura da Igreja inteira, a quem o Senhor disse: ‘Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela’. O sucessor de Pedro foi Lino, e seus sucessores em ordem de sucessão ininterrupta foram estes: Clemente, Anacleto, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Aniceto, Pio, Sótero, Eleutério, Victor, Zeferino, Calisto, Urbano, Ponciano, Antero, Fabiano, Cornélio, Lúcio, Estêvão, Sisto, Dionísio, Félix, Eutiquiano, Caio, Marcelino, Marcelo, Eusébio, Miltíades, Silvestre, Marcos, Júlio, Libério, Dâmaso e Sirício, cujo sucessor é o presente bispo Anastácio. Nesta ordem de sucessão, nenhum bispo donatista é encontrado” (Santo Agostinho, Ep. 53,2).

Vemos então acima o Santo afirmar que Pedro “portou a figura da Igreja inteira” e ainda citar a ordem ininterrupta da sucessão apostólica a partir de São Pedro. O escrito acima foi feito pelo Santo Bispo de Hipona principalmente para combater os donatistas .
Vejam mais um texto onde Santo Agostinho trata sobre o Primado:
“Ainda prescindindo da sincera e genuína sabedoria…, que em vossa opinião não se encontra na Igreja Católica, muitas outras razões me mantém em seu seio: o consentimento dos povos e das gentes; a autoridade, erigida com milagres, nutrida com a esperança, aumentada com a caridade, confirmada pela antigüidade; a sucessão dos bispos desde a própria sé do Apóstolo Pedro, a quem o Senhor confiou, depois da ressurreição, o apascentamento de suas ovelhas até o episcopado de hoje; e, por fim, o próprio apelativo de ‘católica’, que não sem razão apenas a Igreja alcançou… Estes vínculos do nome cristão – tantos, grandiosos e dulcíssimos – mantêm o crente no seio da Igreja católica, apesar de que a verdade, por causa da torpeza de nossa mente e indignidade de nossa vida, ainda não se apresenta” (Santo Agostinho, C. ep. Man. 4,5).
Analisando as palavras do Santo vemos novamente o mesmo falar sobre o apostolado de Pedro e a sucessão apostólica, deixando novamente claro sua opinião sobre o assunto.
Assim mostramos rapidamente que Santo Agostinho não só acreditava no primado de Pedro, mas o defendia veemente. É claro que mesmo com toda evidencia que aqui deixamos sempre terá um protestante para contestar.
.Mas como falar que um homem que chamava a Igreja de Mãe escreveria contra a mesma? ”…Se a mãe viúva (de Naim) se alegrou com a ressurreição do jovem, nossa Mãe, a Igreja, alegra-se diariamente com a ressurreição espiritual dos homens.”[/blueSermo 98, 1-3(Patrologia Latina 38, 591-592
http://www.osb.org.br/lectio_10junho07.html
Prosseguimos com outro sermão do Santo:
“Eis que o Senhor, depois de sua ressurreição, aparece novamente aos discípulos. Interroga Pedro e o obriga a confessar três vezes seu amor, a ele que, por medo, três vezes o negara. Cristo ressuscitou na carne, e Pedro segundo o espírito; pois, enquanto o Senhor morria sofrendo, Pedro morria negando. Cristo Senhor ressuscitou dentre os mortos, e Pedro ressuscitou graças ao amor de Cristo para com ele. Àquele que agora o confessava, interrogou sobre seu amor, e lhe confiou suas ovelhas. ”.

Mas, o que Pedro dava a Cristo, pelo fato de amar a Cristo? Se Cristo te ama, o proveito é teu, não de Cristo. Se amas a Cristo, é ainda para proveito teu, não de Cristo. Entretanto, o Senhor, querendo mostrar como os homens devem provar que o amam, manifesta-o claramente, mencionando suas ovelhas: Tu me amas? – Eu te amo. Cuida das minhas ovelhas (Jo 21, 16.17). Perguntou uma, duas, três vezes. Pedro nada lhe respondeu a não ser que o amava. O Senhor nada lhe perguntou a não ser se ele o amava. Cristo não confia a Pedro coisa alguma senão o pastoreio de suas ovelhas. Amemo-nos, e estaremos amando a Cristo…” Sermo Guelferbytanus 16, 1-2 (Patrologiæ Latinæ Supplementum 2, 579-580)
http://www.osb.org.br/lectio_22abril07.html
No sermão acima vemos mais uma ótima explicação a respeito do tema. Santo Agostinho diz : “…Cristo não confia a Pedro coisa alguma senão o pastoreio de suas ovelhas. Amemo-nos, e estaremos amando a Cristo…”. Com isso vemos explicitamente a opinião do Santo Bispo a respeito da missão dada a Pedro de apascentar as ovelhas, ora Cristo não tinha ovelhas, ou seja, é dado a Pedro a missão de ser a Pedra.
E em diversos sermões podemos ver a opinião de Santo Agostinho sobre o Primado e o poder concedido sobre Pedro e conseqüentemente sobre a Igreja através da sucessão apostólica, por isso Santo Agostinho afirmava que A Igreja era a Esposa de Cristo:“…Traje de festa recebe-se em honra da união do esposo e da esposa. Conheceis o esposo: é Cristo. Conheceis a esposa: é a Igreja. Honrai a esposa, honrai o esposo. Se os honrardes dignamente, sereis seus filhos. Portanto, procurai crescer no amor.” Sermo 90, 1.5.6(Patrologia Latina 38, 559.561.563)
http://www.osb.org.br/lectio_09outubro.html
Como ele poderia negar o poder dado a Igreja? Se para Santo Agostinho a Igreja é a Barca que transporta os discípulos:

“…A barca que transporta os discípulos, isto é, a Igreja, navega, e a tempestade das provações a tomam de assalto. O vento contrário, ou seja, o demônio que faz oposição à Igreja, não se acalma, esforçando-se por impedi-la de chegar ao repouso do porto. Grande é, porém, aquele que intercede por nós. Com efeito, durante a tumultuosa navegação em que nos debatemos, ele nos inspira confiança, vem a nós e nos reconforta, a fim de que, sacudidos pela barca, não nos deixemos abater e não nos lancemos ao mar.
Porque, mesmo se a barca é sacudida pelas ondas, é apesar de tudo uma barca, e somente esta barca transporta os discípulos e acolhe Cristo. Ela corre um grande risco no mar, mas, fora dela, imediatamente perecemos.
Conserva-te, pois, na barca e clama por Deus. Todos os conselhos podem falhar, o leme pode tornar-se insuficiente, as velas abertas mais perigosas que úteis – quando todos os socorros humanos falharem, só resta aos marinheiros rezar e elevar a Deus seus corações. Aquele que concede aos navegantes a graça de chegar ao porto, iria acaso abandonar a sua Igreja, em vez de reconduzi-la ao repouso? Sermo 75 (Patrologia Latina 38, 475-476)
http://www.osb.org.br/lectio_25junho06.html
No sermão acima Santo Agostinho trata a Igreja como “A barca” uma alusão a “barca de Pedro” e diz que o vento contrário a Igreja é o demônio e é este que vem atacando a barca, sempre tentado derrubá-la com mentiras e calúnias e no final o Santo fala “Conserva-te, pois, na barca…”. Mostrando-nos o caminho para escaparmos da “tempestade” , pois quem está fora da barca não se salva.
Diante te todos os argumentos ainda pode vir um protestante alegar que o Santo negou o primado na obra “Retratações” esta que ele escreveu ao fim da vida, mas o que podemos perceber é que o Santo, não nega suas antigas afirmações de que Pedro é a Pedra, mas afirma que a Pedra era a fé de Pedro e que esta é uma questão em que o leitor deve decidir (vide trecho em vermelho no início do artigo), portanto ele aceita o primado na própria obra “Retratações”.

“…Santo Agostinho, de fato, propagou durante sua vida as duas interpretações citadas pelo protestante sobre o Primado de Pedro: a de que a pedra é a confissão de Pedro, e a de que a pedra é o próprio Pedro.
E, de fato, nas Retractationes, o santo apontou as duas interpretações como sendo possíveis.
Até aqui o protestante copiou bem. Mas faltou terminar de copiar… pois Santo Agostinho, depois de mostrar as duas fórmulas, termina com a seguinte frase… esquecida… pelo protestante:
“Que o leitor escolha das duas interpretações aquela que lhe pareça a mais provável” (Que le lecteur choisisse de ces deux interprétations celle qui lui semblera la plus probable.)
http://www.abbaye-saint-benoit.ch/saints/augustin/retractationes/index.htm#_Toc524190814
Note bem o que escreveu o santo: escolha o leitor – das duas interpretações – a que parecer mais provável!Ou seja: Santo Agostinho reconhece sua incapacidade em interpretar uma passagem bíblica, e propõe a seus leitores que escolham a que lhes pareça mais provável!
O que faz o protestante? Recorta o trecho indesejado! Apresenta as duas interpretações – insinuando que a segunda é que vale – e recorta estrategicamente a conclusão do santo, o trecho que esclarece a questão…” (Comentário de Marcos Libório- Ass. Cultural Montfort)
E pra finalizar ficaremos com a célebre frase de Santo Agostinho que desmorona qualquer tentativa protestante que queira alegar que ele era contra o Primado….
ROMA LOCUTA CAUSA FINITA EST. – “Roma falou, encerrada a questão(Santo Agostinho Sermão 131,10)
Diante de tudo que foi exposto temos evidencias suficientes para acreditar não só que Santo Agostinho cria no Primado de Pedro, mas que este também era um árduo defensor do Papado.
Vemos assim o argumento protestante ir por água abaixo mais uma vez…
Devemos, sobretudo, reter na memória aqueles textos mais decisivos no combate aos hereges, cujas ciladas não cessam de armar contra os que são mais fracos ou mais negligentes. Santo Agostinho- In I Epistolam Ioannis, Tractatus 2, 1(Sources Chrétiennes 75, 151-152)
E novamente desmascaramos os mentirosos sites protestantes e vemos que o protestantismo em si foi erguido em cima de mentiras e mais mentiras.
Por Jefferson Nóbrega

http://praelio.blogspot.com.br/search/label/Apolog%C3%A9tica?updated-max=2010-02-21T11:14:00-08:00&max-results=20&start=16&by-date=false

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O primado de Pedro e a Epístola aos Gálatas

 

"Mas quando Cefas veio para Antioquia, opus-me a ele abertamente porque era digno de censura. Pois, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os pagãos. Mas quando eles chegaram, se retraía e se afastava, com medo dos circuncidados. E os demais judeus o acompanharam na mesma inconseqüência, tanto que até Barnabé se deixou arrastar por eles. Mas, quando vi que não procediam com retidão segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas na presença de todos: 'Se tu, sendo judeu, vives como pagão e não como judeu, por que obrigas os pagãos a adotar os costumes judaicos'" (Gl, 2, 11-14).

Volta e meia, os protestantes citam o texto acima para tentar provar que Pedro, ao final das contas, não tinha tanta autoridade na Igreja primitiva e que o mesmo não era infalível. O objetivo de tais afirmações é bastante claro: visa o solapamento da fé católica no papado (autoridade de Pedro) e na infalibilidade do mesmo.

Como era de se esperar, os adeptos do Sola Scriptura não compreendem, muito bem, o texto e o contexto que citam contra os católicos. Fazendo suas interpretações pessoais e enviezadas, derrapam nas conclusões de maneira insofismável. Bem compreendida, a epístola aos Gálatas (inclusive o texto acima) reforça toda a nossa fé em Pedro e em seus sucessores. Vejamos, ponto por ponto, como isto acontece.

O Concílio de Jerusalém.

A dramática cena do enfrentamento entre S. Pedro e S. Paulo ocorreu alguns dias após o mais importante acontecimento do primeiro século do cristianismo: o Concílio de Jerusalém. Entender este concílio e suas resoluções é de suma importância, portanto, para que se possam entender os acontecimentos de Gl 2, 11-14.

A Igreja primitiva nasceu, como um rebento, do judaísmo. Seus líderes eram judeus, e a Igreja aproveitava da distribuição das sinagogas pelo mundo romano para fazer, com sucesso, a implantatio ecclesiae. Neste ambiente profundamente judaico, surgiu uma certa teologia segundo a qual, para que alguém se salvasse, deveria, necessariamente, participar da Antiga Aliança, circuncidando-se e observando as antigas leis mosaicas. Tal teologia (chamada de judaizante) tinha uma enorme influência entre os cristãos, difundindo-se, a partir de Jerusalém, por todas as demais igrejas locais. O líder desta facção era, ninguém mais, ninguém menos, do que São Tiago, bispo de Jerusalém e figura proeminente da Igreja primitiva.

No entanto, São Paulo liderava os adeptos de uma outra teologia. Contemplando a história da salvação, ele percebeu que, na verdade, Cristo, ao morrer na Cruz, substituiria toda a Lei Antiga por uma Nova Aliança, realizada em Seu preciosíssimo sangue. Era este sangue, e apenas ele, o penhor de nossa salvação, sendo desnecessário (e, em seu entender, inconveniente) que se observassem os antigos rituais judaicos.

A disputa entre as duas facções, aos poucos, foi se acirrando. Discussões sérias ocorriam. Para resolvê-las, a Igreja primitiva, orientada pelo Espírito Santo, convocou aquele que seria o primeiro Concílio de sua história. Reuniram-se, em Jerusalém (note-se que esta era a diocese de São Tiago), todos os líderes cristãos e, sob a direção de São Pedro, se puseram a discutir a questão.

De um lado, São Paulo e seus discípulos expunham a sua idéia. De outro, os companheiros de São Tiago se punham a rebatê-las, certamente encorajados pelo fato de que este combate teológico, realizado em Jerusalém, favorecia a vitória dos judaizantes. Fez-se uma discussão. O momento era dramático para São Paulo, que via cada vez mais distante a possibilidade de que sua tese saísse vencedora.

Foi então que Pedro falou. E com que coragem falou Pedro! Não obstante estar em Jerusalém (onde os judaizantes eram maioria), não obstante a venerável presença de São Tiago, o velho São Pedro pronunciou-se, com assombroso destemor, em favor de São Paulo. Como líder da Igreja, ex-catedra, deu a primeira manifestação solene e infalível de que se tem notícia, afirmando que São Paulo tinha razão, e afastando a necessidade de observância da lei mosaica para a nossa salvação. Como era de se esperar, esta definição dogmática e solene até hoje permanece em vigor, e nunca mais os cristãos tiveram dúvidas a respeito. Veja como São Lucas descreveu este discurso em At. 15.

Reuniram-se os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. Ao fim de longa discussão , levantou-se Pedro e falou: "Irmãos, vós sabeis que Deus me escolheu dentre vós desde os primeiros dias, para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e cressem. E Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como a nós. Não fez distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes os corações pela fé. Pois então, por que provocais a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos pudemos suportar? Aliás, nós cremos que, pela graça do Senhor Jesus Cristo, seremos salvos do mesmo modo que eles". Toda a assembléia se calou e pôs-se a escutar Barnabé e Paulo que narravam todos os sinais e prodígios que Deus tinha realizado entre os pagãos por intermédio deles. os sábados".

Depois disto, falou São Tiago. O mesmo, amante da lei mosaica, propôs, então, algumas normas pastorais de nítida influência judaizante. Veja o seu discurso:

Logo que se calaram, Tiago tomou a palavra e disse: "Irmãos, ouvi-me: Simão nos explicou como desde o início Deus cuidou de tirar dentre os pagãos um povo que trouxesse o seu nome. Com isso concordam as palavras dos profetas, como está escrito:

Depois voltarei para reerguer
a tenda de Davi, que está caindo,
reedificarei as ruínas e a porei de pé,
a fim de que o restante da humanidade,
assim como todas as nações
sobre as quais for invocado meu nome,
procurem o Senhor.
Assim diz o Senhor que realiza estas coisas,
conhecidas desde tempos antigos.

Por isso julgo que não se deve inquietar os convertidos para Deus entre os pagãos. Mas se lhes prescreva absterem-se das contaminações dos ídolos, da prostituição, das carnes sufocadas e do sangue. Pois desde os tempos antigos, a Lei de Moisés tem em cada cidade quem a explique, sendo lida nas sinagogas todos"

Não se pode afastar, por completo, a afirmação de que o objetivo de São Tiago era o de salvar um pouco do judaismo que, com a declaração de São Pedro, transformava-se em algo ultrapassado para os cristãos. Como católicos, no entanto, devemos acreditar que, ainda que se tratando de normas pastorais, e ainda que outro fosse o objetivo de Tiago, as mesmas foram inspiradas pelo Espírito Santo e eram de observância obrigatória (como as do Concílio Vaticano II). De fato, a observância das mesmas evitava que os judeus se escandalizassem dos cristãos e fechassem, aos mesmos, as portas das sinagogas. Isto permitiu que a implantatio ecclesiae prosseguisse a partir da distribuição geográfica das mesmas. No entanto, por serem normas meramente pastorais, foram deixadas de lado posteriormente, sem que isto implique em qualquer contradição.

Este foi o Concílio de Jerusalém. São Paulo, alegre com a decisão de Pedro, e aceitando as normas pastorais (como um bom católico) foi à Antioquia dar a notícia para aquela igreja. São Pedro (fundador da mesma) para lá se dirigiu alguns dias depois. É exatamente neste contexto ?pós-conciliar? que se deu o enfrentamento mencionado.

Defesa

Antes de se analisar como a epístola aos Gálatas confirma o primado de Pedro, julgo ser importante que se estabeleça a defesa contra a interpretação protestante.

O fato de S. Paulo ter resistido publicamente a uma atitude de S. Pedro em nada afeta o dogma da infalibilidade papal. Não deixa de ser delicioso (para nós católicos) que os protestantes não conheçam nada de doutrina católica. Combatem, os hereges, uma pseudo-igreja que somente existe em suas cabeças recheadas de ilusões.

Afirmam que, se os papas fossem infalíveis, Pedro (o primeiro papa) não teria cometido o erro descrito em Gl 2,11-14. No entanto, esta acusação se baseia no mais arrematado desconhecimento do que seria infalibilidade papal. Se soubessem o significado deste dogma, não fariam suas esdrúxulas e descabidas acusações.

O Papa só é infalível quando se pronuncia ex-catedra (solenemente) sobre algum ponto de doutrina ou de fé. O católico tem a garantia (dada pelo próprio Jesus) de que, nestes casos (e somente nestes) o Pastor Universal da Igreja não pode errar. Mas, em tudo mais, o papa é tão falível e pecador quanto qualquer outro mortal.

O que temos, então? Pedro, no Concílio de Jerusalém de que se falou acima, fez um pronunciamento solene sobre um ponto de fé e definiu, para sempre, uma questão. No episódio de Gl 2, 11-14 (ocorrido alguns dias depois), o mesmo Pedro cometeu um erro (um pecado). Os protestantes citam um pecado de Pedro para negar a infalibilidade papal. Ora: o Papa é infalível, não impecável!!!

Como se vê, a tentativa de se negar, biblicamente, a infalibilidade do papa baseando-se em Gl 2, 11-14 revela um profundo desconhecimento do que significa o dogma atacado. Este trecho bíblico mostra, apenas, que S. Pedro era um pecador como todos nós. Nem de longe portanto, arranha o dogma católico em questão.

Isto bastaria para afastar, solene e infalivelmente, o ataque protestante mal fundamentado. No entanto, creio que tanto o contexto da epístola aos Gálatas quanto os acontecimentos narrados na mesma provam, com veemência, o primado de Pedro na Igreja Primitiva. Em outras palavras: bem compreendido, o texto em questão não apenas não arranha o papado mas o confirma de maneira insofismável.

Este contra-ataque católico, tão pouco explorado pelos apologistas nacionais, é o que pretendo fazer nas linhas abaixo.

O Contra-ataque

Como foi dito, logo após o Concílio de Jerusalém (no qual, repita-se, a teologia de paulina saiu vitoriosa), São Paulo dirigiu-se à cidade de Antioquia para dar, aos cristãos de lá, a boa nova. Nesta cidade, a maioria dos cristãos era formada por gentios. Era de se esperar, portanto, que os mesmos estivessem ansiosos com o resultado do Concílio.

São Pedro também se dirigiu para lá e verificou, pessoalmente, a alegria que tomou conta de todos. Durante alguns dias, viveu plenamente o espírito conciliar e, respeitando as normas pastorais definidas, ceiava e misturava-se aos cristãos da gentilidade.

Foi, então, que vieram alguns "da parte de Tiago", descendo diretamente de Jerusalém à Antioquia. Com certeza, estes "judeus da parte de Tiago" eram aqueles que, derrotados pela manifestação infalível de São Pedro, mesmo assim, recalcitravam em aceitar a solene definição dada pelo mesmo (existem, na Igreja de hoje, muitos deste tipo de cristãos, para a tristeza de todos os quanto dedicam a sua vida ao catolicismo).

O fato é que a presença destes judaizantes acabou por intimidar a São Pedro. O mesmo, então, começou a evitar os cristãos vindos da gentilidade e a se comportar como se fosse, ele mesmo, um judaizante. É interessante notar-se que, durante o Concílio, a presença destes recalcitrantes não intimidou a São Pedro. Pelo contrário, movido pelo Espírito Santo (afinal, era um Concílio Ecumênico), o primeiro Papa passou por cima das pressões e defendeu a verdade da fé cristã. Em Antioquia, contudo, como qualquer mortal, Pedro errou e se deixou levar pelas pressões.

Quando São Pedro se retraiu, criou-se uma situação inusitada. Os judaizantes (até então, os derrotados do Concílio) comportavam-se como se vitoriosos fossem. São Paulo (o grande vitorioso), por sua vez, passava como se houvesse sido derrotado.

A situação foi tão absurda que o próprio Barnabé passou para o lado dos judaizantes. E, note-se, Barnabé era companheiro de São Paulo, viajavam juntos, estavam lado a lado no Concílio. Em outras palavras: Barnabé era um dos grandes apologistas da teologia paulina.

Veja-se, portanto, a situação: São Paulo tinha o decreto conciliar em suas mãos, estava em uma Igreja onde sua teologia predominava, tinha, com ele, o seu grande companheiro de batalhas (Barnabé) e, no entanto, bastou um simples recolhimento de São Pedro para que tudo isto nada significasse. Bastou um simples recuo de São Pedro para que a liberdade cristã se visse ameaçada. Bastou um simples titubeio do Papa para que o próprio Barnabé esquecesse anos de lutas e de discussões teológicas e se deixasse arrastar pelo erro.

Em Jerusalém (terreno dos judaizantes), nem a venerável presença de São Tiago, nem os argumentos dos judaizantes foram capazes de dobrar o espírito de Barnabé. Em Antioquia (terreno aliado de São Paulo), contudo, um simples gesto de São Pedro o arrastou para o erro.

Cumpre que cada um se pergunte o porquê disto. Que cada leitor e leitora se questione qual a razão que fazia com que, aos olhos de todos, a postura de São Pedro fosse mais importante do que as resoluções conciliares.

São Paulo, então, vai em defesa da verdade com seu espírito inquebrantável. E vai defendê-la não contra os judaizantes, nem contra Barnabé, mas somente contra São Pedro. Novamente, que cada leitor e leitora se pergunte por que São Paulo preocupou-se, apenas, com a atitude de Cefas? Por que razão Paulo não censurou nem corrigiu a todos os que estavam comportando-se contrariamente às normas do Concílio? A resposta é muito simples: porque o erro tinha o poder de arrastar toda a Igreja consigo. O erro de Barnabé era, apenas, o erro de Barnabé; o erro dos judaizantes, era, apenas, o erro dos judaizantes e nada mais. O erro de S. Pedro, contudo, tinha dimensões gigantescas que somente se explicam pela autoridade diferenciada de que o mesmo gozava entre os primeiros cristãos.

E, nesta defesa da verdade face a São Pedro, São Paulo, estranhamente, não usou da autoridade conciliar. Não mencionou aquilo que fora decidido, antes, apelou para a própria vida de São Pedro. O centro da argumentação paulina não repousou no Concílio, mas na maneira como Pedro se comportava: : "Se tu, sendo judeu, vives como pagão e não como judeu, por que obrigas os pagãos a adotar os costumes judaicos?".

É interessante notar que a frase de S. Paulo é quase idêntica à que S. Pedro usou no Concílio para resolver a questão, in verbis: "Pois então, por que provocais a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós mesmos pudemos suportar". Em outras palavras, para corrigir a Pedro, Paulo usou da autoridade petrina, e não de autoridade própria. Usou do Papa para corrigir o homem, o que, mais uma vez, demonstra a posição de destaque de S. Pedro.

Mas o cerne deste nosso pequeno contra-ataque repousa na própria frase paulina. É para ela que eu chamo a atenção de tantos quanto lêem este texto. São Paulo afirmou, com todas as letras, para que qualquer protestante de qualquer tempo pudesse entender, que São Pedro estava obrigando os cristãos a seguir os costumes judaicos.

Veja-se a versão da TEB: "Se tu, que és judeu, vives à maneira dos pagãos e não à judaica, como podes obrigar os pagãos a se comportarem como judeus".

Veja-se, também, a versão protestante do Almeida: "Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus".

Ora, se, como querem os protestantes, São Pedro era, simplesmente mais um apóstolo (da mesma hierarquia, portanto, de São Paulo) como o mesmo poderia, nas barbas de São Paulo, obrigar uma comunidade a se comportar de forma contrária ao Evangelho?

Se, o cristianismo primitivo fosse como os delírios protestantes afirmam que era, a autoridade paulina era da mesma força e intensidade da petrina. Paulo iria, simplesmente, sacar a Bíblia (que, frise-se, para desgosto dos protestantes, nem existia), escolher os versículos que lhe aprouvessem, declarar-se inspirado pelo Espírito Santo, censurar o comportamento de Pedro e, se fosse o caso, fundar a sua própria Igreja dentro da qual apenas a sua doutrina seria pregada.

Mas não. São Paulo tinha consciência de que a atitude de São Pedro gozava de uma autoridade maior do que a sua própria. Afinal, São Pedro não disse uma palavra, não fez sequer uma pregação (apenas se comportou de forma errônea) e, no entanto, este seu comportamento tinha o poder de obrigar a todos. Segundo São Paulo, o papa estava obrigando a todos os demais (inclusive, repita-se, a Barnabé) a se desviarem da verdadeira fé cristã. O comportamento de Pedro era mais forte e mais importante do que toda a doutrina paulina e do que todos os decretos conciliares. O simples comportamento de Pedro estava arrastando a Igreja de Antioquia e convencendo-a daquilo em que falhara convencê-la o próprio São Tiago. O comportamento de Pedro valia mais do que Paulo, Tiago e o Concílio juntos!!!

E, no entanto, para os protestantes, Pedro gozava da mesma autoridade que gozavam Tiago, Paulo, Barnabé... Vá entender!

Há, ainda, muitos outros pontos da epístola aos Gálatas a serem citados em defesa do Papado. Para não cansarmos os leitores, limito-me aos acima descrito, planejando continuar este assunto em outra oportunidade.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/684-o-primado-de-pedro-e-a-epistola-aos-galatas

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Por que o ofício de Pedro é necessário?

 

Por 2000 anos a Igreja Católica encarregou-se da missão a ela dada por seu Fundador, Jesus Cristo, de fazer "discípulos em todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a observar tudo o que vos tenho ordenado; e permanecerei convosco todos os dias, até a consumação do mundo." (Mt 28,19-20)

As páginas do Novo Testamento testemunham a autoridade dos Apóstolos no governo da Igreja, a qual deveria se espalhar pelo mundo mediterrâneo. Essas mesmas páginas, tanto quanto todos os antigos escritos cristãos dos Padres da Igreja, comprovam a existência da Igreja como um corpo concretamente visível de crentes em Cristo composto de fiéis sob o governo de Pedro e seus companheiros Apóstolos. A História dessa mesma Igreja manifesta a crença na pessoa de seus Bispos sucedendo o lugar dos Apóstolos como chefes da Igreja. Pelo ano 200 d.C., o Credo dos Apóstolos refere-se à crença "na santa Igreja Católica", a qual era claramente comandada por seus Bispos.

Apenas duas vezes Cristo usa a palavra "Igreja" (em Mt 16,18 e Mt 17,18) , essa Igreja que era parte d'Ele mesmo, e pela qual deu Seu Precioso Sangue. A primeira dessas ocasiões foi quando seu principal Apóstolo deu o notável testemunho da divindade de seu Senhor, resultado de uma especial revelação de Deus Pai. Por sua confissão de fé, "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo", Nosso Senhor lhe respondeu:

"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do Reino dos Céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no Céu, e tudo o que desligares na terra, será desligado no Céu." (Mt 16,18)

Esse poder de ligar e desligar (i.e., o poder de fazer leis para a comunidade dos fiéis) foi também dado posteriormente aos Apóstolos em geral (cf. Mt 18,18), mas significativamente as chaves (como símbolo de autoridade suprema) permaneceram nas mãos do líder dos Apóstolos, que as recebeu de maneira singular como cabeça do Colégio Apostólico. O mesmo Pedro (o homem-pedra) foi também de maneira singular escolhido por Cristo para ser o "confirmador" de seus irmãos (cf. Lc 22,32), i.e., para ser o único cuja própria fé nunca deveria falhar em todas as aflições pelas quais passaria a Igreja. Essas promessas envolvem uma posição especial para Pedro na Igreja, conferida realmente a São Pedro por Nosso Senhor após Sua Ressurreição, como relatado por São João (cf. 21,15-17).

Falando à Pedra da Igreja somente, Cristo conferiu a ele a impressionante tarefa de apascentar Seus cordeiros e ovelhas. Todas as imagens encontradas nos textos petrinos notadas acima concedem uma suprema liderança e autoridade ao Príncipe dos Apóstolos sobre os demais Apóstolos e sobre o restante do rebanho a ele confiado (uma autoridade suprema que seria historicamente manifestada como uma "jurisdição universal" sobre todos os membros da una e única Igreja fundada por Cristo). Como a reconhecida cabeça dos Apóstolos, Pedro serviu como centro visível da unidade da Igreja. A importância tremenda do ofício primacial de Pedro na Igreja é ininteligível se não for entendido como um ofício perpétuo pretendido para existir por tanto tempo quanto a própria Igreja ? e um ofício especialmente designado por Cristo para salvaguardar e preservar a Unidade Visível de Sua Igreja através dos anos. O estabelecimento da externa unidade visível de Sua Igreja tanto quanto da interna unidade de fé são o fruto da Oração Sacerdotal de Cristo a Seu Pai celestial para que todos os Seus seguidores fossem um a fim de "que o mundo possa crer que Tu me enviaste" (leia todo o capítulo 17 de São João).

O Primado de Pedro, com suas prerrogativas e privilégios especiais, exercido hoje pelo Romano Pontífice como Sucessor de Pedro em sua Cátedra de Unidade, é assim um elemento essencial tanto da visível unidade da Igreja quanto de sua visível catolicidade. Não há, naturalmente, nenhuma possibilidade de disputar com qualquer pessoa ao nosso redor se Cristo instituiu uma primazia de autoridade divina entre Seus Apóstolos e que se perpetuará em Sua Igreja se essa pessoa não entender que a Igreja descrita no Novo Testamento é uma Igreja visível, governada por chefes visíveis, isto é, por Bispos que sucedem ao lugar dos Apóstolos. Uma Igreja invisível de eleitos, de predestinados, ou de salvos não é a Igreja propriamente, desde que é impossível identificar seus membros! Todos os cristãos, entretanto, que acreditam que o episcopado da Igreja continua a missão apostólica do Colégio Apostólico original devem reconhecer a falta de lógica de rechaçar a comunhão com um Bispo, o Bispo de Roma, que é o herdeiro do único Apóstolo escolhido por Cristo para ser a pedra fundamental, guardião das chaves do Reino, confirmador de seus irmãos, e pastor principal do rebanho inteiro, carregando desse modo a responsabilidade de assegurar a unidade visível da Igreja. Desde que os demais Apóstolos, que eram também pedras fundamentais da Igreja (cf. Ap 21,14 e Ef 2,20), não poderiam estar separados da Rocha Fundamental à qual foram ajustados, os Bispos que sejam legítimos sucessores dos Apóstolos devem ter sua Rocha Fundamental no Sucessor de Pedro, o Romano Pontífice. Em outras palavras, os Bispos não podem fazer nada sem a plena comunhão com o chefe visível da Igreja, o Sucessor de Pedro, que exercita um primado instituído pelo próprio Cristo.

Jesus permanecerá para sempre: "A pedra angular sobre a qual todo o edifício da Igreja, sendo moldado conjuntamente, cresce como um templo santo ao Senhor." (Ef 2,20-21)

Ele permanecerá para sempre: a Cabeça Invisível da Igreja por quem toda a vida da graça procede.

Entretanto, Sua única Igreja não é apenas Seu Corpo Místico neste mundo, mas também uma sociedade concretamente visível e uma instituição historicamente identificável sempre atacada pelas heresias, facções e divisões. Se as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja edificada na Rocha (e a Rocha é a pessoa de Pedro, não meramente sua fé), a autoridade de Cristo sobre a Igreja deve ser refletida na ordem hierárquica da Igreja em si mesma. A história da Igreja Católica desde seus inícios mostra o Bispo de Roma sendo aquele que possui o primado da autoridade divina como o Sucessor de Pedro, servindo seus irmãos no episcopado como a cabeça visível da Igreja Militante, e sendo o centro da unidade para todas as Igrejas locais (Oriente e Ocidente), exercendo a comunhão católica.

É irônico que tenha sido Martinho Lutero, antes de sua própria queda da unidade católica, aquele que escreveu eloqüentemente a respeito do primado petrino na Igreja: "Se Cristo não houvesse confiado todo poder a um homem, a Igreja não poderia ter sido perfeita porque não haveria ordem e cada um estaria apto para dizer que é guiado pelo Espírito Santo. É isso que os hereges dizem, cada um pondo razão em seu próprio princípio. Dessa maneira, tantas Igrejas foram levantadas porque havia cabeças. Cristo, todavia, quer, para nos colocar todos em uma unidade, que seu poder seja exercitado por um homem a quem Ele mesmo confie essa atribuição. Ele tinha, entretanto, tão grande poder que venceu os poderes do inferno (sem dano algum). Ele disse: 'As portas do inferno não prevalecerão contra ela', como querendo dizer: 'lutarão contra ela, mas nunca poderão vencê-la'; é então dessa maneira que ela manifesta que seu poder é na realidade vindo de Deus e não do homem. Assim, quem rompe com essa unidade e com essa ordem de poder, não deixa sinal de grande ou de obras maravilhosas, como nossos Picards e outros hereges fazem, 'Vigia teus passos, quando vais à casa de Deus! Entra para escutar e não apenas para oferecer sacrifícios, como os insensatos, que não percebem que estão procedendo mal!' (Ecle 4,17) (Sermo in Vincula S. Petri, "Werke" Weimar edition, I, 69).

Tradução do Veritatis Splendor por Rafael Vitola Brodbeck.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/821-por-que-o-oficio-de-pedro-e-necessario

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Papas na Bíblia

 

Sabemos pela Bíblia, pela História e pela Tradição que o Primado da Igreja, foi dado a Pedro, não como privilégio pessoal, mas para o bem e para a unidade da Igreja.

Jesus Cristo, fundou uma Igreja visível (Mateus 16,18), que deveria durar até o fim do mundo, necessariamente tinha que nomear um chefe, com sucessão, para perpetuar a mesma autoridade: "Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim despreza,; e quem me despreza, despreza aquele que me enviou " (Lucas 10,16). Se assim não fosse, Cristo não poderia dizer: "Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo"; deveria ter dito que estaria apenas com Pedro até o fim de sua vida. Dessa forma, cumpre-se o que manda a Bíblia: "Um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Efésios 4,5)

E Jesus diz ainda: "É me dado todo poder no Céu e na terra; ide pois, e ensinai a todos os povos e eis que estou convosco todos os dias até a consumação do mundo" (Mateus 28,19-20).

Cristo não poderia transmitir esse poder somente aos Apóstolos, pois eles deviam morrer um dia, e se ele promete estar com os Apóstolos até o fim do mundo, é claro que ele não está se dirigindo aos Apóstolos como pessoas físicas, mas como um corpo moral e visível, que deve perpetuar-se nos seus sucessores, e hão de durar até o fim dos tempos.

Essa sucessão dos Apóstolos é também confirmada na própria Bíblia, confira: "Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho, sobre que o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para apascentardes a Igreja de Deus a qual santificou pelo seu próprio sangue" (Atos 20,28). "Em cada igreja instituíram anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em quem tinham confiado" (At 14,23). "Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém. Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia" (At 16, 4-5).

Além da Bíblia, a História nos relata uma sucessão ininterrupta dos sucessores até nossos dias. Destacamos uma obra de grande valor, "Contra as Heresias" de Irineu de Lião, escrita por volta de 180 d.C que testemunha a lista dos Papas até aquela época, e a obra "Líber Pontificalis" escrito no século VI onde é mencionado os nomes: Pedro, Lino, Anacleto, Clemente I, Evaristo, Alexandre I, Sisto I, Telésforo, etc...Não podemos esquecer que certos nomes mencionados nesses documentos estão também narrados no Novo Testamento. É o caso de Lino citado em (2 Timóteo 4,21), o primeiro sucessor de Pedro.

Outro nome mencionado no Novo Testamento é o de São Clemente, terceiro sucessor, onde conheceu Pedro pessoalmente em Roma, pontificando entre os anos 92 e 101. São Clemente é citado por São Paulo em (Filipenses. 4,3). Durante o seu governo, surgiu, na distante igreja de Corinto, uma dissensão interna, que culminou na deposição irregular dos presbíteros consagrados. Informado dos fatos, Clemente resolveu intervir, onde exortava com autoridade, os fiéis daquela comunidade a se manterem unidos na fé e na caridade. Sobre essa carta, Eusébio nos informa que "foi lida para benefício comum na maioria das igrejas, tanto em tempos antigos como em nossos dias".

Nas primeiras comunidades Cristãs, já no século I convém destacar Santo Inácio de Antioquia, que teve uma grande experiência e conviveu longos anos com os Apóstolos. Escreveu uma carta aos Romanos onde diz: "Tudo isso eu não vos ordeno como Pedro e Paulo; eles eram Apóstolos, e eu sou um condenado" (Rom, c IV).

Pelo ano de 160Hegesipo apresenta, como critério da Fé Ortodoxa, a conformidade com a "doutrina" dos Apóstolos "transmitida" por meio dos Bispos, e por esse motivo redige a lista dos Bispos.

No século II Santo Irineu de Lypn escreve na sua grande obra: Contra as heresias: "Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e fundavam a Igreja" (L.3, C. 1, n. 1, v. 4)

S. Jerônimo ainda diz: "Simão Pedro foi a Roma e aí ocupou a cátedra sacerdotal durante 25 anos" (De Viris III. 1,1)

S. Agostinho: "S. Lino sucedeu a S. Pedro" (Epist. 53)

Sulpício Severo, falando do tempo de Nero, diz: "Neste tempo, Pedro exercia em Roma a função de Bispo" (His. Sacr, n. 28)

Convém notar ainda que todos os catálogos dos Bispos de Roma, organizados segundo os documentos primitivos, pelos antigos escritores, colocavam invariavelmente o nome de Pedro à frente de todos. Portanto, a Bíblia e a História, deixam bem claro que Jesus fundou uma Igreja sobre Pedro e com a sucessão ininterrupta dos Bispos, até o fim dos tempos.

É bom revelar que nenhum protestante imparcial teve a coragem e a ousadia de contestar tudo isso, pois só o que Cristo transmitiu aos Apóstolos e o que se herdou destes numa sucessão ininterrupta da Igreja Católica, tem foros de verdade revelada, portanto digna de fé.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/1289-papas-na-biblia

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TESTEMUNHOS PATRÍSTICOS SOBRE A SUCESSÃO APOSTÓLICA

Existem vários escritos do início da era Cristã, que testemunham a estrutura e as características da Igreja de Cristo. Nessas obras podem ser encontradas provas sobre questões como a Sucessão dos bispos da Igreja e a Tradição apostólica, por exemplo.

Transcrevemos algumas passagens da obra de Santo Irineu de Lião, Contra as Heresias, escrita no século II, que combatia com veemência a gnose, heresia presente ainda hoje.

A obra é dividida em cinco livros, os três primeiros forma escritos durante o papado (bispado) de Santo Eleutério (175-189) e os dois últimos durante o pontificado de São Vitor I (189-198).

 

Como foi dito, a obra é composta de cinco livros, por tanto, é muito extensa e tem como objetivo refutar as heresias entre elas, a gnose; ao mesmo tempo em que combate a heresia, ela expõe a verdadeira doutrina Cristã. Por isso, serão expostos nesta seção, alguns fragmentos da obra para mostrar a legitimidade da doutrina da Santa Igreja.

 

Esta obra de Santo Irineu demonstra que a Igreja desde os tempos dos primeiros apóstolos, seguia, além das Sagradas Escrituras, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério; é muito útil para aquele que deseja ter uma noção de eclesiologia e hierarquia da Igreja, pela obra, pode-se constatar que a Igreja é hierarquizada desde os tempos de Jesus Cristo.

 

Uma das passagens mais importantes da obra de Santo Irineu de Lião é aquela descreve a sucessão apostólica de São Pedro à Santo Eleutério, o Papa da época de Santo Irineu. Santo Irineu descreve alguns fatos de alguns destes bispos que ao todo são doze Papas. Esta descrição se encontra na primeira parte do terceiro livro, no capítulo 3, versículo 3. Note na linha vermelha sublinhada que Santo Irineu nos da a confirmação de que os apóstolos fundaram e edificaram a igreja e transmitiram o governo episcopal a Lino, ou seja o governo da Igreja Católica foi entregue a outras pessoas após o martírio de São Pedro.

 

3,3. "Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, aquele Lino que Paulo lembra na epístola a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente, que tinha visto os próprios apóstolos e estivera em relação com eles, que ainda guardava viva em seus ouvidos a pregação deles e diante dos olhos a tradição. E não era o único, porque nos seus dias viviam ainda muitos que foram instruídos pelos apóstolos. No pontificado de Clemente surgiram divergências graves entre os irmãos de Corinto. Então a igreja de Roma enviou aos coríntios uma carta importantíssima para reuni-los na paz, reavivar-lhes a fé, e reconfirmar a tradição que há pouco tempo tinha recebido dos apóstolos, isto é, a fé num único Deus todo-poderoso, que fez o céu e a terra, plasmou o homem e provocou o dilúvio, chamou Abraão, fez sair o povo do Egito, conversou com Moisés, deu a economia da Lei, enviou os profetas, preparou o fogo para o diabo e os seus anjos. Todos os que o quiserem podem aprender desta carta que este Deus é anunciado pelas igrejas como o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e conhecer a tradição apostólica da igreja, porque mais antiga do que aqueles que agora pregam erradamente outro Deus superior ao Demiurgo e Criador de tudo o que existe.

A este Clemente sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre; em seguida, sexto depois dos apóstolos foi Sisto; depois dele, Telésforo, que fechou a vida com gloriosíssimo martírio; em seguida Higino; depois Pio; depois dele, Aniceto. A Aniceto sucedeu Sóter e presentemente, Eleutério, em décimo segundo lugar na sucessão apostólica, detém o pontificado. Com esta ordem e sucessão chegou até nós, na Igreja, a tradição apostólica e a pregação da verdade. Esta é a demonstração mais plena de que é uma e idêntica a fé vivificante que, fielmente, foi conservada e transmitida, na Igreja, desde os apóstolos até agora."

 

Em passagens anteriores, nos versículos 1 e 2 do mesmo capítulo e mesma parte do terceiro livro podemos encontrar o registro da preocupação dos primeiros cristãos em conservar a tradição da Igreja de Cristo (Igreja Católica) descrevendo a sucessão dos bispos das várias igrejas. Note na parte em vermelho e sublinhado que Santo Irineu diz que poderia enumerar todos os bispo estabelecidos nas igrejas pelos apóstolos e seus sucessores, ou seja havia sucessão a qual denominamos sucessão apostólica.

 

 

Onde está a verdadeira tradição

3,1. "Portanto, a tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta em toda igreja por todos os que queiram ver a verdade. Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas igrejas pelos apóstolo e os seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente vai delirando. Ora, se os apóstolos tivessem conhecido os mistérios escondidos e os tivessem ensinado exclusiva e secretamente aos perfeitos, sem dúvida os teriam confiado antes de a mais ninguém àqueles aos quais confiavam as próprias igrejas. Com efeito, queriam que os seus sucessores, aos quais transmitiam a missão de ensinar fossem absolutamente perfeitos e irrepreensíveis em tudo, porque, agindo bem, seriam de grande utilidade, ao passo que se falhassem seria a maior calamidade."

3,2. "Mas visto que seria coisa bastante longa elencar, numa obra como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma, quer por enfatuação ou vanglória, quer por cegueira ou por doutrina errada, se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos."

De suma importância é a parte destacada em azul sublinhado, pois, ela confirma o primado da Santa Igreja em Roma no governo episcopal daqueles que sucederam a São Pedro. Em outras palavras, Santo Irineu de Lião diz que com efeito, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, deve necessariamente estar de acordo com ela (a igreja de Roma), por causa da sua origem mais excelente e por que nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos. Compare esta passagem com a seguinte passagem do livro dos Atos do Apóstolos:  At 16, 4-5: "Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém. Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia."

http://www.veritatis.com.br/article/495

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VOCÊ SABE QUANDO?

 

Em síntese: Se os cristãos conhecessem melhor a história das denominações protestantes, não adeririam tão facilmente a elas ou as deixariam sem demora, porque perceberiam que são obras de homens que se opõem à intenção de Jesus Cristo; principalmente os católicos não se tornariam protestantes, pois, assim procedendo, abandonam a única Igreja fundada por Jesus Cristo para aderir a comunidades fundadas por homens, quinze ou mais séculos após Jesus. — Para facilitar aos cristãos a tomada de consciência do hiato histórico que intercede entre Jesus Cristo e as denominações protestantes, vai, a seguir, publicada uma tabela cronológica.

 

        Estamos numa época de ecumenismo, ou seja, de aproximação dos discípulos de Cristo entre si. Frequentemente, no diálogo entre teólogos vão sendo estudados os pontos nos quais há divergência de afirmações, a fim de se facilitar a reconstituição da unidade. Assim vão sendo superadas barreiras e aplaina-se a via que pode levar "a um só rebanho e um só pastor" (Jo 10,16).

É inegável, porém, que na América Latina, especialmente no Brasil, novas e novas denominações protestantes, animadas por espírito sectário e tendências fortemente proselitistas, vão arrebanhando fiéis católicos. Estes, incautos ou despreparados como são muitas vezes, julgam que, ao abandonar a Igreja Católica para fazerem-se membros de alguma denominação protestante, estão sendo mais cristãos mais fiéis a Jesus Cristo e à sua obra. Não raro o que impressiona um católico e o leva ao Protestantismo, é ou 1) a promessa de curas, ou 2) o testemunho da vida puritana dos "evangélicos" ou 3) a leitura da Bíblia que estes praticam dispensando a ajuda da igreja para entendê-la. Tocado em seu coração pela pregação de um missionário protestante (sem, porém, raciocinar muito), o católico adere à comunidade que o convida, sem ter noção de história do Cristianismo ou sem saber exatamente o que é ser católico e o que é ser protestante. Ele não chega a perguntar qual a origem da denominação protestante que o interpela e qual a vinculação da mesma com Jesus Cristo.

Ora é de crer que, se os cristãos conhecessem melhor a história das denominações protestantes, não adeririam tão facilmente a elas ou as deixariam sem demora, porque perceberiam que são obras de homens que se opõem à intenção de Jesus Cristo; principalmente os católicos não se tornariam protestantes, pois, assim procedendo, abandonam a única Igreja fundada por Jesus Cristo para aderir a comunidades fundadas por homens, quinze ou mais séculos após Jesus. Será a mesma coisa seguir Jesus Cristo e seguir um "profeta" do século XVI ou XVIII?

Precisamente para facilitar aos cristãos a tomada de consciência do hiato histórico que intercede entre Jesus Cristo e as denominações protestantes, publicamos a tabela seguinte:

 

DENOMINAÇÃO

FUNDADOR

DATA

LOCAL

CATÓLICA

JESUS CRISTO

30

PALESTINA

Luterana

Martinho Lutero

1517

Alemanha

Episcopal (ou Anglicana)

Henrique VIII

1534

Inglaterra

Reformada (Calvinista)

João Calvino

1541

Genebra (Suiça)

Menonita

Menno Simons

1550

Holanda

Presbiteriana

John Knox

1567

Escócia

Congregacional

Robert Browne

1580

Inglaterra

Batista

John Smyth

1604

Holanda

Quaker

John Fox

1649

Estados Unidos

Metodista

John Wesley

1739

Inglaterra

Mórmon

Joseph Smith

1830

Estados Unidos

Adventista

William Miller

1831

Estados Unidos

Exército da Salvação

William e Catarina Booth

1865

Inglaterra

Ciência Cristã

Mary Baker

1875

Estados Unidos

Pentecostais

Charles Parham e discípulos

1900

Estados Unidos

Testemunhas de Jeová

Charles-Taze Russell

1916

Estados Unidos

Amigos do Homem

Alexandre Freytag

1920

Suíça

Igreja Universal do

 

 

 

Reino de Deus

Edir Macedo Bezerra

1977

Rio de Janeiro(RJ)

 

No Brasil, os pentecostais dispõem-se em três grupos:

 

a) Assembleia de Deus, que veio dos Estados Unidos em 1911; pelos suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, fundada por ambos em 18/1/1918

b)   Congregação Cristã do Brasil, que teve infcio em 1909 na colônia italiana do Brás (São Paulo), por obra de Luís Francescon, emigrante italiano que veio dos Estados Unidos;

c)   Pentecostais Independentes, grupos oriundos em 1950, entre os quais está a Cruzada "Brasil para Cristo" chefiada pelo pastor Manoel de Mello, que se desligou da Assembleia de Deus e iniciou o Movimento da "Tenda Divina". Igreja Deus é amor fundado por David Miranda em 3/6/1962

 

Registram-se ainda: a Cruzada da Nova Vida, a Igreja da Renovação, a Igreja da Restauração, o Reavivamento Bíblico, o Evangelho Quadrangular Pentecostal, o Cristo Pentecostal da Bíblia, a Igreja Pentecostal Unida, a Igreja Evangélica Pentecostal, a Igreja Pentecostal Jesus Nazareno, a Cruzada Nacional de Evangelização, sara nossa terra, igreja mundial do poder de Deus...

 

 

OBSERVAÇÕES

1.    A tabela, ainda que não seja exaustiva (pois são milhares de “igrejas”), mostra como as denominações protestantes que hoje em dia fazem adeptos no Brasil, estão distantes de Jesus Cristo na linha da história. Antes do século XVI não se falava de Confissão Luterana; antes do século XX não se falava de Assembleia de Deus, Comunidade "Nova Vida", "Igreja Socorrista", etc. Não foi Jesus Cristo quem deu origem a tais organizações, mas foram pastores humanos, dos quais alguns disseram ter recebido revelações mais recentes do que as de Jesus Cristo; tal é o caso de Joseph Smith (Mórmons), Charles-Taze Russell e Rutherford (Testemunhas de Jeová), Alexandre Freytag (Amigos do Homem)... Quanto mais recente é a denominação protestante, mais tende a trocar o Novo Testamento pelo Antigo, chamando Deus pelo nome de Jeová, negando a Divindade de Cristo e a SS. Trindade, observando o sábado em lugar do domingo, etc.

2.    Na raiz de todo este esfacelamento do Cristianismo, que se perde cada vez mais em fantasias arbitrárias, está o princípio, estipulado por Lutero, segundo o qual a Bíblia deve ser interpretada por cada leitor em "livre exame"; o que quer dizer: cada qual tem o direito de contar com a iluminação do Espírito Santo e entender a Bíblia como bem lhe pareça; em consequência, tira as conclusões que julgue adequadas, sem orientação da Igreja. É compreensível que tal princípio, coerentemente aplicado, tenha levado e leve o Protestantismo a se autodestruir cada vez mais, dividindo-se e subdividindo-se em comunidades, das quais as posteriores pretendem sempre reformar as anteriores e são reformadas pelas subsequentes. Os membros de tais comunidades reformadas seguem tão somente o alvitre subjetivo e imaginoso de um "profeta", e não mais a Palavra de Jesus Cristo como tal. Este fundou uma só Igreja, que Ele confiou a Pedro, dando-lhe a garantia de sua assistência infalível até a consumação dos séculos (cf. Mt 16,16-19; 28,18-20); fora desta única Igreja há sociedades humanas cristãs, que não podem ser ditas "Igreja de Cristo" a não ser na medida parcial em que compartilham elementos da única Igreja de Jesus Cristo (a leitura da Biblia, o Batismo, o espírito de oração...). São obras humanas (a prova de que são obras meramente humanas, é a contínua dissolução de tais grupos em subgrupos e subgrupos...; há quem enumere mais de 1.600 denominações cristãs somente na África)!

Vê-se, pois, que o individualismo colocado na base da Reforma de Lutero é o fator de autodestruição da própria Reforma, pois favorece todas as tendências divergentes, levando às conclusões mais extremadas. O próprio Lutero se assustou ao perceber a confusão que seus princípios provocaram.

3.  Em consequência, torna-se difícil dizer quais os pontos comuns a todas as denominações protestantes. Podem-se apontar o uso da Bíblia como única norma de fé e a crença em Deus uno, Criador e Juiz; a própria Divindade de Cristo é negada por não poucos protestantes; há também correntes reformadas que não admitem sacramento algum. Por isto deve-se dizer que as diferenças, dentro do Protestantismo, entre Testemunhas de Jeová e Batistas, entre Adventistas e Presbiterianos... São maiores do que as diferenças entre luteranos e católicos.

De resto, o liberalismo apregoado pelo princípio do livre exame é geralmente atenuado ou mesmo supresso nas comunidades protestantes onde os pastores exercem forte liderança sobre os seus fiéis.

4.  Talvez, porém, alguém objete: a Igreja fundada por Cristo não tem suas falhas e não necessita de purificação e renovação?

— É certo que, onde existem seres humanos (e na Igreja eles existem), existe fragilidade; esta, sem dúvida, exige purificação. Todavia a purificação da Igreja há de se fazer sem ruptura com o passado, sem perda de contato com a linhagem apostólica e a fonte "Jesus Cristo". Qualquer quebra nessa linha é mortal, pois faz da nova comunidade uma obra meramente humana, separada do seu manancial autêntico; a tal comunidade já não se aplica a Palavra de Cristo em Mt 28,18-20: "Estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos".

A própria Igreja de Cristo, a Igreja Católica, sabe tirar do bojo da sua vitalidade o remédio aos males morais que acometem seus filhos; a Igreja é a Mãe solícita de curar as chagas que os seus filhos lhe infligem à revelia da própria Mãe. Na verdade, o católico que peca, peca porque se afasta dos ensinamentos e da vida da Igreja.

5. Aliás, a razão pela qual não se pode conceber Reforma da Igreja fundada por Cristo (mas apenas reformas em setores disciplinares da mesma), é o próprio conceito de Igreja. Esta não é uma República (como afirmavam reformadores do século XVI), nem é uma sociedade meramente humana, mas é o sacramento que continua o mistério da Encarnação; é Jesus Cristo prolongado em seu corpo através dos séculos — o que significa que, por debaixo da veste humana e defectível que os homens dão à Igreja, existe o próprio Cristo presente com sua autoridade e indefectibilidade; esta presença atuante de Cristo garante a todos quantos se chegam a Ele na Igreja, a santificação e a vida eterna; é Ele quem batiza, é Ele quem consagra o pão e o vinho, é Ele quem absolve os pecados. Consciente dessa presença indefectível de Cristo na Igreja podia São Paulo dizer que "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela... para apresentar a si mesmo a Igreja gloriosa, sem manchas nem rugas ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5,25-27). Com efeito, a Igreja é santa não por causa da oscilante santidade dos homens que a integram, mas por causa da presença do Santo de Deus ou de Cristo que nela se encontra. Por isso não toca a homem algum refazer a Igreja ou recomeçá-la, mas compete-lhe apenas zelar para que a face externa da Esposa de Cristo seja purificada das falhas que os homens lhe impõem.

Refletindo sobre estas verdades, os fiéis católicos hão de se recordar das palavras do Apóstolo São Paulo, que hoje parecem mais oportunas ainda do que nos tempos da Igreja nascente:

"Rogo-vos, irmãos, que estejais alerta contra os que causam divisões e escândalos contrários à doutrina que aprendestes; afastai-vos deles", os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 16,17-18).

"Alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo.

Assim não seremos mais crianças, joguetes das ondas, agitados por todo vento de doutrina, presos pela artimanha dos homens e da sua astúcia que nos induz em erro" (Ef 4,13-14; 2° Pd 2, 1-3).

Quando um protestante começar a criticar a Igreja Católica façamo-lhe as seguintes perguntas:

Quem fundou a sua igreja e por quê? Foi o senhor Jesus que a fundou ou foi um mero homem? Qual era a Igreja de Jesus Cristo antes de aparecer a sua e demais igrejas protestantes, para ajudá-lo na resposta: Se você existisse antes da reforma protestante(em 1517) a que Igreja cristã pertenceria ou qual a igreja cristã que existe desde os primeiros séculos? As igrejas protestantes(que tiveram origem com e após a reforma protestante) estão na Bíblia? Se não estão porque seguem essas igrejas fundadas por meros homens? Afinal de contas, não é vocês que dizem que só devemos seguir o que está na Bíblia?

 

Estêvão Bettencourt O.S.B.


http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?pref=htm&num=169

                                                                                 

Leia-o também em: www.larcatolico.webnode.com.br/news/igreja-catolica

 

Leia ainda: www.larcatolico.webnode.com.br/news/protestantismo

www.larcatolico.webnode.com.br/news/o-protestantismo-condenado-pela-biblia

www.larcatolico.webnode.com.br/news/a-igreja-catolica-apostatou-e-paganizou-se

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A origem da Igreja Católica e do Papado

 

Há quem diga que o título de Católica só foi atribuído à Igreja pelo Concílio de Constantinopla I em 381 por decreto do Imperador Teodósio - alegação esta desmentida pelo fato mesmo de que já S. Inácio de Antioquia, nos primeiros anos do século II, falava de Igreja Católica. Quanto ao termo Papa, só foi aplicado ao Bispo de Roma no século V de maneira enfática; todavia a função de Pedro como chefe do colégio apostólico já está delineada nos escritos do Novo Testamento; no caso, o que importa não é o nome, mas o exercício da função.


O seguinte artigo de um jornal deixou vários leitores confusos. Daí então, vamos as respostas.


A ORIGEM DO VATICANO E DO PAPA: A Igreja recebeu o nome de "católica" somente no ano 381, no Concílio "Conctos Populos" dirigido pelo imperador romano Teodósio. Devido às alterações que fez, deixou de ser apostólica e não sabemos como pode ser romana e universal ao mesmo tempo. (Hist. Ecles., I pg. 47, Riva ux). Até o século V não houve "papa" como conhecemos hoje. Esse tratamento de ternura começou a ser aplicado a todos os bispos a partir do ano 304. (Cônego Salin, Ciência e Religião. Tom. 2 pg. 56).

O texto em foco contém várias imprecisões (para não dizer vários erros), como se evidenciará nas linhas seguintes.

1. Igreja Católica: desde quando?
 

A expressão "Igreja Católica" não tem origem no fim do século IV, mas encontra-se sob a pena de S. Inácio, Bispo de Antioquia (+107 aproximadamente), que nos primeiros anos do século II escrevia: "Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica" (Aos Esmlrnenses 8,2).

A expressão "católica" parece designar, em primeira instância, a universalidade da Igreja (ela está em toda parte, e não somente nesta ou naquela comunidade). Todavia os intérpretes do texto julgam que algo mais está dito aí: S. Inácio terá tido em vista a Igreja autêntica, verdadeira, perfeita. Desde fins do século II se torna freqüente o sentido de universal, sem, porém, excluir o de autêntica, isto é, portadora de todos os meios de salvação instituídos por Cristo. Esta segunda acepção se tornava necessária pelo fato de haver correntes ou "igrejinhas" heréticas, separadas da Igreja grande, nos primeiros séculos (como até hoje as há).

O sentido de "autêntica" atribuído ao adjetivo "católica" encontra-se regularmente nos escritos dos primeiros séculos. A partir do século III, pode-se dizer que "católica" significa a verdadeira Igreja, esparsa pelo mundo ou também alguma comunidade local que esteja em comunhão com a Grande Igreja. Quanto à origem da palavra "católico", é preciso procurá-la no grego profano. Com efeito; para Aristóteles (+322 a.C.), "kath'holon" significa "segundo o conjunto, em geral"; o vocábulo é aplicado às proposições universais. O filósofo estóico Zenon (+262 a.C.) escreveu um tratado sobre os universais intitulado "katholiká"; são católicos os princípios universais. Políbio (+128 a.C.) falou da história universal em comum, dizendo-a "Tès katholikès kal koinès Historias". Para o judeu Filon de Alexandria (+44 d.C), "katholikós" significa "geral", em oposição a "particular"; os deuses astrais da Síria eram ditos "katholikoí". Tal vocábulo é, pela primeira vez (como dito), aplicado à Igreja por S. Inácio de Antioquia (+107 aproximadamente).

2. Que houve então em 381?



Em 381 realizou-se o Concílio Geral de Constantinopla, que repetiu a fórmula Igreja Católica, professando: "Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica". O Concílio nada inovou; apenas reiterou a fórmula antiga.

Põe-se então a pergunta: que dizer do mencionado decreto do Imperador Teodósio? Impõe-se notar logo que o decreto data de 380, e não de 381. Com efeito; sob Teodósio I (379-95), que reinou no Oriente do Império Romano, registraram-se acontecimentos importantes. Aos 28/02/380, o Imperador assinou um decreto que tornava oficial a fé católica "transmitida aos romanos pelo apóstolo Pedro, professada pelo Pontífice Dâmaso e pelo Bispo de Alexandria, ou seja, o reconhecimento da Santa Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Com estas palavras, Teodósio abraçava, para si e para o Império, o Credo que, proveniente dos Apóstolos, era professado então pelo Papa Dâmaso (366-84) e pelo Bispo S. Atanásio de Alexandria, grande defensor da fé ortodoxa na controvérsia contra os arianos. Assim o Cristianismo, que Constantino I tornara lícito em 313, era feito religião oficial do Império Romano.

"Não sabemos como a Igreja pode ser romana e universal". - O título "romana" não implica nacionalismo nem particularismo. É apenas o título que indica o endereço da sede primacial da Igreja. Na verdade, a Igreja, atuando neste mundo, precisa de ter seu endereço ou seu referencial postal, que é o do Bispo de Roma, feito Chefe visível por Cristo. Por conseguinte a Igreja Católica recebe o título de "Romana" sem prejuízo para a sua catolicidade ou universalidade. De modo semelhante, Jesus, Salvador de todos os homens, foi dito "Nazareno", porque, convivendo com os homens, precisava de um endereço, que foi a cidade de Nazaré.

3. Apostolicidade

Diz a notícia de jornal: "Devido às alterações que fez, a Igreja deixou de ser apostólica".



Em resposta, torna-se oportuno, antes do mais, examinar o que signifique o atributo "apostólica" aplicado à Igreja. Já no Novo Testamento se encontra a noção de que o patrimônio da fé não chega aos fiéis como algo descido do céu diretamente, mas, sim, como algo que parte do Pai, passa por Jesus Cristo, pelos Apóstolos e, finalmente, chega a cada indivíduo no seu respectivo tempo. Assim, por exemplo, Jo 1, 1-3: "O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida... nós vos anunciamos esta Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que vos apareceu". Cf. Jo 17, 7s; 20, 21; Mt 28, 18-20; Rm 10, 13-17; 2Tm 2, 2; Tt 1, 5.

Os primeiros escritores da Igreja retomaram e estenderam essa série de comunicações ou missões. Assim lemos em Tertuliano: "Sem dúvida, é preciso afirmar que as igrejas receberam dos Apóstolos; os Apóstolos receberam de Cristo, e Cristo recebeu de Deus" (De Praescriptione Haereticorum 21, 4). Os antigos davam grande apreço às listas de Bispos que houvessem ocupado uma sede outrora fundada ou governada por um Apóstolo. S. Ireneu de Lião (+202) é o autor de um desses catálogos: "Depois de ter assim fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado... Anacleto lhe sucede. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado... A Clemente sucedem Evaristo, Alexandre; em seguida, em sexto lugar a partir dos Apóstolos, é instituído Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aniceto, Sotero, sucessor de Aniceto; e, agora, Eleutério detém o episcopado em décimo segundo lugar a partir dos Apóstolos" (Contra as Heresias III,2,1s).

Com outras palavras: para os antigos, a Igreja é uma comunidade que teve início com os Apóstolos, mas está destinada a se prolongar até o fim dos tempos, de modo que Ela não é senão o desabrochamento do cerne dos Apóstolos. Vejam-se as palavras de Tertuliano (+220 aproximadamente): "Foi primeiramente na Judéia que eles (os Apóstolos escolhidos e enviados por Jesus Cristo) implantaram a fé em Jesus Cristo e estabeleceram comunidades. Depois partiram pelo mundo afora e anunciaram às nações a mesma doutrina e a mesma fé. Em cada cidade fundaram Igrejas, às quais, desde aquele momento, as outras Igrejas emprestam a estaca da fé e a semente da doutrina; aliás, diariamente emprestam-nas, para que se tornem elas mesmas Igrejas. A este título mesmo são consideradas comunidades apostólicas, na medida em que são filhas das Igrejas apostólicas. Cada coisa é necessariamente definida pela sua origem. Eis por que tais comunidades, por mais numerosas e densas que sejam, não são senão a primitiva Igreja apostólica, da qual todas procedem... Assim faz-se uma única tradição de um mesmo Mistério" (De Praescriptione Haereticorum 2, 4-7.9).

A necessidade de distinguir das correntes cismáticas a verdadeira Igreja de Cristo provocou a acentuação e a utilização mais e mais freqüente do predicado da apostolicidade: a Igreja verdadeira vem de Cristo mediante os Apóstolos, ao passo que as correntes heréticas e as seitas não podem reivindicar para si o título de apostólicas. A partir do século XII começaram a aparecer pequenos tratados sobre a Igreja Apostólica frente às seitas dissidentes. Aliás, foram as heresias que provocaram a publicação de tratados explícitos sobre a Igreja.

No século XVI a apologética católica, frente à reforma protestante, explanou largamente a origem apostólica da Igreja Católica. Os teólogos puseram em evidência que aqueles que se afastam da Igreja fundada por Cristo e entregue aos Apóstolos, é que perdem o direito de constituir a Igreja Apostólica. Os reformados têm um fundador humano para cada uma de suas denominações, que pretende recomeçar a história do Cristianismo séculos após a geração dos Apóstolos, portanto sem o clássico caráter de apostolicidade.

Quanto às "alterações" na Igreja, não são mais do que o desabrochar da semente lançada por Cristo. A árvore plenamente desenvolvida é da mesma natureza que a própria semente, e vice-versa. Tal desabrochamento - lógico e necessário - foi acompanhado pelo Espírito Santo prometido por Jesus à Igreja (cf. Jo 14, 26; 16, 13-15) para que conserve e transmita incólume o depósito da fé. Caso o Senhor não tivesse providenciado essa garantia de fidelidade e autenticidade através dos séculos, teria sido vão o seu sacrifício na Cruz. É, pois, necessário dizer que na Igreja Apostólica (fundada por Cristo e entregue aos Apóstolos) se mantém viva e pura a mensagem apregoada pelo Divino Mestre.

Ver "Carta Aberta aos Protestantes"

4. Origem do Papado
 

Lê-se no citado tópico de jornal: "Até o século V não houve Papa como conhecemos hoje" - A resposta a esta afirmação dependerá de como entender a expressão "Papa como conhecemos hoje". Se entendemos que se trata de Papa com uso dos meios de comunicação modernos (televisão, rádio, internet ...) e viagens aéreas, está claro que não houve Papa de tal tipo na Antigüidade. Todavia, se se entende Papa no sentido de chefe visível da Igreja, encontra-se tal figura já nos escritos do Novo Testamento. Com efeito; Pedro aí aparece como aquele a quem Jesus confia as chaves do reino dos céus (cf. Mt 16, 17-19) e entrega o pastoreio das suas ovelhas (cf. Lc 22, 31 s; Jo 21, 15-17). O aspecto bíblico da questão já foi repetidamente abordado [...]. Sejam acrescentados alguns traços significativos da história da Igreja.

Não se pode esperar encontrar nos primeiros séculos um exercício do Papado (ou das faculdades entregues por Jesus a Pedro e seus sucessores) tão nítido quanto nos séculos posteriores. As dificuldades de comunicação e transporte explicam que as expressões da função papal tenham sido menos freqüentes do que em épocas mais tardias. Como quer que seja, podemos tecer a história do exercício dessas funções nos seguintes termos: A Sé de Roma sempre teve consciência de que lhe tocava, em relação ao conjunto da Igreja, uma tarefa de solicitude, com o direito de intervir onde fosse necessário, para salvaguardar a fé e orientar a disciplina das comunidades. Tratava-se de ajuda, mas também, eventualmente, de intervenção jurídica, necessária para manter a unidade da Igreja. O fundamento dessa função eram os textos do Evangelho que privilegiam Pedro, como também o fato de que Pedro e Paulo haviam consagrado a Sé de Roma com o seu martírio, conferindo a esta uma autoridade singular.

Eis algumas expressões do primado do Bispo de Roma:
 

  • No século II houve, entre Ocidentais e Orientais, divergências quanto à data de celebração da Páscoa. Os cristãos da Ásia Menor queriam seguir o calendário judaico, celebrando-a na noite de 14 para 15 de Nisã (daí serem chamados quartordecimanos), independentemente do dia da semana, ao passo que os Ocidentais queriam manter o domingo como dia da Ressurreição de Jesus (portanto, o domingo seguinte a 14 de Nisã); o Bispo S. Policarpo de Esmirna foi a Roma defender a causa dos Orientais junto ao Papa Aniceto em 154; quase houve cisão da Igreja. S. Ireneu, Bispo de Lião (Gália) interveio, apaziguando os ânimos. Finalmente o Papa S. Vítor (189-198) exigiu que os fiéis da Ásia Menor observassem o calendário pascal da Igreja de Roma, pois esta remontava aos Apóstolos Pedro e Paulo.

    Aliás, S. Ireneu (+202 aproximadamente) dizia a respeito de Roma: "Com tal Igreja, por causa da sua peculiar preeminência, deve estar de acordo toda Igreja, porque nela... foi conservado o que a partir dos Apóstolos é tradição" (Contra as Heresias 3, 2). Muito significativa é a profissão de fé dos Bispos Máximo, Urbano e outros do Norte da África que aderiram ao cisma de Novaciano, rigorista, mas posteriormente resolveram voltar à comunhão da Igreja sob o Papa S. Cornélio em 251: "Sabemos que Cornélio é Bispo da Santíssima Igreja Católica, escolhido por Deus todo-poderoso e por Cristo Nosso Senhor. Confessamos o nosso erro... Todavia nosso coração sempre esteve na Igreja; não ignoramos que há um só Deus e Senhor todo-poderoso, também sabemos que Cristo é o Senhor...; há um só Espírito Santo; por isto deve haver um só Bispo à frente da Igreja Católica" (Denzinger-Schõnmetzer, Enchiridion 108 [44]).
  • O Papa Estevão I (254-257) foi o primeiro a recorrer a Mt 16, 16-19, ao afirmar contra os teólogos do Norte da África, que não se deve repetir o Batismo ministrado por hereges, pois não são os homens que batizam, mas é Cristo que batiza. A partir do século IV, o recurso a Mt 16, 16-19 se torna freqüente. No século V, o Papa Inocêncio I (401-417) interveio na controvérsia movida por Pelágio a respeito da graça; num de seus sermões S. Agostinho respondeu ao fato, dizendo: "Agora que vieram disposições da Sé Apostólica, o litígio está terminado (causa finita est)" (serm. 130, 107).

    No Concílio de Calcedônia (451), lida a carta do Papa Leão I, a assembléia exclamou: "Esta é a fé dos Pais, esta é a fé dos Apóstolos. Pedro falou através de Leão".
  • O Papa Gelásio I declarou entre 493 e 495 que a Sé de Pedro (romana) tinha o direito de julgamento sobre todas as outras sedes episcopais, ao passo que ela mesma não está sujeita a algum julgamento humano. Em 501, o Synodus Palmaris de Roma reafirmou este princípio, que entrou no Código de Direito Canônico: "Prima sedes a nemine iudicatur, - A sé primacial não pode ser julgada por instância alguma" (cânon 1629). Em suma, quanto mais o estudioso avança no decurso da história da Igreja, mais nitidamente percebe a configuração do primado de Pedro, ocasionada pelas diversas situações que o povo de Deus foi atravessando.
No tocante ao termo "Papa" deve-se dizer que vem do grego "pappas" = "pai". Nos primeiros séculos era título atribuído aos Bispos como expressão de afetuosa veneração, veneração que se depreende dos adjetivos "meu..., nosso..." que acompanham o título. A mesma designação podia ser ocasionalmente atribuída também aos simples presbíteros (pais), como acontecia no Egito do século IV. No Oriente ainda hoje o sacerdote é chamado "papas". No Egito o "papas" por excelência é o Patriarca de Alexandria.

O título de papa é dado ao Bispo de Roma já por Tertuliano (+220 aproximadamente) no seu livro De pudicitia XIII 7, onde se lê: "Benedictus papa". É encontrado também numa inscrição do diácono Severo (296-304) achada nas catacumbas de São Calixto, em que se lê: "iussu p(a)p(ae) sul Marcellini" (="por ordem do Papa ou pai Marcelino"). No fim do século IV a palavra Papa aplicada ao Bispo de Roma começa a exprimir mais do que afetuosa veneração; tende a tornar-se um título específico. Tenha-se em vista a interpelação colocada por S. Ambrósio (+397) numa de suas cartas: "Domino dilectissimo fratri Syriaci papae" (="Ao senhor diletíssimo irmão Siríaco Papa") (epístola 42). O Sínodo de Toledo (Espanha) em 400 chama Papa (sem mais) o Bispo de Roma. São Vicente de Lerins (falecido antes de 450) cita vários Bispos, mas somente aos Bispos Celestino I e Sixto III atribui o título de Papa.


No século VI o título tornou-se, com raras exceções, privativo dos Bispos de Roma.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/820-a-origem-da-igreja-catolica-e-do-papado

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Carta aberta aos protestantes

 

Vós dizeis que a Igreja Católica apostatou, que o paganismo, como um tufão incontrolável, lhe penetrou todos os recantos, e, qual um carrasco impiedoso, não poupou nenhum dos seus membros. A acusação é grave, e exige provas indiscutíveis. E que provas, senhores, me podereis apresentar? Eu vos direi: alegareis o culto da Virgem Maria, o purgatório, a veneração das imagens e outras tantas doutrinas e práticas que o protestantismo, no seu ódio incontido à Igreja Romana, repudiou. Ora, desde quando o repúdio do protestantismo serve como prova de alguma coisa? Direis que a Bíblia se opõe a essas doutrinas e práticas. Mas quem o disse? O protestantismo? Então voltamos para o mesmo lugar, visto que não me serve o repúdio do vosso protestantismo, assim como não vos servem as afirmações do meu Catolicismo. É tudo uma questão de interpretação. Se disserdes, portanto, que tais coisas são contrárias às Escrituras, eu vos responderei que não são, e, se apontardes textos que, na vossa opinião, favorecem o que sustentais, vos direi que o vosso próprio entendimento vos traiu, e indicarei mil outras passagens a contrastar com o que pensais ser a verdade. Por vossa vez, certamente me acusareis de torcer miseravelmente a Palavra de Deus. O que restará, pois? Nada além de afirmações contra afirmações e interpretações contra interpretações. Tudo findará numa contenda inútil, dessas que embrutecem o espírito e ensoberbecem a inteligência, já tão inclinada à vaidade.

Não, senhores! Devemos partir de um ponto que nos seja pacífico, de uma premissa que todos admitamos. Somente assim saberemos com quem está a verdade e onde reside o erro.

Afirmais a paganização da Igreja, e eu não me incomodo em concedê-lo por um momento. A Igreja Católica apostatou? Seja. Ora, se veio a apostatar, é porque, de fato, não era ainda apóstata. Quem diz apostasia diz a passagem de uma realidade para outra diametralmente oposta. O ato de apostatar exige uma condição prévia inteiramente incompatível com a apostasia. Assim como uma barra de ferro só se poderá esquentar se estiver fria, e um pedaço de madeira só se poderá partir se estiver inteiro, e um homem só poderá morrer se estiver vivo, também a Igreja Católica só poderia apostatar se estivesse em algum momento livre de apostasia; só poderia paganizar-se se não estivesse paganizada ainda. Negareis o óbvio? Não o creio.

Muito bem. Mas se um dia a Igreja não foi apóstata, se não era paganizada em algum momento da história, segue-se que foi um dia legítima, autêntica, verdadeira. Se era verdadeira, era, por conseguinte, a Igreja de Jesus Cristo, pois não havia outra. Temos, então, que essa Igreja que chamais apóstata, foi em alguma época a verdadeira Igreja, pura nas suas doutrinas e práticas. Negareis o óbvio? Não o creio.

Mas afirmais que ela apostatou. Como? A verdadeira Igreja poderia alguma vez apostatar? É aqui, senhores, que a vossa afirmação desmorona, como um imenso castelo de areia firmado na flacidez do chão molhado da praia. Desde quando a Igreja poderia apostatar? Nunca! Jesus Cristo teria sido um mentiroso, um impostor, e mui justa seria a sentença condenatória exarada por Pôncio Pilatos e a acusação vinda da parte do Sinédrio. Mas isso ninguém jamais cogitou. Justo foi Pilatos? Justo o Sinédrio? Impossível!

As promessas neotestamentárias da assistência divina à Igreja, por outro lado, são muitas e claras.

Ao dizer a Pedro do estabelecimento da Igreja, o Salvador garantiu que as portas do Inferno não prevaleceriam contra ela (cf. Mt. 16,18). Ora, se a Igreja depois disto apostatou, deixando de ser a verdadeira Igreja, segue-se que as portas do Inferno prevaleceram e Jesus foi um falso profeta. Em outra ocasião, pouco antes de ascender, o Senhor disse aos apóstolos que ficariam com eles "até a consumação dos séculos" (Mt. 28,20). Mas o que seria desta presença sempre continuada, se o paganismo depois invadisse a Igreja e a corrompesse até os seus fundamentos?

Sabendo da proximidade da sua ida para junto do Pai, Jesus falou do Espírito Santo: "Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco" (Jo. 14,16; ainda 14,26; 15,26). Mas onde, senhores, [estaria] a eficácia da atuação deste Paráclito se apostatasse a Igreja?

Ah, Galileu! Se a Igreja apostatou, não passaste de um traidor miserável, que nos ludibriou a todos! Prometeste que as portas do Inferno jamais prevaleceriam, mas a Igreja apostatou. Prometeste a tua assistência até o final dos séculos, mas a Igreja apostatou. Prometeste o Espírito da verdade para que ficasse eternamente, mas a Igreja apostatou.

Ah! Serei ateu! Passarei para a irreligião! O Jesus em que acreditei mentiu para mim! Oh, judeus! Acolhei-me em vosso meio, abraçai-me em vossas sinagogas! O Messias não chegou! Jesus mentiu!

Bendito sejas, Caifás, por teres denunciado um falso Cristo! Barrabás, bendita a tua libertação. Judas! Judas! Por que tiraste a própria vida? Morreste por um farsante! Nero! Nero! A humanidade te será eternamente grata por teres usado da tua força para exterminar os seguidores de um embusteiro que se dizia Redentor.

Não soubesse eu, senhores, que a assistência divina é infalível e que tem, pelos séculos, preservado a Igreja de todas as heresias, e estes brados de revolta soariam os mais justos e louváveis. Mas sei que a Igreja, um dia edificada sobre a Rocha, jamais renegou os ensinamentos que recebeu, porque nela atua Aquele que é a própria Verdade, mesmo que assim não queiram as vossas incontáveis denominações, que, não tendo Deus Cristo por fundador, jazem impotentes ante um turbilhão de contradições doutrinárias.

Fonte: Revista "Pergunte e Responderemos" nº 459.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/760-carta-aberta-aos-protestantes

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"Será mesmo cristão o Catolicismo Romano?"

 

Fonte: Revista Pergunte e Responderemos Mar/01, pag 119

Em Síntese: Eis mais um livro de origem protestante que visa a atacar a Igreja Católica de maneira sectária ou preconceituosa, com distorção da verdade. O artigo abaixo se detém sobre alguns tópicos das objeções levantadas e mostra a sua inconsistência.

Hugh P. Jeter escreveu um livro, que, entre muitos outros, procura impugnar a Igreja Católica, seu Credo e sua história. Intitula-se: "Será mesmo cristão o Catolicismo Romano?". A Redação de PR recebe vários escritos de tal natureza por parte de pessoas que pedem uma resposta às objeções levantadas. A nossa Redação já tem escrito repetidamente sobre tais assuntos: como quer que seja, [a seguir] serão focalizados alguns aspectos dos mais representativos do livro de H. Jeter e de escritos congêneres. De modo geral pode-se dizer que tais obras se caracterizam por:


  • Alusões falsas ou preconceituosas à Igreja. Os autores armam um fantoche não católico e atiram nele, tencionando atacar a Igreja Católica.
     
  • Citação parcial da Bíblia, pondo em relevo apenas os textos que correspondem ao pensamento do autor e omitindo os demais.
     
  • Tom proselitista dissimulado sob o aspecto de querer bem ao irmão católico.
     

1. A Igreja

Da pág. 11 à pág. 24, H. Jeter trata da Igreja. Eis algumas de suas afirmações:



Ao referir-se a Mt 16,13-18, Jeter escreve:

"Existe uma diferença entre petros (Pedro) e petra. Petros significa 'um pedaço maciço de pedra'. Parece que o Senhor estava usando um jogo de palavras e dizia o seguinte: 'Pedro, tu és uma pequena pedra, mas sobre esta pedra maciça eu construirei a minha Igreja'" (pág. 13). 

A propósito, o autor parece esquecer que Jesus não falou em grego, mas em aramaico. Se em grego o trocadilho é falho, em aramaico ele é exato, pois versa sobre Kepha...Kepha. Jesus mudou o nome de Simão para Kepha em Jo 1,42, preparando assim, desde a vocação de Pedro, a promessa de primado que lhe faria em Mt 16,18. De resto, está averiguado que é mais fácil entender o texto do Evangelho traduzido do grego para o aramaico (língua de Jesus e dos primeiros pregadores) do que o texto grego canônico. Outro exemplo seria o uso de adelphoi em grego, palavra que traduz o aramaico 'ah, cujo significa é mais amplo do que o grego adelphoi (irmãos).

O autor H. Jeter nos diz que o Novo Testamento só conhece um fundamento da Igreja: o Cristo Jesus, mencionado em 1Cor 3,11. Observemos contudo que o Senhor que disse ser a luz do mundo (cf. Jo 8,12; 9,15; 12,46), atribui o mesmo título aos seus discípulos (cf. Mt 5,14): por meio de Pedro, e mais fundo que Pedro, Cristo fica sendo a Rocha, o fundamento invisível da Igreja. É esse mesmo Jesus que "possui a chave de Davi, que abre de modo que ninguém fecha, que fecha de sorte que ninguém abre" (Ap 3,7). Em Cristo e em Pedro, portanto, residem análogos poderes (designados pelas mesmas metáforas); é de Cristo que eles dimanam para o Apóstolo, de sorte que este vem a ser o Vigário ou Representante de Jesus na terra.

O texto de Mt 16,13-19 é muito claro em favor do primado de Pedro. Jeter o impugna e não cita dois outros textos que corroboram o mesmo primado:





 

À pág. 16 pondera Hugh P. Jeter:

"Durante vários séculos, a missa foi celebrada em latim. Desde o Concílio do Vaticano II pode ser celebrada na linguagem do povo, embora saibamos que houve uma forte objeção a esta mudança. Se anteriormente era algo sacrílego, por que agora deve ser aceito?"

 



 

  1.  
    • Lc 22,31s: "Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, roguei por ti, a fimde que tua fé não desfaleça. Quando te converteres, confirma teus irmãos".
       
    • Jo 21,15-17: "Jesus disse a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, tu me amas mais do que esses?' Ele respondeu: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo'. Jesus lhe disse: 'Apascenta as minhas ovelhas'. Pela segunda vez lhe disse: 'Simão, filho de João, tu me amas?' 'Sim, Senhor', disse ele, 'tu sabes que te amo'. Disse-lhe Jesus: 'Apascenta as minhas ovelhas'. Pela terceira vez disse-lhe: 'Simão, filho de João, tu me amas?' Entristeceu-se Pedro porque pela terceira vez lhe perguntara: 'Tu me amas?' e lhe disse: 'Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo'. Jesus lhe disse: 'Apascenta as minhas ovelhas'."
       
  2. O fato de que Pedro e seus sucessores foram fracos do ponto de vista moral indica bem que não é o homem quem rege a Igreja, mas é Cristo mediante os homens que Ele quer escolher e que são meros instrumentos do Senhor. Este governa a Igreja prolongando, de certo modo, o mistério da Encarnação, isto é, utilizando a precariedade humana como canal de graça e salvação.
  3. À pág. 15 escreve H.P.Jeter:

    "Se a Igreja Católica é infalível em doutrina, por que então através dos séculos tantas doutrinas têm sido mudadas e outras acrescentadas?

    Por que já não são ensinados os poderes temporais da Igreja como enumerados por Pio IX? Por que já não se pratica a Inquisição? Por que deixaram o ensino acerca do Limbo desde o Concílio Vaticano II? Por que foram acrescentadas mais algumas coisas às doutrinas e práticas já aprovadas: a transubstanciação (1215 dC), a confissão auricular (1215 dC), a do Purgatório (proclamada em 1438 dC), a infalibilidade papal (1870 dC), a imaculada conceição de Maria (1854 dC) e a ascensão de Maria (1850 dC)?"

    Em resposta, dir-se-ia:
    • O poder temporal da Igreja não é artigo de fé. Trata-se de um fator contingente, que contribui para o livre exercício da missão pastoral do Papa; não subordinado a um poder civil, pode ele mais desimpedidamente cumprir sua tarefa de Pastor Universal.
       
    • A Inquisição também nunca foi matéria de fé. Era tida como um dever de consciência dos cristãos medievais, que não podiam conceber uma sociedade pluralista como ela é hoje; nem os maiores Santos da Idade Média protestaram contra ela. Quanto à Inquisição de Espanha e Portugal, a partir do século XV, tornou-se mais e mais o joguete dos monarcas que assim desajavam unificar a população de seu país, à revelia mesmo das intervenções da Santa Sé.
       
    • A doutrina do Limbo nunca foi declarada artigo de fé. Tornou-se doutrina comum a partir de S. Anselmo de Cantuária (+1109). Hoje em dia a Teologia propõe outro modo de encarar a sorte das crianças que morrem sem Batismo.
       
    • A Transubstanciação é a conversão do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo, de acordo com as afirmações do próprio Jesus em Jo 6,51-58; Mt 26,26-28; Mc 14,23-24; Lc 22,19; 1Cor 11,23-25. A fidelidade à Bíblia, que os protestantes tanto professam, exigem que se entendam as palavras do Senhor em todo o seu realismo, como foram entendidas durante dezesseis séculos e até hoje são entendidas tanto por católicos como por orientais ortodoxos.
       
    • A Confissão Auricular é praxe fundamentada no próprio Evangelho, onde Jesus transmite aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados (cf. Jo 20,22s). Para poder exercer a faculdade de perdoar ou não perdoar em nome de Cristo, deve o ministro poder avaliar o estado de alma do penitente - o que só é viável se este manifesta o que lhe vai no íntimo.
       
    • A crença na existência do Purgatório, longe de ter sido aceita em 1438 (por que tal data?), remonta ao século II aC, como professa 2Mc 12,39-45. É de notar que Lutero não quis reconhecer como canônico este livro da Bíblia dos cristãos; eliminou-o do catálogo sagrado.
       
    • A Infalibilidade Papal é professada desde os primeiros séculos, não com a clareza de que goza em nossos dias, mas de maneira tal que os historiadores a identificam no decorrer dos séculos. [...]
       
    • A Imaculada Conceição de Maria é deduzida do fato de que Maria, chamada a ser a Mãe de Deus feito homem, não pode ter estado alguma vez sujeita ao pecado. Tal verdade de fé não é explicitamente enunciada nos Evangelhos porque estes não foram escritos para relatar traços de Mariologia; Maria aí só aparece tão somente como a Mãe de Jesus, que é a figura central do texto sagrado. Todavia, a Tradição Oral professou tal artigo de fé.
       
    • A Assunção (não Ascenção) de Maria é conseqüência da vitória de Maria sobre o pecado: aquela que nunca esteve sob o domínio do pecado, não podia ficar nas garras da morte, que, como refere São Paulo (Rm 5,12-17), resulta do pecado dos primeiros pais.
       
  4. Às págs. 15 e seguinte, escreve H. P. Jeter:

    "Se a Igreja Católica é infalível, por que Mussolini, sendo católico, invadiu a Etiópia? Por que existiu a Inquisição em países como a Espanha e Portugal, que se dizem católicos? Por que espanhóis e portugueses não queriam permitir que suas colônias se emancipassem? Por que proibiram aos leigos a leitura da Bíblia e em outras épocas a recomendaram?"

    A resposta a tais questões não é difícil, como se depreenderá:
    • Mussolini não invadiu a Etiópia a mando da Igreja Católica. Embora seja filho da Igreja, um católico pode errar: o próprio Senhor Jesus predisse que no seu campo haveria trigo e joio; Ele não quer que se arranque o joio antes do fim dos tempos. O Papa ultimamente tem pedido perdão pelos pecados dos filhos da Igreja infiéis à sua Santa Mãe. Distingamos entre pessoa e pessoal da Igreja; a pessoa é a Igreja enquanto vivificada pelo Cristo ou como Esposa sem mancha nem ruga (Ef 5,27); o pessoal da Igreja são os filhos da Igreja, nem sempre dóceis aos ensinamentos de sua Mãe. [...]
       
    • Sobre a Inquisição já foi dito algo neste artigo. É de notar que na península ibérica a Inquisição foi muito manipulada pelos monarcas, desejosos de eliminar de seus territórios judeus e muçulmanos. A Inquisição Espanhola, extinta no começo do século XIX, era dita "Inquisição Régia".
       
    • Nenhum dos países colonizadores viu com prazer a descolonização de suas posses na África ou na Ásia. As razões para tanto eram complexas. Tal atitude não afeta a infalibilidade da Igreja.
       
    • Quanto à leitura da Bíblia, observe-se quanto vai dito no artigo de PR 451/1999, págs. 547-549: [Ouve-se, por vezes, dizer que a Igreja Católica proibiu a leitura da Bíblia. A resposta há de ser deduzida de um percurso da história. Ora, está averiguado que, nos primeiros séculos, muito se recomendava a leitura do texto sagrado. Na Idade Média e em épocas posteriores (especialmente no século XVI) surgiram hereges (cátaros, valdenses, wycliff, reformadores protestantes) que traduziam a Bíblia do latim para o vernáculo instilando no livro sagrado idéias contrárias à reta fé. Daí proibições, formuladas por Concílios, de se utilizar a Bíblia em língua vernácula, a não ser que o leitor recebesse especial autorização para fazê-lo. As restrições foram impostas não ao texto latino, mas às traduções vernáculas, em virtude de fatores contingentes; a Igreja, como Mãe e Mestra, sente o dever de zelar pela conservação incólume da fé a Ela entregue por Cristo e ameaçada pelas interpretações pessoais dos inovadores da pregação; eis por que lhe pareceu oportuno reservar o uso da Bíblia a pessoas de sólida formação cristã nos séculos em que as heresias pretendiam apoiar no texto sagrado as suas proposições perturbadoras. Ainda no século XIX a Igreja via nas traduções vernáculas da Bíblia (patrocinadas pelas Sociedades Bíblicas protestantes) o canal de concepções heréticas. Todavia, a partir do papa S. Pio X (+1903), deu-se uma volta às fontes, que incluiu a recomendação da leitura da Bíblia, por parte de todos os fiéis, em língua vernácula. No momento presente, dado que existem boas edições da Escritura nas línguas vivas, a Igreja fomenta o recurso assíduo à Palavra de Deus escrita e lida no concerto da Tradição da Igreja.]
       
    • A pergunta parece ignorar que há certas leis que devem ser periodicamente revistas e reformuladas, pois toda lei visa a promover o bem comum da sociedade nas sucessivas situações por que os homens passam. No tocante à língua da celebração eucarística, foi o vernáculo (latim) na antiguidade; o latim ficou sendo o idioma culto até o fim da Idade Média. No século XVI os reformadores protestantes pleitearam o uso do vernáculo, que naquelas circunstâncias foi rejeitado pela Igreja Católica, pois havia o risco de que o vernáculo se tornasse veículo de teses protestantes infiltradas sorrateiramente na Liturgia. Em nossos dias tal perigo já não existe; daí a permissão de se celebrar a Missa em vernáculo. Tais fatos não afetam artigos de fé ou de moral.
       
  5. À pág. 18 lê-se:

    "É bom salientar que o conceito evangélico de santo é o de alguém que vive de modo santo, enquanto que, no Catolicismo, os santos são unicamente aqueles que foram oficialmente beatificados e declarados santos pelo papa"
    • Realmente o autor de compraz em caricaturar para escarnecer. É claro que, também para os católicos, a santidade é um valor íntimo, sem o qual não há santos; a declaração pontifícia consiste apenas em proclamar esse valor íntimo, depois de cuidadosamente comprovado.
       

     
  6. Ainda à pág. 18 encontra-se o seguinte:

    "O título de 'Igreja Católica Romana' é em si mesmo uma contradição, pois 'romana' estabelece uma área geográfica, enquanto que 'Católica' significa 'universal'."
    • Deve-se responder que a Igreja é católica, ou seja, universal, mas ela tem um governo central situado em Roma - o que explica o predicado "romana"; este não limita a universalidade da Igreja, mas apenas indica qual é a "caixa postal" da Igreja. Da mesma forma, Jesus era e é o Salvador universal ou de todos os homens, mas é chamado "Nazareno" porque, vivendo na terra, precisava de ter um endereço ou um pouso.

2. A Bíblia Sagrada



Passamos a considerar outro capítulo do livro de Hugh P. Jeter. 2.1. O catálogo bíblico 

Às págs. 32 e seguinte, diz o autor:
 

"Há, de imediato, uma diferença entre a Bíblia católica e a versão protestante. A Bíblia católica inclui no Antigo Testamento os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Siraque, Baruque, e o primeiro e o segundo livros de Macabeus. Também há acréscimos aos livros de Ester e Daniel. Essa é a principal diferença entre as duas Bíblias.


Por que os cristãos evangélicos rejeitam esses livros chamados "apócrifos"? A seguir, expomos algumas razões:



  1. Os próprios livros não se dizem inspirados. No segundo livro de Macabeus 15:37-38, lemos: 'Assim se passaram os acontecimentos relacionados com Nicanor. Como desde aquela época a cidade ficou em poder dos hebreus, eu também terminarei aqui mesmo meu relato. Se foi bem escrito em sua composição, isto é o que eu pretendia; se imperfeito e medíocre, fiz o máximo que me foi possível'.
     
  2. Os livros apócrifos nunca foram citados por Cristo ou pelos apóstolos, mas eles, sem dúvida, citaram muitas partes da Bíblia.
     
  3. O material não mostra nenhuma inspiração. Em 2Macabeus 12:43-45 lemos acerca de uma coleta que devia ser enviada a Jerusalém para que se oferecesse sacrifícios e oferendas pelo pecado e orações pelos mortos... algo que não figura em nenhuma parte das Escrituras.
     
  4. Todos os livros apócrifos foram acrescentados ao Antigo Testamento. Conforme expõe Romanos 3:2, foi 'confiada a palavra de Deus ao povo judeu'. Portanto, todos deveríamos considerar de suma importância a rejeição desses livros quanto à sua inspiração."
     

Eis o que a propósito se pode observar:
 

  1. O fato de que o autor sagrado confesse ter-se esforçado ou mesmo ter penado para escrever seu livro não significa que não usufruiu da inspiração bíblica. Esta não é um ditado mecânico, que dispense o homem de refletir, pesquisar e, em suma, fazer tudo o que deve realizar um bom escritor. A inspiração (que não é revelação) consiste em que Deus ilumine a mente do homem antigo para que, utilizando os dados de sua cultura arcaica, ponha por escrito uma mensagem que corresponde fielmente ao pensamento de Deus, mas não deixa de estar revestida da roupagem humana. Assim, o livro sagrado é, ao mesmo tempo, divino e humano. É através das vicissitudes de uma redação característicamente semita ou grega, portadora de todas as marcas do trabalho humano, que Deus quer falar aos homens. São Lucas o atesta no prólogo do seu Evangelho, quando afirma que, "após acurada investigação de tudo desde o princípio, resolveu escrever" (Lc 1,3).
     
  2. Assim como Jesus e os Apóstolos nunca citaram explicitamente os livros que os protestantes têm por apócrifos e os católicos consideram deuterocanônicos, assim também Jesus e os Apóstolos nunca citaram alguns livros que são unanimemente reconhecidos como canônicos; tal é o caso de Eclesiastes, Ester, Cântico, Esdras, Neemias, Abdias, Naum.

    Verificamos também que nos escritos do Novo Testamento há citações implícitas dos livros deuterocanônicos. Assim, por exemplo: Rm 1,19-32->Sb 3,1-9; Rm 13,1; 2,11->Sb 6,4.8; Mt 27,43->Sb 2,13.18; Tm 1,19->Eclo 4,34; Mt 11,29s->Eclo 51,23-30; Hb 11,34s->2Mac 6,18-7,42.

    Nos mais antigos escritos patrísticos são citados os deuterocanônicos como Escritura Sagrada: Clemente Romano (em cerca de 95), na epístola aos Coríntios, recorre a Jt, Sb, fragmentos de Dn, Tb e Eclo; o Pastor de Hermas, em 140, faz amplo uso do Eclo e do 2Mac (cf. Semelhanças 5,3.8; Mandamentos 1,1...); Hipólito (+235) comenta o livro de Daniel com os fragmentos deuterocanônicos; cita como Escritura Sagrada Sb, Br e utiliza Tb e 1/2Mac.
     
  3. O fato de que em 2Mac 12,43-45 se lê algo que "não figura em nenhuma parte das Escrituras" nada significa. O raciocínio de Jeter equivale a uma petição de princípio: o autor quer dizer que 2Mac 12,43-45 não pode ser bíblico porque Jeter de antemão o exclui, eliminando as Escrituras Sagradas o 2º de Macabeus. De resto, não se pode excluir tal livro, datado do século II aC, por apresentar algo que não esteja em livros mais antigos, pois é notório que a Revelação progrediu no Antigo Testamento.
     
  4. O autor parece ignorar que a Bíblia Sagrada continha os sete livros deuterocanônicos ou "apócrifos" até Lutero. Foi Lutero que os eliminou e não foi o Concílio de Trento (1545-1563) que os acrescentou. [...]
     

2.2. O uso da Bíblia entre os católicos

 

Às págs 25-32 Hugh P. Jeter se detém em alegar que durante séculos a Igreja restringiu ou proibiu o uso da Bíblia entre os fiéis católicos. [...] [Quanto a esta questão, foi dado um breve resumo acima]. 

Muitos outros pontos do livro de Hugh P. Jeter poderiam ser considerados, evidenciando-se a sua inconsistência. Em geral, a literatura polêmica protestante se ressente de preconceitos que obcecam os respectivos autores e os levam a atribuir à Igreja Católica o que ela jamais disse ou fez. O amor à VERDADE há de ser característica do autêntico cristão. 


De resto, o baixo nível das acusações se depreende de outras objeções propagadas em folhas volantes. Assim, por exemplo: 


"A 500 anos atrás o Papa mandou 'matar' Galileu só porque ele disse que a terra é redonda. A 2.700 anos atrás a Bíblia já dizia que a terra é redonda (Isaías 40:22)".

Estas frases contêm várias imprecisões, próprias de quem fala sem saber ao certo ao que diz:
 

 

  • Galileu faleceu em 1642, portanto há pouco mais de 350 anos; faleceu de morte natural. Foi controvertido porque defendia o heliocentrismo, em lugar do geocentrismo. O dêutero-Isaías (Is 40-55) profetizou durante o exílio (587-538 aC), ou seja, há 2.500 anos aproximadamente; ao falor do "ciclo da terra", não se pode dizer que tinha em vista a esfericidade da terra.
     

Mais:
 

"Disse Deus: 'Não é bom que o homem esteja só, dar-lhe-ei uma mulher' (Gênesis 2,18). O papa Gregório 7º proibiu o casamento dos padres em 1074 dC".

  • O autor deste texto esquece que São Paulo, após a entrada do Reino do Messias neste mundo, recomenda a vida una ou indivisa; cf. 1Cor 7,25-35. Aliás, estes versículos são geralmente silenciados pelos protestantes quando querem impugnar o celibato. Este foi, a princípio, espontaneamente abraçado pelo clero; só aos poucos foi-se tornando lei.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/1079-qsera-mesmo-cristao-o-catolicismo-romano

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Respostas verdadeiras e sensatas para falsas acusações

 

São feitas muitas falsas acusações contra a Igreja Católica por pessoas que se recusam a ir até à fonte do ensinamento católico, para descobrir o que a Igreja realmente ensina. Ao invés disso, elas preferem propagar a mentira que lhes foi ensinada por outros que compartilham da mesma idéia.

Se você quisesse comprar um Ford, você iria a um vendedor da Chevy para saber a "verdade" sobre os Fords? Não, você iria à fonte, aqueles que construiram o Ford. Da mesma forma você não vai aprender a verdade sobre o que a Igreja Católica ensina numa fonte não-Católica.

Então se você não se importou em ir à fonte do ensinamento Católico, por que continua a perpetuar a mentira? Ao fazer isso, você está jogando com sua salvação eterna. Aqui estão algumas falsas acusações feitas contra a Igreja Católica, e respostas verdadeiras à essas acusações:

* A Igreja Católica não é a Igreja que Jesus Cristo fundou.

Ok, então por favor me dê o nome da Igreja que Ele verdadeiramente fundou, já que precisa ainda estar aqui, pois Ele realmente prometeu que Sua Igreja iria durar até o fim do mundo, não prometeu? Mateus 28,20.

Jesus mentiu?

Mais ainda, já que cada igreja na terra foi fundada por uma pessoa com um nome, por favor diga o nome da pessoa que realmente fundou a Igreja Católica, se não foi Jesus Cristo. Ah, e por favor não se esqueça de incluir o(s) documento(s) histórico(s) para provar o que diz...

* Não há "prova" de que Jesus Cristo fundou a Igreja Católica.

Ao contrário! É possível apontar, no mínimo, 140 razões do porquê de ser a Igreja Católica a Igreja que Ele fundou e nenhuma outra.

Por ora, você poderia me dar apenas UMA razão para "provar" que foi a sua igreja a que Ele fundou e não a Igreja Católica?

* A Igreja Católica apostatou logo depois que o último Apóstolo morreu, portanto a Igreja Católica de hoje não é a mesma Igreja que Jesus Cristo fundou.

Por favor me forneça a data deste monumental evento histórico. Mostre-me seus documentos históricos genuínos que "provam" a sua acusação.

De milhares de documentos históricos genuínos de cada século indo até o primeiro, e que estão disponíveis para qualquer um pesquisar, por que não há nenhuma menção desta tal "grande apostasia" em nenhum lugar?

Você não acha que uma queda da Igreja que Jesus Cristo fundou teria "sacodido o universo", por assim dizer, e seria a causa de um grande castigo de DEUS depois do que Seu Filho passou em Sua paixão? Veja o que aconteceu com os Judeus por sua desobediência!

Jesus realmente prometeu que o Espírito Santo estaria com Sua Igreja e a ensinaria para sempre (cf. João 14,16-17)!

Você está chamando Jesus Cristo de mentiroso por Suas promessas de perpetuidade para Sua Igreja? Leia 1João 5,10.

* Bom, não foi em nenhuma data específica, mas foi um processo gradual ao longo do tempo.

Ok, mas isso ainda significa que realmente aconteceu em algum momento. Então, forneça-me a data e seus documentos históricos genuínos. Forneça-me uma lista das apostasias "graduais" às quais você se refere e as datas nas quais elas supostamente aconteceram.

Qual é o ensinamento da Igreja Católica a respeito da Santíssima Trindade? Isto é apostasia?

A Igreja ensina que Jesus Cristo é DEUS?

A Igreja... Bem, eu poderia lhe perguntar o que a Igreja ensina a respeito de centenas de assuntos.

Ao invés de eu listar todos os temas sobre os quais a Igreja nos ensina, seria muito mais fácil você me dizer os temas das suas acusações de apostasia por parte da Igreja Católica e as datas de cada um?

* A Eucaristia é "obviamente" só um símbolo.

Mostre-me por favor os versículos escriturísticos "óbvios" que dizem que é somente um símbolo, depois de ter lido e estudado os meus outros artigos a esse respeito...

* A Bíblia sozinha é a nossa única autoridade. Não precisamos da Igreja Católica.

Hmmmmmm... O que Jesus Cristo fundou? Uma Igreja docente ou um Livro? Já que os Evangelhos são o coração do Novo Testamento, por favor mostre-me o(s) versículo(s) onde Ele ordena a alguém que os escreva.

Por favor, mostre-me onde a Bíblia diz que somente ela mesma é a única autoridade.

* A Igreja Católica está sempre aparecendo com uma "nova doutrina". Eu me recuso a acreditar em qualquer coisa que não posso encontrar na Bíblia.

Hmmmmmm... Por favor, me forneça uma lista destas "novas" doutrinas das quais você fala. Além disso, por favor me forneça o versículo que você usa para "provar" que tudo o que é digno de crédito está na Bíblia.

* Os Católicos "adoram" Maria.

Eu tenho sido Católico a minha vida inteira e nunca ouvi a Igreja dizer a seu povo que nós devemos adorar Maria. Para que esta acusação seja verdadeira, por favor me forneça um documento genuíno da Igreja Católica que afirma que Católicos devem adorar Maria.

Você alguma vez pelo menos pensou em ir à fonte para encontrar a resposta para esta pergunta?

*Maria não poderia ter sido concebida imaculadamente.

Hmmmmmm... Você está dizendo que DEUS não podia ter feito isto? Ou Jesus não falou isto?

"Jesus olhou para eles e disse: "Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível." (Mateus 19,26)

Adão, Eva  não vieram a este mundo sem pecado? Então, por favor, me explique: por que a Mãe de DEUS não poderia?


* Maria deu à luz somente à natureza humana de Jesus.



Mães não dão à luz somente a naturezas, mas a pessoas que possuem uma natureza. Maria deu a luz à pessoa completa de Jesus. Agora, Jesus Cristo é uma pessoa divina ou é uma pessoa humana?


Ele não podia ser ambas as coisas, pois isso faria com que Ele fosse duas pessoas!

* Maria não poderia ser a Mãe de DEUS.
 

Bom, como você faz esta afirmação, você agora tem apenas duas opções: Ou Jesus Cristo não foi DEUS, ou Ele teve uma outra mãe que não era Maria. 


Qual opção você escolhe?

* Maria teve "outros filhos".
 

Mostre-me onde diz isso na Sagrada Escritura, depois de ter lido meus outros artigos sobre o assunto.


Imagine que você fosse o irmão ou a irmã de DEUS. Não haveria uma montanha de material escrito sobre você e sua vida? 


Não é possível, então, que o significado das palavras não sejam, então, os mesmos que têm hoje em dia, especialmente depois de terem sido traduzidas de uma língua para outra língua? Veja, algo é sempre acrescentado ou perdido numa tradução. 


Para provar isso, dou-lhe um exemplo na frase "você e sua vida" (=you and your life). Você está vendo? A palavra "you" em inglês pode ser singular ou plural (você, vocês), mas em Grego, são usadas palavras diferentes para "you": sou (singular) e humeis (plural). Eu realmente explico a importância deste problema específico de tradução em maiores detalhes em outro artigo.


Portanto, não caia na armadilha dos "irmãos" usando somente o significado em inglês (e português) de hoje em dia. (...)

* Maria não poderia ter sido assumpta ao Céu.
 

Hmmmmm? Por que não? Você estava lá para afirmar isso? Há ainda mais alguma coisa que DEUS não poderia fazer? 


* Não importa a qual igreja uma pessoa pertence.



Ao contrário, importa um bocado. Você deseja jogar com sua salvação eterna? 


Só há uma Igreja verdadeira: aquela que Jesus Cristo fundou. Eu sugiro que você leia o Salmo 127,1.


Agora, já que todos leram o Salmo 127,1, desejo perguntar a todos os não-Católicos que fazem estas falsas acusações contra a única Igreja que Jesus Cristo fundou: por favor, me mostre o versículo(s) na Sagrada Escritura que dá autoridade para qualquer pessoa fundar outra igreja que não aquela única de Mateus 16,18.


Note que Jesus realmente disse "Igreja" e não "igrejas" nesse versículo. Para aqueles que fazem falsas acusações contra a Igreja Católica, sem se importarem de irem à fonte para ver se as acusações são falsas ou verdadeiras, leiam por favor esta citação de Santo Irineu que foi escrita em 180 A.D.:


"CAPÍTULO. IV.--A VERDADE (sobre o que a Igreja Católica ensina[*]) NÃO PODE SER ENCONTRADA EM NENHUM LUGAR A NÃO SER NA IGREJA CATÓLICA, A ÚNICA DEPOSITÁRIA DA DOUTRINA APOSTÓLICA. AS HERESIAS FORAM CRIADAS RECENTEMENTE, E NÃO PODEM TRAÇAR SUA ORIGEM ATÉ OS APÓSTOLOS.

1. Se dessa forma temos tais provas, não é necessário procurar a verdade em outras fontes se é fácil obtê-la da Igreja; desde os apóstolos, como um homem rico [depositando seu dinheiro] num banco, quem quiser pode retirar dela a água da vida. Pois ela é a entrada para a vida; todas as outras são bandidas e ladras. Por conta disso devemos evitá-las, mas escolher as coisas que pertencem à Igreja com a maior diligência, e se manter firme na Tradição da verdade. Pois como fica o caso? Suponha que se erga uma disputa em relação a alguma questão importante entre nós; não deveríamos recorrer às Igrejas mais antigas com as quais os apóstolos mantinham relação constante e aprender delas o que é certo e claro a respeito da questão presente? Pois como haveria de ser isso, se os apóstolos não tivessem nos deixado escritos? Não seria necessário [nesse caso] seguir o curso da Tradição que eles transmitiram àqueles a quem encarregaram de cuidar das Igrejas?" (Santo Irineu, Contra Heresias: Livro 3, Capítulo 4, Parágrafo 1; 180 D.C.. Jurgens 213).
 

PARE bem aqui e respire fundo antes de continuar, pois sua salvação eterna pode estar em risco! 


Para a prova disso, agora continue lendo.
 

"Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade." (1Timóteo 2,3-4).

É da vontade de DEUS que nós todos encontremos a verdade. Ninguém pode conhecer a verdade com uma mente fechada, ou preconceituosa, ou com idéias pré-concebidas. A única maneira de alguém encontrar a verdade é ir à fonte com a mente aberta, e descobrir por si mesmo.


"Mas ira e indignação aos facciosos, rebeldes à verdade e seguidores do mal." (Romanos 2,8).

"Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, facções, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" (Gálatas 5,19-21).

"Facções"? O dicionário diz: "Faccioso: (1) relativo à dissenção interna. (2) que promove dissenção interna." Não soa como pensamento dos reformadores? A Reforma certamente levou às "milhares de facções"[**] que temos hoje em dia no Protestantismo.


A palavra "facções" nos leva ainda a um outro versículo:
 

"Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento." (1Coríntios 1,10).

Pois todos aqueles que se recusam a aceitar a verdade, terão que enfrentar a ira de DEUS.
 

"A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar. Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal." (2Tessalonicenses 2,9-12).

Pois aqueles que não acreditam na verdade, serão TODOS condenados.

O que isto tudo significa? Vamos resumir:
 

1. Todos temos a obrigação de procurar a verdade. 1Timóteo 2,3-4
2. Aqueles que se recusam a procurar a verdade encontrarão a ira de DEUS. Romanos 2,8
3. Aqueles que se recusam a aceitar a verdade serão condenados. 2Tessalonicenses 2,9-12
4. Aqueles que se recusam a reconhecer a verdade na vida serão forçados a confrontá-la na morte. Hebreus 9,27, Apocalipse 21,27
5. Mas a quem isso tudo se aplica? Certamente se aplica àqueles que perpetuam falsas acusações contra a única Igreja que Jesus Cristo fundou, e que continuam a fazê-lo recusando-se a ir até a fonte da verdade que a Igreja Católica ensina.
6. Estas não são minhas regras ou idéias. Elas são o ensinamento de DEUS através da Sagrada Escritura.
 
"Tornei-me, acaso, vosso inimigo, porque vos disse a verdade?" (Gálatas 4,16)

"A verdade sempre incomodou as pessoas e nunca foi confortável." (Cardeal Ratzinger, 9 de outubro de 2000).

 

Entretanto, aquele que se recusou a reconhecer a verdade na vida, será forçado a confrontá-la na morte.


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Notas:
[*] Acrescentado por mim, não constando do texto original de Santo Irineu.

 

[**] Havia 33.820 facções do Protestantismo em abril de 2001, cf. Enciclopédia Cristã Mundial, uma publicação protestante. Esta publicação pode ser adquirida em http://www.amazon.com.

Traduzido para o Veritatis Splendor por Carlos Martins Nabeto do original em inglês em http://home.inreach.com/bstanley/

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/1281-respostas-verdadeiras-e-sensatas-para-falsas-acusacoes

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A Igreja Católica foi fundada por Constantino?

 

Não, a Igreja Católica não foi fundada por Constantino.
O imperador Constantino, também conhecido como Constantino Magno (O Grande) ou Constantino I, nasceu em 274 e faleceu em 337, foi imperador durante 31 anos: de 306 a 337. Era filho de Constâncio Cloro e Helena, uma cristã que se tornou Santa Helena. Casou-se com Faustina, filha de Maximiliano Hércules.


No início século quarto, o cristianismo já estava espalhado por quase todo o mundo, penetrando até na classe nobre e era muito perseguido pelos imperadores que tentavam a todo custo, com o poder das armas destruir o poder da fé, mas não conseguiam.
 

Após a morte do imperador Galério o poder ficou dividido entre Maxênico que se intitulou imperador; e Constantino, aclamado como imperador pelos soldados. Os dois ambicionavam pelo poder absoluto, tal luta se encerrou no dia 28 de outubro de 312, com a vitória de Constantino junto à Ponte Mílvia. Ocorre que Constantino viu no céu uma cruz com a inscrição "In hoc signo vinces" - "Com este sinal vencerás" - este foi um marco para sua conversão, que não se deu de uma hora para outra, foi batizado somente em 337, no fim de sua vida.

Em 313 deu liberdade de culto aos cristãos com o chamado Edito de Milão : "Havemos por bem anular por completo todas as retrições contidas em decretos anteriores, acerca dos cristãos - restrições odiosas e indignas de nossa clemência - e de dar total liberdade aos que quiserem praticar a religião cristã". Era Papa Melcíades, que se tornou São Melcíades, o 32º Papa, tendo Pedro como o 1º. Assim não há que se falar que Constantino é o fundador da Igreja de Cristo, ele apenas deu liberdade aos cristãos, acabando com dois séculos e meio de perseguição e martírio.


Então quem fundou a Igreja Católica?

Foi o próprio Senhor Jesus Cristo.

A palavra igreja deriva de outra palavra grega que significa assembléia convocada. Neste sentido a Igreja é a reunião de todos os que respondem ao chamado de Jesus:

"...ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 10,16).

Jesus Cristo tinha intenção de fundar uma Igreja, a prova bíblica de sua intenção, encontramos em (Mt 16,18): "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela".

Outras passagens são também importantes para constatarmos o propósito de Jesus em fundar a Igreja:

A escolha dos doze apóstolos:

- Depois subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram a Ele. Designou doze entre eles para ficar em sua companhia". (Mc 3,13-14).

- A escolha precisa de doze apóstolos tem um significado muito importante. O Senhor lança os fundamentos do novo povo de Deus. Doze eram as tribos de Israel, surgidas dos doze filhos de Jacá; doze foram os apóstolos para testemunhar a continuidade do Plano de Deus por meio da Igreja.

A Última Ceia

- "Tomou em seguida o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este é o cálice da nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós..." (Lc 22,19-20).

- Assim como era costume para os judeus, Jesus também reuniu os seus apóstolos para celebrar a páscoa. Durante esta cerimônia foi celebrada a última ceia. Jesus se apresenta como o novo e verdadeiro cordeiro, dá aos seus seguidores o alimento do Seu corpo e sangue.

- As palavras "fazei isto em memória de mim" apresentam o distintivo do novo povo de Deus. Deste modo, a última ceia passou a ser o alicerce e o centro da vida da Igreja que estava nascendo. Afinal, por meio da ceia o Senhor se torna de um modo mais forte presente entre o seu povo.

- E, finalmente, segundo Santo Agostinho, a Igreja começou "onde o Espírito Santo desceu do céu e encheu 120 pessoas que se encontravam na sala do Cenáculo". O derramar do Espírito, em Pentecostes, foi como a inauguração oficial da Igreja para o mundo.

Estamos vivendo um momento do cristianismo onde muitas igrejas são criadas a cada momento :

Os luteranos foram fundados por Martinho Lutero em 1524.

Os anglicanos pelo rei Henrique VIII em 1534, porque o Papa não havia permitido seu divórcio para se casar com Ana Bolena.

Os presbiterianos por John Knox em 1560.

Os batistas por John Smith em 1609.

Os metodistas por John wesley em 1739 quando decidiu separar-se dos anglicanos.

Os adventistas do sétimo dia começaram com Guilherme Miller e Helen White no século passado.

A congregação cristã do Brasil fundada por Luigi Francescom em 1910.

As assembléias de Deus têm sua origem no despertar pentecostal de 1900 nos EUA. Muitas pessoas saíram de diferentes igrejas evangélicas para formar novas congregações pentecostais. Em 1914 mais de cem destas novas igrejas se juntaram para formar esta nova organização religiosa.

A igreja do evangelho quadrangular foi fundada na década de 20 pela missionária canadense Aimeé Semple McPathersom, que passou da igreja batista para a pentecostal.

A igreja Deus é amor foi fundada por David Miranda em 1962.

A renascer em Cristo surgiu a alguns anos, fundada po Estevan Hernandez.

A igreja universal do reino de Deus surgiu em 1977, fundada por Edir Macedo.

Isto além de outras denominações menores que foram surgindo a partir dessa, cada uma delas sendo fundadas por homens, com diferenças em suas doutrinas e cultos. A pergunta é simples: Como o Espírito Santo poderia animar tantas divisões, Ele que é fonte de unidade? Como identificar a Igreja de Cristo?

No credo do Primeiro Concílio de Constantinopla (ano 381), são apresentados os traços que permitem reconhecer os sinais da Igreja de Cristo:

"Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica"

UNA : A Igreja deve ser UMA do mesmo modo como existe "um só Senhor, uma só fé, um só batismo" (Ef 4,5). A intenção de Jesus Cristo foi fundar uma só Igreja.

SANTA : em virtude do seu fundador: Jesus Cristo. Foi ela que recebeu uma promessa fundamental:

"...as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mt 16,18).

Deste modo, a razão da própria existência da Igreja está em ser um instrumento de santificação dos homens: "Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade" (Jo 17,19).

CATÓLICA : porque foi estabelecida para reunir os homens de todos os povos, para formar o único povo de Deus: "Ide, pois, ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19).

APOSTÓLICA : porque está construída sobre o "fundamento dos Apóstolos..." (Ef 2,20). A garantia da legitimidade da Igreja está na continuidade da obra de Jesus por meio da sucessão apostólica. Tudo o que Jesus queria para a sua Igreja foi entregue aos cuidados dos apóstolos: a doutrina, os meios para santificação e a hierarquia. Quando surgiu a "expressão" Igreja católica?

A palavra católica em relação à Igreja foi usada pela primeira vez no segundo século da era cristã por Santo Inácio bispo de Antioquia, na carta dirigida aos esmirnenses: "Onde quer que se apresente o bispo, ali também esteja a comunidade, assim como a presença de Jesus nos assegura a presença da Igreja católica"(8,2).

Foi empregada para destacar o sentido universal da Igreja de Cristo. Aos poucos a palavra católica foi sendo usada para definir aqueles que estavam de fato seguindo a doutrina de Jesus. No final do século II, a igreja cristã já era conhecida como Igreja católica.


Qual é a única Igreja de Cristo?

Encontramos a resposta em uma afirmação do Concílio Vaticano II: "A única Igreja de Cristo(...) é aquela que nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar (Jo 21,17) e confiou a ele e aos demais apóstolos para propagá-la e regê-la (Mt 28,l8ss), levantando-a para sempre como coluna da verdade (1Tm 3,15)... Esta Igreja(...) subsiste na Igreja católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele" (LG 8).

Examinando os textos bíblicos já apresentados, somos levados a concluir que Jesus fundou somente uma Igreja.

A Pedro disse: "...sobre esta pedra edificarei a minha Igreja" (Mt 16,18); apresentou-se como o bom pastor dizendo: "...haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 1016); na sua oração sacerdotal orou ao Pai: "...para que sejam um, como nós somos um... para que sejam perfeitos na unidade..." (Jo 17,22.23).

Jesus só pode ser a cabeça de um corpo, do mesmo modo como somente pode desposar uma noiva, assim como Deus teve somente um povo entre os vários povos.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/105-igreja-papado/763-a-igreja-catolica-foi-fundada-por-constantino

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Calúnia protestante nº 003:

Igreja é a reunião de todos os crentes.


Nossa Resposta:
Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Ele é a Cabeça e nós somos os membros.
"Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja"(Cl 1,18).
Portanto, nós somos APENAS PARTE DA IGREJA, mas não "a Igreja". Cristo é a parte mais importante da Igreja: a Sua Cabeça.
E dentre os membros da Igreja existe uma hierarquia. Uns são mais importantes que os outros.
- São Paulo explica isto muito bem em 1Cor 12,28:
"Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas.".
 
Calúnia protestante nº 005:
 
A Igreja é espiritual (invisível). Cada um de nos é a igreja de Cristo.

Nossa Resposta:
Você engoliu mais uma isca de Satanás...
- Você ainda está nessa "igreja espiritual" de Lutero, sem qualquer referência bíblica?


- A IGREJA DE CRISTO É VISÍVEL, PORQUE:
. Tem um chefe visível - Mt 16,19;
. Tem organização visível e hierárquica: 1Cor 12,28;
. Reúne-se em Concílios: At-15;

suplemento:

 Tem ritos e cerimônias que são visíveis como o batismo, a ceia do Senhor ... Jesus compara a sua Igreja a uma cidade situada no cume de uma montanha e que todo mundo pode ver Mt 5, 15. Se a Igreja, a verdadeira Igreja, não tivesse sido sempre visível, teria sido impossível observar a ordem que nos deu Jesus Cristo de ouvir a sua Igreja e lhe obedecer cf. Mt 18, 17, ninguém com efeito pode levar as suas queixas a uma igreja invisível, aliás perguntamos como ouvir uma Igreja invisível ? ela se compôe de pastores que ensinam e de fieis que recebem o ensino, e serão invisíveis todas essas pessoas ?


= NÃO SE DEIXE ENGANAR PELOS FALSOS PASTORES !!!
- IGREJA DE CRISTO É UMA SÓ: Católica(Mt 16,18).

 

Calúnia protestante nº 006:

Igreja Católica fundada por Constantino...


Nossa Resposta:
Os inimigos da Igreja de Cristo, desesperadas quando denunciamos que suas seitas foram inventadas cerca de 15 ou mais séculos depois, então vieram com mais esta mentira...

Uma mentira tão torpe, que não engana nem uma criança. É só dar uma olhada na História da Igreja nos três primeiros séculos.
A Igreja tem uma série ininterrupta de 266 Papas: De Pedro até Bento XVI.
De Pedro até Constantino foram TRINTA E DOIS PAPAS !!!
Então se Constantino fundou alguma Igreja...
- De qual igreja foram os 32 papas antes dele ?
- Se Constantino fundou alguma igreja, onde estão as provas...?
- Onde está um só documento histórico comprovando?
- Onde está o EDITO DO IMPERADOR Constantino ?

O que Constantino fez foi dar liberdade de culto aos cristãos, através do Edito de Milão, 313.

Suplemento : na História está registrado : CONSTANTINO DEU LIBERDADE DE CULTO AOS CRISTÃOS e TEODÓSIO TORNOU O CRISTIANISMO A RELIGIÃO OFICIAL DO IMPÉRIO ROMANO. Durante toda o inicio do cristianismo, quando se falava em cristianismo, se falava em Igreja Católica. 

   ESTABELECER o PRINCÍPIO da LIBERDADE RELIGIOSA NÃO é o mesmo que FUNDAR a IGREJA CATÓLICA. Você compreende a diferença entre FUNDAR e OFICIALIZAR!!!  Oficializar é dar caráter oficial a alguma coisa já existente, se teodósio ( ou constantino, como querem errôneamente alguns protestantes) oficializou a Igreja Católica é  porque ela já existia !!! então por quem a Igreja Católica foi fundada? a única resposta verdadeira que a Bíblia e a História nos dar é essa : Jesus Cristo. Esses falsários não são novidade....Bem disse São Paulo, que viria o tempo, em que as pessoas desviariam os ouvidos da verdade para aplicá-los às fábulas! Estudem a História... Não tenham medo da Verdade que liberta! Aprofundar.

 

Calúnia protestante nº 007:

A Igreja católica começou em 381 com o concílio “conctos populos” dirigido pelo imperador Teodósio.


Nossa Resposta:
A Igreja Católica começou, quando Jesus a instituiu e entregou seu comando a Pedro: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja"(Mt 16,18). O que houve em 381 foi o Concílio de Constantinopla, onde a Igreja confirmou as verdades do Credo. O decreto do Imperador Teodósio não é de 381, mas data de 28.02.380 e foi promulgado para tornar oficial a Fé Católica.
Leia mais.
Agora as provas da Igreja Católica desde os primeiros cristãos: São Paulo já falava: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus”(1Cor 15,9). - De qual Igreja fala o Apóstolo?
SÉCULO I/II: “A Igreja de Deus que peregrina em Esmirna à Igreja de Deus que peregrina em Filomélio e a todas as paróquias da IGREJA SANTA E CATÓLICA em todo o mundo”(Ig. Esmirna a São Policarpo, no seu martírio); SÉCULO II: “Não só pela essência, mas também pela opinião, pelo princípio pela excelência, só há uma Igreja antiga e é a IGREJA CATÓLICA. ". (Clem. Alex., deStromata 1.7. c. 15).
SÉCULO III: São Piônio (morto em 251) se lê que Polemon o interroga: “— Como és chamado? — Cristão. — De que igreja? — CATÓLICA” (Ruinart. Acta martyrum pág. 122 nº 9).
Já Santo Inácio, Bispo de Antioquia (+107 aprox.), escrevia: "Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica" (Aos Esmirnenses 8,2).
 
fonte : http://www.dicionariodafe.com/1000 calunias protestantes
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CONSTANTINO FUNDOU A IGREJA CATÓLICA?

 

A MENTIRA:

“Não foi uma instituição que Jesus fundou (o Imperador Constantino o fez, quase 400 anos depois). Nem sequer sugeriu oficializar um título ao seu grupo de discípulos! Por isso, o costumeiro apego e reverencia na escolha dos títulos denominacionais jamais serão preocupações de Jesus. Nunca desejou que sua igreja se transformasse numa “religião” em permanente disputa de espaço com as demais religiões da terra! É vaidade demais para ser o sonho do Altíssimo!”

ONDE SE ENCONTRA:

http://caminhodagracadc.blogspot.com/2007/03/discpulos-que-sonham-e-como-o-caminho.html

A VERDADE DOCUMENTAL:

Jesus disse: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja , e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” (Mt 16,18).

Logo nos inícios da Igreja, os seguidores de Cristo foram designados com o nome de cristãos. Assim podiam distinguir-se dos filósofos pagãos e dos judeus ou seguidores da sinagoga. Este nome de cristãos como se sabe, já vem na própria Bíblia, e tal denominação começou em Antioquia: “em Antioquia é que foram os discípulos denominados CRISTÃOS, pela primeira vez” (At 11, 26), “Então Agripa disse a Paulo: Por pouco me não persuade a fazer-me CRISTÃO” (At 26, 28). “Se padece como CRISTÃO, não se envergonhe; mas glorifique a Deus neste nome” (1Pd 4, 16).

Aconteceu, porém que, tão logo a Igreja começou a propagar-se, começaram a aparecer os hereges, seguindo doutrinas diversas daquela que tinha sido recebida dos Apóstolos, mas tomando o nome de cristãos, pois também criam em Cristo e d’Ele se diziam discípulos. Era preciso, portanto, um novo nome para designar a verdadeira Igreja, distinguindo-a dos hereges. E desde tempos antiqüíssimos, desde os tempos dos Apóstolos, a Igreja começou a ser designada como IGREJA CATÓLICA, isto é, UNIVERSAL, a Igreja que está espalhada por toda a parte, para diferençá-la dos hereges, pertencentes às igrejinhas isoladas que existiam aqui e acolá.

70 a 107 d.C.
1. Já Santo Inácio de Antioquia, que foi contemporâneo dos Apóstolos, pois nasceu mais ou menos no ano 35 da era cristã e, segundo Eusébio de Cesaréia no seu Chrónicon, foi bispo de Antioquia, entre os anos 70 e 107, já Santo Inácio nos fala abertamente da Igreja Católica, na sua Epístola aos Esmirnenses: “Onde comparecer o Bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que, onde estiver Jesus Cristo, aí está a IGREJA CATÓLICA” (Epístola aos Esmirnenses c 8, 2).

2. Outro contemporâneo dos Apóstolos foi São Policarpo, bispo de Esmirna, que nasceu no ano 69 e foi discípulo de São João Evangelista. Quando São Policarpo recebeu a palma do martírio, a Igreja de Esmirna escreveu uma carta que é assim endereçada: “A Igreja de Deus que peregrina em Esmirna à Igreja de Deus que peregrina em Filomélio e a todas as paróquias da IGREJA SANTA E CATÓLICA em todo o mundo”. Nessa mesma Epístola se fala de uma oração feita por São Policarpo, na qual ele “fez menção de todos quantos em sua vida tiveram trato com ele, pequenos e grandes, ilustres e humildes, e especialmente de toda a IGREJA CATÓLICA, espalhada por toda a terra” (c. 8).

2º Século d. C.
3. O Fragmento Muratoriano que é uma lista feita no segundo século, dos livros do Cânon do Novo Testamento fala em livros apócrifos que “não podem ser recebidos na IGREJA CATÓLICA”.

4. São Clemente de Alexandria (também do século segundo) responde à objeção dos infiéis que perguntam: “como se pode crer, se há tanta divergência de heresias, e assim a própria verdade nos distrai e fatiga, pois outros estabelecem outros dogmas?” Depois de mostrar vários sinais pelos quais se distingue das heresias a verdadeira Igreja, assim conclui São Clemente: “Não só pela essência, mas também pela opinião, pelo princípio pela excelência, só há uma Igreja antiga e é a IGREJA CATÓLICA. Das heresias, umas se chamam pelo nome de um homem, como as que são chamadas por Valentino, Marcião e Basílides; outras, pelo lugar donde vieram, como os Peráticos; outras do povo, como a heresia dos Frígios; outras, de alguma operação, como os Encratistas; outras, de seus próprios ensino, como os Docetas e Hematistas“. (Stromata 1.7. c. 15).

3º Século d.C em diante.
5. São Cipriano em 249, antes de Constantino nascer, e antes do Concílio de Nicéia, testemunhava: “Estar em comunhão com o Papa é estar em comunhão com a Igreja Católica.” (Epist. 55, n.1, Hartel, 614);
“E não há para os fiéis outra casa senão a Igreja Católica.” (Sobre a unidade da Igreja, cap. 4);
“Roma é a matriz e o trono da Igreja Católica.” (Epist. 48, n.3, Hartel, 607).

6. No século III, Firmiliano, bispo de Capadócia, diz assim: “Há uma só esposa de Cristo que é a IGREJA CATÓLICA” (Ep. De Firmiliano nº 14).

7. São Frutuoso, martirizado no ano 259, diz: “é necessário que eu tenha em mente a IGREJA CATÓLICA, difundida desde o Oriente até o Ocidente”. (Ruinart. Acta martyrum pág 192 nº 3).

Fonte: http://catolicismo.wordpress.com/2008/04/28/citaes-sobre-o-nome-igreja-catlica/

Todas as citações acima, são anteriores ao nascimento de Constantino (272 – 22 de Maio de 337).

Isso anula o embuste protestante, que se agarra maliciosamente a Constantino para “explicar” a Igreja Católica. Quando este apenas, mais tarde, deu liberdade plena para os cristãos pregarem livremente a doutrina da Igreja Católica, que foi fundada por Jesus Cristo.

FERNANDO:

http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=32876590&tid=5205902199932343562

.

Cai a farsa.

VERDADE ICONTESTÁVEL CONTRA TODA MENTIRA PROTESTANTÓIDE, ESPIRITA OU ATÉIA.

Primeiro colocamos o apostolo que acaba com o embuste protestante:


A UNIVERSAL assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; Hebreus 12:23

ENSINANDO AOS HEREGES:

UNIVERSAL= CATÓLICA

No mais o versiculo por si ja detona a mentira protestantóide.

AGORA UM POUCO DE PATRISTICA:

“Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica.”(Inácio de Antioquia. Carta aos Erminenses 8,2)

CONHEÇA MAIS SOBRE ESTE  SANTO CATÓLICO:

Santo Inácio de Antioquia (MARTIR)

Santo Inácio (67 – 110 d.C.) foi Bispo de Antioquia da Síria, discípulo do apóstolo João, também conheceu São Paulo e foi sucessor de São Pedro na igreja em Antioquia fundada pelo próprio apóstolo. Segundo Eusébio de Cesaréia, Inácio foi o terceiro bispo de Antioquia da Síria e segundo Orígenes teria sido o segundo bispo da cidade. Santo Inácio foi detido pelas autoridades e transportado para Roma, onde foi condenado à morte no Coliseu, e foi martirizado por leões.

http://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%A1cio_de_Antioquia

fonte : http://caiafarsa.wordpress.com/constantino-fundou-a-igreja-catolica/

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Caiafarsa

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IGREJA CATÓLICA – Religião Oficial por Constantino

1 – A MENTIRA

“… Em 312 d.C o Imperador Romano Constantino I adotou a religião Cristã e no ano seguinte fez do Cristianismo a religião oficial do Império Romano, trazendo para dentro da Igreja multidões de pessoas não convertidas, que para se tornarem ‘agradáveis’ ao ESTADO [ao Governo do Imperador] faziam-se cristãos nominais, agindo como atores, sem experimentarem a genuína conversão por CRISTO…”

Esta mentira é compartilhada pelo espírita Roberto P. C. Júnior que diz:

“Na verdade, Constantino observara a coragem e determinação dos mártires cristãos durante as perseguições promovidas por Diocleciano, em 303. Sabia que, embora ainda fossem minoritários ( 10% da população do império ), os cristãos se concentravam nos grandes centros urbanos, principalmente em território inimigo. Foi uma jogada de mestre, do ponto de vista estratégico, fazer do Cristianismo a Religião Oficial do Império… “

2 – ONDE ELA SE ENCONTRA

http://br.geocities.com/bartimeu/htm/cato.htm

http://br.geocities.com/luizahpbr/Frases-Nticker/nic.html

3 – A VERDADE

3.1 – CONSIDERAÇÕES LÓGICAS: – Que alguém se tenha convertido apenas para agradar ao imperador, por certo aconteceu como até nos dias de hoje ainda acontece e casos semelhantes não faltam nos acontecimentos históricos recentes (exemplo: judeus marranos e muçulmanos). Mas, a partir daí, acreditar que a Igreja caiu na heresia é um atentado contra o bom senso.

O Articulista se aventura em buscar o “desvio” da Igreja já no tempo em que ainda vivia o último apóstolo São João Batista confundindo os vícios das pessoas como sendo vícios da Igreja.

Ora esta tendência de alguns dos membros da Igreja para a heresia como todo tipo dos demais pecados é próprio da natureza humana decaída pelo primeiro pecado.

Fosse assim, deveríamos ver desvio da Igreja a partir da existência dos primeiros judaizantes o que motivou a ocorrência do primeiro concílio da Igreja em Jerusalém.
Devo esclarecer que a Igreja jamais se corrompe permanecendo sempre fiel e pura. Alguns membros, porém, podem apodrecer e, como acontece com a fruta podre, acaba caindo, separando-se do todo que é o Corpo de Cristo.

A reunião de todos esses frutos podres é que chamamos de grupos heréticos que são um subproduto do cristianismo e de todas as religiões do planeta.

3.2 – PROVAS DOCUMENTAIS – A mentira do impostor, além das muitas bobagens que afirmou acima, consiste em asseverar que “NO ANO SEGUINTE” (314 d.C.) a fé católica foi declarada oficial.

I – Tal mentira é refutada pelos próprios sites protestantes entre os quais este que diz claramente que em

380, pelo “Édito de Tessalônica: Teodósio torna o cristianismo religião oficial”

http://paginas.terra.com.br/educacao/histigreja/

II – É desmentida também pela própria história relatada aqui na WIKIPÉDIA:

“Teodósio foi educado numa família cristã. Ele foi batizado em 380 d.C., durante uma doença severa, como era comum nos tempos dos primeiros cristãos. Em fevereiro desse mesmo ano, ele e Graciano fizeram publicar um édito deliberando que todos os seus súditos deveriam seguir a fé dos Bispos de Roma e de Alexandria (Código de Teodósio, XVI,I,2). A lei reconhecia quer a primazia daquelas duas instâncias quer a problemática teológica de muitos dos patriarcas de Constantinopla, que porque estavam sob a observação dos imperadores eram por vezes depostos e substituídos por sucessores teologicamente mais maleáveis. Teodósio foi educado numa família cristã. Ele foi batizado em 380 d.C., durante uma doença severa, como era comum nos tempos dos primeiros cristãos. Em fevereiro desse mesmo ano, ele e Graciano fizeram publicar um édito deliberando que todos os seus súditos deveriam seguir a fé dos Bispos de Roma e de Alexandria (Código de Teodósio, XVI,I,2).

A lei reconhecia quer a primazia daquelas duas instâncias quer a problemática teológica de muitos dos patriarcas de Constantinopla, que porque estavam sob a observação dos imperadores eram por vezes depostos e substituídos por sucessores teologicamente mais maleáveis”

http://pt.wikipedia.org/wiki/Teod%C3%B3sio_I

III – “AVENTURAS NA HISÓRIA – PARA VIAJAR NO TEMPO” :

“… Durante o domínio do imperador Teodósio, em 380, o cristianismo foi anunciado como religião oficial do Império Romano, fazendo com que, 13 anos depois…”

http://historia.abril.com.br/2006/edicoes/obraprima/mt_232989.shtml

 Autor: Oswaldo Garcia

fonte : http://caiafarsa.wordpress.com/igreja-catolica-religiao-oficial-por-constantino/

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IGREJA ROMANA – Palestina – Território Romano –

CARTA AOS QUE ESTÃO EM ROMA

ROMANOS 1,7. “a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos: a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!”

ROMANOS 16,20 “O Deus da paz em breve não tardará aesmagar Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!” (Rm 16,20)


A MENTIRA: “Em 15 de julho de 1520, a Igreja Romana expediu a bula Exsurge Domine, que ameaçava Lutero de ser excomungado, a menos que se retratasse publicamente….”

 
ONDE SE ENCONTRA A MENTIRA:

Esqueçamos aqui o fato da devida excomunhão do heresiarca Lutero conforme a bíblia em (Mt 18,15-17), e nos voltemos para o termo “Igreja Romana” da frase acima.

Certamente você já ouviu outros seguidores de seitas: alemãs, americanas, inglesas, holandesas e brasileiras chamando a Igreja Católica Apostólica Romana, de apenas “igreja romana”, para tentar malandramente colocar esta, no nível particular e humano das seitas deles. Quando na verdade, só e apenas, a Igreja Católica Apostólica Romana, foi fundada pelo filho de Deus na Palestina e tem mais de dois milênios de existência. Logo esta não é uma simples “igreja romana”.

REFUTAÇÃO LÓGICA E DOCUMENTAL:

Notem que esses integrantes de seitas protestantes, quando citam a sigla da Igreja Católica, citam: “ICAR” (Igreja Católica Apostólica Romana), mas quando pronunciam seu nome, pronunciam malandramente apenas: “igreja romana”, em berrante contradição. Logo fica evidenciada a má fé dos inimigos da Igreja de Cristo, que tentam confundir o termo “romana” com local de origem desta, enquanto procuram esconder os próprios países de origem de suas seitas.

Não sabem eles, que a Igreja Católica Apostólica Romana, é tão “romana” quanto o apóstolo Paulo o foi, sem jamais ter nascido em Roma/Itália.
Desconhecem os seguidores de seitas alemãs, americanas, inglesas, holandesas e brasileiras, que no tempo que Cristo fundou a sua única Igreja na Palestina, quase todo o oriente era território ocupado por Roma. Pompeu já havia conquistado a Palestina para Roma e a transformado em uma província governada por judeus. Veja que São Paulo não nasceu em Roma/Itália, mas em Tarso, hoje Turquia, e era “romano de nascimento”, como também é nesse sentido, a única Igreja fundada por Cristo na Palestina. (”Palestina”, Enciclopédia® Microsoft® Encarta 99. © 1993-1998 Microsoft Corporation. Todos os direitos reservados.)

Confira o que respondeu São Paulo em (Atos 22, 27-28): “E, vindo o tribuno, disse-lhe: Dize-me, és tu romano? E ele disse: Sim”. E respondeu o tribuno: Eu com grande soma de dinheiro alcancei este direito de cidadão. Paulo disse: Mas eu sou de nascimento”.

Como explicar isso a um pastor evangélico de paletó lascado, se São Paulo nasceu em Tarso, Turquia???

Todos sabemos que se um argentino nascer nas ilhas Malvinas que, fica na Argentina, será declarado “cidadão inglês”, por este ter nascido em território ocupado pela Inglaterra, mesmo estando na Argentina de Diego Maradona.

O mesmo aplica-se a Igreja Católica Apostólica Romana, que Cristo fundou na Palestina, território então, também ocupado por Roma. Logo desabam as “igrejas” de areia protestantes.

É neste sentido que a Igreja de Cristo é “romana”, mas, antes disso em seu nome, ela é “CATÓLICA” (universal) e “APOSTÓLICA” (dos apóstolos de Cristo), coisa que jamais serão de fato, as seitas protestantes fundadas por pecadores dezesseis séculos depois na Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Brasil, etc.

São Paulo e os demais apóstolos só conheceram a Roma/Itália geográfica e para lá levaram a Igreja depois que Cristo disse: “(…)Tem bom ânimo: porque, como deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa que o dês também em Roma”. ) (Atos 23,11).

Logo escrevia São Paulo aos romanos: “A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados Santos: Graças a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Primeiramente, dou graças a Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.” (Rm 1,7- 8).

Como vemos, em todo o mundo é anunciada a fé dos “romanos” que estão em Roma, e não a fé posterior dos alemães, americanos, ingleses, holandeses e brasileiros, seguidores de seitas que enganam, querendo colocar-se no lugar da Igreja de Cristo, promovendo as divisões condenadas pelo próprio apóstolo São Paulo, que já alertava naquele tempo aos romanos: “Noteis os que promovem dissensões (divisões) e escândalos contra a doutrina que aprendeste; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a Nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos símplices”. (Romanos 16,17-18).

(Versículos conforme bíblia de João Ferreira, usada pelos protestantes das seitas: alemães, americanas, inglesas, holandesas brasileiras, etc.).

Corrija, quando encontrar um protestante desavisado chamando a Igreja Católica Apostólica Romana, que Cristo fundou, de “igreja romana”.

A Igreja fundada por Cristo nasceu Romana

Quando Cristo nasceu o império Romano dominava grande extensão do mundo conhecido. A Palestina (Judéia-Samaria-Galiléia) eram províncias romanas.

Em 40 a.C., Herodes, genro de Hircano II, foi nomeado rei da Judeia por Octávio e Marco António. Foi-lhe concedida autonomia quase ilimitada nos assuntos internos do país. A Judeia foi então invadida pelos partos, porém Herodes obteve ajuda das legiões romanas que expulsaram os invasores. Tornou-se rei efectivamente em 37 a.C., com a conquista da cidade de Jerusalém. (…)

A partir de 6 d.C., tornou-se uma província romana sob juridisção parcial do governador da Síria. A administração do território é entregue a governadores romanos da ordem equestre, chamados de prefeitos. Mais tarde, serão também chamados de procuradores.

 

http://caiafarsa.wordpress.com/igreja-romana-%E2%80%93-palestina-%E2%80%93-territorio-romano-%E2%80%93/

 

 

 

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A IGREJA DE CRISTO É ROMANA DE NASCENÇA


A IGREJA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO NASCEU EM TERRITÓRIO ROMANO.

 

A Igreja fundada por Cristo nasceu Romana


Quando Cristo nasceu o império Romano dominava grande extensão do mundo conhecido. A Palestina (Judéia-Samaria-Galiléia) eram províncias romanas.Em 40 a.C., Herodes, genro de Hircano II, foi nomeado rei da Judeia por Octávio e Marco António. Foi-lhe concedida autonomia quase ilimitada nos assuntos internos do país. A Judeia foi então invadida pelos partos, porém Herodes obteve ajuda das legiões romanas que expulsaram os invasores. Tornou-se rei efectivamente em 37 a.C., com a conquista da cidade de Jerusalém. (…)A partir de 6 d.C., tornou-se uma província romana sob juridisção parcial do governador da Síria. A administração do território é entregue a governadores romanos da ordem equestre, chamados de prefeitos. Mais tarde, serão também chamados de procuradores.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Judeia_(prov%C3%ADncia_romana)

 

Veja tambem porque a igreja é Católica Apostólica Romana:

http://caiafarsa.wordpress.com/igreja-romana-%E2%80%93-palestina-%E2%80%93-territorio-romano-%E2%80%93/

 

 

fonte : http://caiafarsa.wordpress.com/a-igreja-de-cristo-e-romana-de-nascensa/

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

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