Os católicos são idólatras porque quero, porque quero !

 É fato que a Bíblia condena a adoração a imagens, ( Êx 20, 3-5. 23; Lv 19, 4; Dt 4, 16-20; 27, 15; Sl 113 ou 115, 4-8; Is 44, 9-20... ) E por isso alguns protestantes usam esses trechos bíblicos para chamar os católicos de idólatras por usarem imagens de esculturas dos santos.
 
Mas há uma diferença entre ídolos (imagens que são adoradas como se fossem deuses) e imagens que servem como uma lembrança e inspiração para as pessoas. Então, o fato dos católicos utilizarem imagens não significa que eles são idólatras (adoram as imagens como se fossem deuses). Quem faz isso, segundo a doutrina católica, não é católico autêntico. Cf. em CIC (Catecismo da Igreja Católica) Parágrafos: 2084-2085. 2110-2114. 2129-2134. Leia-o em: 
http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap1_2083-2195_po.html
 
Existem passagens bíblicas que proíbem  fazer imagens(citadas a cima) e outras em que Deus ordena que se faça imagens ( Nm 21, 8-9; Êx 25, 18-22; 26, 1; 31, 1-5; 37, 1. 3-5.7-9; 1° Rs 6, 23. 27. 29. 32. 35; 7; 29; Ez 41, 17-25; 1° Crôn. 22, 10. 15-16; 28, 18-19...) Deus pode se contradizer? Nós cristãos acreditamos que não, então deve haver uma explicação para isso, e vamos observar o que a bíblia diz para ter essa explicação. Caso não acredite na explicação, o que resta é a conclusão de que Deus se contradisse, o que nenhum cristão pode acreditar.
Em relação aos textos que Deus proíbe fazer imagens, pelo contexto dos mesmos, chega-se à conclusão que: A Bíblia condena adoração  a “ falsos deuses, ídolos”, e fazer “ imagens dos falsos deuses" para substituir o lugar do verdadeiro Deus, Cf: Ex 20, 3. 23. Isto é, condena a idolatria, um dos piores pecados que impede a salvação eterna. Cf: Apc 22, 15; 1° Cor 6, 9-10.
Em outras palavras: Deus só proibiu fazer imagens para serem adoradas, isto é, serem consideradas como Deus ou valorizadas igual ou mais do que Deus, Cf: Ex 32, 4; 20, 23; Lv 19,4; Dt 4, 16; Is 44, 17. Fica claro que No versículo 4-5 de êxodo 20, como nos demais citados, Deus não está proibindo fazer qualquer espécie de imagem ou com qualquer finalidade, pois se assim fosse, toda humanidade estaria condenada, pois quem é que não tem ou não manda fazer retrato, pintura, escultura, desenho, estaria proibindo a profissão do escultor, desenhista, pintor... Mas está proibindo qualquer tipo de imagem de ídolo e fazer imagem para serem adoradas. “A lei eterna jamais pode ser ab-rogada e assim será sempre pecaminosa a idolatria”. Tais textos ensinam que  Deus condenou, condena e sempre continuará condenando ídolos; imagens que ocuparam ou ocupam o lugar de Deus. Que Deus proíbe a idolatria: substituir o criador em nosso coração por qualquer coisa ou criatura, como por exemplo: objetos imagens, talismã ... , poder, prazer, dinheiro, sexo, esporte, pessoa humana. 
 
Todas as vezes que Deus condena as imagens ele se refere à  " idolatria", na qual se reconhece e considera uma imagem ou criatura como único ” Deus” em substituição ao Deus verdadeiro. Isso nunca quisera os Santos! Maria se declarou a “Serva do Senhor” (Lc 1,38) S. Francisco dizia “Meu Deus e meu Tudo”.
Já em relação aos textos que Deus manda fazer imagens, pelo contexto dos mesmos chega-se à conclusão que:  quando as imagens não eram para ser adoradas Ele mesmo não só permitiu mas mandou fazer imagens e colocá-las no templo. Confira:
-Nm 21, 8-9: “faze para ti uma serpente de bronze, quem olhar para ela ficará curado”
- Ex 25,18: "Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido...";
-” E no oráculo fez dois querubins de madeira de oliveira... E todas as paredes da casa ( do templo) em redor , lavrou de esculturas e entalhes de querubins...” cf. 1° Reis 6, 23. 29. 32-33. 35. Tradução João Ferreira de Almeida
, edição corrigida e revisada, SBTB.
Leia ainda: Ex 31, 1-5 = Ex 37, 1-7;  Sl 74, 3-7...
 
A Bíblia não é supermercado, onde você escolhe os produtos do seu gosto e deixa os que não lhe interessam. "Toda a Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3,16). Portanto, não basta tomar este ou aquele versículo, e esquecer os outros igualmente inspirados.
No primeiro exemplo Deus ordena que uma serpente seja construída para que aquele (a) que olhasse para ela fosse curado. No momento esta serpente não era adorada, apenas a tinham como um instrumento de livramento que o seu Deus havia ordenado. Só a partir do tempo em que davam a essa serpente adoração e glória devidas a Deus que ela foi destruída.
 
Ele tirou os altos, quebrou as estátuas, deitou abaixo os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera; porquanto até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso, e lhe chamaram Neustã. (2Reis 18:4)
 
O que está implícito aí é que a serpente foi preservada pelos que sucederam Moisés, como Josué, em tempos posteriores. Nesse caso, o problema não foi a confecção da imagem que foi ordenada pelo próprio Deus, mas a adoração como se fosse um Deus.
 
Outro exemplo interessante são as imagens que estavam no templo, que, segundo a bíblia, eram revestidas de ouro (1Reis 6:21,22). Adiante o livro relata que:
E no oráculo fez dois querubins de madeira de oliveira, cada um da altura de dez côvados. E uma asa de um querubim era de cinco côvados, e a outra asa do querubim de outros cinco côvados; E todas as paredes da casa, em redor, lavraram de esculturas e entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, por dentro e por fora. O umbral de cima com as ombreiras fazia a quinta parte da parede. Também as duas portas eram de madeira de oliveira; e lavrou nelas entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, os quais revestiu de ouro; também estendeu ouro sobre os querubins e sobre as palmas. (1Reis 6:23:32)
Os Querubins tinham 10 cúbitos, sendo que cada cúbito possui 50cm! Até mesmo o véu tinha Querubins 2Cr 3:7. Nas crônicas relata que tinha também animais:
Fez também o mar de fundição, de dez côvados de uma borda até a outra, redondo, e de cinco côvados. E por baixo dele havia figuras de bois, que cingiam o mar ao redor, dez em cada côvado, contornando-o; e tinha duas fileiras de bois, fundidos juntamente com o mar. E o mar estava posto sobre doze bois; três que olhavam para o norte, três que olhavam para o ocidente, três que olhavam para o sul e três que olhavam para o oriente; e o mar estava posto sobre eles; e as suas partes posteriores estavam todas para o lado de dentro. (2Cronicas 4:2-4)
Fica claro que Deus proibiu fazer imagens de ídolos, mas não proibiu fazer imagens que não são ídolos. Que Deus só proibiu fazer ou ter imagens para adorá-las, mas não proibiu fazer imagens para outras finalidades, como por exemplo; para venerá-las (respeitá-las).
O que podemos compreender nisso tudo é que o que Deus proíbe é a idolatria, que é diferente de veneração.
 
Por isso que logo quando criticam a Igreja Católica dizendo que Deus condena a idolatria eu digo que é verdade, mas o problema é: o que é idolatria? Qual a definição bíblica de idolatria?
Idolatria não é o uso de imagens no culto divino, mas prestar à criatura ou objeto o culto de adoração que devemos exclusivamente a Deus. É por isso que são Paulo em Col. 3,5 nos adverte que a avareza é uma idolatria, e como sabemos avareza é um sentimento e não uma imagem. Ídolo é “tudo” que ocupa o lugar de Deus em nosso coração, é “ tudo" que damos prioridade e amamos igual ou mais do que Deus, por conseguinte, nem todo ídolo é imagem e nem toda imagem é ídolo. Idolatria, etimologicamente, é a composição de duas palavras ídolo + latria, isto é,  adoração de ídolo, é o ato de adorar o falso deus.
 
Por isso fica um dilema para os que dizem que Deus condena a simples confecção de imagens:  “Deus se contradisse”?. A pessoa que acredita nisso não pode de hipótese alguma, ser considerada cristã, pois para o cristão Deus não pode se contradizer. A única saída é acabar com o preconceito sobre a confecção de imagens e admitir que o que Deus proíbe é a adoração delas como se fossem um deus, o que se vê pelo contexto das proibições.
 É bom lembrar que a questão aqui é saber se todo e qualquer tipo de imagem são proibidas por Deus e se são proibidas com quaisquer finalidades, “exceto para adoração- pois a igreja ensina que Deus condena a idolatria”. Se Deus abominasse, se Deus proibisse todo tipo de imagens e com quaisquer finalidades não teria mandado fazer imagens nem teria dado sua benção sobre o templo cheio de imagens como a bíblia relata, garantindo a aprovação de tudo que foi feito, inclusive das imagens que tinha no mesmo. Confira
E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a casa do SENHOR. E os sacerdotes não podiam permanecer em pé para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR enchera a casa do SENHOR. (1Reis 8:10,11)
Alguns se utilizam de subterfúgios como o dicionário para dizer que veneração tem o mesmo significado de adoração. Ora, a definição do dicionário é superior a definição bíblica? Além disso, o dicionário atribui o mesmo significado para “amar” e “honrar”, então Deus teria mandado os filhos adorar os pais?
 
Quando não conseguem condenar o uso de imagens pela bíblia, com seu preconceito infundado, algumas pessoas apelam para a afirmação de que os cristãos primitivos não faziam o uso de imagens, o que é mentira. Qualquer um que observar as catacumbas cristãs primitivas vai perceber que eles faziam sim o uso de imagens, como se pode ver em pesquisas sobre as catacumbas cristãs. Esse é um dos vários motivos que se faz concluir que os cristãos primitivos eram mais católicos que protestantes, além das doutrinas que seguiam.
 
É importante citar que a reforma protestante inicialmente não condenou o uso de imagens, já que como observamos, não é algo anti-biblico. Eles tratavam de outras questões como a justificação do cristão, por exemplo. Com o passar do tempo e o aumento do preconceito e implicância com o catolicismo, além da falta de conhecimento bíblico devido à Sola Scriptura (afinal, qualquer um poderia ler e concluir o que bem entendesse já que, segundo eles o Espírito Santo os inspiraria e daria entendimento), os protestantes criaram esse clichê anti-católico de que os católicos adoram imagens. Com essa atitude de ignorar a importância das imagens no cristianismo, do contexto bíblico e da real doutrina católica, algumas pessoas têm agido com extrema falta de respeito, de conhecimento, de caridade... Para com os católicos, sua fé e práticas. Ora, o preconceito, a mentira, a calunia... Nunca foram e nunca será o meio para a verdadeira evangelização e jamais será usada pelos verdadeiros cristãos.
 
Quero destacar, também, que quando se olha uma imagem não é para venerá-la, como se ela pudesse ver. A bíblia fala claramente que estátuas não ouvem, tocam ou enxergam. O que se faz é lembrar-se da pessoa retratada. Ninguém considera idólatra um filho que ama a mãe e vive recordando seu exemplo através de seu retrato (que é uma imagem), seria idolatria se o filho adorasse a mãe como se fosse o Deus criador do universo.
 
 Se algumas pessoas dão honras exageradas aos santos, é bom saber que esse não é o ensino católico. Vários afirmam que os padres poderiam acabar com esse tipo de atitude apenas afirmando que não se deve adorar aos santos, e é o que fazem. Quanto a alguns que não conhecem piamente sua doutrina, é bom lembrar que Deus não leva em conta o tempo de ignorância. Por essas e outras razões que ainda serão apresentadas, não se deve julgar o todo por causa de uma parte. Mas isso não quer dizer que a doutrina da igreja aprova tais exageros. 
 
Portanto, assim como não devemos dizer que todos os evangélicos pisam no sangue de Cristo quando fazem sacrifícios vãos e apoiam doutrinas contrárias à própria escritura, também não devemos julgar toda a igreja católica por conta de uma pequena parte (pois isso ocorre principalmente no nordeste do Brasil). Por conta disso alguns objetam que o uso de imagens leva a idolatria. Isso algumas vezes é verdade, como a bíblia mostra que aconteceu com o povo de Israel, mas nem por isso Deus condenou a sua fabricação, principalmente na arca e no templo. Assim como as musicas muitas vezes levam a idolatrar os músicos e alguns pregadores são exaltados nas alturas, mas não se deixa de fazer musica e pregar devido seu beneficio. Pois sabemos que o abuso (mal e errôneo uso) não exclui o uso (o bom e correto uso).
 
Além dessas situações relatadas na bíblia, é bom lembrar que ela fala de formas iguais que apresentam objetivos diferentes. Para que entenda melhor essa questão, pode-se lembrar de musicas com um mesmo ritmo, tocadas por instrumentos idênticos, mas com mensagens totalmente opostas. Algumas fazem apologia à violência, enquanto outras trazem mensagens de paz. Ou um médico que abre o corpo para salvar uma vida e um psicopata que o faz por prazer mórbido. Ambos possuem a mesma forma (abrir um corpo ou possuir o mesmo ritmo), mas têm objetivos diferentes.
As situações narradas pelas escrituras são semelhantes. Alguns se ajoelham para venerar, como forma de respeito e veneração (1 Reis 1:16; 2 Samuel 14:4; 1 Reis 18:7; Rute 2:10), outros como adoração a ídolos ou a Deus.
 
Pedro foi prudente falar para o homem que se ajoelhou diante dele pois sua cultura era essencialmente idólatra. João se prostrou diante do Anjo para adorar, o anjo disse para adorar a Deus. O versículo diferencia a forma do objetivo. Assim como o medico abre um corpo para salvar vidas e outro faz o mesmo para matar, João fez com o objetivo errado. Isso faz total sentido, pois o anjo não o exortou porque se ajoelhou, mas por causa do objetivo de adorar.
 
Nem sempre se adora ajoelhado, ou se ajoelha adorando. Por isso, como observamos, na cultura judaica, se prostrar não é necessariamente adorar. Por esses motivos a forma (ajoelhar) não se configura sempre ao mesmo objetivo, que pode ser venerar ( Gn 27, 29; 18, 2), adorar ( Mt 4, 9-10) ou até mesmo fazer zombaria (Mt 27, 29)
 
Idolatria, como foi visto não é confeccionar imagens como lembrança ou respeito, mas tratar a criatura como se fosse o criador. Caso os protestantes que defendem isso levassem essa distorção da verdade a sério, e não apenas como preconceito (isso porque nem todos cometem esse erro), não teriam fotos, lembranças artesanais ou até mesmo imagens nos livros que falam contra imagens.
 
Nesse ponto, não se pode continuar ir de encontro a verdade e afirmar que confeccionar qualquer tipo de escultura é adoração e é condenado por Deus, mas apenas a idolatria, que nem sempre se dá com imagens esculturais.
 
Em suma: Deus proíbe os ídolos, não as imagens. Tanto que ordenou que dois anjos fossem postos na arca e que Salomão (seu escolhido para construir o templo) colocou várias imagens de tamanho consideráveis no Templo, atitude que foi aprovada por Deus. Por isso qualquer pessoa honesta intelectualmente deve pensar duas vezes antes de chamar (caluniar) os católicos de idólatras e considerar qualquer imagem um ato de idolatria.
 Adorar imagem é considerá-la como deus cf. Ex 32, 4; Is 44,7, ou teologicamente falando, é também valorizá-la igual ou mais de que Deus. Ora, nenhum católico (a) "que conhece e obedece a doutrina católica" considera os santos e suas imagens a coisa mais importante de sua vida, menos ainda os (as) considera como Deus, afirmar “terminantemente” o contrário é mentira e calúnia, que assim como a idolatria, fecha a porta do céu para quem morre com ou em tais pecados.
Autor: Jonadabe Rios
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Obs: Com alguns suplementos do catequista: Aquino tirado do seu site;
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