protestantismo

10-06-2012 08:28

 

O PROTESTANTISMO OU ALGUMA IGREJA PROTESTANTE É A IGREJA DE JESUS CRISTO?

  A única e verdadeira Igreja visível de Jesus Cristo é a que foi fundada por ele mesmo no primeiro século da nossa era sobre o apóstolo Pedro (Mt 16, 18-19; Jo 21, 15-17; Lc 22, 31-32...) É a que existe “visível e ininterruptamente” desde o 1° século da nossa era até hoje e existirá até o fim do mundo (Mat. 28, 20).

  Ora, cada uma das milhares de “ igrejas “ denominações protestantes foram fundadas por um mero homem ou mulher e nenhuma igreja protestante existe visível e ininterruptamente desde o 1° século, é historicamente comprovado que o protestantismo com suas milhares de “igrejas” nasceram só no Século XVl em diante, portanto, nem o protestantismo nem nenhuma das milhares de igrejas protestantes são a verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Ademais, Jesus fundou uma só Igreja não milhares como existe no protestantismo. Ele disse: Edificarei A MINHA IGREJA (Mt 16, 18)  não as minhas igrejas.

Precisamente para facilitar aos cristãos a tomada de consciência do hiato histórico (lacuna e distância histórica) que intercede entre Jesus Cristo e as denominações protestantes, publicamos a tabela seguinte:

Ano

Denominação

Origem

Fundador

~33

Fundação da Igreja Católica

Palestina

Jesus

~55

Igreja Católica se fixa em Roma, com Pedro e Paulo

   
       

1521

Igreja Luterana

Alemanha

Martinho Lutero

1523

Anabatistas

Alemanha

Zwickau

1523

Batistas Menonitas

Holanda

Menno Simons

1531

Igreja Anglicana

Inglaterra

Henrique VIII

1536

Igreja Presbiteriana

Suiça

João Calvino

1592

Igreja Congregacionalista

Inglaterra

John Greenwood e outros

1612

Igreja Batista Arminiana ou Geral

Inglaterra

John Smith

~1630

Sociedade dos Amigos (Quakers)

Inglaterra

George Fox

1641

Igreja Batista Regular ou Particular

Inglaterra

Richard Blount

1739

Igreja Metodista

Inglaterra

John Wesley

1816

Igreja Adventista

EUA

Willian Miller

1830

Mórmons

EUA

Joseph Smith

1865

Exército da Salvação

Inglaterra

Willian Booth

1878

Testemunhas de Jeová

EUA

Charles T.Russel

1901

Igreja Pentecostal

EUA

Charles Parham

1903

Igreja Presbiteriana Independente

Brasil

Othoniel C. Mota

1909

Congregação Cristã no Brasil

Brasil

Luís Francescon

1910

Igreja Assembleia de Deus

EUA/Brasil

D.Berg/G.Vingren

1918

Igreja do Evangelho Quadrangular

EUA

Aimée McPherson

1945

Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB)

Brasil

Carlos D.Costa

1955

Cruzada o Brasil para Cristo

Brasil

Manoel de Mello

1962

Igreja Deus é Amor

Brasil

David Miranda

1977

Igreja Universal do Reino de Deus

Brasil

Edir Macedo

 

No Brasil, os pentecostais dispõem-se em três grupos

a) Assembleia de Deus, que veio dos Estados Unidos em 1911; pelos suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, fundada por ambos em 18/1/1918

b)   Congregação Cristã do Brasil, que teve infcio em 1909 na colônia italiana do Brás (São Paulo), por obra de Luís Francescon, emigrante italiano que veio dos Estados Unidos;

c)   Pentecostais Independentes, grupos oriundos em 1950, entre os quais está a Cruzada "Brasil para Cristo" chefiada pelo pastor Manoel de Mello, que se desligou da Assembleia de Deus e iniciou o Movimento da "Tenda Divina". Igreja Deus é amor fundado por David Miranda em 3/6/1962

                  

Registram-se ainda: a Cruzada da Nova Vida, a Igreja da Renovação, a Igreja da Restauração, o Reavivamento Bíblico, o Evangelho Quadrangular Pentecostal, o Cristo Pentecostal da Bíblia, a Igreja Pentecostal Unida, a Igreja Evangélica Pentecostal, a Igreja Pentecostal Jesus Nazareno, a Cruzada Nacional de Evangelização, sara nossa terra, igreja internacional da graça, igreja mundial do poder de Deus...

Outro Ramos:

·                     Adventistas: Adventistas da Era Vindoura, Adventistas do Sétimo Dia, Adventistas Evangélicos, Cristãos Adventistas, Igreja de Deus, União da Vida e do Advento, etc.

·                     Batistas: Batistas Abertos, Batistas das Duas Sementes no Espírito, Batistas das Novas Luzes, Batistas das Velhas Luzes, Batistas do Livre Arbítrio, Batistas do Sétimo Dia, Batistas dos Seis Princípios, Batistas Fechados, Batistas Primitivos, Batistas Reformados, Velhos Batistas, etc.

.    A tabela, ainda que não seja exaustiva (pois são milhares de “igrejas”), mostra como as denominações protestantes que hoje em dia fazem adeptos no Brasil, estão distantes de Jesus Cristo na linha da história. Antes do século XVI não se falava de Confissão Luterana; Igreja Batista, Presbiteriana... Antes do século XX não se falava de Assembleia de Deus, igreja Deus é amor, Comunidade "Nova Vida", "Igreja Socorrista", etc. Não foi Jesus Cristo quem deu origem a tais organizações, mas foram pastores humanos, dos quais alguns disseram ter recebido revelações mais recentes do que as de Jesus Cristo; tal é o caso de Joseph Smith (Mórmons), Charles-Taze Russell e Rutherford (Testemunhas de Jeová), Alexandre Freytag (Amigos do Homem)... Quanto mais recente é a denominação protestante, mais tende a trocar o Novo Testamento pelo Antigo, chamando Deus pelo nome de Jeová, negando a Divindade de Cristo e a SS. Trindade, observando o sábado em lugar do domingo, etc.

      São Paulo disse que a Igreja de Jesus teria unidade na fé, na doutrina (Ef 4, 5). No protestantismo existem milhares de igrejas justamente porque nenhuma concorda com todas as doutrinas das demais, a desunião doutrinária do protestantismo é uma total desobediência à palavra de Deus mencionada em: Ef 4, 5. 13-14; Rm 16, 17-18; 1° Cor 1, 10; 2° Pd 2, 1-3. Tais textos deixam bem claro que divisão na doutrina nunca foi ação ou inspiração divina, sendo assim, é biblicamente impossível o protestantismo ou quaisquer das milhares de igrejas protestantes serem a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

  Somente a Igreja Católica Apostólica Romana existe desde os primeiros séculos da nossa era. Evidentemente, antes de Martinho Lutero (fundador da primeira igreja protestante e pai do protestantismo) em 1517, não existia o protestantismo nem nenhuma igreja protestante. Existia apenas uma Igreja cristã: “A Igreja Católica Apostólica Romana” que por uma sucessão ininterrupta de bispos ascendia aos apóstolos e por meio dos apóstolos ao próprio Jesus Cristo. Esta era a única Igreja fundada por Cristo a história não conhece outra, muitos teólogos e estudiosos protestantes vendo a impossibilidade de assassinar a história confirmam esta verdade, citando dois exemplos entre muitos:

  O livro protestante e anticatólico:”porque deixamos a batina”, páginas 6-7, 3° edição afirma que a Igreja Católica Romana durante os três primeiros séculos era a Igreja de Cristo, que após o 3° Sec. Deixou de ser porque apostatou : Há cerca de 1.600 anos, a Igreja de Cristo, instalada em Roma ...

  O pastor Raimundo de Oliveira da Assembleia de Deus, ao falar da paganização da Igreja Romana admite: Durante os séculos I-II (33-196) a Igreja Romana não aceitou nenhuma doutrina antibiblica Cf. Seitas e Heresias um sinal dos tempos, Pág. 16, 1° edição, CPAD.

  Vemos nestes dois testemunhos protestantes que apesar de erroneamente dizerem que a Igreja Católica paganizou-se ou apostatou, não negam que ela existe desde o 1° século, que era a Igreja de Jesus Cristo, que era pura nas suas doutrinas. Aliás, todas as vezes que os protestantes dizem (para tentar justificar sua tardia origem ou existência)  que a Igreja Católica apostatou (se desviou das verdades bíblicas e passou a ensinar heresias), confirmam através desta crítica (objeção) que a Igreja Católica apostólica Romana era a verdadeira Igreja, pura nas suas doutrinas, e por conseguinte, era a única Igreja de Jesus Cristo. E se era a única Igreja que Jesus fundou, ainda hoje é, e continuará sendo (visivelmemte) até o fim do mundo De fato:

   CARTA ABERTA AOS PROTESTANTES SOBRE A APOSTASIA DA IGREJA CATÓLICA

  A Igreja Católica apostatou? Vamos “supor” que isto tenha acontecido. Ora, se veio a apostatar, é porque, de fato, não era ainda apóstata. Quem diz apostasia diz a passagem de uma realidade para outra diametralmente oposta. O ato de apostatar exige uma condição prévia inteiramente incompatível com a apostasia. Assim como uma barra de ferro só se poderá esquentar se estiver fria, e um pedaço de madeira só se poderá partir se estiver inteiro, e um homem só poderá morrer se estiver vivo, também a Igreja Católica só poderia apostatar se estivesse em algum momento livre de apostasia; só poderia paganizar-se se não estivesse paganizada ainda. Negareis o óbvio? Não o creio.

  Muito bem. Mas se um dia a Igreja não foi apóstata, se não era paganizada em algum momento da história, segue-se que foi um dia legítima, autêntica, verdadeira. Se era verdadeira, era, por conseguinte, a Igreja de Jesus Cristo, pois não havia outra. Temos, então, que essa Igreja que chamais apóstata, foi em alguma época a verdadeira Igreja, pura nas suas doutrinas e práticas. Negareis o óbvio? Não o creio.

  Mas afirmais que ela apostatou. Como? A verdadeira Igreja poderia alguma vez apostatar? É aqui, senhores, que a vossa afirmação desmorona, como um imenso castelo de areia firmado na flacidez do chão molhado da praia. Desde quando a Igreja poderia apostatar? Nunca! Jesus Cristo teria sido um mentiroso, um impostor, e mui justa seria a sentença condenatória exarada por Pôncio Pilatos e a acusação vinda da parte do Sinédrio. Mas isso ninguém jamais cogitou. Justo foi Pilatos? Justo o Sinédrio? Impossível!

  As promessas neotestamentárias da assistência divina à Igreja, por outro lado, são muitas e claras.

  Ao dizer a Pedro do estabelecimento da Igreja, o Salvador garantiu que as portas do Inferno não prevaleceriam contra ela (cf. Mt. 16,18). Ora, se a Igreja depois disto apostatou, deixando de ser a verdadeira Igreja, segue-se que as portas do Inferno prevaleceram e Jesus foi um falso profeta. Em outra ocasião, pouco antes de ascender, o Senhor disse aos apóstolos que ficariam com eles "até a consumação dos séculos" (Mt. 28,20). Mas o que seria desta presença sempre continuada, se o paganismo depois invadisse a Igreja e a corrompesse até os seus fundamentos?

  Sabendo da proximidade da sua ida para junto do Pai, Jesus falou do Espírito Santo: "Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco" (Jo. 14,16; ainda 14,26; 15,26). Mas onde, senhores, [estaria] a eficácia da atuação deste Paráclito se apostatasse a Igreja?

  Se a Igreja pudesse em algum momento apostatar ou paganizar-se a palavra de Deus não a chamaria de coluna e firmeza da verdade (1° Timóteo 3,15), este texto nos diz que é impossível a Igreja visível de Cristo, sendo o fundamento da verdade ensinar o erro, heresias.

  Será que não veem senhores protestantes que para não acreditar e aceitar a Igreja Católica Apostólica Romana como a única e verdadeira Igreja que Jesus fundou, vocês preferem desacreditar e rejeitar a própria Palavra de Deus, Desobedecer e blasfemar contra o próprio Senhor e Salvador Jesus Cristo? De fato, respondam-me ser irem contra o bom senso e a palavra de Deus: como poderia ser possível a Igreja de Cristo ser ao mesmo tempo sustentáculo da verdade (1° Tm 3, 15) e do erro, da heresia?

   Dizer que a Igreja apostatou como dizem os protestantes, é o mesmo que afirmar e blasfemar que Jesus Cristo não passou de um traidor miserável, que nos ludibriou a todos! Pois Prometeu que as portas do Inferno jamais prevaleceriam, mas a Igreja apostatou. Prometeu a sua assistência até o final dos séculos, mas a Igreja apostatou. Prometeu o Espírito da verdade para que ficasse eternamente, mas a Igreja apostatou.

  Quer dizer senhores protestantes que Jesus mentiu? Foi ou é incapaz de cumprir suas promessas em relação à sua Igreja, à Igreja que ele fundou? É como diz o antigo provérbio:”o pior cego é o que não quer ver”!

  Não soubesse eu, senhores protestantes, que a assistência divina é infalível e que tem, pelos séculos, preservado a Igreja de todas as heresias, e estes brados de revolta e blasfêmia de vocês soariam os mais justos e louváveis. Mas sei que a Igreja, um dia edificada por Cristo sobre Pedro (Mat 16, 18-19) a Rocha/cefas (João 1, 42) Pastor de todo o rebanho/Igreja de Jesus ( João  21, 15-17) e seus sucessores (Mat 28, 20), jamais renegou os ensinamentos que recebeu, porque nela atua Aquele que é a própria Verdade, mesmo que assim não queiram as vossas incontáveis denominações, que, não tendo Deus Cristo por fundador, jazem impotentes ante um turbilhão de contradições doutrinárias. ( larcatolico.webnode.com.br/news/a-igreja-catolica-apostatou-e-paganizou-se-/ )

   A igreja católica tem uma só fé, uma só doutrina, de fato, quando o católico em cada missa recita o credo " Creio em Deus pai todo poderoso criador do céu e da terra e em Jesus Cristo seu único filho nosso Senhor ... Estar professando a mesma fé dos cristãos desde os primeiros séculos até hoje
    Perguntemos ao protestante: Pouco antes de aparecer o protestantismo ou se fundar uma “igreja” protestante existia ou não existia a Igreja de Jesus Cristo? Diz que sim! Neste caso o protestantismo ou “igreja” protestante diversa da verdadeira Igreja, não é a Igreja de Cristo. Diz não! Neste caso contradiz a palavra de Jesus Cristo que é Deus, o qual afirma que a sua Igreja é indestrutível como sociedade visível e infalível na doutrina (Mat 16, 18-19; 18 17; 28 20; Lc 10,16; Jo 16, 13; atos 20, 28; 1° Tm 3, 15.

   Outras perguntas que devem ser feitas aos protestantes é: “Quem fundou a sua Igreja e por quê? Foi o Senhor Jesus que a fundou ou foi um mero homem? E para ajudá-lo na resposta: Qual seria a sua igreja se você nascesse há mil e cem anos, ou  600 anos antes, da reforma protestante em 1517?”. Qual a Igreja cristã que existe desde os primeiros séculos? A resposta seria apenas uma: Igreja católica. Ora, Visto que Jesus prometeu que as portas do inferno nunca haveria de prevalecer contra a sua Igreja, ou seja, que nunca ia deixar ela errar doutrinariamente (Mt 16, 18-19), pois ela seria até o fim do mundo a coluna e sustentáculo (firmeza) da verdade (1° Tm 3, 15) é ilógico e contraditório aceitar atualmente doutrinas que não se alinham com as da Igreja católica! Podem-se aceitar ritos e disciplinas diferentes, mas não doutrinas! Será anticristão abandonar ou rejeitar a única Igreja que Jesus fundou por “igrejas” ou “seitas” fundadas por homens! De fato, perguntamos: As igrejas protestantes (que tiveram origem com e após a reforma protestante) estão na bíblia? É impossível, pois só surgiram 1300 anos após a bíblia e quinze séculos após da existência da Igreja de Jesus Cristo. Já que não estão na bíblia porque vocês protestantes (“evangélicos” ) seguem essas “igrejas” fundadas por meros homens? Afinal de contas não são vocês que dizem que só devemos seguir o que está na bíblia?

Ora é de crer que, se os cristãos conhecessem melhor a história das denominações protestantes, não adeririam tão facilmente a elas ou as deixariam sem demora, porque perceberiam que são obras de homens que se opõem à intenção de Jesus Cristo; principalmente os católicos não se tornariam protestantes, pois, assim procedendo, abandonam a única Igreja fundada por Jesus Cristo para aderir a comunidades fundadas por homens, quinze ou mais séculos após Jesus. Será a mesma coisa seguir Jesus Cristo e seguir um "profeta" do século XVI ou XVIII?

Quem dá sustentação e vida à árvore é sua raiz! Uma árvore sem raiz não sobrevive nem se mantém segura de pé! E o que temos na raiz desta grande árvore que é o Cristianismo? Na base (raiz) está a Igreja católica (é fato histórico; observe mais uma vez a tabela acima)! Sua raiz bebe diretamente Daquele que dá e é a água viva (cf. Jo 4,10), Jesus Cristo, o Filho de Deus. E é por isso que ela, ainda nos dias de hoje, tem se demonstrado forte e vigorosa (apesar da sua idade e de tanta perseguição), e assim será até a consumação dos séculos (cf. Mt 28,20).  

   As doutrinas dos protestantes de hoje são diferentes e opostas das dos fundadores das primeiras “igrejas” protestantes. Neste caso quem são os que possuem a verdade, são os fundadores do protestantismo? Diz sim! Então os protestantes de hoje estão no erro. E se estavam no erro os fundadores, o protestantismo cai pela sua base.

  A interpretação privada da bíblia introduziu no protestantismo incontida variabilidade, enorme e contraditória diversidade de interpretações e doutrinas, selo do erro ( a verdade une o erro divide). Como o erro não pode ser consequência da verdade, mas do erro, a interpretação privada professada por todas as “igrejas” protestantes é um erro que infecciona todo o protestantismo impedindo-o de crescer em unidade, mas fazendo o mesmo se dividir em milhares de seitas opostas entre si: Logo todas e cada uma das ”igrejas” protestantes estão baseadas no erro.

  O Espírito Santo, Espírito de verdade, não inspira interpretações e doutrinas contraditórias. Ora,  as “igrejas” protestantes afirmam interpretações e doutrinas contraditórias, e cada “igreja” nova nasce de uma contradição com outra “igreja”, logo elas não podem estar inspiradas pelo Espírito Santo; logo o princípio protestante da interpretação privada não é cristão pois semeia a divisão, nem conduz à verdade pois semeia a contradição.  E como podem essas igrejas atribuir suas mais diversas doutrinas ao mesmo Espírito Santo, sendo estas completamente contraditórias entre si? Não seria uma blasfêmia dizer que o Espírito Santo está ocasionando divisões entre os cristãos se Jesus Cristo afirmou que haveria um só rebanho e um só pastor? (Jo 10,16)

 Na raiz de todo este esfacelamento do Cristianismo, que se perde cada vez mais em fantasias arbitrárias, está o princípio, estipulado por Lutero, segundo o qual a Bíblia deve ser interpretada por cada leitor em "livre exame"; o que quer dizer: cada qual tem o direito de contar com a iluminação do Espírito Santo e entender a Bíblia como bem lhe pareça; em consequência, tira as conclusões que julgue adequadas, sem orientação da Igreja. É compreensível que tal princípio, coerentemente aplicado, tenha levado e leve o Protestantismo a se autodestruir cada vez mais, dividindo-se e subdividindo-se em comunidades, das quais as posteriores pretendem sempre reformar as anteriores e são reformadas pelas subsequentes. Os membros de tais comunidades reformadas seguem tão somente o alvitre subjetivo e imaginoso de um "profeta", e não mais a Palavra de Jesus Cristo como tal. Este fundou uma só Igreja, que Ele confiou a Pedro, dando-lhe a garantia de sua assistência infalível até a consumação dos séculos (cf. Mt 16,16-19; 28,18-20); fora desta única Igreja há sociedades humanas cristãs, que não podem ser ditas "Igreja de Cristo" a não ser na medida parcial em que compartilham elementos da única Igreja de Jesus Cristo (a leitura da Biblia, o Batismo, o espírito de oração...). São obras humanas (a prova de que são obras meramente humanas, é a contínua dissolução de tais grupos em subgrupos e subgrupos...; há quem enumere mais de 1.600 denominações cristãs somente na África)!

  Vê-se, pois, que o individualismo colocado na base da Reforma de Lutero é o fator de autodestruição da própria Reforma, pois favorece todas as tendências divergentes, levando às conclusões mais extremadas. O próprio Lutero se assustou ao perceber a confusão que seus princípios provocaram.

  Em consequência, torna-se difícil dizer quais os pontos comuns a todas as denominações protestantes. Podem-se apontar o uso da Bíblia como única norma de fé e a crença em Deus uno, Criador e Juiz; a própria Divindade de Cristo é negada por não poucos protestantes; há também correntes reformadas que não admitem sacramento algum. Por isto deve-se dizer que as diferenças, dentro do Protestantismo, entre Testemunhas de Jeová e Batistas, entre Adventistas e Presbiterianos... São maiores do que as diferenças entre luteranos e católicos.

De resto, o liberalismo apregoado pelo princípio do livre exame é geralmente atenuado ou mesmo supresso nas comunidades protestantes onde os pastores exercem forte liderança sobre os seus fiéis.

  Talvez, porém, alguém objete: a Igreja fundada por Cristo não tem suas falhas e não necessita de purificação e renovação?

— É certo que, onde existem seres humanos (e na Igreja eles existem), existe fragilidade; esta, sem dúvida, exige purificação. Todavia a purificação da Igreja há de se fazer sem ruptura com o passado, sem perda de contato com a linhagem apostólica e a fonte "Jesus Cristo". Qualquer quebra nessa linha é mortal, pois faz da nova comunidade uma obra meramente humana, separada do seu manancial autêntico; a tal comunidade já não se aplica a Palavra de Cristo em Mt 28,18-20: "Estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos".

  A própria Igreja de Cristo, a Igreja Católica, sabe tirar do bojo da sua vitalidade o remédio aos males morais que acometem seus filhos; a Igreja é a Mãe solícita de curar as chagas que os seus filhos lhe infligem à revelia da própria Mãe. Na verdade, o católico que peca, peca porque se afasta dos ensinamentos e da vida da Igreja.

   Aliás, a razão pela qual não se pode conceber Reforma da Igreja fundada por Cristo (mas apenas reformas em setores disciplinares da mesma), é o próprio conceito de Igreja. Esta não é uma República (como afirmavam reformadores do século XVI), nem é uma sociedade meramente humana, mas é o sacramento que continua o mistério da Encarnação; é Jesus Cristo prolongado em seu corpo através dos séculos — o que significa que, por debaixo da veste humana e defectível que os homens dão à Igreja, existe o próprio Cristo presente com sua autoridade e indefectibilidade; esta presença atuante de Cristo garante a todos quantos se chegam a Ele na Igreja, a santificação e a vida eterna; é Ele quem batiza, é Ele quem consagra o pão e o vinho, é Ele quem absolve os pecados. Consciente dessa presença indefectível de Cristo na Igreja podia São Paulo dizer que "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela... para apresentar a si mesmo a Igreja gloriosa, sem manchas nem rugas ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5,25-27). Com efeito, a Igreja é santa não por causa da oscilante santidade dos homens que a integram, mas por causa da presença do Santo de Deus ou de Cristo que nela se encontra. Por isso não toca a homem algum refazer a Igreja ou recomeçá-la, mas compete-lhe apenas zelar para que a face externa da Esposa de Cristo seja purificada das falhas que os homens lhe impõem.

  Refletindo sobre estas verdades, os fiéis católicos hão de se recordar das palavras do Apóstolo São Paulo, que hoje parecem mais oportunas ainda do que nos tempos da Igreja nascente:

"Rogo-vos, irmãos, que estejais alerta contra os que causam divisões e escândalos contrários à doutrina que aprendestes; afastai-vos deles", os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 16,17-18).

"Alcancemos todos nós a unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Homem Perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo.Assim não seremos mais crianças, joguetes das ondas, agitados por todo vento de doutrina, presos pela artimanha dos homens e da sua astúcia que nos induz em erro" (Ef 4,13-14).

" Haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias(seitas) de perdição, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza (amor exagerado ao dinheiro) farão de vós negócio com palavras fingidas, sobre os quais a perdição não dorme" ( 2° Pedro 2, 1-3; Atos 20, 28-30)

RESPONDENDO OBJEÇÕES DE ALGUNS PROTESTANTES

Obs.: “A maioria “das objeções foram tiradas do livro” Pedro nunca foi Papa, nem o Papa é vigário de cristo”, do ex - Padre Aníbal Pereira dos Reis. O mesmo já foi refutado por dom Estevão Bettencourt, na revista Pergunte e Responderemos Págs. 537-549, ano XVI, número 192, dezembro de 1975, leia esta refutação também aqui: pt.scribd.com/doc/13220921/ANO-XVI-No-192-DEZEMBRO-DE-1975  ou leia  em : o que dizer das acusações do ex - Padre Anibal Pereira dos Reis no tópico : Apologética católica do site www.larcatolico.webnode.com.br ( larcatolico.webnode.com.br/products/catolico%28a%29-instruido-e-informado%2c-n%C3%A3-sera-iludido-nem-enganado/ ). Responderemos também objeções do livro: "Qual a Igreja verdadeira?- uma resposta ao Catolicismo Romano" do Pastor Silas Malafaia. Tais livros, como os demais livros protestantes anticatolicos não trás nenhum novo questionamento, mas sempre as mesmas velhas objeções milhares de vezes seriamente estudadas e irrefutavelmente respondidas.

 1° Objeção:  Muitos protestantes não querendo aceitar ou acreditar que a Igreja Católica é a única que Jesus Cristo fundou, dizem: A igreja católica romana cita Mt 16, 18-19 ”tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”,  para tenta provar que Jesus fundou a sua Igreja sobre Pedro e seus sucessores. Dizem que Pedro foi o 1° Papa e que os bispos de Roma (Papas) são sucessores do apóstolo Pedro, daí concluem que Jesus fundou a igreja católica romana. Ora, tal conclusão baseia-se na errada interpretação que a igreja católica faz de Mt 16, 18, de fato:

  a)   Em Mateus 16, 18 Jesus não se referiu a Pedro, mas a confissão de Pedro em Mt 16, 16: tu és o Cristo filho do Deus vivo.

 Resposta: Para a afirmação que diz ser a pedra a confissão de Pedro não se encontra no texto nenhuma base, trata-se de uma interpretação totalmente descontextualizada. Nada no texto conduze-nos a ela.

 De fato, Todo o contexto de Mt 16, 18 versa em torno da pessoa de Pedro. É diretamente a Pedro que Jesus dirige as palavras: Bem-aventurado és tu... Te revelou ... Eu te digo... Tu és... Foi o nome de Pedro que Jesus mudou (cumprindo a promessa feita em João 1, 42) e é a este nome mudado que Jesus alude, interpretando-o, conforme o costume bíblico: como sinal de uma tarefa confiada, para conferir solenemente uma missão (a Abraão em Gn 17,5; a Jacó em Gn 32, 29). Neste caso a Pedro, a saber, de ser a pedra fundamental sobre a qual iria construir a sua Igreja... Pedro=Pedra. Ademais, Cristo usou constantemente o pronome pessoal “tu”: tu és Pedro. E como o próprio nome do pronome indica ele é usado (dirigido) a uma pessoa e não a uma confissão. Ou Jesus estava se referindo a Pedro ou não cumpriu a sua promessa citada por João 1, 42 o que seria impossível, por conseguinte, afirmar o contrário não passa de uma blasfêmia contra o salvador.

   Convém saber que Jesus falava aramaico. Ora, em aramaico Pedro (Kephas,Cefas) significava “pedra, rocha”, e não tinha nenhuma diferença verbal entre Pedro e Pedra, sendo assim o que Jesus disse a Simão (Pedro) foi: tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Fica claro que Jesus neste texto promete construir (edificar) a sua Igreja sobre a rocha (Pedra) que é Pedro.

  A promessa feita por Cristo a Pedro em Mateus 16, 18-19 Jesus a realizou realmente após a sua ressurreição, segundo João 21, 15-17 Cristo confiou a Pedro o pastoreio de todo o seu rebanho (de toda a sua Igreja). A imagem de pastor designa na sagrada escritura o messias e a sua obra (Cf. Mq 2, 13; 4, 6-8; 5, 3; Sf. 3, 19; Jr 23, 3; 31, 19; Is 30, 11; 49, 9-10; Ez 34, 7-24; 37, 23-35; Zc 11, 7-9; Mt 18, 12; Lc 15, 4; Jo 11, 11-16). Ora, confiando a Pedro a missão de pastor de toda sua Igreja, Jesus o constituiu seu vigário na terra, o chefe visível da sua Igreja, a Pedra (o fundamento visível) da mesma. De fato, o verbo apascentar (Poimáino) que é traduzido do original grego tem o sentido de: Governar, dirigir com autoridade (Cf. 2° Sm 5, 2; Ez 34, 25-24; Mq 5, 2-4 ...).

 Ora, se a pedra sobre a qual se constrói um edifício tem por finalidade dar-lhe a solidez (e é por isso que Jesus logo acrescenta: e as portas do inferno não prevalecerão contra ela Mt 16, 18). É claro que ela deve durar quanto tempo durar o edifício, se a pedra que sustenta desaparece o edifício estar sujeito à ruína, a desaparecer. Deste modo, a função que Jesus confiou a Pedro não podia de forma alguma limitar-se a este apóstolo: Como poderia ele por sua atuação passageira e transitória, como é a vida de todo homem, sustentar, governar e chefiar a Igreja de tal modo que ela permanecesse firme e estável até o fim do mundo, Cf. Mt 28,20?

    Portanto, é claro, é lógico, já que a Igreja de Jesus vai durar até o fim do mundo, que Pedro como chefe da Igreja, havia de ter sucessores: Pessoas que ficassem em seu lugar continuando a sua missão. E como prova a história eclesiástica (da Igreja primitiva) os papas (bispos de Roma) são os legítimos sucessores de S. Pedro. E, portanto, assim como S. Pedro é o chefe visível da Igreja que Jesus fundou.

    De fato, os documentos históricos vindos desde os primeiros séculos do cristianismo confirmam o nome de cada papa desde S Pedro, citamos Três exemplos entre vários:

  Irineu de Lião na obra contra as heresias escrita por volta de 180 D.C. Dar uma lista dos papas até aquela época.

  Temos a lista das sucessões de S Pedro até o Papa Felix III (492) apresentada no LIBER PONTIFICALIS, escrito no Século VI.

  Santo Agostinho (354-430) já argumentava contra os hereges donatistas:” A autoridade da Igreja Católica se afirma na sucessão “ININTERRUPTA” dos Bispos desde a mesma sé de Pedro até o presente episcopado”, ou seja, desde S Pedro 1° Papa até o Papa que no seu tempo regia a Igreja. Cf. Contra Faustum, XI, 2.

   Nestes testemunhos vemos claramente que os primeiros cristãos tinham na sucessão apostólica o modo para saber diferenciar a Igreja de Cristo de uma seita, ou seja, que a Igreja verdadeira, a única fundada por Jesus Cristo vem do tempo dos apóstolos através da sucessão ininterrupta de seus bispos, e que a única Igreja que tem essa sucessão é a Igreja Católica Apostólica Romana. Portanto, os protestantes que negam que os Papas (Bispos de Roma) são os sucessores de S Pedro são aqueles que nunca leram os documentos dos primeiros séculos do cristianismo ou tentam falsificá-los.

b)   Em Mt 16, 18 Jesus não constituiu Pedro como a pedra fundamental da Igreja porque a bíblia diz que Jesus sim, é que é a pedra fundamental da Igreja cf.Mt 21, 42; Atos 4, 11; 1° Pd 2, 7...

RESPOSTA: É o caso de perguntar ao protestante que faz tal objeção: Quer dizer então que Deus (Jesus) fica privado, perde algum atributo e dignidade que ele tem por essência e natureza própria quando o concede às suas criaturas? Se responder não, é o primeiro a contestar (refutar) a sua própria objeção, se responder sim, contradiz a própria palavra de Deus como veremos a seguir. Ora, a Igreja Católica nunca negou que Jesus è a pedra principal e fundamental da Igreja. A questão é se Pedro foi constituído por Cristo como Pedra (fundamento visível) da sua Igreja, como começa negando a própria objeção sem o mínimo fundamento bíblico. Vejamos:

   Em João 8, 12 Jesus disse: ”eu sou a luz do mundo”, seguindo a mesma regra da objeção protestante, concluiremos que nenhum apóstolo é ou pode ser luz do mundo, porém, contra tal interpretação em Mateus 5, 15 o próprio Jesus Cristo falando dos apóstolos disse: ”vós sois a luz do mundo”. Assim como não há contradição no fato de Jesus sendo a luz do mundo fazer de “todos” os apóstolos luz do mundo, menos ainda há contradição no fato de Jesus sendo a pedra principal e fundamental da Igreja, fazer (constituir) “um” dos apóstolos-S. Pedro, pedra fundamental da Igreja.

   Assim como não há contradição entre Jesus luz do mundo e apóstolos luz do mundo também não há contradição entre Jesus pedra fundamental da Igreja e Pedro pedra fundamental da Igreja. Há luz do mundo e luz do mundo como pedra fundamental da Igreja e pedra fundamental da Igreja, porém, cada um é luz do mundo e pedra fundamental da Igreja a seu modo.

  Jesus é luz do mundo por essência, Por natureza, por brilho próprio, como a fonte, os apóstolos são luz do mundo por missão, por participação, como reflexo da grande luz e sol da justiça que é Cristo.  Jesus é pedra fundamental da Igreja por essência e natureza própria, pedra primária e principal cuja solidez repousa inabalável todo o edifício do cristianismo. Pedro é pedra fundamental da Igreja  por vontade de Cristo, por missão e por participação.

Encontramos no Evangelho de São Marcos a seguinte afirmação de Nosso Senhor:
“Só Deus é bom." (Mc 10,18)
Seguindo a mesma regra da objeção não há nada de bom na criação e, muito menos, bons homens, porque disse Cristo que somente Deus é bom? Impossível! Não há como admitir tamanha bobagem protestante.
 Evidentemente, só Deus é bom no sentido de que Ele é a própria bondade e a fonte de todo bem. Mas essa verdade não exclui a bondade existente nas coisas criadas: “Pois tudo o que Deus criou é bom". (ITm 4, 4). Segundo tal objeção nenhum homem pode ser chamado de bom ou ser bom! Entretanto, a bíblia diz: “vosso pai que está nos céus, faz o sol nascer sobre bons e maus” (Mt 5, 45), “ O homem bom do seu bom tesouro tira coisas boas” (Mt 12, 35).

  Novamente temos Bom e bom, assim como há Luz e luz. E por que não duas pedras? Na verdade é uma necessidade que se justifica. Pedro, sendo humano, fraco e limitado como todo homem, também necessitava de um apoio, um firme sustento que o conservasse inabalável como chefe supremo da Igreja. Ora, uma rocha só pode sustentar algo se ela também estiver cravada em local firme. Por isso Cristo sustenta Pedro que por sua vez sustenta a Igreja. Logo, Cristo também sustenta a Igreja, de uma maneira mais elevada e firme que S. Pedro. Poderíamos citar vários outros exemplos para mostrar o contrassenso e falta de fundamento da objeção protestante.

  Ao fazer de Pedro o fundamento visível da Igreja, Jesus não deixa de ser o fundamento invisível, e mais profundo da mesma (1° Cr 3, 11). Também ao entregar as chaves a Pedro, Jesus continua a possuir a chave que abre e fecha definitivamente (Apoc 3, 7); Os poderes de Pedro provêm de Cristo, e são exercidos com a assistência do próprio Cristo – Aliás, não esqueçamos que Jesus fez de seus discípulos “a luz do mundo” (Mt 5, 14), sem deixar de ser ele mesmo a luz primeira e fonte total ( ver Jo 8, 12; 9, 5; 12, 46 ).

  Perguntamos aos protestantes: se a pedra fundamental da Igreja em Mt 16, 18-19 não era Simeão, por que, então, mudou Cristo seu nome para Céfas que quer dizer Pedra? Porventura, os nomes impostos por Deus são palavras vazias, figura sem significado, sombra sem realidade?

   c) Se em Mt 16, 18 a pedra fundamental tivesse sido Pedro, Jesus dirigindo-se a ele teria dito: sobre “essa” pedra”, mas não, certamente apontando para si mesmo disse: sobre “esta” pedra. Pois essa se refere a algo que pode estar distante de quem fala e esta se refere a algo que pode estar perto de quem fala.

RESPOSTA: Quem faz tal objeção esquece que o idioma que ensina essa verdade em relação à palavra esta é o nosso Português. E a bíblia não foi escrita em português, mas traduzida para o mesmo. Ora, a palavrinha grega em questão é Táfti e significa “esta”, mas é também usada para dizer “essa”: tranquilamente. O grego, neste caso não é tão exato quanto o português. “Quem te deu esta autoridade?” traduz, pedantemente, a bíblia portuguesa de João ferreira de Almeida, revista e atualizada (Cf. Luc 20, 2), no entanto, qualquer gramática nos diz que ai a tal palavrinha corresponde a “essa”: “essa autoridade”. O mesmo acontece com a voz vinda do céu, na ocasião do batismo de Jesus (Mt 3, 17) e na transfiguração (Mt 17, 5). Texto grego, naturalmente. (Cf. Bate –Papo com um crente, pág 78, dicionário apologético, do Padre Lino Simonelli-PIME).

  Ao contrário do que diz a objeção, o divino mestre empregou o adjetivo demonstrativo enfático ESTA (esta pedra) para designar que ele falava somente e diretamente a Pedro. Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Sobre que pedra Jesus edificaria a sua Igreja? Sobre ESTA. ESTA qual? A que acabara de fala a pouco: TU ÉS PEDRA, a única que aparece em toda perícope de Mt 16, 18-19.

  Esta verdade é confirmada pela conjunção copulativa “e” usada por Jesus antes da frase “sobre esta pedra” (e sobre esta pedra). A conjunção copulativa ”e” demonstra inegavelmente que a PEDRA do segundo membro é a mesma do primeiro. Se assim não fosse, em vez dela se impunha a adversativa “mas”. Cristo teria dito assim: mas sobre esta pedra. (Cf. O Papado é Instituição Divina, pág. 30, 1° edição, Geraldo E. Dallegrave, edições Loyola).

  Mas insisti a teimosia e ignorância protestante: O demonstrativo "esta", está no gênero feminino e pertence gramaticalmente e logicamente à palavra Pedra, que o segue imediatamente, não tem relação com a palavra antecedente Pedro no próprio do gênero masculino.(Cf. Protestantismo e romanismo, de Lysanias de Cerqueira Leite: resposta ao pé da letra à obra de Leonel Franca, página 92).

  Ora, todos os gramáticos de valor ensinam que o adjetivo concorda com o substantivo em genero, número e caso, sem que desta concordância se possa inferir que um demonstrativo não demonstra o que demonstra.

  Encontra-se esta frase: Eis a Bahia de Guanabara; neste porto magnífico pode ancorar a maior esquadra do mundo. Intervém a gramática do Dr. Lysanias: "Neste porto" não tem relação alguma com a expressão antecedente- porque "neste"  está no gênero masculino e Guanabara é nome próprio do gênero feminino, de agora em diante, deverá construir-se o período da seguinte forma:Eis a Bahia de Guanabara, nesta porto magnífica ...Há! Como hão de lamentar indignados a maioria dos grandes e reconhecidos gramáticos! (Cf. O Protestantismo Brasileiro, páginas 175-176, do Padre Leonel Franca, editora vozes).

  O Sr. Lysanias não reconhecendo a sua ignorância a prolifera cada vez mais: O Novo testamento grego é que deve interpretar o sentido aramaico da palavra Cefas, e isso é o que faz ao dizer que Cefas quer dizer Pedro (Jo 1, 42) não Pedra, Rocha. Porque temos que aceitar o que está escrito no idioma em que  o Espírito Santo transmitiu a revelação divina. Cf. Sr. Lysanias ... Idem, página 76.

  Resposta: Quer dizer que quando sobre uma redação derivada surge uma sombra de dúvida (ou se quer entender o verdadeiro sentido) o melhor meio é afastar o texto original e primitivo? Aí está uma regra de exegese inédita, porém, ineficaz! O original do evangelho de S Mateus, divinamente inspirado, foi escrito em aramaico, e a perícope de Mt 16, 18-19 é em todo o evangelho, o trecho, que em menos palavras, tem o maior número de semitismo, nenhum como este, aramaiza tanto.

  E ainda prescindindo desta questão, a objeção reduz-se ao seguinte: Cristo chamou Cefas a simão, Cefas significa Pedra, Rocha sem nenhuma diferença verbal, sem sofrer a menor alteração. mas Jesus não escolheu bem seus termos, não soube se expressar, o que ele queria era chamar simão de seixo, calhau, pedrinha. Mais tarde o Espírito Santo interveio e através dos discípulos que escreveram o evangelho emendou a mão: sugeriu em grego um termo que corrigisse o original e as palavras mal escolhidas por Cristo.

  Neste caso Jesus teria prometido o Espírito Santo não para ensinar os apóstolos e discípulos, mas para corrigir as palavras mal usadas e usadas erradamente por ele mesmo. Que blasfêmia imaginar o Espírito Santo corrigindo Jesus que é a própria verdade, é o mesmo que imaginar a verdade contradizendo a verdade. Quem faz tal objeção não sabe ou esquece que no aramaico, língua que Jesus falava, a palavra Cefas significa unicamente Pedra ou rocha, portanto, o que Cristo disse a Simão foi: tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

  Entre os helenistas foi Cefas chamado de Petros, porque no grego os nomes próprios terminam em as, es, is, os, us. A diferença, pois, existente na versão grega, não tem outro motivo senão uma necessidade linguística, no grego Petros=Pedra, Rocha, adapta-se melhor à designação de um homem, mas a diversidade de gênero não eliminou a significação originária de pedra.

  Pergunto: Escritores gregos chamaram a Simão de Petros (Pedro) , quiseram ou puderam com isto eliminar a significação do nome imposto por Cristo a Simão: Cefas=Rocha, Pedra? Responder positivamente é colocá-los contra Cristo. (Cf. Leonel Franca, Idem, páginas 164. 177-178).

    d) O original grego da Bíblia em Mt 16,18 faz uma distinção léxica entre Pedro (petros) e pedra (petra). Entende-se por Pedro uma pedra pequena enquanto que Petra é uma grande e imóvel pedra, um sólido rochedo. Conclusão: Pedro não pode ser a pedra que Jesus refere, porque é lógica que uma pequena pedra não é uma grande e sólida rocha, cf: Qual a Igreja verdadeira? pág 93.

RESPOSTA:

Quem é a Pedra: Jesus ou Pedro?

Por Karl Keating
O diálogo a seguir ilustra muito bem um debate entre um católico e um protestante quando este argumenta que a “Pedra” citada por Jesus em Mt 16,18 jamais poderia referir-se a Pedro, mas sim ao próprio Jesus, uma vez que as Sagradas Escrituras em muitas passagens identifica Jesus como a “rocha”, a “pedra angular”.

O fato de Jesus aplicar a Pedro uma figura (metáfora) que a Bíblia exaustivamente aplica a Jesus, bem mostra a intenção de Jesus em fazer de Pedro um representante de Cristo na terra. Vamos, então, ao diálogo:

Protestante:

Em grego, a palavra para pedra é petra, que significa uma rocha grande e maciça. A palavra usada como nome para Simão, por sua vez, é petros, que significa uma pedra pequena, uma pedrinha.

Católico:

Na verdade, todo este discurso é falso. Como sabem os conhecedores de grego (mesmo os não católicos), as palavras petros e petra eram sinônimas no grego do primeiro século. Elas significaram “pequena pedra” e “grande rocha” em uma velha poesia grega, séculos antes da vinda de Cristo, mas esta distinção já havia desaparecido no tempo em que o Evangelho de São Mateus foi traduzido para o grego. A diferença de significados existe, apenas, no grego ático, mas o NT foi escrito em grego Koiné – um dialeto totalmente diferente. E, no grego koiné, tanto petros quanto petra significam “rocha”. Se Jesus quisesse chamar Simão de “pedrinha”, usaria o termo lithos. (para a admissão deste fato por um estudioso protestante, veja D. Carson, The expositors Bible Commentary [Grand Rapids: Zondervan, 1984], Frank E. Gaebelein, ed., 8: 368).

Porém, ignorando a explicação, insiste o protestante:

Vocês, católicos, por desconhecerem o grego, pensam que Jesus comparava Pedro à rocha. Na verdade, é justamente o contrário. Ele os contrastava. De um lado, a rocha sobre a qual a Igreja seria construída: o próprio Jesus (“e sobre esta PETRA edificarei a Minha Igreja”). De outro, esta mera pedrinha (“Simão tu és PETROS”). Jesus queria dizer que ele mesmo seria o fundamento da Igreja, e que Simão não estava sequer remotamente qualificado para isto.

Católico:

Concordo que devemos ir do português para o grego. Mas, com certeza, você concordará que, igualmente, devemos ir do grego para o aramaico. Como você sabe, esta foi a língua falada por Jesus, pelos apóstolos e por todos os judeus da Palestina. Era a língua corrente da região.

Muitos, talvez a maioria, soubessem grego, pois esta era a língua franca do Mediterrâneo. A língua da cultura e do comércio. A maioria dos livros do NT foi escrita em grego, pois não visavam apenas os cristãos da Palestina, mas de outros lugares como Roma, Alexandria e Antioquia, onde o aramaico não era falado.

Sabemos que Jesus falava aramaico devido a algumas de suas palavras que nos foram preservadas pelos Evangelhos. Veja Mt 27,46, onde ele diz na cruz, “Eli, Eli, Lama Sabachtani”. Isto não é grego, mas aramaico, e significa, “meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”

E tem mais: nas epístolas gregas de S. Paulo (por 4 vezes em Gálatas e outras 4 vezes em 1Coríntios), preservou-se a forma aramaica do novo nome de Simão. Em nossas bíblias, aparece como Cefas. Isto não é grego, mas uma transliteração do aramaico Kepha (traduzido por Kephas na forma helenística).

E o que significa Kepha? Uma pedra grande e maciça, o mesmíssimo que petra. A palavra aramaica para uma pequena pedra ou pedrinha é evna. O que Jesus disse a Simão em Mt 16,18 foi “tu és Kepha e sobre esta kepha construirei minha igreja.”

Quando se conhece o que Jesus disse em aramaico, percebe-se que ele comparava Simão à rocha; não os estava contrastando. Podemos ver isto, vividamente, em algumas versões modernas da bíblia em inglês, nas quais este versículo é traduzido da seguinte forma: ‘You are Rock, and upon this rock I will build my church’. Em francês, sempre se usou apenas pierre tanto para o novo nome de Simão, quanto para a rocha.

Protestante:

Se kepha significa petra, porque a versão grega não traz “tu és Petra e sobre esta petra edificarei a minha Igreja”? Por que, para o novo nome de Simão, Mateus usa o grego Petros que possui um significado diferente do petra?

Católico:

Porque não havia escolha. Grego e aramaico têm diferentes estruturas gramaticais. Em aramaico, pode-se usar kepha nas duas partes de Mt 16,18. Em grego, encontramos um problema derivado do fato de que, nesta língua, os substantivos possuem terminações diferentes para cada gênero.

Existem substantivos femininos, masculinos e neutros. A palavra grega petra é feminina. Pode-se usá-la na segunda parte do texto sem problemas. Mas não se pode usá-la como o novo nome de Simão, porque não se pode dar, a um homem, um nome feminino. Há que se masculinizar a terminação do nome. Fazendo-o, temos Petros, palavra já existente e que também significava rocha.  Mas, em grego, era o melhor que poderia ser feito.

Além da evidência gramatical, a estrutura da narração não permite uma diminuição do papel de Pedro na Igreja. Veja a forma na qual se estruturou o texto de Mt 16,15-19. Jesus não diz: “Bendito és tu, Simão. Pois não foi nem a carne nem o sangue que te revelou este mistério, mas meu Pai, que está nos céus. Por isto, eu te digo: és uma pedrinha insignificante, e sobre a rocha edificarei a minha Igreja. … Eu te darei as chaves do reino dos céus.”

Ao contrário, Jesus abençoa Pedro triplamente, inclusive com o dom das chaves do reino, mas não mina a sua autoridade. Isto seria contrariar o contexto. Jesus coloca Pedro como uma forma de comandante ou primeiro ministro abaixo do Rei dos Reis, dando-lhe as chaves do Reino. Como em Is 22,22, os reis, no AT, apontavam um comandante para os servir em posição de grande autoridade, para governar sobre os habitantes do reino. Jesus cita quase que verbalmente esta passagem de Isaías, o que torna claríssimo aquilo que Ele tinha em mente. Ele elevou Pedro como a figura de um pai na família dos cristãos (Is 22,21), para guiar o rebanho (Jo 21,15-17). Esta autoridade era passada de um homem para outro através dos tempos pela entrega das chaves, que se usavam sobre os ombros em sinal de autoridade. Da mesma forma, a autoridade de Pedro foi transmitida, nestes dois mil anos, através do papado.

Para citar este artigo: NABETO, Carlos Martins: Disponível em www.veritatis.com.br/apologetica/igreja-papado/847-quem-e-a-pedra-jesus-ou-pedro

 

A exegese católica de MT 16,18-19

 

 O protestantismo histórico demorou muito tempo para reconhecer que Pedro é realmente a pedra a que o texto se refere.

Interessantes evoluções na exegese de Mt 16,18-19 ocorreram no mundo protestante desde o início do século. Muitos autores protestantes chegaram à conclusão de que Pedro é de fato a pedra que Jesus refere. Renomados teólogos protestantes como Oscar Cullman e Herman Ridderbos escreveram volumosos tratados detalhando finamente a exegese de Mt 16,18, mostrando que a interpretação protestante clássica é cheia de deficiências e falsas conjecturas. Um dos maiores erros apontados por estes autores é a hipótese protestante de que o original grego da Bíblia em Mt 16,18 faz uma distinção léxica entre Pedro (petros) e pedra (petra). Entende-se por Pedro uma pedra pequena enquanto que Petra é uma grande e imóvel pedra, um sólido rochedo. Conclusão: Pedro não pode ser a pedra que Jesus refere, porque é lógico que uma pequena pedra não é uma grande e sólida rocha. Com as recentes descobertas da etimologia grega, entretanto, estudiosos protestantes entenderam que Petrus e petra são verdadeiramente termos intercambiáveis. Ainda que desejasse colocar um jogo de palavras, o autor do Evangelho estava simplesmente limitado pelo fato de que, sendo Pedro um nome masculino, deveria ser designado por outro nome grego no masculino - Petrus - enquanto que Petra é um substantivo feminino.

O grego, entretanto, não foi a língua original do Evangelho de Mateus, pois muitos Padres da Igreja (Irineu, Eusébio, Jerônimo, Epifânio e etc.) indicam que o Evangelho de Mateus fora originalmente escrito em hebraico/aramaico. A versão grega de Mateus deve, portanto, ser a tradução do original hebraico. Ainda, sabe-se que Jesus falava em um dialeto hebraico chamado aramaico. E isto é muito significante, porque o aramaico não possui formas diferentes para "Pedro" e "pedra" como possui a língua grega, tendo sido utilizada a forma "kepha" (traduzido como "Cefas" em Jo 1,42, onde Jesus, falando em aramaico, compara kepha com o grego petrus). Também é interessante notar que "Simão" em aramaico significa "grão de areia". Se petrus está se referindo somente a uma pequena pedra, como dizem alguns protestantes, não haveria sentido Jesus ter trocado seu nome de "grão de areia" para "pequena pedra", o que contrasta fortemente com a monumental mudança e evolução do perfil de Pedro atestanto em Jo 1,42 e Mt 16,18.

Mesmo que o grego não tenha sido a língua em que Mateus escrevera seu Evangelho, pode ser demonstrado que pelo uso do grego bíblico que petra não se refere somente a uma grande e firme rocha. Também pode se referir a outras formas ou mesmo a pequenas rochas. Por exemplo, em Rm 9,33 e em 1 Pd 2,8 a palavra grega "lithos" (pequena pedra) está ligada a petrus na imagem de fazer um homem tropeçar e cair. O verso do Antigo Testamento de onde estes são retirados é de Is 8,14: "Ele será um santuário e uma pedra contra a qual se esbarra, um rochedo em que se tropeça". A imagem é a de um homem que caminha, tropeça em uma pedra ou uma pequena rocha e então cai no chão. Não se parece com a imagem de uma grande rocha vinda em sua direção ou aparecendo no seu caminho. Paulo se refere ao tropeço em Rm 9,32, e ninguém poderia tropeçar em uma grande e maciça rocha.

Consequentemente, sendo que petrus e petra podem se referir tanto a uma pequena como uma grande pedra, é provável que Jesus não esteja preocupado em matéria de tamanho quando chama a Pedro de pedra, mas estar se referindo à solidez.

Este raciocínio se sustenta pela parábola de Mt 7,24-27 sobre o homem que constrói sua casa sobre a areia em contraste com o que a constrói sobre a rocha. Sobre o "grão de areia" (Simão) a Igreja não se sustentaria, mas sobre a "rocha" (Pedro) será firme.

Por causa desta e de outras descobertas, está se tornando cada vez mais raro encontrar um pensador protestante que não aceite a visão católica de Mt 16,18.

E estes protestantes se converteram? Alguns sim, mas dentre outras coisas, o que mais existe de dificuldade para estes protestantes é a capacidade deste ofício de Pedro ser transmitido adiante. Para explorar esta questão, recorremos mais uma vez à língua grega.

Existem nuances no grego que são mais ilustrativas em identificar Pedro com a pedra que não existem no hebraico/aramaico. Por exemplo, o grego para "sobre esta pedra" usa a forma "tautee" - adjetivo demonstrativo de desinência dativa - com o adjetivo dativo "tee". Para demonstrar a força de sua qualidade demonstrativa, a palavra grega pode ser traduzida por "esta mesma" ou "justamente esta" "igualmente esta". Assim, as palavras de Mt 16,18 podem ser lidas como "...Tu és Pedro e sobre esta mesma pedra edificarei a minha Igreja..." ou "...Tu és Pedro e exatamente sobre esta pedra edificarei a minha Igreja...".

Para perceber que a frase grega pode ser utilizada desta mesma forma, basta utilizar uma tradução protestante do Novo Testamento. Por exemplo, na King James, a mesma construção dativa é traduzida por "a mesma" ou "esta mesma" como em 1 Cor 7,20 ("Cada um permaneça na mesma condição em que fora chamado"). Também pode ser traduzindo como "nesta mesma", como em Mc 14,30 ("Neste dia, ainda nesta mesma noite...me negarás três vezes"). A NASB (New Americam Standard Bible) traduz este adjetivo demonstrativo como "este exato" em Lc 12,20 ("...Nesta exata noite exigirão de ti a tua alma"). A mesma forma se encontra na NIV (New International Version) e na NEB (New English Bible). A RSV (Revised Standard Bible) e a NASB traduzem esta construção dativa como "nesta mesma" como ocorre em At 27,23 ("...Nesta mesma noite apareceu-me um anjo de Deus"). Existem outros exemplos em traduções protestantes, mas estas se mostram suficientes para demonstrar que é muito provável, de fato, e mais correto, traduzir Mt 16,18 mais enfaticamente do que na sua forma usual. Além do mais, o que se deve prestar atenção não é só no que o autor disse, mas no que ele não disse. Ele não disse "sobre A pedra" ou "sobre UMA pedra", o que tornaria muito mais ambígua a identificação da pedra em questão. A intenção demonstrativa demonstrada pelo uso do grego "tatuee" torna claro que a pedra que Jesus refere é exatamente a pedra a quem ele havia se referido, isto é, Pedro.

RCH Lenski, um comentarista luterano renomado, sugere que Jesus poderia ter dito "Tu és Pedro, e edificarei minha Igreja sobre ti" se quisesse se referir a Pedro. Isto é plausível, mas existem várias maneiras de se dizer a mesma coisa nas diversas línguas humanas.

Entretanto, Lenski evita o gênero histórico e literário em sua sugestão. Os apóstolos estavam nas vizinhanças de Cesaréia de Felipos, que é constituída de maciças formações rochosas naturais. Jesus já havia alterado o nome de Simão para Pedro (Jo 1,42). Jesus e Pedro tiveram uma intensa conversa na qual trocaram títulos (Mt 16,13-18).

Somente a Pedro Jesus deu as Chaves do Reino (Mt 16,19). Que modo mais profundo haveria de ser para atestar a declaração de Pedro como a pedra?

De fato, muitos protestantes percebem tamanha força contida neste gênero que alegam, na tentativa de anular a visão católica, que a passagem de Mt 16,18-19 não é autêntica.

Ironicamente, em uma carta parabenizando o teólogo católico Hugo Ranher sobre a sua grandiosa crítica ao livro de Hans Küng questionando a infalibilidade papal, Bultmam disse: "Quão afortunado você deve ser para apelar para o Papa. Apelar para os sínodos luteranos somente leva a mais desunião".

Aos protestantes que já aceitam a interpretação católica de Mt 16,18-19 basta apenas entender a capacidade deste primado ser sucedido.

A lógica irá ditar que, se Jesus concedeu autoridade a Pedro sobre certas questões (isto é, o deu as chaves, que denotam autoridade e poder), esta autoridade deveria naturalmente permanecer no seio da Igreja.

Jesus nada faz sem planejar para o futuro. Senão, que sentido haveria em Jesus ter decretado tamanha autoridade a Pedro se não soubesse que após a morte do discípulo ela deveria permanecer?

Imaginem os relatores da constituição dos EUA criando o cargo de presidente e elegendo George Washington como seu primeiro ocupante, enquanto todos refletiam que o cargo seria dissolvido após a morte de Washington. Isto é uma proposição extremamente absurda. Seriam os relatores da Constituição mais espertos que Jesus? Com certeza não. Eles estavam apenas imitando o que já acontecia ao longo da história - que uma pessoa assume o poder, mas passa adiante seu ofício após sua retirada. Mas isto é um grande assunto que requer ainda maiores análises...

Robert A. Sungenis lecionava aulas de rádio de teologia protestante e se converteu ao catolicismo em 1992.

Tradução do Veritatis Splendor por Rondinelly Ribeiro. Disponível em:

www.veritatis.com.br/apologetica/igreja-papado/823-a-exegese-catolica-de-mt-1618-19

Estude este profundo e rico debate em defesa do primado de são Pedro, com o título:"Desmascarando mentiras de um pretenso doutor" ( 1, 2  e final ), onde através do qual você conhecerá  resumidamente alguns argumentos irrefutáveis do grande apologista católico "pe. Leonel franca"  na seção: Igreja Catolica, do site: larcatolico.webnode.com.br/news/igreja-catolica/  é bom e útil que leia todos os estudo da seção, pois abordam o mesmo assunto aprofundando-o e o enriquecendo cada vez mais.

caso queira maior aprofundamento não apenas a respeito do assunto, mais de toda controvérsia:" Protestantismo contra Catolicismo" é bom e útil que baixe e leia em Pdf os seguintes  livros do Padre Leonel Franca : A Igreja, A reforma e a Civilização, Catolicismo e Protestantismo, O protestantismo no Brasil, O livro Legitima interpretação da bíblia, de Lúcio Navarro. Ambos se encontram na seção Biblioteca, assunto apologética, do site:

 obrascatolicas.com/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=46&Itemid=53  se  possível leia também todas as obras de apologética catolica da seção (nem que sejam apenas as disponíveis em português) melhor ainda para enriquecer seu conhecimento.

VEREMOS NOS DOIS ESTUDOS ABAIXO QUE TEÓLOGOS, EXEGETAS, POLIGLOTAS E ERUDITOS PROTESTANTES ADMITEM QUE A INTERPRETAÇÃO CATÓLICA DE MATEUS 16, 18-19 É BIBLICAMENTE A VERDADEIRA.

TESTEMUNHOS DE TEÓLOGOS... E ESTUDIOSOS PROTESTANTES, PARTE A

Mateus 16, 18: Estudiosos protestantes Adversus protestantes

 Fonte: Apologistas Católicos

INTRODUÇÃO


  Como sabemos, é costume protestante afirmar que a Pedra mencionada por Jesus em Mateus 16, 18, não era o próprio apóstolo Pedro. Já vimos aqui em outra matéria a análise grega do texto (ser visto aqui) e a analise de como os primeiros cristãos interpretavam a passagem (Podem ser vistas aquiaqui eaqui). Apesar disto, muitos protestantes ainda teimam em argumentar que Pedro era um “pedregulho” ou “pedrinha” e não a própria Pedra mencionada por Jesus. Baseado nisto, resolvi não mais usar meus argumentos para mostrar aos protestantes qual a interpretação da passagem, e sim mostrar a interpretação de outros célebres conhecedores do grego, primeiro fizemos de São Jerônimo, um dos mais renomados estudiosos e tradutores do grego da história cristã (pode ser vista aqui), depois partimos para os Padres Gregos (pode ser vista aqui), pois nada é melhor do que mostrar os teólogos que tinha o grego koiné como língua materna, e agora na ultima desta série, partiremos para mostrar aos protestantes o que estudiosos, biblistas e exegetas protestantes tem a dizer. Fiz uma seleção dos mais conhecidos e usados estudiosos protestantes. Vamos então ver o que estes tem a nos dizer do texto grego:

“κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος, καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ οἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν καὶ πύλαι ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς.

 

ESTUDIOSOS PROTESTANTES SOBRE MATEUS 16, 18


 

 NÃO HÁ DISTINÇÃO ENTRE “PETROS” E “PETRA”

Gostaria de mostrar, primeiro, um dos dicionários do Novo Testamento mais conhecidos entre os protestantes da atualidade,  o dicionário de James Strong, na sua definição da tradução de PETRA ele diz o seguinte em inglês:

“(4073) pe>tra, — pet’-ra; feminine of the same as Pe>tros (4074); a (mass of) rock (literal or figurative): — rock.”

Tradução:

“(4073) p e t r a, – pet’-ra; feminino do mesmo que P e t r o s, um (massa) rocha (literal ou figurado): – rocha.”

Ora, um dos mais renomados dicionários protestantes da atualidade diz que PETRA e PETRUS são as mesmas coisas e que petra é o feminino de Petrus e ainda aparecem nos protestantes para dizer-nos que PETRUS é pedrinha? Quem desejar conferir no próprio dicionário protestantes pode acessar este link abaixo e verificar:

http://www.htmlbible.com/sacrednamebiblecom/kjvstrongs/FRMSTRGRK40.htm

Vamos a mais 5 estudiosos protestantes para mostrar que não há diferença nenhuma entre as palavras.

Em aramaico ‘Pedro’ e ‘Rocha’ são a mesma palavra, em grego (aqui), são termos cognatos que foram usados ​​indistintamente por este período.” (Craig S. Keener, The IVP Bible Background Commentary New Testament, (Downer’s Grove, IL: Intervarsity Press, 1993), 90.)

“Embora seja verdade que petros e petra podem significar ‘pedra’ e ‘rocha’, respectivamente, no início grego, a distinção está amplamente confinada à poesia.” – (Frank E. Gaebelein, ed., The Expositor’s Bible Commentary: Volume 8 (Matthew, Mark, Luke), (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1984), 368.)

“Muitos insistem na distinção entre as duas palavras gregas, ‘Tu és Petros e sobre esta Petra’  sustentando que se a rocha significava Pedro, tanto petros e petra teria que ser usados usado duas vezes, e que petros significa uma pedra ou fragmento quebrado separado, enquanto petra é a rocha maciça, masessa distinção é quase totalmente confinada a poesia, a palavra comum prosa em vez de petros como sendo lithos; nem é a distinção uniformemente observada.” (John A. Broadus, Commentary on the Gospel of Matthew, (Valley Forge, PA: Judson Press, 1886), 355.)

Convido ao leitor protestante a ler este livro de John Broadus sobre o evangelho de Mateus, especificamente tudo o que diz respeito a Mateus 16, 18, é só clicar na referência que poderá ler toda a pagina online.

João Calvino contra a interpretação protestante

Nada melhor do que mostrar um pai do protestantismo, refutando a interpretação de seus seguidores:

Eu admito que em grego Pedro (Petros) e pedra (petra) significam a mesma coisa, salvo que a primeira palavra é Ático [do antigo dialeto grego clássico da região da Ática], o segundo da língua comum” (John Calvin,Calvin’s New Testament Commentaries: The Harmony of the Gospels Matthew, Mark, and Luke, vol. 2, 188.)

Veremos por ultimo agora o que diz o autor protestante Gerhard Friedrich:

“O trocadilho óbvio que tem feito o seu caminho para o  texto grego também sugere uma identidade material entre petra e Petros, tanto mais que é impossível diferenciar estritamente entre os significados das duas palavras. (Gerhard Friedrich, ed., and Geoffrey W. Bromley, trans. and ed.,Theological Dictionary of the New Testament, vol. VI, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1968), 98-99.)

Qualquer estudioso sério reconhece que Pedro é a Pedra mencionada por Jesus, apesar das alegações contrárias, e isso não foi diferente com muitos escritores protestantes que nos relatam as conclusões que veremos a baixo

“Jesus, então, está prometendo a Pedro que ele vai construir sua igreja sobre ele! Eu aceito este ponto de vista.” (William Hendriksen, New Testament Commentary: Exposition of the Gospel According to Matthew, (Grand Rapids, MI: Baker, 1973), 647.)

“Hoje em dia um amplo consenso que – de acordo com as palavras do texto – se aplica a promessa a Pedro como uma pessoa. Neste ponto teólogos liberais (HJ Holtzmann, E. Schweiger) e conservadores (Cullmann, Flew) concordam, bem como representantes da exegese católica romana.”. (Gerhard Maier, “The Church in the Gospel of Matthew: hermeneutical Analysis of the Current Debate,” trans. Harold H. P. Dressler, in D. A. Carson, ed., Biblical Interpretation and Church Text and Context, (Flemington Markets, NSW: Paternoster Press, 1984), 58)

“Pelas palavras ‘Esta pedra’ Jesus fala não a si mesmo, nem o seu ensino, nem Deus o Pai, nem a confissão de Pedro, mas o próprio Pedro” (J. Knox Chamblin, “Matthew,” in Walter A. Eldwell, ed., Evangelical Commentary on the Bible (Grand Rapids: MI: Baker, 1989), 742)

“… Se, então, Mateus 16, 18 nos obriga a assumir uma identidade formal e material entre petra e Petros, isso mostra como integralmente o apostolado, e nela a um grau especial a posição de Pedro, pertence e é essencialmente fechado dentro, a revelação de Cristo. Petros se isoo é petra, e não apenas a sua fé ou a sua confissão.” (Gerhard Friedrich, ed., and Geoffrey W. Bromley, trans. and ed., Theological Dictionary of the New Testament, vol. VI, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1968), 98-99.)

“A expressão ‘esta pedra’ quase certamente se refere a Pedro, seguindo imediatamente após o seu nome, assim como as palavras seguindo ‘o ​​Cristo’ em vs. 16 aplicado a Jesus. O jogo de palavras no grego entre o nome de Pedro (Petros) e a palavra ‘pedra’ (petra) só faz sentido se Pedro for a rocha e se Jesus estivesse prestes a explicar o significado desta identificação.” (Craig L. Blomberg, The New American Commentary: Matthew, vol. 22, (Nashville: Broadman, 1992), 251-252.)

A fundação da comunidade messiânica será Pedro, a rocha, que é o destinatário da revelação e criador da confissão (cf. Ef 2, 20). O papel significativo de liderança de Pedro é uma questão de história sóbria… O sentido claro de toda a declaração de Jesus parece concordar melhor com a visão de que a rocha sobre a qual Jesus edifica a Sua Igreja é Pedro.” (William E. McCumber, “Matthew,” in William M. Greathouse and Willard H. Taylor, eds., Beacon Bible Expositions, vol. 1, (Kansas City, MO: Beacon Hill, 1975), 125.)

“‘Tu és Pedra, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.’ Pedro é aqui retratado como a fundação da igreja.” (M. Eugene Boring, “Matthew,” in Pheme Perkins and others, eds., The New Interpreter’s Bible, vol. 8, (Nashville, TN: Abingdon Press, 1995), 345.)

“Deixe-se observar que Jesus não poderia aqui dizer pela rocha, de forma consistentemente com a imagem, porque ele é o construtor. Dizer, ‘Eu construirei’, seria uma imagem muito confusa. A sugestão de alguns expositores que em dizendo: ‘tu és Pedro, e sobre esta pedra’, ele apontou para si mesmo envolve uma artificialidade que para algumas mentes é repulsiva.” (John A. Broadus, Commentary on the Gospel of Matthew, (Valley Forge, PA: Judson Press, 1886), 356.)

“Outra interpretação é que a palavra pedra refere-se a si próprio Pedro. Este é o significado óbvio da passagem.” (Albert Barnes, Notes on the New Testament, Robert Fraw, ed., (Grand Rapids, MI: Baker, 1973), 170)

“É sobre o próprio Pedro, o confessor de sua messianidade, que Jesus vai edificar a Igreja. O discípulo se torna, por assim dizer, a pedra fundamental da comunidade. Tentar interpretar o ‘pedra’ como algo diferente de Pedro em pessoa (por exemplo, a sua fé, a verdade revelada a ele) são devido ao viés protestante, e apresentam a declaração de um grau de sutileza que é altamente improvável.” (David Hill, “The Gospel of Matthew,” in Ronald E. Clements and Matthew Black, eds., The New Century Bible Commentary, (London: Marshall, Morgan & Scott, 1972), 261)

“Alguns intérpretes têm, portanto se referido a Jesus como roccha aqui, mas o contexto é contra isso. Tampouco é provável que a fé de Pedro ou a confissão de Pedro é pretendida. Ela é, sem dúvida, o próprio Pedro,que é para ser a rocha, mas Pedro confessando, fiel e obediente.”- D. Guthrie e outros, The New Bible Commentary, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1953) [reeditado pela Inter-Varsity Press], 837.

“Não há nenhuma boa razão para pensar que Jesus mudou de Petros para petra para mostrar que Ele não estava falando do homem, Pedro, mas de sua confissão como a fundação da Igreja. As palavras ‘sobre esta pedra [petra]; na verdade se referem a Pedro.”.( Herman N. Ridderbos, Bible Student’s Commentary: Matthew, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1987), 303.)

“O jogo de palavras e toda a estrutura da passagem exige que este versículo esteja tão ligado declaração de Jesus sobre Pedro como vs. 16 foi a declaração de Pedro a respeito de Jesus. Claro que é com base na confissão de Pedro de que Jesus declara seu papel como a fundação da igreja, mas é para Pedro, e não sua confissão, que a metáfora da rocha é aplicada.”   (R. T. France, The Gospel According to Matthew, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1985), 254.)

“As freqüentes tentativas que têm sido feitas, raramente no passado, para negar isso em favor da opinião de que a própria confissão é a rocha (por exemplo, mais recentemente Caragounis) parecem estar em grande parte motivado pelo preconceito protestante contra uma passagem que é usada pelos católicos romanos para justificar o papado.” (Donald A. Hagner, “Matthew 14-28,” in David A. Hubbard and others, eds., World Biblical Commentary, vol. 33b, (Dallas: Word Books, 1995), 470.)

Nenhuma palavra é necessária para complementar a conclusão destes autores protestantes.

DUAS PALAVRAS DIFERENTES FORAM USADAS POR QUE NÃO SE PODE USAR UM SUBSTANTIVO FEMININO PARA UM HOMEM

“O grego faz a distinção entre petros e petra simplesmente porque ele está tentando preservar o trocadilho, e em grego o feminino petra não poderia servir muito bem como um nome masculino”. (Frank E. Gaebelein, ed., The Expositor’s Bible Commentary: Volume 8 (Matthew, Mark, and Luke), (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1984), 368.)

“Ao usar ambas as formas masculina e feminina da palavra, no entanto, Mateus não estar tentanto distânciar Pedro, Petros, de ‘esta pedra’, petra. Pelo contrário, o evangelista muda os sexos, simplesmente porque Simão, um macho, é dada uma forma masculina do substantivo feminino para o seu novo nome.” (James B. Shelton, letter to the authors, 21 October 1994, 1, in Scott Butler, Norman Dehlgren, and Rev. Mr. David Hess, Jesus Peter and the Keys: A Scriptural Handbook on the Papacy, (Goleta, CA: Queenship, 1996), 23.)

“O nome de Pedro (agora não deu em primeiro, mas profeticamente dado por nosso Senhor em sua primeira entrevista com Simão (João 1, 42)), ou Cefas, que significa uma rocha, a rescisão sendo apenas alterada a partir petra a Petros de acordo com a denominação masculina, denota a posição pessoal deste apóstolo na construção da Igreja de Cristo.” (Henry Alford, The New Testament for English Readers, vol. 1, (Grand Rapids, MI: Baker, 1983), 119.)

“A explicação mais provável para a mudança da Petros (‘Pedro’) para petra é que petra era a palavra normal para ‘rocha’. Porque a terminação feminina deste substantivo fez inadequada como nome de um homem, no entanto, Simão não foi chamado petra, mas Petros”. (Herman N. Ridderbos, Bible Student’s Commentary: Matthew, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1987), 303.)

“A palavra feminina para rocha, petra, é necessariamente alterada para o masculino petros (pedra) para dar o nome de um homem, mas a palavra é inconfundível (e em aramaico seria ainda mais assim, como a mesma forma kepha ocorreria em ambos os lugares).” (R. T. France, The Gospel According to Matthew, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1985), 254.)

 Os evangélicos hoje estão cada vez mais pertos da interpretação católica a qual está mais coerente com o texto, com o contexto e com o próprio restante das Escrituras. De fato, o teólogo Plummer, alegando a autoridade de outro correligionário, Briggs, resume bem a história quando diz: ”Todas as tentativas feitas para explicar a pedra sem referi-la a Pedro fracassaram vergonhosamente.” (Ap. Lebreton, La vie et l´ensignement de Jésus Christ, notre Seigneur, Paris, Beauchesne 1931, t. I, p. 428).

Os estudiosos, em geral, consideram que a interpretação a qual não considera Pedro ali como a pedra é “contorcida” (Kuinoel), “alambicada e tendenciosa” (Monnier), "inspirada pela cegueira de partido” (Schelling), “falso expediente nascido da polêmica contra Roma”. (H.A.W. Meyer). Acham também absurda essa interpretação os seguintes célebres: Zahn, Holtzmann, Wellhausen, Weiss, Jülicher, Bloomfield que representam autoridade de peso no mundo dos estudos bíblicos. É lógico, portanto, que a pedra ali referida é o que ensina e sempre ensinou a Igreja Católica: Pedro.

Uma análise minuciosa do texto vem confirmar isso. Antes de tudo, vale relembrar que o nome “Pedro” significa “pedra”, “rocha”. Isto é confirmado por todos os dicionaristas, inclusive os próprios dicionaristas evangélicos. Veja:

O “Dicionário da Bíblia” escrito por John D. Davis, pastor evangélico, livro este publicado pela Juerp, na página 461 quando comenta o nome de Pedro diz: ”Forma grega da palavra aramaica Cefas, Jo 1,42; 1 Cor 1,12; 3,22; 9,5; 15,5; Gl 1,18; 2,9.11.14 que quer dizer rocha, nome este que Jesus deu a Simão...”.

Na p.762 ele repete em outros termos: “... Jesus deu-lhe (a Pedro) o sobrenome de Cefas ou Pedro, que quer dizer Rocha, Jo 1,42.”

Também a Enciclopédia Britânica do Brasil, volume 16, da p. 8688 a 8689 no-lo confirma: “A posição de Pedro entre os discípulos é especial, pois pertence ao círculo mais íntimo dos que se ligaram a Jesus, de quem recebe o cognome de Pedro (aramaico Kepha ou Cefas, significando “Pedra, rocha”), conforme o costume judaico de caracterizar uma situação nova ou especial com um cognome... Posteriormente, sua posição passa a ser a de liderança no colégio apostólico em Jerusalém, reconhecido mesmo pelos estranhos (Mt 17,24), ocupando Pedro sempre o primeiro lugar nas listas dos discípulos mencionados nos Evangelhos sinóticos e em Atos dos Apóstolos (seu nome é citado 184 vezes no NT).”

O dicionarista Bailly coloca “pedra”, “rochedo” como os 2 únicos sentidos da palavra grega “pétros”. Assim, tanto “Kefas” no aramaico, quanto “pétros” no grego, significam “pedra”, “rocha”.

CONCLUSÃO


Se depois de todas essas matérias ainda há algum protestante que negue que Pedro era a Pedra de Mateus 16, 18 restam-nos apenas seguir o que nos ensina as Escrituras:

“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o” (Tito 3, 10)

PARA CITAR


RODRIGUES, Rafael. Mateus 16, 18: Estudiosos protestantes Adversusprotestantes. Disponível em: 

www.bibliacatolica.com.br/blog/biblia/mateus-16-18-estudiosos-protestantes-adversus-protestantes/#.U1UwClVdVd8

www.bibliacatolica.com.br/blog/doutrina-catolica/pedro-a-rocha-parte-i/#.U1UwolVdVd8

http://www.programafalandodefe.com.br/2010/e-sobre-esta-pedrarmt-1618

 

TESTEMUNHOS DE TEÓLOGOS... E ESTUDIOSOS PROTESTANTES, PARTE B


Controvérsia protestante sobre Petrus e Petra

Não obstante seja verdade que petros e petra possam significar “pedra” e “rocha”, respectivamente no grego primitivo, a distinção está amplamente confinada à poesia. Além do mais, o aramaico básico é neste caso inquestionável; e muito provavelmente kepha era empregada em ambas as cláusulas (“tu és kepha” e “sobre esta kepha”).

 A Peshitta (escrita em siríaco, língua cognata do aramaico) não faz nenhuma distinção entre as palavras nas duas cláusulas.

O Grego faz a distinção entre petros e petra simplesmente porque tenta preservar o jogo de palavras e, no Grego o feminino petra não serviria muito bem como um nome masculino… Tivesse Mateus desejado dizer não mais do que Pedro fosse uma pedra, em contraste com Jesus, a Rocha, a palavra mais comum teria sido lithos (“pedra” de quase qualquer tamanho).[1] É importante ter em mente, como bem ressaltou o Dr.Carson, o fato de que Jesus falou aos seus discípulos em Aramaico, não em Grego.[2] Ele não se refere a Simão com a palavra Grega “Petros”, ele utilizou a palavra Aramaica “kepha”, como a própria Bíblia claramente declara: E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas [kepha] (que quer dizer Pedro). (João 1:42). Cefas é simplesmente a palavra Aramaica kepha representada foneticamente em Grego. Cefas (Kepha) significa “rocha grande” em Aramaico, justamente como petra, em Grego. De modo algum significa “uma pedra pequena”. [3] No Novo Testamento, o novo nome de Simão, Cefas, geralmente era traduzido em Grego como Petros, mas por oito vezes foi simplesmente, foneticamente representado como Cefas.[4] O que, na verdade, Jesus disse, naquela ocasião foi, “Eu te digo que tu és Cefas(pedra), e sobre esta cefas(pedra) construirei minha igreja. Vale ressaltar que em Aramaico a mesma palavra aparece em ambos os lugares.

 Assim, constatamos que o histórico argumento Protestante de que Pedro não é a pedra, realmente não tem qualquer base. Na verdade, a maioria dos modernos eruditos Protestantes abandonou tal argumento, e agora concordam com a Igreja Católica de que Pedro é de alguma forma, a pedra sobre a qual Jesus construiria Sua Igreja. Como exemplo, citamos o erudito Protestante Oscar Cullman, que no Dicionário Teológico do Novo Testamento - Theological Dictionary of the New Testament, escreve:

 O original Aramaico desta passagem nos habilita a asseverar com convicção a identidade material e formal entre p tra [petra] e P tros; P tros = p tra. . . . A idéia dos Reformadores de que Ele (Jesus) está se referindo à fé de Pedro é completamente inconcebível. . . pois inexiste aqui qualquer referência relacionada à fé de Pedro. Positivamente, o paralelismo entre “tú és pedra” e “sobre esta pedra Eu construirei…” mostra que – sobre esta pedra refere-se a – tu és pedra. É desta maneira evidente que Jesus está se referindo a Pedro, a quem Ele tinha dado o nome pedra. . . . Quanto a este ponto a exegese Católico Romana é correta e todos os Protestantes que tentam escapar desta interpretação devem ser rejeitados.[5]

 O Erudito Protestante, em língua grega, Marvin Vincent escreveu:

 A palavra não se refere a Cristo nem à confissão de Pedro, mas a Pedro mesmo, . . . A referência de petra a Cristo é forçada e antinatural. A referência óbvia da palavra é a Pedro. O pronome enfático “esta” naturalmente refere-se ao antecedente mais próximo; e, além disso, a metáfora é enfraquecida, uma vez que Cristo aparece aqui, não como a fundação, mas como o arquiteto: “Sobre esta pedra construirei…”

 Novamente, Cristo é a grande fundação, a principal pedra de esquina, porém os escritores do Novo Testamento reconhecem que não há qualquer impropriedade em se aplicar aos membros da igreja de Cristo certos termos que são aplicados a Cristo. Por exemplo, o próprio Pedro (1 Pedro 2:4), chama a Cristo de pedra viva e no versículo 5, refere-se à igreja como pedras vivas.[6]

 O erudito Protestante W.F. Albright escreveu:

 Não se trata de um nome, mas um apelativo e um jogo de palavras. Não há qualquer evidencia do nome de Pedro ou Cefas ter existido antes da era cristã. . . . Pedro como Pedra será a fundação da futura comunidade, Jesus não cita o Antigo Testamento, pois aqui Ele utiliza a língua Aramaica, não Hebraica e, assim utiliza a única palavra Aramaica que serviria a seu propósito. Em vista do fundo de cena do versículo 19, deve-se rejeitar como sendo uma confissão, qualquer tentativa de ver esta pedra com o significado de fé ou como a confissão Messiânica de Pedro. Negar a preeminente posição de Pedro entre os discípulos ou na primitiva comunidade cristã é negar um fato. O interesse nas falhas e hesitações de Pedro não o detratam desta preeminência; mais exatamente, a enfatiza. Tivesse sido Pedro uma figura de menor importância seu comportamento teria causado menor consequência (cf. Gálatas 2:11 ss.).[7]

David Hill, ministro Presbiteriano na Universidade de Sheffield escreveu:

 É sobre o próprio Pedro, o confessor de seu Messianismo, que Jesus irá construir a Igreja. Tentativas de se interpretar a ‘pedra’ não se referindo a Pedro (p.ex. sua fé, a verdade revelada a ele) não passam de preconceitos protestantes conferido à declaração um grau de sutileza que se configura totalmente improvável. [8]

 As citações que se seguem são também de autoria de eruditos protestantes e foram extraídas do livro Jesus, Pedro & as Chaves: Um Manual Bíblico sobre o Papado (Scott Butler et al., (Santa Barbara, CA: Queenship Publishing), 1996).


William Hendriksen - Membro da Igreja Cristã Reformada, Professor de Literatura do Novo Testamento no Seminário de Calvino.

 O significado é, “Tu és Pedro, que é a Pedra, e sobre esta pedra, que é Pedro, Eu construirei minha igreja”. Nosso Senhor, falando Aramaico, provavelmente disse, “E Eu te digo, tu és Kepha, e sobre esta kepha Eu construirei minha igreja”. Jesus, então, esta prometendo a Pedro que sobre ele, vai construir Sua igreja! Eu aceito esta posição. (New Testament Commentary: Exposition of the Gospel According to Matthew (Grand Rapids, MI: Baker, 1973), 647.)

 Gerhard Maier – Líder evangélico conservador e Teólogo Luterano

 Atualmente, tem surgido um amplo consenso, que – de acordo com as palavras do texto – se aplica a promessa a Pedro como pessoa. Sobre esta posição liberal (H. J. Holtzmann, E. Schweiger) e conservadora (Cullmann, Flew) os teólogos concordam, bem como os representantes da exegese Católica Romana. (“The Church in the Gospel of Matthew: Hermeneutical Analysis of the Current Debate,” Biblical Interpretation and Church Text and Context, (Flemington Markets, NSW: Paternoster Press, 1984), 58.)

Donald A. Carson -III - Batista e Professor do Novo Testamento no Seminário Evangelico da Trindade (Trinity Evangelical Seminary):

Não obstante seja verdade que petros e petra possam significar “pedra” e “rocha”, respectivamente no grego primitivo, a distinção está amplamente confinada à poesia. Além do mais, o aramaico básico é neste caso inquestionável; e muito provavelmente kepha era empregada em ambas as cláusulas (“tu és kepha” e “sobre esta kepha”), uma vez que a palavra era utilizada tanto para um nome quanto para uma “rocha”.

 A Peshitta (escrita em siríaco, língua cognata do aramaico) não faz nenhuma distinção entre as palavras nas duas cláusulas. O Grego faz a distinção entre petros e petra simplesmente porque tenta preservar o jogo de palavras e, no Grego o feminino petra não serviria muito bem como um nome masculino. (The Expositor’s Bible Commentary: Volume 8 (Matthew, Mark, Luke), (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1984), 368.)

 A palavra Pedro petros, significando “pedra” (Grego 4377), é masculina, e na declaração seguinte de Jesus, Ele utiliza a palavra feminina petra (Grego 4376). Com base nesta mudança, muitos têm tentado evitar identificar Pedro como a pedra sobre a qual Jesus constrói sua igreja. Ainda, se não fosse por reações Protestantes contra interpretações extremas do Catolicismo Romano, é duvidoso se muitos teriam aceitado “pedra” significando qualquer coisa ou qualquer pessoa senão Pedro. (Zondervan NIV Bible Commentary – New Testament, vol. 2, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1994), 78.)

 John Peter Lange - erudito protestante alemão

 O Salvador, sem dúvida, usou em ambas as cláusulas a palavra Aramaica kepha (por isso o Grego Kephas aplicado a Simão, João 1.42; comparado com 1 Cor. 1.12; 3.22; 9.5; Gal. 2.9), que significa pedra e é usado tanto como um nome próprio e comum. . . . A tradução, então adequada seria: “Tu és Pedra, e sobre esta pedra”. etc (Lange’s Commentary on the Holy Scriptures: The Gospel According to Matthew, vol. 8, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1976), 293.)

 John A. Broadus – escritor Batista

 Muitos insistem na distinção entre as duas palavras Gregas, tu és Petros e sobre esta petra, sustentando que se a pedra significasse Pedro, tanto petros quanto petra teriam sido utilizadas ambas as vezes, e que petros significa uma pedra separada ou fragmento separado, enquanto petra é uma grande pedra. No entanto, tal distinção está quase que inteiramente confinada a poesia, na prosa comum, em vez de petros sendo lithos; tampouco é a distinção uniformemente observada.

Mas, a principal resposta aqui é que Nosso Senhor, sem dúvida, falou em Aramaico, [que não tinha meios conhecidos de fazer tal distinção entre o termo feminino petra e o masculino petros em Grego]. A Peshita (Aramaico Ocidental) diz, “Tu és kipho, e sobre esta kipho”.O Aramaico oriental, falado na Palestina no tempo de Cristo, deve, necessariamente ter dito de maneira idêntica, “Tu és kepha, e sobre esta kepha”. . . Beza chamava a atencão para o fato de que o mesmo acontecia no Francês: “Thou art Pierre, and on this pierre”; e Nicholson sugere que poder-se-ia dizer, “Tu és Piers (inglês antigo para Pedro), e sobre esta pier.” (Commentary on the Gospel of Matthew, (Valley Forge, PA: Judson Press, 1886), 355-356.)

 J. Knox Chamblin – Presbiteriano e Professor do Novo Testamento, no Seminário Teológico Reformado:

 Com as palavras “esta pedra” Jesus não se referia a si mesmo, nem ao seu ensino, nem a Deus, o Pai, nem à confissão de Pedro, mas ao próprio Pedro. A frase é imediatamente precedida por uma referência enfática e direta a Pedro. Assim como Jesus identifica a si mesmo como o Arquiteto, a pedra sobre a qual Ele constrói é mais naturalmente entendida como alguém (ou alguma coisa) de outra maneira Jesus mesmo.

 A demonstrativa esta, ou denota o que está fisicamente próximo a Jesus ou o que está literalmente próximo, em Mateus, mais naturalmente se refere a Pedro v. 18 do que a mais remota confissão (v. 16). O elo entre as cláusulas do versículo 18 tornar-se ainda mais forte com o jogo de palavras, “Tu és Pedro (Grego Petros), e sobre esta pedra (Grego petra) Eu construirei minha igreja”. Como apóstolo, Pedro profere a confissão do versículo 16; como confessor ele recebe a designação de esta pedra de Jesus. (“Matthew,” Evangelical Commentary on the Bible, (Grand Rapids, MI: Baker, 1989), 742.)

 Craig L. Blomberg - Batista e Professor do Novo Testamento, Seminário Denver,

Reconhecendo Jesus como O Cristo ilustra o apropriado apelido de Simão “Pedro” (Petros = pedra). Esta não é a primeira vez que Simão foi chamado de Pedro (cf. Jo 1:42), mas, certamente é a mais famosa declaração de Jesus, “Tu és Pedro”, paralelos à confissão de Pedro, “Tu és o Cristo”, como se dissesse, “Já que você pode me dizer quem eu sou, te direi quem tu és”. A expressão “esta pedra” quase com certeza se refere a Pedro, seguindo imediatamente após seu nome, justamente como as palavras seguem “o Cristo” no versículo 16 aplicado a Jesus. O jogo de palavras, no Grego, entre o nome de Pedro (Petros) e a palavra “pedra” (petra) somente faz sentido se Pedro é a pedra e se Jesus está prestes a explicar o significado desta identificação. (The New American Commentary: Matthew, vol. 22, (Nashville: Broadman, 1992), 251-252.)

 Suzanne de Dietrich - Teóloga Presbiteriana:

 O jogo de palavras no versículo 18 indica a passagem original aramaica. O novo nome, “Simão”, discípulo impulsivo, contém uma promessa, e será, pela Graça de Deus, a “pedra” sobre a qual Deus construirá a nova comunidade. (The Layman’s Bible Commentary: Matthew, vol. 16, (Atlanta: John Knox Press, 1961), 93.)

Donald A. Hagner Seminário Teológico Fuller:

 A leitura natural da passagem, apesar da mudança de Petros para petra requerida pelo jogo de palavras no Grego (o que não ocorre no Aramaico, onde a palavra kepha ocorre em ambos os lugares), é que Pedro é a pedra sobre a qual a igreja será construída. . . . As frequentes tentativas feitas amplamente no passado, com o intuito de negá-lo, em favor da posição católica, de que a própria confissão é a pedra . . . parece que eram bastante motivadas pelo preconceito contra a passagem utilizada pelos Católicos Romanos a fim de justificar o papado. (“Matthew 14-28,”Word Biblical Commentary, vol. 33b, (Dallas: Word Books, 1995), 470.)

 Havia alguma coisa retida do conhecimento de Pedro, que era “a pedra sobre a qual a Igreja seria construída” com o poder de “atar e desatar no céu e sobre a terra”? (Tertuliano, Demurrer Contra os Heréticos 22 (+200).

 O Senhor disse a Pedro, “Sobre esta pedra Eu construirei minha Igreja, dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”. . . . Que espécies de homens são vocês, subvertendo e mudando aquilo que era o manifesto propósito do Senhor quando Ele conferiu isso pessoalmente a Pedro? “Sobre ti,” diz Ele, “Eu construirei minha Igreja; e Eu te darei as chaves.” (Tertuliano, Modéstia 21:9-10 (+220).

 Há um só Deus e um só Cristo, e uma só Igreja, e uma só cátedra fundada sobre Pedro pela palavra do Senhor. Não é possível estabelecer outro altar ou outro sacerdócio porquanto já foram estabelecidos. Quem quer que tenha se reunido em outro lugar ficará dispersado. ( São Cipriano de Cartago, Cartas 43[40]:5 (+253).

 Jesus disse Simão, meu seguidor, Eu te estabeleci como fundação da sagrada Igreja. Eu te digo que tu és Pedro [e.g., Pedra], porque tu sustentarás todos os seus edifícios. Tu és o inspetor daqueles que construirão na terra uma Igreja para Mim. Caso desejem construir o que é falso, tu, a fundação, os condenará. Tu és a nascente da fonte da qual flui meu ensinamento; Tu és o chefe de meus discípulos. (Efraim, o Sírio, Homilias 4:1 +351).

 Notas Finais
1. D.A. Carson, O Comentário Bíblico do Expositor - The Expositor’s Bible Commentary, Volume 8 (Mateus, Marcos, Lucas), ed. Frank E. Gaebelein, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1984), 368.
2. Algumas das verdadeiras palavras Aramaicas de Jesus estão preservadas no Novo Testamento. Veja, por exemplo, Mateus 27:46 e Marcos 5:41.
3. A palavra Aramaica para “pedregulho/pedra pequena” é evna.
4. 1 Cor. 1:12, 1 Cor. 3:22, 1 Cor. 9:5, 1 Cor. 15:5, Gal. 1:18, Gal. 2:9, Gal. 2:11, Gal. 2:14.
5. Oscar Cullman, Dicionário Teológico do Novo Testamento, ed. por Gerhard Kittel e Gerhard Friedrich, (Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans, 1968), 6:98, 108.
6. Marvin R. Vincent, Estudo de palavras no Novo Testamento - Word Studies in the New Testament, (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1946 (orig. 1887)), 4 vols., vol. 1, 91-92.
7. W. F. Albright and C. S. Mann, Mateus - Matthew (Garden City, NY: Doubleday & Co., 1971), 195.
8. David Hill, The Gospel of Matthew – O Evangelho de Mateus (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1972), 261.

Para citar: praelio.blogspot.com.br/2009/11/controversia-protestante-sobre-petros-e.html

Ora, tais testemunhos de teólogos, exegetas ... protestantes, deixam bem claro que o pastor Silas Malafaia e os demais que fazem a mesma objeção estão desatualizados sobre a hermenêutica de Mateus 16, 18-19 ou seguindo seus preconceitos pessoais (obstáculo este que impede um raciocínio correto, citado pelo próprio Silas no mesmo livro pág 19) preferem rejeitarem a verdade que mostra que estão errados na sua interpretação bíblica, ou seja, preferem falsificar (cf. 2° Cor 2, 17) e dertupar a palavra de Deus em sua genuina e correta interpretação, como fazem com as demais escrituras, para sua própria condenção e daqueles(as) que lhes escutam ou leem suas obras (cf. 2° Pd 3, 16).

  e) A tal liderança de Pedro se teria dado por pouco tempo, pois assim que a Igreja primitiva se organizou, o 1° líder efetivo dela foi Tiago e não Pedro (cf. Atos 12,17; 15,12; Gálatas 1,18-19). Tentando forçar a hermenêutica em favor de Pedro, a Igreja Católica Romana sequer teve o cuidado de rever a ordem de Gl 2. 9, que na vulgata latina em vez do nome Pedro aparece em primeiro lugar o nome de Tiago. Cf: Qual a Igreja verdadeira? Pág 92.

De fato, na lista dos Apóstolos, Pedro é sempre citado em primeiro lugar, em todos os casos (cf. Mc 3, 16-19;  Lc 6, 13-16; Atos 1, 13). Em Mateus 10,2, Pedro é até mesmo qualificado como "o primeiro":

- "Eis os nomes dos doze Apóstolos: O PRIMEIRO, Simão, chamado Pedro".

O termo grego PRÓTOS, traduzido ai no texro PRIMEIRO, tanto quer dizer primeiro numericamente como quer dizer primeiro em dignidade, em posição, em honra, em importância etc.

  a) Primeiro em dignidade: O que entre vós quizer ser o primeiro (Mat 20, 27). Qual era o primeiro de todos os mandamentos ?(Mc 12, 28) Claro que se está perguntando qual é o mandamento mais importante. Leia ainda: Mc 12, 31; Atos  13, 50; 28, 7. 17. em todos estes textos as palavras PRIMEIRO, PRÍNCIPE E PRINCIPAIS são traduzidos do termo grego PRÓTOS.

  b) Primeiro numericamente: Por exemplo um professor diz- Este é o meu primeiro aluno da classe, isto é, este é o melhor e mais inteligente aluno da classe. Mas pode dizer também- Venha o primeiro a dar a lição, depois venha o segundo, terceiro etc. Ai o termo primeiro é apenas numérico.

  c) O caso de Pedro: Para que pedro fosse o primeiro numéricamente, seria precisso que assim como Mateus o clasificou como primeiro cf. Mat 10, 2 ,deveria classificar a ordem numérica dos demais, porém, dos outros não diz absolutamente nada. Ao contrário, os demais apóstolos o cupam lugares diversos nas quatros enumerações citadas.

  Protestantes célebres como Wette, Meyer, Olshausen ... Afirmam que o PRIMEIRO de Mat 10, 2 tem sentido de dignidade, honra, excelência.

Isso por si só já é capaz de demonstrar a sua liderança no grupo, até porque Pedro não foi o primeiro discípulo a ser chamado por Jesus... Os dois primeiros a serem chamados foram André e, muito provavelmente, João Evangelista, ambos discípulos de João Batista (cf. João 1,36-40). Se Mateus desejasse pôr em ordem a lista dos apóstolos pelo chamamento teria dito assim: Os primeiros são PEDRO e ANDRÉ, o que não aconteceu.

  Há porém uma exceção: Pedro não aparece em primeiro lugar em Gl 2, 9. Entretanto tal  exceção é apenas aparente porque nos códices D, E, F, G,  PEDRO APARECE EM PRIMEIRO  LUGAR: PEDRO, Tiago e João ... Para maior aprofundamento leia: O Papado é Instituição Divina, de Geraldo E. Dallegrave, Edições loyola.

  Ora, querer fazer da exceção uma regra senhor Silas Malafaia, é querer  tampar o sol com uma peneira!

Quanto à liderança de Tiago, devemos observar, em 1° lugar, que a "futura" Igreja recebeu de Cristo uma missão universal (daí a sua catolicidade):

- "Toda autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos" (Mateus 28,18-19).

- "Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura" (Mateus 16,15).

- "Recebereis uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até os confins da terra" (Atos 1,8).

No entanto, a totalidade do rebanho de Cristo foi por Ele mesmo confiado, após a Sua ressurreição, tão somente a Pedro:

- "Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas" (João 21,15-18).

Com efeito, a igreja de Jerusalém, não constitui em sentido próprio a Igreja Universal, Católica, mas apenas uma fração dela (=Diocese), de modo que a liderança de Tiago é apenas local - por óbvia concessão do líder universal, Pedro. Podemos observar isso claramente observando a condução do chamado "Concílio de Jerusalém" (cf. Atos 15):

Após a apresentação do problema que dividia as comunidades cristãs fora de Jerusalém (versículos 1 a 5), Pedro, mais uma vez manifesta a sua liderança DEFININDO este dogma (o 1o da Igreja Cristã): "Cremos que seremos (=os judeus) salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo [e não pela circuncisão], como eles (=os gentios) também" (versículo 11). E o versículo 12 aponta categoricamente: "Então TODA A MULTIDÃO SE CALOU".

Portanto, Pedro DECIDIU o Concílio, permitindo o ingresso dos gentios na Igreja sem a necessidade de circuncisão. O líder da igreja local, Tiago, só vai tomar a palavra APÓS Pedro ter procedido a DEFINIÇÃO, para meramente propor uma prática pastoral que visava implementar a definição doutrinária de Pedro. Tiago, portanto, apenas explicita pastoralmente aquela definição de Pedro.

Note-se, ainda, que Pedro não precisou pedir a palavra aos demais participantes do Concílio: bastou se levantar e todos passaram a ouvi-lo diligentemente, sem interrompê-lo (versículo 7); enquanto que Tiago, ao contrário, precisou pedir vênia para que fosse ouvido (versículo 13). Isto bem demonstra quem era o líder da Igreja universal, quem era o chefe do Colégio Apostólico.

  Em outras palavras: No Concílio de Jerusalém, é Pedro que abre a sessão (cf. At 15,7). Neste momento suas palavras são muito reveladoras: "Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem" (grifos meus). Ora, lá em Jerusalém estavam reunidas todas as pessoas de autoridade (apóstolos e anciãos) e Pedro diz que entre eles Deus “há muito tempo” o havia escolhido para queos pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem”. Se não fosse claro que S. Pedro possuía o Primado entre eles, com certeza haveria alguma discussão. Porém, isso nem é cogitado. Depois S. Tiago, toma a palavra e expõe seu parecer com base no que disse S. Pedro. O fato de S. Tiago concluir a questão, só demonstra que a solução para a questão já estava clara quando S. Pedro se pronunciou. Dizer que S. Tiago foi o chefe do Concílio é  “forçar a barra” por demais. Mas o que poderíamos esperar de alguém que lê Jo 6,55 e diz que Cristo não quis dizer o que disse?

Poderia cansá-lo com tantos exemplos da escritura sobre o Primado de S. Pedro, mas vou terminar citando At 10,5 onde o Espírito Santo manda o centurião Cornélio trazer S. Pedro à sua casa, pois dele deveria ouvir o Santo Evangelho. Não podia o Espírito Santo ter mandado chamar qualquer outro apóstolo? Ou até mesmo um ancião? Essa é mais uma prova da liderança petrina na Igreja.

  Ora, o fato dos apóstolos tomarem decisões juntos, num ato colegial, não anula o fato dentre eles existir um chefe.

Tal absurdo seria como afirmar que o fato de várias decisões no Império Romano serem tomadas pelo colégio dos senadores (o Senado) significasse a inexistência de um Imperador. Ou, o fato de no governo Brasileiro várias decisões são tomadas pelo Congresso Nacional, significasse a inexistência de um Presidente da República.

Alguém poderia dizer: “mas em At 21,18.23-24 foi Tiago o tomador das decisões”. Sim, com toda certeza. Isso primeiro prova a instituição hierárquica da Igreja, negada pelo próprio protestantismo. Bem, o livro de Atos deixa de falar sobre S. Pedro no capítulo 16 em diante, tratando então do ministério de S. Paulo. Segundo os antigos historiadores da Igreja (Júlio Africano, Sócrates e Eusébio), S. Pedro evangelizou em Antioquia, Icônio e Roma. Quando o evento relatado em At 21 aconteceu, provavelmente S. Pedro não estivesse mais em Jerusalém. Sabe-se ainda que único apóstolo que permaneceu em Jerusalém foi S. Tiago (não confundir com S. Tiago maior, irmão de S. João, este morreu pela espada de Herodes cf. At 12,2), logo era natural que ele ocupasse a Sé em Jerusalém como seu Bispo.

 Ademais, a missão de S. Pedro não era ficar em Jerusalém, ele deveria ir à Roma, pois de lá o Evangelho se espalharia facilmente (“todos os caminhos levam à Roma”) tanto por ser o centro do mundo quanto por não sofrer a influência dos judeus. É de Roma que S. Pedro escreve sua primeira epístola (cf. 1Pd 5,13), utilizando o codinome Babilônia para aquela cidade devido à grande semelhança no pecado. Com efeito, o próprio Cristo já havia dado pista de como S. Pedro deveria glorificá-lo (cf. Jo 21,18-19).

 

 Leia toda refutação do apologista católico Carlos Martins Nabeto às objeções do programa adventista evidências contra a história do Papado em: www.catolicoporque.com.br/index.php/colaboradores/carlos-martins-nabeto/artigos-cmn/3518-a-historia-do-papado-uma-refutacao-a-um-programa-de-tv-adventista  Aproveite e leia também a refutação do apologista católico Alessandro Lima às objeções do teólogo adventista Dr. Bacchiocchi contra a verdade que Pedro foi o primeiro Papa. Eis um pequeno resumo :

Respondendo objeções do teólogo adventista Dr. Bacchiocchi contra o Papado. As letras dele iniciam-se com abreviatura Teol. Prot e a resposta do teólogo católico com Teol. Cat

 

Teol. Prot. - Um ponto importante, ignorado pela Igreja Católica, é que o Novo Testamento considera a igreja, não como uma organização hierárquica visível dirigida pelo papa com seus bispos, mas como uma comunidade invisível de crentes que são unidos pela mesma fé em Cristo. Na Bíblia "a igreja" não é uma organização religiosa, mas o "povo de Deus". Tanto o hebraico qahal quanto o grego ekklesia, traduzidas por "igreja", referem-se, na verdade, à "congregação" de crentes, que foram chamados do mundo (Deut 7:6; Osé. 1:1; 1 Ped. 2:9) a fim de ser uma luz no mundo (Deut. 28:10; 1 Ped. 2:9).

Isso significa que quando Jesus falou sobre edificar Sua igreja, Ele não tinha em mente o estabelecimento de uma organização religiosa hierárquica, mas a edificação de uma comunidade de crentes que pela fé O aceitariam e O confessariam perante o mundo. Neste contexto, Pedro, por ser a primeira pessoa a confessar e aceitar a Jesus como o "Cristo", que significa "Messias", tornou-se a primeira pedra viva do edifício espiritual que consiste de uma comunidade de crentes. A ideia de Pedro ser o fundamento da igreja como organização hierárquica identificada com a Igreja Católica é alheia ao texto e aos ensinos do Novo Testamento.

 

Teol. Cat - Um ponto importante ignorado pelo Dr. Bacchiocchi é que a Igreja Católica existe a quase 2.000 anos. Será que Ela não tem mais conhecimento de causa do que os eruditos de hoje que nem sequer conhecem a Memória Cristã?

Com efeito, Igreja vem do grego ekklesia, que significa congregação, “povo de Deus”. Porém, deste o judaísmo o “povo de Deus” era uma congregação hierárquica. Basta ver a autoridade de Moisés, dos Juízes e dos Reis. No tempo de Cristo, os Fariseus (cf. Mt 23,2) e o Sinédrio.

Que a Igreja é uma instituição hierárquica isto se prova pelo próprio NT. Na sua primeira carta aos coríntios S. Paulo ensina que a Igreja foi fundada de cima para baixo: "Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas" (1Cor 12,28).

S. Paulo ensina que a Igreja foi fundada de cima para baixo: Deus>Cristo>Apóstolos>demais fiéis. E da mesma forma se perpetua pelos séculos. Daí a origem da sucessão dos apóstolos, tema que trataremos adiante.

Sem hierarquia não há autoridade. Era preciso que Deus instituísse a hierarquia na Igreja para lhe garantir a Unidade de Fé e Doutrina (cf. Ef 4,5). Ora, porque o Protestantismo não há unidade doutrinária? Por que não há alguém a quem se possa recorrer para dirimir dúvidas ou dar a palavra final. Notem que não estou falando de fiéis, estou falando de Igreja como instituição. Um exemplo: a Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) possui pontos doutrinários em discordância com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECL). As duas são instituições protestantes e quem no Protestantismo tem autoridade para encerrar essas divergências? NINGUÉM! E a babel continua.

Por que se realizavam os Concílios? Exatamente para conciliar (por isso o nome Concílio para as reuniões dos bispos de todo mundo). Na própria Era apostólica os apóstolos não reuniram um Concílio em Jerusalém (cf. At 15)? Lá por acaso não instituíram normas que deveriam ser observadas por toda a Igreja (cf. At 16,4)? Como isso poderia ter sido feito se eles não tivessem autoridade para tal?

A própria autoridade apostólica é uma bela prova da constituição hierárquica da Igreja. S. Paulo em suas cartas fez várias menções à sua autoridade apostólica (2 Cor 10,2.8; Fm 1,8; Gl 2,6; 1Ts 2,7).

Quem disser que a hierarquia existia apenas para questões administrativas mente tremendamente falseando a Verdade.

 

Teol. Prot - Existe de fato uma linha sucessória ininterrupta entre Pedro e Bento XVI?
Sucessão Apostólica. Um golpe fatal sobre a reivindicação petrina da Igreja Católica é a falta de qualquer apoio neotestamentário para o primado de Pedro na igreja apostólica. Se, de acordo com a alegação católica, Cristo designou Pedro como Seu vigário para governar a igreja, então se esperaria que Pedro agisse como líder da igreja apostólica. Mas dificilmente seria este o caso.

Por exemplo, não há indicação de que Pedro jamais tenha servido como presidente da igreja de Jerusalém. A estrutura organizacional da igreja de Jerusalém pode ser caracterizada como um colegiado com uma presidência. Mas não há indicação de que Pedro jamais serviu como o presidente em exercício daquela igreja. No Concílio de Jerusalém, foi Tiago, e não Pedro, quem presidiu nas deliberações (Atos 15:13).

 

Teol. Cat - Sim, existe uma linha sucessória ininterrupta entre Pedro e Bento XVI. É fato histórico que a sucessão entre os Bispos Romanos nunca foi interrompida, apesar do surgimento de anti-papas (pessoas reivindicando falsamente o Episcopado Romano), tema que trataremos adiante.

Parece-me que o Dr. Bacchiocchi não leu bem a sua Bíblia, pois nela há sim vários testemunhos do primado petrino.

Além do clássico Mt 16,16-19, citaremos Lc 22,31-32: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos". Aqui Nosso Senhor ora ESPECIALMENTE por Pedro e confia SOMENTE A ELE o encargo de confirmar os demais cristãos, especialmente os outros apóstolos. Por que Cristo faria isso se não fosse Pedro o chefe de Sua Igreja? Ora, por causa de seu encargo especial Pedro recebeu de Jesus um carisma também especial.

É Pedro que preside a sucessão de Judas por Matias (cf. At 1,13-26), uma prova bíblica da sucessão dos apóstolos. É Pedro que preside a primeira pregação da Igreja (cf. At 2,14-47) ao mundo, naquele dia foram "mais ou menos três mil o número dos adeptos" à Igreja.

No Concílio de Jerusalém, é Pedro que abre a sessão (cf. At 15,7). Neste momento suas palavras são muito reveladoras: "Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem" (grifos meus). Ora, lá em Jerusalém estavam reunidas todas as pessoas de autoridade (apóstolos e anciãos) e Pedro diz que entre eles Deus “há muito tempo” o havia escolhido para que “os pagãos ouvissem a palavra do Evangelho e cressem”. Se não fosse claro que S. Pedro possuía o Primado entre eles, com certeza haveria alguma discussão. Porém, isso nem é cogitado. Depois S. Tiago, toma a palavra e expõe seu parecer com base no que disse S. Pedro. O fato de S. Tiago concluir a questão, só demonstra que a solução para a questão já estava clara quando S. Pedro se pronunciou. Dizer que S. Tiago foi o chefe do Concílio é  “forçar a barra” por demais. Mas o que poderíamos esperar de alguém que lê Jo 6,55 e diz que Cristo não quis dizer o que disse?

Poderia cansá-lo com tantos exemplos da escritura sobre o Primado de S. Pedro, mas vou terminar citando At 10,5 onde o Espírito Santo manda o centurião Cornélio trazer S. Pedro à sua casa, pois dele deveria ouvir o Santo Evangelho. Não podia o Espírito Santo ter mandado chamar qualquer outro apóstolo? Ou até mesmo um ancião? Essa é mais uma prova da liderança petrina na Igreja.

 

Teol. Prot - Ademais, a autoridade final da igreja de Jerusalém restava não sobre Pedro, mas sobre os apóstolos, mais tarde substituídos por "presbíteros". Por exemplo, foram "os apóstolos" que enviaram Pedro a Samaria (Atos 8:14) para supervisionar as novas comunidades cristãs. Foram os "apóstolos" que enviaram Barnabé a Antioquia (Atos 11:22). Foram os "apóstolos e presbíteros" que enviaram a Judas e Silas para Antioquia (Atos 15:22-27). Foi "Tiago e os presbíteros" que recomendaram que Paulo se submetesse a um rito de purificação no Templo (Atos 21:18, 23-24).

Tivesse Pedro sido designado por Cristo para servir como Cabeça da Igreja, ele teria desempenhado um papel significativo nas decisões acima mencionadas. Não há indicação de que Paulo considerasse a Pedro como líder da igreja. Narrando um incidente de quando Pedro foi para Antioquia Paulo declara: "resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível" (Gál. 2:11). A ação de Paulo dificilmente sugeriria que Pedro fosse reconhecido e respeitado como a infalível cabeça da igreja.

 

Teol. Cat - Dr. Bacchiocchi como todo bom protestante fala de coisas que desconhece totalmente. Se soubesse o que reza a doutrina católica sobre a Infabilidade do Papa, não escreveria tanta bobagem. Sugiro que ele leia a encíclica “Pastor Aeturnus” (2) e se informe melhor.

O Papa é infalível em circunstâncias bem específicas. Não significa que ele não peque e nem que todo pronunciamento seu seja infalível. A ação de S. Paulo mereceu todos os aplausos, afinal, se o Papa num ato seu que não está coberto pelas circunstâncias da infabilidade ainda age contra a Fé, tem que se repreendido. Em resumo, a infabilidade não se estende aos atos pessoas do Papa, e nem mesmo a todos seus atos de governo. Além disto, o poder do Papa é supremo, mas não é ilimitado. Como dizia Cícero “a falta de informação é princípio dos males”. Houve casos na história da Igreja em que Bispos ou presbíteros agiram de forma semelhante a S. Paulo. Para saber mais sobre o ministério petrino e este episódio narrado por S. Paulo nos Gálatas, recomendo ler um outro artigo nosso (3).

O falso argumento do Dr. Bacchiocchi contra a liderança petrina se volta contra si próprio. Se foi Tiago o chefe da Igreja de Jerusalém nos termos por ele colocado, S. Tiago “teria desempenhado um papel significativo nas decisões acima mencionadas”, mas o próprio Bacchiocchi diz que estes atos foram do colégio apostólico. Um leitor menos atento se deixa levar por tamanho engodo sofismático! Ora, o fato dos apóstolos tomarem decisões juntos, num ato colegial, não anula o fato dentre eles existir um chefe.

Tal absurdo seria como afirmar que o fato de várias decisões no Império Romano serem tomadas pelo colégio dos senadores (o Senado) significasse a inexistência de um Imperador. Ou, o fato de no governo Brasileiro várias decisões são tomadas pelo Congresso Nacional, significasse a inexistência de um Presidente da República.

Os testemunho a que o Dr. Bacchiocchi nos remete testemunham tão somente o ato colegial dos apóstolos e não a ausência de um chefe visível, verdade esta que já demonstramos pela própria Bíblia.

Alguém poderia dizer: “mas em At 21,18.23-24 foi Tiago o tomador das decisões”. Sim, com toda certeza. Isso primeiro prova a instituição hierárquica da Igreja, negada pelo próprio Dr. Bacchiocchi. Bem, livro de Atos deixa de falar sobre S. Pedro no capítulo 16 em diante, tratando então do ministério de S. Paulo. Segundo os antigos historiadores da Igreja (Júlio Africano, Sócrates e Eusébio), S. Pedro evangelizou em Antioquia, Icônio e Roma. Quando o evento relatado em At 21 aconteceu, provavelmente S. Pedro não estivesse mais em Jerusalém. Sabe-se ainda que único apóstolo que permaneceu em Jerusalém foi S. Tiago (não confundir com S. Tiago maior, irmão de S. João, este morreu pela espada de Herodes cf. At 12,2), logo era natural que ele ocupasse a Sé em Jerusalém como seu Bispo.

 

Teol. Prot - Ademais, Paulo se refere aos "pilares" da Igreja apostólica como sendo "Tiago, Cefas, e João" (Gál. 2:9). O fato de que "Tiago", o irmão do Senhor, é mencionado primeiro indica ser ele, antes que Pedro, quem servia como líder da igreja. Caso os apóstolos entendessem que Pedro houvesse sido designado por Cristo para servir como cabeça da igreja, ter-lhe-iam confiado a liderança da igreja. Mas o fato é que Pedro nunca é visto no Novo Testamento como o único líder da igreja apostólica.

Teol. Cat - Dr. Bacchiocchi tenta justificar seus equívocos com detalhes secundários em detrimento de verdades escandalosas. Os Evangelhos quando listam o nome dos apóstolos sempre coloca S. Pedro em primeiro lugar (cf. Mt 10,2). Com efeito, parece que entre os doze os mais importantes eram Pedro, Tiago e João, mas também no Evangelho a preferência é colocar S. Pedro em primeiro lugar (cf. Mt 17,1; Mc 3,16; Lc 6,14;).

Alguém poderia dizer: “mas Pedro encabeça a lista dos apóstolos simplesmente pelo fato de ter sido o primeiro apóstolo”. Respondemos que o primeiro apóstolo foi seu irmão André, este depois chamou Pedro para conhecer Jesus (cf. Jo 1,38-42).

A missão de S. Pedro não era ficar em Jerusalém, ele deveria ir à Roma, pois de lá o Evangelho se espalharia facilmente (“todos os caminhos levam à Roma”) tanto por ser o centro do mundo quanto por não sofrer a influência dos judeus. É de Roma que S. Pedro escreve sua primeira epístola (cf. 1Pd 5,13), utilizando o codinome Babilônia para aquela cidade devido à grande semelhança no pecado. Com efeito, o próprio Cristo já havia dado pista de como S. Pedro deveria glorificá-lo (cf. Jo 21,18-19).

 

Teol. Prot - A noção de que Cristo investiu a Pedro de autoridade para governar a igreja e que tal autoridade tem sido transmitida numa ininterrupta sucessão até seu último sucessor é uma invenção católica destituída de qualquer suporte bíblico. Isso primeiro apareceu nos escritos de Irineu, bispo de Lyon (175-195 A.D.), que emprega o argumento da sucessão apostólica para refutar agnósticos heréticos. Ele alega que os ensinos agnósticos eram heréticos porque são rejeitados por aquelas igrejas que podem traçar o seu pedigree (sucessão-Contra as Heresias, livro 3).

 

Teol. Cat - Dr. Bacchiocchi esforça-se tremendamente para “camuflar” a Verdade. Escreve de forma totalmente desonesta e contra a inteligência.

Qualquer um em sã consciência e honestidade há de concordar que nas Igrejas instituídas pelos apóstolos, que tiveram Bispos que foram seus discípulos pessoais, nós encontraremos a doutrina cristã autêntica. A Verdade é perene. O que era verdade naquele tempo continua sendo verdade hoje. Foi neste sentido que S. Ireneu combateu os gnósticos, e como nós combatemos os protestantes. Se alguém confessa X achando que está certo quando na verdade está errado, devemos mostrar a ele que foi Y o que sempre se creu na Igreja desde tempos muito remotos. Se como vimos a Igreja primitiva tinha como fundamento a doutrina dos apóstolos, nada mais natural que somente onde há verdadeira sucessão dos apóstolos tenha sido conservada sua doutrina.

Ora, se existem testemunhos antigos que provam a sucessão dos apóstolos, estas evidências só podem ser indícios da realidade que testificam. Nenhum tribunal rejeitaria tais evidências sob a alegação ou apresentação de hipóteses.

Antes mesmo de S. Ireneu, S. Clemente (o quarto Papa) discípulo pessoal de S. Pedro e S. Paulo, no final do século I (90 d.C), portanto quando S. João ainda estava vivo, intervindo na Igreja de Corinto, porque os fiéis haviam deposto o Bispo e os presbíteros (forte testemunho do Primado de Pedro e sua continuidade nos sucessores de S. Pedro), ensina que aqueles homens não poderiam ser depostos, pois eram sucessores dos apóstolos:

"42. Os apóstolos receberam do Senhor Jesus Cristo o Evangelho que nos pregaram. Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo, portanto vem de Deus, e os apóstolos vêm de Cristo. As duas coisas, em ordem, provêm da vontade de Deus. Eles receberam instruções e, repletos de certeza, por causa da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, fortificados pela palavra de Deus e com plena certeza dada pelo Espírito Santo, saíram anunciando que o Reino de Deus estava para chegar. Pregavam pelos campos e cidades, e aí produziam suas primícias, provando-as pelo Espírito, a fim de instituir com elas bispos e diáconos dos futuros fiéis. Isso não era algo novo: desde há muito tempo, a Escritura falava dos bispos e dos diáconos. Com efeito, em algum lugar está escrito: ?Estabelecerei seus bispos na justiça e seus diáconos na fé’ [...]

"44. Nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por esse motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião da morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério" (grifos meus).

Como se vê, o fundamento da sucessão apostólica já estava muito bem desenvolvido no primeiro século.

Vamos a Santo Ireneu. Este homem foi discípulo pessoal de S. Policarpo, que por sua vez foi discípulo pessoal de S. João. A proximidade de S. Ireneu com a doutrina apostólica é evidente e incontestável; tanto que os primeiros cristãos o considerável homem apostólico. Vejamos o que ele escreveu e tanto incomodou o Dr. Bacchiocchi:

“3,3 Os bem-aventurados apóstolos [Pedro e Paulo] que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, aquele Lino que Paulo lembra na epístola a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente, que tinha visto os próprios apóstolos e estivera em relação com eles, que ainda guardava viva em seus ouvidos a pregação deles e diante dos olhos a tradição. E não era o único, porque nos seus dias viviam ainda muitos que foram instruídos pelos apóstolos. No pontificado de Clemente surgiram divergências graves entre os irmãos de Corinto. Então a igreja de Roma enviou aos coríntios uma carta importantíssima para reuni-los na paz, reavivar-lhes a fé, e reconfirmar a tradição que há pouco tempo tinha recebido dos apóstolos, isto é, a fé num único Deus todo-poderoso, que fez o céu e a terra, plasmou o homem e provocou o dilúvio, chamou Abraão, fez sair o povo do Egito, conversou com Moisés, deu a economia da Lei, enviou os profetas, preparou o fogo para o diabo e os seus anjos. Todos os que o quiserem podem aprender desta carta que este Deus é anunciado pelas igrejas como o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e conhecer a tradição apostólica da igreja, porque mais antiga do que aqueles que agora pregam erradamente outro Deus superior ao Demiurgo e Criador de tudo o que existe.

 

A este Clemente sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre; em seguida, sexto depois dos apóstolos foi Sisto; depois dele, Telésforo, que fechou a vida com gloriosíssimo martírio; em seguida Higino; depois Pio; depois dele, Aniceto. A Aniceto sucedeu Sóter e presentemente, Eleutério, em décimo segundo lugar na sucessão apostólica, detém o pontificado. Com esta ordem e sucessão chegou até nós, na Igreja, a tradição apostólica e a pregação da verdade. Esta é a demonstração mais plena de que é uma e idêntica a fé vivificante que, fielmente, foi conservada e transmitida, na Igreja, desde os apóstolos até agora" (grifos meus).

 

Desde S. Pedro até o tempo de S.Ireneu houve treze Papas na Igreja, isto é, S. Pedro teve até aquele tempo (202 d.C) doze sucessores no Episcopado de Roma. Isto é fato. Isto é história. S. Ireneu não inventou a sucessão apostólica, muito menos forjou a lista dos Bispos Romanos.

Dr. Bacchiocchi antes de tentar enganar os outros, enganou a si próprio. Veja que ele diz que S. Ireneu usou o fundamento da sucessão apostólica contra os gnósticos porque eles tinham uma doutrina diferente das igrejas que tinham sucessores dos apóstolos. Com este argumento ele quer distrair a atenção do leitor menos atento. Ora, com efeito, foi isso mesmo que S. Ireneu fez, e pelas razões que já demonstramos, porém isso não elimina o fato histórico de que houve sucessão de S. Pedro em Roma. A sucessão dos Bispos em Roma (os Papas) é tão verdadeira quanto o martírio de S. Pedro e S. Paulo na mesma cidade. Se alguém for dizer que a sucessão dos Bispos em Roma é mentira porque não se encontra na Bíblia, também Pedro e Paulo não morreram lá pela mesma razão. É evidente que argumentos assim são falaciosos e não corroboram com a Verdade.

Para saber mais sobre a sucessão dos apóstolos, não só em Roma, mas também em outras cidades importantes da antiguidade leia um trabalho meu a respeito (4).

 

Teol. Prot - O argumento da sucessão apostólica serviu a um propósito útil na igreja primitiva quando a formação do Novo Testamento estava ainda em progresso. Os líderes da igreja precisavam de uma autoridade objetiva para refutar os heréticos, e encontraram-no em igrejas como Antioquia, Éfeso e Alexandria, que podiam traçar suas origens aos apóstolos. Essas igrejas podiam servir como a pedra de toque da ortodoxia.

Mas estender o conceito da sucessão apostólica a todo o curso da história cristã é infundado, por causa da interrupção e apostasia que essas igrejas haviam experimentado. A invasão muçulmana dos séculos sétimo e oitavo eliminaram completamente a maior parte das antigas igrejas orientais.

 

Teol. Cat - A resistência psicológica do Dr. Bacchiocchi é a mesma dos Fariseus que recusaram o esplendor da verdade nas palavras e nos atos de Cristo. Para os fariseus Jesus não podia ser o Messias de jeito nenhum, embora a força dos argumentos do Divino mestre fosse aterrorizadora, embora toda Verdade estivesse estampadas em seus atos e palavras. Da mesma forma, para o Dr. Bacchiocchi a Igreja Católica não pode ser de jeito nenhum a Igreja Única, mesmo que a Bíblia e os testemunhos primitivos mostrem isso. Esta sinuca psicológica faz estas pessoas se comportarem como se fossem loucos ou são pessoas que insistem em colocar roupa de príncipe em sapo.

A única forma de se sustentar a mentira é com mais mentira. Dr. Bacchiocchi nas suas manobras psicológicas acaba confessando que a verdade não é perene, que ela muda o que é totalmente absurdo. Para ele o que os primeiros cristãos utilizaram e confessaram como Verdade nos primeiros séculos deixou de sê-lo depois da formação da Bíblia. Simplesmente quer dar uma razão à sua falsa concepção de que a Bíblia tem autoridade e a Igreja que a formou não.

Se fosse para que um livro sagrado tivesse toda autoridade entre os Cristãos, como se fosse um Alcorão cristão, Cristo não teria nos deixado a Igreja, mas teria nos deixado uma Bíblia. Se assim fosse não teria conferido sua autoridade aos apóstolos (cf. Mt 28,18-20). Os apóstolos não teriam resolvido o primeiro conflito da Igreja num Concílio (cf. At 15), mas remeteria os cristãos a buscarem entendimento nas escrituras.

Jesus nos deixou a Igreja porque a autoridade que conferiu aos apóstolos e que foi usada para o bem de toda Igreja, principalmente na resolução de conflitos, deveria ser usada nos séculos seguintes. Todo tempo surge algo que precisa ser esclarecido, algo que precisa se conciliador, algo que precisa de reposta. O Magistério de Cristo é um magistério vivo! Daí a razão da sucessão dos apóstolos, único meio pelo qual a Igreja de Deus se perpetua na terra.

Porém, em seus sofismas “brabos” mesmo, ele se esquece que a formação da Bíblia dependeu da Igreja. Toda autoridade que a Escritura possui deriva da autoridade da Igreja, assim como a autoridade de uma certidão deriva da autoridade do cartório. É importante dize que o fato da autoridade de uma Lei derivar da autoridade de quem a promulgou, não significa que quem a promulgou está acima da Lei. A autoridade de quem promulga a Lei deve servir guardar e defender a mesma.

Dr. Bacchiocchi falseia a Verdade novamente ao dizer que a invasão mulçumana destruiu a maioria das Igrejas orientais. Não! Isso é falso. TODAS as Igrejas orientais que remontam aos apóstolos existem até hoje. Ainda que os mulçumanos tivessem dizimado dois terços de toda a Igreja, enquanto houver sucessores dos apóstolos que podem conferir a autoridade apostólica a outros, esta não está extinta.

 

Teol. Prot - O mesmo se aplica ao bispo de Roma. Qualquer pessoa familiarizada com a história do papado sabe quão difícil é até mesmo para a Igreja Católica provar a sucessão ininterrupta desde Pedro até o papa atual. Houve ocasiões em que o papado esteve nas mãos de vários papas corruptos, que lutavam entre si pelo trono papal. Por exemplo, em 1045 o Papa Benedito IX foi expulso de Roma pelo povo devido a ser indigno e Silvestre II foi colocado no trono papal. Mais tarde, Benedito IX retornou e vendeu o trono papal a um homem que se tornou Gregório VI.
Durante esse curso de eventos, Benedito recusou renunciar a suas reivindicações papais, de modo que passou a haver três papas alegando ser o papa legítimo. Para resolver o problema o imperador alemão Henrique II convocou um sínodo em Sutri em A. D. 1046, que depôs todos os três papas e elegeu Clemente II no lugar.

Fica-se a indagar, qual dos três papas depostos se enquadraria na sucessão apostólica? Como pode a Igreja Católica ainda legitimamente defender a noção de uma sucessão ininterrupta desde Pedro até o papa atual, quando alguns de seus papas foram depostos por sua corrupção?! É evidente que existem alguns elos interrompidos na corrente da sucessão apostólica.

(Baseado na Newsletter [boletim] no. 54 da série "Endtime Issues", do Dr. Samuele Bacchiocchi, que mantém um ministério na Internet sob o título "Bible Perspectives", cujo endereço internético é www.biblicalperspectives.com).

 

Teol. Cat - Ora, se Collor foi deposto do poder por falta de decoro e então outro veio e lhe sucedeu o lugar, significa que não houve sucessão presidencial no Brasil ou que seu sucessor é ilegítimo? O que tem uma coisa haver com a outra? Isso só mostra que a sucessão pode se dar por razões variadas seja pela deposição do governante ou fim natural do seu mandato (no caso dos Papas é vitalício).

Todos os cristãos antes da Reforma protestante criam na sucessão dos apóstolos. Nem mesmo os ortodoxos (que se separaram da comunhão com o Papa em 1054) negam ser os Papas legítimos bispos de Roma.

 Infelizmente vivemos vítimas da indústria da desinformação. Somos levados a acreditar nas obras de doutores e eruditos, mas que nem sempre corroboram com a Verdade, para falar a verdade dificilmente corroboram. Na esmagadora maioria das vezes, as pessoas não estão preparadas para perceber as armadilhas que lhes aguardam nestes textos. Na maioria das vezes estas pessoas utilizam seus títulos para criarem uma falsa verdade, uma história paralela. Peço com todo amor que você leia também um artigo que trata deste tema e que está intimamente ligado ao Primado de Pedro (5). Este artigo trata do cânon 28 do Concílio Ecumênico da Calcedônia, cânon que propunha anular o primado de Pedro. Curiosamente as atas deste Concílio só possuem 27 cânones. Vale a pena conferir a razão pela qual o cânon 28 não foi aceito.

A Verdade muitas veze é como uma cama na noite fria. No início incomoda, mas depois é recanto de conforto e alegria.

Espero sinceramente que você possa aprofundar a sua pesquisa e ser coerente diante da Verdade que lhe é apresentada. Somente as almas sinceras herdarão o céu, por isso aja com toda sinceridade. O primeiro Papa nos ensinou: “Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito” (1P 3,15).

Em Cristo Nosso Senhor,

Prof. Alessandro Lima.

Notas

(1) SUNGENIS, Robert A. Apostolado Veritatis Splendor: Exegese Católica de Mt 16,18-19. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/558. Desde 13/1/2003.

(2) Pastor Aeternus. Disponível em http://www.dicionariodafe.com.br/documentos/pastor_aeternus.htm.

(3) SEMEDO, Alexandre. Apostolado Veritatis Splendor: O Primado de Pedro e Epístola aos Gálatas. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/6. Desde 30/10/2002.

(4) LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: O que é Igreja Apostólica?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/2302. Desde 10/11/2003.

(5) JOSÉ MIGUEL ARRÁIZ. Apostolado Veritatis Splendor: O Cânon 28 de Calcedônia e a História Alternativa. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4168. Desde 2/5/2007.

 

Leitura Complementar

JOSÉ MIGUEL ARRÁIZ. Apostolado Veritatis Splendor: Orígenes Interpretava as Escrituras como um Protestante?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4172. Desde 14/5/2007.

JOSÉ MIGUEL ARRÁIZ. Apostolado Veritatis Splendor: Santo Agostinho Interpretava a Bíblia como os Protestantes?. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4166. Desde 16/4/2007.

 

RAVAZZANO, Pedro. Apostolado Veritatis Splendor: Santos e Patriarcas Orientais confirmam o primado do Papa!. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4311. Desde 29/6/2007.

LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: Com a Sé Romana devem estar em comunhão os cristãos do mundo inteiro. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4212. Desde 2/4/2007.

Para citar: www.veritatis.com.br/inicio/espaco-leitor/5376-protestante-pergunta-se-pedro-foi-o-primeiro-papa

  2°  Objeção: Jesus Cristo não deu nenhum nome à sua Igreja, logo, o nome Igreja Católica não está na bíblia, portanto a mesma não foi fundada por Cristo.

Nossa Resposta:

Igreja Católica Biblicamente.

Umas das maiores heresias protestante é o sofisma esquizofrênico de perguntar onde esta escrita igreja católica apostólica romana dentro da bíblia? A primeira heresia é perguntar onde esta escrita na bíblia, até por que a própria bíblia diz não conter tudo que foi escrito, sendo que a própria bíblia diz que a coluna que sustenta a verdade é a igreja e não a bíblia (I Timoteo 3,15) e também porque foi a igreja quem edificou a bíblia e não a bíblia quem edificou a igreja. Mesmo assim eu provarei em meu site, que todos os ensinamentos da santa igreja têm respaldo bíblico, mesmo sabendo que os ensinamentos da igreja não precisam estar diretamente ou explicitamente relacionados com o que está escrito na bíblia, pode esta relacionada à santa tradição. Mas vamos voltar ao assunto como podemos encontrar o nome da única igreja de Jesus Cristo na bíblia? Vamos La:

  Porquê se chama Igreja Católica?

Por que era o nome dado pelos apostolo a união apostólica segundo a sua fé universal em Jesus Cristo nosso senhor, em hebreus 12, 22- 23 podemos observar que o autor escreve exatamente isso, ele chama a igreja de (assembleia universal) para o protestante que não sabe os significados das palavras, assembleia universal é o mesmo que igreja católica.

Hebreus 12, 22-23:  à universal assembléia  e igreja dos primogênitos inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados. Tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e atualizada, 2/ edição.

Assembléia = Igreja

Universal = Católica

Sendo assim sabemos que desde o século I a igreja era conhecida por igreja católica.

Em outras palavras, Perguntamos: se arrancássemos o nome de alguém arrancaríamos também a existência, a vida do indivíduo? Nunca. Igualmente a existência da Igreja não depende somente do nome, mas do conteúdo bíblico, da realidade bíblica, do significado do nome que está acima do título. Cristo conferiu sim, o significado de católica, ou seja, universal, à sua Igreja, compreendido pelas palavras bíblicas: Sereis minhas testemunhas até os confins da terra (Cf. Atos 1, 8), Ide, pois, ensinai a todas as nações (Cf. Mat. 28, 19; Mc 16, 15). Portanto, está claramente evidenciada a expressão “Católica” na palavra de Deus, que quer dizer “Universal”. Este nome foi consagrado pela Igreja, porque faz parte da própria natureza que Jesus Cristo quis que tivesse a sua Igreja, por conseguinte, porque tem fundamentação bíblica.

 Porquê ser chamada Apostólica?

Essa é bem simples, em Efésios São Paulo explica que a igreja onde Cristo é a cabeça está edificada sobre os fundamentos apostólicos.

Efésios 2

19. Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus,
20. edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus.
21. É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor.
22. É nele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus.

 Porquê a Igreja Católica Apostólica é chamada de Romana.

Nesse ponto todos os protestantes querem pegar os católicos e tentar deixá-los sem respostas, com argumentos chulos como (a igreja de Cristo nasceu em Jerusalém e não em Roma) ou argumento como (Jesus era judeu e não romano) ou ( A Igreja católica está errada a começa pelo seu nome, pois católica= a universal, universaliza já Romana, particulariza. Ora, como pode ser ao mesmo tempo universal e particular?) e assim eles ficam perdidos nessas esquizofrenias protestantes, mas a bíblia que por sinal é a única fonte de fé deles, afirma claramente que o reino de Deus foi retirado de Jerusalém e dado aos Romanos para que Roma produzisse frutos desse Reino.

Aqui Jesus retira o reino de Jerusalém:

Mateus 21

42. Jesus acrescentou: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos (Sl 117,22)?
43. Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deuse será dado a um povo que produzirá os frutos dele.  

Aqui São Paulo explica que o reino foi dado aos Romanos:

Romanos 11

17. Se alguns dos ramos foram cortados, e se tu, oliveira selvagem (ROMANOS), foste enxertada em seu lugar(JUDEUS) e agora recebes seiva da raiz da oliveira,

BEM meus irmãos, esse texto São Paulo envia para a igreja Romana parece meio confuso, mas vou esclarecer para vocês, no texto de Mateus 21,43, Jesus diz retirar o reino de Jerusalém e prometera dar a um outro povo, no texto de Romanos 11 São Paulo faz uma alegoria de duas oliveiras, uma original (JUDEUS) e outra selvagem (ROMANOS), ele diz que na oliveira original foi cordada seus ramos, sobrando apenas alguns, e que em seu lugar foste enxertada a oliveira SELVAGEM que seria o povo romano, e que desde então esse povo passaria a receber a seiva da raiz, essa raiz que são Paulo cita, se chama ABRAÃO, nas sua carta aos Gálatas capitulo 3 versículo 16 ele diz que a promessa de Deus foi feita de ABRAÃO a Jesus Cristo,  ou seja Abraão é a raiz a oliveira original no qual desde que fostes retirado o reino de Jerusalém ROMA recebeu esse reino sendo enxertada no lugar da oliveira original e assim passou a receber a seiva da raiz, onde nos Católicos Romanos que somos os descendente de Abraão o pai da fé.

Só para terminar esse assunto, são Paulo termina sua carta aos Romanos escrevendo e deixando registrado um oráculo, que em nenhuma outra carta ele deixa registrado, uma profecia que só esta prometida para igreja ROMANA à única de Jesus Cristo. Vou mostrar:

Romanos 16

19. A vossa obediência se tornou notória em toda parte, razão por que eu me alegro a vosso respeito. Mas quero que sejais prudentes no tocante ao bem, e simples no tocante ao mal.
20. O Deus da paz em breve não tardará a esmagar Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!

Preste bem a atenção nessa profecia, nenhuma outra comunidade recebeu um oráculo desses, “o Deus da paz não tardará em esmagar satanás debaixo dos pés dos romanos”.

Em outras palavras:

  Quando explicamos que “católica” significa universal, isto é, que a Igreja está para todos os homens e mulheres do mundo, de todas as nações, culturas e condições sociais, conforme a determinação de Nosso Senhor Jesus Cristo (Mc 16,15), normalmente não há refutação. Quanto ao termo “apostólica”, também não se criam maiores problemas, já que a verdadeira doutrina cristã é aquela que procede dos Apóstolos, e isso está dito e repetido na Bíblia inúmeras vezes (p/ex. 2Ts 2,15; 3,6). Mas e quanto ao título “romana”? Por que a Igreja é chamada assim?

Já ouvi as mais curiosas (e absurdas) associações e deturpações a esse respeito, até uma assim: "Você é católico romano, eu sou 'católico cristão'", - como se fosse possível ser cristão e não ser católico, no sentido próprio da palavra. É comum, inclusive, que algumas pessoas chamem a Igreja de Cristo apenas “Igreja Romana”, suprimindo seus títulos principais (Católica e Apostólica), numa triste tentativa de diminuir a sua importância ou negar a sua autenticidade histórica e autoridade sagrada, percebida claramente em todo o contexto e história do cristianismo.

 

Bem, mas, afinal, como é que a Igreja pode ser universal e romana ao mesmo tempo? É um desses problemas tão simples que nos impressiona a maneira como pode provocar dúvidas. - Se bem que, em muitos casos, parece-nos evidente que exista também alguma (ou muita?) má vontade para compreender.

  O fato é que o título “romana” não implica nacionalismo nem particularismo: não quer dizer que a Igreja pertença a Roma, ou que se limite a Roma, assim como aconteceria com uma empresa, por exemplo. Romana, no caso da Igreja, é apenas o título que indica o endereço da sede primacial da Igreja. Apenas isso.

 

De fato, a Igreja, atuando neste mundo, precisa ter um endereço, um referencial físico e postal, que é o do Bispo de Roma, feito Chefe visível por Cristo, o Papa. Em consequência, a Igreja Católica recebe, como uma espécie de “subtítulo”, a designação “romana”, mas isso em nada contraria a sua catolicidade/universalidade.

 

De modo semelhante, Jesus, Salvador de todos os homens, foi chamado “Nazareno”, porque, convivendo entre os homens, precisou usar um endereço físico neste mundo, que foi a cidade de Nazaré. E será que Nosso Senhor Jesus Cristo, por acaso, veio só para os habitantes de Nazaré? Evidentemente não. Chamá-lo de “Jesus Nazareno” ou “Jesus de Nazaré” compromete o caráter universal da sua missão? Claro que não. Da mesmíssima maneira se dá com o nome dado à Igreja que Ele instituiu neste mundo.

 

Importante para nós, católicos, é enxergar o Poder de Deus também nesse título de “católico romano”; - pois desde o inicio do cristianismo os católicos foram perseguidos, caçados, torturados e mortos justamente pelo Império Romano, durante centenas de anos. Desde a liberação da fé cristã pelo Imperador Constantino, porém, a sede dos cristãos está em Roma, como que a mostrar ao mundo que os perseguidores sucumbiram frente à Igreja de Deus. Ela, que foi perseguida e martirizada, hoje está situada exatamente na sede do antigo Império! Isso prova que Deus sempre transforma o mal em bem, como diz São Paulo: “Onde abundou o pecado, superabundou a Graça” (Rm 5,20).

 

Onde predominou o Império de Roma, - o maior já visto na História, e que levou a escravidão, o terror e a morte a milhões de pessoas, - este mesmo lugar Jesus Cristo converteu no maior centro de fé e difusão das Boas Novas da libertação, do amor fraterno e da vida em todo o mundo, através de sua Igreja, que perdurará até o fins dos tempos, segundo a Promessa do próprio Senhor, que vemos no Evangelho (Mt 28,20).

 

E como diz a Bíblia Sagrada, nenhuma instituição permanecerá se não for obra divina: “Se o teu projeto ou tua obra provém de homens, por si mesmo se destruirá; mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la (At 5,38-39). O Império Romano caiu. A Igreja Católica Apostólica Romana, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, permanece por dois milênios.

 

Por isso somos a única igreja de Cristo, e por sinal de todas as igrejas no qual São Paulo escreveu suas cartas, hoje é a única que não perdeu terreno para o islamismo, o protestante que tem conhecimento dessas particularidades bíblicas e não se converte ao catolicismo, esta cometendo o pior sacrilégio de sua vida, não tem conversão no dia do Juízo, o momento e agora.

Para citar:

caiafarsa.wordpress.com/igreja-de-roma/

www.ofielcatolico.com.br/2001/03/porque-igreja-catolica-e-romana.html

http://macabeus.rede.comunidades.net/index.php?pagina=1622703413

Outros artigos sobre o nome IGREJA CATÓLICA:

 A igreja nasceu em território Romano, romana de nascença.

caiafarsa.wordpress.com/a-igreja-de-cristo-e-romana-de-nascensa/

caiafarsa.wordpress.com/igreja-romana-%E2%80%93-palestina-%E2%80%93-territorio-romano-%E2%80%93/

caiafarsa.wordpress.com/a-igreja-catolica-recebeu-este-nome-em-381/

 

 3°  Objeção: A Igreja é a reunião de todos os crentes.

 

Nossa Resposta:

 

Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Ele é a Cabeça e nós somos os membros.

"Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja"(Cl 1,1)

Portanto, nós somos APENAS PARTE DA IGREJA, mas não "a Igreja". Cristo é a parte mais importante da Igreja: a Sua Cabeça.

E dentre os membros da Igreja existe uma hierarquia. Uns são mais importantes que os outros.

- São Paulo explica isto muito bem em 1Cor 12,28:

"Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas."

  Repetimos Igreja de Cristo biblicamente, é também instituição, ou seja, é uma sociedade visível e hierárquica instituída por Cristo e não apenas mera convivência de cristãos unidos ou desunidos, Cristãos congregados em torno da bíblia, formam aglomeração de pessoas, nunca Igreja constituída. Participam da Igreja aqueles (as) que tem comunhão e fidelidade ao magistério, à hierarquia (governo sagrado, ministros) da Igreja de Cristo, na disciplina e doutrina (cf. Mt 16, 18-19; Lc 10, 16; 2° Tm  4, 2; Ef 4, 5. 14; Atos 14, 22; 2, 42; Rm 6, 17; 1° Tm 4, 16.)

4° Objeção:  A Igreja é espiritual (invisível). Cada um de nos é a igreja de Cristo.

Nossa Resposta:

 Você ainda está nessa "igreja espiritual" de Lutero, sem qualquer referência bíblica?

- A IGREJA DE CRISTO É VISÍVEL, PORQUE:

. Tem um chefe visível - Mt 16, 18-19;

. Tem organização visível e hierárquica: 1Cor 12,28;

. Reúne-se em Concílios: At-15;

Suplemento:

 Tem ritos e cerimônias que são visíveis como o batismo, a ceia do Senhor ... Jesus compara a sua Igreja a uma cidade situada no cume de uma montanha e que todo mundo pode ver Mt 5, 15. Se a Igreja, a verdadeira Igreja, não tivesse sido sempre visível, teria sido impossível observar a ordem que nos deu Jesus Cristo de ouvir a sua Igreja e lhe obedecer cf. Mt 18, 17, ninguém com efeito pode levar as suas queixas a uma igreja invisível, aliás perguntamos como ouvir uma Igreja invisível ? ela se compôe de pastores que ensinam e de fieis que recebem o ensino, e serão invisíveis todas essas pessoas ?

 Mateus 18, 17 diz que aquele que não ouvir (obedecer) à Igreja seja considerado como pagão. Perguntamos àqueles que dizem que a Igreja é cada um de nós: quer dizer, então, que quem não lhe obedecer é pagão? se a cada cristão se deve obediência (visto que todos e cada um são Igreja) isto indica que você deve obedecer a todos e a cada um dos demais cristãos, e você os obedece? e se cada um dos cristão pedirem coisas opostas entre si, a qual dos milhares de cristãos se deve obedecer? Mt 18, 17 é um dos vários textos que diz que a Igreja é também uma sociedade visível e hierárquica, e é esse significado que se refere quando se fala da Igreja que Jesus Cristo fundou.

5° Objeção:  A Igreja Católica fundada por Constantino...

Nossa Resposta:

Os inimigos da Igreja de Cristo, desesperados quando denunciamos que suas "igrejas"(seitas) foram inventadas cerca de 15 ou mais séculos depois de Jesus e da Igreja que ele fundou,vieram com mais esta mentira...

Uma mentira tão torpe, que não engana nem uma criança. É só dar uma olhada na História da Igreja nos três primeiros séculos.

A Igreja tem uma série ininterrupta de 266 Papas: De Pedro até Bento XVI.

De Pedro até Constantino foram TRINTA E DOIS PAPAS !!!

Então se Constantino fundou alguma Igreja...

- De qual igreja foram os 32 papas antes dele ?

- Se Constantino fundou alguma igreja, onde estão as provas...?

- Onde está um só documento histórico comprovando?

- Onde está o EDITO DO IMPERADOR Constantino ?

O que Constantino fez foi dar liberdade de culto aos cristãos, através do Edito de Milão, 313.

  Suplemento: na História está registrado : CONSTANTINO DEU LIBERDADE DE CULTO AOS CRISTÃOS e TEODÓSIO TORNOU O CRISTIANISMO A RELIGIÃO OFICIAL DO IMPÉRIO ROMANO. Durante toda o inicio do cristianismo, quando se falava em cristianismo, se falava em Igreja Católica.    ESTABELECER o PRINCÍPIO da LIBERDADE RELIGIOSA NÃO é o mesmo que FUNDAR a IGREJA CATÓLICA. Você compreende a diferença entre FUNDAR e OFICIALIZAR!!!  Oficializar é dar caráter oficial a alguma coisa já existente, se teodósio ( ou Constantino, como querem erroneamente alguns protestantes) oficializou a Igreja Católica é  porque ela já existia !!! então por quem a Igreja Católica foi fundada? a única resposta verdadeira que a Bíblia e a História nos dar é essa : Jesus Cristo. Esses falsários e mentirosos não são novidade....Bem disse São Paulo, que viria o tempo, em que as pessoas desviariam os ouvidos da verdade para aplicá-los às fábulas! Estudem a História... Não tenham medo da Verdade que liberta! Aprofundar.

 

   6° Objeção:  A Igreja católica começou em 381 com o concílio “conctos populos” dirigido pelo imperador Teodósio, só apartir de 381 foi que apareceu o nome Igreja Católica, portanto, é impossível a mesma ter sido fundada por Cristo.

Nossa Resposta:

A Igreja Católica começou, quando Jesus a instituiu e entregou seu comando a Pedro: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja"(Mt 16,18). O que houve em 381 foi o Concílio de Constantinopla, onde a Igreja confirmou as verdades do Credo. O decreto do Imperador Teodósio não é de 381, mas data de 28.02.380 e foi promulgado para tornar oficial a Fé Católica.

 VEJAMOS AS PROVAS HISTÓRICAS DE QUE A IGREJA QUE JESUS CRISTO FUNDOU FOI DENOMINADA DESDE OS PRIMEIROS SÉCULOS DE IGREJA CATÓLICA:

Logo nos inícios da Igreja, os seguidores de Cristo foram designados com o nome de cristãos. Assim podiam distinguir-se dos filósofos pagãos e dos judeus ou seguidores da sinagoga. Este nome de cristãos como se sabe vem na própria Bíblia, e tal denominação começou em Antioquia: “Em Antioquia é que foram os discípulos denominados CRISTÃOS pela primeira vez” (At 11, 26), e: “Então Agripa disse a Paulo: Por pouco me não persuade a fazer-me CRISTÃO” (At 26, 28), e também: “Se padece como CRISTÃO, não se envergonhe; mas glorifique a Deus neste nome” (1Pd 4, 16).

Aconteceu, porém que, tão logo a Igreja começou a propagar-se, começaram a aparecer os hereges seguindo doutrinas diversas daquela que tinha sido recebida dos Apóstolos, tomando também o nome de cristãos, pois acreditavam em Jesus Cristo e d’Ele se diziam discípulos.

Era preciso, portanto, um novo nome para designar a verdadeira Igreja, distinguindo-a dos hereges. E desde tempos antiquíssimos, desde os tempos dos Apóstolos, a Igreja começou a ser designada como IGREJA CATÓLICA, isto é, UNIVERSAL, a Igreja que está espalhada por toda a parte, para diferençá-la dos hereges, pertencentes à igrejinhas isoladas que existiam aqui e acolá. Assim é que já Santo Inácio de Antioquia, - que foi contemporâneo dos Apóstolos, pois nasceu mais ou menos no ano 35 da era cristã e, segundo Eusébio de Cesaréia no seu Chrónicon, foi bispo de Antioquia, entre os anos 70 e 107 - nos fala abertamente da Igreja Católica na sua Epístola aos Esmirnenses: “Onde comparecer o Bispo, aí esteja a multidão, do mesmo modo que, onde estiver Jesus Cristo, aí está a IGREJA CATÓLICA” (Epístola aos Esmirnenses c 8, 2).

Outro contemporâneo dos Apóstolos foi São Policarpo, bispo de Esmirna; nasceu no ano 69 e foi discípulo de São João Evangelista.

Quando São Policarpo recebeu a palma do martírio, a Igreja de Esmirna escreveu uma carta que é assim endereçada: “A Igreja de Deus que peregrina em Esmirna à Igreja de Deus que peregrina em Filomélio e a todas as paróquias da IGREJA SANTA E CATÓLICA em todo o mundo”. Nessa mesma Epístola se fala de uma oração feita por São Policarpo, na qual ele “fez menção de todos quantos em sua vida tiveram trato com ele, pequenos e grandes, ilustres e humildes, e especialmente de toda a IGREJA CATÓLICA, espalhada por toda a terra” (c. 8).

O Fragmento Muratoriano que é uma lista feita no segundo século, dos livros do Cânon do Novo Testamento, fala em livros apócrifos que“não podem ser recebidos na IGREJA CATÓLICA”.

São Clemente de Alexandria (também do século segundo) responde à objeção dos infiéis que perguntam: “Como se pode crer se há tanta divergência de heresias? A própria verdade nos distrai e cansa, porque outras pessoas estabelecem vários dogmas.”

Depois de mostrar vários sinais pelos quais se distingue a verdadeira Igreja das heresias, assim conclui São Clemente: “Não só pela essência, mas também pela opinião, pelo princípio, pela excelência, só há uma Igreja antiga e é a IGREJA CATÓLICA. Das heresias, umas se chamam pelo nome de um homem, como as que são  chamadas por Valentino, Marcião e Basílides; outras, pelo lugar donde vieram, como os Peráticos; outras do povo, como a heresia dos Frígios; outras, de alguma operação, como os Encratistas; outras, de seus próprios ensinos, como os Docetas e Hematistas". (Stromata 1.7. c. 15). O mesmo argumento podemos formular hoje. Há uma só Igreja que vem do princípio: é a IGREJA CATÓLICA. As seitas protestantes, umas são chamadas pelos nomes dos homens que as fundaram, ou cujas opiniões seguem, como: Luteranos (de Lutero), Calvinistas (de Calvino), Zuinglianos (de Zuínglio), etc.

Outras, do lugar donde vieram: Igreja Livre Evangélica Sueca, Irmão de Plymouth;

Outras, de um povo: Anglicanos (da Inglaterra), Irmãos Moravos (da Morávia);

No século III, Firmiliano, bispo de Capadócia, diz assim: “Há uma só esposa de Cristo que é a IGREJA CATÓLICA” (Ep. De Firmiliano nº 14).

Na história do martírio de São Piônio (morto em 251) se lê que Polemon o interroga:

— Como és chamado?

— Cristão.

— De que igreja?

— Católica (Ruinart. Acta martyrum pág. 122 nº 9).

São Frutuoso, martirizado no ano 259, diz: “É necessário que eu tenha em mente a IGREJA CATÓLICA, difundida desde o Oriente até o Ocidente” (Ruinart. Acta martyrum pág 192 nº 3).

Lactâncio, convertido ao cristianismo no ano 300, diz: “Só a IGREJA CATÓLICA é que conserva o verdadeiro culto. Esta é a fonte da verdade; este o domicílio da fé, o templo de Deus, no qual se alguém não entrar, do qual se alguém sair, está privado da esperança de vida e salvação eterna” (Livro 4º cap. III).

São Paciano de Barcelona (morto no ano 392) escreve na epístola a Simprônio: “Como, depois dos Apóstolos, apareceram as heresias e com nomes diversos procuraram cindir e dilacerar em partes aquela que é a rainha, a pomba de Deus, não exigia um sobrenome o povo apostólico, para que se distinguisse a unidade do povo que não se corrompeu pelo erro?... Portanto, entrando por acaso hoje numa cidade populosa e encontrando marcionistas, apolinarianos, catafrígios, novacianos e outros deste gênero, que se chamam cristãos, com que sobrenome eu reconheceria a congregação de meu povo, se não se chamasse CATÓLICA?” (Epístola a Simprônio nº 3). E mais adiante, na mesma epístola: “Cristão é o meu nome; CATÓLICO, o sobrenome”(idem nº 4).

São Cirilo de Jerusalém (do mesmo século IV) assim instruiu os catecúmenos “Se algum dia peregrinares pelas cidades, não indagues simplesmente onde está a casa do Senhor, porque também as seitas dos ímpios e as heresias querem coonestar (dar aparência de honesta) com o nome de casa do Senhor às suas espeluncas; nem perguntes simplesmente onde está a igreja, mas onde está a IGREJA CATÓLICA; este é o NOME PRÓPRIO desta SANTA MÃE de todos nós, que é também a ESPOSA de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”(Instrução Catequética c. 18; nº 26).

Santo Agostinho (do século V) dizia: “Deve ser seguida por nós aquela religião cristã, a comunhão daquela Igreja que é a CATÓLICA, e CATÓLICA é chamada não só pelos seus, mas também por todos os seus inimigos” (Verdadeira religião c 7; nº 12).

E quando o Concílio de Constantinopla, no ano de 381, colocou no seu Símbolo estas palavras: “Cremos na Igreja Una, Santa, CATÓLICA e Apostólica”, isto não constituía novidade alguma, pois já desde tempo antiquíssimo se vinha recitando no Credo ou Símbolo dos Apóstolos: creio na Santa Igreja CATÓLICA.

Vemos, portanto, na história do Cristianismo, o CONTRASTE EVIDENTE entre aquela Igreja que veio desde o princípio e logo se espalhou por toda a parte: "Ide, pois, e ensinai todas as gentes" (Mt 28, 19), e que desde o começo foi chamada CATÓLICA, segundo o que acabamos de demonstrar, e as heresias que foram aparecendo no decorrer dos séculos, discordando deste ou daquele ponto, inventadas por um homem qualquer, mas todas vencidas pela Igreja, pois ou desapareceram por completo ou ficaram reduzidas em número de adeptos que logo mergulharam no esquecimento.

Chega esta Igreja ao século XVI. Aparece então Martinho Lutero (monge católico: beberrão, mulherengo, revoltado e caluniador), pretendendo afirmar que esta Igreja está completamente afogada no erro e é preciso fazer uma reforma doutrinária.

Queremos aqui fazer apenas uma pergunta ao “inspirado” e “esclarecido” Lutero: “Como é que Cristo deixou durante tantos séculos a sua Igreja mergulhada completamente no erro, e só no século XVI fez aparecer os 'inspirados' e 'esclarecidos' doutrinários da verdade? Onde está a Providência Divina com relação à obra de Deus que é a sua Igreja?”

Se tal desastre se tivesse verificado, então teria falhado completamente a promessa de Cristo: “E as portas do inferno não prevalecerão CONTRA ELA” (Mt 16, 18).

Foi uma VERDADEIRA DESGRAÇA o que fez Martinho Lutero. O seu amigo Melanchton escreve: “Nem toda a água do rio Elba daria lágrimas bastante para chorar a desgraça da Reforma”.

 Resumindo as provas da Igreja Católica desde os primeiros cristãos: São Paulo já falava: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus”(1Cor 15,9). - De qual Igreja fala o Apóstolo?

SÉCULO I/II: “A Igreja de Deus que peregrina em Esmirna à Igreja de Deus que peregrina em Filomélio e a todas as paróquias da IGREJA SANTA E CATÓLICA em todo o mundo”(Ig. Esmirna a São Policarpo, no seu martírio); SÉCULO II: “Não só pela essência, mas também pela opinião, pelo princípio pela excelência, só há uma Igreja antiga e é a IGREJA CATÓLICA. ". (Clem. Alex., deStromata 1.7. c. 15).

SÉCULO III: São Piônio (morto em 251) se lê que Polemon o interroga: “— Como és chamado? — Cristão. — De que igreja? — CATÓLICA” (Ruinart. Acta martyrum pág. 122 nº 9).

Já Santo Inácio, Bispo de Antioquia (+107 aprox.), escrevia: "Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica" (Aos Esmirnenses 8,2).

 Sobre essa mentira que quem fundou a Igreja Católica foi Constantino leia ainda:

www.dicionariodafe.com/     neste site leia: http://www.dicionariodafe.com/1000 calunias protestante/contra a Igreja e o Papado 

catolicismo.wordpress.com/2008/04/28/citaes-sobre-o-nome-igreja-catlica/

www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=32876590&tid=5205902199932343562

fonte : caiafarsa.wordpress.com/constantino-fundou-a-igreja-catolica/

www.ofielcatolico.com.br/2001/02/a-igreja-catolica-foi-fundada-por.html

fonte : caiafarsa.wordpress.com/igreja-catolica-religiao-oficial-por-constantino/


 7° Objeção  A Igreja Católica Traiu a missão que Deus deu a ela , passando a ensinar doutrinas e práticas antibíblicas, ela apostatou. Deus julgou necessário enviar Martinho Lutero para reformá-la.

 NOSSA RESPOSTA: esta objeção já foi respondida acima na; carta aberta aos protestantes sobre a apostasia da igreja católica. leia a mesma novamente, em outras palavras respondemos que:

  Jesus Cristo prometeu que as portas do inferno não haveria de prevalecer contra a sua Igreja (Mt 16, 18-19), que o Espírito Santo lhe ensinaria sempre a verdade (Jo 16,13), que estaria com ela todos os dias até o fim do mundo (Mt 28, 20) lemos em 1° Tm 3, 15 que a Igreja de Cristo é a coluna e firmeza da verdade, por isso a palavra de Deus diz que é preciso escutar e obedecer esta Igreja (fundada por Cristo) não apenas durante 100, 200, 300 ... 1000, 1500, 1.600... Anos mais até o fim do mundo, sob pena de ser tratado como pagão e de rejeitar o próprio Cristo e o Pai celeste, e por conseguinte, de ser rejeitado por ambos (Mt 18, 17; Lc 10, 16; Mal 2, 7; Atos 20, 28; Heb 13, 7. 17; Mt 28, 20 ...) caso recuse.

  Portanto, a Igreja, para ser a Igreja de Jesus, ou seja, fundada por ele, deve ter sido estabelecida ha 19 séculos, deve existir visível e ininterruptamente desde o 1° século até hoje e uma vez estabelecida não poderá errar doutrinariamente ( e isto até o fim do mundo). Por conseguinte, O protestantismo e nenhuma igreja protestante, nascido (a) ontem em 1517 em diante, não pode ser a igreja de Jesus Cristo. O seu fundamento é o erro de supor ou crer que Jesus não pôde manter ou cumprir a sua promessa de preservar a sua Igreja (edificada sobre Pedro e seus sucessores) de todo erro doutrinário todos os dias até hoje, e a cumprirá até o fim do mundo, o que não passa de uma horrível e grave blasfêmia contra Jesus Cristo, sua divindade e poder.

 Quanto a afirmação que Lutero foi um enviado por Deus para reformar a sua Igreja, perguntamos: Como demonstrar biblicamente a autenticidade desta missão divina? A bíblia a exclui na mais clara das formas: quando Jesus prometeu está com a sua Igreja até o fim do mundo preservando-a de todo erro doutrinário não apenas 300, 1.000, 1. 500... Anos, quando nos mandou que obedecêssemos a sua Igreja em todos os tempos, em todos os lugares sem nenhuma restrição e não apenas 300, 1.000, 1. 500... Anos, mas até o fim do mundo (Mt 28, 20; 18, 17). Excluiu a intervenção de qualquer enviado celeste que pudesse colocar-se contra a sua Igreja fundada sobre S. Pedro e seus sucessores. Jesus não suscita líderes religiosos para dividir sua Igreja pois divisão na doutrina nunca foi ação ou inspiração divina Cf. desviai-vos de todos aqueles que causam divisão Rm 16, 17-18; 2° Pd 2, 1-3; Ef 4, 13-14 ...

  Se Lutero teve uma missão divina e se sua revolta contra a Igreja Católica foi inspirada por Deus, por que então o protestantismo ou os protestantes não constituem uma só comunidade (igreja) cristã, em vez de serem centenas e milhares de denominações (seitas) separadas e até hostis (contra) entre si?

  Cada fundador (a) de seita ou movimento religioso acredita ter sido inspirado (a) pelo Espírito Santo. “O próprio Lutero, amargurado, “teve de admitir:” Não há rústico, por mais rústico que seja que não imagine de ser inspirado pelo Espírito Santo e não se tenha por profeta” (Cf. Grisar Luther IV, 386-407) em qual deles devemos acreditar ou devemos acreditar em todos ? Dizer que Lutero, algum dos demais e todos são inspirados, é o mesmo que dizer que o Espírito Santo suscita líderes para dividir ou retalhar o corpo místico de Cristo- a sua Igreja, o que seria uma blasfêmia.

  Apesar de muitos dizerem que Lutero teve uma missão divina , veja as lamentações do mesmo: "que suplicio é para um homem ensinar e crer uma doutrina que não admitem os padres da Igreja ... A maior e melhor parte do mundo cristão ... Parece-nos ouvi-los em gritos e repetir em coros A Igreja! A Igreja! ...Oh! é na verdade uma prova rude... Separar-se das doutrinas ensinadas desde os primeiros séculos do cristianismo ... Romper com a própria Igreja e não ter confiança nos próprios ensinamentos! não posso negar a angustia que me causam muitas vezes estes pensamentos" (Cf. Erlanger XLVI 226-229; LX, 82).

  O próprio Martinho Lutero percebeu que a sua pretensa reforma não passou de uma deformação do cristianismo pois causou uma grave, desastrosa e contínua divisão e desunião doutrinária. E lamentou Já em 1525, escrevendo aos cristãos de antuerpia, deplorando sobre a anarquia dogmática nestes termos: " Este não quer o batismo, aquele nega os sacramentos, outros negam que cristo é Deus ... Em breve serão tantas as seitas quanto as cabeças" (Cf. Weimar XVIII; de Wett, III, 61).

 Diante deste lamentável fato declarou: "Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (da Igreja Católica), afim de conservar a unidade da fé contra as diversas (diferente e contraditórias) interpretações das sagradas escrituras (Cf. Bougard, Le Cristianisme Et Les Temeps Present, Tom IV, P. 289).

  Citações tiradas do Livro; “A Igreja, A reforma e a Civilização, Páginas 252-292, do Padre Leonel Franca, Capítulo III”. Porém é recomendável um estudo sem preconceito de toda obra, bem como dos livros: O protestantismo no Brasil, Catolicismo e Protestantismo, ambos do mesmo autor. Baixe-os do ótimo site: www.obrascatolicas.com/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=46&Itemid=53

 8° Objeção: Muitos protestantes movidos pela mentira, calunia, por falta de conhecimento bíblico, da história geral, da história eclesiástica, da história do cristianismo, da doutrina e prática da Igreja Católica apresentam em seus livros e sites listas de doutrinas e práticas do catolicismo através das quais supostamente eles afirmam que o mesmo apostatou e paganizou-se. Dentre as várias citaremos a seguinte:

II. PAGANIZAÇÃO DA IGREJA ROMANA

Note a seguir o processo da gradual paganização da Igreja Católica Romana, desde que ela começou a abandonar a simplici­dade do Evangelho de Cristo, até os nossos dias (o texto abaixo se encontra na seguinte sequência: Século, Ano, Dogma ou Cerimônia):

- Sec. I-II/Ano 33-196: Nesse período da História, a Igreja não aceitou ne­nhuma doutrina anti-bíblica.
- Sec. II/Ano 197: Zeferino, bispo de Roma, começa um movimento herético contra a divindade de Cristo.
- Sec. III/Ano 217: Calixto se torna bispo de Roma, pondo-se à frente da propaganda herética e levando a Igreja de Roma para mais longe do caminho de Cristo.
- Sec. III/Ano 270: Origem da vida monástica no Egito, por Santo Antônio.
- Sec. IV/Ano 370: Culto dos santos professado por Basílio de Cesaréia e Gregório de Nazianzo. Primeiros indícios do turíbulo (incensário), paramentos e altares nas igre­jas, usos esses introduzidos pela influência dos pagãos convertidos.
- Sec. IV/Ano 400: Orações pelos mortos e sinal da cruz feito no ar.
- Sec. V/Ano 431: Maria é proclamada a "Mãe de Deus".
- Sec. VI/Ano 593: O dogma do Purgatório começa a ser ensinado.
- Sec. VI/Ano 600: O latim passa a ser usado como língua oficial nas celebrações litúrgicas.
- Sec. VII/Ano 609: Começo histórico do papado.
- Sec. VIII/Ano 758: A confissão auricular é introduzida na igreja por re­ligiosos do Oriente.
- Sec. VIII/Ano 789: Início do culto das imagens e das relíquias.
- Sec. IX/Ano 819: A festa da Assunção de Maria é observada pela pri­meira vez.
- Sec. IX/Ano 880: Canonização dos santos.
- Sec. X/Ano 998: Estabelecimento do Dia de Finados.
- Sec. X/Ano 998: Quaresma.
- Sec. X/Ano 1000: Cânon da Missa.
- Sec. XI/Ano 1074: Proíbe-se o casamento para os sacerdotes.
- Sec. XI/Ano 1075: Os sacerdotes casados devem divorciar-se, compulsoriamente, cada um de sua esposa.
- Sec. XI/Ano 1095: Indulgências plenárias.
- Sec. XI/Ano 1100: Introduzem-se na igreja o pagamento da missa e o culto aos anjos.
- Sec. XI/Ano 1115: A confissão é transformada em artigo de fé.
- Sec. XII/Ano 1025: Entre os cônegos de Lião aparecem as primeiras idéi­as da Imaculada Conceição de Maria.
- Sec. XII/Ano 1160: Estabelecidos os 7 sacramentos.
- Sec. XII/Ano 1186: O Concilio de Verona estabelece a "Santa Inquisição".
- Sec. XII/Ano 1190: Estabelecida a venda de indulgências.
- Sec. XII/Ano 1200: Uso do rosário por São Domingos, chefe da inquisição.
- Sec. XII/Ano 1215: A transubstanciação é transformada em artigo de fé.
- Sec. XIII/Ano 1220: Adoração à hóstia.
- Sec. XIII/Ano 1226: Introduz-se a elevação da hóstia.
- Sec. XIII/Ano 1229: Proíbe-se aos leigos a leitura da Bíblia.
- Sec. XIII/Ano 1264: Festa do Sagrado Coração.
- Sec. XIII/Ano 1303: A Igreja Católica Apostólica Romana é proclamada como sendo a única verdadeira, e somente nela o homem pode encontrar a salvação...
- Sec. XIV/Ano 1311: Procissão do Santíssimo Sacramento e a oração da Ave-Maria.
- Sec. XV/Ano 1414: Definição da comunhão com um só elemento, a hós­tia. O uso do cálice fica restrito ao sacerdote.
- Sec. XV/Ano 1439: Os 7 sacramentos e o dogma do Purgatório são trans­formados em artigos de fé.
- Sec. XVI/Ano 1546: Conferida à Tradição autoridade igual a da Bíblia.
- Sec. XVI/Ano 1562: Declara-se que a missa é oferta propiciatória e con­firma-se o culto aos santos.
- Sec. XVI/Ano 1573: É estabelecida a canonicidade dos livros apócrifos.
- Sec. XIX/Ano 1854: Definição do dogma da Imaculada Conceição de Maria.
- Sec. XIX/Ano 1864: Declaração da autoridade temporal do papa.
- Sec. XIX/Ano 1870: Declaração da infalibilidade papal.
- Sec. XX/Ano 1950: A assunção de Maria é transformada em artigo de fé.

DE OLIVEIRA, Raimundo. Seitas e Heresias: Um Sinal do Fim dos Tempos. Pág 16, Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

Fonte:  http://desmascarandoseitas.blogspot.com.br/2009/02/desmascarando-o-catolicismo-romano_25.html

NOSSA RESPOSTA: TODAS ESSAS LISTAS COM SUAS OBJEÇÕES JÁ FORAM REFUTADAS PELOS LIVROS, SITES E REVISTAS DE APOLOGÉTICA CATÓLICA, DENTRE OS VÁRIOS CITAREMOS OS SEGUINTES:

  AS 9 PIORES MENTIRAS PROTESTANTES CONTRA OS CATÓLICOS

 Circula na internet em vários sites protestantes, uma lista mentirosa sobre as principais doutrinas Católicas. Protestantes mentem e alteram os fatos para atacar a única Igreja de Cristo. Muitas pessoas tem nos questionado sobre esta lista, e agora fizemos um pequeno resumo das principais, todas elas já foram refutadas pela nossa equipe a muito tempo, com citações dos Cristãos Primitivos e de documentos, muito anteriores as datas citadas por eles aqui, acompanham:

1. Orações pelos mortos começaram em cerca de 300 d.C.

 A oração pelos mortos no purgatório está no livro 2° Macabeus 12,43-46, Lutero arrancou este livro das bíblias protestantes. Este constam nas Bíblias Ortodoxas e de Gutemberg, impressa quase um século antes da de Lutero.

Tertuliano (†220) – Bispo de Cartago:

 “A esposa roga pela alma de seu esposo e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágio todos os dias aniversários de sua morte” (De monogamia, 10).

 “Durante a morte e o sepultamento de um fiel, este fora beneficiado com a oração do sacerdote da Igreja”. ( De anima 51; PR, ibidem)

 São Cipriano (†258), bispo de Cartago, refere-se à oferta do sacrifício eucarístico em sufrágio dos defuntos como costume recebido da herança dos bispos seus antecessores (cf. epist. 1,2). Nas suas epístolas é comum encontrar a expressão: “oferecer o sacrifício por alguém ou por ocasião dos funerais de alguém”.

 Mais encontra-se no link: http://mentiras-evanglicas-e-outras.blogspot.com.br/2011/07/310-comecam-as-rezas-pelos-mortos.html

 2. Prática do sinal da cruz, a partir de 300.

 O que vocês tem contra o sinal da cruz de nosso Senhor? Acaso são inimigos da Cruz de Cristo cf. Fl 3, 18-19 ? É Claro que isso é uma baita mentira! Já dizia Hipólito de Roma, no século II:

 HIPÓLITO DE ROMA - "Durante a tentação, fazei piedosamente na fronte, o sinal da cruz, pois este é o sinal da Paixão reconhecidamente provado contra o demônio, desde que feito com fé e não para vos exibir diante dos homens, servindo eficazmente como um escudo: o Adversário, vendo quão grande é a força que sai do coração do homem que serve o Verbo (pois mostra o sinal interior do Verbo projetado no exterior), fugirá imediatamente, repelido pelo Espírito que está no homem. Era isso que o profeta Moisés representava através do cordeiro morto na Páscoa e ensinava ao aspergir o sangue nos batentes das portas: simbolizava a fé que agora se encontra em nós, ou seja, a fé no Cordeiro perfeito. Ora, persignando-nos na fronte e nos olhos com a mão, afastamos tudo aquilo que tenta nos destruir. (Mártir - nasceu na segunda metade do século II - Parte III - Outros Temas e Práticas).

 3. Utilização de velas de cera, a partir de 320.

 O uso de velas é bem anterior ao Cristianismo. Alguns sites nos ensinam que o uso de vela (ou coisa parecida) começou há mais de 50.000 anos atrás. Para que não digam que este é um costume importado do paganismo informo que o uso de velas (ou coisa parecida) está registrado tanto no Antigo como no Novo Testamento:

“Farás um candelabro de ouro puro… Far-lhe-ás também sete lâmpadas. As lâmpadas serão elevadas de tal modo que alumiem defronte dele” (Ex 25, 31.37) “O Senhor se refere à luz que brilha sobre um candeeiro” (Mt 5, 15)

“Cristo aparece entre candelabros“(Ap 1, 13; 2, 1).

APROVEITEM E CONHEÇAM ALGUMAS IGREJAS EVANGÉLICA QUE FAZEM USO DE VELAS NO LINK: http://caiafarsa.wordpress.com/320-comecam-a-usar-velas-nas-igrejas/

 4. Primeiro decreto dominical, promulgado pelo imperador romano Constantino, em 7/3/321.

 Recomendamos este link sobre o domingo ser o dia do Senhor, e não o sábado:http://www.youtube.com/watch?v=Yo4kGF38T4w

Quanto a data de Constantino ter feito isso. NÃO CONSTA em nenhum documento, isso não existe, foi inventado para caluniar a Igreja de Cristo.

 5. Mudança do sábado para o domingo, como dia de repouso, efetuada pelo Concílio de Laodicéia – 364.

 Idem: http://www.youtube.com/watch?v=Yo4kGF38T4w

 6. Veneração dos anjos e de santos, e utilização de imagens – em 370.

 Calunia desmascarada em: http://caiafarsa.wordpress.com/ano-370-%E2%80%93-comeca-a-veneracao-dos-santos/

 7. Começo da exaltação de Maria e uso da expressão Mãe de Deus, a partir do Concílio de Éfeso – 431.

 Prova bíblica: SÃO LUCAS: “Donde a mim esta dita de que a MÃE DE MEU SENHOR venha ter comigo?” (Luc. 1, 43).

E nas escrituras do antigo testamento também trazem esta confirmação de que o  filho da virgem seriachamado pelo nome de DEUS conosco:

“Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e ochamará Deus Conosco” . (Is 7,14)

 Prova histórica da mentira:

 TESTEMUNHO DOS “PAIS DA IGREJA”

 IRENEU- “A Virgem Maria… sendo obediente à sua palavra, recebeu do anjo a boa nova de que ela daria à luz Deus” (Santo Irineu, Bispo de Lion, Discípulo de Policarpo, 180 d.C. – Contra Heresias);

 SANTO ALEXANDRE - “Jesus Cristo … teve um corpo gerado, não em aparência, mas verdadeiramente, derivado da Mãe de Deus” (Santo Alexandre, morto em 328 – antes do concílio de Éfeso de 431);

 SANTO EFRÉM - “A obra prima da Sabedoria de Deus tornou-se a Mãe de Deus” Santo Efrém que viveu na Síria em 373 (antes do concílio de Éfeso).

 8. Sacerdotes começaram a se vestir de forma distinta dos leigos – em 500.

 É mesmo? E qual o problema nisso? Acaso o sacerdote não é diferente mesmo? Pois é ele quem oferece o sacrifício a Deus em toda Santa Missa. Deve se vestir diferente. Acaso o herege pode me mostrar onde diz na bíblia que o “paxto” deve vestir terninho e falar com voz ritmada?

 9. Prática da extrema-unção – 526.

PROVA BÍBLICA:

 "Está alguém enfermo? Chame os sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor". (São Tiago 5,14)  

 DOCUMENTOS HISTÓRICOS:1. 215 dC. - SANTO HIPÓLITO DE ROMA - "Ó Deus, que santificastes este óleo, concedendo a todos os que são ungidos e por ele recebem a santificação, como quando ungistes os reis, sacerdotes e profetas, assim concedei que ele

possa dar fortaliza a todos os que dele se valem e saúde a todos os que o usam". (Tradição Apostólica 5,2; 215 dC);

 2. 244 dC. - ORÍGENES DE ALEXANDRIA - "Além disso, aqueles que estão também com setenta anos, se bem que arduamente e sofridamente... Nesse caso deve ser realizado o que também o Apóstolo Tiago diz: 'Se, pois, alguém esté enfermo, que chama o presbítero da Igreja para impor as mãos sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o enfermo, e se ele está em pecados, esses lhe seão perdoados'" (Homilia sobre os Levíticos 2,4);

 3. 341 dC. - SANTO ATANÁSIO DE ALEXANDRIA (295-373) - "O enfermo considerava uma calamidade mais terrível do que a própria doença... (se permitisse) que as mãos dos arianos fossem colocadas sobre sua cabeça" (Epístola Encíclica).

 10. Estabelecimento da doutrina do purgatório, por Gregório I – em 593.

 No Link: http://caiafarsa.wordpress.com/purgatorio/

 11. Orações dirigidas a Maria, santos mortos e anjos – em 600.

 Desmascarada no link: http://caiafarsa.wordpress.com/intercessao-dos-santos/

 12. Título de Papa ou Bispo Universal, dado a Bonifácio III, pelo imperador Focas– em 607.

 Escreveu São Cipriano (246-249):

“Estar em comunhão com o Papa é estar em comunhão com a Igreja Católica.” (Epist.55, n.1, Hartel, 614). 

 Mais provas no link: http://caiafarsa.wordpress.com/papa-seculo-v-ninguem-supunha-pedro-como-papa/

 13. Prática de beijar o pé do papa teve início com o papa Constantino em 709.

 Pode me dizer onde está na bíblia também a pratica de comprar lenço suado do pastor?

Essa prática nada tem de maldade, apenas sinal de respeito com nosso pastor. Algo que vc poderia fazer com sua mãe, ou seu Pai. Pura calunia odiosa dos hereges.

Beijar os pés significa amor e muita humildade. Foi desta forma que eu, participando de uma cerimônia do lava-pés, tive meus pés lavados por um dos mais humildes sacerdotes que já conheci que era o padre Bernardo da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Arapongas. Ele não somente lavou-me os pés, mas também os beijou. Não consta dos evangelhos que Cristo tenha beijado os pés dos apóstolos, porém esta prática não está descartada na Nova Aliança:

 "... Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. (Lc 7,45)". (Lc 7,38);

 "Nesse momento, Jesus apresentou-se diante delas e disse-lhes: Salve! Aproximaram-se elas e, prostradas diante dele, beijaram-lhe os pés." (Mt 28,9).

 14. Autorizado o culto à cruz, imagens e relíquias – em 786.

 Resposta sobre Imagens e idolatria: http://caiafarsa.wordpress.com/respostas-sobre-imagens-e-idolatria/

Imagens de esculturas protestantes: http://caiafarsa.wordpress.com/imagens-em-templos-prostestantes/

Relíquias como entender: http://cleofas.com.br/as-reliquias-como-entender-eb-parte-1/

Relíquias parte 2: http://cleofas.com.br/o-culto-das-reliquias-parte-2/

 15. Água benta com um pouco de sal e abençoada por um sacerdote – em 850.

 A Função purificadora da água é marcante, na Bíblia ela aparece em vários acontecimentos, na vida das pessoas. E até como poder de Deus na cura de várias enfermidades (Jo 9,7).

 A água lembra o próprio Cristo, que é a água viva (Jo 4,10) Para você entender a função da água benta confira em: (Números 5,17-18) (Números 8, 5-7) (Números 19,18) (Ezequiel 36,25). 

 16. Primeira canonização de santos mortos, feita pelo papa João XV – em 995.

 A própria Escritura dá testemunho de que Abraão foi considerado justo pelos apóstolos (cf. Rm 4,3-9; Gl 3,9; Hb 6,15; Tg 2,23). Este reconhecimento de que Abraão estava no céu com Deus é um exemplo de canonização na própria Escritura e já na era apostólica.

Outro exemplo que podemos citar na própria Escritura é a canonização de Estevão. Diz a Escritura que era homem cheio do Espírito Santo (cf. At 6,8). Quando foi martirizado em nome da Fé em Cristo, viu a Glória do Cristo e pediu ao Senhor que recebesse o seu espírito (cf. At 7,55-59). Será que Estevão não foi para o céu? Claro que sim! E foi considerado santo pelo próprio apóstolo Paulo (cf. At 22,20), que assistiu a pregação de Estevão e corroborou com a sua morte. E o bom ladrão que reconheceu Cristo como seu Salvador e que o próprio Senhor lprometeu levá-lo ao paraíso (Lc 23,43), por acaso não é outro exemplo de canonização feita pela própria Escritura?

 A Igreja desde os primeiros séculos reconhecia os mártires como santos (a exemplo de Estevão, considerado o primeiro mártir da Igreja). Ser um mártir da fé era um critério que não deixava dúvidas se uma pessoa devia ser considerada santa, isto é, um modelo na fé, um herói em Cristo e que estava no céu.

 17. Jejum às sextas-feiras, durante a Quaresma – em 998.

 Mais uma ignorância protestante, pois o jejum é bíblico.

Está entre as ordens dadas a Deus através de Moisés: "No dia dez desse sétimo mês, tereis uma santa assembléia, um jejum e a suspensão de todo o trabalho servil"(Nm 29,7).

 E no novo Testamento o próprio Jesus jejuou: "Jejuou quarenta dias e quarenta noites"(Mt 4,2) e recomendou: "Dias virão em que lhes será tirado o esposo. Então eles jejuarão."(Mt 9,15).Outros: Mt 17,20; At 27,9.33...

 18. Celibato sacerdotal decretado por Gregório VIII (Hildebrando) – em 1079.

 No link: http://caiafarsa.wordpress.com/celibato-e-biblico/

 19. Inquisição, instituída pelo Concílio de Verona – em 1184.

 Inquisição – Caiafarsa: http://caiafarsa.wordpress.com/inquisicao-cai-a-farsa/

Inquisição Protestante: http://caiafarsa.wordpress.com/a-inquisicao-protestante/

 20. Venda de indulgências – em 1190.

 A Lenda da venda das indulgencias, acesse: http://caiafarsa.wordpress.com/a-lenda-da-%E2%80%9Cvenda-de-indulgencias%E2%80%9D-2/

 21. Transubstanciação, proclamada pelo papa Inocêncio III – em 1215.

 Mentira refutada em: http://caiafarsa.wordpress.com/em-830-e-inventada-a-transubstanciacao/

 22. Confissão auricular de pecados, ao sacerdote em lugar de Deus, instituída por Inocêncio, no Concílio de Latrão – em 1215.

 Confissão na bíblia: http://igrejamilitante.wordpress.com/2010/11/22/a-biblia-ensina-que-devemos-nos-confessar-a-um-padre/

Isso sempre esteve presente na história da Igreja, Vejamos o testemunho dos Cristãos Primitivos:

"Dizem eles [os hereges novacianos], porém, que prestam reverência ao Senhor, o único a quem reservam o poder de remir os crimes. Pelo contrário, ninguém lhe faz maior injúria do que aqueles que querem anular seus mandamentos, rejeitar o encargo que lhes foi confiado. Pois se o próprio Senhor Jesus diz em seu Evangelho: 'Recebei o Espírito Santo, e a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos'(Jô 20,22-23). Quem é que o honra mais: aquele que obedece a seus mandamentos ou aquele que resiste a eles?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 2,6. 370 DC)

 "Considera também o seguinte: quem recebe o Espírito Santo, recebe o poder de desligar e ligar pecados. Pois assim está escrito: 'Recebei o Espírito Santo, e a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos'(Jô 20,22-23). Portanto, quem não pode desligar o pecado, não tem o Espírito Santo. Com efeito, é um dom do Espírito Santo a função do sacerdote; por outro lado, há um direito do Espírito Santo no fato de desligar e ligar os crimes. Como, pois, reivindicam os novacianos o dom daquele cujo direito e poder não reconhecem?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 2,8. 370 DC) 

 "Porém Deus não faz distinção; Ele prometeu sua misericórdia a todos e deu permissão de perdoar a seus sacerdotes, sem uma única exceção." (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 3,10. 370 DC) 

 "Que sociedade podem então ter contigo [Jesus] estes que não aceitam as chaves do Reino (cf. Mt 16,19), ao negarem que devem perdoar os pecados?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,32. 370 DC) 

 "É certamente isto que eles [os novacianos] confessam a seu próprio respeito e com razão; de fato, não podem ter a herança de Pedro aqueles que não tem a cátedra de Pedro, a qual despedaçam com uma ímpia divisão. Contudo, é sem razão que negam também que na Igreja os pecados possam ser perdoados." (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,33. 370 DC) 

 23. Proibido acesso dos leigos à Bíblia, incluída no índice de livros proibidos pelo Concílio de Valença – em 1229.

 Mentira desmascara no link: http://caiafarsa.wordpress.com/igreja-catolica-proibe-a-leitura-da-biblia/

Sobre o concilio: http://caiafarsa.wordpress.com/o-concilio-de-toulouse-proibiu-a-biblia/

 24. Dogma do purgatório, proclamado pelo Concílio de Florença – em 1439.

 Calunia desmascarada em: http://caiafarsa.wordpress.com/purgatorio-503-o-purgatorio-comeca-a-existir/

 25. Confirmação da doutrina dos Sete Sacramentos – em 1439.

 Todos bíblicos e muito anteriores a data citada:http://www.catequisar.com.br/texto/materia/especial/sacramento/05.htm

 26. Ave Maria (parte da última metade foi acrescentada 50 anos depois, e aprovada pelo papa Sixto V no final do século 16) – em 1508.

 A Oração da Ave Maria é bíblica:

(Ave)Maria , cheia de graça (Luc 1 ,28).

 O Senhor é convosco (, Luc 1, 30) Bendita sois vós entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre, (Luc, 1, 42)

Jesus ( precisa de citação de versiculo para o nome de Jesus?) 

Santa Maria Mãe de Deus ( Luc 1, 43).

Rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte amém. (Maria intercede por nós como fez nas bodas de cana).

 27. Tradição, declarada, pelo Concílio de Trento, como autoridade igual à da Bíblia– em 1545.

 "Em nome de Nosso Senhor, Jesus Cristo, mandamos que vos afasteis de todo irmão que se entrega à preguiça e não segue a tradição que de nós recebestes" (2 Tm 3,6)."Tu, pois, meu filho, sê forte na graça de Cristo, e o que de mim ouviste perante muita testemunha confia-o a homens fiéis capazes de ensinar a outros" (2 Tm. 1-2).

 Eis aqui a tradição oral.

 Nem tudo está na Bíblia:  "Há ainda muitas coisas feitas por Jesus, as quais, se se escrevessem uma por uma, creio que este mundo não poderia conter os livros que se deveriam escrever" (Jo 21,25).

S. Paulo: "Irmãos, ficai firmes e conservai as tradições que aprendestes, quer por palavra, quer por escrita nossa" (2 Tess 2,15).

 E como ficam os protestantes sem a tradição e sem a Igreja?

Não consta em nenhum documento que a Igreja tenha feito isso apenas em 1545, muito antes todos os Cristãos já acreditavam na Tradiçao apostólica. Inclusive Santo Atanasio “Ainda que os Católicos fieis a Tradição se reduzam a um punhado, eles são a verdadeira Igreja de Cristo.” (296 d.C - 373 d.C).

 28. Livros apócrifos foram acrescentados à Bíblia, pelo Concílio de Trento – em 1546.

 Apócrifos na bíblia? http://caiafarsa.wordpress.com/apocrifos-na-biblia/

Apócrifos ou canônicos? http://caiafarsa.wordpress.com/apocrifos-ou-canonicos/

Baruc é apócrifo? http://caiafarsa.wordpress.com/baruc-e-apocrifo/

 29. Proclamada a Imaculada Conceição da Virgem Maria, pelo papa Pio IX – em 1854.

 Quando a Igreja proclama um dogma, isso não significa que antes dele ser proclamado ele já não existia. Os Catolicos as vezes acreditavam e tinham sua fé alicerçada em Maria, e o Papa proclama como dogma, quando alguém ousa negar esta verdade, ela precisa ser retificada, pra ninguém poder negar, então mesmo que todos já cressem em determinado ensinamento, o papa apenas o declara como dogma pra ninguém ousar negar tal ensinamento apostólico, assim foi com a Imaculada conceição e assim é com todas as datas aqui citadas pelos hereges.

Há 150 anos em Lourdes, na França, Nossa Senhora apareceu para Santa Bernadette. Era o ano de 1858. Em 1854 o Papa Pio XI tinha proclamado solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria. 

S. Tiago Menor, o qual realizou o esquema da liturgia da Santa Missa, prescreve a seguinte leitura, após ler uns passos do antigo e do novo testamento, e de umas orações: “Fazemos memória de nossa Santíssima, Imaculada, e gloriosíssima Senhora Maria, Mãe de Deus e sempre Virgem“.

O santo Apóstolo não se limita a isso, mas torna a sua fé mais expressiva ainda. Após a consagração e umas preces, ele faz dizer ao Celebrante: “Prestemos homenagem, principalmente, a Nossa Senhora, a Santíssima, Imaculada, abençoada acima de todas as criaturas, a gloriosíssima Mãe de Deus, sempre Virgem Maria. E os cantores respondem: É verdadeiramente digno que nós vos proclamemos bem-aventurada e em toda linha irrepreensível, Mãe de Nosso Deus, mais digna que os querubins, mais digna de glória que os serafins; a vós que destes à luz o Verbo divino, sem perder a vossa integridade perfeita, nós glorificamos como Mãe de Deus” (S. jacob in Liturgia sua).

O evangelista S. Marcos, na Liturgia que deixou às igrejas do Egito, serve-se de expressões semelhantes: “Lembremo-nos, sobretudo, da Santíssima, intemerata e bendita Senhora Nossa, a Mãe de Deus e sempre Virgem Maria“.

Mais provas no link: http://www.lepanto.com.br/catolicismo/doutrina-catolica/a-imaculada-conceicao/

 30. Silabo de erros, proclamado pelo papa Pio IX e ratificado pelo Concílio Vaticano, condenando a liberdade de culto, de consciência, de pregação, de imprensa e os descobrimentos científicos que são desaprovados pela Igreja Católica Romana, sustentando a autoridade temporal do papa sobre todos os governantes civis – em 1864.

 Igreja Católica, Mãe da civilização moderna: http://caiafarsa.wordpress.com/igreja-catolica-mae-da-civilizacao-moderna/

A Igreja e o Avanço científico: http://caiafarsa.wordpress.com/igreja-catolica-e-o-avanco-cientifico/

Quanto a data de Pio IX, nada consta de verídico, apenas mentiras, como vocês podem ver nos links acima, a Igreja NUNCA condenou a ciência, muito pelo contrário, a ciência nasceu dentro da Igreja.

 31. Proclamada, pelo Concílio Vaticano, a infalibilidade papal em matéria de fé e de moral – em 1870.

 No Link: http://caiafarsa.wordpress.com/1870-papa-e-declarado-infalivel/

 32. Assunção da Virgem Maria (ascensão corporal ao Céu, pouco depois de sua morte), proclamada por Pio XII – em 1950.

 Idem ao item 29 quanto a instituição dogmática.

Em primeiro lugar precisamos distinguir:  “Ascensão” é de Jesus.

A elevação de Maria ao Céu chama-se: “Assunção”.

 O Espírito Santo inspirou a Igreja, conforme promessa de Jesus em Jo 14,16. É mais do que lógico, pois ela é IMACULADA = CHEIA DE GRAÇA - conf. Lc 1,28.

 A Assunção de Maria aos céus é uma verdade sempre crida em toda a caminhada da Igreja. Têm fundamento bíblico, pois aquela que é "Cheia de Graça"(Lc 1,28) não poderia experimentar a corrupção. O Salário do pecado é a morte. Jesus morreu por nossos pecados, pois não possui próprios, mas seu corpo não experimentou a corrupção. Maria também não teve pecado (sua concepção foi imaculada), então seu corpo, como o do seu Filho não experimentou a corrupção.

 A solene proclamação do dogma foi feita pelo Papa Pio XII, na Bula "Munificentissimus Deus", de 01.11.1950:

 "Pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus, sempre Virgem Maria, cumprindo o curso de sua vida terrena, foi assumpta em corpo e alma à gloria celeste" (Dz. 2333)".

 "Roma locuta, causa finita". É Pedro (o Papa) exercendo a autoridade recebida de Jesus para "ligar e desligar"(Mt 16,19) e "confirmar os irmãos"(Lc 22,32). 

 33. Proclamação de Maria como mãe da Igreja, pelo papa Paulo VI – em 1965.

 Maria é Mãe de Cristo (Cabeça) é também mãe do Corpo (Igreja).

Pois está escrito: "Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja"(Cl 1,18);

Logo ela é também mãe do corpo que é a Igreja. É evidente que a IGREJA É ÚNICA: Pois não pode haver uma cabeça com mais de um corpo.

"Muitas igrejas" seria uma Cabeça com muitos corpos: Seria monstro (O monstro Protestante). 

 

 Gostou? Clique no links abaixo e conheça o blog que publicou essa postagem! É bom e útil que leia e estude nos três sites abaixo principalmente os assuntos citados na objeção

 caiafarsa.wordpress.com/

 oswaldo-superhancpetram.blogspot.com.br/2011/08/indice-das-mentiras-em-sites.html

 apolocatevang.blogspot.com.br/2009/06/voltar-ao-indice-mentiras-em-sites.html

 Ou você pode conseguir o resumo dos estudos destes três sites comprando o livro: "O indice das mentiras contra a Igreja Católica", à venda em: www.clubedeautores.com.br/book/145074--O_Indice_das_mentiras_contra_a_Igreja_Catolica?topic=ficcao#.U3qyx9JdV1Y

 estudo citado pelo blog:

 www.linkscatolicos.com.br/2013/01/as-9-piores-mentiras-protestantes.html#.U1WM8FVdVd8

 Leia ainda:

 CRONOLOGIA UNIVERSAL DAS MENTIRAS E SABOTAGENS PROTESTANTES

Por Fernando Nascimento

Uma vez protestante, ensinava Lutero: "Que mal pode causar se um homem diz uma boa e grossa mentira por uma causa meritória e para o bem da Igreja (luterana)." (Grisar, Hartmann, S.J., Martin Luther, His life & work, The Newman Press, 1960- pág 522).

O teólogo e humanista Erasmo de Rotterdam (1467-1536), amigo contemporâneo de Lutero, assim chegaram a se expressar diante da vil conduta do pai do protestantismo: "Revelarei a todos que mestre insigne és em falsificar, exagerar, maldizer e caluniar. Mas já toda gente o sabe... Na tua astúcia sabes torcer a própria retidão, desde que o teu interesse o requeira. Conheces a arte de mudar o branco em preto e de fazer das trevas luz". (Grisar, Luther, II, 452 e ss, apud Franca, IRC: 200, nota 96)

Diante de tamanho testemunho que comprova a aversão de Lutero à verdade, vejamos então as maiores mentiras e sabotagens históricas protestantes, forjadas ao longo de 496 anos contra a Igreja Católica:

 1520 – Inventam a primeira mentira contra o celibato: Lutero no final de 1520, fez uso de uma notória fábula para macular o bispo Ulrich, de Augsburg, publicando-a em Wittemberg com seu prefácio. Essa publicação pretendia ser uma efetiva arma contra o celibato dos padres e religiosos. Nessa carta  o bispo Ulrich é representado narrando como cerca de 3000 (de acordo com outros, 6000) cabeças de crianças que teriam sido descobertas num reservatório de água do convento de freiras de São Gregório em Roma. (...) (Jerome) Emser desafiou Lutero a publicar essa questionável carta, e ele respondeu que não confiava muito nela. (sic!) Todavia, graças a seu patrocínio, a fábula pôde continuar sua destruidora carreira e foi zelosamente explorada. (Grisar, Hartmann, S.J., Martin Luther, His life & work, The Newman Press, 1960 pág. 177).

1525 – Adulteram a Bíblia colocando o termo “significa” onde Jesus diz que “É” seu corpo: o reformador suíço Zuinglio muda a Bíblia para acomodar sua heresia contra a presença real de Cristo na eucaristia: onde os Evangelhos e São Paulo dizem "isto é o meu corpo", o heresiarca traduz por "isto significa o meu corpo"! A respeito, comenta outro protestante: "Não é possível de modo algum excusar este crime de Zuinglio; a cousa é por demais manifesta;(...) ." (Conr. Schluesselburg, Theologia calvinista, Francofurte, a M. 1592, 1. 2, f. 43 b.), escreve ainda o mesmo autor: "Não o podeis negar nem ocultar porque andam pelas mãos de muitos os exemplares dedicados por Zuinglio a Francisco, rei de França, e impressos em Zurique no mês de março de 1525, in 8o. Na aldeia de Munder, na Saxônia, no ano 60 eu vi na casa do reitor do colégio, Humberto, não sem grande maravilha e perturbação, exemplares da Bíblia alemã, impressas em Zurique, onde verifiquei que as palavras do Filho de Deus haviam sido adulteradas no sentido dos sonhos de Zuinglio. Em todos os quatro lugares (Mt., 26; Mc., 14; Lc., 22; I cor., 11) em que se referem as palavras da instituição do Filho de Deus, o texto achava-se assim falseado: Das bedeutet meinen Leib, das bedeutet meinen Blut, isto significa o meu corpo, isto significa o meu sangue." (Conr. Schluesselburg, op. cit. f. 44 a.) (citações em padre Leonel Franca, op. cit., pág .

As posteriores edições protestantes foram impressas corrigindo essa sabotagem de Zuinglio, que foi inclusive denunciado por Lutero, pois Lutero levantou-se contra o tal dizendo: ” ’é’ não pode ser traduzido por 'significa'”. (Uma Confissão a respeito da Ceia de Cristo - Von Abendmahl Christi, Bekenntnis WA 26, 261-509, LW 37. 151-372, PEC 287-296. - SASSE, H. Isto é o meu Corpo, p. 107).
Infelizmente, por causa do estrago causado pela falsificação de Zuinglio, a maioria dos protestantes apesar da correção das novas traduções continuam a ensinar erroneamente que o pão e o vinho consagrados, “significam” o corpo e sangue de Cristo. Sendo assim eles comem e bebem indignamente a própria condenação, como bem diz as Escrituras:“Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor." (1Cor 11, 28-29)

1540 – plantam a mentira que a Igreja é contra a ciência: um pastor protestante sabotou a obra do padre Copérnico sobre o heliocentrismo, em sua dedicatória ao Papa. Isso ajudou os protestantes mais tarde a propalarem falsamente que os papas eram contra o heliocentrismo. Naquele ano, o astrônomo Rheticus enviou para publicação o livro completo de Copérnico, De Revolutionibus ("As Revoluções"), cujo primeiro exemplar chegou às mãos de Copérnico em leito de morte, em 1543. Provavelmente não teve consciência de que o seu prefácio, dedicado ao Papa Paulo III, fora substituído por outro, anônimo, de Andreas Osiander (1498-1552), um pastor Luterano interessado em Astronomia, em que insistia sobre o caráter hipotético do novo sistema. Esse pastor também modificou o nome da obra para De Revolutionibus Orbium Coelestium ("As Revoluções do Orbe Celeste"). No livro, que tinha o texto já aprovado pelo Papa, Copérnico declarava e provava matematicamente que a Terra cumpria "uma revolução em torno do Sol, como qualquer outro planeta”. Fonte: http://www.euniverso.com.br/Cult/Mestres_e_artistas/Copernico.htm

Essa dedicatória omitida, acaba por colaborar com a falsidade que circula até hoje dizendo que os Papas eram contra a ciência. Não existiria essa falsidade se o prefácio da obra de Copérnico não tivesse sido criminosamente removido na gráfica por um pastor luterano. 

Quem na verdade era contra Copérnico e a ciência, a qual chamava de “razão”, era Lutero, que assim se expressava: “O abade Copérnico surgiu, pretendendo que a terra girasse em torno do Sol.” - Lutero deu de ombros -“Lê-se na Bíblia que Josué deteve o Sol; não foi a Terra que ele deteve. Copérnico é um tolo.”(Funck-Brentano, Martim Lutero, Casa Editora Vecchi, 1956, 2a. ed. Pág. 145).
Deste modo Lutero via a ciência: “A razão é a prostituta, sustentáculo do diabo, uma prostituta perversa, má, roída de sarna e de lepra, feia de rosto (sic), joguemos-lhe imundícies na face para torná-la mais feia ainda.” (Funck-Brentano, Martim Lutero, Casa Editora Vecchi, 1956, 2a. ed. Pág. 217).

Hoje o que vemos, são alguns protestantes e outros inimigos da Igreja, desonestamente querendo inverter os papéis, a caluniar que a Igreja é que é a “inimiga da ciência”. A história universal advoga contra estes.

1546 – Forjam a mentira da fixação das teses de Lutero: após a morte de Lutero, Melanchthon inventa a lenda em que Lutero teria fixado 95 teses contra a Igreja, no pórtico da igreja do castelo de Wittenberg. Os historiadores Gottfried Fitzer, Erwin Iserloh e Klemens Houselmann negam que isso tenha ocorrido. Do relato de Johannes Schneider, um criado de Lutero, é que se extraiu de maneira errada a notícia da afixação das teses. Não é encontrado, em seu manuscrito, nenhuma referência a este fato. Lê-se apenas:"No Ano de 1517, Lutero apresentou em Wittenberg-sobre­ o Elba, segundo a antiga tradição da universidade, certas sentenças para discussão, porem modestamente e sem haver desejado insultar ou ofender alguém." Ou seja, aquilo não passava de reles tese estudantil que até defendia o Papa, mas com alguns erros teológicos cometidos pelo autor, que foi em pouco tempo corrigido. (FITZER, Gottfried. Was Luther wirklich sagte, Verlag Fritz Molden, Wien-Muchen-Zurique, 1968.)

1546 – Plantam a mentira “a Igreja vendia lugares no céu”: esse embuste acusava o Papa de estar vendendo indulgências para construir a Basílica de São Pedro. Tudo falsidade que se desfaz mediante simples leitura das teses de Lutero, especialmente a de nº 50, que diz: “Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.” As acusações de que o perdão dos pecados foi vendido por dinheiro, independentemente de contrição, ou que a absolvição de pecados a ser cometidos no futuro poderiam ser comprados são infundadas. (Paulus, "Johann Tetzel", 103). Tetzel ", 103).

O que aconteceu de fato em 1517, foi a desobediência de um monge isolado, numa distante cidade alemã, longe do conhecimento do Papa em Roma, que teria cobrado pelas indulgências que são dadas gratuitas pela Igreja. Este monge era o Johann Tetzel, o mesmo foi punido disciplinarmente e morreu de desgosto adiante, inclusive sendo consolado magnanimamente por Lutero que antes o havia injustamente acusado de ter dito que uma indulgência comprada perdoaria até quem “violasse a mãe de Deus.”

Uma outra falsa frase que ilustra ainda hoje panfletos difamatórios diz: "Tão logo o dinheiro no cofre tilintar, a alma do purgatório sairá voando". A Bula Papal de indulgência não deu qualquer sanção para essa proposição. Foi uma opinião escolar vaga, refutada em 1482, e novamente em 1518, e certamente não é uma doutrina da Igreja, que foi assim indevidamente apresentada por difamadores como “verdade dogmática”. (consulta: Ludwig von Pastor , A História dos Papas, a partir do final da Idade Média, Francisco Kerr Ralph, ed., 1908, B. Herder, St. Louis, Volume 7, pp 347-348.)

1553 – Inventam a mentira que a Igreja proibiu a Bíblia: essa mentira dá conta que, o Papa Júlio III teria convocado três bispos que teriam optado por proibir a leitura da Bíblia visando “manter” a autoridade da Igreja. O autor desta farsa foi Pier Paolo Vergério (1498-1565), um protestante, grande inimigo da Igreja. O falsário na época, deu um jeito de colocar tal falsidade escrita dentro da Biblioteca Nacional de Paris, para dar-lhe ares de veracidade.

Recentemente o apologista católico Oswaldo Garcia deu-se ao trabalho de verificar isso junto àquela biblioteca e recebeu a seguinte informação: "O texto que procurais é uma crítica em estilo satírico, dirigida ao Papado e publicada em 1553 com o título "Consilium quorumdam apiscoporum Bononiae Congregatorum quod de ratione stabiliendae Romanae Ecclesiae Iulio III P.M. datum est". O seu autor Pier Paolo Vergério (1498-1565) Bispo de Modruch, e, depois, de Capo d'Istria, aderiu posteriormente à reforma protestante em 1549 aproximadamente, põe em cena Bispos que prestam conselho ao Papa Júlio III sobre a maneira de restabelecer a autoridade pontifícia". Às pessoas que interpelam esta instituição a respeito da autenticidade do documento, a biblioteca tem respondido: "É impossível que tal documento seja obra de alguma autoridade da Igreja Católica." Por sugestão do Garcia, esta informação foi publicada na revista "Pergunte e Responderemos" de novembro/2006, n. 533.

 

Veja, agora, uma norma católica de 1480, anterior à Revolta protestante, que por si só, seria suficiente para encerrar essa lenda que apregoa que a Igreja seria contra a Bíblia:

"Todos os cristãos devem ler a Bíblia com piedade e reverência, rezando para que o Espírito Santo, que inspirou as Escrituras, capacite-os a entendê-las... Os que puderem devem fazer uso da versão latina de São Jerônimo; mas os que não puderem e as pessoas simples, leigos ou do clero ... devem ler a versão alemã de que agora se dispõe, e, assim, armarem-se contra o inimigo de nossa salvação" (The publisher of the Cologne Bible [1480] ).

Bibliografia:
- Adolphe-Charles Siegfried, La Via et le travaux de Pierre-Paul Vergerio. Thése presentée [...] pou obtenir le grade de bachelier en théologie à la Faculté de théologie protestante de Strasbourg, Strasbourg, imprimerie de Vve Berger-Levrault, 1857
- Ugo Rozzo (a cura di), Pier Paolo Vergerio Il Giovane, um polemista attaterso l'Europa del Cinquecento, Atti del Convegnho intternazionale di studi, Forum Edizioni,2000.

1563 – Inventam a mentira que a Igreja teria acrescentado sete livros à Bíblia: era o final do Concílio de Trento, essa mentira foi plantada para desacreditar a Igreja e aquele Concílio feito para enfrentar a rebelião protestante. Sobre a Bíblia, tudo que houve neste concílio foi a pura confirmação do cânon dos 73 livros reafirmados nos concílios anteriores. Para desmascarar os propagadores dessa mentira basta mostrar-lhes que Santo Agostinho, no ano 397, em sua obra “Sobre a Doutrina Cristã, livro 2, cap. 8, 13” já aparece citando o cânon Bíblico de 73 livros : "... O cânon inteiro da Bíblia é o seguinte: os cinco livros de Moisés, ou seja, Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, ... Tobias, Éster eJudite, e os dois livros de Macabeus , ... , Sabedoria e Eclesiástico, ... Baruque, ..."

Na verdade os protestantes é que posteriormente arrancaram sete livros da Bíblia, as Bíblias dos reformadores continham os 73 livros, o próprio Lutero os traduziu na sua edição da Bíblia datada de 1534. Foi somente no século XIX que as Sociedades Bíblicas protestantes deixaram de incluir nos seus exemplares da Bíblia os sete livros deuterocanônicos.

Para confirmar de vez a mentira e a grave mutilação Bíblica feita pelos protestantes, basta conferir os livros da Bíblia de Gutemberg, impressa antes da reforma protestante e quase um século antes do Concílio de Trento, pois os livros Tobias, Judite, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruque que eles arrancaram estão lá. Este é o link direto, onde você pode ver escaneados todos os livros da Bíblia de Gutenberg e seu catálogo: http://prodigi.bl.uk/treasures/gutenberg/search.asp

Você poderá também, visitar a Biblioteca Nacional – Sede: Av. Rio Branco, 319 – Rio de Janeiro – CEP 20040-009 – Tel.: 55 21 3095 3879.

 

1563 – Chamam “apócrifos” os livros sagrados que excluíram das bíblias protestantes: essa manobra foi feita para justificar a exclusão dos sete livros: Tobias, Judithe, Sabedoria, I Macabeus, II Macabeus, Eclesiástico e Baruque, que contrariavam a recém criada religião protestante. Esses livros faziam parte da Bíblia Septuaginta usada pelos apóstolos, e vários destes foram encontrados integrando os escritos cristãos primitivos achados em 1947 no Mar Morto. Ao contrário do que dizem os protestantes, “Apócrifo” sempre significou: escritos de assunto sagrado não incluídos pela Igreja no Cânon das Escrituras autênticas e divinamente inspiradas. (Dicionário Enciclopédia. Encarta 99). Ou seja, “apócrifos” são os livros que ficaram fora do Cânon da Igreja Católica no século 4. Fica evidente que os protestantes para mais uma vez caluniarem a Igreja Católica, simplesmente resolveram chamar de “apócrifos”, os Livros Sagrados que começaram a rejeitar no século 16.

1685 – Criam a lenda de que o protestantismo teria surgido no dia da falsa fixação das teses de Lutero: como seria possível isso se Lutero ainda era católico e defendia o Papa naquelas teses, dizendo entre muitos outros muitos elogios: “Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.”(Tese nº 9).

Na verdade, foi ao final do século XVII, contexto da expansão militar de Luís XIV (que revogou o Édito de Nantes em 1685), que se começou a celebrar nos meios protestantes o dia de lançamento das teses de Lutero como um “marco de ruptura” com Roma. (Alexander Martins Vianna, Professor do Departamento de História da FEUDUC-RJ).

1819 – Caluniam que um “padre” traduziu a bíblia protestante para o português: no maior “conto do vigário” da história, João Ferreira de Almeida, um protestante adolescente de 16 anos de idade, de origem portuguesa (que não era padre coisa nenhuma, mas usava esse título para ganhar credibilidade), afirmava ter feito a primeira tradução em língua portuguesa da Bíblia, diretamente dos originais em hebraico e grego, o que não é verdade.

Este, nunca teve a mão os originais da bíblia, mas, escritos do séc. XVI. Também valeu-se de traduções católicas em vários idiomas, como atesta a Enciclopédia Wikipédia: “João Ferreira de Almeida lançou-se num enorme projecto: a tradução do Novo Testamento para o português usando como base parte dos Evangelhos e das Cartas do Novo Testamento em espanhol da tradução de Reyna Valera, 1569. Almeida usou também como fontes nessa tradução, as versões: Latina (de Beza), Francesa [Genebra, 1588] e Italiana [Diodati 1641] - todas elas traduzidas do grego e do hebraico. O trabalho foi concluído em menos de um ano quando Almeida tinha apenas 16 anos de idade.”http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Ferreira_de_Almeida

A tradução do NT do adolescente João Ferreira tinha tanto erro, que os revisores passaram quatro anos tentando corrigir o que ele fez em menos de um. Ele morreu em 1691, sem completar o VT, e outro continuou a desastrada missão. Antes de morrer, João Ferreira publicou uma lista de mais de mil erros em seu Novo Testamento, e Ribeiro dos Santos afirma serem mais. (Ribeiro dos Santos foi um importante historiador do protestantismo brasileiro. Ele era pastor presbiteriano).

Só em 1819 a bíblia completa de João Ferreira de Almeida foi publicada em um só volume pela primeira vez, com o título: “A Bíblia Sagrada, contendo o Novo e o Velho Testamentos, traduzida em português pelo Padre João Ferreira de Almeida, ministro pregador do Santo Evangelho em Batávia.(...)” .

Note que 128 anos depois da morte de João Ferreira, o continuaram chamando de “padre” no prefácio para agregar credibilidade a tal bíblia errática. Esta edição foi mais tarde reimpressa com a ressalva: “EDIÇÃO REVISTA E CORRIGIDA”, e depois novamente com: “ALMEIDA CORRIGIDA E FIEL”. Tais avisos significam, em bom português, que as edições anteriores estão sempre erradas.

1836 – Inventam a “Noite de São Bartolomeu” contra a Igreja: o alemão Giacomo Meyerbeer (1791- 1864 ) forja em 1836, uma ópera intitulada “Les Huguenotes” onde numa farsa musical, atribui a morte de protestantes (chamados huguenotes), envolvidos em brigas políticas como os reis em 1572, à Igreja Católica. Deram a esse episódio político o nome de “Noite de São Bartolomeu”, para sutilmente o vincularem a Igreja. Porém, não foi a Igreja e nem o Papa, e nem o alto clero francês que determinaram aquele massacre. Seria preciso lembrar que, antes, os protestantes haviam feito outros massacres de católicos, assassinado o Duque Francisco de Guise, destruído igrejas e profanado muitas vezes hóstias consagradas e destruído imagens. Os huguenotes eram uma bem pequena fração dos franceses, mas nessa minoria ínfima, se contavam inúmeros príncipes e personagens muito importantes que armavam os protestantes. Nesta tardia ópera, forjada 264 anos após os fatos, Meyerbeer vergonhosamente colocava o cardeal de Lorena, que no momento do massacre estava em Roma, a abençoar em Paris os punhais destinados à matança. Se a Igreja Católica de fato tivesse tido parte nisto, em 1593, o líder protestante huguenote, Henrique IV, que escapou do citado massacre, não teria se convertido voluntariamente e definitivamente ao Catolicismo. Consultas: DEVIVIER, Pe. W., SJ. Curso de Apologética Christã, 3ª ed., São Paulo: Melhoramentos, 1925, pp. 426-429; Enciclopédia Microsoft Encarta 99.

1858 – Inventam a mentira que as doutrinas católicas têm origens pagãs: o ministro protestante escocês Alexander Hislop, publica o mentiroso livro "A Duas Babilônias", onde alega que a religião da antiga Babilônia, sob a liderança do Nimrod e sua esposa, recebeu mais tarde disfarces de sonoridade cristã, transformando-se na Igreja Católica Apostólica Romana. Com efeito, existiriam duas "Babilônias": uma antiga e outra moderna (a Igreja Católica). É deste livro que dimanam os insultos protestantes que caluniam que as doutrinas católicas são pagãs, desde a hóstia até a celebração do Natal. Ainda hoje os vemos com tal insulto na ponta da língua.

Recentemente, o pastor, Ralph Woodrow, escritor protestante, reconheceu as acusações infundadas e retirou das livrarias e substitui seu livro que se baseava nas mentiras de Alexander Hislop. Aponta Ralph Woodrow: "É impressionante como ensinamentos infundados como esses circulam e se tornam críveis. Qualquer pessoa pode ir a qualquer biblioteca e consultar qualquer livro sobre a história antiga da Babilônia: nenhuma destas coisas poderá ser encontrada. Essas afirmações não possuem fundamento histórico; ao contrário, são baseadas em um monte de peças de quebra-cabeças sobre mitologia juntadas arbitrariamente.” (Confira em: http://www.ukapologetics.net/1hislopbaby.html )
Para entender as doutrinas católicas, bastava estudarem a Bíblia e a Patrística.

 

1883 – Forjam um sanguinário juramento e os atribuem aos jesuítas, para posar de perseguidos ao mundo: o escritor francês Charles Didier (1805-1864), forja em seu livro “Rome Souterraine”, um sanguinário “juramento” atribuindo-o aos jesuítas. Esse falso juramento, ainda mais carregado de brutalidades, continua sendo amplamente usado pelos protestantes em apostilas e na internet. No ano de 1912 no estado da Pensilvânia-EUA, eles o utilizaram alterado para ganhar uma eleição estadual contra o democrata católico, Eugene C. Bonniwell. Para ver a investigação que desmascarou a farsa, acesse:

http://fimdafarsa.blogspot.com/2011/06/o-juramento-dos-jesuitas-refutado.html 
 

1962 – Reúnem todas as calúnias e lançam o livro “Catolicismo Romano” repleto de falsidades: o protestante presbiteriano Loraine Boettner (1901-1990), lança o livro “Catolicismo Romano” que era conhecido como “A bíblia do Anti-catolicismo”. O livro continha quatrocentos e cinqüenta páginas com todos os tipos de distorções e mentiras sobre a Igreja Católica. Ainda hoje muitos protestantes fazem uso das falsidades constante naquele livro. O ministro protestante Scott Hahn distribuiu este embuste. Scott Hahn converteu-se ao catolicismo, provando ser o conteúdo do livro uma farsa. O cd do seu testemunho de conversão atingiu o maior número de cópias distribuídas em todos os tempos. O seu testemunho pode ser acessado aqui:

http://www.legiomariae.kit.net/Canais/Apologetica/Protestantismo/testemunhoscot.htm 
 

1963 – Aliam-se aos comunistas para injuriosamente fazer da Igreja Católica cúmplice do nazismo: o protestante Rolf Hochhuth, para macular o Papa Pio XII escreve a peça “O Vigário” (1963), onde criminosamente põe o Papa como colaborador de Hitler. Essa farsa culminou mais tarde no livro de John Cornwell, "O Papa de Hitler" (1999). Foi tudo de cabo a rabo uma criação da KGB. A operação foi desencadeada em 1960 por ordem pessoal de Nikita Kruschev. Pacepa foi um de seus participantes diretos. Entre 1960 e 1962 ele enviou a Moscou centenas de documentos sobre Pio XII. Na forma original, os papéis nada continham que pudesse incriminar o Papa. Maquiados pela KGB, fizeram dele um virtual colaborador de Hitler e cúmplice ao menos passivo do Holocausto. (leiam a história inteira aqui: http://www.nationalreview.com/articles/219739/moscows-assault-vatican/ion-mihai-pacepa ).


Desmoralizando estes difamadores: Albert Einstein (1879-1955), um refugiado do nazismo, e a primeira-ministra israelense Golda Meir (1898-1978), por exemplo, expressaram publicamente sua gratidão ao Santo Padre por salvar judeus do genocídio. Explicou à agência Zenit Gary L. Krupp, presidente da Fundação Judaica Pave The Way (PTWF): “Os judeus sobreviventes agradeceram pela oportunidade de saudar o Papa em alemão e italiano e de agradecer-lhe pela intervenção da Igreja Católica para salvar suas vidas durante a II Guerra Mundial.” (Fonte: http://www.zenit.org/article-18780?l=portuguese )

 

2003 – Lançam o filme “Lutero” recheado de mentiras e omissões: vendo o protestantismo definhar, tentam no cinema reabilitar Lutero, num tributo fantasioso ao pai da revolta protestante. Pois ainda que seus idealizadores tenham deixado de retratar fielmente a vida atribulada de Lutero, movidos claramente pela ideologia apaixonada que visou a reabilitação pública do monge alemão e o bem da Igreja luterana, usaram e abusaram do princípio escandaloso proposto pelo próprio Lutero: mentir a vontade, sem remorso, dizer boas e grossas mentiras! De antemão se sabia que o filme seria tendencioso, pois fora patrocinado por um fundo luterano milionário – Thrivent – bem como pela Federação Luterana. Mas o resultado ultrapassou em muito as piores perspectivas:

Do soberbo Lutero fizeram um religioso humilde, quando aquele na verdade dizia: "Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte [do poço de Jacó] de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: Que fez, então, com ela? Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer". (Lutero, Tischredden, Conversas à Mesa, N* 1472, edição de Weimar, Vol. II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martim Lutero, Ed Vecchi Rio de Janeiro 1956, p. 15).

Do infiel Lutero, fizeram um homem leal, quando aquele dizia: "Eu tive até três esposas ao mesmo tempo."(Lutero). Dois meses após ter dito isto, Lutero se casa com uma quarta mulher, uma freira. (Guy Le Rumeur, La révolte des hommes et l'heure de Marie 1981, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi - Daniel Raffard de Brienne 1983).

Do assassino Lutero, fizeram um santo, quando aquele dizia: "Eu, Dr. Martim Lutero, durante a rebelião matei todos os camponeses, porque fui eu quem ordenou que eles fossem mortos. Todo o sangue deles está sobre minha cabeça. Mas eu o ponho todo sobre Deus Nosso Senhor; pois foi ele quem assim me mandou falar!" ("Tischredden", Ed. Erlangen, Vol. 59, p. 284)

Jesus edificou Sua única Igreja sobre Pedro apóstolo (Mateus 16,18), nos ensinou que o Diabo é o pai da mentira (João 8,44), e príncipe deste mundo (João 12,31; 14,30; 16,11). Também nos ensinou que Ele, Jesus, é a verdade o caminho e a vida (Jo 14, 6), que sua Igreja é a coluna e fundamento da verdade (1 Timóteo 3,15) e que seu reino não é desse mundo (Jo 18, 36).

Não sendo o reino de Jesus deste mundo e Sua Igreja nesse mundo, a coluna e fundamento da verdade que conduz a Seu Santo reino, é natural que o Diabo, príncipe deste mundo, atue por meio da mentira contra a Igreja, usando os mais inesperados meios para que as almas a odeiem e neste mundo permaneçam para sempre.

Isto se confirma pelo que você acabou de ler. Observe que são exatamente essas mentiras e sabotagens históricas que moldam o DNA do protestantismo, que passa muito longe de ter sido uma revelação divina. Parece até que o protestantismo precisa de mentiras para se sustentar e tentar ganhar adeptos.
Deus tenha piedade!

 

Fonte:http://farfalline.blogspot.com/2013/09/cronologia-universal-das-mentiras-e.html

Estudo citado pelos blogs: 

fimdafarsa.blogspot.com.br/2011/06/cronologia-universal-das-mentiras-e.html

www.linkscatolicos.com.br/2013/09/cronologia-universal-das-mentiras-e.html#.U1WQQFVdVd9

 Leia outros estudos abordando o mesmo assunto da objeção, em:

   III. Dogmática. F.R. D (teresina): Têm-se difundido folhetos intitulados "cerdidão de nascimento de algumas invenções ou inovações da Igreja Católica Romana" e outros congêneres. Insinuam que a Igreja tem deturpado o evangelho recebido de Cristo e dos apóstolos. Como julgar o caso? Revista pergunte e responderemos, n° 78/1964, págs 256- 272: www.catolicoporque.com.br/index.php/selecoes/revistas/pergunte-e-responderemos/1783-pr-078-junho-1964

  Objeções protestantes ao catolicismo. Revista pergunte e responderemos, n° 264/1982, págs 378-401: www.catolicoporque.com.br/index.php/selecoes/revistas/pergunte-e-responderemos/1968-pr-264-setembro-outubro-1982

  Será verdade? Origem dos dogmas e inovações da Igreja Romana, revista pergunte e responderemos, n° 295/1986, págs 552-563:

www.catolicoporque.com.br/index.php/selecoes/revistas/pergunte-e-responderemos/1999-pr-295-dezembro-1986

  Um livro polêmico: Catolicismo verdade ou mentira? Revista pergunte e responderemos, n° 407/1996, págs 173-181: www.catolicoporque.com.br/index.php/selecoes/revistas/pergunte-e-responderemos/2110-pr-407-abril-1996

  Um folheto polêmico: O Estado do Vaticano. Revista pergunte e responderemos, n° 357/1992, págs 60-74: www.catolicoporque.com.br/index.php/selecoes/revistas/pergunte-e-responderemos/2060-pr-357-fevereiro-1992

  Os católicos são pagãos?: www.pr.gonet.biz/index-read.php?num=1654

  27 razões porque não sou católico romano: www.pr.gonet.biz/kb_read.php?pref=htm&num=15

  Lista das heresias catolicas e respostas: oficiocatolico.blogspot.com.br/2012/09/lista-das-heresias-catolicas-e-respostas_8365.html

  Grandes mitos sobre a igreja católica: www.caosdinamico.com/2010/11/grandes-mitos-sobre-igreja-catolica-1.html

  As 12 mentiras históricas contra a Igreja: sublimeverdade.blogspot.com.br/2009/08/as-12-mentiras-historicas-contra-igreja.html

  Respostas a um adventista do 7° dia: sublimeverdade.blogspot.com.br/2009/08/as-12-mentiras-historicas-contra-igreja.html

  Baixe o livro: Horas de combate, de 1959, e leia principalmente a segunda parte; "Inovações do Romanismo", págs 47-136:(mas aproveite e leia-o todo) file:///C:/Users/Cliente/Downloads/Horas%20de%20Combate%20(1).pdf

  Respostas católicas: respostascatolicas.webnode.com.br/respostas-catolicas/

 

  9° Objeção: Martinho Lutero se revoltou contra a corrupção da Igreja Católica de sua época, principalmente contra a venda de indulgências, ou seja, venda de perdão dos pecados, garantindo assim um lugar no céu. Diante de tais corrupções ele se recusava a acreditar que a Igreja Católica continuava a ser a Igreja de Jesus Cristo.

 

NOSSA RESPOSTA:

 

 

A lenda da “VENDA DE INDULGÊNCIAS”

A MENTIRA PROTESTANTE:

“O dominicano João Tétzel tornou-se famoso vendendo um documento oficial que “dava o direito antecipado de pecar!” Negociava outra indulgência incrível que garantia: “Ainda que tenhas violado Maria mãe de Deus, descerás para casa perdoado e certo do paraíso!” O papa Leão X ano 1518 continuou o blefe, necessitando restaurar a igreja de São Pedro que rachava usou cofres com dizeres absurdos tais como: ” Ao som de cada moeda que cai neste cofre uma alma desprega do purgatório e voa para o paraíso!”

ONDE SE ENCONTRA A MENTIRA PROTESTANTE:

http://www.sobreasaguas.com.br/romano.htm

A VERDADE DOCUMENTAL:

A fonte da mentira acima, “O Papa e o Concílio”, faz parte de um compêndio alemão de calúnias que ganhou fama no Brasil, por ter sido traduzido pelo então jovem, Rui Barbosa.

O livro “O Papa e o Concílio”, foi forjado na Alemanha em 1870, pelo apostata Döllinger, sob o pseudônimo de Janus, por encomenda do tirano Bismarck, para irresponsavelmente atacar a Igreja, tendo sido esquecida depois por ser um trabalho sujo; traduziu-a Rui Barbosa, em sua juventude, e depois arrependeu-se, pelas calúnias e pelo ataque apaixonado que o livro faz contra a Igreja Católica, não permitindo mais sua reimpressão enquanto vivo; após a sua morte, sarcasticamente reimprimiram a obra, rejeitando porém um prefácio que explicava o arrependimento de Rui Barbosa. Bismarck foi um tirano alemão, que tentou resolver os problemas da Alemanha com “sangue e aço”, e também calúnias contra a Igreja. (Enciclopédia Encarta 99), http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=apologetica&artigo=20040830124106&lang=bra

Veja na página nº 6, da Academia de Letras, a repulsa de Rui Barbosa pelo livro: http://www.academia.org.br/abl/media/celebracao12.pdf

Ao fim de sua vida, disse o já experiente e ainda mais católico Rui Barbosa:

“Estudei todas as religiões do mundo e cheguei a seguinte conclusão: religião, ou a Católica ou nenhuma.” (Livro Oriente, de Carlos Mariano M. Santos (1998-2004) – Art 5).

Este mesmo Rui Barbosa foi elogiado pelo Papa, quando de sua visita a Campo Grande, em 1991.

DEMONSTRANDO OS FATOS PELA PENA DE LUTERO:

 

Por volta de 1515, Um monge alemão, chamado Lutero, irou-se contra outro monge na Alemanha, que em desobediência ao Papa (em Roma), andava cobrando pelas indulgências apostólicas numa pequena cidade alemã.

Daí em 31 de Outubro de 1517, a tese de Lutero nº 91: “Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do Papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido”.

Veja que, o que o mercenário monge Tetzel fazia, não era a opinião do Papa. Na verdade, a cólera de Lutero, foi contra o ato deste dominicano mercenário, chamado Johann Tetzel. Como prova disso, dizia Lutero em sua tese nº 50: “Deve-se ensinar aos cristãos que, se o Papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas”.

Mas, os protestantes não ensinaram nada disso. Desonestamente ensinam até hoje que foi o Papa que vendia as indulgências, até caluniam que Tetzel vendia bula papal, pura calúnia odiosa.

Lutero não era contra as indulgências apostólicas,

Escreveu em sua tese 71: “Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.” E sim, contra a venda delas por inescrupulosos que faziam isso sem o conhecimento do Papa, coisa que os protestantes maliciosamente resolveram distorcer para diabolicamente rapinar na ignorância.

Até os slogans sujos atribuídos ao mercenário Tetzel, eles transferiram para a boca do Papa. Deus tenha misericórdia destes “artistas da oratória” (1Cor 1,17).

Os malandros produtores do filme “Lutero”, usaram até uma falsa lenda, atribuindo a Tetzel uma frase terrível e inverídica. Veja a farsa:

“(…) o filme atribui o rumor escandaloso, aludido por Lutero, de que Tetzel afirmava que absolveria com sua indulgência mesmo aquele que (per impossibile) “violasse a mãe de Deus,” apesar de Tetzel negar isso de forma indignada e ter testemunhas oculares para respaldar essa declaração.” (Greydanus): http://www.decentfilms.com/commentary/luther.html

O próprio Lutero alertava contra esses caluniadores que visavam diminuir o poder papal de perdoar, em sua tese 77:  “A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o Papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa” .Como vemos, um mar de mentiras engoliu os protestantes de hoje. Vivem uma fantasia odiosa virtual, onde só o dinheiro de seu “dízimo” é real ($).

E continua na tese 78: “Dizemos contra isto que qualquer Papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I. Coríntios XII”.

 

A Igreja Católica nunca vendeu indulgência, Lutero rebelou-se incitado por príncipes devassos alemães. O Papa levou dois anos o convidando amigavelmente a comparecer a Roma para reconciliar-se.

Escreveu-lhe o Papa: “… volte e se afaste de seus erros. Nós o receberemos bondosamente como ao filho pródigo retornando ao abraço da Igreja.” (Bula: Exsurge Domine, Leão X – 15/6/1520). Lutero recusou, fazia arruaças queimando as bulas, até ser excomungado.

Em 25 de novembro de 1521 escreveu o confuso Lutero, aos agostinianos de Wittenberg: “Com tamanha dor e trabalho eu devo justificar a minha consciência de que eu sozinho devo acusar o Papa de anticristo e aos bispos de seus apóstolos. Quantas vezes meu coração não me abordou e me puniu com este forte argumento: ‘Isto é correto? Poderiam todos estarem errados e terem errado por todos os séculos? O que há de acontecer se tu errares e liderar uma multidão à condenação eterna?’” (De Wette, 2. 107, citado em O’Hare, p. 195).

No final da vida, admitindo seu erro, escrevia Lutero arrependido: “Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas interpretações da Escritura que por aí correm.” (Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les temps presents, tomo IV (7), p. 289). Ele morreu e sua multidão de seguidores foi entregue a “condenação eterna”.

Assegurou Gottfried Fitzer, no livro Was Luther wirklich sagte: nunca houve a propalada exposição pública das “noventa e cinco teses” de Lutero. É UMA FARSA, também confirmada por dois historiadores, Erwin Iserloh e KIemens Houselmann. Do relato de Johannes Schneider, um criado de Lutero, é que se extraiu de maneira errada e fantasiosa, a notícia da afixação das teses.

Não encontramos, em seu manuscrito, nenhuma referência a este fato, escreveu apenas: “No ano de 1517, Lutero apresentou em Wittenberg, sobre o EIba, segundo a antiga tradição da universidade, certas sentenças para discussão, porém modestamente e sem haver desejado insultar ou ofender alguém” . Foi tudo uma farsa que engana os protestantes até hoje. Sabe-se que esta lenda da afixação das teses, foi inventada mais tarde, após a morte de Lutero, pelo alemão Melanchthon, em 1546. Provou-se que ele, Melanchthon, em 1517, estava na cidade de Tünbigen, e não em Wittenberg.

Sábio conselho é o de Jesus nas Escrituras: O diabo é o pai da mentira (Jo 8,44).

Retirado do documentário:

RESPOSTA AO FALSO DOCUMENTARIO O ESTADO DO VATICANO, que tem como autor Fernando Nascimento.

Conheçam mais deste documentário neste link:

http://www.caiafarsa.com.br/ULTIMATO/resposta2221.htm

Fonte: caiafarsa.wordpress.com/a-lenda-da-%E2%80%9Cvenda-de-indulgencias%E2%80%9D-2/

O MITO DA VENDAS DE INDULGÊNCIAS

PROVAS QUE AS VENDAS DE INDULGÊNCIAS NÃO PARTIU DA IGREJA

  Meus irmãos: Esse tópico será totalmente dedicado a Martinho Lutero, pai dos protestantes, pois os protestantes julgam que esse rapaz lutou contra o Papa e contra a “corrupção da Igreja” na era medieval, sendo por isso excomungado injustamente e a Igreja Católica o excomungou para continuar a “corrupção”, vendendo indulgências (absolvições). O que mais me chama atenção é que os protestantes nem sabem quem foi Lutero, pai dos protestantes, e muito menos leram alguma obra dele ou suas 95 teses.
  Os protestantes que dizem seguir Lutero, apenas seguem as lendas que inventaram sobre ele, pois por causa das indulgências em nenhum momento Lutero condenou a Igreja, o Papa ou o clero. Na verdade a Igreja nunca mandou vender indulgências, e isso Lutero deixa bem claro em suas teses. A Igreja pedia sim “ofertas” para construção da basílica de São Pedro (O que não há nada de ilícito), e é muito diferente.
  Baseando-se nisso forjou-se a lenda de que Lutero teria entrado em atrito com a Igreja por causa de “vendas de indulgências”, quando na verdade, Lutero se levantara particularmente contra o monge alemão Tetzel, na Alemanha, se iniciando assim, uma disputa entre os dois. Lutero por sua vez o acusava de vender indulgências sem possuir qualquer autoridade do Papa para tal. Mais tarde o próprio Lutero iria se desculpar do monge Tetzel, pelas calúnias que espalhou contra aquele.
  Provarei pelas 95 teses de Lutero, rei dos protestantes, que em nenhum momento ele afirma que as supostas vendas de indulgências vieram de Roma, muito pelo contrário, ele afirma em suas 95 teses que os vendedores de indulgências faziam isso sem que o Santo Padre soubesse.
  As 95 teses de Lutero:
  Tese - 91: (Lutero Afirma que as indulgências em conformidade com o Papa nada tinham a ver com a briga dele com seu oponente).
  “Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do Papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido”.
Tese - 71: (Lutero diz; aquele que vendia indulgências o fazia sem conhecimento do Papa).
  “Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas".
Tese - 77: (Lutero alertava contra as Calunias que o Papa Sofria).
  “A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o Papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa”.
Tese – 38: (Lutero confirma a autoridade da cátedra de São Pedro).
  “Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina”.
Tese – 42: (Lutero diz; a corrupção das supostas vendas de indulgências não partiu do Santo Padre).
  “Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia”.
Tese – 50: (Novamente Lutero diz; o Papa de nada tinha a ver com as supostas corrupções das indulgências).
  “Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.”
Tese – 51: (Lutero diz; se o Papa soubesse das supostas corrupções venderia a basílica de São Pedro).
  “Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.”
Tese – 70: (Novamente Lutero diz; as supostas corrupções não foram autorizadas pelo Santo Padre).
  “Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbidos pelo papa.”
Tese – 75: (Lutero exalta a Mãe de Deus).
  “A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes a ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura”.
  Igreja Católica nunca vendeu indulgência, Lutero rebelou-se incitado por príncipes devassos alemães. O Papa levou dois anos o convidando amigavelmente a comparecer a Roma para reconciliar-se.

Escreveu-lhe o Papa:
  “... volte e se afaste de seus erros. Nós o receberemos bondosamente como ao filho pródigo retornando ao abraço da Igreja.”.
(Bula: Exsurge Domine, Leão X - 15/6/1520).
  Lutero recusou, fazia arruaças queimando as bulas, até ser excomungado.
  Os protestantes não conhecem sua própria história “lamentável”.
  Autor: Cris Macabeus.
  Colaboração dos blogs: Cai a Farsa, Fim da farsa e a comunidade Museu da Mentira.

  Fonte: www.pr.gonet.biz/kb_read.php?num=3050

 

           Indulgência: A Igreja Católica realmente vendia a Salvação?   

 

Existem poucos dogmas da Igreja Católica tão pouco compreendidos, ou tão grosseiramente mal representados por seus adversários, como a sua doutrina sobre as indulgências. Por esse motivo, faz-se necessário, aliás, imprescindível, à Apologética Católica que se trate do tema, tanto para a edificação do próprio católico quando para a justa defesa da Santa fé face aos não raros ataques.

Uma das razões para o equívoco popular sobre indulgências pode ser atribuída à falta de entendimento sobre o significado desse termo, ao qual ele foi gradualmente submetido. A palavra Indulgência originalmente significava remissão, favor ou perdão. Agora, ela é comumente usada no sentido de gratificação ilegal, e de alcance livre às paixões. Por isso, quando algumas pessoas ignorantes ou preconceituosas ouvem sobre concessão de uma indulgência pela Igreja, a idéia de “licença para pecar” é  apresentada às suas mentes.

A indulgência é simplesmente uma remissão, no todo ou em parte, pelos méritos superabundantes de Jesus Cristo e Seus santos, da pena temporal devida a Deus por causa do pecado depois da culpa e do castigo eterno terem sidos remetidos.

Deve-se ter em mente que, mesmo depois de nossa culpa ser removida, freqüentemente resta alguma pena temporal a ser submetida, seja nesta vida ou na próxima, como uma expiação para a santidade divina e da justiça. A Sagrada Escritura nos fornece muitos exemplos dessa verdade.  Maria, irmã de Moisés, foi perdoada do pecado que tinha cometido por murmurar contra seu irmão. No entanto, Deus infligiu sobre ele sua pena de lepra e de separação do povo por sete dias. [Num.21]

Natan, o profeta, anunciou a Davi que seus crimes haviam sidos perdoados, mas que ele deveria sofrer muitos castigos da mão de Deus. [2 Reis 12].

Que nosso Senhor deu à Igreja o poder de conceder indulgências é claramente deduzido a partir do Texto Sagrado. Ao líder dos Apóstolos Ele disse: “tudo o que ligares na terra será ligado no céu, e tudo o que tu desligares na terra será desligado também no céu.” [Mat. 16. 19.] E à todos os Apóstolos reunidos Ele fez a mesma declaração solene. [Ibid., 18. 18.] Com estas palavras, nosso Senhor deu poder à Sua Igreja para livrar seus filhos (se bem dispostos) de todos os obstáculos que poderiam retardar-los ao Reino dos Céus. Agora, existem dois impedimentos que detêm um homem do reino celestial – o pecado e o castigo temporal incorrido por ele. E a Igreja, tendo o poder de remeter o maior obstáculo, que é o pecado, tem também o poder para remover o menor obstáculo, que é a pena temporal devida por conta do mesmo.

A prerrogativa de conceder Indulgência foi exercida pelos pais da Igreja, desde o início de sua existência.

São Paulo exerceu isso em nome dos Corintios incestuosos que ele havia condenado a uma severa penitência proporcional à sua culpa, ” para que seu espírito seja salvo no dia do Senhor.” [I Coríntios. 5, 5] E tendo ouvido depois da contrição fervorosa daqueles coríntios, o apóstolo absolve-os da penitência que ele os tinha  imposto:. “Para ele, que é de tal modo, esta repreensão é suficiente, que é dado por muitos Então, que pelo contrário. você deveria perdoar e confortá-lo, para que, talvez, um tal ser engolido com o excesso de muita tristeza …. E para quem você perdoou nada, eu também. Pois, o que tenho perdoado, se eu lhe perdoei nada , por amor de vós o fiz na pessoa de Cristo. “[II Coríntios. ii. 6-10.]

Aqui nós temos todos os elementos que constituem uma indulgência. Primeiro – A penitência, ou castigo temporal proporcional à gravidade da infracção, é imposta ao transgressor. Segundo – O penitente é verdadeiramente contrito (arrependido) por seu crime. Terceiro – Esta contrição determina ao Apóstolo remeter a pena. Quarta – O apóstolo considera o relaxamento da penitência ratificada por Jesus Cristo, em cujo nome ela é transmitida.

Verificamos que os Bispos da Igreja,  sucessores  dos Apóstolos,  detém esse mesmo poder. Ninguém contesta o direito, que alegaram desde os tempos primeiros, de infligir penitências canônicas sobre os criminosos graves, que eram submetidos a longos jejuns, abstinências graves e outras mortificações, por um período que se estendia desde alguns dias até cinco, dez anos e até mesmo por toda a vida, de acordo com a gravidade da infracção. Essas sanções eram, em vários casos, mitigadas ou canceladas pela Igreja, de acordo com seu critério, pois se uma entidade pode infligir uma punição ela também pode remetê-la. Nosso Senhor deu o Seu poder à Igreja não só para ligar, mas também para desligar. Esta prerrogativa discricionária era muitas vezes exercida pela Igreja pela intercessão daqueles que haviam sido condenados ao martírio, quando os mesmos penitentes davam fortes sinais de uma arrependimento  fervoroso, como nós aprendemos com os escritos de Tertuliano e Cipriano.

O Conselho Geral dos Sínodos de Nice e de outros, os Bispos foram autorizados a mitigar, ou mesmo de remeter totalmente, penitências públicas, sempre que, em seu julgamento, o penitente manifestasse marcas especiais de arrependimento. Agora, em relaxar as penitências canônicas, ou substitui-las por uma satisfação suave, os Bispos concediam o que chamamos de uma indulgência. Esta sentença de remissão por parte dos Bispos era válida não só aos olhos da Igreja, mas também diante de Deus. Embora a Igreja não mais imponha penitências canônicas, Deus nunca deixou de infligir castigo temporal por causa do pecado. Daí  as indulgências continuam a ser necessárias, agora, se não como substituição às penitências canônicas, ao menos como um pagamento suave e misericordioso da dívida temporal devida a Deus.

A indulgência é chamada  plenária ou parcial, na medida que ela remita a totalidade ou parte da pena temporal devida ao pecado..

Embora o próprio nome Indulgência agora seja tão repugnante para nossos irmãos dissidentes, houve um tempo em que a Igreja protestante professava a conceder-lhes. Nos cânones da Igreja da Inglaterra se faça referência ao indulgências, e à disposição a ser feita do dinheiro pago por elas. [Articuli pro Clero, ad 1584. Sparrow, 194].  Admite-se que, de fato, que os cânones protestantes têm, uma autoridade fugaz e efêmera, mesmo entre si, e que os cânones deve ceder ao espírito dos tempos, e não os tempos aos cânones. Ouso dizer que até mesmo alguns teólogos protestantes sejam familiarizados com os cânones aqui citados.  Porém, algumas pessoas têm uma faculdade conveniente de esquecer tradições desagradáveis.]

Partindo-se do que foi dito aqui,  que o leitor julgue por si mesmo o que pensar daqueles que dizem que uma Indulgência é a remissão dos pecados passados, ou uma “licença” para cometer pecados, concedida pelo Papa como uma compensação espiritual aos fiéis pelas ofertas pecuniárias feitas a ele. Não é preciso dizer que Indulgência não é nem uma coisa nem outra. Não é a remissão do pecado, já que ninguém pode ganhar uma indulgência até que  já esteja livre de pecado, e é muito menos uma licença para pecar; pois cada filho da Igreja católica sabe que nem padre, nem bispo, nem papa, nem mesmo o próprio Deus – com toda a reverência, seja dito – pode dar licença para cometer a menor falta.

Mas não estariam as indulgências em desacordo com o espírito do Evangelho, uma vez que parece ser um substituto leve e frágil para a esmola, jejuns, abstinências e outras austeridades penitenciais, ensinados e praticados por Jesus Cristo, e que a Igreja primitiva executava?

A Igreja, como quem está familiarizado com sua história deve saber, nunca dispensa os seus filhos da obrigação de fazer obras de penitência.

Ninguém pode negar que as práticas de mortificação são mais freqüentes entre os católicos do que entre os protestantes. Onde você vai encontrar o dever evangélico de jejum forçado, se não a partir do púlpito católico? É sabido que, entre os membros da Igreja Católica, aqueles que recorrem à benção das indulgências são geralmente seus filhos mais praticantes, edificantes e fervorosos. Seu crescimento espiritual, longe de ser retardado, é vivificado com a ajuda das Indulgências, que geralmente são acompanhadas por atos de contrição, devoção e abnegação à recepção dos Sacramentos.

Mas, façamos o que façamos, nunca podemos agradar aos nossos adversários. Se jejuamos e damos esmolas; se “crucificamos” a nossa carne, fazemos peregrinações e realizamos outras obras de penitência, somos acusados ​​de nos apegarmos aos trapos de obras mortas, ao invés de “agarrarmo-nos à Jesus” pela fé. Se, por outro lado, enriquecemos as nossas almas com os tesouros de indulgências, somos acusados ​​de confiança nos méritos indiretos dos outros e de aliviarmos o ônus salutar da cruz. Mas como podem os protestantes sempre encontrarem falha na Igreja por mitigar as austeridades da penitência, uma vez que seu próprio princípio fundamental assenta na fé sem boas obras?

Mas  as Indulgências não foram o motivo de muitos abusos em vários momentos, especialmente no século XVI?

Não vou negar que houve abuso das indulgências, mas são as coisas mais sagradas passíveis de serem pervertidas? Este é o ponto adequado para nos referirmos brevemente à Bula do Papa Leão X proclamando da Indulgência que proporcionou para Lutero um pretexto para sua apostasia. Leão X, determinou a levar a término a magnífica Igreja de São Pedro, iniciada pelo seu antecessor, Júlio II. Com essa visão, ele emitiu uma Bula que promulgava uma indulgência para quem contribuísse alguma oferta voluntária para a construção da grande catedral. Aqueles, no entanto, que não contribuíssem em nada partilhavam igualmente do tesouro da Igreja, desde que cumpridas as condições essenciais para a aquisição da indulgência. As únicas condições indispensáveis ​​proscritas pela Bula Papal foram sincero arrependimento e confissão de pecados. D’Aubigné admite essa verdade, embora de forma vacilante, quando ele observa que “em algo a bula do Papa fala sobre o arrependimento de coração e da confissão dos lábios.” [Vol. I. p. 214.] Os candidatos a Indulgência sabiam muito bem que, não importava o quão magnânimo fossem as suas ofertas, elas não valeriam nada lhes sem verdadeira contrição de coração.

Nenhum “tráfego” ou venda das indulgências era, consequentemente, autorizado ou tolerado pelo chefe da Igreja, uma vez que as contribuições eram entendidas serem voluntária. A fim de verificar qualquer incline sórdido ao ganho pelos responsáveis ​​pela pregação da Indulgência, “a mão que entregou o Indulgencia”, como D’Aubigné testemunha , não poderia receber o dinheiro: o que era proibido sob as mais severas penalidades.” [Ibidem .]

Onde, então, foi a conduta do Papa repreensível? Certamente não na solicitação de doações dos fiéis com o objetivo de erguer um templo de adoração, um templo que hoje se encontra único em majestade e beleza!

“Desejando corrigir e alterar os abusos que se infiltraram nelas, e na ocasião de que este nome de sinal das indulgências é blasfemado pelos hereges, o Santo Sínodo ordena em geral, pelo presente decreto, que todo o tráfego para a obtenção dos ímpios, que tem sido a fonte fecunda de muitos abusos entre o povo cristão, deve ser totalmente abolido “. [Sess. xxv. Dezembro de indulgência.]

Tampouco o Papa excedeu os seus poderes legítimos em prometer aos doadores piedosas favores espirituais em troca de suas doações. Porque, se os nossos pecados podem ser redimidos por esmolas aos pobres, [Daniel 4, 24.] como a Escritura nos diz, por que não também pelas ofertas na causa da religião a serviço de Deus? Quando os ministros protestantes apelam para suas congregações em nome de si mesmos e seus filhos, ou em apoio de uma igreja, eles não deixam conceder bênçãos espirituais em seus ouvintes como recompensa por seus dons. Conta-se que, não muito tempo atrás, um pastor Metodista dirigiu estas palavras sagradas a um milionário, que tinha alimentado uma faculdade Metodista: “Cornélio, a tua oração foi ouvida, e as tuas esmolas estão em memória diante de Deus. “[Atos x. 31] Neste caso, o ministro é mais indulgente do que até mesmo o Papa, a quem foram dadas as chaves do Reino dos Céus. Para o ministro declarar ao milionário absolvição sem a preliminar de confissão ou arrependimento, enquanto até mesmo, de acordo com D’Aubigné, o inflexível Papa insistiu a necessidade de “arrependimento do coração e da confissão dos lábios”, antes que a oferta do doador pudesse valer-lhe a salvação.

Fontewww.paraclitus.com.br/2012/apologetica/protestantismo/indulgencia-a-igreja-catolica-realmente-vendia-a-salvacao/

LEIA TAMBÉM:

A Igreja Católica vendia lugares no céu?:

 www.veritatis.com.br/apologetica/graca-justificacao-pecado/770-a-igreja-catolica-vendia-lugares-no-ceu

Mitos sobre as indulgências:

 www.exsurge.com.br/apologeticas/indulgencia/textos%20indulgencia/mitossobreasindulgencias.htm

O que são as indulgências?: agnusdei.50webs.com/div223.htm

O que são as indulgências?:

www.misericordia.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=369:o-que-sao-as-indulgencias&catid=26:questoes-de-fe&Itemid=147

Lutero e seu pensamento: www.clerus.org/clerus/dati/2007-11/23-13/17LuteroPENSAM.html

 

Fontes pesquisadas e indicadas como suplemento, além das mencionadas no estudo

LIVROS:

Compre na edições loyola ou via internet o livro: O Papado é Instituição Divina, de Geraldo E. Dallegrave.

Compre  os livros:" Em defesa da fé católica - nas questões mais difíceis", de Alessandro Lima, "Respostas católicas", " Católicos x Protestantes", " Porque estes protestantes se tornaram católicos", de Jaime Francisco de Moura", "Falando de fé", do Prof. Evaldo Gomes,  "O indice das mentiras contra a Igreja Católica", por Carlos André Perin. Ambos se encontram à venda na seção religião do site: http://www.clubedeautores.com.br/books/by_topic/religiao. Coloque os nomes dos autores ou dos livros na caixa de pesquisa.

SITES:

melhorsobre.blogspot.com.br/2007/04/igreja-qual-verdadeira-qual-igreja-de.html 

www.veritatis.com.br/apologetica/igreja-papado/974-a-verdadeira-e-unica-igreja

www.bibliacatolica.com.br/blog/igreja/a-fundacao-da-igreja-catolica-por-nosso-senhor-jesus-cristo/#.UypOZqhdVd8

sadoutrina.wordpress.com/2010/07/05/a-igreja-fundada-por-cristo-parte-i/

sadoutrina.wordpress.com/2010/07/06/a-igreja-fundada-por-cristo-parte-ii/

sadoutrina.wordpress.com/2010/07/08/a-igreja-fundada-por-cristo-%E2%80%93-parte-iii/

sadoutrina.wordpress.com/2010/07/09/a-igreja-fundada-por-cristo-final/

www.ofielcatolico.com.br/2001/01/a-pedra-sobre-qual-se-fundamenta-igreja.html

www.catolicoporque.com.br/index.php/colaboradores/carlos-martins-nabeto/artigos-cmn/3518-a-historia-do-papado-uma-refutacao-a-um-programa-de-tv-adventista

www.veritatis.com.br/inicio/espaco-leitor/5376-protestante-pergunta-se-pedro-foi-o-primeiro-papa

escrituracatolica.blogspot.com.br/2011/09/igreja-que-jesus-edificou.html

igrejamilitante.wordpress.com/2011/08/20/onde-jesus-chamou-a-pedro-de-papa/

www.ofielcatolico.com.br/search?q=Pedro%2C+o+primeiro+papa&btnG=Pesquisar+no+Blog

www.ofielcatolico.com.br/search/label/Igrejas%20Evang%C3%A9licas

igrejamilitante.wordpress.com/2011/09/03/primado-de-petro-parte-ii-jesus-chamou-a-pedro-e-nao-sua-confissao-de-pedra/

www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/papado/454-pedro-realmente-esteve-em-roma

www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/papado/488-provas-irrefutaveis-do-episcopado-e-martirio-de-pedro-em-roma

www.caiafarsa.wordpress.com/a-igreja-de-cristo-e-romana-de-nascensa/

www.caiafarsa.wordpress.com/igreja-de-roma/

www.caiafarsa.wordpress.com/igreja-catolica-a-igreja-crista-nao-tinha-nome/

www.caiafarsa.wordpress.com/constantino-fundou-a-igreja-catolica/

www.ofielcatolico.com.br/2001/02/a-igreja-catolica-foi-fundada-por.html

www.ofielcatolico.com.br/search?q=igreja+catolica&btnG=Pesquisar+no+Blog

 Leia ainda  todos os estudos do tópico:" Igreja Católica",  "A Igreja Católica apostatou ou paganizou-se",  "Protestantismo" e "O protestantismo condenado pela bíblia" do site: http://larcatolico.webnode.com.br/

Pesquisado e organizado pelo catequista: Aquino

 Fonte: http://larcatolico.webnode.com.br/news/protestantismo/

 Leia e divulgue o ótimo site: Larcatolico.webnode.com.br

  

 

 

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Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé?

O retorno á fé verdadeira que os protestantes dizem confessar, é na verdade uma grande ilusão, uma grande mentira.

Na prática, o cristianismo primitivo deles é o entendimento que conseguem retirar da Bíblia, isto é, eles plasmam um cristianismo primitivo a partir da leitura que fazem da Bíblia.

Os luteranos e anglicanos, por exemplo, lendo a Bíblia entendem que o batismo deve ser ministrado também às crianças. Assim, eles crêem que desde o início do cristianismo, as crianças eram batizadas.

Já os fiéis da Assembléia de Deus, por exemplo, lendo a Bíblia entendem que o batismo deve ser ministrado apenas aos adultos. Assim, eles crêem que desde o início do cristianismo, somente os adultos eram batizados.

Os cristãos adventistas, por exemplo, lendo a Bíblia entendem que o dia Santo do Senhor é o sábado e não o domingo. Assim, eles crêem que desde o início do cristianismo, o sábado nunca deixou de ser o dia Santo do Senhor.

Além dos adventistas, as Testemunhas de Jeová lendo a Bíblia também entendem que a Santíssima Trindade não existe, então crêem que desde o início do Cristianismo nunca houve a fé na Santíssima Trindade.

Desta forma, cada confissão protestante que surge, vai modificando a história do Cristianismo, pregando que no passado era assim ou assado, conforme o que entendem das Sagradas Escrituras. É lógico que duas ou mais teses contraditórias não podem ser igualmente válidas e verdadeiras, logo o conjunto de idéias que as confissões protestantes possuem do cristianismo antigo, necessariamente não corresponde ao que realmente foi o cristianismo antigo.

Isto acontece porque os protestantes ao longo dos séculos foram cada vez mais se esquecendo da memória cristã, à medida que se enveredaram nos labirintos do Livre Exame e da Sola Scriptura. Adotaram fundamentos que criam ser possível levá-los ao conhecimento da Verdade, mas que na prática cobriram seus olhos como um véu.

No entanto, os primeiros cristãos nos deixaram o testemunho da sua fé (os escritos patrísticos), para que jamais nos esquecêssemos da doutrina que receberam dos Santos Apóstolos.

Já que a proposta dos protestantes é o retorno ao Cristianismo Primitivo, procuraremos neste artigo apresentar alguns poucos exemplos o que o próprio Cristianismo primitivo diz de si mesmo.

O que o Cristianismo primitivo diz de si mesmo?

1. Como o protestantismo pode ser um retorno ás origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que na Eucaristia (Santa Ceia para os protestantes) estava presente o verdadeiro sangue e corpo de Nosso Senhor, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebida quero o sangue d'Ele, que é Amor incorruptível". (Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Romanos, parágrafo 7, cerca de 80-110 d.C.

"Apartai-vos das ervas daninhas que Jesus Cristo não cultiva, por não serem plantação do Pai.Não que tenha encontrado em vosso meio discórdias, pelo contrário encontrei um povo purificado. Na verdade, o que são propriedade de Deus e de Jesus Cristo estão com o Bispo, e todos os que se converterem e voltarem à unidade da Igreja, pertencerão também a Deus, par terem uma vida segundo Jesus Cristo. Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático, não herdará o reino de Deus se alguém se guiar por doutrina alheia, não se conforma com a Paixão de Cristo. Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes" . (Santo Inácio de Antioquia,Carta aos Filadelfienses,3 e 4, + 110 d.C.)

"Esta comida nós chamamos Eucaristia, da qual ninguém é permitido participar, exceto o que creia que as coisas nós ensinamos são verdadeiras, e tenha recebido o batismo para perdão de pecados e renascimento, e que vive como Cristo nos ordenou. Nós não recebemos essas espécies como pão comum ou bebida comum; mas como Cristo Jesus nosso Salvador, que se encarnou pela Palavra de Deus, se fez carne e sangue para nossa salvação, assim também nós temos ensinado que o alimento consagrado pela Palavra da oração que vem dele, de que a carne e o sangue são, por transformação, a carne e sangue daquele Jesus Encarnado." - (São Justino, I Apologia, Cap. 66, cerca de 148-155 d.C.)

"Deus tem portanto anunciado que todos os sacrifícios oferecidos em Seu Nome, por Jesus Cristo, que está, na Eucaristia do Pão e do Cálice, que são oferecidos por nós cristãos em toda parte do mundo, são agradáveis a Ele." - (São Justino,Diálogo com Trifão, Cap. 117, 130-160 d.C.)

"Outrossim, como eu disse antes, concernente os sacrifícios que vocês, naquele tempo, ofereciam, Deus fala através de Malaquias, um dos doze, como segue: 'Eu não tenho nenhum prazer em você, diz o Senhor; e Eu não aceitarei os sacrifícios de suas mãos; do nascer do sol até seu ocaso, meu Nome tem sido glorificado dentre os gentios; e em todo o lugar incenso é oferecido em meu Nome, e uma oferta pura: Grande tem sido meu nome dentre os gentios, diz o Senhor; mas você O profana.' Assim são os sacrifícios oferecidos a Ele, em todo lugar, por nós os gentios, que são o Pão da Eucaristia e igualmente a taça da Eucaristia, que Ele falou naquele tempo; e Ele diz que nós glorificamos Seu nome, enquanto vocês O profanam." (São Justino,Diálogo com Trifão, [41, 8-10], 130-160 d.C.)

"[Cristo] declarou o cálice, uma parte de criação, por ser seu próprio Sangue, pelo qual faz nosso sangue fluir; e o pão, uma parte de criação, ele estabeleceu como seu próprio Corpo, pelo qual Ele completa nossos corpos." (Santo Irineu de Lião, Contra Heresias, 180 d.C.)

"Assim então, se a taça misturada e o pão fabricado recebem a Palavra de Deus e tornam-se Eucaristia, que é dizer, o Sangue e Corpo de Cristo, que fortifica e reconstrói a substância de nossa carne, como podem essas pessoas dizer que a carne é incapaz de receber o presente de Deus que é a vida eterna, quando isto é feito pelo Sangue e Corpo de Cristo, que são Seu membro? Como o apóstolo abençoado diz em sua carta aos Efésios, 'Nós somos membros de Seu Corpo, de sua carne e de seus ossos' (Ef 5,30). Ele não está falando de forma 'espiritual' e de ' homem invisível', 'um espírito não tem carne e ossos' (Lc 24,39). Não, ele está falando do organismo possuído por um ser humano real, composto de carne e nervos e esqueleto. Isto é este que é nutrido pela taça que é Seu Sangue, e é fortificado pelo pão que é Seu Corpo. O talo da vinha toma raiz na terra e futuramente dá frutos, e 'o grão de trigo cai na terra' (Jo 12,24), dissolve, ascende outra vez, multiplicado pelo Espírito de Deus, e finalmente depois é processando, é colocado para uso humano. Esses dois então recebe a Palavra de Deus e torna-se Eucaristia, que é o Corpo e Sangue de Cristo." (Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade)

"Somente como o pão que vem da terra, tendo recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, consistindo de duas realidades, divina e terrestre, assim nossos corpos, tendo recebidos a Eucaristia, não são mais corruptíveis, porque eles têm a esperança da ressurreição." - "Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade - especificamente a Gnose". Livro 4,18; 4-5, cerca de 180 d.C.

"O Sangue do Senhor, realmente, é duplo. Há Seu Sangue corpóreo, por que nós somos redimidos da corrupção; e Seu Sangue espiritual, com que nós somos ungido. Que significa: beber o Sangue de Jesus é compartilhar sua imortalidade. O vigor da Palavra é o Espírito somente como o sangue é o vigor do corpo. Do mesmo modo, como vinho é misturado com água, assim é o Espírito com o homem. O Único, o Vinho e Água nutrido na fé, enquanto o outro, o Espírito, conduzindo-nos para a imortalidade. A união de ambos, entretanto, - da bebida e da Palavra, - é chamada Eucaristia, digna de louvor e presente excelente. Aqueles que partilham disto na fé são santificados no corpo e na alma. Pela vontade do Pai, a mistura divina, homem, está misticamente unida ao Espírito e à Palavra." (São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças". [2,2,19,4] + - 202.)

"A Palavra é tudo para uma criança: ambos Pai e Mãe, ambos Instrutor e Enfermeira. 'Comam minha Carne,' Ele diz, 'e Bebam meu Sangue.' O Senhor nos nutre com esses nutrientes íntimos. Ele nos entrega Sua Carne, e nos dá Seu Sangue; e nada é escasso para o crescimento de Suas crianças. Oh mistério incrível!". (São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças [1,6,41,3] + - 202.)

2. Como o protestantismo pode ser um retorno ás origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o batismo pode ser ministrado também às crianças, o que é negado pela grande maioria da fé protestante  e ensinado pela Igreja Católica?

"Ele (Jesus) veio para salvar a todos através dele mesmo, isto é, a todos que através dele são renascidos em Deus: bebês, crianças, jovens e adultos. Portanto, ele passa através de toda idade, torna-se um bebê para um bebê, santificando os bebês; uma criança para as crianças, santificando-as nessa idade...(e assim por diante); ele pode ser o mestre perfeito em todas as coisas, perfeito não somente manifestando a verdade, perfeito também com respeito a cada idade" (Santo Irineu, ano 189 - Contra Heresias II,22,4).

"Onde não há escassez de água, a água corrente deve passar pela fonte batismal ou ser derramada por cima; mas se a água é escassa, seja em situação constante, seja em determinadas ocasiões, então se use qualquer água disponível. Dispa-se-lhes de suas roupas, batize-se primeiro as crianças, e se elas podem falar, deixe-as falar. Se não, que seus pais ou outros parentes falem por elas" (Hipólito, ano 215 - Tradição Apostólica 21,16).

"A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar Batismo mesmo às crianças. Os apóstolos, aos quais foi dado os segredos dos divinos sacramentos sabiam que havia em cada pessoa inclinações inatas do pecado (original), que deviam ser lavadas pela água e pelo Espírito" (Orígenes, ano 248 - Comentários sobre a Epístola aos Romanos 5:9)

"Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (São Cipriano, ano 248 - Carta a Fido).

3. Como o protestantismo pode ser um retorno ás origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que os santos podem ser venerados (não adorados!), o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Ignoravam eles que não poderíamos jamais abandonar Cristo, que sofreu pela salvação de todos aqueles que são salvos no mundo, como inocente em favor dos pecadores, nem prestamos culto a outro. Nós o adoramos porque é o Filho de Deus. Quanto aos mártires, nós os amamos justamente como discípulos e imitadores do Senhor, por causa da incomparável devoção que tinham para com seu rei e mestre. Pudéssemos nós também ser seus companheiros e condiscípulos!" (Martírio de Policarpo 17:2, +- 160 D.C).

"Vendo a rixa suscitada pelos judeus, o centurião colocou o corpo no meio e o fez queimar, como era costume. Desse modo, pudemos mais tarde recolher seus ossos [de Policarpo], mais preciosos do que pedras preciosas e mais valiosos do que o ouro, para colocá-lo em lugar conveniente. Quando possível, é aí que o Senhor nos permitirá reunir-nos, na alegria e contentamento, para celebrar o aniversário de seu martírio, em memória daqueles que combateram antes de nós, e para exercitar e preparar aqueles que deverão combater no futuro." (Martírio de Policarpo 18, +- 160 D.C)

4. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria ser possível erguer imagens em honras dos Santos, que não eram ídolos mas  memória dos amigos de Deus, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela  Igreja Católica?

"Uma vez que evoquei a lembrança desta cidade [Paneas], não considero justo omitir uma narrativa digna de memória até para os pósteros. Com efeito, diz-se ter sido oriunda deste lugar a hemorroíssa que, conforme narram os santos evangelhos encontrou junto do Senhor a cura de seus males(cf. Mt 9,20ss; Mc 5,25; Lc 8,43). Mostra-se na cidade sua casa, e subsistem admiráveis monumentos da beneficência do Salvador para com ela.

Com efeito, sobre um rochedo elevado, diante das portas da casa, ergue-se uma estátua feminina de bronze. Ela tem os joelhos dobrados, as mãos estendidas para a frente, em atitude suplicante. Diante dela há outra estátua da mesma matéria, representando um homem de pé, sobre uma coluna, parece brotar uma planta estranha que se eleva até as franjas do manto de bronze; é o antídoto de doenças de toda espécie.

Assegurava-se que a estátua é imagem de Jesus; ela subsiste ainda até hoje, de sorte que nós a vimos ao visitarmos a cidade" (Eusébio de Cesaréia, HE VII,18,1-3. 375 DC)

"Não é de admirar que outrora pagãos beneficiados por nosso Salvador, a tenham erguido  [a imagem do relato anterior], quando sabemos terem sido preservados ícones pintados em cores dos apóstolos Pedro e Paulo e do próprio Cristo. É natural, pois os antigos, segundo um uso pagão entre eles observado, tinham o costume de honrá-los desta maneira sem preconceitos, quais salvadores." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,18,4. 375 DC)

"Igualmente o trono de Tiago, o primeiro a receber do Salvador e dos apóstolos o episcopado da Igreja de Jerusalém e freqüentemente nas Escrituras é designado como irmão de Cristo (Gl 1,19; 1Cor 15,7; Mt 13,55), foi conservado até hoje e os irmãos da região sucessivamente o cercaram de cuidados. Deste modo realmente demonstram a todos a veneração que os homens de outrora e os atuais dedicavam e ainda dedicam aos homens santos, porque amados de Deus. Eis o referente a esta questão." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,19. 375 DC)

5. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o Bispo de Roma é o chefe de toda a Igreja de Cristo, que é única e visível, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Depois da ressurreição, diz o Senhor: 'Apascenta as minhas ovelhas'. Assim o Senhor edifica sobre Pedro a Igreja e lhe confia as suas ovelhas para apascentá-las. Se bem que dê igual poder a todos os Apóstolos, constitui uma só cátedra e dispõe, por sua autoridade, a origem e o motivo da unidade. Por certo os demais Apóstolos eram como Pedro, mas o primado é dado a Pedro e a unidade da Igreja e da cátedra é assim demonstrada. Todos são pastores mas, como se vê, um só é o rebanho apascentado pelo consenso unânime de todos os Apóstolos. Julga conservar a fé aquele que não conserva esta unidade recomendada por Paulo? Confia estar na Igreja aquele que abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

6. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Igreja de Roma era considerada a sede da Igreja de Cristo, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição apostólica que ela guarda e a fé que ela comunicou aos homens chegaram até nós através da sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos aqueles que querem procurar a verdade onde ela não pode ser encontrada. Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,3,2).

"Ora, sob [o episcopado de] Clemente, grave divergência surgiu entre os irmãos de Corinto. A Igreja de Roma enviou aos coríntios importante carta, exortando-os à paz e procurando reavivar-lhes a fé, assim como a tradição que, há pouco tempo, ela havia recebido dos apóstolos." (História Eclesiástica Livro IV, 6,3. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

7. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva não cria na Sola Scriptura e cria que a Sagrada Tradição dos Apóstolos e o Sagrado Magistério da Igreja, eram Palavra de Deus ao lado das Sagradas Escrituras, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Suponhamos que se levante uma questão sobre algum importante ponto entre nós, e não possamos recorrer às mais primitivas comunidades com as quais os apóstolos mantiveram constante relacionamento, as quais aprenderam deles o que é certo e claro a respeito dessa questão. O que aconteceria se os próprios apóstolos não nos tivessem deixado escritos? Não seria necessário (nesse caso) seguir o curso da tradição que transmitiram àqueles aos quais entregaram às Igrejas?" (Santo Ireneu Bispo de Lião (180), Contra as Heresias III,4,1.).

"E quando, por nossa vez, os levamos [os hereges] à Tradição que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõe à Tradição, dizendo que, sendo eles mais sábios do que os presbíteros, não somente, mas até dos apóstolos, foram os únicos capazes de encontrar a pura verdade." (Santo Ireneu Bispo de Lião (180), Contra as Heresias, III,2,1)

"Pois é suficiente para provar nossa afirmação de que a Tradição veio até nós por nossos pais, transmitida como uma herança, por sucessão dos apóstolos e dos santos que os sucederam. Aqueles, por outro lado, que mudaram suas doutrinas com novidades, necessitariam do suporte de abundantes argumentos, se quisessem mostrar seus pontos de vista, não à luz de homens controversos e instáveis, mas de homens de peso e firmeza. Mas já que suas posições se apresentam sem fundamentos e sem provas, quem é tão louco e tão ignorante para considerar os ensinamentos dos evangelistas e apóstolos, e daqueles que sucessivamente brilharam como luzes nas igrejas de menos força do que tais coisas sem sentido e sem provas?" (São Gregório de Nissa (335-394), Contra Eunômio, 4,6).

"Sobre os dogmas e querigmas preservados pela Igreja, alguns de nós possuímos ensinamento escrito e outros recebemos da tradição dos Apóstolos, transmitidos pelo mistério. Com respeito à observância, ambos são da mesma força. Ninguém que seja versado mesmo um pouco no proceder eclesiástico, deverá contradizer qualquer um deles, em nada. Na verdade, se tentarmos rejeitar os costumes não escritos como não tendo grande autoridade, estaríamos inconscientemente danificando os Evangelhos em seus pontos vitais; ou, mais ainda, estaríamos reduzindo o querigma a uma única expressão" (São Basílio Magno (329-379), O Espírito Santo, 27,36).

"Perguntando eu com toda a atenção e diligência a numerosos varões, eminentes em santidade e doutrina, que norma poderia achar segura para distinguir a verdade da fé católica da falsidade da heresia, eis a resposta constante de todos eles: quem quiser descobrir as fraudes dos hereges nascentes, evitar seus laços e permanecer íntegro na sadia fé, há de resguardá-la, sob o duplo auxílio divino: primeiro, com a autoridade da lei divina e segundo com a tradição da Igreja católica. Ao chegar a este ponto, talvez pergunte alguém: sendo perfeito como é o cânon das Escrituras e suficientíssimo por si só para todos os casos, que necessidade há de se acrescentar a autoridade da interpretação da Igreja? A razão é que, devido à sublimidade da Sagrada Escritura, nem todos a entendem no mesmo sentido, mas cada qual interpreta à sua maneira as mesmas sentenças, de modo a se poder dizer que há tantas opiniões quantos intérpretes. De uma maneira a expõe Novaciano, diversamente Sabélio, Donato, Ário, Eunômio, Macedônio; de outra forma Fotino, Apolinário, Prisciliano; de outra, ainda, Joviniano, Pelágio, Celéstio ou Nestório. Portanto, é necessário que, em meio a tais encruzilhadas do erro, seja o sentido católico e eclesiástico o que assinale a linha diretriz na interpretação da doutrina dos profetas e apóstolos. E na própria Igreja Católica deve-se procurar a todo custo que nos atenhamos ao que, em toda a parte, sempre e por todos foi professado como de fé, pois isto é próprio e verdadeiramente católico, como o diz a índole mesma do vocábulo, que abarca a globalidade das coisas. Ora obte-lo-emos se seguirmos a universalidade, a antigüidade e o consentimento. Pois bem: seguiremos a universalidade se professarmos como única fé a que é professada em todo o orbe da terra pela Igreja inteira; a antigüidade, se não nos afastarmos do sentir manifesto de nossos santos pais e antepassados; enfim, o consentimento, se na mesma antigüidade recorrermos às sentenças e resoluções de todos ou quase todos os sacerdotes e mestres" (Vicente de Lérins, +450, Comonitório).

8. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Igreja é única e visível e não formada por todos os crentes, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"A Igreja é uma só, embora abranja uma multidão pelo contínuo aumento de sua fecundidade. Assim como há uma só luz nos muitos raios do sol, uma só árvore em muitos ramos, um só tronco fundamentado em raízes tenazes, muitos rios em uma única fonte, assim também esta multidão guarda a unidade da origem, se bem que pareça dividida por causa da inumerável profusão dos que nascem. A unidade da luz não comporta que se separe um raio do centro solar; um ramo quebrado da árvore não cresce; cortado da fonte, o rio seca imediatamente. Do mesmo modo, a Igreja do Senhor, como luz derramada, estende seus raios em todo o mundo e é uma única luz que se difunde sem perder a própria unidade. Ela desdobra os ramos por toda a terra com grande fecundidade; estende-se ao longo dos rios com toda a liberalidade e, no entanto, é uma na cabeça, uma pela origem, uma só mão imensamente fecunda. Nascemos todos do seu ventre, somos nutridos com seu leite e animados por seu Espírito" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

"A esposa de Cristo não pode ser adulterada: ela é incorrupta e pura, não conhece mais que uma só casa, guarda com casto pudor a santidade do único tálamo. Ela nos conserva para Deus e entrega ao Reino os filhos que gerou. Quem se afasta da Igreja e se junta a uma adúltera, separa-se das promessas da Igreja. Quem deixa a Igreja de Cristo não alcançará os prêmios de Cristo. É um estranho, um profano, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Se alguém se pôde salvar, dos que figuram fora da arca de Noé, também se salvará o que estiver fora da Igreja 1... Torna-se adversário de Cristo quem rompe a paz e a concórdia de Cristo... O Senhor diz: 'Eu e o Pai somos um'; está ainda escrito do Pai e do Filho e do Espírito Santo: 'E estes três são um'2. Quem crê nesta verdade fundada na certeza divina e adere aos mistérios celestiais, não abandona a Igreja nem dela se afasta por causa da diversidade de vontades que se entrechocam. Quem não mantém esta unidade também não mantém a lei de Deus, a fé no Pai e no Filho. Não conserva a vida, nem a salvação" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

"Este sacramento da unidade, este vínculo da concórdia que une inseparavelmente, está indicado no Evangelho pela túnica de nosso Senhor Jesus Cristo, que não foi dividida nem rasgada. Dentre os que disputavam por sorteio a veste de Cristo, vestiria o Cristo quem a recebesse íntegra e a possuísse como túnica incorruptível e indivisível. A Escritura divina declara: 'Quanto à túnica, como era sem costura, tecida numa só peça, disseram entre si: «Não a rasguemos, decidamos de quem será por sorteio»'. Ela trazia a unidade vinda do alto, isto é, do céu, do Pai, e que não pode ser quebrada por quem a recebe ou a possui, sendo ganha por inteira... Quem rasga ou divide a Igreja de Cristo não pode possuir a veste de Cristo. Por outro lado, enfim, quando Salomão estava para morrer e seu reino havia de ser dividido, o profeta Aquias dirigiu-se no campo ao rei Jeroboão com as vestes cindidas em doze trapos, dizendo: 'Tira para ti dez destes trapos pois diz o Senhor: «Eis que divido o reino nas mãos de Salomão. Dar-te-ei dez cetros; dois ficarão com ele em vista de Davi, meu servo, e de Jerusalém, cidade santa, onde colocarei o meu nome»'. O profeta Aquias rasgou sua veste porque deviam ser divididas as doze tribos de Israel. Como, porém, o povo de Cristo não pode ser dividido, sua túnica, tecida e coerente, não é dividida pelos que a possuem. Íntegra, conjunta e indivisível, mostra a concórdia do povo que vestiu o Cristo. No mistério e no sinal da veste, a unidade da Igreja foi manifestada" (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

"Quem é tão ímpio e perverso, tão enlouquecido pelo delírio da discórdia que julgue poder ou que ouse dividir a unidade de Deus, a veste do Senhor, a Igreja de Cristo? O próprio Senhor adverte e ensina no Evangelho: 'Haverá um só pastor e um só rebanho'. Pensa alguém que em um só lugar poderá haver muitos rebanhos e muitos pastores? Também o Apóstolo Paulo, insinuando esta mesma unidade, suplica, exorta e recomenda: 'Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais a mesma coisa e não haja cisões entre vós. Sede propensos no mesmo espírito e à mesma sentença'. Ainda outra vez: 'Suportai-vos mutuamente no amor da paz, fazendo tudo para conservar a unidade do espírito no vínculo da paz'. Acreditas que podes subsistir afastado da Igreja, procurando para ti outras moradas? Disseram a Raab, que prefigurava a Igreja: 'Reune contigo, em casa, teu pai, tua mãe, teus irmãos, toda a tua família. E quem ultrapassar a porta de tua casa, responderá por si'. Do mesmo modo como o mistério da Páscoa significa, na lei do Êxodo, a mesma unidade, o cordeiro que é morto, figurando a Cristo, deve ser comido numa só casa. Deus disse: 'Será comido em uma só casa. Não lanceis a carne fora de casa'. A carne de Cristo, do Santo do Senhor, não pode ser lançada fora. E não há para os fiéis outra casa senão a Igreja." (Cipriano, +258, Sobre a Unidade da Igreja cap. 4)

9. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que uma igreja só poderia ser considerada Igreja, se fosse apostólica, isto é, gerada através da sucessão dos apóstolos, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Os apóstolos receberam do Senhor Jesus Cristo o Evangelho que nos pregaram. Jesus Cristo foi enviado por Deus. Cristo, portanto, vem de Deus, e os apóstolos vêm de Cristo. As duas coisas, em ordem, provêm, da vontade de Deus. Eles receberam instruções e, repletos de certeza, por causa da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, fortificados pela palavra de Deus e com plena certeza dada pelo Espírito Santo, saíram anunciando que o Reino de Deus estava para chegar. Pregavam pelos campos e cidades, e aí produziam sua primícias, provando-as pelo Espírito, a fim de instituir com elas bispos e diáconos dos futuros fiéis. Isso não era algo novo: desde há muito tempo, a Escritura falava dos bispos e dos diáconos. Com efeito, em algum lugar está escrito: "Estabelecerei seus bispos na justiça e seus diáconos na fé." (São Clemente (+ 90), Primeira Carta aos Corínitos,42)

"Nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por este motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião de morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério. Os que foram estabelecidos por eles ou por outros homens eminentes, com a aprovação de toda a Igreja, e que serviram irrepreensivelmente ao rebanho de Cristo, com humildade, calma e dignidade, e que durante muito tempo receberam o testemunho de todos, achamos que não é justo demiti-los de suas funções. Para nós, não seria culpa leve se exonerássemos do episcopado aqueles que apresentaram os dons de maneira irrepreensível e santa. Felizes os presbíteros que percorreram seu caminho e cuja vida terminou de modo fecundo e perfeito. Eles não precisam temer que alguém os afaste do lugar que lhes foi designado. E nós vemos que, apesar da ótima conduta deles, removestes alguns da funções que exerciam de modo irrepreensível e honrado." (São Clemente (+ 90), Primeira Carta aos Corínitos,44)

"Depois de ter assim fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado... Anacleto lhe sucede. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado... A Clemente sucedem Evaristo, Alexandre; em seguida, em sexto lugar a partir dos Apóstolos, é instituído Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aniceto, Sotero, sucessor de Aniceto; e, agora, Eleutério detém o episcopado em décimo segundo lugar a partir dos Apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,2,1s).

"[Os Apóstolos] logo foram pelo mundo e pregaram a mesma doutrina da mesma fé às nações. Eles, portanto, de modo semelhante, andaram pelas igrejas em cada cidade, e dessas para todas as igrejas, uma após outra, e transmitiram a tradição da fé e as sementes da doutrina, e a cada dia as passavam adiante para constituírem igrejas. Certamente, é por causa disso somente que foram capazes elas próprias de se considerarem apostólicas, tendo sua origem nas igrejas apostólicas. Cada espécie de coisa deve necessariamente voltar às suas origens para sua adequação. Daí, as igrejas, embora sejam tantas e tão grandes, são ligadas a uma única igreja primitiva [fundada] pelos apóstolos, delas todas [fonte]. Dessa maneira todas são primitivas e todas apostólicas, enquanto são todas confirmadas por uma, [indissolúvel] unidade, por sua comunhão pacífica, por característica de irmandade e por laço de hospitalidade, privilégios que nenhuma outra norma determina senão que uma única tradição do mesmo mistério." (Tertuliano, Prescrição Contra os Hereges, 20).

"A Clemente [3º sucessor de São Pedro na Cáthedra de Roma] sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre, depois, em sexto lugar desde os apóstolos, foi estabelecido Xisto; logo, Telésforo, que prestou glorioso testemunho; em seguida, Higino; após este, Pio, e depois, Aniceto. Tendo sido Sotero o sucessor de Aniceto, agora detém o múnus espiscopal Eleutério, que ocupa o duodécimo lugar na sucessão apostólica. Em idêntica ordem e idêntico ensinamento na Igreja, a tradição proveniente dos apóstolos e o anúncio da verdade chegaram até nós." (História Eclesiástica Livro V, 6,4-5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"Esses mestres [Policarpo, Ireneu, Pápias, Justino, Clemente de Roma, Clemente de Alexandria, entre outros pois a lista é grande], que guardaram a verdadeira tradição da feliz doutrina recebida, como que transmitida de pai a filho, oriunda imediatamente dos santos Apóstolos Pedro e Tiago, João e Paulo (poucos são, contudo os filhos semelhantes aos pais), chegaram até nossos dias, por dom de Deus, a fim de lançar as sementes de seus antepassados e dos apóstolos em nossos corações" (História Eclesiástica Livro V, 11,5. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

10. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que só poderia ser pastor da Igreja de Deus aquele que recebesse este ministério através da ordenação sacerdotal das mãos de um legítimo Bispo, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Origines para atender a urgentes negócios eclesiásticos, foi à Grécia, e ao atravessar a Palestina, em Cesaréia, recebeu dos bispos da região a ordenação sacerdotal." (Eusébio de Cesaréia, HE VI,23,4. 317 DC)

11. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o perdão dos pecados só poderia ser obtido através da confissão a um sacerdote, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Dizem eles [os hereges novacianos], porém, que prestam reverência ao Senhor, o único a quem reservam o poder de remir os crimes. Pelo contrário, ninguém lhe faz maior injúria do que aqueles que querem anular seus mandamentos, rejeitar o encargo que lhes foi confiado. Pois se o próprio Senhor Jesus diz em seu Evangelho: 'Recebei o Espírito Santo, e a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos'(Jô 20,22-23). Quem é que o honra mais: aquele que obedece a seus mandamentos ou aquele que resiste a eles?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 2,6. 370 DC)

"Considera também o seguinte: quem recebe o Espírito Santo, recebe o poder de desligar e ligar pecados. Pois assim está escrito: 'Recebei o Espírito Santo, e a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados, e a quem os retiverdes, ser-lhe-ão retidos'(Jô 20,22-23). Portanto, quem não pode desligar o pecado, não tem o Espírito Santo. Com efeito, é um dom do Espírito Santo a função do sacerdote; por outro lado, há um direito do Espírito Santo no fato de desligar e ligar os crimes. Como, pois, reivindicam os novacianos o dom daquele cujo direito e poder não reconhecem?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 2,8. 370 DC)

"Porém Deus não faz distinção; Ele prometeu sua misericórdia a todos e deu permissão de perdoar a seus sacerdotes, sem uma única exceção."  (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 3,10. 370 DC)

"Que sociedade podem então ter contigo [Jesus] estes que não aceitam as chaves do Reino (cf. Mt 16,19), ao negarem que devem perdoar os pecados?" (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,32. 370 DC)

"É certamente isto que eles [os novacianos] confessam a seu próprio respeito e com razão; de fato, não podem ter a herança de Pedro aqueles que não tem a cátedra de Pedro, a qual despedaçam com uma ímpia divisão. Contudo, é sem razão que negam também que na Igreja os pecados possam ser perdoados." (Santo Ambrósio de Milão, Sobre a Penitência 7,33. 370 DC)

12. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Virgem Maria foi concebida sem pecado (Imaculada Conceição), o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Ele (=Jesus) era a arca composta por madeira incorruptível. Com efeito, o seu tabernáculo (=Maria) era isento da podridão e corrupção" (Santo Hipólito de Roma, Orat. Inillud. 220 DC).

"Esta Virgem Mãe do Unigênito de Deus chama-se Maria, digna de Deus, imaculada das imaculadas, sem par" (Origines, Homilia 1. 280 DC).

"Somente Vós (=Cristo) e vossa Mãe sois mais belos do que qualquer outro ser. Em ti, Senhor, não há mancha alguma; na tua Mãe nada de feio existe" (Éfrem da Síria, Garmina Nisibena 27,8.).

"Que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse?" (São Cirilo de Jerusalém, 208 DC).

"Maria, uma virgem não profanada, Virgem tornada inviolável pela graça, livre de toda mancha do pecado" (Santo Ambrósio de Milão, Sermão 22,30. 317 DC).

"Nem se deve tocar na palavra 'pecado' em se tratando de Maria; e isto em respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, que a preservou de todo pecado por sua graça" (Santo Agostinho, Sermão 215,3. 325 DC).

"Não entregamos Maria ao diabo por condição original pois afirmamos que sua própria condição original se anula pela graça da redenção." (Santo Agostinho, Contra Juliano 4. 325 DC).

"Exceto a Santa Virgem Maria, da qual não quero, por honra do que é devido ao Senhor, suscitar qualquer questão ao se tratar de pecados, pois sabemos que lhe foi concedida a graça para vencer por todos os flancos o pecado, porque mereceu ela conceber e dar à luz a quem não teve pecado algum. Exceto, digo a esta Virgem, se tivéssemos podido congregar todos os santos e santas que aqui viviam e perguntássemos se jamais tinham pecado, o que teriam respondido? (...) Não é verdade que teriam unanimemente exclamado: 'Se dissermos que não pecamos, enganamo-nos, e a verdade não está em nós'?" (Santo Agostinho, De Natura et Gratia 36,42. 325 DC).

13. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva honrava Santa Maria como a Mãe de Deus, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Maria, a Santa Mãe de Deus e imaculada Virgem (...) concebeu do Espírito Santo, sem semente viril, o próprio Deus Verbo; deu-O à luz sem perder a sua integridade e, também depois do parto, conservou inalterada a sua virgindade". (Concílio Regional de Latrão)

"[O Verbo de Deus,] tendo-se encarnado da santa gloriosa Mãe de Deus e sempre virgem Maria, nasceu dela" (II Concílio de Constantinopla, DS 422).

"Sob a vossa proteção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as nossas súplicas, pois estamos sendo provados, mas livrai-nos de todo o perigo, ó Virgem gloriosa e bendita" (Oração Egípcia. 211 DC).

"[Jesus] não teve apenas a aparência, mas tinha carne de verdade recebida de Maria, Mãe de Deus" (Alexandre de Alexandria, Epístola a Alexandre de Constantinopla 12).

"A Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador estas duas coisas: que Ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é a Palavra do Pai, seu esplendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da Virgem Maria, Mãe de Deus" (Santo Atanásio de Alexandria, Da Trindade. 318 DC).

"Ó Filho único e Verbo de Deus: sendo imortal, vos dignaste, pela nossa salvação, encarnar-vos da Santa Mãe de Deus e sempre virgem Maria, vós que sem mudança vos tornaste homem e foste crucificado, ó Cristo Deus, que pela vossa morte esmagaste a morte; sois Um na Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo. Salvai-nos!" (São João Crisóstomo, O Monoghenis.).

14. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o matrimônio era indissolúvel e orientado à geração de filhos, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Nós, ou nos casamos desde o princípio para a única finalidade de gerar filhos, ou renunciamos ao matrimônio, permanecendo absolutamente castos. Para vos mostrar que a união promíscua não é um mistério que celebramos, houve o caso que um dos nossos apresentou um memorial ao prefeito Félix em Alexandria, pedindo-lhe que autorizasse seu médico para cortar-lhe os testículos, pois os médicos daquele lugar diziam que tal operação não podia ser feita sem permissão do governador. Félix negou-se absolutamente a assinar o pedido e o jovem permaneceu solteiro, contentando-se com o testemunho de sua consciência e o de seus companheiros na fé." (São Justino de Roma, I Apologia Cap 29, cerca de 148-155 d.C.)

15. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que o dia para a adoração do Senhor era o domingo, o que é negado pelos adventistas e ensinado pela a Igreja Católica?

"Depois dessa primeira iniciação, recordamos constantemente entre nós essas coisas e aqueles de nós que possuem alguma coisa socorrem todos os necessitados e sempre nos ajudamos mutuamente. 2Por tudo o que comemos, bendizemos sempre ao Criador de todas as coisas, por meio de seu Filho Jesus Cristo e do Espírito Santo. 3No dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as Memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas. Quando o leitor termina, o presidente faz uma exortação e convite para imitarmos esses belos exemplos. 5Em seguida, levantamo-nos todos juntos e elevamos nossas preces. Depois de terminadas, como já dissemos, oferece-se pão, vinho e água, e o presidente, conforme suas forças, faz igualmente subir a Deus suas preces e ações de graças e todo o povo exclama, dizendo: ?Amém?. Vem depois a distribuição e participação feita a cada um dos alimentos consagrados pela ação de graças e seu envio aos ausentes pelos diáconos. 6Os que possuem alguma coisa e queiram, cada um conforme sua livre vontade, dá o que bem lhe parece, e o que foi recolhido se entrega ao presidente. Ele o distribui a órfãos e viúvas, aos que por necessidade ou outra causa estão necessitados, aos que estão nas prisões, aos forasteiros de passagem, numa palavra, ele se torna o provedor de todos os que se encontram em necessidade. Celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame." (São Justino de Roma, I Apologia cap 67, cerca de 148-155 d.C.)

16. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que os livros deuterocanônicos (I e II Macabeus, Judite, Tobias, Eclesiástico Sabedoria de Sirácida) eram canônicos, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Cânon 36 - Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos1, dois livros dos Paralipômenos2, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão3, doze livros dos Profetas4, Isaías, Jeremias5, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras6 e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos7, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo8, uma do mesmo aos Hebreus9, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João.10 Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar11. É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários12" (Concílio de Hipona, 08.Out.393).

"Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João12. Isto se fará saber também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja" (Concílio de Cartago III (397) e Concílio de Cartago IV (419)).

"Tratemos agora sobre o que sente a Igreja Católica universal, bem como o que se dever ter como Sagradas Escrituras: um livro do Gênese, um livro do Êxodo, um livro do Levítico, um livro dos números, um livro do Deuteronômio; um livro de Josué, um livro dos Juízes, um livro de Rute; quatro livros dos Reis13, dois dos Paralipômenos; um livro do Saltério; três livros de Salomão: um dos Provérbios, um do Eclesiastes e um do Cântico dos Cânticos; outros: um da Sabedoria, um do Eclesiástico. Um de Isaías, um de Jeremias com um de Baruc e mais suas Lamentações, um de Ezequiel, um de Daniel; um de Joel, um de Abdias, um de Oséias, um de Amós, um de Miquéias, um de Jonas, um de Naum, um de Habacuc, um de Sofonias, um de Ageu, um de Zacarias, um de Malaquias. Um de Jó, um de Tobias, um de Judite, um de Ester, dois de Esdras, dois dos Macabeus. Um evangelho segundo Mateus, um segundo Marcos, um segundo Lucas, um segundo João. [Epístolas:] a dos Romanos, uma; a dos Coríntios, duas; a dos Efésios, uma; a dos Tessalonicenses, duas; a dos Gálatas, uma; a dos Filipenses, uma; a dos Colossences, uma; a Timóteo, duas; a Tito, uma; a Filemon, uma; aos Hebreus, uma. Apocalipse de João apóstolo; um, Atos dos Apóstolos, um. [Outras epístolas:] de Pedro apóstolo, duas; de Tiago apóstolo, uma; de João apóstolo, uma; do outro João presbítero, duas14; de Judas, o zelota, uma. (Catálogo dos livros sagrados, composto durante o pontificado de São Dâmaso [366-384], no Concílio de Roma de 382)

"Quais os livros aceitos no cânon das Escrituras, o breve apêndice o mostra: Cinco livros de Moisés, isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Um livro de Josué, filho de Num; um livro dos Juízes; quatro livros dos Reinos; e Rute. Dezesseis livros dos Profetas; cinco livros de Salomão; o Saltério. Livros históricos: um de Jó, um de Tobias, um de Ester, um de Judite, dois dos Macabeus, dois de Esdras, dois dos Paralipômenos. Do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos; quatorze epístolas do apóstolo Paulo, três de João, duas de Pedro, uma de Judas, uma de Tiago; os Atos dos Apóstolos; e o Apocalipse de João" (papa Inocêncio I, 20.02.405; Carta "Consulenti Tibi" a Exupério, bispo de Tolosa).

17. Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Igreja de Cristo se perpetua na terra através da sucessão dos apóstolos, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Nossos apóstolos conheciam, da parte do Senhor Jesus Cristo, que haveria disputas por causa da função episcopal. Por este motivo, prevendo exatamente o futuro, instituíram aqueles de quem falávamos antes, e ordenaram que, por ocasião de morte desses, outros homens provados lhes sucedessem no ministério. Os que foram estabelecidos por eles ou por outros homens eminentes, com a aprovação de toda a Igreja, e que serviram irrepreensivelmente ao rebanho de Cristo, com humildade, calma e dignidade, e que durante muito tempo receberam o testemunho de todos, achamos que não é justo demiti-los de sua funções. Para nós, não seria culpa leve se exonerássemos do episcopado aqueles que apresentaram os dons de maneira irrepreensível e santa. Felizes os presbíteros que percorreram seu caminho e cuja vida terminou de modo fecundo e perfeito. Eles não precisam temer que alguém os afaste do lugar que lhes foi designado. E nós vemos que, apesar da ótima conduta deles, removestes alguns da funções que exerciam de modo irrepreensível e honrado." (São Clemente, + 90, Primeira Carta aos Corínitos,44)

"Depois de ter assim fundado e edificado a Igreja, os bem-aventurados Apóstolos transmitiram a Lino o cargo do episcopado... Anacleto lhe sucede. Depois, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, é a Clemente que cabe o episcopado... A Clemente sucedem Evaristo, Alexandre; em seguida, em sexto lugar a partir dos Apóstolos, é instituído Sixto, depois Telésforo, também glorioso por seu martírio; depois Higino, Pio, Aniceto, Sotero, sucessor de Aniceto; e, agora, Eleutério detém o episcopado em décimo segundo lugar a partir dos Apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,2,1s).

"E quando, por nossa vez, os levamos [os hereges] à Tradição que vem dos apóstolos e que é conservada nas várias igrejas, pela sucessão dos presbíteros, então se opõe à Tradição, dizendo que, sendo eles mais sábios do que os presbíteros, não somente, mas até dos apóstolos, foram os únicos capazes de encontrar a pura verdade." (Contra as Heresias, III,2,1, Santo Ireneu Bispo de Lião, + ou - 202 d.C)

"Foi primeiramente na Judéia que eles (os Apóstolos escolhidos e enviados por Jesus Cristo) implantaram a fé em Jesus Cristo e estabeleceram comunidades. Depois partiram pelo mundo afora e anunciaram às nações a mesma doutrina e a mesma fé. Em cada cidade fundaram Igrejas, às quais, desde aquele momento, as outras Igrejas emprestam a estaca da fé e a semente da doutrina; aliás, diariamente emprestam-nas, para que se tornem elas mesmas Igrejas. A este título mesmo são consideradas comunidades apostólicas, na medida em que são filhas das Igrejas apostólicas. Cada coisa é necessariamente definida pela sua origem. Eis por que tais comunidades, por mais numerosas e densas que sejam, não são senão a primitiva Igreja apostólica, da qual todas procedem... Assim faz-se uma única tradição de um mesmo Mistério" (Tertuliano, + 202, De Praescriptione Haereticorum 2, 4-7.9).

18. Enfim, como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que a Igreja de Cristo não era invisível, mas visível, e que se chama Igreja Católica, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?

"Onde quer que se apresente o Bispo, ali esteja também a comunidade, assim como a presença de Cristo Jesus nos assegura a presença da Igreja Católica"(Santo Inácio aos Esmirniotas - 107 DC)

"Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica" (Concílios Ecumênicos de Nicéia (325) e Constantinopla (381), Símbolo Niceno-Constantinopolitano)

"Extinguiram-se, pois rapidamente as maquinações dos inimigos, confundidas pela atuação da Verdade. As heresias, uma após outras, apresentavam inovações; as mais antigas continuamente desvaneciam e desvirtuavam-se, de diferentes modos, para dar lugar a idéias diversas e variadas. Ao invés, ia aumentando e crescendo o brilho da única verdadeira Igreja católica, sempre com a mesma identidade, e irradiando sobre gregos e bárbaros o que há de respeitável, puro, livre, sábio, casto em sua divina conduta e filosofia. [...] Além do mais, na época de que tratamos, a verdade podia apresentar numerosos defensores, em luta contra as heresias atéias, não somente através de refutações orais, mas também por meio de demonstrações escritas." (História Eclesiástica IV, 7,13.15. Eusébio de Cesaréia, + ou - 317 d.C).

"Tendo se reunido um último concílio com o maior número possível de bispos, o chefe da heresia de Antioquia [Paulo de Samósata] foi plenamente desmascarado e por todos evidentemente inculpado de heterodoxia. Foi excomungado da Igreja Católica espalhada sob o céu." (Eusébio de Cesaréia, HE VII,29,1. 317 DC)

"A Dionisio, a Máximo e a todos os que, pela terra habitada, exercem conosco o ministério, aos bispos, aos sacerdotes, aos diáconos e a toda a Igreja Católica, que há sob os céus" (Fragmento da Carta que os Bispos da Palestina enviaram aos Bispos de Roma e Alexandria depois da realização do Concílio Regional mencionado acima. 280 DC)

Conclusão

Como pudemos ver o Protestantismo não é o retorno às origens da fé como diz ser. A Igreja primitiva nada mais é do Igreja Católica no passado. Os bispos da Igreja primitiva eram os bispos católicos, e hoje os bispos da Igreja Católica são seus legítimos sucessores. O Protestantismo vive de suas próprias fantasias, que são fruto de seu subjetivismo bíblico e ignorância da memória deixada pelos primeiros cristãos.

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 Apologética - Lutero

Reforma Luterana

Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: D. Estevão Bettencourt
Transmissão: Rogério Hirota (SacroSancttus) em 29/Mar/2008


Vozes em defesa da fé

1. Quando foi que começou o Movimento Protestante ?

Depois de afixar, a 31 de outubro de 1517, as suas teses atacando o ensino tradicional do Cristianismo, a 18 de abril de 1520, Martinho Lutero rompeu com a Igreja Católica, e começou a edificar uma nova Igreja de acordo com as suas idéias.

2. Protestantes não são aqueles que protestam contra os erros de Roma ?

Muitos protestantes hoje em dia aceitariam essa descrição da sua posição. Mas aquilo que eles acreditam ser erros de Roma não são realmente erros, se na verdade são ensinamentos da Igreja Católica. Acrescento esta última condição porque muitas doutrinas têm sido atribuídas à Igreja Católica, as quais ela nunca ensinou, ao passo que outras têm sido interpretadas de um modo que ela mesma condenaria. Por mal-entendido, muitos escritores protestantes têm gasto o seu tempo e o dos seus leitores refutando laboriosamente aquilo que a Igreja Católica absolutamente não ensina! E a sua linha de aproximação aos problemas do Catolicismo mal necessita de revisão.

3. Qual foi exatamente a origem do termo “Protestante” ?

A palavra deriva do célebre “Protesto” tido pelos príncipes germânicos na Dieta de Espira em 1529. Grande número de príncipes alemães haviam-se aproveitado da revolta religiosa de Martinho Lutero para conseguir a independência política dos seus Estados. Naturalmente, em troca, eles apoiaram o Luteranismo como uma grande força entre o seu povo para os desprender de antigos laços, e começaram suprimindo a religião católica dentro dos seus territórios. Ora, o Decreto da Dieta de Espira concedia liberdade religiosa a todo aquele que já houvesse abraçado o Luteranismo nos Estados dos príncipes germânicos, mas exigia tolerância para com os católicos residentes dentro dos limites deles. Os príncipes luteranos protestaram não conceder tolerância aos católicos, e disseram que a religião do povo deve ser a mesma que a dos seus príncipes. “Cujus regio, illus religio”, diziam aqueles príncipes. “Seja qual for o governante, dele deve ser a religião”. Por outras palavras, os príncipes germânicos exigiam o direito de impor ao seu povo qualquer religião que lhes aprouvesse. E o protesto deles era contra qualquer obrigação de tolerar os católicos. A palavra “Protestante”, portanto, de acordo com o seu significado histórico e religioso, nasceu de uma denegação de liberdade de consciência; e os que assim protestaram contra a liberdade de culto para os católicos foram denominados Protestantes.

4. Quais as causas que em primeiro lugar levaram à Reforma Protestante ?

A Reforma Protestante não foi realmente uma reforma. Foi antes uma revolução. Ela tirou reinos inteiros à Igreja Católica, e introduziu idéias inteiramente novas sobre as relações religiosas entre os cristãos e Cristo. Quanto às causas que levaram a essa revolução, é certo que não houve coisa alguma errada na religião católica em si mesma. Houve, porém, muita coisa errada em grande número de católicos, do contrário Lutero nunca teria alcançado o êxito que alcançou. Não é uma só e simples causa que pode explicar isto. Podemos dizer que aqueles que deixaram a Igreja Católica o fizeram por infidelidade à graça de Deus nas suas vidas pessoais. Mas que tantos devessem provar-se infiéis, isto reclama maior explicação; e essa maior explicação deve ser achada nas condições religiosas, culturais, políticas e sociais do tempo.

5. Qual era então o estado de coisas religioso e cultural ?

Devemo-nos lembrar de que, durante o século anterior à Reforma, o Renascimento trouxera a revivescência dos clássicos pagãos gregos e latinos, e estes não só desviavam as mentes dos homens do estudo da filosofia católica, mas levavam à corrupção da vida entre as classes educadas. Ademais, muitos bispos e sacerdotes, grandemente desviados de Roma, haviam sido demasiado subservientes à autoridade secular, e haviam descurado reforçar a disciplina da Igreja, enfraquecendo-lhe assim a influência sobre o povo. O relaxamento no seio do clero produzira grande desedificação; e a demora na reforma dele preparara o caminho para uma reforma errônea, pelo rompimento com a Igreja. Sacerdotes descuidados haviam deixado o povo sem instrução e incrivelmente ignorante da sua religião; e, não conhecendo a sua própria fé, grande número de simples católicos não discerniam o verdadeiro mal contido no movimento separatista. Não conhecendo a verdade, eram manejados pelas idéias dos reformadores, que denunciavam Roma sem exigir qualquer padrão mais alto de virtude do que o que até ali prevalecera.

6. Então você admite que a queda da Igreja Católica se deveu á sua própria depravação ?

A Igreja Católica não caiu. Muitos dos seus membros haviam caído dos seus padrões de virtude, e multidões faziam disto pretexto para abandonarem a fé pela heresia. Um dos grandes opositores de Martinho Lutero foi Tomás More, na Inglaterra. Tomás More estava tão cônscio do triste estado das coisas como Lutero, mas não cometeu o erro de censurar a Igreja por causa dos membros relapsos nela existentes. Nem seria correto imaginar que só havia relaxamento na Igreja imediatamente antes da Reforma. Havia Santos naqueles dias tanto como havia pecadores. Leia esse maravilhoso livrinho A Imitação de Cristo, por Tomás a Kempis. Esse tesouro espiritual foi escrito por um monge católico durante aqueles anos de suposta corrupção universal. E esse livro reflete os verdadeiros ideais da Igreja Católica.

7. Você diria que Lutero errou declarando necessária uma reforma ?

Não nego que era necessária uma reforma. Havia muitos abusos a ser corrigido. Mas Lutero não introduziu um movimento de real reforma. Fez dos abusos reinantes pretexto para ao mesmo tempo deixar a Igreja, ao invés de ficar nela e procurar efetuar a conversão dos seus membros relapsos para melhores caminhos. Ademais, ele manteve muitos dos próprios abusos, apenas procurando justificá-los pela negação de que eles fossem errados, e ainda sancionou ulteriores renúncias às normas do verdadeiro Cristianismo.

8. Você disse que, além dos fatores religiosos e culturais, condições políticas contribuíram para o sucesso de Lutero.

E assim foi. O prestígio do Papado em negócios de Estado através da Europa diminuíra sensivelmente durante os dois séculos anteriores à Reforma, e a autoridade do Imperador também havia sido grandemente minada. No tocante ao prestígio do Papado, importa lembrar que, na maior parte do século quatorze, os Papas tinham sido forçados a viver fora de Roma, em Avinhão, na França, expondo-se à acusação, por outras nações, de estarem sob influência política da França. Quase imediatamente após o regresso deles a Roma, teve lugar aquilo que é conhecido como “Grande Cisma do Ocidente”, quando, além do Papa legal, houve dois antipapas, cada qual pretendendo possuir a autoridade suprema sobre a Igreja. No seu reconhecimento desses papas as nações se dividiram sobre linhas políticas, e isto enfraqueceu grandemente a influência do Papado na Europa. Depois que esse desastre foi sanado pela eleição do Papa Martinho V, em 1417, e pela supressão de todos os Papas rivais, surgiram dificuldades de dinheiro. O Papado estava empobrecido. Era preciso dinheiro para a construção da basílica de S. Pedro em Roma, e neste sentido foram feitos apelos a toda a cristandade, concedendo-se indulgências a todos os que contribuíssem para a causa. A acusação de traficância nessas indulgências veio a ser a razão imediata para a revolta de Lutero; mas, se ele alcançou tamanho êxito foi porque Roma, havia muito, perdera em grande extensão o amor e o respeito. Enquanto isso, a autoridade imperial era apenas uma sombra do que tinha sido. O feudalismo estava desmoronando na Europa. Vassalos governantes nas províncias estavam-se tornando cada vez mais rebeldes e independentes. Lutero teve apenas de soprar sobre chamas já ateadas; e fê-lo explorando a ambição e o espírito de independência reinantes entre os príncipes germânicos, excitando à revolta contra o Imperador. E lisonjeou-lhes a cupidez e o orgulho aconselhando-os a esbulharem a Igreja da sua propriedade nos domínios deles, e a tomarem sobre si o controle da doutrina e da moral dos seus súditos.

9. Como foi que o estado da sociedade contribuiu para o êxito de Lutero ?

Pelo simples fato de haver o descontentamento permeado cada camada dela. A sociedade sofre quando grande número de pessoas estão descontentes com a sua sorte. Além disto, clero, príncipes e camponeses estavam igualmente insatisfeitos. Os bispos eram mundanos, desfrutando ricos benefícios, ao passo que sacerdotes ignorantes e acossados pela pobreza abundavam como um “proletariado clerical”. Os mosteiros, igualmente, ressentiam-se da interferência e das exações dos bispos; e, por sua vez, eram de frouxa observância, com conseqüentes dissensões internas. Por isto, muitos membros do clero, tanto diocesano como regular, estavam prontos para jogar fora as suas batinas e para seguir o ainda mais atenuado Evangelho de Lutero. Entre os pequenos príncipes alemães reinava o ciúme e a anarquia, e eles estavam mais do que prontos para as guerras de religião que em breve deviam seguir-se. Os camponeses, espezinhados e miseráveis, pensavam também poder ganhar muito com a revolução protestante, embora na realidade viessem a achar-se logrados e trucidados.

10. O poder do Romanismo não foi quebrado por Martinho Lutero, de imoral memória ?

Martinho Lutero é, sem dúvida, uma figura saliente na história. Mas, conforme o expliquei, a situação toda constituía o momento histórico em que um homem podia desencadear à tempestade. Enquanto isso, a memória imortal de Lutero tornar-se-á cada vez menos grata à medida que os fatos a ele concernentes forem sendo mais conhecidos. Os que o idealizam só podem fazê-lo ignorando uma imensa soma de informação inconveniente.

11. Sem dúvida os historiadores católicos têm pintado Lutero com as cores mais negras.

Estou de pleno acordo em admitir que muitos escritores católicos deram uma informação deturpada sobre Lutero, tal qual como livros escritos por protestantes têm dado uma visão deturpada da posição católica – e em extensão muito maior. Mas, ainda assim, digo que um estudo imparcial da história só pode é desacreditar Lutero como reformador religioso.

12. Vocês nunca apagarão as lembranças do passado nas mentes protestantes.

Mas podemos corrigir essas lembranças. Podemos mostrar que os livros de texto que perpetuam falsas vistas da história não proporcionam um conhecimento genuíno do passado. Podemos mostrar que, muitas vezes, em histórias da Reforma Protestante, o sentimentalismo tem sobrepujado a razão desapaixonada.

13. História é história e o registro da verdade.

Você esquece que os historiadores nem sempre dizem a verdade. Os textos de história em língua inglesa na sua maior parte foram escritos por protestantes de convicção, ou pelo menos infectados pela tradição protestante, por mais imparciais que eles pensem ser. Ainda que inconscientemente, desvio e preconceito insinuam-se nos seus escritos, e a verdade plena não deve ser achada nas suas obras. Não raras vezes as coisas são repetidas como fatos que não são fatos. Onde quer que fatos indiscutíveis interessem, faz-se uma seleção, omitindo-se fatos inconvenientes, enquanto que os escolhidos são interpretados para quadrar com as teorias do escritor. A nossa queixa nunca é da história, é dos historiadores.

14. Não será que é o seu próprio preconceito católico que assim o faz falar ?

Não. Escute as palavras de um protestante, o Revdo. Dr. Goudge, Régio Professor de Teologia da Universidade de Oxford. Num apelo em pró de um melhor entendimento entre protestantes e católicos, ele nos pede desfazermo-nos dos preconceitos do século dezesseis, quando ocorreu a Reforma. “Todo o espírito das controvérsias”, escreve ele, “era mau. Elas eram negras de ódio e de falsa representação, e conduziam grandemente a desaforos teológicos ... Se basearmos as nossas afirmações em fontes do século dezesseis, baseá-las-emos em fontes envenenadas. Na melhor das hipóteses elas omitem metade da verdade, e, na pior, mentem” (The Church of England and Reunion, p. 28).

15. Você acha que é imparcial quando imputa motivos indignos aos reformadores protestantes ?

Sim. O Revdo. Dr. Goudge escreve no livro há pouco citado, pp. 41-42: “Nenhum católico romano instruído nega agora a tremenda condição da cristandade ocidental no começo daquele século, ou o fracasso do movimento conciliar ou de outros movimentos reformadores para combatê-la com êxito. Nenhum protestante instruído nega agora que motivos políticos e pessoais influíram muito na Reforma Protestante ... É dever dos membros mais bem informados de todas as comunhões corrigir os erros dos menos informados, especialmente quando esses erros os levam a julgar mal aqueles de quem estão separados”.

16. Quanto tempo da sua vida Martinho Lutero levou como católico, e quanto como protestante ?

Martinho Lutero levou trinta e sete anos como católico, e vinte e seis como protestante. Nasceu em Eisleben, na Alemanha, a 10 de novembro de 1483. Declarou que tinha tido uma infância infeliz, e que, num estado de depressão, impelido pela brutalidade da sua vida doméstica e escolar, entrou para um mosteiro Agostiniano. Ali esteve bastante feliz a princípio. Viveu vida fervorosa e estrita, e, finalmente, foi ordenado sacerdote em 1507. Mas tinha um temperamento neurótico, provavelmente por efeito de uma infância supra-reprimida, e gradualmente tornou-se vítima de escrúpulos e de melancolia. Alternava entre acessos de completo descuido dos seus deveres e de violenta penitência pela sua infidelidade. Ninguém podia considerá-lo um homem de juízo equilibrado. A crise na sua vida veio com a publicação da Bula Papal de Indulgência concedidas aos que contribuíssem para a construção da Basílica de S. Pedro em Roma. Ele fez disso pretexto para um ataque contra todo o sistema penitencial da Igreja e contra todo o sistema presidencial da Igreja e contra toda a autoridade eclesiástica. A 31 de outubro de 1517, pregou à porta da Igreja de Wittenberg as suas famosas 95 teses, desafiando o ensino da Igreja. Ele não era profundamente versado nesse sentido. No seu panfleto Hans Worst, publicado em 1541, escreveria ele: “Tão certo como Nosso Senhor Jesus Cristo me remiu, eu não sabia o que era indulgência”. Mas persistiu obstinadamente na sua rebelião contra a Igreja, e em 1520 foi excomungado pelo Papa, tendo então trinta e sete anos de idade. Na Dieta de Worms, em 1521, contam que ele disse: “Aqui fico, não posso fazer de outro modo. Assim me ajude Deus”. Porém investigações protestantes provaram não serem autênticas essas palavras, e sim mera lenda. Em 1525 ele se casou com Catarina de Bora, ex-freira. Morreu a 18 de fevereiro de 1546.

17. Lutero não visitou Roma em 1511 e não perdeu a fé na Igreja Católica por causa dos escândalos que ali viu ?

Em 1511 ele visitou Roma a negócios monásticos, mas não perdeu a fé por causa de quaisquer abusos que ali tivesse visto. Voltou para a Alemanha tão forte na sua fé católica como o era antes dessa visita. Só anos mais tarde, depois de haver sido excomungado da Igreja, é que ele escreveu dizendo que achara Roma “uma cloaca de iniqüidade, os seus sacerdotes infiéis, os homens da corte papal com vidas vergonhosas”, e que a sua reverência para com Roma se convertera em nojo. Mas assim ele interpretava um estado de mente anterior, à luz de preconceitos posteriores. Na realidade, cartas escritas por Lutero após o seu regresso de Roma falam do Papa com o maior respeito.

18. Tendo perdido a fé na Igreja Católica, Lutero converteu-se ali mesmo ao verdadeiro Evangelho.

Contam a história de que ele subia de joelhos a “Scala Santa”, quando de súbito luziu-lhe na mente este pensamento: “O justo vive na fé”. Mas em parte alguma, em nenhum dos seus escritos, o próprio Lutero menciona isso. O incidente não é histórico, e sim uma lenda forjada por seu filho Paulo, que ali sacava sobre a sua própria imaginação.

19. Mas, seja lá como for que ela tenha ocorrido, você não pode negar a realidade da conversão de Lutero.

Não nego que lhe haja sobrevindo uma mudança quatro ou cinco anos depois da sua visita a Roma, e que, ao passo que ele foi católico até ser finalmente excomungado pela Igreja em 1520, de então por diante foi protestante. Mas nego que essa mudança tenha sido uma conversão sobrenatural devida à graça de Deus. Lutero fracassara na sua própria vida em viver conformemente aos ideais de santidade que a Igreja Católica lhe apresentara. Para alcançar a paz de espírito nos seus próprios baixos ideais, ele persuadiu-se de que a Igreja estava errada exigindo quaisquer boas obras. Convenceu-se de que o homem é totalmente depravado, de que ele não tem livre arbítrio, e de que Deus não espera que o homem seja outra coisa senão depravado. Então inventou o consolador evangelho de que o homem é salvo pela fé somente, e não pelas obras. Crença, e não bom proceder, foi de então por diante o segredo da salvação ensinado por Martinho Lutero.

20. Lutero não foi um bravo em seguir as suas convicções a despeito da oposição da Igreja Católica ?

Ele tinha uma coragem natural. Mas isso não era virtude mais do que o é a coragem freqüentemente achada em malfeitores. Coragem meramente humana não é sinal de bom cristão.

21. Por que é que os católicos dizem que Lutero foi tão mau assim ?

Os protestantes que idealizam Martinho Lutero apresentam a sua suposta santidade como argumento em favor da Reforma Protestante. Para fazer face a esse argumento os católicos não tem outra alternativa senão evidenciar que Lutero absolutamente não foi um santo homem. Os católicos arguem que quem proclama ter sido incumbido por Deus de revelar Cristo ao mundo degenerado deve exibir em si mesmo uma vida cristã. Mas Lutero assim não fez; e é inconcebível que um tipo de homem qual ele era fosse escolhido por Deus para reformar a Igreja de Cristo.

22. Aos protestantes sempre foi ensinado que Lutero era verdadeiramente um homem de Deus.

Há dois Luteros: o Lutero de ficção fascinadora, e o Lutero da história e do fato. O Lutero de ficção aparece no púlpito protestante, nas escolas dominicais e em biografias partidárias. Mas o Lutero real será achado nos seus escritos – e certamente me refiro às edições deles não expurgadas. Protestantes bem informados já não falam mais da “santidade” dele. Detêm-se sobre a sua qualidade de campeão do livre pensamento, e sobre o seu êxito em derrubar a tirania de Roma. Porque, enquanto que Lutero era indubitavelmente um homem religioso, era também um homem muito desequilibrado, que fracassou em regular as suas inclinações religiosas de acordo com as leis de Deus, e que condescendeu com outras inclinações em trilhas igualmente indesculpáveis. Lutero teve um caráter estranhamente complexo. H.A.L. Fisher fala da sua “vasta força animal, da sua alegria e agudeza, da sua rusticidade e chiste, da sua selvagem veia de romance e áspero escolasticismo, das suas ingênuas superstições aldeãs, e da sua mórbida autocrítica”. (A History of Europe, p. 543). Lutero era amável, generoso, terno e sentimental, mas era também orgulhoso, incrivelmente vaidoso e teimoso. O “eu” era supremo nele. Toda oposição ao “eu” de Lutero era uma afronta à “Liberdade Cristã”; a doutrina tinha de ser ajustada para quadrar com o “eu” desse homem introspectivo; e ele exigia para si mesmo uma vida cristã. Mas Lutero assim não fez; e é inconcebível que um tipo de homem qual ele era fosse escolhido por Deus para reformar a Igreja de Cristo.

23. Você diz que protestantes bem informados têm modificado a sua apreciação sobre Lutero como homem de Deus. Pode citar um deles ?

O Deão W. R. Inge, de S. Paulo em Londres, é indubitavelmente uma sumidade. É, também, indubitavelmente a sua antipatia pela igreja Católica. Contudo, eis aqui a sua apreciação sobre Lutero, como dada no seu livro Protestantism, p. 28: “Lutero, portanto, foi um reformador que não era nem filósofo nem teólogo. Era reacionário de vários modos, e os Humanistas, que a princípio tinham esperanças nele, não tardaram a descobrir que muito pouca simpatia poderia haver entre si. Exaltando a fé e rebaixando as boas obras, e usando a “Fé”, com as suas associações intelectuais, ele deu mais importância a corrigir a crença do que nem mesmo os católicos o haviam feito. Ele não quis entender a tolerância aos Anabatistas e a outras sectários, e em princípio não fez objeção à perseguição. A sua atitude durante a Revolta dos Camponeses fica sendo uma mancha na sua carreira, embora se deva admitir que a sua posição era extraordinariamente difícil. Todo o futuro da obra de sua vida parecia depender da bem sucedida defesa da sua autoridade pelos príncipes. Finalmente, a despeito do caráter fortemente ético do seu ensino, houve o seu trato das questões sexuais uma grosseria que repercutiu desfavoravelmente sobre a moral do povo alemão”.

24. Sabe de algum bem em Lutero ?

Sei, mas não o bastante para compensar vícios inteiramente deslocados num homem que é olhado como equilibrado e como santamente reformador. O “caráter fortemente ético” que o Deão Inge descobre nos escritos dele ocorre somente em certos lugares. Com bastante freqüência Lutero ensina doutrinas as mais imorais, e põe-nas em prática na sua própria vida. S. Paulo diz que os que são de Cristo crucificam a sua carne com os seus vícios e concupiscências (Gál 5,24). Entretanto, que Lutero condescendia com seus vícios e concupiscências torna-se claro “pelos seus próprios escritos, onde ele dá vergonhosas descrições da sua própria indulgência para com tudo quanto é apaixonado. Os seus diários registram chocantes excessos de sensualidade, que não poderiam ser impressos em nenhum livro decente hoje em dia. Um verdadeiro apóstolo de Cristo não dá curso a expressões tais como: “Ser continente e casto não está em mim”; ou “Por que ando sempre empapado em vinho?” Auto-controle era coisa que não existia em Lutero. Ele soltava as rédeas às suas paixões mais baixas, dizendo calmamente que assim deve fazer o homem, e não será responsável por essa conduta.

25. Lutero escreveu os mais belos hinos, e parece estranho que um homem assim tão mau como você retrata pudesse ser tão religioso a ponto de os escrever.

Contudo, lado a lado com os seus belos hinos Lutero escreveu grosseiras e chocantes espurcidas como tais não divulgadas. Psicologicamente, ele era um caráter estranho, quase médico e monstro alternativamente. Nos momentos religiosos, a sua imaginação derramava-se em poesia e em hinos. Mas estes, e muitas outras belas passagens, que podem ser colhidas dos escritos de Lutero, eram meros resíduos da sua herança católica. Nos momentos sensuais, ele se rebolcava nas suas paixões. Quando vinha a melancolia, embriagava-se. Nos momentos de luta era inexorável em alto grau, e descascava os seus opositores com violentas torrentes de injúria. A grandeza de Lutero não foi nem uma verdadeira grandeza humana, nem uma verdadeira grandeza cristã. Foi simplesmente, como Martiain e Fisher indicaram, uma grandeza animal – uma grandeza de força, energia e veemência de caráter.

26. Desafio-o a produzir a evidência de haver Lutero alguma vez usado qualquer linguagem má.

É claro que você só conhece o Lutero lendário. Nenhum protestante decente poderia ter o livrinho Hans Worst, escrito por Lutero em 1541, sem extremo nojo. Zwinglio, seu companheiro de reforma protestante, queixava-se da vil linguagem desse sujo panfleto. Repito, nenhum protestante decente poderia ler a Conversa de mesa de Lutero sem pejo e indignação, D. P. Smith, o biógrafo protestante, no seu livro Luther, p. 321, escreve: “Fere o moderno leitor de nada menos do que de pasmo, quase de horror, o descobrir a conversa particular do grande moralista com os seus comensais e filhos, as suas aulas a estudantes, até mesmo os seus sermões, densamente permeados de palavras, expressões e histórias confinadas hoje em dia aos freqüentadores dos mais baixos botequins”. Não há dúvida de que os ensinamentos e os conselhos práticos de Lutero, e o seu exemplo na conversação, estavam infinitamente abaixo das normas morais da Igreja Católica que ele descompõe, e abaixo mesmo das normas ora geralmente aceitas pelos próprios Protestantes.

27. Uma fonte não pode lançar, no mesmo jato, água salgada e água fresca.

Pode, se a fonte for enchida alternadamente de água salgada e de água fresca. E os pensamentos que acudiam à mente de Lutero eram alternadamente bons e maus. Quase todos os biógrafos de Lutero admitem que a linguagem deste era invariavelmente grosseira e vulgar, imprudente e impetuosa. Porém as descrições que eles fazem carecem de realidade, ou pelo fato de não terem eles querido mostrar o verdadeiro caráter de Lutero, ou por não terem querido ofender o senso de decência dos seus leitores. Sem embargo, Lutero era capaz de expressões baixas, soezes e vergonhosas, capazes de espantar até mesmo um pagão.

28. Pois bem: então ou são os católicos ou são os protestantes que estão certos na sua apreciação de Lutero. Porém quais ?

Já lhe dei várias apreciações protestantes substancialmente concordes com a apreciação católica. Sobre o único ponto que poderia ficar em discussão, posso apenas dizer que qualquer protestante que diz que a revolta de Lutero contra a Igreja Católica foi inspirada por Deus está, sem dúvida alguma, enganado.

29. Como justifica essa afirmação ?

Que a revolta de Lutero contra a Igreja Católica não foi inspirada por Deus, isto deveria ser evidente a quem quer que crê em Cristo e tem algum conhecimento dos Evangelhos. O próprio Cristo disse: “Edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Quem quer que diz que a Igreja, tal como Cristo a estabeleceu, falhou tanto posteriormente que os homens tiveram de deixá-la e de iniciar novas Igrejas, quem tal diz contradiz Cristo. E, no entanto, foi o que Lutero fez. Dizendo que as forças do mal haviam prevalecido contra a Igreja Católica, ele deixou esta para fundar uma nova Igreja sua. Isto significava que Cristo não tinha podido cumprir a sua promessa de proteger a sua Igreja contra semelhante corrupção radical. Que no tempo de Lutero houvesse abusos entre católicos, quer clérigos quer leigos, ninguém poderia negá-lo. O próprio Cristo predisse esses abusos quando disse que a sua Igreja seria como uma rede que apanha bom e mau peixe. Porém mau peixe não significa má rede. Onde Lutero cometeu o engano foi em condenar a rede tanto como o mau peixe, e em se afastar para fazer uma rede sua. Se ele realmente queria uma reforma, deveria ter ficado na rede garantida por Cristo, e ter despendido as suas energias em converter o mau peixe em bom peixe. Verificando isto, os bons protestantes hoje em dia deveriam voltar à rede que Lutero abandonou – a Igreja Católica.

30. Se Lutero alguma vez escreveu as coisas ignominiosas que você lhe atribui, está fora de dúvida que, anteriormente. Deus disse a ele: “O justo vive na fé, e não da penitência”.

Deus nunca disse tal coisa a Lutero. Lutero atribuiu a Deus os frutos da sua própria imaginação. Tomemos, porém, o ponto que você apresenta. Lutero começou a sua carreira, como pretenso reformador, de 1517 em diante. O seu imundo livro Hans Wordst foi escrito em 1541. A sua Conversa de mesa é cheia de expressões e sentimentos indecorosos e lascivos proferidos depois que ele se erigira em reformador. Bullinger, o reformador protestante suíço, escreveu a respeito de Lutero: “Ai! É claro como a luz do dia e inegável que ninguém jamais escreveu mais vulgar, mais grosseira, mais indecorosamente, em assuntos de fé, e de modéstia cristã, e em todos os assuntos sérios, do que Lutero. Há escritos de Lutero tão sujos, tão imundos, tão vulgares e grosseiros, que não seriam desculpados num pastor de porcos quais do que num pastor de almas”. Pregando em Wittenberg, depois de deixar a Igreja Católica, Lutero disse: “Se Moisés tentar intimidar-vos com os seus estúpidos Dez Mandamentos, dizei-lhe imediatamente: Suma-se daqui para os judeus!” Quantos protestantes apoiariam palavras como estas ?

31. Mesmo se Martinho Lutero não pode ser defendido, por que então o seu mau caráter haveria de ser um argumento contra a Igreja Protestante, e no entanto, maus Papas não seriam argumento contra a Igreja Católica ?

Porque os maus papas não pretenderam ser fundadores de novas religiões, como o fez Lutero. O único fundador da Igreja Católica, ficou, e esse foi indubitavelmente santo, pois foi o próprio Jesus Cristo. Além disto, nenhum mau papa pretendeu jamais que os seus pecados estivessem de acordo com os ensinamentos de Cristo e da Igreja Católica; nem papa algum ensinou oficialmente que os membros da Igreja eram livres de proceder de tal modo. Mas Lutero corrompeu as próprias doutrinas de Cristo, e deu aos outros permissão para pecar. Finalmente, os Papas que não viveram boas vidas privadas possuíram autoridade apostólica para a sua legislação oficial em nome da Igreja – legislação que em si mesma foi toda certa. Mas Lutero não tinha autoridade apostólica para as suas inovações heréticas e cismáticas.

32. Então você nega que Lutero foi um homem enviado por Deus, ou que absolutamente não teve qualquer missão divina ?

Nego. Ele persuadiu-se de que tinha uma missão divina. Mas isso não era coisa difícil para um homem do seu temperamento. E não há mais fundamentos para acreditar na missão divina de Martinho Lutero do que para crer na missão divina de Mrs. Eddy para propagar a “Ciência Cristã”, ou do Juiz Rutherford para fundar as “Testemunhas de Jeová”. Lutero esteve tão iludido na sua pretensão de uma missão divina como o esteve em muitos outros assuntos.

33. Você nega a sinceridade dele ?

Não inteiramente. Ele não errou somente no seu próprio interesse. Tinha convicções sinceras, embora muito desarrazoadas. Mas era muito inescrupuloso quanto aos meios que empregava para atingir os seus fins. Foi um estranho misto de misticismo e realismo. E, se em alguns ele atendia a um genuíno desejo de reforma, em outros atendia ao seu apetite de escândalos, ao seu amor da novidade, e às suas paixões racionalistas. Os seus caminhos estiveram muito longe de se parecer com os de Cristo.

34. Ninguém pode dizer que Lutero não era deveras zeloso.

Infelizmente, no caso dele, era um zelo sem conhecimento e sem caridade. Defendendo as suas teses contra as autoridades católicas, ele adotou uma atitude de orgulho e arrogância, abandonando a razão pela invectiva. Ele destilava escárnio desprezador nas suas críticas, e logo manifestou um ódio cego a Roma e ao Papa. E nem depois procedeu diferentemente para com outros mestres protestantes que divergiam dele. Os seus sermões eram obstinados e dogmáticos. Ele não suportava contradição. Não tolerava rival. Arrogava-se a própria infalibilidade que ele negava ao Papa.

35. Ele desejava apenas corrigir abusos e reformar homens.

Ele nunca teria sido condenado como herege se houvesse apenas desejado corrigir abusos e reformar homens. Porém foi mais longe. Disse que a própria doutrina católica se corrompera, e que ELE tornara a descobrir o Evangelho. Mas os novos princípios que ele ensinava eram muito lisongeiros para a natureza humana. Apelavam fortemente para o espírito de independência, e abriam o caminho para um relaxamento ainda maior. Os homens viram nele uma emancipação da autoridade da Igreja e de toda restrição moral.

36. Você oferece essa explicação como o segredo da influência de Lutero ?

Em parte. Outro e grande fator foi a situação política no seu tempo. Lutero não era um profundo pensador, mas tinha intuição para ver a inquietação religiosa que reinava na Alemanha, e as ambições políticas dos príncipes alemães. De fato, a Alemanha era um vulcão político-religioso, e Lutero não teve senão que dar expressão apaixonadamente contagiosa às recriminações contra Roma e às aspirações à independência política já muito difundidas. Por isso ele se deu o trabalho de suscitar em furacão de ódio religioso e racial, de jogar com o sentimento político e nacional, e inflamar toda a Alemanha tanto contra o Imperador como contra o Papa. Lutero, o reformador, tornou-se Lutero o revolucionário e o herói que sustentou a oposição nacional a Roma. Não houve aí sinais quaisquer de uma missão puramente religiosa e espiritual recebida de Deus!

37. Parece estranho que outros não tenham chegado a essa sua interpretação da história.

Esses fatos parecem estranhos aos que só conhecem o Lutero da lenda, e que nunca estudaram o assunto por si mesmos. Porém sumidades protestantes estão inteiramente prontas a concordar com as explicações que eu dei. No seu livro A History of Europe, p. 500, H. A. L. Fisher escreve que Lutero “foi um gênio religioso a se experimentar a si mesmo, o qual, na sua busca de salvação pessoal, gradativamente foi levado a assumir uma atitude que o fez campeão da nação germânica contra as pretensões da Igreja de Roma”. Quando os Judeus quiseram que Cristo se fizesse o campeão da sua nação, ele se recusou. Não era por tais meios que o Reino de Deus devia ser estabelecido.

38. Martinho Lutero pelo menos não forçou a Igreja Católica a reformar-se ?

As multidões arrebatadas à Igreja Católica pela revolta luterana certamente convenceram os dirigentes desta da urgente necessidade de uma reforma real; e essa reforma real foi efetuada pelo Concílio de Trento. A severa legislação e os decretos disciplinares desse Concílio erradicaram os pronunciados abusos que deram ocasião à separação protestante da Igreja; e desde então não mais houve movimento tal. Até onde a Igreja Católica entra em questão, o protestantismo gastou a sua força nos primeiros anos da revolta; e desde então já não houve qualquer perigo real em larga escala para a fé dos católicos. A notável tendência hoje em dia é para os protestantes se tornarem católicos, e não para os católicos se fazerem protestantes.

39. Então, certamente, você deve algum agradecimento a Martinho Lutero.

Lutero, nós não podemos respeitá-lo. Ele não tinha o direito de deixar a Igreja Católica e de começar uma Igreja própria sob o pretexto de reforma. Ele deveria ter ficado na verdadeira Igreja e trabalhado para reformar os católicos relapsos dentro dela. Você leva um prato que precisa de limpeza; não o quebra. Na ordem dos fatos, em 1521 o mundano Papa Leão X morreu, e foi sucedido pelo Papa alemão Adriano VI. Adriano era justamente um Papa como Lutero pretendia. Era austero e santo, e imediatamente se pôs em obra para reformar os membros da Igreja, começando pelos próprios Cardeais, e lutando contra o relaxamento italiano. O bravo velho Papa teria sido vastamente ajudado pelo apoio germânico e pela cessação da oposição no Norte. Mas Lutero não fez esforço nenhum para ajudar um verdadeiro reformador posto na verdadeira Sé de onde a reforma deveria partir. Em vez de ajudar um compatriota que era justamente um chefe da Igreja tal como ele declarara necessário, ele continuou a vomitar insultos contra o Papa como se fosse o demônio. Adriano VI morreu de pesar, e a contra-Reforma real veio com o Concílio de Trento, perto de vinte anos depois. Então o caos grandemente difundido forçou a ação; mas a reforma foi devida ao poder inato da Igreja viva, de renovar a sua própria vitalidade.

40. Ao menos Deus fez uso de Lutero para provocar na Igreja uma reação salutar. Do seu próprio ponto de vista você deveria admitir a missão divina dele para fazer isso.

Indiretamente, aos planos da Providência de Deus, a revolta de Lutero forçou as autoridades da Igreja Católica e empreenderam a obra de reforma. Porém ele não é mais digno de respeito por causa disso do que o foi Atila, no século V, invadindo a Itália, devastando o país e destruindo as Igrejas até às portas de Roma. Os católicos do século V consideraram a invasão de Átila como um castigo dos seus pecados e um aviso para a penitência; e falavam de Átila como do “Flagelo de Deus”. Nenhum cristão admitiria que Átila tivesse recebido missão divina para matar, pilhar e profanar, mesmo havendo Deus permitido o desastre e feito uso deste tirando o bem do mal. Do mesmo modo, Deus permitiu a defecção de Martinho Lutero do seio da Igreja e fez uso da sua revolta, para induzir os dirigentes católicos a um senso de responsabilidade. Mas a verdadeira reforma foi efetuada, não por Lutero, e sim por outros; e foi efetuada não somente sem Lutero, mas contra Lutero. 41. Que é que você consideraria como doutrinas distintas de Lutero, constituindo uma separação para com o verdadeiro Cristianismo ?

As mais importantes são as seguintes. Ele declarou que a Igreja Católica incidira em erro doutrinal. Negou que a Igreja houvesse jamais significado ser uma instituição visível. Rejeitou a existência de todo sacerdócio especial na Igreja. Insistiu em que a Bíblia deve ser a única regra de fé. Além disto, consoante Lutero, cada homem tem o direito de interpretar a Bíblia por si mesmo. A justificação é alcançada pela fé sem obras. A alma justificada é concedida uma segurança pessoal de salvação. A fé cristã não necessita, nem pode ter, qualquer fundamento racional.

42. Você censura Lutero por ter deixado a Igreja Católica. Mas, em vista dos abusos que você admitiu, não era necessária uma reforma ?

Sem dúvida. Mas não havia necessidade disso a que se chama a “Reforma Protestante”. Alguns abusos entre os membros da Igreja sempre clamarão urgentemente por uma reforma. Mas o Protestantismo não foi um movimento de reforma real. Ele fez dos abusos reinantes uma desculpa para abandonar ao mesmo tempo a Igreja, em vez de ficar com ela, e nela procurar efetuar a conversão dos seus membros relapsos para melhores caminhos. Ademais, o Protestantismo conservou muitos dos próprios abusos, e apenas procurou justificá-los negando estarem eles errados. Coisa que a Igreja Católica nunca fará. Pode ela admitir, com tristeza, que seus filhos às vezes calam em pecado; mas nunca dirá que aquilo que é pecado não é pecado, como o fizeram muitos reformadores.

43. Então você nega que a Igreja Católica, como tal, provou ser um guia inafiançável ?

Nego. Cristo disse: “Edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Quem quer que diga que a Igreja falhou em qualquer período da sua carreira assevera que as portas do inferno prevaleceram contra ela! Cristo ou era Deus ou não era. Se não era, foi um impostor e um blasfemador, e deveríamos renunciar inteiramente a crer nele. Mas, se era Deus, então podia fazer o que disse que faria – preservar a sua Igreja, através das idades, contra todas as forças do mal. Não é a fé em Cristo, mas com a falta de fé em Cristo, que tem levado os homens a abandonarem a Igreja que ele estabeleceu.

44. Lutero declarou que a Igreja visível fracassou, mas não a Igreja invisível; e que a verdadeira Igreja é, necessariamente, invisível.

Ele achou necessário inventar essa teoria para justificar a sua rebelião contra a Igreja Católica visível. Mas não foi coerente. Quando desejou suprimir os Anabatistas, recorreu à autoridade de uma Igreja visível, conhecida pelo batismo, pela celebração da Ceia do Senhor e pela pregação do próprio evangelho dele. Mas no fim achou que, a fim de reforçar as suas idéias, tinha de apelar para o Estado. Repudiada a autoridade papal, só restava a autoridade civil.

45. Com Lutero, nós sustentamos que a Igreja está nas almas dos homens.

Se a Igreja é uma qualidade invisível confinada nas almas dos homens, então nenhum ser humano poderia dizer onde deve ser achada a verdadeira Igreja, e ninguém poderia ouvir a voz dela ou obedecer-lhe aos preceitos. Não. Nosso Senhor estabeleceu uma sociedade visível neste mundo, embora não sendo deste mundo. E comparou-a a uma cidade situada sobre uma colina, a qual não pode ficar escondida. Uma das Igrejas visíveis e organizadas neste mundo hoje em dia é a dele. E só a Igreja Católica pode mostrar os característicos que ele declarou que a sua Igreja possuiria.

46. A Igreja é formada não dos que pertencem a uma organização visível, mas sim dos que nasceram do Espírito Santo.

Uma Igreja assim não poderia ser julgada pelos homens. Ninguém poderia, portanto, dizer quem é que pertencia à verdadeira Igreja e quem não. Cristo estabeleceu uma Igreja visível, e designou Apóstolos visíveis para governarem essa Igreja. Nos Atos dos Apóstolos 20, 28, lemos: “Tomai cuidado convosco e com o rebanho inteiro, onde o Espírito Santo vos colocou como bispos para governardes a Igreja de Deus”. Como poderiam os bispos governar a Igreja se não soubessem quem é que pertencia a ela ?

47. Cristo disse: “O reino de Deus está dentro de vós”.

O reino de Deis conforme estabelecido por Cristo é a um tempo uma Igreja visível neste mundo e um reino invisível de graça dentro da alma. A adesão externa ao reino visível exige também que Cristo reine na alma pela graça. Mas essa graça interior não dispensa o homem de aceitar a vontade de Cristo desde que ele se dê conta desta, nem da obrigação de se juntar à Igreja visível por ele estabelecida neste mundo. Cristo disse: “Se alguém não escuta a Igreja, seja como o pagão”. Obviamente ele se referia à autoridade de uma Igreja visível. Ele também comparou sua Igreja a uma rede que apanha bons e maus peixes. Isto não pode referir-se somente a um reino de graça espiritual e invisível, porquanto maus peixes não estão em estado de graça.

48. A idéia de um sacerdócio visível, distinto do laicato, não tem ligação com a doutrina de uma Igreja visível ?

Tem. E é igualmente ensino do Novo Testamento que deve haver um sacerdócio visível na Igreja.

49. Mas Lutero provou, com o Novo Testamento, que não há sacerdócio distinto do laicato. Ele mostrou o claro ensino do Novo Testamento de que todos os cristãos são um santo sacerdócio.

Mas isso é apenas parte do ensino do Novo Testamento, e não todo ele. O batismo implica uma certa consagração sacerdotal a Deus, e a obrigação de oferecer o sacrifício de louvor por uma sincera vida de oração e de boas obras. Mas, dentre os batizados, certos homens devem ser escolhidos e especialmente ordenados para oferecer o continuado Sacrifício do Corpo e Sangue de Cristo, e para perdoar pecados. Neste último sentido, nem todos os cristãos são sacerdotes.

50. Onde é que, no Novo Testamento, há menção desse sacerdócio especial ?

Que é um sacerdote ? É alguém escolhido de entre os homens, dedicado a Deus por sagração, e delegado para oferecer sacrifício a Deus, para ensinar e para santificar os homens. Ora, Cristo certamente fez escolha especial de certos homens. S. Lucas 6, 13 diz: “Chamou os seus discípulos e escolheu doze deles”. Consagrou-os. Deu-lhes a Sua própria missão, dizendo: “Como meu Pai me enviou, assim eu vos envio”. Comunicou-lhe o seu próprio poder. “Soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,21-22). Havendo-os escolhido e consagrado, mandou-lhes ensinarem e santificarem os homens. Em S. Mateus 28, 19 disse-lhe: “Ide, ensinai todas as nações”. Quanto a santificá-los: “Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). E ainda: “Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados” (Jo 20,23), S. Tiago (5-14) escreve: “Alguém está doente ? Mande chamar os sacerdotes da Igreja, e orem estes sobre ele, urgindo-o com óleo, e, se ele houver cometido pecados, estes lhe serão perdoados”. Finalmente, Cristo ordenou-lhes oferecerem sacrifício a Deus. Na última Ceia ele disse: “Isto é meu corpo que é entregue por vós. Fazei isto em memória de mim; e, todas as vezes que o fizerdes, anunciareis a morte do Senhor”. Todas as vezes que um sacerdote legalmente ordenado celebra a Missa, oferece esse sacrifício. A mesma Vítima é oferecida, Jesus Cristo, e pelo sacerdócio de Jesus Cristo no celebrante. Só por um sacerdócio de Jesus Cristo no celebrante. Só por um sacerdócio sucessivo e perpétuo, por escolha, consagração e incumbência divina, é que isso pode ser feito.

51. Se tudo é tão claro como você diz, por que então tê-lo-ia Lutero negado ?

Lutero ignorou a evidência do Novo Testamento, em favor das suas novas teorias, que o absorviam com exclusão de tudo o mais. A chave para esta posição deve ser achada na sua história pessoal. Obsesso pela violência das suas próprias paixões, e pela consciência dos seus muitos pecados, Lutero foi levado a um estado de abatimento, melancolia e desespero. Ansiando por uma certeza de que não seria condenado, argumentou que o pecado original viciara totalmente a natureza e a vontade do homem, e que era impossível, para este, viver vida boa. Era inútil testar. Portanto, o homem não pode fazer nada para promover a sua salvação. Mas aquilo que o homem não pode fazer, pode-o Deus. Nós devemos simplesmente crer no poder de Cristo para efetuar a nossa redenção, imputando a nós a sua bondade. Embora não possamos senão continuar pecando, podemos ao menos pôr a nossa completa confiança em Cristo, e, assim fazendo, sermos salvos. Nesta doutrina da justificação pela fé sozinha está contida em germe e subseqüente negação da Igreja visível, do sacerdócio, do sacramentalismo, do livre arbítrio, e finalmente, a asserção da própria predestinação.

52. Se a teoria de Lutero era nova, era porque o povo não conhecia a Bíblia. Coube a Lutero descobrir a Bíblia e dá-la ao mundo.

Depois de deixar a Igreja, Lutero disse que no mosteiro descobrira uma Bíblia, “um livro que ele nunca tinha visto antes na sua vida”, e que “só ele no mosteiro” lera. Mas isto é contrário a fatos demonstráveis. A Regra da Ordem Agostiniana, a que Lutero pertencera, incluía o mandamento de que todos os membros deviam “ler assiduamente as Escrituras, ouvi-las devotamente, e aprendê-las fervorosamente”. Os estudos bíblicos floresciam naquela época, e comentários bíblicos existiam em profusão, Lutero não disse aí a verdade, e o mito do seu descobrimento de uma Bíblia desconhecida foi abandonado por todas as sumidades protestantes de confiança.

53. Ele foi o primeiro a traduzir a Bíblia para o alemão, de modo que o vulgo pudesse tê-la por si mesmo.

Havia vinte e sete edições da Bíblia em alemão antes de Lutero publicar a sua tradução. Essa tradução foi feita em Walburg, mas, ao passo que o seu valor literário era alto, ela foi estropeada por mutilações e más traduções. A Lutero pouco se lhe dava de alterar a verdadeira Palavra de Deus, no interesse das suas próprias doutrinas. Ele rejeitou a Epístola de S. Tiago como uma “epístola de palha” porque ela não quadrava com a sua negação da necessidade das boas obras. Na epístola aos Romanos, 3, 28, S. Paulo escrevera: “Julgamos que o homem é justificado pela fé”. Na sua tradução Lutero aditou a palavra “apenas”, para fazer a sentença ser lida como: “Nós somos justificados pela fé apenas”. Reptado, sobre essa perversão do texto, por Emser, Lutero escreveu: “Se o seu papista o incomodar por causa da palavra (apenas), diga-lhe imediatamente: Dr. Martinho Lutero quer que assim seja. Quem não quiser ter a minha tradução, mande-a às favas; o diabo agradece a quem a censura sem a minha vontade e conhecimento. Dr. Martinho Lutero assim o quer, e ele é um doutor acima de todos os doutores no Papado”. (Amic. Disc. 1, 127). Lutero não merecia confiança como tradutor da Bíblia.

54. Lutero ao menos defendeu o direito do juízo privado.

À conta disso ele repudiou a autoridade da Igreja Católica somente para achar que, sob a mesma alegação, outros repudiassem a dele. Assim ele esfacelou a unidade do Cristianismo na Europa, o qual se dividiu em seitas litigantes que Lutero denunciou de modo mais intolerante do que a Igreja Católica jamais o havia tratado, a ele. E a sua doutrina conduziu às mais tremendas desordens morais e políticas. Um resultado direito dos seus ensinamentos foram a Revolta dos Camponeses e a horrenda sorte dos Anabatistas de Münster.

55. De Lutero nós aprendemos a ler a Bíblia por nós mesmos e a aceitar como verdade o que descobrimos nas páginas dela.

Esse é um princípio errôneo. Muitos deixam de entender o verdadeiro sentido da Bíblia, e muitos mais lêem nela positivamente sentidos errados. Por isto S. Pedro diz que na Escritura há muita coisa difícil de entender, a qual o ignorante e versátil deturpa para sua própria perdição (2 Pedro, 3, 16). Os próprios frutos dessa interpretação privada deveriam ser prova suficiente de que Deus nunca poderia ter pretendido tal método. Porquanto os homens fizeram a Bíblia apoiar as doutrinas mais opostas, e estabeleceram centenas de seitas distintas e irreconciliáveis, cada qual pretendendo representar a verdadeira religião de Cristo. Deus nunca poderia ter intentado um princípio que levasse a semelhante caos.

56. Quando lemos a Escritura, devemos ser guiados somente pelo Espírito Santo.

Por que argumento você decide que é realmente o Espírito Santo que o guia ? Outros, justamente tão sinceros como você, chegam a outras conclusões. Por que então aceitar a conclusão sua de preferência às deles ? Toda sorte de religiões estranhas foram dadas ao mundo por homens que declararam com a maior confiança que o Espírito Santo era responsável pelas suas idéias. S. João deu a prova da verdade quando escreveu: “Aquele que não nos ouve não é de Deus. Por aí conhecemos o Espírito de Verdade e o espírito de erro” (1 Jo 4,6). S. João apela para o ensino dos Apóstolos como constituindo a Igreja docente – dessa Igreja Católica da qual Cristo disse: “Se alguém não ouve a Igreja, seja como o pagão!” (Mt 18, 17). A autoridade da Igreja docente é a única prova sã. Comentando o estado de coisas fora da Igreja Católica, Rosalind Murray escreve no seu livro The Life of Fath, p. 46: “Quando comparamos os rigorosos regulamentos contra médicos práticos, não qualificados, com a liberdade concedida a todos os práticos religiosos não qualificados, é impressionante o tratamento diferencial. Os corpos da comunidade são salvaguardados, com cuidadosa e incansável vigilância, das aventuras da não-ortodoxia, mas as suas mentes e as suas almas são abandonadas em compunção aos caprichos do charlatão não qualificado”. Mas esta é a conseqüência lógica do ensino de Lutero.

57. Mas será que o leitor comum não tem nenhuma oportunidade de chegar ao sentido exato da Escritura ?

Em muitas passagens da Escritura ele certamente poderia fazê-lo. Mas em muitas outras absolutamente não teria essa oportunidade. Não há, entretanto, dúvida alguma de que a Bíblia é um dos livros mais difíceis de entender. Precisa-se de um vasto conhecimento de línguas antigas, de história e de costumes; e deve-se estar inteiramente familiarizado com as expressões hebraicas e gregas alegóricas, metafóricas e típicas, inteiramente à parte da intuição espiritual requerida para penetrar os mistérios mais sublimes. Quantos indivíduos estão assim qualificados ?

58. O Evangelho de Cristo é a própria simplicidade.

Em certo sentido, é. Ele nos diz claramente que Cristo estabeleceu uma Igreja definida à qual deu a incumbência de ensinar todas as nações. Ele é muito simples sob este ponto de vista, pois os homens tem somente que aceitar a Igreja Católica e ser por essa Igreja ensinados. Mas o Evangelho não é a própria simplicidade no sentido em que você o pretende.

59. Lutero ensinou que nós temos somente que crer em Cristo, e seremos salvos.

Não é de admirar que ele conseguisse adeptos, com doutrina tão cômoda. Não vivendo à altura da sua religião, os homens ambicionavam um meio assim tão simples de sair fora dela. Mas semelhante doutrina é oposta ao ensino de Cristo. Ele disse: “Se queres entrar na vida, observa os mandamentos”.

60. Lutero acreditava que é feliz aquele cuja consciência aprova o que ele faz.

Isso estaria muito certo se significasse: “Feliz aquele cuja conduta nunca vai de encontro àquilo que uma boa consciência aprova”. Mas Lutero queria dizer: “Feliz aquele cuja consciência foi reduzida ao silêncio, seja qual for o mal que ele deseje fazer”.

61. Lutero não pregou a lei ?

Pregou, mas não que ela deva ser observada. Ele ensinou que ela não podia ser observada, e que a finalidade dela é somente convencer os homens de como são depravados e pecadores. “A Lei”, escreveu ele, “indica o que o homem tem de fazer, enquanto que o Evangelho revela os dons que Deus está desejoso de conferir ao homem. A primeira nós não podemos observar; o último nós recebemos e aprendemos pela fé” (Tischreden I, e XII, 7). Na Conversa de mesa, p. 137, lemos : “Quem diz que o Evangelho exige obras para a salvação, digo redondamente, é um mentiroso”. Outra vez: “Só a fé é necessária para a justificação. Todas as outras coisas são completamente optativas, já não sendo mandadas ou proibidas”. (Comentário sobre Gál. II). Em O Cativeiro Babilônico, c. 3, Lutero escreveu: “O cristão ou homem batizado não pode, ainda quando o quisesse, perder a sua alma por quaisquer pecados, grandes que sejam, a menos que recuse crer; porquanto pecados nenhum, sejam quais forem, podem condená-lo, mas somente a incredulidade”. Logicamente, de acordo com estes falsos princípios, de Warburgo ele escreveu a Melanchthon, a 1ª de outubro de 1521: “Seja pecador, e peque fortemente, mas creia mais fortemente ainda ... Devemos pecar, já que somos o que somos ... O pecado não nos separará d’Ele, ainda quando cometêssemos fornicação ou morticínio, mil e mil vezes ao dia”. (Briefwechsel, Vol. III, p. 208).

62. Como católico, você há de dizer estas coisas de Lutero.

Citei as próprias palavras de Lutero. Mas escute estas outras de um escritor protestante. No seu livro The Re-Creation of Man, p. 24,T. M. Parker escreve: “Lutero recusou admitir ser possível ao homem decaído santificar-se pela graça. O mais que Deus poderia fazer por ele seria, por assim dizer, reputá-lo reto por ficção, encobrir-lhe a corrupção com a veste da justiça de Cristo, ficando o homem real sendo, todo o tempo, sob o disfarce, aquilo que era antes. Se a visão liberal do homem desonra a Deus sugerindo que o homem pode passar sem Ele, a visão luterana não o faz menos, ensinando que a imagem divina está inteiramente desfigurada no homem pelo pecado, e que excede o poder de Deus o refazer a sua criatura. Deus fracassou nos seus tratos com o homem, e o mais que ele pode fazer é encobrir-lhe a falta por uma justiça imputada, tal como o artista inábil esconde o seu retrato rejeitado”.

63. Lutero negou toda necessidade da nossa tentativa para oferecer satisfação pelos nossos pecados, e foi por isto que ele atacou a venda das indulgências.

Lutero atacou muito mais do que a necessidade de oferecer satisfação pelos nossos pecados; mas você está certo em dizer que o ataque ás indulgências foi uma decorrência lógica da teoria dele de que nós somos justificados pela fé sozinha. Contudo, esta teoria é falsa.

64. Você nega que as indulgências deram a Lutero razão suficiente para a sua revolta ?

Nego. Ele fez delas uma das desculpas para a sua revolta, porém elas não eram razão suficiente.

65. Mas então as indulgências não devam aos católicos permissão para pecar ?

Não. O ensino da Igreja Católica sempre foi que o pecado é essencialmente um mal. A todo custo somos obrigados a evitar o pecado. Jamais qualquer permissão pode ser dada para fazer o que é pecaminoso. Se o houver, foi o próprio Lutero quem concedeu indulgência total para cometer o pecado. A doutrina da justificação só pela fé, negando a necessidade das boas obras, logicamente foi uma indulgência para se fazer como se quiser.

66. Com que fundamentos a Igreja Católica reclama estar no caso de conceder indulgências ?

Com os fundamentos de que existe uma mútua comunicação espiritual entre Cristo e o cristão, como também entre todos os que são membros de Cristo. Isto é simplesmente uma aplicação da doutrina da Comunhão dos Santos, na qual professam crer todos os que recitam o Credo dos Apóstolos. E que a Igreja tem o poder de aplicar a seus filhos na terra o valor satisfatório dos sofrimentos de Nosso Senhor e os dos Santos e dos Mártires, isto é evidente pelo fato de lhe haver Cristo dado o poder tanto de ligar como de desligar em seu nome. Ele disse à Igreja não somente: “Tudo aquilo que ligardes na terra será ligado no céu”, mas também: “Tudo aquilo que desligardes na terra será desligado também no céu” (Mt 18, 18). Por uma indulgência a Igreja remite para nós uma certa soma da expiação que devemos oferecer pelos nossos pecados ou nesta vida ou na outra.

67. O Papa Leão X não vendeu indulgências na Alemanha para arranjar dinheiro para a Basílica de S. Pedro ?

Não. Concedeu indulgências aos que dessem esmolas para a construção de São Pedro. Mas uma bênção espiritual concedida aos que dão esmolas para uma boa obra não deve ser classificada como venda de bênçãos espirituais. Cristo teve uma bênção especial para a viúva que deu o sue óbolo ao Templo. Você não o acusaria de estar vendendo essa bênção por um óbolo!

68. Todos os historiadores falam de abusos na Alemanha, em ligação com o tráfico nas indulgências.

Sem dúvida houve abusos. Algumas das pessoas que eram delegadas para coletar esmolas para a Basílica de S. Pedro estavam mais preocupadas com os seus proventos do que com considerações espirituais, e adotavam meios inescusáveis para obter esses proventos. Na sua pregação, iam muito além do ensino da Igreja. Mas não tinham autoridade para proceder dessa forma. Mais tarde o Concílio de Trento condenou todos esses abusos, proibiu-os absolutamente , e exigiu que os bispos exercessem estrita vigilância sobre todos os que tivessem a seu cargo causas piedosas e obras de caridade para cujo amparo houvessem que ganhar indulgências.

69. Lutero não podia suportar todo o esforço ansioso para prover à sua própria salvação.

S. Paulo não hesitou em escrever aos Filipenses: “Com temor e tremor operai a vossa salvação”. (2,12).

O fato de exclamar isso não o torna verdadeiro. Quando Lutero era exprobrado pela sua consciência, como tinha toda a razão para ser, censurava o demônio pelos seus pensamentos inquietos, e assim se justificava de os ignorar. E, mesmo quando falava da misericórdia de Deus, fazia dessa misericórdia uma escusa para continuar na sua má conduta e para ofender ainda mais a Deus. Para achar a paz da alma, Lutero preferiu ajustar sua consciência à sua conduta, a ajustar sua conduta à sua consciência; e, em vez de renunciar aos seus pecados e fazer penitência deles, prosseguiu neles, exclamando: “Mas Cristo morreu por mim”, tal como um menino assobiara num cemitério para sustentar a sua coragem.

71. Ele nos ensinou que estamos seguros de ser aceitos por Deus “quando sentimos a segurança disso nos nossos corações”.

Um escritor protestante, Dr. Claude Beaufort Moss, declara : “A doutrina da segurança é extremamente perigosa, porque “o coração é enganador acima de todas as coisas”. (Jer 17,9), e os sentimentos são guias muito infiéis. Essa doutrina da segurança é que está na raiz do individualismo e do subjetivismo, que são a ruína de todos os herdeiros da Reforma, e, em particular, do Luteranismo” (The Christion Faith, p. 198).

72. O senso de segurança produziu os mais fervorosos pregadores protestantes.

Isto não é garantia da verdade do ensino deles, nem dá aos outros segurança de serem guias fiéis. No seu livro The Life of Faith, p. 46, Rosalind Murray observa com razão: “Que é que sentiríamos se nos víssemos nas mãos de um cirurgião que, não tendo estudado anatomia, se aventurasse a cortar e abrir os nossos corpos, a operá-los fiado numa “espécie de sentimento”, numa espécie de vaga segurança emotiva de “dever haver alguma coisa” dentro de nós?” Nas coisas sérias da vida, abandonar a razão pelo sentimento é loucura.

73. Lutero às vezes pode ter-se enganado; mas discutiria você a inata honestidade e sinceridade de propósitos dele ?

Em muitas ocasiões os seus pronunciamentos e a sua conduta perdem qualquer direito à nossa fé e confiança. Ninguém poderia dizer que ele fosse habitualmente cuidadoso de dizer a verdade. Ele deve ter sabido que não estava dizendo a verdade quando disse que a Bíblia era desconhecida dos sacerdotes, seus companheiros no Mosteiro que ele abandonou. Certamente sabia que tinha falsificado o texto da Sagrado Escritura para justificar as suas novas doutrinas. Conscientemente exagerou os escândalos do Papado. Para justificar o seu casamento com a ex-freira Catarina de Bora, deu a diferentes pessoas sete razões diferentes para esse passo. Dizia a primeira coisa plausível que lhe vinha à cabeça. Quando Filipe, Duque de Hesse, um sustentáculo da Reforma, pediu permissão a Lutero para tomar uma segunda mulher em aditamento à que já tinha, Lutero deu-lhe permissão para cometer bigamia contanto que Filipe não falasse disso a ninguém. Mas a coisa tornou-se pública, e então Lutero disse a Filipe que negasse Ter-se casado com uma segunda mulher e estar vivendo com ambas. “Que importaria”, escreveu ele a Filipe, “se para maior bem, alguém devesse pregar uma bruta e redonda mentira?” Em 1522 ele atacou Henrique VIII como o “vaso de Satanás”, e fez toda sorte de acusações desaforadas contra ele. Dois anos depois, ouvindo dizer que Henrique vacilava na sua fidelidade a Roma, e esperando ganhar nele um convertido, escreveu a Henrique e ofereceu-se para retratar publicamente tudo quanto antes dissera. “Isso admite o seu biógrafo Dr. P. Smith. A verdade por amor da verdade significava muito pouco para Martinho Lutero.

74. Devemos agradecer-lhe ao menos a liberdade religiosa.

Lutero certamente libertou o povo da Igreja Católica. Mas foi uma libertação das restrições impostas pela verdade revelada por Cristo e das leis morais de Cristo. Enquanto isso, ele próprio não concedeu liberdade aos que o seguiram fora da Igreja Católica. Substituiu pela sua própria a autoridade do Papa. Incitou os príncipes germânicos a usarem da força para sustentarem a sua doutrina e suprimirem a de outros pretensos reformadores. Escreveu ao Eleitor de Saxônia, a 9 de fevereiro de 1526, que não permitisse outra doutrina senão a sua. “Num lugar”, disse ele, “só deve haver uma única espécie de sermão”. E exigiu que, se alguém não desistisse de pregar doutrina diferente, “as autoridades entregarão tal sujeito ao mestre conveniente, o Mestre Executor” (Erlangen, vol. 39, pp. 250-254). O historiador protestante P. Wappler, falando da perseguição aos Anabatistas, acentua que “Lutero aprovou a pena de morte infligida pela exclusiva razão de heresia”. (Die Stellung, Kurschsens, p. 125).

75. Lutero foi o verdadeiro campeão da liberdade de pensamento!

Isso é lenda. Na sua Introduction to the History of Literature, Hallam assim escreve : “Os adeptos da Igreja de Roma nunca deixaram de lançar duas censuras sobre os que os deixaram: uma, que a Reforma alcançou o seu fim mediante destemperados e caluniosos insultos, mediante ultrajes de um populacho excitado, mediante a tirania dos príncipes; a outra, que, depois de estimular os mais ignorantes a rejeitarem a autoridade da sua Igreja, ela imediatamente suprimiu essa liberdade de julgamento, e votou a uma violenta detracção, como às vezes à prisão e à morte, todos os que tinham a presunção de desviar-se da linha traçada por lei. Estas censuras, ainda que seja uma vergonha para nós confessá-lo, podem ser proferidas, mas não podem ser refutadas” (Vol. I, p. 200, secção 34).

76. Ele advogou uma completa separação entre a Igreja e o Estado.

A doutrina dele aplicava-se somente a governantes opostos ao seu ensino. Portanto ele ordenaria aos príncipes temporais não se intrometerem em coisas espirituais, e declararia que o Estado era “do diabo”, e que os cristãos não tinham obrigação moral de obedecer a qualquer das suas leis. Mas tomava posição oposta quando os príncipes germânicos eram favoráveis ao Luteranismo. Então o governante era o “agente de Deus”, usando com razão o poder da espada para reforçar a religião. Então o príncipe era a única autoridade, quer espiritual quer temporal, dos seus súditos! Lutero contradisse-se a si mesmo nesta matéria de acordo com os ditamos da conveniência.

77. Ele queria liberdade para todos os homens.

Isso ele certamente não advogou. Lutero foi um forte defensor da escravidão. “Já que Deus deu a lei e ninguém a observa”, escreveu ele, “em aditamento ele instituiu mestres-de-varas, condutores e coactores: é por isto que há governantes para conduzir”, bater, afogar, enforcar, queimar, degolar e despedaçar sobre a roda as massas do vulgo” (Eriange, vol. XV, 2, p. 276). De outra vez, ele declara: “A escravidão não e contra a ordem cristã, e mente quem diz que é” (Welmar, vol. XVI, p. 244).

78. É a Lutero que nós devemos a democracia.

Os princípios dele levam diretamente ao totalitarismo. Lutero simplesmente entregou a governantes temporais o despotismo político sobre as consciências dos homens, quando entregou a religião nas mãos do Estado. Scherr, no seu livro German Culture, p. 260, escreve: “Lutero foi o originador da doutrina da entrega incondicional ao poder civil”. Em parte alguma isto é mais claro do que na história da Guerra dos Camponeses. Em 1524 os camponeses da Alemanha revoltaram-se contra a sua opressão pelos nobres, e exigiram a abolição da servidão. Foram incentivados nisso pelos pregadores revolucionários que advogavam a doutrina luterana da liberdade cristã. Mas Lutero precisava do apoio dos príncipes, e incitou estes a matarem os camponeses impiedosamente. O escândalo foi enorme, e os sentimentos dos camponeses para com Lutero converteram-se em ódio amargo. Se jamais alguma coisa serviu para confirmar o povo da Alemanha Meridional na sua determinação de permanecer católico, foi essa perfídia de Martinho Lutero. E digno de nota é que, nos nossos próprios dias, os Nacional-Socialistas da Alemanha, no seu repúdio aos princípios democráticos, tenham verificado que os seus maiores opositores na Alemanha eram a população católica.

79. Isso não é uma narração deturpada da atitude de Lutero para com a Guerra dos Camponeses ?

Não. O historiador protestante H. A. L. Fisher escreve: “A maneira como ele dissociou o seu movimento da rebelião camponesa ... e o incentivo que ele deu a um método de repressão tão selvagem que deixou os camponeses germânicos mais indefesos e rebaixados do que qualquer classe social na Europa central ou ocidental, são sérias nódoas no seu bom nome. Os camponeses germânicos eram homens rudes e rudes combatentes; mas as suas queixas eram genuínas, e justas e razoáveis as suas exigências originais”. (A History of Europe, p. 506). Em todo caso, temos a própria petulância de Lutero: “Eu Martinho Lutero, durante a rebelião matei todos os camponeses, porque fui eu quem ordenou que eles fossem mortos. Todo o sangue deles está sobre a minha cabeça. Mas eu o ponho todo sobre Deus Nosso Senhor; pois foi ele quem assim me mandou falar” (Tischreden, Erlangen ed. Vol. 59, p. 284).

80. Lutero foi um reformador social que fez muitos esforços em favor dos pobres.

Os seus verdadeiros ensinamentos conduziram a um maior sofrimento entre os pobres, e impediram todos os esforços para lhes proporcionar alívio. Os pobres eram socorridos pelos mosteiros, mas os príncipes confiscaram para si mesmos a propriedade da Igreja, deixando o povo destituído. E os apelos de Lutero aos seus próprios seguidores para contribuições destinadas ao alívio deles foram um completo fracasso, como ele próprio teve de admitir. Ele ensinara que não havia valor nas boas obras. Disse mesmo: “É mais importante guardar-se contra as boas obras do que contra o pecado” (Wittenberg Ed., vol. VI, p. 160). Para os luteranos não havia o redima os seus pecados fazendo esmolas”. Haviam-lhes ensinado: “Já não há mais nenhum pecado no mundo exceto a incredulidade”. Era uma doutrina cômoda, mas sem nenhum freio sobre o egoísmo humano. As obras de caridade diminuíram sob a influência dos ensinamentos dele, em assinalado contraste com o seu aumento onde quer que o espírito católico prevalece.

81. Você não pode negar que, na esteira do Protestantismo dado a nós por Martinho Lutero, seguiu-se um imenso progresso na arte e na literatura, no campo científico e mecânico, na prosperidade intelectual e material.

Embora tenha havido um extraordinário progresso nessas coisas desde o advento do protestantismo, ele não foi devido ao protestantismo e, certamente não foi devido aos princípios ensinados por Martinho Lutero. O impulso dado aos estudo da arte e da literatura, o desenvolvimento do espírito de investigação, o rápido avanço do interesse educacional e científico, datam do Renascimento, que ocorrera antes de sequer se ouvir falar de Protestantismo. E o movimento teria prosseguido quer Lutero houvesse abandonado a Igreja quer não. De fato, os princípios de Lutero eram opostos ao progresso do saber, e onde ele foi bem sucedido foi em levar a religião a tal descrédito, que aplainou o caminho para um racionalismo incrédulo que corrompeu o movimento progressista e conduziu a um puro materialismo.

82. Foi Lutero quem ensinou os homens a usar a sua inteligência.

Isso é exatamente o oposto da verdade. No seu livro The Life of Faith, p. 19, Rosalind Murray escreve: “O primeiro erro mais geral e destrutivo é a concepção da Fé como sendo oposta à Razão, como sendo um impulso irracional, como sendo uma emoção alheia ao intelecto e hostil a ele; este é estado de mente para o qual apoiar a nossa fé com a razão é destruí-la; e ele achou uma das suas expressões mais desastrosas na demolidora teologia de Lutero: “A razão deve ser deixada para trás, pois é inimiga da Fé ... não há nada tão contrário à fé como a lei e a razão” (Tischreden, Weimar VI, 143, 25-35). Erasmo, o humanista, glorificou a razão. Lutero condenou-a. E Erasmo escreveu: “Onde quer que o Luteranismo prevalece, aí as letras morrem”. Até mesmo Melanchthon, companheiro de Reforma de Lutero, teve de admitir: “Na Alemanha, todas as escolas estão desaparecendo”.

83. Isso é contrário a tudo o que nos tem sido ensinado.

E, todavia, é verdade. Não só os católicos, mas também os próprios racionalistas recusam reconhecer qualquer dívida educacional a Lutero. H. A. L. Fisher diz: “Lutero não era nenhum teólogo profundo; e nem era filósofo. Não acreditou na livre investigação ou tolerância, e assim, longe de reconhecer a possibilidade de desenvolvimento no pensamento religioso, aterrou-se firmemente à crença de que toda a verdade quanto aos problemas últimos da vida e do espírito devia ser achada na Sagrada Escritura. Não é pois , de Lutero, selvagem anti-semita, que os movimentos liberal e racionalista do pensamento europeu tiram a sua origem” (A History of Europe, p. 500). A era do moderno progresso educacional começou antes do advento do protestantismo, e teria continuado sem este. Tudo quanto o protestantismo fez foi solapar os verdadeiros fundamentos da fé cristã, preparando o caminho para um desvio geral de toda a religião rumo a um secularismo que culminou em conseqüências as mais desastrosas para a civilização.

84. Semelhante conclusão demolidora não pode ser verdadeira!

Ela parece extravagante somente aos que não fizeram um estudo profundo do assunto. Logo desde o começo, os ensinamentos de Lutero levaram a uma desintegração da sociedade e a uma degeneração da moral: No período mais primitivo da Reforma. Martinho Bucer escrevia: “A maior parte das pessoas parece só terem abraçado o Evangelho para sacudir o jugo da disciplina e a obrigação do jejum e da penitência, que pesavam sobre elas no Papado, e para poderem viver conforme o seu próprio prazer, desfrutando sem controle os eus sórdidos e desregrados apetites. Essa foi a razão de haverem elas prestado ouvidos benévolos à justificação pela fé apenas e não pelas boas obras, pelas últimas das quais eles não tinham gosto” (De Regn, vol. I, c. I, 4). Lutero não pôde negar esta acusação. Ele mesmo escreveu: “Por que, depois que aprendemos o Evangelho, nós roubamos, mentimos, enganamos, praticamos gulodice e bebedice e toda sorte de vícios. Agora que um demônio foi enxotado, sete outros, piores do que o primeiro, entraram em nós, como podemos ver nos príncipes, lordes, nobres, burgueses e camponeses. Assim eles agem e assim eles vivem, sem qualquer temor, sem fazerem caso de Deus e das suas ameaças” (Erlangen, vol. 36, p. 411). E onde tudo isso findou ? O racionalismo minou a fé luterana na Alemanha e, em menor extensão, no mundo inteiro. Em 1935, por ocasião do seu 70º aniversário, Lundendorff dizia: “Neste momento, nós alemães somos o povo que mais alheia ao intelecto e hostil a ele; este é o estado de mente para o qual apoiar a nossa fé com a razão é destruí-la; e ele achou uma das suas expressões mais desastrosas na demolidora teologia de Lutero: “A razão deve ser deixada para trás, pois é inimiga da Fé ... não há nada tão contrário à fé como a lei e a razão” (Tischreden, Weimar VI, 143, 25-35). Erasmo, o humanista, glorificou a razão. Lutero condenou-a. E Erasmo escreveu: “Onde quer que o Luteranismo prevalece, aí as letras morrem”. Até mesmo Melanchthon, companheiro de Reforma de Lutero, teve de admite: “Na Alemanha, todas as escolas estão desaparecendo”.

85. Lutero ensinou a crença nos Evangelhos. Não pode ser censurado pelo procedimento dos que abandonaram a crença nos Evangelhos.

O ensino dele é responsável pela perda da fé nos Evangelhos. Ele rejeitou a única autoridade capaz de preservar a sã doutrina - a autoridade sobrenatural e divina da Igreja Católica. O seu princípio do juízo privado levou a toda sorte de novidades divergentes, e, para impedir estas, ele não teve outro recurso senão apelar para a autoridade do Estado, como supremo até mesmo em assuntos religiosos. Isto, por sua vez, levou a abusos ainda piores. O Estado prazeirosamente lançou mão desse novo acesso ao poder; mas, se o Luteranismo só podia existir ao bel-prazer do Estado, não há nada que impeça o Estado de aboli-lo em favor de uma religião de puro nacionalismo inventada por ele mesmo. Foi em plena conformidade com os princípios de Lutero sobre a supremacia do Estado que os nazistas procuraram impor à Alemanha uma nova religião de “sangue e solo”, distribuindo por todo o país centenas de milhares do folheto Gott und Volk, em que se exortava o povo a escolher entre Cristo e os antigos deuses da Alemanha. O Deão Inge, ex-deão da catedral de S. Paulo em Londres, é profundamente protestante em visão, e tem pouca simpatia pelo catolicismo; todavia, não hesitou em escrever: “Se desejamos achar um bode expiatório em cujas costas possamos depositar as misérias que a Alemanha causou ao mundo, estou cada vez mais convencido de que o pior gênio do mal daquele país não é Hitler nem Bismarck nem Frederico, o Grande, mas sim Martinho Lutero”. E dá como razão disso que, no Luteranismo, “a lei da natureza, que deve ser o tribunal de apelação contra a autoridade injusta, é identificada com a ordem de sociedade existente à qual é devida absoluta obediência”. E acrescenta: “Devemos esperar que o próximo balanço do pêndulo porá fim á influência de Lutero na Alemanha” (citado na revista Time de 6 de novembro de 1944).

86. Os protestantes no mundo inteiro aceitam os princípios puramente religiosos de Lutero, e não os seus princípios políticos.

Se ele errou nos últimos, não há garantia de ter acertado nos primeiros. E que os seus princípios religiosos eram errôneos. Isto é evidente pelos seus efeitos. As divisões do Protestantismo em tantas seitas litigantes, e a confusão reinante a respeito do que é e do que não é essencial à Fé Cristã, deveriam ser o bastante para fazer todos os protestantes reflexivos reconsiderarem a sua posição. No seu livro Luther and His Work, Joseph Clayton, um convertido do protestantismo à Igreja Católica, escreve: “Até onde Lutero levou os seus sequazes ? A que terra de promissão, depois dos anos de peregrinação fora da unidade católica, são agora trazidos os protestantes que datam a sua emancipação de Martinho Lutero ? Quatro séculos de jornadear desde que Lutero iniciou o êxodo, e ainda a terra de promissão do Evangelho luterano, tantas vezes emergente, some-se da vista como a miragem se desvanece no deserto. A terra inculta da dúvida foi que os protestantes alcançaram – uma terra inculta juncada de esperanças abandonadas e de credos alijados”.

87. Os protestantes de hoje não são responsáveis pelas divisões efetuadas pelos seus antepassados.

Isto é verdade. Mas, se nós descobrimos que os nossos antepassados estavam enganados, não há razão para continuarmos no erro simplesmente por terem eles estado em erro. Nem tampouco, naqueles tempos de acesa dissensão, estavam os nossos antepassados tão aptos para ver a verdade como nós, que podemos não somente olhar para trás calmamente depois de todos esses séculos, como também ver como foi que os princípios por eles aceitos operaram na prática. É dever nosso estudar a questão com um amor da verdade só por causa desta. Se vivêssemos nos tempos de Martinho Lutero e conhecêssemos então tudo o que conhecemos agora, teríamos abandonado pelos seus novos ensinamentos a Igreja a que todos os cristãos na Europa haviam pertencido por todos os séculos precedentes ? Ou teríamos ficado com a Igreja contra a qual Cristo prometeu que as portas do inferno não haveriam de prevalecer, e com a qual prometer aficar todos os dias até o fim do mundo ? Se deste último modo, certamente é dever nosso voltar à Igreja Católica, a qual os primeiros Protestantes nunca deveriam ter deixado.

http://www.exsurge.com.br/apologeticas/lutero/artigos_lutero/reformaluterana.htm

Leia-o tambem em : http://larcatolico.webnode.com.br/news/protestantismo/

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A lenda da “VENDA DE INDULGÊNCIAS”


 

A MENTIRA PROTESTANTE:

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“O dominicano João Tétzel tornou-se famoso vendendo um documento oficial que “dava o direito antecipado de pecar!” Negociava outra indulgência incrível que garantia: “Ainda que tenhas violado Maria mãe de Deus, descerás para casa perdoado e certo do paraíso!” O papa Leão X ano 1518 continuou o blefe, necessitando restaurar a igreja de São Pedro que rachava usou cofres com dizeres absurdos tais como: ” Ao som de cada moeda que cai neste cofre uma alma desprega do purgatório e voa para o paraíso!”

ONDE SE ENCONTRA A MENTIRA PROTESTANTE:

http://www.sobreasaguas.com.br/romano.htm

A VERDADE DOCUMENTAL:

A fonte da mentira acima, “O Papa e o Concílio”, faz parte de um compêndio alemão de calúnias que ganhou fama no Brasil, por ter sido traduzido pelo então jovem, Rui Barbosa.

O livro “O Papa e o Concílio”, foi forjado na Alemanha em 1870, pelo apostata Döllinger, sob o pseudônimo de Janus, por encomenda do tirano Bismarck, para irresponsavelmente atacar a Igreja, tendo sido esquecida depois por ser um trabalho sujo; traduziu-a Rui Barbosa, em sua juventude, e depois arrependeu-se, pelas calúnias e pelo ataque apaixonado que o livro faz contra a Igreja Católica, não permitindo mais sua reimpressão enquanto vivo; após a sua morte, sarcasticamente reimprimiram a obra, rejeitando porém um prefácio que explicava o arrependimento de Rui Barbosa. Bismarck foi um tirano alemão, que tentou resolver os problemas da Alemanha com “sangue e aço”, e também calúnias contra a Igreja. (Enciclopédia Encarta 99), http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=apologetica&artigo=20040830124106&lang=bra

Veja na página nº 6, da Academia de Letras, a repulsa de Rui Barbosa pelo livro: http://www.academia.org.br/abl/media/celebracao12.pdf

Ao fim de sua vida, disse o já experiente e ainda mais católico Rui Barbosa:

Estudei todas as religiões do mundo e cheguei a seguinte conclusão: religião, ou a Católica ou nenhuma.” (Livro Oriente, de Carlos Mariano M. Santos (1998-2004) – Art 5).

Este mesmo Rui Barbosa foi elogiado pelo Papa, quando de sua visita a Campo Grande, em 1991.

DEMONSTRANDO OS FATOS PELA PENA DE LUTERO:

Por volta de 1515, Um monge alemão, chamado Lutero, irou-se contra outro monge na Alemanha, que em desobediência ao Papa (em Roma), andava cobrando pelas indulgências apostólicas numa pequena cidade alemã.
Daí em 31 de Outubro de 1517, a tese de Lutero nº 91: “Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do Papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido”.

Veja que, o que o mercenário monge Tetzel fazia, não era a opinião do Papa. Na verdade, a cólera de Lutero, foi contra o ato deste dominicano mercenário, chamado Johann Tetzel. Como prova disso, dizia Lutero em sua tese nº 50: “Deve-se ensinar aos cristãos que, se o Papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas”.

Mas, os protestantes não ensinaram nada disso. Desonestamente ensinam até hoje que foi o Papa que vendia as indulgências, até caluniam que Tetzel vendia bula papal, pura calúnia odiosa.

Lutero não era contra as indulgências apostólicas,

escreveu em sua tese 71: “Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.” E sim, contra a venda delas por inescrupulosos que faziam isso sem o conhecimento do Papa, coisa que os protestantes maliciosamente resolveram distorcer para diabolicamente rapinar na ignorância.

Até os slogans sujos atribuídos ao mercenário Tetzel, eles transferiram para a boca do Papa. Deus tenha misericórdia destes “artistas da oratória” (1Cor 1,17).

Os malandros produtores do filme “Lutero”, usaram até uma falsa lenda, atribuindo a Tetzel uma frase terrível e inverídica. Veja a farsa:
“(…) o filme atribui o rumor escandaloso, aludido por Lutero, de que Tetzel afirmava que absolveria com sua indulgência mesmo aquele que (per impossibile) “violasse a mãe de Deus,” apesar de Tetzel negar isso de forma indignada e ter testemunhas oculares para respaldar essa declaração.” (Greydanus): http://www.decentfilms.com/commentary/luther.html

O próprio Lutero alertava contra esses caluniadores que visavam diminuir o poder papal de perdoar, em sua tese 77:  “A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o Papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa” .Como vemos, um mar de mentiras engoliu os protestantes de hoje. Vivem uma fantasia odiosa virtual, onde só o dinheiro de seu “dízimo” é real ($).
E continua na tese 78: “Dizemos contra isto que qualquer Papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I. Coríntios XII”.

A Igreja Católica nunca vendeu indulgência, Lutero rebelou-se incitado por príncipes devassos alemães. O Papa levou dois anos o convidando amigavelmente a comparecer a Roma para reconciliar-se.

Escreveu-lhe o Papa: “… volte e se afaste de seus erros. Nós o receberemos bondosamente como ao filho pródigo retornando ao abraço da Igreja.” (Bula: Exsurge Domine, Leão X – 15/6/1520). Lutero recusou, fazia arruaças queimando as bulas, até ser excomungado.

Em 25 de novembro de 1521 escreveu o confuso Lutero, aos agostinianos de Wittenberg: “Com tamanha dor e trabalho eu devo justificar a minha consciência de que eu sozinho devo acusar o Papa de anticristo e aos bispos de seus apóstolos. Quantas vezes meu coração não me abordou e me puniu com este forte argumento: ‘Isto é correto? Poderiam todos estarem errados e terem errado por todos os séculos? O que há de acontecer se tu errares e liderar uma multidão à condenação eterna?’” (De Wette, 2. 107, citado em O’Hare, p. 195).

No final da vida, admitindo seu erro, escrevia Lutero arrependido: “Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas interpretações da Escritura que por aí correm.” (Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les temps presents, tomo IV (7), p. 289). Ele morreu e sua multidão de seguidores foi entregue a “condenação eterna”.

Assegurou Gottfried Fitzer, no livro Was Luther wirklich sagte: nunca houve a propalada exposição pública das “noventa e cinco teses” de Lutero. É UMA FARSA, também confirmada por dois historiadores, Erwin Iserloh e KIemens Houselmann. Do relato de Johannes Schneider, um criado de Lutero, é que se extraiu de maneira errada e fantasiosa, a notícia da afixação das teses.

Não encontramos, em seu manuscrito, nenhuma referência a este fato, escreveu apenas: “No ano de 1517, Lutero apresentou em Wittenberg, sobre o EIba, segundo a antiga tradição da universidade, certas sentenças para discussão, porém modestamente e sem haver desejado insultar ou ofender alguém” . Foi tudo uma farsa que engana os protestantes até hoje. Sabe-se que esta lenda da afixação das teses, foi inventada mais tarde, após a morte de Lutero, pelo alemão Melanchthon, em 1546. Provou-se que ele, Melanchthon, em 1517, estava na cidade de Tünbigen, e não em Wittenberg.

Sábio conselho é o de Jesus nas Escrituras: O diabo é o pai da mentira (Jo 8,44).

Retirado do documentário:

RESPOSTA AO FALSO DOCUMENTARIO O ESTADO DO VATICANO, que tem como autor Fernando Nascimento.

Conheçam mais deste documentário neste link:

http://www.caiafarsa.com.br/ULTIMATO/resposta2221.htm

fonte : http://caiafarsa.wordpress.com/a-lenda-da-%E2%80%9Cvenda-de-indulgencias%E2%80%9D-2/

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Apologética

Mitos sobre as Indulgências


Fonte: ConoZe
Autor: James Akin.
Tradução: Rogério SacroSancttus


Mito 1: Uma pessoa pode comprar sua saída do inferno mediante as indulgências

Este é um erro habitual, do qual muitos comentaristas anticatólicos se aproveitam, apoiando-se na ignorância tanto de católicos como de não católicos.Mas esta acusação não tem nenhum fundamento. Como as indulgências somente concede a remissão das penas temporais, não podem então remir da pena eterna do inferno. Uma vez que a pessoa está no inferno, nenhuma quantidade de indulgências mudará este fato. A única maneira de evitar o inferno é apelando para a misericórdia eterna de Deus enquanto estamos em vida. Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo. (Hebreus 9,27)

Mito 2: Uma pessoa pode lucrar indulgências para pecados ainda não cometidos.

A Igreja tem nos ensinado sempre que as indulgências não se aplicam a pecados ainda não cometidos. A Enciclopedia Católica diz: " [Uma indulgência] não é uma permissão para pecar, nem um perdão do pecado futuro, uma coisa assim não poderia ser concedida por poder algum."

Mito 3: "Uma pessaoa pode "comprar o perdão" com indulgências

A definição de indulgências pressupõe que o perdão já a tenha lugar: "Uma indulgência é a remissão ante a Deus da pena temporal dos pecados, já perdoados, quanto a culpa" (Indulgentariun Doctrina norma 1). As indulgências não perdoam pecados em absoluto. Somente concernem as penas que permanecem logo que os pecados tenham sido perdoados.

Mito 4: As indulgências foram inventadas para obter dinheiro para a Igreja

As indulgências se desenvolveram a partir das reflexões sobre o sacramento da reconciliação. São uma maneira de reduzir a penitência da disciplina sacramental e estavam em uso séculos antes de que apareceram os problemas relacionados com dinheiro.

Mito 5: Uma indulgência reduzirá o tempo no purgatório em um numero fixo de dias

O número de dias que eram associadas as indulgências era uma referência ao periodo de penitência que uma pessoa poderia realizar durante a vida terrena. A Igreja Catolica não prtende saber nada sobre o quão duradouro ou breve é o purgatorio em geral, muito menos no caso especifico de uma pessoa.

Mito 6: Uma pessoa pode comprar indulgências

O Concilio de Trento instituiu severas reformas na prática de conceder indulgências e a causa de abusos anteriores, "em 1567 o Papa Pio V cancelou todas as concessões de indulgências que tiveram a ver com honorarios ou outras transações financeiras" (Enciclopédia Católica). Este fato prova a seriedade da Igreja ao eliminar os abusos das indulgências.1

Mito7: Poderia ocorrer de uma pessoa comprar indulgências

Nunca se pode "comprar" indulgências. O escandâlo financeiro ao redor das indulgências é o escandalo que deu a Martinho Lutero uma desculpa para sua heterodoxia e que tem ligação com a obtenção de indulgências mediante a doações de dinheiro para algum fundo de caridade ou uma fundação. Não houve estritamente venda de indulgências. A Enciclopédia Católica afirma: "É facil ver como se foram introduzindo abusos. Entre as boas obras que podiam ser estimuladas ao colocá-las como indulgências, as doações tinham naturalmente um lugar destacado...É conveniente observar que nestes propositos não existe nada essencialmente mau. Dar dinheiro a Deus ao os pobres é um ato de bondade e caridade e quando se é feito com motivos corretos, certamente não ficará sem recompensa."

(Publicado em inglês no "This Rock", março de 1994, (c) Catholic Answers Inc., P.O.Box 17490, São Diego, CA92177, Estados Unidos. Traduzido com a permissão do autor. Toda reprodução do presente artigo deve mencionar a fonte original e ser gratuita ou cobrir somente o custo da impressão).

http://www.exsurge.com.br/apologeticas/indulgencia/textos%20indulgencia/mitossobreasindulgencias.htm

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A Igreja Católica vendia lugares no céu?

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A Igreja Católica vendia lugares no Céu? É claro que não! Para que possamos compreender como responder a esta absurda acusação, é necessário que compreendamos a doutrina das Indulgências. O pecado tem uma dupla conseqüência. O pecado grave [chamado pecado mortal (1Jo 5,16); é aquele que é cometido deliberadamente e conscientemente em matéria grave] priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, nos torna incapazes da vida eterna; esta privação se chama "pena eterna" do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo o venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra, quer depois da morte, no estado chamado Purgatório.

Esta purificação liberta da chamada "pena temporal" do pecado. Estas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas antes como uma conseqüência da própria natureza do pecado. Uma conversão que procede de uma ardente caridade pode chegar à total purificação do pecador, não subsistindo mais nenhuma pena. O perdão do pecado e a restauração da comunhão com Deus implicam a remissão das penas eternas do pecado. O cristão deve esforçar-se, suportando pacientemente os sofrimentos e as provas de todo tipo e, chegada a hora de enfrentar serenamente a morte, aceitar como uma graça essas penas temporais do pecado; deve aplicar-se, através de obras de misericórdia e caridade, como também pela oração e diversas práticas de penitência, a despojar-se completamente do "velho homem" para revestir-se do "homem novo". (Novo Catecismo da Igreja Católica, parágrafos 1472 e 1473). A pena eterna do pecado nos é perdoada pelo Sacramento da Reconciliação (Confissão - Cf. Jo 20,23). Quando recebemos a absolvição sacerdotal, temos perdoada a pena eterna, mas não a temporal. Afinal, Jesus disse que devemos "pagar até o último centavo" (Mt 5,26).

O que significa isso? Isto significa que quando pecamos deliberadamente (ou seja, não é um acidente- como derrubar sem querer algo pela janela e alguém ser atingido pelo objeto que cai, morrendo em conseqüência do impacto) e conscientemente (ou seja, quando sabemos que tal coisa é errada e mesmo assim a fazemos) em matéria grave (ou seja, em algo importante), estamos escolhendo dizer "não" a Deus e "sim" àquilo que escolhemos fazer: "sim" ao prazer proibido, "sim" ao fruto do roubo - logo ao ato de roubar, "sim", em suma, àquilo que colocamos naquele instante como valendo mais do que Deus, mais do que a Salvação. Esta escolha é aceita por Deus. Passamos a não mais ter a Sua graça, que trocamos pelo pecado. Este efeito (a perda da graça de Deus) é eterno; apenas pela absolvição sacramental (pelo Sacramento da confissão) podemos recuperar a Graça. Há também um outro efeito: ao fazer isso, nós de uma certa forma nos acostumamos a dizer "não" a Deus. É por isso que é mais fácil pecar pela centésima que pela primeira vez. Abismo atrai abismo, diz o ditado. Esta conseqüência é chamada "pena temporal do pecado". Ela não ocorre apenas quando pecamos mortalmente; quando cometemos um pecado venial (ou seja, um pecado que não é mortal, que não se inclui nas condições acima), também passamos a ter "um apego prejudicial às criaturas", também passamos a achar mais fácil dizer "não" a Deus.

Como podemos nos livrar desta pena temporal? A pena eterna, já o vimos, é perdoada pelo Sacramento da Confissão. E a temporal? A remissão da pena temporal pode ser feita pela caridade, oração e penitência. Um costume muito antigo na Igreja é o das penitências públicas; o penitente, desejoso de pagar a pena temporal de seu pecado, após a absolvição sacerdotal ia para a rua para publicamente pagar por seu pecado.

Esta forma pública e pesada de penitência, entretanto, muitas vezes era impossível de cumprir para muitos, por razões de idade ou saúde. A Igreja então, por misericórdia, apelou para o seu Tesouro de Méritos (as orações e obras de todos seus membros, vivos e mortos), e passou a indulgenciar alguns atos já por si meritórios. O que é o tesouro de Méritos? Imaginemos por exemplo Madre Teresa de Calcutá: sua santidade era assombrosa. Mesmo assim, ou talvez até por causa disso, ela fazia penitências constantemente. Não tratava de seus dentes, para poder usar a dor de suas cáries como penitência. Fazia também caridade como poucos fizeram; sua história é conhecida. Orava também ao menos quatro horas por dia. Será que ela teria tantos pecados assim, que fosse necessário orar tanto, fazer tanta penitência, tanta caridade, para que pudesse livrar-se das conseqüências temporais do pecado? Claro que não. Ela o fazia porque sabia que aquilo que não lhe servisse, aquilo que fosse "excessivo" seria adicionado ao tesouro de Méritos da Igreja. Suas orações, sua caridade e suas penitências foram colocadas à disposição da Igreja, para que a Igreja pudesse dispor delas em favor de pessoas que precisassem. É através das indulgências que a Igreja distribui estes méritos, que a Igreja faz com que outras pessoas possam ser beneficiadas pelas orações, caridade e penitências "excessivas" de seus membros. Dentre os atos indulgenciados pela Igreja podemos contar, por exemplo, a oração feita em um cemitério no dia de Finados, a participação na construção de uma catedral, e muitos outros.

Pela instituição das indulgências, a Igreja proporciona a seus membros uma participação neste Tesouro de Méritos; como se um alimento que já é nutritivo (uma boa ação) fosse "vitaminado", passando a ter um efeito mais salutar que quando não "vitaminado" (ou seja, passando a ter uma ação maior na remissão da pena temporal do pecado que quando não é indulgenciado). A Igreja como que distribui entre seus fiéis, através das indulgências, os "centavos" que devemos pagar até o fim (nas palavras do Senhor em Mt 5,26), ajudando-os assim a chegar à perfeição. A Indulgência corresponde a um período de penitência pública. Uma indulgência de cem dias, por exemplo, referir-se-ia a cem dias de penitência pública. Hoje em dia, por não haver mais penitências públicas (a não ser em alguns lugares, como as Filipinas), as pessoas perderam de vista o referencial que era então usado, e a Igreja passou a classificar as indulgências apenas como plenárias (remissão total da pena temporal) ou parciais. Para que uma indulgência possa ser recebida, porém, é necessário que sejam cumpridas algumas condições:

  1. Deve ter sido feito um exame de consciência rigoroso e minucioso, seguido de Confissão e subsequente absolvição sacerdotal, além de assistir a Missa completa e comungar.
  2. A pessoa que faz o ato indulgenciado deve ter absoluto horror aos pecados que cometeu e a firme intenção de não mais cometê-los.
  3. Ela deve ter em mente seu desejo de lucrar a indulgência associada ao ato enquanto o executa.

Dentre as ações indulgenciadas, havia algumas que podiam ser feitas de maneira indireta (o que foi proibido no século XVI, por haver uma compreensão errônea da doutrina por muitos). Um exemplo disso seria a participação financeira na construção de uma catedral. Ora, para que alguém lucre uma indulgência, é necessário que antes tenha se confessado (afinal, São João escreveu que não adianta orar pelo irmão que cometeu um pecado que é de morte - 1Jo 5,16 É preciso que ele antes obtenha o perdão deste pecado - Cf. Jo 20,23). Para lucrar uma indulgência, portanto, a pessoa já deve ter sido absolvida da pena eterna de seu pecado, que a levaria ao Inferno. Indulgências, portanto, nunca poderiam levar para o Céu alguém que por seus atos escolheu o Inferno. Além disso, há a necessidade de que a pessoa tenha horror ao pecado cometido e firme intenção de não mais pecar. As indulgências não podem ser aplicadas aos pecados ainda a cometer, apenas aos já cometidos, e mesmo assim apenas nas condições expostas acima. A indulgência é na verdade muito menos "indulgente" que a doutrina humana da garantia de salvação dos crentes independentemente dos pecados posteriores à sua conversão, pregada por muitos protestantes. Dificilmente isso poderia ser considerado venda de lugares no Céu!...

http://www.veritatis.com.br/apologetica/107-graca-justificacao-papado/770-a-igreja-catolica-vendia-lugares-no-ceu

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Apologética

Conheça melhor o livro Conversas a Mesa sobre Lutero

Fonte: Lista Católicos Perguntam
Autor: José Luiz Borges

Quero dar uma palavra sobre os famosos "tischreden", as conhecidas palestras particulares de Lutero.

Em tal sentido, cuidando da existência dos "tischreden", das famosas conversas do reformador, esclarece o conhecido escritor paulista Fernando Jorge que foram elas colhidas pelos seus amigos.

Esses escritos são também, chamados de Table-talk, Propos de table, Ditos de mesa, Palestras à mesa e Colloquia mensalia. Diz Fernando Jorge:

"Uma das primeiras compilações dessas frases de Lutero, colhidas no decorrer das conversas, foi lançada em Eisleben, no ano de 1566, por Johann Aurifeber, que esteve ao lado do reformador nos últimos tempos de sua vida. Com o fluir dos anos, os tischereden se enriqueceram. Na edição de Forstesmann e Bindseil, distribuida entre 1844 e 1848, o texto já se compõe de quatro volumes. Constitui uma seção à parte, formada de seis grandes volumes in-folio, na edição crítica dos escritos de Lutero, publicados em Weimar, entre 1912 e 1921, por Ernst Krone. Apareceu, no ano de 1930, uma excelente coletânea dos Tischreden, devido a iniciativa de Otto Clemens. O valor dessa obra, como elemento de análise da personalidade de Lutero, foi salientado numa frase incisiva, na página 810 do volume V do Larousse du XX siècle: Nenhum livro é mais próprio para fornecer uma idéia tão completa do que era Lutero na intimidade."

Isto explica por que Michelet, um dos maiores historiadores da França socorrendo-se do Propos de table, escreveu as Memoires de Luther, publicadas em dois volumes no ano de 1837.

A importância fundamental das conversações do reformador foi assinalada por T.F.Aubier, Charles Gidel, Fréderic Lollié, Roger Pitrou, Jared Wicks, Louis-Gustave Vapereau, e inclusive por historiadores protestantes, como Vicente Themudo Lessa, Funck-Bretano e Jacques-Noël Pères.

O primeiro não se esqueceu de frisar: " Certos momentos essenciais da vida interior de Lutero permaneceriam obscuros, se não existisse esta obra. Ele é básica" - informa Charles Gidel - um autor premiado duas vezes pela Academia Francesa - , no que tange aos segredos da existência particular do reformador, às sua "extravagâncias". Às suas "prostrações intermitentes", às suas qualidades e defeitos.

Na opinião de Roger Pitrou, professor honorário da Faculdade de Letras de Bordéus, os Tischreden são uma "curiosa mescla de azedume e de bom senso". Jared Wicks, por seu turno, professor de teologia fundamental na
Universidade Gregoriana de Roma, numa entrevista sobre Lutero, publicada no número três da Cittá di Vita, de 1983, não vacilou no seu julgamento:

- Notáveis são também os Tischreden ("Palestras à mesa").

O Pastor protestante Vicente Themudo Lessa, professor de teologia e história eclesiástica, no capítulo 48 da sua biografia de Lutero, enumera alguns registradores das palestras do ex-monge agostiniano. Dietrich, Lauterbach,
Matésio, Aurifaben, Conrado Cordato.

E no seu artigo "Educar para a vida", inserido no número doze de O Correio da Unesco, de dezembro de 1983, outro pastor protestante, o citado Jacques-Nöel Pères, membro na França da Igreja Evangélica Luterana e Presidente do Centro Cultural Luterano de Paris, ao evocar a formação cultural do reformador, citou os Tischreden, isto é, " admitiu o valor desta obra como fonte de consulta." (Lutero e a Igreja do Pecado, Editora Mercuryo, 1992,São Paulo, páginas 172 e 173)

A obra de Fernando Jorge que menciono não deve ser dificil de encontrar em livrarias ou sebos, mesmo porque o autor ainda está vivo. Dias atrás assisti uma entrevista sua, salvo engano, no canal de TV Comunitária.

Nota do autor do site:

O Livro citado Conversas a Mesa que fala sobre Lutero é a mesma citada nos dois artigos deste site, as blasfemias de Lutero e as blasfemias de Lutero 2. Para quem se interessa adquirir este livro passo aqui seu raio x:

Funk Brentano,Conversas a Mesa Martim Lutero, Casa Editora Vecchi - 1956 - R.J.- Propos
de Tables - no. 1472, ed. De Weimar II.107

Muitos protestantes acham que este é um livro catolico feito para atacar o heresiarca do protestantismo, mais como já sabemos é escrito por seguidores de Lutero que o conheciam intimamente, anotando todos seus discursos pessoais e neste artigo revela também que pastores protestantes dão como boa fonte de pesquisa sobre Lutero.

Assim sendo é bom pensarmos bem mesmo sobre a idoneidade deste Lutero tão seguido pelos protestantes.

Obs: as frases em vermelhoe italico foram grifadas por mim para melhor perceber as citações sobre o livro.

http://www.exsurge.com.br/apologeticas/lutero/textos%20lutero/conhecamelhorlivroconversasamesasobrelutero.htm

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As blasfemias de Lutero

Fonte: Monfort

Lutero disse realmente muitas blasfêmias sobre Cristo. Em suas "Conversas à Mesa" [Tischreden, em alemão] -- que eram anotadas por seus admiradores e que foram editadas em forma de livro, Lutero dizia as piores coisas sobre Deus e Cristo. Passo-lhe o texto de Lutero tal qual foi publicado no livro dele "Conversas à Mesa" (perdoe-me citar essa blasfêmia, mas é para que se conheça quem foi Lutero):

"Cristo Adúltero. Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte [do poço de Jacó] de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela? " Depois, com Madalena,depois, com a mulher adútera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer" (Lutero, Tischredden, Conversas à Mesa, N* 1472, edição de Weimar, Vol. II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martim Lutero, Ed Vecchi Rio de Janeiro 1956, p. 15).

Noutra ocasião, Lutero blasfemou contra Deus, ao dizer que Deus age como louco ou como muito tolo: "Deus est stultissimus"( Lutero, Conversas à Mesa, ed Weimar, N* 963, Vol. I , p. 487. Apud Franz Funck Brentano op. cit. p. 147).

Doutra vez, ao falar Lutero do destino, ele culpava Deus por todos os crimes , e dizia que Judas não podia deixar de trair Cristo, nem Adão tinha liberdade para não pecar.Considerando que era Deus que determinava os pecadores a pecar, Lutero concluia dizendo "Deus age sempre como um louco" (Franz Funck Brentano, Martim Lutero, p. 111).

Recentemente foram descobertos os cadernos pessoais de Lutero. Eles foram estudados pelo Padre Theobald Beer que publicou um livro sobre eles. Nesse cadernos, Lutero afirma que Cristo é, ao mesmo tempo, Deus e o diabo, o bem e o mal. Ora, isso caracteriza Lutero tipicamente como dualista gnóstico, e explica todas as suas doutrinas mais delirantes.

Pergunto como os protestantes seguem Lutero, apesar dessas loucuras e blasfêmias. Respondo-lhe dizendo que, em geral, os protestantes comuns desconhecem os escritos de Lutero.

Os poucos Pastores que se dão ao trabalho de ler os escritos do heresiarca fundador do protestantismo procuram ocultar tais frases do seu primeiro mestre.Por isso, quando conheço algum protestante, procuro sempre recomendar que ele leia o que escreveu Lutero. Isso muitas vezes faz com que eles abram os olhos sobre a maldade do fundador do protestantismo.

MAIS BLASFEMIAS:

Este ensinamento cabalístico e gnóstico é que transpareceu no pensamento de Lutero, quando o fundador do Protestantismo escreveu: "Moisés é um homem péssimo, servo do Deus do mal". (Lutero Tischredden -- "Conversas à Mesa" , n* apud Franz Funck Brentano, Martinho Lutero, ed. p. )

Ou ainda: "Todos os mandamentos devem ser abolidos. São mandamentos de Satanás" (Lutero Tischredden, -- Conversas à Mesa, apud F. F. Brentano, op cit. p. ).Se você quiser mais algumas afirmações de Lutero contra toda a moral, veja mais estas: "A lei não pode dar senão a morte. Ela não é boa nem útil, mas simplesmente nociva. No seu fundo, ela não é senão morte e veneno" (Dictionnaire de Théologie Catholique,"Luther", p. 1242).

"Quanto a Moisés, tende-o por suspeito, como o pior dos heréticos, um homem excomungado e danado, que é pior ainda que o próprio diabo; é o inimigo do Senhor Jesus Cristo" (Rohrbacher, Histoire Universelle de l'Église Catholique, tome XII, 4eme ed, Gaume Freres et J. Duprey Ed., Paris, 1866, pag. 147).

"Não aceitamos Moisés, ele só é bom para os judeus; não nos foi enviado por Deus" (Propos de Table no. 356, Funk Brentano, Lutero, pág. 190).

"Se te falam de Moisés para te constranger a aceitar-lhe os mandamentos, responde-lhes atrevidamente: Vai falar de teu Moisés aos judeus! Não sou judeu, deixe-me em paz!"(F.Brentano, pág. 190).

http://www.exsurge.com.br/apologeticas/lutero/textos%20lutero/blasfemiasdelutero.htm

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As Blasfemias de Lutero 2

Fonte : Estudantes da Biblia

Transmissão: Augusto Cesar Ribeiro

Nota do autor do site:

É incrível como cada vez mais aparecem frases de Martinho de Lutero que mostram como este era um homem muito contraditório e como proclamava e pregava doutrinas anti-cristãs e vivia o pecado como algo normal em sua vida. Talvez era isso mesmo que ele procurava, viver a vida sem se preocupar em santificar e inventando a Solla Fide ou seja a salvacao somente pela fé, tornou sua vida ociosa direito aos olhos de Deus.

Num artigo anterior encontrei escritos por seguidores de Lutero que se transformou num livro chamado conversas a mesa, um livro que contrariando muitos evangelicos, é um livro realmente protestante, escrito por seguidores de Lutero que anotavam suas frases em conversas a mesa de bares e agora atraves do irmao Augusto Cesar vejo mais frases que dificilmente um protestante poderia imaginar dito por este que é considerado o autor da revoluçao cristã e como um representante maximo do protestantismo.

Bem , sem mais delongas vamos entao ver estas frases tao chocantes.

Rogério Sacro Sancttus

“Eu estou, da manhã à noite, desocupado e bêbado. Você me pergunta por que eu bebo tanto, por que eu falo tão galhardamente e por que eu como tão freqüentemente? É para pregar uma peça ao diabo que se pôs a me
atormentar”. É bebendo, comendo, rindo, nessa situação, e cada vez mais,e até mesmo cometendo algum pecado, à guisa de desafio e desprezo por Satanás, procurando tirar os pensamentos sugeridos pelo diabo com o auxílio de outros pensamentos, como, por exemplo, pensando numa linda moça, na avareza ou na embriaguês, caso contrário ficarei muito raivoso.” (Lutero).

(Marie Carré, J'ai choisi l'unité - D.P.F., 1973, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, Daniel Raffard de Brienne 1983).

“Eu tive até três esposas ao mesmo tempo.” (Lutero). (Dois meses após ter dito isto, Lutero se casa com uma quarta mulher,uma freira).

(Guy Le Rumeur, La révolte des hommes et l’heure de Marie 1981, apud Lex
Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi - Daniel Raffard de Brienne 1983).

Sobre a Igreja:

“Se nós condenamos os ladrões à forca, os assaltantes ao cadafalso, os hereges à fogueira, por que não recorremos, com todas as nossas armas, contra esses doutores da perdição, esses cardeais, esses papas, toda
essa seqüela da Sodoma romana, que não para de corromper a Igreja de Deus? Por que não lavamos nossas mãos no seu sangue?” (Lutero).

(Hartmann Grisar, Martin Luther - La vie et son oeuvre - 2ª ed. - Ed. P . Lethielleuz - Paris -1931).

Sobre Deus:

“Certamente Deus é grande e poderoso, e bom e misericordioso, e tudo quanto se pode imaginar nesse sentido, mas é estúpido” (Lutero).

(Id. Propos de Tables - no. 963, ed. De Weimar, I , 487).

Sobre Nosso Senhor Jesus Cristo:

“Pensais, sem dúvida que o beberrão Cristo, tendo bebido demais na última Ceia, aturdiu os discípulos com vã tagarelice?” (Lutero).

(Funk Brentano, Conversas a mesa Martim Lutero, Casa Editora Vecchi - 1956 - pg. 135)

“Cristo cometeu adultério pela primeira vez, com a mulher da fonte, de que nos fala S. João. Não se murmurava em torno dele: ‘Que fez, então com ela?’ Depois com Madalena, depois com a mulher adúltera, que ele
absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer” (Lutero).

(Funk Brentano,Conversas a Mesa Martim Lutero, Casa Editora Vecchi - 1956 - R.J.- Propos
de Tables - no. 1472, ed. De Weimar II.107).

http://www.exsurge.com.br/apologeticas/lutero/textos%20lutero/asblasfemiasdelutero2.htm

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As Blasfêmias de Lutero 3

Fonte: Monfort
Autor: Max
Transmissão e Nota finais: Rogério Sacro Sancttus

Veja só que absurdo as frases citadas por Matinho Lutero:

"Quem não crê como eu é destinado ao inferno. Minha doutrina e a doutrina de Deus são a mesma coisa. Meu juízo é o juízo de Deus" (Weimar, X, 2, Abt., 107)"

"Sim, eu digo: todas as casas de tolerância, que entretanto Deus condenou severamente, todos os homicídios, mortes, roubos e adultérios, são menos prejudiciais que a abominação da missa papista." (Werke, t. XV, 773-774)"

"Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela?", depois com Madalena, depois com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve de fornicar antes de morrer." (Tischreden, nº 1472, ed. Weimer, 11, 107)".

Eis um pequeno trecho da biografia de Lutero., escrita pelo protestante Franz Funck-Brentano., em que transparecem os pontos essenciais da "concepção de mundo" do reformador:

"(...) Tendo sido censurado pelo doutor Jonas, por ter insultado Deus em seu salmo 'Quore fremuerunt gentes' Lutero. responde: - "Certamente, mas qual o profeta que não insultou a Deus?"

Em outro dia disse Lutero: - "Se Deus não me perdoasse os pecados, eu os jogaria pela janela".

De resto, se Deus encheu de mal o mundo, se quis fazer o mundo infeliz, foi para que aspirássemos à vida futura. (...) É verdade, diz Lutero., que seria quase lamentável que nós fizéssemos tudo o que Deus ordena, pois Deus faria isso por sua divindade; tornar-se-ia um mentiroso e não poderia manter-se no posto". A palavra de São Paulo aos romanos seria atirada na lama, quando diz: "Deus tudo ordenou sobre o pecado, a fim de que pudesse ter piedade de nós". O Padre-Nosso não ser.viria de nada, nem o Credo; a fé, a remissão dos pecados tornar-se-iam inúteis, supérfluas".

"Ah! mas eis que tudo vai bem! Pequemos no interesse de Deus".

"Deus está presente em todas as criaturas, na menor folha, na menor parcela de graveto". Argumento inesperado nos lábios de Lutero. a favor desse panteísmo. que excitava Calvino.; essa grande doutrina panteísta, a de Plotino., de Giordano Bruno., de Miguel. Servet., de Spinoza., de Retif de la Bretonne., de Goethe. e de Hegel., que se encontraram na mesma forma de conceber o mundo, sem se terem combinado nem influenciado uns e outros. (...) Arrebatado por esse declive, nosso doutor Martinho (sic) rola em enormidades, ousaríamos dizer, numa depravação intelectual que não foi ainda revelada, ao que parece, por nenhum de seus inúmeros biógrafos.(...) Jesus Cristo amante da Samaritana, de Madalena, da mulher adúltera!

Livres-pensadores, ateus, a quem citamos a passagem, assombraram-se. O doutor Martinho, fez comentários tão graves, que seria para julgar que estava bêbado, quando se expandiu em semelhantes afirmações; mas não podemos admitir isso, pois, ao menos nesse dia, seus fiéis discípulo teriam evitado recolher-lhe piedosamente as palavras. (...)" .

O orgulho - Leva ao ódio a toda superioridade, e, pois, à afirmação de que a desigualdade. é em si mesma, em todos os planos, inclusive e principalmente nos planos metafísico e religioso, um mal.

A sensualidade - De si, tende a derrubar todas as barreiras. Ela não aceita freios e leva à revolta contra toda autoridade e toda lei, seja divina ou humana, eclesiástica ou civil. É o aspecto liberal da Revolução.

Em conseqüência da revolta luterana, na Turíngia (Alemanha.), surgiu a figura do frade apóstata Thomaz Münzer. (1489 - 1525). Imbuído do espírito revolucionário dos "reformadores", levou às últimas conseqüências, no campo político-social, os princípios religiosos espalhados pelo protestantismo.A pregação de Münzer logo se transformou em sangrenta revolução social. Foi assim que eclodiu a chamada 'guerra dos camponeses.', narrada a seguir por Funck-Brentano.:

"(...) Pregadores reformados, ou que tal se diziam, percorriam cidades e burgos, províncias e aldeias, uma Bíblia na mão, explicando que os livros santos condenavam os dízimos e todos os impostos... (...) E eis que simples leigos, homens do campo, carvoeiros, batedores de granjas, se punham também a pregar o evangelho, com comentários à sua maneira. Não assegurava Lutero. que todo cristão era sacerdote, pelo próprio batismo, e apto a doutrinar? (...) Padres e nobres eram degolados ou torturados da maneira mais cruel. (...) Os acontecimentos se precipitavam: não se tratava mais de dissertações acadêmicas, nem mesmo evangélicas. Tomás Münzer, padre católico ["convertido"] à Reforma., pusera-se à testa dos revoltados na Turíngia e falava em altos brados: 'Queridos irmãos, combatei o combate do Senhor! O magnata quer fazer seu jogo: a última hora dos malvados soou. (...) 'Sus! sus! sus! Que o alfange, tinto de sangue, não tenha tempo de esfriar. Batei na bigorna: pink! ponk! matai tudo!' Tomás Münzer era um monge franciscano que, desde o começo, tinha aderido à Reforma., mas sem adotar em todos os pontos a doutrina luterana. A que ele ensinava se aproximava antes das concepções de Karlstadt.. Naturalmente, como esse último e como Lutero., era inspirado por Deus que lhe revelara a verdade quando dormia, em sonho. Múnzer queria, como Karlstadt, que o cristão vivesse em contato permanente com a divindade: o fim da vida era o aniquilamento em Deus. (...) Münzer retomava a doutrina dos primeiros cristãos: fraternidade universal, comunhão de bens. Os proprietários e senhores que se opusessem à partilha dos bens seriam decapitados: 'tiranos, dizia Münzer, que querem extirpar a fé cristã, devem ser atacados como cães raivosos!' (...)

Nota do autor do site:

Em síntese, o fato ocorrido com os anabatistas e Lutero é uma prova do que a divisão pode causar quando acompanhada da doutrina protestante do livre exame. Veja alguns fatos deste ocorrido:

Enquanto Lutero se conservava em 1534 em Wartburg, a agitação crescia na alemanha. Apareceu a corrente dos anabatistas, que interpretavam ousadamente o pensamento de Lutero, negando o batismo de crianças e batizando de novo os adultos,preconizavam uma "igreja de santos", difundiram-se idéias novas entre os Anabatistas: falou-se de "Revolução Pacífica" e isso foi a espera passiva da segunda vinda de Cristo. Mas, em determinadas seitas, essas idéias associaram-se a apelos e atos de violência que deveriam purificar o mundo dos "infiéis" antes da chegada do Messias. Em 1534, um grupo de Anabatistas apoderaram-se do governo da cidade episcopal de Munster, na Vestfália, tornando-a uma Nova Jerusalém onde foram postas em prática todas as fantasias acumuladas do setor lunático do movimento. As propriedades foram confiscadas e introduziu-se a poligamia.

Posto a par da situação Lutero voltou a Wittenberg. Conseguiu o apoio do braço secular, restabelecer a ordem em Wittenberg. Mas teve de enfrentar a revolta dos camponeses (1524-25) que esmagados por tributos valiam-se da proclamação da liberdade frente aos senhores civis e eclesiásticas. Tomás Munzer chefe dos anabatistas, incitava os camponeses a revolta. Lutero optou pela sufocação violenta dos revoltosos e Tomas Munzer foi decaptado.

Lutero em 1525 escreve aos nobres : "Matem quantos camponeses puderem: Tomem, pegue, degolem quem puder.Feliz serão se morrermos unidos e morrer em obediência a Palavra Divina." Nesta época mais de 100.000 lavradores camponeses pereceram.

http://www.exsurge.com.br/apologeticas/lutero/textos%20lutero/asblasfemiasdelutero3.htm

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Martinho Lutero: Os absurdos pregados pelo pai do Protestantismo Evangélico  

Martinho Lutero: Um homem celebrado por questionar a autoridade de uma Igreja supostamente corrupta, por iniciar a liberdade religiosa em uma época do feudalismo espiritual, etc … Mas quanto Lutero o protestante comum lê durante sua vida? Ou mesmo a média clériga protestante? Seguramente não muito, porque se as pessoas realmente soubessem o que Lutero pensava e ensinava, ficariam horrorizadas.

“Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte, de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: “Que fez, então, com ela?”, depois com Madalena, depois com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve de fornicar antes de morrer.” (Martinho Lutero: Tischreden, nº 1472, ed. Weimer, 11, 107)”.

A fim de evitar possíveis alegações de que os trechos citados abaixo são tirados do contexto e, portanto, não podem ser confiáveis como representações precisas do pensamento de Lutero, fornecerei uma referência indicando onde cada trecho pode ser encontrado. Você verá que nenhuma dessas passagens dizem nada além do que aparece aqui, pois as intenções de Lutero são todas muito claras.

Uma outra objeção é que outros escritos de Lutero podem contradizer algumas das idéias que você encontrará aqui. Gostaríamos de responder que auto-contradição não torna um indivíduo mais coerente, mas menos.

   Lutero disse: “Seja um pecador”

“Seja um pecador, e deixe os que vossos pecados sejam fortes, mas deixe que vossa confiança em Cristo também seja forte, e nos glorificamos em Cristo que é a vitória sobre a morte, o pecado e o mundo. Nós cometemos pecados enquanto estamos aqui, pois esta vida não é um lugar onde resida a justiça … Nenhum pecado pode nos separar d’Ele, mesmo se estivéssemos a matar ou cometer adultério milhares de vezes por dia.” (“Que os vossos pecados sejam fortes, a partir de “O Projeto Wittenberg, ‘O Segmento Wartburg”, traduzido por Erika Flores, de Saemmtliche Dr. Martinho Lutero Schriften, Carta n º 99, 1 de agosto de 1521).

O que Lutero está realmente dizendo é que as nossas ações – mesmo as ações mais pecaminosas que se possam imaginar – não importam! Ele está dizendo que podemos cometer qualquer pecado que quizermos – intencionalmente, presunçosamente, propositadamente – e não vamos ofender a Deus! Afinal, não precisamos de nada mais do que a “fé” para sermos salvos. O que fazemos é incidental. É claro que qualquer pessoa familiarizada com as Escrituras salientaria que esta não é uma doutrina cristã. Por toda a Bíblia lemos que o pecado nos separa de Deus (Isaías 59:1-2). Nenhum crente tem uma licença para pecar. Os cristãos que voluntariamente se entregam ao pecado serão julgados no Tribunal do Juízo de Cristo (Romanos 12:14; 1 Tessalonicenses 4:6).

   Lutero disse: Fazer o bem é mais perigoso que pecar

“Estas almas piedosas que fazem o bem para ganhar o Reino dos Céus, não só nunca terão sucesso, mas devem mesmo ser contadas entre os ímpios, é mais importante preservá-las contra as boas obras do que contra o pecado.” (Wittenberg, VI, 160, citado por O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero, TAN Books, 1987, p. 122.)

Você deve estar pensando: “O quê? Será que eu li direito?” É mais importante  preservá-las contra as boas obras do que contra o pecado?”

Lutero nos adverte contra ações retas e do bem. Ele diz para  não nos  preocuparmos com o pecado – Jesus vai se ocupar deles. Sengundo ele, aquele que faz o bem é melhor ficar atento. Especialmente aqueles que acham que ser bom e generoso e amoroso irá afectar o seu resultado no julgamento final.

Em sua arrogância, Lutero ignora versículo após versículo da Escritura – Antigo e Novo Testamento – onde nos é dito que a forma como vivemos a nossa fé será o critério em que seremos julgados. Como Paulo deixa perfeitamente claro em Rom. 2: 5-11 ”… o justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo suas obras”. E novamente em 2 Coríntios 5:10: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal … de modo que cada um receba a recompensa, de acordo com o que ele fez na carne, seja bem ou mal.” Lutero estava completamente e monumentalmente errado.

   Lutero disse: Não há nenhum livre arbítrio

“… No que diz respeito a Deus, e em tudo o que traz a salvação ou condenação, (o homem) não tem ‘livre arbítrio’, mas é um prisioneiro, cativo e escravo, quer da vontade de Deus, ou da vontade de Satanás. ” (Da redação, “Escravidão da Vontade”, “Martin Luther:.. As seleções de seus escritos, ed por Dillenberger, Anchor Books, 1962 p. 190)

“… Nós fazemos tudo por necessidade, e nada pelo ‘livre arbítrio’, pois o poder de ‘livre arbítrio’ é nulo …” (Ibid., p. 188.)

“O homem é como um cavalo. Deus  por acaso salta na sela ? O cavalo é obediente e se acomoda a todos os movimentos do cavaleiro e vai para onde ele o quer. Será que Deus derruba as rédeas? Assim, Satanás pula no lombo do animal, que se dobra, anda e se submete à esporas e caprichos do seu novo piloto … Portanto, necessidade, não o livre arbítrio, é o princípio de controle do nosso comportamento. Deus é o autor do que é mal, bem como do que é bom e, assim como Ele dá a felicidade àqueles que não a merecem, Ele também maldiz aqueles que merecem o seu destino.” (“De Servo Arbitrio”, 7, 113 seq. Citado por O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero, TAN Books, 1987, pp 266-267).

Todas estas passagens vêm de um tratado que Lutero redigiu, intitulado “De Servo Arbitrio”, ou “Cativeiro da Vontade”, no qual o grande reformador trabalha arduamente para apresentar o caso em que o livre-arbítrio não existe.

A Escritura, é claro, discorda, em palavras e espírito. Em Eclesiástico 15:11-20, encontramos: “Não digas:«Foi por feito de Deus que eu caí: pois o que ele odeia, ele não faz»”. ‘Não digas: ‘Foi ele quem me pôs perdido, pois ele não tem necessidade de homens ímpios’ … Quando Deus, no início, criou o homem, ele o fez sujeito de sua própria escolha livre. Se você escolhe, você pode guardar os mandamentos … Há  diante  de ti  fogo e  água; qualquer um que escolhas, estendas a tua mão. “

A Escritura é muito clara sobre o assunto: “Quando Deus, no início, criou o homem, ele o fez sujeito à sua livre escolha.”

Mas o Evangélico protesta: Siraque é “apócrifo” – Lutero o descartou, questionando a sua canonicidade. E não é de se admirar que o tenha feito, nós respondemos, considerando como este livro refuta diretamente seus ensinamentos. Mas  a fim de evitar polêmicas desnecessárias, também podemos apontar para Deut. 30:19-20, onde Deus nos diz: “Coloco diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a vida, então, que tu e teus descendentes possam viver, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo sua voz, e apegando-te, a ele.” Assim, vemos que o homem tem mais do que simplesmente a liberdade de escolher, ele é obrigado a escolher.

E antes ainda, em Gênesis 4:7, Deus fala a Caim: “Por que está tão ressentido e desapontado. Se você faz bem, você pode manter sua cabeça erguida, mas se não, o pecado é um demônio espreita à porta: seu impulso é para você, mas você pode ser seu mestre. “

E, finalmente, em João 15:15, o Senhor declara seu amor por nós, seus seguidores: ” Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu mestre está fazendo tenho-vos chamado amigos …” Essas palavras difícilmente soam como as palavras de um cavaleiro ao seu cavalo.

Como muitas vezes acontece, Paulo tem a palavra final: “Pois, se nós, que aspiramos à justificação em Cristo, retornamos, todavia, ao pecado, seria porventura Cristo ministro do pecado? Por certo que não!(Gálatas 2:17). Eis aqui uma contradição mais direta ao pronunciamento de Lutero: “Deus é o autor do que é mal, bem como do que é bom” … difícil de conceber.

A posição de Lutero não inclui nenhuma responsabilidade. Não há responsabilidade. Sem sentido de aprendizagem ou de ser aperfeiçoado através do curso de nossas vidas. Nem mesmo dignidade. Apenas  a mais sombria e opressora  coerção, que rouba a vida humana de qualquer sentido. Ou seja, o que você faz em sua vida – até mesmo o amor que você prova para com os vizinhos – não significa nada, de acordo com Lutero. Suas lutas, seus sofrimentos, sua perseverança – nada disso equivale a nada. Sua vontade não está mesmo em suas próprias mãos.

   Lutero disse: “O indivíduo cristão não está  sujeito a nenhuma autoridade

“… Cada cristão é por fé tão exaltado acima de todas as coisas que, por força de um poder espiritual, ele é o senhor de todas as coisas, sem exceção, de modo que nada lhe pode fazer mal nenhum. Por uma questão de fato, todas as coisas são subordinadas a ele e são obrigadas a servi-lo na obtenção de salvação “. (Da redação, “A liberdade de um cristão”, “Martin Luther: Seleções de seus escritos, ed por Dillenberger, Anchor Books, 1962 p. 63.).

“A injustiça é feita às palavras ‘padre’, ‘clérigo’, ‘guia espiritual’, ‘eclesiástico’, quando elas são transferidas de todos os cristãos para aqueles poucos que são agora, por um uso malicioso, chamados ‘eclesiásticos.’ “(Ibid., p 65..)

Lutero ensina que nós não precisamos de ninguém entre nós, a comunidade dos crentes, e nosso Salvador. Assim, ele se opõe à autoridade eclesiástica – e a hierarquia que a exerce. Deus está com toda a congregação, ele diz, então por que devemos se preocupar com um padre?

Parece ótimo. Até você perceber que esta visão retoma a posição da irmã de Moisés, a profetisa Miriã, que protesta em Números capítulo 12, “É só através de Moisés que o Senhor fala? Ele não fala através de nós também?” Por sua rebeldia contra a autoridade estabelecida por Deus, ela contrai lepra. Graças à oração intercessora de Moisés, ela é curada.

E ela é imitada, apenas alguns capítulos mais adiante, por Corá, que incita o povo contra Moisés e Aarão com as palavras mais perturbadoras de todas. Eles dizem, “Basta de vocês! Toda a comunidade, todos eles são santos! O Senhor está no meio deles. Por que então vocês devem impor-se sobre a congregação do Senhor?” Ao que Corá e seus seguidores foram consumidos pelo fogo enviado pelo Senhor. (Números 16).

   Lutero disse: Camponeses merecem um tratamento severo

“Assim como as mulas, que não se moverá a menos que você perpetuamente chicoteá-los com varas, de modo que o poder civil deve conduzir as pessoas comuns, chicote decapitar, estrangular, enforcar, queimar, e torturá-los, para que possam aprender a temer os poderes constituídos. ” (El. ed. 15, 276, citado por O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero, TAN Books, 1987, p. 235.)

“Um camponês é um porco, pois quando um porco é abatido é morto, e da mesma forma que o camponês não pensa em outra vida, caso contrário ele iria se comportar de maneira muito diferente.” (‘Schlaginhaufen’, ‘Aufzeichnungen “, p. 118, citado ibid., P. 241)

Talvez a hora mais escura de Lutero foi sua traição dos servos de longamente abusados durante Camponeses Münzer a Guerra de 1525. Primeiro, ele ingenuamente fomentou sua inquietação por vias de publicação de ”Sobre a Autoridade”, no qual ele criticou a classe principesca com insultos, como “As pessoas não podem, as pessoas não vão, aturar sua tirania e capricho por qualquer período de tempo. ” (Ibid., p. 223.) E, “… o pobre homem, na emoção e tristeza por conta dos danos que sofreu em seus bens, seu corpo e sua alma, foi muito tentado e tem sido oprimido por eles além de qualquer medida, da forma mais pérfida. Doravante, ele pode e não vai mais tolerar esse estado de coisas, e, além disso, ele tem muitas razões para irromper com o malho e o clube como Karsthans ameaça fazer “. (Ibid., p. 225.)

No entanto, quando a rebelião chegou, ele se virou a casaca, na publicação do folheto, “contra as hordas de assassinos e voraz dos Camponeses”,  incitou os senhores governantes a “apunhalá-los secreta ou abertamente, como puderem, como seria ao matar um cão raivoso. ” (Ibid., p. 235.)

Para ressaltar a frieza do homem, Lutero casou-se no encalço do trágico massacre que resultou. Erasmus, um contemporâneo, estima-se que cem mil camponeses perderam suas vidas. (Ibid., p. 237.)

   Lutero disse: A poligamia é permitida

“Confesso que não posso proibir uma pessoa de casar com várias esposas, pois isso não contradiz a Escritura. Se um homem deseja se casar com mais de uma esposa que ele deveria ser perguntado se ele está satisfeito em sua consciência de que  o faz em conformidade com a palavra de Deus. Nesse caso, a autoridade civil não tem nada a fazer sobre o assunto. ” (De Wette II, 459, ibid., Pp 329-330).

‘Sola Scriptura’ (Escritura como única autoridade religiosa) tem suas conseqüências.

   Lutero disse: A Bíblia poderia ser melhorada

“A história de Jonas é tão monstruosa que é absolutamente incrível.” (“Os fatos sobre Lutero, O’Hare, TAN Books, 1987, p. 202.)

“O livro de Ester, eu lanço no Elba. Eu sou como um inimigo para o livro de Ester, que eu gostaria que não existisse, pois Judaíza demais e tem em si uma grande dose de loucura pagã.” (Ibid.)

“É de muito pouco valor é o Livro de Baruque, quem quer que seja o digno Baruque”. (Ibid.)

“… A epístola de São Tiago é uma epístola cheia de palha, porque não contém nada evangélico.” (Prefácio ao Novo Testamento, “Dillenberger. Ed, p. 19.)

“Se  disparate é falado em qualquer lugar, este é o lugar. Eu passo por cima do fato de que muitos afirmaram, com muita probabilidade, que esta carta não foi escrita pelo apóstolo Tiago, e não é digna do espírito do apóstolo”. (“Servidão pagã da Igreja, ‘Dillenberger. Ed, p. 352.)

Lendo essas palavras de Lutero, é difícil imaginar que ele seja o mesmo homem que tantas vezes disse olhar para a Bíblia “como se o próprio Deus falasse por meio dela.” Como ele poderia ter alegado acreditar na Palavra inspirada de Deus como a autoridade máxima em matéria religiosa, se ele mesmo se colocou em julgamento das Escrituras? Ao fazer isso, ele claramente se colocou como juiz sobre o próprio Deus.

Acredite ou não, em sua arrogância Lutero, presumiu até mesmo  classificar os evangelhos: “João, conta com  poucos registros das obras de Cristo, mas uma grande parte de sua pregação, ao passo que os outros três evangelistas registraram muitas de suas obras, mas poucos de suas as palavras. Daqui resulta que o evangelho de João é único na delicadeza, e de uma verdade do evangelho principal, muito, muito superior aos outros três, e São Paulo e São Pedro estão muito além dos três evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. ” (Prefácio aos romanos, “Dillenberger. Ed, p. 18-19.)

E queixou-se sobre o livro do Apocalipse: “a minha mente não percebe  nesse livro nenhuma marca de um caráter apostólico ou profético … Cada um pode formar seu próprio julgamento deste livro, quanto a mim, sinto uma aversão a ele, e para mim isso é razão suficiente para rejeitá-lo. ” (Werke Sammtliche, 63, pp 169-170, “Os fatos sobre Lutero,” O’Hare, TAN Books, 1987, p. 203.)

E, finalmente, ele admitiu ter acrescentando a palavra ‘somente’ em Rom. 3:28 de sua própria vontade: “Se  incomoda papista  a palavra (“somente”), diga-lhe logo, o Dr. Martinho Lutero vai tê-la assim mesmo.: papista e burro são uma e a mesma coisa. Quem não quiser minha tradução, que se dê a ele um ‘vá-se embora’.. O diabo  agradece àqueles que o censuram sem minha vontade e conhecimento. “Lutero assim o quer, e ele, que é doutor acima de todos os doutores do papado, assim o terá.” (Amic. Discussões, 1, 127, “Os Fatos Sobre Lutero, O’Hare, TAN Books, 1987, p. 201.)

Aqui Lutero é condenado por sua própria boca. Para João, em Apocalipse 22: 18-19, declara alguém anátema que pressupõe a mudança, mesmo uma única palavra da Escritura: “Eu testifico a todo aquele que ouve as palavras proféticas deste livro: se alguém acrescentar a elas, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro, e se alguém tirar qualquer coisa das palavras deste livro profético, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e na cidade santa descrita neste livro “. Lutero, é claro, não apenas acrescentou ou tirou meras palavras, mas passagens e livros inteiros.

   Lutero disse: Persiga o povo judeu

“Os judeus são demônios jovens condenados ao inferno.” (“Obras de Lutero”, Pelikan, vol. XX, p. 2230).

“Queime suas sinagogas. Proibam- nos todos os que mencionei acima. Force-os a trabalhar e tratem-nos com todo o tipo de gravidade, como fez Moisés no deserto e matou três mil … Se isso não adianta, temos de levá-los fora como cães raivosos, de modo que não podemos ser participantes de sua blasfêmia abominável e de todos os seus vícios, e tendo em vista que não pode merecer a ira de Deus e ser condenado com eles. Tenho feito o meu dever. Vamos todos nos assegurar de que cada um faz o dele. Eu estou desculpado. ” (“Sobre os Judeus e Suas Mentiras”, citado por O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero, TAN Books, 1987, p. 290.)

É muito perturbador contemplar o possível fruto nascido das sementes de ódio semeada por esse homem. Se ele foi orientado por um espírito, é óbvio que não era santo.

Conclusão

Os ensinamentos de Lutero não são os ensinamentos de Cristo. Mas como é que tantas pessoas seguiram e seguem o autor destes obscuros e sombrios ensinamentos? Existe apenas uma explicação: Eles não percebem o que Lutero – o Lutero real – na verdade, ensinou. Se o fizessem, veriam que muitas das idéias do pai da Reforma contrariam as Escrituras e bom senso.

Pastores protestantes se concentram mais no que eles creem serem erros do catolicismo do que em fazerem um exame dos escritos de seus próprios fundadores. Se você duvida dessas passagens, exorto-vos a ir à fonte. Encontrar os escritos de Lutero não é fácil, mas com  diligência, pode ser feito.

Que Deus abençoe aqueles cuja busca pela verdade os leva a peneirar com imparcialidade: “Examinai-vos a vós mesmos, se estais na fé. Provai-vos a vós mesmos. Acaso não reconheceis que Cristo Jesus está em vós? A menos que a prova vos seja, talvez, desfavorável….” (2 Coríntios 13:5.) E o Deus que nos criou à sua imagem nos aproximará ainda mais o seu coração, onde toda a verdade é encontrada.

http://www.paraclitus.com.br/2012/apologetica/protestantismo/martinho-lutero-os-absurdos-pregados-pelo-pai-do-protestantismo-evangelico/

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A Lamentável Reforma Protestante

 

"Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem" (Salmos 126,1)

O mesmo fundador da "Reforma", Martinho Lutero, chegou a "lamentar", o dano que a sua rebelião contra a autoridade da Igreja, tinha causado. O espetáculo de seus escritos faz as seguintes observações ...

"Este aqui não ouvirá falar do Batismo, e aquele nega o sacramento, outro põe um mundo entre isto e o último dia: alguns ensinam que Cristo não é Deus, alguns dizem isto, alguns dizem isso: há tantas seitas e credos como há tantas cabeças. "Nenhum rústico é tão rude quando ele tiver sonhos e fantasias, e pensar que é inspirado pelo Espírito santo e deve ser um profeta." 
De Wette III, 61. citado em O'Hare, Os fatos sobre Lutero, 208.

"Nobres, cidadãos, camponeses, parece que todas as classes entendem o Evangelho melhor que eu ou São Paulo. Eles são agora sábios e se pensam mais entendidos que todos os ministros."
XIV de Walch, 1360. citado em O'Hare, Ibid, 209.

Nós concedemos como devemos nós, que tanto disso que eles (a Igreja católica) diga é verdade: que o papado tem a palavra de Deus e o escritório dos apóstolos, e que nós recebemos Bíblia Santa, Batismo, o Sacramento, e o púlpito deles. O que conheceríamos nós estes se não eram para eles?

Sermão no evangelho de St. John, rachaduras. 14 - 16 (1537), em vol. 24 dos trabalhos de Luther, St. o Louis, Mo: Concordia, 1961, 304.

Tudo isto e muito mais foi escrito pelo fundador da Reforma, só pouco tempo depois quando ele notou o caos que tinha criado. Antes deste tempo, Munzer tinha corrido nesta direção, em 1521, o mesmo ano que Lutero fugiu, Zwingli, tinha corrido em outra direção, Calvino numa outra, todos eles espalhando as ovelhas e levando o rebanho a dispersão. Lutero tinha deixado sair o gato da bolsa e ele era desamparado para repor isto. Ele tinha começado algo que não conseguiria mais parar. Certamente, tudo isso foi e continua sendo lamentável:

"Uma vez você abre a porta ao erro, aí você não pode mais fechá-la."
Como isso é verdadeiro! Lutero tinha se tornado a vítima sofrendo as conseqüências deste simples provérbio.

"Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem."
(Salmos 126,10)

Há um aumento acelerado em dividir o Corpo de Cristo por comunidades protestantes, apesar das palavras vinda de Jesus e dos Apóstolos.
"... e haverá um só rebanho e um só pastor." (João 10,16).

"...O Deus da perseverança e da consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Jesus Cristo, para que, com um só coração e uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 15,5-6).

"...Completai a minha alegria permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos" (Filipenses2,2).

"...Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo Espírito e no mesmo sentimento" (1Coríntios 1,10).

Em 1600, devido à reforma protestante, havia mais de 100 divisões em várias seitas. Antes de 1900, havia 1000 ao redor. Antes de 1981 havia mais que 20.700. Hoje há mais de 33.800  dividindo o Corpo de Cristo, sendo fundadas por meras criaturas humanas. As comunidades protestantes aumentaram em número de aproximadamente 65% em só vinte anos. (Dados da Enciclopédia Cristã mundial, abril de 2001), uma publicação protestante.

É bom notar que algumas seitas preferem não ser chamadas de protestantes. Porém, sem nenhuma dúvida, a existência deles deve-se à Reforma, porque sem ela, as milhares e milhares de comunidades protestantes não existiriam hoje provavelmente. Então qualquer um que reivindica ser Cristão e que não é ativo na Igreja católica é um protestante, assim este arquivo aplica-se bem a todos os não-católicos, embora o que eles desejam se chamar.

"Deus não é o autor de confusão..." (1Coríntios 14,33) 

"Cristo foi dividido?? (1Corinthians 1,13) Se foi, é culpa da Reforma. Veja só o que diz a Bíblia.

?Sede submissos e obedecei aos que vos guiam (pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta). Assim, eles o farão com alegria, e não a gemer, que isto vos seria funesto? (Hebreus 13,17)

Seguramente, Lutero e os outros reformadores sabiam  dessas passagens, Mas não se acha um versículo Bíblico que dá a autoridade para desobedecer os superiores, e foi exatamente o que os reformadores fizeram, eles não exibiram obediência e foram ao contrário do que a Bíblia ensina. Não se acha um verso Bíblico que autoriza qualquer um quebrar a Igreja de Jesus Cristo para formar a sua própria igreja.

Se a autoridade não vier de Deus, então não há nenhuma autoridade.

"E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes. Não vos comprometais com eles" ( Efésios 5,6-7).

"Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem" (Mateus 23,2-3).

Nós não deixamos Pedro e o resto dos Apóstolos por causa dos trabalhos de Judas. Ao longo da história Bíblica, pecaram os líderes e as pessoas escolhidas de Deus, contudo a comunidade de Deus, sobreviveu com uma só voz e um só pastor...

Abrão mentiu (Gêneses 12,13), contudo Deus o escolheu mudando seu nome para Abraão tornando, o pai de uma multidão de nações (Gênese 17,4).

Isaac mentiu (Gêneses 26,7-11), contudo o rebanho dele sobreviveu intato.

Jacó mentiu e enganou (Gêneses 27,24), porém, as pessoas escolhidas de Deus sobreviveram.

Moisés era desobediente a Deus e assim não foi permitido conduzir a comunidade à terra prometida (Números 20,1-12). Porém, a comunidade sobreviveu.

Aarão foi feito um alto sacerdote (Êxodo 28,1-3), contudo depois conduziu as pessoas em pecado fazendo um bezerro de ouro como ídolo, (Êxodo 32,21-35). Porém ele era o alto sacerdote (Êxodo 40,13) e a comunidade sobreviveu.

Davi cometeu assassinato e adultério (2 Samuel 11,1-27) ainda assim, a comunidade sobreviveu.

Salomão praticou idolatria e teve 700 esposas e 300 concubinas, e teve grande riqueza, (1Reis 11,1-43). Veja Deuteronômio 17,17 onde os reis não terão um grande número de esposas, nem acumule grande riqueza, contudo a comunidade de Salomão sobreviveu.

Pedro mentiu para Jesus (Mateus 26,35), e abertamente o negou três vezes (Mateus 26, 69-75), contudo ele  se tornou o primeiro Bispo de Roma, e o primeiro Papa, e ele escreveu dois livros infalíveis que nós usamos até hoje, e a Igreja ainda sobreviveu com um só rebanho com um só pastor.

Um Apóstolo negou Cristo (Mateus 26, 69-75), o outro o traiu (Mateus 26,25), e outro duvidou (João 20,25), e todos correram e abandonaram ele(Mateus 26,56). Ainda assim, a Igreja que Jesus Cristo fundou, sobreviveu com um só rebanho e um só pastor, e todos os Apóstolos se tornaram santos.

Saulo perseguiu a Igreja impiedosamente e prendeu muitos cristãos (Atos 7, 58-59) e (Atos 8,1-2). Ainda assim a Igreja permaneceu, e Saulo se tornou Paulo, um dos maiores Apóstolos.

Como podemos ver, a autoridade da Igreja não é dependente nos trabalhos de qualquer um de seus membros. A Igreja é maior que qualquer um. É maior que Lutero, ou Calvino, ou Munzer, ou Zwingli, e de quaisquer um desses que fugiram para formar as suas próprias igrejas.

Em nenhuma parte da Bíblia é dada autoridade para qualquer um começar outra igreja diferente da que Jesus Cristo fundou. Porém, há muitos versos que advertem contra abandonar Deus, no qual ele constituiu uma autoridade (Antigo Testamento) ou Igreja (Novo Testamento) o qual Ele deu a função aos profetas, como Moisés em (Êxodo 3 e 40), e aos Apóstolos (João 20, 21-23), e para os sucessores (Hebreus 13, 7-8) (Hebreus 13,17).

Leia a rebelião de Coré contra Deus, na autoridade de Moisés (Números 16, 1-35). Veja como Moisés suplicou a ele e os seguidores para terminar a revolta que era na própria tribo de Moisés dos Levitas. Preste atenção ao que aconteceu a Coré, e para os seguidores dele em (Números 16, 25-35)..

Ainda se repete as mesmas coisas no decorrer dos tempos: Leia a história paralela de Martinho Lutero, no começo da reforma, onde ele exibiu a mesma obstinação a Deus, indo contra a autoridade da Igreja.

" Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho" (Atos 20, 29-30)

"Principalmente aqueles que correm com desejos impuros atrás dos prazeres da carne e desprezam a Autoridade" (2 Pedro 2,10)

Aqui é uma pequena amostragem das 33.800 denominações de protestantes, e as datas de fundação:

1521, Martinho Lutero começou os luteranos quando ele rompeu com a verdadeira Igreja que já tinha existido durante 15 séculos. Antes desta época, a falsa doutrina da "Sola Scriptura" ou " Só a Bíblia", não tinha existido, e nem o falso homem não tinha feito a doutrina da"Interpretação Individual" da Bíblia Sagrada.
1521, Thomas Munzer começou os Anabatistas rompendo com o Luteranismo no mesmo ano.
1534, O Rei Henrique VIII começou a Igreja da Inglaterra. (Anglicano)
1536, John Calvino, predestinação pedagógica, formou o Calvinismo.
1560, John Knox que estudou depois de Lutero começa com os presbiterianos
1582, Congregacionalistas começou por Robert Browne, como uma filial de Puritanismo.
1609, John Smyth formou os batistas. Eles subdividiram severamente desde então.
1739, John Wesley começou os Metodista, em uma divisão do Anglicanismo.
1774, Theophilus Lindley começou a igreja Unitária.
1789, Samuel Seabury começou com os Episcopais.
1793-1809, igrejas de Cristo tiveram quatro fundadores separados.
1830, Joseph Smith fundou os mórmons em Palmyra Nova Iorque.
1860, William Miller, um fazendeiro, começou o Adventismo.
1863, Ellen Gould White começou os Adventistas do Sétimo dia.
1865, William Booth começou o Exército de Salvação.
1875, Idade nova foi começada por Helena Blavatsky. Confira: (Colossenses  2,8)
1879, Mary Padeiro Eddy começou os Cientistas Cristãos.
1879, Charles Russell começou as Testemunhas de Jeová.
1895, Abbe francês, Alfred Loisy e , George Tyrrell começou o Modernismo.
1900-1920, Episcopalianos conservadores, luteranos, presbiterianos, e Metodistas, formam um consórcio, e começam o Fundamentalismo.
1901, Pentecostalismo foi começado nos Estados Unidos. Dividiu desde então em muitas denominações independentes.
1914, Felix Manalo começou Iglesia de Cristo.
1930, Igrejas independentes de América (IFCA), foi formado por um consórcio de igrejas.
1952, L. Ron Hubbard começou a Igreja da Scientology.
1965, Smith pancada começou Capela do Calvário.
1968, discípulos de Cristo, começados como uma divisão de Igrejas de Cristo.
1974, Ken Gullickson começou o Vinhedo Companheirismo Cristão.
20º século Assembléias de DEUS, e outras divisões de Pentecostais se juntam. É algumas das milhares de seitas novas fundadas por meros homens.

Será que Deus examinou e aprovou tudo isso?

"Não fareis nesse lugar o que nós fazemos hoje aqui, onde cada um faz o que bem lhe parece)... " (Deuteronômio 12,8)

"Então estaria Cristo dividido? " (1Coríntios 1,13)

"Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, disse: "Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda cidade, toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir " (Mateus 12, 25) Isto não é exatamente o que está acontecendo com as comunidades protestantes?

Eles estão implodindo devido a estas divisões sem fim. As comunidades estão cada vez menores e menores, e eventualmente se isto continuar, cada membro será teoricamente a própria comunidade eclesial e individual.

Quaisquer destas pessoas recebeu autoridade de Deus para formar suas próprias comunidades ? Quaisquer destas pessoas recebeu autoridade da Bíblia Sagrada para formar as próprias comunidades ? Confira o que está escrito na própria Bíblia!

"Vou pedir contas aos profetas, cujas línguas não vacilam em proclamar: "oráculo do Senhor". Irei contra os profetas de sonhos enganadores que, ao narrá-los, ludibriam com mentiras e fatuidade o meu povo, quando nem missão lhes outorguei, nem mandato algum, e de nenhuma valia são para esse povo - oráculo do Senhor" (Jeremias 23, 31-32)

"Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado." (2 Pedro 2, 1-2).

"Mas vós, caríssimos, lembrai-vos das palavras que  vos foram preditas pelos Apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os quais vos diziam: "No fim dos tempos virão impostores, que viverão segundo as suas ímpias paixões; homens que semeiam a discórdia, homens sensuais que não tem o Espírito" (Judas 1, 17-19).

"Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da doutrina que recebestes. Evitai-os. Esses tais não servem a Cristo nosso Senhor, mas ao próprio ventre. E com palavras adocicadas e linguagem lisonjeira enganam os corações simples" (Romanos 16, 17-18).

"Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem" (Salmos 126,1)

"Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." (João 16, 13)

 

A maioria das seitas protestantes declara que o Espírito santo está lhes ensinando a verdade. Porém, só existe uma verdade. Com o advento da Sola Scriptura e interpretação individual da Bíblia, como pode o Espírito Santo  interpretar de várias maneiras diferentes, a mesma passagem Bíblica, nas denominações protestantes?

1. Como o Espírito santo pode iluminar os luteranos mostrando que a Eucaristia é a verdadeira presença de Cristo , e depois mostra aos batistas que é só um símbolo?
2. Como o Espírito santo pode falar para os Metodista que é certo ter os ministros femininos, e então fala isto aos batistas que é anti-bíblico?
3. Como o Espírito santo pode mostrar aos Adventistas do Sétimo dia que o sábado é o dia de adoração, e então conta para os presbiterianos que o dia de adoração é o domingo?
4. Como o Espírito santo pode mostrar aos luteranos que Maria era e sempre permaneceu virgem, e então fala para os Assembleianos que teve outros filhos?
5. Como o Espírito santo pode falar para os batistas, que a Sola Fide está nas escrituras sagradas?
6. Como o Espírito santo pode dizer para Episcopalianos batizar as crianças e então contar para os Pentecostais que o batismo infantil é inválido?
7. Como o Espírito santo pode falar para os mórmons que a Trindade Santa não está em três pessoas, e então conta para Metodista que a Trindade de três pessoas está em um só Deus?

 

Eu poderia dizer que toda doutrina teológica, com exceção da existência de Deus que é ensinado através de uma igreja de não-católicos é negada por outra. Isso é o que mostra os ensinamentos diferentes do caos absoluto do resultado da reforma. Quem, destas comunidades protestantes, tem a autoridade para decidir as muitas disputas doutrinais que surgiram entre eles? Com certeza, eu poderia responder que isso parece mais com a história da torre de Babel (Gêneses 11, 1-9) onde as consequências são semelhantes. A reforma mais parece com esse versículo Bíblico: "Andarão errantes de um mar a outro, vaguearão do norte ao oriente; correrão por toda parte buscando a palavra do Senhor, e não a encontrarão" (Amós 8,12).

 

"Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha" (Mateus 12,30). O que significa este verso? Diz que  Jesus é o caminho e a verdade (João 10,16), e que esses que estão contra ele são os mentirosos. Quem são os mentirosos aqui?

 

Eles não são os fundadores das 33.800 seitas, onde se dividiram e espalharam o rebanho? Veja só o que diz a Bíblia! "Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho miúdo de minha pastagem" (Jeremias 23,1)

 

Quem é o "autor da confusão?"
Você se lembrou de (1Coríntios 14,33)?

 

Além de tudo,vejam só o que eles dizem: "O Espírito santo me incita". Pode-se perceber que  um dos três espíritos é que está "incitando" de fato.
São eles:
1. O Espírito santo.
2. O espírito humano dentro de cada um.
3. Um mal, ou espírito endiabrado.

 

Estes devem ser discernidos, como nos ensina as Santas Escrituras, a testar todos os espíritos. Confira: "Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito,mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo" (1 João 4,1).

Na Epístola de São Paulo aos Efésios 1,22-23, quando ele menciona o "Corpo", ele recorre ao Corpo de Cristo, chefe de uma só Igreja.

 

" E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja, que é o seu corpo, o receptáculo daquele que enche todas as coisas sob todos os aspectos"

 

Em (Efésios 4, 4-6), disse Paulo, "Um Corpo (só significando UMA Igreja), Um só Espírito,... Um só Deus, Uma só Fé, Um só Batismo, Um só Deus e Pai de todos... "

 

Aqui fica uma interrogação. Será que estas pessoas receberam autoridade Bíblica para fundar essas 33.800 denominações diferentes e contraditórias, uma das outras? Parece que não! Daí conclue-se que estas pessoas abandonaram (João 10,16) ou (João 17,20-23) ou (Romanos 15,5-6) ou (1 Coríntios 1,10) ou ( Filipenses 1, 27) ou ( Efésios 4,1-6) etc...etc...etc...

Então podemos deduzir com confiança, que o espírito atuante nas milhares de igrejas protestantes, que nós demonstramos nesse texto, não é obra do Espírito santo, mas dos falsos profetas.

Conclusão!

O primeiro protestante, apesar de sua mente doentia e conflitante, amou e honrou a Virgem Santíssima Maria, a Mãe de Deus, como fez os outros reformadores. Por que o Protestantismo ficou tão longe do ensino de seus fundadores?

Traduzido para o Veritatis Splendor por Jaime Francisco de Moura.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/1265-a-lamentavel-reforma-protestante

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O legado de Martinho Lutero, o primeiro protestante

 
Um Legado do qual ninguém deveria se orgulhar!

"Sede submissos e obedecei aos que vos guiam, pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta. Assim, eles o farão com alegria, e não a gemer, que isto vos seria funesto" (Hebreus 13,17).

Martinho Lutero, o autor da falsa doutrina humana da Sola Scriptura e as consequentes interpretações individuais da Sagrada Escritura, obviamente evitou este versículo, e também muitos outros. Sola Scriptura, ou Somente Bíblia, significa, "se não está na Bíblia, não acredito".

Acabei de mostrar que, mesmo que esteja na Bíblia, alguns podem não acreditar, se assim o decidirem. Mostrarei muitos outros versículos como exemplos de passagens da Escritura ignoradas por não-Católicos ao longo deste texto.

Martinho Lutero definitivamente era desobediente aos seus superiores, à autoridade da Igreja Católica, da qual era membro. Mostre-me de onde veio a autoridade auto-proclamada por Lutero?

Ele era um monge Agostiniano, e não era um Bispo. Não tinha nenhuma autoridade. Ele ruidosamente ignorou outros versículos da Escritura que nos dizem claramente de onde vem a autoridade final, e não vinha dele, mas da sua rival, a Igreja Católica.

"Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente. Se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano" (Mateus 18,15-17)


Esta é claramente a autoridade dada a Sua Igreja, pelas palavras do próprio Jesus Cristo.

Estes versículos foram claramente ignorados por Matinho Lutero.

Ele também ignorou as lições que nos foram dadas no Antigo Testamento:

"Maria e Aarão criticaram Moisés por causa da mulher etíope que ele desposara. Moisés tinha, com efeito, tomado uma mulher etíope. "Porventura é só por Moisés, diziam eles, que o Senhor fala? Não fala ele também por nós?" E o Senhor ouviu isso. Ora, Moisés era um homem muito paciente, o mais paciente da terra. Logo falou o Senhor a Moisés, a Aarão e a Maria" Ide todos os três à tenda de reunião." E eles foram. O Senhor desceu na coluna de nuvem e parou à entrada da tenda. Chamou Aaão e Maria, e eles aproximaram-se. "Ouvi bem, disse ele, o que vou dizer: aparecerei em visão. Eu, o Senhor, é em sonho que lhes falarei. Mas não é assim a respeito de meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. A ele Eu lhe falo face a face, manifesto-me a ele sem enigmas, e ele contempla o rosto do Senhor. Por que vos atrevestes, pois, a falar contra o meu servo Moisés? A cólera do Senhor se acendeu contra eles. O senhor partiu..." (Números 12,1-9).

Aqui está mais um grupo de versículos com o mesmo tema, também ignorados por Lutero:

Números 16,1-35: É um tanto longo demais para ser citado aqui, mas por favor, leia sobre a rebelião de Coré e seus seguidores contra a autoridade de Moisés. Preste atenção particularmente ao fim daqueles que recusaram a se submeter à autoridade da Figura Paterna de DEUS na terra. Não é nada atraente.

Aqueles que deliberadamente ignoram os erros daqueles que nos precederam na história documentada estão condenados a repeti-los novamente.

A maneira pela qual DEUS dispensa hoje sua autoridade sobre o Seu Rebanho é a mesma que foi naquela época. DEUS é o mesmo ontem, hoje e sempre. Aparentemente, Lutero não sabia disso ou ignorou o fato.

Ele não tinha qualquer autoridade dada a ele por DEUS, então alegou que tinha a sua própria autoridade, por assim dizer.

Lutero escreveu muitos panfletos, imprimiu-os e os distribuiu por toda a Europa.

Em seu panfleto intitulado "O Papado em Roma", de 1520, ele proclama sua própria autoridade deturpando a Sagrada Escritura, numa tentativa fútil de se justificar. Aqui estão alguns trechos do panfleto:

"Foi para esta igreja, para os crentes, que Jesus deu as chaves."

Desculpe-me, Lutero, mas você está errado:

O único lugar onde Jesus deu as chaves a alguém foi em Mateus 16,19 e Ele as deu a Pedro e somente a ele. A palavra grega usada neste versículo significando "tu" é da segunda pessoa do singular.

"As chaves pertencem à igreja inteira e a cada um de seus membros."

Perdão, Lutero, mas você está errado novamente:

Leia a nota a respeito da primeira afirmativa de Lutero. As chaves detém a autoridade do magistério da Igreja, e se cada um tivesse um molho de chaves, conforme afirma Lutero, então cada pessoa automaticamente se tornaria seu próprio papa (ou sua própria papisa). Não é exatamente isso que aconteceu no Protestantismo, com cada pessoa fazendo uma interpretação pessoal da Escritura?

Por causa dessa afirmação, cada um dos membros de seu movimento pensou que tinha seu próprio molho de chaves e, dessa maneira, tornou-se seu próprio intérprete infalível da Sagrada Escritura. "O que me faz bem deve ser a verdade", é o que significa esta afirmação. Não existe uma autoridade central ou "Suprema Corte", uma interpretação final da Sagrada Escritura no protestantismo, desde o seu início. Esta é uma clara violação de mais outros versículos da Escritura.

"Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus" (2Pedro 1,20-21).

Está vendo? Lutero estava, na verdade, dizendo ao mundo que ele e seus seguidores rejeitariam os ensinamentos de DEUS e aceitariam, ao invés disso, ensinamento humano, dele mesmo. Isto o coloca em posição de violação de mais versículos ainda:

"Mas Pedro e os apóstolos responderam: 'Importa obedecer antes a Deus do que aos homens'" (Atos 5,29).

"Aceitamos o testemunho dos homens. Ora, maior é o testemunho de Deus..." (1João 5,9).

O panfleto "O Papado em Roma" foi escrito logo no início da questão, em 1520, e é óbvio que Lutero estava tentando convencer aos seus seguidores de que tinha alguma forma de autoridade, a fim de justificar seu movimento de separação da Igreja Católica. Entretanto, ele obviamente falhou em fazê-lo, e desta maneira moveu rapidamente para o próximo e muitos outros estágios destrutivos.

Mesmo no tempo em que tudo começou, em 1520, a Igreja Católica era a instituição de vida mais longa sobre a terra, tendo existido por quase 1500 anos. A Igreja repousava sobre um firme suporte de três pés, sendo um dos pés o Espírito Santo, o segundo a Sagrada Tradição Apostólica e o terceiro o Papa e o Magistério, a autoridade docente. Pelos seus próprios atos, ao se separar da Igreja legítima fundada por Jesus Cristo, Lutero perdeu um pé de autoridade, já que não podia tomar para si o Papado e o Magistério. Em segundo lugar, já que formou sua própria igreja, não podia se apoderar da Tradição Apostólica. Como não podia se apoderar da Tradição Apostólica, ele a embolou com a tradição feita pelo homem e desta forma condenou toda tradição. Ao fazer isso, violou ainda outro versículo da Sagrada Escritura:

"Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa" (2Tessalonicenses 2,15).

Mais uma vez, o ensinamento de DEUS na Sagrada Escritura foi substituído por ensinamento humano.

Dois pés firmes foram perdidos imediatamente. O único pé restante foi a Sagrada Escritura que ele tomou da Igreja Católica e alegou que só esta era necessária, nascendo assim a falsa doutrina da Sola Escriptura. Então ele prontamente mutilou a Bíblia, acrescentando [a palavra "somente"] a Romanos 3,28 e subtraindo sete livros do Antigo Testamento, simplesmente porque não estavam de acordo com seus ensinamentos. Ele também atacou muitos livros do Novo Testamento.

Muitos anos depois de ter começado a reforma, Lutero percebeu o estrago que a Sola Scriptura e a sua acompanhante, a interpretação individual da Sagrada Escritura, tinham feito ao seu movimento. Cacos caíam de sua igreja Luterana, com Munzer indo numa direção, Calvino noutra, Zwinglio para o outro lado e todos dispersando os rebanhos. "Quem não está comigo está contra mim. e quem não ajunta comigo, espalha" (Mateus 12,30; Lucas 11,23).

Os erros do Protestantismo emergiram rapidamente por que quem os espalhou?

O estrago causado pela interpretação individual da Sagrada Escritura se fez notar imediatamente. Lutero parecia lamentar o que começara, quando fez os seguintes comentários:

"Este não quer saber do Batismo, aquele nega o sacramento, um outro coloca um mundo entre este e o último dia: alguns ensinam que Cristo não é Deus, alguns dizem isto, outros dizem aquilo: Há tantas seitas e crenças quanto cabeças. Qualquer camponês bronco tem sonhos e fantasias e pensa que é inspirado pelo Espírito Santo e deve ser um profeta." (De Wette III, 61. citado em O'Hare, THE FACTS ABOUT LUTHER [OS FATOS SOBRE LUTERO], 208).

"Nobres, burgueses, camponeses, todas as classes entendem o Evangelho melhor do que eu ou São Paulo; agora eles são sábios e pensam que são mais sabidos do que todos os ministros" (Walch XIV, 1360. citado em O'Hare, Ibid, 209.)

A essas alturas Lutero percebeu que tinha aberto a porta para o erro e não tinha o poder de fechá-la. Ele tinha "libertado o gênio" e agora percebera que este tinha crescido demais para ser forçado a "entrar novamente na lâmpada". Você sabia que Lutero admitiu que a Igreja Católica era a Igreja verdadeira?

"De acordo, concedemos ao papado que este se assenta na verdadeira Igreja, possuindo o ofício instituído por Cristo e herdado dos apóstolos, para ensinar, administrar o sacramento, absolver, ordenar, etc., assim como os judeus se sentavam em suas sinagogas ou assembléias e sacerdócio e autoridade da Igreja eram regularmente estabelecidas por eles. Admitimos tudo isso e não atacamos o ofício, embora eles não estejam dispostos a admitir o mesmo tanto de nossa parte; sim, confessamos que recebemos estas coisas deles, mesmo como Cristo por nascimento descendeu dos judeus e os apóstolos obtiveram deles as Escrituras" (Sermão para o domingo após a Ascenção de Cristo; João 15,26-16,4 (segundo sermão), página 265, parágrafo 28, 1522).

 
Lutero comentou, muitos anos mais tarde:

"Reconhecemos - como devemos - que tanto do que eles [a Igreja Católica] dizem é verdade: que o papado tem a palavra de Deus e o ofício dos apóstolos, e que recebemos deles as Sagradas Escrituras, Batismo, o Sacramento e o púpito. O que saberíamos disso se não fosse por eles?" (Sermão sobre o evangelho de São João, Capítulos 14 - 16 [1537], no vol. 24 das OBRAS DE LUTERO, St. Louis, Mo., Concordia, 1961, 304)


Soa mais como uma lamentação da parte dele, não soa?

Interessante: quantos de seus seguidores nos tempos de hoje concordariam com o que ele disse naqueles comentários?

Estava a seu favor o fato de que em 1450 foi inventada a imprensa. Antes disso levava-se meses ou mesmo anos para espalhar uma mensagem por grandes áreas de uma população, já que tudo tinha que ser copiado à mão. Lutero tirou grande proveito deste passo gigante da humanidade e dizem que foi o mais prolífico usuário da impressão em massa por muitos anos. Escreveu muitos panfletos e cartas e as imprimia às centenas, e distribuía por toda a Alemanha e a maior parte da Europa. Imagine a surpresa das massas ao receber tanto material impresso, muitos deles pela primeira vez.

De qualquer jeito, com essa nova e ótima ferramenta nas mãos, Lutero deu o próximo passo. Atacar a maior e mais antiga instituição na terra. Ele não tinha autoridade para fazer isso. Ele não podia alegar Tradição Apostólica. Tinha a Bíblia que tomou da Igreja Católica. Possuía um ego inflado, e era como um leão enjaulado pronto para ser chutado. O que ele poderia usar para tentar justificar o que estava para fazer? Decidiu que se pudesse lutar com eles em seu próprio nível, então ele os iria endemoninhar.

Lutero queria mudanças de acordo com sua vontade e quando foi rechaçado pela hierarquia Católica, tornou-se mais e mais corrupto em seus escritos contra o Papado e a Igreja Católica. Em 1520, Lutero escreveu um documento chamado "O Cativeiro Babilônico da Igreja". Nele, como o leão rugindo da Escritura (1Pedro 5,8), ele fez estas declarações um tanto brutas simplesmente porque não conseguiu seu intento de ditar ordens ao Papado:

"Pontífices que não têm Deus clamam orgulhosamente o direito de fazer isso, fingem estar procurando o bem da Igreja com essa Babilônia deles."


"Como são lobos, querem parecer pastores."

"Como são anticristos, querem ser honrados como Cristo".

"O Papado é anticristo."

"O Papado é o Reino da Babilônia."

"O Papado é o poder de Nemrod."

"O Papado é realmente o reino da Babilônia, sim o reino do verdadeiro anticristo."

Note que Lutero chamou o Papa de anticristo, o Papado de Reino da Babilônia, e escreveu muitos outros comentários caluniosos neste documento. Isto não é Endemoniar? De nenhuma maneira o Papa poderia ser o anticristo, conforme explicado no artigo sobre o anticristo.

*Endemoniar, mostrar alguém como sendo um demônio, tornado demoníaco, representado como malévolo ou diabólico.

A Igreja Católica ou o Papado é "A Prostituta da Babilônia". Quantas vezes você já ouviu isto vindo da boca de um Protestante Fundamentalista? Aqueles que propagam esta mentira são os mesmos que alegam seguir a Bíblia religiosamente. Tudo bem, vamos ver se eles seguem a Escritura ao pé da letra, conforme alegam.

Eles baseiam esta mentira no livro do Apocalipse Capítulo 17:

"1. Veio, então, um dos sete Anjos que tinham as sete taças e falou comigo: "Vem, e eu te mostrarei a condenação da grande meretriz, que se assenta a beira das muitas águas 2. com a qual se contaminaram os reis da terra. Ela inebriou os habitantes da terra com o vinho da luxúria". 3. Transportou-me então, em espírito ao deserto. Eu vi uma mulher assentada em cima de uma fera escarlate, cheia de nomes blasfematórios, com sete cabeças e dez chifres. 4. A mulher estava vestida de púrpura e escarlate, adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas. Tinha na mão uma taça de ouro, cheia de abominação e de imundície de sua prostituição. 5. Na sua fronte estava escrito um nome simbólico" "Babilônia, a Grande, a mãe da prostituição e das abominações da terra.” 6. Vi que a mulher estava ébria do sangue dos santos e do sangue dos mártires de Jesus: e esta visão encheu-me de espanto. 7. Mas o anjo me disse: "Por que te admiras? Eu mesmo te vou dizer o simbolismo da mulher e da Fera de sete cabeças e dez chifres que a carrega. 8. A Fera que tu viste era, mas já não é; ela deve subir do abismo, mas irá à perdição. Admirar-se-ão os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde o começo do mundo, vendo reaparecer a Fera que era e já não é mais. 9. Aqui se requer uma inteligência penetrante. As sete cabeças são sete montanhas sobre as quais se assenta a mulher." (Apocalipse 17,1-9).

O versículo 9 é o que os Protestantes, incluindo o primeiro deles, usam para tentar "provar" o que disseram. Todos já deveríamos ter percebido que a verdade pode ser provada, mas a mentira não. Olhe bem de perto o versículo 9, as palavras "aqui se requer uma inteligência penetrante", pois mostra claramente que aqueles que não tem inteligência vão interpretar este versículo como se dissesse que as sete montanhas nas quais se assenta a mulher é Roma. Endemoniando? Provarei o que afirmo aqui:

"A mulher que viste é a grande cidade, aquela que reina sobre os reis da terra." (Apocalipse 17,18)

Então, a mulher é a grande cidade, e pelo que já percebemos até agora ela se assenta em cima de sete montanhas. Agora, como determinamos qual cidade é a grande cidade da qual fala o Apocalipse 17,18?

Bem, acredite se quiser, o Livro do Apocalipse nos diz em outro versículo qual cidade é a grande cidade:

"Seus cadáveres jazerão na rua da grande cidade que se chama espiritualmente "Sodoma" e "Egito", onde o seu Senhor foi crucificado" (Apocalipse 11,8).

Então, em qual grande cidade o Senhor foi Crucificado? Ele foi crucificado em Roma? Não, foi em Jerusalém, conforme "aqueles que têm inteligência penetrante" podem ver muito facilmente. Com Escritura tão clara quanto às destes versículos, por que então os não-Católicos continuam a dizer que a grande cidade é Roma, a não ser para Endemoninhar a Igreja Católica?

Apocalipse 11,8 é outro versículo ignorado por Martinho Lutero e que ainda é ignorado pelos seus seguidores Protestantes Fundamentalistas.


Mais uma vez, a mentira do Protestantismo é exposta, destruída pela verdade da Sagrada Escritura.

Outra informação que se encaixa muito bem aqui é o fato de que as "sete montanhas de Roma", como são chamadas nos tempos Bíblicos, encontram-se todas a leste do Rio Tibre, enquanto O Vaticano, a sede da Cristandade, que veio centenas de anos depois, localiza-se a oeste do Tibre. Para aqueles que desejam verificar por si mesmos, os nomes das sete montanhas de Roma em sua origem eram: 1. Quirinal, 2. Viminal, 3. Capitolina, 4. Esquilina, 5. Palatina, 6. Celia, e 7. Aventina.
Traduzido para o Veritatis Splendor por Carlos Martins Nabeto do original em inglês encontrado em http://www.thecatholictreasurechest.com/
 
http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/844-o-legado-de-martinho-lutero-o-primeiro-protestante
 
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As principais linhas doutrinárias do Protestantismo

 

Em síntese: O protestantismo se apresenta hoje em dia sob centenas de modalidades, muitas vezes divergentes entre si. Todavia repousa sobre linhas básicas, devidas aos respectivos fundadores no século XVI: Lutero, Calvino, Melanchton, Knox... Essas linhas são: 1) a justificação pela fé sem as obras; 2) a Bíblia como única fonte de fé, sujeita ao "livre exame"; 3) a negação de intermediários entre Deus e o crente. Estes princípios serão, a seguir, expostos e avaliados.

O protestantismo representa uma realidade assaz complexa, ou seja, o bloco de aproximadamente 400.000.000 de cristãos que não pertencem nem à Igreja Católica, cujo Pastor visível reside em Roma como sucessor do Apóstolo Pedro, nem às comunidades cristãs orientais (ortodoxa, nestoriana e monofisita), comunidades que se separaram do tronco primordial em etapas sucessivas desde o século V até o século XI.

O iniciador do movimento protestante é Martinho Lutero, que, a partir de 1517, quis reformar o Credo e as instituições cristãs, e por isto se afastou da Igreja dando início ao Luteranismo. Ao lado deste, enumeram-se:

O Calvinismo (que absorveu o Zwinglianismo ou a reforma de Ulrich Zwingli em Zürich, Suíça), movimento afim ao de Lutero, empreendido por Calvino em Genebra, Suíça,

E o Anglicanismo, reforma semelhante oriunda na Inglaterra. Distinguem-se 1) a High Church, Alta Igreja, que conserva muitos elementos do Catolicismo e pretende ser a ponte entre Catolicismo e Protestantismo propriamente dito, e 2) a Low Church, Baixa Igreja, fortemente impregnada de princípios doutrinários do Protestantismo. Os anglicanos mais radicais emigraram para os Estados Unidos onde têm dado origem a novas e novas divisões.

Estas três denominações (Luteranismo, Calvinismo e Anglicanismo) representam o que se pode chamar "Igrejas protestantes tradicionais", todas iniciadas no séc. XVI (os Anglicanos nem sempre aceitam a designação de "protestantes", embora, por seus princípios doutrinários, se filiem ao Protestantismo).

Destes três grandes troncos do Protestantismo derivaram-se centenas de sociedades menores, que por vezes já não recebem o nome de Igrejas, mas o de seitas, visto serem movidas por espírito diverso do das Igrejas; são reformas da reforma, dissidências da dissidência: metodistas, batistas, congregacionais, quakers, Ciência Cristã, Mórmons, Adventistas, Testemunhas de Jeová...

Esses múltiplos grupos protestantes autônomos professam credos diferentes, chegando alguns a negar a própria Divindade de Cristo; o liberalismo doutrinário predomina entre eles. Contudo podem-se enunciar três grandes teses como características dos diversos tipos de Protestantismo: 1) a justificação pela fé sem as obras; 2) a Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o "livre exame"; 3) a negação de intermediários entre Deus e o crente.

TRÊS PONTOS CAPITAIS

a) A justificação pela fé sem as obras

Lutero considerava esta tese como central dentro da sua Teologia: "artigo do qual nada se poderá subtrair, ainda que o céu e a terra venham a desmoronar" (Artigos de Schmakalde, 1537).

Qual o significado de tal proposição e donde lhe vem a sua importância no Protestantismo?

A resposta não é difícil; deriva-se da situação psicológica em que o reformador se achou em certa fase de sua vida. Lutero fez-se frade agostiniano, mais movido pelo medo (tendo escapado à fulminação por um raio, prometeu entrar no convento) do que por autêntica vocação. No claustro, experimentou a concupiscência, à qual opôs penitência e ascese. Sentindo, porém, continuamente as más tendências em sua natureza, entrou em angustiosa crise: queria libertar-se da concupiscência, mas não o conseguia... Um belo dia julgou ter encontrado a solução: apelando para São Paulo (principalmente para a epístola aos Romanos), começou a ensinar que a concupiscência é realmente invencível; por conseguinte é inútil procurar dominá-la mediante penitência e boas obras. Nem Deus requer isto do homem; basta aceitar Cristo como Salvador, isto é, crer com confiança que Deus Pai, em vista dos méritos de Jesus, não leva em conta os pecados do indivíduo; a fé confiante ("fiducial"), independentemente de boas obras, faz que Deus nos recubra com o manto dos méritos de Cristo, declarando-nos justos. Tal declaração é meramente jurídica ou extrínseca, não afeta o interior da natureza humana; esta, mesmo depois de "justificada", nada pode fazer para obter a salvação eterna, pois se acha como que aniquilada pelo pecado, reduzida à categoria de instrumento inerte nas mãos de Deus ou de serra nas mãos do carpinteiro (assim se formula a famosa tese do "servo arbítrio" de Lutero).

Neste quadro de idéias, vê-se que não se pode falar de cooperação do homem com a graça de Deus, nem de méritos. Lutero e Calvino reconheciam que a caridade nasce da fé, como a maçã provém da macieira, mas (acrescentavam) não são a caridade e suas obras que importam (ou ao menos... que importam em primeiro lugar); o crente pode estar certo da salvação eterna em qualquer fase da sua vida, desde que mantenha a sua fé confiante. Donde o famoso adágio de Lutero: "Pecco fortiter, sed fortius credo. - Peco intensamente, mas ainda mais intensamente creio" (carta a Melanchton, 1s de agosto de 1521); com estas palavras, o reformador não recomendava o pecado, mas queria dizer que a simples confiança no Salvador ainda tem mais peso no processo de salvação do que a culpa do homem. Calvino, do qual muito se inspiraram os presbiterianos e batistas, acentuou ao extremo estas idéias, afirmando que Deus predestina infalivelmente para a salvação eterna, de sorte que, se o homem não perde a sua fé, pode ter certeza de que chegará à bem-aventurança celeste (donde se deriva para o crente um grande reconforto).

b) A Bíblia, única fonte de fé, sujeita ao "livre exame"

A inovadora tese da justificação pela fé fiducial encontrou fundamento numa revisão nas fontes da Revelação cristã. Estas são a Palavra de Deus, que nos vem por dois canais: a Escritura Sagrada e a Tradição oral apregoada pelo magistério da Igreja. Resolveram, pois, rejeitar a Tradição ou o magistério, para só dar crédito à Palavra escrita ou à Bíblia. Esta, para o protestante, tudo contém; é, por si mesma, clara em tudo que concerne à salvação eterna.

Calvino se exprime a respeito em termos muito fortes:

"Quanto à objeção que os católicos nos fazem, perguntando-nos de quem, donde e como temos a convicção de que a Escritura provém de Deus, é semelhante à questão de quem quisesse saber como aprendemos a distinguir a luz das trevas, o branco do negro, o doce do amargo. A Escritura, com efeito, tem seu modo de se manifestar, modo tão notório e seguro que se compara à maneira como as coisas brancas e negras manifestam sua cor e as coisas doces e amargas manifestam o seu sabor" (Institution Chrétienne 17§ 3).

Para ajudar a pessoa a ler e entender a Bíblia, o Espírito Santo dá seu testemunho interior, iluminando a mente e dirigindo o coração. Em conseqüência, cada crente tem o direito de "deduzir" da Bíblia as verdades que ele, em seu bom senso, julgue haverem sido a ele ensinadas pelo Espírito Santo.

Assim o Protestantismo atribui ao indivíduo uma prerrogativa que ele nega à Igreja visível e hierárquica: esta pode errar no seu ensinamento, corrompendo o depósito da fé (apesar das promessas de Cristo, seu Fundador); toca, por conseguinte, a cada cristão, guiado pelo Espírito Santo, encontrar de novo a Palavra de Deus perdida pela Igreja...

A reação do crente protestante contra o magistério eclesiástico é, aliás, típica expressão da mentalidade da Renascença: no séc. XVI o homem criou, sim, uma consciência nova dentro de si, tendente a pôr em xeque qualquer tipo de autoridade, para mais exaltar o indivíduo. "O que rejeito,absolutamente, é a autoridade", escrevia Alexandre Vinet (1797-1847), chefe do movimento dito "da Igreja Livre" na Suíça ocidental calvinista. O Evangelho, para Lutero, devia ser não somente uma escola de obrigações, mas também uma via de libertações (entre as quais, a libertação frente à autoridade religiosa visível).

c) A negação de intermediários entre Deus e o crente

O Protestantismo dá valor decisivo à atitude do indivíduo diante de Deus; segundo a teologia reformada, é a fé subjetiva nos méritos de Cristo que garante a salvação. Em conseqüência, pouca margem aí resta para se conceberem dons de Deus que permaneçam extrínsecos ao indivíduo e a este comuniquem os méritos do Salvador. Em outros termos: não têm cabimento canais transmissores da graça, como sejam ritos e práticas a serem administrados por uma sociedade visível (a Igreja) e por uma hierarquia de ministros oficialmente instituída. Para o protestante, entre o homem justificado pela fé e Deus, não há Sacerdote senão o Senhor Jesus invisível, que está nos céus (a prolongação da Encarnação através da Igreja e dos sacramentos é depreciada): também não há outro Mestre senão o Espírito Santo, que fala nas Escrituras e no íntimo de cada crente, sem se servir de algum magistério visível e objetivo.

Note-se, em particular, a repercussão destas idéias nos conceitos de sacramento e Igreja.

O número dos sacramentos foi notavelmente diminuído pelos doutores do Protestantismo. Dentre os sete tradicionais, Calvino chegou a admitir dois apenas: o Batismo e a Ceia. Quanto à função dos sacramentos, os reformadores nos diriam que estes não são portadores da graça, mas apenas sinais que, lembrando as promessas da benevolência divina, excitam a fé (ou confiança) nessas promessas; estimulada por tais sinais, é a fé que produz a santificação do crente. Os sacramentos portanto não exercem, como se diz em linguagem teológica, causalidade nem física nem moral no processo de santificação; a sua influência fica limitada ao setor psicológico (recordam a palavra de Deus...).

No Calvinismo, torna-se mesmo impossível que a graça esteja associada a algum sinal objetivo, pois ela só é dada aos predestinados; a quem não pertença ao número destes, não adianta recorrer a algum rito sensível. Lutero, um pouco menos inovador neste ponto, afirmava que o Batismo confere a santidade, mas só o faz mediante a fé: "Não o sacramento, mas a fé no sacramento é que justifica. - Non sacramentum, sed fides in sacramento iustificat", escrevia o reformador ao Cardeal Caetano. O Zwinglianismo empalidecia ainda mais o papel dos sacramentos, reduzindo-os a meros testemunhos da fé capazes de unir os homens entre si: pelos sacramentos, ensinava Zwingli, o crente atesta e comprova à Igreja a sua fé, sem que da Igreja receba sequer o selo ou a comprovação da fé.

A prevalência do indivíduo sobre a coletividade se exprime com não menor clareza no conceito protestante de Igreja. Esta, conforme os reformadores, não é um corpo visível, mas sociedade invisível; só uma coisa impede que alguém a ela pertença: o pecado. Quem não se deixa contaminar por este, torna-se membro da igreja, independentemente dos quadros externos nos quais os crentes professam a sua fé. Em geral, dizem os protestantes que a Igreja visível se corrompeu e extinguiu no séc. IV, sob o Imperador Constantino, dada a colaboração do Estado e da Igreja, pois então se introduziram nos mais íntimos redutos do Cristianismo doutrinas e costumes pagãos. Subsiste, porém, a Igreja invisível, a qual continua a vida da comunidade primitiva de Jerusalém. Ora seria essa Igreja invisível que vai tomando corpo nas denominações protestantes a partir do séc. XVI...

Se agora se pergunta como é governada a Igreja invisível, toca-se uma questão árdua para o Protestantismo: este, de um lado, rejeita o Papado e, de outro lado, afirma que todos os fiéis são sacerdotes. Em conseqüência, não restam critérios muito seguros para se constituir o governo da Igreja... Donde a multiplicidade de soluções: há denominações protestantes dirigidas por seus "bispos" (tais são o epíscopalismo anglicano, o metodismo...), bispos, porém, que são mais mentores dos crentes do que sacerdotes ou ministros dos meios de santificação; há-as também dirigidas por presbíteros (o presbiterianismo, por exemplo), e há as dirigidas por meros delegados da coletividade ou da congregação (congregacionalismo, que reproduz o sistema democrático no setor religioso). Vários grupos protestantes não concebem mesmo dificuldade em admitir a autoridade mais ou menos absoluta dos governos civis, no que diz respeito à vida temporal da Igreja (o que resulta em secularização da face visível do Cristianismo).

Expostas sumariamente as três características da teologia protestante, incumbe-nos agora analisar o seu significado.

UMA ESTIMAÇÃO DA DOUTRINA

a) A justificação pela fé sem as obras

Não há dúvida, a Escritura ensina que a remissão dos pecados é gratuitamente outorgada aos homens pelos méritos de Jesus Cristo (cf. Rm 5,8s); o homem não pode merecer o perdão, mas tem que o aceitar contritamente, crendo no amor de Deus e entregando-se humilde a esse amor. Contudo a Escritura ensina outrossim que o perdão concedido por Deus não é mera fórmula jurídica em virtude da qual não nos seria mais levado em conta o pecado, pecado que, apesar de tudo, ficaria inamovível a contaminar a alma. Não; justificação, segundo as Escrituras, é regeneração (cf. Jo 3,3.5; Tt 3,5), elevação à dignidade de filhos de Deus não nominais apenas, mas reais (cf. 1 Jo 3,1), de modo a nos tornarmos consortes da natureza divina (cf. 2Pd 1,4), capazes de produzir atos que imitem a santidade do Pai Celeste (cf. Mt 5,48). Se, por conseguinte, Deus, ao nos perdoar as faltas, nos concede uma nova natureza, está claro, conforme as Escrituras mesmas, que as obras boas que estejam ao alcance desta nova natureza, devem pertencer ao programa de santificação do cristão; elas se tornam condição indispensável para que alguém consiga a vida eterna. Deus não pode deixar de exigir tais obras depois de nos haver concedido o princípio capaz de as produzir.

É óbvio que essas obras boas não constituem o pagamento dado pelo homem em troca da graça de Deus, nem são algo que a criatura efetue independentemente dos méritos de Cristo Salvador, mas são os frutos necessários da ação de Deus (ou da graça) no homem regenerado, são concretizações dos méritos do Salvador; na verdade, é Cristo quem vive no cristão e neste exerce seu influxo vital, como a cabeça nos seus membros e como o tronco da videira nos seus ramos (cf. Gl 2,20; Jo 15,1s).

São Paulo, na epístola dos Romanos, tanto inculca a justificação pela fé sem as obras, porque tem em vista a primeira conversão ou a conversão do pecador a Deus (claro está que esta não pode ser o resultado de obras meritórias prévias). São Tiago, porém, que visa propriamente ao desabrochar da vida cristã após a conversão, inculca fortemente a necessidade das boas obras (por isto a epístola de Tiago muito desagradava a Lutero, que quis negar a sua canonicidade).

Quanto à concupiscência que permanece no cristão por toda a vida, ela não constitui pecado enquanto o indivíduo não lhe dá consentimento; por muito intensa que seja, a graça do Redentor é certamente capaz de triunfar sobre ela. O fato de que a Escritura a chama "pecado" (cf. Rm 7,20), explica-se por estar a concupiscência intimamente ligada ao pecado como conseqüência deste.

De resto, na vida cotidiana os protestantes valorizam altamente as boas obras; falam então linguagem muito semelhante à dos católicos.

A Bíblia e o livre exame

Visto que a S. Escritura teve origem após a pregação oral e como eco da pregação oral dos Profetas e dos Apóstolos, entende-se que a Tradição (transmissão) oral seja necessário critério de interpretação da Bíblia Sagrada. O valor da Tradição se explica pelo fato de que a Revelação oral antecedeu a redação das Escrituras nem foi, por inteiro, consignada nos livros sagrados (os autores sagrados nunca tiveram a intenção de confeccionar um manual completo dos ensinamentos revelados; ver Jo 20,30s; 21,24s); donde se vê quão alheio é ao espírito mesmo da Bíblia interpretá-la independentemente da corrente de doutrinas dentro da qual a Escritura se originou, se conservou e sempre se transmitiu.

Ao que foi dito ainda se pode acrescentar a menção de algumas conseqüências do princípio do livre exame (é pelos frutos que se conhece a árvore!).

Os próprios reformadores e seus discípulos, desejando exaltar a autoridade das Escrituras, tornaram-se deturpadores da Palavra de Deus. Foi, sim, em nome do Antigo Testamento que Lutero permitiu a bigamia a Filipe de Hessen. É em nome das Escrituras que os fundadores de seitas vão ensinando teses fantasistas e contraditórias sobre a data do fim do mundo (tenham-se em vista os Adventistas, as Testemunhas de Jeová, alguns grupos pentecostais). Em nome do livre exame da Bíblia os críticos protestantes têm rejeitado inteiras seções ou até livros escriturísticos; chegam a negar a Divindade de Cristo (o primeiro autor que negou a plena veracidade dos Evangelhos foi o protestante H. S. Reimarusf 1768).

De resto, verifica-se que as comunidades de crentes, tendo abandonado a venerável Tradição transmitida desde os inícios do Cristianismo, ainda, e apesar de tudo, seguem uma tradição,... tradição evidentemente humana, a que deu início tal ou tal fundador de seita. Criou-se em cada denominação de "reformados" uma tradição particular ou uma via própria de interpretação da Bíblia.

É a rejeição de todo magistério munido da autoridade do próprio Deus que gera instabilidade nas comunidades protestantes, ocasionando a criação de novas e novas denominações. A razão destas múltipas reformas não será o fato de que nenhuma delas é realmente guiada pelo Espírito Santo, mas todas são obra meramente humana? Aliás o próprio Lutero já verificava em seus tempos: "Há tantos credos quantas cabeças há".

Alexandre Vinet, já citado, afirmava, por sua vez, no século passado:

"Para mim, o Protestantismo é apenas um ponto de partida; a religião fica muito além dele... A reforma será uma exigência permanente dentro da Igreja; ainda hoje a reforma está por se fazer".

A experiência de 400 anos mostrou que se volta contra os próprios irmãos separados o princípio com que estes quiseram outrora impugnar os católicos: "Mais vale obedecer a Deus do que aos homens" (At 5,29).

A negação de intermediários entre Deus e o crente

Esta posição acarreta, como dizíamos, a negação de várias instituições que se tornaram clássicas no Cristianismo: os sacramentos concebidos como canais da graça, a intercessão dos Santos, o sacerdócio oficial e hierárquico, a visibilidade da Igreja, etc.

Seguem-se três observações aptas a mais evidenciar o erro radical contido no princípio protestante:

a) a rejeição dos sacramentos e do sacerdócio hierárquico contradiz à lei geral que Deus sempre quis observar nas suas relações com o homem: assim como na plenitude dos tempos o Senhor atingiu a criatura mediante o mistério da Encarnação, assim antes e depois desta Ele veio e vem sob sinais sensíveis; principalmente no Novo Testamento a dispensação das graças conserva a estrutura da Encarnação: os sacramentos e sacramentais são matéria consagrada que prolonga e desdobra a estrutura do Verbo Encarnado. Como o corpo de Jesus recebeu outrora a vida divina e a comunicou aos homens seus contemporâneos, assim os elementos corpóreos (água, pão, vinho, óleo, palavras e gestos do homem...) vêm a ser, nos sacramentos, os canais que contêm e transmitem a graça de Deus; não os poderíamos reduzir à categoria de meros estimulantes da memória, vazios de conteúdo sobrenatural, sem quebrar a harmonia do plano da salvação.

b) Nos desígnios de Deus, a santificação do homem sempre foi concebida comunitariamente, em oposição a qualquer individualismo. O Criador houve por bem, no início da história, incluir todos os homens no primeiro Adão; quis outrossim restaurar todos conjuntamente em Cristo; conseqüentemente santifica-nos hoje por meio de uma comunidade, que é a Igreja, caracterizada por sinais objetivos e por um ministério visível, fora do qual ninguém pode pretender encontrar o Cristo. - Exaltando o indivíduo a ponto de relegar para plano secundário a comunidade, o Protestantismo vem a ser autêntico produto da mentalidade subjetivista e antropocêntrica do Renascimento.

c) A Reforma pretende corresponder à Igreja primitiva, anterior à corrupção que "paganizou" o Evangelho... Esta pretensão é tão vã que os mestres protestantes se têm visto obrigados a fazer recuar constantemente o período da "grande corrupção": ao passo que os primeiros reformadores a colocavam no séc. IV, outros foram retrocedendo até os tempos de S. Cipriano (+ 258), S. Ireneu (+ cerca de 202), Clemente Romano (+ 102?) ou até a geração apostólica. O famoso crítico Harnack (+ 1930) chegava a dizer que já os Apóstolos perverteram o Evangelho de Cristo - o que é evidentemente absurdo, pois não conhecemos o Evangelho de Cristo senão através da pregação e dos escritos dos Apóstolos; Harnack, porém, era obrigado a proferir tal contra-senso, porque reconhecia claramente que a Igreja Católica atual corresponde fielmente à Igreja primitiva ou, como dizia ele, que "Cristianismo, Catolicismo e Romanismo constituem uma identidade histórica perfeita" (Theologische Literaturzeitung, 16 jan. 1909).

Fonte:

REVISTA PERGUNTE E RESPONDEREMOS nº 397/junho 1995.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/953-linhas-doutrinarias-do-protestantismo

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O Protestantismo e sua Genealogia

 

O Protestantismo é uma forma de cristianismo que tem como principais características:

1 - A justificação pela fé sem as obras;

2 - A Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o livre exame do crente;

3 - A negação de intermediários (a Igreja) entre Deus e o crente.

Vem de 1529 a origem do termo "protestante", durante a campanha da reforma luterana, quando a Dieta de Espira (conselho político do Sacro Império Romano Germânico formado para discutir assuntos religiosos) resolveu interromper o andamento das transformações religiosas até a realização de um concílio geral. Este fato provocou um protesto (escrito num documento chamado "Protestati") de seis príncipes e de catorze cidades alemães, que tinham aderido a reforma e desejavam a sua continuidade. Posteriormente, este adjetivo "protestante" passou a designar todos os cristãos reformados que se opõem a Roma. Na atualidade, os cristãos reformados tem se autodenominados "evangélicos" termo que os denominavam no princípio da reforma. A seguir examinaremos as três características básicas e comuns do Protestantismo:

 

1 - A justificação pela fé sem as obras:

"Justificatio sola fide" - Justificação só pela fé não pelas obras. Sabemos também que a fé precisa de ser testemunhada por meio de obras. A Bíblia Sagrada diz: "Fé sem obras é morta em si mesma" (Tg 2, 17; 2, 16). Dia ainda: "De que aproveitará, irmãos, alguém falar que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo?" (Tg 2, 14). Portanto, as duas coisas são necessárias: a Fé e as obras.

Para se entender este princípio é preciso ir a Lutero que foi o primeiro a formula-lo e defende-lo. Segundo Lutero, a concupiscência (desejo de bens, gozo por bens materiais e fornicação) seria impossível de ser dominada mediante a penitência e boas obras. Lutero antes de rebelar-se contra a Igreja foi frade agostiniano. Entrou para o sacerdócio mais por medo de se entregar a concupiscência do que por autêntica vocação, no entanto, mesmo após a reforma este temor manteve-se. Então, segundo ele, bastaria apenas aceitar Jesus Cristo como Salvador, isto é, crer com confiança que Deus Pai, em vista dos méritos de Jesus, não levaria em conta os pecados do indivíduo. A fé confiante (independente de boas obras) faz com que Deus nos cubra com o manto dos méritos de Cristo, declarando-nos justos, a fim de nos conceber a Salvação e a Vida Eterna.

Esta concepção não atinge o interior da natureza humana, que continua pecadora, mas apenas a justifica pela fé. Daí a afirmação de Lutero "peco intensamente, mais ainda mais intensamente creio."

O que dizer o Católico sobre isso? Na Sagrada Escritura (Rm 5,8s; Gl 3,12.22) Deus nos ensina que a remissão dos pecados é gratuitamente concedida aos homens mediante os méritos de Cristo. Contudo, a Bíblia também ensina que o perdão concedido por Deus não é apenas justificado pela fé, é, sobretudo, regeneração (Jo 3, 3.5; Tt 3,5) e a conseguinte elevação à qualidade de filhos de Deus. Nesta medida, o crente se transforma não de nome apenas (aceitação de Cristo como Salvador), mas na realidade (1Jo 3,1), de modo a nos tornarmos companheiros da natureza divina (2Pd 1,4), isto é, capazes de produzir atos que imitem a santidade do Pai celeste (Mt 5,48). Enfim se Deus nos concede uma nova natureza ao perdoar as nossas faltas, logo as boas obras também fazem parte da vida cristã e são fundamentais para se obter de Deus a graça da Vida Eterna (Tg 2,14-26).

2 - A Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o livre exame do crente;

* "Sola Scriputa" - Apenas a Escritura é fonte da fé, interpretada individualmente, o chamado livre exame, com isso, ele deixou a porta aberta para que a própria doutrina luterana se ramificasse e muitas igrejas divergissem entre si. Para nós Católicos a Bíblia é a Palavra de Deus que nos chama a fé, mas o Senhor nos fala também pela Igreja. A Palavra escrita e a palavra falada se completam. O Evangelho, antes de ser escrito, foi anunciado de viva voz pela Igreja, pois foi à Igreja que Jesus confiou a missão divina de fazer a sua salvação chegar a todos os povos, até o fim do mundo (cf. Mt 28, 16-20)

Os Reformadores, a fim de dar base a justificação pela fé e não pelas obras, sentiram a necessidade de revisionar os conceitos de fonte da Revelação cristã. Esta é a Palavra de Deus e ela é composta pela Sagrada Escritura e pela Tradição oral (apregoada pelo ministério da Igreja). Esta revisão definiu a rejeição da Tradição oral e do magistério da Igreja em nome da afirmativa: toda a Palavra de Deus está contida na Bíblia.

Os protestantes afirmam também que o indivíduo é livre para interpretar a Bíblia. O crente lê e a entende tendo a ajuda do Espírito Santo, que dá o seu testemunho interior, iluminando e dirigindo o seu coração. Esta postura subjetivista (individualista) faz com que seja negado a Igreja visível e hierárquica a função dada por Cristo de guardiã de seus ensinamentos e de sua transmissão.

O valor da Tradição oral se explica pelo fato de que a Revelação oral antecedeu a redação das Escrituras e não foi, explicitamente, toda registrada nos livros sagrados (Jo 20, 30s; Jo21,25; Hb 2,3; 2Ts 2,15). Portanto, se vê o quanto é arbitrário e insuficiente interpretar a Bíblia independente da corrente de doutrina da qual a Escritura se originou, conservou-se e sempre se transmitiu.

Porém apesar da negação das diversas correntes protestantes a Tradição transmitida desde o início do Cristianismo, do qual originou a Bíblia, não abandonaram, todavia, o sentido de tradição, pois cada corrente reformadora segue a linha estabelecida por seu fundador (Luteranismo, Lutero; Calvinismo, Calvino; Metodismo,Wesley; os Batistas, Smyth;etc), o que nega na prática a livre interpretação bíblica pelo indivíduo.  

3 - A negação de intermediários (a Igreja) entre Deus e o crente.

* "Sola gratia" - Não aceita a mediação da Igreja Hierárquica entre Deus e os Homens. Para nós, católicos, a salvação vem realmente de Deus, mas o ser humano não fica passivo, com pedra que é colhida pela pá carregadeira. A salvação é como uma corda que desce do alto, à qual o homem se agarra, ajudado pela graça de Deus. Deus que a colaboração do homem e da sua Igreja.

Como vimos o Protestantismo dá um valor decisivo a atitude do indivíduo diante de Deus; é a fé do crente (subjetiva) que lhe garante a salvação. Os canais transmissores da graça divina, os sacramentos, administrados por uma sociedade visível e hierarquicamente constituída (a Igreja) são portanto negados como fonte de salvação. Para o protestante, entre o homem pecador justificado pela fé em Deus, não há nenhum sacerdote senão o Senhor Jesus invisível que está nos Céus (cf 1Tm 3,15). Então nada além do Espírito Santo, que fala no intímo do crente, pode ser Mestre e guia da fé, não havendo a necessidade de recorrer a nenhum magistério visível e objetivo.

Existe apenas no Protestantismo, uma igreja invisível que vai tomando corpo a partir do século XVI, sem distinção entre os fiéis e uma hierarquia organizada. Fica a pergunta sempre muito difícil de ser respondida: Como é governada a igreja invisível? Sobre esta desdobra-se outra: Sem critérios muitos seguros para se estabelecer o governo da Igreja é possível manter a fé cristã unida como prega as Sagradas Escrituras? Não é difícil responder a esta última pergunta basta olharmos as milhares de ramificações existentes dentro do protestantismo na atualidade, que já no tempo de Lutero o fez dizer "Há tantos credos quantas cabeças há."

As Ramificações Protestantes

O Protestantismo não é um movimento religioso homogêneo, tendo muitas diferenças internas entre as suas igrejas e muitas das vezes estas são tão diversas entre si que se afastam em demasia da mensagem da igreja cristã primitiva. As diversas ramificações protestantes tem como causa o princípio da livre interpretação bíblica pelo indivíduo que traz consigo o germe da fragmentação e da radicalidade. Muitos movimentos reformadores movidos por sentimentos radicais destruíram igrejas e imagens bem como torturaram e mataram vários opositores; qualquer um que se opusesse as diretrizes de um dos movimentos era considerado inimigo daquela igreja. Temos como exemplo, o governo teocrático (Governar em nome de Deus) da Nova Sião estabelecido pelos reformadores anabistas que dirigiram uma forte perseguição aos adversários das suas convicções religiosas. Vê se na prática o quanto é falho a noção de livre interpretação bíblica pelo indivíduo, pois cada movimento reformador ao ganhar preponderância política sobre os demais fazia com que as suas convicções fossem sobrepostas as dos outros (é o caso dos congregacionistas ao se tornarem religião oficial do estado de Massachusetz nos Estados Unidos).

A fragmentação é um outro aspecto observado no Protestantismo. Bastava um grupo, ou até um indivíduo, segundo a sua interpretação das Sagradas Escrituras, discordar e julgar imprópria determinada prática feita pelos membros daquela comunidade religiosa, já era um forte motivo para se fundar uma nova agremiação (Refletir 2Pd 3, 15-16). Daí a dificuldade em mapear as suas ramificações e as origens de cada uma delas. Todavia é sabido que as igrejas reformadas tem como base três origens: a reforma luterana, na Alemanha; a calvinista, na Suiça; e a anglicana, na Inglaterra.

A história do protestantismo nos lembra a triste sorte que geralmente toca aos cristãos que cedem ao individualismo e ao subjetivismo em matéria religiosa: vão se afastando cada vez mais das fontes do cristianismo, a ponto de, por vezes, só guardarem o nome de cristãos. É, entre outros, o caso das Testemunhas de Jeová.

Foi precisamente para evitar cisões e rupturas devido ao individualismo, às vezes fantasioso e errôneo, que o Senhor Jesus quis instituir o primado de Pedro e de seus sucessores. A Pedro disse Jesus: "Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, orei por ti a fim de que tua fé não desfaleça... Confirma teus irmãos" (Lc 22, 31s). É o ministério de Pedro, assistido pelo Senhor Jesus e o Espírito Santo, que garante a unidade da doutrina e da moral da Igreja, conservando-as fiéis ao Evangelho original.

Por isso São Cipriano (+ 258), diante das ameaças de cisma no século III, ensinava: "Não pode possuir a vesta inconsútil de Cristo aquele que divide e dilacera a Igreja",: ou ainda, "Não pode ter Deus por Pai no céu quem não tem a Igreja por Mãe na terra". Posteriormente, dizia muito sabiamente Santo Agostinho: "Na cátedra da unidade colocou Deus a doutrina da verdade". Cientes disso, nós fiéis cristãos católicos devemos reconhecer o valor de estarmos na barca de Pedro, onde Jesus navega com os seus.

Veremos à seguir algumas igrejas protestantes e suas origens, bem como alguns aspectos doutrinais.

 

Genealogia Protestante

Alemanha

 

 

* Luteranismo ----> Anabistasx1 ------>Menonitas

 

 

Inglaterra

* Anglicanismo ------> Congregacionistas

* Anglicanismo -------> Metodismo ---> Pentescotalismo (Assembléia de Deus, Universal do Reino de Deus, Nova Vida, Evangelho Quadrangular, etc)

* Anglicanismo --------> Batistas ( x1 Influência das idéias Anabistas)  ---> Adventistas

 

Suíça, Escócia e Inglaterra (Conhecidos como Puritanos)

 

*Calvinismo  ---> Presbiterianismo ---> Testemunhas de Jeová

Os três troncos iniciais:

Os Luteranos

O fundador do Luteranismo foi Martinho Lutero. Mestre em Filosofia, entrou para a ordem dos frades agostinhos (1505), ordenou-se padre em 1507 e foi teólogo em 1513. A divulgação das suas 95 teses contra a hierarquia eclesiástica e as indulgências da Igreja, em 1517, marcam o seu rompimento contra a Santa Sé. Publicou posteriormente obras de combate a doutrina católica onde critica a submissão da igreja à autoridade romana, influenciado pelo nacionalismo germânico, e os sete sacramentos cristãos.

A doutrina luterana não admite a mediação da igreja entre o crente e Deus, por defender a livre interpretação bíblica pelo indivíduo, e discorda da necessidade de se praticar boas obras como forma de se obter a graça da salvação. Tem, portanto, a visão de que a natureza humana é completamente manchada pelo pecado e por isso não existe forma de buscar a santificação (Esta visão vem da interpretação de Lutero da Sagrada Escritura em Rm 1,17 e Gl 3,12.22 a luz dos escritos pessimistas de Santo Agostinho em relação à natureza humana). Todavia, os pecados do crente serão perdoados e justificados pela fé em Jesus como seu único Salvador, a chamada justificação (dos pecados) pela fé.

Discordam, também, do sacerdócio ministerial transmitido através do sacramento da Ordem. Todos os crentes participam de um único e universal sacerdócio derivado do batismo. Os sacramentos são reduzidos para apenas dois: O batismo e a Santa Ceia.

No Brasil as diversas igrejas luteranas reúnem-se, não de forma centralizada, em duas associações: CIL (Conselho de Igrejas Luteranas) e IECLB (Igrejas Evangélicas de Confissão Luterana do Brasil). Nutrem em Lutero, como em todas as igrejas luteranas do mundo, um respeito profundo e o chamam grande mensageiro de Deus. Todavia, afastam-se de Lutero em muitos pontos, como por exemplo na veneração a Maria como Mãe de Deus que podemos ver explicitamente em palavras do mensageiro: "Quem são todas as mulheres, servos, senhores, príncipes, reis, monarcas da Terra comparados com a Virgem Maria que, nascida de descendência real (descendente do rei Davi) é, além disso, Mãe de Deus, a mulher mais sublime da Terra? Ela é, na cristandade inteira, o mais nobre tesouro depois de Cristo, a quem nunca poderemos exaltar bastante (nunca poderemos exaltar o suficiente), a mais nobre imperatriz e rainha, exaltada e bendita acima de toda a nobreza, com sabedoria e santidade."

Alguns anos atrás surgia em muitas igrejas luteranas, principalmente na Alemanha, um movimento, liderado por leigos e até pastores, de revisão de alguns dogmas desta igreja em vista aos milagres acontecidos em Lourdes e Fátima. Esta revisão prega o resgate do culto a Virgem que segundo eles ao ser sufocado, no coração dos evangélicos, foram destruídos os sentimentos mais delicados da piedade cristã. Este movimento pode ser visto como um álibi para uma maior aproximação (já existe um bom diálogo) entre católicos e luteranos.

 

Os Calvinistas ou Presbiterianos

O Fundador do Calvinismo ou Presbiterianismo foi João Calvino. Em 1527/8, embora educado na fé católica, passou para as idéias reformadoras que percorriam Europa desde o brado de Lutero em 1517. Emigrou para Genebra e depois para Basiléia, ambas cidades suiças, onde escreveu várias obras de profundas críticas a doutrina católica. A teologia de Calvino, embora semelhante à de Lutero, dá ênfase na magestade divina, engrandece demasiamente o poder de Deus, a ponto de dizer que há duas predestinações: uma para a salvação e a outra para a condenação eterna. Deus, segundo Calvino proíbe o pecado a todos, mas na verdade quer que alguns pequem, porque devem ser condenados. Ele, apesar desta doutrina ser espantadora, sabia atrair discípulos, pois afirmava que todo aquele que crê realmente na justificação por Cristo, pertence ao grupo dos predestinados, tendo a salvação garantida. Esta concepção difere dos demais cristãos que adotam a remissão dos nossos pecados por Jesus na cruz.

Ao organizar a igreja em Genebra, Calvino colocou o governo desta nas mãos de um conselho misto formado por leigos e pregadores (pastores) chamado de presbitério que tinha ainda como função zelar pela disciplina, à semelhança da inquisição medieval. Este conselho visitava casas, servia-se de denúncias e espionagem paga; os réus gravemente culpados, se persistissem no erro, eram entregues a um tribunal, onde poderiam ser torturados e até condenados a morte.

Os Calvinistas se propagaram pela França, Inglaterra, Escócia e Holanda. Com o desenvolvimento das grandes navegações partiram também para os Estados Unidos.

 

Os Anglicanos ou Episcopais

O fundador da igreja Anglicana (chamada também de Episcopal) foi o rei inglês Henrique VIII. Este recebeu do Papa Leão X o título de "Defensor da Fé" pela sua obra "Afirmação dos Sete Sacramentos" em resposta a obra de Lutero chamada "O Cativero Babilônico". Todavia, em resposta à recusa da anulação de seu casamento feita pelo Papa (posteriormente Henrique VIII casou-se e descasou-se sete vezes), o Rei instigou, em fevereiro de 1531, a assembléia do clero a proclama-lo "Chefe Supremo da Igreja na Inglaterra" o que na prática rompia a relação e a subordinação eclesiástica com a Santa Sé. Em 1532, o rei elevou à categoria de arcebispo de Cantuária (cargo mais alto da hierarquia anglicana) Thomas Cranmer que, numa viagem a Alemanha, tinha entrado em contato com o luteranismo.

A partir daí, a Igreja Anglicana afastou-se em muitos aspectos da doutrina católica, sendo muito influenciada por idéias calvinistas e luteranas. Consequentemente, muitos mosteiros foram fechados, relíquias e imagens foram destruídas. Apesar de guardar alguns aspectos da doutrina católica como os sete sacramentos e a hierarquia episcopal, nega a comunhão dos santos e a veneração à Virgem Maria. Não obstante, a hierarquia episcopal anglicana não é reconhecida pelo Vaticano, uma vez que foi reconstituída por Elisabeth I no ano de 1559, após ter sido praticamente extinta pelo rei anterior, quando nomeou um capelão dela a categoria de arcebispo de Cantuária, segundo um ritual novo chamado "Ordinal", confeccionado no reinado de Eduardo VI.

Hoje em dia, o reatamento entre a Santa Sé e a hierarquia anglicana é ainda mais dificultado pela ordenação de mulheres ao presbiterato e até para o episcopado. Este fato tem aberto distância crescente entre os anglicanos e os católicos ( acompanhados pelos ortodoxos orientais, muito fiéis à Tradição). Porém, no século passado registrou-se na Inglaterra o chamado movimento de Oxford, chefiado por teólogos anglicanos (entre os quais John Newman, depois convertido ao catolicismo e feito cardeal) que propunha um estudo à literatura teológica dos primeiros séculos do cristianismo ou os Padres da Igreja; mediante esse retorno a fonte, verificaram que a Igreja Católica havia guardado puramente a mensagem de Cristo e das primeiras gerações cristãs. A continuidade desse estudo é muito importante, pois pode preparar o reatamento da comunhão entre o anglicanismo e o catolicismo.

Os Congregacionalistas

Os congregacionalistas surgiram de um grupo de cristãos radicais que desejavam ir mais adiante com a reforma anglicana, segundo eles ainda muito católica. Os cristãos radicais, muitos eram pastores anglicanos, criticavam a hierarquia episcopal e a liturgia tradicional (mantidas na igreja anglicana). Ambas deviam ser abolidas em nome da "purificação" do credo e das práticas da igreja, daí serem conhecidos como puritanos. Um destes cristãos chamava-se Browne e em 1580 pregou e realizou a separação de um grupo radical da igreja Anglicana oficial na Inglaterra. Este grupo declarou-se isento de qualquer imposição doutrinária ou disciplinar; deveriam ser considerados todos iguais entre si e livres na interpretação da Bíblia.

Estas teses por serem muito individualistas trouxeram ao grupo o germe da desagregação. Com efeito dois anos depois de ser fundado, tal grupo se dividiu por motivos de dissensões internas. As teses de Browne foram reassumidas por John Greenwood, Henry Barrow e Francis Jonhson, que em 1592 fundaram uma comunidade de independentes congregacionalistas, porque afirmavam que a igreja consta de grupos (congregações) de cristãos santos sob direção própria e independentes de qualquer controle. Portanto cada igreja seria governada por sua congregação sem nenhum vínculo entre si.

Como se vê, a falta de uma autoridade central e o elevado grau de independência entre as congregações, as expuseram a cisões, assim como às incursões do racionalismo que levaram a negação de alguns dogmas, como a negação da Santíssima Trindade. Temos como exemplo a cisão de 1833 que separou os congregacionalistas unitários (contrários a Trindade) dos ortodoxos trinitários (favoráveis a ela).

 

Os Metodistas

O Fundador do Metodismo é John Wesley. Este participava juntamente com o seu irmão Charles de uma "comunhão" semanalmente na Universidade de Oxford, no qual praticavam o jejum, a santidade e a caridade. Devido a regularidade da sua vidas ambos eram chamados de metodistas, designação esta que conservaram. Em 1738, Wesley, após julgar ter recebido o testemunho de que conseguiria a salvação, começou a pregar e a formar pequenas comunidades em Londres e Bristol. Em 1739, passaram a pregar em casas particulares e praças públicas e não mais em templos, por não terem sido reconhecidos pela religião anglicana (oficial na Inglaterra). Posteriormente, Wesley deu a nova comunhão constituição eclesiástica própria e ele mesmo impôs as mãos e nomeou um dos seus ministros "bispo metodista". Portanto é assim que o metodismo tem os seus "bispos" no sentido impróprio da palavra, pois lhes falta o essencial, ou seja, a sucessão apostólica.

A atenção dada ao Espírito Santo e à santificação pessoal, sentida pela experiência da ação do Espirito Santo no íntimo do crente (subjetivismo), prepara o surto dos grupos pentescostais no século XX, que começaram com o desejo de Holiness (Santidade) nos Estados Unidos.

 

Os Batistas

Os batistas têm por fundador o inglês John Smyth (+1617). Foi, primeiramente, pastor anglicano. Movido pelo espirito reacionário que agitava não poucos cristãos de sua pátria, queria uma reforma ainda mais radical do que a anglicana; em particular, não se conformava com a organização hierárquica (episcopal) e a liturgia dos anglicanos, que ele julgava supérfluas. Foi influenciado pelas idéias anabistas ( não reconhecimento da tradição cristã de batismo em crianças, presente na igreja primitiva e também na católica) e pregava assim o rebatismo em todo o crente batizado quando criança. Por isso formou, em Gainsborough, uma pequena comunidade dissidente do anglicanismo no ano de 1604; foi, porém, obrigado a se exilar com os seus companheiros, indo ter a Amsterdam (Holanda), onde o calvinismo predominava. Na verdade, afastam-se da tradição bíblica e cristã pois lemos que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram batizar "com toda a sua casa"; assim o centurião romano Cornélio (At 10, ls.24.44.47s), a negociante Lídia de Filipos (At 16,14s), o carcereiro de Filipos (At 16,31-33), Crispo de Corinto (At 18,8) e a família de Estéfanas (1 Cor 1,16). A expressão "casa" (oikos, em grego) designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças.

Cada comunidade batista é independente de qualquer autoridade visível, seja eclesiástica, seja civil; é regida diretamente "por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo", que agem na assembléia. Esta tem todo poder de eleger os seus pastores e diáconos e substituí-los, não havendo, portanto, hierarquia nem jurisdição eclesiástica.

Em sua teologia, os batistas seguem teses calvinistas. Assim, por exemplo, ensinam que Deus predestina os homens, diretamente não só para a glória, mas também para a condenação eterna. Afirmam também que a justificação ou a graça é obtida mediante a fé apenas e esta encobre os pecados.

Professam os "sacramentos" do batismo e da Santa Ceia, todavia estes não são meios comunicadores da graça (que vem somente pela fé), mas servem apenas para fortalecer aqueles que os praticam com fé. Logo, divergem da Tradição cristã primitiva (seguida pelo catolicismo) no qual o sacramento é um canal da graça que realiza seu efeito ou comunica a graça mesmo a uma criancinha antes do uso da razão

Hoje em dia se contam mais de 20 ramos batistas, que em 1905 se uniram de maneira um tanto vaga na Liga Mundial Batista; são, entre outros, os batistas calvinistas, os batistas congregacionalistas, os batistas primitivos, os batistas do livre pensamento, os batistas dos seis princípios (porque aceitam como único fundamento da fé e da vida cristã os seis pontos mencionados em Hb 6,1s: arrependimento, fé, batismo, im-posição das mãos, ressurreição dos mortos, juízo eterno), os batistas tunkers, os batistas campbellitas, os batizantes a si mesmos, os batistas abertos, os batistas fechados, os batistas do sétimo dia (observantes do sábado e não do domingo), etc.

 

Os Adventistas

O fundador da denominação adventista (termo que quer dizer vinda) é William Miller camponês nascido de pais piedosos batistas. Em 1816 de acordo com a sua interpretação de uma passagem bíblica (Dn 8,5-11), Miller chegou a conclusão que a segunda vinda de Jesus se daria em 1843. Erroneamente interpretou os 2300 dias mencionados na passagem como se fosse anos. Quando a comunidade batista o excomungou, em 1843, Miller tinha realizado várias assembléias nos campos, com a participação de milhares de ouvintes. O ano passou e nada aconteceu e Miller refez o cálculo para 1844. Esta nova previsão falhou e é desta época a origem do termo adventista. Na verdade, as previsões são contrárias ao evangelho que no diz: "Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai" (Mt 24, 36).

Como as suas previsões falharam, os adventistas justificaram o seu erro dizendo que Jesus estava a examinar os homens defuntos, aprovando ou reprovando cada um deles. Quando esta obra gigantesca acabasse, os vivos passariam pelo mesmo jugalmento, e o fim estaria próximo. Nota-se aqui a idéia do homem como ser mortal e a morte física como um estado de repouso (inconsciência) das almas. Isto é uma interpretação judaica do Antigo Testamento que defendia a tese do "cheol" ou região subterrânea onde, após a morte, as almas dos bons e dos maus adormeceriam (Sl 87,11-13; Is 38,18s...). O Novo Testamento, ao declarar a superioridade da nova aliança, ensina que logo após a morte o homem entra na sua sorte definitiva; os bons verão a Deus face a face (Fl 1,21-23; 2Cor 5,6-10; 1Jo 3,1-3...).

Atualmente, devidos a cisões comuns a todos os protestantes, os Adventistas se dividem em: adventistas evangélicos, a Igreja de Deus, adventistas do sétimo dia (defendem os Sábados como dia santo e não os Domingos, como tradicionalmente fazem os demais cristãos por ser o dia da ressurreição de Jesus) a União da Vida e do Advento, adventista da era vindoura...

 

Os Pentecostais

O movimento pentecostal tem a sua origem nos Estados Unidos no final do século XIX e início do século XX. Surgiu dentro do metodismo como um novo movimento de renovação dito "Holiness" (Santidade). Esse movimento ensinava que depois da conversão (necessária para a salvação) o cristão deveria passar por uma "segunda benção" ou uma nova e mais profunda experiência religiosa, que era chamada de "batismo no Espírito Santo".

Em 1900 um grupo de metodistas que tinham aderido ao "Holiness", após interpretarem passagens da Bíblia (At 2,1-12; 10, 44-48; 19, 17), chegaram a conclusão que o sinal característico do batismo em línguas é o dom das línguas (Glossolalia). Posteriormente o grupo buscaram os outros dons do Espírito Santo, entre os quais a cura de doenças pela imposição das mãos.

Todavia, como em todo o protestantismo, estes grupos se dividiram e acabaram por formar novas comunidades religiosas. Não é a toa que o pentecostalismo é o ramo do protestantismo que possui o maior numero de grupo e seitas completamente independentes entre si, estão hoje divididos em milhares de agremiações, e isto é contrário a união entre os cristãos pregada pelo Evangelho. Não tem sacramentos, pois, como os batistas, estes não são meios comunicadores da graça (que vem somente pela fé), mas servem apenas para fortalecer aqueles que os praticam com fé.

No Brasil os pentecostais se subdividem em vários seitas. Veremos, abaixo, bem rapidamente as duas seitas pentecostais de maior número e que mas crescem no Brasil.

Assembléia de Deus:. Esta seita tem a sua origem numa assembléia geral de pastores de várias agremiações que se uniram e formaram em 1914 na cidade de Hot Springs (EUA) a Assembléia de Deus. No Brasil, o movimento pentecostal que deu origem a Assembléia de Deus foi o primeiro a chegar (no 1910, em Belém) por intermédio de dois jovens suecos. Este movimento, como todo pentecostal, caracteriza-se por ter uma mentalidade pouco crítica e também pela interpretação da Bíblia ao "pé da letra".

Universal do Reino de Deus: Esta seita foi fundada no Brasil em 1977 por Edir Macedo Bezerra. Quatro anos mais tarde ele e o seu cunhado Romildo Soares se outorgaram "bispos". Em 1991, segundo a entrevista concebida pelo seu cunhado, após ter rompido com Edir Macedo, o fundador da seita teria dito que "este negocio de bispo serve apenas como título para envolver os católicos". O grande interesse de sua doutrina não é o louvor a Deus e a sua adoração. Mas é o serviço do homem, numa espécie de pronto socorro. Concomitantemente, o culto a Deus torna-se secundário, afastando-se do principio básico da religião que é de ser teocêntrica (Glorificar à Deus) e não antropocêntrica (satisfazer os desejos do homem).

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/1310-o-protestantismo-e-sua-genealogia

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O falacioso Protestantismo

 

"Quanto a mim, não acreditaria no Evangelho se não me movesse a isso a autoridade da Igreja católica". Santo Agostinho

O protestantismo vive num círculo vicioso. Vejamos, se hoje os Pais da Reforma ressuscitassem milagrosamente cairiam para trás ao ver a situação das igrejas por eles criadas e, muito provavelmente, seriam chamados de idólatras e pagãos por seus irmãos e filhos. Na verdade não precisamos ir tão longe na imaginação; comparem uma igreja metodista, anglicana, calvinista, luterana dos EUA, da Europa e do Brasil! Os metodistas ingleses e americanos usam imagens – ou ao menos usá-las não é motivo de discussão -, fazem igrejas em estilos góticos, gostam de cantos sacros e apreciam a piedosa devoção. Anglicanos invocam os santos, usam turibulo, seus líderes se paramentam como os Sacerdotes e Bispos católicos, constroem igrejas extremamente belas, usam velas, incensos etc. Já a Catedral Calvinista de Genebra honra a São Pedro, era lá onde Calvino pregava, fica ao lado do Museu da Reforma, quase um Vaticano protestante. Os luteranos do hemisfério norte também seguem diversas tradições católicas que eram respeitadas até mesmo pelos reformadores, se assemelham aos anglicanos quanto a isso. Eu apenas abordei pontos externos, se fosse fazer uma análise teológica as diferenças entre as denominações seriam gritantes. Os Pais da Reforma eram homens, em sua maioria, doutos e cultos, tinham acesso a obras de grande peso na cristandade, dominavam línguas, tinham uma cultura destacada; Lutero era um teólogo com relevo no cenário alemão, Calvino tinha uma formação clássica, Wesley, que apareceu séculos mais tarde, se educou na prestigiosa Universidade de Oxford. A questão que aparece é a seguinte, se esses homens estavam errados na sua hermenêutica bíblica, na compreensão do tal cristianismo primitivo, por que raios um pastor qualquer em pleno mundo moderno se colocaria como o descobridor da verdade cristã? Qual a autoridade que ele usa? Os Pais da Reforma se diziam inspirados pelo Espírito Santo, iluminados por Deus, o mesmo Espírito Santo e o mesmo Deus que "inspira" e "ilumina" os homens que hoje fazem interpretações e chegam a conclusões diferentes das obtidas pelos Luteros e Calvinos da vida - conclusões essas que na época da reforma já não eram nada parecidas!  E, muito provavelmente, esses mesmos pastores serão refutados no futuro por outros irmãos seus que enxergaram diferentes verdades na Sagrada Escritura. O mais irônico de tudo isso é que uma das bases fundamentais usadas por eles para endossar essas novas compreensões a respeito do cristianismo e da Bíblia são conhecimentos científicos, ou seja, um respaldo extra-bíblico que influencia no estudo e na hermenêutica dos textos da Sagrada Escritura. Onde foi parar a Sola Scriptura?

Os protestantes consideram a Bíblia auto-sustentável, ou seja, a chave da correta hermenêutica se encontra na própria Escritura. Pois bem, isso deveria confirmar que a hermenêutica bíblica, seja lá de qual tempo, é contínua e inerrante, já que interpreta um Livro eterno e também inerrante, mas não é isso que enxergamos dentro do protestantismo. Existe uma diversidade de análises, uma grande confusão na exegese, na forma de compreender a formação do texto, uma miscelânea de doutrinas oriundas de interpretações bem distintas. Se a Bíblia é auto-sustentável as descobertas históricas e arqueológicas, usadas pelos protestantes atuais como base para um novo olhar – como a defesa do tal cristianismo primitivo -, não se mantém, afinal a ortodoxa hermenêutica independe de fatores externos, se encontra na própria Escritura (Sola Scriptura). Com isso pouco importa se os Pais da Reforma viviam no séc. XVI e hoje vivemos no séc. XXI. Se a Bíblia é de inspiração divina, um Livro Sobrenatural, sua mensagem é para sempre, sua correta interpretação é a mesma ao longo dos séculos, afinal o que muda não é eterno, e o que não é eterno não é divino. Ou seja, um livro escrito por Deus só pode ser compreendido com a assistência de Deus, a ciência humana não seria capaz de entender a riqueza contida nas suas linhas. Ora, sem essa inspiração interpretar a Bíblia é quase como um jogo de sorte. Aí entra um ponto crucial; como conciliar, dentro do protestantismo, diversas interpretações de um único texto? Se a Escritura é divina ela não erra nem se contradiz – ou se descansa no sábado ou no domingo, ou se batiza crianças ou não, ou se usa imagens ou as considera idolatria, ou acredita nos santos ou acha que são deuses pagãos etc etc etc. Não pode haver uma diversidade hermenêutica para uma mesma frase contida no texto bíblico!

Percebam que no protestantismo não há uma continuidade na vivência da mensagem cristã interpretada pelos seus pastores, bispos, reverendos, missionários, apostólos e "bispas", a todo o momento há ruptura e o surgimento de novas óticas, óticas essas que, como já foi dito, lançam mão de conteúdos extra-bíblicos, colocando de lado um dos pontos essenciais da Reforma Protestante; Somente a Escritura.

Talvez a saída mais natural do protestantismo tenha sido o desenvolvimento de doutrinas liberais, que depois deram origem ao modernismo. Considerar a Escritura um livro Sobrenatural pede, da mesma forma, uma interpretação sobrenatural, ou seja, uma interpretação inspirada. Como haver inspiração quando pululam o número de hermenêuticas tão diferentes e contraditórias? Esse foi o motivo que ajudou, entre alguns outros, na consolidação da corrente liberal dentro do pensamento reformado; se baseiam num arcabouço histórico, arqueológico, literário e filológico para compreender o texto bíblico, execrando tudo que seja contrário ao entendimento da razão humana. De uma maneira ou de outra esse método cria uma hermenêutica mais homogênea, já que acaba com a argumentação de inspiração divina; a medida é a ciência, se passou dela não serve. Entretanto dois problemas surgem; a destruição da origem Divina do texto – ele fica preso aos conhecimentos humanos – e a oposição a Sola Scriptura – na verdade não é lá da preocupação desses protestantes a fidelidade a nada. Ademais, a ciência nessa caso ocupa o espaço que todas as igrejas de origem apostólica dão ao que se chama Tradição, de origem divina e em plena sintonia com a Revelação contida na Escritura.

Um dos fundamentos básicos, quiçá o maior, que distancia o protestantismo da verdadeira religião é a não-aceitação da Sagrada Tradição. Os "reformados" acreditam que a Sagrada Escritura é a única regra da fé, não sendo necessária nenhum outra para viver de forma plena os ensinamentos cristãos, conhecer todo o legado deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo. Antes de algum Evangelista pensar em escrever, sob a inspiração do Espírito Santo, os Apóstolos já pregavam e difundiam a Boa Nova. Foram necessárias décadas, depois do Pentecostes, para se iniciar a redação dos livros do Novo Testamento! Como havia comunidades cristãs num período onde não havia a Bíblia? Simples, por meio da pregação oral que trazia consigo a Tradição cristã. Como disse David Goldstein, judeu convertido ao catolicismo "S. Pedro converteu 3000 judeus; o Concílio de Jerusalém foi reunido e a lei judaica foi ab-rogada, antes que uma única linha do Novo Testamento fosse escrita. Antes que S. João escrevesse seu Evangelho, a Igreja católica celebrou seu jubileu de ouro; e S. Paulo poderia dizer que a fé de Cristo tinha sido proclamada por toda parte no mundo"

A primeira referência ao cânon bíblico, como o temos hoje, foi em 367 d.C, numa epístola de Santo Atanásio de Alexandria; santo que escreveu o credo que leva seu nome - credo atanasiano - reconhecido até mesmo por Lutero como grande autoridade doutrinal e incluído pela Igreja Anglicana no 'Livro de Oração Comum'. Até o séc. IV não havia a mínima concordância de quais seriam os Livros inspirados. Os verdadeiros Evangelhos dividiam espaço com textos gnósticos e heréticos. Além disso raras eram as comunidades que tinham acesso a esses documentos. Todos se confirmavam na fé por meio da adesão oral, conheciam a doutrina cristã através dos ensinamentos proferidos pelos Apóstolos e seus sucessores. Quais os livros eram legitimamente cristãos? Dependiam de onde estivessem. As localidades divergiam na definição das escrituras, algumas acreditavam em livros que depois foram vistos como apócrifos, outras sequer tinham textos dos livros hoje considerados canônicos. Quem duvidaria da apostolicidade e inspiração divina do Pastor de Hermas, Epístola de Barnabé e da Didaché? A leitura desses livros, e de vários outros não-canônicos, era muito comum nas assembléias e nas pregações.

Ora, como então se definiu, se atestou, quais livros eram, de fato, inspirados? Foi uma autoridade externa e extra-bíblica. A lista definitiva dos livros canônicos apareceu no Concílio de Roma (382) e, posteriormente, confirmada nos Concílios de Hipona (393) e Cartago (397). A Sagrada Escritura não veio com um índice, nem o surgimento do seu cânon foi um ato de milagre divino. Os Padres conciliares apenas lançaram mão da Tradição apostólica, aquela que já confirmava os cristãos na fé, a usando como a medida para que assim pudessem endossar a inspiração dos escritos, ao mesmo tempo em que rechaçavam aqueles livros que contradiziam os ensinamentos orais. O próprio Lutero confirmou: "Somos obrigados a reconhecer muitas coisas aos católicos - (como por exemplo), que eles possuem a Palavra de Deus, que nós recebemos deles; de outro modo, não saberíamos nada sobre ela." [1] Nosso Senhor nos ensinou "Ide, e pregai o Evangelho a toda criatura" (cf. Mt 28,19-20) e não "Ide e difundi as Escrituras".

Prof. Alessandro Lima, no seu livro Cânon Bíblico, falou que a "atribuição de autoridade divina a um livro, isto é, a definição de sua canonicidade sempre dependeu da autoridade  de algo que é exterior ao livro: a Tradição que lhe deu origem (e que portanto lhe é anterior) e o Magistério legitimamente estabelecido por Deus, reconhecido como seu legítimo guardião e difusor." [2] De fato, o que os protestantes esquecem é que a Sagrada Escritura não fez o cristianismo, foi a Igreja, inspirada pelo Espírito Santo, que criou a Sagrada Escritura. Assim como os israelitas escreviam os textos sagrados quando já viviam a fé monoteísta, os cristãos escreveram os Evangelhos quando já eram crentes. Corinto e Tessalônica já eram cristãs quando São Paulo escreveu suas cartas, Teófilo já professava a fé em Nosso Senhor quando São Lucas o endereçou o Evangelho. A equação feita pelos protestantes é contrária; não foi a Bíblia que criou o cristianismo – afinal quando ainda não havia Escritura já havia fé cristã – mas foi o cristianismo, iluminado com as bençãos do Senhor, que escreveu a Bíblia. A Bíblia não caiu do céu; os livros do Novo Testamento foram escolhidos num Concílio da Igreja Católica, poder magisterial, composto por Padres que acreditavam na Tradição. Os protestantes aceitam esse cânon do Novo Testamento e seguem o cânon do Antigo Testamento definido por um sínodo de fariseus depois da morte de Cristo.

Existem dois grandes intervalos nos primórdios do cristianismo que devem ser levados em conta:

1 – Da ascensão de Cristo aos Céus até o fim da redação da Escritura

2 – Do fim da redação da Escritura até a estruturação do cânon bíblico

No primeiro momento transcorreram 65 anos para que o último livro da Bíblia fosse acabado em meados do ano 100 d.C. Cristo morreu e ressuscitou por volta do ano 30, já os livros do Novo Testamento foram escritos bem depois; o Evangelho de São Marcos no ano 64; o Evangelho de São Lucas e de São Mateus entre os anos 65 e 80; as cartas de São Paulo entre os anos 51 e 67; o Apocalipse entre os anos 70 e 95. Como os cristãos teriam se mantido até lá? Ademais, mesmo que houvesse Evangelho seria humanante impossível, dentro da realidade tecnológica da época, fazer com que todas as comunidades cristãs – que já existiam mesmo sem Bíblia – tivessem acesso aos textos. O que manteve a fé desse povo senão a Tradição oral?

A outra lacuna ainda é maior. Se trata de uma período de séculos onde textos inspirados dividiam espaço com outros que eram produtos da gnose e da heresia. Até mesmo pensadores do quilate de Santo Atanásio (297-373), São Jerônimo (342-420) e Santo Agostinho (354-430) se fiavam em listas de canonicidade que partiam das crenças especificas de suas localidades – claro que até a definição magisterial. Ou seja, houve uma confusão instaurada na Igreja primordial a respeito da inspiração dos textos. Se a Sagrada Escritura se mantém por si mesma por que a disputa, por que a definição do cânon não ocorreu logo no início, desde que o último texto inspirado foi escrito? Simples, a Sagrada Escritura não era auto-autenticável! Não havia nada nela que sancionasse quais os livros que eram inspirados ou não. Nem mesmo havia assinatura nos Evangelhos. Por exemplo, como saber que foi São Mateus quem escreveu o seu Evangelho? Para nós católicos a Tradição sempre nos informou dessa verdade, por isso sempre acreditamos. Protestantes não só rejeitam a Tradição como acreditam na Sola Scriptura. Ora, apenas a Tradição ou o estudo bíblico-histórico poderiam afirmar que Mateus foi o redator do Evangelho que leva seu nome. As duas formas tratam de conclusões extra-bíblicas e, logicamente, se opõe a doutrina da Sola Scriptura.

O fato é que, na ausência da Tradição e do Magistério, simplesmente não há limites para a imaginação no que concerne à interpretação da Bíblia. Se não existe nenhuma autoridade, para além do indivíduo, que estabeleça qual o verdadeiro sentido e qual a verdadeira interpretação da Escritura Sagrada, então é instaurado o "vale tudo". Em outras palavras, a teologia liberal (da qual o maior expoente foi o alemão Rudolf Bultmann) é uma conseqüência natural do Sola Scriptura. A pessoa, diante do texto bíblico, na prática se sente à vontade para seguir a interpretação que mais lhe aprouver. E quando perguntamos, por exemplo, a um calvinista "por que é assim e não assado, como ensinam os luteranos?", ficamos sem resposta... Mas nós podemos dizer, como S. Agostinho diria: "É assim porque a Igreja Católica, com a autoridade que recebeu de Seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, nos ensina que é assim!". Não é a minha interpretação, nem a de fulano, nem a de beltrano que importa. É a interpretação da Igreja!

Como foi dito no começo do texto, a Sola Scriptura descamba para a teologia liberal, afinal a diversidade de interpretações e compreensões do texto bíblico é incompatível com o caráter inerrante e eterno da própria Escritura. Ora, o relevo que hoje os protestantes dão a ciência é o resultado da incapacidade de estipular uma hermenêutica comum. E por que? Simplesmente a Sagrada Escritura não se sustenta sozinha, a Tradição é essencial para o conhecimento pleno da revelação cristã e para a compreensão dos verdadeiros e perenes ensinos contidos no texto sagrado. O Magistério, por sua vez, tem a incumbência de, sustentado na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição, indicar a única e infalível interpretação da Bíblia. Sem a Tradição a Escritura fica confusa e sem o Magistério seu entendimento é impossível. O protestantismo acreditou na Sola Scriptura como forma de renegar a Tradição, colocaram no lugar desses valiosos e preciosos ensinamentos de Cristo o entendimento humano, com isso carrega em seu âmago um princípio genuinamente subjetivo e individual, desde já fadado ao erro e a confusão. A teologia liberal, se sustentando na ciência e renegando a sobrenaturalidade da Bíblia, apenas surge por ser fruto da Sola Scriptura! Com isso concluímos que o protestantismo, desde as suas origens, fincou as bases do relativismo hermenêutico, relativismo esse que é incompatível com um Livro de caráter Divino e, conseqüentemente, eterno e imutável; o triunfo da interpretação individual, no pensamento reformado, se opõe drasticamente a perenidade da mensagem cristã. O que cremos hoje é o que foi crido ontem e é o que será crido amanhã! No protestantismo o que é crido hoje é diferente do que foi crido ontem e é diferente do que será crido amanhã – além, é claro, das diversas formas de se entender o que crê e no que se crê.

Qual é o verdadeiro protestantismo vindo da verdadeira hermenêutica bíblica? O protestantismo que usa imagens ou o que as considera idolatria? O protestantismo que venera os santos ou o que acha que são deuses pagãos? O protestantismo que celebra a Ceia - mesmo que simbólica - ou o que acredita que não passa de invenção romana? O protestantismo que valoriza algumas tradições ou aquele que diz vivenciar o tal cristianismo primitivo? São muitos protestantismos originados de um mesmo Livro, um Livro eterno e inerrante que não pode ser interpretado, em hipótese alguma, de diversas maneiras. A Verdade é única, se é contraditória não é Verdade, e se não é Verdade não é Deus!

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/773-o-falacioso-protestantismo

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20 razões pelas quais não sou protestante (Refutação da refutação)

 

1- Não sou protestante porque o protestantismo não existe desde o princípio do Cristianismo. Surgiu 1500 anos depois da era Apostólica. Suas igrejas são locais, regionais ou nacionais, não existindo uma Igreja Universal.

R - Mas o Cristianismo existe e é dele que fazemos parte. O Cristianismo é Universal. O católico Martinho Lutero, um dos expoentes da Fé Reformada, teve a coragem de protestar contra a venda de indulgências, um comércio que estava denegrindo o Cristianismo. A partir daí, o Cristianismo, sob a graça de Deus, seguiu seu caminho livre das heresias.
A ruptura foi necessária num momento em que o catolicismo pretendia se estender por todo o mundo, sempre com a ameaça de colocar na fogueira seus opositores. Então o Cristianismo seguiu seu caminho com a verdade bíblica, tendo unicamente Jesus como Senhor, Mediador, Advogado e Intercessor, conforme as Escrituras.


Repare que, nesta refutação, os pastores não encaram o problema principal (aliás, esta é uma constante nestas refutações que eles resolveram fazer). Eles não enfrentam o fato de que, nos primeiros 1500 anos do cristianismo, simplesmente não haviam protestantes. Não havia "sola scriptura" (e nem poderia, visto que as cópias manuais da Bíblia eram extremamente raras). Chega a ser engraçada a afirmação implícita de que Deus fez surgir o protestantismo (com Lutero à frente) porque a Igreja ameaçava dominar o mundo. A Igreja sempre foi universal e já se havia espalhado por todo o mundo conhecido.

Gostaria de chamar a atenção para a frase "a partir daí, o Cristianismo seguiu seu caminho livre das heresias". Ou seja, para esta tríade protestante, antes disto, o que existia era uma heresia. A promessa do Senhor de que as portas do Inferno não prevaleceriam contra a Igreja (cf. Mt 16,18-19) não passou, para eles, de uma fábula.


2 - Não sou protestante porque apesar da afirmação de que somente a Bíblia deve ser considerada como norma de fé e prática, eles não concordam entre si no tocante a pontos importantes, entrando assim, em contradições. São mais de 20.000 mil denominações diferentes. Cada uma pregando uma suposta verdade.

 

R - Ser a Bíblia a norma de fé e prática do cristão não é uma afirmação dos crentes; é uma declaração da própria Palavra de Deus (Rm 10.17; 2 Tm 2.15; 3.16-17 ;4.2). Há muitas denominações registradas em cartório, mas existe unidade na fé em Cristo Jesus. Desprezamos dogmas criados por homens. Não comemos pelas mãos dos outros. Cada crente examina as Escrituras, e debate, e troca opiniões, assim como faziam os primeiros cristãos.

Isto é absolutamente falso. A Bíblia jamais afirma ser a única norma de fé. E nem poderia ser, visto que a primeira geração de cristãos passou sem que qualquer livro do Novo Testamento tivesse sido escrito. Quase todos os apóstolos já haviam morrido antes que se escrevessem Hebreus, as Epístolas Joaninas, o Apocalipse e, segundo alguns exegetas, a Segunda Epístola de Pedro. Até o final quarto século, não havia definido o cânon bíblico. Os protestantes não se dão conta de que, se a "sola scriptura" fosse verdadeira, os primeiros cristãos (justamente aqueles que mais heroicamente deram a vida em testemunha de Cristo) não seriam cristãos legítimos, visto que não possuíam uma bíblia para examinar, debater e trocar opiniões (como os eles supõem que faziam...)

Veja-se que a "sola scriptura" não pode ser um ponto de fé genuinamente cristão pelo simples fato de que até o Concílio de Hipona (393 d. C.) ainda não havia uma "scriptura" para que os cristãos baseassem sua fé "sola" na mesma. Aliás, até a invenção da imprensa, os cristãos achariam ridícula a afirmação de que a Bíblia é a única norma de fé por dois motivos:

a) Havia pouquíssimas Bíblias, visto que a cópia era manual e muito demorada;

b) A quase totalidade dos cristãos era analfabeta, pelo que aos mesmos (que não podiam ler a Bíblia e dela retirar sua fé) só restava confiar naquilo que a única igreja de então ensinava.

Ou seja, o "sola scriptura" pode ser até tentador no dia de hoje, quando é fácil obter uma Bíblia e quando a maioria dos cristãos a podem ler (embora poucos tenham capacidade de a entender). Mas até algumas décadas antes de Lutero, isto teria sido considerado absurdo por todo o povo de Deus.

Para finalizar, se o que conta é a "uniformidade na fé em Cristo Jesus", não há porque se separar da Igreja Católica, visto que "fé em Cristo Jesus" nós também temos...

Vejam: "Estes foram mais nobres do que os de Tessalônica, pois de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim" (Atos 17.11). A Bíblia chama de "nobre" aquele que examina a Palavra e dela tira suas próprias conclusões. Somos uma só fé, uma só religião, uma só doutrina.

Esta afirmação seria engraçada se eles não estivessem falando sério. Uma só fé? Uma só religião? Uma só doutrina? Até parece que estão falando dos católicos...

É óbvio que, ou isto é uma mentira descarada, ou uma cegueira sem limites. São mais de trinta mil igrejas protestantes. Umas aceitam o sábado, outras o domingo, outras não aceitam dia algum de descanso. Umas somente batizam adultos; outras, crianças; umas entendem ser o batismo essencial para a salvação; outras, ser o mesmo um mero rito sem muito sentido; umas dizem que, para o batismo, basta a aspersão de águas; outras, dizem ser essencial a imersão; outras, afirmam que só é válido o batismo em águas correntes; outras, enfim, que as águas correntes devem ser fluvias... Umas dizem que ou se descansa aos sábados ou se tem a marca da Besta. Umas dizem que Cristo é Deus; outras, que Ele é uma mera criatura. Umas aceitam a existência de almas; outras, não. Poderíamos continuar ad nauseam com estes belos exemplos de unidade de fé, religião e doutrina...

Com relação ao trecho citado, os nobres protestantes (como qualquer adepto da "sola scriptura") derraparam em interpretação enviezada. Os cristãos mencionados receberam oralmente a fé, creram pela autoridade apostólica de São Paulo e, depois de receberem a verdadeira e sã doutrina, foram às Escrituras (hebraicas, obviamente, visto que todo o Novo Testamento não havia, ainda sido escrito) apenas para verificarem a exatidão do ensinamento apostólico. Estes "nobres cristãos" não saíram, por aí, tirando suas próprias conclusões bíblicas. Apenas confirmaram, nas Escrituras, a fé que haviam recebido e aceitado.

Só adoramos o Santo dos santos, Aquele que morreu em nosso lugar. Não louvamos, nem adoramos, nem suplicamos a outros deuses (Mateus 4.10). Se alguma denominação ensina outro Evangelho, não faz parte do Corpo de Cristo, não é considerada cristã, não é Igreja de Jesus.

Aqui é óbvio que a tríade quis dizer que a Igreja Católica não é Cristã, pois, ao "adorar os santos" prega um evangelho diferente do aceito pelos três.

O fato é que, se a tríade estivesse certa, e, se todo cristão que venera os santos não participa do corpo de Cristo, então os reformadores, que veneravam Maria, não eram cristãos, e as Igrejas fundadas pelos mesmos também não eram. Ocorre que estes protestantes disseram que, com Lutero, a Igreja Cristã seguiu seu caminho livre de heresias. Incoerências protestantes... Se eles estivessem certos, Lutero e seus comparsas eram hereges, não somavam com Cristo e, portanto, dividiam. A Reforma seria obra do Demônio, e obra do Demônio seriam todas as Igrejas nascidas, direta ou indiretamente da mesma, já que os primeiros reformadores também veneravam os santos.

Não é fantástico? Por linhas tortas, chegaram à conclusão correta!

3- Não sou protestante porque atribuem a si próprios o direito de interpretar a Bíblia. Acreditam ter uma iluminação pessoal vinda do Espírito Santo sem intermediários, ou seja, sem a Igreja. O mais interessante é a diferença que o Espírito Santo manifesta em cada uma das centenas (talvez milhares) de ramificações do protestantismo.

R - Fazemos o que Deus quer que façamos, ou seja, que nos dediquemos à leitura de sua Palavra, e nela meditemos dia e noite (Salmos 1), pois sabemos que "toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra" (2 Tm 3.16-17).

Sobre este famoso versículo da Segunda Carta a Timóteo, vou colar um texto que escrevi para uma protestante que, num debate, citou este trecho bíblico.

Vou terminar apenas comentando a famosa passagem "toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra". Com ela, os protestantes acham que provam a "Sola Scriptura" e a desnecessidade da Igreja. Não provam, pois Paulo não disse "apenas as escrituras divinamente inspiradas...", como você interpreta. Eu concordo com Paulo e, no entanto, confortavelmente, aceito toda a Tradição da Igreja. Quando Paulo escreveu este trecho, boa parte do Novo Testamento não havia, ainda, sido escrito. Ainda que a tua interpretação deste trecho (na qual você coloca um "somente" onde não existe) fosse correta, ela só faria sentido se a Bíblia tivesse caído pronta do céu. Mas você sabe que não foi assim. Então, eu te pergunto: a que "escrituras" Paulo se refere? Vejamos as possibilidades.

1ª Possibilidade: Paulo está se referindo apenas aos escritos judaicos (ou seja, ao Antigo Testamento). Particularmente, é isto o que eu entendo. Se você concordar comigo, existem muitos problemas para a tua fé. Primeiramente, uma boa parte dos livros que você tem por inspirados não o seriam, e muitos versículos que você usa para atacar a Igreja seriam "tradições humanas", como dizem os protestantes. Em segundo lugar (embora você negue isto atá a morte) Paulo era um judeu da diáspora, e, como todo judeu da diáspora, ao referir-se às escrituras judaicas pensava em todos os livros que, hoje, compõem o Antigo Testamento Católico. Em outras palavras, aceita esta primeira possibilidade, não apenas você lê livros não inspirados, mas, também há livros inspirados que você não lê. Creio que você não gostou muito, não é mesmo? Passemos à segunda possibilidade.

2ª Possibilidade: Paulo se referia aos escritos judaicos e a todos os escritos da era apostólica. Possivelmente, esta possibilidade é melhor que a primeira. Cuidado em aceitá-la, pois também traz dificuldades. Primeiramente, há escritos apostólicos que se perderam, pelo que nem toda "palavra inspirada e útil" estaria na Bíblia. Em segundo lugar, por que existem escritos da era apostólica que não compõem o cânon do Novo Testamento (e que provam que os cristãos primitivos já acreditavam em tudo aquilo que os protestantes insistem em dizer terem sido inventados por "Roma" séculos mais tarde), o que novamente nos conduz à negação da "Sola Scriptura". Novamente, acho que você já deve ter rejeitado esta hipótese. Não tem problema, existem mais duas.

3ª Possibilidade: Paulo se referia aos escritos judaicos e mais alguns (inclusive várias de suas próprias cartas) que, por revelação divina (sonho, aparição, etc.), soube que, trezentos anos mais tarde, viriam a ser estabelecidos num concílio cristão. Novamente, acho que você terá problemas com esta possibilidade, pois este mesmo concílio estabeleceu, como sendo inspirados, todos os livros do Antigo Testamento que não fazem parte de sua Bíblia. Esta possibilidade te levaria a aceitar como bíblicos pontos de fé católicos que você rejeita (purgatório, intercessão, orações pelos mortos, etc.). Vejamos a última possibilidade.

4ª Possibilidade: É muito parecida com a terceira. Só que na revelação de Paulo, ele soube que, mil e duzentos anos após o citado concílio, um monge iria arrancar, do cânon deste concílio vários livros do Antigo Testamento. É a este conjunto de livros que Paulo se referia. Exatamente o mesmo conjunto de livros que você tem por inspirados. Ocorre que isto não apenas coloca 1500 anos do cristianismo no ostracismo histórico, como também torna inútil a recomendação que Paulo deu a Timóteo. Afinal, as escrituras inspiradas e úteis para ensinar somente estariam à disposição dos cristãos séculos mais tarde.

O acesso à Bíblia não é proibido na Igreja de Cristo. Qualquer um pode ler; tendo dúvida, pede ajuda aos mais entendidos. Para isso, há escolas dominicais e cursos teológicos. Todo crente deve saber manejar bem a palavra da verdade para apresentar-se a Deus aprovado (2 Tm 2.15). Deus não quer ignorantes de Sua Palavra.

Podemos recorrer também ao Espírito Santo que não está preso numa redoma de ouro e guardado num cofre; Ele está em nós (Sl 51.11; Lc 11.13; At 2.4; Ef 1.13; Rm 8.9; 1 Co 3.16,19) e nos ajuda em nossas fraquezas, pois Ele é uma Pessoa (Rm 8.16,26; Lc 12.12; 14.26; 1 Co 2.13). Temos iluminação pessoal? E Jesus não disse que somos a luz do mundo e sal da terra (Mt 5.13,14)?

A contradição é assombrosa! Ora, se temos o Espírito Santo; se Ele nos ajuda e nos inspira; se é tão simples ler a Bíblia, então, por que escolas dominicais, cursos bíblicos, livretos, pregações, etc.? O "sola scriptura" vivido coerentemente resumiria o cristianismo a leituras e meditações particulares da Bíblia, cada um em seu cantinho.

A lógica nos diz que, se não há um magistério infalível dado por Deus, então cada crente, ao ler e meditar a mesma Bíblia, iluminado pelo mesmo Espírito, deveria chegar às mesmas conclusões às quais chegaram os demais. Ou, então, este Espírito Santo, contradizendo-se, não é Deus. Como a uniformidade não ocorre( e, sabendo que o Espírito Santo é Deus), é lógico que o pressuposto adotado (a "sola scriptura") está errado, o que nos conduz à necessidade da Igreja. E tal necessidade, por sua vez, é a ruína do protestantismo. Se a Igreja for necessária, não só os protestantes não cumprem a vontade de Deus como, também, lutam contra ela.

4- Não sou protestante porque a doutrina não tem unidade, as igrejas não são infalíveis em questões de moral e fé. Suas hierarquias não são rígidas, os preceitos são secundários. A salvação está em somente crer em Cristo, mas sabemos que não basta somente crer, pois, é preciso viver a fé, e vivê-la em santidade. Daí os Mandamentos. Daí a moral que a Igreja ensina. Dizer que a salvação vem somente do crer em Cristo, é continuar vivendo vida injusta ou dissoluta, é mentir à própria consciência.

R - E os papas são infalíveis? E as histórias repugnantes sobre diversos papas? E a diabólica Inquisição? E o perdão pedido aos chineses, aos aborígenes, a Galileu? Não é o reconhecimento de erros cometidos pelo catolicismo? A rigidez moral do catolicismo funciona?

Os protestantes confundem, sempre e sempre, infalibilidade com impecabilidade. Os papas pecaram, mas jamais erraram ao se pronunciarem, ex-cathedra, sobre doutrina e moral. Ou seja: dizer que os papas não são infalíveis porque pecaram é ou desconhecer o dogma da infalibilidade ou agir de má-fé. A tríade, em questão, parece conhecer o dogma da infalibilidade. Então...

Apenas para pôr os "pingos nos is", o catolicismo jamais cometeu erro. Isto é teologicamente errado. Os filhos da Igreja erraram (e, às vezes, gravemente), mas a Igreja segue santa e imaculada, pois tais erros ocorreram apesar da Igreja.

Repare-se que, também aqui, eles não refutaram o fato apresentado por D. Estevão. Eles se limitaram à tentativa de provar que nós, católicos, somos tão ruins quanto eles... Aceitaram, ainda que sem perceber, o fato de que o protestantismo não possui qualquer autoridade infalível e que não há segurança doutrinária entre as mais diversas igrejas cristãs. Tal forma de agir (atacar para não ter que se defender de algo indefensável) confunde os leitores menos atentos. Mas o fato é que, implicitamente, reconheceram a veracidade daquilo que disse D. Estevao.

E o caso de assédio e violência sexual de sacerdotes católicos contra religiosas, em 23 países, para ficar só neste exemplo? Ensinamos o que ensina a Palavra. A fé no Senhor Jesus envolve arrependimento dos pecados; sem isso não há perdão nem salvação. A santidade faz parte da vida cristã. Quem nos convence do pecado é o Espírito Santo (João 16.8). As boas obras são decorrentes dessa fé salvífica.

Os protestantes adoram desviar o assunto. Como não têm resposta à evidência apresentada por D. Estevão (qual seja, no protestantismo não há autoridade infalível) tentam atacar o catolicismo. São muito tristes os escândalos sexuais envolvendo padres, mas, repita-se, são erros dos filhos da Igreja. Poderia, também, citar exemplos chocantes envolvendo protestantes, mas isto não vem ao caso.

QUEM NELE CRÊ NÃO SERÁ JULGADO; QUEM NÃO CRÊ JÁ ESTÁ CONDENADO, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus (palavras de Jesus (Jo 3.18). Vejam também Romanos 10.9. Acontece que o catolicismo ensina a salvação pelas obras; mas não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras (Ef 2.8). Ademais, "o justo viverá pela fé" (Romanos 1.17)

Gostaria de saber de onde a tríade tirou esta informação de que, segundo o catolicismo, somos salvos pelas obras. Para a Igreja, é Cristo que nos salva pela Sua Cruz e Ressurreição, sendo que, pelas boas obras, cooperamos para que esta salvação ocorra. Aliás, o que esta afirmação gratuita e inverídica tem a ver como o tema proposto por D. Estevão? Absolutamente nada.

5- Não sou protestante porque apesar deles lerem a Bíblia (embora sem alguns livros e com interpretações diversas) não possuem nenhuma autoridade superior Infalível, para declarar que uma palavra tem tal sentido, e exprime tal verdade.

R - Qual seria a autoridade infalível na Terra? Só surgiu um homem assim: Jesus Cristo, porque não tinha a mancha do pecado. A Palavra diz: "Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso", e que "não há um justo, nem um sequer" (Rm 3.4,10). Não temos um PAPA falível, mas temos um Papai do Céu infalível capaz de suprir todas as nossas necessidades (Fp 4.19). "O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará" (Salmo 23).

Novamente, a mesma confusão entre infalibilidade e impecabilidade. O Papa não é, digamos, "impecável", mas infalível. Quem o diz é o próprio Cristo: "eu te darei as chaves do Reino dos Céus; o que ligares na Terra será ligado nos céus; o que desligares na Terra, será desligado nos céus" (Mt 16,19). E em outra passagem: "eis que eu estou convosco todos os dias, até o final do mundo" (Mt 28,20). Todos os papas pecaram; nenhum deles, contudo, jamais contradisse um seu antecessor ao usar do seu Magistério Infalível.

O questionamento de D. Estevão é muito contundente: os protestantes não possuem uma autoridade infalível, então, como saber qual das diversas interpretações que eles propõem é verdadeira? A tríade, novamente, não enfrentou o problema e desviou o assunto.

6 - Não sou protestante porque eles negam a Tradição oral. Sendo que na própria Bíblia, Paulo recomenda os ensinamentos de viva voz (Tradição) que nos foram transmitidos por Jesus e passam de geração em geração no seio da Igreja, sem estarem escritos na Bíblia. Confira em (2 Tim 1,12-14).

R - Negamos a Tradição Oral porque ela foi a maior fonte de problemas já na teologia do Antigo Testamento, torcendo as palavras já escritas na Torah; e ela também tem sido comprovadamente a maior fonte de heresias no meio da Igreja Romana. No caso do Antigo Testamento, dizia Jesus aos fariseus: "MC 7.9 - "E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição".

Aqui, partem de uma visão bastante apriorística das coisas. Ao afirmarem que não adotam a tradição porque a mesma tem sido fonte de heresias, tomam por provado o que querem provar: que a Igreja Católica está repleta de erros. Primeiramente, eles deveriam comprovar que existem heresias na Igreja Católica para, depois, provar que a Tradição as gerou.

A "tradição" a que Jesus se refere não é a Tradição Oral que os judeus tinham por Palavra de Deus, mas a tradição dos fariseus que, para evitarem infrações ainda que involuntárias da Lei, criaram uma série de prescrições, assim como fazem os pastores protestantes, que proíbem os fiéis de jogar futebol, ver televisão, coisa que não foi ordenada por Deus. Tais prescrições acabaram por se tornar um peso.

A Tradição Oral é a matriz das escrituras. Por exemplo: entre Abraão e a escrita dos Gênesis houve um intervalo de 1000 anos, em que a história do Pai dos Crentes foi passada apenas oralmente. É a Tradição oral em ação, e, dela, bebe o escritor sagrado ao colocar por escrito esta estória. Quando os evangelistas começaram a escrever as primeiras linhas dos evangelhos, algumas décadas já se haviam passado desde a Ascensão de Cristo. Até então, as primeiras comunidades se formaram, exclusivamente sobre a Tradição Oral dos Apóstolos. Dizer que a Tradição Oral não é palavra de Deus equivale a afirmar que as palavras de Cristo somente se tornaram divinas décadas depois de Sua morte.

No entanto os nobres apologistas protestantes esquecem-se que São Paulo também mandou guardar a Tradição Apostólica, isto é, o que os Apóstolos ensinaram e que não foi escrito: "Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, SEJA POR PALAVRAS, seja por epístola nossa." (2Tss 2,15)

Note-se que Deus não deixou nada escrito, tanto no Antigo Testamento como no Novo. Mas a existência de ESCRITURA deixada por Moisés e outros homens de Deus limitou todos os sermões de Jesus a somente o que estava escrito. Ele combatia tudo o que se afastasse do que estava escrito.

Isto é mais falso do que nota de vinte e cinco! Diversos sermões de Jesus são baseados nos ditos e nas tradições rabínicas dos fariseus, que se desenvolveram a partir da Tradição oral. Jesus, por exemplo, afirma: "ouvistes o que vos foi dito: amarás teu próximo e odiarás o teu inimigo." Os pastores poderiam mostrar em que parte da Bíblia está escrito que devemos "odiar nossos inimigos"? Não o podem, pois isto vem da tradição rabínica de se afastar do am ha aretz, aquele que desconhece a Torá. Portanto, grande parte dos discursos de Jesus não se limitou "ao que estava escrito", mas a toda Palavra Escrita e Oral aceita pelos judeus.

Paulo e os demais apóstolos podiam aconselhar os irmãos a seguir o que dissessem, pois estavam VIVOS e seu testemunho era real. Após suas mortes, tudo o mais que alguém poderá dizer que ouviu deles é mera especulação.

Notem a contradição nesta afirmação. Se após a morte dos apóstolos tudo que se diz e escreve é especulação, então porque crêem nos Evangelhos de Lucas e Marcos, na Epístola aos Hebreus, livros estes que não foram escritos pelos apóstolos e foram escritos após suas mortes? Como dizia Drummond: "E agora José?"

Se não haviam apóstolos vivos para legitimá-los, como então hoje são aceitos como canônicos? Negam a verdade clara e evidente de que a autoridade das Sagradas Escrituras deriva da autoridade da Santa Igreja.

Pobres protestantes que não aceitam o poder de Deus. Deus é potente para preservar Suas Palavras e evitar que se corrompam. Sejam tais palavras escritas, sejam orais. A Tradição Oral se preservou sem deturpações porque o próprio Deus prometeu que seria assim. Prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja; prometeu que o Papa teria as chaves do Reino dos céus; prometeu que estaria com os Seus até o fim do mundo. E apenas os católicos acreditam, realmente, que tais promessas se cumpriram.

Tome-se por exemplo a Igreja da Galácia: tinha sido evangelizada e fundada PESSOALMENTE pelo apóstolo (At 18:23), mas isso não impediu que os crentes ali logo perdessem a fé genuína para os judaizantes, obrigando Paulo a, POR ESCRITO, trazê-los de volta à verdadeira fé: "(GL 4:11) - Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco". "(GL 4:18) - É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco" "(GL 5:7,8) - Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chamou". E Paulo termina sua pregação, por estar ausente, por meio de documento escrito: "(GL 6:11) - Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão".

Se isso aconteceu num curto período de tempo, ainda em vida do Apóstolo que evangelizou os gálatas pessoalmente e em sua ausência se perderam, o que não dizer de séculos de ignorância quando a Igreja de Roma inclusive PROIBIA a leitura da Bíblia por seus seguidores?

Aqui novamente são infelizes. Vejam que eles mesmos reconhecem que São Paulo escreve à Igreja dos Gálatas para exortá-los na Sã Doutrina. Ora, se os Gálatas não tivessem se afastado na fé, provavelmente o apóstolo não teria escrito a eles. Se isto tivesse acontecido significaria que o Apóstolo não deixou de viva voz sua doutrina aos Gálatas? Claro que não. A própria carta paulina mostra que São Paulo já havia pregado a esta comunidade, deixando então para eles a Tradição. No entanto, São Paulo em pleno exercício de sua ação pastoral escreve aos Gálatas não porque tinha que lhes deixar algo por escrito, mas porque como estava impossibilitado de estar com eles, lhes escreveu. Isto mostra mais uma vez que a preocupação principal dos apóstolos era pregar o Evangelho e não deixar sua doutrina por escrito. Como vemos o que foi escrito o foi em ocasiões muito especiais, em ocasiões esporádicas.

Poder-se-ia perguntar, à tríade acima: se a Tradição Oral não é confiável, como podem eles confiar nos Evangelhos? Como eu já disse, o Evangelho existiu, primeiramente, como Tradição Oral, para depois ser escrito. Como, então, ter certeza de que as palavras de Jesus não foram distorcidas nas décadas seguintes até serem escritas? Como se pode ter certeza de que Jesus realmente falou aquilo que está escrito? Pela lógica da tríade, não se poderia ter certeza, pois, em pouco espaço de tempo, a Tradição Oral se corrompe... Aliás, é justamente isto que afirmam os perseguidores do cristianismo: que os evangelistas, já distantes dos acontecimentos, não são dignos de confiança. Pelo menos estes perseguidores são coerente, o que não se pode dizer da tríade de pastores autora desta refutação.

Nós, católicos, confiamos nas promessas do Senhor: as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. A assistência do Mestre é eterna, pelo que a Tradição Oral jamais se corrompeu. Assim, podemos ter certeza de que os Evangelhos dizem a verdade sobre Jesus; podemos ter certeza de que o restante da Tradição também o diz.

A maior prova da falha da tradição oral está na Cronologia dos Dogmas, com doutrinas humanas criadas em épocas muito tempo após a morte dos apóstolos, sendo que não se encontra nenhum documento anterior prescrevendo tal doutrina na Igreja Primitiva (tais como Purgatório, Assunção de Maria, Concepção Imaculada de Maria, Oração pelos mortos, etc).

Nossos queridos protestantes não sabem o que são dogmas... Pensam que a Igreja, ao dogmatizar um ponto de fé afirma algo do tipo: "a partir de agora, todos acreditaremos nisto". Só que não é assim! A Igreja, ao dogmatizar algo, diz claramente: "os cristãos, sempre, desde os primórdios, e em todos os lugares, acreditaram nisto, pelo que não é lícito a nenhum católico duvidar que esta é a fé verdadeiramente cristã." Portanto, importa muito pouco que um dogma tenha sido proclamado no século IV ou no século passado. O fato é que os cristãos sempre acreditaram neles. Aliás, os protestantes, ao citarem a "cronologia dos dogmas" sempre omitem que a divindade de Cristo e a Santíssima Trindade também foram proclamados pela Igreja Católica como dogmas de fé séculos após a era apostólica. Pela lógica da tríade, os cristãos, antes, não acreditavam que Jesus e o Espírito Santo são um com o Pai...

O Demônio é o pai da mentira. E é mentirosa a afirmação de que não existam escritos primitivos a apoiar os dogmas. Basta estudar patrística. Basta ler os escritos dos Pais da Igreja para se saber, com certeza, no que acreditavam os cristãos primitivos. E, com certeza, estes cristãos primitivos anatematizariam a tríade acima.

Acreditar na Tradição Oral que nunca foi registrada na Igreja do primeiro século é combater o próprio ensino de Paulo, que escrevia cartas e mandava que fossem lidas em todas as Igrejas, intercambiando com outras que já havia escrito: "CL 4:16 - E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também". "1TS 5:27 - Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos".

Não há, para os católicos, nenhum problema com esta passagem. Aceitamos que tudo na Bíblia é palavra de Deus, mas acreditamos (como os cristãos de todos os tempos) a Palavra é anterior às escrituras, perpassa as escrituras e vai além das escrituras.

E outra coisa importante: este argumento católico se baseia na carta a Timóteo, certo? Vejamos tal carta em sua totalidade:

1. Em todas as orientações que foram dadas sobre comunicação oral, os apóstolos ordenavam sobre pronomes pessoais: "palavras que de MIM tendes ouvido";

2. Paulo nunca mandou alguém a obedecer quem não fosse apóstolo e queria que fosse ensinado o que saiu dele mediante TESTEMUNHAS: "(2Tm 2:2) - E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros".

3. Paulo recomenda a perfeição do obreiro de Deus pela Palavra escrita e não incluiu a tradição em pé de igualdade: "(2Tm 3:16,17) - Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra".

Costumo brincar dizendo (e passando por cima das regras de latim), que o "sola scriptura", rapidamente, transforma-se num "sola" algumas partes da "scriptura". Os protestantes, para defender os seus pontos de vista, apegam-se a alguns trechos bíblicos e ignoram todos os demais. Vejam-se as seguintes citações:

a) 2 Tm 1, 15: neste trecho, Paulo manda que Timóteo instrua terceiros que, por sua vez, passarão a fé às gerações futuras. É um exemplo de sucessão apostólica. Paulo, portanto, diz que estes terceiros deveriam obedecer Timóteo e que, por sua vez, as gerações futuras obedeceriam a estes terceiros. Como, então, a tríade diz que os apóstolos jamais afirmaram que se devesse obedecer a outros que não eles? E será que eles podem provar que durante estes 2000 anos de cristianismo não houve a Sucessão Apostólica? Nós podemos provar que sim. No entanto o ônus da prova é do acusador...

b) Tt 1, 5. Também aqui, Paulo confere autoridade apostólica a Tito: "Eu te deixei em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres anciãos em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei". Ora, organizar as igrejas, estabelecer seus líderes (anciãos) não eram trabalho dos apóstolos? Se Tito não recebera autoridade apostólica de São Paulo, sendo assim seu legítimo sucessor, como poderia realizar tais obras?

É óbvio que Paulo usa "pronomes pessoais" porque, na Igreja primitiva, existiam apóstolos e apenas eles é que podiam ensinar. Os cristãos deveriam seguir os ensinamentos apostólicos, e rejeitar aqueles provenientes dos pastorezinhos hereges de então. A autoridade apostólica não se comunicava a todos os batizados, pelo que nem todos poderiam ensinar. Isto não quer dizer que esta autoridade apostólica encerrou-se com a morte do último apóstolo, pois, como demonstrado acima, a mesma foi transmitida. Aliás, leia-se a "História Eclesiástica" de Euzébio de Cesaréia para se ter certeza deste fato.

Mas chamo atenção para a gravidade das conclusões que estão implícitas na assertiva dos pastores. Eles afirmam que a Igreja Primitiva se construiu sobre autoridade apostólica, mas que, morrendo o último apóstolo, esta autoridade encerrou-se e, a partir de então, todos os crentes só podem confiar na Bíblia. Então:

a) Existiram duas Igrejas diferentes, com duas matrizes doutrinárias diferentes: a do primeiro século (eminentemente apostólica) e a dos séculos posteriores (exclusivamente "bíblica"). Quero vê-los citando qualquer versículo bíblico que apóie, ainda que remotamente, esta heresia!

b) O protestantismo não possui a mesma matriz doutrinária do cristianismo primitivo (do que não é capaz um protestante para defender seus devaneios...).

c) O catolicismo possui a mesma matriz doutrinária do cristianismo primitivo, mas, visto que os bispos não foram testemunhas oculares da vida de Cristo, esta matriz não é mais válida.

Em resumo: o protestantismo distanciou-se do cristianismo primitivo, mas é verdadeiro; o catolicismo manteve-se fiel, mas é falso. Seria brilhante se não fosse trágico. E, note-se, na primeira refutação da tríade eles afirmaram que o catolicismo afastou-se do cristianismo primitivo e o protestantismo, com Lutero, resgatou-o. Haja Espírito Santo para inspirar tanta incoerência!!!

Mais um detalhe: para ser apóstolo, deveriam existir dois requisitos básicos: "(At 1:20-22) - Porque no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, E não haja quem nela habite. Tome outro o seu bispado. É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição".    

Nenhum outro homem, além dos doze, merecia tal título. Paulo foi chamado Apóstolo dos Gentios devido ao seu chamado, não se considerava como um dos doze e depois dele nenhum outro homem mereceu este título, por não preencher os requisitos básicos do apostolado. Portanto, a autoridade apostólica morre com o último apóstolo, João, restando seus ensinamentos escritos, o que aliás foi o mais importante critério para determinação do Cânon do Novo Testamento pela Igreja Primitiva.

Estas regras para ser apóstolo foram criadas pela tríade. A Bíblia mostra claramente que os versículos acima citados profetizavam sobre a sucessão Apostólica de Judas, dando o episcopado a Matias (cf. At 1,26), mas segundo eles somente São Paulo merecia tal honra. Ora, se somente São Paulo merecia tal honra por quê então Matias foi escolhido como apóstolo? O problema é que além de se enganarem, enganam também a outros!

Impressiona-me como alguém pode ser tão incoerente sem maiores constrangimentos. Para ser apóstolo era necessário que o mesmo tivesse convivido com "apóstolos" (não é incrível?!) desde o batismo de Jesus. Isto, por si só, torna tudo impossível, pois, ao tempo do batismo de Jesus, não havia nenhum grupo de discípulos escolhidos. Ou seja, pela lógica brilhante acima, ninguém é apóstolo. E aquele que os protestantes chamam de "Apóstolo Paulo"? Este daí é um caso a parte, houve um chamado especial, etc, etc. Tudo perfeitamente conveniente. Se fizesse algum sentido, é claro!

O curioso é que, se apenas os apóstolos é que tinham autoridade para ensinar (oralmente e por escrito), os protestantes têm lido livros não inspirados e indignos de confiança. A carta aos Hebreus não foi escrita por nenhum dos doze (e nem por Paulo), nem o foram o Evangelho de Marcos e de Lucas; o apêndice do Evangelho de João; e, segundo estudiosos autorizadíssimos, também não o foram a epístola de Tiago e a segunda Epístola de Pedro. E agora? Como ficamos? O argumento acima (visando solapar a Tradição oral) joga no lixo boa parte da Bíblia. Mas, não estando a tríade preocupada com coerência, a mesma pode, novamente, ser incoerente e continuar seu ministério cristão.

Por outro lado, existem uma série de livros dos apóstolos que não fazem parte da Bíblia e outros, ainda, que se perderam. Adotado o ponto de vista dos pastores, temos que:

a) Eles não lêem e nem meditam uma série de livros divinamente inspirados e úteis para a formação cristã;

b) Uma outra série destes livros se perdeu e a Palavra de Deus estaria aleijada de sua plenitude. Deus teria falhado em preservar a totalidade do cristianismo e as portas do inferno teriam prevalecido contra a fé cristã.

É claro que os eles preferem não falar desta incoerência.

7- Não sou protestante porque algumas denominações batizam crianças, outras não as batizam; algumas observam o domingo; outras, o sábado; algumas têm bispos; outras não os têm; algumas têm hierarquia; outras entregam o governo da comunidade à própria congregação; algumas fazem cálculos precisos para definir a data do fim do mundo. Outras não se preocupam com isto, etc.

R - Se divergências operacionais ou de entendimento da Escritura fossem critérios para determinação de legitimidade, nunca a Igreja de Roma poderia ter tal título. O simples fato de ter um nome único de denominação não excluiu a verdade que os católicos possuíssem verdadeira bagunça doutrinária, ontem e hoje.

Exemplos: a Inquisição era considerada divina a seu tempo, hoje é considerada ignorância pelos próprios católicos; as ordens de padres têm, cada uma, estilos de vida próprios e ensinos de santidade diferentes, como os franciscanos, os dominicanos, os adeptos da Tradição, Família e Propriedade (que negam a submissão ao papa), a Renovação Carismática (que para muitos padres ainda é mal vista e tratada como facção).

Curiosamente, existe um livro chamado "Como Lidar com as Seitas", do padre Paulo H. Gozzi, que diz textualmente, ao tratar das divergências internas da Igreja de Roma: "Há lugar para todo mundo na Igreja, para cada jeito de viver a fé e a comunhão. Há variedade de serviços, de dons, de atividades, mas o Espírito que dá essa diversidade é o mesmo.

Puxa que infeliz afirmação: "divergências operacionais ou de entendimento da Escritura" não são critério de legitimidade. Viram? Para eles a Igreja não precisa possuir unidade doutrinária. ISSO É UM ABSURDO! Como várias "verdades" dimetralmente divergentes podem ser o reflexo perfeito da Verdade Ùnica que é Nosso Senhor? Como fica então Ef. 4,5 que afirma ser um só Senhor, uma só Fé e um só Batismo" sinal da Verdadeira Igreja? Professar tamanha mentira é ofender a nossa inteligência e principalmente o Santo Espírito de Deus que é a fonte da Verdade Única e Imutável.

Outra coisa deve ficar muito clara: existe uma diferença entre disciplina e regras de vida (de um lado) e doutrinas (de outro). O que nós dizemos sobre o protestantismo é que as várias igrejas protestantes guardam, entre si, diferenças de doutrina. A fé das diversas igrejas é diferente. Um acredita que Jesus é Deus, o outro não; um acredita que o batismo é essencial à salvação, o outro não; um acredita que guardar o domingo é subjugar-se à Besta, o outro não; um acredita na presença de Jesus sob a espécie do pão, o outro não; um acredita na existência de uma alma imortal, o outro não. Quando se levanta este argumento, que fazem os protestantes? Apressam-se em dizer que, entre os católicos, existem diferenças de doutrina e (pasmem!), para provar este ponto de vista, citam diferenças de disciplina e de regras de vida que existem entre os diversos segmentos católicos. Todo católico crê nas mesmas coisas, mas cada um vive a sua fé de uma forma diferente. Este se volta para obras de caridade; aquele, para a contemplação; o outro, para a teologia. Este grupo vive uma espiritualidade litúrgica; aquele outro aprofunda-se na Bíblia; um terceiro enraíza-se nos sacramentos, e por aí vai. Mas todos crêem nas mesmas coisas (têm a mesma doutrina): transubstanciação, eficácia dos sacramentos, divindade de Cristo, mediação dos Santos; Assunção de Maria, etc.. E, se algum católico não crer em algum destes pontos, católico não é. Mas, por exemplo, se um protestante não crê na divindade de Cristo, segue sendo protestante.

As diferenças existem para o enriquecimento espiritual de uns e outros, jamais para dividir e separar uns dos outros. Quem não gosta do jeito de um grupo, não precisa participar dele, participe de outro. Quando é que vamos aprender a viver em paz e harmonia e pluralismo, aceitando o jeito diferente de cada um ser o que é, dentro da mesma Unidade?" (páginas 64 e 65 da referida obra, 4a. edição da editora Paulus).

Como foi dito acima, não existe unidade doutrinária dentro do protestantismo, e este é o problema. Não se trata de diversos ramos protestantes vivendo a mesma fé de formas diferentes. Trata-se, na verdade, de diversos protestantismos diferentes que existem em cada igreja. Ora, ou Deus permite uma segunda união entre casais ou não permite. Na lógica protestante, Ele a permite na igreja A e não a permite na igreja B. Ou Ele está presente na eucaristia ou não está. Para os protestantes, na igreja C Ele se faz presente e, na D, não. Ou Jesus é Deus ou não é. Mas, para os protestantes, Ele o é nesta igreja e não é naquel?outra. Ou existe uma alma imortal, ou não existe. Para os protestantes, o membro da igreja X possui uma alma imortal enquanto que o da igreja Y adormecerá até o dia do juízo final.

É bom mesmo que esse padre pense assim, pois ele diz na página 39, ao falar sobre o Saravá - o Baixo Espiritismo: "Não devemos fazer acusações injustas, achando que essas religiões são do demônio (...) E nessa cultura tribal foram criando mitos e lendas religiosas que explicam os mistérios da vida, passando tudo isso de pai para filho. Essas religiões africanas são belas, puras e merecem o nosso profundo respeito".

Garanto que o Vaticano não pensa assim. Pelo menos três padres que conhecemos pensam BEM DIFERENTE disso... e onde está a unidade doutrinária, afinal não é um livro publicado por uma editora católica, que não imprime nada que seja protestante?

Até onde eu saiba, não existe nenhum dogma de fé que defina que o "baixo espiritismo" é uma religião demoníaca. Agora, o ensinamento da Igreja sempre foi o de que, nas religiões não-cristãs, existem as "sementes do Verbo", ou seja, traços da Verdade e que aproxima seus praticantes de Deus.

Não vamos mais longe: e o Padre Quevedo, que diz que o diabo não existe e não existem possessões demoníacas, contrariando o próprio Evangelho? Onde está a orgulhosa unidade católica, já que um herege como este não é excomungado por chamar o próprio Jesus de mentiroso?

O Pe. Quevedo, ao dizer que o demônio não existe, está contrariando o ensinamento da Igreja e entrando em descomunhão com ela. Não é dado a nenhum católico duvidar da existência do demônio. Agora, se um protestante viesse com esta mesma heresia, desde que "aceitasse o senhorio de Jesus" (e, claro, desde que negasse a virgindade perpétua de Maria, a mediação dos santos, o primado de Pedro, etc., etc., etc.) , seria considerado um protestante como todos os outros. Para os outros protestantes, o demônio existe; para este aqui, não...

E, quanto ao hiato entre Cristo e os protestantes, temos a afirmar duas coisas:

1. Esse hiato existe doutrinariamente e historicamente somente com a Igreja Católica de Roma, pois Jesus nunca fundou denominação alguma com base em Roma (cuja fundação foi num concílio presidido por um imperador romano, 3 séculos depois de Cristo) e também o fundamento não foi Pedro, foi o próprio Cristo, segundo afirmação do próprio apóstolo em sua carta
(1PE 2:3,4,6) - "Se é que já provastes que o SENHOR é benigno; E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa", Por isso também na Escritura se contém: "Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido".

Paulo disse a mesma coisa: 1Co 3:11 -" Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo". EF 2:20 - "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.

Bom, bastaria que a tríade estudasse os escritos patrísticos para se convencerem do contrário. Nunca houve hiato algum entre o catolicismo e Jesus Cristo. A Igreja Católica é a continuação natural daquela primeira comunidade de cristãos reunida no Cenáculo de Jerusalém. É um fato que pode ser verificado ou, simplesmente, ignorado (como fazem nossos queridos protestanes). A afirmação de que Constantino fundou a Igreja Católica é uma das maiores sandices que existe nos meios protestantes. É uma afirmação gratuita e gostaria de ver quais as provas das quais a tríade possui para as sustentar.

Veja, meu caro leitor. Os protestantes têm um problema. Há algumas coisas na Bíblia que os mesmos não podem aceitar, pois, se o fizessem, estariam confessando o despropósito histórico do protestantismo. Coisas claríssimas como o primado de Pedro, a real presença de Jesus na Eucaristia e a necessidade da Igreja para a salvação. Que fazem então? De uma maneira bastante apriorística, vão ver como poder-se-ia sustentar seus pontos de vista ainda que passando por cima de toda evidência. A afirmação de que Constantino fundou a Igreja Católica faz parte deste apriorismo todo. Às evidências, a Igreja Católica surgiu com a primeira comunidade cristã. Como os protestantes não podem aceitar este fato, recorrem à história para ver como a mesma sustentaria uma tese de que, à exemplo das igrejas protestantes, a Católica também teve um fundador humano séculos depois da Era Apostólica. Encontraram, na figura de Constantino, alguém que poderia ser este fundador, esquecendo-se que:

a) Constantino somente se fez batizar no leito de morte;

b) A Igreja teve sérios problemas com os pontos de vista de Constantino e os combateu;

c) Existe uma diferença enorme entre fazer cessar as perseguições aos católicos (que é o que Constantino fez) e fundar a Igreja católica (que é o que dizem que ele fez);

d) Que, ademais, os protestantes teriam que explicar alguns pontos. Como Constantino fundou a Igreja Católica? Por que o fez? Por que nenhum cristão da época se insurgiu contra este fato? O que aconteceu com a Igreja que existia antes de Constantino? E, principalmente, como explicar que todos os dogmas de fé da Igreja aparecem em escritos cristãos séculos antes de Constantino?

Comentarei, abaixo, a afirmação de que Jesus seria a única pedra da Igreja.

2. Mais importante que o hiato temporal, é o hiato Doutrinário, e nesse aspecto a Igreja Protestante ficou muito mais perto de Cristo ao voltar-se SOMENTE aos escritos apostólicos, recusando as dezenas de dogmas errados da igreja de Roma, mediante o lema "SOLA SCRIPTURA".

O que os protestantes não dizem é que, enquanto que os escritos patrísticos provam que todos os pontos de fé dos católicos já eram cridos pelos primeiros cristãos, não há qualquer vestígio da "sola scriptura" antes do final da Idade Média. Ou seja, factualmente, existe um hiato entre a "sola scriptura" e o cristianismo.

8- Não sou protestante porque há passagens da Bíblia que eles não aceitaram como tais; a Eucaristia, por exemplo, Jesus disse claramente: Isto é o meu corpo (Mateus 26,26) e Isto é o meu sangue (Mateus 26,28).

R - Jesus também disse, claramente: "Eu sou a porta. Todo aquele que entrar por mim, salvar-se-á. Entrará e sairá, e achará pastagens" (Jo 10.9). Só um louco interpretaria literalmente essa palavra e admitiria que Jesus é uma porta e que os cristãos são ovelhas comedoras de capim. Ele disse: "Eu sou a videira verdadeira [fonte de vida espiritual], e meu Pai é o agricultor; vós sois os ramos" (Jo 15.1,2,5)

Nem por isso admitimos que Jesus é uma árvore, o Pai é um plantador de arroz, e os cristãos são ramos. Está claro que essas expressões são figurativas. Ao dizer "Isto é o meu corpo" estava dizendo, realmente "Isto representa o meu corpo". Se levarmos em conta a interpretação literal, Jesus ao levantar o pão estaria levantando seu próprio corpo.

Nesta tentativa de refutação, torna-se muito claro o apriorismo protestante de que eu falei acima. Como os protestantes não podem aceitar a transubstanciação (que levaria à necessidade de sacerdotes, que, por sua vez, nos levaria à necessidade da hierarquia, que, por sua vez, levaria ao papado) buscam uma forma de sustentar o oposto com trechos bíblicos. A levar a sério o argumento acima, toda e qualquer afirmação de Jesus poderia ser uma simples metáfora, o que extermina com qualquer possibilidade séria de se entender o cristianismo.

Quando Jesus fala ser a porta ou a videira, ou quando afirma ser o pastor de ovelhas, as metáforas usadas são úteis. Ou seja, com tais metáfora, Jesus passa uma idéia com uma clareza tal que não conseguiria atingir de outra forma. Tanto é assim que não vemos ninguém, na Bíblia, entendendo estas afirmações literalmente. Não há ninguém acusando Jesus de estar louco e imaginando-se uma porta ou uma árvore.

Agora, quando Jesus diz "isto é o meu corpo, isto é o meu sangue" o mesmo não está usando de nenhuma metáfora. Por quê? Porque tal metáfora não seria útil, visto que a idéia seria mais clara se o Mestre dissesse: "isto representa o meu corpo." Ou seja, Jesus teria feito questão de ser pouco claro e confuso, tanto que muitos judeus o entenderam literalmente (e os católicos o entendem até hoje). Jesus estaria possuído pelo espírito de Babel, usando de uma linguagem pouco clara e gerando confusão. Os protestantes preferem acreditar nisto do que reconhecer a evidência...

O fato, portanto, é que a comparação dos protestantes não procede. Jesus usa de metáforas quando as mesmas são úteis para instruir-nos em Sua doutrina; quando não são, não as usa. No caso da última ceia, a metáfora não seria útil (alías, seria até inconveniente) e, portanto, as palavras de Jesus devem ser entendidas na sua literalidade.

No entanto enganando-se e conseqüentemente enganando a muitos desprezam o que diz a Bíblia, que eles dizem crer e obedecer:

'"47 Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. 48 Eu sou o pão da vida. 49 Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. 50 Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. 51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo." (Jo 6,47-51)

Jesus diz CLARAMENTE que seu corpo é o pão necessário à Salvação. E a Bíblia continua:

"52 A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?" (Jo 6,52)

Vejam que as palavras de Cristo foram tão CLARAS que causaram discussão entre os Fariseus. Cristo então, confirma LITERALMENTE suas palavras:

"53 Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. 54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." (Jo 6,53-54).

No entanto para a tríade protestante, Jesus queria dizer que o pão "representa" o seu corpo. No entanto, é o Próprio Cristo (a quem eles dizem adorar e crer) que lhes diz no Evangelho de João (que eles dizem conhecer, crer e observar):

"55 Pois a minha carne é VERDADEIRAMENTE uma comida e o meu sangue, VERDADEIRAMENTE uma bebida. 56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo 6,55-56)

Ademais, naquela oportunidade, como todas as vezes por ocasião da ceia do Senhor, o pão continua com gosto e sabor de pão, bem como o vinho continua com o cheiro e sabor de vinho. Esses elementos não se transformam numa mágica no corpo de Jesus.

Como estamos vendo até aqui, as afirmações protestantes são na verdade um emaranhado de confusão e equívoco. Ora, uma coisa é ser acidentalmente e outra é ser essencialmente. Ora, a tríade protestante não crê que o Verbo se fez homem? Então por quê o Verbo não pode ser fazer pão? Antes da concepção por obra do Espírito Santo, Jesus era Espírito. Quando encarnou-se, Jesus mudou acidentalmente (não se parecia como era), mas não mudou essencialmente (continuava sendo Deus). Do mesmo modo na Eucaristia, o pão que é acidentalmente pão, mas é essencialmente o corpo do Senhor.

Se assim fosse, Jesus teria engolido a Si próprio. Jesus não entra em nós pela ingestão do Seu corpo, mas entra em nossa vida quando O aceitamos de todo o nosso coração como Senhor e Salvador (Rm 10.9).

A Bíblia não fala que Jesus comeu do pão (Ele o deu aos seus discípulos dizendo: tomai e comei; tomai e bebei), mas, se o comeu, ingeriu, sim, Seu próprio corpo. Assim como nós, ao participarmos da eucaristia, numa certa medida, ingerimos nosso próprio corpo, pois comungamos do corpo de Cristo do qual fazemos parte. A Deus, tudo é possível.

9- Não sou protestante porque os supostos intérpretes da Bíblia não aceitam a real presença de Cristo no pão e no vinho consagrado, sendo que em (João 6,51) Jesus afirma: O pão que eu darei, é a minha carne para a vida do mundo. Aos judeus que zombavam, o Senhor tornou a afirmar: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Pois a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue é uma verdadeira bebida.

R - A leitura e interpretação da Bíblia não devem ser privilégio de um grupo governante como na seita testemunhas-de-jeová e no catolicismo. Todos podem ler e interpretar livremente a Palavra de Deus, que é dirigida a todos indistintamente. Sobre o assunto eucaristia já falamos anteriormente.

O pão não se transforma no corpo de Cristo. Ademais, Jesus instituiu a ceia em MEMÓRIA, para recordação do Seu sacrifício na cruz. Vejam: "Fazei isto em memória de mim" (1 Co 11.24-25). O sacrifício de Jesus não pode e não deve ser RENOVADO TODOS OS DIAS. Vejam: "Pois Cristo padeceu uma única vez pelos pecados" (1 Pe 3.18). Ele não precisa morrer outras vezes.

Aqui, a tríade comete dois erros bastante grandes. Primeiramente, com o termo MEMÓRIA. Lembre-se, sempre, que Jesus estava celebrando o seder judaico e que, nas celebrações judaicas, fazer um memorial tem o sentido de tornar presente um fato já ocorrido. Quando, neste contexto, Jesus (após afirmar que o pão consagrado é o Seu corpo e que o vinho consagrado é o Seu sangue) diz "fazei isto em memória de mim", os discípulos (todos judeus) não tinham dúvidas de que o Mestre estava invocando a longa tradição de memoriais judaicos. E que, a partir de então, cada vez que repetissem aquela ceia, os acontecimentos da morte e ressurreição de Cristo se fariam presentes.

O segundo erro cometido é acerca da doutrina católica sobre a missa. Jesus não morreu "outras vezes". Ao contrário, ensina a Igreja que o sacrifício de Cristo é único, irrepetível e suficiente. Ocorre que, no Memorial, este sacrifício (ocorrido há quase dois mil anos) faz-se presente de forma incruenta. O fiel, com os próprios olhos, contempla a morte e ressurreição de Cristo, sacramental e verdadeiramente.

Então, o culto da ceia do Senhor não objetiva crucificá-LO outra vez, mas recordar a Sua morte expiatória.

Brilhante! De fato, a eucaristia não visa crucificá-lO novamente, mas fazer o MEMORIAL da Sua morte e ressurreição. Lembre-se que Memorial no sentido semita é REPETIR e não somente LEMBRAR. Como eu já disse, é sempre delicioso ver o quão desinformados sobre o catolicismo estão aqueles que o combatem.

"Comer a minha carne e beber o meu sangue" não pode ser interpretado literalmente, pois Deus não aprovaria um ato de antropofagia (comer carne humana com suas vísceras, cabelos e unhas). Nem sempre o significado de um texto é o significado literal, como mais acima foi explicado.

Como acima tentou-se enganar, mas que as próprias palavras do Cristo desmentiram-nos.

Cristo é o verdadeiro Cordeiro Pascal, e, gostem disto os protestantes ou não, o cordeiro pascal deve ser comido por inteiro (com vísceras e tudo). Comungamos, sim, do corpo de Cristo, sem que sejamos antropófagos por isto. Aliás, interessante comparação protestante, visto que os primeiros cristãos também eram acusados de comer a carne de um homem chamado Cristo! Não alimentamos nosso corpo com carne humana (como fazem os canibais), mas, comungando, tornamo-nos (sacramental e verdadeiramente) um com Cristo, fortalecendo nosso espírito para os combates. Caro leitor, sabe por que o protestantismo nunca produziu um Francisco de Assis, uma Tereza de Lisieaux, um Vicente de Paula, uma Tereza de Calcutá, um Tomás de Aquino, etc.? Porque os protestantes, não comendo da carne de Cristo, e não bebendo de seu sangue, não se tornam um com Ele e não têm a vida dentro de si. Foram advertidos pela própria Bíblia disto, mas, lendo, não entendem e geram sua própria condenação. São eles os fariseus de hoje, que mesmo de posse das Sagradas Letras, não entendem e não reconhecem o Cristo.

Quando lemos que Ele é a pedra angular, o real fundamento da Igreja (1 Co 3.11; Ef 2.20) não podemos entender que Jesus seja realmente uma pedra. São figuras de linguagem. Vejamos os comentários de Norman Geisler em seu Manual Popular de Dúvidas: "Há muitas indicações em João 6 de que Jesus literalmente queria dizer que a sua ordem para comer a sua carne deveria ser considerada de uma maneira figurada.

Primeiro, Jesus afirmou que a sua declaração não deveria ser tomada com um sentido materialista, quando ele disse: "as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida" (Jo 6.63).

Uai! Que uma coisa tem a ver com a outra? De fato, Jesus falava de coisas espirituais (a eucaristia fortalece o espírito). Isto não quer dizer que, falando de coisas espirituais, Ele estivesse falando em sentido figurado. Podemos falar de coisas espirituais usando palavras em sentido literal e, ao mesmo tempo, falar de coisas materiais usando palavras em sentido figurado. A confusão de conceitos é patente.  Notem ainda caro leitor que os defensores da "sola scriptura" precisam recorrer a fontes extra-bíblicas para fundamentarem seus erros doutrinários. Que coerência há nisto?

Segundo, seria um absurdo e um canibalismo considerá-la com um sentido físico.

Já comentado acima.

Terceiro, Ele não estava falando da vida física, mas da "vida eterna" (Jo 6.54).

Já comentado acima.

Quarto, ele chamou a si de "o pão da vida" (Jo 6.48) e contrastou esse pão com o pão físico (o maná) que no passado os judeus comeram no deserto (Jo 6.58).

Novamente, a mesma confusão. O maná (pão físico) é figura da eucaristia (que usa o sinal do pão físico), mas esta é superior àquele (pois alimenta o espírito). Não há nada aí que mostre que o Senhor falava figuradamente, conforme já provamos.

Quinto, Ele usou a figura do "comer" a sua carne paralelamente à idéia de "permanecer" nele (cf.Jo 15.4-5), que representa outra figura de linguagem.

Afirmar é fácil, provar é difícil. Se não comermos da carne do Senhor, não permanecemos nEle pois não nos tornamos um com Ele. Aqui DESCARADAMENTE desprezam Jo 6,55.

Sexto, se comer a sua carne e beber o seu sangue fosse tomado literalmente, isso seria contradizer outros mandamentos das Escrituras, que ensinam a não comer carne humana nem sangue (cf. At 15.20)".

Talvez esta afirmação fosse menos infeliz se estivesse embasada em Gen 9,3-4;  Deut 16,15-16 ou ainda Lev 3,17. No entanto At 15,20 fala de carne sacrificada aos ídolos, o que não é o caso. A Eucaristia não é carne humana sacrificada aos ídolos, mas, verdadeiramente, o corpo do Salvador, sacrificado por nós. Portanto, o versículo bíblico usado não é útil para defender a tese da tríade.

Os versículos que sugeri proíbem a ingestão de sangue exatamente porque nele há vida. Ora, se bebemos o Sangue de Cristo, temos a Vida de Cristo em nós mesmos, que é exatamente o desejo do Senhor!

Ademais, a salvação não está em comer o corpo de Jesus, mas em crer e obedecer (Jo 3.18,36; 5.24; 6.35; 7.38; 11.25; Atos 10.43; 13.39;16.31; Rm 1.16;10.9).

Aqui, nossos queridos protestantes cometem um erro de petição. Estão tomando por provado o que querem provar: que a salvação vem de crer em Jesus. E, assim fazendo, passam por cima daquilo que disse o Senhor: que devemos comer sua carne e beber o seu sangue para termos a vida em nós.

Aliás, segundo os entendidos em grego Koiné (língua na qual grande parte do Novo Testamento foi escrita), Jesus usou o verbo troglo, que significa "mastigar, triturar com os dentes". Mais literal do que isto é impossível.



10- Não sou protestante porque os mesmos não reconhecem o primado de Pedro, sendo que o próprio Jesus disse;Tu és Pedro (Kepha) e sobre esta pedra (Kepha) edificarei a minha Igreja; (Mateus16,18).

R - "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt. 16.13-20). O catolicismo vale-se dessa passagem para afirmar que os papas são sucessores de Pedro. Nenhum dos modos de entender essa passagem dá suporte à posição católica.

Chamo atenção para o fato de que, também aqui, funcionará o velho apriorismo protestante. A afirmação de que "nenhum dos modos de entender esta passagem dá suporte à posição católica" chega a ser engraçada. Para não se enxergar, na passagem, o primado de Pedro é necessária uma verdadeira ginástica mental à qual os protestantes recorrem para não se darem por vencidos.

Outra coisa, a Igreja Católica não se vale deste versículo para demonstrar que os Papas são os legítimos sucessores de Pedro, porque isso é um fato histórico, e na história não dá para passar a borracha! A Santa Igreja Católica apenas mostra aí que a Bíblia dá testemunho do Primado de Pedro.

"Sobre esta pedra" poderá referir-se à firme declaração de Pedro, de que Jesus era "o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16.16).
Admitida a hipótese de a referência ser a pessoa de Pedro, este (Petros, pedra, em grego) seria apenas uma pedra no fundamento apostólico da Igreja (Mt 16.18), não a rocha. Pedro admitiu que Cristo é a principal pedra, a pedra principal, angular, preciosa, de esquina (1 Pe 2.7-8).

A tríade não tem problema algum com a incoerência. Recorrem a ela com muita tranqüilidade. A afirmação básica do protestantismo é que Pedro não poderia ser a pedra da Igreja porque tal função cabe apenas a Cristo. Pois bem. Como na passagem acima Jesus não pode estar falando de si mesmo, os protestantes afirmam que, nesta passagem, a pedra (que até agora há pouco seria o próprio Jesus) é a afirmação petrina!!! Fácil, não?! Isto é o que eu chamo de boa hermenêutica!

Cristo é a pedra da Igreja, mas, visivelmente dá esta função aos Papas. Cristo é a única Rocha; os Papas (que fazem parte do corpo de Cristo) fazem este papel de maneira visível.


E mais:

a. No primeiro concílio em Jerusalém, Pedro apenas introduziu o assunto (At 15.6-11). Tiago teve participação mais importante: assumiu a reunião, deu seu parecer e fez um pronunciamento final (At 15.13-21).

Santo Deus!!! Esta afirmação é absurda. Pedro presidiu aquele concílio, foi dele a palavra que pôs ordem à discussão que reinava. Ele falou e toda a Assembléia se calou. Quando Tiago tomou a palavra, o mesmo teve que pedir para ser ouvido (e, frise-se, o Concílio ocorreu na diocese de Tiago). No entanto, para a tríade, é de Tiago o papel preponderante. Coisas do livre exame...

De qualquer forma, é importante o fato de que eles reconheceram que houve um concílio em Jerusalém para resolver o problema da observância ou não da Lei Mosaica. E reconheceram que este concílio tinha autoridade. Pois bem: a Igreja Católica, desde o princípio, resolveu seus problemas através de concílios, apontando, com clareza, quais os pontos de fé a serem cridos. E as igrejas protestantes? Bem, elas preferem resolver seus problemas doutrinários de outra forma: quem concorda fica e quem discorda que funde outra igreja! Vê-se, pois, o quão distantes elas estão do cristianismo primitivo...

b. Paulo não diz que Pedro é a coluna da Igreja, mas que as "colunas" (no plural) são "Tiago, Cefas e João" (Gl 2.9);

Tiago e João também são chamados de coluna (juntamente com Pedro), mas nunca são chamados de Pedra. Eles também eram apóstolos, também tinham importância, mas não foram constituídos chefes de toda a Igreja e nem lhes foi dada a chave do Reino dos Céus. Durante séculos, ao lado do Bispo de Roma e imediatamente abaixo do mesmo, os bispos de Antioquia, Jerusalém e Alexandria (todas Igrejas petrinas) tinham enorme influência em toda a Igreja. Ainda hoje em dia, além do Papa, são muitos os que têm influência decisiva nos destinos da Igreja. Pode-se citar, por exemplo, o Cardeal Raztinger, verdadeira coluna da Igreja nos dias atuais, ao lado da rocha que é João Paulo II. Isto em nada arranha o Papado.

Notem aí caro leitor a incoerência protestante. Eles acabaram afirmando que Tiago e João eram colunas da Igreja como Pedro. Ora, como eles podem dizer isso se para eles é a Bíblia o ÚNICO FUNDAMENTO da fé? Vejam que sutilmente acabam professando as Verdades de fé Católicas, que dizem que "A Igreja é a Coluna e o Fundamento da Verdade" (cf. 1Tm 3,15). Notem aí que a autoridade sobre todos os cristãos é da Igreja, que era comandada pelos apóstolos nos princípio. Foi da Igreja que os primeiros cristãos receberam a fé, e foi através de Sua Autoridade é que sabiam o que era certo e errado e não da Bíblia, que ainda nem existia. Não pensem que estou diminuindo a Bíblia, longe disto, mas a Bíblia sem a Igreja é como o Código de Defesa do Consumidor se PROCON, como Código de Trânsito sem o DETRAN, como Código Penal sem os Magistrados e etc.

c. Paulo declarou que a Igreja é edificada "sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Jesus Cristo, a pedra angular" (Ef 2.20);

d. Pedro não instituiu o celibato, pois era casado (Mt 8.14);

A Bíblia dá a entender que Pedro já era viúvo quando foi instituído chefe da Igreja (afinal, foi a sua sogra que serviu Jesus após ser curada, e não a sua esposa como seria de se esperar). De qualquer forma, o celibato não é requisito essencial para qualquer ordenação. É um requisito apenas circunstancial que pode deixar de existir quando a Igreja o desejar.

e. Pedro não era e não se considerava infalível, pois foi advertido por Paulo porque ele não procedia "corretamente segundo a verdade do Evangelho" (Gl 2.14);

Os protestantes adoram citar Gl 2,14 para provar que Pedro não era infalível. Novamente, confundem infalibilidade com impecabilidade, pelo que este argumento é falso. Tanto Pedro era infalível que foi ele quem resolveu o maior problema doutrinário da primeira geração de cristãos. O partido dos judaizantes (tendo Tiago à frente) opunha-se frontalmente à soterologia de Paulo, pela qual a salvação repousava exclusivamente nos méritos de Cristo e não na observância da Lei Mosaica. O conflito entre os dois grupos foi bastante tenso e pode ser visto em At 15. No meio da discussão, levanta-se Pedro, afirma que a razão estava com Paulo "e toda a assembléia (Tiago também) ficou em silêncio", passando a ouvir o que Paulo tinha a dizer. Pedro falou, Tiago retariu-se. Nunca mais os cristãos tiveram dúvidas sobre a questão.

Foi pouco tempo depois disto, que se passou a cena descrita em Gl 2. Paulo, de fato, tinha toda a autoridade para condenar a atitude de Pedro porque o mesmo não agia de acordo com a doutrina que ele, infalivelmente, já havia definido como dogma de fé. Em At 15, temos a infalibilidade de Pedro (como Papa que era); em Gl 2, assistimos a um seu pecado (como homem).

Aliás, bem entendido o contexto da carta aos Gálatas, vemos como a cena descrita por Paulo reforça a idéia de que Pedro foi, realmente, o primeiro Papa. A comunidade dos gálatas não aceitava, pacificamente, a autoridade de Paulo e, nesta esteira, também não aceitava a ortodoxia de sua doutrina. Paulo, então, para defender esta ortodoxia, cita um caso em que o próprio Pedro curvou-se à mesma. Como que dizendo: se Pedro (que é Pedro) reconheceu este evangelho que vos prego, como podeis vós duvidar do mesmo?

Sobre isto, leiam um outro artigo meu, deste site, intitulado "A Epístola aos Gálatas e o Primado de Pedro."

f. A Bíblia diz que Cristo é o fundamento da igreja cristã, e que "ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo" (1Co 3.11);
A Igreja primitiva perseverou na "doutrina dos apóstolos", e não na de Pedro (At 2.42). Finalmente, Pedro não aceitava adoração (o beija-mão, o ajoelhar-se aos pés) conforme Atos 10.25-26.

De fato, não existe uma doutrina de Pedro, nem uma doutrina dos apóstolos. A doutrina da Igreja é a doutrina de Cristo. É aquela recebida do Senhor e transmitida pelos apóstolos (com Pedro à frente). A frase, "doutrina dos apóstolos" (isto é, transmitida por eles) é uma referência claríssima à tradição oral que eles transmitiam às comunidades e que se preservou apenas dentro do catolicismo. Para que a "sola scriptura" fizesse sentido, o texto deveria dizer "perseveravam na doutrina bíblica".

http://www.veritatis.com.br/apologetica/120-protestantismo/976-20-razoes-pelas-quais-nao-sou-protestante-refutacao-da-refutacao

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Leitor questiona refutação de Alexandre Semedo

resposta a réplica protestante sobre 20 razões porque não sou protestante

Olá, Caro L.

Li esta tua mensagem com atenção e ponho-me a respondê-la. Pena eu não saber se você é católico ou protestante. Sabê-lo iria fazer muita diferença, pois há argumentos invencíveis para convencer um católico e que fariam um protestante rir. Há argumentos, por outro lado, certeiros contra os protestantes e que, para os católicos, não passariam de fumaça.

Pelo espírito da tua carta, contudo, parece-me que você é protestante. Este, na falta de uma definição de tua parte, é o pressuposto que eu adoto. Afinal, ainda que você freqüentasse a Igreja Católica, seria um protestante de coração.

L.: "Li a refutação da refutação das Vinte razões de Alexandre Semedo. Estou escrevendo porque o sr.Alexandre deixou pontos sem refutação."

Resposta: Caro L., meu texto não visava rebater, ponto por ponto, tudo o que a tríade protestante escreveu sobre o trabalho de D. Estevão. Visava, tão somente, manifestar que as suas respostas são absolutamente inconsistentes e, no mais das vezes, desprovidas de qualquer lógica. Assim, é natural que alguma coisa tenha ficado sem uma abordagem direta.

É bastante gratificante perceber que, num texto tão longo, você levantou apenas alguns pontos que teriam ficado sem resposta. Isto significa que o meu texto (que, sejamos justos, foi melhorado pelo Alessandro Lima) foi abrangente. Pergunto: você se convenceu a respeito do resto?

L.: "São eles: Na proposição 6 de D.Estevão, na oitava seção em preto, os pastores dizem que tem um subsídio seguro e escrito, baseado na autoridade apostólica, para definir o canon do novo testamento, sem necessidade da autoridade dos concílios da Igreja Católica pós-apostólica: seriam escritos joaninos que dão critérios seguros para se definir o canon."

R.: Creio que você se refere a este trecho (o grifo é meu): ?Nenhum outro homem, além dos doze, merecia tal título. Paulo foi chamado Apóstolo dos Gentios devido ao seu chamado, não se considerava como um dos doze e depois dele nenhum outro homem mereceu este título, por não preencher os requisitos básicos do apostolado. Portanto, a autoridade apostólica morre com o último apóstolo, João, restando seus ensinamentos escritos, o que aliás foi o mais importante critério para determinação do Cânon do Novo Testamento pela Igreja Primitiva.?

Você não entendeu o que a tríade escreveu. Eles, neste trecho, não estão afirmando que existam escritos joaninos que definam o cânon das escrituras. Eles disseram que a ?autoridade apostólica? morreu com João, e que ?a autoridade apostólica? foi um critério importante para a fixação do cânon do NT.

Portanto, a tua crítica ao meu texto foi infundada. E, permita-me dizê-lo, infundada, também, é qualquer esperança de tua parte em encontrar escritos joaninos a definir o cânon bíblico. Estes escritos, simplesmente, não existem (pode perguntar para a tríade), até porque alguns trechos da Bíblia foram escritos após a morte de São João.

O fato inconcusso é que a definição da Bíblia requer uma fonte extra-bíblica. Ainda que fosse apóstólica (embora não seja), seria extra-bíblica, o que, por si só, solene e infalivelmente, deita por terra o ?sola scriptura? e corrobora a necessidade da Tradição católica.

L.. "Na proposição 10 de D.Estevão,na letra f, os pastores lançam três refutações. Falta refutar a exegese protestante de 1Cor 3,11, dizendo porque ela está errada, apresentando a católica; e; também falta refutar a exegese de At 10,25-26, segundo a qual o papa é culpado de vaidade por receber genoflexões e beijos na mão, pois Pedro considerava isso excesso de veneração ou até mesmo adoração."

R. OK. Atendendo ao teu pedido, repondo aquilo que, no teu sentir, ficou sem resposta.

Com relação à 1 Co 3,11 (que diz: ?Pois quanto ao fundamento, ninguém pode pôr outro senão aquele que está posto, que é Jesus Cristo), podemos dizer que existem dois fundamentos da Igreja: Cristo (fundamento invisível) e Pedro, que, em Cristo, é o fundamento visível. A nenhum dos dois, no entanto, São Paulo está se referindo.

No trecho de Coríntios, São Paulo apenas afirma que o fundamento da fé cristã (e não da Igreja) é Jesus Cristo. E, neste sentido, não existe, de fato, outro fundamento além de Jesus Cristo. O querigma cristão é sempre o mesmo (Cristo morreu e ressuscitou por nós), independentemente de quem o anuncia. Este é o fundamento da fé cristã (sem o qual ela seria vazia).

A fé cristã não se baseia em Pedro, Paulo ou Apolo, mas tão somente em Cristo. A Igreja cristã, no entanto, possui, nos apóstolos, as suas colunas, e, em Pedro, o seu fundamento visível.

Quanto ao fato de ser o Papa culpado por aceitar genuflaxões, você está acostumado à visão protestante de que todo e qualquer sinal de respeito e veneração é um gesto de adoração. No entanto, a mera reverência devida ao Papa (representante maior de Cristo na Terra), passa longe da adoração. Ao reverenciarmos e honrarmos o Papa, caro L., no fundo e em essência, e como um sinal, reverenciamos e honramos ao próprio Cristo.

Como você mesmo pode ver em tua Bíblia, em At 10, 25-26, Cornélio ajoelhou-se em atitude de adoração a Pedro. Por isto, com toda a justiça, foi repreendido. Mas a represália não se deveu ao gesto externo de Cornélio, mas à sua atitude interior, pela qual colocava uma criatura (no caso, São Pedro) em lugar do criador.

L.. "Acho que agora vem o furo mais grave do Alexandre. Durante toda a assertiva dos pastores( auge na questão 16), nós percebemos que eles se apegam à tese central de que basta uma fé subjetiva em Cristo para ser salvo, para negar a Necessidade dos sacramentos ,enquanto na refutação, Alexandre lança mão da carta de Tiago e de passagens do Evangelho para dizer que os Sacramentos, a Igreja e as obras são necessários para a salvação de todos, sem, no entanto, encarar de frente a exegese das passagens aprensentadas pelos pastores, e sem dizer porque essa exegese é incorreta."

Resposta. Desculpe-me dizê-lo, mas veja o absurdo da tua assertiva. Você afirma que eu lancei mão da Carta de São Tiago e de passagens do Evangelho para provar a necessidade de obras, como se isto não fosse suficiente. Para que eu precisaria de mais? Mas, se você quiser mais, L., basta pedir. Posso citar dezenas de trechos bíblicos que afirmem, no Antigo e no Novo Testamento, do Gênesis ao Apocalipse, a relevância das boas obras para a salvação. Você (e os protestantes em geral) não saem do ramerrãozinho da Epístola aos Romanos e de alguns outros trechos descontextualizados.

Que temos então? Temos trechos bíblicos que afirmam ser a fé essencial à salvação, e temos trechos bíblicos que afirmam serem as obras também essenciais. Não é preciso grande esforço mental para perceber que a ?sola fide? é antibiblíca e que a exegese católica é a única que harmoniza estas diversas passagens.

L.. "Alexandre também não apresenta a exegese católica das passagens dos protestantes, nem diz como a exegese católica consegue conciliar essas passagens com as outras apresentadas por ela em favor dos Sacramentos, da Igreja e das obras."

Resposta. Ora, eu disse, você é que não entendeu. Mas vou repetir: a Igreja acredita que a fé é necessária à salvação e que as obras cooperam com a mesma. Quer conciliação melhor???? L., entenda uma coisa: a Igreja Católica não afirma, nunca afirmou, nem jamais afirmará que a salvação repousa nos méritos de cada um. As obras cooperam, mas não podem, por si mesmo operar a salvação. Portanto, os trechos bíblicos apontados, e que realçam o papel da fé na economia da salvação, simplesmente não estão em desacordo com a teologia católica. Um esforço de conciliação não é, sequer, necessário.

Já os trechos que eu apresentei (e que apontam a necessidade das obras) estão em desacordo com a teoria do sola fide, segundo a qual a fé basta e as obras são inúteis. Portanto, são os adeptos desta teoria (e, ao que parece, você é um deles) quem tem que se virar com os mesmos.

L.. "Como o ponto é grave, vou abrir comentários sobre cada passagem:a) Rm 10,9.10.13 : Os versículos 9 e 10 são pleonásticos, a interpretação deles deve ser literal, ainda há um reforço no versículo 13. Ou seja, três vezes (Confirmação solene) Paulo afirma que basta crer para ser salvo e dá a entender que essa é a única coisa a fazer para ser salvo( v.5)."

Resposta. É interessante você afirmar que três vezes perfazem uma ?confirmação solene?, pois por três vezes o Senhor disse a Pedro: ?apascenta as Minhas ovelhas?, confirmando (segundo você, solenemente) como pastor universal da Igreja. E, por Pedro e seus sucessores (para não falar da Bíblia como um todo) é que sabemos que não basta a fé para a salvação.

Mas, talvez, você não se preocupe muito com coerência...

Os versículos citados, segundo você, enfocariam a exclusividade da fé para a salvação. No entanto, a Bíbia não começa em Rm 10, 9 e nem termina em Rm 10, 13. Existem vários trechos bíblicos que, por sua vez, enfocam a necessidade de boas obras a cooperarem com a salvação.

A diferença entre a Igreja Católica e as denominações protestantes é que aquela entende a bíblia em sua inteireza, enquanto que estas se apegam a alguns versículos e ignoram tudo o mais.

Você, por exemplo, apega-se aos poucos versículos bíblicos que poderiam sustentar o ?sola fide? e depreza as toneladas de citações existentes em sentido contrário. É o sola scriptura degenerando-se em um sola algumas partes da scriptura.

< Sempre inevitável. é degeneração>

Os protestentes, para não abrirem mão de seus pontos de vista, desprezam a tradição e apegam-se à Bíblia. E, ironia das ironias, defrontados com trechos bíblicos que rechaçam estas mesmas doutrinas, ignoram-nos e se apegam àqueles poucos que parecem sustentá-la.

Mas sabe o que é mais contrangedor, L.? Sequer os poucos versículos a que você se apega são idôneos para sustentar a tua crença. Na epístola aos Romanos Paulo fala, pura e simplesmente, DAS OBRAS DA LEI MOSAICA, já absolutamente desnecessárias para a salvação. Não fala das obras de caridade, das boas obras no sentido em que você usa.

Sad, but true. Lamento, mas esta é a verdade que, rogo a Deus, você aceite...

L.:"Daí, os protestantes concluem que não são necessários para a salvação os sacramentos, uma Igreja específica, as obras, pois, se todo que invoca o nome de Jesus é salvo, eles também serão, porque igualmente aos católicos, eles também invocam com fé o nome do Senhor."

Resposta. Não, caro, L.. As coisas não são bem assim. Não se pode usar um trecho bíblico que rechaça as necessidades das obras da lei mosaica para concluir que toda e qualquer boa obra é desnecessária. Principalmente quando toda a Bíblia diz o contrário. Com mais razão, não se pode usar este mesmo trecho para concluir que a Igreja e os sacramentos sejam, igualmente desnecessários.

Afinal, o próprio Jesus o advertiu: ?Nem todo o que me diz: ?Senhor, Senhor? será salvo?. O que é dizer, ?senhor, senhor?? Precisamente, é invocar o Seu Santo Nome. Nem todo o que invoca o nome de Jesus, portanto, será salvo. Nem João Paulo II, nem Lutero, nem o L., nem o Alexandre.

Durma-se com um barulho deste, não?

Aliás, muitos invocam com fé o nome de Jesus. Os espíritas kardecistas o fazem em todas as suas reuniões. Aliás, o que não falta é lunático tendo tanta fé em Jesus Cristo que julgam ser o próprio. Segundo você, todos estariam salvos...

Mas nem você levaria esta teologia ?da invocação do nome de Jesus? tão a sério. Talvez você diga que não basta invocá-lo, sendo necessário que além disto, a aceitemos como salvador pessoal. O trecho citado por você, no entanto, não diz isto. Aliás, esta necessidade de aceita-lO como salvador pessoal jamais é mencionada na Bíblia, nem na patrística. Isto é dogma novinho em folha.

Mas insisto: São Paulo, em Romanos, está enfatizando a desnecessidade das obras da lei mosaica. Neste sentido, Cristo basta. O cristianismo é suficiente. E, goste você ou não, o cristianismo é sacramental. Quem não é batizado, não é salvo; quem não come o corpo de Cristo e não bebe o Seu sangue não possui a Vida dentro de Si.

Tudo isto já foi dito no texto que você, agora, critica.

L.: "E não importa a denominação, porque o critério do Senhor é a misericórdia e a fé pessoal sincera em Cristo, e não a verdade ou falsidade de um credo cristão específico. Pode ser que o verdadeiro credo exista, mas se não estivermos nele, Jesus nos salvará também, pela nossa fé sincera."

Resposta. Este credo existe, caro L.. É o católico. O protestantismo é tão contraditório que, numa mesma frase, afirma que nos salvamos crendo e, palavras a seguir, que não é possível que se saiba, ao certo, em que devemos crer. Ora, se a fé é a via única e exclusiva de salvação, em que devo eu crer para me salvar? Segundo você, jamais saberemos ao certo.

Basta crermos, vagamente, no nome de Jesus...

E se Ciclano crer em Jesus, mas for homossexual? Ora, São Paulo afirma (segundo você) que os que crerem em Jesus serão salvos (portanto Ciclano está salvo). Mas o mesmo São Paulo afirma que os homossexuais não herdarão o Reino de Deus (portanto, Ciclano está condenado). Como ficamos, então, caro L.? Como a tua teologia resolveria isto?

Outro ponto que você levanta: seria a Igreja Católica necessária à salvação? Em resposta, vou cotejar alguns textos bíblicos. O membro só se salva se estiver inserido ao corpo. O corpo de Cristo é a Igreja. Cristo enfatizou que existe apenas uma Igreja. Cristo confiou esta Igreja a Pedro e seus sucessores. Bingo! Se você não fizer parte da Igreja Católica, é um membro amputado do corpo e, portanto, morto (cf. 1 Co 12,12; Ef 5,21s; Jo 17,20s; Mt 16, 13-20).

L.: "Até aqui, a exegese protestante. Portanto, gostaria que Alexandre me dissesse como o específico trecho bíblico( Rm10,9.13) se concilia e não contradiz essas três verdades: a.1) Pertencer a uma Igreja específica é necessário para a salvação do cristão; a.2) Receber os Sacramentos é necessário para a salvação do cristão; a.3) as boas obras são necessárias para a salvação, não basta só confessar com a boca sinceramente ( Rm 10,13)"

Resposta. Este trecho bíblico não afirma estas três verdades. Ele afirma, apenas, que a as obras da lei mosaica já não se impõem aos cristãos. As outras três verdades são afirmadas em outros trechos bíblicos. Trechos estes já citados no texto que eu escrevi e, portanto, suponho que você já os saiba.

Aliás, as "verdades" 1 e 3 foram, também, demonstradas neste e-mail.

L.. "At 16,30-31: Essa é outra passagem a conciliar. A resposta de Paulo só menciona a fé pessoal, desconsidera a boa obra, a Igreja e os sacramentos. O valor dela é que é a única resposta na Bíblia a uma pergunta direta e idêntica àquela que estamos agora nos fazendo. Por que o silêncio de Paulo não significa que a Igreja, as obras e os Sacramentos sejam desnecessários a salvação ?"

Resposta. Dou-te um conselho, L.: não guarde da Bíblia apenas aquilo que te interessa. Pedro, em At 2,38, ao responder a mesma pergunta não menciona a necessidade da fé para a salvação. Menciona a necessidade de arrependimento e do batismo (que, até onde eu saiba, é um sacramento...)

Quer mais? Jesus, em Lc 10,25-28, ao ser questionado, igualmente, não afirma que, para se salvar basta ?invocar seu nome?. Afirma, goste você ou não, que é o Amor a Deus e ao próximo o caminho para o céu. Em Lc 18, 18-23 (e em seus paralelos em Mateus e Marcos), ao responder à mesmíssima pergunta, novamente, nada fala de ?tê-lo como único salvador pessoal?. Para termos a vida eterna (queixe-se com o Senhor caso você não goste disto!), devemos cumprir os mandamentos, e, para sermos perfeitos aos olhos do Pai, vendermos nossos bens, darmos o dinheiro aos pobres e seguí-lo.

A fé em Jesus é, solenemente, ignorada em todos estes trechos.

E, em Tg 2, 24, temos a sentença final: o homem não é justificado apenas pela fé, mas, também pelas obras. Convenhamos: é impossível ser mais direto do que isto.

L.. "Jo 3, 18.36: Jesus ao discorrer sobre o que é necessário para a salvação não menciona: " Crede na minha Igreja" ou " Recebei os sacramentos dela", mas impõe como único critério a fé pessoal Nele. Como o silêncio de Jesus, sobre as outras coisas que a Igreja diz que são necessárias para salvação, não significa que elas sejam desnecessárias? Por que se Jesus impõe somente a fé Nele e não necessariamente na Igreja, como critério de salvação, os católicos dizem que os protestantes não se podem salvar? Acaso eles também não têm fé Nele?"

Resposta. Não existe fé na Igreja, mas pertença a ela. Eu creio em Jesus Cristo, mas, como Ele se manifesta através da Igreja, por metonímia (e apenas por metonímia) eu afirmo crer na Igreja. A fé em Jesus é necessária; a pertença a Igreja também.

Deixo-te uma pergunta: como você pode crer em Jesus se não acredita em Seu Corpo?

L.. "Por fim, digo que a um observador que não conhece o Cristianismo parece que a Bíblia é contraditória, pois parece justa a interpretação das passagens levantadas pelos católicos em favor dos Sacramentos e Igreja, como parece justa a interpretação protestante das passagens levantadas em favor da salvação pela fé pessoal. Mais uma vez peço ao Alexandre que se concentre na exegese dos textos usados pelos protestantes, pois eu já conheço os outros que são levantados pelos católicos. O que eu quero saber é se os católicos podem conciliar os dois grupos de textos dentro de uma interpretação coerente...Espero que eu não tenha perdido meu tempo...."

Reposta. Com relação a ser justa a interpretação dos protestantes a respeito do sola fide, por óbvio, não compartilho da tua idéia.

Mas acho que você não perdeu o seu tempo, assim como espero não ter perdido o meu te respondendo esta. Na verdade, o objetivo do meu texto criticado foi rebater as afirmações da tríade de protestantes em vista do texto de D. Estevão. Não visei rebater, ponto por ponto, as citações bíblicas dos mesmos. Fiz isto na medida em que achei necessário.

http://www.veritatis.com.br/inicio/espaco-do-leitor/743-leitor-questiona-refutacao-de-alexandre-semedo

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REFUTANDO RESPOSTAS ÀS "20 RAZÕES POR QUE NÃO SOU PROTESTANTE"

 
 
 
Introdução às Respostas Protestantes
 
AUTORES EVANGÉLICOS: - "Com a colaboração de Carlos Devaney e do pastor Norberto Carlos Marquardt.
 
 
Circula pela internet, um artigo de apologética, sob o título "Vinte razões por que não sou protestante". 


A pedido de um irmão da Fé Reformada, elaboramos a devida refutação a cada uma das questões levantadas. Vejamos:"

 
 


 
1. - Azul
 
Autor das "20 razões por que não sou protestante; diversas citações.
 
2. - Vermelho
 
Resposta de vários autores evangélicos
 
3. - Preto
 
Minha refutação às respostas.
 

 


 

20 Razões por que não sou Protestante:

 
 
1) Não sou protestante porque o protestantismo não existe desde o princípio do Cristianismo. Surgiu 1500 anos depois da era Apostólica. Suas igrejas são locais, regionais ou nacionais, não existindo uma Igreja Universal.


Resposta Protestante:

Mas o Cristianismo existe e é dele que fazemos parte. O Cristianismo é Universal. O católico Martinho Lutero, um dos expoentes da Fé Reformada, teve a coragem de protestar contra a venda de indulgências, um comércio que estava denegrindo o Cristianismo. A partir daí, o Cristianismo, sob a graça de Deus, seguiu seu caminho livre das heresias. A ruptura foi necessária num momento em que o catolicismo pretendia se estender por todo o mundo, sempre com a ameaça de colocar na fogueira seus opositores. Então o Cristianismo seguiu seu caminho com a verdade bíblica, tendo unicamente Jesus como Senhor, Mediador, Advogado e Intercessor, conforme as Escrituras (Pr Airton).



 
A Igreja á a Coluna e Sustentáculo da
Verdade (1Tim 3,15)
Refutando a Resposta:


Pode até ser que sejam cristãos se o batismo que receberam for realmente válido, mas a Igreja edificada por Cristo não pode ser posta de escanteio porque é o seu corpo do qual devemos fazer parte como membros (1Cor 2,12-13). A Igreja de Cristo e o Cristianismo são inseparáveis. O pastor alega que esta Igreja se desviara tornando-se herética ("... o Cristianismo... seguiu seu caminho livre das heresias."). Hehehe!!!! Confissão clara, dos pastores, de que a Igreja que Cristo edificara sobre Pedro havia sucumbido e que a partir daí só existe "o Cristianismo".  Esta alegação fere em cheio os ensinos da Bíblia que diz que a Igreja é SUSTENTÁCULO DA VERDADE (1Tim 3,15) e contra a qual o poder do inferno não pode PREVALECER (Mt 16,18).


CRISTO NÃO FUNDOU O CRISTIANISMO E SIM A IGREJA. CONTRA ESTA SÃO INÚTEIS AS INVESTIDAS DE SATANÁS E DE SEUS ASSECLAS.
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2) Não sou protestante porque apesar da afirmação de que somente a Bíblia deve ser considerada como norma de fé e prática, eles não concordam entre si no tocante a pontos importantes, entrando assim, em contradições. São mais de 20.000 mil denominações diferentes. Cada uma pregando uma suposta verdade.


Resposta: Ser a Bíblia a norma de fé e prática do cristão não é uma afirmação dos crentes; é uma declaração da própria Palavra de Deus (Rm 10.17; 2 Tm 2.15; 3.16-17 ;4.2). Há muitas denominações registradas em cartório, mas existe unidade na fé em Cristo Jesus. Desprezamos dogmas criados por homens. Não comemos pelas mãos dos outros. Cada crente examina as Escrituras, e debate, e troca opiniões, assim como faziam os primeiros cristãos. Vejam: "Estes foram mais nobres do que os de Tessalônica, pois de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim." (Atos 17.11). A Bíblia chama de "nobre" aquele que examina a Palavra e dela tira suas próprias conclusões. Somos uma só fé, uma só religião, uma só doutrina. Só adoramos o Santo dos santos, Aquele que morreu em nosso lugar. Não louvamos, nem adoramos, nem suplicamos a outros deuses (Mateus 4.10). Se alguma denominação ensina outro Evangelho, não faz parte do Corpo de Cristo, não é considerada cristã, não é Igreja de Jesus (Pr Airton).


Refutação da Resposta:


I. BÍBLIA - REGRA DE FÉ - A questão não está em a Bíblia ser norma de fé ou não. A heresia consiste em se dizer que SOMENTE ELA é a norma de fé, isto sim é heresia inventada pela rebelião protestante. Esta heresia não somente não se encontra na Bíblia como também é antibíblica, pois, sendo Cristo Deus, não pode errar quando fala pela boca de seus legítimos enviados: "Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou" (São Lucas 10,16)
 
 
II. UNIDADE DE FÉ ENTRE OS REBELADOS - Hehe! Haha! "... existe unidade na fé em Cristo Jesus"?!!! Isto é coisa que não existe entre os protestantes, evangélicos, "crentes" (escolham!), pois há igrejas que acreditam na divindade de Cristo e outras negam; há os que defendem que os mortos estão dormindo à espera da ressurreição final e outros não; uns acreditam na eficácia do batismo, mas outros já acham que seja apenas um ato meramente simbólico; algumas igrejas afirmam que a Santíssima Trindade é uma fórmula pagã, já a mioria a aceitam; alguns evangélicos (ou protestantes ou "crentes") acham que Cristo é a única pessoa de Deus enquanto outros admitem também o Pai e o Espírito Santo; para algumas igrejas existem sacramentos, já para outras apenas ordenanças; uns repelem o milenarismo, mas outros o defendem; uns aceitam a existência do inferno, mas outros a negam... gente, esta é uma das mentiras mais grosseiras!


ISTO É UNIDADE DE FÉ EM JESUS CRISTO?


III. DOGMAS - A Igreja de Cristo foi-nos enviada para ensinar (Mt 28, 17-20); é de sua competência EXPLICITAR as doutrinas que estão implícitas na revelação divina, caso contrário ela falharia no seu ofício de mestra das nações. A todas suas definições chamamos de dogmas a que estamos obrigados a crer sob pena de grave recusa em se ouvir aqueles que nos foram legitimamente enviados por Cristo o que nos levaria a ser considerados como pagãos e a rejeitar a Cristo (Mt 18,17 e Lc 10,16).


 
Cristo é novamente rejeitado nas pessoas
de seus enviados e dos mais pobres.
IV. JUDEUS DE BERÉIA - Foram confirmar na Bíblia se o que Paulo falava era mesmo verdade, porque eles não eram cristãos. Se fossem, ouviriam as palavras de Paulo como se fossem a palavra de Deus: "Por isso é que também nós não cessamos de dar graças a Deus, porque RECEBESTES A PALAVRA DE DEUS, QUE DE NÓS OUVISTES, e a acolhestes, não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, COMO PALAVRA DE DEUS, que age eficazmente em vós, os fiéis. " (I Tess 2,13). Os hereges, como sempre, rejeitam a Cristo por não acreditarem nas palavras dos apóstolos e de seus legítimos sucessores, por cuja boca fala o próprio Cristo.


OS JUDEUS BEREIANOS FORAM MAIS NOBRES QUE OS DEMAIS JUDEUS QUE SEQUER FORAM VER NAS ESCRITURAS. QUANTO AOS CATÓLICOS ISTO NEM ERA NECESSÁRIO, POIS SABIAM QUE AS PALAVRAS DE SÃO PAULO ERAM MESMO PALAVRA DE DEUS


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3) Não sou protestante porque atribuem a si próprios o direito de interpretar a Bíblia. Acreditam ter uma iluminação pessoal vinda do Espírito Santo sem intermediários, ou seja, sem a Igreja. O mais interessante é a diferença que o Espírito Santo manifesta em cada uma das centenas (talvez milhares) de ramificações do protestantismo.


Resposta Protestante:

Fazemos o que Deus quer que façamos, ou seja, que nos dediquemos à leitura de sua Palavra, e nela meditemos dia e noite (Salmos 1), pois sabemos que: "toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra" (2 Tm 3.16-17). O acesso à Bíblia não é proibido na Igreja de Cristo. Qualquer um pode ler; tendo dúvida, pede ajuda aos mais entendidos. Para isso, há escolas dominicais e cursos teológicos. Todo crente deve saber manejar bem a palavra da verdade para apresentar-se a Deus aprovado (2 Tm 2.15). Deus não quer ignorantes de Sua Palavra. Podemos recorrer também ao Espírito Santo que não está preso numa redoma de ouro e guardado num cofre; Ele está em nós (Sl 51.11; Lc 11.13; At 2.4; Ef 1.13; Rm 8.9; 1 Co 3.16,19) e nos ajuda em nossas fraquezas, pois Ele é uma Pessoa (Rm 8.16,26; Lc 12.12; 14.26; 1 Co 2.13). Temos iluminação pessoal? E Jesus não disse que somos a luz do mundo e sal da terra (Mt 5.13,14)? (Pr Airton).


Refutação da Resposta: -


I. MEDITAR A PALAVRA DE DEUS DIA E NOITE - Muito bom, enquanto dela não se extraia ensinamentos contrários aos que a Igreja, o sustentáculo da verdade (1Tim 3,15), nos ensina. A Igreja tem garantia bíblica da INERRÂNCIA, já o indivíduo, não, pois não se pode interpretar pessoalmente as profecias (2Pd 1,20), e, por extensão toda a Escritura (II Pd 3,15-16). O erro protestante fica patente com a existência das mais de 300.000 seitas existentes, cada qual anunciando um evangelho diferente entre si.




 
Estes são ladrões e salteadores (Jo 10,8).
 
II. TODA ESCRITURA É DIVINAMENTE INSPIRADA - Verdade! Útil instrumento de ensino e revelação para a Igreja e material de meditação para cada fiel. Em nenhuma parte das Escrituras se fala que pode ser interpretada pessoalmente. Ah, não se pode recorrer aos ensinos de falsos pastores que, em vez de entrar pela porta do aprisco, subiram por outro lugar. Estes são ladrões e salteadores (Jo 10,8).
 
III. TODO CRENTE DEVE SABER MANEJAR...  -  É ótimo que os fiéis o saibam. Porém se não souber, nem por isso, estarão impedidos de se tornar santos. Cristo sequer nos mandou ler as Escrituras. O Conselho aqui não é destinado a todos os fiéis e sim ao bispo cristão chamado Timóteo (II Timóteo 2,15): "Empenha-te em te apresentares diante de Deus como homem digno de aprovação, operário que não tem de que se envergonhar, íntegro distribuidor da palavra da verdade".




 
Os espíritos que sopram nos ouvidos dos
"crentes" não são o Espírito da Verdade...


IV. TEMOS ILUMINAÇÃO PESSOAL? - Sim, desde que ligados ao Corpo de Cristo que é a Igreja. Separando-se dela somente o caos e a escuridão das heresias, aos milhares, espalhadas pelo mundo a fim de barrar a marcha vitoriosa do REINO DE DEUS. Os espíritos que sopram nos ouvidos dos "crentes" não são o Espírito da Verdade e sim da divisão, do erro e da mentira. Se a Igreja leva a luz ao mundo, as heresias levam as trevas.


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4) Não sou protestante porque a doutrina não tem unidade, as igrejas não são infalíveis em questões de moral e fé. Suas hierarquias não são rígidas, os preceitos são secundários. A salvação está em somente crer em Cristo, mas sabemos que não basta somente crer, pois, é preciso viver a fé, e vivê-la em santidade. Daí os Mandamentos. Daí a moral que a Igreja ensina. Dizer que a salvação vem somente do crer em Cristo, é continuar vivendo vida injusta ou dissoluta, é mentir à própria consciência.


 
Resposta Protestante:

E os papas são infalíveis? E as histórias repugnantes sobre diversos papas? E a diabólica Inquisição? E o perdão pedido aos chineses, aos aborígines, a Galileu? Não é o reconhecimento de erros cometidos pelo catolicismo? A rigidez moral do catolicismo funciona? E o caso de assédio e violência sexual de sacerdotes católicos contra religiosas, em 23 países, para ficar só neste exemplo? Ensinamos o que ensina a Palavra. A fé no Senhor Jesus envolve arrependimento dos pecados; sem isso não há perdão nem salvação. A santidade faz parte da vida cristã. Quem nos convence do pecado é o Espírito Santo (João 16.8). As boas obras são decorrentes dessa fé salvífica. "QUEM NELE CRÊ NÃO SERÁ JULGADO; QUEM NÃO CRÊ JÁ ESTÁ CONDENADO, porque não crê no nome do unigênito Filho de Deus"(palavras de Jesus. Jo 3.18) Vejam também Romanos 10.9. Acontece que o catolicismo ensina a salvação pelas obras; mas não somos salvos pelas obras, mas para as boas obras (Ef 2.8). Ademais, "o justo viverá pela fé" (Romanos 1.17) (Pr Airton).


Refutação da Resposta: -


 
Deus não confirma o erro, portanto o Papa
e os bispos unidos a ele são infalíveis.


 
I - INFALIBILIDADE PAPAL - Diferentemente dos demais bispos, o Papa, como legítimo sucessor de Pedro, não pode errar em questões de fé e moral. Cristo se dirige em primeiro lugar a Pedro e a ele individualmente diz: "...tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,19). Os demais bispos também são infalíveis, mas somente quando em comunhão com colégio episcopal e com o Papa, porquanto a eles foi dito em conjunto e depois de Pedro: "Em verdade vos digo: tudo o que ligardes sobre a terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes sobre a terra será também desligado no céu" (São Mateus 18,18). Nem precisa saber que Deus não confirma o erro, portanto o Papa e os bispos unidos a ele são infalíveis.


II - HISTÓRIAS REPUGNANTES - Em primeiro lugar é preciso dizer que "histórias repugnantes" são estas para que mereçam ser retorquidas; em segundo lugar, Deus é avalista apenas da transmissão fiel da verdade evangélica. Nunca ninguém afirmou que o papa ou os bispos são IMPECÁVEIS. Dizemos, sim, INFALÍVEIS nas questões de fé e moral.


III - INQUISIÇÃO - Nâo foi diabólica coisíssima nenhuma! Foi apenas justa e necessária nas circunstâncias vigentes na época em salvaguarda da fé, do direito e da civilização contra grupos de hereges assassinos que aos bandos e por quase duzentos anos atormentaram os católicos com assaltos, destruições e massacres.


 
 
IV - PEDIDO DE PERDÃO - O pedido de perdão do Papa é uma confissão geral das culpas do passado numa autêntica “purificação da memória”; um pedido de perdão: 1. pelo emprego de “métodos não evangélicos” no serviço da Fé; 2. pela separação dos cristãos; 3. pelas perseguições contra os judeus; 4. pelo desrespeito dos direitos dos povos e 5. das respectivas culturas e religiões; 6. pelos atentados contra a dignidade da mulher; 7. finalmente, pelas violações dos direitos humanos.






 
É na fraqueza que Deus manifesta seu poder


 
 
João Paulo II pediu oficialmente perdão a Deus, em nome da Santa Igreja, pelos pecados cometidos por seus filhos desde a sua fundação há dois mil anos.
 
Nenhum reconhecimento por erros doutrinários! Portanto, nada a ver.


V - A IMORALIDADE DA DOUTRINA DA "FÉ SEM AS OBRAS" - O que o pastor entendeu acima está correto, porém suas pregações atingem as raias de doutrinas verdadeiramente imorais. Vejamos estas declarações:


V.1 - "Quereis ver reunida no mesmo lugar uma população inteira de selvagens e ímpios, entre os quais toda a espécie de iniquidade é prática cotidiana e, por assim dizer, de moda? Ide às nossas cidades luteranas, onde se acham os pregadores mais estimados e onde o santo Evangelho é pregado com mais zelo: aí a encontrareis... Dos púlpitos já se brada que AS BOAS OBRAS SÃO NÃO SÓ DESNECESSÁRIAS SENÃO AINDA NOCIVAS À SALVAÇÃO DAS NOSSAS ALMAS". (BELZIUS, Von Jmmer und Elenden menschl. Lebens, Kurzer Unterricht aus dem 90 Psalm. Lipsiae, 1575, C. 6, D. 6. );


V.2 - "Somos duas vezes piores que os papistas, antes piores que Tiro, Sidônia e Sodoma".(B. RIGGENBACH, Ja. Eberlin von Günzburg, um francisccano apóstata, 1876, p. 242. Se assim é, por confissão dos próprios chefes da Reforma, quanto mais se esforçam os modernos protestantes por pintar com tintas carregadas a época anterior a LUTERO, tanto mais negro deverá aparecer o luteranismo);




 
...em vez de socorrer os pobres, acabam de esbulhá-los
V.3 - DIOGO ANDRÉ com a autoridade de quem, como inspetor, empreendeu inúmeras viagens e recolheu muitas observações, publicadas em 1568: "A fim de que saiba o mundo inteiro que não são os papistas se não põem a sua confiança nas boas obras, os nossos luteranos diligenciam por não praticar nenhuma. Em vez de jejuar, comem e bebem noite e dia; em vez de socorrer os pobres, acabam de esbulhá-los; em vez de orar, blasfemam e desonram a Jesus Cristo, por modos que excedem a ousadia dos próprios turcos. finalmente, em vez da humildade cristã, aninham no coração o orgulho e o amor do erro. Tais são os costumes dos nossos evangélicos". (JACOB ANDREAS Erinnerung nach dem auf er Planeten gestelit,Tübingen, 1568;


V.4 - I. RIVIUS escreve em 1547: "Se és adúltero ou libertino, dizem os pregadores, crê simplesmente e serás santo. Nem temas a lei, porquanto Cristo a cumpriu e satisfez pelo homem... Semelhantes discursos levam à vida ímpia". (I. RIVIUS, De Stultitia mortalium, 1557, I. 1, p. 50 s.);




 
 
 V.4 - LUTERO ensinva em 1523: "Deus só te obriga a crer e a confessar. Em todas as outras coisas te deixa livre e senhor de fazer o que quiseres, sem perigo algum de consciência; antes é certo que, de si, ele não se importa, ainda mesmo se deixasses tua mulher, fugisses do teu senhor e não fosses fiel a vínculo algum. E que se lhe dá, se fazes ou deixas de fazer semelhantes coisas?" (Weimar, XII, 131 ss; Cabe aqui a observação que em 1565 fazia JOANNES JACOBUS na obra sobre a sua conversão: "entre os católicos os pecados atribuem-se às pessoas, entre o luteranos às doutrinas e às pessoas". RÄSS, Die Convertiten seit der Reformation, Freiburg . B., 1866, I. 522).


V - ASSÉDIO SEXUAL - Sim houve mas em número tão reduzido que poderíamos considerar como  desprezíveis. Mesmo que multiplicássemos os número dos escandalosos por 20.000% sequer atingiríamos 2,5% do total do clero e dos religiosos. O próprio Cristo já alertava que era impossível não haver escândalos (Mt 18,7). Isto porém não tem comparação com o número de líderes evangélicos envolvidos nos escândalos de adultérios, estupros, pornografias, pedofilias etc. que atingem 64% de sua corporação. Não sou eu que estou iventando isso. São dados colhidos nos sites dos próprios evangélicos que se diga de antemão: pelo menos estes não são hipócritas!


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5) Não sou protestante porque apesar deles lerem a Bíblia (embora sem alguns livros e com interpretações diversas) não possuem nenhuma autoridade superior Infalível, para declarar que uma palavra tem tal sentido, e exprime tal verdade.




Resposta Protestante:


Qual seria a autoridade infalível na Terra? Só surgiu um homem assim: Jesus Cristo, porque não tinha a mancha do pecado. A Palavra diz: "Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso", e que "não há um justo, nem um sequer". (Rm 3.4,10)


Não temos um PAPA falível, mas temos um Papai do Céu infalível capaz de suprir todas as nossas necessidades (Fp 4.19). "O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará". (Salmo 23.1) (Pr Airton)


Refutação da Resposta: -


 
O PROTESTANTISMO SE PULVERIZOU
EM MAIS DE 300.000 SEITAS
A Igreja é o canal mediante a qual Cristo nos transmite fielmente a depósito da fé. Se de um lado está Jesus, a luz que brilha nas trevas e, de outro, com um hiato de 20 séculos depois, estamos nós sedentos da verdade. De que nos serviria uma Igreja falível se está sujeita a todas as taras da fragilidade humana? Nesta condição carrearia ela de mescla com a linfa divina da verdade, o lodo e a escória da ignorância e falibilidade humana. Os rebelados recusaram a autoridade da Igreja transferindo-a para a Bíblia e, nem se completaram 5 séculos, aquilo que receberam julgando ser a verdade a partir de Lutero, hoje já se pulverizou em mais de 300.000 variedades de "verdades, cada seita ensinando o que julgam ser  "verdades" diferentemente uma das outras. Você diz ter um Papai do Céu que, para sua surpresa, abomina rebelião e a considera idolatria e feitiçaria (1Sm 15,22-23).
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6) Não sou protestante porque eles negam a Tradição oral. Sendo que na própria Bíblia, Paulo recomenda os ensinamentos de viva voz (Tradição) que nos foram transmitidos por Jesus e passam de geração em geração no seio da Igreja, sem estarem escritos na Bíblia. Confira em (2 Tim 1,12-14).




Resposta Protestante:
Negamos a Tradição Oral porque ela foi a maior fonte de problemas já na teologia do Antigo Testamento, torcendo as palavras já escritas na Torah; e ela também tem sido comprovadamente a maior fonte de heresias no meio da Igreja Romana. No caso do Antigo Testamento, dizia Jesus aos fariseus: "E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição".  (Mc 7.9). Note-se que Deus não deixou nada escrito, tanto no Antigo Testamento como no Novo. Mas a existência de ESCRITURA deixada por Moisés e outros homens de Deus limitou todos os sermões de Jesus a somente o que estava escrito. Ele combatia tudo o que se afastasse do que estava escrito. Paulo e os demais apóstolos podiam aconselhar os irmãos a seguir o que dissessem, pois estavam VIVOS e seu testemunho era real. Após suas mortes, tudo o mais que alguém poderá dizer que ouviu deles é mera especulação. Tome-se por exemplo a Igreja da Galácia: tinha sido evangelizada e fundada PESSOALMENTE pelo apóstolo (At 18:23), mas isso não impediu que os crentes ali logo perdessem a fé genuína para os judaizantes, obrigando Paulo a, POR ESCRITO, trazê-los de volta à verdadeira fé: "Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco". (Gl 4:11) - "É bom ser zeloso, mas sempre do bem, e não somente quando estou presente convosco". (Gl 4:18) Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chamou". (Gl 5.7,8) - E Paulo termina sua pregação, por estar ausente, por meio de documento escrito: "Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão". Gl 6:11) - Se isso aconteceu num curto período de tempo, ainda em vida do Apóstolo que evangelizou os gálatas pessoalmente e em sua ausência se perderam, o que não dizer de séculos de ignorância quando a Igreja de Roma inclusive PROIBIA a leitura da Bíblia por seus seguidores? A maior prova da falha da tradição oral está na Cronologia dos Dogmas, com doutrinas humanas criadas em épocas muito tempo após a morte dos apóstolos, sendo que não se encontra nenhum documento anterior prescrevendo tal doutrina na Igreja Primitiva (tais como Purgatório, Assunção de Maria, Concepção Imaculada de Maria, Oração pelos mortos, etc). Acreditar na Tradição Oral que nunca foi registrada na Igreja do primeiro século é combater o próprio ensino de Paulo, que escrevia cartas e mandava que fossem lidas em todas as Igrejas, intercambiando com outras que já havia escrito: "E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também". (Cl 4.16) - "Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos". (1Ts 5.27) - E outra coisa importante: este argumento católico se baseia na carta a Timóteo, certo? Vejamos tal carta em sua totalidade: 1. Em todas as orientações que foram dadas sobre comunicação oral, os apóstolos ordenavam sobre pronomes pessoais: "palavras que de MIM tendes ouvido"; 2. Paulo nunca mandou alguém a obedecer quem não fosse apóstolo e queria que fosse ensinado o que saiu dele mediante TESTEMUNHAS: "E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros". (2Tm 2.2) 3. Paulo recomenda a perfeição do obreiro de Deus pela Palavra escrita e não incluiu a tradição em pé de igualdade: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra". (2Tm 3:16,17) Mais um detalhe: para ser apóstolo, deveriam existir dois requisitos básicos: "Porque no livro dos Salmos está escrito: Fique deserta a sua habitação, E não haja quem nela habite. Tome outro o seu bispado. É necessário, pois, que, dos homens que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição". (At 1.20-22) Nenhum outro homem, além dos doze, merecia tal título. Paulo foi chamado Apóstolo dos Gentios devido ao seu chamado, não se considerava como um dos doze e depois dele nenhum outro homem mereceu este título, por não preencher os requisitos básicos do apostolado. Portanto, a autoridade apostólica morre com o último apóstolo, João, restando seus ensinamentos escritos, o que aliás foi o mais importante critério para determinação do Cânon do Novo Testamento pela Igreja Primitiva.

Refutação da Resposta:

I - TRADIÇÃO ORAL - FONTE DE HERESIA -
Hehehe!!!! Neste caso deveria negar também as Sagradas Escrituras porque elas já deram origem a mais de 300.000 seitas heréticas. É, pois, a Bíblia uma fonte inesgotável de heresias!!!



 
... nem o mundo inteiro poderia conter os livros que
se deveriam escrever." (São João 21,25).
II - O SERMÕES DE CRISTO FICARAM LIMITADOS ÀS ESCRITURAS - Pelo Contrário!!!!! Nem tudo o que ensinou Jesus foi escrito, nem mesmo poderia. O Apóstolo João diz: "... Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever." (São João 21,25). Que coisas ensinou Jesus e que não foram escritas?


II.1 - RESUMIDAMENTE - Ensinos muitas vezes mencionados resumidamente: "ensinando em suas sinagogas" (Mt 4,23);


II.2 - EM PARTICULAR A SEUS DISCÍPULOS - ensinos ministrados somente aos apóstolos (Mt 13,11);


II.3 - COISAS DO REINO DE DEUS - liturgias, instruções diversas expressas resumidamente como "... falando das coisas do Reino de Deus" (Atos 1);


II.4 - PREGANDO O EVANGELHO - ou simplesmente "pregando o Evangelho" (Mt 9,35) etc.


Se de Cristo nem tudo foi escrito, muito menos ainda foi o que ensinaram os santos apóstolos:


II.5 - DE VIVA VOZ-1 - "Apesar de ter mais coisas que vos escrever, não o quis fazer com papel e tinta, mas espero estar entre vós e conversar de viva voz, para que a vossa alegria seja perfeita. Saúdam-te os filhos de tua irmã, a escolhida" (2João 1,12-13)


 
"... mas não quero fazê-lo com tinta e pena"  (3João,13-16)


 
II.6 - DE VIVA VOZ-2 - "Tinha muitas coisas para te escrever, mas não quero fazê-lo com tinta e pena. Espero ir ver-te em breve e então falaremos de viva voz. A paz esteja contigo! Os amigos te saúdam. Saúda os amigos cada um em particular" (3João,13-16)

II.7 - QUANDO ENCONTRAR-SE PESSOALMENTE - "Se alguém tem fome, coma em casa. Assim vossas reuniões não vos atrairão a condenação. As demais coisas eu determinarei quando for ter convosco" (1Coríntios 11,34)


EM RESUMO: - O ESPÍRITO SANTO NOS FAZ RECORDAR TUDO O QUE CRISTO NOS PRESCREVEU (São João 14,26). MUITO DO QUE NÃO FOI ESCRITO FICOU NA MEMÓRIA DA IGREJA.


 
PHILIPS VON MARNIX
III - TRADIÇÃO - MERA ESPECULAÇÃO - Seria sim, se o Espírito Santo não vivesse na Igreja. Por que acreditar no que foi escrito conforme a tradição? Porventura a escrita também não pode ser adulterada? Os protestantes são exemplo de tais adulterações, pois a Bíblia somente está protegida quando sob sua legítima guarda que é a Igreja. Fora dela, a Bíblia sofreu todo tipo de atentados desde reles cópias com erros, até traduções viciadas. Lutero deitava e rolava adulterando o que podia em sua tradução para o alemão. Veja o testemunho de escritores protestantes: - 1. JERÔNIMO EMSER - "Lutero vira de tal modo a Bíblia para a fé sem as obras, que no fim, não há mais uma coisa nem outra". Indica 1400 falsificações; 2. JOÃO DIETENBERGER, contemporâneo de Lutero: "O que Lutero não quer, ele o suprime da Bíblia; o que se ajusta com o seu querer ele o ajunta, em prova de seus erros". (Grisar III. 440, nota 1); 3. PHILIPS VON MARNIX - "De todas as traduções em uso nas igrejas protestantes, nenhuma existe que se afaste tanto do texto original, como a de Lutero". (Tübenger Theol.: Quartalschrift, 1848); 4. JOSIAS BUNSEN - assinala cerca de 3.000 passagens falsificadas, e intitula a obra de Lutero a menos exata de todas. (F. Nippold: Christian Von Bunser. 1868, III, 182). Isso sem contar os sete livros que os rebelados alijaram de sua Bíblia apelidando-os de apócrifos. Com que autoridade? Com que garantia a não ser razões e raciocínios meramente humanos?


IV - IGREJA PRIMITIVA - DOUTRINA DO PURGATÓRIO - Nesta o pastor escorregou feio dando mostras que realmente não sabe nada de Igreja primitiva. Vamos ver o testemunho de alguns pais da Igreja:


IV.1 - SÃO CIPRIANO - (†258), bispo de Cartago, refere-se à oferta do sacrifício eucarístico em sufrágio dos defuntos como costume recebido da herança dos bispos seus antecessores (cf. epist. 1,2). Nas suas epístolas é comum encontrar a expressão: “oferecer o sacrifício por alguém ou por ocasião dos funerais de alguém”.

IV.2 - TERTULIANO,

IV.3 - MACABEUS - Antes de Cristo: “… é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados” (2 Mac 12,46).

Bispo de Cartago, falecido no ano de 220: “A esposa roga pela alma de seu esposo (felecido) e pede para ele refrigério, e que volte a reunir-se com ele na ressurreição; oferece sufrágio todos os dias aniversários de sua morte”.

 
Segundo a Sagrada Tradição conservada
fielmente pela Igreja (II Tess 2,15), Maria
foi Assunta aos Céus
 
V - IGREJA PRIMITIVA - ASSUNÇÃO DE MARIA - É tradição da Igreja desde a mais remota antiguidade. Tal se nos mostra Maria na glória celestial, como cantava o Rei de sua Mãe, assim canta Deus de Nossa Senhora: "Sentada à direita de seu Filho querido" (3 Reis, 2, 19), "revestida do sol" (Apoc. 12, 1), cercada de glória "como a glória do Filho único de Deus" (Jo. 1, 14), pois é a mesma glória que envolve o Filho e a Mãe! Ele nos aparece tão belo! E ela como se nos apresenta suave e terna em seu sorriso de Mãe, estendendo-nos os braços, num convite amoroso, para que vamos a Ela e possamos um dia partilhar de sua bem-aventurança! Nada é mais autêntico do que estas antigas tradições da Igreja sobre o mistério da Assunção da Mãe de Deus, encontradas nos escritos dos Santos Padres e Doutores da Igreja, dos primeiros séculos, e relatadas no Concílio geral de Calcedônia, em 451.


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7) Não sou protestante porque algumas denominações batizam crianças, outras não as batizam; algumas observam o domingo; outras, o sábado; algumas têm bispos; outras não os têm; algumas têm hierarquia; outras entregam o governo da comunidade à própria congregação; algumas fazem cálculos precisos para definir a data do fim do mundo. Outras não se preocupam com isto, etc.




Resposta Protestante:


 
Se divergências operacionais ou de entendimento da Escritura fossem critérios para determinação de legitimidade, nunca a Igreja de Roma poderia ter tal título. O simples fato de ter um nome único de denominação não excluiu a verdade que os católicos possuíssem verdadeira bagunça doutrinária, ontem e hoje. Exemplos: a Inquisição era considerada divina a seu tempo, hoje é considerada ignorância pelos próprios católicos; as ordens de padres têm, cada uma, estilos de vida próprios e ensinos de santidade diferentes, como os franciscanos, os dominicanos, os adeptos da Tradição, Família e Propriedade (que negam a submissão ao papa), a Renovação Carismática (que para muitos padres ainda é mal vista e tratada como facção). Curiosamente, existe um livro chamado "Como Lidar com as Seitas", do padre Paulo H. Gozzi, que diz textualmente, ao tratar das divergências internas da Igreja de Roma: "Há lugar para todo mundo na Igreja, para cada jeito de viver a fé e a comunhão. Há variedade de serviços, de dons, de atividades, mas o Espírito que dá essa diversidade é o mesmo. As diferenças existem para o enriquecimento espiritual de uns e outros, jamais para dividir e separar uns dos outros. Quem não gosta do jeito de um grupo, não precisa participar dele, participe de outro. Quando é que vamos aprender a viver em paz e harmonia e pluralismo, aceitando o jeito diferente de cada um ser o que é, dentro da mesma Unidade?" (páginas 64 e 65 da referida obra, 4a. edição da editora Paulus). É bom mesmo que esse padre pense assim, pois ele diz na página 39, ao falar sobre o Saravá - o Baixo Espiritismo: "Não devemos fazer acusações injustas, achando que essas religiões são do demônio (...) E nessa cultura tribal foram criando mitos e lendas religiosas que explicam os mistérios da vida, passando tudo isso de pai para filho. Essas religiões africanas são belas, puras e merecem o nosso profundo respeito". Garanto que o Vaticano não pensa assim. Pelo menos três padres que conhecemos pensam BEM DIFERENTE disso... e onde está a unidade doutrinária, afinal não é um livro publicado por uma editora católica, que não imprime nada que seja protestante? Não vamos mais longe: e o Padre Quevedo, que diz que o diabo não existe e não existem possessões demoníacas, contrariando o próprio Evangelho? Onde está a orgulhosa unidade católica, já que um herege como este não é excomungado por chamar o próprio Jesus de mentiroso? E, quanto ao hiato entre Cristo e os protestantes, temos a afirmar duas coisas: 1. Esse hiato existe doutrinariamente e historicamente somente com a Igreja Católica de Roma, pois Jesus nunca fundou denominação alguma com base em Roma (cuja fundação foi num concílio presidido por um imperador romano, 3 séculos depois de Cristo) e também o fundamento não foi Pedro, foi o próprio Cristo, segundo afirmação do próprio apóstolo em sua carta: "Se é que já provastes que o SENHOR é benigno; E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido". (1Pe 2.3,4,6) Paulo disse a mesma coisa: "Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo". (1Co 3.11) "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina". (Ef 2.20) 2. Mais importante que o hiato temporal, é o hiato Doutrinário, e nesse aspecto a Igreja Protestante ficou muito mais perto de Cristo ao voltar-se SOMENTE aos escritos apostólicos, recusando as dezenas de dogmas errados da igreja de Roma, mediante o lema "SOLA SCRIPTURA".


Refutação da Resposta:


 
Dizeres com sentido implícito
I - BAGUNÇA DOUTRINÁRIA CATÓLICA - É isto que o evangélico não encontrará na Santa Igreja de Cristo. O que ela ensinava nos primeiro séculos é o que continua ensinando. Não se pode considerar "bagunça doutrinária" o fato de a Igreja, em virtude de sua autoridade recebida de Cristo, como mãe, mestra e sustentáculo da verdade, TORNAR EXPLÍCITA verdades contidas na revelação divina de forma IMPLÍCITA não significa confusão alguma. Na verdade a Igreja vem transmitindo fielmente o depósito da fé seja pela guarda intransigente das Escrituras, seja pela conservação das tradições apostólicas, inclusive algumas partes mais obscuras deste patrimônio recebido de Deus e que por direito lhe cabe, conforme as circunstâncias tornar mais claros. É esta a função do magistério infalível da Igreja. Quando àqueles movimentos que não agem em obediência à Igreja, ipso facto, já são considerados cismáticos o que não é o caso da Renovação Carismática Católica.


 
Desrespeito à Fé Alheia
II - ESPIRITISMO E RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS - O Padre está certo quanto ao respeito que devemos ter com as pessoas de diversas crenças as quais, por sua vez, merecem também nosso respeito. E onde está a unidade doutrinária? Está no seu devido lugar, inclusive, a atitude de respeito para com as pessoas e suas crenças em nada fere nossa fé.


III - PADRE QUEVEDO - O padre Quevedo é um respeitável cientista. As acusações não procedem, tanto em sua alegação não menciona nenhum documento comprovando-a.


IV - A IGREJA DE ROMA NÃO FOI FUNDADA POR CRISTO E SIM POR CONSTANTINO - É isto que os pastores protestantes sabem de história? Quem fundou a Igreja de Êfeso? De Antioquia? Certamente não foi Cristo e sim alguns de seus apóstolos. Quando Constantino tornou-se imperador a Igreja Católica já existia assim como seus papas. Quer provas? Tenho-as:


IV.1 - SÉCULO I - CLEMENTE DE ROMA - São Clemente que foi o terceiro sucessor de São Pedro, depois de São Lino e de Santo Anacleto na Sé de Roma, em sua “Epístola aos coríntios” (Ep. 59), no ano 95 ou 96, portanto, ainda no I século da era cristã, e só trinta anos após martírio de São Pedro suplica para que se recebam aos bispos que tinham sido expulsos injustamente dizendo: “Se algum homem desobedecer às palavras que Deus pronunciou através de nós, saibam que esse tal terá cometido uma grave transgressão, e se terá posto em grave perigo”. E São Clemente incita então os coríntios a “obedecer às coisas escritas por nós através do Espírito Santo” (São Clemente, Ep.59). Até mesmo um inimigo do Papado -- Lightfoot -- foi obrigado a confessar que esta carta de São Clemente foi “o primeiro passo para estabelecer a dominação papal” (Clemente, 1, 70).


 
 
IV.2 - SÉCULO II - ORÍGENES - “E Pedro, sobre quem a Igreja de Cristo foi edificada, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão.(...)" In Joan. T.5 n.3.


TATIANO, O SÍRIO - "Simão Cephas respondeu e disse, 'tu és o Messias, o Filho do Deus Vivo. Jesus respondeu dizendo-lhe: 'Bendito és, Simão, filho de Jonas: não foram a carne nem o sangue quem te revelaram, mas o meu Pai que está no céu, E eu também te digo que és Cephas, e sobre esta rocha eu construirei a Minha Igreja; e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela". (Diatsseron 23, 170 d. C)


IRENEU - "No PONTIFICADO de Clemente surgiram divergências graves entre os irmãos de Corinto. ENTÃO A IGREJA DE ROMA ENVIOU AOS CORÍNTIOS UMA CARTA IMPORTANTÍSSIMA PARA REUNI-LOS NA PAZ..." (Ireneu de Lião - 180 dC. "Contra as Heresias", Livro III 3.3)


V - O FUNDAMENTO NÃO FOI PEDRO - Neste caso você realmente não quer entender o que está escrito, senão veja: 1. Cristo dá a Simão o nome de KEPHAS (pedra em aramaico); 2. Sobre esta KEPHAS (pedra) ele edifica sua Igreja; 3. Se é sobre KEPHAS que Jesus erigiu o edifício de sua Igreja, com toda lógica haveremos de aceitar que CEFAS, ou seja, SIMÃO PEDRO, é o alicerce sobre o qual foi erguida a sua Igreja. São Paulo disse que Jesus é o fundamento do Evangelho, objeto de sua pregação. Ele plantou, isto é, lançou a semente do Reino de Deus, Apolo regou (zelou pelo crescimento da planta) e Deus a fez crescer; ora se Cristo devesse ser o único fundamento sobre o qual foi edificada sua Igreja, o próprio Paulo não teria dito que este fundamento era constituído por todos os apóstolos. Sim Cristo é a PEDRA, a angular, a principal que mantém de pé o edifício da Igreja. Portanto, segundo disse Cristo, CEFAS é o fundamento sobre o qual Cristo edificou sua Igreja.


VI - HIATO DOUTRINAL - Mas a qual das mais de 300.000 seitas protestantes você se refere? Àquela que aceita Jesus como Deus ou aquela que nega sua divindade? Àquela que considera a Santíssima Trindade como uma fórmula pagã, ou àquela qeu acha que O Pai é Deus, que o Filho é Deus e que também o Espírito Santo é Deus, três pessoas divinas, porém um só Deus na unidade? Se a revolta protestante é  verdadeira também um balaio de gatos é uma mistura homogênea.


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8) Não sou protestante porque há passagens da Bíblia que eles não aceitaram como tais; a Eucaristia, por exemplo, Jesus disse claramente: Isto é o meu corpo (Mateus 26,26) e Isto é o meu sangue (Mateus 26,28).


Resposta Protestante:


 
Jesus também disse, claramente: "Eu sou a porta. Todo aquele que entrar por mim, salvar-se-á. Entrará e sairá, e achará pastagens". (Jo 10.9) Só um louco interpretaria literalmente essa palavra e admitiria que Jesus é uma porta e que os cristãos são ovelhas comedoras de capim. Ele disse: "Eu sou a videira verdadeira [fonte de vida espiritual], e meu Pai é o agricultor; vós sois os ramos". (Jo 15.1,2,5) Nem por isso admitimos que Jesus é uma árvore, o Pai é um plantador de arroz, e os cristãos são ramos. Está claro que essas expressões são figurativas. Ao dizer "Isto é o meu corpo" estava dizendo, realmente


 
 
"Isto representa o meu corpo". Se levarmos em conta a interpretação literal, Jesus ao levantar o pão estaria levantando seu próprio corpo. Ademais, naquela oportunidade, como todas as vezes por ocasião da ceia do Senhor, o pão continua com gosto e sabor de pão, bem como o vinho continua com o cheiro e sabor de vinho. Esses elementos não se transformam numa mágica no corpo de Jesus. Se assim fosse, Jesus teria engolido a Si próprio. Jesus não entra em nós pela ingestão do Seu corpo, mas entra em nossa vida quando O aceitamos de todo o nosso coração como Senhor e Salvador (Rm 10.9) (Pr Airton).


Refutação da Resposta:


I - EUCARISTIA - JESUS FALAVA FIGURATIVAMENTE - Como é que sabe? Você disse: "somente um louco interpretaria literalmente...". Pois bem, foi isso mesmo que pensou a maioria dos seguidores de Cristo achando que ele estava fora de si e, por isso, já não andavam mais com ele. Ademais, quem ensina o sentido verdadeiro das Escrituras não são os falsos doutores que não portam um mandato legítimo (At 15,24) e sim aqueles que foram verdadeiramente enviados por Cristo.


II - JESUS ESTARIA LEVANTANDO SEU PRÓPRIO CORPO - E por que não? Ele não é Deus? Porventura não tem poder para tanto?


II - TER-SE-IA ENGOLIDO A SI PRÓPRIO - O Evangelho não fala que Cristo comeu do pão e bebeu do vinho depois de tê-los declarado respectivamente seu corpo e seu sangue.


III - JESUS NÃO ENTRA EM NÓS PELA INGESTÃO DE SEU CORPO - Só repito as palavras de Cristo: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue TEM A VIDA ETERNA; e eu o ressuscitarei no último dia" (São João 6,54); "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue PERMANECE EM MIM E EU NELE" (São João 6,56)


Agora se você, acreditando em quem não tem a mínima autoridade nem qualquer garantia bíblica de infalibilidade, acha que é o contrário, vá em frente! Eu não me arriscaria a tanto!


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9) Não sou protestante porque os supostos intérpretes da Bíblia não aceitam a real presença de Cristo no pão e no vinho consagrado, sendo que em (João 6,51) Jesus afirma: O pão que eu darei, é a minha carne para a vida do mundo. Aos judeus que zombavam, o Senhor tornou a afirmar: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Pois a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue é uma verdadeira bebida.


Resposta Protestante:


A leitura e interpretação da Bíblia não devem ser privilégio de um grupo governante como na seita testemunhas-de-jeová e no catolicismo. Todos podem ler e interpretar livremente a Palavra de Deus, que é dirigida a todos indistintamente. Sobre o assunto eucaristia já falamos anteriormente. O pão não se transforma no corpo de Cristo. Ademais, Jesus instituiu a ceia em MEMÓRIA, para recordação do Seu sacrifício na cruz. Vejam: "Fazei isto em memória de mim" (1 Co 11.24-25). O sacrifício de Jesus não pode e não deve ser RENOVADO TODOS OS DIAS. Vejam: "Pois Cristo padeceu uma única vez pelos pecados". (1Pe 3.18) Ele não precisa morrer outras vezes. Então, o culto da ceia do Senhor não objetiva crucificá-LO outra vez, mas recordar a Sua morte expiatória. "Comer a minha carne e beber o meu sangue" não pode ser interpretado literalmente, pois Deus não aprovaria um ato de antropofagia (comer carne humana com suas vísceras, cabelos e unhas). Nem sempre o significado de um texto é o significado literal, como mais acima foi explicado. Quando lemos que Ele é a pedra angular, o real fundamento da Igreja (1 Co 3.11; Ef 2.20) não podemos entender que Jesus seja realmente uma pedra. São figuras de linguagem. Vejamos os comentários de Norman Geisler em seu Manual Popular de Dúvidas: "Há muitas indicações em João 6 de que Jesus literalmente queria dizer que a sua ordem para comer a sua carne deveria ser considerada de uma maneira figurada. Primeiro, Jesus afirmou que a sua declaração não deveria ser tomada com um sentido materialista, quando ele disse: "as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida". (Jo 6.63) Segundo, seria um absurdo e um canibalismo considerá-la com um sentido físico. Terceiro, Ele não estava falando da vida física, mas da "vida eterna" (Jo 6.54). Quarto, ele chamou a si de "o pão da vida" (Jo 6.48) e contrastou esse pão com o pão físico (o maná) que no passado os judeus comeram no deserto (Jo 6.58). Quinto, Ele usou a figura do "comer" a sua carne paralelamente à idéia de "permanecer" nele (cf.Jo 15.4-5), que representa outra figura de linguagem. Sexto, se comer a sua carne e beber o seu sangue fosse tomado literalmente, isso seria contradizer outros mandamentos das Escrituras, que ensinam a não comer carne humana nem sangue (cf. At 15.20)". Ademais, a salvação não está em comer o corpo de Jesus, mas em crer e obedecer (Jo 3.18,36; 5.24; 6.35; 7.38; 11.25; Atos 10.43; 13.39;16.31; Rm 1.16;10.9) (Pr Airton).


Refutação da Resposta:


I - A CEIA É EM MEMÓRIA - Claro que é! Mas isto não significa que se deve tomar o que foi dito em sentido figurado. Cristo disse: "Fazei isso em memória...". Fazer o que? Aquilo que Cristo fizera, isto é, se se o sentido de suas palavras fossem simbólicos, era assim que deveriam fazer e, igualmente, se o sentido fosse literal, também seria assim. O "fazer em memória" em nada altera o sentido das palavras de Cristo. O sacrifício da Missa torna-nos presente o único sacrifício de Cristo, porquanto Deus não se subordina às leis do tempo do qual ele é o Senhor. Quando participamos da Santa Missa é como se estivéssemos no Calvário juntamente com os amigos de Jesus, unidos a eles e a todos os anjos e santos do céu. Este sacrifício já estava claramente expresso: "Temos um altar, e uma vítima da qual os que prestam serviços ao Tabernáculo, (isto é, os judeus) não têm o direito de comer" (Hb. 13, 10); estava igualmente prevista em profecia: "Vá, antes, um de vós e feche as portas. Não acendereis mais inutilmente o fogo no meu altar. Não tenho nenhuma complacência convosco - diz o Senhor dos exércitos - e nenhuma oferta de vossas mãos me é agradável. Porque, do nascente ao poente, meu nome é grande entre as nações e EM TODO LUGAR SE OFERECEM AO MEU NOME O INCENSO, SACRIFÍCIOS E OBLAÇÕES PURAS. Sim, grande é o meu nome entre as nações - diz o Senhor dos exércitos." (Malaquias 1,10-11). Pois bem, acertadamente chamamos à Missa de SACRIFÍCIO e a oblação pura oferecida ao PAI é o CORPO, SANGUE, ALMA E DIVINDADE DE CRISTO, seu filho divino. Não se trata mais de sacrifício judaico visto não ser mais do agrado de Deus; portanto trata-se de um verdadeiro sacrifício, mas agora perfeitamente aceitável por Deus.


II - COMER A CARNE DE CRISTO É ANTOPOFAGIA - Agora você está falando talqualmente os pagãos que consideravam os católicos como antropófagos: ATENÁGORAS DE ATENAS - ANTROPOFAGIA/CANIBALISMO - "Quem, em plena razão, poderia dizer que, sendo assim, somos assassinos? Não é possível saciar-se de carne humana, se antes não matamos alguém. Se eles mentem quanto ao primeiro ponto, mentem também quanto ao segundo. Com efeito, se lhes é perguntado se viram o que dizem, não existe ninguém tão sem-vergonha que diga ter visto. Entretanto, temos escravos, alguns mais outros menos, para os quais não é possível ocultar-nos. No entanto, nenhum deles chegou a caluniar-nos com semelhantes coisas..." (Petição em favor dos Cristãos - Atenágoras de Atenas - livro III-§35 - 177 d.C.).


Não! Não se trata de antropofagia e é bem por isto que, providencialmente, Jesus se encontra sob as aparências do pão e do vinho. O pão tem, na verdade, gosto e consistência do pão e o vinho, de vinho. Jamais sentimos gosto de outra coisa quando comungamos a não ser em raríssimos casos que Deus, se manifesta em carne e sangue, para que avivemos nossa fé neste augusto mistério.


III - SENTIDO MATERIALISTA - Sentido materialista tem outra acepção que não o de se entender literalmente. Vejamos esta afirmação:  "... Não está aqui: ressuscitou como disse... "(São Mateus 28,6). Se, porventura, alguém tomar o termo "ressuscitou" literalmente quer dizer que é materialista? Portanto não se deve entender simbolicamente quando Cristo diz: "Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida" (São João 6,55).




Todos os demais raciocínios são meramente humanos e perfeitamente passíveis de erro.


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10) Não sou protestante porque os mesmos não reconhecem o primado de Pedro, sendo que o próprio Jesus disse: Tu és Pedro (Kepha) e sobre esta pedra (Kepha) edificarei a minha Igreja; (Mateus 16,18).


Resposta Protestante:


"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt. 16.13-20). O catolicismo vale-se dessa passagem para afirmar que os papas são sucessores de Pedro. Nenhum dos modos de entender essa passagem dá suporte à posição católica. "Sobre esta pedra" poderá referir-se à firme declaração de Pedro, de que Jesus era "o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16.16). Admitida a hipótese de a referência ser a pessoa de Pedro, este (Petros, pedra, em grego) seria apenas uma pedra no fundamento apostólico da Igreja (Mt 16.18), não a rocha. Pedro admitiu que Cristo é a principal pedra, a pedra principal, angular, preciosa, de esquina (1 Pe 2.7-8). E mais: a) No primeiro concílio em Jerusalém, Pedro apenas introduziu o assunto (At 15.6-11). Tiago teve participação mais importante: assumiu a reunião, deu seu parecer e fez um pronunciamento final (At 15.13-21). b) Paulo não diz que Pedro é a coluna da Igreja, mas que as "colunas" (no plural) são "Tiago, Cefas e João" (Gl 2.9); c) Paulo declarou que a Igreja é edificada "sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Jesus Cristo, a pedra angular" (Ef 2.20) d) Pedro não instituiu o celibato, pois era casado (Mt 8.14); e) Pedro não era e não se considerava infalível, pois foi advertido por Paulo porque ele não procedia "corretamente segundo a verdade do Evangelho" (Gl 2.14); f) A Bíblia diz que Cristo é o fundamento da igreja cristã, e que "ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo" (1Co 3.11) g) A Igreja primitiva perseverou na "doutrina dos apóstolos", e não na de Pedro (At 2.42). Finalmente, Pedro não aceitava adoração (o beija-mão, o ajoelhar-se aos pés) conforme Atos 10.25-26. (Pr Airton).


Refutação da Resposta:


Do que já foi falado e já refutado nem perderei tempo em demonstrar o contrário. Acupar-me-ei do que ainda não foi falado:


I - PEDRO APENAS INTRODUZIU O ASSUNTO - Pelo contrário, quando Pedro falou, o assunto fora discutido ardorosamente "... ao fim de uma grande discussão...". Quando Pedro se pronunciou a assembléia se fez silêncio "... toda a assembléia o ouviu silenciosamente... " como seria de esperar quando fala uma autoridade de maior prestígio. A palavra de Pedro foi a Final, tanto assim que terminada Paulo e Barnabé começaram a relatar as maravilhas operadas por Deus na difusão do Evangelho.


II - PARTICIPAÇÃO MAIS IMPORTANTE FOI A DE TIAGO - Falso! Tiago não resolveu coisa nenhuma. Tiago não propõe nenhuma solução nova. Fala depois de Pedro para aderir à sua sentença, para confirmá-la com a Escritura: "Simão tem contado como Deus primeiro visitou aos gentios a fim de formar deles um povo para o seu nome. Com isto concordam as palavras dos profetas, etc." (v;14-15); Eis o que diz a Escritura.


III - AS COLUNAS DA IGREJA SÃO TIAGO, CEFAS E JOÃO - Só uma excessão aparente à regra geral se lê no passo já citado da epístola aos Gal 2, 99: "Tiago e Cefas e João que pareciam as calunas da Igreja" etc. Poderíamos responder que não é certa esta lição. Os códices gregos D, E, F, G lêem: "Pedro, Tiago e João". A esta ordem se atêm muitos Padres antigos, entre os quais, Tertuliano, Crisóstomo, Ambrósio, Agostinho, Jerônimo e Teodoreto.


Sobre as "colunas" transcrevo o que li em "A IGREJA, A REFORMA E A CIVILIZAÇÃO": "... para Paulo, os apóstolos Pedro, Tiago e João eram exteriormente julgados como colunas da Igreja, de fato, porém, não o eram! Para o bem fundado dessa inesperada consequência só lhe faltou demonstrar que esse era realmente o significado do termo no texto original. (...) qualquer exegeta de fracas posses sabe que o verbo δοκειν, (videri), parecer, tem, não raro, o sentido de ser alguém estimado, havido, pelo que na realidade é. A força, pois, da expressão e do argumento paulino é a seguinte: "Dizeis que meu evangelho não é genuíno nem autêntica minha doutrina. Pois ficai sabendo que em Jerusalém a declarei sem dissimulações aos que só para vós são os depositários do verdadeiro cristianismo, conferi com os apóstolos que indiscutivelmente são por todos considerados como as colunas da Igreja. Condenaram-na? Repreenderam-na? Não. As autoridade da igreja Jerosolimitana (v. 6) não me fizeram observação nenhuma, nada de novo me comunicaram, mas, com seu consenso, aprovaram sem restrições os meus ensinamentos. Mais. Pedro, João e Tiago, aos quais como verdadeiros apóstolos competia examinar a minha doutrina, reconheceram a legitimidade do apostolado que Deus me confiara, e, em sinal de amizade fraterna, me apertaram a mão"


IV - DOUTRINA DE PEDRO? - Não me consta que Pedro tenha ensinado alguma doutrina particular diferente da dos demais apóstolos.


V - ADORAÇÃO A PEDRO - Adoração? Nem a Pedro nem ao Papa. Beijar a mão, ajoelhar-se, prostrar-se, pela Bíblia, nem sempre é adoração. Ver.: Rs 1,31; 2Rs 1,13; Ap 3, 9; Jz 7, 6; Mt 27,29; Gn 37,10; 1Sm 2,36; 2Sm 15, 5; 2Cr 24,17; Is 60,14; Gn 33, 3; Gn 48,12; Nm, 22.31; 1Sm 24, 9; 2Sam 28,14; 2Sm 1, 2.


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11) Não sou protestante porque eles não aceitam o sacramento do perdão e da reconciliação. Sendo que Jesus entregou aos Apóstolos e seus sucessores, a faculdade de perdoar ou não os pecados, e agir em nome dele. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem não perdoardes, não serão perdoados (Jo 20,23)


Resposta Protestante:


Pecadores não possuem poderes para perdoar pecados. O perdão dos pecados passa necessariamente pelo arrependimento sincero, e nenhum humano teria condições de saber quem está realmente arrependido. Só Deus pode perdoar pecados. Nem perdoamos nem vendemos perdão. Tiago 5.16 fala que devemos relatar nossas fraquezas uns aos outros, buscar auxílio mútuo em oração. É claro, mediante arrependimento os pecados serão perdoados por Deus. A Bíblia se explica a si mesma. Veja: "Se o meu povo... se humilhar, e orar e buscar a minha face, e se converter de seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e PERDOAREI OS SEUS PECADOS..."


(2 Cr 5.17). Não se vê Pedro e Paulo, ou qualquer apóstolo, antes ou depois da ascensão de Jesus, perdoando pecados. Quando perguntaram a Pedro como proceder para ser justificado, ele respondeu: "Arrependei-vos e convertei-vos, para que SEJAM APAGADOS OS VOSSOS PECADOS, e venham os tempos de refrigério pela presença do Senhor". Quando os escribas afirmaram que só Deus pode perdoar pecados, Jesus não corrigiu (Mc 2.7-12). Assim como os sacerdotes não podem salvar pecadores, mas podem anunciar a salvação dos arrependidos, segundo a Palavra, da mesma forma não podem perdoar pecados, mas proclamar o perdão dos que se arrependem, segundo a Palavra. Assim podemos entender João 20.23 (Pr Airton).


Refutação da Resposta:


I - "NEM PERDOAMOS NEM VENDEMOS PERDÃO" - "Nem perdoamos" - Claro! Vocês não receberam nenhum poder para tanto! Já a Igreja de Cristo tem este poder: "Dizendo isso, soprou sobre eles e lhe disse: 'Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhe-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos" (Jo 20,22-23); "Nem vendemos perdão" - O perdão dos pecados é oferecido gratuitamente na Igreja; basta que o pecador tenha a humildade de confessar seus pecados e estar com as devidas disposições, tais como arrependimento - contrição ou atrição - e firme propósito de emenda.


II - "PEDRO E PAULO PERDOANDO OS PECADOS" - Já foi biblicamente explicado que a Igreja tem poderes para perdoar pecados. Além disso já foi provado que nem tudo foi escrito.


III - SÓ DEUS PODE PERDOAR OS PECADOS - Sua fala: "Jesus não [os] corrigiu" - Resposta de Jesus: "Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados: Levanta-te - disse ele ao paralítico -, toma a tua maca e volta para tua casa." (São Mateus 9,6). Jesus não os corrigiu por palavras e sim por ato ao curar o paralítico. É claro que os escribas não sabiam que ele era Deus. A conclusão deste fato e da resposta aos fariseus é dada pelo próprio evangelista: "Vendo isto, a multidão encheu-se de medo e glorificou a Deus POR TER DADO TAL PODER AOS HOMENS". A isto Cristo não corrigiu nem deveria pois mais tarde ele mesmo dará este poder aos homens.


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Imagens dos "santos protestantes". 
o alicerce sobre o qual se firma a
Rebelião Protestante.
12) Não sou protestante porque Jesus disse que edificaria sua Igreja sobre Pedro (Mateus 16,18), e as igrejas protestantes são constituídas sobre Lutero, Calvino, Knox, Wesley, etc...Entre Cristo e estas denominações há um hiato...Somente a Igreja Católica remonta até Cristo.


Resposta Protestante:


Uma pessoa humana não poderia ser a pedra de sustentação da Igreja de Cristo. Somente o próprio Cristo é a pedra angular (At 4.11; Ef 2.20), pedra espiritual (1 Co 10.4), pedra principal de esquina (1 Pe 2.7). Cristo é o fundador de Sua Igreja, "pois ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo" (1 Co 3.11). "Não somos estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular. Nele todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor; e nele também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito" (Ef 2.19-22).


Refutação da Resposta:


"PEDRA DE SUSTENTAÇÃO DA IGREJA" - "Tu és KEPHA (pedra) e sobre esta KEPHA (pedra) edificarei a minha Igreja..." (Mt 16,18). Com sentido tão claro não há como fazer confusão! Cristo estabelece a CEFAS como o alicerce de sua Igreja. Cristo falava em hebraico e nesta língua pedra é "אבן" KEPHA. Os demais apóstolos, juntamente com Pedro são também considerados fundamento (alicerce), conforme exemplo colhido em sua resposta.


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13) Não sou protestante porque Jesus prometeu à sua Igreja que estaria com ela até o fim dos tempos (Mateus 28,20), e os mesmos se afastam da única Igreja de Cristo, para fundar novas igrejas; que se vão dividindo, subdividindo e esfacelando cada vez mais, empobrecendo e pulverizando a mensagem do Evangelho.


Resposta Protestante:


Jesus Cristo conviveu numa época onde havia diversos tipos de denominações entre os judeus: saduceus, fariseus, herodianos e os zelotes. Não existe NENHUMA, sequer uma crítica a essa divisão por parte do Senhor Jesus em todos os Evangelhos. Nesse ponto, não importa se os nomes das placas são diferentes; importa se o Evangelho é pregado em sua forma mais pura: "Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos".

(1Co 1.23) Nunca, em momento algum, Cristo determinou que denominações seriam prova de inautenticidade, mas sim Ele prezava que as diferentes denominações não tivessem ERROS DOUTRINÁRIOS para com as Escrituras... e esse é justamente o ponto onde a Igreja de Roma erra, preocupando-se somente com o nome da placa. Matam-se os mosquitos, mas dá-se passagem ao elefante...


Refutação da Resposta:


O judaísmo tolerava a multiplicidade de seitas em seu meio. Já no cristianismo isto não pode acontecer, bastando para tanto verificar os motivos que levaram os cristãos a se reunirem em Jerusalém para estabelecer a verdade com relação às prescrições mosaicas. Segundo o Novo Testamente há uma só fé e um só Senhor. O Espirito santo é um só. Não existe versão mais nova e Ele é o unificador. Aceitar essa confusão de doutrinas é duvidar da sua própria existência. "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor". (Jo 10,16); "Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo". (Ef 4,5); "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum". (At 4,32); "assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro". (Rm 12,5); "para que, com um só coração e uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo". (Rm 15,6); "Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão". (1Cor 10,17); "Por fim, irmãos, vivei com alegria. Tendei à perfeição, animai-vos, tende um só coração, vivei em paz, e o Deus de amor e paz estará convosco". (2Cor 13,11); "e reconciliá-los ambos com Deus, reunidos num só corpo pela virtude da cruz, aniquilando nela a inimizade". (Ef 2,16); "para que santificador e santificados formem um só todo. Por isso, (Jesus) não hesita em chamá-los seus irmãos," (Hb 2,11); "Finalmente, tende todos um só coração e uma só alma, sentimentos de amor fraterno, de misericórdia, de humildade". (1Pd 3,8).


Demais alegações já foram refutadas.


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14) Porque o subjetivismo protestante entra pelos caminhos do racionalismo e vêm a ser os mais ousados roedores das Escrituras (tal é o caso de Bultmann, Marxsen, Harnack, Reimarus, Baur...) Outros preferem adotar cegamente o sentido literal, sem o discernimento dos expressionismos próprios dos antigos semitas; o que distorce, de outro modo, a genuína mensagem Bíblica.


Resposta Protestante:


No dia que a Igreja de Roma excluir o Padre Quevedo, que diz que o diabo não existe, no dia que a Igreja de Roma excluir os padres que acreditam em reencarnação, como os exibidos no Fantástico de 11 de Novembro/2001, no dia que a Igreja de Roma excluir o padre Gozzi que acha belo e puro o Candomblé, nesse dia eu vou acreditar que a Igreja de Roma não aceita SUBJETIVISMOS em seu meio... antes disso... é mera HIPOCRISIA E FALÁCIA.


Refutação da Resposta:


I - "O DIABO NÃO EXISTE" - O Pe. Quevedo disse isso? Cite o texto e mencione obra e capítulo.


II - PE. GOZZI - Citar textualmente a fala do padre e dentro de seu contexto.


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15) Não sou protestante porque quem lê um folheto protestante dirigido a Igreja Católica, lamenta o baixo nível das argumentações, sendo imprecisas, vagas, ou mesmo tendenciosas; afirmam gratuitamente sem provar as suas acusações; baseiam-se em premissas falsas, datas fictícias, anacronismos etc.


Resposta Protestante:


A acusação recai sobre o acusador. Vemos nessas VINTE RAZÕES os erros pelos quais somos acusados. Ou seja, o baixo nível da argumentação, quase inexistência de uma base bíblica; um modo tendencioso de nivelar todas as denominações evangélicas, classificando-as como seitas. Em resumo, dizendo que fora do catolicismo não há salvação. São os mesmos erros cometidos no tempo de Martinho Lutero. O catolicismo seria o guardião da verdade. Mas Jesus disse claramente que quem nele crê não será condenado. A Bíblia diz claramente que a salvação é pela graça, mediante a fé (Ef 2.8). Não vem pelo batismo, nem pela ingestão do pão, nem pelo casamento, pelo crisma ou por qualquer outra obra. O ladrão da cruz apenas creu, e foi salvo (Lc 23.43). Uma coisa é acusação, outra é apontar as heresias e apresentar argumentos bíblicos (Pr Airton)


Refutação da Resposta:




 
…Se estamos aqui (neste mundo)
devemos pecar…
I - QUEM NELE CRÊ NÃO SERÁ CONFUNDIDO - Mais uma vez vemos o efeito da doutrina imoral protestante que garante que basta somente a fé. Então, se alguém crê em Cristo pode até rejeitá-lo nas pessoas de seus legítimos enviados que tudo tá bem? Com base no "Somente a fé" LUTERO ensinava “… Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda…Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar…Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia”. (Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521 (American Edition, Luther’s Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963); Cabe aqui a observação que em 1565 fazia JOANNES JACOBUS na obra sobre a sua conversão: "entre os católicos os pecados atribuem-se às pessoas, entre o luteranos às doutrinas e às pessoas". RÄSS, Die Convertiten seit der Reformation, Freiburg . B., 1866, I. 522). É claro que o texto bíblico citado é verdadeiro mas sua conclusão por parte dos rebelados é absolutamente errada, pois não basta apenas acreditar em Cristo. É preciso fazer tudo o que ele prescreveu.


II - A SALVAÇÃO NÃO VEM PELO BATISMO - Para ser salvo não é preciso ser batizado? E o que dizer disto: "Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado" (São Marcos 16,16)? Para ser salvo, duas condições: Crer e ser batizado; para ser condenado, batizado ou não, basta não crer. Não basta uma fé inoperante sem as obras pois este tipo de fé é morta, isto é, é o mesmo que não ter fé nenhuma. O ladrão na Cruz foi salvo tendo recebido o batismo de desejo. Ele foi batizado em seu próprio sangue. Quanto a Comunhão do corpo e sangue do Senhor já ficou esplanada sua necessidade.
 
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16) Não sou protestante porque: eles protestam, criticam, censuram a fé Católica para substituí-la pela negação, pela revolta contra a autoridade do Papa etc. Esse é o laço que os une, pois a essência do protestantismo é a negação da Igreja Católica.
 
Resposta Protestante:
 
É um erro a expressão "fé católica". Não existe fé católica nem fé evangélica, mas simplesmente a fé no Senhor Jesus, o nosso Salvador. Milhões substituíram a fé católica pela fé em Jesus. Ninguém será salvo por pertencer a esta ou àquela denominação. A salvação é pessoal e depende de nossa fé em Jesus Cristo (Jo 3.18; Rm 10.9; At 16.31). Não atacamos o Papa ou quem quer que seja. Quem assim faz não está se comportando como verdadeiro cristão. O Papa é autoridade máxima no catolicismo, mas não no Cristianismo. Logo, como não pertencemos ao catolicismo não estamos sob a autoridade papal. Negamos a Igreja Católica, mas não negamos a Cristo Jesus (Pr Airton).
 
Refutação da Resposta:
 
FÉ CATÓLICA - é a fé de N. S. J. C. transmitida pela santa Igreja Católica a única e verdadeira Igreja edificada por Cristo. Ela veio da fonte e por isto é a mais antiga; as demais têm sua origem nos muitíssimos heresiarcas, grandes e pequenos, a partir de 1517. A maioria das seitas não têm sequer cem anos de existência. A Igreja Católica não é uma denominação, palavra com que são chamadas as diversas e muitíssimas igrejas protestantes.
 
 
 
Elisabeth Leseur: "Uma alma que
se eleva, eleva o mundo inteiro"


 
SALVAÇÃO PESSOAL - Somos todos solidários e responsáveis pela salvação de nosso próximo. Como poderemos estar com o rosto virado para Cristo, mas com as costas viradas para nossos irmãos? Elisabeth Leseur afirmava: "Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro" e São Paulo diz o seguinte: "Somos para Deus o perfume de Cristo entre os que se salvam e entre os que se perdem.  Para estes, na verdade, odor de morte e que dá a morte; para os primeiros, porém, odor de vida e que dá a vida. E qual o homem capaz de uma tal obra? " (2Cor 2,15-16)
 
 
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17) Não sou protestante porque cada qual dá à Escritura o sentido que julga dar, e assim se vai diluindo e pervertendo cada vez mais a mensagem revelada. Lêem apenas, mas tem grandes dificuldades de estudarem a Bíblia e as antigas tradições do Cristianismo.
 
Resposta Protestante:
 


 
Mais da metade dos pastores evangélicos
não lêem a Bíblia!


Carece de prova a afirmação de que cada evangélico dá a interpretação que deseja dos textos bíblicos. As denominações evangélicas possuem teólogos, faculdades de teologia, escolas bíblicas, toda uma estrutura para orientar, ensinar, tirar dúvidas. Não há nenhuma norma proibindo a leitura da Bíblia, como aconteceu antigamente no catolicismo. Julgamos que todos são capazes de entender a Palavra de Deus (2 Tm 3.16-17). Dizer que temos grandes dificuldades "de estudar" a Bíblia é faltar com a verdade. É exatamente o contrário. Os evangélicos estão sempre portando a sua Bíblia. Ocorre o contrário no catolicismo, onde a maioria não tem o hábito de pelo menos ler as Escrituras (Pr Airton)
 
Refutação da Resposta:
 
TEÓLOGOS PROTESTANTES - Se estudo das Escrituras levassem à verdade, os escribas e fariseus teriam seguido a Cristo em vez de matá-lo.
 
PROIBIÇÃO DA LEITURA DA BÍBLIA - Algumas bíblias falsificadas foram sim, proibidas. A Igreja como mãe e mestra não pode permitir que seus filhos ingiram veneno através das bíblias fininhas e falsificadas.
 
LEITURA DA BÍBLIA - "Ocorre o contrário no catolicismo"... Pura lenda!!!... Quem lê uma declaração desta pode acabar acreditando que somente os evangélicos lêem as Escrituras. Na verdade sequer seus pastores não a lêem, senão em algumas partes em defesa de seus interesses e de suas heresias. Cerca de 50,68% dos pastores e líderes nunca leram a Bíblia Sagrada por inteiro pelo menos uma vez. O resultado é fruto de uma pesquisa feita pelo atual editor e jornalista da Abba Press & Sociedade Bíblica Ibero-Americana Oswaldo Paião, com 1255 entrevistados de diversas denominações, sendo que 835 participaram de um painel de aprofundamento. O motivo é a falta de tempo, apontaram os entrevistados. Oswaldo conta que a pesquisa se deu através de uma amostragem confiável e que foi delimitada. Segundo ele a falta de tempo e ênfase na pregação expositiva são os principais impedimentos. “A falta de uma disciplina pessoal para determinar uma leitura sistemática, reflexiva e contínua das escrituras sagradas e pressão por parte do povo, que hoje em dia cobra por respostas rápidas, positivas e soluções instantâneas para problemas urgentes, sobretudo os ligados a finanças, saúde e vida sentimental”, enumera Oswaldo.
 
 
Se nem os líderes a estudam, agora imagem a massa!!!! Certa vez infantilmente  afirmei a um protestante assembleiano que Deus mandara fazer imagens e citei o caso dos querubins de ouro batido. Ele nunca lera nem jamais ouvira falar disso!!!!


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A falta de referenciais seguros, garantidos pelo próprio Espírito Santo
(conforme João 14,26 e João 16,13I), é o principal ponto fraco
ou calcanhar de Aquiles do protestantismo.


 
18) A grande razão pela qual o protestantismo se torna inaceitável ao Cristão que reflete é o subjetivismo que o impregna visceralmente. A falta de referenciais seguros, garantidos pelo próprio Espírito Santo (conforme João 14,26 e João 16,13I), é o principal ponto fraco ou calcanhar de Aquiles do protestantismo.
 
Resposta Protestante:
 
Muito pelo contrário, o protestantismo tem-se tornado aceitável pelos que descobrem a verdade. É inegável o crescimento real dos protestantes no Brasil. Todos os que vieram do catolicismo optaram pelos referenciais seguros apresentados pela igreja evangélica porque extraídos diretamente da Palavra. A Bíblia Sagrada é o ponto forte dos protestantes (1 Tm 2.2.15; 3.16-17) (Pr Airton)
 
Refutação da Resposta:
 
Crescimento não justifica nada. Em tal caso o que dizer dos muçulmanos? É a religião que mais cresce no mundo.
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19) Não sou protestante porque esta diluição do protestantismo e a perda dos valores típicos do Cristianismo, estão na lógica do principal fundador Martinho Lutero; que apregoava o livre exame da Bíblia ou a leitura da Bíblia sob as luzes exclusivas da inspiração subjetiva de cada protestante; cada qual tira das Escrituras "o que bem lhe convém".
 
Resposta Protestante:
 
A objeção acima é uma repetição. Já falamos sobre o livre exame que é uma bênção, pois Deus ordena que todos leiam a Sua Palavra. Vejamos. "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2 Tm 2.15) "Bem-aventurados aquele que lê, e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia..." (Ap 1.3) "Bem-aventurado o homem que...tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite" (Salmo 1.1-2) "Examinais as Escrituras, porque vóis cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam". (Jo 5.39) "Estes foram mais nobres do que os de Tessalônica, pois de bom grado receberam a palavra, EXAMINANDO CADA DIA nas Escrituras..." (Atos 17.11) Logo, cai por terra o argumento do livre exame. A Escritura é para ser lida e examinada livremente. Não retiramos das Escrituras o que bem nos convém, porque nela tudo convém (Pr Airton).
 
Refutação da Resposta:


I - LIVRE EXAME - UMA BÊNÇÃO - Se a dispersão, consequência do LIVRE EXAME da Bíblia, fosse uma bênção, certamente a união tão desejada por Cristo seria uma maldição: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós... , para que sejam perfeitos na unidade..." (Jo 17, 20-23); "Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo". (Ef 4,5);
 
II - ORDEM PARA LER AS ESCRITURAS - "ordena que todos leiam a Sua Palavra". Em parte alguma das Escrituras Cristo nos manda ler a Bíblia. Ah, isso já foi desmascarado, inclusive aquela velha historinhA dos judeus bereianos que não confiavam em Paulo, mas que, pelo menos, tiveram a nobresa de conferir se o que São Paulo falava era verdade. Os cristãos nunca precisaram conferir nada porque confiavam no Magistério Infelível da Igreja.
 
III - NAS ESCRITURAS TUDO NOS CONVÉM - Menos a má interpretação e as traduções tendenciosas.


IV - EXAMINAIS AS ESCRITURAS - Esta é mesmo das boas! A maioria dos evangélicos tomam estas palavras como uma ordem de Cristo para que se examinemos as Escrituras. Não é! E mesmo que fosse esta ordem não se dirigia aos cristãos e sim aos judeus. Mas não é ordem coisíssima alguma. É apenas ignorância de nossa língua, isto é, o pastor não sabe que o imperativo deveria ser escrito "EXAMINAI". Aqui Cristo está recriminando seus inimigos, constatando que, não obstante examinarem a Bíblia, não sabem que são elas que lhe dão testemunho.
 
 
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20) Concluindo! Não sou protestante porque Maria Santíssima disse: Desde agora, todas as gerações me chamarão de Bem-aventurada; (Lucas 1.48), e nos cultos protestantes, seu nome, sequer é mencionado. Caiu no esquecimento. Quem cumpre (Lucas 1.48) é somente a Igreja Católica Apostólica Romana.
 
Resposta Protestante:
 
Deus não divide sua glória com ninguém (Is 42.8). Ele é soberano e somente a Ele devemos adorar (Mt 4.10). Maria morreu. A tentativa de comunicação com os mortos é abominação ao Senhor (Is 8.19; Dt 18.10-12). Na parábola do rico e Lázaro, Jesus informa que os mortos nada podem fazer pelos vivos (Lc 16.19-11). Bem-aventurada quer dizer feliz. Maria foi uma pessoa feliz. Jesus chamou de bem-aventurados os pobres de espírito, os que choram, os misericordiosos, os limpos de coração, etc (Mt 5). Então, por ter sido chamada de bem-aventurada, Maria não ficou investida das prerrogativas de mãe de Deus, mãe da humanidade, assunta aos céus, advogada nossa, sempre virgem, imaculada, depositária de preces, rainha dos céus, trono de sabedoria, etc. O nome da santa Maria é pronunciado por qualquer cristão, observando-se tudo o que a Bíblia diz sobre ela (Pr Airton).
 
Refutação da Resposta:
 
I - DEUS NÃO DIVIDE SUA GLÓRIA - Com exceção da glória de ser o Deus único e, como tal, de ser adorado, todas as demais glórias ele próprio dá a seus santos e deseja que façamos o mesmo. O PRÓPRIO DEUS OS SERVE E DELE RECEBEM LOUVOR, HONRAS E GLÓRIA: São Lucas 12,37; Romanos 2,29; I Coríntios 4,5; I São Pedro 1,7; São João 12,26; Romanos 2,7; 2,10; I Timóteo 3,13; I São Pedro 1,7; I São Pedro 2,7 ; São Mateus 23,12; São Lucas 1,52; 14,11; 18,14; São João 13,32; Atos dos Apóstolos 13,17; Romanos 8,17; 8,30; I Timóteo 3,13; I São Pedro 1,7; I São Pedro 2,7; São Tiago 4,10.
 
II - MARIA MORREU - Certamente morreu, mas, como seu divino filho, ela ressuscitou e foi elevada aos céus. Vêmo-la em Apocalipse, capítulo 12, vestida de Sol e coroada de estrelas. Esta mesma visão de João no-la mostra com os sinais de sua maternidade divina e as perseguições que sofrera e ainda sofreria por parte do grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Maria Santíssima, que é vista por João, é também figura da Igreja e de Israel, porém não é, além de figura, nem uma nem outra coisa, porquanto foi Cristo que criou a Igreja e não o contrário; também não pode ser o povo de Israel, que não foi perseguido por causa de Cristo, mas, ao contrário, aliou-se a seus perseguidores contra ela e contra seu filho, enquanto ela mesma foi perseguida desde Herodes, Pilatos, até nos dias de hoje conforme se pode ler no Talmude. Trata-se do vômito satânico lançado contra ela (v. 15) por todos seus inimigos judeus e seus comparsas, os cristãos rebelados.
 
III - COMUNICAÇÃO COM OS MORTOS - Os que, para nós, já morreram, na verdade vivem junto a Deus conforme já foi desmonstrado e a comunicação que existe entre cristãos e os santos é de oração e não de convocação para uma "bate-papo" como se dá entre os espíritas. Os evangélicos dão claras mostras de que são inimigos daqueles que moram nos TABERNÁCULOS ETERNOS, com os quais deveríamos cultivar a amizade segundo as palavras de Cristo: "Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos." (São Lucas 16,9); eles não somente podem nos receber nos TABERNÁCULOS ETERNOS como também, dispondo de grandes poderes para REINAR e JULGAR, poderão ser-nos de imensa valia. Por que recusar tão grandes favores se tal é a vontade de Deus? Com efeito, Deus aceita que nos dirijamos diretamente a ele, porém, é sua vontade que também honremos os seus e também nossos amigos. RECEBEM LOUVOR, HONRAS E GLÓRIA (veja em "I - Deus não divide sua glória" acima).
 
IV - NADA PODEM FAZER PELOS VIVOS - Não foi bem isso que disse Cristo. O pedido do rico avarento era para sair do inferno e ressuscitar a fim de salvar seus irmãos. Abraão fala da sua inutilidade alegando que, mesmo se alguém ressuscitasse dos mortos mesmo assim, seus irmãos não se converteriam (Cristo faz alusão à ressurreição de Lázaro e de sua própria). Observe que tal ressurreição é descartada não por causa de sua impossilidade e sim por causa de sua ineficácia.
 
V - MARIA - PRERROGATIVAS DE MÃE DE DEUS E MÃE DA HUMANIDADE - Maria é mãe da pessoa de Cristo, que é Deus. Na Bíblia Tanto o Pai quanto o Filho são chamados de "Senhor": "...Disse o Senhor a meu Senhor... " (Mc 12,36); também Izabel, cheia do Espírito Santo chama a Maria de mãe do Senhor: "Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?" (São Lucas 1,43). Se Cristo se fez nosso irmão, logicamente sua mãe é também nossa mãe; além disso o Apocalipse chama os católicos de "SUA DESCENDÊNCIA": "... [o dragão] se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao RESTO DE SUA DESCENDÊNCIA, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus" (Ap 12,17).
 
VI - MARIA - SEMPRE VIRGEM - O anúncio do anjo afirmando que ela conceberia e daria à luz um filho deixou-a preocupada, não pelo fato de ser virgem, mas por saber que não poderia continuar neste estado. Ela acreditava tratar-se de uma concepção comum que deveria ocorrer com a participação de José com quem estava desposada. Fora isso nenhuma outra hipótese justifica sua pergunta aparentemente ingênua.


 
"κεχαριτωμένη"
"Tu que tens e sempre tiveste a plenitude
da Graça divina"
 

VII - MARIA - IMACULADA - Para Deus nada é impossível, até mesmo preservá-la da mancha do pecado original à vista dos futuros merecimentos de seu filhos divino. No próprio anúncio do anjo se pode notar qeu se tratava verdadeiramente, não apenas de sua aconceição imaculada, como também de sua preservação contra toda mancha de pecados atuais. O anjo não a chama de Maria e sim de a "κεχαριτωμένη" termo que somente pode ser traduzido com fidelidade mediante a seguinte a perífrase ou outra sua correspondente: "tu que tens e sempre tiveste a plenitude da graça divina".

 
VIII - MARIA - RAÍNHA DOS CÉUS - Raínha dos céus e da terra! - Todos os santos são reis e em especial a mãe do Rei dos Reis.
 
http://odiaboluteroeoprotestantismo.blogspot.com.br/2011/05/refutando-respostas-de-varios-pastores.html
 
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Lutero, o filme: uma boa e grossa mentira

Postado por Frei Erick Ramon
POR Marcos Liborio

"Que mal pode haver se um homem diz uma boa e grossa mentira
por uma causa meritória e para o bem da Igreja (luterana)?"

autor:Martinho Lutero

Passagens do filme:

Martinho Lutero
1. Tempestade e raio: a primeira mentira
2. Primeira Missa, segunda mentira.
3. A visita oficial a Roma...
4. Papa Julio cavalgando de armadura em Roma. O cândido Lutero de joelhos
5. Paródia das indulgências: crânio de São João e outros
6. Staupitz oferece a Lutero a possibilidade de ler a Bíblia em Wittemberg.
7. Dr. Carlstadt, Lutero e o Extra ecclesia nulla salus.
8. Conversas com o demônio
9. Jovem suicida: Lutero concede-lhe a sepultura cristã
10. Lutero pregador: sermão amoroso e de confiança...
11. A Mãe miserável e a filha deficiente. Lutero caridoso?
12. Pregação do Dominicano Tetzel: sombria e doentia...
13. Cajetan, Aleander e a eleição de Leão X
14. Lutero em Augsburg: a audiência com o Cardeal Cajetan
15. Lutero na Dieta de Worms: herói popular?
16. Lutero aclamado na Dieta?
17. Cardeal Aleander x Lutero? Seqüestro em Wartburg: Spalatin e mais uma mentira.
18. Melanchthon x Carlstadt: a questão das imagens
19. Confusões populares em Wittemberg: Lutero herói!?
20. Guerra dos camponeses: a Reforma faz suas maiores vítimas
21. Freiras fugitivas em Wittemberg: piedade e sofrimento?
22. Pseudocasamento: amor e dedicação?
23. Lutero entrega o Novo Testamento ao Eleitor da Saxônia, Frederick
24. Os hinos de um Lutero piedoso...
25. Os príncipes com Lutero em Cobourg: a chave da rápida expansão da Reforma.
26. Dieta de Augsburg: triunfo da nova religião?
Excessos luteranos após a dieta de Augsburg
Falsa doutrina luterana
Padre Theobald Beer e o maniqueísmo de Lutero
Referências Bibliográficas



Introdução


O filme Lutero é um tributo muito apropriado ao pai da revolta protestante.

Pois ainda que seus idealizadores tenham deixado de retratar fielmente a vida atribulada de Martinho Lutero, movidos claramente pela ideologia apaixonada que visou a reabilitação pública do monge alemão e o bem da Igreja luterana, usaram e abusaram do princípio escandaloso proposto pelo próprio Lutero: mentir a vontade, sem remorso, dizer boas e grossas mentiras!

De antemão se sabia que o filme seria tendencioso, pois fora patrocinado por um fundo luterano milionário – Thrivent – bem como pela Federação Luterana. Mas o resultado ultrapassou em muito as piores perspectivas:

Fizeram do soberbo Lutero um religioso humilde!

Do mentiroso Lutero, fizeram um homem leal!

Do imoral Lutero, imaginem só, fizeram dele um santo!

Os produtores de Lutero mentiram à vontade...

Não que as cenas do filme sejam todas inventadas. Só algumas.

Os luteranos – embora tivessem o aval do mestre – preferiram mentir pela mentira menos escancarada, que é a omissão, embora em algumas passagens tenham distorcido os fatos abertamente.

O filme peca então majoritariamente pela omissão, para que o escândalo não fosse tão grande. Pois no dizer pitoresco e muito verdadeiro do Padre Vieira, “a omissão é um pecado que se faz não fazendo” (sermão da Primeira Dominga de Advento).

Quando se mente claramente, negando fatos verdadeiros, a consciência teima em reclamar uma reparação, ainda que anestesiada pelo princípio luterano da mentira por uma boa causa. Com a omissão – veja-se que conveniente – é muito mais fácil silenciar a consciência, embora seus efeitos deletérios possam ser equivalentes, ou mesmo superiores aos de uma mentira aberta.

Ainda que haja muitas cenas que realmente ocorreram, raras vezes se mostra um equilíbrio entre a atitude de Lutero e a contrapartida Católica. A intenção é clara: fazer de Lutero um herói da fé, um campeão da liberdade, perseguido pela tirania do Papa.

Mesmo quando o filme mostra Lutero em situações constrangedoras, como, por exemplo, em suas discussões doentias com o demônio, sempre se sugere ao espectador que a culpa é da Igreja.

Nessa linha vem bem a propósito o comentário de Steven Greydanus:

"Entre protestantes sensatos a Reforma freqüentemente tem sido chamada de “trágica necessidade”. Em Lutero, (...) a Reforma é vista como um todo positivo, um triunfo da liberdade religiosa e da liberdade de consciência.” (Greydanus)

Para que o leitor não pense que acusamos o pseudo-reformador alemão gratuitamente, registramos a seguir algumas de suas muitas mentiras, que foram instrumento (iníquo) amplamente utilizado em sua revolta.

Depois da leitura da confissão em Augsburg, Melanchthon e os demais luteranos foram questionados pelos católicos na Confutatio, devendo então ceder em alguns pontos. Melanchthon estava disposto ao sacrifício em nome da paz, mas Lutero era radicalmente contra, o que provocará a defesa intransigente da confissão protestante através da Apologia. Lutero então escreveu a Melanchthon do castelo de Cobourg, incentivando o amigo a se expressar de forma ambígua:

“(...) Pois, uma vez conseguida a paz e escapado à violência, podemos facilmente fazer remendos para nossos ardis (mentiras) e faltas (tricks (lies) and failings), porque a misericórdia de Deus prevalece sobre nós. (…)” (Grisar: 388)

Quando voltou a Wittemberg em 1522, Lutero expulsou os radicais e restabeleceu a aparência de Missa, parecendo defender a lei e a ordem para poder dominar a situação. Porém:

“(...) os mesmos paramentos foram usados e (...) os mesmos antigos hinos em latim eram ouvidos. A hóstia era elevada e exibida na Consagração. Aos olhos do povo era a mesma Missa de sempre, exceto que Lutero omitiu todas as orações que representavam a função sagrada como sacrifício.” (Grisar: 220)

E nessa mesma linha de imposição do novo culto sem despertar a atenção, atraindo o apoio popular:

“O ofício divino foi essencialmente alterado, mas as suspeitas foram evitadas ao máximo pela retenção da forma externa, de modo que as pessoas comuns, como dizia Lutero, “nunca tomariam consciência disso. ”Era para ser feito “sem escândalo”.” (Grisar: 221)

Ao estudante Martin Weier, Lutero recomendou fingir para não escandalizar:

“(...) jejuar, rezar, assistir Missa, e venerar os santos, exatamente como vinha fazendo antes,”mas que tente instruir seu pai o melhor possível; ele não erraria se “tomasse parte na Missa e outras profanações (sic) por causa do pai.” (Grisar: 221)

Visando sempre a reforma dissimulada, já em 1523 Lutero compôs um tratado sobre a Missa onde ainda mantinha vários ritos da Igreja católica “por causa daqueles fracos na fé”, enquanto alterava substancialmente o cerne do Santo Sacrifício da Missa. (Grisar: 249)

É por essas e outras que amigos de longa data de Lutero – como Erasmo – o acusavam nestes termos:

"Revelarei a todos que mestre insigne és em falsificar, exagerar, maldizer e caluniar. Mas já toda gente o sabe... Na tua astúcia sabes torcer a própria retidão, desde que o teu interesse o requeira. Conheces a arte de mudar o branco em preto e de fazer das trevas luz". (Grisar, Luther, II, 452 e ss, apud Franca, IRC: 200, nota 96)

Erasmo – longe de ser modelo de católico – irá apartar-se de Lutero quando a controvérsia sobre o livre arbítrio mostrar claramente que o monge alemão estava indo além da reforma a que supostamente havia se proposto, e querendo destruir mesmo a essência do Cristianismo. Conhecendo a capacidade do humanista, Lutero implorou a Erasmo que não o atacasse:

“Não escreva contra mim, nem aumente o número e a força de meus oponentes; particularmente não me ataque por publicações (through the press), e eu, de minha parte, me absterei também de atacá-lo”. (Grisar: 269)

E se a mentira era companheira de Lutero, sabemos que tal vício normalmente acompanha e justifica outros vícios. No caso luterano, era a soberba que transbordava de sua boca incontrolável, como na carta a Henrique VIII:

“Através de mim Cristo começou Sua revelação sobre as abominações no lugar santo.”

E ainda:

“Estou certo que meus dogmas vêm do céu.” (Grisar: 261)

Vemos também sua soberba em confissões como esta:

“Muito embora a Igreja, Agostinho e os outros doutores, Pedro e Apolo e até um anjo do céu ensinem o contrário, minha doutrina é tal que só ela engrandece a graça e a glória de Deus e condena a justiça de todos os homens na sua sabedoria.” (Weimar, XL, 1 Abt., 132; apud Franca, IRC: 179)

Lutero tinha suas doutrinas em tão doentia estima que chegou a dizer que eram a expressão máxima da verdade, mesmo “(...) se Deus ou Cristo anunciarem o contrário” (sic!) (Grisar: 497)

E se sua doutrina era tão sublime, evidentemente o monge rebelde não podia tolerar concorrência, embora empunhasse continuamente o estandarte de libertador:

“Ninguém deve erguer-se contra mim. (Propos de table, n. 1484) (...) “Cada um deve andar no freio”, para retomar precisamente sua expressão, freio, cujas rédeas estão, naturalmente, em suas mãos.” (Brentano: 132)

Quanto às críticas à sua tradução da Bíblia, Lutero reagia, entre outras amabilidades:

“Pela Graça de Deus, considero-me mais sábio do que todas as vossas universidades com seus sofistas.” (Brentano: 180)

É claro que o fundo milionário Thrivent e a Federação Luterana Mundial não mostraram nada disso no filme.

Sua intenção era promover Lutero a qualquer preço.

Mostraram o Lutero mito, E esconderam o Lutero histórico.

Essa separação entre Lutero mito e real já era reconhecida no século XIX pelo teólogo luterano Krogh-Tonning:

“Cumpre distinguir dois Luteros: um mítico, outro histórico. Ordinariamente só se ocupam do primeiro, ornado de todas as perfeições. Quando alguém quer apreciá-lo calça o coturno; olham-no do alto; e fazem tábua rasa da realidade. (...)” (Franca, PB: 306)

Os milionários americanos e os luteranos alemães calçaram o coturno e fizeram tábua rasa da realidade para prestar um culto a Lutero. Isso é incontestável e não surpreende.

O que intriga é saber como os luteranos puderam fazer um filme tão contrário à personalidade e à realidade histórica de Lutero, e não haver praticamente nenhuma reação?

Essa é a pergunta a ser feita.

Se o rebelde alemão era tão escandaloso – conforme mostraremos a seguir – como é que os luteranos puderam mostrar o Lutero mítico, e ninguém abre um livro para revelar o Lutero histórico?

Antes de analisarmos as mentiras do filme, tentemos responder essa pergunta fundamental.

Parece-nos que três fatores tornaram possível esse filme mitificador:

1. A ignorância universal sobre Lutero

Esse ponto nos parece pacífico, e pode ser confirmado pelas inúmeras cartas que recebemos de protestantes (e mesmo católicos) que não fazem a mínima idéia de quem tenha sido Martinho Lutero, nem da realidade histórica em que ele surgiu; só uns poucos eruditos conhecem e estudam a vida real do monge rebelde.

2. O papel fundamental do ecumenismo, que calou as vozes oposicionistas.

Apenas uma confissão nos parece suficiente sobre esse ponto. Escreveu o famoso teólogo D. Kloppenburg:

"Na década de 50 publiquei (...) livros, cadernos, folhetos e artigos sem conta. Era antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), quando defendíamos nossa fé cristã e nossa Santa Igreja contra os ataques de seus adversários. (...) Veio então o Concílio com seu apelo ecumênico para o diálogo e a união. Dizia-se que o Vaticano II acabara de vez com a apologética. Em conseqüência e obediente, me afastei da liça. (...) de fato, depois não houve nem diálogo nem muito menos união”. (Kloppenburg: 7) D. Kloppenburg falava do espiritismo, mas podemos estender suas considerações a toda apologética.

Se mesmo apologistas notórios foram envolvidos nesse utópico ecumenismo, entende-se perfeitamente a ausência de reação católica.

Assim, dirigindo-se a um público desconhecedor de Lutero, e sem o risco de serem desmascarados pelos Católicos, os luteranos poderiam disseminar livremente sua noção de que Lutero foi um grande herói, um campeão da fé que libertou consciências aprisionadas pela Igreja Medieval.

Mas só a ignorância sobre Lutero e o silenciamento dos oponentes não bastava.

Faltava ainda uma contribuição fundamental, uma falsa noção potencializada pela sociedade consumista e refém intelectual dos meios de comunicação, tal como é hoje a sociedade ocidental: a noção de que os fatos narrados no filme são a expressão da verdade.

3. Vivemos uma Era da simulação ou do espetáculo

Daí vem em nosso auxílio a definição de Era da simulação ou do espetáculo (Wood: 100). Nessa Era da simulação, onde predominariam a imagem e a passividade, as pessoas aceitariam os pseudo-eventos do filme como se fossem verdades históricas. Numa época como essa, a sociedade baseada na imagem criaria e aceitaria representações superiores ao mundo real, e o homem seria espectador de um grande show: “O Homo spectator não vive, apenas contempla”.(Wood: 103) Será que já não vimos algo parecido com isso?

Com asseveram seus teóricos, na Era da simulação não importa mais o ser nem o ter, mas o parecer. Pouco importa a realidade: a representação tem apenas de ser convincente. E convincente é qualidade que não podemos subtrair aos filmes modernos.

Numa sociedade que aceita tais pressupostos, pouco importa se os eventos do filme Lutero ocorreram ou não: eles têm apenas que convencer o espectador: a verdade cede então espaço à verossimilhança.

Nesse contexto, o cinema passa a ocupar um papel fundamental, deixando de ser entretenimento para ser efetivamente instrumento pedagógico:

“A realidade transforma-se em produção cinematográfica e as experiências reais passam a ser julgadas contra seu correspondente fílmico, em uma posição desvantajosa.” (Wood: 103)


Embora essa abordagem tenha exageros evidentes, ela é suficientemente apropriada para definir o impacto que os assim chamados “filmes históricos” exercem hoje sobre a sociedade ocidental.

Valendo-se então desses três pontos, os milionários da Thrivent e os alemães da Federação Luterana puderam dar largas à sua criatividade, sem receio de serem importunados em sua aventura mitificadora.

Nessa linha, Lutero optou pela apresentação propagandística pura e simples. A problemática doutrinária foi sacrificada em nome de uma idealização do Lutero humano, do Lutero libertador, do Lutero destemido.

Ao ignorar as péssimas doutrinas de Lutero, seus ataques de fúria, seu orgulho indisfarçável, seus vícios constrangedores e sua linguagem vulgar, os produtores de Lutero escolheram a via fácil, visando influenciar o grande público.

É o que trataremos a seguir, apresentando a nossos leitores a verdade dos fatos em confronto com as “boas e grossas mentiras” luteranas.

Importa notar que a maioria dos autores por nós citados é de Católicos, mas que invariavelmente nos remetem às fontes do protestantismo, como mui freqüentemente as obras completas de Lutero na edição de Weimar e à sua parte mais controversa, as Conversas à Mesa (Propos de table),conjunto de anotações de frases de Lutero colhidas por seus hóspedes, e que compõem um retrato bastante vivo do rebelde alemão.

Dos autores citados, Grisar é um dos mais condescendentes com o comportamento grotesco de Lutero, e, portanto, o leitor terá diante de si um historiador dos mais imparciais. E Brentano, cuja posição é escancaradamente favorável a Lutero, embora nunca revele claramente sua religião tem, todavia as páginas mais duras sobre o ex-monge, que ele, embora preso ao compromisso de historiador, não se furte de tentar sempre justificar.

Nem citamos o Denifle... Deixemos este historiador Dominicano para uma biografia mais completa...

Assim, damos citações e relatos sobre Lutero do modo mais histórico e imparcial quanto é possível.

Se as frases e os pensamentos luteranos parecerem ao leitor muito chocantes, é porque Lutero não tinha meias palavras.

O que Lutero pensava – e pensava mal, muito mal – não tinha escrúpulos em externar. Essa foi a desgraça da Igreja e do povo da Alemanha, e por extensão da civilização ocidental.

Os negritos nas citações são nossos, a menos que citado diferentemente.

As citações trazem o sobrenome do autor seguido da página da obra, cujas referências se encontram ao final do trabalho.



Passagens do filme

1. Tempestade e raio: a primeira mentira

O filme começa com a versão clássica da tempestade e do juramento desesperado de Lutero, pronunciado em meio ao terror de ser atingido por um raio.

Ora, muito já se falou sobre a invalidade de tais votos, pronunciados sob uma pressão desestabilizadora e, portanto que não podiam vincular quem os pronunciava. Se esse princípio tivesse sido seguido, o mundo teria se livrado do tão grande mal causado por Lutero.

Mas há uma hipótese muito mais interessante para a súbita entrada de Lutero no mosteiro: a de que o jovem reformador teria buscado refúgio entre os agostinianos de Erfurt após ter assassinado um colega em duelo.

E essa hipótese é muito mais coerente que a história do raio. Por meio dela conseguimos compreender – por exemplo – o incomum transtorno de consciência que acompanhou Lutero durante seus primeiros anos no mosteiro. Mais instigante ainda é que tal hipótese foi pesquisada por anos por um alemão de origem protestante, Dietrich Emme. (Emme: 62)

Dietrich mostra que os primeiros biógrafos relataram que Lutero teria ferido um colega em duelo, e que quase simultaneamente uma grande tempestade o teria traumatizado. Os biógrafos são ninguém menos que Mathesius, Melanchthon e Seinecker. Esconder esse fato é algo significante. Como dissemos, os luteranos irão mentir nesse filme muito mais pela omissão do que pela mentira clara.

Os duelos eram proibidos pela Igreja, mas freqüentemente realizados pelos estudantes para resolver seus conflitos. Lutero carregava uma espada, graças a sua condição de mestre, e num episódio nebuloso em 1503 teria ferido a própria perna com sua espada. Tão grave foi o acidente, que Lutero temeu por sua vida, sendo socorrido por um médico.

Dietrich então sugere que esse fato foi resultado não de uma displicência do reformador, mas já de um primeiro duelo. Tanto mais que os registros da Universidade de Erfurt mostram que Lutero trocou nessa época a melhor associação estudantil (Collegium Ampionianum) por outra bem menos importante (Georgenburse), o que se explicaria como sendo um castigo pelo duelo (que as normas das associações proibiam).

Há também confissões interessantes de Lutero, como a que fez a seu secretário Veit Dietrich:

“Por uma extraordinária disposição de Deus, entrei para o mosteiro para que não me capturassem. Senão, eu teria sido preso facilmente. Não puderam porque minha ordem me acolheu.” (Emme: 63)

Outros textos mostram que Lutero entrou no mosteiro contra sua vontade:

“Eu não me tornei monge de bom grado e por minha vontade, e ainda menos para comer, mas cheio de terror e medo diante de uma morte súbita, pronunciei um voto forçado e não livre. (coactum et non necessarium votum)” (Emme: 63) [Grisar registra confissão semelhante (Grisar: 38)]

Também, em 1521, Lutero escreveu a seu amigo Melanchthon dizendo temer ter pronunciado seu voto monástico “de maneira ímpia e sacrílega” e de ter “agido sob coação” (Emme: 63)

Outro autor protestante (Nikolaus Selmnecker) relata as condições estranhas em que Lutero entrou no mosteiro:

“secretamente e de noite (clam et noctu) (...) e durante dois dias companheiros de armas, amigos, estudantes e outras pessoas vigiaram atentamente o convento e o cercaram para tentar fazer com que Lutero saísse, mas a entrada do convento foi fechada tão rigidamente que durante um mês ninguém pode aproximar-se de Lutero.” (Emme: 64)

Há ainda o registro da morte de um estudante na época da entrada de Lutero no mosteiro (Hieronimus Buntz, em 1505), devido à pleurite, infecção pulmonar causada pelo corte recebido no peito, muito comumente em conseqüência de duelos.

Mas há mais: Lutero não entrou no convento nem como postulante nem como irmão leigo. Durante os seis primeiros meses de permanência lhe deram os trabalhos mais humildes, a ele, que era o novo mestre: ele deveria virar o leite para fazer o queijo, limpar as latrinas: foi tratado como um servo.

Outro apoio interessante a essa hipótese é um documento de Lutero que ninguém deu muita atenção e que consta da coletânea de obras completas de Weimar. Esse documento é uma apologia do direito de asilo na Igreja, e foi circulado anonimamente em 1517 (quando se inicia o conflito, com a fixação das 95 teses), e depois em 1520. Nele, Lutero lembra que segundo a lei mosaica aquele que mata alguém sem ter sido seu inimigo, inadvertidamente, sem premeditação, não é culpável de assassinato.

Pergunta então Dietrich: seria então um tipo de autojustificação preventiva, no momento que Lutero tornar-se-ia um personagem público? Ou mesmo uma justificação da ordem agostiniana, por ter recebido em asilo um criminoso? (Emme: 64).

Parece servir aos dois propósitos...

Tendo por base essa outra versão dos fatos, explicam-se os comportamentos doentios de Lutero, como a frase: "Gostaria que não houvesse Deus" (Grisar: 49) que o filme atribui falsamente à pregação da Igreja.

Essa é apenas uma hipótese, mas que agrega diversos elementos instigantes, propositadamente esquecidos pelos luteranos.

É uma hipótese, mas que faz um sentido enorme, ainda mais quando conectada aos eventos que se seguem: a juventude sem freios de Lutero, que não contradiz em nada a idéia de um Lutero fanfarrão e duelista; e as doutrinas antinomistas de Lutero, em resposta a seu terror pela justiça divina.


2. Primeira Missa, segunda mentira

No filme que analisamos, a celebração da primeira Missa pelo jovem padre omite um fato capital: Lutero quase fugiu do altar, não fosse a intervenção de seu auxiliar. (Grisar: 47). Talvez tenha sido difícil justificar uma atitude tão doentia como essa, ainda que se acuse a Igreja medieval de impor medo aos seus fiéis.

E junto a este comportamento estranho, notem-se outros, também ausentes na produção cinematográfica luterana: monges de Erfurt contaram posteriormente ao apologista Católico Cochlaeus que o comportamento de Lutero devia-se provavelmente “ao contato com o demônio”. (Grisar: 42)

Um desses comportamentos estranhos se deu no Ofício. Lutero, “enquanto atendia o ofício divino no coro dos monges, caiu prostrado no chão e foi sacudido por convulsões, enquanto o Evangelho do endemoniado era recitado, e gritou alto: Não sou eu! Não sou eu! (significando que ele não era o homem possuído).” (Grisar: 49)

Também vários autores narram como Lutero, mais de uma vez, foi encontrado desfalecido, em conseqüência de não comer, não beber nem repousar por dias seguidos!

É curioso que os luteranos irão acusar a Igreja medieval por esse comportamento patológico que, no entanto só se manifestava em Lutero, em nenhum outro monge!

Tal comportamento reforça a hipótese de Emme, de que Lutero sofria tremendamente os remorsos de seu crime. Aqui a hipótese do duelo encontra um apoio muito consistente. Ainda mais que Lutero era muito orgulhoso, potencializando os efeitos do remorso num escrúpulo doentio.

O problema para Lutero é exatamente seu orgulho extremo, que o impedirá de usar os remédios que Deus colocou à disposição dos pecadores, através da Igreja: a confissão e o arrependimento sinceros, além da oração constante.


3. A visita oficial a Roma...

Aqui temos, não uma omissão, mas uma das claras inverdades do filme: que Lutero teria ido a Roma por ordem de seu superior-geral – Staupitz. De fato, Lutero foi a Roma contra Staupitz, como representante do mosteiro de Erfurt.

Staupitz queria unir os mosteiros observantes (da regra) e os conventuais, e Lutero foi enviado a Roma contra essa união, que acabaria por prejudicar a causa dos observantes. Portanto, Lutero foi a Roma contra Staupitz. (Grisar: 51-52)

Aliás, esse é o motivo do fracasso de sua viagem: o caráter não oficial de sua demanda, que – para ser aceita – exigiria uma carta do próprio Staupitz. Por isso, Lutero não foi recebido em Roma pela Cúria papal. (Grisar: 53)

Talvez tenha ficado difícil encaixar no roteiro o conflito entre os dois religiosos, já que o filme tem que mostrá-los amigos. Talvez fosse difícil explicar por que Lutero foi a Roma sem motivo justificado, já que a petição que carregava só poderia ter sido aceita caso fosse realmente enviado por Staupitz.

E aí seriam muitas perguntas a responder: quem de fato mandou Lutero a Roma?

Com que finalidade, já que não era uma missão oficial?

Será que é coincidência Florença estar no caminho de Roma? Florença, que sediava a famosa Academia Platônica de Marcilio Ficino, e onde talvez Lutero tenha lido o pseudo-Hermes Trismegisto, de cuja obra ele depois demonstrará ter domínio completo?

Seriam muitas perguntas a responder, mais fácil dizer que foi uma missão oficial...

E convém também mostrar que de inocente Staupitz nada tinha. Por isso ele é o único católico que não foi demonizado pelo filme.

Grisar mostra que Staupitz ficou ao lado de Lutero mesmo após sua condenação pela Igreja, apesar de creditar isso a uma visão curta do superior. E que Staupitz também elogiou a coragem de Lutero, mesmo nos períodos críticos que antecederam a apostasia. (Grisar: 69)

Em 1518, o agostiniano Della Volta recebeu a missão do Papa de fazer com que os superiores de Lutero o dissuadissem de suas idéias. Staupitz, mesmo pressionado, nada fez (Grisar: 95). Ora, por que o filme também não mostrou essa teimosia do superior, incompatível com uma visão tenebrosa e tirânica da Igreja medieval?

E mesmo após a excomunhão e a revolta aberta, Staupitz protegeu e justificou o pupilo nesses termos:

“Martim tomou sobre si uma difícil tarefa e age magnânimamente, iluminado por Deus” (Grisar: 171)

Llorca é mais expresso: Leão X mandou que o superior agostiniano contivesse o monge impetuoso, mas “como Staupitz era um de seus principais protetores e admiradores, esta medida da cúria romana não teve resultado.” (Llorca: 669)

É isso que explica Lutero reclamando ter sido abandonado, quando Staupitz finalmente começou a deixá-lo por pressões da Igreja:

“Você me vira as costas muito freqüentemente. Como seu filho favorito isso me fere de modo intenso. (...)” (Grisar: 120)

Parece que no final da vida, depois de contribuir sobremaneira para a revolta de Lutero, Staupitz rejeitou o pupilo e morreu Católico, em 1524 (Grisar: 178)

Fidelium animae per misericordiam Dei requiescant in pace.


4. Papa Julio cavalgando de armadura em Roma. O cândido Lutero de joelhos

A aparição do Papa Júlio de armadura em Roma serve para impressionar a grande maioria dos espectadores: Lutero, o humilde; Julio II, o guerreiro soberbo!

Embora a sociedade Quinhentista estivesse minada em suas estruturas morais pelo renascimento pagão, é falso que a Igreja não devotasse grandes esforços – e há muito tempo – para uma verdadeira reforma nos costumes.

É falso também que não tivesse preocupação com a salvação das almas, principalmente do povinho mais miúdo.

O IV Concílio de Latrão – realizado em 1215 e citado falsamente no filme – evidencia que 300 anos antes de Lutero a reforma de costumes e a preocupação pastoral faziam parte da vida da Igreja: Cânon 9:

“(…) Já que em muitas localidades dentro das cidades e dioceses há pessoas de diferentes línguas tendo uma só fé mas vários ritos e costumes, ordenamos estritamente que os bispos dessas cidades e dioceses devam prover homens apropriados que, de acordo com diferentes ritos e línguas, celebrem os ofícios divinos para eles, administrem os sacramentos da Igreja e os instruam pela palavra e pelo exemplo.” (http://www.intratext.com/IXT/ENG0431/__P9.HTM)

E o mesmo Concílio em relação à reforma de costumes: Cânon 14:

“Para que a moral e a conduta geral dos clérigos possam melhorar faça-se que todos vivam casta e virtuosamente, particularmente aqueles investidos nas sagradas ordens, guardando contra todo vício do desejo, especialmente tendo-se em conta que a ira Divina desce do céu sobre os filhos da descrença, então que em vista do Deus Todo-Poderoso possam eles cumprir suas obrigações com o coração puro e o corpo casto. (...) Os prelados que derem auxílio a tais iniqüidades, especialmente visando dinheiro e vantagens temporais, deve estar sujeito a tal punição (o afastamento perpétuo).” (http://www.intratext.com/IXT/ENG0431/__PE.HTM)

O filme propõe uma distinção paradoxal: todos os padres do século XVI seriam corruptos, menos Lutero.

Alguém um pouco mais atento perceberá o contraste, e se perguntará: mas Lutero também não era padre? Por que só ele não se corrompeu? Será mesmo que o clero era tão ruim assim como pintaram os luteranos?

É fato reconhecido (mesmo por protestantes) que Lutero exagerou a corrupção na Idade Média para lançar as pessoas contra a Igreja Católica (Grisar: 130-132).

E para piorar, Lutero lançou mão mesmo de lendas sem comprovação para atacar a Igreja:

“Lutero era inventivo na promoção de sua causa. Em sua avidez de lucrar o que parecesse servir aos seus fins, Lutero ao final de 1520 fez uso de uma notória fábula atribuída ao bispo Ulrich de Augsburg, publicando-a [a fábula] em Wittemberg com seu prefácio. Essa publicação pretendia ser uma efetiva arma contra o celibato dos padres e religiosos. Nessa carta o santo bispo é representado narrando como cerca de 3000 (de acordo com outros, 6000) cabeças de crianças foram descobertas num reservatório de água do convento de freiras de São Gregório em Roma. (...) (Jerome) Emser desafiou Lutero a publicar essa questionável carta, e ele respondeu que não confiava muito nela. (sic!) Todavia, graças a seu patrocínio, a fábula pôde continuar sua destruidora carreira e foi zelosamente explorada.” (Grisar: 177)

Lutero mesmo apelará a tal carta ainda em três ocasiões (registradas nos Propos de table) embora não pudesse provar sua autenticidade! (Grisar: 177; nota 64)

É curioso também notar que Emser, secretário do duque George da Saxônia, já havia acusado Lutero de uma vida dissoluta em sua época de estudante - “grande delinqüência de sua parte” – ao que Lutero não respondeu, e mesmo admitiu indiretamente. (Grisar: 30)

Jerome Dungersheim fez companhia a Emser, apontando os “maus hábitos” do jovem estudante, e atribuindo a esses comportamentos e à falta de oração o fato de Lutero rejeitar a possibilidade do monge observar seu voto de castidade. (Grisar: 30-31)

Se Lutero não era correto na juventude, muito menos o será posteriormente: quando ainda era vigário rural escreveu confessando seu relaxamento no cumprimento das obrigações morais:

“É raro que eu tenha tempo para a recitação do Ofício Divino ou para celebrar Missa, e então, também, eu tenho minhas peculiares tentações da carne, do mundo, e do demônio” (Grisar: 62)

Evidentemente a tríplice concupiscência não pouparia o monge: sem rezar e sem comungar, como Lutero poderia esperar salvar-se?

A Bíblia – que Lutero dizia conhecer – manda insistentemente: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação.” (Mt, XXVI, 41)

Mesmo o condescendente Staupitz foi obrigado a fazer Lutero saber em 1522 que o monge rebelde estava indo longe demais, e que as atividades de Lutero estavam sendo “louvadas por aqueles que mantém casas de má-fama.” (Grisar: 178) Lutero por essa época pregava a libertação das autoridades eclesiásticas e a quebra dos votos monásticos, que esvaziou muitos conventos. Daí a advertência de Staupitz, que via bem onde estava conduzindo o evangelho luterano...

Em Julho de 1521, portanto quando estava no castelo de Wartburg, Lutero escrevia a Melanchthon:

“Eis que, eu rezo muito pouco... Por uma semana inteira eu nem escrevi, nem rezei nem estudei, atormentado em parte pelas tentações da carne, parte por outro problema [constipação]. Reze por mim, pois na solidão estou afundando no pecado. (...) Eu queimo nas chamas de minha carne insubmissa; em resumo, eu deveria estar ardente no espírito, pelo contrário eu ardo na carne, no desejo, na preguiça, na desocupação e na indolência, (...) Eu sou severamente experimentado pelo pecado e pelas tentações. (...)” (Grisar: 199)

Lutero dizia o mesmo a Staupitz dois anos antes. (Grisar: 199)

Vejam essa confissão, prezados leitores: Lutero ficava uma semana inteira sem rezar! E ainda por cima ficava ocioso, pois nem lia, nem estudava!

Entregue ao ócio, mãe de todos os vícios, e sem rezar, sem pedir a ajuda divina, certamente iria cair em tentação.

Lutero reclamava das tentações, porém, ao invés de rezar e fazer penitência, abandonava-se cada vez mais ao vício; não rezava nem vigiava.

E como os vícios gostam de fazer companhia um ao outro, pois o semelhante atrai semelhante, vemos como Lutero os possuía com largueza:

“À sua Catarina escrevia em 1540: vou comendo como um boêmio e bebendo como um alemão, louvado seja Deus!” (Franca, IRC: 186).

E em 1534 havia escrito:

“Ontem aqui bebi mal e depois fui obrigado a cantar; bebi mal e sinto-o muito. Como quisera haver bebido bem ao pensar que bom vinho e que boa cerveja tenho em casa, e mais uma bela mulher... Bem farias em mandar-me daí toda a adega bem provida do meu vinho e, o mais freqüentemente que puderes, um barril de tua cerveja.” (Franca, IRC: 186)

São confissões escandalosas na boca de um reformador evangélico.

Mas não para por aí. Mandava dizer de Wartburg (1541): “Aqui passo todo o dia no ócio e na embriaguez.”. Em Erfurt, por 1522, Melanchthon relata que Lutero não fez senão “beber e gritar, como de costume.” (Franca, IRC: 186)

Em 1531 o rebelde reclama a Wenceslau Link:

“a dor de cabeça, contraída em Coburgo por causa do vinho velho, ainda não foi debelada pela cerveja de Wittemberga” (Franca, IRC: 187)

Na mesma linha da decadência moral, Lutero encaixa então seu sistema teológico. Veja-se como ele aconselha o atribulado Jerome Weller em termos estarrecedores:

“Quando te vexar o diabo com estes pensamentos, palestra com os amigos, bebe mais largamente, joga, brinca ou ocupa-te em alguma coisa. De quando em quando se deve beber com mais abundância, jogar, divertir-se e mesmo fazer algum pecado em ódio e acinte ao diabo para não lhe darmos azo de perturbar a consciência com ninharias... Quando te disser o diabo: não bebas, responde-lhe: por isso mesmo que me proíbes hei de beber e em nome de J.C. beberei mais copiosamente... Por que pensas que eu bebo, assim, com mais largueza, cavaqueio com mais liberdade e banqueteio-me com mais freqüência, senão para vexar e ridicularizar o demônio que me quer vexar e ridicularizar de mim?... Todo o decálogo se nos deve apagar dos olhos e da alma, a nós tão perseguidos e molestados pelo diabo.” (De Wette, IV, 213, apud Franca, IRC: 187)

Cristo havia mandado o jovem rico guardar os mandamentos.

Lutero mandou seu discípulo apagar os mandamentos dos olhos e da alma! Eis o reformador evangélico!

E como conseqüência do princípio luterano, o rebelde escreve ao então escrupuloso Melanchthon em 1521:

“Seja um pecador, e peca fortemente, mas creia ainda mais firmemente (Esto peccator et pecca fortiter, sed fortius fide)” (Grisar: 206)

Peca fortemente! Sabendo que Cristo o perdoará!

Ora, o pecado é uma ofensa a Deus. Como alguém pode pretender ofender outrem, contando antecipadamente com a bondade dessa pessoa em perdoá-la?

Como pode um verdadeiro reformador evangélico incitar alguém ao pecado, como fez Lutero? Se isso não é permitir toda violação da lei, então o que será?

Livre de todo freio moral, Lutero dará à história do protestantismo páginas inacreditáveis de baixezas, que eram resultado de sua constituição bruta e principalmente de sua doutrina péssima.

Grisar mostra que o uso de expressões rasteiras pelo reformador era uma constante, e uma verdadeira fixação:

“Suficiente lembrar aqui que a esfera das funções ventrais constitui o solo mais fértil de suas (de Lutero) amplificações e comparações. Os estudantes ao redor de sua mesa freqüentemente indicam termos impróprios em seus manuscritos por meio de sinais, como I e X, no lugar onde a pena hesita em expressar a palavra suja. (...) Caspar Schatzgeyer, um dos mais moderados entre os apologistas católicos (...):“Nunca”, ele diz, “em qualquer outra disputa literária tal conjunto de armas foi usado.” (Grisar: 484)

Por conta do desconhecimento do verdadeiro Lutero e de sua mitificação, tornou-se comum a rejeição aos textos dos Propos de table, por não parecerem dignas do Lutero mítico. Mas como vimos acima, e como veremos a seguir, Lutero era comumente vulgar e brutal, particularmente contra seus inimigos, mas mesmo nas conversas entre os seus.

É o que se vê, por exemplo, na disputa epistolar entre Lutero e Lemnius, seu antigo discípulo, não menos vulgar que o mestre: embora não possa ter muito crédito, por suas mentiras e frivolidades, bem como por sua baixeza, Lemchem é um exemplo de como o espírito evangélico dominava os pseudo-reformadores:

“Ele (Lemchem) compôs um poema revoltante no qual ele descreve Lutero acometido de disenteria (sic!). Lutero lhe devolve uma “xxxx-song” (!), na qual ele presta tributo a Lemnius em linguagem não menos vulgar que seu oponente. (Propos de table, n. 4032)” (Grisar: 502)

A propósito, o Salmo:

"De maledicência, astúcia e dolo sua boca [do ímpio] está cheia; em sua língua só existem palavras injuriosas e ofensivas." (Salmo IX, 28)

Nessa linha de vulgaridade injustificada, o filme também não revela o modo como Lutero costumava se referir ao Papado:

“No fim daquele mês (fevereiro de 1545) apareceram duas estampas devidas à colaboração desses dois homens de gênio (sic), Martim Lutero e Lucas Cranach: o papa-asno e o papa-porco, seguidas duma série de dez gravuras em madeira guarnecendo quadras de Lutero onde este fizera seu “testamento”. Grosseiras obscenidades: o demônio gerou o papa, as fúrias o alimentaram no seio; convidado para um concílio, ele apresenta à Cristandade pasmada, sua própria imundície. Uma das estampas mostra o papa com uma cabeça de burro, tocando a cornamusa para atrair os imbecis ao seu concilio (Trento). (...) Outra apresenta o pontífice a cavalo num porco do alto do qual abençoa um monte de imundícies fumegantes, para o qual o animal estende o focinho. Eis aqui os versos de Lutero gravadas no alto: Porco, deixa-te conduzir / Esporear sobre teus dois flancos / Um belo concílio será tua recompensa, / Este fino prato (o monte de imundícies) constituirá o acepipe.” (Brentano: 215)

Brentano refere-se à obra conjunta de Cranach – que aparece rapidamente no filme, junto ao eleitor Frederick – e Lutero: Contra o Papado de Roma fundado pelo demônio. As figuras de Cranach e os textos de Lutero são horripilantes. Nos furtamos de reproduzir tal baixeza, que pode ser conferida na fonte (Grisar: 546-547).

Os protestantes se esforçam por esconder essa obra imoral e delirante de Lutero, como se pode ver em Köstlin, que só cita duas imagens, as menos ofensivas (figuras abaixo) e que reproduzem a suposta tirania do Papa sobre os imperadores alemães. (Köstlin: 563):








Imagens blasfemas do Papa (Grisar: 546-547)


E juntamente com a vulgaridade obscena, o ódio era marca registrada do rebelde alemão.

Na resposta ao teólogo Prierias, Lutero perde todo o controle:

“Se a fúria dos Romanistas chega a isso,” ele escreve, “parece-me não haver outro remédio para o imperador, para os reis, e para os príncipes senão atacar essa peste na Terra por meio das armas, e decidir a questão com a espada ao invés de palavras (...) Se punimos os ladrões com a forca, os assaltantes com a espada, os hereges com o fogo, então por que também não nos armamos e não atacamos esses mestres da corrupção, esses cardeais, esses papas, e toda essa corja da Sodoma Romana que corrompe a Igreja de Deus sem fim? Por que não lavamos nossas mãos em seu sangue?” (Grisar: 148)

E Lutero, no afã de atacar o Papa e o imperador, proibia seus príncipes de ajudá-los no combate aos turcos. Em 1524:

“Nós recusamos obedecer e marchar contra os Turcos ou contribuir para essa causa, já que os Turcos são dez vezes mais inteligentes e mais devotos que nossos príncipes” (Grisar: 326)

E depois:

“o governo do Papa é dez vezes pior que aquele do turco... Se os turcos merecem ser exterminados, será preciso começar pelo Papa.” (Grisar: 326)

E isso quando os turcos já batiam às portas de Viena, ameaçando toda a Europa Cristã!

De fato Lutero terá grande culpa no atraso ao combate aos turcos que ameaçavam a Cristandade. Isso será causa mais tarde de imensos remorsos para o reformador, ao constatar a destruição causada pelos muçulmanos. De fato, essa ameaça será um empecilho constante para que o imperador se dedique ao problema religioso na Alemanha, e será mesmo oportunidade de barganha para os príncipes protestantes. Em 1532, para afastar mais uma vez o perigo turco, Carlos V teve que ceder em Nuremberg e anular a Dieta de Augsburg, que havia terminado favoravelmente ao Catolicismo. (Llorca: 686-687)

Lutero alimentava-se de ódio: ele praguejava contra o Papa, e abençoava seus discípulos desejando que igualmente odiassem o Sumo Pontífice. Seu ódio chegava a tal ponto que ele dizia que renovar o ódio ao Papa apascentava seu espírito e dissipava suas tentações! (Grisar: 442)

Contra Lutero, diz o Príncipe dos Apóstolos:

“(...) sede todos dum mesmo coração, compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos, modestos, não retribuindo mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo” (1 Pe, III, 8-9)

E como diz a Escritura, "a boca fala o que transborda do coração" (Mt XII, 34)

E a hipocrisia de Lutero se revelava por vezes demasiado clara: em 1521, quando ele esperava ainda poder cativar o imperador em prol de sua causa, escrevia a Carlos V em termos extremamente respeitosos com relação ao papado e à Igreja; ao mesmo tempo, terminava seu tratado De Captivitate Babylonica, onde descreve o papado como o reino da Babilônia e repudia a hierarquia e toda a Igreja visível nos piores termos! (Grisar: 162)

O imperador – muito corretamente - rasgou a carta hipócrita de Lutero durante a Dieta de Worms. (Grisar: 162)

Hipocrisia, violência, deboche. Contra os inimigos, qualquer arma era válida para Lutero. O Bispo de Meissen, John von Schleinitz, baseando-se no V Concílio de Latrão, opôs-se ao rebelde em 1520 quanto à demanda pela comunhão sob as duas espécies. Lutero então reagiu violentamente, primeiro insinuando que o autor de tal proibição não poderia ter sido um bispo, para se desvencilhar da autoridade; depois dizendo – na linguagem que lhe era própria – que o documento muito apropriadamente tinha surgido na quaresma, pois o seu autor “provavelmente havia perdido sua razão durante o carnaval.” (Grisar: 150-151)

O pior é que Lutero confessaria sua arbitrariedade doutrinária nesse ponto, nos seguintes termos:

“Se um Concílio ordenasse ou permitisse as duas espécies, por despeito ao Concílio, nós só receberíamos uma, ou mesmo, nem uma nem outra e anatematizaríamos os que, em virtude dessa ordenação, recebessem as duas.” (Bossuet, T. 1, L. 1, 59)

Na verdade Lutero não queria reformar coisa alguma.

Ele queria apenas destruir o que a Igreja, única guardiã da doutrina verdadeira de Nosso Senhor, havia edificado e sustentado por quinze séculos.

Quem vê o Lutero doce e controlado do filme nem imagina tal realidade...


5. Paródia das indulgências: crânio de São João e outros

Desnecessário também é comentar o exagero absurdo, que beira o cômico, da venda de indulgências em Roma. Quase não sobram ruas vazias na Cidade Eterna, qualquer cantinho é oportuno para vender a salvação.

Assim como Lutero, os forjadores do filme só viram maldade e corrupção em Roma. Nada viram ali de belo e de santo.

Para eles as bem apropriadas palavras de Veuillot sobre a Cidade Eterna: “Comme le Dieu qui la remplit, elle se révèle aux humbles et se cache aux superbes.” (Veuillot: 8)

Também, convém notar como os católicos são sempre retratados como miseráveis e fanatizados, enquanto o clero explorador das indulgências invariavelmente verga o hábito de São Domingos. Talvez seja o ódio de Lutero e luteranos ao maior teólogo de todos os tempos, São Tomás de Aquino.

Mas o filme – de novo – omite que Lutero pronunciou um sermão a favor das indulgências em Julho de 1516, mostrando – conforme a doutrina Católica, que a indulgência não é remissão do pecado, mas “remissão da pena temporal devida ao pecado, que o penitente deve sofrer, seja da maneira como foi imposta pelo padre, seja que ele tenha que sofrer no purgatório,” e continua:
“ninguém pode sentir-se seguro da salvação.”

E ajuntando:

“Ganham indulgência plenária apenas aqueles que tenham se reconciliado com Deus por meio de verdadeira contrição e confissão.” (Grisar: 89)

E ainda, surpreendentemente, sobre o fundamento das indulgências:

“Elas são o mérito de Cristo e de Seus santos [i.e. elas derivam sua eficácia desse tesouro de méritos], e nós devemos, portanto, estimá-las com toda reverência devida.” (Grisar: 89-90)

É exatamente a doutrina que Lutero irá atacar nas suas 95 teses, no ano seguinte. Os historiadores sérios mostram que as indulgências não passaram de pretexto para a erupção da revolução. O filme quer passar a idéia que a Igreja realmente vendia a salvação...

Curioso é que, no filme Lutero, coloca-se essa doutrina na boca de Spalatin, que defende o eleitor Frederick, ávido consumidor de relíquias e indulgências. E Lutero responde apenas com um sorriso de desdém...


6. Staupitz oferece a Lutero a possibilidade de ler a Bíblia em Wittemberg

Uma outra distorção clara do filme é a sugestão de que Lutero nunca teria lido a Bíblia (Novo Testamento) antes de ir a Wittemberg.

Falso!

Completamente falso!

Uma das regras do mosteiro de Erfurt rezava que:

“sobretudo a obrigação de “ler a Bíblia com fervor, escutar sua leitura com devoção, e aprendê-la com assiduidade.” (Grisar: 44)

O rebelde alemão parecia mesmo ter muito interesse na Bíblia, de acordo com o relato do mestre de noviços (Grisar: 44)

E Köstlin também reconhece que Lutero lia a Bíblia em Erfurt, e acrescenta que Staupitz teria ordenado a leitura ZELOSA da Bíblia! (Köstlin: 43)

Lutero entrou no mosteiro de Erfurt em 1505. Só três anos depois ele irá a Wittemberg. Durante todo esse tempo leu a Bíblia, sim senhor.

Infelizmente...

E o rebelde teve ainda contato anterior com a Bíblia, na Universidade de Erfurt, aos 20 anos. (Köstlin: 36)

Por ser um livro raro e precioso, a Bíblia se encontrava presa à estante por uma corrente, o que deu origem a mais uma lenda protestante, a da “bíblia acorrentada” (sic!). Lutero usará esse episódio para criticar a Igreja por manter a Bíblia longe do alcance do povo, usando levianamente o fato do livro Sagrado estar preso à estante.

Ora, até hoje é costume manter presos os livros mais raros e valiosos em qualquer biblioteca do mundo, e não era diferente em Erfurt. Antes do advento da imprensa, a Bíblia – e muitos outros livros – eram caros e difíceis de reproduzir, justificando plenamente essa medida. (Grisar: 432)

E além do mais, a aparição de Hans Luther em Erfurt na ordenação do filho revela uma informação preciosa: a de que o povo conhecia a Bíblia!

Pois Hans diz ao filho rebelde: “Por acaso não leste na Escritura que o quarto mandamento manda honrar os pais?” . E Köstlin é mais explícito, revelando o que disse o pai de Lutero no almoço que se seguiu à ordenação: "Learned brothers, have you not READ in Holy Writ, that a man must honour father and mother? ". (Köstlin, 54).

O pai de Lutero era camponês, e conhecia a Escritura! E soube inclusive aplicá-la muito bem!! Portanto, é mentira que a Igreja negava ensinar a doutrina ao povo mais simples. É mentira que a Igreja escondia a Bíblia.


7. Dr. Carlstadt, Lutero e o Extra ecclesia nulla salus

O Dr. Carlstadt foi dos primeiros a aderir a Lutero.

E essas coisas não acontecem do dia para a noite: é evidente que o professor de Wittemberg já tinha idéias péssimas, e que instigado pelo rebelde lançou-se então fanaticamente contra a Igreja.

Em seguida se lançará avidamente em busca de uma mulher, violando seu voto de padre, pois não há herege sem concubina.

Depois se lançará contra o próprio Lutero, sendo inclusive expulso da Saxônia por intercessão do monge rebelde, graças à tolerância religiosa da reforma...

Em um diálogo que provavelmente nunca ocorreu, Lutero interpela Carlstadt sobre a salvação fora da Igreja, reclamando o destino dos ortodoxos; dos santos ortodoxos (sic!): Carlstadt então cita a autoridade do V Concílio de Latrão, que definiu a questão mostrando que fora da Igreja Católica não há salvação, conforme a famosa sentença de São Cipriano “extra ecclesia nulla salus”. Lutero então diz que o IV Concílio de Latrão se opunha ao V de Latrão, ao admitir que poderia haver salvação fora da Igreja, embora não fora de Cristo.

Ora, mas não há nada mais falso!

Assim se pronunciou o IV Concílio de Latrão, em seu Cânon 1:

“Há apenas uma Igreja Universal dos fiéis, fora da qual não há absolutamente salvação” (“There is one Universal Church of the faithful, outside of which there is absolutely no salvation”) (http://www.intratext.com/IXT/ENG0431/_P1.HTM)

Que – diga-se de passagem – concorda inteiramente com o que disse o V de Latrão, em sua Sessão 11 (Dez de 1516):

“Pois, regulares e seculares, prelados e seus fregueses (...) pertencem à única Igreja Universal, fora da qual ninguém pode se salvar, e todos têm um Senhor e uma fé.” (http://www.intratext.com/IXT/ENG0067/_PT.HTM#O4T)

Portanto, mais uma boa e grossa mentira luterana...

Vale acrescentar que Lutero irá recusar e desqualificar toda autoridade com sua revolta, apelando à autoridade no início apenas por hipocrisia, para ganhar tempo e fazer um mal maior dentro da Igreja.

Assim, irá elogiar o Papado até ser excomungado; uma vez condenado pelo Papa, irá apelar ao Concílio, que evidentemente irá rejeitar posteriormente; também, aceitará a arbitragem das universidades até que elas declarem seus escritos heréticos, quando então passará a recusar sua autoridade com uma violência inaudita.

O diálogo com Carlstadt é apenas mais uma idealização de Lutero, passando a idéia de que o rebelde era imbatível nos debates e que a Igreja só possuía ignorantes e sofistas.

É por isso que o filme Lutero não mostra a Disputa de Leipzig, pois seria difícil conciliar a imagem superior de Lutero com a derrota na disputa com o teólogo Católico John Eck, que conseguiu encurralar o revolucionário alemão para que negasse toda autoridade da Igreja (Papa e Concílios) e mostrar-se verdadeiramente um herege. (Grisar: 115-116)

Nessa famosa disputa, Eck fez Lutero negar os livros que na Bíblia defendem o Purgatório, fundamento das indulgências que Lutero atacava.

Eck venceu de tal modo a disputa, que como conseqüência o Duque George da Saxônia firmou posição definitiva a favor da Igreja, e as universidades de Colônia e Louvain condenaram as doutrinas heréticas de Lutero. (Llorca: 671)

O fato relevante é que as universidades haviam sido invocadas como árbitros da disputa, e seu veredicto então deveria ser aceito pelos participantes. As universidades de Paris e Erfurt também irão condenar Lutero, embora mais tarde (Llorca: 671)

Mais curioso ainda é que Lutero havia dito no começo que aceitaria as sentenças das universidades. Quando Colônia e Louvain rejeitaram várias de suas proposições, Lutero escreveu uma Responsio, onde pretendia mostrar “a vaidade e nulidade de tais veredictos acadêmicos em geral.” Dizia ainda, em linguagem que lhe era própria:

“Até que eles o refutem, (...) considera as condenações como se fossem imprecações de uma meretriz bêbada (sic!). Os professores de Louvain e Colônia são caracterizados como “asnos” em carta a Spalatin.” (Grisar: 149)


Embora tenha perdido a disputa de Leipzig, Lutero é quem contará a versão oficial na Alemanha, graças à intensa máquina de propaganda que acompanhou toda Reforma.

Humanistas – como Crotus Rubeanus, Filipe Melanchthon e Justus Jonas, com a bênção de Erasmo - e os hussitas cerrarão fileiras com Lutero, e o apoiarão decisivamente, divulgando suas idéias e mesmo protegendo-o do imperador e do Papa. (Grisar: 116-117)

As elites alemãs suportaram o jovem e impetuoso rebelde.

Como sempre acontece nas revoltas populares...


8. Conversas com o demônio

As doentias discussões com o demônio são um lugar comum na vida de Lutero.

Mesmo tendo mostrado essa face do reformador, o filme sugere que esse era um legado católico, e que o monge era atormentado então pela noção de justiça divina tirânica.

Contra essa afirmação, basta lembrar que Lutero irá encontrar o demônio durante toda vida, e de modo mais intenso ainda depois que abandonou a Igreja Católica e supostamente libertou-se da opressão que denunciara.

Em Wartburg (1521), por exemplo, no ócio que ele mesmo disse estar, demônios começam a povoar sua imaginação e mesmo “tornam-se visíveis e audíveis para ele (...)” (Grisar: 200) Outras manifestações anormais o acompanhavam, como o diabo que lhe aparece em forma de um cachorro (Grisar: 202)

Ainda no mosteiro, dizia Lutero, o demônio “freqüentemente me puxava pelo cabelo (sic), contudo foi sempre forçado a me deixar ir.” (Grisar: 204)

Lutero via diabos em toda parte.

Ele aceitou avidamente o relatório de Bugenhagen sobre um demônio que testemunhou a favor do evangelho por meio de uma serva possuída (sic!) (Grisar: 383)

E Lutero admirava o poder do príncipe das trevas em termos estarrecedores (em 1530):

“Eu mal posso esperar o dia (...) no qual veremos o grande poder desse espírito e, como era, sua quase divina majestade.” (sic!) (Grisar: 383)

Via demônios em Cobourg em 1530, como a serpente de fogo que depois de transforma em estrela cadente; e ainda:

“Eu vi meu demônio sobrevoando a floresta de Cobourg”;

Em Cobourg também será constatada a mancha de nanquim na parede, como em Wartburg, embora Grisar não confirme a autoria dos disparos de tinteiro por Lutero. (Grisar: 383-384)

Brentano, no entanto, nos narra de maneira muito viva esse episódio estranho:

“Vêem-se ainda, em Wartburg, traços duma nódoa de tinta, que Lutero teria feito na parede, lançando um tinteiro na cabeça do demônio; pelo menos a mancha foi renovada, pelos peregrinos que não cessam de arrancar pedaços do muro a título de relíquias (sic). Traços iguais na muralha, deixados pelos tinteiros que Lutero jogava em Satã, encontram-se no convento de Wittemberg e no castelo de Cobourg. Parecerá que o reformador não pode permanecer em lugar algum sem se empenhar com o Maligno, em batalhas a tinteiradas”. (Brentano: 85)

Interessante notar que essas manifestações doentias são bem posteriores à conversão de Lutero, e que, portanto, o reformador já estava livre das lendas e da influência que os biógrafos protestantes atribuem à Igreja Católica.

A partir de 1521, Lutero deveria possuir a paz e a alegria que atribuía à sua doutrina de justificação pela fé, livre da prisão moral imposta pela Igreja!

O que se vê, no entanto, é exatamente o contrário: quanto mais se afastou da Igreja e mais se afundou em seus erros, mais desesperado e doentio foi seu comportamento. (Grisar: 384)

O diabo era companheiro inseparável de Lutero. Em Wartburg (1521):

“Ao tempo de minhas primeiras conferências sobre os Salmos, dirá, (...) estava sentado redigindo minhas primeiras lições, quando o diabo surgiu e fez barulho, três vezes, atrás de minha estufa, como se tivesse arrastado uma vasilha para fora do inferno. (...) Senti-o, de novo, por cima do quarto no claustro, mas como notasse que era o diabo, não lhe dei mais atenção e adormeci.” (Brentano: 93)


Dirá que “Levava o diabo pendurado no pescoço”; e também:

“Conheço o diabo a fundo, de pensamento e de aspecto, tendo comido em sua companhia mais de uma pipa de sal” (Brentano: 93)

E ainda, surpreendentemente:

“O diabo dormiu ao meu lado, em minha cama, mais vezes do que minha mulher.”; (Brentano: 93)

Ao que ajunta Brentano:

“Satã mostrava-se ao pai da reforma sob os mais diversos aspectos: ora sob a forma de uma grande porca preta, ora sob a de uma tocha acesa; no castelo de Cobourg insinua-se na pele duma feia serpente, para aparecer, em seguida, na forma de estrela radiosa. (...)” (Brentano: 93)

E vemos Lutero falando aos discípulos sobre as tentações do demônio, e a forma anticristã de as afastar:

“Muitas vezes os ataques do demônio vos caem na cabeça, como o raio; não há melhor remédio do que comer bem, passar boa vida, e as maquinações do demônio derretem-se como neve ao sol.”(Brentano: 97)

E ainda:

“Cuida de teu estômago, não te vás matar com jejuns; dormirás melhor; quando não durmo, o diabo acorre logo e põe-se a discutir comigo. Fala com voz grave e forte” (Brentano: 97)

Ora, esse é um comportamento diametralmente oposto ao sola gratia de Lutero: é um comportamento pelagiano, através do qual o homem se julga capaz de disputar com a tentação e de vencê-la com as próprias forças, sem apelar à graça divina através da oração!

É mais uma das inúmeras contradições do rebelde...

Nessa linha, Brentano vai além, mostrando como o demônio, além de companheiro, era de fato mestre de Lutero:

“Mas às vezes o reformador tinha com o Espírito do Mal longas conversas; dava-lhe ouvidos aos argumentos. Aconteceu deixar-se convencer por eles. Por sua própria confissão, esta e aquela parte de sua doutrina nascem dessas infernais discussões. Nicolau anotou, (...): “Nunca houve ninguém, a não ser Lutero, que se tivesse gabado, numa obra impressa, de ter tido uma longa conferência com o diabo; que se tinha convencido de suas razões, que as missas privadas eram um abuso e que era esse o motivo que o tinha levado a aboli-las”. Bossuet volta ao mesmo ponto, em sua História das variações... (liv. IV): “Nesse tempo Lutero publicou esse livro contra a missa privada, onde se encontra a famosa conversa que tivera com o anjo das trevas e onde, forçado pelas razões deste, aboliu, como ímpia, a missa que celebrara durante tantos anos (...) ” (Brentano: 98-99)

Como dissemos, aqui encontramos a justificativa para Lutero mentir tanto e se contradizer continuamente: ele tinha por mestre o próprio pai da mentira...

E se o diabo era mestre e companheiro inseparável de Lutero, convém notar também que o rebelde foi descrito pelo menos três vezes como dotado de um olhar estranho, faiscante, como o de um homem possuído pelo demônio: em Worms, pelo Cardeal Aleander (Grisar: 183), no retorno a Wittemberg, pelo bispo John Dantiscus (Grisar: 217) e pelo núncio Vergerio, que entrevistou Lutero em 1535. (Grisar: 414)

É fato que Lutero tinha um encantamento estranho; que cativava as pessoas, em que pese suas incoerências e inúmeros vícios. Diz-se que, entre os luteranos, somente Schwenkfeld não foi dominado pela estranha atração de Lutero.


9. Jovem suicida: Lutero concede-lhe a sepultura cristã

Um dos episódios mais interessantes do filme não se encontra nas biografias de Lutero: o episódio do jovem suicida, que Lutero enterra no solo sagrado da Igreja. Mesmo porque Lutero defendia atitudes até mais radicais nesse sentido: falando a pastores em Agosto de 1532:

"Guardemos a Igreja por nossas prédicas, por uma pura doutrina, distribuindo os sacramentos. Quanto aos que não querem recebê-los nem aprender o catecismo, deixai-os rebentar como porcos, sem assisti-los na hora da morte; não consintais que sejam enterrados no cemitério; assim os amedrontareis e intimareis os outros" (Propos de table, n. 1735) (Brentano: 162)

Na verdade, nos parece que essa ficção luterana foi feita com uma intenção muito clara: transmitir de modo brando e menos escandaloso a doutrina do Servo arbítrio de Lutero.

Seria difícil reproduzir os diálogos do monge rebelde, ou mesmo trechos do terrível livro Do servo arbítrio, que afinal levava Lutero a dizer que nem Judas nem Adão tiveram culpa de seus terríveis pecados!

"Neste caminho [da predestinação] Lutero é obrigado a confessar que, conforme sua doutrina, Judas não podia deixar de trair Cristo. Se Judas devia necessariamente entregar Jesus, Adão no paraíso devia necessariamente comer a maçã - também assim Lutero o reconhecia. Como acaba nessas condições a tese do pecado original e toda a doutrina luterana da corrupção, não somente da humanidade, mas da natureza inteira, pela falta de Adão, já que nosso primeiro pai não podia deixar de cometer esta falta? Ao que Lutero chega a esta bela conclusão: "Deus age sempre como um louco" (närrisch)." (Brentano: 111)

Seria difícil fazer o herói Lutero reproduzir palavras tão duras como essas no filme!

Também seria difícil colocar no moço bonzinho a conseqüência que ele mesmo tirava da teoria da predestinação:

“Na predestinação, esquecemos Deus: o Laudate se transforma em Blasphemate. (Propos de table, no. 1820) ” (Brentano: 156)

E o que diriam os pacatos espectadores de Lutero, se lhes fosse apresentada a seguinte explicação de Lutero para a vontade humana:

“O arbítrio humano, (...) se assemelha a uma sela de cavalo entre os dois [Deus e o diabo]. Se Deus monta na sela, a vontade do homem quer e age de acordo com a vontade de Deus... Mas se o demônio é o cavaleiro, o homem deseja e age conforme a vontade do demônio. Ele não tem forças para correr para um ou outro dos cavaleiros, e oferecer a si mesmo, mas os cavaleiros lutam para obter a posse do animal. (sic)” (Grisar: 300)

Brutal, mesmo para nossos tolerantes dias, e para nossos passivos espectadores!

E também não seria fácil passar a solução luterana para o problema da predestinação, que o rebelde colocou nos seguintes termos:

"[Lutero] esconde arbitrariamente de si mesmo a predestinação ao inferno com seus horrores, mas insiste firmemente sobre a monstruosidade da predestinação absoluta à punição eterna (...) Ele sugere que nós simplesmente não devemos pensar nisso!" (Grisar: 302)

E continua Grisar, mostrando como Lutero fundamentava sua teoria absurda:

"Ele [Lutero] recorre a um misterioso Deus escondido, o qual, em Sua ilimitada majestade, deve ter outras normas que nosso senso de justiça humano possa conceber. A essência de Deus é de fato inescrutável. A afirmação do Apocalipse de que Deus quer a salvação de todos os homens, se aplica ao Deus revelatus no Evangelho de Cristo; mas há também um Deus escondido, um Deus absconditus, cujos decretos podem ser bem diferentes." (Grisar: 302)

Veremos mais adiante como essa estranha concepção na verdade tinha uma base doutrinária muito sólida e muito conhecida pelo monge...

Definitivamente, não era possível apresentar o servo arbítrio nem a predestinação luterana assim cruamente, sem um disfarce...
Mas se não era possível apresentá-la assim, era preciso adaptá-la de alguma forma, pois não houve doutrina mais cara a Lutero, que chegou a dizer em 1537:

“Eu não reconheço nenhum de meus escritos como genuíno, exceto o Servo Arbítrio e o Catecismo” (Grisar: 303)

E confessando sua firme adesão a doutrina tão perversa:

“Nenhum de meus livros, afirma em 1527, a Capito, é tão bem fundado como meu Servo Arbítrio” (Brentano, 157)

Então, como mostrar essa doutrina de Lutero de forma branda, simpática? Nada mais fácil quando não se é comprometido com a verdade... : um jovem atormentado pela mentalidade punitiva da Igreja; um trabalho humilhante e explorador; um monge solidário com os sofrimentos do povo (Lutero, é claro!); e pronto: Lutero desafia o status quo, enterra o jovem na Igreja, fica de bem com os desesperados pais, e coloca toda a culpa no demônio!

Nada como não ter compromisso com a verdade!

Convém notar ainda como é no paganismo que Lutero busca parte dos argumentos a favor de sua tese absurda:

“Deus é obrigatoriamente, um Deus sob cuja decisão tudo se realiza. Os próprios pagãos não atribuiriam a Júpiter uma vontade suprema que chamam Fatum (o destino)? Não reconheceram que nenhuma vontade humana pode subtrair-se a esse jugo eterno? O poder supremo de Deus, somado à sua presciência eterna, fazem desaparecer obrigatoriamente uma razão agindo livremente em nós. (De servo arbítrio, 1525)” (Brentano: 157)

Contra Lutero disse São Tiago:

"Ninguém, quando for tentado, diga: É Deus quem me tenta. Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte." (Tiago I, 13-15)

Notem, prezados leitores, como a doutrina luterana é paganismo, como veremos ao final. Ele apenas usou a aparência de Cristianismo para abrigar-se, como fazem todos os hereges.


10. Lutero pregador: sermão amoroso e de confiança...

Segundo o filme, o herói popular é também orador eficiente, e que fala só de amor e de confiança, em oposição à Igreja tenebrosa e punitiva.

No entanto, esqueceram de mostrar que em 1530, Lutero recusou-se a pregar no púlpito, devido

“seu desgosto com a indiferença do povo em relação à palavra de Deus”. O editor (luterano) da coleção de Weimar comentou então que “a única explicação possível para esse passo é patológica.” (Grisar: 382)

O sermão de Lutero no filme é sempre de confiança em Deus, de fé e de amor; porém o Lutero histórico era bem diferente, como quando tira as conclusões de seu absurdo servo arbítrio, como já tratado: "Deus age sempre como um louco" (Brentano: 111)

O filme também não mostra Lutero blasfemando acerca de Nosso Senhor, contra os Sacramentários:

“Pensais, sem dúvida, que o beberrão Cristo, tendo bebido demais na ceia, aturdiu os discípulos com uma vã tagarelice?” (Brentano: 135)

E ainda, violento e mais blasfemador:

“Certamente Deus é grande e poderoso, pensa Lutero, e bom e misericordioso e tudo quanto se pode imaginar nesse sentido, mas é estúpido” (Deus est stultissimus; Propos de table n. 963, ed. De Weimar, I, 487)” (Brentano: 147)

Brentano mesmo, um notório admirador de Lutero, reconhece:

“Nas crises de nervosismo na sua natureza tão perigosamente impetuosa e impulsiva, o ilustre reformador aflige e desconcerta os biógrafos, mesmo aqueles em que provocou sincera admiração” (Brentano: 165)

Mas tem mais, porque Lutero era tão pródigo em baixezas e blasfêmias quanto os luteranos em colocar palavras leves em sua boca:

“Sabes como Deus procede para se conservar o regente da humanidade? Paralisa os velhos e cega os jovens, e com isto se conserva mestre. (Propos de table, n. 2115 B)” (Brentano: 148)

Os luteranos de hoje podem controlar num roteiro meticuloso as falas de Lutero.

Que prodígio!

Da falta de um roteiro se ressentem os luteranos de ontem que não podiam segurar a língua de seu mestre:

“Tendo sido censurado pelo dr. Jonas, por ter insultado Deus em seu Salmo Quare fremuerunt gentes, Lutero responde: (Propos de table, n. 2505 B): - Certamente, mas qual o profeta que não insultou Deus?” (Brentano: 148)

A Bíblia ensina o contrário:

“Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua e engana o seu coração, então é vã a sua religião.” (Tg I, 26)

Os luteranos lamentam a falta de um roteiro para segurar o Lutero histórico na linha:

“Se Deus não me perdoasse os pecados, eu os jogaria pela janela. (Propos de table, n. 2007)” (Brentano: 148)

E a brutal blasfêmia contra a pureza de Nosso Senhor, que embora vinda de Lutero, nunca teria lugar no seu filme:

“Cristo, diz Lutero, cometeu adultério pela primeira vez, com a mulher da fonte, de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: “Que fez, então, com ela?” Depois com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve de fornicar, antes de morrer. (Propos de table, n. 1472, ed. De Weimar, II, 107)” (Brentano: 151)

Eis o arauto da paz, do amor, da confiança!

Um blasfemador incensado pelo mundo moderno!

Contra ele, a Bíblia:

“Pois, quem quer amar a vida, e ver os dias felizes, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano” (1 Pe, III, 10)

Particularmente para aqueles que defendem o ecumenismo utópico, convém lembrar que Lutero dizia ser pior rezar a Missa Católica do que ser explorador de mulheres de má vida (sic!) ou assaltante! (Grisar: 222; Brentano: 86).

E para completar, é incrível que o próprio Lutero tenha confessado certas vezes que não acreditava em suas próprias doutrinas.

É claro que ele dizia que as doutrinas eram de Cristo, e que mesmo ele duvidando não devia desistir delas:

“E o que me espanta, acrescenta Lutero em termos verdadeiramente comovedores, é que eu não consiga compenetrar-me dessa doutrina de verdade e que meus discípulos julguem possuí-la na ponta dos dedos (Propos de table, n.1351)” “ Dizia aos comensais: “Tenho maior confiança em minha mulher e em cada um de vós do que em Cristo, embora nenhum de vós fizesse por mim o que o ser divino fez em meu favor: deixar-se crucificar e morrer.” (Propos de table, n 2397 b).” (Brentano: 200-201)

O castigo para o soberbo e blasfemo era pois a confusão intelectual...

O castigo para o imoral e antinomista era ainda a incerteza de salvação...

Não! Lutero não foi feliz nem em vida, assim como todos os hereges.


11. A Mãe miserável e a filha deficiente. Lutero caridoso?

O Lutero idealizado pela milionária Thrivent também não podia deixar de se preocupar com os pobres e oprimidos. Em várias cenas o jovem pároco de Wittemberg aparece ajudando e se apiedando de uma mendicante e de sua filha deficiente, que mal pode andar com duas muletas artesanais.

Evidentemente tais cenas nunca existiram. Muito menos existiu a preocupação de Lutero com o povo, com os pobres. É notório que os príncipes que dominaram a religião em seus territórios suprimiram as coletas de caridade mantidas pela Igreja.

Mais uma vez mostraremos como o Lutero histórico nada tem do piedoso pároco apresentado no filme.

Em Torgau, junto a Jonas, Melanchthon e o eleitor da Saxônia, entre outros, Lutero disse:

“Queria ser durante três dias um anjinho, para ir roubar o dinheiro dos camponeses e jogá-lo no (rio) Elba; mas depois faltaria corda, porque todos iriam enforcar-se" (Brentano: 131)

E comentando entre amigos sobre música, que tanto lhe agradava:

"Estou satisfeito de que os camponeses sejam privados deste elemento de consolação: não entendem nada de música. (Propos de table, n. 1817)” (Brentano: 131)

Os biógrafos luteranos narram ainda uma ridícula e caricata tentativa de exorcismo:

“Em janeiro de 1544, na sacristia da Igreja paroquial de Wittemberg, sob a presidência do dr. Martim Lutero, numerosa assistência reunira-se ao redor duma jovem de dezoito anos – uma histérica sem dúvida (sic) – que o diabo dominara. Começaram rezando preces comuns, mas a moça não se dava conta de nada. Visivelmente o diabo zombava dos espectadores e das preces que dirigiam a Deus. Então Lutero, possuído de cólera, deu na jovem, isto é, no demônio, um grande pontapé; depois se apressou em ganhar a porta, prevendo, sem dúvida, que o diabo, que rira das preces dirigidas a Deus, acharia menos engraçado o pontapé que lhe acabava de dar. De fato, a moça lançou-se em perseguição do dr. Martim que fugira. Maldição! O ferrolho, que fechava a porta, tinha caído automaticamente e a chave não girava mais. Que fazer? O dr. Martim, fora de si, corria daqui para ali, a jovem, o que vale dizer o diabo, uivando no seu encalço. (...) Enfim o bedel da igreja passou um machado por uma vidraça quebrada; podendo-se então arrombar a porta e libertar o exorcitador.” (Brentano: 96)

Grisar narra o mesmo episódio em termos semelhantes, e como Brentano, lembra que posteriormente disseram a Lutero que o diabo abandonou a menina, talvez para consolar o exorcista fracassado. (Grisar: 493)

De novo este Lutero nada tem comum com o padre que se inclina para amparar a vacilante menina deficiente que se equilibra em muletas precárias.

Devido a seu temperamento explosivo, Lutero por diversas vezes não conseguia se controlar, passando de todos os limites e esbravejando desesperadamente:

“Se eu não posso mais rezar, ao menos poderei maldizer. Não direi mais: “Santificado seja o teu nome...”; mas “Que seja maldito, emporcalhado, danado, o nome dos papistas!” Não direi mais: “Venha a nós o teu reino... Repetirei: “Que o papado seja maldito, danado, aniquilado... Sim, é assim que eu rezo todos os dias, do fundo do coração.” (Brentano: 194)

Pasmem, leitores!

Até o Pai-Nosso Lutero inverteu!

E Lutero volta-se mesmo contra seus antigos colaboradores, que o abandonaram e retornaram à Igreja. Assim, Witzel era uma “víbora ingrata”, Crotus não é mais que “um lambedor de pratos do arcebispo de Mayence” (Brentano:194)

O rebelde alemão ataca igualmente aqueles que discordavam de sua doutrina:

“Oeckolampade, Schwenckefeld, Zwingli. Que ele trata desembaraçadamente de possuídos do diabo, arquipossessos, blasfemos, bocas mentirosas.” (Brentano:194)

É possível conciliar este Lutero com o personagem do filme? No filme não o vemos sequer levantar a voz, sequer dizer uma grosseria, sequer entristecer-se com seus inimigos! A indignação mostrada contra Tetzel é pouco, quase nada, perto do que vemos aqui!

E para desmascarar também a aura de bondade luterana com relação às mulheres, lembremos apenas uma das indelicadezas do rebelde, dita a Catarina de Bora:

“Arroga-te toda autoridade no lar, mas que meu direito aí permaneça intacto. O domínio da mulher jamais produziu alguma coisa de bom. Deus fizera Adão mestre e senhor na terra e tudo aí era perfeito quando a mulher surgiu para tudo transtornar; (...) (Propos de table, n. 1046)” (Brentano: 204)



12. Pregação do Dominicano Tetzel: sombria e doentia...

Fiel à sua proposta de demonizar tudo que é contra Lutero, o filme apresenta o pregador Dominicano João Tetzel como um psicopata. Tetzel chega a botar a mão no fogo – literalmente! – para convencer os fiéis de sua doutrina apocalíptica!

E para denegrir o dominicano, inimigo número um do rebelde, os produtores de Lutero usaram até uma falsa lenda, atribuindo a Tetzel uma frase terrível e inverídica:

“(…) o filme atribui o rumor escandaloso, aludido por Lutero, de que Tetzel afirmava que absolveria com sua indulgência mesmo aquele que (per impossibile) “violasse a mãe de Deus,” apesar de Tetzel negar isso de forma indignada e ter testemunhas oculares para respaldar essa declaração.” (Greydanus)

Já tivemos a chance de mostrar como Lutero era honesto na divulgação de acusações contra a Igreja Católica...

Além do mais, o filme nem trata da disputa epistolar que travaram Lutero e Tetzel, e nem como os estudantes de Wittemberg queimaram a última defesa feita pelo dominicano, deixando claro então que os argumentos não mais importavam, pois o fanatismo luterano já havia se instalado na Alemanha.

Curioso também mostrar que o expediente difamatório que Lutero e todos os hereges usam contra a Igreja não é novo.
O próprio Lutero nos legou o relato dessa prática, anos antes de lançar-se em revolta aberta:

“(...) os hereges não são bem acolhidos se não pintam a Igreja como má, falsa e mentirosa. Só eles querem passar por bons: a Igreja há de figurar como ruim em tudo.” (Franca, IRC: 200)

Confissão preciosa!

Muito preciosa!


13. Cajetan, Aleander e a eleição de Leão X

Demonizados serão também os cardeais e o Papa, particularmente Leão X.

Convém destacar, por exemplo:

“O filme alega que Leão X colocou a cabeça de Lutero a prêmio, mas esquece de mostrar (o papa) Leão dando ordens para que o salvo-conduto de Lutero na saída da Dieta de Worms fosse respeitado.” (Greydanus)

E é evidente também que a corrupção do clero e da sociedade em geral foi obra do Renascimento pagão.

Curioso que Lutero ataca o efeito, mas abraça a causa... o renascimento será base doutrinária e política para as teses luteranas mais importantes, e os humanistas serão seus notórios e muito valiosos aliados nos anos críticos.


14. Lutero em Augsburg: a audiência com o Cardeal Cajetan.


Essa e outras cenas tentam passar a idéia de humildade do monge agostiniano, que a tudo se submete e que não quer desafiar as autoridades. Nada mais falso, como se vê, por exemplo, em 1520:

"Para enganar e subverter o papado julgamos que tudo nos é lícito" (De Wette, I, 478; apud Franca, IRC: 200, nota 95)


Llorca também desmente essa imagem submissa do rebelde. Segundo ele, o Cardeal Cajetan entrevistou Lutero com a única intenção de fazê-lo rejeitar seus erros: não havia sido marcado nenhum debate ou disputa.

Era como se hoje em dia – mutatis mutandis – um deputado qualquer comparecesse diante de uma CPI e, negando-se a rejeitar seus crimes notórios, apoiando-se numa interpretação arbitrária da lei, negasse a autoridade da Comissão para condená-lo e para mandar prendê-lo!

Lutero tinha simplesmente que se apresentar ao Cardeal para retratar-se. Como se negou obstinadamente a fazê-lo, Cajetan endureceu contra ele, pois Lutero se mostrava então um verdadeiro herege, um inimigo de Deus e do Império.

Mas, o mais interessante – e que o filme esqueceu de mostrar – é que Lutero fugiu de Augsburg quando viu que a situação se tornara insustentável, deixando apenas uma apelação por escrito ao Papa. O Cardeal, muito contrariado por aquela situação absurda, apelou ao eleitor Frederick, porém sem sucesso... (Llorca: 670)

Grisar confirma a fuga de Lutero, e sua “manifesta arrogância e obstinação ofensiva” contra o Cardeal. O monge rebelde diz a Cajetan que apelará ao Papa, e a outros diz que apelará a um Concílio. Sabemos perfeitamente bem que depois de condenado pelo Papa, Lutero não aceitará mais sua autoridade; e depois da instalação do Concílio (Trento), também se recusará a aceitar suas decisões.

Lutero não queria senão ganhar tempo para difundir seus erros.

Infelizmente, conseguiu...


15. Lutero na Dieta de Worms: herói popular?

No afã de transformar seu ídolo em herói popular, os artífices da película Lutero por vezes esqueceram completamente a história.

Tentando passar a falsa de idéia de que a Igreja era odiada e que Lutero era visto pelo povo como libertador da tirania, antes que a fama, foram cem cavaleiros que precederam Lutero em Worms! (Grisar: 183) Aliás, o indefeso e destemido Lutero sempre contou com tais proteções, como em Leipzig em 1519 e em Lichtenberg para encontro com Miltitz em 1520 (Brentano 73; 90).

Outro fato omitido no filme foi a intensa atividade editorial que acompanhou toda a revolta de Lutero, desde a difusão das 95 teses até a propaganda pura e simples da santidade do rebelde:

“Na época em que Lutero foi condenado, e mesmo antes da condenação, circularam em Worms e em outras localidades do império, representações pictóricas dele com a pomba, símbolo do Espírito Santo, pairando sobre sua cabeça. Outros desenhos representavam-no com um halo (de santidade). Um panfleto sobre a “Paixão de Martinho” (sic!), modelado conforme a narrativa da paixão de Cristo, foi publicada, no qual ele era glorificado como um herói perseguido.” (Grisar: 193)

Daí até se justifica que o povo tenha acorrido para conhecer o afamado monge rebelde, que merecia a escolta devida a um príncipe e que era promovido como um herói ou um santo!

Vemos então que desde o início da revolta Lutero obtém apoio incondicional de príncipes e humanistas, que esperavam muito mais do reformador que apenas discussões teológicas sobre as indulgências...

Quando da excomunhão pelo Papa, personagens importantes cerram fileira em torno de Lutero: Humanistas, Cavaleiros (Ulrich von Hutten e Sylvester de Schaumburg), o famoso chefe mercenário Franz Von Sickingen, e mesmo o príncipe eleitor da Saxônia, Frederick, o Sábio, cujo conselheiro Spalatin fora colega de Lutero na Universidade de Erfurt (Grisar: 161) Curioso também como artistas como Alberto Dürer – cujos discípulos eram ateus – declararam apoio a Lutero, mesmo não compartilhando de sua doutrina (Grisar: 195)

Mas o maior apoio virá de Erasmo de Rotterdã.

O seu apoio irrestrito ao movimento do rebelde alemão induziu grandes quantidades de alunos a assistirem e apoiarem Lutero em Wittemberg, já em 1520. (Llorca: 672)

Também consta que Erasmo teve papel decisivo ao proteger Lutero impedindo a divulgação da bula do Papa na Alemanha, desacreditando a condenação e influenciando diretamente o eleitor da Saxônia:

“São de grande interesse as diversas manifestações de Erasmo por ocasião da condenação de Lutero pelo Papa. Assim, em 5 de Novembro de 1520 dizia ao eleitor da Saxônia que a perseguição a Lutero devia-se a motivos inferiores e que não passava de gritaria e de pura maldade. (...)” (Llorca: 675, nota 33)

Não é à toa que nessa época corria o ditado: “Erasmo pôs o ovo que Lutero chocou.”


16. Lutero aclamado na dieta?

Tudo na versão luterana sobre a Dieta de Worms é falso.

Não houve uma aclamação popular de Lutero. A sua frase decisiva é apócrifa. Nunca houve tal baderna apoiando Lutero ao final de seu pronunciamento.

Já mostramos como a imprensa promoveu Lutero antes, durante e depois de Worms.

Quando Lutero termina sua exposição sobre a doutrina que decidiu sustentar, diz apenas que espera que Deus o ajude, o que era uma forma absolutamente normal de terminar os discursos na época. Não há motivo para louvar essa frase tão comum como se fosse a confissão de um santo ou herói. Antes dessa frase, o folclore protestante inventou outra mais significativa: Assim (nessa posição) permaneço (Here I stand). A frase nunca foi dita por Lutero...

Por fim, nunca houve tal apoteose dentro da sala da dieta.

Os eleitores e o imperador ouviram juntamente com os legados do Papa a triste decisão de Lutero, e lamentaram sua apostasia.

Foi depois que saiu que Lutero comemorou com seus acompanhantes, que esperavam do lado de fora. A festa continuou na taverna... (Grisar: 186)

Como em outras situações, os luteranos quiseram fazer desse episódio um marco de heroísmo do rebelde alemão. E de desafio às autoridades da Igreja e do império, contra o que ensina a Escritura:

“Sede, pois, submissos a toda autoridade humana, por amor de Deus; quer ao rei, como a soberano, quer aos governadores (...) Honrai a todos, amai os irmãos, temei a Deus, respeitai o rei.” (1 Pe, II, 13-17)


17. Cardeal Aleander x Lutero? Seqüestro em Wartburg: Spalatin e mais uma mentira

Não havia nenhuma ameaça objetiva contra Lutero, como insinua o filme. Foram os protestantes que, exagerando os fatos na Dieta a favor de Lutero, inventaram falsas ameaças para incitar ainda mais o ódio aos Católicos.

O que de fato houve foi uma manobra do eleitor da Saxônia para preservar Lutero da condenação pelo Império.

E, além do mais, usando um expediente pouco honesto: Frederick mandou que seus assistentes escolhessem o esconderijo para o monge. Assim, quando questionado pelo imperador, poderia dizer sinceramente que não sabia do paradeiro de Lutero...

O desaparecimento do rebelde irá inclusive contribuir para o aumento do ódio contra a Igreja e o Império, acusados injustamente pelo sumiço de Lutero.

O fato objetivo é que Lutero era um fora-da-lei, um criminoso perante o império.

E, portanto, o eleitor da Saxônia e todos os seus colaboradores acobertaram um criminoso.


18. Melanchthon x Carlstadt: a questão das imagens

Na verdade esse episódio passageiro – bem passageiro no filme, pois os dois discutem enquanto correm escada abaixo – resume a indisposição de Lutero contra quaisquer concorrentes.

Carlstadt também teve que sofrer nas mãos de Lutero. Quando mandou imprimir livros que contestavam a doutrina do papa de Wittemberg, Lutero cobrou do eleitor da Saxônia providências imediatas:

“Carlstadt montou uma tipografia em Iena, escreve o reformador (7 de janeiro de 1524), mas o eleitor (de Saxe) e nossa academia prometeram, conforme o édito imperial, não tolerar nenhuma publicação, que não fosse submetida ao exame das “Comissões”, isto é, da censura”. Assim, eis nosso doutor invocando os éditos do imperador católico romano e a censura de uma comissão de controle, contra os sectários da religião reformada, que não julgavam compromisso apegar-se estreitamente à sua doutrina.(...)” (Brentano: 135-136)

Mais tarde, como Lutero não conseguiu convencer os sacramentários de Carlstadt com argumentos, usou um outro recurso mais sutil:

“ (...) Lutero recusou prosseguir a discussão encetada com o discípulo insubmisso. Ao contrário do florim dado na hospedaria do Urso Negro, obteve de João, o Constante, que Carlstadt fosse exilado do Eleitorado. O proscrito teve de abandonar a mulher e os filhos.” “Vários outros pregadores que ensinavam doutrinas dissidentes do luteranismo, foram expulsos igualmente. (...) Vários sectários de Carlstadt foram lançados na prisão.” (Brentano: 137)

O florim no Urso Negro também é outro episódio edificante da Reforma Luterana:

“Após um sermão do mestre (Lutero), Carlstadt entra com ele na taverna do Urso Negro e declara que não pode tolerar sua opinião sobre a presença real. Lutero, com ar desdenhoso, desafia-o a escrever contra ele e promete um florim de ouro a Carlstadt se o fizer. Tira então a moeda do bolso. Carlstadt aceita-a. (...) A despedida dos combatentes foi memorável: disse Carlstadt: - Possa ver-te esmagado por um rolo!” Ao que respondeu Lutero: “Mil raios te partam antes de saíres da cidade!”. – Eis o novo evangelho, eis os atos dos novos apóstolos” conclui Bossuet sobre o episódio (Bossuet: T.1, L. II, 61-62)

Pasmem, leitores-espectadores, de que caridade se revestiram os falsos reformadores no trato entre si...

Diz a Escritura: Vede como se amam...


19. Confusões populares em Wittemberg: Lutero herói!?


O filme sugere que Lutero teve um heróico desprendimento, salvando inclusive padres indefesos das mãos do populacho enfurecido. Doce ilusão...

O que ocorreu, de fato, foi que Lutero voltou à cidade para calar as vozes dissonantes – como a de Carlstadt e dos profetas de Zwickau – e colocar fim à baderna que ele mesmo criara. Os profetas já haviam inclusive convencido Melanchthon (sic!) de algumas de suas doutrinas!

Nesse sentido, um episódio pitoresco e esclarecedor é a entrevista de Lutero com o anabatista Mark Stübner.

Lutero o desafiou a provar sua missão divina – evidentemente todos os reformadores diziam ter uma missão divina – através de um sinal miraculoso. Stübner, ao invés de devolver o desafio a Lutero, soberbamente afirmou que poderia dar tal sinal. Lutero esbravejou então que seu Deus impediria os falsos deuses de Stübner a cumprirem tal milagre (sic!) e a entrevista terminou por aí... (Grisar: 219)

Lutero usou o mesmo expediente contra Tomás Munzer em Mulhouse, e contra Carlstadt, proibindo-lhes então a pregação (sic!) (Franca, IRC: 177)

E nunca houve a cena de Lutero salvando os padres das mãos enfurecidas do povo.

Outra grossa mentira.


20. Guerra dos camponeses: a Reforma faz suas maiores vítimas

A participação de Lutero na guerra dos camponeses é extremamente atenuada pelo filme. Após o sangrento conflito, que se confunde com o levante em Wittemberg, que é anterior, Lutero aparece apenas lamentando o sangue derramado.

No entanto, Lutero foi o instigador da revolta através de seu ataque violento ao clero Católico.

Mais, Lutero foi o propulsor da matança, quando seus inimigos anabatistas levavam às últimas conseqüências o que ele havia dado apenas como princípio.

E Lutero constitui-se ainda inimigo do povo ao final do conflito, pois os camponeses perceberam que o ídolo fabricado nos porões humanistas e anticatólicos se esfacelava diante das situações reais.

Lutero foi o instigador da revolta. Historiadores abalizados não deixaram de reconhecer a paternidade de Lutero na luta: “As pregações luteranas sobre a liberdade cristã e contra a opressão da autoridade eclesiástica e ainda contra o imperador contribuíram, indubitavelmente para a revolta conhecida na história como guerra dos camponeses.” (Llorca: 682; negrito do texto)

O mesmo Erasmo, outrora aliado, agora acusava Lutero: “Não queres acusar os amotinados, mas eles te acusam e os autores desta guerra se jactam com o Evangelho”. (Brentano: 122)

Embora Lutero não tenha tido toda a culpa pela guerra dos camponeses, Grisar mostra que a “doutrina da liberdade evangélica teve o papel principal”. E que ao incitar a violência contra a Igreja, de fato deu o combustível aos revoltosos: “Quantas vezes Lutero não intimou seus seguidores a destruir Igrejas, mosteiros, e dioceses do Anticristo (?)” (Grisar: 279-280)

Parte do ódio luterano que se desencadeará depois pode ser explicado pela participação dos inimigos de Lutero na revolta popular. Os revoltosos mais eminentes eram exatamente aqueles que radicalizaram os princípios luteranos e pretendiam apartar-se do mestre, como os “profetas” de Zwickau e Tomas Munzer. Contra eles escreveu Lutero no início de 1525, e, sem sucesso, viu na guerra a possibiliade de liquidar os rivais com a ajuda dos príncipes. (Grisar: 298)

O humanista Ulrich Zazius escrevia ao amigo Amerbach: “Lutero mergulhou a Alemanha em tal delírio, que se deve chamar repouso e segurança a esperança de não ser abatido.” (Brentano: 123)

Lutero escreveu inicialmente contra a revolta, não em favor da Igreja nem da paz na Alemanha, mas simplesmente porque não era atribuição do povo a intervenção pela força. Também porque ele ainda tinha a ilusão, derivada de sua falsa doutrina, de que venceria o papado apenas com a pregação da Palavra Divina, e não pelo uso da força (Grisar: 209)

Ao rejeitar parte dos artigos dos camponeses revoltosos, Lutero conclui dizendo: “Nunca a revolta visa um bom fim”. Ao que ajunta Brentano: “Nosso amigo Lutero esquecia a sua.” (Brentano: 125)

Quando a revolta se alastra como incêndio, Lutero se abstém de intervir. É o que vemos na carta ao conselheiro do conde de Mansfeld, João Rühel: “Os camponeses são ladrões e assassinos, é o diabo que tramou isso contra mim: ainda bem! se eles continuam (os camponeses) desposarei minha Kate (Catarina de Bora)” (Brentano: 121)

Ao que Brentano ajunta: “E eis que simples leigos, “homens dos campos, carvoeiros, batedores das granjas”, se punham também a pregar o evangelho, com comentários a seu jeito. Também não assegurava Lutero que todo cristão era padre, pelo próprio batismo, e apto a doutrinar?” (Brentano: 122)

Em Erfurt, a violência contra a Igreja teve uma intensidade particularmente alta, apoiada pela pregação de Lutero e de outros padres apóstatas. Em 1524, um simpatizante da reforma confessava: “Imoralidade, corrupção da juventude, desprezo do ensino, dissensões, tais são os frutos do seu Evangelho.” “Ó infeliz Erfurt!” Estigmatiza também os reformadores, contra “o raivoso comportamento desses homens de Deus sem Deus (godless men of God), (...) ” (Grisar: 306)

Apoiados em Lutero, esses homens de Deus sem Deus pregavam a revolução sangrenta (Bartholomew Usingen), e a “sustentação do evangelho por meio da espada” (Johann Lang). Relatos de roubos e violência contra a Igreja em Erfurt em particular, são pródigos (Grisar: 306-310)

E Lutero, além de instigador, foi propulsor da matança: na obra Contra as hordas bandoleiras e homicidas dos camponeses, fala em termos violentos contra os camponeses, que “roubam e gritam e agem como cães furiosos... Portanto, qualquer um que seja capaz, deve reduzi-los a pedaços, estrangulá-los, feri-los pela espada, secreta ou abertamente, da mesma maneira que alguém é impelido a matar um cão raivoso.” “Estrangule-os, quem puder” e ainda, num de seus delírios escatológicos: “Talvez (...) Deus queira atirar o mundo numa massa de confusão como preparação para o dia do Julgamento.” (Grisar: 282-283)

Posteriormente, para justificar esse seu comportamento doentio, escreveu a Rühel: “Quando os camponeses são tomados por tal espírito, é imperioso que sejam estrangulados como cães raivosos” (Grisar: 283)

Eis o verdadeiro criminoso, que no filme apenas chora comovido pela destruição da Alemanha...


21. Freiras fugitivas em Wittemberg: piedade e sofrimento?

As freiras fugitivas de Nimbschen aparecem em Wittemberg e pedem abrigo ao Dr. Lutero, como se apenas sua fama as houvesse levado até lá.

Porém, Lutero participou diretamente de sua fuga, através de escritos e com ajuda física mesmo; ele escrevera em 1523 dois panfletos pregando a fuga dos conventos para as freiras: Razão e resposta, porque as virgens devem deixar os Conventos com a sanção Divina e Estória sobre como Deus ajudou uma freira.

Conta-nos Grisar: “A ocasião para a publicação do último foi dada por doze freiras Cistercienses, que fugiram de seu convento em Nimbschen (...) com a ajuda do Conselheiro da Cidade, Leonard Koppe de Torgau. Nove dessas freiras fugitivas vieram para Wittemberg. Entre elas estava Catarina de Bora, e uma irmã de Johann Staupitz. (...) É interessante notar a confissão de Lutero de que ele próprio, com a ajuda de Koppe, planejou a fuga das doze freiras, as quais haviam sido iluminadas por seus escritos.” (Grisar: 233-234)

Melanchthon vai reclamar em carta a Camerário que as freiras fugitivas armavam laços para pegar Lutero; que o enlaçavam “com todo tipo de estratégia”. Por receio ou pudor, Melanchthon camuflou os trechos mais picantes dessa carta, escrevendo-os em grego. Não satisfeito, Camerário irá simplesmente excluir esses trechos comprometedores quando publicar a carta! (Grisar: 272)

De acordo com Melanchthon, “Lutero entrou em muito próximos e freqüentes contatos com as freiras fugitivas que vieram a Wittemberg. Deve ser lembrado que algumas delas encontraram alojamento com diferentes famílias na cidade, enquanto outras encontraram refúgio temporário no mosteiro de Lutero” (Grisar: 292)

Convém esclarecer que nessa época (1523) o mosteiro agostiniano de Wittemberg havia virtualmente acabado: os monges que não haviam aderido a Lutero foram expulsos para outras cidades, e o mosteiro ficou vazio. Então, o eleitor Frederick teve a brilhante idéia de transformar o mosteiro em abrigo, em moradia para Lutero. O monge não se fez de rogado e, com alguns discípulos, posteriormente recebeu em seu mosteiro as freiras fugitivas, as mesmas que lhe armavam laços de todos os tipos...

Se nos escritos Lutero era pouco comedido, nas conversas pessoais ultrapassava todos os limites (é isso que tornará particularmente interessante suas Conversas à mesa, que mostram o rebelde sem nenhum freio).

Em carta a Spalatin, na Páscoa de 1525, Lutero dizia que era um “famoso amante” (sic!), e que lhe daria um exemplo: “era realmente impressionante que ele não havia se tornado uma mulher (sic!) há tempos, pois havia escrito tanto sobre casamento e se imiscuído tanto com as mulheres (misceor feminis).” Que tivera três esposas ao mesmo tempo (sic), e que duas delas já o haviam deixado por outros. Continua Grisar: “As três esposas parecem ser as três mulheres que relatos comuns designavam como prováveis para casar com Lutero.” (Grisar: 292)

Tantos contatos com mulheres podem não ter efeminado Lutero, mas podem ter lhe causado outros problemas. Por meio de um relatório médico de 1523, revelado pelo protestante Theodore Kolde, sabemos que Lutero foi acometido de Malum Franciae exatamente na época em que acolheu as pobres freiras fugitivas em sua humilde residência, o mosteiro de Wittemberg. E essa doença, conhecida por todos então, era a sífilis. (Grisar: 290)

Talvez a vida dissoluta do monge rebelde o tenha levado a considerar uma união mais estável, quiçá até um casamento...


22. Pseudo-casamento: amor e dedicação?

Ora, uma festa de casamento normalmente é alegre, pois foi através da união entre homem e mulher que Deus constituiu as famílias, base da sociedade. Aproveitando-se disso os luteranos usaram a ocasião para amenizar o escândalo de um casamento entre um ex-padre com uma ex-freira.

Porém, a realidade foi bem outra.

Em seu estilo debochado, Lutero irá dizer sobre seu casamento: “Eu tornei-me tão baixo e desprezível por este casamento (...) que espero que os anjos rirão de mim e todos os demônios chorarão.” (Grisar: 294)

Surpreendentemente, Lutero escreveu a Spalatin para justificar seu casamento nos seguintes termos: “Eu fechei a boca daqueles que difamavam a mim e a Catarina de Bora.” (Grisar: 295)

Já que alguns Lutero reconhece que quis calar a boca de alguns, que dizer da fama de Catarina?

Já o fato de ser ex-freira, fugida de um convento para viver junto com os pseudo-reformadores em Wittemberg seria escandaloso o suficiente. Mas Grisar acrescenta que ela “foi muito ativa no prosseguimento de sua escolha. Ela desdenhou outras alianças que estavam abertas a ela. Sua mente mirava alvos mais elevados. Ou Lutero ou Amsdorf, ela disse, seria seu marido. Ela percebeu como influenciar Lutero com as artimanhas femininas. (...)” (Grisar: 294)

Sabemos como Melanchthon criticou o casamento inesperado de Lutero em termos duríssimos, na carta a Camerário. E essa carta, depois censurada, só veio integralmente à luz em 1876. Mais uma mentira... pela causa da igreja luterana!

Nessa carta, Melanchthon se queixava nesses termos: “Será para ti uma surpresa saber que em tempos tão calamitosos e no infortúnio de tanta gente de bem, Lutero parece desinteressar-se das misérias públicas, mergulhar nos prazeres, rebaixar sua dignidade, justamente no momento em que a Alemanha mais precisa de sua ciência e autoridade. Eis como, a meu ver, a cousa se passou: Lutero era um homem extremamente leviano e as freiras [por ele soltadas do convento] que lhe armavam laços com grande astúcia acabaram por envisgá-lo... Espero que a nova existência o tornará mais sério e o fará renunciar às chocarrices que tantas vezes nele censuramos.” (Melanchthon, Brief na Camerarius uber Luthers Heirat vom 16 Junii 1525, apud Franca, CP: 131-132)

O curioso é que a carta falsificada por Camerário constava ainda do Corpus Reformatorum (1834), edição oficial das obras luteranas, e que era ainda muito usado na época de Grisar, em 1925!

E por mais escandaloso que possa parecer, o mosteiro de agostinianos de Wittemberg transformou-se no lar do casal Lutero!

Objetos piedosos foram adaptados ao uso profano dos traidores da fé e dos votos. (Grisar: 297-298)

E se Lutero já era vulgar quando tratava de teologia, imaginem quando escrevia sobre o matrimônio!

Pois é, Lutero escreveu um tratado sobre o tema, onde admite o divórcio e o re-casamento em certas circunstâncias, bem como sugere que o marido possa ter relações extraconjugais (sic!): “Lutero diz que se a esposa recusa a servir o debitum (ato conjugal) sem razão, o marido pode usar uma linguagem ameaçadora para obrigá-la: “Se você se recusa, há uma outra disposta; se a esposa se recusar , então deixe vir a serva.” (Grisar: 258-259)
A escandalosa expressão parece ser um ditado popular na época,“significando a relação conjugal fora do casamento.” (Grisar: 259)

O duque George da Saxônia protestou violentamente contra esses absurdos de Lutero, mas a Alemanha parecia estar cega.

Não foi coincidência a degradação moral que se seguiu à Reforma.

E a imagem de um lar verdadeiramente cristão não é exatamente aplicável a Lutero, como se vê no seguinte diálogo entre ele e Catarina: “Lutero a importunava (a Catarina): - Não tardará o momento que um homem poderá casar-se com várias mulheres. – Pensamento do diabo! - E com justa razão, Kate, pois u´a mulher não pode ter mais do que um filho por ano, ao passo que um homem pode arranjar vários. – São Paulo disse: “Que cada um tenha sua própria esposa.” – Sim, “sua própria esposa”; mas não disse “uma só esposa.” Catarina explodiu: - Antes de suportar isso eu os plantaria todos, você e os filhos, e voltaria para o convento. Martim Lutero ria gostosamente. (sic!) (Propos de table, n. 1461)” (Brentano: 205)

Eis o lar cristão que Lutero legava aos pobres alemães...

Apesar do “casamento feliz” que luteranos insistem em ver em Lutero, ele estranhamente irá se apartar de Catarina e dos filhos no final da vida (com exceção de dois filhos, ao que parece).

Quando na cidade de Zeitz, ele “envia carta a sua esposa, declarando que nunca mais voltará e pedindo que ela retorne ao Estado de sua família em Zulsdorf restituindo o Mosteiro (de Wittemberg) ao Eleitor.” (Grisar: 495)

E de fato, Lutero irá falecer em Eisleben, longe da família.


23. Lutero entrega Novo Testamento ao Eleitor da Saxônia, Frederick

Em mais um momento mágico do filme, o jovem reformador entrega candidamente ao eleitor da Saxônia um grosso volume do Novo Testamento em alemão, para delírio do príncipe. O diálogo que se segue então sugere que a Igreja escondia a Escritura e a utilizava para dominar o povo.

Nada mais falso.

Sabemos que à época de Lutero já havia várias versões da Bíblia em alemão: "(...) Os primeiros fragmentos bíblicos vertidos para o baixo-alemão ascendem ao século VIII. No século IX encontramos a tradução dos Salmos e a composição das Biblias historiaes que tornavam mais acessível ao povo o conteúdo histórico dos dois Testamentos. No século XI, um monge de S. Gall, Nokter Labeo (m. 1022) e um abade de Ebersberg, Villiram (m. 1085) dão-nos novas traduções de vários livros do A.T. Estas traduções parciais tornam-se mais freqüentes com o tempo e é certo que nos primeiros anos do século XV, antes da invenção da imprensa, já existia em língua vulgar uma versão integral da Bíblia. A invenção dos tipos facilitou extraordinariamente a difusão dos livros sagrados. Antes de 1477 já se haviam impresso 5 edições da Bíblia (Mogúncia, 1472; Strassburgo, 1466, (duas) Nuremberg, 1470; Augsburgo, 1475). De 1477 a 1522 saíram mais 9 edições (7 em Augsburgo, 1 em Nuremberg, 1 em Strassburgo). Nesta mesma época publicaram-se mais 4 edições completas da Bíblia, em baixo-alemão. (Colônia (duas) 1480; Lubeck, 1494; Halberstadt, 1522). Da Vulgata, - e o latim era então língua acessível à maioria das pessoas instruídas - até 1500 já se haviam tirado quase 100 edições. (...)" (Franca, CP: 205-206)

Poderíamos provocar um pouco mais: será que nessa versão luterana do Novo Testamento se conservara a Epístola de São Tiago? A pergunta é pertinente, pois Lutero não considerava o livro como parte do cânon!

Já na disputa com Eck o rebelde fora obrigado a recusar o livro que mais lhe atrapalhava: "Quanto aos textos que se poderiam opor à sua doutrina [de Lutero], notadamente a Epistola de São Jacques (São Tiago), são, diz ele, contrários à verdade divina, conseqüentemente apócrifos." (Brentano: 64)

Pois com relação à composição da Bíblia, Lutero não tinha critérios nada objetivos. Ele fez do “sentimento religioso o critério para decidir que livros pertencem à Bíblia, quais são duvidosos e quais devem ser excluídos. Ao mesmo tempo, ele praticamente abandona o conceito de inspiração (...) (Grisar: 263-264)

Convém também ilustrar com um exemplo quão vago era o conceito de cânon bíblico para Lutero: certa vez ele disse que a obra Loci Communes de Melanchthon era tão bem feita que merecia fazer parte da Bíblia. (sic!) (Grisar: 207)

Mesmo o incensado protestante Harnack verá “flagrantes contradições” na postura arbitrária de Lutero em relação à Bíblia. (Grisar: 264)

Ainda em relação ao cânon Bíblico, Lutero aplicava esse critério subjetivo como lhe aprazia: “A Epístola aos Hebreus foi posta de lado como “uma epístola fabricada a partir de fragmentos entre os quais há madeira, feno e palha.” A Epístola de São Judas Apóstolo é classificada como “inferior aos livros principais [da Bíblia].” O Apocalipse ele tinha como “nem apostólico nem profético” (...)” “A Epístola de São Tiago “justifica as [boas] obras” e comparada com outros livros da Bíblia, que [conforme Lutero] claramente proclamam a doutrina da justificação somente pela fé, é “uma epístola de palha”, que não tem “nada evangélico nela.” (Grisar: 426)

Eis o respeito luterano pela Escritura Sagrada!

Lutero, que gritava: A Bíblia, só a Bíblia!

E sabemos também que havia muitos problemas na tradução luterana da Escritura, que o filme nem de longe faz supor: "Convém observar que Lutero não se ateve de modo algum à letra e à interpretação gramatical do texto escrito; serve-se da letra quando esta é por ele e contra os outros, por exemplo, contra os suíços. Quando não é por ele, continua seguro de si e sabe o que deve estar na Escritura. É bem conhecido com que liberdade submete à sua censura cada um dos livros sagrados e lhes aquilata o valor pela harmonia com a sua doutrina, chegando até a ajudar o texto quando não lhe parece oferecer com a necessária decisão a pura doutrina da justificação só pela fé." (F. Paulsen, Geschichte des Gelehrten Unterrichts, t. I, 2a. ed. pp. 206-207; apud Franca, CP: 212)

Por isso essa obra do pseudo-reformador provocou naturalmente muitas críticas. “A mais grave acusava-o de ter numa das passagens importantes, ajuntado ou suprimido uma ou outra palavra de modo a fazer do texto um apoio às doutrinas do tradutor sobre a graça, o livre arbítrio e a outras que lhe inundavam o coração.” (Brentano: 180)

O filme tão pouco revela quanto Lutero devia à Igreja: "Quanto à Sagrada Escritura e ao púlpito, é dos papistas que os tomamos; sem os papistas que saberíamos nós?" (Ed. de Wirt, 1551, t. IV, p. 2276; apud Franca, CP: 157).

Também se dizia que a interpretação luterana fora baseada em grande parte no famoso exegeta medieval Nicholas de Lyra, que se distinguia em sua época pela excelência na interpretação da Escritura. Donde surgiu a frase: “Si Lyra non lyrasset, Lutherus non saltasset. (se Lyra (lira) não tocasse, Lutero não teria dançado)” (Grisar: 429-430)

Curiosamente o forjador do livre-exame irá afirmar posteriormente que a Bíblia era de difícil interpretação, e que, portanto, a única interpretação válida era a dele!“Então, para evitar anarquia teológica, ele [Lutero] forja uma autocontraditória demanda para que a interpretação da escola de Wittemberg, i.e., seu próprio tribunal, seja sempre seguido.” (Grisar: 429)

Convém notar que para demolir a autoridade da Igreja, antes Lutero se expressava de modo bem diverso: “a todos os cristãos e a cada um em particular pertence conhecer e julgar a doutrina. Anátema a quem lhes tocar um fio deste direito.” (tratado contra Henrique VIII, em 1522). (Franca, IRC: 231)

Eis o livre-exame luterano...

Os defensores de Lutero gabam-se ainda da contribuição do pseudo-reformador à língua alemã, particularmente na tradução da Bíblia.

Porém, deixam de revelar também que a linguagem vulgar de Lutero “levou a uma certa corrupção da língua alemã (...)” dada a difusão das suas obras e a promoção de sua causa como benéfica à Alemanha (Grisar: 485)

Por fim convém notar que Lutero exaltava a Bíblia quando disputava com os Católicos. Quando, porém, lhe mostravam os textos que se opunham às suas inovações, se desfazia da mesma Bíblia como se fosse uma “escrava, que se devia deixar para ater-se a Cristo, rei e Senhor da Escritura.” (Franca, IRC: 258)

A Bíblia, prezados leitores, só a Bíblia!


24. Os hinos de um Lutero piedoso...

Em primeiro lugar, é falsa a imagem de que a Igreja não possuía cantos piedosos, como insinua um personagem do filme que elogia os hinos de Lutero.

O monge rebelde recebeu da Igreja sua educação musical, como ele mesmo afirmou: “Nos dias do papado,” disse Lutero no final da vida, “havia excelentes canções.” E ainda: “O canto litúrgico (congregational) floresceu antes da Reforma.” (Grisar: 8)

O filme exalta os hinos de Lutero, mas não revela que o rebelde compôs apenas as letras, e que muitas das melodias já eram do cancioneiro popular e religioso alemão.

O filme também não trata do caos litúrgico que se instalou na Alemanha após a liberdade de cerimônia dada por Lutero. Em vão ele tentou unificar os vários ritos, conforme ilustra o caso dos luteranos de Livonia (Grisar: 251)

Brentano narra ainda – e com uma tolerância absurda – uma prática que mostra bem o desprezo pelo sagrado em Lutero, sua completa falta de piedade: “Tem-se-lhe reprovado muito e veementemente o copo catecismo. Um grande copo, marcado com três riscos: o 1º. A partir da borda superior – dizia Lutero – limitava o decálogo; o 2º. O Credo, o 3º. O Padre Nosso. Lutero estava à mesa com Agrícola, que será mais tarde seu violento adversário. De um trago o dr. Martim esvaziou o copo. Agrícola não conseguiu ir além do decálogo. – Bem eu te disse, replicou triunfante Lutero, que tu não chegarias nem mesmo ao Credo.(sic!)” (Brentano: 209-210)

Deve-se situar essa profanação de Lutero em seu contexto. Não é um fato isolado, mas um comportamento recorrente: Lutero quer tornar profano, comum, do uso vulgar, tudo aquilo que é santo.

Já vimos como ele violou seus votos, e os votos da freira Catarina num casamento escandaloso. Vimos também como aceitou viver com Catarina no antigo mosteiro de Wittemberg, outro escândalo sem precedentes.

Mas há um outro fato pouco conhecido e mais profanador ainda, que mostra a que ponto chega essa falsa religião anticristã: A descoberta da torre, onde Lutero teria tido a revelação fundamental de sua doutrina: “Estando na torre, ele dizia, tinha ponderado as palavras: O justo vive pela fé. Seu espírito eleva-se e a conclusão brilha diante dele: Portanto, é a justiça de Deus que justifica e nos salva.” (Grisar: 108)

Contra Lutero evidentemente se opõe o Apóstolo São Tiago: "De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo?" (Tg II, 14) e ainda: "Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg II, 26)

Mas prossegue o rebelde alemão, explicando exatamente de que lugar se tratava a tal torre do mosteiro de Wittemberg: “Aquelas palavras tornaram-se mais gratificantes para mim. Nessa cloaca (toilete) o Espírito Santo inspirou-me com essa apta interpretação.” (Grisar: 108).

A confissão foi captada por mais de um pupilo nos Propos de table, embora muitos protestantes se sentiram depois constrangidos em reproduzir esse fato.

O biógrafo luterano Kawerau completa a descrição dessa passagem repetindo estas palavras inacreditáveis do rebelde: “(...) o Espírito de Deus é livre para agir em qualquer lugar, mesmo na cloaca. (sic!)” (Grisar: 109)

Eis o reformador evangélico em toda sua crueza!

Nele, o sagrado e o profano são nivelados – evidentemente – por baixo, pelo nível mais baixo.

São fatos revoltantes como esses que fizeram com que São Francisco de Sales lançasse essa terrível se