Mensagens que incentivam uma vida de santidade em prol da salvação eterna

13-09-2012 20:39

 

 

 

 

Santidade:

 Preâmbulo;

  “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro!” (Ap 7, 10). No livro do Apocalipse 7, 9 diz: “Eis que vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas. Estavam de pé diante do trono e diante do Cordeiro, trajados com vestes brancas e com palmas na mão”. Aqui fala da multidão dos mártires Cristãos já em posse da felicidade celeste. E no mesmo livro 7, 13-17 diz: “Estes que estão trajados com vestes brancas, quem são e de onde vieram?... Estes são os que vêm da grande tribulação: lavaram suas vestes e alvejaram-nas no sangue do Cordeiro. É por isso estão diante do trono de Deus, servindo-o dia e noite em seu templo. Aquele que está sentado no trono estenderá sua tenda sobre eles: nunca mais terão fome, nem sede, o sol nunca mais os afligirá, nem qualquer calor ardente; pois o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, conduzindo-os até às fontes de água da vida. E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos”.

Coloquei como preâmbulo esses trechos do Livro do Apocalipse, para sentirmos no coração e na alma o desejo sincero de santificarmos, de lutarmos continuamente, para que após a nossa morte, entremos na Jerusalém Celeste e adoremos a Deus eternamente.

 1º Ponto

 O que é a santidade?

 Santidade: “É a maturidade plena da graça batismal” (Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena).

No Batismo, o católico recebe o Germe (semente) da SANTIDADE, A GRAÇA SANTIFICANTE; é um germe (semente) extraordinariamente fecundo porque faz o homem participante da VIDA DIVINA, e, por conseguinte, da santidade de Deus; germe (semente) capaz de produzir abundantes frutos de vida santa e de vida eterna, se a criatura colabora generosamente no seu desenvolvimento.

Maturidade significa perfeição.

Plena, significa cheio, completo, amplo e inteiro.

Todos os cristãos batizados receberam este dom, e eles serão santos, de fato, na medida em que fizerem frutificar, com a ajuda de Deus, a graça recebida no Batismo, que é a GRAÇA SANTIFICANTE, ela permanece em nossa alma, tornando-a JUSTA e SANTA aos olhos de Deus.

O Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena diz: “Tendo sido batizado o homem, já é SANTO por direito; mas tem que sê-lo também de fato, vivendo santamente, realizando obras dignas de um filho de Deus, de quem foi salvo e remido por Cristo e que é membro da Igreja, Corpo místico de Cristo... para que a graça de Cristo produza frutos de santidade, é necessário que impregne e transforme totalmente a nossa vida humana para que, desta maneira, seja santificada em todas as suas atividades: pensamentos, afetos, intenções, obras; em todos os seus pormenores e em todo o seu conjunto”.

É importante saber que a graça santificante pode crescer. Quanto mais uma alma se purifica de si, melhor corresponde à ação de Deus. Na medida em que diminui o eu, aumenta a graça santificante. E o grau da nossa graça santificante determinará o grau da nossa felicidade no céu, por isso, devemos amadurecer plenamente a graça santificante na nossa alma: “À medida que a graça cresce e amadurece no crente, exerce nele uma influência cada vez mais vasta e profunda; e, quando esta influência se estende, efetivamente, a todas as suas atividades, orientando-as todas, sem exceção, para o cumprimento da vontade de Deus e para a Sua glória, então o cristão poderá dizer que vive verdadeiramente em comunhão com Cristo: unido intimamente a Deus e participando da Sua vida e santidade. Esta é a plenitude da graça, plenitude de vida cristã, de santidade autêntica. A graça não consiste em obras grandiosas ou em riqueza de dons naturais, mas sim no pleno desenvolvimento da GRAÇA e da CARIDADE recebidas no BATISMO, desenvolvimento que se realiza na medida em que o homem se ABRE ao dom divino e se torna absolutamente disponível para com Deus, dócil ao SEU CHAMAMENTO e à SUA AÇÃO SANTIFICADORA”. (Pe. Gabriel de Santa Maria Madalena).

 2º Ponto

 Para ser santo, basta morrer na graça santificante?

 Uma pessoa cheia de euforia e fervor poderia fazer essa pergunta: Para ser santo basta morrer na graça santificante? E a resposta é muito simples: sim, basta morrer na graça santificante.

Mas é importante lembrar de que para conservar essa GRAÇA NA ALMA É MUITO DIFÍCIL, como explica Tanquerey: “É certo que é necessário e suficiente morrer em estado de graça, para ser salvo; parece, pois, que não haverá para o  fiel outra obrigação estrita mais que a de conservar o estado de graça. Mas, precisamente, a questão é saber se pode alguém conservar por tempo notável o estado de graça, sem se esforçar para fazer progressos. Ora, a AUTORIDADE e a RAZÃO iluminadas pela FÉ mostram-nos que, no estado de natureza decaída, ninguém pode permanecer muito tempo no estado de graça, sem fazer ESFORÇOS para progredir na vida espiritual, e praticar de vez em quando alguns dos conselhos evangélicos” (n.º 353).

 As seguintes passagens da Palavra de Deus mostram que devemos ESFORÇAR-NOS POR PROGREDIR. 

 AUTORIDADE

 “Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48). Jesus Cristo apresenta-nos como ideal de santidade a mesma perfeição do nosso Pai celestial; assim pois, todos os que têm a DEUS POR PAI, devem se aproximar da perfeição divina; o que não pode evidentemente fazer sem algum progresso.

Se alguém vem a mim e não odeia ( e não ama menos cf. Mt 10, 37) seu próprio pai e mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 26). Jesus não exige ódio, mas sim, desapego completo e imediato. É preciso sacrificar tudo para seguir Jesus: o que supõe coragem heroica, que não se possuirá no momento crítico, se a alma não foi preparada para isso por meio de sacrifícios.

Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho que conduz à Vida. E poucos são os que o encontram” (Mt 7, 13-14).

 “Nele, ele nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1, 4). “O que certamente não podem fazer, sem se despojarem do homem velho e revestirem do novo, isto é, sem mortificarem as tendências da natureza perversa e sem se esmerarem em reproduzir as virtudes de Jesus Cristo” (Tanquerey).

Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos também vós santos em todo o vosso comportamento” (1 Pd 1, 15). Está claro que ninguém pode ser santo se não progredir nas virtudes cristãs.

Que o justo pratique ainda a justiça e que o santo continue a santificar-se” (Ap 22, 11). É um convite para que o justo não cesse de praticar a justiça e que o santo santifique-se ainda mais.

 Pensamentos de alguns Santos e o Papa Pio XI. Tradição.

 Santo Agostinho:

— “Não devemos parar no caminho, precisamente porque parar é recuar”.

São Gregório de Nissa:

— “A virtude e a santidade só têm um limite: o ilimitado”.

— “A perfeição consiste num progresso contínuo”.

— “No respeitante à virtude aprendemos com o próprio Apóstolo que a sua perfeição tem apenas um limite, que é não ter limite algum”.

Pio XI:

— “Todos os cristãos, sem exceção, têm obrigação de tender à santidade”.

RAZÃO

 “Toda a vida, sendo como é um movimento, é essencialmente progressiva, neste sentido que, quando cessa de crescer, começa a enfraquecer. E a razão disto é que há, em todo o ser vivo, forças de desagregação que, se não são neutralizadas, acabam por produzir a doença e a morte. O mesmo se passa em nossa vida espiritual: ao lado das tendências que nos levam para o bem, há outras, muito ativas, que nos arrastam para o mal; para as combater, o único meio eficaz é aumentar em nós as forças vivas, isto é, o amor de Deus e as virtudes cristãs; então as tendências más vão enfraquecendo. Mas, se deixamos de fazer esforços por avançar, os nossos vícios acordam, retomam forças, atacam-nos com mais viveza e freqüência; e, se não despertamos do nosso torpor chega o momento  em que, de capitulação em capitulação, caímos no pecado mortal” (Suárez).

Há preceitos graves que não se podem observar em certos momentos senão por meio de atos heróicos. Ora, em conformidade com as leis psicológicas, ninguém é geralmente capaz de praticar atos heróicos, senão se foi antecipadamente preparado para isso com alguns sacrifícios, ou, por outros termos, com atos de mortificação” (Tanquerey).

Alguns exemplos: viver a castidade, exige esforços generosos.

Quem tem comércio: para subir na vida, vem a tentação de enganar no peso dos alimentos.

 3º Ponto

 A santidade é um privilégio ou um dever de todos?

 Todos são chamados à santidade, ninguém pode dizer que não tem o dever de percorrer o caminho da santidade, e é fácil descobrir esse chamado.

 A) Sagrada Escritura

 1. Lv 19, 2: — “Fala a toda comunidade dos filhos de Israel. Tu lhes dirás: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”.

 2. Lv 11, 44-45: — “Pois sou eu, o Senhor, o vosso Deus. Fostes santificados e vos tornastes santos, pois que eu sou santo; não vos torneis, portanto, impuros com todos esses répteis que rastejam sobre a terra. Sou eu, o Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito para ser o vosso Deus: Sereis santos, porque eu sou santo”.

 3. Lv 20, 7: — “Vós, porém, vos santificareis e sereis santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus”.

 4. Mt 5, 48: — “Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.

 5. Mt 5, 13-14: — “Vós sois o sal da terra... vós sois a luz do mundo”.

 6. Jo 10, 10: — “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância”.

 7. Jo 15, 5: — “Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto”.

 8. 1Cor 1, 2: — “Àqueles que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser Santos...

 9. Ef 1, 4: — “Nele, ele nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor”.

 10. 1Ts 4, 3: — “Porquanto, é esta a vontade Deus: a vossa santificação”.

 11. 1Ts 4, 7: — “Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas sim para a santidade”.

 12. Hb 12, 14: — “Procurai a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”.

 13. Tg 1, 4: — “Mas é preciso que a perseverança produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência”.

 B) Documentos da Igreja Católica

 1. Lumem Gentium, n.º 11: — “Munidos de tantos e tão salutares meios, todos os cristãos de qualquer condição ou estado são chamados pelo Senhor, cada um por seu caminho, à perfeição da santidade pela qual é perfeito o próprio Pai”.

 2- Lumem Gentium, n.º 32: — “Se pois na igreja nem todos seguem o mesmo caminho, todos, no entanto, são chamados à santidade”.

 3- Lumem Gentium, n.º 40: — “É assim evidente que todos os fiéis cristãos de qualquer estado ou ordem são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade”.

 4- Lumem Gentium, n.º 42: — “Todos os fiéis cristãos são, pois, convidados e obrigados a procurar a santidade e a perfeição do próprio estado”.

 5- Redemptoris Missio, João Paulo II, n.º 90: — “O chamado à missão deriva, por sua natureza, da vocação à santidade. Todo missionário só o é, autenticamente, se se empenhar no caminho da santidade”.

— “A universal vocação à santidade está estritamente ligada à universal vocação à missão: todo fiel é chamado à santidade e à missão”.

— “Sendo jovens na fé, deveis ser como os primeiros cristãos, irradiando entusiasmo e coragem, numa generosa dedicação a Deus e ao próximo: numa palavra, deveis seguir pelo caminho da santidade. Só assim podereis ser sinal de Deus no mundo, revivendo em vossos países a epopéia missionária da Igreja primitiva. E sereis, também, fermento de espírito missionário para as Igrejas mais antigas”.

 C) Os Santos

 Santa Teresinha do Menino Jesus: — “Como o sabeis, sempre desejei ser santa. Mas, que tristeza! Quando me confronto com os Santos, sempre verifiquei que entre eles e mim medeia a mesma diferença que há entre a montanha, cujo píncaro desaparece nos céus, e o obscuro grão de areia… Devo, pois, suportar-me tal qual sou, com todas as minhas imperfeições. Mas, procurarei um meio de ir para o céu por uma trilha bem reta, bem curta, uma trilha inteiramente nova”.

São Domingos Sávio: — “Quero ser santo o mais rápido possível, se não me santificar, a minha vida foi vã aqui na terra”.

Madre Clélia Merloni: — “Nas dores, na doença, no tédio, nas acusações injustas, nas contrariedades cotidianas, não deverei lamentar-me, nem murmurar. Quero ser santa”.

— “Como poderei ser santa? Fazendo o melhor que posso as ações que me serão impostas, cada dia”.

 

4º Ponto

 Meios para se santificar

 Ninguém se santifica automaticamente ou só com desejos, é preciso lutar muito, por que: “O Reino dos céus sofre violência, e violentos se apoderam dele” (Mt 11, 12).

 Santo Afonso Maria de Ligório cita os principais meios para se chegar à santidade:

1. “Evitar todo pecado deliberado, mesmo leve. Se tivermos a desgraça de cair em alguma falta, cuidado para não ficar perturbados e impacientes conosco mesmos, devemos fazer com calma um ato de contrição e de amor a Jesus Cristo, prometer-lhe não mais ofendê-lo, e pedir-lhe a graça de lhe sermos fiéis”.

2. “Desejar chegar à perfeição dos santos e sofrer tudo para agradar a Jesus Cristo; se não tivermos esse desejo, pedir ao Senhor que no-lo conceda por sua bondade. Sem um verdadeiro desejo de nos santificarmos, não daremos jamais um passo sequer rumo à santidade”.

3. “Estar bem resolvido a atingir a perfeição. Sem essa firme resolução, age-se com fraqueza e não se tem a coragem de superar os obstáculos; ao contrário, com o auxílio divino que nunca falta, uma alma resoluta vence tudo”.

4. “Fazer cada dia duas horas ou, ao menos, uma hora de oração mental, e nunca omiti-la sem verdadeira necessidade por qualquer aborrecimento, aridez ou agitação, em que nos encontremos”.

5. “Comungar mais vezes na semana”.

6. “Rezar continuamente. Recomendar-nos a Jesus Cristo em todas as necessidades. Recorramos também à intercessão de nosso Anjo da Guarda, dos nossos santos padroeiros, e principalmente, da Santíssima Virgem, por cujas mãos Deus nos dá todas as graças”.

O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática “Lumen Gentium”,nº 42, também enumera os seguintes meios para santificarmos:

1. Caridade;

2. Leitura da Palavra de ;

3. Eucaristia;

4. Oração;

5. Penitência;

6. Observância dos conselhos do Senhor.

5º Ponto

 

Somente os religiosos e religiosas podem ser santos?

 Já comentamos sobre isso, e sabemos que todos somos chamados à santidade. Citarei alguns santos e santas para nos servirem de exemplo.

 A- Criancinhas:

— Santos Inocentes.

B- Criança de 6 anos de idade:

— Antonieta Melo, ela ainda não foi beatificada, mas está em processo.

C- Adolescentes:

— Santa Inês: 12 anos.

— Santa Maria Goretti: 12 anos, camponesa.

— Bem-aventurada Laura Vicuña: 13 anos.

— São Domingos Sávio: 14 anos.

— São Tarcísio: 12 anos, acólito.

D- Jovens:

— Santa Gema Galgani: 25 anos, doméstica, pobre.

— Santa Teresinha do Menino Jesus: 24 anos, religiosa, pobre.

— São Luis Gonzaga: 24 anos, religioso, seminarista, rico.

— Estanislau kostka: 18 anos, seminarista, rico.

— São Gabriel da Virgem Dolorosa, seminarista, pobre.

— Santa Rosa de Viterbo: leiga, 18 anos.

— Bem-aventurada Catarina Tekakwitha: 24 anos, índia do Canadá.

E- Adultos:

— Santo Tomás de Aquino, sacerdote e doutor da igreja, 49 anos, rico.

— Santa Rosa de Lima, virgem, morreu com 31 anos.

— São Benedito Jose Labre, peregrino e mendigo, viveram 35 anos.

F- Idosos:

— Santo Homobono, casado e comerciante, 53 anos.

— Santa Mônica, casada e mãe de Santo Agostinho, 56 anos.

— Santo Agostinho, Bispo e doutor da Igreja, 76 anos.

— São Gregório Magno, Papa, 65 anos.

— Santa Rita de Cássia, casada, mãe de dois filhos, viúva e religiosa, 76 anos.

— Santa Clotilde, princesa e muito linda, casou-se com o rei Clodoveu, era homem irado e guerreiro, teve 5 filhos que morreram assassinados, morreu com 70 anos.

— Santa Matilde, rainha, esposa do Rei Henrique I, teve 5 filhos, morreu com 76 anos.

— São Fernando, casado, ótimo esposo, rei, teve 13 filhos, morreu com 54 anos.

— Santa Francisca Romana, jovem pura, modesta, religiosa; foi noiva de comportamento santo; foi esposa modelar, mãe amorosa, viúva serena, fazia muita caridade e fundou as Oblatas de Maria, 56 anos.

— Santa Lidvina, virgem, ficou 38 anos na cama doente, morreu com 53 anos.

   Pe. Divino Lopes, FP.

Fonte: www.filhosdapaixao.org.br/escritos/palestras/palestra_029.htm

Leia-o também em: http://larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salva-eterna

 

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NÃO RENEGUE A CRISTO JESUS

 

Mt 10,33: “Aquele porem que me renegar diante dos homens, também o renegarei diante de meu pai que estas nos céus”.

Prezado católico, o respeito humano é o mal da nossa sociedade. É a vergonha de manifestar externamente a nossa fé. Jesus Cristo não fica feliz quando alguém age dessa forma, por isso, Ele fala com rigor: “Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10, 33).

Caríssimo católico, somente de uma coisa você deve ter vergonha: de praticar o mal. Entretanto te envergonhas, às vezes, do contrário: de praticar o bem.

Você não tem medo, prezado católico, de agir dessa maneira? Nós, católicos, não podemos negar e rejeitar a Jesus Cristo; pelo contrario, devemos professar a nossa fé abertamente e com convicção.

Jesus Cristo é o nosso Deus, como está em Jo 20,28: “Respondeu-lhe Tomé: ‘Meu Senhor e meu Deus!”, e também em Rm 9,5 diz: “Aos quais pertencem os patriarcas, e dos quais descende o Cristo, segundo a carne, que é acima de tudo, Deus bendito pelos séculos! Amem”.

Jesus Cristo é o nosso salvador, como está em Fl 3, 20: “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos ansiosamente como salvador o Senhor Jesus Cristo”. Ele é também o nosso Rei, como está em Jo 18,37: “… eu sou rei”. Porque, prezado católico, você se envergonhar do nosso Deus, desse Deus maravilhoso que morreu na Cruz para te salvar? Que derramou o seu Sangue no Calvário para te libertar das mãos do demônio? Desse Deus que ter protege, ampara e que cuida de você? Cuidado católico! Se você não for amigo d’Ele agora, depois da morte Ele não será seu amigo. Se você quiser que Cristo seja o seu amigo na hora da morte, seja amigo d’Ele agora. Ele, o nosso Deus, fala com rigor: “Aquele, porém, que me renegar diante dos homens, também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10,33). Será que você faz parte desse grupo de pessoas que abraça o mundo, e que vira as costas para Jesus Cristo? Você que abandonou Jesus Cristo por vergonha e respeito humano, volte para Ele enquanto e tempo, volte para o teu primeiro amor, como está em Ap 2,4-5: “Devo reprovar-te, contudo, por teres abandonado teu primeiro amor. Recorda-te, pois, de onde caíste, converte-te e retoma a conduta de outrora”.

O respeito humano é uma covardia, uma falta de caráter. É preciso pregar a verdade, mas, infelizmente, por medo de ofender os ouvintes, a maioria dos sacerdotes deixa de pregá-la. Caríssimos católicos, precisamos tirar do coração o respeito humano; na Carta aos Gálatas 1,10 diz: “É porventura o favor dos homens que agora eu busco, ou o favor de Deus? Ou procuro agradar aos homens? Se eu quisesse ainda agradar aos homens, não seria servo de Cristo” .

A Igreja Católica é atacada, a Virgem Maria é criticada, a Bíblia é ridicularizada, etc., e você, católico, fica calado e com medo de desmascarar os inimigos?

Enquanto milhares de pessoas usam roupas imorais, você se envergonha de vestir como uma verdadeira cristã? Muitos não têm vergonha de passar horas e horas nos botecos, e você tem vergonha de entrar na igreja para adorar a Deus? Milhares olham revistas imorais, e você sente vergonha de ler publicamente a Bíblia ou a vida dos Santos? Prezado Católico, será que você é realmente um seguidor de Cristo Jesus? Leia o que escreve São Paulo aos Rm 1,21: “Pois, tendo conhecido a Deus, não o honraram como Deus nem lhe renderam graças; pelo contrário, eles se perderam em vãos arrazoados, seu coração insensato ficou nas trevas”.

O respeito humano é também uma escravidão. Você, caríssimo católico, que tanto fala em liberdade, que tanto apego lhe tem; que se propôs viver de princípios e verdades, deixa-se pouco a pouco governar pelo capricho dos outros e pela dissimulação. Você que para evitar críticas e censuras dos homens, sujeita-se a condenar a verdade, com o seu silêncio, e assim vai aprovando as máximas do mundo, e essa escravidão pode levar-te ao inferno.

O respeito humano é também uma apostasia. O que deve triunfar em nós é o amor de Deus. Ora, pelo respeito humano, nós o sacrificamos. Foi o pecado, em que caiu São Pedro, quando enfrentado por uma mulher do povo, que indagava sobre suas relações como o Mestre, como está Mt 26,74: “Então, ele começou a praguejar e a jurar, dizendo: não conheço o homem!”.

Prezado católico, toda a vida de Jesus Cristo esta cheia de unidade e de firmeza. Nunca o vemos vacilar. Diz Karl Adam: “Durante todo o seu ministério, nunca foi visto a calcular, hesitar, voltar atrás”.

E Ele, o Senhor forte e corajoso, pede a você católico, que o siga com vontade firme em qualquer situação. Prezado católico, deixar-se levar pelo respeito humano é próprio de pessoas que possuem uma formação superficial, sem critérios claros, sem convicções profundas, ou de caráter débil, isto é, fraco.

Caríssimo católico, é melhor ouvir uma zombaria por parte dos homens, por estar seguindo a lei de Deus, do que, por não cumpri-la, ter de ouvir dos lábios divino as terríveis palavras: “Apartai-vos de mim, maldito, para o fogo eterno, preparado para o diabo e para os seus anjos” (Mt 25,41).

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

Fonte: www.filhosdapaixao.org.br/escritos/pregacoes/diversas/pregacoes_diversas_ii_02.htm#22

Leia-o também em: larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salva-eterna/

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Salve a sua alma imortal enquanto é tempo

 

Católico, lembre-se continuamente de que você está nesse mundo para salvar a sua alma imortal; não deixe para depois a salvação de sua alma porque poderá ser tarde... a morte não avisa, não manda recado nem telefona; por isso, trabalhe fervorosamente para salvar a sua alma: “Preciso salvar a minha alma, isto é, ganhar o céu, evitar a eternidade do inferno. Não há meio-termo. Salvar a minha alma é o fim da minha criação, da minha Redenção, é o fim da minha vida” (São Pedro Julião Eymard).

A sua alma vale mais do que todas as riquezas do mundo... mais do que o ouro, o diamante e a prata: “Nada há de mais precioso que uma alma!” (São João Crisóstomo).

Olhe para a sua vida! Quanta correria, quanta preocupação com as coisas passageiras da terra, quanta busca pelo material, quanto desprezo pelo espiritual, quanta vaidade e desejo de fama! Você se preocupa com tudo, menos com a salvação de sua alma imortal: “O negócio da eterna salvação é, sem dúvida, o mais importante, e, contudo, é aquele de que os cristãos mais se esquecem” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Católico, você já parou para pensar na Eternidade? Existem duas: Céu e Inferno. Para onde você irá? O Céu é o lugar da eterna felicidade, onde Deus recompensa os justos. O Inferno é um lugar de tormentos, onde sofrerão eternos suplícios os que morrem em pecado mortal.

Deus é misericordioso, mas também é justo... Ele espera, mas não espera sempre; por isso, não abuse da bondade de Nosso Senhor, mas lute com sinceridade e temor para salvar a sua alma: “Não digas: ‘Pequei: o que me aconteceu?’, porque o Senhor é paciente. Não sejas tão seguro do perdão para acumular pecado sobre pecado. Não digas: ‘Sua misericórdia é grande para perdoar meus inúmeros pecados’, porque há nele misericórdia e cólera e sua ira pousará sobre os pecadores. Não demores a voltar para o Senhor e não adies de um dia para o outro, porque, de repente, a cólera do Senhor virá e no dia do castigo perecerás” (Eclo 5, 4 -7).

Você sabe que morrem milhares de pessoas todos os dias... quem sabe amanhã será o seu dia! Dia de você comparecer diante de Deus para prestar contas de todos os seus atos: “E como é um fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento” (Hb 9, 27), e: “Pois todos nós compareceremos ao tribunal de Deus” (Rm 14, 10).

Católico, por que você se preocupa somente com as coisas da terra e despreza a sua salvação? Você conseguirá levar seus bens para o túmulo? Os seus diplomas irão afixados na tampa do caixão? A sua fama irá agarrada às alças do ataúde? As amizades fixarão moradas sobre o seu túmulo? Será que os vermes te respeitarão no túmulo? Nada disso! Por que então se preocupar somente com o terreno e se esquecer do mais importante que é salvar a sua alma? “... operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2, 12).

Aquele que perde a alma perde tudo: “É, (a salvação da alma) sem contestação, o negócio mais importante, porque é das mais graves consequências, em vista de se tratar da alma, e, perdendo-se esta, tudo está perdido. Devemos estimar a alma como o mais precioso dos bens. Para compreender esta verdade, basta considerar que Deus sacrificou seu próprio Filho à morte para salvar nossas almas” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Jesus Cristo disse: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma” (Mt 16, 26).

Se você salvar a sua alma, “nada importa que no mundo hajas sido pobre, perseguido e desprezado. Salvando-te, acabar-se-ão os males e serás feliz por toda a eternidade. Mas, se te enganares e te perderes, de que te servirá no inferno haveres desfrutado de todos os prazeres do mundo, teres sido rico e cortejado? Perdida a alma, tudo está perdido: honras, divertimentos e riquezas” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Católico, você só possui uma alma! Saia do comodismo enquanto é tempo... descruze os braços e lute para salvá-la enquanto o seu coração ainda está pulsando... deixe a preguiça  e trabalhe fervorosamente para conquistar o céu... sacuda a poeira do indiferentismo... abandone essa vida de “poltronice”.

Cuidado, o católico que não vive o que a Santa Igreja ensina irá para o inferno eterno: “Quem, sendo muito embora membro da Igreja Católica, não pusesse em prática os seus ensinamentos, este seria membro morto, e, portanto, não se salvaria, porque para a salvação de um adulto requerem-se não só o Batismo e a fé, mas também as obras conformes à fé” (São Pio X).

Há três remorsos principais que atormentarão os condenados ao inferno: “O pensar no nada das coisas pelo qual se condenou, no pouco que tinha a fazer para salvar-se e no grande Bem que perdeu” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Católico, você está preparado para o encontro com Jesus Cristo?

Acorda católico! Acorda enquanto é tempo! O tempo de entesourar tesouros no Céu é agora!

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/colecoes/folhetos/evangelizar/evangelizar_05.htm

Leia-o também em: larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salva%C3%A7%C3%A3o-eterna/

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SALVA A TUA ALMA!

(Fl 2, 12)

 

“... operai a vossa salvação com temor e tremor”.

 

 

Católico, não deixe para amanhã, mas lute fervorosamente para salvar a sua alma imortal: “Preciso salvar a minha alma, isto é, ganhar o Céu, evitar a eternidade do inferno. Não há meio-termo. Salvar a minha alma é o fim da minha criação, da minha redenção, é o fim da minha vida” (São Pedro Julião Eymard, A Divina Eucaristia, Vol. 3), e: “Só tenho uma alma, e se perco esta, nada mais tenho a salvar” (Santa Teresa de Jesus).

Feliz daquele que leva a sério a sua salvação!

 

Frei Gil, o bendito leigo franciscano, temendo pela sua salvação, abandona o mundo. Uma gruta às margens de um rio ofereceu-lhe abrigo, e ali vivia todo consagrado ao serviço de Deus. A água cristalina matava-lhe a sede, e as árvores ofereciam-lhe seus frutos. O sol surpreendia-o em oração e as estrelas da noite eram testemunhas de suas assombrosas penitências.

Um dia, três cavaleiros, que andavam à caça, chegaram à gruta de frei Gil. Este recebeu-o amavelmente, entreteve-se com eles sobre coisas espirituais e notou que, embora bons cristãos, gostavam mais do mundo do que de Deus.

Ao despedirem-se, um deles disse:

- Santo bendito, desde hoje recomenda-nos a Deus.

- Em verdade, senhores, vós é que haveis de pedir a Deus por mim, porque tendes mais fé e mais esperança do que eu.

- Como assim? Nós?

- Sim, disse Frei Gil, porque estou aqui retirado de todo trato com os homens, vestido de burel, dormindo no chão, e sempre ando com medo de condenar-me; e vós cercados de prazeres e comodidades, alimentando vícios e paixões, estais tão seguros de vossa salvação! O santo dizia isso ironicamente.

O Santo tinha razão. É preciso assegurar a nossa salvação por meio da penitência, pois a eterna Verdade diz: “Se não fizerdes penitência, perecereis”.

 

Católico, é preciso salvar a alma! Não brinque com coisa séria!

Milhões de católicos se preocupam somente com o bem estar do corpo, deixando completamente de lado a salvação da alma: “O negócio da eterna salvação é, sem dúvida, o mais importante, e, contudo, é aquele de que os cristãos mais se esquecem” (Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a Morte, Consideração XII, Ponto I).

Que é a alma? A alma é a parte espiritual do homem, pela qual ele vive, entende e é livre. A alma do homem não morre com o corpo, mas vive eternamente porque é espiritual.

Negar a existência da alma humana seria grande absurdo: “a) Prova-a a razão. Sabemos, efetivamente, que a simples matéria não vive, nem sente, nem pensa. Nós vivemos, sentimos e pensamos. Logo, temos um princípio distinto da matéria. b) A Sagrada Escritura  também no-lo prova. Assim, Cristo avisa-nos: ‘Não temais aqueles que só podem fazer mal ao corpo. Temei antes Aquele que pode precipitar a alma e o corpo no Inferno’ (Mt 10, 28). A alma humana tem duas propriedades importantíssimas, que a distinguem do princípio vital dos irracionais: é espiritual e imortal.

A alma humana é espiritual, porque não é corpo nem consta de partes materiais: é um princípio superior à matéria.

Isto se prova porque ela realiza ações que estão acima da matéria. Comparemos, para nos certificarmos, o conhecimento do homem com o dos animais.

1° O conhecimento dos animais refere-se às qualidades materiais dos corpos, que se podem perceber pelos sentidos.

2° O conhecimento do homem: a) refere-se também a seres e qualidades imateriais; b) os próprios seres materiais, conhece-os de modo imaterial; c) é capaz de raciocinar. Três coisas que o animal não consegue.

 

a) O homem conhece seres espirituais, como Deus, e noções imateriais, como as noções de virtude, dever, pátria...

 

b) Conhece os seres materiais de modo imaterial, porque pode afastar deles as qualidades sensíveis e formar as idéias, que são imateriais e abstratas.

 

Expliquemo-lo com um exemplo. O cão distingue o seu dono do estranho e do mendigo pela voz, as feições, o cheiro, as atitudes e outras condições sensíveis e concretas. Mas nunca poderá dizer para si mesmo: estes três possuem algo de comum, são animais racionais; porque este conceito é algo de imaterial, que os sentidos não podem perceber. O homem faz isto sempre que abstrai as qualidades materiais dos seres, para formar as idéias ou conceitos gerais.

 

c) Além disso, o homem pode raciocinar, o que não pode fazer o animal. É absurdo supor que um cão leia um livro e discuta as idéias do autor, ou que um burro fabrique um computador ou componha uma sinfonia.

Pois bem: como o agir segue o ser, dizemos que, havendo no homem operações imateriais, é necessário que nele exista um princípio imaterial especial — espiritual — que as produza; a este princípio espiritual chamamos alma.

Necessariamente, a natureza de um ser está de acordo com as suas operações. Assim, é impossível que uma pedra tenha respiração e circulação, ou que uma planta veja e sinta prazer. Por isso, havendo como há, no homem, operações imateriais, é necessário que haja nele um princípio i material especial.

 

A alma não morre com o corpo: é imortal. ‘Deus fez o homem imortal’ — escreve o Livro da Sabedoria (2, 23).

 

Diz também o Eclesiastes: ‘Que o pó da terra volte à terra de onde saiu; e o espírito volte a Deus, que lhe deu o ser’ (12, 7).

 

Também a razão, por sua vez, prova a imortalidade da alma:

 

a)Porque, sendo a alma um espírito, não tem em si gérmen algum de corrupção, própria do que é material.

 

O corpo, ao morrer, desagrega-se nos diversos elementos que o compõem e entra em corrupção. A alma humana é simples e espiritual, e não tem nem elementos que se desagreguem, nem matéria que possa corromper-se.

 

b) Porque assim o exige a sabedoria de Deus. Se a alma não fosse imortal, Deus teria posto no homem um desejo de felicidade que jamais poderia satisfazer.

 

Uma vez que nesta vida não pode satisfazer plenamente esse desejo, e iria contra a sabedoria de Deus ter posto na alma uma aspiração tão profunda e poderosa para nunca a satisfazer, é necessário admitir a existência de outra vida, onde essa aspiração possa ter completa realização.

 

c) Porque assim o exige a Justiça de Deus. Pois de outro modo tantas injustiças que se dão no mundo ficariam sem reparação” (Curso de Teologia Dogmática, Pablo Arce e Ricardo Sada).

 

Católico, a alma existe! Louco e estúpido é aquele que se agarra às coisas terrenas, se esquecendo de salvá-la.

 

Vós, os que vendeis vossa alma por um nada (por um prazer momentâneo, pelas riquezas perecíveis, pelo fumo de uma honra vã, etc.), quereis saber o que ela vale? Não vo-lo direi eu; dir-vos-á um pobre índio que viveu nas florestas, mas teve a sorte de conhecer e abraçar a verdade católica. Morrera o Padre de Smedt; morrera, como São Francisco Xavier, com o braço cansado de batizar pagãos e rodeado de uma coroa gloriosa de novos cristãos. Após a sua morte penetraram nas selvas, carregados de ouro e de mulheres, muitos missionários protestantes. Um deles, metodista, procurou conquistar para a sua seita o chefe da tribo do Yacamas, a quem batizara o venerável Smedt. Entre o pastor e o índio entabulou-se este diálogo:

- Quanto dinheiro queres para passares para a nossa religião protestante?

- Muito; respondeu o pele-vermelha.

- Quanto? Duzentos dólares?

- Muito mais.

- Quanto, então? 500.000 dólares?

- Muito mais ainda.

Fala, dize a soma que queres e eu te darei.

O índio fitou-o fixamente nos olhos, atirou às costas sua manta de couro de búfalo e, levantando a mão ao céu, segredou-lhe ao ouvido:

- Dai-me o que vale a minha alma!

 

Católico, por que você se preocupa tanto com as coisas passageiras e se esquece de trabalhar para salvar a sua alma? Lembre-se de que Jesus Cristo morreu na cruz para salvá-la!

Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se ele vier a perder a alma? Estas palavras não são de um articulista, não são de político algum, nem foram ouvidas de uma cátedra de Universidade. Foi o divino Mestre, Verdade eterna, quem as pronunciou. Um dia Jesus depois de ter falado a seus discípulos sobre a abnegação de si mesmos, e desejoso de lhes ensinar a inutilidade das coisas terrenas na salvação da alma, dá a sublime lição que vence os séculos e hoje como então tem a mesma atualidade. Foi à luz desse “Que aproveita” que o jovem São Luiz Gonzaga disse: “Que serve isto para a minha eternidade?” Que um outro jovem morto aos dezessete anos e hoje com as honras dos altares, Santo Estanislau Kostka, disse também: “Eu nasci para as coisas do alto”.

Católico, para que tantas preocupações pelas riquezas, tantos sacrifícios para alcançar as glórias do mundo? Que proveito tirará disso para a vida eterna?

“... operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2, 12).

Edições Theologica comenta: “A perseverança na fé e na caridade até ao fim da vida é um dom de Deus. Pode alcançar-se se não se põem obstáculos às graças que o Senhor dá continuamente. Acerca deste dom, o Concílio de Trento advertiu que ‘todos devem depositar e pôr no auxílio de Deus a mais firme esperança. Porque Deus, se eles não faltam à sua graça, como começou a obra boa, assim a acabará, operando o querer e o atuar’ (De iustificatione, cap. 13). ‘Em prol dos Seus desígnios’: A graça que de Deus outorga a cada um para que possa realizar ações sobrenaturais é uma manifestação da benevolência de Deus, o qual quer que todos os homens se salvem. O homem, portanto, não pode fazer coisa alguma que conduza à vida eterna se não é movido pela graça. Não obstante a graça não suprime a liberdade, pois somos nós que queremos e atuamos. A incapacidade humana para realizar obras meritórias só com as força naturais não há de ser motivo de desânimo. Pelo contrário, constitui uma razão mais de agradecimento a Deus, pois Ele está sempre pronto a enviar-nos o auxílio da Sua graça; assim poderemos operar o bem e fazer que essas boas ações nos sirvam para merecer o Céu. São Francisco de Sales ilustra esta maravilha do amor de Deus com um exemplo: “Quando a terna mãe ensina o seu filhinho a andar, ajuda-o e sustenta-o quando é necessário, deixando-o dar alguns passos pelos sítios menos perigosos e mais planos, tomando-lhe a mão e segurando-o, ou tomando-o nos seus braços e levando-o neles. Da mesma maneira Nosso Senhor tem cuidado contínuo dos passos dos Seus filhos’ (Tratado do amor de Deus, liv. 3, cap. 4). Não obstante, esta solicitude de Deus pelos homens não deve ser tomada como escusa para permanecer inativos. Deus sempre deseja entrar com a Sua graça dentro de cada pessoa (cfr Apc 3. 20), mas não o fará em quem se nega a escutar a Sua voz e fecha o seu coração. Daí a recomendação de São Paulo: ‘Trabalhai com temor e tremor na vossa salvação” (v. 12). É este um convite urgente a secundar a atenção da graça de Deus na nossa alma. O ‘temor’ e o ‘tremor’ são o temor filial de entristecer a quem sabemos que nos ama (cfr 2 Cor 7, 15); este temor filial vai intimamente unido à alegria de servir a Deus (cfr Sl 2, 11) e é dulcificado pela certeza de que o próprio Deus está empenhado em que sejamos santos, ‘sem permitir que o desalento nos domine; se nos determos em cálculos meramente humanos. Para superar os obstáculos, há que começar a trabalhar, metendo-se em cheio nessa tarefa, de maneira que o nosso próprio esforço nos leve a abrir novos caminhos” (São Josemaría Escrivá, Cristo que passa, n° 160)”.

Católico, não tenha preguiça de trabalhar para salvar a sua alma imortal. Trabalhe fervorosamente agora, imitando a Cristo Jesus, para depois descansar no Paraíso.

 

Perguntai a São Paulo o que deveis fazer para vos tornardes semelhantes a Jesus Cristo. São Paulo não vos enganará. Ele é o doutor que mais admiravelmente expõe as leis divinas de nossa perfeição na vida espiritual...

- Santo Apóstolo, temos a fé de Pedro, o discípulo escolhido por Jesus Cristo para seu vigário na terra... Basta-nos?

-   Não basta.

- Temos a caridade para com Deus e o amor para com o próximo, que aprendemos do amigo predileto de Jesus... Basta?

-   Não.

-  Temos a fortaleza heróica demonstrada pelo Batista ante os inimigos... Basta?

-  Não.

- Temos a confiança em Deus que distinguiu o patriarca São José, o qual mereceu ser tido por pai de Jesus... Basta?

- Não basta... escutai o que vos digo: Jesus Cristo é o modelo que deveis ter sempre diante dos olhos... é o retrato que haveis de reproduzir em vosso corpo e em vossa alma. E quem era Jesus Cristo? Era a caridade, era a justiça, a mansidão, a prudência e a paciência... Era a beleza de Deus manifestando-se aos olhos humanos, para que nele nos transformemos. Tendes, pois, de trabalhar, trabalhar muito, até que sejais retratos perfeitos desse divino Modelo...

- Mas, santo Apóstolo, nossa carne é fraca, nosso coração é louco, nossa concupiscência é animal, nossas inclinações perversas, as tentações são muitas, os demônios rodeiam-nos dia e noite, o mundo nos fascina...

- Trabalhai! É preciso imitar a Jesus Cristo. Essa é a única segura garantia de nossa eterna salvação. Se temos a sua graça, temos tudo...

-  Mas isso será trabalho de muitos anos.

- Tendes razão: é trabalho de toda a vida. Mas para isso é que Deus nos pôs no mundo, para isso é a vida. Se não a atendeis assim, estais tristemente equivocados...

Trabalhai! Tendes diante de vós uma eternidade para descansar e gozar de vossas virtudes.

 

Católico, louco, de todos o mais louco, é aquele que não se preocupa com a salvação de sua alma: “Razão tinha São Filipe Néri em chamar de louco ao homem que não trabalhava na salvação de sua alma. Se houvesse na terra homens mortais e homens imortais e aqueles vissem estes se aplicarem às coisas do mundo, procurando honras, riquezas e prazeres terrenos, dir-lhes-iam sem dúvida: ‘Quanto sois insensatos! Podeis adquirir bens eternos e só pensais nas coisas miseráveis e passageiras, condenando-vos a penas eternas na outra vida!… Deixai-os, pois; nesses bens só devem pensar os desventurados que, como nós, sabem que tudo se acaba com a morte!’ Isto, porém, não é assim: todos somos imortais… Como se haverá, portanto, aquele que, por causa dos miseráveis prazeres do mundo, perde a sua alma?… Como se explica — disse Salviano — que os cristãos creiam no juízo, no inferno, na eternidade, e vivam sem receio de nenhuma dessas coisas?

A salvação eterna não é só o mais importante, senão o único negócio que nesta vida nos impende (Lc 10, 42). São Bernardo deplora a cegueira dos cristãos que, qualificando de brinquedos infantis certos passatempos da infância, chamam negócios sérios suas ocupações mundanas. Maiores loucuras são as néscias puerilidades dos homens. ‘Que aproveita ao homem — disse o Senhor — ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?’ (Mt 16, 26). Se tu te salvas, meu irmão, nada importa que no mundo hajas sido pobre, perseguido e desprezado. Salvando-te, acabar-se-ão os males e serás feliz por toda a eternidade. Mas, se te enganares e te perderes, de que te servirá no inferno haveres desfrutado de todos os prazeres do mundo, teres sido rico e cortejado? Perdida a alma, tudo está perdido: honras, divertimentos e riquezas.

Que responderás a Jesus Cristo no dia do juízo? Se um rei enviasse um embaixador a uma grande cidade, a fim de tratar de um negócio importante, e esse ministro, em vez de ali dedicar-se à missão que lhe fora confiada, só se ocupasse de banquetes, festas e espetáculos, de modo que por sua negligência fracassasse a negociação, que contas poderia dar ao rei à sua volta? Do mesmo modo, ó meu Deus, que conta poderá dar ao Senhor no dia do juízo, aquele que, colocado neste mundo, não para divertir-se, nem enriquecer, nem adquirir honras, senão para salvar sua alma, infelizmente a tudo atendeu, menos à sua alma? Os mundanos não pensam no presente e nunca no futuro. São Filipe Néri, falando certa vez em Roma com um jovem talentoso chamado Francisco Nazzera, assim se expressou: ‘Tu, meu filho, terás carreira brilhante: serás bom advogado, depois prelado, a seguir cardeal, quem sabe? talvez Papa… mas depois? e depois? Ide, disse-lhe em fim pensai nestas últimas palavras’. Foi Francisco para casa e, meditando no sentido daquelas palavras ‘e depois? e depois?’ Abandonou os negócios terrenos, deixou o mundo para ingressar na mesma congregação a que pertencia São Filipe Néri, e aí ocupar-se somente em servir a Deus. Este é o único negócio, porque só temos uma alma. Certo príncipe solicitou a Bento XII uma graça que não podia ser concedida sem pecado. Respondeu o Papa ao embaixador: ‘Dizei a vosso soberano que, se eu tivesse duas almas, poderia sacrificar uma por ele e reservar a outra para mim, mas como só tenho uma, não quero perdê-la’. São Francisco Xavier dizia que no mundo há um só bem e um só mal. O único bem, salvar-se; condenar-se, o único mal. A mesma verdade expunha Santa Teresa às suas religiosas: ‘Minhas irmãs, uma alma e uma eternidade’; o que quer dizer: há uma alma, e perdida esta, tudo está perdido; há uma eternidade, e a alma, uma vez perdida, para sempre o será. Por isso, Davi suplicava a Deus, e dizia: Senhor, uma só coisa vos peço: salvai-me a alma, e nada mais quero.

Com receio e com temor trabalhai na vossa salvação (Fl 2,12). Quem não receia nem teme perder-se, não se salvará, porque para se salvar é preciso trabalhar e empregar violência (Mt 11, 12). Para alcançar a salvação é necessário que, na hora da morte, apareça a nossa vida semelhante à de Nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 8, 29). Para este fim devemos esforçar-nos em evitar as ocasiões perigosas e empregar os meios necessários para conseguir a salvação. ‘O reino dos céus não se dará aos indolentes — diz São Bernardo, — senão aos que trabalharam no serviço do Senhor’. Todos desejariam salvar-se, mas sem o menor incômodo. ‘O demônio — diz Santo Agostinho — trabalha sem repouso para perder-te, e tu, tratando-se de tua felicidade ou de tua desgraça eterna, tanto te descuidas?’.

Negócio importante, negócio único, negócio irreparável. Não há falta que se possa comparar, diz Santo Eusébio, ao desprezo da salvação eterna. Todos os demais erros podem ter remédio. Perdidos os bens, é possível readquirir outros por meio de novos trabalhos. Perdido um emprego, pode ser recuperado. Ainda no caso de perder a vida, se salvar a alma, tudo está preparado. Mas para quem se condena, não há possibilidade de remédio. Morre-se uma vez, e perdida uma vez a alma, está perdida para sempre. Só resta o pranto eterno com os outros míseros insensatos do inferno, cuja pena e maior tormento consiste em pensar que para eles já não há mais tempo de remediar sua desdita (Jr 8, 20). Perguntai a esses sábios do mundo, mergulhados agora no fogo infernal, perguntai-lhes o que sentem e pensam; se estão contentes por terem feito fortuna na terra, mesmo que se condenaram à eterna prisão. Escutai como gemem dizendo: Erramos, pois… (Sb 5, 6). Mas de que lhes serve agora reconhecer o seu erro, quando já a condenação é irremediável para sempre? Qual não seria o pesar daquele que, tendo podido prevenir e evitar com pouco esforço a ruína de sua casa, a encontrasse um dia desabada, e só então considerasse seu próprio descuido, quando não houvesse já remédio possível?

Esta é a maior aflição dos réprobos: pensar que perderam sua alma e se condenaram por sua culpa. Disse Santa Teresa que, se alguém perde, por sua culpa, um vestido, um anel ou outro objeto, perde a tranquilidade e, às vezes, não come nem dorme. Qual será, pois, ó meu Deus, a angústia do condenado quando, ao entrar no inferno, se vir sepultado naquele cárcere de tormentos, e, atendendo à sua desgraça, considerar que durante toda a eternidade não há de chegar remédio algum! Sem dúvida exclamará: ‘Perdi a alma e o paraíso, perdi a Deus; tudo perdi para sempre, e por quê? Por minha culpa! E se alguém objetar: Mesmo que cometa este pecado, porque hei de me condenar?… Acaso, não poderei salvar-me? Responder-lhe-ei: Também pode ser que te condenes’. Ainda direi que até há mais probabilidade em favor de tua condenação, porque a Sagrada Escritura ameaça com este tremendo castigo aos pecadores obstinados, como tu o és neste instante. ‘Ai dos filhos que desertam!’ (Is 30, 1) — diz o Senhor. — ‘Ai daqueles que se afastam de mim’ (Os 7,13). E não pões ao menos, com esse pecado cometido, a tua salvação eterna em grande perigo e grande incerteza? E qual é este negócio que assim se pode arriscar? Não se trata de uma casa, de uma cidade, de um emprego; trata-se, — diz São João Crisóstomo, — de padecer uma eternidade de tormentos e de perder um paraíso de delícias. E este negócio, que tanto te deve importar, queres arriscá-lo por um talvez? ‘Quem sabe — dizes, — quem sabe se me condenarei? Espero que Deus mais tarde me há de perdoar’. E entretanto?… Entretanto, por ti mesmo te condenas ao inferno. Por acaso te atirarias a um poço, dizendo: talvez escape da morte? — Não, de certo. Como podes expor tua eterna salvação numa tão frágil esperança, num quem sabe? Oh! quantos, por causa dessa maldita falsa esperança, se perderam!… Não sabes que a esperança dos obstinados no pecado não é esperança, mas presunção e ilusão que não promovem a misericórdia divina, mas provocam sua indignação? Se dizes que presentemente não estás em estado de resistir às tentações, à paixão dominante, como resistirás mais tarde, quando, em vez de aumentar, te faltará a força pelo hábito de pecar? Por uma parte, a alma estará mais cega e mais endurecida na malícia, e por outra faltar-lhe-á o auxílio divino… Acaso, esperas que Deus aumente para ti suas luzes e suas graças depois que tu hajas aumentado ilimitadamente tuas faltas e pecados?” (Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a Morte, Consideração XII, Ponto I, II e III).

Católico, não existe ocupação mais importante aqui na terra, do que trabalhar para salvar a sua alma.

 

São João de Gota, um dos mártires do Japão, foi condenado pelo tirano. Contava apenas dezenove anos e pouco tempo fazia que entrara na Companhia de Jesus. Indo seu pai despedir-se dele, o jovem, no momento de ser crucificado, disse-lhe:

-  Meu pai, a salvação deve preferir-se a tudo. O senhor, para assegurá-la, não se descuide de nada.

- Muito obrigado, meu filho! E você, também, aguente firme. Sua mãe e eu estamos preparados para morrer pela mesma causa.

- E o generoso pai, tendo beijado seu filho mártir, retirou-se molhado pelo sangue da generosa vítima.

Católico, não perca tempo, mas trabalhe para salvar a sua alma imortal: “Salvar a minha alma, tornar-me santo, eis o principal negócio de minha vida. Ser rico, honrado, prezado, servido, isto não tem valor algum e será antes um perigo, uma grande desgraça se der ocasião a que peque ou me leve a descuidar-me de minha salvação – pois na morte acaba tudo... Com efeito, que me valerá perante Deus, ter feito fortuna, alcançando posição de destaque e de influência no mundo, ou gozado de todos os bens da vida, se nada fiz para o céu, se não amei e servi a Deus, meu derradeiro fim?... A obra de minha salvação é, por conseguinte, o meu primeiro dever, enquanto tudo o mais não passa de bagatela” (São Pedro Julião Eymard, A Divina Eucaristia, Vol 3).

Católico, jogue a preguiça fora e lute fervorosamente para salvar a sua alma: “Se tens coração, recorda bem que maior necessidade não há que a necessidade da salvação da alma” (Santo Ambrósio, Serm. 4).

Católico, não deixe o mundo enganar-te com as vaidades, lembre-se de que a salvação da alma é o negócio mais importante: “Quem te criou sem te consultar, não te salvará sem a tua cooperação” (Santo Agostinho), e: “É grandíssima loucura sermos negligentes pela nossa própria salvação, enquanto o demônio não perde ocasião em perder a nossa alma” (São João Crisóstomo, Hom. 2 in Epist. 2 Joan.).

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/comentarios/escrituras/escritura_0104.htm

Leia-o também em: larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salva%C3%A7%C3%A3o-eterna/

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Tudo passa

"Passaram-se meus dias" (Jó 17, 11)

 

Lembre-se continuamente de que  TUDO PASSA: “Meus dias correm mais depressa que um atleta...” (Jó 9,25). Não se iluda! Neste mundo tudo passa, tudo acaba, tudo morre, e com certeza absoluta você também passará, e esse seu corpo tão bem  cuidado e endeusado, será devorado pelos vermes: “Sob o teu corpo os vermes formam como um colchão, os bichos te cobrem como um cobertor” (Is 14,11).

Diante dessa grande verdade, é preciso parar e pensar mais amiúde e com seriedade na  SALVAÇÃO DA SUA ALMA, porque alma você só possui uma, e perdido essa, tudo está perdido. Não perca o tempo, não brinque com a vida, lembre-se que TUDO PASSA, e que só será verdadeiramente feliz na hora da morte, aquele que vigiar continuamente: “Feliz daquele servo que o Senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado” (Mt 24,46).

Prezado leitor, não continue nessa correria e nessa agitação, lembre-se que TUDO PASSA e que você possui uma ALMA PARA SALVAR, leve o “negócio da sua salvação” a sério: “...operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2,12).

Seja inteligente! Aproveita bem a sua vida! De que maneira? Vivendo mergulhado em Deus, amando-O apaixonadamente, confiando nesse Senhor que te criou, que te sustenta e que cuida de você. Seja fiel ao AMOR ETERNO, e Ele te recompensará: “Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor” (Mt 25,21).

Caro leitor, preencha o seu dia fazendo somente o BEM: “Por conseguinte, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos...” (Gl 6,10).

Pe. Divino Lopes, FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/colecoes/folhetos/centelha/centelha7.htm

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A BREVIDADE DA VIDA

 

Prezado católico, pare um pouco, deixe de correria e apavoramento, pare, porque você não é uma máquina, você possui uma alma imortal, e para salvá-la é preciso que viva santamente. Pare para analisar com sinceridade e seriedade o seu comportamento, para saber se está levando a sério a sua vida.

Já parou para pensar o quanto a sua vida é breve? No livro de Jó 14, 1-5, fala que o homem nasce, vive um determinado tempo e depois morre: “O homem, nascido de mulher, tem a vida curta e cheia de tormentos. Breves são os dias dos homens. Vós, Senhor, já determinastes o número dos seus meses. Já marcastes os limites da sua vida para além dos quais não poderá passar”.

Cada segundo que passa, cada minuto, cada hora, cada dia que passa, a sua vida fica mais curta, como está no Salmo 38, 6: “Vê: um palmo são os dias que me deste, minha duração é um nada frente a ti; todo homem que se levanta é apenas um sopro”, e o Salmo 102, 15-16 diz também: “O homem ! … seus dias são como a relva: ele floresce como a flor do campo; roça-lhe um vento e já desaparece, e ninguém mais reconhece seu lugar”.

Caríssimo católico, a vida é breve e o tempo passa como um relâmpago. E você? O que está fazendo com esse tempo tão precioso? Como você o está usando; para a vossa salvação ou condenação?

Lembre-se de que a vida é breve, ela passa e não volta! Passa a infância, passa a adolescência, passa a juventude, passa a idade adulta, etc. E você? O que está fazendo da sua vida? Vida aqui na terra só existe uma!

Hoje, infelizmente, muitos vivem como se Deus não existisse, como se não possuíssem uma alma imortal e como se não fossem morrer um dia; matam o tempo, vivem como pagãos e jogam o tempo fora como se joga um lixo.

É preciso acordar enquanto é tempo; lembre-se de que você foi criado para conhecer, amar e servir a Deus, como escreve São João Maria Vianney: “Como é belo, como é grande conhecer, amar e servir a Deus! É a única coisa que temos para fazer neste mundo. Tudo o que fazemos afora(contra) isto, é tempo perdido”.

E você, já parou para pensar no tempo que jogou fora com as porcarias desse mundo? Deus ,na hora do juízo, pedirá conta de cada segundo, minuto e hora que você jogou fora, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “No dia do juízo, Jesus Cristo nos pedirá conta de toda palavra ociosa. Todo o tempo que não é empregado para Deus, é tempo perdido”.

A vida é breve, por isso, ocupe o tempo em conhecer, amar e servir a Deus.

O que devemos fazer para conhecer a Deus?

Primeiro: ler a Bíblia. Sabemos que a Bíblia é a Palavra de Deus, e nela encontramos consolo e paz, ela nos orienta pelo caminho da salvação, como está no Salmo 118, 105: “Tua palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho”, ela sustenta também a nossa vida espiritual, como escreve Santo Epifânio: “Sustentáculo poderoso para não se cometer pecado é a leitura das Escrituras”, e o mesmo Santo escreve: “Grande princípio e profundo abismo é desconhecer as Escrituras”.

Muitos desperdiçam o tempo, ao invés de ler a Palavra de Deus, preferem ler e olhar revistas pornográficas que são as cartilhas do demônio; lêem outros livros perigosos somente com a intenção de satisfazer a curiosidade; esse tipo de leitura ofende a Deus e lança a alma nas garras de Satanás, o príncipe das trevas.

Prezado católico, que desculpa você dará a Deus na hora do juízo por ter trocado a leitura da Bíblia pelas revistas pornográficas? Deus não aceitará desculpa, porque isso é falta de temor e de respeito.

Para conhecer a Deus, o primeiro ponto é ler a Bíblia, enquanto que o segundo é estudar o catecismo. Muitos católicos perdem tempo como a leitura de jornais e também com livros vazios que não ajudam na formação espiritual, e não dedicam se quer um minuto para o estudo do catecismo, esses cometem pecado, como ensina o 2º Catecismo da Doutrina Cristã: “Cometem falta grave aqueles que, por negligência ou má vontade, não a quiserem aprender”.

Perdem tempo, perdem um precioso tempo com as leituras vazias, mas não estudam a Santa Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana. Esses terão que se explicar na hora do terrível Juízo.

Milhares são aqueles que não conhecem a Deus; conhecem muito bem o esporte, a história dos seu país, a geografia, a matemática, mas não conhecem o seu Criador.

No livro da Sabedoria 15, 3 diz: “Conhecer-te é a justiça perfeita, acatar teu poder é a raiz da imortalidade”, e Santo Agostinho diz: “É um desventurado o homem que sabe tudo, mas não conhece a Deus”, quer dizer, esse homem é um infeliz, conhece o que é terreno, mas não conhece o Deus Eterno.

E você prezado católico; você conhece a Deus? Lê e medita a Palavra de Deus? Estuda a doutrina da Santa Igreja Católica Apostólica Romana? Ou você é pior do que o boi e o jumento, como diz em Isaías 1, 2- 3: “Criei filhos e fi-los crescer, mas eles se rebelaram contra mim. O boi conhece o seu dono, e o jumento, a manjedoura de seu Senhor, mas Israel é incapaz de conhecer, o meu povo não pode entender”.

Aquele que não conhece a Deus é tolo e ignorante.

Católico, já refletimos sobre como conhecer a Deus. Reflitamos então, sobre como amar a Deus. O que é preciso fazer para amar a Deus! É importante lembrar de que esse, amar a Deus, não consiste em amá-lO da boca para fora, e sim, em amá-lO de verdade, como está em Mt 22, 37: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”. Hoje, infelizmente, existem muitas poesias e sentimentalismo, mas o amor verdadeiro é muito difícil de ser encontrado.

São João Maria Vianney escreve o seguinte sobre o verdadeiro amor a Deus: “Amar a Deus não consiste somente em dizer-lhe com a boca: Meu Deus, eu te Amo. Amar a Deus com todo o coração, com toda a mente e com todas as forças é preferi-lO a tudo, é estar pronto a perder os bens, a honra, a própria vida a ofendê-lO. Amar a Deus é não amar nada acima d’Ele, nada que compartilhe com Ele o nosso coração”.

Católico, para amar a Deus é preciso obedecer aos seus mandamentos; somente assim, você O estará amando de verdade, porque em Jo 14, 15 diz: “Se me amais, observareis meus mandamentos”, e na Primeira Carta de São João 5, 3 diz: “Pois este é o amor de Deus: observar os seus mandamentos”.

Para aproveitar bem o tempo, não basta conhecer e amar a Deus, é preciso também servi-lO. Como servimos a Deus? Fazendo o bem para o nosso próximo, como escreve São Luiz Orione: “Fazer o bem a todos, fazer o bem sempre; fazer o mal nunca e a ninguém”.

Você foi criado para servir a Deus e não para servir ao mundo inimigo da sua alma. Muitos dizem que não têm tempo de servir a Deus, e assim, perdem o tempo com o lixo do mundo.

Dizem não ter tempo para visitar um enfermo no hospital, mas têm tempo para perambular pelas ruas como vadios à procura dos vícios e pecados.

Dizem que não sobra tempo para evangelizar uma pessoa que está precisando de um conforto espiritual, mas têm tempo para assistirem todas as novelas porcas e imundas, verdadeiro vômito do demônio.

Dizem não ter tempo para rezar na casa de uma pessoa que necessita de oração, mas encontram tempo para ficar horas e horas nas portas de botecos, bebendo pinga que é urina de Satanás, e conversando lorota.

A vida é breve, o tempo passa como um relâmpago, e essas pessoas jogam o tempo fora, porque vivendo assim não servem a Deus, e sim, servem ao mundo, e tornam-se inimigas de Deus, como está na Carta de São Tiago 4, 4: “Adúlteros, não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Assim, todo aquele que quer ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus”.

Esse tipo de gente ainda se atreve em dizer que segue a Cristo; é uma contradição monstruosa, dizer ser cristão e servir ao mundo inimigo de Deus.

Outros, acomodados e “mortos” de preguiça, dizem que não possuem capacidade para ajudar ao próximo, isto é, para servir a Deus; para esses parasitas e sanguessugas escreve São João Crisóstomo: “Nada mais feio do que um cristão que não se preocupa com a salvação dos outros… Não ofendas a Deus. Se disseres que o sol não é capaz de brilhar, injurias; se disseres que um cristão não pode ser útil a ninguém, é a Deus que ofendes e o chamas de mentiroso. Pois, é mais fácil o sol deixar de aquecer ou brilhar do que um cristão não irradiar a sua luz; ou a luz se transformar em trevas… A luz do cristão não pode permanecer escondida. Não pode ocultar-se lâmpada tão luminosa”.

Católico, lembre-se de que a vida é breve, que a morte corre velocíssima sobre nós, e nós, a cada instante, corremos para ela, como está no livro de Jó 9, 25: “Meus dias correm mais depressa que um atleta…”, e São Jerônimo escreve: “Todos temos de morrer, e nós deslizamos como a água sobre a terra, a qual não volta para trás”.

Seja sábio, não brinque com a vida, não brinque com o tempo; a vida é breve, e você foi criado para conhecer, amar e servir a Deus, por isso, aproveite bem o tempo, ele é precioso, como escreve São Bernardinho de Sena: “Um só momento vale tanto como Deus, porque nesse instante, com um ato de contrição ou de amor perfeito, pode o homem adquirir a graça divina e a glória eterna”.

Lembre-se de que você não foi criado para os prazeres do mundo, para viver na lama; Deus não te criou para a terra, mas para o céu; por isso, aproveite o tempo, porque a vida passa como um sopro, aproveite o tempo para fazer o bem.

Ter muitos anos de vida não está na mão de ninguém, porém, de nós depende fazer que os dias e anos que nos forem dados sejam ricos em boas obras, isto é, precisamos entesourar tesouros no céu, como está em São Mateus 6, 20: “… ajuntai para vós tesouros nos céus, onde nem a traça, nem o caruncho corroem e onde os ladrões não arrombam nem roubam”.

Como já foi falado; você não foi criado para os prazeres do mundo; não foi criado para pular esse carnaval satânico e podre, que só serve para desgraçar as almas; não foi criado para participar desses bailes imundos e imorais, que só servem para arruinar a sua alma imortal; não foi criado para usar essas roupas imorais, que são tarrafas do demônio, que ele usa para pescar os homens curiosos; não foi criado para passar horas e horas diante a televisão olhando essas novelas porcas e pornográficas, que são armas que o demônio usa para destruir as famílias; também não foi criado para se drogar, se prostituir, fornicar e olhar revistas e filmes imorais; mas sim, foi criado para conhecer, amar e servir a Deus; tudo o que fizer fora disso está roubando d’Ele, como escreve São João da Cruz: “O mundo inteiro não é digno de um só pensamento do homem, por que só a Deus ele é devido; assim, qualquer pensamento posto fora de Deus é um roubo que se lhe faz”.

Você também não foi criado só para o trabalho. A vida não é só trabalho. É também trabalho, mas não exclusivamente. É esforço para ganhar o pão de cada dia, mas não é só isso. É luta árdua para alcançar tudo o que nos é necessário, mas não é só isso.

Lembre-se de que você não é máquina para correr o tempo todo; você possui uma alma imortal, e lutar para salvá-la é a coisa principal, como escreve São Pedro Julião Eyumard: “A obra de minha salvação é, por conseguinte, o meu primeiro dever, enquanto tudo o mais não passa de bagatela e loucura”, e o mesmo santo também escreve: “A vida é curta e para reunir o montante da coroa do justo é mister apressar-me para que a morte não me tome de improviso, em plena labuta”.

Muitas pessoas correm o dia inteiro, preocupadas somente com os bens terrenos, não reservam nenhum tempo para Deus e nem para cuidarem da alma, essas são as virgens loucas que na hora do julgamento ouvirão da boca do Divino Juiz: “… não vos conheço!” (Mt 25,12).

Prezado católico, a vida é breve, não se esqueça dessa grande verdade; hoje você está aqui, amanhã, quem sabe, estará no cemitério, porque a morte não avisa e não telefona. Prazeres, divertimentos, lisonjas e honras, tudo passa… E o que fica? … no livro de Jó 17, 1 diz: “Só me resta o sepulcro”.

Seremos lançados numa cova e, ali, entregues à podridão, privados de tudo. No momento aflitivo da morte, a lembrança de todos os prazeres que em vida desfrutamos, e bem assim das honras adquiridas, só servirá para aumentar a nossa mágoa e a nossa desconfiança de obter a salvação eterna… Dentro em breve, o pobre mundano terá que dizer: minha casa, meus jardins, esses móveis preciosos, esses quadros raríssimos, aquelas roupas caras já não serão para mim! Só me resta o sepulcro.

E você, católico; está levando a sério o “negócio” da sua salvação? Vida aqui na terra é uma só, e alma você só possui uma, perdido essa, tudo está perdido.

Cuidado para não morrer com as mãos vazias, não basta não fazer o mal, é preciso fazer o bem e bem feito.

Você que mata o tempo, se ocupando somente com as coisas da terra; o que dirá para Deus na hora do julgamento, sendo que teve tanto tempo para fazer o bem e não o fez, preferindo servir o mundo e permanecer como as mãos vazias? O que dirá a Deus aquele que teve muito tempo para se santificar, mas preferiu viver longe d’Ele, e agora vai comparecer diante do Juiz com a alma cheia de pecados?

Católico, a vida é breve, passa como um sopro, por isso, acorde enquanto é tempo, não desperdice mais o tempo com o lixo do mundo, porque Deus pedirá conta de todo o tempo perdido.

Lembre-se de que tudo passa, tudo acaba, tudo morre. As árvores, os animais, o homem, tudo vem a ter fim, tudo se resolve em pó e cinza.

Passaram os grandes homens que assombraram o mundo com o seu poder, ciência e virtude!

Passaram os grandes santos, luminares da igreja. Passaram as idades mais florescentes.

Tudo passou e tudo está passando, e, com tudo que passa, vai passando a nossa vida; pouco a pouco os dias vão declinando como o sol poente!

Esta é que é a verdade! Isto se há de dar um dia com cada um de nós. Passarei eu, passareis vós todos. Passaremos nós e todos aqueles que, depois de nós, vierem povoar o mundo; e finalmente, há de passar o céu a terra.

Tudo passa, tudo acaba, tudo morre, porque tudo é passageiro, transitório e vão, porque tudo é vaidade!

Passa a riqueza, o luxo, a magnificência, porque tudo é vaidade! Passa a glória, a fama, à honra, porque tudo é vaidade! Passam as coroas, os cetros, os tronos, porque tudo é vaidade!

Prezado católico, tudo passa, e para onde? Para o nada, donde veio!

Só Deus não passa! Ele é o Rei dos séculos. O seu trono não vacila com as mudanças e abalos do mundo. O seu reino não terá fim.

Não passam também os nossas obras, boas e más, todas se vão ajuntar na balança da divina justiça, como está na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios 5, 10: “Porquanto todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal”, e São Gregório Magno escreve: “Quando o juiz vier exigirá de cada um de nós tanto quanto nos deu”. São as nossas obras que vão decidir a nossa sorte eterna, como está no Salmo 62, 13: “… pois tu devolves a cada um conforme as suas obras”. Num dos pratos da balança se vão empilhando os pecados de cada dia; noutro se não aglomerando as virtudes e os atos meritórios. Onde o peso for maior, aí estará designada a eternidade merecida!… por isso, é preciso aproveitar o tempo para fazer o bem, porque a vida é breve, e o tempo que passa não volta mais.

Prezado católico, se tudo passa para a vida e nada passa para a conta que você deverá prestar a Deus de tudo o que fez, falou ou pensou; seja você mesmo a partir de agora o seu próprio acusador, como testemunha ocular de todos os vossos atos, como escreve São João Berchmans: “Para os outros sê como uma mãe, para ti, o próprio juiz”.

Diante a brevidade da vida, não perca mais o tempo com o lixo do mundo, lembre-se de que Deus te pedirá conta de cada segundo gasto com as coisas terrenas.

Que fazer então? É preciso desapegar-se de tudo o que é terreno e que não te pode fazer feliz na outra vida. Diz a todas as vaidades do mundo, o que disse São Luiz Gonzaga ao atravessar as salas luxuosas do pai: – Que vale tudo isso para eternidade? – É preciso ter todos os atrativos terrenos na mesma conta em que os tinha o jovem polonês Santo Estanislan Kotka, que, quando o seu irmão Paulo o convidava para os prazeres do mundo, dizia-lhe: – Não nasci para as coisas da terra, mas sim para as do céu.

Católico, se a vida é breve, então é preciso aproveitá-la; não como fazem os mundanos, que jogam o tempo fora com: novelas, bebedeiras, prostituição, carnaval, bailes, músicas imorais e noitadas; mas é preciso aproveitá-la dedicando-se em fazer o bem, isto é, em entesourar tesouros no céu.

Você que já perdeu tanto tempo com as coisas do mundo, já é hora de acordar, aproveita ainda o tempo que lhe resta.

Você sabe que o tempo não volta a passar segunda vez; então trabalhe fervorosamente na vida espiritual, para reparar o tempo que você perdeu no passado com a lama do mundo, porque, a vida continua passando, como escreve São Gregório Magno: “Os dias que transcorreram da nossa vida, servem para contar os passos com que nos acercamos do nosso fim. Quanto mais vivemos, tanto menor é o resto da vida que nos falta”, e na Carta de São Paulo aos Efésios 5, 15-16 diz: “Vede, pois, cuidadosamente como andais: não como tolos, mas como sábios, recuperando o tempo perdido”.

A vida é breve, e o tempo é um tesouro precioso, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “O tempo é um tesouro que só se acha nesta vida, mas não na outra, nem no céu, nem no inferno”. Prezado católico, os condenados gritam continuamente no inferno: Oh! Se tivéssemos uma hora! Se você não mudar de vida, com certeza fará parte desse coro no inferno logo após a sua morte.

Você sabe que o tempo é a duração de nossa vida, uns vivem dez anos, outros vinte anos, outros oitenta anos e outros cem anos, mas todos morrem um dia, ninguém ficará para semente; por isso, aproveite bem o tempo. O tempo é o preço com que se compra a eternidade feliz. O tempo é a ruína e a salvação de muitos. O tempo é um bem para aquele que o emprega no exercício da virtude, e um mal para quem o desperdiça no vício. O tempo é uma benção que dá ao homem o céu, ou uma maldição que o leva ao inferno. O tempo vale muito, como escreve São Afonso Maria de Ligório: “Nada há mais precioso que o tempo e não há coisa menos estimada nem mais desprezada pelos mundanos”.

Os santos choravam pelo tempo, porque não lhes bastava para praticarem as boas obras; eles desejavam que o dia tivesse cinqüenta horas, somente para fazerem o bem; enquanto que os mundanos não sabem o que fazer do tempo, porque não lhe conhecem o valor.

A vida é breve e o tempo passa como um sopro. O tempo passa e depois dele vem a eternidade! E o que no tempo você não fez, chorará amargamente para sempre, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “Os condenados… por todo o preço comprariam uma hora a fim de reparar sua ruína; porém, esta hora jamais lhes será dada”.

Qual é, pois, o melhor modo de empregar o tempo?

É conservar sempre a alma em estado de graça e amizade com Deus. Lembre-se de que você possui uma alma imortal. Desde o momento em que uma pessoa se separa de Deus pelo pecado mortal, o tempo começa a ser para a mesma um bem sem valor, porque neste estado ela não pode merecer um grau se quer de glória para o céu, mas está em grande risco de se perder para sempre!

Seja sábio! Reze muito e com devoção, e assim estará compensando de algum modo, o tempo que foi mal gasto no passado com as novelas imorais e portas de botecos.

Aproveita o tempo para evangelizar, para pregar a Palavra de Deus de casa em casa, agora que as forças ainda permitem; porque mais tarde, hás de querer aproveitá-lo e não poderás.

A vida é breve, a mesma não é uma viagem de prazeres e festas. Vamos a Deus como peregrinos, isto é, meditando, rezando e difundindo ao nosso redor o bom odor de Cristo Jesus que passou fazendo o bem aqui na terra.

Rezemos agora com fé e devoção a oração escrita por Santo Afonso Maria de Ligório: “Meu Deus, não quero perder o tempo que me haveis concedido por vossa misericórdia… Mereci estar já no inferno, gemendo sem esperança. Dou-vos, pois, fervorosas graças por me terdes conservado a vida. Desejo, nos dias que me restam, viver somente para vós. Se estivesse no inferno, choraria desesperado e sem fruto. Agora chorarei as ofensas que cometi contra vós e, chorando-as, estou certo de que me perdoarás… No inferno me seria impossível amar-vos; agora vos amo e espero amar-vos sempre. No inferno jamais poderia pedir a vossa graça, agora ouço que dizeis: Pedi e recebereis. Posto que ainda é tempo para vos pedir graças, duas são as que vos peço: Concedei-me, ó Deus, a perseverança no vosso santo serviço e dai-me o vosso amor, depois fazei de mim o que quiserdes.

Fazei que, em todos os instantes que me restam da vida, eu me recomende a vós, dizendo: “Ajudai-me, Senhor… Senhor, tende piedade de mim; fazei que não vos ofenda; fazei que vos ame”.

Virgem Santíssima, minha mãe, alcançai-me a graça de me recomendar sempre a Deus e pedir-lhe seu santo amor e a perseverança”.

Pe. Divino Lopes, FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/pregacoes/gravadas_cd/pregacoes_cd_01.htm

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Aproveitar bem o tempo

 

Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens...” (Gl 6, 10).

 

Caríssimas Irmãs, uma religiosa deve aproveitar bem o tempo para progredir na santidade.

O tempo é o maior tesouro da terra, porque com ele adquirimos o Céu, se for bem empregado. O tempo é uma graça para aquelas pessoas que o aproveitam para crescerem na santidade, mas é também uma desgraça para aquelas que o jogam fora, desperdiçando-o com as vaidades e loucuras do mundo.

O tempo bem empregado pode nos levar ao céu, sendo que mal empregado pode nos levar ao inferno, por isso que São Bernardo de Claraval diz: “O tempo vale o quanto vale Deus”.

Tempo breve, e tempo precioso. Cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia, cada ano que passa, a nossa vida fica mais breve, e esse tempo que passou nunca mais voltará, e sabemos muito bem que Deus é misericordioso, mas também é justo, e pedirá conta de cada segundo mal empregado: “Se na hora da conta te há de pesar de não teres empregado este tempo no serviço de Deus, porque o não ordenas e empregas agora como o quererias ter feito quando estiveres a morrer?” (São João da Cruz).

Esse tempo que Deus nos concede durante a nossa vida é muito precioso, com ele podemos conquistar a felicidade eterna (1°Tm 6, 12) ou a desgraça eterna, a decisão é nossa. Que prestação de conta terrível daremos a Deus na hora da nossa morte, principalmente aquele que o usou para o mal ou simplesmente o deixou passar em vão.

O tempo é realmente a maior mina de ouro, que bem explorada nos dará o Céu; quanta responsabilidade para nós católicos em relação ao uso do tempo. Que dirão a Deus aquelas pessoas que desperdiçam o tempo passando horas e horas diante da televisão, nas portas dos bares, nas portas das casas... Que julgamento terrível! Ai dessas pessoas. Será que fazemos parte desse grupo?

Façamos o bem agora, porque depois da morte ninguém mais poderá fazê-lo. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. Seja uma católica sábia, faça o bem enquanto é tempo: “Ajuntai para vós tesouros no céu...” (Mt 6, 20), não sejam estúpidas, jogando fora uma pérola tão preciosa que é o tempo: “O demônio, o mundo e a carne, quando queremos aproveitar o tempo e fazer alguma coisa para o céu, nos gritam: Deixa para amanhã, e assim nos ilude até a morte” (Mons. Ascânio Brandão).

Pe. Divino Lopes, FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/palestras/palestras.htm

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A BALANÇA DA JUSTIÇA

 

  Católico, lembre-se de que imediatamente após a morte sua alma imortal comparecerá diante do Tribunal de Deus: “E como é um fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento” (Hb 9, 27). Ali não haverá mentira e muito menos suborno... Não terá pai nem mãe, nem filho ou amigo, nem vizinho ou parente para te defender... Somente sua alma e Deus... Você está preparado para esse encontro com o Senhor que te criou e que sabe de cada ação e pensamento seu? “Deus, tu me sondas e conheces: conheces meu sentar e meu levantar, de longe penetras o meu pensamento; examinas meu andar e meu deitar, meus caminhos todos são familiares a ti” (Sl 139, 1-3).

  Agora você se gaba de ser incrédulo, rebelde, mundano, pecador obstinado e impenitente... De ser católico não praticante. Quanta loucura! Você está brincando com coisa séria... A sua “colheita” será amarga e triste: “Não vos iludais; de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá: quem semear na sua carne, da carne colherá corrupção” (Gl 6, 7-8). Lembre-se de que os “engraçadinhos e zombadores” não fugirão do Tribunal de Deus... Todos comparecerão diante do Senhor para prestar contas de seus atos... Também das “gracinhas e zombarias”: “Porquanto todos nós teremos de comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o mal” (2 Cor 5, 10). Você está tranquilo vivendo uma vida de pecado? Caso não a deixe e nela morrer, a sua tranquilidade se transformará em pesadelo e sofrimento eterno !!!

  Católico, acorda enquanto é tempo! Agora você foge da oração, da Santa Missa, da confissão, da leitura e escuta da palavra de Deus(a Bíblia), de praticar boas obras... E quando morrer? Para onde fugirá? Lembre-se que você não é semelhante a um cachorro, porco, cavalo ... Enfim, você não é semelhante a um animal bruto (irracional).   Você é um ser humano que, ao contrário de tais animais, tem além da sua carne, um espírito que após a sua morte física continuará vivendo no céu; se durante a sua vida procurou conhecer (através da leitura da bíblia, doutrina e exortações da igreja) a vontade de Deus e praticá-la,  ou no inferno, se fez o contrário.

  Lembre-se continuamente de que existe um julgamento após a morte ... Evita o mal, o pecado e suas ocasiões (eclesiástico 17. 21-23; 21, 1-4; Is 1, 15-17) ... Faça o bem enquanto é tempo, não demores em te converter ao Senhor  nem adies a tua conversão de dia em dia (Eclesiástico 5, 8), ao contrário, busque uma profunda e constante conversão, uma vida de santidade, sendo santo em toda vossa maneira de viver (1° Ts 4, 3-5. 7-8; Hb 12, 14; 1° Pd 1, 15). Pois haverá dois livros diante do Tribunal de Deus: o Evangelho e a consciência... Ninguém mentirá: “No Evangelho, ler-se-á o que o réu devia fazer; na consciência, o que fez. Na balança da divina justiça não se pesarão as riquezas, nem as dignidades e a nobreza das pessoas, mas somente suas obras (Mt 16, 27; Rm 2, 6; Apoc 22, 12 ...) porém, somente as boas obras, fruto de uma fé sincera (em Jesus Cristo) e praticada em estado de graça ( Tg 2, 14-17.24. 26; Apoc 3, 2; Gl 6, 9...)” podem influenciar positivamente na tua eterna salvação . As obras que pesarem mais vão decidir o teu eterno destino.

  Será como um relâmpago... Tudo muito rápido... Não haverá tempo para desculpas ou piadinhas: “Cada alma adquire naquele momento, inesperadamente iluminada pela imensa luz de Deus, a consciência nítida e clara de tudo o que fez de bom e de mal na vida. E como esse conhecimento procede de Deus, está livre de erro e de qualquer esquecimento; a sua evidência impõe-se por si” .

  Naquele dia perante o Juiz:  acusadora será a  tua própria consciência (Rm 2, 15-16), os pecados dirão a você: “Tu nos fizeste; somos tuas obras e não te abandonaremos”, as Chagas de Nosso Senhor te acusarão: “Os cravos se queixarão de ti; as cicatrizes contra ti falarão; a cruz clamará contra ti”. É preciso mudar de vida enquanto é tempo e reparar as ingratidões e infidelidades.

  Católico, você vive dando golpes e enganando a todos, de seus lábios só saem mentira e falsidade... Você se julga o maior espertalhão. Grande tolo! Quando comparecer diante do Tribunal de Deus tudo virá às claras... Suas gargalhadas e zombarias se transformarão em desespero: “Com luz na mão esquadrinharei Jerusalém” (Sf 1, 12), e: “A luz da lâmpada penetra todos os recantos da casa”, e também: “Até de cada olhar tens que dar conta”. Lembre-se espertalhão de que a sua hora chegará. Você será julgado sobre os pecados passados; sobre o bem que não fez e sobre o mal que praticou. Tudo há de ser submetido a um exame rigoroso.

  Os pecados que você cometeu às escondidas: Roubo, assassinato, adultério, traição, masturbação, prostituição, fraude, uso ou vendas de drogas ... ignorância, rebeldia e desobediência aos pais, ausência na Igreja, na missa ...Todos eles virão às claras no dia do Julgamento.Nada ficará encoberto ( Mt 10, 26) Muda de vida enquanto é tempo, porque será impossível voltar atrás: “Para cada um de nós há de chegar esse momento terrível em que compareceremos perante o dono da vinha para responder pelas obras que tivermos realizado na terra, boas ou más... Cada um há de sofrer o seu juízo particular ( Rm 14, 10; 2° Cor 5, 10) e será o momento mais silencioso e terrível que jamais tereis podido experimentar. Será o tremendo instante da expectativa, em que o vosso destino eterno estará na balança e estareis a ponto de ser enviados para a companhia dos santos ou para a dos demônios, sem que haja possibilidade de mudança. Não pode haver mudança; é impossível voltar atrás” .

  O Juiz é Deus, aquele que ninguém pode enganar, comprar ou subornar: “O Juiz é Deus. Ninguém tem dúvidas acerca deste ponto. Deve-se apenas esclarecer que o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o poder de julgar (Jo 5, 22), porque o Filho de Deus é também Filho do homem, e porque a fé em Cristo é a regra pela qual se realizará esse Juízo: Tanto amou Deus o mundo, que lhe deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3, 16). Quem crê em Cristo, Filho de Deus, e aceita os seus ensinamentos, esforçando-se por praticá-los durante a vida e lutando por ser fiel, não corre o risco de condenar-se. É uma delicadeza de Deus Pai dar-nos como Juiz o próprio Jesus, que é Homem e conhece a nossa fraqueza” .

  Católico, não brinque com a vida... Lembre-se de que a morte pode chegar a qualquer momento. Examine com rigor e sinceridade a sua consciência... Muda de comportamento... Saia das trevas enquanto é tempo... “folheie” pausadamente o livro de sua vida e o corrija agora enquanto o seu coração ainda está pulsando: “Meu amigo, pega em tuas mãos o livro da tua vida e folheia-o todos os dias, para que a sua leitura não te venha a surpreender no dia do juízo particular, nem te envergonhes da sua publicação no dia do juízo universal”, e: “Agora, enquanto te dedicas ao mal, chegas a considerar-te bom, porque não te dás ao trabalho de olhar-te. Repreendes os outros e não reparas em ti próprio. Acusas os outros e a ti não te examinas. Pões os outros diante dos teus olhos, e voltas às costas a ti mesmo. Pois quando chegar a minha vez de censurar-te, diz o Senhor, farei exatamente o contrário: virar-te-ei e por-te-ei diante de ti mesmo. E então tu te verás e chorarás” .

  Você vive de braços cruzados como se não existisse um julgamento após a morte... As suas mãos estão vazias porque você não pratica o bem... Você não faz frutificar os dons divinos. Deus deu tudo para você: a vida natural e a vida sobrenatural pelo Batismo, e tudo aquilo que elas implicam. O tempo de sua vida, as qualidades pessoais, as próprias coisas materiais e até o dinheiro de que necessita são dons de Deus... Cuidado! Deus cobrará tudo... Descruze os braços e trabalhe na vossa salvação com temor e tremor enquanto é tempo (Fil 2, 12) : “Àquele a quem muito se deu, muito será pedido, e a quem muito se houver confiado, mais será reclamado” (Lc 12, 48), e: “Quando o Juiz vier, exigirá de cada um de nós tanto quanto nos deu” .

  Não adie mais o tempo de conversão. Acorda agora... Muda de vida. Enquanto está vivo Deus tem misericórdia de você... Depois da morte a misericórdia desaparecerá... Somente a justiça permanecerá... Não brinque: “Irritado e implacável, então, se lhe apresentará esse Cordeiro divino, que foi no mundo tão paciente e amoroso, e a alma, sem esperança, clamará aos montes que caiam sobre ela e a ocultem à indignação de Deus, e: “O Juízo particular dá-se, para cada alma, imediatamente após a morte. Podemos muito bem esperar que, sendo infinita a misericórdia de Deus, Ele concede a sua graça até o último instante da vida humana, a fim de dar à alma a possibilidade de fazer um ato final de caridade e contrição. Mesmo um pecador que faça esse ato, nessa derradeira oportunidade, ainda poderá salvar-se, e o homem justo aumentará a sua esperança.

  Não se iluda, deixando e adiando para minutos antes da tua morte o teu arrependimento e conversão, pois se é certo que vai morrer, é incerto  o dia, onde e como vai ser a tua morte!!  Se a realidade nos mostra que milhares morrem inesperadamente e sem a possibilidade de dizer um ai ou pedir perdão, como podes garantir que em tão poucos minutos, porém, de tão grande angústia, dor, tribulação, aflição ... terá a possibilidade de ter um profundo arrependimento e uma sincera conversão ? Se milhares ficam inconsciente minutos antes da morte como podes garantir que tu não ficará ...? Visto que, certamente, não sabes nem o dia, onde e como vai morrer !!!

  Nunca esqueça que minutos depois da morte segue - se o juízo particular (hebreus 9, 27), tudo terminou; já não há arrependimento nem mérito: no momento da morte, a alma imobiliza-se no seu destino” , e também: “Antes do juízo podemos ainda aplacar o Juiz; mas durante o juízo, não”, e ainda: “Desejo, ó Juiz de minha alma, que me julgueis e castigueis nesta vida, porque ainda é tempo de misericórdia e de perdão. Depois da morte só será tempo de justiça” .

  Não demore em se aproximar de Deus com arrependimento e sincera confissão de seus pecados. Deus espera, mas nem sempre: “Se Deus espera com paciência, não espera sempre. Pois, se o Senhor sempre nos tolerasse ninguém se condenaria”. O seu coração ainda está pulsando... Você está respirando... Ainda há tempo de voltar para o Senhor que morreu na cruz para te salvar. Não volte para Ele por medo do inferno, mas sim, por ter ofendido a bondade infinita: “Se o pecador se deixar iluminar e se arrepender – não por medo dos castigos infernais, mas por ter ofendido a suma e eterna bondade – ainda será perdoado. Mas se ultrapassar o momento da morte nas trevas, no remorso, sem esperança no sangue ou, então, lamentando-se apenas pela infelicidade em que se acha – e não por ter me ofendido – irá para a perdição” (Santa catarina de sena).

  Você pergunta o que acontecerá na hora do Juízo com aquele católico que morrer em pecado mortal. Ele será lançado no inferno eterno para sempre: “Finalmente, o juiz pronunciará a sentença: ‘Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno!” , e: “Quão terrível ressoará aquele trovão” , e também: “Quem não treme à consideração dessa horrível sentença não está dormindo, mas morto”, e ainda: “Será tão grande o terror dos pecadores ao ouvir a sua condenação, que se não fossem já imortais morreriam de novo” . A partir desse momento o católico verá o Diabo para sempre no inferno: “Muito grande é esse tormento, porque o Diabo é visto no próprio ser” (Santa Catarina de Sena, O Diálogo).

  Muitos dizem que o inferno após a morte não existe, que o inferno é aqui ...

  Porem, das duas afirmações só uma é verdadeira : ou o inferno existe ou Jesus Cristo é mentiroso ! !  Chamar Jesus Cristo, que é a própria Verdade, o Caminho e a Vida ( joão 14, 6) ,  de  mentiroso é uma grande Blasfêmia influenciada pelo Diabo pai da mentira ( joão 8, 44 ), Concordar com a segunda afirmação é pedir à justiça divina a sua eterna condenação ! !

http://www.filhosdapaixao.org.br/escritos/colecoes/livros/a_balanca_da_justica.htm

Leia-o também em :

larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salva%C3%A7%C3%A3o-eterna/

 

 


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O inferno não existe? EB

Categoria: Perguntas e Respostas


Revista:“PERGUNTE E RESPONDEREMOS”

D. Estevão Bettencourt, Osb

Nº 432 – 1998, p. 212

Leonardo Boff nega a existência do Inferno.

Em síntese: Leonardo Boff declarou à revista Rio Artes nº 21, 1997, que o inferno não existe; o conceito respectivo terá sido elaborado por teólogos, que não levaram em conta a figura
feminina de Deus, que é misericordiosa. Em linguagem irreverente o autor escarnece a noção bíblica de inferno, que ele parece Ter esquecido, embora outrora mostrasse conhecer o conteúdo da Bíblia.  Na verdade, o inferno não é o que Dante e a imaginação popular concebem, mas é consequência de livre opção do homem,  o qual se condena a não amar a Deus, que sempre o amará.

O ex-frei Leonardo Boff  publicou na revista Rio Artes, nº 21, 1997, o
artigo “O Inferno não existe”, terá sido elaborado o conceito de inferno por
homens, à revelia da noção de Deus, que é misericordiosa.  Visto que o artigo fez alarde e deixou leitores perplexos, será feito um comentário à luz da fé Católica.

Os Dizeres do Autor. Eis palavras textuais de Leonardo Boff:

“O inferno é uma imagem religiosa, exigência da cultura do homem-varão”.
Mas que Deus é esse, que não tem poder sobre o mal?  Não é ele onipotente?  Existe a justiça, que condena os perversos.  É seu inferno.  Mas trata-se apenas de um drama maior.  Deus prepara outro ato, o da vitória adequada à sua natureza divina de amor e perdão (…).  Essa representação feminina maternal de Deus ultrapassa o inferno (…).

A misericórdia revela um aspecto essencial da natureza divina: o lado feminino de Deus.  Misericórdia significa, etimologicamente, possuir um coração que se compadece da miséria do outro, porque a sente profundamente como sua.  Em hebraico é
ainda mais forte, pois a palavra misericórdia significa ter entranhas como uma
mãe e possuir seios como uma mulher (…).

A existência do inferno é a eterna vergonha para Deus.  É como se
pudéssemos ver os diabos do inferno alegrando-se com uma vitória parcial sobre
Deus, mostrando a língua e o traseiro para Deus e fazendo-lhe trejeitos com as
mãos sobre o nariz”.

Não pode deixar de surpreender o leitor a linguagem usada por um autor que outrora escrevia num “teologuês” de fundo germânico.  Tem-se aqui uma linguagem de baixo calão, pouco digna da temática abordada e do leitor merecedor de respeito.

O autor levanta o problema da conciliação da existência do inferno com a misericórdia de Deus.  A abordagem deste problema requer noções claras de um e outro dos termos que compõem o binômio.  Faz-se mister, portanto, procurar elucidar os dois conceitos em pauta.

Inferno existe?  Que é?

Existe…

A existência do inferno é explicitamente afirmada nos escritos do Novo Testamento – o que afasta a hipótese de ter sido criada pela imaginação dos homens.

Com efeito,

Em Mt 25, 31-46 Jesus descreve o quadro do juízo final, em que é dito aos infiéis: “Afastai-vos de mim … para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos, porque tive fome e não me destes de comer …” (vv. 41s).
Sem dúvida, nesta passagem o Senhor recorre a linguagem particularmente
forte, que é preciso entender como tal. Como quer que seja, significa que há uma sanção condenatória para os que renegam a Deus.

Em Mt 13, 40-42  Jesus termina a parábola do joio e do trigo, dizendo: “Como se junta o joio e se queima no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles apanharão do seu Reino todos os escândalos e os praticam a iniquidade e os lançarão na fornalha ardente.  Ali haverá choro e ranger de dentes”.  É evidente neste texto o uso de metáforas (fornalha ardente, choro e ranger de dentes), mas não é menos evidente que o
Senhor se refere a uma sorte punitiva que tocará ao joio ou aos infiéis no além.

Seja mencionada ainda a passagem de Jo 5,28s:  “Não vos admireis com isto: vem a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão a voz do Filho do Homem e sairão; os que tiverem feito o bem para uma ressurreição de vida, e os que tiverem cometido o mal para uma ressurreição de julgamento”.  Ver ainda Ap 21, 8; 22,15.

É claro assim que a noção de duas sortes póstumas diferentes, correlativas ao tipo de vida de cada indivíduo, é bíblica, e não somente própria do Novo Testamento; já os judeus
anteriores a Cristo professavam a mesma concepção, como se depreende de Dn 12,2:

“Muitos dos que dormem no pó da terra, acordarão, uns para a vida eterna, e outros para o opróbrio, para o horror eterno”.

Consequentemente torna-se difícil explicar como alguém que conhece as Escrituras, possa dizer que a noção de inferno foi criada por teólogos.

É de notar, porém, que o grande obstáculo à aceitação do inferno, para muitas pessoas, são as imagens fantasiosas que a poesia e a fantasia popular criaram a respeito do
inferno.  Na verdade, para muitos o inferno é um tanque de enxofre fumegante com diabinhos e tridentes a torturar os condenados.  Ora tal imagem é falsa.  Os conceitos materiais e
grotescos têm que dar lugar a concepções mais puras e dignas de Deus.

Daí a pergunta:

Em que consiste o inferno?

Antes do mais, é preciso afastar a ideia de que Deus criou ou cria o inferno (…). Este não é um espaço dimensional nem é um lugar, mas sim um estado de alma… estado de alma no qual o próprio indivíduo se projeta quando rejeita radicalmente a Deus pelo pecado grave;
começa então o estado infernal, do qual o pecador se pode insensibilizar pelo
fato de não dar atenção ao seu íntimo ou à sua consciência, mas que saltará à
tona quando ele não mais puder escapar à voz da consciência.  Vê-se, pois, que não é Deus quem condena ao inferno; ao contrário, o Senhor Deus quer a salvação de todos os homens, como afirma São Paulo em 1Tm 2,4.  É a própria criatura que lavra a sua sentença ou que se condena quando diz um Não total a Deus, que é o Sumo Bem, o único Bem que o ser humano não pode perder.

Mais precisamente: o
inferno  é o vazio absoluto ou a suprema frustração.  É o não amar (…) não amar
nem a Deus nem ao próximo.  Todo homem foi feito para o Bem Infinito, como notava S. Agostinho (+ 430): “Senhor, Tu nos fizeste para Ti, e inquieto é o nosso coração enquanto não repousa em Ti”  (Confissões I 1).  Quem não repousa em Deus, inquieta-se e angustia-se, à semelhança da agulha magnética, que foi feita para o Norte, que a atrai; quando alguém a desvia do seu Norte, ela se agita e só para quando se lhe permite voltar-se para o Norte.

Consequentemente, vê-se que o inferno é mesmo algo de lógico, pois é a violência que o homem comete contra si mesmo.  Verdade é que ninguém pode definir quantas pessoas morrem avessas a Deus. Bem pode acontecer que na hora da morte muitos pecadores obstinados se convertam e recebam a graça da reconciliação com Deus, como se deu no caso o bom ladrão.  Afinal ninguém sabe quantos “bons ladrões” existiram e existirão através dos séculos.  Possivelmente um grande número (…) para surpresa de quem só considera a face aparente da história.

E a Misericórdia de Deus?

L. Boff apela para a misericórdia de Deus e julga que a existência do inferno seria motivo de
vergonha para Deus … O diabo zombaria do Senhor Deus pelo fato de haver seres humanos condenados ao inferno.

Deve-se responder que, sem dúvida, Deus é infinitamente misericordioso, mas não é “tiranicamente” misericordioso.  Com outras palavras:
Deus não impõe a sua misericórdia ou o seu perdão a quem não o pede ou não o
quer receber.  Deus não obriga o homem a amar a Deus.  Nisto consiste precisamente
a grandeza e a nobreza de Deus.  Ele não violenta nem força a criatura a se abrir para a misericórdia.  Ora na outra vida não há possibilidade de conversão.  A morte fixa o ser humano em sua última opção, de modo que após a morte ninguém pode mudar suas
atitudes.  Assim o inferno, em vez de ser motivo de vergonha para Deus, é o testemunho de que Deus respeita a sua criatura e não lhe tira a liberdade que lhe deu para dignificaria.

Pode-se ir mais longe, e dizer que o inferno é a consequência do amor irreversível de Deus. Tal amor se dá e não volta atrás; não pode voltar atrás precisamente porque é divino e não
pode contradizer a si mesmo (cf. 2Tm 2,13). Por isto Deus ama a criatura que não O ama e se afastou dele.  O fato de que Deus continua a amar, é que atormenta o réprobo; este percebe que se incompatibilizou com o Supremo Bem e o Sumo Amor.  Donde se segue que o inferno
é compatível com a Grandeza e a Santidade de Deus. 

 Uma imagem servirá para ilustrar de algum modo o que é o inferno:

 Observe-se o caso de um jovem que foge de casa para ir viver com seus colegas numa república de estudantes, porque “papai é cafona e mamãe é quadrada” (…). Pai e mãe que amam o filho se preocupam, e resolvem enviar recados, perguntando ao jovem como está (…) se precisa de alguma coisa (…) quando voltará (…) Estas interpelações do amor incomodam ou atormentam o filho; este se daria por mais tranquilo se pai e mão desistissem  de  amar seus filhos e de mostrar-lhe o seu amor.  Paralelamente Deus não pode deixar
de amar suas criaturas, mesmo quando elas se afastam do Pai celeste; a
consciência desse amor atormenta o pecador que se incompatibilizou com
Deus.  Se o Senhor retirasse ou cancelasse o seu amor, o réprobo não sofreria tanto, porque estaria totalmente voltado para seus ídolos, sem ser atraído pelo Bem Supremo.  Mas, como dito, Deus não se pode desdizer ou não poder dizer Não após ter dito Sim (aquele Sim proferido quando criou cada ser humano). Nisto está a nobreza de Deus, que é paradoxalmente motivo de tormento para quem não responde ao amor divino.
Em suma, é altamente consolador ser amado por Deus, mas também é assustador ser amado por Deus e não O amar.

Eis o que, em poucos parágrafos,
se pode responder a Leonardo Boff, a quem Deus queira conceder suas melhores
luzes e graças!

http://cleofas.com.br/o-inferno-nao-existe-eb/

Leia-o também em: www.larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-insentivam-uma-vida-de-santidade

 

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"VISTES O INFERNO"

(N. Sra de Fátimas aos pastorinhos)

 

"É bom pensar nos novíssimos todos os dias... porque este pensamento é eficacíssimo para nos fazer evitar o pecado."  S.Pio X, Catecismo Maior.

A bíblia já se referiu mais de 70 vezes que o inferno não está vazio. E encontramos no interior da Santa Igreja, do mais alto escalão da Hierarquia até os professores de teologia e leigos, pessoas que negam a existência do inferno; quando não falam que ele existe, dizem que está vazio. Essa é a falsa teologia modernista cheia de ambiguidade.

 

Giandomenico Mucci lembra que a expressão inferno vuoto (inferno vazio) foi atribuída ao teólogo suíço von Balthasar, no início da década de 80 do século passado. Balthasar parte da idéia de que “esperar a salvação eterna de todos os homens não é contrário à fé”.

 

Se o inferno está vazio onde estão os anjos decaidos os demonios?

 

Diz a Sagrada Escritura: « Quando o rei entrou para ver os convidados, viu um homem que não trazia o traje nupcial. E disse-lhe: "Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?" Mas ele emudeceu. O rei disse, então aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.» Mt 22,11-13; « É coisa terrível cair nas mãos do Deus vivo» Heb 10,31; « Então o Rei dirá também aos da esquerda: Apartai-vos de mim, malditos para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. E estes irão para o tormento eterno; mas os justos, para a vida eterna» Mt 25,41,46

 A SALVAÇÃO UNIVERSAL

 ( O suíço Cardeal Hans Urs von Balthasar.)

 

 Cristo não pode negar-se a si mesmo, portanto não pode negar a sua humanidade. Em Cristo todos estamos salvos, todos fomos unidos a sua natureza divina e todos fomos perdoados, resgatados do mundo do pecado. Essa salvação é universal, ela é para todos, sem distinção de raça, credo religioso, ou cultura. A Igreja nunca declarou ninguém condenado, nem Judas. Cf. edição portuguesa do volume “Inferno ou Paraíso. O que podemos esperar?”.

 

 

  Aliás, Frei Leonardo Boff ( Grande Filosofo dos modernista) escreveu este livro“Vida para além da morte” que: “Se eu pudesse, anunciaria essa novidade: o inferno é uma invenção dos padres para manter o povo sujeito a eles. É um instrumento de terror excogitado pelas religiões para garantirem seus privilégios e suas situações de força. ...O inferno é o endurecimento de uma pessoa no mal. É portanto um estado do homem e não um lugar para o qual o pecador é lançado onde há fogo, diabinhos com enormes garfos a assar os condenados sobre grelhas. (Leonardo Boff, Vida para Além da Morte. Vozes, 1985)

 

No inicio do séc. II, S. Inácio da Antioquia (110 DC) afirma:« Todo aquele que pela sua péssima doutrina, corromper a fé de Deus pela qual foi crucificado Jesus Cristo, irá ao fogo inextinguível, ele e aqueles que o escutam» (Eph 16,2).

 

A Doutrina Tradicional ensina:

 

  Quem concluiu a doutrina do inferno foi o Papa Bento XII na constituição Benedictus Deus em 1336 (DS 1000). Por esta constituição, que permanecerá perpetuamente em vigência, Nós, com apostólica autoridade, definimos:

 

 

  Que, conforme a disposição geral de Deus, as almas de todos os santos que partiram deste mundo antes da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim como as dos santos apóstolos, mártires, confessores, virgens e dos outros fiéis que morreram após o recebimento do santo batismo de Cristo – dado que não tinham necessidade de serem purificadas ao morreram, ou não há de ser quando no futuro morrerem, ou se, então, nelas tiver havido algo a purificar e tiverem sido purificadas após a morte – e as almas das crianças renascidas pelo mesmo batismo de Cristo e das que serão quando forem batizadas, e morreram antes do uso do livre-arbítrio, logo depois de sua morte e da purificação mencionada aos que precisavam de tal purificação, mesmo antes de reassumir os seus corpos e antes do juízo universal, após a ascensão ao céu de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, estiveram, estão e estarão no céu, no reino dos céus e no paraíso celeste, com Cristo, junto da companhia dos santos Anjos.

 

 

  E que depois da paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo viram e veem a essência divina com uma visão intuitiva e até face a face – sem a mediação de qualquer criatura como objeto de visão, mas a essência divina se revela a eles de forma imediata, desnuda, clara e manifesta –; e que aqueles que vêem assim, gozam plenamente da mesma essência divina, e, dessa forma, por essa visão e fruição, as almas daqueles que já morreram são verdadeiramente bem-aventuradas e possuem a vida e o descanço eterno, como também as dos que mais tarde hão de morrer verão a essência divina e gozarão dela antes do juízo universal; e que esta visão da essência divina a sua fruição fazem cessar nessas almas os atos de fé e de esperança, uma vez que a fé e a esperança são propriamente virtudes teologais; e, depois que esta visão intuitiva face a face e esta fruição teve e tiver nelas início, esta visão e fruição – sem qualquer interrupção ou privação desta visão e fruição –, permanecem ininterruptos e hão de assim continuar até o juízo final e, a partir dele, por toda a eternidade.

 


 Definimos também que, de acordo com a geral disposição de Deus, as almas daqueles que morrem em pecado mortal atual, logo depois de sua morte descem ao inferno, onde com as penas infernais são atormentadas, e que, todavia, no dia do juízo, todos os homens hão de comparecer “diante do tribunal de Cristo” com os seus corpos para prestar contas de suas ações, “para que cada um receba o que lhe toca segundo o que fez quando estava no corpo, seja de bem ou de mal” (II Cor. 5, 10).

A Escritura sagrada claramente atesta a existência de um lugar de condenação eterna chamado inferno ou às vezes referido a como Geena. Os exemplos são os seguintes: Jesus disse que o homem que desprezar seu irmão “incorrerá no fogo da Geena” (Mt 5,22). O Senhor advertiu: “não temam os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, temam quem pode destruir tanto corpo como alma na Geena” (Mt 10,28). E Jesus prosseguiu: “Se tua mão te faz cair, corta-a. Melhor você entrar na vida com uma só mão que manter ambas as mãos e ir para a Geena com seu fogo inextinguível” (Mc 9, 43). 

 

    Em 543 no Concílio de Constantinopla, essa teoria da SALVAÇÃO UNIVERSAL foi condenada pela Igreja, e se afirmou o seguinte: 

 

“Se alguém afirmar ou crer que o sofrimento e o castigo dos demônios e dos ímpios estão limitados no tempo e que algum dia terão fim e que haverá também reconciliação universal com os demônios e com os ímpios, que este seja condenado (DS 411)” (14)

 

  “Da existência do inferno falaram já a Profissão de fé de Damaso e a de Atanásio (DS 72,76)”. 

 

 O capítulo do Concílio de Latrão (1215) declarou: «Aqueles [os réprobos] receberão com o Diabo o suplício eterno» Dz 429; cf Dz 40, 835, 840.

 

“O Concílio de Lião (DS 858) e o de Florença (DS 1351), afirmaram a existência do inferno (Cf também o Concílio de Trento – DS 1575)” (16)

 O CIC (Catecismo da Igreja Católica) ensina: O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno... As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja acerca do inferno constituem um apelo insistente à conversão... (parágrafos 1034-1037).

 

Nota: O Papa Leão XIII, durante a celebração de uma missa particular, teve uma visão segundo a qual soube que o Demônio pediu permissão para submeter a Igreja a um período de provações. Deus concedeu-lhe permissão para provar a Igreja por um século (este século). Assim que o Demônio se afastou, Deus chamou Nossa Senhora e São Miguel Arcanjo e lhes disse: Dou-vos, agora, a incumbência de contrabalançar a obra nefasta do Demônio.

 

O Papa a seguir compôs a oração a São Miguel Arcanjo, ordenando depois que fosse rezada de joelhos, no fim de cada Santa Missa.

Oração a São Miguel Arcanjo

 

São Miguel Arcanjo,

Protegei-nos no combate,

Defendei-nos com o vosso escudo

Contra as armadilhas

e ciladas do demônio.

Deus o submeta,

Instantemente o pedimos;

E vós, Príncipe da milícia celeste,

Pelo divino poder,

Precipitai no inferno a Satanás

E aos outros espíritos malignos

Que andam pelo mundo

Procurando perder as almas.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

 

    http://escravasdemaria.blogspot.com.br/2013/05/novissimos.html

 

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TRATADO DA CASTIDADE

Bem-aventurados os puros.

(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO)

§ I. EXCELÊNCIA DA CASTIDADE

Ninguém melhor que o Espírito Santo saberá apreciar o valor da castidade. Ora, Ele diz: "Tudo o que se estima não pode ser comparado com uma alma continente" (Ecli 26, 20), isto é, todas as riquezas da terra, todas as honras, todas as dignidades, não lhe são comparáveis. Santo Efrém chama a castidade de "a vida do espírito"; São Pedro Damião, "a rainha das virtudes"; e São Cipriano diz que, por meio dela, se alcançam os triunfos mais esplêndidos. Quem supera o vício contrário à castidade, facilmente triunfará de todos os mais; quem, pelo contrário, se deixa dominar pela impureza, facilmente cairá em muitos outro vícios e far-se-á réu de ódio, injustiça, sacrilégio, etc.

A castidade faz do homem um anjo. "Ó castidade, exclama Santo Efrém (De cast.), tu fazes o homem semelhante aos anjos". Essa comparação é muito acertada, pois os anjos vivem isentos de todos os deleites carnais; eles são puros por natureza; as almas castas, por virtude. "Pelo mérito desta virtude, diz Cassiano (De Coen. Int., 1. 6, c. 6), assemelham-se os homens aos anjos"; e São Bernardo (De mor. et off., ep., c. 3): "O homem casto difere do anjo não em razão da virtude, mas da bem-aventurança; se a castidade do anjo é mais ditosa, a do homem é mais intrépida". "A castidade torna o homem semelhante ao próprio Deus, que é um puro espírito", afirma São Basílio (De ver. virg.).

O Verbo Eterno, vindo a este mundo, escolheu para Sua Mãe uma Virgem, para pai adotivo um virgem, para precursor um virgem, e a São João Evangelista amou com predileção porque era virgem, e, por isso, confiou-lhe Sua santa Mãe, da mesma forma como entrega ao sacerdote, por causa de sua castidade, a santa Igreja e Sua própria Pessoa.

Com toda a razão, pois, exclama o grande doutor da Igreja, Santo Atanásio (De virg.):'Ó santa pureza, és o templo do Espírito Santo, a vida dos Anjos e a coroa dos Santos!".

Grande, portanto, é a excelência da castidade; mas também terrível é a guerra que a carne nos declara para no-la roubar. Nossa carne é a arma mais poderosa que possui o demônio para nos escravizar; é, por isso, coisa muito rara sair-se ileso ou mesmo vencedor deste combate. Santo Agostinho diz (Serm. 293): "O combate pela castidade é o mais renhido de todos: ele repete-se cotidianamente, e a vitória é rara". "Quantos infelizes que passaram anos na solidão, exclama São Lourenço Justiniano, em orações, jejuns e mortificações, não se deixaram levar, finalmente, pela concupiscência da carne, abandonaram a vida devota da solidão e perderam, com a castidade, o próprio Deus!"

Por isso, todos os que desejam conservar a virtude da castidade devem ter suma cautela: "É impossível que te conserves casto, diz São Carlos Borromeu, se não vigiares continuamente sobre ti mesmo, pois negligência traz consigo mui facilmente a perda da castidade".

§ II. DA VIGILÂNCIA SOBRE OS PENSAMENTOS

1) A respeito dos maus pensamentos encontra-se, muitas vezes, um duplo engano:

a) Almas que temem a Deus e não possuem o dom do discernimento e são inclinadas aos escrúpulos, pensam que todo mau pensamento que lhes sobrevêm é já um pecado. Elas estão enganadas, porque os maus pensamentos em si não são pecados, mas só e unicamente o consentimento neles. A malícia do pecado mortal consiste toda e só na má vontade, que se entrega ao pecado com claro conhecimento de sua maldade e plena deliberação de sua parte. E, por isto, Santo Agostinho ensina que não pode haver pecado onde falta o consentimento da vontade.

Por mais que sejamos atormentados pelas tentações, pela rebelião de nossos sentidos, pelas comoções ou sensações desregradas de nossa natureza corpórea, não existe pecado algum enquanto faltar o consentimento, como ensina também São Bernardo, dizendo: "O sentimento não causa dano algum, contanto que não sobrevenha o consentimento".

Para consolar tais almas timoratas e escrupulosas, quero oferecer-lhes aqui uma regra prática, aceita por quase todos os teólogos: Quando uma alma que teme a Deus e detesta o pecado, duvida se consentiu ou não em um mau pensamento, não está obrigada a confessar-se disso, porque, em tal caso, se tivesse realmente cometido um pecado mortal, não estaria em dúvida a esse respeito, porque o pecado mortal, para uma alma que teme a Deus, é um monstro tão horrendo, que não poderá ter entrada em seu coração sem o perceber.

b) Outros, que possuem uma consciência mais relaxada e são mal instruídos, julgam, pelo contrário, que os maus pensamentos nunca são pecados, mesmo havendo consentimento neles, contanto que não se chegue a praticar. Este erro é muito mais pernicioso que o primeiro. O que se não pode fazer, não se pode também desejar; por isso, o mau pensamento em si contêm toda a malícia do ato. Assim como as más obras nos separam de Deus, também os maus pensamentos nos afastam d'Ele e nos privam de Sua graça. "Pensamentos perversos nos separam de Deus" (Sab 1, 3). Como as más obras estão patentes aos olhos de Deus, também Sua vista alcança todos os nossos maus pensamentos para condená-los e puni-los, pois "um Deus de ciência é o Senhor, e diante d'Ele estão patentes todos os pensamentos" (I Rs 2, 3).

2) Logo, nem todos os maus pensamentos são pecados, e nem todos os que são pecados trazem em si o mesmo cunho de malícia. Devemos considerar três coisas quando se trata de um pecado de pensamento, a saber: a sugestão, a deliberação e o consentimento. Alguns esclarecimentos a esse respeito:

a) Sob a palavra sugestão entende-se o primeiro pensamento que nos incita a praticar o mal que nos vem à mente. Esta instigação ou incitamento ainda não é pecado; se a vontade a repele imediatamente, é mesmo uma fonte de merecimentos. "Para cada tentação a que opuseres resistência, se te deverá uma coroa", diz Santo Antão. Até os Santos foram perseguidos por tais pensamentos. São Bento revolveu-se sobre os espinhos para vencer uma tentação impura, e São Pedro de Alcântara lançou-se em poço de água gelada. São Paulo nos informa que também ele foi tentado contra a pureza: "E para que a grandeza das revelações não me ensoberbesse, foi-me dado um espinho em minha carne, um anjo de satanás para me esbofetear" (2 Cor 12, 7). O Apóstolo suplicou várias vezes ao Senhor que o livrasse desse inimigo: "Por essa causa roguei ao Senhor três vezes que o afastasse de mim". O Senhor não quis, porém, dispensá-lo do combate, e respondeu-lhe: "Basta-te a minha graça". E por que não queria o Senhor livrá-lo? Para que adquirisse maiores méritos por sua resistência à tentação: "Porque a virtude se aperfeiçoa na fraqueza". São Francisco de Sales diz que quando um ladrão procura arrombar uma porta, é porque não está ainda dentro da casa; assim também, quando o demônio tenta uma alma, é porque se acha ela ainda na graça de Deus.

Santa Catarina de Sena foi uma vez horrivelmente atormentada pelo demônio, durante três dias, com fortes tentações impuras. Apareceu-lhe então o Senhor para consolá-la, e ela perguntou-lhe: -Mas onde estivestes, Senhor meu, durante estes três dias? Jesus respondeu-lhe: Dentro do teu coração, dando-te força para resistires à tentação. E o Senhor deu-lhe a conhecer que o seu coração estava, depois da tentação, mais puro que antes.

b) À sugestão segue-se a deleitação. Quando nos damos ao trabalho de repelir imediatamente a tentação, sentimos nela uma certa complacência ou prazer, que nos vai arrastando ao consentimento. Mesmo então, se a vontade não dá seu assentimento, não há pecado mortal; quando muito, poderá haver pecado venial. Se, porém, não recorrermos então a Deus e não nos esforçarmos por resistir à tentação, facilmente nos sentiremos arrastados ao consentimento e perdidos, segundo as palavras de Santo Anselmo (De similit., c. 40): "Se não procuramos impedir a deleitação, ela se transformará em consentimento e matará a alma".

Uma senhora, que tinha fama de santa, teve, um dia, um mau pensamento, que não repeliu imediatamente, e pecou por pensamento. Por vergonha deixou de confessar esse pensamento criminoso e morreu, pouco depois, em estado de pecado. Porque morreu com fama de santidade, mandou o bispo que fosse sepultada em sua própria capela. No dia seguinte, porém, apareceu-lhe ela, toda circundada de fogo, e confessou­lhe, infelizmente já tarde demais, que estava condenada por ter consentido num mau pensamento.

c) Toda a malícia do mau pensamento está, porém, no consentimento. Havendo pleno consentimento, perde-se a graça de Deus e chama-se sobre si a condenação eterna, quer se tenha o desejo de cometer um pecado determinado, quer se pense ou reflita com prazer no pecado como se o estivesse cometendo. Esta última espécie de pecado chama-se uma deleitação deliberada ou morosa, e deve-se distinguir bem da primeira, isto é, do pecado de desejo. 

3) Se fores, pois, molestada por tais tentações, alma cristã, não deves perder a coragem, antes, animosamente combater, empregando os meios que te vou indicar, e não sucumbirás:

a) O primeiro é humilhar-se continuamente diante de Deus. O Senhor castiga muitas vezes os espíritos soberbos, permitindo que caiam em qualquer pecado impuro. Sê, pois, humilde, e não confies em tuas próprias forças. Davi confessa que caiu no pecado por não ter se humilhado e ter confiado demais em si mesmo: "Antes de me haver humilhado, eu pequei" (Sl 118, 67). Devemos temer sempre a nossa própria fraqueza e colocar em Deus toda a nossa confiança, esperando firmemente que nos preserve desse vício.

b) O segundo meio é recorrer imediatamente a Deus, sem entrar em diálogo com a tentação. Logo que se apresentar ao nosso espírito um pensamento impuro, devemos elevar a Deus imediatamente o nosso pensamento ou dirigi-lo a qualquer objeto indiferente. A coisa melhor será invocar imediatamente os Santíssimos Nomes de Jesus e Maria, e não cessar de repeti-los até desaparecer a tentação. Se ela for muito forte, será bom repetir muitas vezes o seguinte propósito: Ó meu Deus, prefiro morrer a Vos ofender. Peça-se socorro, dizendo: Ó meu Jesus, socorrei-me. Maria, assisti-me. Os Nomes de Jesus, Maria e José possuem uma força especial para afugentar as tentações do demônio.

c) O terceiro meio é a recepção assídua dos Santos Sacramentos da Confissão e da Comunhão. É de suma importância revelar quanto antes ao confessor as tentações impuras. "Uma tentação revelada já está meio vencida", diz São Filipe Néri. E se alguém teve a infelicidade de consentir em uma tentação, não se demore nenhum instante em se confessar disso. São Filipe Néri livrou um rapaz desse vício, induzindo-o a confessar-se logo depois de cada queda.

A Santa Comunhão, está fora de dúvida, confere uma grande força na resistência às tentações desonestas. O Sangue de Jesus Cristo, que recebemos na Sagrada Comunhão, é chamado pelos Santos de 'Vinho gerador de Virgens' (Zac 9, 17). O vinho natural é um perigo para a castidade; este Vinho Celestial é o seu conservador.

d) O quarto meio é a devoção à Imaculada Mãe de Deus, que é chamada a Virgem das Virgens. Quantos jovens não se conservaram puros e castos como Anjos, devido à devoção à Santíssima Virgem!

e) O quinto meio é a fuga da ociosidade. O Espírito Santo diz (Ecli 33, 21): "A ociosidade ensina muita coisa má", isto é, ensina a cometer muitos pecados. E o profeta Ezequiel (Ez 16, 49), assevera que foi a ociosidade a causa das abominações e ruína final dos habitantes de Sodoma. Conforme São Bernardo, a ociosidade motivou a queda de Salomão. Por isso São Jerônimo exorta a Rústico (Ep. ad Rust., 2) que esteja sempre ocupado, para que o demônio não o preocupe com suas tentações. "Quem trabalha é tentado por um demônio só; quem vive ocioso, é atacado por uma multidão deles", diz São Boaventura.

f) O sexto meio consiste no emprego de todas as precauções exigidas pela prudência, tais como a modéstia dos olhos, a vigilância sobre as inclinações do coração, a fugida das ocasiões perigosas, etc.

§ III. DA MODÉSTIA DOS OLHOS

Quase todas as paixões que se revoltam contra nosso espírito têm sua origem na liberdade desenfreada dos olhos, pois os olhares livres são os que despertam em nós, de ordinário, as inclinações desregradas. "Fiz um contrato com meus olhos de não cogitar sequer em uma virgem", diz Jó (Job 31, 1). Mas, por que diz ele de não pensar sequer em uma virgem? Não parece que deveria dizer: Fiz um contrato com meus olhos de não olhar sequer? Não, ele tem toda a razão de falar assim, porque o pensamento está intimamente ligado ao olhar, não se podendo separar um do outro, e, para não ter maus pensamentos, propôs-se esse santo homem nunca olhar para uma virgem.

Santo Agostinho diz: "Do olhar nasce o pensamento, e do pensamento a concupiscência". Se Eva não tivesse olhado para o fruto proibido, não teria pecado; ela, porém, achou gosto em contemplá-lo, parecendo-lhe bom e belo; apanhou-o então, e fez-se culpada da desobediência.

Aqui vemos como o demônio nos tenta primeiramente a olhar, depois a desejar e, finalmente, a consentir. Por isso nos assegura São Jerônimo que o demônio só necessita de nosso começo: dá-se por satisfeito se lhe abrimos a metade da porta, pois ele saberá conquistar a outra metade. Um olhar voluntário, lançado a uma pessoa do outro sexo, acende uma faísca infernal que precipita a alma na perdição. "As primeiras setas que ferem as almas castas, diz São Bernardo (De mod. ben. viv., serm. 23), e não raro as matam, entram pelos olhos". Por causa dos olhos caiu Davi, esse homem segundo o coração de Deus. Por causa dos olhos caiu Salomão, esse instrumento do Espírito Santo. Por causa dos olhos, quantas almas não se perderam eternamente?

Vigie, pois, cada um sobre seus olhos, se não quiser chorar uma vez com Jeremias: "Meus olhos me roubaram a vida" (Jer 3, 51); as afeições criminosas que penetraram em meu coração por causa dos meus olhares, lhe deram a morte. São Gregório diz (Mor. 1, 21, c. 2): "Se não reprimires os olhos, tornar-se-ão ganchos do inferno, que a força nos arrastarão e nos obrigarão, por assim dizer, a pecar contra a nossa vontade". "Quem contempla objeto perigoso, acrescenta o Santo, começa a querer o que antes não queria". É também o que diz a Sagrada Escritura (Jdt 16, 11), quando diz que a bela Judite escravizou a alma de Holofernes, apenas este a contemplou.

Sêneca diz que a cegueira é mui útil para a conservação da inocência. Seguindo esta máxima, um filósofo pagão arrancou-se os olhos para quardar a castidade, como nos refere Tertuliano. Isso, porém, não é lícito a nós, cristãos; se queremos conservar a castidade, devemos, contudo, fazer-nos cegos por virtude, abstendo-nos de olhar o que possa despertar em nós os maus pensamentos. "Não contemples a beleza alheia; disso origina-se a concupiscência, que queima como o fogo" (Ecli 9, 8). À vista seguem-se as imaginações pecaminosas, que acendem o fogo impuro.

São Francisco de Sales dizia: "Quem não quiser que o inimigo penetre na fortaleza, deve conservar as portas fechadas". Por essa razão foram os Santos tão cautelosos em seus olhares. Por temor de enxergarem inesperadamente qualquer objeto perigoso, conservavam os olhos quase sempre baixos, e se abstinham de olhar coisas inteiramente inocentes. São Bernardo, depois de um ano inteiro no noviciado, não sabia ainda se o teto de sua cela era plano ou abobadado. Na igreja do convento havia três janelas e ele não o sabia, porque conservara os olhos baixos. Evitavam os Santos, com cautela maior ainda, pôr os olhos em pessoa de outro sexo. São Hugo, bispo, nunca olhava para o rosto das mulheres com quem tinha de conversar. Santa Clara nunca olhava para a face de um homem. Aconteceu uma vez que, levantando os olhos para a Hóstia Sagrada, durante a Elevação, viu o rosto do sacerdote, com o que ficou profundamente aflita.

Julgue-se agora quão grande é a imprudência e temeridade dos que, não possuindo a virtude dum desses Santos, ousam passear suas vistas em todas as pessoas, não exceptuando as de outro sexo, e querendo ainda ficar livre de tentações e do perigo de pecar. São Gregório diz (Dial. 1.2, c. 2) que as tentações que levaram São Bento a revolver-se sobre espinhos, provieram de um olhar imprudente sobre uma senhora. São Jerônimo, achando-se na gruta de Belém, onde continuamente orava e macerava seu corpo com as mais atrozes penitências, foi por longo tempo atormentado pela lembrança das damas que vira tempos antes em Roma. Como, pois, poderemos ficar preservados de tentações, quando nos expomos ao perigo, olhando e até fitando complacentemente pessoas de outro sexo?

O que nos prejudica não é tanto o olhar casual como o premeditado, o mirar. Razão porque Santo Agostinho diz (Reg. ad Serv. Dei, n. 6): "Se vossos olhos casualmente caírem sobre uma pessoa, cuja vista vos pode ser prejudicial, guardai-vos, ao menos, de fitá-la". E São Gregório diz: "Não é lícito contemplar ou extasiar-se com a vista daquilo que não é lícito desejar, pois, ainda que expulsemos os maus pensamentos que costumam seguir o olhar voluntário, deixam sempre uma mancha na alma". Tendo-se perguntado ao irmão Rogério, franciscano, dotado de uma pureza angélica, por que se mostrava tão reservado em seus olhares, quando trata va com mulheres, respondeu: "Se o homem foge à ocasião, Deus o protege; se se expõe a ela, Nosso Senhor o abandona e facilmente cairá no pecado".

Suposto mesmo que a liberdade que se concede aos olhos não produzisse outros males, impediria sempre o recolhimento da alma durante a oração; pois tudo o que vimos e nos impressionou, apresenta-se aos olhos de nossa alma e nos causa uma imensidade de distrações. Quem já tem recolhimento de espírito durante a oração, tome muito cuidado para não se ver privado dessa graça dando liberdade a seus olhos.

Está fora de dúvida que um cristão que vive sem recolhimento de espírito não pode praticar as virtudes cristãs da humildade, da paciência, da mortificação, como deveria. Guardemo-nos, por isso, de olhares curiosos, e só olhemos para objetos que elevam para Deus o nosso espírito. "Olhos baixos elevam o coração para o Céu", dizia São Bernardo. São Gregório Nazianzeno (Ep. ad Diocl.) escreve: "Onde habita Cristo com Seu amor, reina aí a modéstia". Com isso não quero, porém, dizer que nunca se deva levantar os olhos ou considerar coisa alguma; pelo contrário, é até bom, às vezes, olhar coisas que elevam nosso coração para Deus, como santas imagens, prados floridos, etc, já que a beleza dessa criatura nos atrai à contemplação do Criador.

Deve-se notar também que a modéstia dos olhos é necessária não só para nosso próprio bem, como para a edificação do próximo. Só Deus vê o nosso coração; os homens vêem apenas nossas obras externas e, ou se edificam, ou se escandalizam com elas. "Pelo rosto se conhece o homem", diz a Escritura (Ecli 19, 26), isto é, pelo exterior se depreende o que é o homem interiormente. Todo cristão, por isso, deve ser o que era São João Batista, conforme as palavras do Salvador (Jo 5, 35): "Uma lâmpada que arde e ilumina".

Interiormente deve arder em amor divino; exteriormente, alumiar, pela modéstia, a todos os que o vêem. Também a nós se podem aplicar as palavras que São Paulo dirigiu a seus discípulos (I Cor 4, 9): "Somos o espetáculo dos anjos e dos homens". "A vossa modéstia seja conhecida de todos os homens" (Filip 4, 5).

Pessoas devotas são observadas pelos anjos e pelos homens, e, por isso, sua modéstia deve ser notória a todos, do contrário, deverão dar rigorosas contas a Deus no dia do Juízo. Observando a modéstia, edificamos sumamente os outros e os estimulamos à prática da virtude.

É celebre o que se conta de São Francisco de Assis: Uma vez deixou ele o convento junto a uma companheiro, dizendo que ia pregar; tendo dado uma volta pela cidade com os olhos baixos, entrou novamente no convento. 'Mas quando farás o sermão?', perguntou-lhe o companheiro. 'Já o fiz, respondeu-lhe o Santo, consistiu todo no resguardo dos olhos, do que demos exemplo ao povo'.

Santo Ambrósio diz que a modéstia das pessoas virtuosas é uma exortação mui poderosa ao coração dos mundanos. "Quão belo não seria se bastasse te apresentares em público para fazeres bem aos outros!" (In ps. 118, s. 10). De São Bernardino de Sena se conta que, mesmo antes de entrar para o convento, bastava só a sua presença para pôr fim às conversas livres de seus companheiros; mal o avistavam, diziam uns para os outros: Silêncio, Bernardino vem vindo; e então calavam-se ou começavam a falar de outras coisas. Santo Efrém, segundo o testemunho de São Gregório de Nissa, era tão modesto, que já a sua vista estimulava à devoção, e não se podia vê-lo sem se sentir levado a se tornar melhor. Mais admirável ainda é o que nos refere Suvio, do santo sacerdote e mártir Luciano: só por sua modéstia moveu muitos pagãos a abraçarem a santa Fé. O imperador Mazimiano, que fora disso informado, temendo sentir a sua influência e ser obrigado a converter-se, citou-o à sua presença, mas não quis vê-lo, e sujeitou-o ao interrogatório ocultando-o a suas vistas por uma cortina estendida entre os dois.

Nosso ideal mais perfeito de modéstia foi, porém, o nosso Divino Salvador mesmo, pois, como nota um célebre autor, os Evangelistas dizem, várias vezes, que o Redentor levantou os olhos em certas ocasiões, dando a entender, com isso, que tinha ordinariamente os olhos baixos. Por isso exalta o Apóstolo a modéstia de seu Divino Mestre, escrevendo a seus discípulos: "Rogo-vos pela mansidão e modéstia de Cristo" (II Cor 10, 1).

Concluo com as palavras de São Basílio a seus monges: "Se quisermos que nossa alma tenha suas vistas sempre postas no Céu, filhos queridos, conservemos nossos olhos sempre voltados para a terra". De manhã, ao despertar, devemos já pedir, com o Profeta: "Afastai meus olhos, Senhor, para que não vejam a vaidade" (Sl 118, 37).

§ IV. DA GUARDA DO CORAÇÃO

A modéstia dos olhos pouco nos servirá se não vigiarmos sobre o nosso coração. "Aplica-te com todo o cuidado possível à guarda do teu coração, diz o Sábio (Prov 4, 27), porque é dele que procede a vida". É aqui o lugar apropiado para se dizer algumas palavras sobre as amizades e, primeiramente, sobre as santas, depois sobre as puramente naturais e, afinal, sobre as perigosas.

1) Descrevendo São Paulo a corrupção moral dos gentios, enumerava entre seus vícios a falta de sentimento e de susceptibilidade para a amizade. A amizade, segundo São Tomás, é mesmo uma virtude. A perfeição não proíbe se entretenham amizades, diz São Francisco de Sales; exige somente que sejam santas e edificantes, a saber, só devem ser mantidas aquelas uniões espirituais por meio das quais duas, três ou mais pessoas, comunicam entre si seus exercícios de devoção, seus desejos piedosos e sentimentos nobres, tornando-se como que um só coração e uma só alma para a glória de Deus e o bem espiritual próprio e alheio. Com toda a razão podem tais almas exclamar: "Vede quão bom e suave é habitarem os irmãos em união" (Sl 132, 1). São Francisco diz mais que, em tal caso, o suave bálsamo da caridade destila de coração em coração por meio dessas mútuas comunicações, e bem pode-se dizer que Deus lança Sua benção sobre tais amizades, por toda a eternidade (Fil., III, c. 19).

Tais amizades são recomendadas pela Escritura mesma, em termos eloqüentes: "Nada se pode comparar com o valor de um amigo fiel, e o valor do ouro e da prata não iguala a bondade de sua fidelidade" (Ecli 6, 16). "Um amigo fiel é um remédio para a vida e a mortalidade, e os que temem o Senhor encontram um tal" (Idem).

Mas como podeis aconselhar as amizades particulares, dirá alguém, quando elas são tão rigorosamente condenadas por todos os ascetas? Respondo: As amizades particulares são proibidas unicamente nos claustros e com toda a razão, pois é imperiosamente necessário que todos os religiosos se amem mutuamente com amor fraterno, para que haja uma vida comum claustral. Ora, num claustro, as amizades particulares podem facilmente ocasionar perturbações dessa mútua caridade, dando ocasião a invejas, suspeitas e outras misérias humanas. São Basílio não hesitou dizer que as amizades particulares em um convento são uma sementeira perpétua de invejas, de desconfianças e inimizades. O mesmo acontece nas famílias em que o pai ou a mãe tem mais carinhos para um filho que para os outros. Os filhos de Jacó odiavam seu irmão José, porque seu pai lhe dedicava um amor especial.

Não há, além disso, nenhum motivo de se alimentar tais amizades num estado religioso, pois, num convento, onde reinam a disciplina e a ordem, todos os membros tendem ao mesmo fim, à perfeição, e não é necessário travar amizades particulares para animar-se mutuamente ao serviço de Deus e ao trabalho do aperfeiçoamento próprio.

Os que, vivendo no mundo, desejam dedicar-se à prática da virtude verdadeira e sólida, precisam, pelo contrário, de se unir aos outros por uma amizade santa e edificante, para poderem, por meio dela, se animar, se auxiliar e se estimular ao bem. Há no mundo poucas pessoas que tendem à perfeição e muitas que não possuem o espírito de Deus e, por isso, é preciso que os bons, quanto possível, evitem os que podem impedir seu adiantamento espiritual e travem amizade com os que os podem auxiliar na prática do bem.

2) Quanto às amizades puramente naturais, deve-se dizer que elas têm seu fundamento na nossa natureza, que nos compele a amar nossos pais, nossos benfeitores e todos aqueles em quem vemos belas qualidades e com quem simpatizamos. Esta espécie de amizade é o laço da família e da sociedade, mas facilmente degenera em amizades falsas; por exemplo, se os pais, por um carinho demasiado, toleram as faltas de seus filhos, ou se um amigo ofende a Deus para agradar a seu amigo, etc. As amizades naturais só são agradáveis a Deus se as santificarmos por meio da boa intenção; por exemplo, amando a nossos pais e amigos por amor de Deus.

3) Por amizades perigosas entendem-se, em particular, as sensuais, isto é, aquelas que se baseiam sobre uma complacência sensual, sobre a fruição comum de prazeres dos sentidos, sobre certas qualidades fúteis e vãs de espírito e coração. Essas amizades são já por si perigosas, mesmo que, no começo, nada tenham de inconveniente, e devemos guardar nosso coração desembaraçado delas.

a) "Quem não evita relações perigosas, cai facilmente no abismo", diz Santo Agostinho (Serm. 293). O triste exemplo de Salomão bastaria para nos encher de terror. Depois de ter sido amado tanto por Deus, servindo ao Espírito Santo de mão para escrever, travou relações com mulheres pagãs, já na sua velhice, e caiu tão profundamente que chegou a sacrificar aos deuses. Isso, porém, não nos deve estranhar, pois, será para admirar que alguém se queime, permanecendo no meio das chamas? ­pergunta São Cipriano (De sing. cler.).

Mas em nossas conversas, graças a Deus, não ocorre nada de mal, dirá alguém. Respondo: Todas as amizades que têm sua origem em afeições meramente materiais são, pelo menos, um grande impedimento à perfeição, ainda que não dessem ocasião a outras coisas. Elas, no mínimo, fazem-nos perder o espírito de oração e recolhimento interior; a alma que está presa por uma afeição natural poderá achar-se corporalmente na igreja, mas seu espírito estará se entretendo com o objeto de seu amor; perderá o amor aos Santos Sacramentos; não será mais sincera para com seu confessor, temendo que ele a obrigue a romper com essa cadeia e, envergonhando-se de lhe descobrir sua afeição, não lhe dirá a causa de sua tibieza, e assim se agrava, de dia para dia, seu estado lastimoso. Ao ouvir que fala mal da pessoa amada, se enfurece, defende-a calorosamente; descuida-se da obediência, pois quando o confessor a exorta a renunciar a tal amizade, procura mil desculpas para não ter de obedecer.

Não é só grande a perda espiritual que se sofre com essas amizades baseadas sobre certas qualidades externas duma pessoa, mas, principalmente se for doutro sexo, é também enorme o perigo que se corre de se se perder eternamente. No começo tais amizades parecem indiferentes, mas tornam-se pouco a pouco pecaminosas e, enfim, arrastam a alma ao pecado mortal. "São como o fogo e a palha, e o demônio não cessa de assoprar até irromper o incêndio", diz São Jerônimo.

Pessoas de diferentes sexos abrasam-se por causa da muita familiaridade, com a mesma facilidade com que a palha atingida pelo fogo, e, em certo sentido, até com mais facilidade, porque o demônio emprega tudo quanto é apto para atiçar o fogo. Santa Teresa viu-se um dia transportada ao inferno, onde Deus lhe mostrou o lugar que lhe preparara, se não rompesse com um apego puramente natural a um seu parente.

b) Se sentires em teu coração, alma cristã, uma tal afeição para com alguém, não há outro remédio para te libertares dela, senão cortá-la resolutamente de uma vez para sempre, pois, se quiseres renunciá-la pouco a pouco, crê-me, nunca chegarás a desfazer­te dela. Essas cadeias são dificílimas de romper, e só o conseguirá quem as quebrar violentamente, duma só vez. E não venhas com a desculpa de que, até agora, nada ocorreu de inconveniente, pois deves saber que o demônio não começa com o pior, mas só pouco a pouco leva a alma imprudente às bordas do precipício e, então, com um leve empurrão, precipita-as no abismo.

É uma máxima aceita por todos os mestres da vida espiritual de que, neste ponto, não há outro remédio senão fugir e afastar-se da ocasião. São Filipe Néri costumava dizer que, nesse combate, só os covardes saem vencedores, isto é, os que fogem da ocasião. Podemos resistir aos outros vícios ficando na ocasião, diz São Tomás (De mod. conf., c. 14), fazendo violência contra nós mesmos; mas o vício contrário à pureza, porém, só o poderemos vencer fugindo da ocasião e renunciando às afeições perigosas.

Se sentires, porém, teu coração livre e desembaraçado de tais afeições, toma todo o cuidado possível para não te emaranhares em laço algum, como já se tem dado a muitos em razão de sua negligência. Eis o conselho que te dá São Jerônimo (Ep. ad Eust.): "Se, no trato com alguém, notares que alguma afeição desregrada se quer apoderar de teu coração, apressa-te a sufocá-la antes que se torne um gigante. Enquanto o leão é ainda pequeno, pode ser facilmente trucidado; uma vez crescido, torna-se-á mui difícil e humanente impossível".

Coisa verdadeiramente lamentável e vergonhosa seria se permitisses que fizessem, em tua presença, gracejos indecentes. Não julgues que não pecas calando-te e simplesmente ouvindo tais gracejos; se não evitares o mais depressa possível a companhia de um homem tão insolente, já cooperaste com o seu pecado e te fizeste réu dele. Se receberes de alguém uma carta com palavras amorosas, rasga-a imediatamente ou lança-a ao fogo e não lhe dês resposta. Se, por motivo grave, tiveres de responder, faze-o então em poucas e sérias palavras, e não dês a entender que notaste as tais palavras e muito menos que achaste nelas qualquer prazer.

c) Não repliques também que não há perigo, porque a pessoa de que se trata é piedosa. São Tomás de Aquino diz (De mod. conf., c. 14): "Quanto mais santas são as pessoas pelas quais sentimos afeição particular, tanto mais devemos nos acautelar, porque o alto apreço que fazemos de sua virtude mais nos estimula ainda a amá-las". O padre Sertório Caputo, da Companhia de Jesus, diz: "O demônio, a princípio, nos inspira amor à virtude daquela pessoa, depois o amor à própria pessoa e, finalmente, nos lança na perdição". O Doutor Angélico faz notar que o demônio sabe perfeitamente esconder um tal perigo: no começo não dispara seta alguma que pareça envenenada, mas só tais que excitem a afeição, ocasionando leves feridas do coração; em seguida, quando o amor já está aceso, essas pessoas já não se tratam mais como anjos, mas como homens de carne e sangue: trocam repetidos olhares e palavras amorosas, desejam estar muitas vezes a sós, juntas e, por fim, a piedade espiritual degenera em amor carnal.

d) São Boaventura indica cinco sinais dos quais se pode deduzir se a afeição que a alguém nos prende é impura. Primeiro: se se entretêm conversas inúteis; e inúteis são todas as que levam muito tempo. Segundo: se ocorrem olhares e louvores mútuos. Terceiro: se se desculpam as faltas reciprocamente [evitando correções para não desagradar]. Quarto: se aparecem pequenos ciúmes. Quinto: se a separação causa certa inquietação. Eu ajunto ainda: Se se sente grande prazer e gosto nas maneiras ou gentileza natural da pessoa amada, se se deseja que a afeição seja correspondida, e se se não gosta de que outros observem, ouçam ou falem disso.

e) Mas, mesmo as pessoas que pretendem contrair matrimônio, estarão obrigadas a sufocar a inclinação ou simpatia recíproca, suposto mesmo que seja honesta? me perguntará alguém. Se esses futuros esposos estiverem animados de tais sentimentos, que estejam prontos a empregar todos os cuidados para tornar remota a ocasião próxima do pecado, e resolvidos a nunca ofender a Deus por causa de tal afeição, não precisarão romper com ela. A experiência, porém, ensina que os mais nobres sentimentos degeneram facilmente em paixão.

Por esse motivo os teólogos exigem muita cautela com essas pessoas. Sabendo o quanto o coração humano é inclinado ao pecado e quão fraco quando dominado por uma paixão, só permitem tais relacionamentos entre os jovens quando estão em idade e têm vontade séria de se casar; além disso, que não sejam travadas sem o consentimento dos pais, que não se prolonguem por muito tempo e só se namorem quando estiver próximo o casamento; também lhes interditam a conversa a sós, longe das vistas dos pais, grande familiaridade, e tudo o que possa manchar a pureza da alma, seja por pensamentos, olhares, palavras ou gestos.

Do filho de Tobias podemos aprender como os jovens devem se preparar para o casamento. Na cidade de Ragés, na Média, vivia uma piedosa donzela, de nome Sara, filha de Raguel. Estava profundamente aflita porque sete rapazes, que a haviam sucessivamente desposado, haviam sido mortos pelo demônio da impureza, Asmodeu, na primeira noite depois das núpcias. Ora, o anjo Rafael, que acompanhara o jovem Tobias em sua viagem a Ragés, aconselhou-o a pedir Sara em casamento. Ele, porém, a par do ocorrido com os outros homens, temia expor-se ao mesmo perigo. O Anjo, porém, tranquilizou-o, dizendo: "Ouve-me... o demônio só tem poder sobre aqueles que abraçam o estado conjugal excluindo a Deus de seus pensamentos, para satisfazerem unicamente a sua concupiscência, como o cavalo e a mula, que não têm entendimento. Tu, porém, quando receberes a Sara, entra com ela no teu quarto por três dias e três noites, guardando continência, e não te entregues a outra coisa que à oração, e então a receberás em matrimônio no temor do Senhor, levado mais pelo desejo de ter filhos que pela concupiscência, para que sejas abençoado e teus filhos sirvam e glorifiquem a Deus; então nada terás a temer do demônio". O jovem Tobias seguiu esse conselho, e seu casamento foi muito abençoado por Deus.

Notemos igualmente as quatro exortações dadas a Sara por seus pais, ao se despedirem dela: Primeiro, honra a teu sogro; segundo, ama a teu marido; terceiro, cuida em governar bem tua casa; quarto, porta-te em tudo irrepreensivelmente. Estes avisos devem servir de norma a todos os jovens que pretendem contrair matrimônio.

f) O que dissemos até aqui se refere ao trato com pessoas de diferente sexo. O amor desregrado, todavia, pode existir também existir entre pessoas do mesmo sexo, principalmente se são ainda moços e existe entre eles uma familiaridade por demais íntima. A este respeito, São Basílio diz o seguinte (Serm. de abd. rev.): "Vós que sois ainda jovens, evitai a companhia de vossos iguais, pois, por meio dessas amizades, o demônio já arrastou a muitos para o inferno". "Alguns começaram com uma afeição aparentemente santa, continua ele, mas pouco a pouco precipitou-os o demônio num lodaçal de vícios os mais abomináveis". Santa Ângela de Foligno se exprime de modo semelhante (Vit., c. 64): "Ainda que seja o amor a fonte de todo o bem, não deixa de ser igualmente a fonte de todo o mal. Não falo do amor impuro, que deve ser evitado em todo o caso, mas da inclinação, em si inocente, que facilmente pode degenerar em amor desordenado. O trato mui assíduo com outro, com protestos de afeição, tem por conseqüência tornar nocivo o amor, visto que ele prende estreitamente um coração ao outro, obscurecendo a afeição crescente cada vez mais a razão. Em pouco tempo só quererá um o que o outro quer, e então não terá mais coragem de resistir ao outro quando for convidado ao mal, e, assim, se perderão ambos".

Por isso, os que dedicam à educação da mocidade estão gravemente obrigados a ter os olhos abertos nesse ponto, e não precisam ter escrúpulos, suspeitando mal com algum motivo. Se notarem qualquer apego ou familiaridade entre dois jovens, intervenham imediatamente e conservem-nos rigorosamente separados um do outro.

g) Aqui na terra cada um de nós anda por caminhos escabrosos e em trevas, e se, além disso, ainda um anjo mau, isto é, um mau companheiro, que é pior que um demônio, nos persegue e impele à perdição, como poderemos escapar ilesos? Já Platão dizia: "Tomarás os mesmos modos daqueles com quem convives". Segundo São João Crisóstomo, para se certificar dos hábitos de alguém, basta saber com quem ele anda, já que os amigos ou são ou fazem-se semelhantes uns aos outros. E isso por duas causas: primeiro, porque um se esforça por imitar o outro para lhe ser agradável; segundo, porque o homem, como nota Sêneca, é inclinado a fazer o que vê os outros fazerem. Dos israelitas lemos: "Eles se mesclaram com os gentios e aprenderam suas obras" (Sl 105, 35). Devemos, portanto, não só fugir do comércio com os impuros, diz o Sábio, mas também nos conservarmos longe de seus caminhos: "Meu filho, não andes com eles e não ponhas o pé em seus caminhos" (Prov 1, 15). Devemos evitar todo o trato com eles, suas conversas ou presentes, com os quais procuram nos enredar. "Meu filho, se os pecadores te atraírem com seus afagos, não condescendas com eles" (Prov 1, 10). "Cairá, talvez, uma ave, no laço armado na terra, sem a isca?" (Am 3, 5). O demônio serve-se dos maus amigos como de iscas, segundo Jeremias, para prender as almas em suas redes de pecado. "Meus inimigos, sem motivo, prenderam-me como se prende uma ave" (Jer 3, 52). Ele diz 'sem motivo' porque, pergunto-se a um tal sedutor por que aliciou sua pobre vítima ao pecado, responderá: não havia motivo; eu só queria que ela fizesse como eu. É exatamente essa a astúcia do demônio, diz Santo Efrém: "Capturada uma alma em sua rede, serve-se dela como de uma armadilha para prender a outra" (De rect. viv. rat., c. 22).

Fujamos, pois, a toda familiaridade com tais escorpiões infernais, como se foge da peste. Digo: fujamos à familiaridade, isto é, não travemos amizade com homens viciosos, evitando tomar parte em sua mesa, banquetes ou outros convívios com eles. É impossível evitar todo o comércio com eles, porque então teríamos de sair deste mundo, segundo o Apóstolo (I Cor 5, 10); contudo, é bem possível evitar um trato mais familiar com eles, seguindo o conselho do mesmo Apóstolo: "Eu vos escrevi que não tenhais comunicação com eles... com um tal não deveis nem sequer cear". Disse ainda: Fujamos de tais escorpiões, pois o profeta Ezequiel designa assim os sedutores: "Pervertedores estão contigo e habitas com escorpiões" (Ez 2, 6).

Não ousarias, alma cristã, habitar com escorpiões, e certamente te afastarias com toda a pressa de sua proximidade. Pois assim deves evitar os amigos que dão escândalo e envenenam a tua alma com maus exemplos e conversas perversas. Quanto mais estreitamente estão ligados a nós, tanto mais perniciosos se tornam. "Os inimigos do homem são os seus domésticos" (Mat 10, 36). Na Sagrada Escritura se diz: "Quem se compadecerá de um encantador mordido pela serpente e de todos os que se aproximam de animais ferozes? Assim também, quem se compadecerá daquele que se torna companheiro de um homem iníquo?" (Ecli 12, 13). Se um tal homem, por motivo do perigo a que se expõe, cai no pecado e se precipita na condenação eterna, ninguém, nem Deus nem os homens, terá compaixão dele, pois já fôra advertido do perigo.

§ V. DA VIRGINDADE

São Cipriano (De disc. et hab. virg.) denomina a multidão de virgens que se consagram ao amor de seu Divino Esposo, de "a mais nobre porção da Igreja de Cristo". Vários outros Santos Padres, como Santo Efrém, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, São Jerônimo, São Crisóstomo, escreveram livros inteiros em louvor da virgindade.

Não é minha intenção expor aqui todos os méritos e vantagens que adquirem as pessoas que consagraram a Deus sua virgindade; disso tratarei extensamente no capítulo IV da III parte, que trata do voto de castidade [que reproduzimos logo abaixo]. Aqui farei seguir, simplesmente, uma instrução para os que levam uma vida virginal sem terem emitido o voto de castidade.

As almas virgens são extraordinariamente belas aos olhos de Deus: "Serão como os Anjos de Deus no Céu" (Mat 22, 30). Barônio conta que na morte de uma virgem, chamada Geórgia, uma multidão de pombos adejavam ao redor da casa e, quando seu cadáver foi transportado à igreja, pousaram no teto, exatamente em cima do lugar onde se achava o caixão, e daí não se retiraram até ser sepultada a piedosa virgem (An. 480). Essas pombas certamente eram Anjos, que queriam prestar as últimas honras àquele corpo virginal.

As almas virginais, que renunciaram ao casamento para se dedicarem exclusivamente ao amor de Jesus Cristo, tornam-se esposas do Filho de Deus. Nos Santos Evangelhos, Jesus Cristo é chamado Pai, Mestre, Pastor das almas; referindo-se às virgens, porém, dá-Lhe o nome de Esposo: "Elas saíram a receber o Esposo e a Esposa" (Mat 25, 1). Por isso, tinha razão Santa Inês, respondendo, segundo Santo Ambrósio, aos que lhe ofereciam a mão do filho do prefeito de Roma: "Ofereceis-me um esposo? Já encontrei um muito melhor" (De virg., 1. 1). Semelhante resposta deu Santa domitila, sobrinha do imperador Domiciano, aos que queriam persuadi-la a casar­se com Aureliano: "Dizei-me: a quem deveria escolher por esposo uma jovem pedida em casamento por um monarca e por um camponês? Para casar-me com Aureliano, teria de renunciar ao Rei do Céu. Ora, isso seria uma loucura inominável, que nunca praticarei". E, firme nessa resolução, deixou-se queimar viva, para poder permanecer fiel a Jesus Cristo, a Quem consagrara sua virgindade.

Quem poderá imaginar a glória que Deus reserva a Suas castas esposas lá no Céu? Os teólogos são de opinião que no Céu existe uma glória especial reservada às virgens, uma coroa ou alegria particular, de que estão privados os outros Santos.

Mas, dir-me-á uma ou outra jovem: 'Ora, casando-me também poderei santificar­me'. Não receberás a resposta da minha boca, mas da de São Paulo, que te dirá também a diferença que existe entre as virgens e as casadas: "A mulher virgem pensa nas coisas que são do Senhor, para que seja santa no corpo e no espírito. Mas, a que é casada, pensa nas coisas que são do mundo, em como agradar ao marido. Em verdade, digo isso para vosso proveito... para vos exortar ao que vos convém e vos facilita a orar ao Senhor sem embaraço" (I Cor 7, 34).

Deve-se, pois, notar que as casadas, sem dúvida alguma, podem ser santas segundo o espírito, ao passo que as virgens, que amam a Deus, o são de corpo e espírito. Tome-se também em consideração estas palavras: "O que facilita servir a Deus sem impedimento". Quantos impedimentos não encontram as casadas na sua tendência à santidade! E esses obstáculos são tanto maiores, quanto mais elevada a sua condição [social].

Para nos fazermos santos temos de empregar os meios e, antes de tudo, nos consagrar à oração mental, receber amiúde os Santos Sacramentos, e pensar sem interrupção em Deus. Ora, quando uma senhora casada achará tempo para cuidar naquilo que é do Senhor? Ela se ocupará com as coisas deste mundo, diz São Paulo, cuidará em agradar a seu marido, olhará pelas necessidades de sua família, pelo seu sustento e vestes, vigiará a educação de seus filhos, atenderá aos parentes e amigos, pensará continuamente nos seus afazeres; seu coração ficará assim dividido entre seus filhos, seu marido e Deus. Como encontrar tempo para se entregar a longas orações mentais, para receber muitas vezes a Comunhão, se nem lhe resta tempo para cuidar de todas as obrigações de sua casa e estado? O marido quer ser atendido, os filhos gritam e choram, querendo mil coisas diversas. Como meditar entre tantos cuidados e perturbações? Muitas mães de família nem mesmo aos domingos podem ir à igreja. É verdade, ela pode conservar a sua boa vontade, mas sempre lhe será custoso cuidar, como convém, do que é do Senhor. Não há dúvida de que pode adquirir grandes merecimentos em razão de tais provações, entregando-se à Vontade de Deus que, em tais condições, não que mais do que um sacrifício perene de resignação e paciência; mas, no meio de tantas distrações e tribulações, é quase impossível, é mesmo heroísmo, praticar a virtude da paciência e conformidade, sem o exercício da oração e a recepção dos Sacramentos... Mas, prouvera a Deus que as senhoras casadas nada mais tivessem a deplorar que a falta de tempo necessário para seus exercícios de piedade.

A m´s conduta do marido, os desgostos causados pelos filhos, os negócios da casa, as molestas atenções que se devem à sogra e aos cunhados, as suspeitas, as inquietações de consciência quanto à vida conjugal e educação dos filhos, tudo isso origina um mar de tribulações, no qual passam sua vida entre suspiros e lágrimas. E felizes se conseguirem salvar sua alma e alcançarem de Deus a graça de não deixarem o inferno desta vida para se precipitarem no inferno eterno! Esta é a bela sorte das jovens que se consagram ao mundo... [grifo do original]

Mas, entre tantas mulheres casadas, não haverá uma só que se santifique? Sim, existem também Santas casadas. Porém, quais são estas? As que se santificam pelo martírio, que sofrem tudo por amor de Deus, com uma paciência que nada abala. Mas, quantas se elevarão a tal perfeição? Ah! Mui poucas. E se encontrares uma tal, verás que deplora amargamente ter escolhido o partido do mundo, tendo podido, com tanta facilidade, consagrar-se a Jesus Cristo.

Verdadeiramente felizes são aquelas virgens que se consagram por inteiro e exclusivamente ao seu Divino Salvador. Estas estão livres dos perigos em que se achão as casadas. Seu coração está desembaraçado do apego aos filhos e marido, aos bens transitórios, ao luxo vão ou a outras coisas do mundo.

E, quando as mulheres casadas se vêem obrigadas a empregar muitos cuidados e grandes somas com seu traje, para aparecer ao mundo à altura de sua posição e agradar a seu marido, a virgem que se consagrou a Jesus Cristo se contenta com um vestido simples e desataviado, pois, do contrário, daria escândalo. Todos os seus pensamentos e cuidados tendem a agradar a Jesus, a quem dedicou seu corpo, sua alma, seu amor todo. Assim, possui ela também mais liberdade de espírito para pensar em Deus e mais tempo para se entregar à oração e receber os Sacramentos.

Se não te sentes chamada, alma cristã, ao estado conjugal, nem ao religioso, mas desejas fazer-te santa no mundo, como verdadeira esposa de Jesus Cristo, toma a peito os seguintes conselhos: Para a santificação, não é suficiente que uma virgem traga ilibada a sua pureza e use o nome de esposa de Jesus Cristo; é preciso também praticar as virtudes de uma esposa de Jesus. No Evangelho é o reino dos Céus comparado a umas virgens. Mas que virgens? Às virgens prudentes e não às loucas. Aquelas foram introduzidas na sala das núpcias; a estas foi a porta fechada e ouviram do Esposo: Não deixais de ser virgens, mas eu não vos reconheço por esposas minhas. As verdadeiras esposas de Jesus seguem o Esposo para onde quer que Ele vá (Apoc 14, 4). que quer dizer seguir o Esposo? Santo Agostinho explica que é prender-se a Ele (De s. virg., c. 7). Depois de Lhe teres sacrificado teu corpo, deves ainda consagrar-Lhe todo o teu coração, de tal forma que só te ocupes em amá-lO. Para isso, deves empregar os meios para pertencer exclusivamente a Ele.

O primeiro é a oração mental, a que te deves dedicar com todo o zelo. Não julgues que, para isso, é necessário se recolher a um convento ou passar todo o dia na igreja. Não há dúvida que em uma casa de família há barulho e perturbações de pessoas que entram e saem; mas quem tem boa vontade encontra sempre jeito e tempo para fazer suas orações; por exemplo, de manhã, antes de se levantarem as pessoas da casa, ou de noite, depois de já se terem recolhido. Também não se requer que se esteja sempre de joelhos; podem-se recitar as orações durante o trabalho ou caminhando; basta elevar o pensamento a Deus, pensar na Paixão de Cristo ou meditar sobre qualquer outro assunto devoto.

O segundo meio é a recepção assídua dos santos sacramentos da Penitência e Eucaristia. (...) Quanto à Comunhão, não é muita coisa se for recebida só por obediência; deve-se ter deselo delA, e pedi-lA. Esse Divino Pão quer ser desejado e que se tenha fome dEle. A Comunhão é que faz com que as esposas de Jesus permaneçam fiéis a seu Divino Esposo, já que a Ela devem em especial a conservação de sua pureza. Este Divino Sacramento conserva na alma toda espécie de virtudes, sendo, porém, seu efeito principal, conservar ilibado o lírio da virgindade, dando-Lhe o profeta, por isso, o nome de "nutrimento dos escolhidos e vinho que gera virgens" (Zac 9, 17).

O terceiro meio é o recolhimento e a vigilância. O Divino Esposo compara Sua esposa com um lírio entre os espinhos (Cânt 2, 2). Uma donzela que quer viver na sociedade, entre divertimentos e distrações mundanas, não poderá permanecer fiel a Jesus Cristo. Deve, pelo contrário, estar sempre circundada dos espinhos da abstinência e mortificações, e guardar, em especial no trato com homens, a maior reserva, e rigorosa modéstia dos olhos e palavras e, mesmo, se necessário, mostrar-se austera e descortês.

Os espinhos são o que protegem os lírios, isto é, as virgens; sem eles, perder-se­ão em pouco tempo. O Senhor compara a beleza de Sua esposa com a da pomba (Cânt 1, 9). Por quê? Porque a pomba, por instinto natural, evita a companhia dos outros pássaros. Assim, uma virgem é bela aos olhos de Jesus, se leva uma vida retirada e se se esconde, quanto possível, aos olhos do mundo. São Jerônimo diz (Ep. ad Eust.) que o Esposo das almas é cioso. Desgosta-se muito, por isso, de uma virgem que, depois de se haver consagrado ao Seu amor, gosta de mostrar-se e procura agradar aos homens.

Pessoas verdadeiramente virtuosas preferem desfigurar-se a si mesmas a tornar­se objeto de amor criminoso. Se, por desgraça, acontecer tornar-se uma virgem vítima de uma violência qualquer, sem culpa sua, não deve inquietar-se com isso, já que sua pureza não fica alterada. Foi o que Santa Lúcia respondeu ao tirano que a ameaçava de entregá-la ao prostíbulo: "Se eu for desonrada contra minha vontade, receberei uma coroa dupla". Com razão se diz: Não o sentimento, mas o consentimento fere a alma. Além disso, podemos ficar convencidos que uma virgem modesta e reservada saberá também fazer-se respeitar.

O quarto meio é a mortificação dos sentidos. Uma virgem que quer conserva-se pura, diz São Basílio, deve ser pura na língua, falando sempre com decoro e, se for necessário tratar com homens, só dizer o indispensável; pura nos ouvidos, evitando ouvir conversas mundanas; pura nos olhos, conservando-os fechados ou, ao menos, baixos, quando na companhia de homens; pura no tato, usando do máximo cuidado quanto aos outros e quanto a si mesma; pura principalmente no espírito, esforçando-se por resistir aos maus pensamentos, recorrendo a Jesus e Maria.

Para conseguir isso, é preciso que ela mortifique seu corpo com jejuns e outras penitências. Jesus Cristo é um 'Esposo de Sangue' (Ex 4, 26), que desposou nossa alma na ara da Cruz e, por amor dela, derramou até a última gota de Sangue. Por esse motivo, Suas esposas suportam angústias, doenças, dores, maus tratos e injúrias, não só com paciência, mas até com alegria. Assim deve-se entender o texto da Escritura, que diz: "As Virgens seguem o Cordeiro para onde quer que Ele vá" (Apoc 14, 4). Elas seguem jubilosas e cantando a Jesus, seu Divino Esposo, mesmo no meio dos opróbrios e penas, a exemplo de milhares de virgens que foram ao encontro da morte e das torturas, cheias de alegria.

Finalmente, deves recomendar-te instantemente a Maria, a Rainha das Virgens, se quiseres perseverar no teu estado de virgindade perpétua. Ela é que prepara e conclui a união das almas com Seu Divino Filho; Ela que alcança para essas almas escolhidas a graça da preseverança, pois, sem a Sua assistÊncia, todas tornar-se-iam infiéis.  

Vós, que ledes estas linhas, -dirijo-me àquelas que se sentem chamadas pelo Divino Esposo a renunciar ao Matrimônio -vós, que quereis pertencer a Jesus Cristo, não vos obrigueis desde logo por um voto, nem façais, logo no começo, o voto de castidade perpétua; fazei esse voto quando Deus vo-lo inspirar e o confessor o permitir. Aconselho-vos, porém, que agradeçais a Jesus Cristo, vos ter chamado a Seu especial amor, e vos ofereçais ao Senhor como coisa que Lhe é consagrada e própria para todo o sempre. E, por isso, dizei-Lhe assim: Ó meu Jesus, meu Deus e Salvador, que por mim morrestes, perdoai-me se também eu ouso chamar-vos meu Esposo. Ouso porque vejo que Vos agrada chamar-me a essa honra. Essa graça é tão grande, que não Vo-la posso agradecer suficientemente. Eu merecia estar agora ardendo no inferno, porém, em vez de me castigar, escolheis-me para esposa Vossa. Pois bem, meu Divino Salvador, eu renuncio ao mundo, eu renuncio a tudo por amor de Vós e a Vós me entrego inteira e irrevogavelmente. De hoje em diante sereis meu único bem, meu único amor. Vejo que quereis possuir meu coração inteiro: ei-lo, entrego-o sem restrição. Aceitai meu sacrifício e não me repulseis como eu mereceria. Esquecei-Vos de todas as ofensas que Vos tenho feito até hoje: detesto-as de todo o coração. Ah! Tivesse eu morrido antes de Vos haver ofendido! Perdoai-me em Vosso amor, e concedei-me a graça de Vos permanecer fiel e nunca mais Vos abandonar. Vós, ó meu Esposo, Vos entregastes todo a mim; eis-me aqui, eu também quero entregar-me toda a Vós. Ó Maria, minha Rainha e minha Mãe, prendei meu coração ao Coração de Jesus Cristo; ligai-me tão fortemente a Ele, que nunca mais possa desprender-me de Vosso Divino Filho.

§ VI. DO VOTO DE CASTIDADE

I. Uma alma que cansagra a Deus a sua virgindade torna-se uma esposa de Jesus Cristo, e por isso o Apóstolo não hesita em escrever (II Cor 11, 2): "Eu vos desposei com um Esposo, com Cristo, para vos apresentar a Ele como virgem pura". Jesus Cristo mesmo se dá como Esposo das virgens, na parábola das dez virgens: "Saíram ao encontro do Esposo... e entraram com Ele para as núpcias" (Mat 25, 10). O Divino Salvador deixa-se chamar pelos outros fiéis de Mestre, Pastor e Pai; quer, porém, ser chamado de Esposo pelas almas virgens. Esses desponsais com o Senhor, se realizam por meio da fé: "Eu me desposarei contigo pela fé" (Os 2, 20). A virtude da virgindade é um fruto especialíssimo dos merecimentos de Jesus Cristo, e por isso se diz, no Apocalipse (14, 4), que as virgens formam o cortejo do Cordeiro. A Santíssima Virgem revelou a uma alma devota que uma esposa de Jesus Cristo deve, acima de todas as virtudes, amar a pureza, porque ela a torna de modo especial semelhante a seu Divino Esposo. São Bernardo diz que todas as almas justas são esposas do Senhor, "mas de um modo particular vale isso das almas virgens", como nota Santo Antônio de Pádua. Por isso São Fulgêncio chama a Jesus Cristo o Esposo de todas as virgens consagradas a Deus.

Uma moça que quer permanecer no mundo e casar-se, se é prudente, se informa com todo o cuidado a respeito dos que solicitam a sua mão, para conhecer o mais digno e o mais capaz de torná-la feliz aqui na terra. A pessoa religiosa, por sua vez, desposa­se, pelos votos, com Nosso Senhor Jesus Cristo. Procuremos a esposa dos Cânticos, que sabe perfeitamente avaliar as qualidades desse Esposo Divino, e perguntemos-lhe: 'Quem é o vosso amado, ó santa esposa? Quem é aquele que possui todo o vosso coração e vos tornou a mais feliz das mulheres?' Ela responde: 'Meu Amado é branco e vermelho: é branco por Sua pureza, e vermelho pela chama do amor em que se abrasa por Sua esposa; em uma palavra, Ele é tão belo, tão perfeito em todas as virtudes, que não há nem pode haver um outro esposo mais nobre ou mais amoroso que Ele'. "Nem quem O iguale em Sua grandeza, nem em Sua beleza, nem em Sua generosidade", diz Santo Euquério. Por isso escreve Santo Inácio de Antioquia: "Aquelas bem-aventuradas virgens, que se consagraram a Jesus Cristo, podem estar certas de que não encontrarão, nem no céu nem na terra, um esposo tão belo, tão nobre, tão rico, tão amável como Aquele que lhes foi dado, Jesus Cristo".

Santa Clara de Montefalco dizia que prezava tanto sua virgindade, que antes quereria sofrer durante toda a sua vida as penas do inferno, do que perder esse valioso tesouro. Com toda a razão, pois, muitas virgens virtuosas renunciaram a casamentos principescos para permanecerem esposas de Jesus Cristo. Santa Joana, infanta de Portugal, renunciou à mão de Luís XI, rei da França; a Beata Inês de Praga, à do imperador Frederico II; Isabel, filha do rei da Hungria e herdeira do reino, à de Henrique, arquiduque da Áustria, e muitas outras procederam do mesmo modo.

Uma virgem que se consagra ao Senhor, diz Teodoreto, está livre de todo o cuidado inútil. Não tem outra coisa a fazer senão entreter-se contínua e familiarmente com Deus. Isso indica o Apóstolo quando diz que a virgem "é santa no corpo e na alma" (I Cor 7, 34); santa no corpo pela castidade, santa no espírito por seu comércio íntimo com Deus. "Se ela não tivesse outra recompensa a esperar, diz Santo Anselmo, só por estar livre dos cuidados seculares e não ter outra obrigação, já deveria ser tida por sumamente feliz". Do que se vê que as virgens não só receberão uma imensa glória no Céu, mas já serão recompensadas antecipadamente aqui na terra, com uma paz inalterável.

As virgens que se consagram ao amor de Jesus Cristo, ofertando-Lhe o lírio da pureza do coração, tornam-se tão agradáveis a Deus como os Santos Anjos, -certamente um efeito sublime da castidade virginal. Todas as virgens que buscam a perfeição são esposas queridas de Jesus Cristo, porque Lhe consagraram seu corpo e sua alma, e nada mais buscam nesta vida que agradar-Lhe. São João foi o discípulo amado de Jesus, porque guardou a virgindade. Justamente por esse motivo amava-o Jesus mais que aos outros discípulos, como a Igreja o insinua quando diz: "Foi escolhido como virgem pelo Senhor, e mais amado que todos os outros".

As virgens são chamadas, na Sagrada Escritura, as primícias de Deus: "São virgens; esses seguem o Cordeiro aonde quer que Ele vá. Esses foram comprados dentre os homens, para serem as primícias para Deus e para o Cordeiro" (Apoc 14, 4). Mas por que são chamados primícias de Deus? O Cardeal Hugo responde: "Como os primeiros frutos são mais agradáveis que os outros, assim também as virgens consagradas a Deus agradam mais ao Coração deste e constituem o objeto de seu especial amor".

Diz-se ainda, na Sagrada Escritura, que o Esposo Divino "se apascenta entre os lírios" (Cânt 2, 16). Esses lírios representam as virgens que conservam sua pureza por amor de Deus. Um expositor nota o seguinte nessa passagem dos Cânticos: "Enquanto o demônio procura a imundície da impureza, Jesus Cristo se apascenta [isto é, descansa,] entre os lírios da castidade".

O que, porém, deve aumentar consideravelmente a nossos olhos o valor da virgindade, é o louvor extraordinário que lhe tece o Espírito Santo, dizendo: "Tudo o que se aprecia não é comparável a uma alma continente" (Ecli 26, 20). Isso mesmo nos deu a entender a Santíssima Virgem, quando disse ao Arcanjo que Lhe anunciava a divina maternidade: "Como se dará isso, se não conheço varão?" (Lc 1, 14). Maria, com essas palavras, mostrou que preferiria renunciar à dignidade de Mãe de Deus, a perder o tesouro de Sua virgindade.

Segundo São Cipriano, a pureza virginal é a rainha de todas as virtudes e o complemento de todos os bens. Santo Efrém escreve que as virgens que guardam a sua pureza por amor de Jesus Cristo, serão favorecidas por Ele em todos os pontos. São Bernardo acrescenta que a virgindade habilita a alma, de um modo todo especial, a ver o Divino Esposo nesta vida pela fé, e na outra pela luz da glória.

Imensa é a glória que Jesus Cristo prepara no Céu às Suas esposas que na terra Lhe consagraram sua virgindade. Nosso Senhor mostrou um dia à Sua grande serva Lucrécia Orsini os sublimes tronos que ocuparão aqueles que serviram a Jesus Cristo em pureza virginal. Ao que exclamou ela: "Oh! Quão agradáveis não são a Jesus e a Maria as virgens!" Os teólogos afirmam que as virgens receberão no Céu uma auréola especial, sendo ornadas com uma luzente coroa de honra e glória, pois se diz na Sagrada Escritura, a respeito das virgens: "Ninguém podia cantar esse cântico, senão aqueles cento e quarenta e quatro mil que foram comprados na terra". Explicando essa passagem, diz Santo Agostinho que a glória que Jesus Cristo concede às Virgens não confere aos outros Santos.

II. Grande é a satisfação de Jesus Cristo quando alguém se associa ao número de Suas esposas. Isso declaram aquelas palavras dos Cânticos: "Vinde, ó filhas de Sião, e vede o rei Salomão com o diadema com o qual o coroou sua mãe no dia de suas núpcias, no dia da alegria de seu coração" (Cânt 3, 11). Isso, porém, vale só daquelas almas que se consagraram sem restrição ao amor do Esposo Divino. Desposando Jesus uma tal alma, quer que todo o Céu se alegre com Ele e entoe hinos de regozijo: "Alegremo-nos e exultemos e demos-Lhe glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro e Sua esposa está ornada" (Apoc 19, 7). Os ornatos com que Jesus quer ver ataviadas Suas esposas são as virtudes, particularmente o amor e a pureza, que são apresentadas nos Cânticos como coroas de prata e de ouro: "Nós te faremos umas cadeias de ouro listradas de prata" (Cant 1, 10). São estas as vestes pomposas e as jóias com que o Senhor atavia Suas esposas, e das quais fala Santa Inês: "Ele circundou minha direita e meu pescoço com um colar de pedras preciosas, revestiu-me com um hábito bordado a ouro e ornado com artísticos relevos e deslumbrantes adornos".

Os seculares buscam coisas terrenas, mas as esposas de Jesus Cristo nada mais querem senão Deus; por isso delas se pode afirmar ao pé da letra: "Esta é a geração dos que buscam a Deus" (Sl 23, 6). "Ó esposas do Redentor, exclama São Tomás de Villanova, não deveis buscar qual de vós sobrepuja as outras por seu nascimento, seus talentos ou fortuna; examinai, antes, quem é mais agradável ao Esposo Divino, quem vive unida mais intimamente a Ele, quem é mais humilde, pobre e obediente". Ouçamos também o que diz o Espírito Santo: "Filho, quando entrares ao serviço de Deus... prepara tua alma para a tentação" (Ecli 2, 1), para sofreres com humildade e paciência, pois "o ouro e a prata se provam no fogo, e os homens que Deus quer receber, na fornalha da humilhação" (Id. v. 5). "Ninguém pode servir a dois senhores" (Mat 6, 24), a Deus e ao mundo. quem, portanto, quiser consagrar-se a Deus deve renunciar ao mundo, e quem quiser tornar-se esposa de Jesus Cristo deverá exclamar incessantemente: "Deus só é todo o meu tesouro e meu único bem".

São José de Calazans diz que, se não se der a Jesus todo o coração, não se Lhe deu nada. Isso é inteiramente verdade, porque nosso coração já é em si muito pequeno para amar dignamente a um Deus que merece um amor infinito; e esse pequeno coração deveria ainda ser dividido entre Deus e as criaturas?

Como poderás, pois, tu, alma cristã, te incomodares com o mundo, depois de te consagrares a Deus? Esquece de tudo o mais e procura guardar o teu coração inteiro para teu Divino Esposo, que escolheste para Lhe dedicares todo o teu amor. Eu disse: teu coração inteiro, porque Jesus Cristo quer que Sua esposa seja "um jardim fechado e uma fonte selada" (Cânt 4, 12); um jardim fechado, pois não deve receber a ninguém mais senão a seu Divino Esposo; uma fonte selada, porque esse Divino Esposo é zeloso e não permite que encontre entrada no coração de sua esposa outro amor que o amor por Ele. Por isso diz-Lhe: "Quero que me coloques como um selo sobre teu coração e sobre teu braço" (Cant 8, 6), para que a ninguém mais ames senão a Mim, e para que todos os teus atos sejam feitos com a única intenção de Me agradares. O Amado é colocado como um selo sobre o coração e o braço, diz São Gregório, quando a alma mostra por sua vontade (isto é, o coração) e por suas ações (isto é, o braço), quanto ama a seu celeste Esposo.

Quando o amor divino reina numa alma, expulsa toda a afeição que não se refere a Deus, pois "o amor é forte como a morte" (Id. it.). Como nada há que possa resistir à veemência da morte quando é chegada a sua hora, assim também não há nenhum impedimento e nenhuma dificuldade que não seja superada pelo amor divino, quando ele se apodera de um coração. "Se um homem der todas as riquezas de sua casa, ele as desprezará como se nada tivesse dado" (Id., v. 7). Um coração que ama a Deus, despreza tudo o que lhe oferece e pode oferecer o mundo; numa palavra, ele despreza tudo o que não é Deus. São Bernardo diz que Deus, como nosso Senhor, exige de nós temor; como Pai, respeito; como Esposo, porém, unicamente amor.

A Venerável Francisca Farnese não conhecia meio mais eficaz para estimular a si e às suas companheiras a tender à perfeição, do que a recordação de que eram esposas de Jesus Cristo. Está fora de dúvida, dizia ela, que cada uma de vós foi escolhida por Deus para se tornar santa, pois que vos concedeu a grande honra de vos fazer Suas esposas. E, de fato, é essa uma graça inapreciável, que exige uma fiel cooperação. Santo Agostinho escreveu a uma virgem consagrada a Deus: "Tens um Esposo que é mais belo que tudo o que existe no Céu e na terra, e que te deu um penhor seguro de Seu amor escolhendo-te para Sua esposa. Podes concluir disso quão obrigada estás a pagar o Seu amor". Ó esposa de Jesus Cristo, não te ocupes mais contigo e com o mundo; não pertences mais ao mundo, nem a ti mesma, mas a Deus; e cuida unicamente em viver para esse Esposo que escolheste.

Escolheste a Deus por Esposo, mas primeiramente te escolheu o Senhor para Sua esposa. Quantas almas não deixou Ele no mundo, não lhes concedendo os favores que a ti fez? O Salvador preferiu-te a todas essas almas, não por seres mais digna, mas por te amar mais que às outras. Por isso te diz o Senhor, pela boca do Profeta (Ez 16, 8), que o tempo que te resta de vida é "um tempo para amar". Deves ligar-te a Jesus, teu Esposo, com toda a tua confiança e, com todo o teu amor, prender-te a Ele, que te amou desde a eternidade, que te criou por Sua bondade, e te chamou a Seu santo amor por meio de tantas graças especiais. Por isso, se o mundo solicitar o teu amor, ó esposa de Jesus Cristo, diz-lhe com Santa Inês: "Aparta-te de mim, pábulo da morte. Desejas o meu amor, mas eu não posso amar a mais ninguém do que a meu Deus, que me amou primeiro". "Porque és a esposa de um Deus, diz São Jerônimo, reveste-te de um santo orgulho". Os seculares se orgulham de sua união com pessoas nobres e ricas; tu, porém, podes te gloriar de uma sorte muito melhor, porque te tornaste esposa de um Rei Celeste. Dize, pois, cheia de alegria e santo orgulho: "Achei a quem meu coração ama; prendê-lo-ei com meu amor e não O largarei mais" (Cant 3, 4).

De fato, é uma imensa felicidade para uma virgem quando ela pode gloriar-se e dizer: "Aquele a quem os Anjos do Céu desejam servir, é meu Esposo. Meu Criador escolheu-me para Sua esposa, e, como Ele é o Rei e o Senhor do mundo, cingiu-me igualmente com uma coroa de rainha".

Deves saber, entretanto, ó esposa do Senhor que lês esses louvores, que não possuis irrevogavelmente essa coroa enquanto permaneceres aqui na terra; poderás perdê-la novamente por tua culpa; para que ninguém ta roube, segura-a fortemente (Apoc 3, 11). Renuncia às criaturas, une-te cada vez mais intimamente a Jesus Cristo pelo amor e pela oração, e suplica-Lhe sem cessar que não permita que te tornes outra vez infiel. Deves dizer-Lhe: Ó Jesus, meu divino Esposo, não permitais que me separe de Vós.

E quando as criaturas quiserem apoderar-se de teu e daí expulsar Jesus Cristo, dize desassombradamente com o Apóstolo, confiada na assistência divina: "Quem me separará do amor de Jesus Cristo? Nem a morte, nem a vida, nem criatura alguma será capaz de nos separar do amor de Deus" (Rom 8, 35).

[Nota: Quando o Santo Doutor fala da santa virgindade, refere-se às almas, tanto das mulheres quanto dos homens]

(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, Escola da Perfeição Cristã, compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, tradução do padre José Lopes, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 186-204 e 338­343).

Leia-o também em: www.larcatolico.webnode.com.br/mensagens que incentivam uma vida de santidade

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Tratado sobre o homossexualismo

por Everth Queiroz Oliveira

Luiz Mott, decano do movimento homossexual brasileiro, entrou em nosso blog e fez um comentário tanto quanto tendencioso no post “Culto ao homossexualismo”, onde eu criticava as palavras de Juliana Paes quando ela falava que não há problema nenhum em se prestar um culto ao homossexualismo, o que é absurdo. Mais absurdo ainda é observar uma pessoa tentando usar a Bíblia para defender a imoralidade. Isso sim é triste, deplorável e lamentável.

Apesar de absurdo, não é de se admirar que, em nosso mundo, existam pessoas empenhadas em defender suas ideais depravadas usando até mesmo da Palavra de Deus, uma vez que o próprio São Paulo profetizou que não faltariam desses homens corruptores de doutrina nos últimos tempos: “Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas” (2 Tm 4,3-4). E São Pedro alertava: “N[as cartas de São Paulo] há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2 Pd 3,16).

Invoco, antes de buscar refutar as ideias propostas por Mott, a sabedoria do Altíssimo e a humildade da Santíssima Virgem Maria para que possam me acompanhar nessa “cruzada” de fé. Invoco também a intercessão de São Jerônimo, profundo conhecedor das Sagradas Escrituras, que não hesitou em pregar a Palavra contra os difamadores do Reino: “Invoco o Espírito Santo para que Ele possa se expressar através da minha boca” (São Jerônimo, Tratado, 2) e que eu possa defender a verdade do Reino contra a promiscuidade do homossexualismo.

* * *

O título do seu texto é “O que todo cristão deve saber sobre homossexualidade”. Pois então, o que todo cristão deve saber acerca desse tema está nas Sagradas Escrituras, não existe necessidade de mais nenhum comentário. E a Bíblia é clara quando fala sobre o homossexualismo, seja no Antigo Testamento, seja na Nova Aliança. No AT, por exemplo, a Lei de Moisés diz: “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação” (Lv 18,22); e ainda: “Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa” (Lv 20,13). A destruição de Sodoma – é o que apontam as passagens bíblicas e a doutrina da Igreja – se deveu às atitudes pecaminosas do povo dali. No Novo Testamento, São Paulo é mais claro ainda:

“Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario. Como não se preocupasse em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno” (Rm 1,26-28).

Desses trechos não seria necessário mais nenhuma prova de que Deus condena severamente o homossexualismo. Mas Luiz Mott insiste. Destacaremos aqui – como ele fez – ponto a ponto suas ideais.

I. Não há o termo “homossexual” na Bíblia

Sem dúvida, não há mesmo. Essa palavra é contemporânea. O que não quer dizer, contudo, que Deus não condenaria essas práticas. Elas não tinham nome, mas os escritores sagrados a designavam de outras maneiras, como podemos ver, por exemplo, na carta de São Paulo aos Romanos (cf. 1,26-28), no trecho que acabamos de citar. São poucas – eu diria: raríssimas – as traduções bíblicas que trazem a palavra “homossexual”, justamente pelo fato de ela, no contexto daquele tempo, não existir. Contudo, numa linguagem mais atual, muitas passagens sagradas guiam a esse termo. Não vamos entrar muito nessa questão.

II. Antiguidade e homossexualidade

Diz Luiz Mott que “a prática do amor entre pessoas do mesmo gênero, porém, é muito mais antiga que a própria Bíblia”.  Não é de se duvidar que a prática homossexual seja antiga. Afinal, os homens, em todo o tempo, foram pecadores. A questão do pecado original, por exemplo, com ou sem a existência da Bíblia, seria uma realidade. “Todos pecaram – diz São Paulo – e estão privados da glória de Deus” (Rm 3,23). Contudo, – volto a afirmar, isso não quer de nenhum modo dizer que Deus permitia o homossexualismo. Seria anacrônico afirmar isso. As filhas de Lot, por exemplo, tiveram relações com seu pai e nem por isso essa atitude estava certa. Contudo, uma vez que a Lei de Deus ainda não havia sido prescrita aos homens, eles não conheciam a Sua Verdade e, desse modo, pecavam sem conhecimento.

Com a Lei de Moisés prescrita, contudo, não há mais desculpas. O homem peca se quiser. Pelo conhecimento da verdade, se sente livre a fazer o certo ou o errado com base numa moral. E foi isso que Deus fez: estabelecê-la entre os homens para que ele fielmente a pudessem seguir.

III. Condenação da idolatria

“Segundo os mais respeitados exegetas contemporâneos, (estudiosos das escrituras sagradas), fazia parte da tradição de inúmeras religiões de localidades circunvizinhas a Israel, a prática de rituais religiosos homoeróticos, de modo que esta condenação do Levítico (cf. 18,22; 20,12) visava fundamentalmente afastar a ameaça daqueles rituais idolátricos e não a homossexualidade em si”.

Esses “respeitados” exegetas contemporâneos se esquecem de que “nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal” (2 Pd 1,20). Para incitar ao homossexualismo, deturpam de modo descarado as Sagradas Escrituras, como se elas fossem propriedade de criaturas imperfeitas que agem sem a garantia do Espírito Santo.

Analisemos primeiro, o que dizem as condenações do Levítico ao homossexualismo:

18,22: “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação”. O que é uma abominação? Deitar-se com um homem, como se fosse mulher. Deus não está proibindo o homem de deitar com outro homem. Está proibindo que eles se deitem para fazer atos sexuais. Ora, Ele diz “como se fosse mulher”. Conclui-se, portanto, que se um homem se deita com outro como se fosse homem então não há problema algum, pois ambos apenas deitarão e não realizarão nenhuma atitude, além disso. Identificamos, com esse versículo, não só o fato do ato homossexual ser uma abominação; observamos que Deus vê com naturalidade as relações heterossexuais e não as contrárias a isso. Quando diz “como se fosse mulher”, destaca que relação natural do homem é com a mulher e não com outro homem. Ter relações sexuais com outro homem é abominável.

O versículo 12 do capítulo 20 do Levítico confirma a mesma coisa: o ato homossexual é abominável. Mas Luiz Mott diz que a condenação do Levítico “visava fundamentalmente afastar a ameaça daqueles rituais idolátricos e não a homossexualidade em si”. Se isso fosse de fato verdade Deus não chamaria o ato sexual entre o homem e outro homem de abominação e nem diria que, fazendo isso, eles estariam se contaminando: “Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque é assim que se contaminaram as nações que vou expulsar diante de vós” (Lv 18,24). Veja: é verdade que Deus buscava afastar a ameaça do povo de Israel, mas é verdade também que foram com essas práticas (cf. versículo 22 do mesmo capítulo) que os povos vizinhos a Israel se contaminaram. A homossexualidade é, portanto, uma abominação e uma contaminação, segundo o que afirma a bíblia.

Pergunta ainda Mott:

“Por que católicos e protestantes conservam somente a condenação da homossexualidade, enquanto abandonaram dezenas de outras proibições decretadas pelo mesmo Senhor?”

Enquanto algumas prescrições da Antiga Lei foram aperfeiçoadas por Jesus Cristo, outras, no entanto, permaneceram conservadas. Ora, e como comprovar isso? A carta de São Paulo aos Romanos é prova: “Os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza” (Rm 1,27). Enquanto, por exemplo, a guarda do sábado, com Jesus Cristo, foi aperfeiçoado – para o domingo – a homossexualidade continuou sendo condenada severamente pelo mesmo Senhor.

IV. Davi e Jônatas: o amor homossexual

Essa afirmação tendenciosa de que o amor entre Davi e Jônatas era homossexual não é comprovada pela Bíblia. Pelo contrário: se Davi foi de fato observador assíduo dos mandamentos do Senhor (cf. Eclo 49,5), não poderia transgredir contra as ordens levíticas que puniam com pena de morte os praticantes do homossexualismo. Mas Mott chama a relação existente entre Jônatas e Davi de indiscutivelmente homossexual. Ora essa, baseado em que ele poderia me afirmar isso?

“Eis a declaração do santo rei salmista para seu bem-amado: ‘Tua amizade me era mais maravilhosa do que o amor das mulheres. Tu me eras deliciosamente querido! ’(2 Sm 1,26).”

A tradução que João Ferreira de Almeida faz desse versículo não usa a palavra “deliciosamente”: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; quão amabilíssimo me eras! Mais maravilhoso me era o teu amor do que o amor das mulheres” (2 Sm 1,26). E a Bíblia católica não usa nem uma nem outra: “Jônatas, meu irmão, por tua causa meu coração me comprime! Tu me eras tão querido! Tua amizade me era mais preciosa que o amor das mulheres” (2 Sm 1,26). Nenhuma tradução usa essas palavras usadas por você. É asqueroso usar a palavra deliciosamente para favorecer seus interesses. Isso é vergonhoso e vagabundo. Quando Samuel fala da sua amizade (vide Bíblia Católica) com Jônatas, ele diz que é mais preciosa que o amor das mulheres, mas não substitui o amor das mulheres pela amizade de Jônatas. Esse aspecto é importantíssimo de se observar.

Não é são nem mesmo inteligente chamar Davi de gay baseado numa tradução que você próprio fez da Bíblia – para a sua própria ruína, sublinho -; também não é sábio falar da relação entre Rute e Noemi como se fosse homossexual… Enfim, não é são observar a Bíblia sobre o seu ponto de vista.

V. É bom dois homens dormirem juntos…

Mott agora cita a passagem do Eclesiastes (4,11) para defender dois homens dormindo juntos. Ora, qual o problema em dois homens dormirem juntos? Nenhum! Vai depender da finalidade. O Levítico não condena que dois homens durmam juntos. Ele condena que dois homens durmam juntos para terem relações sexuais: “Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher” (18,22). Portanto, analisando o contexto bíblico, observamos que Eclesiastes não quer falar do ato homossexual, mas do simples ato de dormir. Além disso, em Eclesiastes 4, o autor sagrado está falando do quão ruim é ser sozinho. E isso não tem nada a ver com sexo ou relações sexuais. Diz ele, no versículo 10: “Ai do homem solitário: se ele cair não há ninguém para levantá-lo”. É nesse sentido que o Eclesiastes fala do “homem dormindo com outro homem”. Não se pode tirar um versículo isolado da Sagrada Escritura para defender algo que a Bíblia condena severamente.

VI. O pecado de Sodoma e Gomorra não era a sodomia

A outra deturpação bíblica que Mott busca fazer da Sagrada Escritura fundamenta-se acerca dos pecados de Sodoma e Gomorra. Afirma ele erroneamente que “não há evidência histórica ou arqueológica que confirme (…) que tais cidades teriam sido destruídas por uma catástrofe”. Mas o testemunho bíblico é claro: “O Senhor fez então cair sobre Sodoma e Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo, vinda do Senhor, do céu. E destruiu essas cidades e toda a planície, assim como todos os habitantes das cidades e a vegetação do solo” (Gn 19,24-25). Portanto a evidência histórica existe sim. Ora o que é a Bíblia senão um livro histórico? Não relata ela a história do povo de Israel e, especificamente nesse caso, dos patriarcas que viveram antes da lei de Moisés?

Mas Luiz Mott garante que, em Gênesis 19,1-11, “quando os habitantes de Sodoma declararam desejar ‘conhecer’ os visitantes, maliciosamente se interpretou o verbo ‘conhecer’ como sinônimo de ‘ato sexual’”. Maliciosamente? Será que foi assim mesmo? Vejamos:

“E chamaram Lot: ‘Onde estão, disseram-lhe, os homens que entraram esta noite em tua casa? Conduze-os a nós para que os conheçamos.’ Saiu Lot a ter com eles no limiar da casa, fechou a porta atrás de si e disse-lhes: ‘Suplico-vos, meus Irmãos, não cometais este crime. Ouvi: tenho duas filhas que são ainda virgens, eu vo-las trarei, e fazei delas o que quiserdes. Mas não façais nada a estes homens, porque se acolheram à sombra do meu teto’.” (Gn 19,5-8)

Os homens da cidade querem “conhecer” os visitantes que estão na casa de Lot. Para entendermos o sentido da palavra ‘conhecer’, devemos pô-la num contexto. E o contexto da ocasião é claro em mostrar que os homens da cidade queriam “cometer um crime” contra os que estavam hospedados na casa de Lot. Ora, mas que crime seria esse? Ora, só pela palavra ‘conhecer’, já identificamos que é um ato sexual. Existem outros trechos na Bíblia que têm também este sentido. Por exemplo, Maria, quando soube que daria à luz Jesus, exclamou: “Como se fará isso, pois não conheço homem?” (Lc 1,34).

Ah, mas dirão os defensores da homo afetividade: não podemos afirmar que o sentido daquela palavra representa um homossexual. Ora, e como explicar então o fato de Lot oferecer suas duas filhas virgens a eles? Por que ele faria isso? Não deveria ser um ato muito grave para que Lot oferecesse suas próprias filhas aos rebeldes de Sodoma? Enfim, dizer que os pecados de Sodoma e Gomorra não foram a sodomia é, sobretudo, anti-bíblico.

VII. O verdadeiro pecado de Sodoma: injustiça e falta de amor

A Bíblia aponta como pecados de Sodoma “opulência, glutoneria, indolência, ociosidade” (Ez 16,49). Mas, como Mott mesmo reconhece, os livros do Novo Testamento – Judas e São Pedro – falam dos pecados de Sodoma de uma maneira mais direta: “Da mesma forma Sodoma, Gomorra e as cidades circunvizinhas, que praticaram as mesmas impurezas e se entregaram a vícios contra a natureza, jazem lá como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Judas 1,7). Os vícios contra a natureza, dos quais fala Judas, são os mesmos que São Paulo falou na sua carta aos Romanos: “… mudaram as relações naturais em relações contra a natureza” (Rm 1,26). Enfim, é praticamente inegável que os pecados de Sodoma não eram somente relacionados a sentimentos mais abstratos como amor e justiça; esses estavam diretamente relacionados à impureza, ao vício e à própria corrupção e condenação ao inferno.

Falar que o verdadeiro pecado de Sodoma era a injustiça e a falta de amor não é errado. Mas é sim errado desvincular essas duas faltas da questão do homossexualismo. São Paulo mesmo proclamava que havia uma profunda ligação entre essa depravação sexual e os demais pecados, como idolatria, impiedade, perversidade, malícia, cobiça maldade e inveja (cf. Rm 1,29). Dizia isso porque, o termo do pecado, independente da sua natureza, “é a morte” (Rm 6,23). Se for, portanto, verdade que Sodoma pecou por injustiça e falta de amor é também verdade que pecou por impureza e vício. A última encíclica do Papa Bento XVI chama-se justamente Caritas in Veritate. Ora o que é isso? Ela é a ligação estreita que deve existir entre o amor e a verdade, entre a caridade e a moral. Sem a moral, a caridade se torna maliciosa e impura.

VIII. Má tradução das epístolas de São Paulo

Ou má interpretação das mesmas, uma vez que essa é clara ao condenar o homossexualismo. Mott alega que algumas passagens das cartas de São Paulo foram mal traduzidas. Seriam elas Rm 1,2 (que nem fala sobre o tema); 1 Cor 6,9 (que usa o termo “efeminados” para caracterizar alguns homens que não possuirão o Reino de Deus); Cl 3,5 e 1 Tm 1,10. Dizem elas que os efeminados não possuirão o Reino. E não possuirão mesmo! Ora, diz claramente São Judas que os pecadores de Sodoma e Gomorra, que pecavam contra a própria natureza, “jazem lá como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno” (Judas 1,7). Então, essa é uma realidade, independente do erro ou não da tradução das epístolas paulinas.

Diz ele: “Há teólogos protestantes que chegam a diagnosticar Paulo de Tarso como homossexual latente”. Não é a toa que a Igreja definiu que “o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo” (DV 10). Para favorecer a verdade que convém ao que interpreta, vale tudo, até mesmo encontrar coisas onde elas não definitivamente não existem. Lamentável mesmo.

IX. Jesus nunca condenou os amantes do mesmo sexo

“Se o “homossexualismo” fosse uma coisa tão abominável, certamente o Filho de Deus teria incluído esse tema em sua mensagem, e Javé nos dez mandamentos”, diz Mott. Não havia necessidade. Ora, Jesus mesmo disse que “veio para levá-los [a lei e os Profetas] à perfeição” (Mt 5,17) e não para aboli-los. Sendo assim, cumpria a exortação levítica (cf. 18,22; 20,12) à risca. Além disso, será que Jesus Cristo não condenou mesmo o homossexualismo? Quem sabe disso? Não diz o evangelista João que “Jesus fez ainda muitas outras coisas” e que “se fossem escritas uma por uma, nem o mundo inteiro poderia conter os livros que deveriam escrever” (Jo 21,25)? Não sabemos se Jesus condenou ou não a homossexualidade, mas, se não condenou publicamente, não quer dizer que ele a aprovava. Se são os apóstolos os guardas fiéis das palavras de Cristo, sabemos que Ele condenou a iniquidade, a impureza e também as relações depravadas contra a natureza das quais fala São Paulo no capítulo 1 da carta aos romanos.

Agora Mott blasfema: “Há teólogos que chegam a sugerir que Jesus era homossexual, pois além de nunca ter condenado o homo erotismo, conviveu predominantemente com companheiros do seu próprio gênero, manifestou particular predileção pelo adolescente João, “o discípulo amado”, nunca se casou, além de revelar muita sensibilidade com as crianças e com os lírios do campo, comportamentos muito mais comuns entre homossexuais do que entre machões”. Dessa maravilhosa tese de Mott, observamos que ele não consegue ver um amor entre dois homens que não seja carnal. Se um homem ama a outro, então ele é transviado, homossexual? Não! Ora, não mandou Jesus Cristo que nos amássemos uns aos outros? Fazendo isso, por acaso, estamos transando com os outros? É duro perceber que não é possível, na cabeça de alguns, relacionar o amor com a pureza e a amizade. Lamentável.

Depois, relacionar a cura do servo do centurião e o rito de lava-pés com o homossexualismo só pode ser brincadeira… Triste, deplorável, condenável.

X. Os fundamentalistas deturpam as Sagradas Escrituras

Impressionante observar que não são somente eles que as deturpam. Os iníquos também o fazem. E com todo gosto, embora sua conduta não o permita, proclamam com voracidade: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,32). Ora, e o que é a verdade? São por acaso as falácias de Mott? Creio que não… E digo mais: se estamos lendo a Bíblia para encontrar nela uma verdade conveniente então estamos lendo o livro errado porque não é possível conciliar a vontade de Deus aos desejos perversos desse mundo promiscuo e vagabundo.

* * *

Lembremo-nos de São Tiago: “Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominação por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tg 4,4). E não deixemos que façam com as Escrituras o que desejam. Se não daqui uns dias vão querer afirmar que Deus não existe, baseando-se na Bíblia.

RESPOSTAS ÀS OBJEÇÕES EM FAVOR DO HOMOSSEXUALISMO E LESBIANISMO

 Maria Edite Matos da Costa

É natural que esse senhor chamado Luiz Mot defenda  com todas as forças os gays ,lésbicas ,e todo o tipo de promiscuidade. No fundo quer provar a ele mesmo que é normal, mas se realmente isso é normal eu pergunto: se a mãe dele fosse lésbica e o pai homossexual como é que ele tinha nascido?... Não tinha, pois não?
Então nesse caso se for usada à inteligência e não o instinto depravado só podemos tirar uma conclusão. Ser homossexual ou lésbica é simplesmente um defeito com que se pode nascer assim como se pode nascer cego, ou mongoloide, mas não quer dizer que seja normal Temos que respeitar e ajudar aqueles que nascem com esse defeito para que não caiam na promiscuidade
Quanto á Juliana Paes, só me ocorre uma palavra: COITADA!
Está tão endeusada com a sua beleza física, (que é passageira )que se esqueceu da beleza espiritual (que é eterna) Já têm havido muitos casos em que pessoas muito belas ficaram deformadas num acidente. Ela deveria pensar nisso em vez de andar a ofender as leis de Deus
Todos sabemos que o diabo anda a queimar os últimos cartuchos para angariar o maior número possível de almas
Para isso influencia pessoas que de uma forma ou de outra têm poder de comunicar com os outros para consciente ou inconscientemente serem seus ajudantes e estes dois estão nitidamente ao serviço do diabo Cá em Portugal também temos um grande trabalhador do diabo .Chama-se José Saramago. Por esse mundo fora há muita gente… Por exemplo o Dan Brown
Deus tenha misericórdia da alma desses ignorantes
Edite Costa PORTUGAL

Karina 

Ela voltou, com seu amor sem conversão de sempre, que não é amor… O amor da Sandra é o mesmo do pai que “ama” tanto seu filho que é incapaz de proibi-lo de roubar.

De qualquer forma, sobre o trecho que o Everth citou sobre as mulheres mudarem suas relações naturais em relações contra a natureza (Rm 1,26-28), vale citar que isso não fala somente do lesbianismo, mas também da rejeição consciente à maternidade, à feminilidade, dada principalmente pelo:
* ABORTO,
* coito interrompido (vide a repreensão que Deus fez à Onã por conhecer sua esposa “derramando sua semente no chão”, pois não queria ter filhos com ela)
* e, atualmente, aos métodos anticoncepcionais não naturais (abortivos, muitas das vezes).

Everth Queiroz Oliveira

Pedro,

Primeiramente, eu deveria dizer que é muito precipitado você dizer que, quando Jesus veio à Terra, ele não condenou a homossexualidade. O fato de não haver nenhuma afirmação explícita vinda de Cristo condenando a prática homossexual na Bíblia Sagrada não significa que ele não condenou esta prática. Você está errado em suas conclusões.

Para desqualificar as condenações do Levítico, você utiliza um exemplo de Cristo levando a Lei Antiga à perfeição. É verdade que muitíssimas leis do A.T. foram – digamos – aperfeiçoadas por nosso Senhor Jesus Cristo. O exemplo melhor a ser dado seria a superação da lei de Talião pela lei do “amai até mesmo os vossos inimigos”. Tudo isto é uma grande verdade… Não é verdade, porém, que devamos aplicar essa lógica de “abolição” para TUDO que está no Antigo Testamento. Pelo contrário. Cristo afirma: “Não julgueis que vim abolir a Lei e os profetas. Não vim para os abolir, mas para levá-los à perfeição” (Mt 5, 17). E mais: Paulo, o apóstolo dos gentios, em carta escrita aos cristãos em Roma, deixou evidente o pecado que é a relação homossexual (cf. Rm 1). Conclusão: mesmo após a Nova Aliança, continua sendo pecado a sodomia.

Mas, você, contrariando estudos científicos, ousa afirmar que homossexualidade não é opção, mas condição. Pois bem, adorador do senso comum, essa teoria não tem nenhuma base científica contundente. Há estudos sendo feitos nessa questão, mas NENHUM conseguiu provar o que você defende você que vem aqui e chama de “cegos” aqueles que não acreditam nas suas lorotas pseudocientíficas.

Você vai ainda mais longe: “Jesus veio para dizer que Deus é amor, Deus não tem regras, Deus quer o nosso bem”. Como assim, Deus não tem regras? Por favor, meu filho… Uma mãe e um pai que querem o bem de seu filho impõem regras sadias para a promoção de uma boa convivência familiar. Isso não faz deles cruéis perseguidores e frios legisladores. É justamente por amor que Deus coloca regras, que Deus mostra aos seus filhos a Verdade de seus mandamentos.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Everth Queiroz Oliveira

Pedro,

Como bom judeu, Cristo certamente condenou a homossexualidade porque Ele sempre esteve do lado do pecador, mas nunca do lado do pecado. Ele sempre insistiu na necessidade de conversão, nunca na ideia idiota de “santificar” o pecado, torná-lo uma prática aceitável. Cristo não deixou que apedrejassem a adúltera, mas, quando pôde, condenou o adultério.

Você não reconhece que o homossexualismo é pecado porque já afirmou para si mesmo que não vai aceitar que seja. Mostramos a você ensinamentos dos primeiros apóstolos, condenando a sodomia, mas você não aceita. Se mostrássemos uma afirmação objetiva e clara tirada do Evangelho e vinda de Jesus Cristo, condenando a mesma prática, você também não creria, pois já afirmou pra si mesmo que “o seu deus de amor” é um deus conivente com o pecado e com a impureza. Isto se chama obstinação.

A Bíblia afirma que Deus abomina a homossexualidade. Você está distorcendo as coisas. De novo: pecado e pecador são duas realidades bem diferentes. Só se igualam na medida em que o pecador se apega ao pecado de modo a querer ser lançado no fogo do inferno junto com o mal.

Mas, afinal, o que é o mal? Você não tem nem mesmo noção do que é o mal, como pode vir aqui querer dizer o que é “amor”? Como pode afirmar que uma ideia é idiota ou nonsense se não consegue identificar a verdade objetiva na natureza e nas próprias Escrituras? A definição de certo e errado não muda com o passar do tempo, ao contrário do que a sua mente imagina. E você dizer que Jesus defendia essa ideia estúpida é simplesmente inaceitável. Pelo amor de Deus, a sabedoria nunca poderá estar aliada ao relativismo moral! Nunca! Deus, que é a Verdade, é imutável; como você pode propor que o Todo-Poderoso e Suas Leis estejam submetidos à fragilidade do tempo?

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

Everth Queiroz Oliveira

Gisele,

Ninguém aqui é consciente de ser melhor que o outro ou coisa parecida. Isso aqui não é julgamento de conduta. Isso aqui é discussão moral. O homossexualismo é pecado.  na Bíblia e a Igreja, que foi instituída por Jesus Cristo para nos ensinar fé e moral, condena a prática. Isso basta. Não estamos aqui apontando o dedo ao gay e dizendo: “Vais para o inferno!” Estamos simplesmente mostrando que Deus, que é a Verdade, estabeleceu uma lei natural no coração humano e essa lei, desobedecida, conduz o homem não só à tristeza, mas também à morte. Estamos chamando aqueles que pelo pecado se afastaram de Deus a se reaproximarem d’Ele, buscando fazer Sua vontade.

Quanto à Bíblia ter sido escrita por homens, isso não significa que Deus não pode inspirar os homens para que eles escrevam tudo de acordo com a Verdade.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

MOISÉS 

Everth gostaria de expressar minha alegria em observar um cristão defender de forma inteligente e demonstrando tanto conhecimento sobre nossa fé.
Everth, como pude aprender com os defensores da fé, sei que essas pessoas que deturpam a palavra ao seu modo têm como característica em comum, dentre outras a criação de uma barreira que impede de ver o obvio e como vc disse tenho olhos não vejam e tendo ouvidos nao ouçam porém a palavra de Deus e indestrutível e jamais passará rezo para que mais cristãos tomem suas armas de luz e entrem nessa batalha que parece que irá destruir tantas almas (com a força do senhor possamos resgatar irmãos para o lar da eterna felicidade)

Fonte: http://beinbetter.wordpress.com/documentos/tratado-contra-o-homossexualismo/

Leia-o também em: www.larcatolico.webnode.com.br/mensagens que incentivam uma vida de santidade

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A Fuga das ocasiões de pecado: 
um dos mais graves deveres da vida espiritual.

(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO)

I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas

Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!

Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos.

O Espírito Santo diz: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Sena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado.

Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: “Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus.

Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti” (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti.

Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto.

É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele.

Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12): “Com temor e tremor operai a vossa salvação”Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.

II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente

Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. “Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma”, diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: “Desviai vossos olhos de uma mulher adornada” (Ecli 9, 8).

Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens.

Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.

O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Sena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.

Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.

Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.

Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas.

Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): “Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção”. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes.

Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. “Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado”, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém.

Mas que há de ruim quando se graceja?, dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.

Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.

III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades

Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo.

A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé.

Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que “aquela casa é o caminho para o inferno” (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado.

Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes.

Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.”

(Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)

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FUGA DAS OCASIÕES

 

Eclesiástico 3, 27: "... o que ama o perigo nele cairá"

 

 

 

Conta-se de certa espécie de ursos da Mauritânia, África, que vão à caça de macacos. Estes animais, ao ver o inimigo, sobem para o alto das árvores. O urso estende-se junto ao tronco, fingindo-se morto, e quando os macacos, confiados, descem ao solo, levanta-se, apanha-os e os devora.

Santo Afonso Maria de Ligório escreve: "Tal é a astúcia do demônio: persuade que as tentações estão mortas e quando os homens condescendem com as ocasiões perigosas, apresenta-lhes de súbito a tentação que os faz sucumbir" (Preparação para a Morte, Consideração XXXI, Ponto III).

Quem brinca com fogo se queimará. Aquele que mexe na lama se sujará. O que passa entre os espinhos será ferido. Também aquele que brinca com o pecado, cairá:"Procurar voluntariamente o pecado, não evitando as ocasiões que constituem um grande perigo, é expor-se à queda certa, é um verdadeiro suicídio espiritual" (Pe. João Batista Lehmann), e: "O combate, que sustentamos com os nossos inimigos, é às vezes tão forte que o único meio de sair vencedor é abandonar o campo e pôr-se em fuga"(Pe. Alexandrino Monteiro, Raios de Luz, 41).

É preciso fugir das ocasiões de pecado. O demônio nos odeia, por isso, usará de todas as armas para nos derrubar, para que não cheguemos ao lugar desejado na vida espiritual.

Seria prestar serviço ao demônio, se abandonássemos a obra que a divina Providência nos confiou, ou se desistíssemos de um trabalho em bom andamento, começado com pureza e retidão de intenção, só porque nos vemos cercados de tribulações e angústias do espírito: "O demônio vê sempre de maus olhos aqueles que aspiram à perfeição" (Santo Ambrósio).

No campo de batalha, o soltado que abandona a luta e foge é tido por covarde e fraco, enquanto que no combate espiritual, na luta contra as paixões e ocasiões de pecado, o fugir é sabedoria e valentia; o abandonar o campo do combate não é perder, mas ganhar a vitória.

Aquele que ama o perigo, com certeza será derrotado, mesmo que demore, um dia cairá. É preciso viver prudentemente e fugir das ocasiões.

O célebre capitão Alexandre Magno (+ 323 a. C.), numa de suas guerras, chegou a Górdio, cidade da Frigia, onde se encontrava, numa torre, o assim chamadonó górdio. O famoso nó era muito complicado, e jamais alguém o conseguira desatar. Alexandre, porém, desatou-o sem a mínima dificuldade. De que modo? Com um simples golpe de espada partiu o nó pelo meio. É assim que devemos fazer para livrar-nos das ocasiões do pecado: cortar imediatamente e sem hesitação os vínculos pecaminosos.

Quando se trata da ocasião do pecado, não vacilemos nem arranjemos desculpas, mas fujamos rapidamente: "As ocasiões de pecar são muito mais numerosas para pessoas tementes a Deus, que para os libertinos. Estes já são calejados de malícia, e não se impressionam mais com certas conversas, leituras, divertimentos e espetáculos, que perturbariam as almas simples e puras. Sejamos rigorosos contra nós próprios, abstendo-nos de tudo que é mundano, se quisermos agradar a Nosso Senhor e conservar ilibada a virtude. Com pouco se começa e facilmente se passa a coisas graves, a ocasião remota se transforma em próxima e a queda não tarda" (Pe. João Batista Lehmann).

Constrangido pelos exorcismos, "confessou certa vez o demônio que, entre todos os sermões, o que mais detesta é aquele em que se exortam os fiéis a fugirem das más ocasiões. E com efeito, o demônio se ri de todas as promessas e propósitos que formule o pecador arrependido, se este não evitar tais ocasiões" (Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a Morte, Consideração XXXI, Ponto III).

Um casal de namorados, mesmo comungando todos os dias, confessando semanalmente e rezando o Santo Terço; não evitaria o pecado se namorasse no escuro: "Em matéria de prazeres sensuais, a ocasião é como uma venda posta diante dos olhos e que não permite ver nem propósitos, nem instruções, nem verdades eternas; numa palavra, cega o homem e o faz esquecer-se de tudo. Tal foi a perdição de nossos primeiros pais: não fugiram da ocasião" (Idem).

Um pai de família, mesmo sendo católico praticante, não manteria a fidelidade conjugar, se estivesse sempre a beijar e abraçar a empregada: "Para tornar a entrar numa alma donde foi expulso, o demônio somente aguarda a ocasião oportuna" (São Cipriano).

Uma mulher casada, que está sempre assanhada e a olhar para os homens, solteiros ou casados, com certeza trairá o marido: "Quando a alma se deixa seduzir pela ocasião do pecado, o inimigo se apoderará novamente dela e a devorará irremediavelmente" (Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a Morte, Consideração XXXI, Ponto III).

Uma faxineira que está sempre a experimentar as jóias da patroa, poderá, com o passar do tempo, embolsar algumas delas.

A criança que está sempre a apertar os doces e chocolates nas prateleiras da padaria, com certeza, também cairá.

Católico, se quiser se salvar, isto é, entrar na vida eterna, fuja das ocasiões do pecado: "Quem quiser se salvar, precisa renunciar, não somente ao pecado, mas também às ocasiões de pecado, isto é, deve afastar-se deste companheiro, daquela casa, de certas relações de amizade..." (Idem).

Um dia, São Jerônimo, desapareceu das alegres reuniões romanas; procuraram-no nas termas, no circo, nos divertimentos: em vão. Por longos anos não se soube mais nada dele, tão alegre, tão inteligente. Porém uma vez, Vigilâncio descobriu-o numa gruta na Palestina, perto de Belém, depauperado pela penitência, de rosto em terra, rezando.

Chamou-o: "Jerônimo! Por que te enfunaste como um urso nesta gruta? Que temes?"

O santo ergue-se sobre os joelhos e, olhando-o, disse-lhe: "Vigilâncio; sabes o que eu temo? Temo tantos perigos entre os quais tu vives, temo as conversas ociosas, as brigas, a avareza sórdida, temo os olhos da mulher mundana".

Depois tornou a apoiar a cabeça no solo daquela gruta onde, quatro séculos antes, nascera Jesus, o Salvador.

"Isto é um fugir de covarde - insistia Vigilâncio - e não um vencer de glorioso. O bonito é saber resistir ao mal mesmo vivendo no meio dele!"

"Basta, Vigilâncio. Se esta é a minha fraqueza, confesso que sou fraco. Prefiro fugir para vencer, do que ficar para perder".

Católico, o único modo, pois, de vencer as ocasiões é fugir das mesmas. Se um santo, já desfeito pelas penitências, assegura não saber resistir no meio das ocasiões, como havemos nós de pretender não ver, sem deixar aquela companhia, sem abandonar aquele encontro, aquelas relações, sem queimar aquele livro? "A nossa natureza é demasiada fraca, e por isto é mais fácil ressuscitar um morto do que viver nas ocasiões sem pecar" (São Bernardo de Claraval), e: "Quantas almas infelizes, que praticavam a oração, que frequentavam a comunhão e que se podiam chamar santas, deixaram-se prender nos tentáculos do inferno, porque não evitaram as más ocasiões"(Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a Morte, Consideração XXXI, Ponto III).

A crer nos poetas antigos, houve uma vez uma menina de nome Atalanta, que era invencível na corrida. Muitíssimos haviam apostado com ela, mas tinham sido vergonhosamente vencidos.

Ora, veio Hipômenes, homem de coração astuto, e pediu para disputar o páreo. Todos já se riam da sua derrota, quando ele começou a lançar sobre o caminho maçãs de ouro. Maravilhada com o esplendor delas, Atalanta parava para apanhá-las, para olhá-las; mas, enquanto isso, os espectadores soltaram um altíssimo grito. Hipômenes a ultrapassara, e naquele momento tocava a meta.

Ante aqueles aplausos estremeceu a menina rapidíssima, e num segundo compreendeu: caíram-lhe das mãos as maçãs de ouro. Porém em vão; ela perdera para sempre.

Se Atalanta e Hipômenes existiram, pouco importa, mas creio na existência da alma e no demônio: "A nossa alma é como um menino que deve correr rapidamente para o Paraíso. Mas o demônio, de coração velhaco e maligno, lança-lhe sobre o caminho as maçãs de ouro das más ocasiões: é aquela companhia, é aquele encontro, é aquela pessoa, é aquele brinquedo. Cristãos: não pareis para recolher os enganosos frutos do nosso inimigo, do contrário perdereis a corrida da vida.

Faz rir, ou, melhor, faz chorar, a ingenuidade dessas almas que propõem não mais ofender o Senhor, passar uma santa quaresma, e não querem retirar-se no deserto.

Dizem querer converter-se, e depois ainda se apegam a tudo aquilo que no mundo se acha de mais adequado para pervertê-las.

Dizem não querer ofender a Deus e, no entanto, dão-se à leitura de jornais, de revistas e de livros suspeitos, ímpios e imorais.

Dizem não querer ofender a Deus, e metem-se em conversações em que o pudor e a caridade são ofendidos a todo momento.

Dizem não querer ofender a Deus, e demoram-se em certas afeições que amolecem o coração e o inclinam, pouco a pouco, para a culpa e para a desonra.

Dizem não querer ofender a Deus, e acorrem a espetáculos, a círculos ou reuniões onde acharão pessoas capazes de exercitarem sobre a sua alma mortíferas impressões.

Dizem não querer ofender a Deus, e depois, com a moda e com os arrebiques são ávidas de ver e de fazer-se ver pelo mundo.

Não se iludam elas: com estas disposições é impossível converter-se" (Pe. João Colombo).

As ocasiões de pecar são muitas, por isso, é preciso estar sempre atento para não se escorregar.

Aquele que se coloca na ocasião de pecar está tentando a Deus, e por isso, não tem o direito de esperar do Criador uma graça especial para não cair no pecado, em cuja ocasião se colocou.

O Pe. Alexandrino Monteiro escreve: "As ocasiões de pecado são empecilhos que não nos deixam caminhar livremente para o céu. São como o visgo, que o menino arma ao passarinho para o agarrar. Vem a incauta avezinha, pousa sobre ele, e quando vai levantar-se, não pode: tem as asas presas!

Quem se põe na ocasião fica preso nela, e já dificilmente pode voar para Deus, como a pena caída no lodo não se levanta para o céu.

A ocasião do pecado faz repetir as quedas nele, e estas enfraquecem tanto a alma, que esta chega a perder as forças para se desatolar do vício" ( Raios de Luz, 41).

Conta um poeta da antiga Roma, que um leão adoecera de uma tremenda bronquite. De cauda pendente, de cabeça baixa, com o ardor da febre nas vísceras, vem à boca da sua caverna e avista passar, na vereda em baixo, a raposa. "Raposa, raposa! - chamava gemendo o rei do deserto. - Estou doente de bronquite: ajude-me, do contrário morrerei sem sequer um cuidado".

A astuta raposa começou a pôr-se a uma distância tranquilizante; perscrutou em volta, e observou a vereda que conduzia à gruta do ilustre enfermo. Depois respondeu-lhe com um sorrisinho todo malicioso: "Eh, meu caro! Vejo muitas pisadas de animais, e todas voltadas para dentro da espelunca, e nenhuma para fora. Isto absolutamente não me tranquiliza. Se estás doente, sinto muito: adeus". E desapareceu, rindo-se, por entre as verduras.

Católico, as ocasiões de pecar assemelham-se a uma gruta, onde não está um leão, e sim, o demônio. Mas os homens são menos astutos que a raposa, por isso, São Cipriano lhes diz: "Quem brinca com a ocasião próxima do pecado, já não está seguro; é uma pérfida esperança essa que nos atrai para o meio da trincheira inimiga. Meter-se entre as chamas de um vasto incêndio e não se queimar, ou poder sair dele quando se quiser, é uma empresa impossível. Seria preciso um milagre; mas Deus não está obrigado a fazê-lo, e o homem que assim se expõe não o merece, antes faz tudo para se afastar do Senhor e perecer" (Lib. I, Ep. II). Em vão São Bernardo de Claraval os adverte: "Quem procura a ocasião já pecou".

Católico, tenha o cuidado da raposa, olhai a senda que conduz às ocasiões: não lhe achareis nenhum vestígio de retorno. Todos perecem nela.

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/comentarios/escrituras/escritura_0030.htm

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A cera e o fogo

 

 Um dos pontos mais indispensáveis para uma alma conseguir guardar perfeitamente a castidade é a fuga das ocasiões próximas de pecado.

Já foi dito que “em matéria de castidade não há fortes nem fracos. Há prudentes ou imprudentes.”
Com o pecado original ocorreu uma desordem nas paixões do homem, desordem esta que o inclina constantemente ao mal e que, com o auxílio da graça, pode ser domada, mas não extinta durante esta vida, sendo preciso estar sempre alerta com relação a ela, não lhe dando qualquer ocasião de nos dominar.
 
Ocasião próxima de pecado é a pessoa, coisa, lugar ou circunstância que atiça as paixões humanas, seduzindo a pessoa a pecar. 
 
Em virtude da fraqueza da natureza humana e da força de atração que o pecado exerce sobre nós depois da culpa original, expor a própria alma a uma ocasião perigosa, é praticamente como expor cera ao fogo. 
 
Se pudesse pensar, de nada a cera fugiria tanto quanto do fogo.
 
O fogo é de tal forma nocivo à cera, e a cera de tal maneira fraca diante do fogo, que basta que aquela fique próxima deste, ainda que este nem a toque, para que ela seja derretida.

A natureza da cera não resiste ao calor do fogo. Derrete-se. É consumida. Evapora-se. Aniquila-se.
 
Para a pobre "cera" --(que simbolicamente somos nós)-- não há outra alternativa: ou foge do fogo ou nele acha o seu fim. 
 
E se resolve não fugir, à medida em que for se derretendo, o cruel fogo saberá alimentar-se dela, tornando-se ainda mais forte, sempre à espreita de uma nova "cera" imprudente para devorar...
 
Ora, tanto quanto a cera diante do fogo, assim o homem é fraco, extremamente fraco, diante das ocasiões de pecado, de modo que expor-se a elas imprudentemente e, portanto, sem o auxílio da Graça, é sinônimo de nelas cair.
 
E, de fato, segundo a clássica doutrina dos moralistas, sob a égide de Santo Afonso de Ligório, expor-se a uma ocasião próxima de pecado mortal, que se poderia evitar, já é pecado mortal de imprudência. 
 
Logo não há outra alternativa para o homem: ou a fuga das más ocasiões, ou a morte espiritual.
 
E justamente da podridão das almas que assim vão tombando é que as más ocasiões ganham mais e mais força, infestando a sociedade com uma imoralidade que nada parece poder deter...
 
E assim a cristandade vai derretendo-se, desintegrando-se, aniquilando-se. Como cera ao fogo...
 
A reforma da cristandade requer necessariamente que se restitua às almas o horror pelas ocasiões próximas de pecado. 
Não é possível querer ser cristão e continuar brincando com a própria salvação eterna, expondo-se aos sutis laços do inferno, que são as ocasiões próximas de pecado.
 
“Pode alguém caminhar sobre brasas sem queimar os próprios pés?” (Prov VI,28).
 
Como já dizia um velho e experiente diretor de almas: “Em fugir ou não fugir da ocasião consiste o cair ou não cair no pecado” (Pe. Manuel Bernardes, Sermões e Práticas, II). 
 
E o mesmo autor faz uma curiosa observação: “Nós somos muitas vezes os que tentamos ao diabo. Por quê? Porque nós somos os que buscamos a ocasião, os que chamamos por ela; e buscar a ocasião em vez de ela nos buscar a nós é, em vez de o diabo nos tentar a nós, tentarmos nós ao diabo” (Idem). 
 
Nada auxilia tanto os planos do demônio quanto as ocasiões de pecado. São estas como que as emboscadas onde a toda hora aquela antiga serpente prepara o bote...
 
Santo Afonso nos conta que “constrangido pelos exorcismos, confessou certa vez o demônio que, entre todos os sermões, o que mais detesta é aquele em que se exortam os fiéis a fugirem das más ocasiões”. E o Santo Doutor comenta que, “com efeito, o demônio se ri de todas as promessas e propósitos que formule o pecador arrependido, se este não evitar tais ocasiões” (Preparação para a morte, c. XXXI, p. III). 
 
Muitas pessoas, após certo tempo de vida espiritual, imaginam-se já fortes o suficiente para resistir a qualquer tentação, e lá vão elas permitindo-se já certas liberdades... É o primeiro passo para o precipício.
 
“Aquele que julga estar de pé, tome cuidado para não cair” (I Cor X, 12). 
 
A este propósito, Santo Afonso recorda “o que se conta de certa espécie de ursos da Mauritânia, que vão à caça de macacos. Estes, ao verem o inimigo, sobem para o alto das árvores. O urso estende-se, então, junto ao tronco, fingindo-se morto, e quando os macacos, confiados, descem ao solo, levanta-se, apanha-os e os devora. Tal é a astúcia do demônio: persuade que as tentações estão mortas e quando os homens condescendem com as ocasiões perigosas, apresenta-lhes de súbito a tentação que os faz sucumbir. Quantas almas infelizes, que praticavam a oração, que freqüentavam a Comunhão e que se podiam chamar santas, deixaram-se prender nos tentáculos do inferno, porque não evitaram as más ocasiões” (ob. cit., idem).
 
E confirma-o relatando o fato de que “uma senhora virtuosa, no tempo da perseguição aos cristãos, dedicava-se à piedosa obra de recolher e enterrar os corpos dos Mártires. Entre eles encontrou um que ainda respirava. Levou-o para casa, tratou-o e chegou a curá-lo. Aconteceu, porém, que pela ocasião próxima, essas duas pessoas, que se podiam chamar santas, perderam primeiramente a graça de Deus e, depois, até a Fé cristã” (ob. cit., ibidem).
 
E diz ainda: “Em matéria de prazeres sensuais, a ocasião é como uma venda posta diante dos olhos e que não permite ver nem propósitos, nem instruções, nem verdades eternas; numa palavra, cega o homem e o faz esquecer-se de tudo. (...) Quem quiser salvar-se, precisa renunciar não somente ao pecado, mas também às ocasiões de pecado, isto é, deve afastar-se deste companheiro, daquela casa, de certas relações de amizade...” (ob. cit., ibidem). 
 
Dois foram os remédios que Nosso Senhor nos recomendou explicitamente contra as tentações: oração e vigilância. “Vigiai e orai, diz Ele, para não cairdes em tentação” (Mt XXVI, 41). Esta vigilância consiste precisamente na cautela em evitar as más ocasiões. 
 
“A vigilância é uma conseqüência da humilde desconfiança de nós mesmos e do conhecimento dos perigos a que estamos expostos. Um homem prudente, obrigado a seguir um caminho resvaladio, orlado de precipícios, não avança às cegas; repara onde põe o pé. (...) Uma surpresa, uma falta de atenção pode lançar-nos no fundo do abismo” (Pe. Chaignon, S. J., Meditações Sacerdotais, vol. II, m. XXII). 
 
Qualquer um que entenda que “levamos este tesouro (da Graça) em vasos de barro” (II Cor IV, 7), compreenderá o quanto precisamos nos cercar de vigilância contra as ocasiões próximas de pecado. 
 
E não será zombar de Deus alguém rezar: “não nos deixeis cair em tentação”, e  depois ir por si mesmo expor-se ao perigo? Ora, “lançar-nos por própria vontade num mar agitado, esperando que Deus, para nos livrar da morte, o acalmará e nos estenderá a mão para nos trazer ao porto do salvamento, é querermos que Ele anime a nossa temeridade e recompense a nossa presunção” (Pe. Chaignon, S. J., ob. cit.).   
O ódio de Nosso Senhor às más ocasiões e a radicalidade com que exige que delas nos apartemos, Ele bem o expressou ao dizer: 
 
“Se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos seres lançado no fogo eterno. Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena” (Mt XVIII, 8-9). 
 
Evidentemente não se trata de uma ordem para mutilar-nos, mas para ficarmos longe das ocasiões próximas de pecado, tanto quanto possível.
 
Importa distinguir, porém, entre as ocasiões próximas de pecado voluntárias e as necessárias, entre as ocasiões próximas absolutas e as relativas (Cf. Ad. Tanquerey,  Brevior Synopsis Theologiae Moralis et Pastoralis, n. 1170). 
Uma ocasião próxima de pecado é voluntária quando a pessoa tem como evitá-la, e, mesmo assim, se expõem a ela, sem grave necessidade. Assim, por exemplo, divertir-se assistindo a um programa imoral de televisão. Evidentemente é essa categoria de más ocasiões que combatemos no presente artigo. 
Uma ocasião próxima de pecado torna-se necessária quando a pessoa não tem como evitá-la, ou existe uma razão grave para expor-se a ela. Assim, por exemplo, o médico que para fins de exame ou tratamento precisa ver suas pacientes despidas. Nesses casos cessa a obrigação grave de evitar a ocasião próxima, restando o dever de cercar-se das precauções que forem possíveis e fortificar a vontade mediante a oração e demais recursos da vida espiritual. 
E devem considerar-se ocasiões próximas de pecado absolutas aquelas que habitualmente atentam contra a fragilidade humana comum, que são pedras de tropeço em si mesmas. Por exemplo, participar de danças imorais. Como estas ocasiões são um laço para qualquer pessoa, o dever grave de fugir delas subsiste para todos.
 
Por sua vez, existem as ocasiões próximas de pecado relativas: aquelas que não o são para o comum dos homens, mas apenas para o indivíduo que, por alguma razão especial, encontra nela um perigo próximo de pecado. Assim o entrar em um simples bar, algo indiferente para uma pessoa normal, torna-se ocasião próxima de pecado para um alcoólatra. O dever de evitar ocasiões como estas, existe apenas para aqueles que prevêem que encontrariam nelas um risco próximo de ceder ao mal.   
Feitos esses esclarecimentos, o que na prática cada um deve fazer é procurar fugir de tudo que ele saiba ser ocasião próxima de pecado, tanto quanto lhe seja possível. 
Os próprios Santos sempre fizeram da fuga das ocasiões de pecado um dos pilares de sua vida espiritual. E levaram isso até o extremo. São Luís Gonzaga, por exemplo, guardava o olhar ao ponto de nem saber a cor do teto sob o qual habitava, nem reparar o rosto daqueles com quem convivia.
 
E por saber que não apenas a santidade, mas a própria salvação eterna é impossível sem a renúncia às más ocasiões, os Santos sempre lutaram ardentemente para destruir essas pedras de tropeço no caminho espiritual de seus irmãos. Por isso a guerra que São João Maria Vianney abriu contra as danças em sua paróquia de Ars, ao ponto de chegar a pagar a organizadores de bailes para que não realizassem tais eventos. Por isso São Luís de Montfort comprava livros imorais e os rasgava na frente de seus vendedores. Por isso São Domingos Sávio tratou de destruir imediatamente as figuras imodestas que encontrou com um colega. E inúmeros exemplos como esses poderíamos citar.  
 
Nas missões populares então, missionários como São Luís de Montfort, Santo Afonso Maria de Ligório, Santo Antônio Maria Claret, pregavam ardentemente contra as más ocasiões, e a esses ardentes sermões correspondiam, por exemplo, ardentes fogueiras de livros maus, por parte do povo. 
 
Veja-se o testemunho do padre Mateus Testa, companheiro de Santo Afonso, a respeito das missões por este conduzidas em Nápoles: “Já não se viram irreverências nas igrejas; as mulheres renunciaram àqueles modos de vestir que causavam a ruína dos fracos; as moças, que haviam desaprendido o pudor, reencontraram o senso da modéstia; as tabernas perderam a sua clientela; e, por toda parte, foi o fim, nestas terras e vilarejos, de certas danças e divertimentos entre homens e mulheres e, sobretudo, entre rapazes e moças. Cânticos cristãos substituíram as canções licenciosas que essas senhoritas tinham nos lábios...” (Th. Rey-Mermet, Afonso de Ligório, Ed. Santuário, 1984). 
 
Nos confessionários, a doutrina clássica e unânime entre os moralistas, encabeçados por Santo Afonso, sempre ensinou que o confessor não pode absolver jamais uma pessoa que não esteja plenamente decidida a romper com todas as ocasiões próximas de pecado mortal que possa evitar.
 
Lástima incomparável, porém, é que nestes nossos tempos os pastores das almas, adeptos de uma “Nova Evangelização” que já não convertem ninguém, tenham abandonado a luta contra as ocasiões de pecado. 
 
Quem ainda prega contra as modas indecentes ou contra os banhos públicos nas praias e piscinas? 
 
Quem ataca a televisão, orientando as famílias a não darem abrigo a essa corruptora eletrônica em seus lares?
 
Quantas vozes ainda condenam os bailes, discotecas, rodeios, etc, lugares onde simplesmente se respira imoralidade, como todos sabem?
 
Quem ainda ensina os jovens que no namoro e noivado, não apenas as relações sexuais, mas também o beijo na boca e os abraços indiscretos são pecado mortal? Quem lhes ensina que é dever dos namorados e noivos evitar as ocasiões propícias à fornicação? 
 
E não só as ocasiões de pecado não são mais combatidas, como nas próprias paróquias, hoje, se proporcionam novas ocasiões más, através de certas festas, “cristotecas”, certos encontros de jovens...
 
Quem, no entanto, proporciona uma ocasião próxima de pecado às almas, lembre-se bem de que terá de responder, no último dia, por todos os pecados que tiverem decorrido dessa má ocasião. 

E como exemplo do quanto o Céu detesta as más ocasiões, citemos aqui o caso referido por Santo Afonso em um de seus mais conhecidos livros: “No ano de 1611, no célebre santuário de Maria em Monte-Virgem, aconteceu que, na vigília de Pentecostes, tendo a multidão que aí concorrera profanado a festa com bailes, desregramentos e imodéstia, se ateou de repente um incêndio na casa de tábuas em que estavam os romeiros, e em menos de hora e meia reduziu-a a cinzas, morrendo mais de 400 pessoas. Só sobreviveram cinco que depuseram, com juramento, terem visto a Mãe de Deus com duas tochas acesas pondo fogo no edifício” (Glórias de Maria, trat. IV, n.V).
 
A virtude da castidade não admite o que os moralistas chamam de “parvitas materiae”, ou seja, não há matéria leve contra a castidade: todo pecado contra ela, mesmo os pensamentos e olhares, se consentidos deliberadamente, são pecados mortais. Entenda-se isso, e se entenderá a necessidade e obrigação grave de se fugir de toda ocasião de sensualidade, como são as músicas e danças provocantes, as festas mundanas, as más companhias, os livros maus, os espetáculos onde hajam cenas impudicas, etc.
 
São Filipe Néri já dizia: “Na luta pela pureza, vence quem foge”.
" O sagaz vê o perigo e se esconde, o incauto segue em frente e paga por isso” (Prov XXVII, 12). 
 
Foge, pois, meu irmão, “foge do pecado como de uma serpente, porque, se te aproximares, morder-te-á; seus dentes são dentes de leões que aos homens tiram a vida” (Eclo XXI, 2). 
 
“Fuja, e quão longe puder, fuja (...). Fuja como de ar pestilento, corte-lhe o passo como a incêndio; creia que a fragilidade humana, e a astúcia diabólica, é maior do que ponderação alguma pode declarar” (Pe. Manuel Bernardes).
 
Fuja, porque “quem ama o perigo, nele perecerá” (Eclo III, 27). 
 
Como cera ao fogo.
 
 
Leia-o também em: www.larcatolico.webnode.com.br/mensagens que incentivam uma vida de santidade
 
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O católico camaleão

 

O Camaleão é um lagarto do gênero Anoles, ele muda de cor para se defender. É pardacento em cima do tronco da árvore e esverdeado entre a folhagem. O mimetismo é a arma que ele usa para proteger a sua fragilidade.

Um pobre lagarto usar dessa arma para enganar os inimigos não é nada escandaloso, mas um católico camaleão é o cúmulo do ridículo. O católico camaleão é aquele que toma o caráter que serve a seus interesses; hipócrita que muda de opinião segundo o interesse do momento. A cara desse católico é um verdadeiro guarda-roupa de máscaras, tem uma para cada situação, a sua vida é um “eterno” carnaval porque está sempre fantasiado de palhaço.

A pior coisa dentro da Igreja Católica é a fraqueza da maioria dos seus membros; são pessoas fracas, ficam de braços cruzados deixando os inimigos invadirem tudo, enquanto os bons cruzam os braços, os bandidos vão criando forças e destruindo tudo: “Recuar diante do inimigo, ou calar-se, quando de toda parte se ergue tanto alarido contra a verdade, é próprio de homem medroso ou de quem vacila no fundamento de sua crença. Qualquer destas coisas é vergonhosa em si; é injuriosa a Deus; é incompatível com a salvação tanto dos indivíduos, como da sociedade e só é vantajosa aos inimigos da fé, porque nada tanto afoita a audácia dos maus, como a pusilanimidade dos bons” (Sapientiae Christianae, Leão XIII).

O católico camaleão muda de cor, muda de opinião, de atitude de acordo com o meio social ou cultural em que se encontra. É uma pessoa sem convicção, é um verdadeiro “caniço agitado pelo vento” (Mt 11, 7), está sempre beijando o chão, não tem firmeza na fé, é um verdadeiro monte de barro: “O barro, qualquer chuva o dilui, qualquer enxurrada o carrega para as mil valetas dos caminhos, qualquer depressão do terreno o transforma em charco” (Dom Rafael Lhano Cifuentes).

O católico camaleão parece mais uma barata tonta, está sempre com a sua cara de hipócrita e lambida querendo agradar a todos, muda a máscara de acordo com o ambiente. É sério com os sérios, arreganhado com os arreganhados, puro com os puros, pelado com os pelados, mortificado com os mortificados, beberrão com os beberrões, imoral com os imorais etc., ele é realmente cheio de macaquice,

O católico camaleão possui um forte jogo de cintura, é um habilidoso diplomata. Mas o povo verdadeiro, que caminha com a verdade diz: “Eis aí um oportunista. Um vira-casada. Um covarde” (Dom Rafael Lhano Cifuentes). Quem vive assim é realmente um vira-lata e assassino de almas.

O católico camaleão é tão mentiroso e fingido que ninguém acredita nele, quando diz alguma coisa os ouvintes ficam na dúvida dizendo: acreditamos ou não, porque ele mente.

Aprendemos que o ato supremo da fortaleza consiste em enfrentar o martírio com valentia. Na época dos mártires, os que claudicavam era considerados apóstatas. E eu às vezes me pergunto: se neste nosso tempo as pessoas mascaram a sua fé pelo simples temor de uma gozação, que aconteceria se vivessem na época de Nero ou de Diocleciano, quando confessar a fé significava perder a vida? Sem dúvida, a apostasia – disfarçada de “jeitinhos” e “jogos de cintura” – converter-se-ia em verdadeira doença epidêmica” (Dom Rafael Lhano Cifuentes).

É ridículo um católico camaleão viver dando jeitinhos para tudo, lutando para unir a verdade com a mentira, as trevas com a luz, o pecado com a virtude e Deus com o demônio.

O católico não deve ser camaleão, mas sim, um exemplo para os outros: Não haveria mais nenhum pagão, se nos comportássemos como verdadeiros cristãos” (São João Crisóstomo). Existe algo no católico camaleão que deixa as pessoas decepcionadas: a falsidade e a hipocrisia.

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/palestras/palestra_026.htm

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Alocução do Papa Pio XII às Garotas da Ação Católica
Cruzada pela Pureza[1]

(Felicitações por ter começado a “Cruzada pela Pureza”)

É uma cruzada contra os que minam a moral cristã, contra os perigos que estão criando, no fluxo tranqüilo da boa moral no mundo, poderosas ondas de imoralidade que estão inundando todo o mundo e envolvendo todas as classes sociais. Não é apenas a Igreja que proclama esse perigo existente hoje em toda a parte; mesmo entre os homens que não seguem a fé cristã, aqueles que são mais perspicazes, os mais preocupados com o bem público, têm apontado claramente os perigos terríveis para a ordem social e para o futuro das nações. Os incentivos à impureza, multiplicando-se continuamente, envenenam as bases da vida. E ao mesmo tempo, a atitude indulgente, ou melhor, a atitude negativa de uma parte cada vez maior da opinião pública, tornando-a cega para os mais graves distúrbios morais e relaxa ainda mais as rédeas que mantêm o mal sob controle.

A imoralidade presente é pior do que a de idades precedentes? Seria talvez imprudente afirmar isso, e a pergunta é em todo caso supérflua. Na sua própria época, o autor do Livro de Eclesiastes pôde escrever: “Não digas jamais: Como pode ser que os dias de outrora eram melhores que estes de agora? Porque não é a sabedoria que te inspira esta pergunta. O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer. Não há nada de novo debaixo do sol”.[2]

Batalha Cristã

A vida do homem na terra, mesmo na época cristã, permanece sempre uma guerra. Temos que salvar nossas almas e as almas dos nossos irmãos. Hoje, o perigo é certamente maior, porque os meios de excitar as paixões, anteriormente muito restritos, multiplicaram-se enormemente. O progresso na impressão, publicações baratas e luxuosas, fotografia, ilustrações, reproduções artísticas de todas as formas, cores e preços; filmes, espetáculos de variedades e centenas de outros meios apresentam secreta e discretamente as atrações do mal, e as tornam disponíveis a todos – velhos e jovens, mulheres e garotas. Não é verdade que está aí para todo o mundo ver uma moda que é tão exagerada a ponto de dificilmente ser adequada a uma garota cristã? E o cinema não apresenta agora as produções que anteriormente eram apresentadas apenas em locais onde mal se ousava pôr os pés?

Em face de tais perigos, em alguns países, as autoridades públicas têm tomado medidas legislativas ou administrativas para conter a avalanche de imoralidade. Mas essa ação externa vinda até mesmo das autoridades mais poderosas, embora louvável, útil e mesmo necessária, nunca pode por si só trazer os resultados na esfera moral, que são sinceros, fecundos e curadores para a alma. Para curar a alma, um tipo diferente de poder é necessário.

O dever da Ação Católica

A Igreja deve trabalhar pela alma, e da mesma forma a Ação Católica, a sua ação, a serviço da Igreja, em união íntima e sob a direção da Hierarquia, lutando contra os perigos da imoralidade, lutando em qualquer campo que esteja aberto para você: no campo da moda e do vestuário, da saúde e do esporte, no domínio das relações sociais e de entretenimento, suas armas serão a sua palavra, o seu exemplo, a sua cortesia e seu comportamento; armas que põe ante os outros um padrão de ações, que são uma honra para você e sua atividade, e tornam este mesmo padrão possível e louvável para eles.

Não temos a intenção de pintar o triste retrato, apenas muito familiar, dos exageros que você percebe sobre si: vestidos que dificilmente são suficientes para cobrir a pessoa, ou outros que parecem concebidos para enfatizar aquilo que deveria esconder; esportes que são realizados com tais vestuários, tanto exibicionismo e em tais companhias que são irreconciliáveis até mesmo com o padrão menos exigente da modéstia; danças, filmes, peças teatrais, publicações, ilustrações, decoração a partir do qual o desejo louco de entretenimento e prazer produz graves perigos. Ao contrário, nós temos o desejo de trazer à mente mais uma vez os princípios cristãos que iluminem suas decisões nesses assuntos, seus passos e guia de conduta, e inspirem e sustentem sua guerra do espírito.

É realmente uma guerra. A pureza das almas que vivem em estado de graça sobrenatural não é preservada, nem será preservada, sem luta. Felizes são vocês que têm recebido em suas famílias na aurora da vida, do berço, uma vida mais elevada, vida divina, através do batismo. Quando você era bebê não tinha que batalhar, inconsciente de tal grande dom e de tal felicidade – como fazem as almas mais maduras, mas menos afortunadas do que você – para ganhar um tão grande bem: mas você também deve lutar para preservá-lo.

Embora o pecado original tenha sido limpo de suas almas pela ação purificadora da graça santificante que as reconciliou com Deus, tornando vocês filhas adotadas e herdeiras do céu, deixou em vocês uma forma triste da herança de Adão: um desequilíbrio interior, um conflito, que até mesmo o grande apóstolo Paulo sentia. Quando o homem interior alegrou-se na lei de Deus, sentiu outra lei, a lei do pecado nos seus membros, a lei das paixões e das inclinações desordenadas, nunca inteiramente sujeitadas, com a qual o anjo de Satanás trabalha, ajudado pela carne e pelo mundo, para seduzir as almas. Essa é a guerra do espírito e da carne, tão abertamente atestada na revelação, que (se excetuarmos só a Virgem Maria) é inútil pensar que pode haver uma vida humana sem o devido cuidado e luta.

Não se engane, considerando a sua alma insensível à tentação, invencível a atrações e perigos. É verdade que o hábito pode tornar uma alma menos impressionável, sobretudo no caso de uma cujos poderes são absorvidos e totalmente ocupados no exercício de alguma atividade intelectual superior ou profissional. Mas imaginar que todas as almas, tão propensas ao sentimento, podem tornar-se insensíveis às incitações provenientes de imagens que, coloridas pela sedução do prazer, chamam e prendem a atenção, seria supor e julgar que a cooperação no mal que os convites insidiosos encontram no instinto da natureza decaída e desordenada poderiam cessar ou diminuir.

O objetivo de ação comum

Essa luta inevitável você aceita com coragem e espírito cristão. O objetivo da ação comum não pode ser a eliminação total desse combate, mas deve ter por objetivo assegurar que esse necessário conflito espiritual não se torne mais difícil e perigoso para as almas pelas circunstâncias extrínsecas e pela atmosfera em que os corações que sofrem seus ataques devem resistir e lutar.  Nos campos de batalha da Igreja, onde a virtude se opõe ao vício, você encontrará sempre os personagens heróicos novos intrépidos, moldados por Deus: esses, sustentados pela graça, não se abalam nem caem, não importa o quão fortes sejam os golpes; eles podem abertamente conservar-se incorruptos e puros no meio da sujeira que os cerca; eles são, por assim dizer, o fermento no grão bom, e um renascimento para o maior número de almas – esses, também, redimidos pelo sangue de Cristo, que constituem as massas. O objetivo, então, do seu combate deve ser o de tornar menos árdua para os homens de boa vontade a conquista do grau de pureza cristã, a condição de salvação: para garantir que as tentações que surgem do ambiente não excedam os limites da resistência que, com a graça divina, a vitalidade medíocre de muitas almas possa se opor a elas.

Para realizar objetivo tão santo e virtuoso, deve-se agir de acordo com os grupos e correntes de idéias: uma tarefa na qual uma ação conjunta pode operar com grande efeito. Desde que a união faz a força, apenas um grupo compacto, tão numeroso quanto possível, de espíritos cristãos resolutos e não tímidos, será capaz de, sempre que a sua consciência exige, de lançar fora o jugo de certos ambientes sociais, de se libertar da tirania – hoje mais forte do que nunca – de modas de todo tipo: a moda no vestir, a moda no comportamento e nas relações da vida.

Moderação e bom gosto

O movimento da moda em si não é algo mau. Ele flui espontaneamente da natureza social do homem, de acordo com um impulso que o inclina a manter-se em harmonia com seus semelhantes, e com o modo de agir das pessoas entre os quais ele vive. Deus não lhe pede para viver fora do seu tempo, tão descuidado das exigências de forma a tornar-vos ridículos, vestindo-se de maneira oposta ao gosto comum e práticas de seus contemporâneos, sem considerar o que agrada a todos eles.

Por isso mesmo o angélico Santo Tomás afirma que, nas coisas externas que o homem usa, não há mal. Mas o mal vem do homem, que faz uso dessas coisas sem moderação, ou de modo contrário ao uso comum no seu ambiente, tornando-se estranhamente em discórdia para com os outros. Ou então, usando as coisas de acordo com o uso comum, mas na verdade com afeição exagerada, através do uso de muitas roupas pelo orgulho de estar na moda ou pelo prazer, ou analisadas com um cuidado exagerado, quando apenas humildade e simplicidade teriam sido suficientes para garantir o decoro necessário.

E o mesmo santo Doutor vai tão longe e diz que o ornamento da pessoa do sexo feminino pode ser um ato meritório da virtude, quando estiver em conformidade com o estado, a posição da pessoa, e se é feito com boas intenções, e quando as mulheres usam ornamentos que são decentes de acordo com sua posição e sua dignidade, quando eles são governados de acordo com os costumes de seu país. Então ornamentar a si mesmo também se torna um ato da virtude da modéstia, que influencia o modo de andar e de se portar, o modo de vestir, todos os movimentos externos.

Mesmo seguindo a moda, a virtude está no meio. Aquilo que Deus pede é recordar sempre que a moda não é, nem pode ser a regra suprema da conduta; que acima da moda e de suas exigências existem leis mais altas e imperiosas, princípios superiores e imutáveis, que em nenhum caso podem ser sacrificados ao talante do prazer ou do capricho, e diante dos quais o ídolo da moda deve saber inclinar a sua fugaz onipotência. Esses princípios foram proclamados por Deus, pela Igreja, pelos santos e pelas santas, pela razão e pela moral cristãs, assinalados limites, além dos quais não florescem lírios e rosas, nem pairam nuvens de perfumes da pureza, da modéstia, do decoro e da honra feminina, mas aspira-se e domina um ar malsão de leviandade, de linguagem dúbia, de vaidade audaz, de vanglória, não menos de espírito que de traje. São aqueles princípios que Santo Tomás mostra para o ornamento feminino e recorda, quando ensina qual deve ser a ordem de nossa caridade, de nossas afeições:o bem da própria alma deve preceder o do nosso corpo, e à vantagem de nosso próprio corpo devemos preferir o bem da alma de nosso próximo. Não se vê, portanto, que há um limite que nenhuma idealizadora de modas pode fazer ultrapassar, a saber, aquele além do qual a moda se torna mãe de ruína para a alma própria e dos outros?

O sacrifício exige

Algumas jovens dirão talvez que uma determinada forma de vestuário é mais cômoda, e também mais higiênica; mas, se constitui para a saúde da alma um perigo grave e próximo, não é certamente higiênica para o espírito: tem-se o dever de renunciar. A salvação da alma fez heroínas mártires como Inês e Cecília, em meio dos tormentos e lacerações de seus corpos virginais: e não irão vocês, suas irmãs na fé, no amor de Cristo, na estima para virtude, encontrar no fundo de seus corações a coragem e força para sacrificar um pouco do bem-estar – uma vantagem física, se vocês preferem – para conservar segura e pura a vida de suas almas?

E se, por um simples prazer próprio, não se tem o direito de colocar em perigo a saúde física dos outros, não é talvez ainda menos lícito comprometer a saúde, até a própria vida de suas almas? E, se como dizem algumas mulheres, uma moda ousada não deixa nelas impressão alguma, o que sabem elas da impressão que deixarão nos outros? Quem lhes assegura que outros não tirarão disto um incentivo para o mal? Vocês não conhecem bem a fragilidade humana, nem de que sangue de corrupção sangram as feridas deixadas na natureza humana pela culpa de Adão com a ignorância no intelecto, com a malícia na vontade, com a ânsia do prazer e a debilidade para o bem, árduo nas paixões dos sentidos a tal ponto que o homem, como cera amoldável ao mal, “vê o melhor e o aprova, e ao pior se apega”[3], por causa daquele peso que sempre, como chumbo, o arrasta para o fundo. Ó, quão verdade seria se algumas mães cristãs suspeitassem as tentações e quedas que causam aos outros com seus modelos de vestidos e familiaridades em seus comportamentos, que elas inconscientemente consideram de pouca importância: estariam chocadas pela responsabilidade que é sua!

Ao que Nós não duvidamos de acrescentar: oh, mães cristãs, se soubésseis que futuro de perigos e íntimos desgostos, de dúvidas e irreprimível rubor preparais para vossas filhas e filhos, com imprudência em acostumá-los a viver parcamente vestidos, fazendo deles desaparecer o sentido natural da modéstia, vós mesmas enrubesceríeis, e vos horrorizaríeis pela vergonha que causais a vós mesmas e o dano que fazeis aos filhos que vos foram confiados pelo céu, para que crescessem cristãmente. E aquilo que dizemos para as mães, repetimo-lo a não poucas senhoras crentes, e mesmo piedosas, que aceitam seguir esta ou aquela moda arrojada, e com o seu exemplo fazem cair as últimas hesitações que retêm uma turba de suas irmãs que estão longe daquela moda, a qual poderá tornar-se para elas fonte de ruína espiritual. Enquanto certos modos provocantes de vestir permanecem como triste privilégio de mulheres de reputação duvidosa e são quase um sinal que as faz reconhecer, não se ousará, pois, usá-los para si; mas no dia em que aparecerem como ornamentos de pessoas acima de quaisquer suspeita, não se duvidará mais de seguir tal corrente, corrente que arrastará talvez para dolorosas quedas”.

(Exortação a um combate inteligente e corajoso)

[1] Alocução 22 maio 1941. Papal Teaching, The Woman in the Modern Word, St. Paul Editions (1958)

[2] Eclesiastes 7, 10; 1, 9

[3] Rm 7, 19

FONTE: mariaemodestia.com/tag/magisterio/

Leia-o em: larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salva%C3%A7%C3%A3o-eterna/

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As roupas imorais

 

Quem usa roupa imoral comete o pecado de escândalo. Escândalo é qualquer ação, palavra ou omissão que possa induzir alguém a pecar. Nada nos faz ver tão claramente a sua gravidade como aquele: Ai! Com Jesus ameaça o escandaloso: “Ai do mundo por causa dos escândalos!” (Mt 18, 7).

O nosso corpo é templo do Espírito Santo: “Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo” (1 Cor 6, 19), por isso o cristão não pode fazer dele uma morada dos demônios usando roupa escandalosa, porque quem as usa coloca muitas almas no caminho do inferno: “Salvar as almas, é entre as obras divinas, a mais divina. Portanto, induzir as almas ao pecado pelo escândalo é, entre as obra diabólicas, a mais diabólica” (São Dionísio Areopagita).

O pescador usa a rede para apanhar peixes, enquanto que o demônio usa a roupa imoral para apanhar muitas almas. O escândalo cometido através da roupa imoral é um grande mal, porque rouba a glória de Deus, que lhe devem dar todas as criaturas, reconhecendo a sua sabedoria pela observância de sua lei. É um mal para a mulher que anda pelada, porque lhe rouba a graça santificante e a põe em risco de se perder eternamente, isto é, de cair no fundo do inferno. É um mal do próximo, porque o induz a pecar e separar-se do seu último fim, pondo em perigo a sua eterna salvação.

O escândalo é semelhante a uma espada afiada de ambos os lados. Mata aquele que o dá, e aquele que o recebe – o escandaloso e o escandalizado. Mas quem fica mais maltratado é sempre o escandaloso.

O escandaloso peca duas vezes: uma na ação que pratica, outra na ação que faz praticar o seu semelhante. Faz-se réu de dois crimes, e por isso digno de dois castigos.

Pecam gravemente as pessoas que, seguindo as exigências de uma moda pagã, se vestem escandalosamente e de uma maneira tão podre e imunda, que mais parecem despidas do que vestidas. É o pecado da imodéstia e do escândalo de que se tornam culpadas.

A Igreja Católica Apostólica Romana, única representante de Cristo sobre a terra, zeladora por excelência da fé e da moral, condena hoje, como sempre condenou a moda imoral, indecente, leviana, pagã, e exige de suas filhas que se vistam modesta e decentemente, como convém às cristãs, que não querem fazer pacto com o espírito pagão do mundo.

Se existem padres e bispos que não orientam o povo sobre as modas imorais, a culpa não é da Santa Igreja Católica, e sim, de muitos pastores acomodados: “Todas as sentinelas são cegas, nada percebem; todas elas são uns cães mudos, incapazes de latir; vivem a resfolegar deitados, gostam de dormir” (Is 56, 10), e: “Procuram atender os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo” (Fl 2, 21).

Muitos sacerdotes e bispos conhecem melhor os ensinamentos da política do que os documentos da Igreja Católica Apostólica Romana. A Igreja mostra abertamente que o certo é usar roupas decentes e não roupas satânicas.

a – “A prática do pudor e da modéstia, no falar, no agir e no vestir, é muito importante para criar um clima apropriado à conservação da castidade… os pais devem vigiar a fim de que certas modas e certas atitudes imorais não violem a integridade da casa...” (Sexualidade Humana: verdade e significado, nº 56).

b – “Os pais devem então ensinar a seus filhos o valor da modéstia cristã, da sobriedade no vestir, da necessária autonomia em relação às modas, característica de um homem e de uma mulher com personalidade madura” (Idem nº 97).

c – “Aceita a necessidade de modéstia no modo de vestir e no comportamento” (Idem, nº 79).

Muitos vão à igreja com roupas escandalosas, pensando que a casa de Deus é praia ou boteco, sabemos que Deus não fica feliz com esse comportamento pagão.

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/palestras/palestra_025.htm

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“A MODÉSTIA É MÃE DO AMOR VERDADEIRO”

                                                                                                     (São João Crisóstomo)

São Paulo quer que as mulheres cristãs (o que há de entender-se também dos homens) se vistam segundo as regras da decência, deixando de todo excesso e imodéstia em seus ornatos”. (São Francisco de Sales, Filotéia, Parte III, Cap. 25);  isto é, deixando de lado toda moda escandalosa.

São Dionísio Areopagita escreve: “Salvar as almas, é entre as obras divinas, a mais divina. Portanto, induzir as almas ao pecado pelo escândalo é, entre as obras diabólicas, a mais diabólica.”

Que é o escândalo?

Escândalo é uma palavra, ação ou omissão que leva o próximo a ofender a Deus, e expõe assim a dar a morte à sua alma. A mulher que usa roupa imoral (minissaia, tomara-que-cai, transparentes, short, alcinhas, calça centropê, e outras modas pagãs), é escandalosa; ela trabalha com o demônio, para perder as almas que Jesus Cristo veio remir com o seu Preciosíssimo Sangue. Esse tipo de mulher peca duas vezes: uma na ação que pratica, outra na ação que faz praticar o seu semelhante. Faz-se culpada de dois crimes, e por isso digna de dois castigos: “Certamente, uma mulher que veste roupa imoral pode condenar-se. E pode condenar-se, quer pelo pecado que comete ela mesma, quer por que causa a condenação de outras pessoas” (São João Eudes).  Ora, se já é criminoso tirar ao próximo a vida do corpo, quanto mais grave não é o crime de perder-lhe a alma: “Se o sangue de Abel bradou ao céu por vingança, qual não será o brado do Sangue de Jesus Cristo contra aqueles que dão escândalo... quem dá escândalo, completa a obra do demônio, seduzindo as almas e levando-as à eterna perdição; é pior que o demônio, que afinal nada mais pode fazer senão rodear-nos qual leão que ruge, porém, do modo invisível e em certa distância, sempre em atitude de fugir quando nota resistência de nossa parte. Inteiramente outra é a influência de quem dá escândalo. Este, com semblante de amigo se acerca de nós; à nossa resistência ele opõe suas blandícias, e não desiste dos seus maus intentos enquanto não os tiver realizado” (Pe. João Batista Lehmann, Euntes Praedicate! Vol. III).

Para essas mulheres escandalosas, secretárias e satélites do demônio, estão reservadas estas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Quem escandalizar a um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor é que se lhe pendure ao pescoço uma mó de atafona, e seja lançado no fundo do mar” (Mt 18,6). Melhor lhes seria, fossem lançadas ao fundo do mar muitas mulheres escandalosas, que pelo exemplo péssimo que dão com suas roupas depravadas, ocasionam a queda e a perdição de seu próximo. Ao fundo do mar deviam ser submersas as artistas que lançam roupas depravadas; as costureiras que confeccionam roupas imorais; os estilistas que desenham modelos indecentes e todas as mulheres que fazem uso destas vestes mundanas e satânicas.

 

A MULHER QUE USA OU INCENTIVA A ROUPA IMORAL É ASSASSINA

O mau exemplo da moda imoral, já arrastou e continua arrastando milhares de pessoas de todas as idades para o abismo do mal, principalmente os homens curiosos.

A roupa imoral é uma TARRAFA ou REDE, que as PESCADORAS DE SATANÁS usam para pescar as almas dos homens curiosos que não mortificam os olhos. A esses curiosos diz-lhes Jesus: “E, se o teu olho te escandaliza, arranca-o e atira-o para longe de ti. Melhor é que entres com um olho só para a vida do que, tendo dois olhos, seres atirado na geena de fogo” (Mt 18, 9), e no livro de Jó diz: “Eu fiz um pacto com meus olhos: para não olhar para uma virgem” (31, 1).

A ASSASSINA, de todas a mais ASSASSINA, é aquela mãe que compra ou manda fazer roupas escandalosas para as suas filhas. Essa mãe profana a inocência da criança.

Em Levítico 18,21 diz: “Não entregarás os teus filhos para consagrá-los a Moloc, para não profanares o nome de teu Deus”. Estes sacrifícios de crianças que se “fazia passarem” pelo fogo, isto é, que eram queimadas, são um rito cananeu condenado pela Lei (Lv 20, 2-5; Dt 12, 31; 18, 10).

As mães idólatras jogavam as suas criancinhas dentro do deus Moloc (tinha fogo na barriga): “... por seus deuses chegaram até a queimar os próprios filhos e filhas!” (Dt 12,31; Sl 105, 36-38).

A mãe que compra, manda fazer e incentiva ou obriga a sua filha a usar roupas imorais, mata a inocência da filha, entregando-a não ao deus Moloc, e sim, ao demônio. Essas mães idólatras, que idolatram essas modas do demônio agem totalmente contra os ensinamentos da Igreja Católica Apostólica Romana: “Os pais devem então ensinar a seus filhos o valor da modéstia cristã, da sobriedade no vestir, da necessária autonomia em relação às modas, característica de um homem ou de uma mulher com personalidade madura” (Sexualidade Humana: Verdade e Significado, nº 97).

 

COMO SE DEVE VESTIR UMA AUTÊNTICA CATÓLICA

O nosso corpo é templo de Deus, por isso, é preciso vesti-lo com pudor (Cf. 1 Cor 6,19-20).

É triste ver meninas e moças seminuas em todos os ambientes. Esta maneira pagã de vestir mostra abertamente que os pais estão falhando na educação de seus filhos, sendo que esta omissão os fará chorar amargamente no futuro.

A Santa Igreja Católica Apostólica Romana, orienta os pais sobre a maneira corretíssima e pura de formar os seus filhos na moral católica: “A prática do pudor e da modéstia, no falar, no agir e no vestir, é muito importante para criar um clima apropriado à conservação da castidade, mas isto deve ser bem motivado pelo respeito do próprio corpo e da dignidade dos outros... os pais devem vigiar a fim de que certas modas e certas atitudes imorais não violem a integridade da casa” (Sexualidade Humana: Verdade e Significado, nº 56), e: “A moda não deve nunca fornecer uma ocasião próxima de pecado” (Pio XII, Alocução “Di gran cuore”, nº 30).

É ainda mais triste e escandaloso ver senhoras casadas, que são chamadas para serem exemplo e luz para as meninas e moças, andarem como verdadeiras “adolescentes levianas ou mocinhas pagãs”: “Visto que durante a puberdade um rapaz ou uma jovem são particularmente vulneráveis as influências emotivas, os pais têm o dever, através do diálogo e do seu estilo de vida, de ajudar os filhos a resistir aos influxos negativos que chegam do exterior e poderiam levá-los a subestimar a formação cristã sobre o amor e a castidade” (Sexualidade Humana: Verdade e Significado, nº 97).

Uma mulher casada pode se enfeitar quando for desejo do marido, é importante lembrar, que esse enfeite não consiste em usar roupas imorais, se lambuzar de batom, banhar no perfume ou usar adornos extravagantes, como se fosse uma árvore de natal ou burro de cigano: “O luxo e exagero do teu vestido, acusam a fealdade do teu interior” (São Bernardo de Claraval), e: “Se te enfeitares com vaidade e exagero, para atrair os olhares dos outros, não digas que és interiormente casta e pudica” (São Cipriano), e também: “Uma mulher pode e deve se enfeitar melhor quando está com seu marido, sabendo que ele o deseja; mas, se o fizesse em sua ausência, haveria de perguntar-se a quem quererá agradar com isso” (São Francisco de Sales, Filotéia, Parte III, Cap. XXV).

 

NÃO PROFANES A SANTÍSSIMA EUCARISTIA

Espantoso é o que se narra na Sagrada Escritura (Lv 10,1ss). Nadad e Abiú, filhos de Aarão, tomando os turíbulos, puseram neles fogo profano e incenso, e com isso, contra a proibição de Deus, entraram para exalar perfumes no tabernáculo santo. Em um segundo, um fogo que se desprendeu do altar investiu contra eles e abrasou-os. Os seus cadáveres, assim como estavam, foram atirados fora; foi proibido descobrir a cabeça em sinal de luto, rasgar as vestes em sinal de pranto por eles.

Tremendo castigo! Mas pensai quão mais tremendo será o castigo das mulheres (meninas, adolescentes, moças, senhoras e idosas), que ousam aproximar-se da Sagrada Comunhão com as suas roupas imorais (minissaia, tomara-que-cai, transparentes, short, alcinhas, calça centropê, e outras modas pagãs). Os dois filhos de Aarão haviam profanado o lugar santo que Deus, com sinais especiais, abençoara; mas as mulheres que com fogo profano, ou seja, com as ROUPAS IMORAIS e com a irreverência no coração, recebem a Santíssima Eucaristia, essas profanam o Corpo e o Sangue do próprio Deus.

Para se aproximar da sarça ardente onde estava Deus, foi imposto a Moisés que tirasse o calçado; mas aos Apóstolos, antes de receberem a Comunhão, foi imposto não somente tirarem o calçado, mas deixarem lavar os pés pelo próprio Jesus, para significar a limpeza que Deus quer de nós quando nos aproximamos do banquete dos Anjos.

A Santa Igreja Católica Apostólica Romana, mãe zelosa e preocupada com os seus filhos, orienta-os sobre a recepção da Santíssima Eucaristia dizendo: “A atitude corporal (gestos, roupa) há de traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede” (Catecismo da Igreja Católica, 1387).

Aos bispos e sacerdotes que sentem medo de corrigir essa profanação da Casa de Deus, São Gregório Magno diz: “Pois da mesma forma que uma palavra inconsiderada arrasta ao erro, o silêncio inoportuno deixa no erro aqueles a quem poderia instruir. Muitas vezes pastores imprudentes, temendo perder as boas graças dos homens, têm medo de falar abertamente; e segundo a palavra da Verdade, absolutamente não guardam o rebanho com solicitude de pastor, mas por se esconderem no silêncio, agem como mercenários que fogem do lobo... A palavra divina censura aqueles que vêem falsidades porque, por medo de corrigir as faltas, lisonjeiam os culpados com vãs promessas de segurança; não revelam de modo nenhum a iniqüidade dos pecadores porque calam a palavra de censura. Por conseguinte a chave que abre é a palavra da correção porque ao repreender, revela a falta a quem a cometeu, pois muitas vezes dela não tem consciência” (Da Regra Pastoral, Lib. 2,4: PL 77. 30-31).

A Santíssima Virgem disse em Fátima: “Virão modas que ofenderão muito ao Senhor”. Com certeza elas já chegaram, e os pregadores continuam mudos e pecando por omissão: “Todas as sentinelas são cegas, nada percebem; todas elas são uns cães mudos, incapazes de latir; vivem a resfolegar deitados, gostam de dormir” (Is 56, 10).

A Santíssima Virgem fala de modas que OFENDERÃO a Deus. Essa teoria: “Deus olha somente o coração”, é totalmente falsa e difundida por aqueles que não querem mudar de vida.

Pe.Divino Lopes,FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/colecoes/folhetos/nao_vos_conformeis/03_diganaoasmodasimorais.htm

Leia-o também em: larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salva%C3%A7%C3%A3o-eterna/

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Os Bailes e outros divertimentos permitidos, mas perigosos: segundo São Francisco de Sales

 

   Um trecho de São Francisco de Sales, em que o santo doutor faz considerações sobre os bailes e outros divertimentos. É importante ressaltar que a dança dos tempos de São Francisco de Sales nem de longe se parece com as atuais. As danças que o santo tanto reprova e exorta Filotéia a se abster são danças em que no máximo os pares se tocavam nas mãos.

   As danças e os bailes são coisas de si inofensivas; mas os costumes de nossos dias tão afeitos estão ao mal, por diversas circunstâncias, que a alma corre grandes perigos nestes divertimentos. Dança-se à noite e nas trevas, que as melhores iluminações não conseguem dissipar de todo, e quão fácil é debaixo do manto de escuridão se façam tantas coisas perigosas num divertimento como este, que é tão propício ao mal. Fica-se aí até alta hora da noite, perdendo-se a manhã seguinte e conseguintemente o serviço de Deus.

   Numa palavra, é uma loucura fazer da noite dia e do dia noite, e trocar os exercícios de piedade por vãos prazeres. Todo baile está cheio de vaidade e emulação e a vaidade é uma disposição muito favorável às paixões desregradas e aos amores perigosos e desonestos, que são as consequências ordinárias dessas reuniões.

   Referindo-me aos bailes, Filotéia, digo-te o mesmo que os médicos dizem dos cogumelos, afirmando que os melhores não prestam para nada. Se tens que comer cogumelos, veja que estejam bem preparados e não comas muito, porque, por melhor preparados que estejam, tornam-se, todavia, um verdadeiro veneno, se são ingeridos em grande quantidade.

   Se em alguma ocasião, não podendo te escusar, fores coagida a ir ao baile, presta ao menos atenção que a dança seja honesta e regrada em todas as circunstâncias pela boa intenção, pela modéstia, pela dignidade e decência, e dança o menos possível, para que teu coração não se apegue a essas coisas.

   Os cogumelos, segundo Plínio, como são porosos e esponjosos, se impregnam facilmente de tudo quanto lhe está ao redor, até mesmo do veneno de uma serpente que por perto deles se arraste. Do mesmo modo, essas reuniões à noite arrastam para o seu meio ordinariamente todos os vícios e pecados que vão alastrando pela cidade – os ciúmes, as pedanterias, as brigas, os amores  loucos; e, como o aparato, a afluência e a liberdade, que reinam nestas festas, agitam a imaginação, excitam os sentidos e abrem o coração a toda sorte de prazeres, caso a serpente murmure aos ouvidos uma palavra indecente ou aduladora, caso se seja surpreendido por algum olhar dum basilisco, os corações estarão inteiramente abertos e predispostos a receber o veneno.

   Ó Filotéia, esses divertimentos ridículos são de ordinário perigosos. Dissipam o espírito de devoção, enfraquecem as forças da vontade, esfriam os ardores da caridade e suscitam na alma milhares de más disposições. Por estas razões nunca se deve frequentá-los, e, no caso de necessidade, só com grandes precauções.

   Diz-se que, depois de comer cogumelos, é preciso beber um gole do melhor vinho existente; e eu digo que, depois de assistir a estas reuniões, convém muito refletir sobre certas verdades santas e compenetrantes para precaver e dissipar as tentadoras impressões que o vão prazer possa ter deixado no espírito.

   Eis aqui algumas que muito te aconselho:

1.      Naquelas mesmas horas que passaste no baile, muitas almas se queimavam no inferno por pecados cometidos na dança ou por suas más consequências.

2.     Muitos religiosos e pessoas piedosas nessa mesma hora estavam diante de Deus, cantando os seus louvores e contemplando a sua bondade; na verdade, o seu tempo foi muito mais empregado que o teu!…

3.     Enquanto dançavas, muitas pessoas se debatiam em cruel agonia, milhares de homens e mulheres sofriam dores atrocíssimas em suas casas ou nos hospitais. Ah! Eles não tiveram um instante de repouso e tu não tivestes a menor compaixão deles: não pensas tu agora que um dia hás de gemer como eles, enquanto outros dançarão?!…

4.     Nosso Senhor, a SS. Virgem, os santos e os anjos te estavam vendo no baile. Ah! Quanto os desgostaste nessas horas, estando o teu coração todo ocupado com um divertimento tão fútil e tão ridículo!

5.     Ah! Enquanto lá estavas, o tempo se foi passando e a morte se foi aproximando de ti; considera que te chame para a terrível passagem do tempo para a eternidade e para uma eternidade de gozos ou de sofrimentos.

Eis aí as considerações que te queria sugerir; Deus te inspirará outras mais fortes e salutares, se tiveres santo temor a ele.

   Extraído de: Filotéia (ou Introdução à vida devota) – São Francisco de Sales

  FONTE: mariaemodestia.com/tag/divertimentos/

SUPLEMENTO:  Convém citar também o clássico da espiritualidade católica ; " IMITAÇÃO DE CRISTO", editora Ave Maria:

 Os desejos sensuais nos arrastam a passa- tempos; mas passada aquela hora, que te fica senão peso na consciência e distração no coração. A saída alegre faz muitas vezes a volta triste, e a noite de prazeres muitas vezes prepara triste manhã, assim, todo prazer dos sentidos entra facilmente, mas por fim(na maioria das vezes) atormenta e mata. Cf: livro l, cap 20, pág 89, edição 18°.

 Pensas tu que os mundanos têm pouco ou nada que sofrer? Ainda os que vivem nas maiores delícias não estão livres do padecer. Dirás, talvez, que têm muitos divertimentos e seguem seus apetites, e por isso se lhes dá pouco de algumas tribulações. Seja embora assim e tenham eles quanto desejam, dize-me: quanto tempo lhes durará esta felicidade imaginária? e ainda enquanto vivem, não descansam sem amargura, sem aborrecimento, sem temor, porque da mesma causa donde recebem o deleite, lhes vem ordinariamente pena e dor, já que desordenadamente buscam e seguem os deleites(prazeres carnais) não os gozam sem confusão e sem amarguras.

 Oh! quão breves, quão falsos, quão desordenados e torpes são todos estes prazeres mundanos! Porém, esses infelizes, embriagados e cegos, não conhecem isto; antes, deixando-se arrastar por suas paixões(desejos carnais, desregrados) como brutos sem razão, compram as breves delícias desta vida pelo preço da morte(condenação) eterna das suas almas!

 Tu, pois meu filho(a), não sigas teus desejos(carnais e desregrados) e quebranta tua vontade. deleita-te no Senhor; e ele te dará o que pedir o teu coração( Salmos 36 ou 37, 4-5; Eclesiástico 18, 30-31; Colossenses 3, 5-10; Tito 2, 11-12; 1° Pedro 4, 1-5). confira: livro lll, capítulo Xll, págs 236-237, edição 18°, idem.

 Riquezas, poder, honras, fama, dinheiro, prazeres(sexo antes ou fora do casamento religioso, prostituição,  drogas, bebedeiras, festas profanas, baladas ...) que te aproveitaria tudo isto, quando se lança o corpo na sepultura e a alma vai para sua eternidade ? comparecer ao tribunal de Deus, e ser absolvida ou condenada a uma feliz ou desgraçada eternidade, dependendo da vida santa, pura, honesta ... que teve ou a desprezou ? (Romanos 14, 10; 2° Coríntios 5, 10; Hebreus 9, 27). Este tempo que desperdiças em diversões inúteis e perigosas, sacrificando-te exageradamente, praticando o mal, roubo, injustiça ... para possuir bens materiais passageiros, foi te dado para (praticando o bem, evitando o mal e o pecado, vivendo uma vida santa, pura, honesta ...) ganhares o céu, a salvação e felicidade eterna. Compara a finalidade para o qual recebestes com o abuso e mal uso que dele fazes; e porventura: sabes o dia, onde e como vais morrer? sabes quanto tempo te resta de vida terrena? e se não tens nem o hoje seguro, como podes garantir que ainda terás o amanhã e muitos anos de vida? confira: Imitação de Cristo, págs. 22. 48. 103-110, 18° edição, idem

  Diz S. Efrém: nas festas "profanas" há a cegueira dos homens, a perdição das mulheres, a tristeza de Deus e dos anjos, a alegria do diabo e  seus demônios. Diz S. Agostinho: "Da Igreja voltais cristãos, nos bailes vos tornais pagãos".  Nenhum dançarino teria coragem de oferecer suas danças escandalosas e imorais a Deus, pensando em agradá-lo com isso. O divertimento dos bailes e festas profanas não é um bom passaporte para a outra vida, os prazeres do mundo duram pouco e não satisfazem a sede de felicidade do homem. Cf. A palavra de Deus em exemplos- retiros espirituais para a mocidade, págs 22-23. 340, edições paulinas, 5° edição.

   Você teria coragem de convidar Jesus à uma festa profana ? você acha que se ele aceitasse o convite, ele se sentiria bem ao seu lado , agradando-se em lhe ver embriagando-se, adulterando ... E amando os prazeres do mundo mais do que a ele que deu a sua própria vida por ti, justamente por causa dos seus pecados, para te ver libertado deles ? para que não vivas uma vida de pecados cf. 1 Ped 4, 1-5; Tt  2, 12; Rm 6, 12-13, 19-23; 13, 12-13 ...  Não esqueça que foi ele que falou pela boca dos apóstolos que nenhum beberrão, bêbado, adúltero, viciado, homossexual, lésbica,, imoral ... Se morrer com ou em tais pecados não entrarão no céu  cf. 1 Cor 6, 9-10; Gl 5, 16. 19-24; Ef 5, 5; 1 Tm 1, 9; Apoc 22, 15; Is 5, 11-12. 14. 18. 20-24; Hab 2, 15; Rm  1 , 21. 25- 32;  ...  não esqueça que ele indicou também que quando estiver próximo de sua segunda vinda, os homens vão amar mais os prazeres do mundo do que a Deus cf. 2 Tm 3, 1-5; 4, 3-4, passando assim a serem inimigos de Deus cf. Tg 4,4; Rm 1, 25-32 ... E que estes, caso morram com e em tais pecados, também serão condenados ao inferno cf. 2 Ped 2, 4-19; 1 Tm 5, 6. Será este o seu caso ? de nada adianta responder que não, se a sua conduta falando mais alto diz que sim ! Meu amigo (a), se este for o seu caso, arrependa-se, converta-se, evite os pecados e suas ocasiões, procure conhecer e praticar a vontade de Deus revelada através da bíblia, doutrina e exortações da igreja, para isso é necessário que você (eu ) leia e estude a bíblia, o catecismo e vá com mais frequência à igreja, caso contrário, já sabes através dos textos mencionados o que pode nos acontecer, se a palavra de Deus não procurarmos obedecer.

   Diferença entre as alegrias mundanas e as alegrias espirituais:

   Os prazeres dos sentidos são sedutores e  "gostosos ", mas os prazeres espirituais são mais agradáveis e benéficos. A paz de consciência, a sensação do dever comprido, a experiência de Deus ... Dão internamente uma tranquilidade incomparavelmente mais saborosa que os prazeres mundanos, de fato, as alegrias mundanas são atraentes, mas carregam tais inconvenientes;

1°- Saturam depressa, o dinheiro por exemplo, só dá prazer até certo tanto, a partir do qual passa a dar grande preocupação. cf. Mateus 6, 19-21; Eclo 31, 1-8

2°- Acabam depressa, é só enquanto dura o efeito da causa: da cachaça, da droga, da dança ... Certamente acabam com a vida presente.

3°- Deixam ressaca, o efeito ( conseguencia ) de um porre ou de uma noitada (balada) é maior que os prazeres experimentados.

   Já as alegrias espirituais do estado da graça aumentam indefinidamente, permanecem habitualmente, não tem ressaca e desembocam na glória da eternidade. A verdadeira alegria não está em satisfazer todos os impulsos; ela só pode resultar do autocontrole que promova a harmonia da pessoa e de sua conduta reta e cristã.

A Igreja não é contra o prazer e o lazer,  ela os abençoa quando desfrutados segundo as leis de Deus. De fato, ensina o CIC:

 Os cristãos santificarão ainda o domingo dispensando à sua família e aos parentes o tempo e a atenção que dificilmente podem dispensar nos outros dias da semana e encontrando um tempo suficiente de lazer. Os fiéis cuidarão com temperança e caridade, de evitar os excessos e as violências causadas pelas diversões de massas. Que o tempo de repouso e de lazer suficiente lhes permita cultiva sua vida familiar, cultural, social e religiosa, cf. Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 2186-2187. 2184. 1809.

 Santo Inácio de Loiola formulou uma regra para o uso cristão das coisas da vida  presente : é a regra do tanto quanto " O homem tanto há de usar as coisas quanto elas o ajudem a chegar ao seu fim ultimo que é Deus, e tanto devem se afastar delas, quanto o afastem do mesmo fim " .(Cf. Conversando Sobre Moral, Págs. 25. 43-44, Editora Santuário, Padre Neri Feitosa) esta regra estar de acordo com o ensinamento de Jesus Cristo em Mt 5, 29-30:  se teu olho ... Se tua mão ...Não se deve entender literalmente. Jesus aqui nos ensina que devemos renunciar a todas as coisas  " mesmo que nos sejam lícitas ou necessárias,  por mais importante e agradáveis que nos sejam ", mas que para nós constituem ocasião de pecado, cf. N.T. editora salesiana, nota de rodapé.

   A Igreja Católica nos ensina e exorta através de seus catecismos :

  Os que seguem as máximas do mundo não são felizes, porque não possuem a verdadeira paz nem a consolação interior e se acham em caminho da condenação eterna, cf. 2° catecismo da doutrina cristã, pág 108, 105° edição, ed vozes.

  A verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem estar, nem na glória humana ou no poder, nem em nenhuma criatura, mas apenas em Deus, fonte de todo bem e de todo amor, cf. Catecismo da Igreja Católica, Parágrafo 1723.

 O sexto mandamento nos ordena para nos conservarmos castos, evitar os maus companheiros(pois as más companhias corrompem os bons costumes 1° corintios 15, 33), as más leituras, a intemperança,o olhar para figuras e filmes indecentes(pornografia), cinemas e espetáculos indecentes, os bailes(profanos), as conversas e diversões perigosas, músicas desonestas(indecentes e de duplo sentido), danças imorais, trajes despudorados, cf. Catecismo maior de São pio x, pág  80-81. 142, 1° edição, gráfica e editora América Ltda ou Doutrina Católica, compendiada hoje para adultos, pág 59, 11° edição, Edições loyola.

 São as diversões honestas e puras uma necessidade para o homem, tanto o corpo como o espírito requerem descanso e alívio, para restaurar as forças e conservar a capacidade de trabalho. Devem ser merecidas em vista da fadiga, devem ser tomadas por sua finalidade. São pecaminosos os divertimentos em que se falta ao pudor, corre risco a virtude, a juventude se corrompe, a imoralidade se facilita, por exemplo: bebedeiras, casa de bebidas(bares), de jogo, de prostituição(prostíbulos), uso de drogas ... Pois não basta evitar os pecados, deve-se também evitar as ocasiões próximas de pecados, que é tudo aquilo que nos leva ao pecado, pois quem ama o perigo nele perecerá eclesiástico 3,27. quem não quer fugir ao perigo de pecar, não quer fugir do pecado. Cf. O Caminho da vida, págs. 215-216, Jose Olympio editora, 15° edição e Manual de catequese teórica e prática, pág 375, Edições paulinas, 3° edição.

 Todos os fiéis são convidados a tender(buscar) a santidade e perfeição do estado próprio. Cuidem, por isso, todos, de orientar retamente seus afetos, não vá o uso das coisas mundanas e o apego das riquezas, contrário ao espirito de pobreza evangélica, impedi-los de alcançarem a caridade( santidade) perfeita; já advertia o apóstolo: Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois os atrativos deste mundo passam( 1° Coríntios 7, 31), cf. Concílio do Vaticano ll, Lumen Gentium, n° 42.

    Explicando o quinto mandamento o CIC- Catecismo da Igreja Católica, ensina:

2290. A virtude da temperança leva a evitar toda a espécie de excessos, o abuso da comida, da bebida, do tabaco e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado da velocidade, põem em risco a segurança dos outros e a sua própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpados.

2291. O uso da Droga causa gravíssimos danos à saúde e à vida humana. A não ser por prescrições estritamente terapêuticas, o seu uso é uma falta grave. A produção clandestina e o tráfico de drogas são práticas escandalosas, e constituem uma cooperação directa, pois incitam a práticas gravemente contrárias à lei moral.

 O youcat-Catecismo jovem, do Santo Padre, Papa Bento XVI, sobre os vícios ensina:

  Os vícios são hábitos negativos que anestesiam e obscurecem a consciência abrindo o ser humano ao mal e dispondo-o ao pecado de forma habitual. É importante para encontrarmos nossos vícios, saber que normalmente eles se encontram próximos dos pecados principais. [318]

Fonte: www.larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salvaçao-eterna

Leia-o em: larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salva%C3%A7%C3%A3o-eterna/


 

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A EMBRIAGUÊS

 

1Pd 4,3: “Já é muito que no tempo passado tenhais realizado a vontade dos pagãos, levando uma vida de dissoluções, de cobiças, de embriaguez, de glutonarias, de bebedeiras e de idolatrias abomináveis”.

Prezado católico, reflitamos sobre a embriaguez, sobre a urina do capeta, esse vício horrível que vem causando tantas destruições nas famílias e também na sociedade.

A embriaguez ou bebedeira não dignifica o homem, pelo contrário, o destrói. O bêbado é uma pessoa sem moral, nem seus familiares confiam nele; e nesse tipo de pessoa não há sabedoria, como está em Pr 20,1: “Insolente é o vinho, ruidoso o licor, não é sábio quem está estonteado por eles”.

Caríssimo católico, muitas pessoas dizem que bebem pinga ou outras bebidas alcoólicas, somente para passar tempo, ou então, que bebem socialmente, e que não tem nada de mal. Esse é o hino daqueles que já estão presos pelo vício da embriaguez. Você, prezado católico, pode perguntar para vários bêbados sobre esse beber socialmente, e tenho certeza de que todos dirão que iniciaram o vício da embriaguez, que hoje não conseguem mais abandoná-lo, foi no beber socialmente.

Prezado católico, nenhuma pessoa adquiriu o vicio da embriaguez bebendo logo no início uma garrafa de pinga, claro que não, primeiro foi uma colher, depois uma dose, depois uma xícara, depois um copo, e agora bebe diretamente na garrafa, já é esse pau-d’água, formado na “Faculdade da 51”.

Caríssimo católico, cuidado com esses convites para beber socialmente, fuja desse tipo de gente, como está em Pr 23, 20: “Não estejas entre bebedores de vinho”, e em Rm 13, 13, diz: “Procedamos honestamente , como de dia, não vivendo em... bebedeiras”, e em 1 Cor 5, 11 diz: “... não vos associeis com... o beberrão…”.

Prezado católico, fuja também dos botecos, é preciso fugir dessas portas do inferno, dessas moradas dos demônios. São João Clímaco dizia o seguinte sobre os botecos: “Os botecos é a tenda do demônio, a escola onde o inferno prega e ensina a sua doutrina, é o lugar onde se vende as almas, onde se perdem as fortunas, o dinheiro, onde a saúde se perde, onde começam as rixas, as brigas e onde se começam os assassinatos”.

O boteco é também aquele lugar onde o idiota joga o seu dinheiro fora, ou então compra o veneno da bebida alcoólica para destruir a sua saúde. Deixa de comprar comida para a família, para comprar o veneno da pinga; esse tipo de gente não cresce na vida espiritual, nem na vida material, como está em Pr 23,21: “… o beberrão há de empobrecer”.

O boteco ou casas semelhantes, são lugares onde os beberrões escravizam sexualmente pessoas até de certa forma inocentes, dando- lhes bebida, para depois aproveitar das mesmas, como está em Hab 2,15: “Ai do que faz beber o seu próximo e mistura seu veneno até embriagá-lo para ver sua nudez”, e em Ef 5,18 diz: “Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão”.

Caríssimo católico, em Ef, 5,18 diz: “… enchei-vos do Espírito”, e não de pinga, de cerveja e vinho; você que vive nos botecos, só encontrará nesses lugares o espírito de porco, e não o Espírito Santo.

Fuja dos botecos e da bebedeira! Quantos homens e mulheres já morreram assassinados por causa da maldita pinga ou da cerveja.

A bebedeira priva o homem da razão, e assim, comete muitas loucuras e inúmeras besteiras. A bebedeira é realmente uma desgraça. Quantas brigas dentro de casa, separações entre os casais e quebradeiras. Quanto escândalo para os filhos, por causa da maldita pinga e da cerveja.

Que tristeza para a mulher, que tem o desgosto de ver o marido aproximando de casa bêbado, cambaleando, a rua não lhe cabe, até parece que está cercando vinte frangos na estrada, e quando chega em casa, não consegue enxergar o portão de dois metros, é preciso que a esposa o ajude a entrar.

O homem bêbado é feio e escandaloso, mas a mulher bêbada, é o cúmulo do ridículo.

Será que é pecado beber? Muitas pessoas dizem que não, afirmam ser uma diversão e um passa tempo.

Quando se dá uma privação total do uso da razão, a embriaguez é completa e constitui pecado mortal.

Os sinais de embriaguez completa são:

1.      Fazer coisas inteiramente desabituais;

2.      Não discernir entre o bem e o mal;

3.      Não ter recordação do que se disse ou  o que fez, nesse estado, etc.

Os atos pecaminosos cometidos durante o estado de embriaguez, por exemplo: blasfêmias, desonestidades, mortes, revelação de segredos, são imputáveis ao bêbado, que os pode prever, ao menos confusamente.

Prezado católico, é bom saber que, aquelas pessoas que cooperam para que uma pessoa se embriague, cometem pecado mortal, e pecam mortalmente, também, aquelas que, podendo impedir a embriaguez de outrem, fazem o contrário, como por exemplo: aconselhando, festejando e proporcionando mais bebidas alcoólicas ao semi-embriagado.

Os donos dos botecos prestarão uma conta terrível para Deus no dia do juízo. São João Maria Vianney dizia o seguinte sobre os donos de botecos: “Roubam o pão das pobres esposas e de seus filhos, dando bebida a esses beberrões, que gastam no domingo aquilo que ganharam durante a semana. O demônio escarra em cima dos donos dos botecos”.

A embriaguez é um pecado contra o Quinto Mandamento. Beber em excesso é um pecado, porque prejudica a saúde e porque a intemperança produz facilmente outros efeitos nocivos. O pecado de embriaguez torna-se mortal quando afeta de tal modo o bebedor que este já não sabe o que faz. Mas beber um pouco mais da conta também pode ser um pecado mortal, se traz más conseqüências: se prejudica a saúde, se causa escândalo ou se leva a descurar os deveres para com Deus ou para com o próximo. Quem habitualmente bebe em excesso e se julga livre de pecado porque ainda não conserva a noção do tempo, em geral engana-se a si mesmo; raras vezes a bebida habitual deixa de produzir um mal grave à própria pessoa ou aos outros.

Caríssimo católico! Será que o bêbado entrará no céu?

A Bíblia diz que não! Em 1 Cor 6, 10 diz: “… os bêbados não possuirão o reino de Deus”.

Prezado Católico, é triste também presenciar nas festas da Igreja Católica a presença da pinga, da cerveja e do vinho. Isso é um escândalo, e esses padres prestarão uma conta terrível para Deus. O padre que aceita a bebida alcoólica nas festas dos santos comete pecado, e incentiva a bebedeira, e esse dinheiro é maldito.

   Explicando o quinto mandamento o CIC- Catecismo da Igreja Catolica, ensina:

2290. A virtude da temperança leva a evitar toda a espécie de excessos, o abuso da comida, da bebida, do tabaco e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado da velocidade, põem em risco a segurança dos outros e a sua própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpados.

2291. O uso da Droga causa gravíssimos danos à saúde e à vida humana. A não ser por prescrições estritamente terapêuticas, o seu uso é uma falta grave. A produção clandestina e o tráfico de drogas são práticas escandalosas, e constituem uma cooperação directa, pois incitam a práticas gravemente contrárias à lei moral.

 O youcat-Catecismo jovem, do Santo Padre, Papa Bento XVI, sobre os vícios ensina:

  Os vícios são hábitos negativos que anestesiam e obscurecem a consciência abrindo o ser humano ao mal e dispondo-o ao pecado de forma habitual. É importante para encontrarmos nossos vícios, saber que normalmente eles se encontram próximos dos pecados principais. [318]


  Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/pregacoes/diversas/pregacoes_diversas_ii_01.htm#19

Leia-o também em: larcatolico.webnode.com.br/news/mensagens-que-incentivam-uma-vida-de-santidade-em-prol-da-salva%C3%A7%C3%A3o-eterna/

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O CIGARRO

1 Cor 9,27: “Trato duramente o meu corpo e reduzo-o a servidão”.

Nesse trecho da palavra de Deus, o grande Apóstolo São Paulo lembra a luta ascética, o esforço que cada pessoa deve fazer e travar para eliminar os vícios que a escraviza. São Paulo Apóstolo fala da necessidade da mortificação do próprio corpo e das más inclinações.

Caríssimo católico, o suicida sabe perfeitamente que com o cano de um revólver apontado para a sua cabeça, o simples apertar do gatilho provocará a sua morte imediata; na mesma medida o fumante, isto é, aquele que usa do cigarro, sabe que está destruindo lenta e progressivamente a sua própria vida cada vez que acende um cigarro. O cigarro é a chupeta do demônio.

Sabemos que milhares e milhares de fumantes continuam com o cigarro preso aos lábios, diminuindo cada dia a sua vida, esperando o doloroso e talvez, longo sofrimento, que antecipa a morte causada pelo câncer pulmonar. Existe uma definição humorística de um inimigo do cigarro, do hábito de fumar: “O cigarro é um bastãozinho branco com uma brasa numa ponta e um idiota na outra”. Veja que definição espetacular! Ele tem toda razão; aquele que queima dinheiro e compra o câncer, é realmente um idiota.

Você que é fumante, abandone o cigarro enquanto é tempo, enquanto está vivo, enquanto o câncer ainda não chegou até você. Na crise financeira que o Brasil está passando, deixar de comprar arroz, feijão, carne, etc., para a sua família, e comprar cigarro, isto é, queimar dinheiro, é uma loucura. Comprar cigarro é o mesmo que jogar dinheiro fora, é comprar o câncer.

Não é correto trabalhar e depois queimar o dinheiro.

Prezado católico, em 1 Cor 9,27 diz: “Trato duramente o meu corpo e reduzo-o a servidão”. Devemos tratar duramente o nosso corpo com mortificações, penitências e renúncias; abandonando todos os vícios, principalmente o de fumar. O cigarro escraviza o fumante, é um veneno, por isso, é preciso tratar duramente o corpo através da renúncia.

É estranho um cristão fumar. Enquanto, professa que crê em Deus, na sua Santa Palavra, etc., dá lugar ao vício de fumar. O cristão convicto sabe muito bem que é pecado prejudicar a saúde, pois é uma forma de suicídio lento, e sabemos que é dever conservar a saúde, como está no Catecismo da Igreja Católica, no nº 2288: “A vida e a saúde física são bens preciosos doados por Deus. Devemos cuidar delas com equilíbrio, levando em conta as necessidades, alheias e o bem comum”, e o mesmo Catecismo no nº 2290, diz: “A virtude da temperança manda evitar toda espécie de excesso, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos…”.

Infelizmente, os que se dizem cristãos, não querem saber de renúncias ou preceitos que põem restrições aos seus apetites. São pessoas fracas para disciplinar seus hábitos, e assim, vão se suicidando lenta e conscientemente, porque, cada cigarro que se coloca na boca, você tem mais ou menos trinta minutos a menos em sua vida.  Fumante, você não é um dragão para soltar fumaça pela boca ou pelo nariz, é sim, um seguidor de cristo. Como cristãos, devemos ter em nossa mente, que os órgãos e faculdades de que somos dotados, nos foram dados pelo Criador do Universo, a fim de serem usados exclusivamente para os fins que nos foram dados. Se depois envenenamos voluntária e conscientemente nosso corpo e entorpecemos nossa mente, não cumprimos o propósito com que Deus nos criou, como está em Rm 8,14: “Todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus”. Sabemos que o Espírito de Deus não guia nenhuma pessoa para cometer suicídio lento, como faz o fumante. Fumar é suicidar-se lentamente.

Os pais que fumam, dão mau exemplo aos filhos, e assim, eles não possuem força moral para proibi-los de fumar.

Prezado católico, o fumo encurta a vida. O indivíduo que fuma um maço de cigarro por dia, encurta sua vida numa proporção de 34 minutos por cigarro, ou seja, 12:45 minutos, por maço. Um cigarro custa, portanto, pouco mais de meia hora de vida.

Será que vale a pena beber desse veneno? Destruir a sua vida usando desse bastãozinho que tem uma brasa na ponta e um idiota na outra? Sabemos também que o fumo causa falta de higiene. O vício de fumar é uma praga muito generalizada: na loja, o balconista atende os fregueses fumando, isso é ridículo e mal educado; o barbeiro fuma enquanto atende o seu cliente e não pergunta se está atrapalhando; em certos restaurantes, o garçom serve a comida fumando; o padeiro fuma enquanto assa o pão; fuma o cozinheiro enquanto prepara a comida; fuma o professor lecionando, fuma o médico atendendo o paciente, etc. E se o fumante é grosseiro, isto é, sem educação, a situação se complica; ele escarra e joga no chão, começa a cuspir em toda parte: no ônibus, no metrô, no trem, etc., causando nojo nas pessoas. A roupa do fumante fede cigarro devido aos fragmentos do tabaco que ficam nos bolsos, e também devido a fumaça. A cama do fumante, especialmente o travesseiro, exala o mau cheiro do cigarro, as unhas e os dedos ficam amarelados. O bigode do fumante fica amarelo e exala um mau cheiro terrível. Quando o fumante pega no telefone, ali fica a sua marca, marca que causa vômito.

   Explicando o quinto mandamento o CIC- Catecismo da Igreja Catolica, ensina:

2290. A virtude da temperança leva a evitar toda a espécie de excessos, o abuso da comida, da bebida, do tabaco e dos medicamentos. Aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado da velocidade, põem em risco a segurança dos outros e a sua própria, nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpados.

2291. O uso da Droga causa gravíssimos danos à saúde e à vida humana. A não ser por prescrições estritamente terapêuticas, o seu uso é uma falta grave. A produção clandestina e o tráfico de drogas são práticas escandalosas, e constituem uma cooperação directa, pois incitam a práticas gravemente contrárias à lei moral.

 O youcat-Catecismo jovem, do Santo Padre, Papa Bento XVI, sobre os vícios ensina:

  Os vícios são hábitos negativos que anestesiam e obscurecem a consciência abrindo o ser humano ao mal e dispondo-o ao pecado de forma habitual. É importante para encontrarmos nossos vícios, saber que normalmente eles se encontram próximos dos pecados principais. [318]


   Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/pregacoes/diversas/pregacoes_diversas_ii_02.htm#24

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MÁS COMPANHIAS

 

1 Cor 15,33: “Não vos deixeis iludir: ‘As más companhias corrompem os bons costumes”.

Prezado católico, é preciso tomar muito cuidado com as más companhias, porque, como está na Palavra de Deus, em 1 Cor 15,33: “As más companhias corrompem os bons costumes”. A Bíblia nos ensina que a convivência com os maus não é aconselhável, a pessoa acaba se pervertendo, como está no Sl 17,27: “Vivendo com santos, santo será, no meio dos maus perverter-te-ás”.

Caríssimo católico, é preciso fugir das más companhias como se fossem cobras; porque são pessoas perigosas que carregam o demônio no coração, como escreve o Pe. Orlando Gambi: “Os falsos amigos não envenenam os pratos, mas as palavras”.

Os pais têm o dever de proibir os filhos de andarem com pessoas perigosas, com más companhias, com esses rapazes ou moças que não possuem Deus. Os pais devem aconselhar os filhos a exemplo de Tobias, que dizia ao seu filho Tobit, como está em Tobias 4, 5-12: “Meu filho, lembra-te do Senhor todos os dias e não queiras pecar e nem transgredir seus mandamentos...guarda-te, meu filho, de toda impureza”. Realmente caros pais, é preciso chamar a atenção dos seus filhos e proibir que andem com certas amizades, porque eles correm risco de cair no vício, isto é, de perder a inocência e também de se condenarem eternamente. Em 2 Ts 3,6 ordena que fujamos das más companhias: “Associai-vos como irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, e ficai longe de qualquer irmão, que tem sua vida em desordem”.

Prezado Católico! Um tomate podre apodrece toda a caixa, isto é, estraga todos os tomates; o mesmo acontece com uma amizade perigosa, ela estraga as pessoas que dela se aproximam; essa pessoa em pouco tempo acaba desgraçando a vida de seus filhos, levando-os para o caminho da prostituição, das drogas, da bebedeira, do roubo, etc.

Quantos pais estão chorando e sofrendo por causa dos filhos que antes eram dóceis e obedientes, e agora por causa das más companhias, estão mergulhados na lama do pecado e do vício, como está em Eclo 13,1: “Quem lida com piche, suja a sua mão”, e por incrível que pareça, eles preferem seguir o mau exemplo, deixando de lado os amigos santos, como escreve São Gregório Nazianzeno: “Mais fácil é contrair uma doença do que dela se curar. Assim acontece que menos nos custa imitar o mau exemplo que outros nos dão, do que deixar nos arrastar pelo seu bom exemplo”. É próprio da nossa natureza corrompida, mais se deixar impressionar pelo mal do que pelo bem.

Os filhos devem seguir os conselhos dos pais que imploram dizendo: “Meu filho, se pecadores quiserem te seduzir, não consintas! Se disserem: “Vem conosco, façamos emboscadas mortais, gratuitamente, prendamos o inocente;... Meus filhos, não os acompanhem em seu caminho, afasta os teus pés dos seus trilhos, porque os teus pés correm para o mal, apressam-se para derramar sangue” (Pr 1,10-11.15-16).

Infelizmente, não são somente os jovens que caem no buraco por causa da má amizade, que deixam o caminho da luz para seguirem o caminho das trevas, também as pessoas casadas caem nessa armadilha.

Quantos homens casados, que hoje estão na cadeia, por causa de crime, roubo, bebedeiras e outras loucuras. São pessoas que antes eram responsáveis, verdadeiros pais de família, cuidavam bem das esposas e dos filhos, trabalhavam com empenho para sustentar a família, praticava a religião com fervor e rezava sem respeito humano. Mas, depois que fizera amizade com homens perigosos, isto é, homens que vivem longe de Deus e que não cuidam da família, que passam boa parte do dia e da noite alimentando da lama do mundo, então tudo se desabou, já não é mais aquele bom pai de família, porque as más amizades o colocaram no caminho da perdição, é por isso que em 1 Cor 15, 33 diz: “As más companhias corrompem os bons costumes”, é isso mesmo, as más companhias apodrecem, pervertem os bons homens.

A má companhia é como um verme que vai corroendo os bons costumes, infeliz daquele que aceita esse tipo de amizade.

O mesmo acontece também com as mulheres casadas. Muitas mulheres, mães de família deixam se seduzirem pelas falsas amizades e pelas más companhias. Antes eram pessoas responsáveis, que cuidavam com zelo da casa, se vestiam com pudor, etc., mas assim que iniciaram a amizade com mulheres desocupadas e vaidosas, tudo foi por água abaixo, perderam o amor pela família e também o temor de Deus.

Aconselhadas pelas más companhias, isto é, pelas amigas do demônio, deixaram de usar roupas decentes para andarem seminuas; não rezam mais o terço, porque no lugar do terço assistem às novelas imorais, não vão mais à igreja. porque o lugar predileto das mesmas agora é o boteco, onde vão adorar a “deusa” pinga.

Elas deixaram as famílias de lado, já não educam mais os filhos e nem respeitam mais os maridos. Deus também foi deixado de lado, Ele não tem mais lugar em seus corações, elas ouvem e obedecem somente as más companhias, quer dizer, vivem cegas.

Prezado católico, é preciso tomar muito cuidado com as amizades, porque essas estão cheias de falsidade. Em Eclo 37, 1 diz: “Todo amigo diz: eu também sou teu amigo, mas há amigo que o é só de nome”, e o Pe. Orlando Gambi, diz: “Os inimigos, em geral, ficam longe, mas às vezes, o pior deles esta bem perto em nome da amizade”. Realmente é preciso tomar muito cuidado com a amizade. Existem pessoas que são amigas só quando precisam de você, quando precisam de um favor, isto é, por interesse, como está em Eclo 6, 10: “Há amigo que é companheiro de mesa, mas que não será fiel no dia de tua tribulação”.

Caríssimo católico, para você confiar em uma pessoa, em uma amizade, é preciso antes prová-la, é preciso dar um tempo, como está em Eclo 6, 7: “Se queres um amigo, adquire-o pela prova e não te apresses em confiar nele”.

Pe, Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/pregacoes/diversas/pregacoes_diversas_ii_02.htm#22

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QUEDAS FREQUENTES

(Is 30, 1)

 

“Ai dos filhos rebeldes... que acumulam pecado sobre pecado!”

 

O homem a tudo se habitua. Entre todos os hábitos, porém, que ele contrai, é o hábito de pecar o mais perigoso, o mais funesto e o mais lamentável.

O hábito de pecar obtém-se pela frequente repetição dos atos pecaminosos. A recaída amiudada no pecado faz que, passado algum tempo, já não cause estranheza o cometê-lo.

Que sucede então? Sucede que os intervalos entre pecado e pecado se tornam cada vez mais curtos, e que, se antes pecavas de mês em mês, breve pecarás de semana em semana, e acabarás por pecar de dia em dia e talvez de hora em hora!

Chegado a este ponto, tens contraído o hábito de pecar! Começarás então a ter o pecado como uma coisa indispensável à vida, e ainda jovem poderás chegar a ser veterano na maldade!

Que estado triste! Contraído o hábito de pecar, o homem sente-se abalado em todas as suas faculdades. – O entendimento começa a toldar-se, e pode ir tão longe a sua cegueira, que já não chegue a distinguir entre o bem e o mal, entre o vício e a virtude. – A vontade torna-se lânguida e remissa em impor silêncio à revolta das paixões. A voz da consciência começa a não se ouvir e o aguilhão do remorso já não o sente a alma calejada e endurecida no vício!

A alma, que no corpo devia ser a senhora e rainha, faz-se escrava dele, entregando-lhe a coroa e o cetro, para cegamente obedecer a seus apetites. Ao menor aceno da paixão, a alma cede sem opor a menor resistência.

Que estado esse indigno de um ser racional, de um filho do Rei da Glória, de uma criatura que Deus fez à sua imagem! Andar tão unido ao pecado como a veste que se traz no corpo; viver tão atolado no vício como a esponja mergulhada no mar; beber o veneno da culpa como água; viver do pecado como do ar que se respira: - que estado lastimoso, que vida infeliz, que degradação e aviltamento da própria dignidade! “Vai em espírito àquele tempo em que começaste a pecar; pondera quanto tens aumentado e multiplicado os teus pecados de dia a dia, contra Deus e contra o próximo, por tuas obras, por tuas palavras, por teus pensamentos e por teus desejos. Considera tuas más inclinações e com que paixão tu as seguiste; com estas duas considerações, verás que teus pecados sobrepujam o número de teus cabelos e mesmo as areias do mar” (São Francisco de Sales).

O hábito de pecar destrói no homem a vida sobrenatural. A fé nas verdades eternas enfraquece, se não chegar a apagar-se de todo! Com ela vai também desaparecendo a esperança nos eternos bens da Glória. Com o amor de Deus acaba também o seu santo temor; e, quebrado este freio, não há força que detenha o homem na marcha acelerada para o abismo de sua perdição eterna!

Católico, é  preciso abandonar urgentemente o pecado, pedir perdão a Deus e mudar radicalmente de vida: Pede perdão de teus pecados e lança-te aos pés do Senhor, como o filho pródigo aos pés de seu pai; como Santa Maria Madalena aos pés do seu amantíssimo Salvador, como a mulher adúltera aos pés de Jesus, seu Juiz.

É preciso converter-se. Converter-se é, essencialmente, sair do estado de perdição, deixar o pecado.

Grande é a miséria do homem, quando nele se apaga a luz das verdades eternas, quando o seu coração se abre a todos os vícios, quando se esquece de Deus e da eternidade, para só pensar nos gozos da vida presente! “Ai da alma se lhe falta Cristo... Ai da alma, se seu Senhor, o Cristo, nela não habitar! Abandonada, encher-se-á com o mau cheiro das paixões, virará moradia dos vícios” (São Macário, Homilias).

Se esta é a tua vida, pensa que já não vives para o céu, mas para a terra, que deixaste a Deus pela criatura, o eterno pelo temporal, a beleza da virtude pela fealdade do vício!

Que vida tão mal gasta, passar o melhor tempo dela na devassidão do pecado, longe de Deus, como filho pródigo, que abandona a casa paterna para gastar o vigor dos anos na servidão do demônio, do mundo e da carne!

Que vida sem mérito! Passar um ano, dez anos, vinte anos crivado de feridas mortais, chagado dos pés à cabeça, como um leproso! Começar desde o alvorecer da razão a servir a um déspota, qual é Satanás, inimigo de Deus e do homem, para receber dele, como prêmio, a desventurada sorte dos réprobos!

Que vida infeliz! – Lembra-te da triste sorte de um preso, que, sepultado na escuridão de um cárcere, não tem a ventura de gozar um belo dia de sol. Pois crê que é pior o teu estado, se vives no hábito de pecar. Quem lançou sobre si esse negro manto de culpa e passa envolvido nele toda a vida, não sabe o que é um dia de paz com sua consciência, um dia iluminado pelos raios do sol da divina graça.

E já pensaste na gravidade de um tal estado? – Para saíres dele é preciso um milagre do poder de Deus, pois necessitas de quem te chame da morte à vida, de quem te abra a porta do sepulcro, onde vives há tantos anos encarcerado, para gozares de novo a liberdade dos filhos do Pai celeste.

Católico, não sei se te encontras neste estado. Mas se isso for verdade, é hoje o dia de saíres dele. É hoje o dia de sacudires e atirares para longe esses grilhões que te arrastam para o abismo infernal. É hoje o dia de te arrancares desse atoleiro, onde, se continuas por muito tempo, podes encontrar a tua perdição eterna! “Organizai vossa vida, procurai compreender a gravidade do pecado e a imensidão da bondade divina” (Santa Catarina de Sena).

Tudo está pedindo que despertes desse letargo, que rompas de vez com o mau hábito de pecar e que te ponhas no bom caminho.

Pede-o Deus, a quem estás roubando a glória que Lhe deves dar com o bom emprego das tuas faculdades; a quem está negando o amor do teu coração de que lhe és devedor e a que Ele só tem direito; a quem estás desobedecendo pela transgressão continuada de sua lei; de quem te estás separando, sendo Ele o teu último fim e o princípio de toda a tua felicidade!

Pede-o a tua alma, que foi criada para servir a Deus e não ao Demônio, para seguir os ditames da razão, e não os caprichos do corpo, para ser a rainha e não para andar de rastos na lama dos vícios. Restitui-lhe esse nobre senhorio por meio de um completo abandono de teus hábitos pecaminosos.

Pede-o enfim a tua salvação, que deves procurar como um bem próprio, pois a caridade, que deves a ti mesmo, te obriga a pôr-te em estado em que possas assegurar a felicidade eterna da tua alma: “A obra de minha salvação é, por conseguinte, o meu primeiro dever, enquanto tudo o mais não passa de bagatela e loucura” (São Pedro Julião Eymard).

Católico, o triste estado do surdo e mudo de que fala num trecho do Evangelho, é uma imagem da lastimável condição a que reduz ao homem o mau hábito de pecar, se teve a infelicidade de o contrair. Somos todos pecadores; todos cometemos pecados, e ainda pecaremos apesar dos bons propósitos que fazemos. Mas, “se pecar é próprio do homem, perseverar no pecado é do demônio” (São Bernardo de Claraval). Persevera diabolicamente no pecado quem peca sem opor alguma resistência interna. Persevera diabolicamente no pecado quem peca com espontaneidade, com plena satisfação do intelecto e da vontade, sem algum remorso, sem algum pudor, gabando-se ainda como de uma coisa licita e honesta, burlando assim a lei de Deus e rindo-se daqueles que a observam. Para quem a tal ponto chegou, o pecado já se tornou segunda natureza; porque a natureza humana, embora decaída pela culpa original, conserva em si os princípios da lei eterna, e sente repugnância pelo pecado. Esta segunda natureza que no pecador se forma, e com o pecado o identifica, é uma natureza diabólica, porque não há coisa mais natural ao Demônio senão o pecado, e esta natureza diabólica é o hábito do pecado. Ao consuetudinário pode-se aplicar as palavras do Salmo 108, 18 que diz: “Ele tomou a maldição como uma vestimenta, e esta maldição penetra como água nas suas entranhas, como azeite nos seus ossos”. Quem se habitua ao pecado, obstina-se no mal como os demônios e os condenados do inferno. Seu caso é verdadeiramente desesperador, pois “trata-se de um mal incurável, para cuja debelação são impotentes os remédios mais vigorosos da misericórdia de Deus” (São João Crisóstomo). De nada valem práticas, exortações e castigos. Pelo contrário: o pecador se obstina cada vez mais no mal que pratica.

O hábito de pecar é uma horrenda desgraça, e para não correr perigo de o contrair, é preciso resistir ao princípio e resistir à inclinação para o pecado. Quem não pratica esta resistência logo no princípio, levará uma queda, tornará a cair, cairá muitas vezes e por fim não mais se levantará: “A inclinação é o princípio, o mau hábito é o fim. A inclinação nos prende e nos mete no cárcere; o mau hábito nos orgulha, tranca a porta, impossibilitando assim a nossa saída” (Santo Agostinho).

Quando as quedas já são frequentes, o mal já está bastante adiantado, mas por isso ainda não precisa ser considerado de todo incurável. A cura depende de duas coisas da parte do homem: de sua generosidade e de sua coragem; é preciso que conheça seu triste estado e trate de se conciliar com Deus. Não dê toda a culpa ao Demônio, mas a si próprio. “O demônio se alegra quando acusam a ele, e mesmo quer que o acusemos; pois ele tem gosto em ver que atiramos sobre ele toda a culpa para assim perdermos o mérito de uma humilde confissão” (Idem). O humilde reconhecimento da nossa culpa com a confissão sacramental e a recepção da Santa Comunhão rompe a cadeia infernal. Quem se levanta logo depois da queda, dá prova de haver pecado mais por fraqueza do que por maldade, e só Deus sabe se nestas almas mais desventuradas do que culpadas houve sempre toda a advertência do intelecto e a deliberação toda da vontade, elementos estes necessários para estatuir culpa grave.

Um outro princípio que pouco a pouco conduz ao mau hábito mortalmente pecar, é o estado de familiaridade com o pecado venial. A alma que se acostuma a cometer pecados veniais sem resistência alguma, perde o temor de Deus, perde a noção da ofensa de Deus que o pecado é. Continuando sempre a pecar, e pecar a sangue frio, embora venialmente, compromete cada vez mais sua resistência moral, e infalivelmente se encaminha para o pecado mortal. Uma vez cometido o pecado mortal, pode ser que a alma se sinta humilhada; pode ser também que este salutar sentimento lhe sobrevenha ainda mais tarde. De uma como de outra maneira experimentará então um profundo aborrecimento de si mesma. Pode acontecer também o contrário, que em vez do sentimento da confusão venha a predominar a soberba, aquela soberba, inimiga de tudo que seja humilhação, aquela soberba que é a raiz de toda a desgraça. Quem, pois, já adquiriu o hábito de pecar venialmente, bem depressa cairá em pecado mortal, e do pecado ocasional ao mau costume é apenas um passo.

Ao pecado pode-se aplicar o que o Espírito Santo diz do homem: Como os velhos conservam as qualidades adquiridas quando moços, assim no pecado venial do qual aquele tira sua origem. Do pecado venial obstinado e deliberado se vai direito ao pecado mortal obstinado e deliberado. Dai a necessidade de nos examinarmos seriamente para corrigirmo-nos da paixão dominante.

Quem despreza a graça de Deus se encontrará fraco na hora da morte.

Deus preveniu os pecadores que na hora da morte o procurarão e não o hão de achar (Jo 7, 34). Disse que então já não será tempo de misericórdia, mas sim de justa vingança (Dt 32,35). A razão nos ensina esta mesma verdade, porque, na hora da morte, o mundano se achará fraco de espírito, obscurecido e duro de coração pelos maus hábitos que contraiu; as tentações então manifestar-se-ão mais violentas, e ele, que em vida se acostumou a render-se e a deixar-se vencer, como resistirá naquele transe? Seria necessária uma graça extraordinária e poderosa para lhe transformar o coração. Mas será Deus obrigado a lha conceder? Ou talvez a mereceu pela vida desordenada que levou? E, no entanto, trata-se nessa ocasião da desdita ou da felicidade eterna.

Dirá, talvez, alguém: Já que Deus usou para comigo de tanta clemência no passado, espero que a terá também no futuro: “Eu, porém, lhe respondo: E por ter sido Deus tão misericordioso contigo, queres de novo ofendê-lo?” (Santo Afonso Maria de Ligório). Desse modo — diz São Paulo — desprezas a bondade e paciência de Deus. Ignoras que se o Senhor te suportou até agora, não foi para que continuasses a ofendê-Lo, senão para que te penitencies do mal que fizeste?  E se tu, fiado na divina misericórdia, não temes abusar dela, o Senhor te retirará: Se não vos converterdes… entesará o seu arco preparado (Sl 7,13). Minha é a vingança, e eu lhes darei a paga a seu tempo (Dt 32,35). Deus espera; mas, chegada a hora da justiça, já não espera e castiga então.

Deus aguarda o pecador a fim de que se emende (Is 19,18); mas, quando vê que o tempo concedido para o arrependimento dos pecados só serve para  multiplicá-los, vale-se desse mesmo tempo para empregar a justiça. De sorte que o próprio tempo concedido, a mesma misericórdia outorgada, servirão para que o castigo seja mais rigoroso e o abandono mais imediato: “Medicamos Babilônia e não há sanado. Abandonemo-la” (Jr 51,9). E como é que Deus nos abandona? Ou envia a morte ao pecador, que assim morre sem arrepender-se, ou o priva das graças abundantes e só lhe deixa a graça suficiente com que o pecador se poderia salvar, mas não se salva. Obcecada a mente, endurecido o coração, dominado por maus hábitos, a salvação lhe será moralmente impossível; e assim ficará, senão em absoluto, pelo menos moralmente abandonado: “Derrubar-lhe-ei o muro, e ficará exposta…” (Is 5,5).

Que castigo! Triste indício quando o dono rompe o cercado e deixa entrar na vinha os que quiserem, homens e animais: é prova de que a abandona. É o que faz Deus quando abandona uma alma: tira-lhe a sebe do temor, dos remorsos de consciência e a deixa nas trevas. Penetram, então, nela todos os monstros do vício (Sl 103, 20). O pecador, entregue a essa obscuridade, desprezará tudo: a graça divina, a glória, avisos, conselhos e censuras; escarnecerá até de sua própria condenação (Pr 18, 3).

Deus o deixará nesta vida sem castigo, e nisto consistirá seu maior castigo. “Compadeçamo-nos do ímpio… não aprenderá (jamais) justiça” (Is 26,10). Referindo-se a esse texto, diz São Bernardo de Claraval: “Não quero essa misericórdia mais terrível que a ira” (Serm. 42, in Ct). Terrível castigo, quando Deus deixa o pecador em seus pecados, e parece que nem lhe pede contas deles. Dir-se-á que já não se indigna contra ele (Ez 16,42) e que lhe permite gozar quanto neste mundo deseja. Desgraçados os pecadores que prosperam na vida mortal! É sinal de que Deus os reserva para aplicar-lhes sua justiça na vida eterna! Jeremias pergunta: “Por que o caminho dos ímpios passa em prosperidade?” (Jr 12,1). E responde em seguida: “Reúne-os como o rebanho destinado ao matadouro” (Jr 12,3). Não há, pois, maior castigo do que deixar Deus ao pecador amontoar pecados sobre pecados. Observa Belarmino: “Não existe castigo mais terrível do que o pecado tornar-se pena do pecado”. Fora melhor a  esse infeliz, que o Senhor o tivesse feito morrer após o primeiro pecado; porque, morrendo mais tarde, terá a padecer tantos infernos quantos foram os pecados cometidos.

Ótima prevenção contra o hábito do pecado mortal e venial é aquela de procurarmos o hábito da virtude contra a qual nos sentimos particularmente tentados.

A doçura e a mansidão darão à alma a serenidade e a calma necessárias na tempestade. A paciência nos dá o governo sobre nós mesmos. A obediência, afinal, nos dará a vitória completa.

Sem luta é impossível vencer os maus hábitos.

Se nos quisermos salvar, é mister que estejamos firmemente resolvidos a sofrer e a empregar constantemente violência sobre nós mesmos: “O caminho que conduz à vida é estreito” (Mt 7, 14).

O reino dos céus se alcança à viva força e só os que a empregam é que o arrebatam. Quem não fizer violência a si mesmo não se salvará. Isto é imprescindível, porque, se quisermos praticar o bem, teremos que lutar contra a nossa natureza rebelde. É particularmente necessário violentarmo-nos no princípio para extirpar os maus hábitos e adquirir os bons. Formado o bom costume, torna-se fácil e até doce a observância da lei divina.

O Senhor disse a Santa Brígida que, na prática das virtudes, os espinhos se mudam em rosas, quando, com valor e paciência, sofremos as primeiras dores desses espinhos. Atende, pois, a Jesus Cristo, que te diz como ao paralítico: “Vê que já estás curado, não peques doravante, para que não te suceda pior mal” (Jo 5,14). Pondera ainda São Bernardo de Claraval que, se por desgraça recaíres, tua ruína será pior que todas as tuas quedas precedentes. Ai daqueles, diz o Senhor, que seguem o caminho do céu e depois o abandonam! (Is 30,1) Serão punidos como rebeldes à luz (Jo 3, 20). O castigo desses infelizes que Deus favoreceu e iluminou com suas luzes e que, depois, lhe foram infiéis, é serem feridos de cegueira e morrerem assim nos seus pecados.

 

Exemplos:

 

1. São Francisco Xavier encontrou-se um dia com um português, conhecido seu, porém, pessoa de uma moralidade mais que duvidosa. “Como vai o Senhor?” perguntou o Santo. “Muito bem, obrigado”, foi a resposta. — “Muito bem, meu amigo, mas sua alma não vai nada bem”. Estas palavras impressionaram profundamente o homem, que não tardou a converter-se. — O mau hábito, o vicio, é uma doença grave da alma. A soberba é como uma loucura, a ira como uma febre, a avareza como a tuberculose e a desobediência como a paralisia da alma.

 

2) Nas nossas matas não raro, se vê árvores tão carregadas de trepadeiras e parasitas, que chegam a ser por elas asfixiadas. Tais árvores são imagens das almas viciadas. O vício, como um parasita estrangulador, priva a alma do ar e da luz, isto é, tira-lhe o livre exercício do intelecto e da vontade e o que pior é, corta-lhe por completo a comunicação com a graça divina.

 

3) Um santo ermitão, que morava à beira de um mato deu a um dos seus discípulos a ordem de arrancar três arvorezinhas de diversos tamanhos. O jovem pôs mãos à obra imediatamente. O primeiro pezinho, ele o arrancou com muita facilidade, porque era pequeno e com pouca raiz. Com o segundo a coisa já não era tão simples, porque era maior e tinha as raízes mais fundas e mais ramificadas. Foi preciso um companheiro lhe ajudar. A terceira árvore deu mais trabalho ainda, e só a custo de bastante suor e envidando toda a força os dois jovens conseguiram tirá-la da terra. Disse-lhes depois o ancião: O que experimentastes com as arvorezinhas, dá-se também com os vícios e maus hábitos. Combatendo-os logo no princípio é coisa  facílima deles se livrar. Deixando-os se  desenvolver, o trabalho já é mais penoso. Quase impossível é, e só com um auxílio especial de Deus se consegue erradicar um  vicio velho, largar um pecado inveterado e habituado.

Pe.Divino Lopes,FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/comentarios/escrituras/escritura_0257.htm

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Loucura dos pecadores

 

A sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus” (1 Cor 3, 19).

 

Caríssimos irmãos, reflitamos hoje sobre a maior loucura: a loucura dos pecadores.

A maior miséria e desgraça dos pecadores é: ofenderem a Deus, pisarem na sua misericórdia, desafiá-lo e ainda acharem que estão com toda a razão: “Vinde, portanto! Aproveitemo-nos das boas coisas que existem! Vivamente gozemos das criaturas durante nossa juventude!” (Sb 2, 6).

Os pecadores vivem na cegueira espiritual, são infelizes, e se julgam sábios e prudentes, sendo que na realidade são os homens mais cegos e loucos que podem haver na face da terra; somente na hora da morte verão que aquilo que o pecado oferece é pura angústia e tormento: “Marchamos nas sendas da iniqüidade e da perdição, erramos pelos desertos sem caminhos e não conhecemos o caminho do Senhor!” (Sb 5, 7).

Os pecadores ofendem a Deus e se gabam dessa rebeldia, são pessoas tapadas e orgulhosas; somente na hora da morte verão com amargura a desgraça deles e a ilusão do mundo: “O que ganhamos com o nosso orgulho, e que nos trouxe a riqueza unida à arrogância?” (Sb 5, 8).

A maior de todas as loucuras, seria uma pessoa tomar veneno e sorrir de alegria, ou enfiar uma faca no braço e cantar de felicidade. O mesmo acontece com os pecadores; eles bebem o veneno do pecado, fazem discursos usando o palanque da rebeldia contra Deus, e se gabam da própria desgraça, mas diante de Deus um dia terão que dizer: “É no mal que nossa vida se consumiu!” (Sb 5, 13).

Os pecadores chamam os santos de loucos, sendo que na realidade, loucos são eles, que trocaram a eternidade feliz por um momento de prazer. Um dia, querendo ou não, reconhecerão que loucos são aqueles que servem ao demônio, e sábios são os que servem a Deus: “Ei-lo, aquele de quem outrora escarnecemos, e a quem loucamente cobrimos de insultos! Considerávamos sua vida como uma loucura, e sua morte como uma vergonha” (Sb 5, 4).

O grito terrível dos pecadores na hora da morte será: “Enganamo-nos”, mas será tarde: “Portanto, nós nos desgarramos para longe da verdade: a luz da justiça não brilhou para nós e o sol não se levantou sobre nós!” (Sb 5, 6). Qual será o nosso grito na hora da morte: “Enganamo-nos” ou “Acertamos”?

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/palestras/palestra_005.htm

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 O pecador não quer obedecer a Deus

 «Quebraste desde o princípio o meu jugo, rompeste os meus laços, e disseste: não servirei» (Jer 2, 20).

Sumário. Grande Deus! Todas as criaturas obedecem a Deus, como a seu supremo Senhor; os céus, a terra, o mar, os elementos obedecem-lhe de pronto ao menor sinal. E o homem, mais amado e privilegiado de Deus do que todas essas criaturas, não quer obedecer-lhe, e cada vez que peca, diz por suas obras com inaudita temeridade a Deus: Senhor, não Vos quero servir ― Confregisti iugum meum, dixisti: non serviam. Irmão meu, é isso o que tu também fizeste, se tiveste a desgraça de pecar.

I. Grande Deus! Todas as criaturas obedecem a Deus como ao seu soberano Senhor; os céus, a terra, o mar, os elementos obedecem-lhe de pronto ao menor sinal. E o homem, mais amado e privilegiado de Deus do que todas essas criaturas, não lhe quer obedecer, e cada vez que peca, diz, por suas obras, com inaudita temeridade a Deus: Senhor, não Vos quero servir. Confregisti iugum meum, dixisti: non serviam ― «Quebraste o meu jugo e disseste: não servirei».

O Senhor lhe diz: não te vingues, e o homem responde: quero vingar-me; ― não te aposses dos bens alheios: quero apossar-me deles; ― abstém-te desse prazer desonesto: não quero abster-me. O pecador fala a Deus do mesmo modo que Faraó, quando Moisés lhe levou da parte de Deus a ordem de restituir o seu povo à liberdade. Aquele temerário respondeu: Quem é esse Senhor, para que eu ouça a sua voz? Não conheço o Senhor (Ex. 5, 2). O pecador diz a mesma coisa: Senhor, não Vos conheço, quero fazer o que me agrada. Numa palavra, ultraja-o face a face, e volta-lhe as costas. No dizer de Santo Tomás, é isso exatamente o pecado mortal: o voltar as costas a Deus, o Bem incomutável. É disso também de que o Senhor se queixa: Tu reliquiesti me, dicit Dominus; retrorsum abiisti (III Re 12, 28). Foste ingrato, assim fala Deus, porque me abandonaste ao passo que eu nunca te teria abandonado: retrorsum abiisti, voltaste-me as costas.

Deus declarou que odeia o pecado; portanto não pode deixar de odiar igualmente a quem o comete. E o homem, quando peca, ousa declarar-se inimigo de Deus e resiste-lhe na face: Contra Omnipotentem roboratus est ― «ele se fez forte contra o Todo-poderoso», diz Jó (Jó 15, 25). O mesmo santo varão acrescenta que levanta o colo: isto é o orgulho, e corre para insultar a Deus: arma-se com uma testa dura, isto é, com ignorância, e diz: Quid feci? Que é que fiz? Onde está o grande mal que fiz pecando? Deus é misericordioso; perdoa aos pecadores. Que injúria! que temeridade! que insensatez!

II. Irmão meu, se nós também no passado quebramos o jugo suave do Senhor, e recusando-lhe a obediência tornamo-nos escravos do demônio, peçamos agora, humilhados e contritos, o perdão de nossos pecados;

esforcemo-nos, com o nosso arrependimento, e com os nossos obséquios, em reparar um pouco as muitas ofensas que, particularmente nestes dias de carnaval, são feitas a nosso Pai celestial.

Eis aqui a vossos pés, meu Deus, o rebelde, o temerário, que tantas vezes teve a audácia de Vos injuriar no rosto e de Vos voltar as costas, mas que agora Vos pede misericórdia. Vós dissestes: Clama ad me, et axaudiam te (Jer 33, 3) ― «Clama a mim e eu te atenderei». Um inferno ainda é pouco para mim: confesso-o; mas sabeis que tenho mais dor por Vos haver ofendido, ó Bondade infinita, do que se houvesse perdido todos os meus bens e a vida. Ah! meu Senhor; perdoai-me e não permitais que Vos torne a ofender. Vós por mim esperastes, a fim de que bendiga para sempre a vossa misericórdia, e Vos ame. Sim, bendigo-Vos, amo-Vos e espero pelos merecimentos de Jesus Cristo, nunca mais separar-me do vosso amor. Foi o vosso amor que me livrou do inferno, esse mesmo amor deve livrar-me do pecado no futuro.

Agradeço-Vos, meu Senhor, estas luzes e o desejo que me inspirais de sempre Vos amar. Peço-Vos que tomeis plena posse de mim, de minha alma, de meu corpo, das minhas faculdades, dos meus sentidos, de minha vontade e da minha liberdade: Tuus sum ego, salvum me fac (Sl 118, 94) ― «Eu sou vosso; salvai-me». Vós que sois o único bem, o único amável, sede também o meu único amor. Dai-me fervor em Vos amar. Já Vos ofendi muito; portanto não me posso contentar com amar-Vos simplesmente; quero amar-Vos muito para compensar as injúrias que Vos fiz. De Vós espero esta graça porque sois todo-poderoso; espero-a também, ó Maria, das vossas orações, que são todo-poderosas para com Deus. (*II 68.)

Pieter Boel, Vanitas, 1663. "Vanitas vanitatum omnia vanitas" (Ecl, 1, 2)

Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 252-254.

www.rainhamaria.com.br

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ASSIM MORRE O PECADOR

Ez 7, 25-26: “Sobrevindo a aflição, procurarão a paz e a não encontrarão; virá confusão sobre confusão”.

 

Prezado católico, hoje falarei sobre a morte do pecador, sobre aquela pessoa que passou a sua vida aqui na terra longe de Deus, O ofendendo continuamente. Esse infeliz também morrerá, e naquela hora terrível ele dirá aos seus amigos: “Sim, extraviamo-nos do caminho da verdade; a luz da justiça não brilhou para nós, para nós não nasceu o sol. Cansamo-nos nas veredas da iniqüidade e perdição, percorremos desertos intransitáveis, mas não conhecemos o caminho do Senhor!” (Sb 5, 6-7).

Católico, o pecador vive em pecado como se nunca fosse morrer, ele faz tudo para afastar a lembrança e o pensamento da morte, mas não adianta, a morte existe e um dia ela o visitará, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “Os pecadores afastam a lembrança e o pensamento da morte, e procuram a paz (ainda que jamais a encontrem), vivendo em pecado. Quando, porém, se virem em face da eternidade e nas agonias da morte, já não poderão escapar aos tormentos de sua má consciência, nem encontrar a paz que procuram”.

Prezado católico, o pecador finge que é feliz e que é portador da paz, mas tudo isso não passa de falsidade: “Pois, como pode encontrá-la numa alma carregada de culpas, que, como víboras, a mordem?” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Realmente não existirá paz na hora da morte, para aquela pessoa que passou a sua vida aqui na terra servindo ao demônio, que chutou continuamente a graça de Deus e que preferiu as trevas à luz da graça: “Que paz poderão gozar pensando que em breve deverão comparecer ante Cristo Jesus, cuja lei e amizade desprezaram até então?” (Santo Afonso Maria de Ligório), é justamente o que está em Ez 7, 26: “Confusão sobre confusão”.

 A morte do pecador é terrível, esse infeliz ficará mergulhado num mar de angústias e de dúvidas, ficará todo confuso quando perceber que ela está próxima: “O anúncio já recebido da morte próxima, a idéia de se separar para sempre de todas as coisas do mundo, os remorsos da consciência, o tempo perdido, o tempo que falta, o rigor do juízo de Deus, a eternidade infeliz que espera o pecador, todas estas coisas produzirão perturbação terrível que acabrunha e confunde o espírito e aumenta a desconfiança. E neste estado de confusão e desespero, o doente passará à outra vida” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Prezado católico, que desculpa dará a Deus na hora da morte, aquele pecador que passou a sua vida aqui na terra desprezando a graça de Deus, comendo do lixo do mundo e vivendo abraçado com Satanás? Aquele pecador que ao invés de rezar, passava horas e horas diante da televisão e nas portas dos botecos? Aquelas mulheres que ao invés de usarem roupas decentes, preferiram usar roupas imorais? Aquelas pessoas que ao invés de ler a Bíblia e vida dos santos, liam revistas pornográficas?

Católico, cuidado para não abusar da bondade e misericórdia de Deus, por que Ele é misericordioso, mas Ele é justo também, como está em Eclo 5, 4-6: “Não digas: ‘Pequei: o que me aconteceu?’, porque o Senhor é paciente. Não sejas tão seguro do perdão para acumular pecado sobre pecado. Não digas: ‘Sua misericórdia é grande para perdoar meus inúmeros pecados’, porque há nele misericórdia e cólera e sua ira pousará sobre os pecadores”.

O pecador deve acordar enquanto é tempo, buscar a Deus enquanto ainda está vivo, como está em Is 55, 6-7: “Procurai a Deus enquanto pode ser achado, invocai-o enquanto está perto. Abandone o ímpio o seu caminho, e o homem mau os seus pensamentos, e volte para Deus, pois terá compaixão dele, e para o nosso Deus, porque é rico em perdão”.

Você que vive no pecado, não vale a pena viver assim, a sua vida é um mar de tristeza, volte para Deus e não fique adiando a sua conversão, como está em Eclo 5, 7: “Não demores a voltar para o Senhor e não adies de um dia para o outro, porque, de repente, a cólera do Senhor virá e no dia do castigo perecerás”.

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/pregacoes/diversas/pregacoes_diversas_ii_02.htm#38

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Inferno

 

Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos” (Mt 25, 41).

 

Hoje a maioria das pessoas não gosta de ouvir falar do inferno, mas não adianta fugir, ele existe e basta morrer em pecado mortal, para ser condenado para sempre.

Tão certa é a existência do inferno como é certa a existência de Deus” (Pe. Alexandrino Monteiro).

Quando um criminoso comete um crime, é lançado na prisão, e essa punição está certa; o mesmo acontece com a pessoa que comete o pecado mortal e morre com ele na alma: quem ofende a Deus que é eterno, merece uma prisão eterna que é o inferno.

Todos sabem da existência do inferno, e estão vivendo como se ele não existisse. Outros tentam negá-lo para tentar tranqüilizar a consciência, mas não adianta, porque a existência do inferno não depende se cremos ou não: “Há inferno. – Uma afirmação que para ti é sem dúvida um lugar – comum – vou-te repetir: há inferno!” (Bem-aventurado Josemaría Escrivá). Em vão o pagão tentará negar a existência do inferno.

Devemos trazer sempre essa lembrança: posso morrer a cada instante, e se a morte me surpreender em pecado mortal irei para o inferno eterno.

Santa Teresa D’Ávila viu, por divina revelação, o inferno: “Foi de brevíssima duração, mas, embora eu vivesse muitos anos, parece-me impossível esquecê-lo. Parecia-me a entrada à maneira dum beco muito comprido e estreito, semelhante a um forno muito baixo e escuro e apertado. O chão pareceu-me duma água com lodo muito sujo e de cheiro pestilencial e cheio de muitas sevandijas peçonhentas. No fundo havia uma concavidade aberta numa parede a modo dum armário, aonde me vi colocar em muita estreiteza... Senti um grande fogo na alma que eu não chego a entender como poder dizer de que maneira é. As dores corporais são tão insuportáveis que, apesar de eu as ter passado nesta vida gravíssimas, tudo é nada em comparação do que ali senti... Estando em tão pestilencial lugar, tão desesperada de toda a consolação, não há sentar-se nem deitar-se, nem há lugar, porquanto me puseram neste como que buraco feito na parede; porque estas paredes, que são espantosas à vista, apertam por si mesmas e tudo sufoca. Não há luz, mas tudo trevas escuríssimas. Eu não entendo como pode ser isto, que, não havendo luz se vê tudo o que à vista há de causar pena” (Livro da Vida, Capítulo 32, 1, 2 e 3). Veja o lugar que está preparado para você, caso morra em pecado mortal.

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/palestras/palestra_008.htm

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O INFERNO EXISTE MESMO

SIM, JESUS FALOU E BASTA!

"O Inferno é último mal que hão de sofrer os maus!" (São Pio X)
"Se a morte acha o homem dormindo, vem como ladrão, despoja-o, mata-o e o lança no abismo do inferno; mas, se o encontra vigilante, saúda-o como enviada de Deus, dizendo:O Senhor te espera para as bodas; vem, que te conduzirei ao reino bem-aventurado a que aspirais". (S.Tomás de Vilanova)

Existe verdadeiramente o Inferno?
"Não vos enganeis: de Deus não se zomba" (Gl 6,7)
INFERNO NÃO EXISTE! Gritam...

- OS LIVRES PENSADORES: "Vocês injuriam a razão humana... Em nosso século ainda acreditar no inferno!"

- OS CÉTICOS: "É invenções dos padres católicos para assustar as almas!".

- OS MODERNISTAS ATUAIS: "Não falemos sobre isso! Vocês vão esvaziar as igrejas traumatizando as crianças e ofendendo o espírito moderno!"

- OS OTIMISTAS E CATÓLICOS SENTIMENTAIS: "Deus é muito bom, Deus é Amor! O inferno só por um pecado? Não podemos exagerar!" Deus é misericordioso e não condena a ninguém...

Não se trata de saber se você acredita ou não no inferno.

As coisas são aquilo que elas são e isso independentemente de nós.

O que importa é saber se o inferno existe. Pois bem!...

 

O INFERNO EXISTE! JESUS FALOU E BASTA!
"Eu sou o Senhor e não mudo" (Ml 3,6) Deus não pode se contradizer e portanto o Espírito santo não pode inspirar hoje mudanças doutrinais em contradição com o que Ele inspirou anteriormente.
Nosso Senhor Jesus Cristo é deus e manifestou sua divindade através dos milagres. Ele mesmo revelou que verdadeiramente existe o inferno. Tanto no Antigo como no Novo Testamento existem inúmeras citações a cerca deste dogma de fé. Olhai o Novo Testamento!
Eis o resumo da pregação de São João Batista.

"O machado já está àraiz das árvores.Toda árvore, pois, que não dá bom fruto será cortada e lançada ao fogo" (Mt 3,10) "Ele tem a pá na sua mão, limpará bem a sua eira, e recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha num fogo inextinguível" (Mt 3,12)


Pregação de Nosso Senhor sobre o inferno
Quantas vezes Nosso Senhora fala das "trevas exteriores", do lugar onde "haverá choro e ranger de dentes" (Mat 13,42)
Meditemos a descrição do juízo final: "Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos" (Mt 25,41)

Algumas citações sobre o Inferno nas Sagradas Escrituras

"Mostrar-vos-ei a quem deveis temer: temei àquele que, depois de matar, tem poder de lançar no inferno; sim, eu vo-lo digo: temei a este." (Lc 12,5)

"E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio.Gritou, então: - Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas." (Lc 16,23-24)

"E tu, Cafarnaum, serás elevada até o céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque, se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro dos teus muros, subsistiria até este dia.Por isso te digo: no dia do juízo, haverá menor rigor para Sodoma do que para ti!" (Mt 11,23-24)
"Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis mares e terras para fazer um prosélito e, quando o conseguis, fazeis dele um filho do inferno duas vezes pior que vós mesmos." (Mt 23,15)

"Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno?" (Mt 23,33)
"Pois se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os precipitou nos abismos tenebrosos do inferno onde os reserva para o julgamento;" (2 Pd 2,4)

"Por isso, se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno"(Mt 18,8)

"Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível [onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga].Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares coxo na vida eterna do que, tendo dois pés, seres lançado à geena do fogo inextinguível [onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga].Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado ? geena do fogo, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga." (Mc 9,43-47)

"Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena." (Mt 5,22)

"Se teu olho direito é para ti causa de queda, arranca-o e lança-o longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo todo seja lançado na geena.E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena." (Mt 5,29-30)

"Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." (Mt 10,28)

"Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena." (Mt 18,9)

"O inferno é violento" (Ct 8,6)

"Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a conseguirão; desejarão morrer, e a morte fugirá deles" (Ap 9,6)

"Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz ? s igrejas: O vencedor não sofrerá dano algum da segunda morte." (Ap 2,11)

"A morte e a morada subterrânea foram lançadas no tanque de fogo. A segunda morte é esta: o tanque de fogo.Todo o que não foi encontrado inscrito no livro da vida foi lançado ao fogo." (Ap 20,14-15)

"Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte." (Ap 21,8)

"O machado já está posto ? raiz das árvores. E toda árvore que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo." (Lc 3,9)

"Ele tem a pá na mão e limpará a sua eira, e recolherá o trigo ao seu celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível." (Lc 3,17)

"Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á." (Jo 15,6)

"Só teremos que esperar um juízo tremendo e o fogo ardente que há de devorar os rebeldes" (Hb 10,27)


Sobre os condenados:

"Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito ? verdade, mas consentiram no mal." (II Tess 2,12)

"Eles sofrerão como castigo a perdição eterna, longe da face do Senhor, e da sua suprema glória" (II Tess 1,9)

"Os que praticaram o bem irão para a ressurreição da vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados." (Jo 5,29)

"O Filho do Homem enviará seus anjos, que retirarão de seu Reino todos os escândalos e todos os que fazem o mal e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes" (Mt 13,41-42)

"Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos." (Mt 25,41)

"Os anjos que não tinham guardado a dignidade de sua classe, mas abandonado os seus tronos, ele os guardou com laços eternos nas trevas para o julgamento do Grande Dia." (Jd 1,6)

"Em Sião os pecadores serão aterrados, o medo apoderar-se-á dos ímpios. Quem de nós poderá permanecer perto deste fogo devorador? Quem de nós poderá permanecer perto das chamas eternas?" (Is 33,14)

"Há de beber também o vinho da cólera divina, o vinho puro deitado no cálice da sua ira. Será atormentado pelo fogo e pelo enxofre diante dos seus santos anjos e do Cordeiro.A fumaça do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos. Não terão descanso algum, dia e noite, esses que adoram a Fera e a sua imagem, e todo aquele que acaso tenha recebido o sinal do seu nome." (Ap 14,10-11)


No Catecismo
"Depois da vida presente há outra, ou eternamente feliz para os eleitos no Paraíso, ou eternamente desgraçada para os condenados no Inferno" (Cat. S.Pio X, 245)

"A desgraça dos condenados consiste em serem para sempre privados da visão de Deus, e punidos com tormentos eternos no Inferno." (Cat. S.Pio X, 248)

"Os bens do Paraíso e os males do Inferno, por ora, são só para as almas porque por enquanto só as almas estão no Paraíso, ou no Inferno; mas depois da ressurreição da carne, os homens, na plenitude da sua natureza, isto é, em corpo e alma, serão ou felizes ou infelizes para sempre." (Cat. S. Pio X, 249)

"Os bens do Paraíso para os eleitos, e os males do Inferno para os condenados, serão iguais na substância e na duração eterna; mas na medida, isto é, no grau, serão maiores ou menores, segundo os méritos ou deméritos de cada um." ( Cat. S.Pio X, 250)

"Sim, todos somos obrigados a observar os Mandamentos, porque todos devemos viver segundo a vontade de Deus que nos criou; e basta transgredirmos gravemente um só deles para merecermos o Inferno." (Cat. S.Pio X, 347)

CIC: Catecismo da Igreja Católica, Edição típica vaticana:" O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas que morrem em estado da pecado mortal descem imediatamente após à morte aos infernos, onde sofrem as penas do inferno, " o fogo eterno". As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja acerca do inferno constituem um apelo insistente à conversão. Como não sabemos o dia e a hora, vigiemos contantemente para que, terminando o único curso de nossa vida terrestre não sejamos como servos maus e preguiçosos, obrigados a ir para o fogo eterno, para as trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes". Cf. números 1035 - 1036


O que os santos disseram sobre o inferno?

Disse São João Bosco no livro "O Jovem instruído".

"A alma se fez o mal, será punida com um terrível castigo, no inferno, onde padecerá para sempre o fogo e toda a sorte de tormentos."

"Dois são os lugares que nos estão reservados na outra vida: para os maus, o inferno, onde se sofre todos os tormentos; para os bons, o Paraíso, onde se goza todos os bens"

Se começardes a viver mal no tempo da juventude, muito facilmente continuareis assim até a morte, e isto vos conduzirá inevitavelmente ao inferno.

Nada atormenta mais os condenados no inferno do que o pensamento de ter passado no ócio aquele tempo, que Deus lhe tinha dado para se salvarem.

Quantos jovens estão no inferno por ter dado ouvidos ás más conversas!

Tempo virá em que o riso e o sarcasmo dos malvados se transmudará em pranto no inferno
Se fosse possível tirar os escândalos do mundo, quantas almas iriam ao Paraíso, as quais, pelo contrário perdem-se eternamente no inferno!

Disse Santo Afonso Maria de Ligório em seu livro "Preparação para a Morte"
Fazei-me antes morrer da morte mais dolorosa do que permitir que de novo perca a vossa graça. Já fui escravo do inferno; agora sou vosso servo, ó Deus de minha alma!

De que lhe valeu a autoridade que possuía, se agora seus restos mortais estão condenados a apodrecer numa vala e a sua alma arrojada nas chamas do inferno?

Quantos pobres pecadores tiveram a infelicidade de ser surpreendidos pela morte ao recrearem-se com manjares intoxicados e foram precipitados no inferno? ?Assim como os peixes caem no anzol, assim são colhidos os homens pela morte num momento ruim?. (Ecl 9,12). O momento ruim é exatamente aquele em que o pecador ofende a Deus

Os sentimentos destes moribundos, que durante a vida desprezaram a consciência, se assemelham aos dos condenados que, sem fruto nem remédio, choram no inferno seus pecados como causa de suas penas.

A vida presente é uma guerra contínua contra o inferno, na qual sempre corremos o risco de perder a Deus e a nossa alma.
Assim como os que morrem em pecado começam já a sentir no leito mortuário algo das penas do inferno, pelo remorso, pelo terror e pelo desespero

Então os pecadores implorarão o socorro do Senhor, mas sem conversão verdadeira, unicamente com o receio do inferno, em que se vêem próximos a cair. É por este motivo justamente que não poderão provar outros frutos que os de sua má vida. ?Aquilo que o homem semeou, isto também colherá? (Gl 6,8).

O tempo é um tesouro que só se acha nesta vida, mas não na outra, nem no céu, nem no inferno. É este o grito dos condenados: Oh! se tivéssemos uma hora!?... Por todo o preço comprariam uma hora a fim de reparar sua ruína; porém, esta hora jamais lhes será dada.

Mas, se te enganares e te perderes, de que te servirá no inferno haveres desfrutado de todos os prazeres do mundo, teres sido rico e cortejado? Perdida a alma, tudo está perdido: honras, divertimentos e riquezas.

Morre-se uma vez, e perdida uma vez a alma, está perdida para sempre. Só resta o pranto eterno com os outros míseros insensatos do inferno, cuja pena e maior tormento consiste em pensar que para eles já não há mais tempo de remediar sua desdita (Jr 8,20).

Qual será, pois, ó meu Deus, a angústia do condenado quando, ao entrar no inferno, se vir sepultado naquele cárcere de tormentos, e, atendendo à sua desgraça, considerar que durante toda a eternidade não há de chegar remédio algum! Sem dúvida exclamará: ?Perdi a alma e o paraíso, perdi a Deus; tudo perdi para sempre, e por quê? por minha culpa!

Oh, nunca acabará!... Passarão mil milhões de anos e de séculos e o inferno que sofreres estará começando!... Que é um milhar de anos em comparação da eternidade? Menos que um dia já passado... (Sl 89,4)

Não há, pois, termo médio: ou reinar eternamente na glória, ou gemer como escravo no inferno. Ou sempre ser bem-aventurado, num mar de dita inefável, ou ficar para sempre desesperado num abismo de tormentos.

São João Crisóstomo, considerando que aquele rico, qualificado de feliz no mundo, foi logo condenado ao inferno, enquanto que Lázaro, tido como infeliz porque era pobre, foi depois felicíssimo no céu, exclama: "Ó infeliz felicidade, que trouxe ao rico eterna desventura!... Ó feliz desdita, que levou o pobre à felicidade eterna!"

Jeremias disse também que o Senhor nos deu dois caminhos, o da glória e o do inferno (Jr 21,8).

Mas quem se empenha em andar pela senda do inferno, como poderá chegar à glória? É de admirar que, ainda que todos os pecadores queiram salvar-se, eles mesmos se condenam ao inferno, dizendo: espero salvar-me. Mas quem será tão louco - disse Santo Agostinho - que tome veneno moral com esperança de curar-se?... No entanto, quantos insensatos se dão a morte a si próprios, pecando, e dizem: "mais tarde pensarei no remédio..." Ó deplorável ilusão, que a tantos tem arrastado ao inferno! Não sejamos tão imprevidentes; consideremos que se trata da eternidade.

Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo, esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, citra condignum, isto é, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado.

Por outra parte, afirma São Paulo que de "Deus não se pode zombar" (Gl 6,7). E seria zombar de Deus o querer ofendê-lo sempre que quiséssemos e desejar, a seguir, o paraíso. Quem semeia pecados, não pode esperar outra coisa que o eterno castigo no inferno (Gl 6,8). O laço com que o demônio arrasta quase todos os cristãos que se condenam é, sem dúvida, esse engano com que os seduz, dizendo-lhes: ?Pecai livremente, porque, apesar de todos os pecados, haveis de salvar-vos?.***

O ímpios, vivem longos anos em pecado; mas, quando se completa o número que lhes foi fixado, a morte dos arrebata e são precipitados no inferno (Jo 21,13).

Disse São Francisco de Sales no Livro "A Filotéia".
Os condenados estão no abismo do inferno, como desventurados habitantes desta cidade de horrores.Padecem dores incalculáveis em todos os seus sentidos e em todo o corpo; pois, assim como empregaram todo o seu ser para pecar, sofreram também em todo ele as penas devidas ao pecado.Desde modo, sofreram os olhos por seus olhares pecaminosos, vendo perto de si os demônios em mil figuras hediondas e contemplando com o inferno inteiro.Ai só se ouviram lamentos, desesperos, blasfêmias, palavras diabólicas, para punir por estes tormentos os pecados cometidos por meios dos ouvidos.E de modo análogo acontecerá aos demais sentidos.

Além destes tormentos, existem ainda um outro muito maior.É a privação e a perda da glória de Deus, que jamais verão.Por mais ditosa que fosse a vida de Absalão em Jerusalém, ele não deixava de protestar que a infelicidade de não ver por dois anos o seu pai querido lhe era mais intolerável que o tinha sido as penas do exílio.Ó meu Deus, que sofrimento será, pois, e que pesar imenso ser privado eternamente de Vos ver e amar.

Considera sobretudo a eternidade a qual por si só faz o inferno insuportável. Ah! Se o calor de uma febrezinha torna uma breve noite corrompida e enfadonha que horrenda não será a noite no inferno, onde a eternidade se ajunta a abundância dos tormentos? É desta eternidade que procede a desesperação eterna, as blasfêmias execráveis e os rancores sem fim.


Você irá ao Inferno?
Certamente se você não crer ("O que não crer será condenado" Mc 16,16).Certamente, se você vive na lama do pecado e não quer voltar a Deus através dos sacramentos.Você que não vive segundo os mandamentos, que ignora Deus, que aceita sofismas modernos só para adormecer a consciência, você que tem vergonha da sua Fé e se recusa a reagir, pense seriamente que "TAL VIDA, TAL MORTE".

Mas, e a bondade de Deus?
Você não a vê? Olhe para o Crucificado: "Porque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu Filho Unigênito, para que todo o que crê nele, não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16).
Que espera? Olhe para o céu e volte para seu Pai do Céu.
Fazendo uma boa confissão e começando a viver como um verdadeiro católico. Não se esqueça de conversar com um sacerdote que guarde a sua Fé católica, abandone a vergonha, o respeito humano e volte a Deus. Pois..."Não vos enganeis...DE DEUS NÃO SE ZOMBA"...

Escute São João Bosco que nos diz:
"Não imiteis aqueles infelizes que se iludem dizendo: "Cometerei este pecado, mas depois me confessarei".Não te enganes a ti mesmo desta forma: Deus amaldiçoa a quem peca na esperança do perdão: Maledictus homo qui peccat in spe. Lembra-te que todos os que estão no inferno tinham esperança de emendar-se mais tarde e no entanto se perderam eternamente. Quem sabe se depois terás tempo para confessar-te? Quem te garante que não hajas de morrer logo depois do pecado e que a tua alma não seja precipitada no inferno? Além disso, que grande loucura não seria ferir-te a ti mesmo na esperança de que o médico te venha depois curar a ferida? Afasta pois a enganadora idéia de poderes entregar-te a Deus mais tarde; neste mesmo momento detesta e abandona o pecado, que é o maior de todos s males e que, afastando-te de teu fim, te priva de todos os bens.

Moméntum a quo pendet aéternitas.Oh! grande, oh! terrível momento, do qual depende uma eternidade de glória ou de tormentos!compreendes bem o que te digo?Quero dizer que daquele momento depende ir para o Céu ou para o inferno; ser para sempre feliz ou para sempre infeliz; para sempre filho de Deus ou para sempre escravo do demônio; para sempre gozar com os anjos com os santos no céu ou gemer e arder para sempre com os condenados no inferno!

Teme grandemente pela tua alma e pensa que do viver bem depende uma boa morte e uma eternidade de glória.Por isso, não difiras por mais tempo e prepara-te desde já para fazer uma boa confissão e dispor bem as coisas da tua consciência, prometendo a Nosso Senhor perdoar os teus inimigos, reparar os escândalos dados, santificar os dias de guarda, cumprir os deveres do teu estado.

E agora, põe-te na presença de teu Deus e dize-Lhe de coração: Meu Deus, desde este momento eu me converto a Vós; amo-Vos, quero amar-Vos e servir-Vos até a morte.virgem santíssima, minha Mãe, ajudai-me naquele terrível momento.Jesus, José e Maria, espire em paz entre vós a minha alma." (O Jovem Instruído)

E dizeis com Santo Afonso e com o Profeta Jeremias: "Livrai-me do inferno, ou melhor: livrai-me do pecado, único mal que pode condenar-me. Ó Maria, rogai por mim e livrai-me do mal horrível de me ver em pecado sem a graça de nosso Deus!"
?Senhor, grande é meu reconhecimento, porque ainda não me condenastes ao inferno, que tantas vezes mereci? (Lm 3,22).

http://www.ultimasmisericordias.com.br/Pagina/2798/O-INFERNO-EXISTE-MESMO

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O INFERNO

Caríssimo ouvinte, a Sagrada Escritura fala setenta vezes do inferno; destas setenta vezes, vinte e cinco nos Evangelhos.

Milhões de pessoas não suportam e não gostam de ouvir falar sobre o inferno, dizem que é um assunto assustador; mas os mesmos cometem pecados mortais e mais pecados mortais, e o pecado mortal não os assusta. Muito interessante!

Ouvinte, a existência do inferno não depende de você acreditar ou não; a Igreja Católica Apostólica Romana sempre, sempre ensinou a sua existência. O Papa Bento XII diz: “As almas daqueles que saem do mundo em pecado mortal atual, imediatamente depois da sua morte descem ao inferno, onde são atormentados com penas infernais”. Repito

Infelizmente, milhões de pessoas estão buscando um cristianismo “rapadura”, um cristianismo “melado”, um cristianismo recheado de sentimentalismo e de fachada; e dizem abertamente que a pregação sobre a morte, juízo, inferno e paraíso é coisa da Idade Média; e que hoje vivem os num mundo moderno; quanto ao mundo moderno até que elas tem razão; realmente o mundo está muito moderno, tão moderno, que está se transformando num grande prostíbulo e chiqueiro. Mas quanto à pregação sobre os novíssimos homens, isto é, sobre a morte, juízo, inferno e paraíso, os modernistas, ou melhor, os relaxados e omissos não tem razão; porque esse sempre foi um tema pregado dentro da Igreja Católica, e não só na Idade Média.

O Papa João Paulo II, escreve o seguinte sobre a pregação sobre a morte, juízo, inferno e paraíso: “A Igreja não pode omitir, sem grave mutilação da sua mensagem essencial, uma catequese constante sobre o que a linguagem cristã tradicional designa como os quatros últimos fins do homem: morte, juízo,inferno e paraíso”, escreve o Papa João Paulo II; e o Papa escreveu essa matéria em 1984, não foi na Idade Média.

Hoje, infelizmente, muitos pregadores escondem do povo essa verdade, justamente porque sentem medo de assustar os seus “fregueses”, ou quem sabe, de assustar-se a si próprio.

Então ouvinte, você que busca a verdade, ouça atentamente a pregação sobre o inferno, medite sobre o inferno, desça ao inferno agora(através do estudo e da meditação sobre o mesmo), enquanto está vivo, para não correr o risco de cair nele depois da morte, como escreve o Santo da alegria e do sorriso, São Filipe Néri: “Quem não descer ao inferno enquanto viver, corre perigo de nele entrar quando morrer”, escreve São Filipe Néri. Repito

Ele, (São Filipe Néri) era muito sorridente, mas meditava continuamente sobre o inferno, quer dizer, possuía uma piedade autêntica, e não essa fábrica de melado e rapadura que existe por ai.

Ouvinte, faça silêncio e preste bastante atenção na pregação sobre o inferno, e com certeza ela te ajudará a ser mais temente a Deus.

Alguém poderia me perguntar. O que é o inferno?

Eu lhe diria que o inferno é um lugar de tormentos, onde sofrerão eternos suplícios os que morrem em pecado mortal. Ouvinte, a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé insiste em que “a Igreja, mantendo-se fiel ao Novo Testamento e à Tradição (…) crê no castigo eterno que espera o pecador, o qual será privado da visão de Deus, e na repercussão desta pena em todo o seu ser”. E o catecismo da Igreja Católica, no nº 1033, falando sobre a definição do inferno diz: “Morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado do Todo-poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. (E o catecismo ainda diz no mesmo número). E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa com a palavra “inferno”, catecismo da Igreja Católica, nº 1033.

Caríssimo ouvinte, você sabe como começou o inferno? Não sabe? Preste atenção e ficará sabendo.

O Padre Leo Trese escreve: “Quando Deus criou os anjos, dotou cada um de uma vontade que o faz suprenamente livre. Sabemos que o preço do céu é amar a Deus. Por um ato de amor a Deus, um espírito, seja anjo ou alma humana, fica habilitado a ir para o céu. E este amor tem que ser provado pelo único modo com que o amor pode ser provado: pela livre e voluntária submissão da vontade criada a Deus, por aquilo a que chamamos comumente um “ato de obediência” ou um “ato de lealdade”.

Deus fez os anjos com livre arbítrio para que fossem capazes de fazer o seu ato de amor a Deus, de escolher Deus. Só depois é que o veriam face a face; só então poderiam entrar nessa união eterna com Deus a quem chamamos “céu”.

Deus não nos deu a conhecer a espécie de prova a que submeteu os anjos. Muitos teólogos pensam que Ele deu aos anjos uma visão prévia de Jesus Cristo, o Retentor da raça humana, e leis mandou que o adorassem…: Jesus Cristo em todos as suas humilhações, uma criança no estábulo, um criminoso na cruz. Segundo esta teoria, alguns anjos se teriam rebelado ante a perspectiva de terem que adorar Deus encarnado. Conscientes da sua própria magnificência espiritual, da sua beleza e dignidade, não quiseram fazer o ato de submissão que a adoração e Jesus Cristo lhes pedia. Sob a chefia de um dos anjos mais de todos, Lúcifer, “Portador da luz”, o pecado de orgulho afastou de Deus muitos anjos e o terrível grito, “não servirei”, percorreu os céus. E assim começou o inferno. Por que o inferno é, essencialmente, a separação de Deus de um espírito”, escreve o Padre Leo Trese. Então ouvinte, assim começou o inferno.

Prezado ouvinte, o inferno existe, não adianta o pagão ou o ateu negá-lo; não adianta escreverem livros e mais livros negando a sua existência; por que a existência do inferno não depende da língua ou da caneta de ninguém. O inferno existe! O inferno existe! “Tão certa é a existência do inferno, como é certa a existência de Deus”, escreve o Pe. Alexandrino Monteiro. Repito

Ouvinte, Deus é o Senhor de toda a criação; por isso deu lei às suas criaturas com um direito infinitamente superior àquele com que os legisladores da terra os dão a seus súditos.

E o que contemplamos diariamente? Que as leis de Deus são pisadas e desobedecidas, e que muitos dos seus transgressores saem impunes deste mundo. Logo, espera-os, na outra vida, a vingança de Deus, infinitamente justa.

Sabemos que aqui na terra há prisões, onde os criminosos e ladrões vão pagar os crimes contra as leis civis; agora, depois da morte, aqueles que violaram e pisaram na lei de Deus, e morreram sem se arrepender, não encontrar também uma prisão tenebrosa, que é o inferno, e nessa prisão eterna, sofrerão terríveis suplícios.

Ouvinte, Deus é mesma santidade. Não pode olhar com indiferença para a virtude e para o vício, mas há de separar o justo do pecador, como quem separa o trigo do joio.

Deus é a mesma justiça. O pecador e o santo aparecerão diante dos olhos de Deus; o pecador carregado de pecados, e o Santo cheio de virtudes; se o pecador e o Santo tivessem a mesma sorte, onde estaria então a justiça de Deus?

A justiça de Deus exige que o castigo do pecador seja eterno! Isso mesmo, quem morre em pecado, em pecado permanece pra todo o sempre, porque o tempo do arrependimento acaba com morte.

Ouvinte, Deus em tudo é grande. Se premeia, é com o céu; se redime, é com o seu próprio sangue; se castiga, é com o inferno!…

O inferno existe!… Esta verdade gravou-a Deus profundamente na alma de cada um dos homens. É terrível, ouvinte, o pensamento da condenação eterna; seria bom se pudéssemos exclamar com toda tranqüilidade: Não há inferno; só existe o céu.

Mas não é possível. A nossa fé prega-nos esta verdade com tanta freqüência e de formas tão diversas, que não nos pode ficar nem sobra de dúvida a respeito da sua realidade.

Milhares negam a existência do inferno! Mas, como já foi falado, a Bíblia fala 70 vezes sobre o inferno, sendo que das 70 vezes, destas 70 vezes, vinte e cinco nos Evangelhos.

Ouvinte, para ficar bem claro, citarei algumas passagens do Novo testamento sobre a existência do inferno.

São João Batista, o Precursor de Jesus Cristo afirmou: “O machado já está posto à raiz das árvores e toda árvore que não produzir bom fruto será cortada e lançada ao fogo” (São Mateus 3,10); e o mesmo Santo Precursor ensinou: “A pá está na sua mão; vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro: mas, quanto à palha, vai queimá-la num fogo inextinguível” (São Mateus, 3,12)

Milhares negam a existência do inferno! Nesse caso, eles estão desmentindo os ensinamentos claros e terminantes de Nosso Senhor Jesus Cristo. O nosso Salvador fala do inferno muitas vezes, isso mesmo, muitas vezes: a “guerra”, a “guerra” de fogo”, onde “o verme não morre e o fogo não se extingue”, conferir em São Mateus, 5 ,22; 5,29; 10 ,28; 18,9; São Marcos, 9,43; São João, 15,6, etc.…” São as trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes”, conferir em São Mateus , 8,12; 25,30 , etc… Ao profetizar sobre o juízo final, diz : “Quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os anjos consigo, sentar-se-á sobre seu trono da glória, e reunirão em sua presença todos os povos, e separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos”, e a estes dirá: “Apartai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, destinado ao demônio e a seus anjos” (São Mateus 25,41).

Prezado ouvinte, falando da “pena de eterna perdição”, sofrida pelos ímpios, São Paulo diz que eles “ estão longe da face do Senhor e da glória de seu poder”, (Conferir, 2 Tes 1,9).

Ouvinte, milhares usam da Bíblia, como se ela fosse um self-service, isso mesmo , isto é, só lêem aquilo que gostam, mas os trechos que lhes mexem na consciência são deixados de lado; será que esse tipo de gente está à procura de uma conversão sincera? Tenho certeza que não. São pessoas ridículas e medíocres.

Ouvinte, Jesus Cristo não falou do inferno para inquietar ou amedrontar ninguém, Ele simplesmente pregou a verdade.

E você, prezado ouvinte, você sabe que o inferno existe, e vive como se ele não existisse. Se queres evitá-lo, corrigi os teus erros, põe ordem na tua vida, faça penitência, lava com arrependimento pranto os nódulos que os pecados tem posto em tua alma.

Lembra-te que podes morrer a cada instante, e que, se a morte te surpreende em pecado mortal, o inferno será o triste paradeiro de tua alma!

O inferno existe, e você pode cair nele! Que terrível possibilidade!…Um só pecado basta, e basta um só pecado de pensamento pra merecer uma eternidade de tão a trajes penas!…

Está claro ouvinte, que o inferno existe, e não adianta negar a sua existência, ele existe.

Falarei agora das penas do inferno, isso mesmo, das penas do inferno. Falarei sobre a pena de sentido e sobre a pena de dano.

Primeiramente , ouvinte, falarei sobre a pena de sentido, preste bastante atenção; a pena de sentido consiste no fogo e outros tormentos que os condenados sofrerão. O inferno é um lugar de tormentos. No inferno sofre-se. A Bíblia nos fala do inferno como um lugar de torturas, e não de descanso ou refrigério.

Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “No centro da terra se encontra esse cárcere, destinado ao castigo dos que se revoltaram contra Deus”, e no Evangelho de São Lucas, capítulo 16, versículo 28, diz que o inferno é um lugar de tormentos, onde todos os sentidos e todos as faculdades do condenado hão de ter o seu castigo próprio, e onde aquele sentido que mais tiver servido para ofender a Deus mais acentuadamente será atormentado; em Sabedoria 11, 16 diz: “Para que compreendessem que no pecado está o castigo”, e no livro de Apocalipse, capítulo 18, versículo 7, diz também: “o tanto que ela se concedia em glória e luxo, devolvei-lhe em tormento e luto”.

Ouvinte, a vista padecerá o tormento das trevas, Jó 10, 21 diz: “Antes de partir, sem nunca mais voltar, para a terra de trevas e sombras”. Santo Afonso Maria de Ligório diz: “o inferno é cárcere fechado por completo e escuro, onde nunca penetrará raio de sol nem qualquer outra luz”, e o Salmo 48, 20 diz: “Ele vai juntar-se à geração dos seus pais, que nunca mais verá a luz”.

Ouvinte, o fogo que aqui na terra ilumina, não será luminoso no inferno. São Basílio Magno explica que Deus separará do fogo a luz; de modo que as chamas arde vão sem iluminar; e Santo Alberto Magno diz: “Separará do calor o resplendor”. A fumaça sairá dessa fogueira, e formará a espessa nuvem tenebrosa que cegará os olhos dos condenados. E na carta de São Judas, 13 diz: “… aos quais está reservada a escuridão das trevas para a eternidade”. Haverá ali, ouvinte, apenas a claridade precisa para aumentar os tormentos do condenado; “uma sinistra claridade que permite ver a fealdade dos condenados e dos demônios, assim como o aspecto horrendo que estes tornarão para causarem mais horror”, escreve Santo Afonso Maria de Ligório.

Ouvinte, além da vista, também o olfato padecerá o seu tormento próprio. Você conseguiria permanecer em um quarto fechado, onde estivesse um corpo podre, com certeza não. Mas os condenados ao inferno ficarão entre milhões de condenados, vivos para a pena, mas cadáveres pavorosos quanto à pestilência que exalam, como está em Isaias 34,3: “Os seus mortos são lançados fora, o mau cheiro dos seus cadáveres se espalha”. E, prezado ouvinte, São Boaventura diz: “Se o corpo de um condenado saísse do inferno, bastaria ele só para produzir uma infecção em conseqüência da qual morreriam todos os homens do mundo”, e Santo Tomás de Aquino escreve também: “Quanto maior for o número de condenados ali, tantos maiores serão os sofrimentos de cada um”; e Santo Afonso Maria de Ligório escreve ainda: “Muito mais sofrerão, sem dúvida, pelo fedor asqueroso, pelos gritos daquela multidão desesperada, e pelo aperto em que se acharão amontoados e comprimidos os condenados”, no livro do Apocalipse 19,15 diz: “ou como uns esmagados no lugar da cólera de Deus”. E assim mesmo, os condenados, padecerão o tormento da imobilidade, como escreve Santo Afonso Maria de Ligório: “Da maneira como o condenado cair no inferno, assim há de permanecer imóvel, sem que lhe seja dado mudar de posição, nem mexer mão nem pé, enquanto Deus for Deus”.

Caríssimo ouvinte, além das vistas e do olfato, o ouvido também será atormentado com os contínuos gritos angustiados daqueles pobres desesperados, e pelo barulho horroroso que, sem cessar, os demônios provocam.

Ouvinte , quando uma pessoa deseja dormir, é com maior desespero que ela ouvi o contínuo gemido de um doente, o choro de uma criança ou o latir de um cachorro… No inferno, os condenados são obrigados a ouvir, por toda a eternidade, os gritos pavorosos de todos que ali estão.

A gula também será castigada com fome devoradora. Entretanto, não haverá ali, nenhuma migalha de pão. O condenado sofrerá sede abrasadora, que não se apagaria com toda a água do mar. Mas não se lhe dará uma só gota. Uma só gota d’água pedia o rico avarento, e não a obteve, nem a obterá jamais.

Prezado ouvinte, a pena do sentido que mais atormenta aos condenados é o fogo do inferno, tormento do tato. Jesus Cristo menciona especialmente no dia do juízo: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno” (São Mateus capítulo 25, versículo 41).

Mesmo neste mundo, o suplício do fogo é o mais terrível de todos, e existe muita diferença entre as chamas da terra e as chamas do inferno, que, segundo Santo Agostinho, em comparação com as chamas do inferno, as chamas da terra são como fogo pintado; ou como se fossem de gelo, acrescenta São Vicente Ferrer. E a razão consiste em que o fogo da terra foi criado para utilidade do homem, ao passo que o fogo do inferno foi criado expressamente para castigo, como escreve Tertuliano: “Muito diferente são o fogo que se utiliza para uso do homem e o que serve para a justiça de Deus”. A indignação de Deus é que acende essas chamas de vingança, como está em Jeremias, 15, 14: “Porque minha cólera acendeu um fogo que queimará sobre vós”. Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “O condenado estará dentro dessas chamas, envolvido por elas, como um pedaço de lenha numa fornalha. Terá um abismo de fogo debaixo de seus pés, imensas massas de fogo sobre sua cabeça e em volta de si. Quando vir, apalpar ou respirar, fogo há de respirar, apalpar e ver; e o santo acrescenta: estará submergido em fogo como o peixe em água”. Ouvinte, essas chamas não cercarão apenas o condenado, mas penetrarão nele, em suas próprias entranhas, para atormentá-los. Todo o corpo será pura chama; arderá o coração no peito; as vísceras, no ventre; o cérebro , na cabeça; nas veias, o sangue; a medula nos ossos. Cada condenado converter-se-á numa fornalha ardente, como está no Salmo 20, versículo 10: “Deles farás uma fornalha no dia da tua face; Deus os engolirá em sua ira, um fogo os devorará”.

Essas mulheres que andam quase peladas, dizendo que está fazendo muito calor; será que suportarão as chamas do inferno? E é para esse terrível lugar que elas irão, por causa de seus escândalos.

Ouvinte, “… assim como uma fera devora um cordeirinho, assim as chamas do inferno devorarão o condenado”. Devorá-lo-ão sem o fazer morrer, isso mesmo.

São Jerônimo diz “… que o fogo do inferno trará consigo todos os tormentos e todas as dores que nos atribulam na terra”; “… até o tormento do frio se padecerá ali no inferno”, escreve Santo Afonso Maria de Ligório. E tudo, ouvinte, com tal intensidade que, segundo São João Crisóstomo: “os padecimentos deste mundo são pálidas sombras em comparação aos do inferno”.

Prezado ouvinte, as faculdades da alma terão também o seu castigo apropriado.

Santo Afonso Maria de Ligório diz: “O tormento da memória será a viva recordação do tempo que, em vida, teve o condenado para salvar-se e que empregou em perder-se, e das graças que Deus lhe concedeu e que foram desprezados”. Ouvinte, o entendimento sofrerá ao considerar o grande bem que perdeu, perdendo a Deus e o céu, ponderando que essa perda é já irreparável. O condenado que será livrar-se dos tormentos e desfrutar paz. Mas sempre será atormentado, jamais encontrará momento de repouso.

Caríssimo ouvinte, acabei de falar sobre a pena do sentido; falarei em seguida sobre a pena de dano.

Todas as pessoas de sentido que acabei de falar, nada são em comparação com a pena de dano. Santo Afonso Maria de Ligório diz que: “As trevas, a infecção, o pranto, as chamas não constituem a essência do inferno”. Ouvinte, o verdadeiro inferno é a pena de ter perdido a Deus, isso mesmo, é a pena de ter perdido a Deus! Dizia São Bruno: “Multipliquem-se os tormentos, contanto que não se prive de Deus”, e Santo Agostinho acrescenta: “Se os condenados gozassem da visão de Deus, não sentiriam tormento algum, e o próprio inferno se converteria em paraíso.

Ouvinte, para você compreender algo desta pena, consideremos: Se alguém perde, por exemplo, uma pedra preciosa que valha cem escudos, sentirá grande tristeza; mas se esta pedra valesse duzentos, muito mais sentiria. Portanto, quanto maior é o valor do objeto que se perde, tanto mais se sente a pena que ocasiona a perda… E como os condenados perdem o bem infinito, que é Deus, sentem, como diz Santo Tomás de Aquino, uma pena de algum modo infinitiva.

A alma ao separar-se do corpo se sente naturalmente atraída para Deus. O pecado, porém, a afasta e arremessa pedras nela. Todo o inferno, ouvinte, se resume nas primeiras palavras da sentença: “Apartai-vos de mim, malditos” (Mt 25,41). São João Crisóstomo escreve: “Apartai-vos, dirá o Senhor, não quero que torneis a ver-me a face. Mesmo que se imaginassem mil infernos, nada poderia conceber que equivalesse à pena de ser odiado por Cristo”.

Quando Davi impôs a Absalão o castigo de que jamais comparecesse diante dele, Absalão sentiu uma dor profunda. Vendo Filipe II que um servo de sua corte se achava na igreja com pouco respeito, disse-lhe severamente: “Não consinto que doravante vos apresenteis diante de mim”. O servo ficou tão triste, que, ao chegar em sua casa, morreu de pensar.

Ouvinte, que será quando Deus despedir o condenado para sempre? No livro de Deuteronômio, 31, 17, diz: “Esconderei dele a minha face… e cairão sobre ele todos os males e aflições”. Já não sois meus, nem eu vosso, dirá Cristo aos condenados no dia do Juízo.

Ouvinte, é dor imensa para um filho pensar que nunca tornará a ver seu pai que acaba de morrer… Se, ao ouvir os gemidos da alma de um condenado, lhe perguntássemos a causa de tamanha dor, ela nos diria: “Claro, porque perdi a Deus e nunca mais tornarei a vê-lo”. Se ao menos o condenado pudesse amar a Deus no inferno e conformar-se com a vontade de Deus! Mas não; se o pudesse fazer, o inferno deixaria de ser inferno. Santo Afonso Maria de Ligório diz: “O condenado odiará eternamente a Deus; e esse há de ser o seu maior tormento: conhecer que Deus é o sumo bem, digno de infinito amor, e ver-se forçado a detestá-lo para sempre”. Ouvinte, o condenado odiará e amaldiçoará também os benefícios que dele recebeu, a criação, a redenção, os sacramentos, especialmente os do batismo e da confissão, e sobretudo o santíssimo sacramento do altar. Detestará todos os anjos e com ódio implacável e seu anjo da guarda, detestará os seus santos padroeiros e a Virgem Santíssima. Malditos serão pelo condenado, as três pessoas divinas, especialmente a de Deus Filho, que morreu para salvar-nos, malditas chagas, os trabalhos, o sangue, paixão e morte de Cristo Jesus.

Caríssimos ouvintes, acabei de falar sobre as penas do inferno; a pena de sentido e sobre a pena de dano. Falarei em seguida sobre a eternidade do inferno; faça silencio e preste bastante atenção.

Ouvinte, o que é a eternidade? Imagina uma grossa coluna de bronze que chegue na terra à lua, e supõe que, de mil em mil anos, uma ave lhe desse uma bicada; quando essa coluna estiver gasta, a eternidade estará no seu princípio!

Vai à praia do mar, toma um punhado de areia, e vê se podes contar os grãos, que tens na mão. Supõe agora que uma ave leve de mil em mil anos um grão de areia no bico; quando a tiver transportado toda, a eternidade estará ainda no seu princípio!

Ouvinte, já viste o mar? Pensa agora que, de século em século , se evapore uma gota dele. Pois bem; quando se começar a descobrir o fundo do oceano, a eternidade estará ainda no seu princípio!

A eternidade é um sempre e um nunca! Quando se há de acabar o fogo, que consome os condenados? Nunca! Nunca! Nunca! Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “Se o inferno não fosse eterno, não seria inferno. A pena que dura pouco, não é grande pena”.

Ouvinte, a eternidade do inferno é de fé; não é simples opinião, mas sim, verdade revelada por Deus em muitos lugares da Sagrada Escritura. No Evangelho de São Mateus, capítulo 25, versículo 41 diz: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno”, e no versículo 46 diz: “E irão estes ao suplício eterno”. Em São Marcos 9,49 diz: “Onde o verme não morre e onde o fogo não se extingue”. Assim como o sal conserva o alimento, o fogo do inferno não só atormenta os condenados, mas, ao mesmo tempo, tem a propriedade do sal, conservando-lhes a vida. São Bernardo de Claraval escreve: “Ali o fogo consome de tal modo, que conserva sempre”.

Ouvinte, aquele que entrar uma vez no inferno jamais sairá de lá. A este pensamento, o rei Davi exclamava trêmulo: “Não me engula o abismo, nem o poço feche sobre mim a sua boca” (Sl 68,16). Apenas um condenado cai naquele poço de tormentos, fecha-se sobre ele a entrada para nunca mais se abrir. Eusébio Emeseno diz: “No inferno só há porta para entrar e não para sair”, e o mesmo escreve também: “O poço não fecha a sua boca, porque se fechará a abertura em cima e se abrirá em baixo para devorar os condenados”.

Ouvinte, se uma pessoa está doente, ela tem esperança de ficar curada; se alguém está na cadeia, tem esperança de conquistar em breve a liberdade; mas no inferno não é assim; no inferno não há esperança, nem certa nem provocável; não há até um quem sabe? O condenado verá sempre diante de si a sentença que o obriga a gemer perpetuamente nessa prisão de sofrimentos; em Daniel 12,2 diz: “E muitos dos que dormem no solo poeirento acordarão, uns para a vida eterna e outros para o opróbrio, para o horror eterno”. Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “O condenado não sofre somente a pena de cada instante, mas a cada instante a pena da eternidade”, e Tertuliano diz: “Gemem os condenados sob o peso da eternidade”.

Os mundanos cheios de arrogância e vestidos com a veste do relaxamento dizem: Onde está a justiça de Deus ao castigar com pena eterna um pecado que dura um instante? Mas o mundano se esquece, que, por um prazer momentâneo, ele ofende um Deus de majestade infinita. Santo Tomás de Aquino escreve: “Até a justiça humana mede a pena, não pela duração, mas pela qualidade do crime. Não é porque o homicídio se cometa em um momento que se há de castigar também com pena momentânea”, escreve o grande Santo Tomás de Aquino. São Bernardino de Sena também escreve: “Para o pecado mortal, um inferno é pouco. A ofensa feita à majestade infinita deve merecer castigo infinito”.

Caríssimo ouvinte, nesta vida, o pecador penitente pode satisfazer pela aplicação dos merecimentos de Jesus Cristo; mas o condenado ao inferno não; e portanto, não podendo por si satisfazer a Deus, sendo eterno o pecado, eterno também deve ser o castigo. Salmo 48, versículos 8, 9 diz: “Mas o homem não pode comprar seu resgate, nem pagar a Deus seu preço: o resgate de sua vida é tão claro que seria sempre insuficiente”; e Belluacense diz: “Ali (no inferno) a culpa poderá ser castigada, mas jamais expiada”, porque, segundo Santo Agostinho, “ali o pecador é incapaz de arrependimento”. O Senhor, por tanto, estará sempre irado contra ele”. Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “Ainda que Deus quisesse perdoar ao condenado, este não aceitaria a reconciliação, porque sua vontade obstinada e rebelde está confirmada no ódio contra Deus”. O papa Inocêncio III escreve: “Os condenados não se humilharão; pelo contrário, crescerá neles a perseverança no ódio”, e São Jerônimo afirma: “Nos condenados, o desejo de pecar é insaciável”. A ferida dos condenados é incurável; porque eles mesmos recusam a cura.

Prezado ouvinte, no inferno, o que mais se deseja é a morte. São Bernardo de Claraval escreve: “Assim como, ao pastar, os rebanhos comem apenas as pontas das ervas e deixam a raiz, assim a morte devora os condenados, matá-os a cada instante e condena-lhes a vida para continuar a atormentá-los com castigo eterno”, e São Gregório Magno diz: “O condenado morre continuamente sem morrer nunca”. Ouvinte, quando um homem geme de dor, todos tem compaixão dele. Mas o condenado não terá quem dele se compadeça.

O Imperador Zenão, sepultado numa masmorra, gritava e pedia que, por piedade, o retirassem dali, mas não o atenderam, e depois, o encontraram morto. As mordeduras que a si mesmo havia feito nos braços, patenteavam o horrível desespero que sentira… Os condenados, exclamam São Civilo de Alexandria, gritam no cárcere infernal, mas ninguém acode a liberta-los, ninguém deles se compadecerá jamais.

Ouvinte, o inferno é eterno, é para sempre. A voz da divina justiça só repete no inferno as palavras: Sempre, nunca! Sempre, nunca!

Os demônios, por zombaria, perguntarão aos condenados: “Vai muito adiantada a noite?” (Iz 21,11). Quando amanhecerá? Quando acabarão essas vozes, esses prantos, essa infecção, esses tormentos e essas chamas? E os condenados responderão: Nunca! Nunca!… Mas quanto tempo há de durar? Perguntarão os demônios. Sempre! Sempre! Responderão os condenados.

Caríssimo ouvinte, acabei de falar sobre a eternidade do inferno; e para concluir essa pregação sobre o inferno, falarei agora sobre os Remorsos do condenado; preste bastante atenção, e faça silêncio.

Ouvinte, muitos serão os remorsos com que a consciência roerá o coração dos condenados no inferno. Mas existem três que principalmente os atormentarão, a saber: o pensar no nada das coisas pelo qual se condenou; no pouco que tinha a fazer para salvar-se e no grande Bem que perdeu.

Santo Tomás de Aquino diz: “… que o principal tormento dos condenados será a consideração de que se perderam por verdadeiros modos, e que podiam ter alcançado facilmente, se o quisessem, o prêmio da glória”. Viveram correndo atrás das coisas passageiras, e caíram no abismo eterno.

O segundo remorso da consciência do condenado consistirá, portanto, no pensar quão pouca devia fazer para salvar-se.

Um condenado que apareceu a Santo Humberto revelou-lhe que sua maior aflição no inferno, era reconhecer a indignidade do motivo que o levara à condenação e a facilidade com que a poderia ter evitado. O condenado dirá então: “Se me tivesse mortificado para não olhar aquele objeto, se tivesse vencido o respeito humano ou tal amizade, se tivesse evitado usar roupas imorais não me teria condenado… Se eu tivesse confessado todas as semanas, se eu tivesse rezado com mais fervor … muitas vezes, resolvi fazer tudo isso, mas, infelizmente, não perseverei. Dava começo à prática do bem, mas, em breve, desprezei o caminho de piedade, e por isso, me perdi”. Dirá o condenado.

Prezado ouvinte, aumentará o pesar causado por este remorso a lembrança dos exemplos de companheiros virtuosos e de amigos do condenado, assim como dos dons que Deus lhe concedeu para salvar-se: dons naturais, como boa saúde, fortuna e talento, que, bem aproveitados segundo a vontade de Deus, teriam servido para a santificação; e os dons sobrenaturais, como luzes, inspirações, convites e longos anos para reparar as faltas cometidas.

Como espadas agudas atuarão sobre o coração de condenado as recordações de todas as graças que recebeu, quando ver que já não é possível reparar a ruína eterna.

O condenado exclamará com seus companheiros de desespero: “Passou ceifa, findou o estio, e nós não fomos salvos” (Jr 8,20). O mesmo dirá; se tivesse empregado no serviço de Deus o tempo e o trabalho passado em perder-me, teria sido um santo… E agora, que me restam; remorsos e mais remorsos.

Ouvinte, o terceiro remorso do condenado no inferno, é considerar o grande Bem que perdeu; cuja pena, segundo São João Crisóstomo: “Será mais grave pela privação da glória do que pelos próprios tormentos do inferno”.

A princesa Isabel da Inglaterra disse: “Concede-me Deus quarenta anos de reinado e renunciarei gostosamente ao seu paraíso”. A infeliz obteve os quarenta anos de reinado. Mas que dirá agora a sua alma na outra vida? Certamente não pensará o mesmo. Que aflição e que desespero sentirá ao ver que, por reinar 40 anos entre angústias e terrores, gozando um trono temporal, perdeu para sempre o reino dos céus!

Maior aflição, ouvinte, sentirá o condenado ao reconhecer que perdeu o céu e o Sumo Bem, que é Deus, por sua própria culpa. Verá que foi criado para o céu, e que Deus lhe permitiu escolher livremente a vida ou a morte eterna. Verá que teve em sua mão a faculdade de tornar-se, para sempre, feliz e que, apesar disso, quis lançar-se, por sua livre vontade, nas chamas do inferno, no abismo eterno, de onde nunca mais poderá sair, e do qual ninguém o livrará.

Ouvinte, abra o vosso coração para Deus, busque a santidade enquanto é tempo; medite sobre o inferno, o pensamento do inferno poderá livrar-te do próprio inferno; como está no livro do Eclesiástico 7,36: “Lembra-te de teus novíssimos e não pecarás jamais”, porque esse pensamento te fará recorrer a Deus.

Pe.Divino Lopes,FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/pregacoes/gravadas_cd/pregacoes_cd_08.htm

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QUERES ENTRAR NO CÉU?

(Mt 6, 33)

 

“Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas”.

 

Não se salva vivendo na “poltronice”, na boa vida e na ociosidade; para conquistar o céu é preciso trabalhar e lutar continuamente: “... o Reino dos Céus sofre violência, e os violentos arrebatam-no” (Mt 11, 12), e: “O Reino dos Céus não pertence aos que dormem e vivem dando-se todos os gostos, mas aos que lutam contra si mesmos” (Clemente Romano), e também: “Essa força não se manifesta na violência contra os outros; é fortaleza para combater as nossas debilidades e misérias, valentia para não mascarar as nossas infidelidades, audácia para confessar a fé, mesmo quando o ambiente é contrário” (São Josemaría Escrivá).

 

Para entrar no céu é preciso imitar a Cristo e lutar diariamente.

Perguntai a São Paulo o que deveis fazer para vos tornardes semelhantes a Jesus Cristo. São Paulo não vos enganará. Ele é o doutor que mais admiravelmente expõe as leis divinas de nossa perfeição na vida espiritual...

Santo Apóstolo, temos a fé de Pedro, o discípulo escolhido por Jesus  Cristo para seu vigário na terra... Basta-nos?

Não basta.

Temos a caridade para com Deus e o amor para com o próximo, que aprendemos do amigo predileto de Jesus... Basta?

Não.

Temos a fortaleza heróica demonstrada por São João Batista ante os inimigos... Basta?

Não.

Temos a confiança em Deus que distinguiu o patriarca São José, o qual mereceu ser tido por pai de Jesus Cristo... Basta?

Não basta, não... Escutai o que vos digo: Jesus Cristo é o modelo que deveis ter sempre diante dos olhos... é o retrato que haveis de reproduzir em vosso corpo e em vossa alma. E quem era Jesus Cristo? Era a caridade, era a justiça, a mansidão, a prudência e a paciência... Era a beleza de Deus manifestando-se aos olhos humanos para que nele nos transformássemos. Tendes, pois, de trabalhar, trabalhar muito, até que sejais retratos perfeitos desse divino modelo...

Mas, santo Apóstolo, nossa carne é fraca, nosso coração é louco, nossa concupiscência é animal, nossas inclinações são perversas, as tentações são muitas, os demônios rodeiam-nos dia e noite, o mundo nos fascina...

Trabalhai! É preciso imitar a Jesus Cristo. Essa é a única e segura garantia de nossa eterna salvação. Se temos a sua graça, temos tudo...

Mas isso será trabalho de muitos anos.

Tendes razão: é trabalho de toda a vida. Mas para isso é que Deus nos pôs no mundo, para isso é a vida. Se não a entendeis assim, estais tristemente equivocados.

Trabalhai! Tendes diante de vós uma eternidade para descansar e se alegrar de vossas virtudes.

 

Enquanto estamos neste mundo devemos cuidar de duas vidas: da vida presente e terrestre e da vida futura e celeste.

Devemos cuidar da primeira sem nos apegarmos ao que passa... cuidar da vida passageira com os olhos fixos na  eterna: “Procuremos sofrer com paciência as aflições da vida presente, oferecendo-as a Deus, em união com as dores que Jesus Cristo sofreu por nosso amor e alentando-nos com a esperança da glória. Esses trabalhos, penas, angústias, perseguições e temores hão de acabar um dia e, se nos salvarmos, serão para nós motivos de gozo e alegria inefável no reino dos bem-aventurados” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Se para sustentar esta vida é preciso trabalhar, quanto mais para conseguir aquela... a eterna! Entre ambas, pois, devemos repartir o tempo, as forças e o trabalho: “... operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fl 2, 12). É preciso ocupar-se somente com aquilo que edifica... não perdendo tempo com o lixo do mundo: “... ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor” (Fl 4, 8).

A vida futura consta de glória e felicidade; e para conquistá-la é preciso nos desapegar das coisas da terra e perseverar no bem: “O Céu é a posse de Deus. No Céu contempla-se a Deus, adora-se e ama-se a Ele. Mas para chegar ao Céu é preciso desprender-se da terra” (Santa Teresa dos Andes), e: “Para se salvar não basta estar no caminho do céu, mas é necessário perseverar nele... o céu é para os que pelejam por alcançá-lo” (Pe. Alexandrino Monteiro), e também: “Que enorme estultícia é amontoar de onde se há de partir, e não enviar para onde se há de ir! Põe as tuas riquezas onde tens a tua pátria” (São João Crisóstomo).

Quando Deus nos houver de admitir à sua presença para ser a nossa felicidade eterna, há de contar todos os passos que por seu amor demos neste mundo, ponderar todos os atos da nossa vida, enumerar todos os sacrifícios que praticamos em O servir... para por tudo medir o grau de glória e felicidade que nos há de dar: “Vós dais a cada um segundo as suas obras” (Sl 61, 13), e: “O Juízo versará também sobre o modo como se correspondeu às graças recebidas de Deus, e como se utilizaram os seus dons para amar o Senhor e fazer bem ao próximo... A nós, também nos serão pedidas contas do que tivermos feito com os dons divinos” (Monge Edouard Clerc).

De nada nos hão de valer, então, as canseiras do corpo que não foram toleradas com os olhos em Deus: “Tudo o que não se faz para Deus transforma-se em sofrimento” (Santo Afonso Maria de Ligório).

Quando Deus nos houver de dar o prêmio de nossos trabalhos, não reparará se foram honrosos para nós e de grande admiração para o mundo; mas olhará para a intenção com que foram feitos, e se esta foi reta e santa receberá o prêmio conveniente. De pouco valerão ali grandes diplomas adquiridos com o fim de nos engrandecermos entre os homens: “E tudo o que fizerdes de palavra ou ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, por ele dando graças a Deus, o Pai” (Cl 3, 17), e: “Em tudo o que fizerdes ponde a vossa alma, como para o Senhor e não para homens, sabendo que o Senhor vos recompensará como a seus herdeiros” (Cl 3, 23- 24), e também: “Nada no mundo poderia apagar o que se faz para a glória do Senhor” (Venerável Beatriz da Encarnação), e ainda: “A vida dos mundanos que tudo fazem por motivos humanos é inútil aos olhos do Altíssimo; porém, meritória é a vida dos fiéis que em tudo se propõem sempre o contentamento divino” (Pe. Luís Bronchain).

Nem os títulos da nobreza, nem os feitos militares, nem as insígnias de reis ou imperadores hão de mover Deus a dar um prêmio maior do que o merecido: “Retribuirá a cada um segundo suas obras” (Rm 2, 6).

Ricos e pobres, sábios e ignorantes, filhos de reis e filhos de lavradores... todos são iguais diante de Deus.

Dirá Deus – Queres entrar no céu e viver e se alegrar com os Anjos e Santos? “Pois bem, mostra os direitos que tens a ele, apresenta a tua folha de serviços e terás entrada franca. Onde estão as obras de amor para comigo e para com o teu próximo? Onde estão as virtudes alcançadas em tantos anos que te dei de vida sobre a terra? Onde estão as vitórias alcançadas nessa prolongada guerra em que andaste lutando contra o mundo, o demônio e a carne? Onde estão os vícios corrigidos com virtudes e as paixões dominadas com penitências? Onde está a abnegação da própria  vontade e a mortificação dos sentidos, negando-lhes os que não lhes era lícito ambicionar?” (Pe. Alexandrino Monteiro).

Queres entrar no céu? Não sabes que não se abre a sua porta aos indolentes e tíbios que se deixam adormecer na moleza e nos vícios?

Queres entrar no céu? E nunca leste o que Eu disse àquele jovem que me pediu um conselho para conseguir a sua salvação: Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos? (Mt 19, 17).

Se queres ir ao céu tens de trabalhar... e trabalhar muito! Tens que  cortar tuas afeições desordenadas; tens muito que plantar em virtudes... muito que aperfeiçoar na sua vida: “Se vai ao céu pela oração... em desprezar as vaidades terrenas... vencendo os perigos e trabalhando por amor a Deus.  Não vamos à conquista de uma cidade viciosa e decaída, mas à conquista de uma cidade eterna e divina. Que dificuldade, que perigo, que tentação pode deter-nos?” (Pe. João Colombo).

Sem trabalho não produzem os campos e sem poda não frutificam as árvores. Para ter boa colheita no outono precisa o agricultor trabalhar quase o ano inteiro.

A nossa alma é um campo. Para que ele dê o fruto desejado, precisamos trabalhá-lo não só um ano, mas a vida inteira. Deus semeou nele a semente da graça; nós devemos trabalhar para a conservação dela e fazer que chegue a ser árvore onde colheremos muitos frutos para a vida eterna. Também devemos fazer uma sementeira em nossa alma se queremos ter boa colheita de glória no céu. Quem mais semeia, mais há de colher. O maior trabalho será coroado com maior prêmio. Quem melhores obras semeou pelo campo da vida, mais merecimentos recolherá; e quanto mais merecimentos, mais glória: “O que é o céu? É um monte, diz figuradamente Davi: Quem subirá ao monte do Senhor? (Sl 23, 3). Para lá chegar é preciso subir. Quem fica sentado nas colinas, contemplando as flores das planícies, admirando a amenidade dos vales, gozando o frescor das fontes... com certeza não chegará ao cume” (Pe. Alexandrino Monteiro).

Pelo contrário, quem não trabalha na cultura da sua alma, longe de colher merecimentos para o céu, colherá merecimentos para o inferno. A alma sem cultura torna-se em breve tempo semelhante a um campo estéril, onde durante anos não entrou o arado, e que, portanto, precisará de que se empregue mais trabalho e mais tempo para expulsar as feras, rasgar o terreno duro e arrancar as ervas daninhas: “Se uma casa não for habitada pelo dono, ficará sepultada na escuridão, desonra  e desprezo, repleta de toda espécie de imundícia. Também a alma, sem a presença de seu Deus e dos anjos que nela jubilavam, cobre-se com as trevas do pecado, de sentimentos vergonhosos e de completa ignomínia. Ai da estrada por onde ninguém passa nem se ouve voz de homem! Será morada de animais. Ai da alma se nela não passeia Deus e com sua voz afugenta as feras espirituais da maldade!” (São Macário).

Trabalhe, pois, em tua alma, e trabalhe muito e sempre, porque o céu não é prêmio da ociosidade: “Aquele que luta tem o que esperar. Onde há luta, há coroa” (Santo Ambrósio), e: “Quando será que a nossa vida deixará de ser, como até hoje foi, um serviço reservado e exaustivo ao mundo, em vez de pertencer a Deus? Quando começaremos a interessar-nos tanto pelo céu, como nos interessamos pela terra? Quando começaremos a ser servidores da virtude, como temos sido até agora servidores do pecado e do vício?” (Pe. João Batista Lehmann).

Milhões de católicos se consomem pelas coisas caducas e passageiras desse mundo... derramam “cachoeiras” de suor para conquistar o que passa... perdem noites de sono correndo atrás do que perece... passam por cima de todos os obstáculos para serem aplaudidos pelos homens: “De fato, que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro, mas arruinar a sua vida?” (Mt 16, 26).

Isto pelo que passa... pela terra! E pelo céu? Que se faz por ele? Nisto não se pensa! Disto não se trata... nem se quer ouvir falar! Quanto muito se reserva um pequeno espaço para se tratar desse importantíssimo negócio para o último instante da vida... para a véspera da morte!

Que desviados andam estes tais do que Jesus Cristo diz no Evangelho: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6, 33).

Segundo essa doutrina, devemos por mais cuidado em procurar o céu do que qualquer outro bem terreno. Todo o cuidado dos bens temporais se deve subordinar aos dos eternos, isto é, aos interesses da alma e ao serviço de Deus.

Para conseguir, pois, o céu, devemos reunir todas as nossas forças e pôr em atividade todo o nosso ser: corpo, alma, sentidos e potências; pois o céu é mais importante do que qualquer outro bem; e, ele ganho, tudo está salvo.

O Pe. Alexandrino Monteiro escreve: “Com o corpo trabalharemos para o céu, sujeitando-o à observância da Lei de Deus e da Igreja; com a alma, exercitando-a nas virtudes; com os sentidos, negando-lhes o que não lhes é permitido desejar; com a vontade, resistindo aos ímpetos da concupiscência; com o entendimento, submetendo-o às verdades da fé; com a memória, recordando os inumeráveis benefícios de Deus”.

Pe. Divino Antônio Lopes FP

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CAMINHO DO CÉU E CAMINHO DO INFERNO
(Mt 7, 13-14)

 

“Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o caminho que conduz à perdição. E muitos são os que entram por ele. Estreita, porém, é aporta e apertado o caminho que conduz à Vida. E poucos são os que o encontram”.

 

É pura ilusão querer se salvar percorrendo o caminho largo... somente o caminho estreito conduz ao céu; Jesus Cristo não engana ninguém: “Vossa doutrina é esta: pobreza voluntária, paciência nas injúrias, pagar o mal com o bem, ser pequenino, humilde, pisado e abandonado pelo mundo... em tribulações do mundo e do Demônio, visíveis e invisíveis, e perseguições da própria carne, a qual, como rebelde, sempre quer revoltar-se contra seu Criador e repelir o Espírito Santo. Ora, está é vossa doutrina: suportar com paciência, resistir com as armas do amor, e também do ódio contra o mal. Ó doce e suave doutrina! És aquele tesouro que Cristo escolheu para si e deixou aos discípulos. Isto deixou como maior riqueza que podias deixar... Que eu me revista de vós, ó Cristo Homem, isto é, das vossas penas e opróbrios, e só assim me alegrarei” (Santa Catarina de Sena).

Às vezes alguns dizem quando estão com raiva: inferno é aqui mesmo. Esta vida é um inferno!

Milhões de pessoas também afirmam o mesmo, mas não em momento de raiva, mas sim, com toda convicção. Quanta ilusão!

O Inferno existe. A sua existência não depende da aprovação das pessoas; principalmente daquelas que fogem da cruz e desejam viver comodamente: “Não é estranho que o homem se insurja contra este pensamento da condenação eterna e queira escapar a esta verdade temerosa do inferno” (Mons. Tihamer Tóth).

Todo o mundo gostaria de viver numa perfeita felicidade e numa paz muito grande. Queria ter o céu nesta vida. Sempre imaginam um lugar de uma felicidade sem penas. Ou então pensam em inventar remédios que façam a gente viver sempre e livre de todas as doenças e sofrimentos. Pura ilusão! Aqui todos têm que sofrer, e sofrer muito: justos e pecadores: “É preciso sofrer e todos têm de sofrer; seja justo ou pecador, cada um deve carregar sua cruz” (Santo Afonso Maria de Ligório). Em vão trabalham milhões de pessoas para “construir” o céu aqui na terra. Esses covardes e tíbios querem viver na “poltronice” nesse mundo; por isso sonham em ter um céu nesta vida.

Mas tudo isto é impossível. Este mundo, por pior que seja, não é o inferno. O coração do homem por mais perverso que seja não é ainda um coração de condenado, tem alguma bondade oculta, e com ela a esperança do perdão. Felicidade completa neste mundo ninguém consegue. Ainda que houvesse no mundo um lugar maravilhoso, o homem levaria para lá as angústias e as maldades de seu coração.

Cremos na vida eterna. Nossa fé na palavra divina nos dá a segurança que este mundo passa, mas que nossa vida não termina com a morte: continuam nossas almas a viver e viverão eternamente: “A alma não morre com o corpo: é imortal” (Pablo Arce e Ricardo Sada).

 O próprio Deus, que pode tudo, não vai destruir nossa alma, nem mesmo para castigá-la. Porque não ia criá-la assim com uma vida imortal para depois acabar com ela. Deus não se arrepende do que faz. Por isso Deus não pode destruir nossa alma, porque a fez para ser eterna: “Deus fez o homem imortal” (Sb 2, 23).

A eternidade dura sempre, e esta vida em comparação não dura quase nada. Assim, a parte mais importante de nossa vida é a eternidade.

Porém a vida na terra tem muita importância, porque nela é que se decide a eternidade. Infeliz daquele que jogar o tempo fora: “O tempo é a duração de  nossa vida. O tempo é o preço com que se compra a eternidade feliz. O tempo é a ruína e a salvação de muitos. O tempo é um bem para aquele que o emprega no exercício da virtude, e um mal para quem o desperdiça no vício” (Pe. Alexandrino Monteiro).

Nós estamos em caminho. Esta vida é uma viagem. Não temos aqui uma morada permanente, estamos indo para a casa onde vamos ficar sempre: “Porque não temos aqui cidade permanente, mas estamos à procura da cidade que está para vir” (Hb 13, 14). Porém qual será nossa morada na outra vida? Porque a vida eterna pode ser boa, ou ser má, pode ser a recompensa ou o castigo, o céu ou o inferno.

Como há dois lugares para onde se pode ir, também há dois caminhos por onde seguir. Neste mundo podemos tomar o caminho do céu ou o caminho do inferno.

O caminho do céu é fazer o bem, cumprir o dever; o caminho do inferno é fazer o mal, viver no pecado.

Vai para o céu quem morre no bem e tem boa morte quem tem boa vida. Quem viver na graça de Deus tem o céu na sua alma; porque mora nele a Santíssima Trindade: “Quando nos batizamos, recebemos a graça santificante pela primeira vez. Deus (o Espírito Santo, por ‘apropriação’) estabelece a sua morada em nós. Com sua presença, comunica à alma essa qualidade sobrenatural que faz com que Deus – de uma maneira grande e misteriosa – se veja em nós e, consequentemente nos ame. E posto que esta graça santificante nos foi ganha por Jesus Cristo, por ela estamos unidos a Ele, compartilhamo-la com Cristo – e Deus, por conseguinte, nos vê como a seu Filho – e cada um de nós se torna filho de Deus” (Pe. Leo J. Trese).  A vida de amizade com Deus que começa neste mundo já é a vida eterna que no outro mundo vai ser mais completa. O caminho do céu são os Mandamentos da lei de Deus. Os 10 mandamentos não foram dados para nos fazer a vida triste e difícil; mas sim, para marcar na nossa vida o caminho que leva até Deus. Quem cumpre a lei de Deus tem o céu na sua alma, tem a paz no coração e a alegria da boa consciência. Isto dá uma felicidade que contenta muito mais a alma que os prazeres todos do mundo. Uma pessoa que sofre muito, mas tem na alma a certeza de estar na graça de Deus, de cumprir seus deveres, é como uma casa toda iluminada numa noite escura e de tempestade. Tudo em redor está triste, mas dentro há luz, calor e alegria. Mas quem procura a felicidade no pecado vive cheio de angústia de consciência e maldade no coração, parece mais com uma casa toda podre, caindo aos pedaços, cheia de urtigas e imundícies, numa manhã muito linda de primavera. Que adiantam a luz, o canto dos pássaros e as flores em redor, se por dentro da casa está aquela sujeira e tristeza? “Ai da alma se lhe falta Cristo, que a cultive com diligência, para que possa germinar os bons frutos do Espírito!” (São Macário).

O inferno tem seu caminho neste mundo e este caminho se chama – pecado. Quanta gente anda por ele. É um caminho largo, mas que conduz à perdição, disse Nosso Senhor. Fazer todos os caprichos, seguir os maus instintos, procurar em tudo o seu prazer, ser imoral, orgulhoso e vingativo. Este caminho atrai os homens porque promete felicidade neste mundo. Ainda que desse felicidade neste mundo, não valia a pena pelo fato de conduzir para a desgraça eterna. Que me adianta andar num automóvel muito cômodo, ouvindo músicas muito bonitas, com todos os prazeres que imaginasse, se este automóvel numa curva do caminho ia rolar no abismo com toda a certeza?

Assim fazem os que procuram neste mundo a felicidade no pecado.

Mas na verdade o caminho do inferno não dá felicidade nem mesmo neste mundo. Não vive feliz com Deus, porque Deus não protege nem abençoa o mau caminho.

Não tem felicidade com os outros, pois quem não cumpre seu dever, quem só procurar satisfazer seus desejos sem ligar aos outros, não pode ser estimado como as pessoas de bem, não vive contente consigo mesmo, porque o remorso não deixa sua consciência em paz. Quem toma o caminho do inferno tem, desde esta vida, no coração, qualquer coisa de que ele vai sofrer no inferno.

É coisa muito importante, portanto, viver no caminho certo que leva ao céu: “... ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor... Então o Deus da paz estará convosco” (Fl 4, 8-9).

É verdadeira loucura abandonar a estrada que Cristo nos indicou para seguir aquela outra indicada pelo mundo: “Se o mundo odeia o cristão, porque tu o amas, a ele que te aborrece, e não preferes seguir a Cristo que te remiu e te ama?” (São Cipriano).

Assim como ninguém quer tomar uma estrada errada para uma cidade, da mesma forma ninguém, de bom juízo, deve abandonar a estrada certa da eternidade, que nos foi ensinada por Jesus Cristo: “Quem O segue caminha na  Verdade. Ele é também a Vida; seus seguidores possuem a vida da graça, não padecem fome; ele é o alimento. Nem vivem na escuridão; Jesus é a Luz. Em Cristo não existe mentira”(Santa Catarina de Sena).

O pensamento da vida eterna deve dar-nos desprezo das vaidades do mundo. Tudo passa como sonho, em comparação da vida eterna, os prazeres dos sentidos são ilusões. Este pensamento deve dar-nos o temor de Deus. A vida termina quando menos se espera, e a vida eterna será o inferno se nos alcança em pecado.

Finalmente, este pensamento gera a esperança no céu: Deus nos criou para a vida eterna feliz. A graça de Deus em que vivemos nos dá o começo da felicidade eterna na glória de Deus.

Exemplo: São Francisco Xavier quando estudante vivia cheio de ambições mundanas. Santo Inácio o converteu repetindo-lhe a frase do Evangelho: De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vem a perder a própria alma?

São Francisco Xavier ficou tão impressionado com o pensamento da vida eterna que se tornou um dos maiores missionários da Igreja. 

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

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CÉU: OCEANO DE FELICIDADE

(1 Cor 2, 9)

 

 “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam”.

 

 

I. Felicidade do céu

 

A 25 de novembro de 1865 morria santamente aquele anjo de bondade, piedade e caridade que na terra se chamava Margarida Bosco.

Quatro anos mais tarde, quando o santo passava junto à igreja da Consolata, numa esquina da rua, de repente viu diante de si a mãe.

- A senhora por aqui, minha mãe? A senhora não morreu?

- Morri sim, mas estou viva, - respondeu a mãe.

- E a senhora é feliz?

- Felicíssima.

O filho perguntou-lhe, então, se voara ao céu logo depois da morte, e ela respondeu que não. Perguntou-lhe que era das almas de alguns meninos falecidos no Oratório e soube que estavam salvos.

- E, agora, - acrescentou Dom Bosco – conte-me o que a senhora goza no céu.

- Não lhe posso explicar, meu filho.

- E a senhora não pode dar-me uma idéia, fazer-me experimentar ao menos uma gota da sua felicidade?

- Eis! – disse a mãe.

E o santo viu como ela se transfigurou: uma luz esplêndida a envolveu, as suas pobres vestes tornaram-se preciosíssimas, a sua fronte tomou um ar de sublime majestade e de seus lábios irrompeu um canto... Mas que canto! Parecia uma harmonia, uma melodia de mil vozes, ou antes, mil graduações de vozes de uma suavidade tão grande que o filho ficou extasiado. A última saudação da mãe foi:

- Eu o espero no Céu.

 

Católico, lembre-se continuamente de que o Céu existe, ele é nossa Pátria Eterna. O grande número de nossos queridos ali nos espera: pais, irmãos... e deseja estar conosco para sempre a grande multidão já segura de sua salvação, ainda solícita pela nossa. Chegar até eles e a seu abraço, quanta alegria para eles e para nós; que prazer ali, no reino celeste, sem medo da morte, e a vida para sempre; que imensa e inesgotável felicidade!

Não adianta o ateu negar a existência do Céu. Ele existe!

O Céu é a posse de Deus. No Céu contempla-se a Deus, adora-se e ama-se a Ele.

O Céu é o lugar onde Deus habita com os seus Anjos e Santos.

Lá estão em trono diamantino todos os que a Igreja elevou às honras dos altares.

Lá vivem todos os que, a despeito das mil seduções do mundo, conservaram intacta a flor da inocência.

Lá estão gozando da vista de Deus todos os que lavaram nas lágrimas de uma sincera penitência as máculas de sua vida pecaminosa.

O Céu é o reino dos vivos. A graça é a vida da alma; logo, só aqueles que, ao separar-se do mundo, estão em estado de graça e amizade com Deus, lá têm entrada.

Segundo Jesus Cristo, a vida eterna é a casa do Seu Pai, em que há muitas moradas. Cristo foi adiante, e ali espera pelos seus amigos fiéis: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vos teria dito, pois vou preparar-vos um lugar, e quando eu me for e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14, 2-3).

No Céu reina, sim, uma felicidade indescritível; mas não os prazeres da vida sensual. É uma felicidade que “nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem passou ao homem pelo pensamento” (1 Cor 2, 9). Esta alegria não é proporcionada aos desejos terrenos. Só logramos imaginá-la muito imperfeitamente; não podemos formar dela um conceito exato. Só o pode ter quem já goza dela na Pátria feliz.

Quem nos fará compreender a beatitude dos santos? Tudo o que Deus criou no universo, as maravilhas da terra, do mar, do firmamento, não nos podem dar uma ideia da beleza e da riqueza do lugar em que habitam. Comparar essa morada aos palácios dos reis, ao templo de Salomão, seria por em paralelo a obra dos homens e a de Deus. Dizer que é uma cidade de príncipes, uma Jerusalém de portas de diamantes, de muralhas de pedras preciosas, seria de certo modo contradizer o apóstolo, que declara que “... ninguém viu, nenhum ouvido ouviu, nenhum coração concebeu o que Deus reserva aos que o amam” (1 Cor 2, 9).

Estas palavras de Is 64,2-3, resumem o conteúdo da sabedoria divina: o conjunto de dons que ultrapassam toda a capacidade humana (Ef 3,19) e que Deus preparou desde toda a eternidade para os que O amam. Estes dons não são senão o amor que Deus tem aos homens.

A tradição cristã, baseando-se em que tais dons se alcançam plenamente na outra vida, considerou estas palavras como descrição do Céu: “Que ditosos e admiráveis são os dons de Deus! Vida imortal, esplendor da justiça, verdade na liberdade, fé confiante, temperança com santidade; e podemos conhecer todas estas coisas. Que mais terá Deus preparado para os que esperam n’Ele? Unicamente o Artífice supremo e o Pai dos séculos o conhece. Esforcemo-nos intensamente por sermos contados entre os que esperam para poder participar dos dons prometidos” (São Clemente Romano, Ad Corinthios, 30). E o Catecismo Romano ensina, por seu lado: “Devem estar persuadidos os fiéis de quantas coisas possa haver agradáveis para nós ou ser desejados nesta vida, quer se refiram à ilustração da alma, quer à perfeição e comodidade do corpo, inundam por todas as partes a vida feliz do Céu, com abundância de todas essas coisas, embora o Apóstolo afirme que isto se verificará por modo mais sublime do que viu olho algum, percebeu o ouvido ou passou pela imaginação de todo o homem” (I, 12, 12).

Lá, diz São João, “... não há luto, nem prantos, nem sofrimentos” (Ap 21, 4). Não há vicissitudes de dia e noite, de frio e calor, de saúde e enfermidade... Tudo lá corre de acordo com os desejos dos detentores desse reino. Abismados no oceano das alegrias divinas, participam da felicidade do próprio Deus, sem temor de a perder jamais. Que mais? Sendo a divindade a felicidade essencial, imutável e eterna, não é sem motivo que dizem incompreensível essa inefável beatitude.

Para dela fazermos alguma idéia, ser-nos-ia necessário reunir tudo o que Deus fez para no-la proporcionar, isto é, a criação, a encarnação, a redenção, a Igreja, a Eucaristia, todos esses prodígios do poder e da caridade incriados. Seria preciso avaliar o mérito das privações, fadigas, sofrimentos, ignomínias do Homem-Deus; contar as penitências e os atos heróicos dos santos, os sacrifícios e os tormentos dos mártires; conhecer minuciosamente a ação incessante da Providência sobre as almas, o trabalho contínuo da graça a seu respeito, os esforços da Igreja para salvá-las, e as lutas que sustenta com os seus eleitos contra o mundo e os demônios açulados para sua perdição. Numa palavra, “... essa beatitude é tão excelente, que dez séculos de fervor no serviço de Deus, não bastariam para nos merecer esse gozo nem que fosse só por poucas horas” (Santo Anselmo).

Católico, se a felicidade do Céu é eterna; por que você corre tão desesperadamente atrás das coisas passageiras da terra? O mundo pode dar-te a verdadeira felicidade? O lixo oferecido pelo mundo pode satisfazer a sua alma imortal?

Lembre-se de que esse Céu dos santos é a nossa Pátria, é a casa de Deus.

“Meu Deus, na expectativa de tal felicidade, eu seria insensato se me não decidisse a abraçar a mortificação dos sentidos, a vencer a minha preguiça e as minhas repugnâncias, e a suportar os enfados, os desgostos e as contrariedades. O meu coração tão terreno, mal se eleva às alegrias puras da virtude e ao desejo da recompensa que será o seu fruto. Inspirai-me, pois, a coragem: 1.° De me lembrar muitas vezes o fim da vida presente tão curta e miserável; 2.° De dirigir para esse fim todos os meus pensamentos e aspirações, toda a minha atividade, todas as minhas lutas e sofrimentos, sem excetuar nenhuma afronta, nenhuma palavra picante, nenhuma falta de atenção e as mil penas deste triste exílio” (Pe. Luís Bronchain).

 

II. A utilidade de nos exercermos na esperança do céu

 

A esperança eleva o nosso espírito ao pensamento dos bens que nos são prometidos e ao desejo de possuí-los um dia. “Quando considero a grande felicidade que se ganha ao morrer, e o pouco que se perde ao perder a vida, não posso deixar de dizer a Deus: Quando será, Senhor, que me tirareis deste mundo para me introduzir na pátria?” (São Gregório Nazianzeno). Tais deveriam ser também os nossos sentimentos.

Santo Agostinho escreve: “Poderíamos de fato, ser admitidos no céu como cidadãos, sem termos gemido sobre a terra como exilados, animados do desejo da eternidade bem-aventurada? E que há de mais apto para nos desapegar desta vida passageira do que esperar uma outra que nunca terá fim? Aqui sofremos, mas lá gozaremos. Eis por que nas enfermidades e doenças dizemos com Jó: Sei que meu Redentor vive, um dia o verei na minha carne e o contemplarei com os meus olhos; é essa confiança que constitui a alegria do meu coração no meio das minhas dores corporais (Jó 19, 25-26)”. Quando nossa alma mergulha na tristeza, ansiedade e desgosto, quando passa pela provação da tentação ou da adversidade, não há melhor animação do que a esperança de ver um dia a Deus na glória, de amá-Lo, louvá-Lo e gozar para sempre de sua felicidade que é infinita.

Para entrar no Céu é preciso passar por muitas tribulações. Pensemos no céu e superaremos todos os obstáculos.

A terra é um lugar de merecimentos, e por isso é também um lugar de sofrimentos. O Céu é nossa Pátria, lá Deus nos preparou o repouso numa eterna felicidade. Passamos pouco tempo neste mundo, mas neste pouco tempo temos muitas dores a sofrer.

Quem vive com o coração “abraçado” com o Céu vence todas as dificuldades

Há algum caráter difícil, alguma pessoa cheia de defeitos, preconceitos, antipatias... de que Deus se serve para exercer-vos na paciência, abnegação e espírito de sacrifício? Ou então é para vós pesada a companhia dos maus? Fortificai-vos contra todas as lutas interiores e exteriores pelo pensamento de que após esta vida entrareis na grande família do Pai celeste, a mais nobre, santa, amante e amável que jamais houve. Composta da caridade incriada, que é Deus, do amor encarnado, que é Jesus, da Rainha e Mãe de misericórdia e da elite da criação, os anjos e os eleitos, receber-vos-á em seu seio com ternura inefável e inalterável. Que santa embriaguez gozar do bem supremo, em união com uma assembleia tão augusta da qual se faz parte e da qual se partilham as glórias, as alegrias, as riquezas e a imortalidade bem-aventurada!

Lembre-se de que o Senhor recompensa o servo fiel e perseverante: “Por um pequeno castigo receberão grandes favores. Deus os colocou à prova e os achou dignos de si” (Sb 3, 5).

“Meu Deus, como é consoladora essa perspectiva, mormente nas penas, tentações, dificuldades e desgostos deste miserável exílio! Dignai-vos fortalecer em mim: 1.° A esperança e o desejo de possuir-vos um dia na Jerusalém celeste; 2.° A confiança de obter de Vós o que para lá me conduz, mormente o espírito de graça e oração, chave de todas as virtudes” (Pe. Luís Bronchain).

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

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   PERSEVERANÇA

 

Mt 10, 22: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”.

Católico, nesse trecho da palavra de Deus, Jesus Cristo mostra a necessidade que temos de perseverar. Para cada homem esse fim até ao qual se deve perseverar é o momento da morte, como está em Mt 24, 13: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”.

Não há duvida; quem quiser ganhar sua alma para a vida eterna, isto é, quem quiser entrar no céu, deve perseverar no bem, sem se assustar com a aspereza das provações e com as dificuldades de cada dia.

 O céu é a Pátria daquele que luta até o fim, que sabe se levantar após uma queda, que não pára diante dos obstáculos da vida, que luta até obter a vitória, como escreve São João Crisóstomo: “A coroa que nela se consegue não se murcha jamais. Não está feita com folhas de louro, não nos é colocada na cabeça por um homem, não a ganhamos diante dum público de homens, mas num estádio cheio de Anjos. Nas competições da terra uma pessoa luta e afadiga-se durante muitos dias, e os seus grandes esforços são recompensados com uma coroa, que murcha em menos de uma hora (…). Não acontece aqui o mesmo, mas a coroa que se recebe é eternamente brilhante, honrosa e gloriosa”.

 O católico mole e frouxo, que pára na metade do caminho e fica deitado à beira da estrada curtindo a sua preguiça e o seu comodismo, não irá para o céu, e sim, será precipitado no inferno. A palavra de Deus fala abertamente, que será coroado no céu, somente aquele que vencer, isto é, aquele que perseverar no bem até o fim, como está em Ap 2, 7: “… ao vencedor, conceder-lhe-ei comer da árvore da vida que está no paraíso de Deus”, e também em Ap 2, 11: “… o vencedor de modo algum será lesado pela segunda morte”, e ainda em Ap 2, 17: “Ao vencedor darei do maná escondido, e lhe darei também uma pedrinha branca…”, e Ap 3, 21 diz: “Ao vencedor concederei sentar-se comigo no meu trono, assim como eu também venci e estou sentado com meu Pai em seu trono”.

Caríssimo católico, não basta começar uma obra, é preciso concluí-la. Se você começa a construir uma casa, e quando ela está na metade, você a abandona, isto é, deixa de investir na mesma; aos poucos ela vai se demolindo, e você perde todo o dinheiro que investiu. O mesmo acontece na vida espiritual; você começa bem um trabalho espiritual: reza o terço todos os dias, lê a Bíblia, participa da Santa Missa com freqüência, confessa assiduamente, etc, mas com o passar do tempo, ao invés de perseverar, você vai relaxando, vai deixando a oração, vai abandonando a confissão, já não gosta mais de ler a Bíblia, já começa a usar aquela roupa imoral que já havia deixado de usar, aquela roupa que agrada o demônio; começa também a freqüentar certos ambientes perigosos, a contar piadas imorais, a andar com amizades suspeitas, a falar que para se salvar não precisa desse “exagero”, que Deus não exige nada disso, e que você está muito bem com Deus. Cuidado! Se você já desceu a esse nível, a passagem de Apocalipse 3, 1-3 servirá para te acordar: “Conheço tua conduta: tens fama de estar vivo, mas estás morto. Torna-te vigilante e consolida o resto que estava para morrer, pois não achei perfeita a tua conduta diante do meu Deus. Lembra-te, portanto, de como recebeste e ouviste, observa-o, e converte-te!”

O Bem-aventurado Josemaría Escrivá diz: “Começar é de todos; perseverar, de Santos”. É muito triste ver certas pessoas desanimarem na metade do caminho, lembrando das cebolas do Egito, e assim, enterrarem a sua vida espiritual. Deus não fica feliz com o fogo de palha ou com propósitos sem convicção. Deus ama e ajuda, aquela pessoa que enfrenta todas as dificuldades, e Ele, o Senhor justo e sábio, dará a merecida recompensa para o trabalhador, como está em Tg 1, 12; 5, 11: “Feliz o homem que suporta  a tentação. Porque depois de sofrer a provação receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o  amam... Eis, chamamos felizes os que suportam os sofrimentos com perseverança”.

Católico, muitas pessoas dizem o seguinte: já fui muito católico, já rezei muito, já freqüentei muitos movimentos, etc., agora não preciso mais disso, porque já estou com a “égua” na sombra. Prezado católico, essa pessoa pode até estar com a "égua" na sombra, mas a sua alma está à beira do inferno, porque o próprio Jesus Cristo diz em Mt 10, 22: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”, Jesus não fala de perseverar até a metade do caminho, e sim, até o fim.

 Sem perseverança é impossível chegar à santidade ou à salvação: não basta ser virtuoso e generoso alguns dias ou alguns anos; necessário é sê-lo sempre, até o fim.

De nada vale ter sido santo por longo tempo, se no fim da vida se morre pecador. Para que isso não aconteça, siga o conselho do Bem-aventurado Josemaría Escrivá: “Não desanimes. Para a frente! Para a frente com uma teimosia  que é santa e que se chama, no terreno espiritual, perseverança”, e o mesmo Bem-aventurado diz: “Aconteça o que acontecer, persevera no teu caminho; persevera, alegre e otimista, porque o Senhor se empenha em varrer todos os obstáculos.

- Ouve-me bem: tenho a certeza de que, se lutar, serás santo!”

O católico que conheceu a Palavra de Deus, e depois voltou para o mundo, isto é, não conseguiu perseverar no bem, e agora vive mergulhado no pecado, o seu estado agora é bem pior do que quando não conhecia a verdade, como está em 2 Pd 2, 20-21: “Com efeito, se, depois de fugir às imundícies do mundo pelo conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de novo são seduzidos e se deixam vencer por elas, o seu último estado se torna pior do que o primeiro. Assim, melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça do que, após tê-lo conhecido, desviarem-se do santo mandamento que lhes foi confiado”. Esse tipo de católico merece ouvir o que está em 2 Pd 2, 22: “O cão voltou ao seu próprio vômito”, e: “A porca lavada tornou a revolver-se na lama”.

E você católica, que antes usava uma saia decente e vestido longo, e agora já está usando calça comprida e outras roupas depravadas. Quando você olhar no espelho, olhe bem nos seus olhos e diz: eu sou uma hipócrita, uma vira-casaca, uma falsa.

E você que antes não assistia novelas, e agora passa horas e horas bebendo esse vômito de Satanás. Olhe também no espelho e diz: sou fingida, o que vou explicar para Deus na hora do meu julgamento? Lembre-se das Palavras de Jesus Cristo em Mt 10, 22: “Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”.

É importante lembrar de que sem perseverança não há salvação. Na perseverança no bem até o fim de nossa vida está o princípio da nossa eterna felicidade.

Prezado católico, sem a perseverança final todos os esforços são em vão: penitências e orações, sacramentos e boas obras, tudo, sem a perseverança, será como o fumo que se dissipa.

Se o único remédio para ser salvo é perseverar até o fim, para perseverar até o fim há um só meio: ser constante no bem!

E um grande bem, é justamente a salvação da nossa alma. Sábio é aquele católico que trabalha continuamente pensando na sua salvação, que persevera no bem que inicia, que o faz com o máximo de zelo. Esse, sem dúvida será coroado no céu.

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/pregacoes/diversas/pregacoes_diversas_ii_01.htm#05

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VIGIAI E ORAI

Mt 26,41: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação…”

 

Prezado católico, é necessário rezar muito, assim como o alimento material é necessário para o corpo, a oração é necessária para a alma. São João Maria Vianney escreve: “A oração é para a nossa alma o que a chuva é para a terra. Podeis adubar uma terra quanto quiserdes, mas, se falta a chuva, tudo o que fizerdes não servirá para nada. Assim, podeis fazer as boas obras que quiserdes, mas jamais sereis salvos se não rezardes com freqüência e como se deve; porque a oração abre os olhos de nossa alma e faz que ela sinta a grandeza de sua miséria, a necessidade de recorrer a Deus; faz que tema a sua fraqueza”.

Católico, São Basílio Magno, São João Crisóstomo, Clemente de Alexandria e outros, como o próprio Santo Agostinho, ensinam que a oração para os adultos é necessária, não somente por ser um mandamento de Deus, como também por ser um meio necessário para a salvação, por isso, escreve Santo Afonso Maria de Ligorio: “… é impossível que um cristão se salve sem pedir as graças necessárias para a salvação”, e Santo Tomás de Aquino escreve: “Depois do batismo, a oração contínua é necessária ao homem para poder entrar no céu”, e Santo Afonso Maria de Ligório também ensina: “Sem o auxilio de Deus, não podemos resistir a tantos e tais inimigos. Ora, este auxilio divino só se consegue pela oração. Logo, sem oração, não há salvação”, e o catecismo da Igreja Católica, no nº 2744 diz: “Orar é uma necessidade vital. A prova contrária não é menos convincente: se não nos deixarmos levar pelo Espírito, cairemos de novo na escravidão do pecado. Como o espírito santo, pode ser ‘nossa Vida’, se nosso coração esta  longe dele?” e São João Crisóstomo ensina: “Nada se compara em valor à oração; ela torna possível o que é impossível, fácil o que é difícil. É impossível que caia em pecado o homem que reza”.

Infeliz de quem não reza, a sua alma fica mais seca que um deserto; a mesma torna-se árida, e assemelha a um jardim sem flores. Quem não reza vive mergulhado na infelicidade, e sua alma se assemelha-a um paralítico.

Caríssimo católico, é importante saber, que a oração é o único meio para se receber as graças divinas, como escreve Santo Tomás de Aquino: “… todas as graças que o Senhor, desde toda eternidade, determinou conceder-nos, não as quer conceder a não ser por meio da oração”. O mesmo ensina São Gregrio Magno: “Pela oração, merecem os homens receber o que Deus, desde a eternidade, determinou conceder-lhes”.

Somos pobres e mendigos, que tanto temos, quanto recebemos de Deus como esmola, como está no Sl 40,18: “Quanto a mim, sou pobre e indigente, mas o Senhor cuida de mim”. E Santo Agostinho escreve: “O Senhor bem deseja e quer dispensar-nos as suas graças. Contudo não quer dispensá-las, senão a quem lhe pedir”, e o próprio Jesus Cristo ensina: “Pedi e dar-se-vos-á” (Mt 7, 7), e Santa Tereza d’Avila diz: “Quem não pede não recebe”.

São João Crisóstomo ensina: “Assim como a umidade é necessária às plantas para não secarem, assim nos é necessária à oração para nos salvarmos”, e o mesmo Santo ainda diz: “Assim como a alma dá a vida ao corpo, assim também a oração mantém a vida da alma”.

Prezado católico, o grande São João Crisóstomo diz também: “Assim como o corpo não pode viver sem a alma, assim a alma sem a oração esta morta e exala mal cheiro”. Sabe por quê? Exala mal cheiro, porque quem deixa de recomendar-se a Deus, logo começa a corromper-se. A oração é ainda o alimento da alma, porque assim como o corpo não se pode sustentar sem alimento, assim, sem a oração, não se pode conservar a vida da alma. Como o corpo, pela comida, assim a alma do homem é conservada pela oração.

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/pregacoes/diversas/pregacoes_diversas_ii_02.htm#26

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APLICA-TE À LEITURA

(1 Tm 4, 13)

 

"Esperando a minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, à instrução".

 

 

Edições Theologica comenta: "Estas três funções eram levadas a cabo nas reuniões litúrgicas dos primeiros cristãos - e continuaram na Liturgia da Palavra, dentro da Santa Missa -; liam-se certos textos da Sagrada Escritura e, a seguir, o ministro sagrado pronunciava a homilia, na qual não deviam faltar nem umas palavras de alento nem a catequese sobre um tema doutrinal".

Católico, não perca tempo com leituras vazias e pecaminosas, mas leia bons livros; esses mudam a vida das pessoas.

 

Cláudio Montisanbert foi destinado por seus pais à carreira das armas. Aos catorze anos, no regimento e sob a influência de maus companheiros, contraiu o vício do jogo, perdendo grandes somas, pelo que os pais, irritados, afastaram-no das armas por algum tempo. Depois de melhorar, entrou noutro regimento, mas logo recaiu no triste vício. Ferido na batalha de Malplaquet, durante a longa convalescença dedicou-se à leitura da vida dos santos. Estas leituras e a graça de Deus lograram a sua conversão definitiva. Permaneceu ainda dois anos no exército, dando belos exemplos de virtudes cristãs. Aos 22 anos dedicou-se como penitente a peregrinações, entrando logo depois na Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs, aí vivendo exemplarmente com o nome de Irmão Irineu.

 

Católico, seja sábio e prudente ao escolher um livro para ler! Lembre-se de que nem tudo que brilha é ouro.

Há livros que se podem chamar sepulcros branqueados, pois, ostentando um exterior brilhante, têm no interior, oculta, a podridão dos erros mais grosseiros em matéria de honestidade e religião.

É preciso tomar muito cuidado com os maus livros, eles são venenos perigosos para a alma, enquanto que o bom livro é fortificante para a mesma: "É pelo mau livro que o demônio dá a beber a peçonha do pecado a muitas almas inocentes. É com a droga de livros obscenos que o demônio faz o maior negócio do mundo. As almas que ele cativa com a leitura de um romance indecoroso, podem contar-se pelas letras que o compõem. Ler um mau livro é aconselhar-se com um inimigo. - Ler um bom livro é ouvir um bom conselheiro. Um livro mau é um falsário; - um livro bom é um pregador, que fala ao coração, convence o entendimento e move a vontade. O mau livro é um traidor, que mata a alma pela calada. - Um bom livro é um amigo fiel, que não lisonjeia nem engana, mas aconselha e ensina. O mau livro entenebrece o espírito com os erros que encerra. - O bom livro é um farol, que mostra o caminho da virtude através do espesso nevoeiro das aberrações em que o mundo anda envolto" (Pe. Alexandrino Monteiro).

Feliz daquele que lê continuamente bons livros. Infeliz da pessoa que perde tempo com más leituras: "Ainda hoje, como no início dos tempos, o homem está colocado em presença de duas árvores que produzem frutos diversos: a árvore da imprensa do bem, e a árvore da imprensa do mal. A primeira oferece ilustrações pudicas e belas, jornais úteis e sérios, livros bons e de gozo sincero; a outra dá frutos de peste e de morte" (Pe. João Colombo).

Católico, seja corajoso e destrua os maus livros. Não permita que na sua casa entre esse veneno mortífero.

 

Regressava São João Bosco ao oratório numa tarde de 1851. Ao passar diante de um quiosque, parou para olhar os livros. O vendedor disse-lhe:

- Esses livros não servem para o senhor, porque são todos protestantes.

- Estou vendo, disse o Santo; mas, na hora da morte estará o senhor tranquilo, depois de haver vendido tais livros e haver propagado o erro?

Ditas estas palavras, saudou-o e retirou-se. O vendedor perguntou quem era aquele sacerdote e, ao saber que era Dom Bosco, tratou de conversar com ele. Em seguida levou-lhe todos os livros para serem queimados, e dali em diante seguiu sempre o bom caminho.

 

Uma jovem, pouco antes de morrer, escreveu: "Tenho 18 anos; sou a criatura mais desgraçada e por isso vou morrer. Aos 15 anos eu era inocente. Maldito o dia em que meu tio me abriu a biblioteca e me disse: "Lê!" Melhor fora que, dando-me um punhal, me dissesse: "Mata-te!" Eu não teria percorrido o caminho da desgraça".

 

Católico, será que você não possui maus livros em sua estante ou debaixo do colchão de sua cama? Será que você não coleciona essas cartilhas de Satanás?

São Paulo escreveu a Timóteo: "Esperando a minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, à instrução".

Com certeza o Apóstolo aconselhou o seu amigo a aplicar-se à boa leitura, a ocupar o tempo para alimentar a sua alma imortal com a boa leitura.

Católico, traga com você sempre um bom livro! Ele é um fiel amigo que te orientará no caminho da santidade: "É o bom livro um espelho, onde cada um vê a sua própria imagem, ou ataviada com virtudes, ou afeada com vícios. É o bom livro um velho experimentado, que tem muito que narrar ao jovem que entra no caminho da vida, no consórcio dos homens e na luta com as paixões. Ler um bom livro é entrar num arsenal, que fornece ao cristão as armas de que precisa para se defender dos ataques contra a verdade católica. Oh! Se houvesse mais leitores dos bons livros, como a religião seria mais praticada, mais trilhado o caminho da virtude, mais imitado Jesus Cristo, mais respeitado o nome de Deus! Como se veriam as igrejas mais povoadas e mais desertos os cárceres! Como se melhoraria o estado da sociedade e com ele as condições dos povos! Mas, desgraçadamente, não é assim! Quem hoje governa o mundo são os maus livros. São eles que fomentam as revoluções e anarquizam os povos, corrompem os costumes e desmoralizam as sociedades!" (Pe. Alexandrino Monteiro).

Católico, que tipo de leitura você faz? Sente fastio em fazer leituras espirituais? Pobre ignorante!

Se você sente fastio em fazer leituras espirituais, é porque já tem o gosto corrompido com leituras de romances, que servem só para excitar a fantasia e avivar as paixões.

O Pe. Alexandrino Monteiro escreve: "O livro faz o homem. A doutrina nele exposta infiltra-se de tal modo pelo teu espírito, que vens a ser aquilo que leste. Quem muito lê história, será historiador; quem muito se dá à leitura dos clássicos, será um deles; quem manuseia os poetas, vem-lhes a herdar o estro; quem lê amiúde a vida dos Santos, não tarda a imitar-lhes as virtudes".

Se santo Inácio de Loiola tivesse lido um livro de cavalarias, quando o pediu, teria saído um famoso cavaleiro; mas, porque lhe trouxeram um outro, que encerrava a vida dos santos, saiu um tão grande Santo.

Católico, leia somente livros piedosos! O bom livro é um grande amigo que nos orienta por um caminho seguro: "Nunca deixes a leitura dos livros Santos. Aprende o que deves ensinar, adquire a verdadeira doutrina que tem sido ensinada, para que estejas em condições de exortar segundo a sã doutrina e refutar os que a contradizem" (São Jerônimo), e: "Devemos pôr os livros piedosos no número dos nossos amigos verdadeiramente fiéis, porque nos chamam eles severamente ao cumprimento de nossos deveres e das prescrições da verdadeira disciplina. Despertam no coração as vozes do céu já adormecidas. Sacodem o torpor de nossas boas resoluções. Não nos deixam adormecer numa tranquilidade enganadora. Reprovam nossas afeições secretas quando são elas pouco recomendáveis. Descobrem aos imprudentes os perigos que os esperam muitas vezes. Prestam-nos todos estes bons ofícios e com uma tão discreta benevolência, que não somente amigos, mas ainda vêm a ser os melhores dentre os melhores amigos. Temo-los quando os quisermos, sempre ao nosso lado, prontos a cada momento para nos ajudarem nas necessidades de nossas almas. Deles a voz nunca é dura, os conselhos sempre desinteressados, e a palavra nunca tímida ou mentirosa" (São Pio X, Encíclica "Haerent Animo", 25).

São Francisco de Sales escreve: "Deves ter um gosto especial em ouvir a Palavra de Deus, mas ouve-a sempre com atenção e respeito, quer no sermão, quer em conversas edificantes dos teus amigos que gostam de falar em Deus. É a boa semente, que não se deve deixar cair em terra. Aproveita-te bem dela; recebe-a no teu coração como um bálsamo precioso, à imitação da Santíssima Virgem, que conservava no seu peito, cuidadosamente, tudo o que ouvia dizer de seu divino Filho, e lembre-se sempre de que Deus não ouvirá favoravelmente as nossas palavras na oração, se não tirarmos proveito das suas nos sermões.

Tem sempre contigo um bom livro de devoção, como os de São Boaventura, de Gerson, de Dionísio Cartusiano, de Luís de Blois, de Granada, de Estella, de Arias, de Pinelli, de La Puente, de Ávila, o "Combate espiritual", as "Confissões" de Santo Agostinho, as "Epístolas" de São Jerônimo e outros semelhantes. Lê-o por algum tempo todos os dias, mas com tanta atenção como se um santo to enviasse expressamente para te ensinar o caminho do céu e encorajar-te a trilhá-lo. Lê também as vidas dos santos, onde verás, como em um espelho, o verdadeiro retrato da vida devota, acomodando os seus exemplos aos deveres do teu estado. Pois, embora muitas ações dos santos não possam ser imitadas por pessoas que vivem no século, contudo, de perto ou de longe, todas elas podem ser seguidas. Imite a grande solidão de São Paulo, o primeiro eremita, pela solidão espiritual do teu coração e pelo recolhimento assíduo, segundo as tuas forças; ou, então, a pobreza extrema de São Francisco, por certas práticas de pobreza de que ainda hei de falar. Entre as vidas dos santos e santas há algumas que espalham luz em nossa mente para a direção de nossa vida, como a da bem-aventurada madre Teresa, o que torna a sua leitura admirável, as dos primeiros Jesuítas, a do cardeal São Carlos Borromeu, de São Luis, de São Bernardo, as "Crônicas" de São Francisco e outros livros semelhantes. Outras há que nos são propostas mais para a admiração, do que para a imitação, como as de Santa Maria do Egito, de São Simão Estilita, de Santa Catarina de Sena, de Santa Catarina de Gênova, de Santa Ângela, as quais, em todo caso, muito nos afervoram em geral no santo amor de Deus" (Introdução à Vida Devota, Parte II, cap. XVII).

Católico, leia bons livros! Não te deixes iludir pelo muito que promete o título, nem pelos ornatos do frontispício, nem pela fama do autor. O veneno, ainda quando doce, mata. Assim, o livro pode ser muito agradável à fantasia, mas encerrar um veneno tão fino, que, imperceptivelmente, leve a morte à alma.

Pe. Divino Antônio Lopes FP.

www.filhosdapaixao.org.br/escritos/comentarios/escrituras/escritura_0100.htm

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